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15 de fevereiro de 2017

Bispos ucranianos condenam a “Ideologia de Gênero”

Encíclica de bispos da Ucrânia denuncia a absurda, totalitária e pseudo-científica tese dos “ideólogos de gênero” como uma revolta contra a ordem estabelecida por Deus quando criou o homem e a mulher


Plinio Maria Solimeo

Uma das mais nefastas ideologias inspiradas pelo demônio para perverter especialmente a infância é a Ideologia de Gênero. Na loucura generalizada de nossos dias, não se podia conceber coisa mais absurda nem contra o mais elementar bom senso. 

Era preciso que o mundo chegasse ao extremo de decadência e de amoralidade de nossos dias para que teoria tão nefasta pudesse surgir. 

O que é pior, ela não encontra, mesmo da parte de pessoas tidas como sensatas, a repulsa que deveria causar. Por isso é muito reconfortante saber que os bispos do rito Greco-católico da Ucrânia se ergueram em uma só voz contra ela, numa “Carta Encíclica” dirigida a todo o clero daquele sofrido país, àqueles responsáveis pela educação dos filhos e “aos que trabalham na informação e nos currículos educativos, como também aos cientistas, para que proporcionem uma informação real e completa sobre a própria essência do ser humano”.


O documento é reproduzido e comentado pelo jornalista Raffaele Dicembrino no site católico italiano La Croce Quotidiano , de 14 de janeiro último, e retransmitido em espanhol em ReligionenLibertad. É dessas fontes que publicamos esta matéria. 

De onze páginas, muito categórica e com forte linguagem, a “Carta Encíclica” é assinada em nome do Sínodo dos bispos do rito Greco-católico ucraniano pelo Arcebispo Maior desse rito em Kiev, Sviatoslav Shevchuk [foto acima].

Nova ideologia para destruir a fé e a moralidade cristãs 

“Antes havia o regime soviético, que impunha uma visão ateia do mundo — diz Dicembrino, citando o documento —, apresentada como sendo ‘a única científica, e que privava os homens do direito de professar livremente sua fé religiosa’”. Os bispos afirmam que hoje os desafios são similares, pelos “modos ideológicos de destruir a fé católica”, pondo em discussão, de maneira solapada, “a fé e a moralidade cristãs”. Entre os novos desafios que enfrentamos, “tem um lugar relevante a Ideologia de Gênero”. 

Segundo os bispos, essa ideologia “procura destruir a percepção da sexualidade humana como dom de Deus naturalmente vinculado às diferenças biológicas entre homem e mulher”, tendo como consequência “introduzir perigosa desordem nas relações humanas”. 

Os prelados alertam os fiéis ucranianos para que não reajam passivamente aos sofismas dessa ideologia, “aceitando como verdade, sem pensar, essas teorias atéias, cujo [falso] fundamento é afirmar a dignidade humana, alcançar a igualdade entre as pessoas, e defender o direito humano à liberdade”.


Os bispos Greco-católicos recordam que o plano de Deus delineia a dignidade humana, e põem em evidência as passagens da Bíblia que acentuam e valorizam as diferenças entre o homem e a mulher. Eles recordam que a sexualidade “como dom de ser homem e mulher” cobre, “de maneira íntegra, todas as dimensões da existência da pessoa humana: corpo, alma e espírito”. Além do que a pessoa humana, criada à imagem de Deus, “está chamada à eterna comunhão com o Criador”, com “livre vontade” — termo amplamente esgrimido pelos que fomentam a Ideologia de Gênero“que permite ao homem escolher tanto o bem quanto o mal”. 

Para os bispos, a Ideologia de Gênero é um legado da “constante tentação de violar os estatutos de Deus neste âmbito”, a qual vem “da queda de nossos progenitores”. Pois, a partir do Pecado Original, o homem “abusa da possibilidade de uma escolha livre, quando tenta liberar-se dos valores tradicionais na área da sexualidade e da vida matrimonial, ao que trata falsamente como um arcaísmo e um obstáculo à igualdade, dignidade e à liberdade”. Para a Ideologia de Gênero, “a diferença entre os sexos seria uma condição prévia para a violência sexual, na família e fora dela”, enquanto que, na realidade, a causa desses problemas “não é a sexualidade, mas precisamente sua percepção distorcida”

Escolher o próprio sexo: eleição pessoal? 

O documento ressalta que, durante milênios, os seres humanos se definiram sempre com base nos sexos biológicos, varão e mulher, e que só recentemente “pontos de vista mundanos, contrários à fé cristã, à realidade científica objetiva, e à lei natural, passaram a ser difundidos e influentes”, fazendo com que a identidade de gênero “já não seja um dom de Deus”, mas uma “escolha individual da pessoa”

Isso a leva a “não compreender seu profundo chamado ao amor eterno”, mas antes a considerar a identidade de gênero, “uma diversão temporal da existência”

Segundo essa funesta ideologia, a pessoa humana possui uma como que “liberdade incorpórea”, da qual é criadora e a partir da qual constrói sua identidade. Desse modo, todos podem escolher o sexo que queiram, porque à pessoa “se oferece a possibilidade de não limitar o próprio sexo biológico ao conceito de homem ou mulher, ou ao papel social de homem e mulher, mas antes em escolher o próprio gênero dentre uma pluralidade de possibilidades”. A pessoa já não está determinada “por ser algo”, mas antes por “atuar no papel de alguém”.

Querem impor essa ideologia totalitária

Para a “Carta Encíclica”, o pior de tudo não são essas teorias aloucadas, mas que elas sejam “impostas de maneira agressiva à opinião pública, introduzidas gradualmente na legislação, forçando — e aumentando — sua visibilidade em âmbitos distintos da vida humana, sobretudo na educação e no crescimento” das crianças.

Desse modo, “as Ideologias de Gênero começam a adquirir as características de uma ideologia totalitária, e são similares às teorias utópicas que, no século XX, não só prometeram criar o paraíso na Terra, mas buscaram ao mesmo tempo introduzir, mediante a força, seu modo de pensar, erradicando qualquer outro ponto de vista alternativo”


Vitral representando a criação no Paraíso Terrestre
 do homem e da mulher, feitos à imagem
e semelhança de Deus
A pessoa geralmente não se dá conta de que, “ao apoiar a Ideologia de Gênero, está rechaçando a ideia de que seu gênero sexual foi criado por Deus. E, por conseguinte, põe em dúvida o fato de que Deus criou o homem varão e mulher”.

Sobretudo, com a Ideologia de Gênero se nega “a existência de um Criador”, e “a verdade de que os homens foram feitos à Sua imagem”, pondo em discussão a complementariedade dos homens e mulheres, e mesmo a instituição do matrimônio. 

 

  

Ideologia sem base científica 

O mais absurdo é que a Ideologia de Gênero “não corresponde sequer a dados científicos objetivos”, mas se baseia antes em “hipóteses subjetivas e declarações pseudo-científicas, feitas pelas partes interessadas”. Isso, além de fomentar muitas formas de “identidade sexual ou comportamentos que não correspondem de todo à natureza humana”, levam mais bem “à promiscuidade e à progressiva desmoralização da sociedade”. 


Os bispos ressaltam que as Ideologias de Gênero também “destroem o conceito de família como comunidade formada por pai e mãe, na qual as crianças nascem e crescem”, porque esta é apresentada só como “uma forma possível de família”.

