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30 de janeiro de 2015

Mães católicas, coelhas?!

“Uma das obras-primas de Deus é o coração de uma mãe” (Provérbio francês)
Após a publicação da carta da Sra. Mónica C. Ars (vide post anterior) segue outra missiva (esta da Sra. Patricia Medina, que foi publicada em diversos sites e blogs) também a respeito da crítica às famílias com proles numerosas — uma especial benção de Deus. 


Carta ao Papa — "aquele que deveria nos confirmar na fé e nos apoiar" 

Patricia Medina

Fui abençoada com seis filhos. Filhos que tive por seis partos cesáreas. Meus partos cesáreas nunca foram por comodidade ou por medo da dor do parto natural. Pelo contrário. Sempre desejei dar à luz naturalmente, mas meu primeiro filho entrou em sofrimento fetal após 13 horas de trabalho de parto. Mecônio e sangue fizeram com que o nascimento dele fosse uma emergência médica e a cesariana, inevitável para salvar a vida dele. Graças a Deus dei à luz num tempo onde a cirurgia cesariana foi uma opção. Apenas algumas décadas antes, estaríamos mortos, eu e meu filho. Apesar de um APGAR inicial bastante baixo, meu primogênito se recuperou e hoje é um rapaz inteligente, caseiro, bom filho.

Infelizmente, no Brasil, a prática médica do VBAC ainda é desencorajada. Nestas terras tupiniquins ainda reza o refrão: “Uma vez cesárea, sempre cesárea”. E assim, sem qualquer culpa da minha parte, tive seis partos cesáreas. Apesar de não ter tido a dor natural do parto, ofereci a Deus o sofrimento do pós-parto, que pode ser bastante longo e doloroso. 

Tive médicos bons e responsáveis. Médicos que me asseguraram que eu poderia continuar a ter filhos, apesar do número de cesáreas. Conheço mesmo mães que tem mais de uma dezena de filhos por esta via. Enfim, fui abençoada seis vezes. Sete, se contar uma gestação que não foi adiante. Enfrento, diariamente, a curiosidade, o desrespeito, as gozações, os cochichos e os comentários de tanta gente que, só pelo fato de eu ter seis filhos, acham que tem o direito adquirido de dar a sua opinião a respeito daquilo que é tão sagrado para mim! Coleciono anedotas de sobra! Já fui parada na rua e perguntada se eu “não me importava com o meio ambiente”. Já riram de mim, dezenas de vezes, ao perguntar se eu não tinha televisão em casa (a propósito, não! Não temos! Graças a Deus!), se eu sabia o que causava a gravidez, se eu não tinha algum hobbie. E tudo isso, falado inconvenientemente, sem pudor, na frente dos meus filhos pequenos! Já ouvi que sou ignorante, que sou irresponsável, já tive que dar explicações financeiras a estranhos, nossa família é frequentemente olhada com desdém. Já tive um médico que sugeriu, discretamente, que eu abortasse minha terceira filha por ser “perigoso”. Perguntam sempre ao meu marido se os seis filhos dele são “da mesma mulher”

Certa vez, quando estávamos debaixo de chuva com bebê de colo e precisando de um táxi, muitos taxistas passavam com seus carros vazios e nos faziam sinal com as mãos, gesticulando que éramos gente demais. Gente demais…. Pode o céu ser povoado demais? 

Enfim, sempre aguentamos as críticas, eventualmente intercaladas com algum elogio aqui e ali. Os elogios que exaltam a minha suposta coragem nunca foram o nosso apoio para o sacrifício de ter muitos filhos. A opinião das pessoas, sejam elogiosas ou desabonadoras, são irrelevantes. Nosso foco, meu e do meu marido, sempre foi Nosso Senhor. Sempre foi fazer a vontade de Deus. E fazer a vontade de Deus na finalidade própria do matrimônio: a procriação dos filhos. Apesar da sociedade anticristã. Apesar do custo. Apesar do mundo! E agora, temo dizer: apesar do Papa! 

Nesses anos todos, e lá se vão 17 anos de casamento, nunca tinha escutado a pérola que o Bispo de Roma dirigiu às mães de famílias numerosas: coelhas! Sua Santidade foi, e digo isso com dor no coração, vulgar! Sim, vulgar! Jamais ousaria comparar uma senhora, esposa e mãe católica, a um animal irracional. E a um coelho! Pense na reação de pais de família se por ventura fossem comparados a asnos, por trabalharem demais. Ou se pobres, moradores de rua, fossem chamados de ratos por viverem maltrapilhos. Ou se se comparassem pacientes em coma a bichos preguiça? Preciso continuar? A comparação é vulgar e denigre o alvo das críticas. É um desrespeito. É, pura e simplesmente, falta de caridade! 

