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10 de outubro de 2017

Nossa Senhora Aparecida — 300 anos de fé, graças e bênçãos!


Paulo Roberto Campos 

Nestes dias, “do Prata ao Amazonas, do mar às cordilheiras”, o Brasil celebra o jubileu do tricentenário de sua augusta Rainha e Padroeira, coroada solenemente Rainha em 1904 e declarada de modo oficial Padroeira em 1930. 

12 de outubro — dia bendito da “pesca milagrosa” nas águas do Paraíba em 1717 — é data especialmente grata a todos os brasileiros. Desde aquele histórico momento até hoje, comemoramos 300 anos de abundantes graças que Nossa Senhora Aparecida concedeu a nossa Pátria. 

Três séculos de fé e de bênçãos, nos quais Nossa Senhora estabeleceu em Aparecida seu trono de Rainha para reger o Brasil. Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, que foi membro titular da Academia Marial de Aparecida, “se o Brasil não fosse oficialmente o País agnóstico e interconfessional que é, o verdadeiro seria, para determinados efeitos, que sua capital autêntica fosse Aparecida”

Claro, todos nós temos muito que agradecer a Ela, muito a pedir por nós, por nossos próximos e pelo Brasil, mas também um sincero pedido de perdão por tantas ingratidões, infidelidades, bem como por abomináveis atos praticados que afrontaram a Virgem Mãe Aparecida. É longa a lista de tais atos praticados contra Ela em nossas terras — pecados, profanações, sacrilégios, blasfêmias etc. Basta lembrar um recente ultraje: no carnaval deste ano, sua sacrossanta imagem foi sacrilegamente conduzida no Sambódromo da capital paulista em um carro alegórico de uma “escola de samba”, em meio a um ambiente de imoralidades, bebedeiras e torpezas de toda ordem! Terrível afronta à Santa Mãe de Deus! 

Portanto, nesta festa jubilar dos 300 anos da Rainha e Padroeira do Brasil, é o momento de pedir-Lhe ainda mais graças, e também perdão. Pedir pela recristianizarão do País, pela restauração dos valores católicos de nossa gente. Parafraseando o grande Camões, poderemos dizer: “Uma forte Rainha, faz forte a fraca gente”. Assim, seguindo fielmente a Rainha que Deus nos concedeu como celestial farol, nós chegaremos ao porto seguro: o Brasil cumprirá sua missão e terá esplêndido porvir carregado de bênçãos e grandezas.

11 de setembro de 2017

Marido e Esposa: autoridade idêntica na Família?

A instituição primitiva do casamento, deturpado pelo pecado dos homens, Nosso Senhor Jesus Cristo veio restaurá-lo na sua plenitude, elevando-o, além do mais, à condição de sacramento, que transmite a graça e simboliza a união entre Cristo e a Igreja. (Pintura: Casamento da Virgem – detalhe do tríptico do pintor Goswin van der Weyden, que se encontra na Igreja Sint-Gummaruskerk, em Lier (Bélgica).
Um leitor da revista Catolicismo enviou uma pergunta, para ser respondida pelo Monsenhor José Luiz Villac, que muito interessa àqueles que costumam acompanhar os temas deste espaço especialmente apropriado às famílias. Segue a muito instrutiva resposta, publicada na edição deste mês da revista (Edição Nº 801, Setembro/2017).
Pergunta Conversando recentemente com um canonista, ele me disse que, no casal, o marido e a mulher mandam em igualdade de condições. Que nas últimas décadas houve uma evolução no modo de a Igreja considerar a autoridade na família, pelo que a versão mais tradicional, segundo a qual prevalece a autoridade do marido, deu lugar a um conceito mais igualitário. Creio que a última encíclica do Papa Francisco “Amoris Laetitia” trata de algo sobre isto. Será que o Sr. poderia me esclarecer e, se for o caso, inclusive me dizer se existe algum ensino infalível da Igreja sobre esta matéria?
Resposta Para responder com profundidade a essa “polêmica” pergunta do nosso caro missivista — que se situa na contracorrente da escalada feminista na sociedade —, é preciso relembrar, ainda que de modo sucinto, a teologia do matrimônio cristão e da família. 

O casamento foi divinamente instituído para três finalidades elevadas: propagação do gênero humano, educação dos filhos, auxílio mútuo dos esposos. Para assegurar essas altíssimas finalidades, o casamento possui duas características essenciais: a indissolubilidade e a unicidade ou monogamia. 

Assim, através do pacto matrimonial pelo qual os esposos se dão inteiramente um ao outro para formar “uma só carne” (Gn 2, 24), eles são constituídos num estado que pode ser definido como uma união perpétua e exclusiva entre um homem e uma mulher com a finalidade principal de gerar filhos e educá-los, e, secundariamente, para se prestarem mútuo apoio. 

Essa foi a instituição primitiva do casamento. Deturpado pelo pecado dos homens, Nosso Senhor Jesus Cristo veio restaurá-lo na sua plenitude, elevando-o, além do mais, à condição de sacramento, que transmite a graça e simboliza a união entre Cristo e a Igreja. 

Na pequena comunidade que é a sociedade doméstica, Deus estabeleceu, no IV Mandamento da sua Lei, as regras que devem governar as relações entre os pais e os filhos e que Leão XIII assim descreve: “Pelo que respeita aos filhos, devem submeter-se e obedecer a seus pais, honrá-los e venerá-los por dever de consciência, e, por outro lado, os pais devem aplicar todos os seus pensamentos e cuidados em proteger seus filhos e, sobretudo, em educá-los na virtude: ‘Pais [...] educai os vossos filhos na disciplina e nos mandamentos do Senhor' (Ef. 6, 4)” (Enc. Arcanum divinae sapientiae, n° 8). 
O Apóstolo São Paulo na sua Epístola aos Efésios: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela [...] Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo” (Pintura: Carícia materna – Mary Cassatt, 1896. The Philadelphia Museaum of Art, EUA).

Duas existências numa só 

Mas Deus também estabeleceu as regras que devem governar as relações dos esposos entre si. Quanto à finalidade principal de procriar e educar os filhos, pelo pacto matrimonial os esposos são obrigados ao débito conjugal, conforme ensina São Paulo: “O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa” (1 Cor 7, 3-4).

As obrigações decorrentes da finalidade secundária, ou seja, o fundir-se de duas existências numa só e o apoio mútuo que marido e mulher devem prestar-se, o mesmo São Paulo as formulou na sua Epístola aos Efésios.

Aos maridos, o Apóstolo diz que eles devem se sacrificar por suas respectivas esposas: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela [...] Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne” (5, 25-31). 

E às esposas, São Paulo ensina que devem obedecer aos seus maridos: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos” (5, 22-24). 