O último parágrafo da encíclica recomenda especialmente educação e estudo, porque a sociedade “não conhece em profundidade as questões de gênero”. Entretanto, é necessário não sucumbir à pressão social, e trabalhar “juntos para defender a dignidade de cada pessoa, reafirmando as características próprias naturais dadas por Deus, e protegendo com firmeza o desenvolvimento da comunidade da família como fundamento da revelação divina”.

Para isso é necessário informar-se, e compreender “o verdadeiro objetivo de algumas propostas ou apelos”, porque “o ser humano não pode trair sua vocação e destruir a dignidade humana em favor de duvidosos projetos políticos e sociais, mesmo que estes sejam apresentados como um sinal de progresso e modernidade”

Esperamos que esse lúcido apelo dos bispos Greco-católicos ucranianos encontre eco em muitos outros episcopados, em particular aqui, nesta Terra de Santa Cruz.

____________ 

1. http://www.lacrocequotidiano.it/articolo/2017/01/14/chiesa/la-chiesa-ucraina-tuona-contro-il-gender 
2 http://www.religionenlibertad.com/iglesia-ucraniana-compara-ideologia-genero-con-las-ideologias-54475.htm

9 de fevereiro de 2017

Perversão infantil: chocante banalidade!


Paulo Henrique Américo 

Chegamos a tal ponto da decadência moral, que afirmações as mais graves parecem banais. Convido o leitor a comprovar essa minha impressão fazendo um teste com a seguinte frase: a inocência das crianças está sendo destruída.

De um lado, tal afirmação apresenta-se chocante. Basta lembrar as palavras do Divino Salvador: “Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que escandalizar a um só destes pequeninos” (S. Lucas 17,2). 

Por outro lado, mencionar a destruição da inocência infantil já nos soa normal, banal! Isto porque ela se tornou cada vez mais recorrente. Algo como uma canção macabra cantada em todas as esquinas. Já nos acostumamos com sua trágica melodia e a repetimos quase sem atenção, sem levar em conta a sua gravidade. 

De fato, vivemos num triste século. Mesmo os católicos, aqueles que deveriam reagir contra a indiferença, vão caindo inexoravelmente nas suas garras. Não se podem estranhar as lágrimas de Maria Santíssima, Mãe de Deus.

Nossas crianças são aliciadas e atacadas de todos os lados pelo vendaval da imoralidade. A televisão era sua grande promotora até há pouco. Mas também ela acabou por tomar aspecto um tanto antiquado! A internet surgiu como a máquina mais eficiente da perversão infantil. Com alguns cliques no mouse — ou alguns toques no smartphone — qualquer criança pode acessar as mais cruas cenas de pornografia online

Mas o tufão da imoralidade possui outras frentes de ataque. E aqui vem mais um teste de banalização do que antes se afigurava chocante. Curiosamente, o tema “educação sexual para crianças” não causa mais sobressaltos como algumas décadas atrás. Hoje, algo mais malicioso entrou em todos os ambientes: a Ideologia de Gênero

Agora, as crianças não são apenas submetidas ao aprendizado do sexo desde a mais tenra idade, como também são induzidas na escolha de outra orientação e identidade sexual.

Cena da série The Mick, na qual um menino
aparece vestido de menina
Um exemplo para ilustrar essa alarmante realidade. O “Life Site News” publicou,(1) no início de janeiro último, reportagem sobre a nova série da “TV Fox”, nos Estados Unidos, intitulada The Mick [foto]. Além da promoção do aborto, da linguagem vulgar e do conteúdo sexual explícito, a série impulsiona a Ideologia de Gênero, visando sobretudo as crianças. Um dos personagens — menino de apenas sete anos — é apresentado trajando um vestido para menina. Na cena, o menino faz comentários sobre o vestido e sobre as partes femininas de seu corpo.

Chocante, dizemos! E o leitor concordará. Mas quanto tempo transcorrerá até que tais insinuações e atitudes ressoem também como banais ou normais aos nossos ouvidos?
Imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso venerada no Convento
das Freiras Concepcionistas de Quito (Equador).
A Rainha dos Céus tem sempre diante de si a gravidade da destruição da inocência infantil. Ela já havia previsto a atual onda de degradação das crianças quando de suas aparições à Madre Mariana de Jesus Torres [pintura abaixo], em Quito (Equador), no século XVII. As palavras Nossa Senhora do Bom Sucesso [foto acima]— profecias a respeito dos nossos tempos — são impressionantes pela sua atualidade. Eis alguns trechos aplicáveis ao tema do qual tratamos: 

Madre Mariana de Jesus Torres
“Quase não se encontrará inocência nas crianças, nem pudor nas mulheres, e, nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar. 
“Extravasarão as paixões e haverá total corrupção dos costumes por quase reinar satanás..., o qual visará principalmente à infância a fim de manter com isto a corrupção geral. Ai dos meninos desse tempo! Dificilmente receberão o Sacramento do Batismo e o da Confirmação. 
“Possuirá [o mal] sutileza para introduzir-se nos ambientes domésticos, que perderão as crianças. Nesse tempo infausto, quase não se encontrará a inocência infantil. Desta forma perder-se-ão as vocações para o sacerdócio e será uma verdadeira calamidade.” 

Diante da avalanche contra a inocência infantil não devemos permanecer de braços cruzados. É por isso que a TFP norte-americana proveu abaixo-assinado(2) [imagem acima] no mês passado com o objetivo de coibir a exibição da citada série da “TV Fox”. 

Não fiquemos indiferentes na consideração da gravidade da decadência atual. Oração, sacrifício e emenda de vida foi o que Nossa Senhora nos pediu em Fátima. Assim, seremos daqueles que de algum modo enxugam suas tão dolorosas lágrimas.

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Notas: 
(*) Fonte: Revista Catolicismo, 794, Fevereiro/2017. Para se fazer uma assinatura dessa revista envie um e-mail para: catolicismo@terra.com.br 
1. http://www.lifesitenews.com/news/new-fox-comedy-breaks-moral-compass-includes-children-in-sexual-gender-conf 
2. http://www.tfp.org/act/petition/tell-fox-stop-promoting-transgenderism-cancel-mick-now/

23 de janeiro de 2017

Ideologia de Gênero para crianças


Jurandir Dias

Está causando polêmica um livro publicado recentemente no Reino Unido que propõe ensinar Ideologia de Gênero para crianças a partir dos sete anos de idade. Escrito por C J Atkinson, ele se intitula Can I Tell You About Gender Diversity? (Posso lhe falar sobre a diversidade de gênero?) [capa abaixo] e foi aprovado pelo Departamento de Educação daquele país.[i] 

Sua distribuição está a cargo de Educate & Celebrate, uma entidade financiada pelo governo do Reino Unido que trabalha para “transformar escolas e organizações em LGBT + lugares amigáveis (sic)”.[ii]

A empresa Jessica Kingsley Publishers, com sede em Londres, disse que esse é “o primeiro livro para explicar a transição médica para crianças com sete anos ou mais”. Exemplares da obra serão enviados a 120 escolas com as quais a empresa trabalha, e esta espera que algumas centenas de exemplares sejam adquiridas por outros professores. 

O porta-voz da Editora disse que “este livro vai desencadear discussão na sala de aula e em casa, respondendo a perguntas difíceis que as crianças podem ter sobre a diversidade de gênero.” Ele observou ainda que a introdução de banheiros mistos e sem pronomes binários (ele e ela) é um importante passo para a Ideologia de Gênero.