Além disso, o Papa, aquele que deveria nos confirmar na fé, aquele que deveria nos apoiar, nos defender, acabou de jogar as mães e pais de famílias numerosas aos leões! Meu marido acaba de me falar que amanhã, no trabalho, vão lhe questionar sobre as palavras do Papa. Evidentemente, os neoconservadores, aquele tipo de católico aparentemente esclarecidíssimo, obedientíssimo, fidelíssimo, porém covarde e cheio de respeito humano, vão defender as palavras de Sua Santidade com alguma ginástica mental afirmando que a mídia distorceu suas palavras, que tiraram de contexto o que ele disse, que ele disse “coelhas” no melhor sentido possível. Talvez digam que sim, são irresponsáveis as mulheres que tem muitos filhos. E se sentirão obedientíssimos, fidelíssimos, esclarecidíssimos! 

No entanto, eu, meu marido, meus seis filhos, não vamos defendê-lo. Vamos defender aquilo que a Igreja sempre ensinou. Jamais darei piruetas intelectuais para desculpar publicamente Pedro quando ele agredir aquilo que sempre foi verdadeiro e santo! Prefiro olhar pro céu a enfiar a minha cabeça num buraco! 

Num dos comentários, ele ainda citou a cifra duvidosa de especialistas que afirmaria que o ideal é “três por família”. Disse ainda que a Igreja dá muitos “meios lícitos para limitar a procriação”. Usou o exemplo de uma mãe que está grávida do 8º filho, tendo tido sete cesáreas. Ela seria irresponsável. “Ela quer deixar os sete filhos órfãos?”, perguntou o Papa. O que ele sugere agora que o filho já está na barriga? Só eu vejo as implicações dessa fala perigosa do Bispo de Roma? Sua Santidade não sabe o que fez. Nos jogou aos leões da ONU, na NOM, da maçonaria. Aqueles, sabem?!, que nos rodeiam procurando nos devorar… 

Mas tenho algo a dizer às tantas mães de famílias numerosas (muitas amigas minhas, companheiras da Capela, cujos abençoados bancos mal comportam tantas famílias com 3, 4, 5, 6, 7, 10 filhos!), às mães discriminadas por terem tido partos cesáreas múltiplos, às mães que têm filhos apesar da contestação da família, da sociedade e, lamentavelmente, de setores liberais da Igreja: “Corramos ao abraço da cruz! Tantas mulheres cristãs foram entregues aos leões. Não sejamos nós a fugir da cruz! Adiante! Povoemos esta Terra com santos sacerdotes, pais e mães de família cristãs, e o céu com santos”. O céu é o prêmio, já dizia Santa Teresinha. 

E rezemos pelo Papa. Ele não sabe o que fez. 
Em Cristo, 
Patricia Medina

29 de janeiro de 2015

Meus filhos, fruto de uma tentação a Deus?

No post anterior (Família numerosa — uma bênção de Deus) prometi publicar duas cartas nas quais as missivistas manifestam perplexidade face às recentes e infelizes declarações sobre as famílias que procriam “como coelhos”. Abaixo segue a carta da Sra. Mónica C. Ars e no próximo post seguirá a carta da Sra. Patrícia Medina — com ambas concordo em gênero, número e grau. 

Meus filhos, fruto de uma tentação a Deus?

Mónica C. Ars 
"Adelante la Fe", 20-1-2015 
Tradução de Hélio Dias Viana 

Não sei se cada dia estou mais atônita, indignada, entristecida... Faz tempo que não sei como qualificar meu estado de ânimo. Mas o que sim, posso assegurar, é que ontem foi uma jornada negra, dessas que recordarei durante muito tempo. Jamais pensei que poderia chegar a sentir-me desprezada pelo Santo Padre, e, entretanto, foi assim. Que não era essa a sua intenção, creio que não. Mas que foi esse o resultado, sim, foi. 

Suponho que os leitores de Adelantelafe saberão a razão. Jamais escondi que sou mãe de cinco filhos maravilhosos. Sempre os considerei minha “coroa”, meus presentes de Deus, minhas bênçãos. Eu os tenho exibido com orgulho, não por considerá-los meus (pois não são), mas porque sempre os senti como presentes de Deus, confiados a nós (os pais) para os devolver algum dia. 

Entendi há tempo que os filhos não são fruto da decisão dos pais, mas de Deus. “Antes de que estivesses no ventre materno, eu já te conhecia”, assim diz o Senhor. Todos estivemos na mente de Deus desde a Eternidade, por isso nenhuma criança é um erro para Deus. O contrário do que nos quer convencer agora esta sociedade egoísta. Pode acontecer de um nascimento não se dar nas melhores circunstâncias, mas “erro”, jamais. “Deus sempre escreve certo com linhas tortas”, diz-se. 

Nós cristãos defendemos a vida como resultado da vontade de Deus. Por isso, defendemo-la quando aos olhos do mundo ela é indefensável: no caso de violações, no caso de malformações, no caso de perigo para a mãe durante a gravidez... Somos escândalo para o mundo porque, para nós, todo filho é uma bênção de Deus. 

Daí meu estupor quando ouvi as infelizes palavras do Santo Padre: “Há os que creem que para sermos bons católicos devemos ser – perdoem-me a expressão – como coelhos”. 