“Toda a família é uma sociedade” 

Nesse santo consórcio, ao marido cabe a autoridade, porque a força física e de caráter com que Deus dotou o sexo masculino serve de apoio à delicadeza de sua mulher e à fraqueza de seus filhos. À mulher cabe principalmente educar os filhos e influenciar toda a família pela sua delicada sensibilidade de coração, sua dedicação, sua benignidade, seu carinho. 

Em uma das suas alocuções aos recém-casados, de 10 de setembro de 1949, afirma o Papa Pio XII: 
“Toda a família é uma sociedade, e toda a sociedade bem ordenada reclama um chefe, todo o poder de chefe vem de Deus. Portanto, a família que vós fundastes tem também seu chefe, um chefe que Deus investiu de autoridade sobre aquela que se deu a ele para ser sua companheira, e sobre os filhos que virão, pela bênção de Deus, crescer e alegrar a família, tais como os rebentos verdes em torno do tronco de oliveira. Sim, a autoridade do chefe de família vem de Deus, assim como de Deus que Adão recebeu a dignidade e a autoridade de primeiro chefe do gênero humano e todos os dons que ele transmitiu à sua posteridade”

Ele não fazia senão repetir a doutrina salutar reiterada pelo Papa Pio XI na sua famosa encíclica Casti connubii, na qual especifica a “ordem do amor” que deve revestir a hierarquia doméstica: 
“Essa ordem implica de um lado a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos, e de outro a pronta sujeição e obediência da mulher, não pela violência, mas como a recomenda o Apóstolo [...] Tal sujeição não nega nem tira à mulher a liberdade a que tem pleno direito, quer pela nobreza da personalidade humana, quer pela missão nobilíssima de esposa, mãe e companheira, nem a obriga a condescender com todos os caprichos do homem, quando não conformes à própria razão ou à dignidade da esposa [...] Se efetivamente o homem é a cabeça, a mulher é o coração; e, se ele tem o primado do governo, também a ela pode e deve atribuir-se como coisa sua o primado do amor. O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido podem variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus” (n° 26-27). 
Família na Alemanha do séc. XIX – Ludwig Knaus (1829 – 1910). Märkisches Museum, Berlim.

A família não é uma sociedade igualitária 

A exortação pós-sinodal Amoris laetitia, pelo contrário, saúda a “superação de velhas formas de discriminação e o desenvolvimento de um estilo de reciprocidade” no casamento, afirmando ver nessa superação “a obra do Espírito no reconhecimento mais claro da dignidade da mulher e dos seus direitos”, embora nessa evolução tenham aparecido “formas de feminismo que não podemos considerar adequadas” (n° 54). E acrescenta: “No lar, as decisões não se tomam unilateralmente, e ambos [marido e mulher] compartilham a responsabilidade pela família”. Assim, “em cada nova etapa da vida matrimonial, é preciso sentar-se e negociar novamente os acordos, de modo que não haja vencedores nem vencidos, mas ganhem ambos” (n° 220).

A Exortação apostólica não hesita em “reinterpretar” a epístola do Apóstolo dos Gentios aos Efésios, acima citada. O preceito paulino de que “as mulheres sejam submissas a seus maridos” não significa “submissão sexual”, diz o Papa Francisco. “São Paulo exprime-se em categorias culturais próprias daquela época”; trata-se, segundo ele, apenas de uma “roupagem cultural” que “nós não devemos assumir” (n° 156). 

E para tentar justificar teologicamente esse novo modelo de casamento igualitário, o Papa Francisco se apoia num ensinamento de S.S. João Paulo II, na audiência geral de 11 de agosto de 1982, no qual ele afirma que a comunidade constituída pelos cônjuges “realiza-se por meio de uma recíproca doação, que é também submissão mútua”, porquanto o Apóstolo aconselha: “Submetei-vos uns aos outros” (Ef. 5,21). Seis anos mais tarde, na carta apostólica Mulieris dignitatem, o mesmo Papa afirmou que “enquanto na relação Cristo-Igreja a submissão é só da parte da Igreja, na relação marido-mulher a ’submissão’ não é unilateral, mas recíproca!” (n° 24). 

O grande problema dessa interpretação é que ela não se baseia em nenhum texto escriturário, patrístico ou magisterial, tratando-se, portanto, de uma interpretação puramente pessoal e gratuita, que contradiz o que a Igreja Católica sempre ensinou durante quase dois mil anos. 

O modelo ideal é a família patriarcal 

Em segundo lugar, a expressão “submissão mútua” é um contrassenso, uma contradição nos termos, porque é impossível alguém mandar em outrem e ao mesmo tempo lhe estar submetido a respeito de uma mesma esfera de assuntos. Mesmo imaginando um marido que fosse empregado de sua mulher na vida profissional, não se poderia falar de “submissão mútua”, porque enquanto ele mandaria na casa, a mulher mandaria no escritório, e um seria súdito do outro, mas em momentos e áreas diferentes. 

Além de o versículo 21 (“submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo”) constituir uma advertência a toda a comunidade, nele a expressão “uns aos outros” não pode ser entendida como uma reciprocidade de relações pela qual todos se submetem a todos (coisa impossível, como visto), mas antes no sentido de que alguns da comunidade devem se submeter a outros da mesma comunidade (os jovens aos idosos, os discípulos aos mestres, as mulheres aos maridos, os filhos aos pais, etc. todos eles membros da mesma comunidade).

Algo semelhante ocorre na Epístola aos Colossenses, na qual São Paulo exorta: “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar uns aos outros” (3,16). Ora, é sabido que no Novo Testamento o ensino e a exortação são atividades claramente restritas aos detentores dessa missão eclesial. 

Se essas considerações não fossem suficientes, bastaria relembrar a analogia que São Paulo estabelece entre marido e mulher, e Cristo e a Igreja: é inimaginável supor que Nosso Senhor e sua Esposa mística estejam “submetidos um ao outro”! Pelo contrário, ele diz que a mulher deve submeter-se ao marido “em tudo”, como a Igreja é submissa a Cristo. Aliás, se a mulher deve se submeter ao marido em tudo, no que poderia ele ser submisso a ela?

É exercendo sua autoridade que o marido imita Nosso Senhor, o qual, como os Papas João Paulo II e Francisco ressaltaram, “não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em redenção por muitos”, e que, assim fazendo, introduziu um modelo cristão de exercício do poder, radicalmente diferente do pagão. 

Após cinco décadas de igualitarismo no exercício do hoje chamado “poder familiar”, substituto do “pátrio poder” do antigo Código Civil, nunca a família brasileira padeceu semelhante crise, nem o número de divórcios foi tão elevado, com indizível custo psicológico e moral para suas principais vítimas: os filhos.

Somente retornando ao modelo austero e hierárquico da família patriarcal, fundada no matrimônio indissolúvel e na prole numerosa, é que a família brasileira poderá recuperar seu vigor de outrora. 