Termos como “senhoras” e “senhores”, “meninos” e “meninas” são condenados no livro, para que os estudantes transgêneros não sejam discriminados. 

A obra começa com uma historinha: 

“Meu nome é Kit e tenho 12 anos. Eu moro em uma casa com minha mãe e meu pai, e nosso cachorro, Pickle. Quando eu nasci, os médicos disseram a minha mãe e meu pai que eles tinham uma menina, e assim, durante os primeiros anos da minha vida, foi como meus pais me criaram. [...] Eu não estava muito feliz assim.” 

Kit então começa a vestir roupas de meninos, usar pronomes masculinos, e tem seu nome mudado para Christopher pelos pais. A personagem discute a possibilidade de cirurgia para a mudança de sexo e, aos 16 anos, toma hormônios masculinos para que seu corpo tenha as mudanças que ocorrem na puberdade dos meninos. 

"Daily Mail" regitrou que o livro é “um conjunto desconcertante de termos alternativos” como “cisgender” empregado para “crianças que pensam em si mesmas como sendo o gênero que nasceram”, e outros mais absurdos ainda, como: “panromânticos”, “intersex” e “xe”. 

Líderes religiosos e alguns políticos do Reino Unido dizem que o livro é prejudicial às crianças. Seu autor retrucou, dizendo: “Nós chamamos isso de ‘trans-pânico’”, ou seja, um pânico contra essa ideologia absurda e nociva. “O mundo está mudando; um livro como esse é necessário”, acentuou. 

A jornalista Sarah Vine criticou o livro em sua coluna no "Daily Mail": “Ao tentar melhorar a vida de uma pequena minoria, nós estamos ameaçando a sanidade das crianças normais — e sim, vou dizer — crianças normais. É hora de acabar com essa tolice.”[iii] 

*       *       * 
Já comentamos o estudo “Sexualidade e Gênero: achados das Ciências Biológicas, Psicológica e Social”, publicado na revista “The New Atlantis” por dois dos principais estudiosos sobre saúde mental e sexualidade da atualidade, os Drs. Lawrence Mayer e Paul McHugh [respectivamente à direita e à esquerda na foto]. Nesse trabalho, eles constataram que “apenas uma minoria de crianças que sofrem de identificação com o gênero continuará a ter o mesmo problema na adolescência ou na idade adulta.” 

Os Drs. Lawrence e McHugh demonstram também preocupação com a intervenção médica proposta para crianças: “Estamos preocupados com a crescente tendência a incentivar as crianças com problemas de identidade de gênero para a transição ao seu gênero preferido através de procedimentos médicos e, em seguida, cirúrgicos. Há pouca evidência científica sobre o valor terapêutico das intervenções, como atrasar a puberdade ou modificar as características sexuais secundárias dos adolescentes.” Os membros da população transgênero também estão em alto rico de sofrer problemas de saúde mental. 

Apesar desses abalizados estudos, continua a existir um forte lobby da agenda homossexual para propagar a famigerada Ideologia de Gênero no mundo inteiro. Por quê? Qual o interesse disso? 

Só pode ser uma revolta contra Deus, que fez o homem à Sua imagem e semelhança. Nesse sentido, tal ideologia parece ter sido inventada pelo próprio demônio, que tenta destruir a todo custo a obra do Criador. 

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Bibliografia:
[i] https://www.lifesitenews.com/news/uk-children-starting-at-age-7-will-study-reading-writing-gender-transitioni 
[ii] http://www.educateandcelebrate.org/ 
[iii] http://www.dailymail.co.uk/debate/article-4031432/Gender-children-death-common-sense-SARAH-VINE-vocal-transgender-lobby-threaten-sanity-normal-youngsters.html

16 de agosto de 2016

ALERTA AOS PAIS: Seus filhos transformados em zumbis atrás de Pokémon?

No Brasil, o vício de “caçar” Pokémon levou milhões de pessoas às ruas e praças atrás dos “monstrinhos” logo nos primeiros dias do lançamento desse jogo para celulares. Na foto, o Jardim Botânico de Jundiaí foi “invadido” por 5 mil visitantes num só dia, causando muitos prejuízos, como gramados e plantas destruídos

William Gossett 
(Traduzido do blog “Return to Order”, 
por José Aloisio Aranha Schelini) 

Já nas primeiras semanas de seu lançamento, Pokémon Go, o novo jogo para smartphones, se tornou a última moda em todo o mundo. Parece ser um jogo inocente, grande meio de comunicação social, e um jeitinho fantástico de tirar todo mundo do sofá. Porém, chega-se a uma conclusão diferente quando se analisa o efeito negativo deste jogo sobre as pessoas e a sociedade. 


Trata-se de um jogo para celular, com realidade aumentada baseada em localização. Ele usa a câmera do smartphone para projetar no jogo a imagem de um Pokémon, criatura virtual. O objetivo é capturar o maior número dessas criaturas quanto possível e combater os monstros Pokémon de outras pessoas. O campo de jogo é a própria localização dos jogadores e seus arredores. 

Que mal poderia fazer as pessoas viajarem pela cidade grudados a um celular, procurando criaturas fictícias? Problemas começaram a surgir já nos primeiros dias do lançamento.

Muitas pessoas têm relatado que torceram seus tornozelos, arrebentaram canelas, cortaram as mãos e sofreram outras lesões por estarem mais preocupados em achar os Pokémons do que olhar onde pisavam.(1) 

Mas o problema não fica só em tornozelos torcidos e pernas machucadas: criminosos passaram a usar o jogo para atrair e roubar novas vítimas. No condado de Saint Louis, no Missouri (Estados Unidos) por exemplo, três criminosos adolescentes enviaram alerta aos jogadores da área indicando a possível presença um monstro para caçar. Em vez de achar monstros, os jogadores encontraram assaltantes armados...(2)

Todos esses casos são motivo de preocupação. No entanto, o fenômeno está produzindo problemas ainda mais graves.

O Pokémon Go está causando distúrbios ao mobilizar multidões de jogadores que se lançam por aí buscando os assim chamados raros monstros virtuais. Casos já foram registrados em DeKalb, Illinois, e em Nova York.

Em Illinois, multidões se reuniram à uma hora da manhã procurando freneticamente o monstro “Snorlax”.(3) No Central Park, em Nova York, centenas de jogadores foram vistos em debandada pelas ruas grudados aos seus aparelhos procurando outro Pokémon raro. Isso causou engarrafamentos porque as pessoas deixavam seus carros no meio da rua e seguiam a multidão com seus celulares.[4] Tudo por um monstro virtual!

O fato de que tal jogo esteja ganhando tanta atenção no mundo todo é desconcertante. Acontecimentos de importância global não produzem nem de longe a emoção despertada por este joguinho. O que dizer dos vários tiroteios contra policiais em Dallas e em Baton Rouge? E sobre o recente ataque terrorista do “Estado Islâmico” em Nice (França), ainda os numerosos e constantes ataques em solo americano? Por que é que este jogo está absorvendo a atenção e as atividades de tantos jovens e velhos, mais do que estes eventos históricos e devastadores? Pokémon Go parece anestesiar as pessoas e impedi-las de pensar sobre a gravidade de tais acontecimentos. 

Poderia alguém imaginar centenas de pessoas correndo pelas ruas a todo momento para protestar contra os milhares de cristãos sendo mortos por sua fé? Ou ainda para defender e proteger inocentes nascituros contra o aborto?