Santo Padre, era realmente necessária essa expressão? O senhor conhecia a carga significativa que ela tinha, de fato pediu perdão antes de usá-la. E eu me pergunto: ter muitos filhos é agir “como coelhos”? Pensamos que o Santo Padre quis dizer (já começo com interpretações) que os coelhos não têm vontade para engendrar, que simplesmente atuam segundo critérios da Natureza. Muito bem, talvez quis dizer isso. Mas não deixa de surpreender-me que o ato de conceber um filho se “animalizara” de tal forma. Porque a alma humana tem um valor infinito para Deus. E toda alma humana é única, de valor incalculável. Coelhos? Santo Padre, não. O mundo pensa isso, o cristão, não.

O cristão não deve fazer “filhos em série” – continuou [o Papa Francisco] ontem no avião. 

Que duras palavras! Uma coisa feita em série é algo que carece de valor, porque não é única. Supõe também uma automatização onde não intervém a vontade, a criatividade, o engenho humano; agir como robôs, sem consciência alguma do que está fazendo. “Filhos em série...”

Meus filhos foram feitos em série? Não são únicos para Deus? Dou menor valor ao primeiro pelo fato de ter tido mais? O quinto não é uma bênção de Deus? É um número de série?

Este tipo de expressões eu as ouvi demasiadas vezes na ONU, quando se defende o aborto. Começa-se por coisificar (animalizar) o ser humano e acaba-se defendendo o indefensável. 

Mas o Santo Padre continuou falando... e comenta que repreendeu uma mãe que estava grávida do oitavo filho, porque tinha sofrido sete cesarianas. “O que quer, deixar órfãos seus filhos? Isso é tentar a Deus!”. 

Santo Padre, o senhor sempre disse que o pastor precisa ter cheiro de ovelha. Tem que estar próximo delas, conhecê-las, sofrer com elas. Se fosse assim, jamais teria repreendido essa mãe. Eu sofri cinco cesarianas. E o mundo me crucificou. Muito. Mas, ao meu marido, ainda mais. 

Para o mundo, como sou cristã, perdi minha capacidade de decisão e atuo como uma autômata. Deixo-me simplesmente engravidar. E meus filhos, que aguentem! 

Santo Padre, que injusto! Tenho também que ouvi-lo do senhor? Meu pai espiritual? 

Meu marido e eu somos muito conscientes do que fazemos. Meus filhos, também. Cada gravidez que sofri a partir do terceiro, supôs um enorme susto para nós. Não sou um autômata incapaz de pensar. Oxalá fosse! O problema é que, para alguns casais, Deus tem vontade própria. Por mais que o senhor diga que conhece muitos métodos (de verdade?, não naturais?) para evitar uma gravidez, não são métodos infalíveis, menos ainda para alguns casais. 

Precisamente, se a Igreja permite os métodos naturais, é porque sempre se deixa a porta aberta para Deus. E... surpresa, surpresa (porque Deus sempre surpreende), por alguma “estranha” razão, Deus manda filhos a quem coloca sua confiança n’Ele. 

Meu quarto e meu quinto filhos não foram programados. Tampouco são filhos em série. E menos ainda foram fruto do nosso tentar a Deus. Ou sim? Escutamos os ensinamentos da Igreja e, apesar das ENORMES pressões que recebemos (inclusive dentro da própria Igreja) para usar métodos não naturais, apesar do perigo para a minha saúde, pusemos a nossa confiança n’Ele. Que passo mais terrível! Quão duro é!

Como se pode acusar um casal de querer deixar órfãos seus filhos? Eu mesma ouvi essa frase da boca de muita gente. E dói! Como pode [o senhor] acusar tão duramente essa mãe? Eu não quero deixar órfãos meus filhos! Ninguém quer! Mas... creio em Deus. Creio em sua vontade. E confio n’Ele. Inclusive às custas de minha própria vida. Não o disse o próprio Jesus: “Não há ninguém mais feliz do que quem da a vida por um amigo”? Por acaso isso não é transferível aos filhos?

Cada dia de minhas últimas gravidezes fui consciente de que podia ser o derradeiro. Meu marido, também. Não me subestime pensando que sou uma autômata submetida a uma religião sem fundamento. Se tivesse escutado essa mãe, teria ouvido a sua luta diária para continuar confiando em Deus. No duro que é. No difícil que é. Sobretudo num mundo onde é tão fácil ir a uma farmácia e solicitar um contraceptivo. Não necessitamos de sua recriminação (o mundo já no-la dá), necessitamos de seu apoio. Porque é uma decisão difícil, diária, que pesa. 


E sabe? Meu quarto filho nasceu em dezembro. No dia do parto eu havia me preparado. Tinha me confessado e ido à missa com meu marido. Quando me levaram de maca para a sala de partos, apareceu um coro de crianças. Tinham ido ao hospital cantar villancicos [músicas natalinas] para os pacientes. Fizeram um corredor e cantaram... Sim, cantaram! Depois, desceram até a sala de partos, e os médicos abriram as portas para que eu pudesse escutá-los. Meu filho nasceu às 12 (hora do Angelus) sob os cânticos “Nasceu Emanuel”. A enfermeira (que absolutamente não me conhecia), quando o colheu nos braços, emocionou-se e sussurrou ao meu ouvido: “Na verdade, este é um presente de Deus”. E estou de acordo com ela. Meu quinto filho também é de dezembro. E sabe? “Curiosamente”, também recebeu as canções das crianças. Eu sobrenaturalizei os meus partos. Maria esteve presente neles. Senti a comunhão dos Santos... Por favor, não lhes tire a sobrenaturalidade. O mundo já o faz. 