Que São José, modelo do exercício virtuoso da autoridade paterna na Sagrada Família — onde era menor a outros títulos —, nos ajude nessa obra fundamental de restauração!

5 de julho de 2017

Preocupações concernentes à situação do mundo e da igreja

Entrevista publicada na 
Revista Catolicismo, nº 799, Julho/2017 

“Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita.” 


O Emmo. Cardeal Raymond Leo Burke nasceu no dia 30 de junho de 1948 em Richland Center (Wisconsin, EUA) e cursou o seminário Holy Cross e a Catholic University of America em Washington. Completou seus estudos de Direito Canônico na Universidade Gregoriana de Roma em 1971. Ordenou-se sacerdote quatro anos depois. O Papa João Paulo II nomeou-o bispo de La Crosse em 1994 e arcebispo de St. Louis em 2003. Bento XVI elevou-o ao cardinalato em 2010. Durante cinco anos — até 2015 — ocupou o cargo de Prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, sendo atualmente Patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta. O insigne Purpurado é uma voz proeminente nos ambientes conservadores, especialmente em assuntos atinentes à Igreja, à família e à situação norte-americana. Em sua recente visita ao Brasil, o Cardeal Burke passou pelas capitais do Pará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo para lançamento de seu livro O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade [para a reportagem click aqui] —, obra que revela profunda devoção eucarística. Catolicismo obteve uma entrevista exclusiva por meio de nosso colaborador Dr. Mario Navarro da Costa, na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

*      *      * 
“Fiquei muito impressionado com o entusiasmo 
das pessoas. Pude constatar que são fiéis católicos 
muito ardorosos, desejosos de conhecer mais 
profundamente sua fé e também praticá-la”
Catolicismo — Eminência, muito obrigado por conceder esta entrevista à revista Catolicismo. Poderia dizer a nossos leitores se já conhecia o Brasil, qual o motivo desta visita a algumas cidades brasileiras e sua impressão sobre nosso País? 

Cardeal Burke — Esta é a minha primeira visita ao Brasil e o propósito dela foi apresentar a tradução em português de meu livro sobre a Sagrada Eucaristia, O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade. Então escolhemos quatro cidades maiores nas quais o apresentaríamos. Sei que o País é muito grande e não poderia percorrê-lo todo, mas foi ótima esta primeira vinda aqui, ocasião em que percorri Belém, Brasília, Rio de Janeiro, e, finalmente, São Paulo. Fiquei muito impressionado com o entusiasmo das pessoas que vieram em grande número para a apresentação do livro. Falando com elas, pude constatar que são fiéis católicos muito ardorosos, desejosos de conhecer mais profundamente sua fé e também praticá-la.



“Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida rezei especialmente pelo Brasil, porque 
estou convencido da importância do País 
em relação ao mundo inteiro, por causa de sua fé católica
Catolicismo —Neste ano em que comemoramos o 300º aniversário de Nossa Senhora Aparecida, soubemos que Vossa Eminência esteve no Santuário d’Ela. 

Cardeal Burke — Sim, eu pensei: “Eu não poderia vir ao Brasil e não visitar Nossa Senhora Aparecida”. Vindo do Rio de Janeiro para São Paulo, passei por Aparecida do Norte e, claro, o destaque da peregrinação foi rezar diretamente diante da sua imagem. Rezei especialmente pelo Brasil, porque estou convencido da importância do País em relação ao mundo inteiro, por causa de sua fé católica. Além de rezar nessa intenção, pude celebrar a Santa Missa num altar consagrado pelo Papa João Paulo II nas intenções dos católicos brasileiros.



“Creio firmemente que os portugueses têm uma missão muito importante a cumprir 
no mundo inteiro, em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima. 
E agora diria o mesmo em relação ao Brasil”
Catolicismo — Em suas viagens Vossa Eminência visita muitas paróquias e grupos católicos. Quais as preocupações gerais que habitualmente os fiéis lhe exprimem a respeito da situação do mundo e da Igreja?

Cardeal Burke — Os fiéis manifestam-se muito preocupados com a situação do mundo cada vez mais laico, com o cruel ataque a vidas humanas inocentes de nascituros indefesos através do aborto, a generalização da prática da eutanásia, e até a negação da liberdade da Igreja de prosseguir com integridade a sua missão. E, mais recentemente, esta enormidade denominada “teoria de gênero”, pela qual as pessoas tão presunçosas pensam poder redefinir nossa natureza sexual, que naturalmente se destina a juntar homem e mulher em uma vida inteira de fiel união, à qual Deus concede o dom da vida humana. Com a introdução dessa terrível teoria, nossa natureza sexual será reduzida a uma espécie de avenida de luxúria e de graves atos imorais. 

Todos esses fiéis veem isso, que constitui escândalo para eles, fonte de profundas angústias, porque veem seus filhos e netos crescendo nesse mundo, causa de não pequenas preocupações, pois ficam sem saber se permanecerão fiéis a Nosso Senhor ou se vão cair nessa grande infelicidade da vida de pecado. Sobretudo em nossos dias, em que tanta confusão penetra até na própria Igreja. Por exemplo, está acontecendo toda essa confusão sobre atos intrinsecamente maus quanto à possibilidade de se receber a Sagrada Comunhão sem se confessar, apesar de a pessoa se encontrar em pecado mortal. 

Todas essas questões fundamentais estão sendo postas em dúvida e causam, é claro, grande angústia nas pessoas. Tenho viajado bastante, limito-me a apresentar o ensinamento básico da Igreja e as pessoas ficam gratas ao ouvi-lo. Eu sempre lhes digo: “Nada tenho de novo a lhes oferecer, o que tenho a lhes oferecer é o que continua sempre novo, ou seja, as verdades de nossa Fé”. 



“Está se dando toda essa confusão sobre atos intrinsecamente maus quanto à possibilidade 
de se receber a Sagrada Comunhão sem se confessar, 
apesar de a pessoa continuar em pecado mortal”
Catolicismo — A viagem de Vossa Eminência ao Brasil está se dando no centenário das aparições e da Mensagem de Fátima, das quais os brasileiros sentem-se muito próximos — não somente pelos laços históricos e psicológicos que os unem a Portugal, mas também porque nosso povo nutre grande devoção por Nossa Senhora. E agora também, devido ao milagre que permitiu a canonização dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, com a cura de um menino brasileiro. Vossa Eminência julga que as revelações de Fátima se referem somente ao século XX, ou elas têm atualidade para os católicos de hoje? 