Ao invés de um jogo inocente com pequenos monstros “engraçadinhos”, o Pokémon Go é um problema muito sério e profundo que afeta nossa sociedade atual. O jogo está levando a sociedade a uma espécie de tribalismo cibernético em que o jogo/smartphone é o xamã, e os jogadores são súditos voluntários e obcecados, prontos a obedecer qualquer palavra de ordem.

Referências: 
1.       Associated Pressartigo publicado pelo New York Post, “Playing Pokemon Go is becoming dangerous” athttp://nypost.com/2016/07/09/pokemon-go-is-afflicting-players-with-real-world-injuries/, acessado 18 de julho de 2016.
2.       Ryan W. Miller,USA Today, “Teens used Pokémon Go app to lure robbery victims, police say” athttp://www.usatoday.com/story/tech/2016/07/10/four-suspects-arrested-string-pokemon-go-related-armed-robberies/86922474/, acessado 18 de julho de 2016.
3.       Newsflare.com, “Pokemon Go – Snorlax hunt at 1 am”http://newsvideo.su/video/4707716, acessado 18 de julho de 2016.
4.       “Pokemon Go – Vaporeon stampede Central Park, NYC,” YouTube video, 0:41, posted by “Dennis450D,” July 15, 2016 athttps://www.youtube.com/watch?v=MLdWbwQJWI0.

4 de janeiro de 2016

QUE BRINQUEDOS COLOCAR NA ÁRVORE DE NATAL EM 2016?


Nelson Ribeiro Fragelli

Junto às árvores de Natal encontravam-se, em quase todos os lares, vistosos brinquedos. Para uma experiência, colocaram também brinquedos eletrônicos... 

Que brinquedos mais favorecem o desenvolvimento mental das crianças? Os eletrônicos, que se movem, falam e cantam emitindo luzes coloridas intermitentes? Ou os brinquedos "tradicionais", como bonecas, carrinhos e livros com figuras mostrando cenas da vida no campo com seus animais ou na cidade com sua movimentação? 

Pedagogos da Northern Arizona University, nos Estados Unidos, quiseram obter resposta a essa pergunta. Assim, convidaram pais e seus respectivos pequerruchos, entre dez e dezesseis meses, para brincar com seus filhos. Puseram-lhes nas mãos os dois tipos de brinquedos, isto é, os eletrônicos e os “tradicionais”. A que resultado chegaram? 

O fruto dessa experiência acaba de ser publicado pelo jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung” em sua edição on-line do dia 29 de dezembro último. A autora do artigo é Christina Hucklenbroich. 

Algumas famílias receberam pequenos computadores e telefones celulares apropriados a crianças. E os bebês começaram imediatamente a brincar com eles, ajudados pelos pais. 

Outro grupo de famílias recebeu como brinquedos quebra-cabeças, cubos de madeiras em cujas faces se viam figuras variadas. Nada de aparelhinhos eletrônicos. Os pais podiam sempre orientar os filhos a bem utilizar os brinquedos, tal como se faz normalmente em casa. 

Num terceiro grupo os pais brincavam com os filhos folheando livros adaptados às crianças, nos quais se viam animais, figurinhas e desenhos coloridos variados. 

O resultado da pesquisa não poderia ser mais claro. As crianças que mexiam com os brinquedos eletrônicos pouco falavam ou, ao lidar com os brinquedos, emitiam palavras desconexas, sem relação com o que brincavam. Os pais também quase não tinham o que dizer. A comunicação com os filhos era difícil. Eles se limitavam a olhar e rir. O que dizer de uma baratinha que dispara pela sala? 

Enquanto isso, aqueles que se divertiam com os brinquedos “tradicionais” falavam, faziam observações, os pais tinham explicação a dar, riam e se alegravam. Em outras palavras, pais e filhos se comunicavam. Mais surpreendente ainda foi constatar que os livros com figuras interessavam bem mais do que os brinquedos movidos à bateria. Ao folhear os livros as crianças perguntavam, falavam, tentavam exprimir seus pensamentos. E os pais descreviam o que viam, ensinando os filhos a observar o conteúdo das páginas. As crianças perguntavam. 

Os brinquedos eletrônicos deixavam pais e filhos em apático silêncio. Estupefatos diante da "maravilha" eletrônica, todos ficavam absorvidos num circulo fechado. Calados, não se dava a união entre eles. 

Os pesquisadores desaconselham, portanto, os pais a comprar brinquedos eletrônicos. A conversa, desde cedo, entre pais e filhos, é essencial para a educação eficaz. Os modernos brinquedos a prejudicam. Que os pais fiquem com a tradição e sua família permanecerá mais unida.

2 de dezembro de 2015

Firme pronunciamento contra a “Ideologia de Gênero”

Em audiência pública na Câmara dos Deputados (Comissão de Educação), no dia 10 de novembro último, o Prof. Hermes Rodrigues Nery denunciou com excelentes argumentos o plano de se implantar nas escolas, por meio do Ministério da Educação, a “Ideologia de Gênero”.

O Prof. Hermes, que é presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e coordenador do Movimento Legislação e Vida, corajosamente tem participado de debates em defesa da instituição familiar em diversas regiões do Brasil, mostrando que por trás do ensinamento da “Ideologia de Gênero” nas escolas há uma meta de roubar a inocência das crianças, levando-as a se acostumarem com as piores depravações. 

Ele aponta muito bem como a doutrina marxista e do feminismo radical visam retirar dos pais a autoridade e o dever de educar seus filhos, transferindo para as mãos totalitárias do Estado tal responsabilidade. E que, para que se concretize essa subversão na educação, o atual governo petista está disposto a passar por cima de todas as reações conservadoras que estão crescendo de norte a sul do País.

Devido à importância do tema, aconselho a audição do vídeo que segue com o referido pronunciamento.

15 de agosto de 2015

“Teoria de Gênero” e bafo de Satanás

Revista Catolicismo, nº 776, agosto/2015

Como é possível que se tenha chegado ao absurdo ululante, ao disparate total, à negação da natureza, afrontando despudoradamente as evidências mais claras e objetivas, como essa perniciosa invencionice chamada “Teoria de Gênero”? 

Então a criança que nasce com todas as características próprias de um menino, ancoradas na natureza, poderia ser considerada menina? E a menina viria a ser um menino? E haveria ainda diversos outros gêneros! 

Estupidez ou má fé? 

Por mais que haja gente asnática e imbecilizada, e a espécie não é tão rara, entretanto não foi dado ao ser humano levar a estupidez tão longe a ponto de achar que a Mariazinha pode ser um menino e que o Chiquinho possa ser menina. A imbecilidade humana não comporta tal extremo. 

A maldade humana, esta sim, pode chegar a radicalismos insuspeitados, sobretudo quando se deixa inspirar pelo demônio e adere a ele. 

Ora, ao que a “Teoria de Gênero” conduz, antes de qualquer modificação física, é a uma mudança mental nas pessoas. É a alma que deve mudar. Uma mudança tão medular e desmedida que dela resulte uma espécie de infra-homem, do qual a lógica tenha sido totalmente extirpada, os conceitos mais elementares abolidos, e extintas as evidências mais palpáveis. Fabrica-se assim um ser ex-humano que não seja mais capaz de pensar, analisar ou julgar. Robô perfeito para ser conduzido pela propaganda e por manobras parapsicológicas.