Maria tentou a Deus? Se tivesse escutado o mundo, Jesus não teria nascido. Mas depositou sua confiança em Deus. Confiou. Foi generosa. 

Finalmente, um apontamento. Meus filhos sabiam do perigo que eu corria. Nunca o escondi. Rezaram por mim e pelos seus irmãozinhos. E, neste verão, quando fomos a Lourdes para agradecer a Maria pelo parto sem incidentes, sabe o que meu filho mais velho pediu? Outro irmãozinho! 

Creio que uma criança pode nos ensinar muito. Meu filho ensinou-me generosidade. E valor. Santo Padre, escute as suas ovelhas, por favor, porque nos sentimos perdidas. Que queira ir atrás das que estão fora do redil, fenomenal!, mas não se esqueça das que estamos dentro. Talvez, agora mais do que nunca, estejamos necessitadas de um bom pastor. 

10 de maio de 2014

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, rogai por nós!

A Fundação de São Paulo - Pintura de Oscar Pereira da Silva (1865-1939)
Desde a missão de evangelizar, civilizar e instruir os indígenas da Terra de Santa Cruz até a vocação de cruzado — colaborando heroicamente para a expulsão dos hereges que invadiram nossas terras —, Anchieta foi um dos principais forjadores da unidade nacional

Paulo Roberto Campos 
Matéria publicada na Revista "Catolicismo"
Nº 761, edição de Maio/2014.

Beatificado por João Paulo II em junho de 1980, Anchieta foi canonizado no dia 3 de abril último pelo Papa Francisco. Mas já nos idos de 1736 Clemente XII fizera a proclamação da heroicidade de suas virtudes, tornando-se desde então comum recorrer à intercessão desse Venerável filho espiritual de Santo Inácio de Loyola, que mereceu o cognome de Apóstolo do Brasil. A esse título ele será particularmente atento às preces que nós brasileiros lhe dirigirmos — tanto para as nossas necessidades individuais quanto para as da Terra de Santa Cruz. 


Anchieta - Autor anônimo. Museu Paulista
A respeito das delongas e dos obstáculos para se chegar à tão esperada canonização de Anchieta, escreve o Pe. Armando Cardoso, S.J: “Seu processo de beatificação, começado cinco anos apenas após sua morte, e interrompido várias vezes por diversas circunstâncias históricas, se estendeu até 1736, em que o Papa Clemente XII deu o ‘Decreto das Virtudes em Grau Heroico Praticadas pelo Venerável Servo de Deus o Padre José de Anchieta, Sacerdote Professo da Companhia de Jesus’. Retomado para exame dos milagres, foi largado por mais de 120 anos por ocasião da perseguição à Companhia de Jesus, sua supressão, restituição e volta ao Brasil (1757-1877)”.(1) 



Fundador da cidade de São Paulo, um “Bandeirante da Fé”

Ainda muito jovem,
Anchieta faz o voto de castidade
 
Também cognominado "Apóstolo do
Novo Mundo” e “São Francisco Xavier da América”, José de Anchieta nasceu há 480 anos, no dia 19 de março de 1534, em São Cristóvão de La Laguna, Tenerife (Arquipélago das Canárias). Descendente de nobres espanhóis, iniciou seus estudos universitários em Coimbra no ano de 1548, e três anos depois ingressou na Companhia de Jesus. Com apenas 19 anos, enquanto noviço jesuíta, embarcou como missionário para o Brasil, aportando na Bahia de Todos os Santos (Salvador) em 13 de julho de 1553, com o governador-geral Duarte da Costa. 

Pouco depois, partiu para seu principal destino: São Vicente, no litoral paulista, então sede da capitania de Martim Afonso de Sousa. 

Seu zelo pela salvação das almas levou o jovem Anchieta a galgar os 900 metros da escarpada Serra do Mar para chegar ao planalto de Piratininga. Acompanharam-no nesta empreitada 12 jesuítas, que se estabeleceram sobre uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú. Também vinham junto 20 “curumins” — indiozinhos que haviam descido para São Vicente a fim de estudar na escola dos missionários.

Não se trata de narrar aqui toda a empolgante epopeia desse santo missionário, nem os numerosos milagres por ele operados em terras brasílicas. Mas dentre os abundantes fatos épicos de sua vida merece especial destaque um: em 25 de janeiro de 1554, o jovem jesuíta, juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega, fundou a Vila de Piratininga, tendo como ponto de partida o atual Pátio do Colégio, berço da capital paulista. Naquele dia, o ato de fundação da cidade foi a primeira Missa celebrada no rústico e provisório “Colégio São Paulo”. Tal foi o papel do Apóstolo do Brasil, como incansável “Bandeirante da Fé”, na fundação da cidade de São Paulo, que alguns autores afirmam que a atual megalópole bem poderia chamar-se “Cidade de Anchieta”. 