Cardeal Burke — Elas são absolutamente relevantes para os dias de hoje, porque estão no centro da luta fundamental à qual Nossa Senhora se refere em sua mensagem: luta da fé, luta da Igreja contra as forças do mal, contra as forças do secularismo, do ateísmo, do relativismo, que nada mais fizeram senão continuar ao longo das décadas — agora faz um século — das aparições. Por ocasião deste centenário, fui estudar de novo toda a história das aparições e da mensagem, e as julgo mais oportunas do que nunca, as julgo de grande importância. Sobretudo na presente crise na Igreja, em que parece haver uma confusão e uma divisão se estabelecendo, o apelo de Nossa Senhora é para mantermos a fé na sua integridade, rezar, em especial o Santo Rosário, amar e participar da santa Eucaristia, particularmente nos primeiros sábados do mês, para nos fortificarmos e permanecermos próximos de Nosso Senhor nestes tempos muito terríveis. Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita. Em uma recente apresentação que fiz para o Rome Life Forum, eu disse crer firmemente que os portugueses, e especialmente os bispos portugueses, têm uma missão muito importante a cumprir no mundo inteiro, em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima. E agora diria o mesmo em relação ao Brasil. 


“Julgo [as aparições de Fátima] mais oportunas do que nunca, de grande importância 
— sobretudo na presente crise na Igreja, em que parece haver 
uma confusão e uma divisão se estabelecendo”
Catolicismo — Numa carta ao Cardeal Carlo Cafarra, a Irmã Lúcia afirmou: “A batalha final entre o Senhor e o reino do demônio será sobre o matrimônio e a família”. E que é para não temer, “porque Nossa Senhora já esmagou a cabeça de demônio”. Vossa Eminência confirma essa apreciação? Em caso positivo, a propósito de que assuntos a batalha é atualmente mais forte, e como os fiéis poderão ser bons soldados de Cristo? 

Cardeal Burke — Eu acho que a luta continua sendo em grande parte a batalha pelo matrimônio e pela família. E julgo que a Irmã Lúcia, ao escrever ao então padre Carlo Caffarra — agora Cardeal —, ela disse para não perder a esperança. Mas ela não afirmou que a luta havia acabado! Em outras palavras, sabemos que a vitória será o triunfo do Coração Imaculado de Nossa Senhora, o triunfo de Nosso Senhor, mas penso que ainda virão muitos sofrimentos. Por exemplo, a “teoria de gênero”, que agora está se tornando tão disseminada nos Estados Unidos. Eles impõem isso no currículo das escolas, de modo que as crianças de muito tenra idade estão aprendendo que podem mudar o seu gênero. Essas coisas são simplesmente inimagináveis! Então eu penso que a batalha pelo matrimônio e pela família continua. Precisamos ter essa esperança que a Irmã Lúcia nos encoraja a ter, mas ao mesmo tempo saber que há uma luta na qual nos sentimos engajados. 



“Nossa Senhora também disse que Portugal
jamais perderia a Fé. E eu vejo isso se estendendo
também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil
é simplesmente muito estreita.”
Catolicismo — Vossa Eminência julga que no mundo atual é importante para os católicos a Sagrada Escravidão a Nossa Senhora segundo o método de São Luís Grignion de Montfort? Em caso afirmativo, por que razões?

Cardeal Burke — Tornamo-nos escravos de Nossa Senhora para sermos discípulos fiéis de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa Senhora pertenceu a Nosso Senhor completa e totalmente desde o primeiro instante da concepção. Ela foi preservada de toda mancha do pecado original. Ela concebeu Nosso Senhor sob a sombra do Espírito Santo e O trouxe ao mundo sob o seu Imaculado Coração. Ela foi a primeira e melhor discípula d’Ele. O coração d’Ela foi misticamente transpassado ao pé da cruz pela lança do soldado romano que feriu o Sagrado Coração de Jesus. E Nossa Senhora nos ensina a ser totalmente de Nosso Senhor. Suas últimas palavras registradas no Evangelho foram nas Bodas de Caná, quando Ela disse ao mordomo do vinho para fazer tudo o que Ele lhe mandasse. Assim, queremos ser completamente um só coração com a nossa bem-aventurada Mãe, ser escravos no melhor sentido da palavra, pois damos a Ela todo o nosso coração. Porque com Ela podemos dar todo nosso o coração ao Sagrado Coração de Jesus.

30 de junho de 2017

Êxito dos colégios católicos na Inglaterra

“Ato de Supremacia” (1534) reconhecia o Rei como chefe supremo da igreja na Inglaterra, disso nasceu a religião anglicana. Henrique VIII rompeu com Roma porque o Papa de então não autorizou o divórcio desejado pelo monarca e não anulou seu legítimo casamento com Catarina de Aragão para que ele pudesse contrair um novo matrimônio.

Plinio Maria Solimeo
O rei Henrique VIII [foto acima], de malfadada memória, rompeu em 1534 com Roma, que o proibia casar-se de novo, tornando-se “Cabeça da Igreja na Inglaterra”. Nasceu assim a religião chamada Anglicana, que conservou alguma coisa da liturgia católica, com fortes aportes protestantes. O anglicanismo tornou-se uma religião herética. 

Esse fato impressionante da apostasia de uma nação, de um dia para o outro e praticamente sem reação, só se tornou possível pela tibieza e decadência dos católicos, principalmente dos bispos, que aceitaram submissos tamanha abominação. O que se nota no número relativamente pequeno de mártires da época, sobretudo no clero e no episcopado.

Tal decadência ou descaso na prática da fé persiste em nossos dias, pois quase a metade da população inglesa (49%) declara não professar nenhuma religião, nem mesmo a Anglicana, dos chefes do Estado. Ou seja, metade do país declara-se ateia... 

Da outra metade, somente 17% seguem a religião oficial, ou seja, 8.6 milhões de fiéis. Os católicos se mantêm com 8% da população crente. Porém, o mais terrível e doloroso é saber que a religião que mais cresce na Inglaterra é a muçulmana, a qual ganhou entre 2012 e 2014 cerca de 900 mil fiéis, de modo a totalizar 1.7 milhão de seguidores no país! 

Apesar de seu número relativamente pequeno no que se refere ao campo educativo, o catolicismo está se convertendo numa referência. Pois o governo britânico reconheceu a qualidade de seus colégios, e anunciou uma reforma que lhe outorgará mais liberdade para que possa abrir novos centros. 

Isso levou a primeira-ministra Theresa May — filha de pastor anglicano, cuja fé professa — a anunciar que serão levantadas as quotas de alunos de outras crenças que pesam sobre as exitosas escolas católicas, que têm listas de espera por sua qualidade. Diz ela: “Fundamentalmente, creio que é equivocado negar às famílias a oportunidade de enviar seus filhos a escolas que refletem seus valores. Creio que o correto é animar essas comunidades religiosas, especialmente em casos de êxito provado como a dos católicos, para que possam construir mais escolas capazes”. 

Pela primeira vez, os colégios católicos da Inglaterra e de Gales tornaram públicas as porcentagens de alunos de outras religiões que neles ingressam. O que revelou uma coisa surpreendente: por sua qualidade, essas escolas são procuradas até pelos muçulmanos: 26.000 crianças dessa crença estudam nesses colégios! 