Atingido esse patamar infra-humano, espera-se, talvez, nesses mesmos laboratórios psicológicos nos quais a “Teoria de Gênero” foi urdida, ter desconstruído a própria ideia de ser humano, e a partir de então criar o “homem novo”, já anteriormente esboçado pelas correntes comunistas, nazistas e por certos veios ecologistas. 

A obra do Deus criador teria sido vulnerada em seu âmago, nem homem nem mulher, e em seu lugar uma nova “criação”, diferente e oposta àquela que nos é revelada no Livro do Gênesis. 

O demônio odeia a Deus, mas como é totalmente impotente para O atingir, volta seu ódio contra a natureza humana, feita à imagem e semelhança do Criador, para conspurcá-la e infeccioná-la com sua baba imunda. Como alguém que, odiando muito determinada pessoa, mas não podendo alcançá-la pelo fato de ela residir em outro continente, atira-se contra sua fotografia, cobre-a de imundícies e depois a rasga em pedaços.

Essa face religiosa da “Teoria de Gênero” é o seu aspecto mais sinistro e profundo, e explica por que seus arautos põem tanto empenho em que as crianças em idade escolar sejam nela doutrinadas, a fim de (de)formar os futuros adultos segundo os novos parâmetros. 

E explica também por que tantas reações nobres e boas se levantaram indignadas contra esse atentado às mentes infantis, pois muitas pessoas, mesmo quando não chegam a uma explicitação cabal dos males aí contidos, têm a consciência de sua própria natureza conspurcada, sentem no ar o nauseabundo bafo de Satanás e o repelem. É um embate digno dos Últimos Tempos. 

Nossa Senhora, de um lado, chora ao presenciar tão grande pecado contra a natureza humana criada por Deus. Mas, de outro lado, Ela dá lucidez, força e coragem a seus filhos e seguidores para lutarem sem esmorecer e até o fim. 

Ipsa conteret. Ela esmagará!

2 de maio de 2015

RADICALIZANDO OS RADICALISMOS

Escrever à mão é mais benéfico para crianças, é necessário ao processo de aprender a ler e escrever

Jacinto Flecha

Se o prezado leitor teve a louvável iniciativa de desfrutar o que escrevo, provavelmente considera-me radical. Não me ofende nem um pouco. De acordo com a etimologia (radix = raiz, em latim), radical é quem tem convicções firmes, solidamente enraizadas em bom terreno. Só não é radical quem não tem raízes, portanto mantenho altaneiramente meus radicalismos, com olímpico desprezo pelos radicais que me acusam de radical: Odeio videogames; nunca vejo televisão; não batuco em tabletes; detesto jeans de qualquer tipo; abomino rock, punk, funk, rap e outros; fujo das modernidades decadentes deste nosso mundo encharcado de modernidades e decadências. Minhas convicções são firmes como o Corcovado. Especialmente quando o vejo como sustentáculo de Cristo Redentor. 

Talvez alguns acreditem que posições como essas levam ao isolamento. Pelo contrário, eu as assumi conscientemente, e posso afirmar que nunca me senti solitário, anti-social, marginalizado. Não espero nem desejo aplausos de decadentes, escravos da moda, títeres a serviço da difusão dos maus costumes. Se fogem de mim, também eu fujo deles. Bendito isolamento, se me põe longe de gente assim. 

Mas hoje eu tive um susto, deixando-me bastante decepcionado com os meus radicalismos. Não, não me julgue apressadamente, permaneço muito confortável nas minhas posições radicais, e mais seguro ainda. O meu susto foi em sentido contrário, isto é, encontrei gente mais radical do que eu. E até com um acréscimo muito valioso para os escravos da tecnologia: São cientistas (ohhh!), neurocientistas (nossa!!), usaram aparelhos de última geração (beleza!), ressonância magnética (que barato!!). 

Quais as conclusões desses luminares? As mesmas que venho desenvolvendo com base exclusivamente nas minhas experiências e observações pessoais. Ótimo que eles tenham chegado a essas conclusões, mas eu não mudaria uma vírgula das minhas, se divergissem do que afirmei. Veja algumas conclusões interessantes:
• Ninguém deve usar o computador antes dos vinte anos. Depois disso, só quando estritamente necessário para o trabalho.  
• Nunca se deve ver televisão, em nenhuma idade ou época da vida.  
• Os videogames prejudicam a capacidade de raciocínio e o controle mental das crianças. Já se conhecia este efeito, mas pesquisas recentes o estendem aos adultos que passam a usar videogames. E os cientistas concluem que não se deve usá-los nunca.  
• Escrever à mão é mais benéfico para crianças, é necessário ao processo de aprender a ler e escrever.
Esta última conclusão leva-me a uma crônica recente (Entre lousa e tablete), onde mostrei com palavras e exemplos simples que o aprendizado pelos métodos tradicionais – com lousa, quadro negro, papel, lápis, caneta – gera conhecimentos muito mais duráveis e efetivos. Apontei as deficiências de quem usa tablete, celular inteligente e outros brinquedinhos cheios de tecnologia. E suponho ter deixado claro que o grau cada vez maior de analfabetismo funcional deriva em grande parte disso.

Você já deve ter notado, caro leitor, que raramente incluo referências completas, transcrições de estudos científicos, dados estatísticos complexos. Sei que isso é necessário e indispensável no âmbito técnico-científico, mas estaria deslocado numa crônica que pretende ser leve, uma espécie de conversa com o leitor. De modo geral, vinculo a fatos do quotidiano minhas afirmações e conclusões, e um leitor atento pode entendê-las facilmente nos momentos de lazer, mesmo não sendo cientista. 

Vou abrir hoje uma exceção, incluindo algumas frases colhidas em reportagem sobre pesquisa científica de equipe altamente qualificada. Chegou-me às mãos pela gentileza de um leitor, impressionado com o que leu naquela crônica:


“Os dados do exame do cérebro sugerem que, ao escrever, prepara-se um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo. Quando as crianças aprendem a escrever as letras à mão, o cérebro parece ficar ligado e responder de forma diferente às letras, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever e o de aprender a ler. Desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas, necessárias para escrever à mão, pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo. Pelo que concluiu a pesquisa, nada parece substituir o aprendizado com a escrita à mão”. Veja mais detalhes neste link: 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150212_gch_criancas_teclados_fn

Meu radicalismo pode parecer sem base, exagerado, mas veja que estou em boa companhia. Não falta nem a indiscutível ressonância magnética. Já que gastaram tanta ciência e tecnologia para chegar às mesmas conclusões deste cronista, não tenha receio em radicalizar como eles mandam. Não lhe parece lógica esta decisão? E não me sentirei ofendido se firmar sua decisão baseado nas conclusões deles.


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Esta crônica semanal pode ser reproduzida e divulgada livremente

29 de dezembro de 2014

Alegrias de Natal nos bons velhos tempos

A fim de estimular nossos leitores a celebrar com a devida elevação de vistas o nascimento do Menino-Deus, Catolicismo lhes oferece, como matéria de meditação, belas considerações feitas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a respeito dessa data magna. Elas lhes farão sentir as alegrias de que se cercavam e os perfumes que penetravam todos os ambientes da civilização cristã no período natalino — o oposto do mundo neopagão no qual vivemos. Esquecendo-se do principal, que é a glória de Deus, procura-se extinguir em nossos dias, como se possível fosse, a Luz que veio ao mundo, reduzindo cada vez mais a figura do Menino Jesus e transformando o Natal em mera troca de presentes e frenesi comercial. Ou, pior ainda, rebaixando-o à trivial condição de “feriadão”. 