“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” 

O mestre de Piratiniga
Pela grandeza da obra do recém-canonizado santo, salta aos olhos o quanto é injusta e cruel a crítica que a nova missiologia indigenista — levada a cabo por sacerdotes progressistas alinhados à “Teologia da Libertação” — lança contra Anchieta devido à sua catequese dos índios. Sendo batizados e civilizados, estes só lucraram, tanto espiritual quanto materialmente, pois se viram livres de práticas pagãs, de contínuas batalhas entre tribos, e de muitos vícios, como a bebedeira, o infanticídio, a feitiçaria, o canibalismo etc.

Entretanto, os tais neomissionários pregam o retorno dos silvícolas aos seus antigos vícios, ao primitivismo tribal... Pregação bem oposta à gloriosa missão de Anchieta, que admiravelmente seguiu o divino mandado de Nosso Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas” (Mc 16,15-17). 


“A pedra preciosa é o Padre Anchieta” 

O zelo apostólico de Anchieta, “Ad Majorem Dei Gloriam”
(fazer tudo para a maior glória de Deus — lema dos Jesuítas), não se restringiu ao planalto paulista. Seu ardor pela conquista das almas e estabelecimento da civilização cristã em nossas terras levou-o a percorrer enormes distâncias e boa parte do litoral brasileiro. Para esse infatigável apostolado junto aos silvícolas, Anchieta redigiu, em menos de dois anos, a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil — “a melhor de todas as que se escreveram nos tempos coloniais e a que mais corresponde às exigências científicas modernas”, segundo o Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J.(2)

Entre outras obras, Anchieta escreveu os Diálogos da Fé em língua tupi, que passou a ser usado em São Vicente desde 1557. Compôs diversos poemas, canções, sermões e peças teatrais para ensinamento dos índios; redigiu também algumas instruções catequéticas sobre o batismo, a assistência aos silvícolas em perigo de morte e o sacramento da confissão. 

Sinteticamente, para se ter uma certa noção do vulto grandioso desse gigante da fé, basta lembrar o que dele afirmou o segundo bispo do Brasil, Dom Pedro Leitão, o qual lhe havia conferido o sacramento da Ordem: “A Companhia de Jesus no Brasil é um anel de ouro e a pedra preciosa dele é o Padre Anchieta”.(3) 

Ou ainda o que escreveu o jesuíta Simão de Vasconcelos (1596-1671), um dos primeiros biógrafos de Anchieta: “Um José na castidade, um Abraão na obediência, um Moisés nos segredos do Céu, um Job na paciência, um Elias no zelo e um David na humildade. Um portento de maravilhas e um assombro do mundo”.(4) 


Cruzada brasileira contra os invasores do Rio de Janeiro 

O Pe. Nobrega abençoando Estácio de Sá
e suas tropas, que partiam para reconquistar
Guanabara e fundar a cidade do Rio de Janeiro.
Ajoelhado, o Pe. José de Anchieta.
 
Além do título de fundador de São Paulo, o Pe. Anchieta mereceu também, juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega, o de co-fundador do Rio de Janeiro. Vejamos.

Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1571), e outros invasores franceses protestantes, chegaram à baía de Guanabara em 1555, construíram o Forte de Coligny na ilha de Seregipe (como a chamavam os Tamoios — hoje ilha de Villegaignon) e implantaram ali uma colônia que, muito jactanciosamente, denominaram “França Antártica”. Mas foram expulsos da ilha pela esquadra enviada pelo governador-geral Mem de Sá (1500-1572). Entretanto, os sectários de Lutero retiram-se para terra firme, instigaram os índios Tamoios contra os portugueses e retornaram mais tarde as antigas posições.

Os intrusos, amotinando os Tamoios, desejavam implantar a
Mem de Sá
heresia calvinista na Terra de Santa Cruz. Nóbrega e Anchieta logo perceberam a gravidade do perigo e insistiram junto à Corte de Lisboa para que enviasse novas forças. Ao mesmo tempo, multiplicaram os contatos com os chefes indígenas aliados e incentivaram a fabricação de armas e embarcações, somando esforços junto ao governador-geral, que — como registrou Anchieta em sua obra Feitos de Mem de Sá — “prepara uma esquadra para expulsá-los das terras mal havidas: equipa com armas luzentes muitas naus e as enche de escolhidos soldados”.(5) 


O grande missionário e taumaturgo tornou-se o esteio moral em
Chegada de Anchieta
no Rio de Janeiro
que se apoiavam as esperanças de todos. Foi Anchieta quem, durante o estratégico ano de 1565, soube manter inabalável o espírito combativo contra o herege invasor, sem o qual os intrusos não teriam saído do Rio de Janeiro, ameaçando, assim, dividir a nação brasileira. 


Vindo da Bahia em socorro de seu sobrinho Estácio de Sá, o governador-geral, Mem de Sá, derrotou definitivamente os invasores franceses em 20 de janeiro de 1567, dia de São Sebastião. A vitória, entretanto, custou a vida do jovem e bravo Estácio — que veio a falecer santamente um mês após a vitória, em consequência de uma flecha envenenada. 