Essa questão chegou a tal ponto, que na Rosary Catholic School, de Birmingham [foto ao lado], uma escola primária católica, 90% dos alunos são muçulmanos! 

Isso se reflete também no fato de que, dos 850 mil alunos que se formam nas escolas católicas da Inglaterra e de Gales, 290 mil pertencem a outras religiões, a maioria de cristãos, muitos de origem africana. O que se explica também pela evolução demográfica das regiões onde se encontram originariamente esses colégios, que foram sendo tomadas pelos imigrantes. 

Os colégios católicos permitem que os pais de alunos de outras religiões retirem seus filhos dos atos de culto e celebrações próprias católicas, como Natal e Semana Santa. Mas a maioria deles prefere que seus filhos deles participem. 

Isso apesar de haver atualmente no Reino Unido 6.800 colégios religiosos, 28 dos quais são muçulmanos. 

Outro aspecto da questão é que, para lutar contra a radicalização em alguns centros educativos muçulmanos, o governo obrigou todos os colégios do país a ensinar também uma segunda religião, que pode ser escolhida livremente por cada centro. As escolas católicas optaram então por ensinar como complemento o judaísmo. Isso incomodou o Conselho de Muçulmanos Britânicos, que se mostrou “muito decepcionado” e assegurou que, com a sua decisão, “a Igreja Católica britânica mina a mensagem do Papa Francisco, de tolerância entre as religiões”... E pede ao Cardeal Vicent Nichols que retifique essa medida. 

É tão grande o prestígio do ensino católico — mesmo em países onde seus fiéis constituem minoria, às vezes ínfima como no sul da Índia —, que um dos predicados requeridos de uma futura esposa é que tenha sido “educada em convento”. Quer dizer, que tenha aprendido não só boas maneiras, a costurar e lavar, mas, sobretudo, a cuidar da casa e da família. 


Colégio Des Oiseaux,
no bairro da Consolação da capital paulista
Infelizmente isso não se dá mais no Brasil, país de maioria católica, pela profunda decadência religiosa que também atinge o clero e religiosos, devido a uma “revolução progressista” na Igreja. Mas houve tempo, até a década de 60, em que a elite paulista procurava colégios como os do Sion ou Des Oiseaux [foto ao lado] para suas filhas, e os do São Bento, Carmo ou Santo Américo para seus filhos, pela boa qualidade dos mesmos . O que aconteceu com eles? 

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(*)Fonte: http://www.religionenlibertad.com/mas-26000-musulmanes-que-viven-gran-bretana-eligen-educarse-53513.htm

9 de junho de 2017

SANTOS FRANCISCO E JACINTA DE FÁTIMA

Os pastorinhos, pequenos na idade e gigantes na santidade, são os mais jovens santos não mártires canonizados pela Igreja 


Paulo Roberto Campos

Coincidindo com a celebração do 100º aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem aos três pastorinhos de Fátima, dois deles — Jacinta (falecida em odor de santidade aos 10 anos incompletos) e Francisco (aos 11 anos, também incompletos) — foram canonizados pelo Papa Francisco no dia 13 de maio último. Eles são considerados as crianças não mártires da mais tenra idade elevadas à honra dos altares. Fato inédito em toda a História da Igreja!

A grande cerimônia de canonização transcorreu na Cova da Iria, no mesmo lugar onde Nossa Senhora apareceu em 1917. Neste centenário, aproximadamente 500 mil peregrinos acorreram àquele local sagrado [foto acima] para rezar, agradecer as graças recebidas, suplicar por novas graças, e também para assistir à canonização de Jacinta e Francisco, que, juntamente com Lúcia, foram os confidentes da Santa Mãe de Deus nas aparições ocorridas de maio a outubro daquele ano.1
Assim, nesse último dia 13 de maio realizou-se uma das grandes expectativas da Irmã Lúcia [foto ao lado], ao escrever sobre “a mais íntima amiga da sua infância”, daquela que “deve, em parte, ter conservado a inocência”. Ela afirmou: “Tenho esperança de que o Senhor, para glória da Santíssima Virgem, lhe concederá [à Jacinta, mas vale também para o Francisco] a auréola da santidade. Ela era criança só nos anos. No demais sabia já praticar a virtude e mostrar a Deus e à Santíssima Virgem o seu amor, pela prática do sacrifício... É admirável como ela compreendeu o espírito de oração e sacrifício, que a Santíssima Virgem nos recomendou... Por estes e outros [fatos] sem conta, conservo dela grande estima de santidade”.2
 
Os pequenos videntes de Fátima nos fundos da casa Marto, em Aljustrel, no dia 13-9-1917


Ainda pequeninos, elevaram-se aos cumes da santidade

Creio que se pode sem receio afirmar que Jacinta e Francisco são as crianças mais famosas do mundo. O que nos faz lembrar a frase lapidar de Victor Hugo, de que “só há uma fama verdadeiramente imortal: é a dos santos da Santa Igreja Católica”.
Como poderiam esses pequeninos praticar grandes virtudes a ponto de serem elevados à honra dos altares? Como se sabe, para que uma pessoa seja declarada santa, há um processo — no passado, ainda muito mais rigoroso do que o é hoje em dia —, no qual se estuda minuciosamente toda a sua vida, a fim de certificar-se, sem qualquer sombra de dúvida, de que ela praticou em grau heroico as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e as virtudes cardeais (Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza).
No dia 13 de maio de 1999, após esse processo, ambos os videntes foram reconhecidos pela Santa Sé como tendo praticado heroicamente tais virtudes, permitindo a sua veneração privada como santos. Para que essa veneração se tornasse pública, faziam-se necessárias a beatificação e a comprovação científica de um milagre.
O Postulador das Causas de Beatificação de Jacinta e Francisco, Padre Luis Kondor, SVD [foto ao lado], garantiu: “Durante seis meses de estudo dos relatórios [do processo de beatificação de Francisco e Jacinta], dezoito peritos da matéria debruçaram-se sobre a vida dos dois pequeninos e, com grande admiração pelas suas virtudes, deram o seu voto positivo, por escrito, à Congregação para a Causa dos Santos [...]. Termino repetindo a profecia de São Pio X: ‘Haverá santos entre as crianças!’. Acrescentando: ‘Haverá sim, haverá em breve!’”.3