Plinio Corrêa de Oliveira descreve o ambiente natalino e as graças próprias a esse abençoado dia em seu tempo de menino. São considerações de molde a despertar em nós, não apenas uma reconfortante recordação, mas sobretudo uma admiração autêntica pelas épocas de fé, e um desejo cada vez mais ardente da restauração completa da Cristandade. Então as graças natalinas voltarão a impregnar todos os povos redimidos por Aquele que veio ao mundo e derramou seu preciosíssimo sangue para a nossa Redenção. 

O texto que segue corresponde a excertos de uma conferência do Prof. Plinio para sócios e cooperadores da TFP em 21 de dezembro de 1984, tendo sido feitas pela redação apenas pequenas adaptações da linguagem falada para a escrita e inseridos subtítulos. 

Plinio Corrêa de Oliveira em 1912, contava então com 4 anos.

“No meu tempo de menino... 

 ...a noite de Natal era um hiato luminoso, cheio de algo que não se consegue descrever, mas que todos sentiam: era aquela suavidade, aquela paz, aquela doçura que dava a impressão de que todo o céu estrelado da noite estava como que impregnando a Terra de perfumes”. 

Plinio Corrêa de Oliveira
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 768, Dezembro/2014
www.catolicismo.com.br


A festa do Santo Natal, assim como a festa de Páscoa, têm especialmente este privilégio: elas interrompem o tempo. Pode alguém estar na situação aflitiva em que estiver, chega o Natal e se abre um paredão: desgraças e lágrimas de um lado, e de outro bimbalham os sinos; o Natal começou; Cristo nasceu; alegria para todos os homens! 

Uma alegria que não é a alegria vulgar do homem que fez um bom negócio; do homem que deu uma tacada política e venceu; do homem que se envaideceu e no qual os outros acreditaram; do homem que ganhou uma loteria... Não! É uma alegria muito mais interna, muito mais leve, uma alegria feita de luz, enquanto as outras são feitas de coisas palpáveis e de segunda ordem. Uma alegria toda ela feita de luz e de uma luz que é o lumen Christi — a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou uma vez na Terra, na noite de Natal, e nunca mais, de ano em ano, deixou de brilhar, trazendo uma verdadeira alegria e uma verdadeira paz de alma até para as pessoas mais atormentadas.


“Sangue de Cristo, embriaga-me!” 

Na noite de Natal, gosto de lembrar o que teria sido o Natal nas catacumbas. A catacumba de São Calixto, em Roma, é terrível. Eu nunca pensei que fosse o que é: corredores estreitos, altos, tem-se a impressão de que as duas paredes vão se encontrar no alto. Terra por todos os lados e sepulturas. De repente, uma clareira filtrava de cima um pouquinho de luz e via-se uma sala quadrangular com algumas pinturas, já muito velhas, feitas não sei com que técnica, diretamente sobre a terra. Elas representam de um modo ingênuo cenas do Evangelho. Percebo um altarzinho... E o guia explicou: “Esta era uma capela, aqui se rezava missa!” 

As sepulturas eram de mártires. Terminado para os pagãos o “espetáculo” de um martírio, o povo se retirava. Quando anoitecia, católicos heroicos — candidatos eles mesmos ao martírio, porque se fossem pegos seriam martirizados — arrastavam-se nas trevas da noite até o Circo Máximo, ou até o Coliseu, para resgatar aqueles restos de corpos trucidados pelas feras. Depois, passo a passo, talvez rastejando pelo chão, chegavam escondidos até à entrada da catacumba, que era um orifício no chão. Eles se esgueiravam, chegavam no subterrâneo.

Imediatamente, do fundo da terra ecoava um cântico de triunfo pelo irmão que padeceu e agora está no Céu. Os corpos deles eram gloriosamente trazidos para dentro da catacumba, corpos de mártires que morreram por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Havia mártires que morriam na alegria de enfrentar as feras. Eles iam de encontro a elas; triturados, morriam na alegria com a esperança da salvação eterna no Céu. 

Quando se canta o Anima Christi, há uma das invocações que diz: Sanguis Christi inebria-me! (Sangue de Cristo embriaga-me!). Pode-se perguntar o que quer dizer “Sangue de Cristo embriaga-me” O que é esta embriaguez do Sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Pode-se responder com um exemplo: um mártir que comungou o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor, embriagando-se da alegria e da graça do Espírito Santo, está como que ébrio. Diante do perigo e da dor ele não tem medo. Pelo contrário, a alegria sobrenatural que o enche é tal que, se lhe dissessem que a fera não vem, ele poderia ficar desapontadíssimo! Para ele, a boca do tigre é ocasião de entrar na eternidade no Céu! E as presas do animal são para ele as presas benfazejas que vão romper os laços que o prendem à Terra, para que a sua alma possa voar e ver Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Há momentos em que a graça produz este efeito. Então se compreende bem a jaculatória sublime: Sanguis Christi inebria-me! Quantas vezes vemos sinais dessa ebriedade casta e temperante do Sangue de Cristo? 
Os mártires na catacumba – Jules Eugène Lenepveu, 1855. Musée d´Orsay, Paris.

Natal: alegria cheia de asas, cheia de brilho 

A vida de um católico autêntico pode ser difícil, uma vida de batalha, uma vida de renúncia e de sacrifício. Não há quem seja mais isolado, mais bloqueado, mais odiado do que um verdadeiro católico contra-revolucionário neste mundo de neopaganismo. 

Entretanto, como estamos alegres! Como nos enche de alegria a perspectiva do Santo Natal! Acontecimento que desfechou na maior das tragédias da História: a Crucifixão. Para pessoas mundanas esta consideração poderia ser tachada de loucura. Entretanto, é a casta embriaguez do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Porque recebemos a graça no Batismo, porque muitas vezes confessamos e comungamos, porque rezamos, porque nossas almas se tornaram sensíveis a estas alegrias de uma categoria inteiramente superior, perto das quais as alegrias da Terra não valem absolutamente nada. Natal! Todos nos preparamos para a alegria do Santo Natal. Que maravilha! 

Essa alegria tira o homem de dentro de si mesmo e difunde uma atmosfera. Alegria, por assim dizer, cheia de asas, cheia de brilho. 

Os mais jovens não alcançaram o que era verdadeiramente uma noite de Natal. Quais eram as impressões da noite do Natal de outrora? — Lembro-me dos tempos em que Natal ainda era Natal... Assim, não seria descabido descrever um pouquinho dessas recordações e tentar fazer reviver aquilo que, numa grande cidade de hoje, tão rica e tão pobre, quase não se percebe mais. 


Natal na “São Paulinho” dos anos 20 

Como era um Natal de 1920? Como era o Natal dos últimos anos da minha infância? Que impressões causavam? 

Alguns poderão dizer que se trata de imaginação a descrição que eu vou fazer. Responderia que não tenho nenhuma prova de que não seja imaginação, mas é do que me recordo. Tenho a convicção interna de que não era imaginação, mas era a graça. A graça que era concedida a mim, mas era dada a todas as crianças do tempo que eu conheci. Era uma graça generalizada! 

As crianças, alguns dias antes do Natal já se sentiam invadidas por uma expectativa, por uma alegria que era muito curiosa, porque vinha sem dúvida da esperança das festas que se realizariam. A perspectiva da festa, no que ela tinha de humano e de terreno, essa perspectiva desempenhava um papel na alegria da criança. 