Essa vitória contra os inimigos da fé católica foi marco da fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro. Fundada pelo fidalgo Mem de Sá, mas para a qual Anchieta tanto havia colaborado, por exemplo, estimulando os indígenas à defesa da cidade, entre os quais se destacou o valente índio Ararigboia (da tribo dos termiminós), batizado com o nome de Martim Afonso. [Ao lado, estátua do índio Ararigboia diante da estação das barcas em Niterói].
A fundação da cidade do Rio de Janeiro - Palácio Pedro Ernesto

Essa heroica reação de portugueses e nativos contra os calvinistas franceses poderia ser designada como a primeira cruzada brasileira para a expulsão dos protestantes que pretenderam dominar o Rio de Janeiro e, a partir daí, apoderarem-se da nação. 
Poema à Virgem Maria - B. Calixto, 1901. Colégio São Luis, São Paulo

Cantor e poeta da Santíssima Virgem Maria 

A devoção do Pe. Anchieta a Nossa Senhora é dos traços que mais o distinguiam. Uma prova saliente disso se deu durante seu cativeiro entre os índios Tamoios, em Iperoig (Ubatuba), quando compôs o célebre Poema da Virgem (De Beata Virgine Matre Dei Maria), certamente a primeira grande obra literária em honra da Santíssima Virgem escrita em terras da América. Com seu bordão, o indômito missionário jesuíta escreveu sobre a areia da praia, em latim clássico, o poema de quase seis mil versos, no qual ele canta a história da Mãe de Deus desde sua Conceição Imaculada até sua gloriosa Coroação no Céu. Nesse fabuloso poema, além de sua robusta inteligência e cultura, o santo autor se revela um precursor dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção. 


O cortejo fúnebre com o corpo
de Anchieta
Após 44 anos de contínuo labor apostólico, o agora canonizado Pe. José de Anchieta — que em vida já era considerado grande santo —, previu o dia de sua morte. Despediu-se na véspera de seus próximos, e no dia 9 de junho de 1597 entregou sua bela alma a Deus, aos 63 anos de idade, na aldeia do Reritiba, hoje cidade de Anchieta (ES). Entre os índios, foi geral a lamentação e tristeza pela morte daquele que lhes dedicara toda a sua existência. Hoje o Brasil inteiro venera esse fulgurante missionário que profeticamente, na acima citada obra, anunciara: “A nação que se ceva agora em carnes humanas, a terra em que sopra o Sul, conhecerá o Teu nome e ao mundo austral advirão os séculos de ouro, quando as gentes brasílicas observarem a Tua doutrina”(6) — a divina doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o Apóstolo do Brasil viveu e morreu heroicamente. 
Pátio do Colégio - Benedito Calixto

“Primeiro rebento de santidade de uma grande nação”

A seguir, algumas palavras do mesmo autor, publicadas em “O Século”, do Rio de Janeiro, em 4-9-1932:
“Se pudéssemos recorrer a uma comparação profana,
para dar a ideia da importância de Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o Brasil o que Licurgo foi para Esparta e Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar os primeiros edifícios e organizar as primeiras instituições.
Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue nas nascentes da nação brasileira, a construir seu primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, e a redigir, confiando-os às praias do oceano, os primeiros versos compostos em plagas brasileiras. 
“O fundador de São Paulo foi, portanto, simultaneamente, nosso primeiro mestre-escola, nosso primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, o mais antigo vulto da literatura brasileira, como o chamava Silvio Romero.
“E sobre esta tríplice coroa fulgura ainda o diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras os milagres do Poverello de Assis, que, com sua simples presença, amansava feras e atraía os passarinhos, nas florestas densas da Úmbria.” 
Anchieta costumava rezar aos pés desta imagem de Na. Sra. da Conceição
Almejando ardentemente a elevação do Pe. Anchieta à honra dos altares, assim conclui Plinio Corrêa de Oliveira o referido artigo, naqueles idos de 1932:
“Seu processo de canonização está confiado ao juízo soberano da Santa Igreja. E todas as razões nos levam a crer que Deus ouvirá as orações que lhe forem dirigidas por intermédio de Anchieta, facilitando assim a causa de sua canonização, para erguer sobre seus altares um grande santo, primeiro rebento de santidade de uma grande nação.”  
Relíquia de São José de Anchieta
_______ 
Notas: 
1. Pe. Armando Cardoso, S.J., O Bem-aventurado Anchieta, Edições Loyola, São Paulo, 1991, p. 68. 
2. Cfr. Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J., José de Anchieta, Tenenge, São Paulo, 1987, p. 24. 
3. Celso Viera, Anchieta, Pimenta e Mello & Cia, Rio de Janeiro, 1929, p. 175. 
4. Pe. Simão de Vasconcelos, A Vida do Venerável Pe. José de Anchieta, Lello & Irmãos, Editores, Porto, 1953, p. 90. 
5. Pe. Ioseph de Anchieta, De Gestis Mendi de Saa praesidis in Brasillia, Obras completas, 3ª ed., 1º vol. p. 195. 
6. Idem, ibidem, p. 229.