Francisco: contemplativo e eremita-orante        

        
Menos expansivo que sua irmã Jacinta, Francisco foi mais chamado à contemplação e a ser algo como um pequeno eremita-orante para desagravar e consolar Nosso Senhor Jesus Cristo. Para isso, com frequência, isolava-se pelos campos da Cova da Iria. Certa vez, imaginando como seria Deus, disse: “Mas que pena estar Ele tão triste! Se eu O pudesse consolar!”
         Conservando a grafia original, passemos à transcrição de alguns episódios extraídos do esplêndido livro sobre Fátima (abaixo citado) do Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, Professor no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. São pequenos episódios, mas que revelam a grandeza da virtude que, ainda meninos, os confidentes da Senhora de Fátima praticavam.
Numa ocasião, enquanto Lúcia e Jacinta brincavam, correndo atrás de borboletas, Francisco se isolou para rezar. Depois as duas meninas foram chamá-lo:
         “— Francisco, não queres vir merendar?
         — Não! Comam vocês.
         — E a rezar o terço?
         — A rezar, depois, vou. Tornem-me a chamar.
         — Mas que estás a fazer tanto tempo?
         — Estou a pensar em Deus, que está tão triste por causa de tantos pecados... Se eu fosse capaz de lhe dar alegria! (E passou o dia em jejum e oração). [...]
         — Francisco, tu de que gostas mais? [Perguntou Lúcia].
         — Gostava mais de consolar a Nosso Senhor. Não reparaste como Nossa Senhora ainda no último mês se pôs tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor, que está muito ofendido? Eu queria consolar a Nosso Senhor, e depois converter os pecadores, para que não o ofendam mais”.4
Numa ida à escola em Fátima, Francisco disse a Lúcia: “Olha, tu vais à escola, que eu fico aqui na Igreja, junto com Jesus escondido. Não me vale a pena aprender; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por aqui a chamar-me”.5


A Divina Providência pede o sacrifício supremo

        
No dia 28 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram gravemente, atacados pela terrível epidemia bronco-pneumônica, que tantas vítimas fazia então por toda a Europa.
         Jacinta disse a seu irmão: “Não te esqueças de oferecer pelos pecadores”. Ao que Francisco respondeu:
         “Sim; mas primeiro ofereço para consolar a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e depois então é que ofereço pelos pecadores e pelo Santo Padre”.
Já nas vésperas de morrer, disse a Lúcia:
“Olha, estou muito mal. Já me falta pouco para ir para o Céu.
— Então vê lá; não te esqueças de pedir lá muito pelos pecadores e pelo Santo Padre, por mim e pela Jacinta.
— Sim peço. Mas olha: essas coisas pede-as antes à Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer, quando vir a Nosso Senhor; e depois antes o quero consolar”.6
         O processo canônico registra, segundo declaração do Pe. Manuel Marques Ferreira, que pouco antes do falecimento, Francisco recebeu a Sagrada Comunhão “com grande lucidez e piedade”.
         No dia 4 de abril de 1919, às 6 horas da manhã, ele disse à mãe: “Olhe, minha mãe, que luz tão bonita”. Instantes depois, o rosto de Francisco iluminou-se com um sorriso angélico, e ele, sem agonia, sem uma contração, sem um gemido, suavemente expirou em seu quarto.


Jacinta: inocência, firmeza de caráter e reparadora dos pecados

Pouco antes de ir para o hospital, Jacinta revelou a Lúcia:
“— A mim já me falta pouco para ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no mundo a devoção do Imaculado Coração de Maria. Quando fores para dizer isso, não te escondas! Dize a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; que lhas peçam a Ela; que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Coração Imaculado de Maria; que peçam a paz ao Coração Imaculado de Maria, que Deus lha entregou a Ela. [...] Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro do peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria! ... 7
         Por alguns ditos da pequena Jacinta podemos perceber a grandeza de sua alma, a magnificência de sua inocência, seu profundo amor a Deus. Ela confiou à sua prima Lúcia:
         “Penso em Nosso Senhor e em Nossa Senhora, ... nos pecadores e na guerra que há de vir... Há de morrer tanta gente e vai quase toda para o inferno! ... Hão de ser arrasadas muitas casas, e mortos muitos Padres... Que pena! Se deixassem de ofender a Nosso Senhor, a guerra não vinha, nem iam para o inferno! ... Olha: eu vou para o Céu, e tu quando vires de noite essa luz que a Senhora disse, foge para lá também”.
Como ocorre com pessoas que guardam a inocência, Jacinta gostava de meditar. E ela o confirmou: “Gosto muito de pensar”. Numa de suas meditações, a Virgem Santíssima apareceu-lhe, a fim de prepará-la para seu último Calvário. “Disse-me (Nossa Senhora) que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver nem a meus pais; que depois de sofrer muito, morro sozinha; mas que não tenha medo, porque me vai lá Ela buscar para o Céu”.8


Altíssimos pensamentos de uma criança inocente

Em seus últimos dias, Jacinta contou com o carinhoso acompanhamento da Madre Maria da Purificação Godinho — a quem chamava de “Madrinha”. Essa religiosa tomou notas de alguns ditos da pequena santa, cujos pensamentos eram superiores à sua idade de apenas 11 anos. Eis alguns deles:
         “Os pecados que levam mais almas para o inferno, são os pecados da carne”.
         “Hão de vir umas modas, que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus, não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo”.
         “Os pecados do mundo são muito grandes. Nossa Senhora disse que no mundo há muitas guerras e discórdias. As guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo”.
         “Se os homens soubessem o que é a eternidade, como haviam de fazer tudo para se emendarem!”.
         “Os médicos não têm luz para curar bem os doentes, porque não têm amor de Deus”.
         “Ai dos que perseguem a religião de Nosso Senhor! Se o Governo deixasse em paz a Igreja e desse liberdade à santa Religião, era abençoado por Deus. Minha Madrinha, peça muito pelos pecadores! Peça muito pelos Padres! Peça muito pelos Religiosos! Peça muito pelos Governos”.
         Sobre a frase que segue, a Madre Godinho afirmou que Jacinta refere-se a um “grande castigo de que em segredo me falou”:
         “É preciso fazer penitência. Se a gente se emendar, ainda Nosso Senhor valerá ao mundo; mas, se não se emendar, virá o castigo”.


“Mas quem foi que te ensinou tanta coisa?”