A criança sabia que tinha pedido a São Nicolau — o santo bispo afável que vinha à noite, enquanto as crianças dormiam, e colocava caixas de presentes junto a elas — presentes grandes nos lares abastados; caixinhas de presentes, afetuosas e pequenas, nos lares modestos; talvez uma florzinha, talvez uma bala, nos lares pobres. Mas em todo lar onde houvesse uma mãe, havia presentes. Ou num lar onde houvesse um pai solícito, alguma coisinha havia para colocar junto à cama do filho. E para a criança isto era uma maravilha, que ela esperava com alguns dias de antecedência. 


Alegria sobrenatural da alma limpa 

Essa alegria que eu sentia invadia minha casa alguns dias antes do Natal. A fräulein Mathilde [governanta da família] fazia conosco um armistício nos estudos de matemática, de geografia e de línguas. Tínhamos assim dias agradáveis na perspectiva do nascimento do Menino-Deus. Podia-se então passear um pouco, correr pelo jardim, brincar. Eram alegrias próprias à inocência da infância, na espera do Natal que se aproximava. Esta alegria era motivada por alguma coisa mais alta e que já era um prenúncio da alegria estritamente religiosa e definidamente religiosa do Natal que chegava. Algo de especial começava a nos encher a alma. 

Nesses dias, todas as crianças ficavam melhores. As que mentiam, mentiam menos; as que não mentiam, censuravam alguma criança que mentisse; as que vagabundeavam ou que sofismavam, ou chicanavam com os horários da casa, eram mais pontuais. Todo o mundo começava a sentir mais limpeza dentro da alma. E a alegria de ter a alma limpa é uma alegria que não tem igual na vida. Esta é a alegria, por exemplo, de quem se confessa e de quem sai do confessionário com a certeza de que foi perdoado.

Há certas alegrias da confissão que não se comparam com nada. Todos os senhores, uma vez ou outra, sentiram isso. Foram se confessar, às vezes era um mero escrúpulo que estava atormentando a alma. A criança sai do confessionário alegre, sentindo-se feliz. É a alegria sobrenatural da alma limpa. Enquanto estou falando, vejo vários dos senhores que sorriem, porque se lembram disso e têm saudades desta “alegria de confessionário”.

Era um pouquinho assim a alegria de Natal nos dias que se antecipavam ao dia 25 de dezembro. Sem que se tivesse confessado, havia uma ideia de um princípio de pureza, de limpidez, de honestidade, de bondade, de candura descida sobre a Terra, que alterava as almas de todos os homens. As pessoas começavam a ser mais benévolas umas com as outras, fazendo pequenos favores recíprocos. As crianças egoístas emprestavam de bom grado os seus brinquedos, as crianças birrentas faziam pequenos favores. E imaginava-se que no mundo dos mais velhos isso era assim também. E havia razão para imaginar isso.

Os mais velhos sabiam que esse já não era o mundo deles, já não estávamos na época de esplendor da Religião católica, mas eles sabiam que esse era o mundo em que nós crianças estávamos, e quando se aproximavam de nós, aproximavam-se como que desejando ver nos nossos olhos a recordação do que foram os Natais deles. O que me levava a achar que eles estavam impregnados da mesma alegria natalícia, pois era só chegar perto que eles cumprimentavam: “Ó, como vai?” E mais amáveis, mais afáveis, e cedendo a pequenos caprichos de criança, etc. Imaginava então que eles estavam tomados pela mesma alegria de Natal. 


Participação na alegria geral na época de Natal 

Propaganda de brinquedos de Natal da “Casa Fuchs”
Nas vésperas do Natal, éramos levados para ver os brinquedos nas casas que tinham exposição das peças. Naquela época, lembro-me que, em geral, eram casas alemãs e inglesas. Havia em São Paulo a “Casa Fuchs”, a “Casa Grumlach”. Havia uma casa portuguesa — a “Casa Lebre” — e outras, como a “Casa Mappin”. Nesta última, minha mãe e a fräulein iam conosco. Como o Natal se aproximava, íamos com roupa de gala, todos enfeitados. E quando saíamos para ver os presentes, admirávamos este presente, aquele, aquele outro... Mamãe ficava prestando atenção e vendo o que cada um queria. E o presente preferido era, “por coincidência”, aquele que São Nicolau levava... Maravilhávamo-nos com a coincidência: “Veja como São Nicolau sabe de todas as coisas...” 


Prédio da antiga “Casa Mappin” na Praça do Patriarca
Para mim, sensível à gastronomia desde muito cedo, uma das partes culminantes da preparação do Natal era quando, depois do circuito para ver presentes, íamos tomar um lanche no salão de chá da “Casa Mappin”. Chá, sanduíches, torradas, chocolate... Eu me regalava! Tinha a impressão de que a alegria do meu corpo em contato com aqueles ventos que sopravam era meio parecida com a alegria de minha alma em contato com as graças do Natal que se aproximava. Eu pensava: “É bem verdade, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo está chegando. Daqui a pouco se comemorará que Ele nasceu numa manjedoura, nasceu da Virgem Maria, sob o olhar de São José. Oh, que beleza! Vamos depressa, pois Ele está para chegar!”

Esta alegria se percebia em todas as mães que levavam crianças de um lado para outro do centro da cidade. Em São Paulo, no centro andavam todas as crianças, alegres e satisfeitas. Algumas já levando presentes, dando risadas, conversando. As mães, quando passava uma criança mais vistosa, mais engraçada, piscavam para a mãe daquela como que a dizer: “Mas que engraçadinha, etc.” A mãe ficava toda satisfeita... Era uma participação da alegria geral. 


Os preparativos, a árvore de Natal e a “Missa do Galo” 

Voltava-se para casa e começavam os mistérios... Numa sala
determinada, não se podia entrar. Era a árvore de Natal que estava sendo preparada. Cada ano com alguma novidade. Eram os enfeites de Natal das árvores anteriores, mas com alguma novidade: alguns enfeites diferentes; uma estrela muito grande e muito bonita; um anjo de papel colado num círculo dourado; enfim, diversos enfeites para a árvore de Natal. Às vezes, de esguelha, ouvia-se alguma coisa a respeito da árvore e ia-se contar para os outros: “Olha tem tal novidade...” E assim corriam os dias até a chegar a noite de Natal, a “Missa do Galo”. 

Morávamos perto da igreja do Sagrado Coração de Jesus e íamos a pé para a Missa. Todas as casas estavam abertas, todas as luzes acesas, todas as janelas e portas também abertas. E quando caminhávamos, percebíamos — tanto em casas modestas como em casas apalaciadas — uma árvore de Natal maior ou menor, acesa, e no interior das residências algum gramofone tocando roufenhamente umas músicas de Natal. Percebíamos a alegria da família: todos estavam acabando de se aprontar para sair, ficava apenas um criado ou outro tomando conta da casa. As famílias começavam a sair e os sinos a tocar, avisando que não tardaria muito o início da Missa. 

Chegava-se à igreja e estava iluminada — para a ótica da criança, iluminada feericamente. O altar todo cheio de flores, uma manjedoura e o Menino Jesus deitado. E quando batia a meia-noite, o padre entrava e começava a Missa. Era um recolhimento impressionante! Uma espécie de contradição: um recolhimento e uma explosão ao mesmo tempo. Uma explosão de recolhimento, um recolhimento explosivo, algo nesse sentido, que enchia literalmente a alma de alegria. 