2 de maio de 2014

Às vésperas da “Parada homossexual”, uma nota ESCANDALOSA da “Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo”

Numa “Parada homossexual” na Av. Paulista, de modo blasfemo e sacrílego, participantes desfilaram com imagens de santos pintados como se estes fossem homossexuais (destaque na foto), debochando assim de Deus e de seus Santos

Paulo Roberto Campos 

Em muitos meios católicos causou enorme e justificado escândalo a nota publicada pela “Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo” no último dia 30. 

Em apoio ao movimento homossexual, tal nota foi publicada propositalmente às vésperas da “18ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo”, que se realizará no próximo domingo, 4 de maio. No final deste post transcrevo a notícia sobre essa vergonhosa nota.(*) 

A propósito da denominação “Parada do Orgulho”, relembro aqui o que afirma a Sagrada Escritura: “O princípio de todo pecado é o orgulho” (Ecl. 10, 15). 

Sirvam estas linhas de reparação a Nosso Senhor Jesus Cristo contra tal “Parada homossexual”, que é da ostentação do “orgulho” (satânico) de se praticar o ato sodomítico — gravíssimo pecado sensual contra a natureza, que o Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã classifica como um dos pecados que bradam ao Céu e clamam a Deus por vingança. 

Uma vez que não tive conhecimento de alguma publicação da Arquidiocese de São Paulo, nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desautorizando a escandalosa nota que emitiu apoio ao movimento homossexual, transcrevo a seguir uma excelente matéria que expõe a doutrina verdadeiramente católica a respeito da pecado de homossexualismo. 

Nessa matéria, publicada na revista Catolicismo Nº 553 (Janeiro/1997), o Monsenhor José Luiz Villac, responde a seguinte pergunta: “A imprensa tem tratado com muita frequência do problema da homossexualidade. O Sr. poderia dizer o que ensina a Igreja Católica a respeito, e o que Ela recomenda para a pessoa se afastar desse vício?”

“Com muito gosto me honrarei de dar aos caros leitores alguma orientação sobre o problema da homossexualidade e homossexualismo, assunto tão delicado, mas também tão atual quanto sinistro.

A respeito da homossexualidade, a doutrina católica distingue entre a tendência homossexual(homossexualidade) — que pode ser devida a defeitos genéticos, de educação ou a fatores psicológicos e morais — e a prática homossexual (homossexualismo).

Tendência homossexual
A tendência homossexual é uma paixão, isto é, um apetite desordenado, que já denota um desvio da natureza, pois o instinto sexual normalmente só se manifesta em relação a pessoas de outro sexo, uma vez que foi dado ao homem e à mulher com vista à procriação.

A pessoa que sofre essa tentação — contrária à natureza, é preciso realçar — tem obrigação moral de combatê-la a ferro e fogo, e não consentir absolutamente em nada do que ela pede. Nem por pensamentos, nem por palavras, nem por atos. Se a pessoa assim agir, estará isenta de culpa. É tentação vencida, é vitória alcançada. É aumento em graça e virtude!

A paixão pode solicitar até veementemente para um ato mau, mas se a pessoa tentada não consente, lutando para afastar o mau pensamento e fugindo das ocasiões de queda, não só não comete pecado, mas ganha méritos perante Deus, pela batalha vitoriosa que desenvolve contra as más inclinações que tem dentro de si, triste herança do pecado original.

Como combater essa má tendência
Um dos segredos da vitória nessa matéria está na estratégia do combate aos maus pensamentos.

A batalha contra os maus pensamentos deve começar muito antes que eles despontem na imaginação ou na memória, isto é, muito antes que nasçam na cabeça. A resistência deve começar pelo combate à raiz desses maus pensamentos.

Qual é essa raiz?

Geralmente as pessoas com tendência homossexual são tendentes a uma visão acentuadamente egoísta da vida, de cunho sentimental e romântico. No fundo, gostam de admirar-se, "adorar-se", de se acharem maravilhosas e sublimes, e de se considerarem incompreendidas pelos outros. É com base nessa mentira que, de início até imperceptivelmente, põem-se a procurar uma "alma irmã" que as compreenda. E uma "alma irmã" do mesmo sexo...

Se uma pessoa assim não combate essa auto-contemplação e esse sonho a respeito de sua suposta sublimidade, ela põe o pé na rampa, derrapando depois para todas as desordens monstruosas da vida homossexual. A esse respeito, leia na Sagrada Escritura o que diz São Paulo na Epístola aos Romanos, cap. 1, vers. 21 a 32. É impressionante.

Outro segredo é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Segundo a doutrina católica, há obrigação moral sub-gravi de evitá-las.

Uma ocasião de pecado é próxima quando se percebe que pode levar logo ao pecado. Por exemplo, manter amizade e frequentar rodas de pessoas do mesmo sexo em relação às quais o indivíduo, por um apelo de seus instintos desviados, sente atração homossexual.

Assim, falar de "amizade" entre homossexuais sem temer que acabe, mais cedo ou mais tarde, desfechando no ato abominável, é o mesmo que achar possível brincar de riscar fósforos a dois milímetros da boca aberta de um tonel de gasolina e não prever a explosão. Não é lícito.