Certo dia, Jacinta disse à Madre Godinho [representação ao lado] “Eu ia com muito gosto para o convento; mas gosto mais ainda de ir para o Céu. Para ser religiosa é preciso ser muito pura na alma e no corpo”. Ao que a religiosa indagou-lhe: “E tu sabes o que é ser pura?”.
         “— Sei, sim. Ser pura no corpo é guardar castidade; e ser pura na alma é não fazer pecados: não olhar para o que não se deve ver, não roubar, não mentir nunca, dizer sempre a verdade ainda que nos custe”.
         A Madre, surpresa com o fato de uma simples criança dizer coisas tão sérias e profundas, perguntou:
         “— Mas quem foi que te ensinou tanta coisa?
         — Foi Nossa Senhora; mas algumas penso-as eu. Gosto muito de pensar”.9


Previsões próprias de quem alcançou elevada santidade

        
Pais de Jacinta e Francisco
Mas, além de pensamentos superiores à sua idade, Jacinta previu muitos acontecimentos. Eis algumas de suas previsões:
         Em certa ocasião, a mãe de Jacinta, Sra. Olímpia de Jesus, foi visitá-la no hospital e a Madre Godinho perguntou se não gostaria que as duas irmãs de Jacinta (Florinda e Teresa) se fizessem religiosas. Da. Olímpia [foto ao lado] respondeu: “Não! Deus a livrasse”.
Jacinta não ouvira a conversa; contudo, mais tarde, disse à Madrinha: “Nossa Senhora gostaria muito que minhas irmãs se fizessem freiras. Minha mãe não quer, mas por isso Nossa Senhora não tardará a levá-las para o Céu”. — De fato, as duas jovens morreram algum tempo depois.
Dois médicos que trataram de Jacinta com dedicação, receberam muitos sinais de agradecimento da pequenina. Um deles pediu-lhe que no Céu rogasse a Nossa Senhora por ele. Jacinta respondeu que sim, mas que o doutor pedisse também por ela. Depois, fitando-o, acrescentou: “Olhe que Vossemecê também vai, não tarda”.
A cena repetiu-se com outro médico, que se recomendava a si e a filha às orações da pequena enferma, que, fitando-o demoradamente, disse: “Vossemecê também vem; primeiro a sua filha, e depois o senhor doutor”.
De fato, ambas as profecias se realizaram.10
Noutra ocasião, Jacinta disse: “Olhe, Madrinha, eu já não me queixo [das terríveis dores]. Nossa Senhora apareceu-me, dizendo que em breve me viria buscar, e que me tirava já as dores”.
No dia 20 de fevereiro de 1920, pelas 6 horas da tarde, declarou que se sentia mal e pediu os últimos Sacramentos. Fez sua última confissão ao Pe. Pereira dos Reis. Às 10:30 da noite, a Mãe Santíssima cumpria a promessa feita 1917 e vinha buscá-la para o Céu: Jacinta expirava com suma paz. Tinha quase 10 anos.


Entusiasmo, graça e admiração ocasionados nos funerais

Escreve o Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca: “O corpo, que tanto tinha penado ‘pela conversão dos pecadores’, foi amortalhado num vestido branco de primeira Comunhão, com cinto azul, como a Jacinta tinha desejado, e depositado nas dependências da sacristia da igreja dos Anjos, enquanto se tratava do transporte para a Fátima.
“Naqueles dias foi incrível o concurso de gente que o queria ver e beijar e tocar nele com seus objetos de devoção, apesar das diligências feitas pelo Revmº. Prior para o impedir. Muitos queriam levar relíquias, chegando umas estudantes a cortar-lhe parte do cabelo”.
Finalmente, foi incumbido de o guardar o Sr. Antonio Rebelo de Almeida, que escreve o seguinte em data de 11 de junho de 1934:
“Parece-me estar a ver o anjinho. Deitadinha no caixão, parecia viva, com os lábios e face cor-de-rosa, belíssima. Tenho visto muitos mortos, pequenos e grandes, mas uma coisa assim nunca me aconteceu. O cheiro agradável, que o corpo exalava, não se pode explicar naturalmente, diga-se o que se quiser. O maior incrédulo não poderia duvidar. Pense-se no cheiro que sai muitas vezes dos cadáveres, que só com grande repugnância se pode estar perto deles. Ora a pequena estava morta há três dias e meio e o seu cheiro era como de um ramalhete composto das mais variadas flores. O número dos visitantes, que desejavam ver a criança, era grandíssimo... Eu não deixava cortar relíquias; neste ponto fui irremovível. Quando a gente chegava diante do caixão, era um entusiasmo, uma admiração, uma loucura”.
O perfume foi perfeitamente sentido até o fechamento do caixão de chumbo. Coisa tanto mais notável visto o caráter da doença e o muito tempo que permaneceu insepulto. Registrou o Dr. Eurico Lisboa:
Transladação do corpo incorrupto
de Jacinta em 1935
“No dia 24 de fevereiro, às 11 da manhã, o caixão foi fechado, e à tarde, com grande acompanhamento, levado à estação do Rossio, a fim de ser trasladado para a Fátima. Para evitar possíveis profanações da parte dos anticlericais, ele foi provisoriamente depositado no sepulcro de família do Barão de Alvaiázere, em Vila Nova de Ourém. Desde aquele momento desapareceu daquela família a tuberculose, que já tinha vitimado quatro irmãos do Barão e ameaçava fazer mais vítimas. Mais ainda: a fortuna da casa, que estava perdida, pôde ser rapidamente recuperada em boa parte, de certo, como o Barão confessa, por especial proteção do seu ‘Anjo tutelar’.
“No dia 12 de setembro de 1935 fez-se a trasladação do corpo para o cemitério da Fátima [...]. Nesta ocasião, por um pequeno corte feito no caixão de zinco do lado correspondente à cabeça, pôde verificar-se que esta se conserva incorrupta [foto acima], e provavelmente no mesmo estado se encontra o corpo. Ter-lhe-á a Providência reservado o privilégio concedido aos restos mortais da santa vidente de Lourdes?
“No jazigo mandou o Sr. Bispo de Leiria gravar este epitáfio, tão expressivo na sua clássica singeleza:

AQUI REPOUSAM OS RESTOS MORTAIS
DE FRANCISCO E JACINTA
A QUEM NOSSA SENHORA APARECEU. 11




Portugal, palco do primeiro milagre inequívoco

         Para que alguém seja canonizado, há também necessidade da comprovação inequívoca de dois milagres operados por sua intercessão. O primeiro milagre possibilitou a beatificação de Jacinta e Francisco no ano de 2000. Assim, o processo de canonização seguiu seu curso. A Congregação para a Causa dos Santos reconheceu a cura miraculosa de uma senhora portuguesa, nascida em Leiria no ano de 1930, Da. Maria Emília dos Santos. Em 1989, pela intercessão de Jacinta e Francisco, ela se recuperou de uma grave deficiência física e voltou a andar, após permanecer paralítica durante 22 anos, sem conseguir sequer levantar-se da cama.
Da. Emília, após uma novena aos dois pastorinhos, de sua cama, indagou a Jacinta se seria curada e ouviu uma voz: “Senta-te, porque podes”. Começou então a sentir que o sangue começava a circular pelas veias das pernas. Sentiu-se curada e sentou-se na cama. No momento — altas horas da noite — houve um grande alvoroço em sua casa devido àquela cura repentina. Os médicos peritos do processo consideraram que o fato não apresentou explicação natural.