Assistia-se à Missa e, quando já se tinha idade, comungava-se. A comunhão era o ápice. Recolhimento, a ideia de que Nosso Senhor Jesus Cristo tinha nascido em Belém numa noite daquelas e estava agora realmente presente em nós. Faziam-se os pedidos... Mas, sobretudo, uma sensação de intimidade. Eu tinha uma estampa do Sagrado Coração de Jesus que representava Nosso Senhor segurando um menino de cabelos pretos cacheados, e embaixo havia uma oração mais ou menos assim: “Ó Bom Jesus, tende piedade de mim!” Eu rezava pensando: “Espiritualmente, Nosso Senhor está fazendo isto comigo nesta hora. Eu peço a Ele: ‘Ó bom Jesus, tende piedade de mim!’”.



“Será que São Nicolau acertou?” 

Tinha-se a impressão de que, celebrada a Missa, as graças de Natal se difundiam por todas as casas. E quando se retornava, elas já não eram bem as mesmas. Havia algo de religioso nelas, algo de sacral, de recolhido, que era uma verdadeira maravilha! Mas ao mesmo tempo uma enorme alegria! Começavam os cumprimentos, os ósculos, as felicitações, etc.

Nem preciso falar dos carinhos e felicitações que recebia de minha mãe... Eu já chegava em casa contando com isso, que era um complemento da noite de Natal: a mãe católica osculando um filho que ela desejaria que ficasse católico também. Depois começava a festa de Natal, que terminava já com o sono pesado, mas sono delicioso. Como se sabia que São Nicolau viria durante a noite entregar o presente, tínhamos vontade de surpreendê-lo... Como ele era muito hábil, isto nunca acontecia. Mas tínhamos esperança. E quando chegavam mais ou menos as quatro horas da manhã, sentia-se às vezes sobre os pés o peso da caixa de presentes. 

E pensávamos: “Será que São Nicolau acertou?” Eu não podia
acender a luz do meu abat-jour para ver porque meus pais, que dormiam no quarto contíguo, notariam e me censurariam. Mas também pensava: “Como é gostoso sentir nos pés o peso desse presente grande”. E avaliava o valor e o prazer que o presente iria causar. Pouco depois o sono infantil dominava e a criança dormia. Mas mais tarde, a sofreguidão de acordar fazia com que a criança acordasse de novo e pensasse no presente. 

Um pouco antes de a criada chegar, para acordar com o café, eu já estava de pé, estraçalhando as fitas, os laços, os barbantes... Se fosse possível, arrebentando a caixa para ver o presente que estava dentro, que era sempre muito bonito e que tinha visto e gostado na “Casa Lebre”, na “Casa Grumbach” ou na “Casa Fuchs”... 


Um exército de soldadinhos de chumbo

Lembro-me de um dos presentes de Natal que recebi: uma caixa grande de soldadinhos de chumbo. Eram soldadinhos franceses, entre estes os meus bem-amados Dragões de Cavalaria, um dos quais tocando trompete. Havia outras tropas e canhões. Era a miniatura de um pequeno exército. Não estávamos ainda longe da Primeira Guerra Mundial e tudo isto para mim dizia muito. Falava-se de guerra e fui em toda minha vida muitíssimo militarista. Sempre tive entusiasmo pela condição militar. Assim, eu puxava aqueles soldadinhos para fora da caixa e ia constituindo paradas militares, ficava horas dispondo tropas e sonhando com batalhas. Foi um presente de Natal! 

O sono da noite de 25 para 26 era um sono pesado, gostoso, da consciência tranquila, do Natal sagrado, sob cujo bafejo se dormia, sabendo que no dia seguinte ainda seria de recordação do Natal. Ainda iríamos comer os últimos doces, beber os últimos ponches, brincar mais uma vez com os brinquedos até nos familiarizarmos com eles. 


Recordação... esperança... certeza... 

No meu tempo de menino, a noite de Natal era um hiato luminoso, cheio de algo que não se consegue descrever, mas que todos sentiam: era aquela suavidade, aquela paz, aquela doçura que dava a impressão de que todo o céu estrelado da noite estava como que impregnando a Terra de perfumes. Os sinos tocavam, o som se espalhava e o júbilo impregnava até os jardins. Era uma alegria enorme que circundava todos os homens, porque Cristo nasceu, nasceu em Belém! 

Creio que alguns dos mais velhos devem ter sentido essa atmosfera natalina. Receio que os mais jovens não tanto. Nos tempos atuais, as televisões ligadas o dia inteiro, rádios vociferando canções de Natal comercializadas, essas lâmpadas elétricas laicas penduradas em torno de árvores, em jardins de prédios de apartamentos... Nas igrejas, a missa não é mais tradicional, com toda a tristeza da realidade pós-conciliar. 

O que resta de todo o ambiente do Natal de outrora? Resta uma recordação. Resta muito mais do que uma recordação, resta uma esperança! E foi para avivar esta esperança que eu teci essas considerações. Resta mais do que uma esperança, resta uma certeza! Esta certeza é ligada a uma promessa divina: “As portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja!” 

Assim, um dia, depois de provações, de lutas, acontecerá que os verdadeiros Natais reflorescerão na Terra. A alegria do Santo Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Aquelas antigas noites de Natal eram ainda os últimos luzimentos da Cristandade. Nós olhamos para o futuro e esperamos ver, ou do Céu ou na Terra, os natais que florescerão no Reino de Maria — conforme anunciado por São Luís Grignion de Montfort e na Cova da Iria, em Fátima. São promessas tão celestes e tão confortadoras: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”. Quando o Imaculado Coração de Maria triunfar, que glória, que doçura, que harmonia, que suavidade indescritível e única terão as festas do Santo Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo!

As comemorações natalícias da Sagrada Família 

Encerro imaginando como seria o Natal na Sagrada Família. É possível que, nas noites de Natal, Nossa Senhora e São José celebrassem o aniversário do Menino Jesus. O dia é tão grandioso que, quando Nosso Senhor nasceu, os anjos cantaram: “Glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na Terra aos homens de boa vontade!” É impossível que Nossa Senhora e São José não festejassem esse tão grande dia. 

Podemos imaginar, por exemplo, Nosso Senhor com apenas dois anos deitado na sua caminha, e Nossa Senhora e São José aproximando-se à meia-noite e adorando-O no silêncio, com receio de acordá-Lo. Em certo momento, Ele acorda, abre os olhos... Que olhar! Em forma de cruz, Ele abre os braços para ambos, que se aproximam e Lhe osculam os pés. O Menino Jesus os abraça e os beija. Era o Natal na casa de Nazaré, a qual se encontra hoje na cidade italiana de Loreto. 

Pode-se imaginar que à medida em que Nosso Senhor Jesus Cristo crescia em graça e santidade diante de Deus e dos homens, o Natal ia ficando mais belo. Imagine Ele adolescente, depois Ele já maduro, irradiando aquela perfeição cada vez mais sensível aos homens e que deixava Nossa Senhora e São José cada vez mais encantados. 

Como seriam essas comemorações? Os anjos não cantariam? Não se ouviriam coisas extraordinárias naquela santa casa? Todas as conjecturas são possíveis, cada uma delas mais bela do que a outra. 

Pode-se imaginar o primeiro Natal depois da Ascensão de Nosso Senhor ao Céu? Na Igreja ainda pequenina e nova, que nascia como uma plantinha, cada ano que passava o Natal se tornava mais belo, mais sagrado, mais recolhido, introduzia-se mais uma cerimônia, mais um ritual, firmava-se uma tradição...