Brasil, palco do segundo extraordinário milagre

Por um especial desígnio da Providência Divina, o segundo milagre teve como palco o Brasil. Antes de narrá-lo, recordo de passagem outro desígnio providencial que também vincula o Brasil a Fátima: a imagem de Nossa Senhora que se venera na Cova da Iria, no mesmíssimo local em que Ela apareceu em 1917, foi esculpida em cedro brasileiro, assim como as outras quatro imagens peregrinas. Também de passagem, nunca é demais relembrar que Nossa Senhora falou em nossa língua...
        
E vamos ao segundo milagre. Por intercessão dos dois pastorinhos de Fátima, o menino Lucas de Oliveira [foto ao lado], da cidade paranaense de Juranda, foi salvo milagrosamente. Contando com apenas cinco anos — conforme documentam seus pais, João Batista Pereira de Oliveira e Lucila Yuri —, Lucas caiu de uma janela, de uma altura de quase sete metros, enquanto brincava com sua irmã no dia 3 de março de 2013. O menino “bateu com a cabeça no chão, o que provocou um traumatismo craniano grave, com perda de tecido cerebral no lóbulo frontal esquerdo”. Levado ao hospital de Campo Mourão, chegou “em estado de coma muito grave. Ele teve duas paradas cardíacas”.
Lucas foi submetido a uma cirurgia de emergência. Os médicos disseram que suas possiblidades de sobrevivência eram baixas e, se não morresse, ficaria em estado vegetativo. Muito devotos de Nossa Senhora de Fátima, os pais pediram a Ela, bem como a Francisco e Jacinta, que intercedessem pelo filho.
         Como os dias corriam e o menino piorava, o pai pediu a uma freira carmelita orações dela e do Carmelo de Campo Mourão. Após um contratempo inicial, uma das carmelitas foi rezar junto às relíquias de Francisco e Jacinta que estavam diante do tabernáculo. Ela lhes suplicou: “Pastores, salvai este menino, que é um menino como vós”. Depois, todas as freiras daquele Carmelo também rezaram para que os pastores intercedessem por Lucas.
Afirmou o Sr. João Batista: “Assim fizeram, da mesma forma como todos nós, na família, que começamos a rezar aos Pastorinhos. E, dois dias depois, no dia 9 de março, o Lucas foi desentubado e acordou bem, lúcido, e começou a falar, perguntando pela sua irmãzinha. No dia 11 de março saiu da UTI e, no dia 15, ele teve alta [...]. Está completamente bem, e não tem nenhum sintoma ou sequela [...] O que Lucas era antes do acidente, o é também agora: tem a mesma inteligência, o mesmo caráter, é todo o mesmo”. Os médicos comprovaram que não havia nenhuma explicação científica para tal recuperação.12
Ambos os milagres — as curas de Da. Emília e do Lucas — foram operados por orações dirigidas conjuntamente aos dois santos aljustrelenses videntes de Fátima, e não de modo separado a cada um deles. Fato de especial beleza, pois eles viveram muito unidos, eram inteiramente consagrados à Santíssima Virgem e fiéis aos pedidos feitos por Ela nas aparições.
 
Torre da Basílica de Fátima no dia da canonização (13-5-17) de São Francisco e Santa Jacinta Marto


No Céu, dois novos embaixadores junto a Nossa Senhora

Com a recente canonização, a Santa Igreja apresenta ao mundo inteiro dois grandes intercessores para nós. É momento muito apropriado para que todos os pais coloquem seus filhos sob a proteção de Francisco e Jacinta. Que os pais narrem a seus pequenos as admiráveis vidas desses novos santos, rezem o terço em família, suplicando a eles que protejam seus lares contra a desagregação da instituição familiar, atacada por tantos fatores de corrupção moral disseminados através da internet, da televisão, das modas imorais, da disseminação das drogas, das leis que favorecem o divórcio, o aborto, o pseudo-casamento homossexual, a ideologia de gênero. Enfim, de tantos outros erros da doutrina comunista espalhados por todo o universo.
Jacinta e Francisco são santos porque foram inteiramente fiéis às advertências e promessas feitas por Nossa Senhora em Fátima. O mundo atual está sendo fiel a Ela? — Muito pelo contrário, os homens não se converteram e têm desprezado aquelas advertências e promessas. Logo, é de se temer que esteja próximo o severo castigo anunciado há um século.
Os dois pequenos grandes santos de Fátima são modelos para nós, pois compreenderam a gravidade e a malícia do pecado, tiveram horror a qualquer forma de ofensa a Deus, entendendo, apesar de sua pouca idade, como a vida pecaminosa leva ao inferno. As vidas de Jacinta e Francisco são para nós um contínuo convite à conversão, a nos preparar para a justa punição divina. Esta será ao mesmo tempo misericordiosa — porque redentora do presente estado de abominação e de perdição das almas — e nos tornará sedentos da vinda o quanto antes, para todos os povos, do Reinado do Imaculado Coração de Maria previsto em 1917.
Neste sentido, encerro com palavras de Plinio Corrêa de Oliveira, numa conferência em 13 de outubro de 1971:
“Francisco e Jacinta são os intercessores naturais para se obter de Nossa Senhora que venha logo o Reino de Maria. [...] Que os meninos de Fátima comecem a nos transformar, dando-nos os dons que eles receberam, que eles velem especialmente sobre aqueles que têm a missão de pregar a Mensagem de Fátima”.

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Notas:
(*) Fonte: Matéria publicada na Revista Catolicismo, Nº 798, junho/2017.
1. Lúcia de Jesus, nascera em 22 de março de 1907, última de seis filhos de Antonio dos Santos e Maria Rosa dos Santos. Os dois primos dela, Francisco e Jacinta, nascidos o primeiro a 11 de junho de 1908 e a segunda a 11 de março de 1910, eram também os mais novinhos dos onze filhos que teve a Sra. Olímpia de Jesus: dois do primeiro matrimônio com José Fernandes Rosa, e nove do segundo com Manuel Pedro Marto. Quanta vez os últimos filhos de numerosa família cristã são para ela a melhor bênção! (Cfr. Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, S.J., Nossa Senhora da Fátima, Aparições, Culto, Milagres, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1947, 2ª edição, p. 144.
2. Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, p. 11.
3. Cfr. Pe. Luís Kondor, Vice-Postulador das Causas, Haverá santos entre as crianças... em breve, “L’Osservatore Romano”, edição em português, 6 de março de 1999.
4. Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, S.J., Nossa Senhora da Fátima, Aparições, Culto, Milagres, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1947, 2ª edição, p. 167-168.
5. Id., Ib. p. 181.
6. Id., Ib. p. 201.
7. Id., Ib. pp. 188-189.
8. Id., Ib. pp. 211-212.
9. Id., Ib. pp. 217-219.
10. Id., Ib. pp. 220-221.
11. Id., Ib. pp. 225-228.

12. http://www.carifilii.es/2017/05/11/los-medicos-decian-que-moriria-o-quedaria-vegetal-pero-poco-despues-corria-asi-fue-el-milagro-de-los-dos-pastorcitos/