Prática homossexual
Por outro lado, a prática homossexual — ou seja, manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo — constitui um pecado abominável aos olhos de Deus, daqueles que a Igreja classifica como "pecados que clamam a Deus por vingança".

De fato, na Sagrada Escritura são várias as condenações explícitas a esse pecado, mostrando eloquentemente a sua ignomínia. Basta citar o proverbial exemplo das cidades de Sodoma e Gomorra, que foram destruídas num apocalíptico dilúvio de fogo vindo do céu, como castigo por esse pecado (Cfr. Gen., cap. 18 e 19). Também no Levítico a condenação ao homossexualismo é clara e radical: "Aquele que pecar com um homem como se fosse mulher, ambos cometem coisa execranda e sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre eles"(20, 13). Existem ainda condenações ao abjeto ato sodomítico em outros livros da Bíblia, que seria supérfluo acrescentar.

Requinte desenfreado de luxúria
Nem sempre a prática homossexual (homossexualismo) deriva de uma tendência (homossexualidade) observada desde a juventude ou mesmo desde a infância. Muitas pessoas se tornam homossexuais por um requinte desenfreado de luxúria. Querem ter novas "experiências" nessa matéria, embora antes fossem perfeitamente normais, ou seja, heterossexuais de tendência e de prática. Isto constitui um pecado ainda mais grave, pois não se trata apenas de uma concessão à tendência desregrada e antinatural que porventura a pessoa já tivesse, mas sim da procura deliberada de um pecado contra a natureza, em busca de novas sensações torpes e vergonhosas, severamente proibidas por Deus.

"Vítima" do homossexualismo
Outras vezes uma pessoa de tendência originária normal, heterossexual, pode ser "forçada" — note bem: forçada — a adotar práticas homossexuais devido a uma permanência prolongada em certos ambientes de baixo nível moral, como penitenciárias, navios em viagens de longo curso, etc. Neste caso o pecado, embora gravíssimo e abominável, pode não ter o mesmo grau de abominação do caso anterior, principalmente se a pessoa for vítima de violência para consentir no ato torpe. Mas deve heroicamente opor toda a resistência possível, sacrificando até a própria vida, a exemplo de uma Santa Inês, de Santa Maria Goretti e de tantos outros heróis da Fé e da Pureza.

As pessoas que adotam práticas homossexuais nestas duas circunstâncias, geralmente ficam sendo taradas bissexuais, ou seja, com tendência e práticas sexuais com pessoas do mesmo sexo e do outro. Neste caso, suas práticas homossexuais constituem pecado gravíssimo contra a natureza, que clamam a Deus por vingança devido ao extremo grau de malícia que lhes é próprio, enquanto as relações heterossexuais, se realizadas fora do casamento, constituem pecado de fornicação ou, mais grave ainda, de adultério.

A importância da oração e dos Sacramentos
Para evitar isso, é preciso pedir a graça de Deus e a especial proteção de Nossa Senhora. O que se consegue rezando e frequentando assiduamente os Sacramentos. Porque, sem o auxílio sobrenatural da graça, nenhum homem é capaz de cumprir estavelmente os Dez Mandamentos, sobretudo o 6º e o 9º, ainda mais no mundo permissivista em que vivemos.

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O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 1º de maio de 2014

Comissão da Arquidiocese de SP defende
dignidade de gays

William Castanho e Mônica Reolom — Agência Estado

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo publicou nesta quarta-feira, 30, uma nota em “defesa da dignidade, da cidadania e da segurança” dos homossexuais. O texto foi publicado às vésperas da 18ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo, que será realizada neste domingo, 4, na Avenida Paulista.

Não podemos nos calar diante da realidade vivenciada por esta população, que é alvo do preconceito e vítima da violação sistemática de seus direitos fundamentais, tais como a saúde, a educação, o trabalho, a moradia, a cultura, entre outros”, afirma, em nota, a entidade da Igreja Católica. A comissão diz também que LGBTs “enfrentam diariamente insuportável violência verbal e física, culminando em assassinatos, que são verdadeiros crimes de ódio”.

A entidade convida “pessoas de boa vontade e, em particular todos os cristãos, a refletirem sobre essa realidade profundamente injusta das pessoas LGBT e a se empenharem ativamente na sua superação, guiados pelo supremo princípio da dignidade humana”. Ainda de acordo com a nota, o posicionamento da entidade, “fiel à sua missão de anunciar e defender os valores evangélicos e civilizatórios dos direitos humanos, fundamenta-se na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada no Concílio Vaticano II: “As alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrais e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”, diz o documento.

Dar voz — O diretor da Comissão Justiça e Paz da arquidiocese, Geraldo Magela Tardelli, afirmou que esta é a primeira vez que a comissão escreve “formalmente” a favor dos homossexuais. “A comissão tem uma missão, segundo D. Paulo Evaristo Ars: ‘temos que dar voz aqueles que não tem voz’. Neste momento, o que estamos percebendo é que há um crescimento de violência contra homossexuais, então a gente não pode se omitir em relação a essa violação dos direitos humanos”, afirmou o diretor.

Segundo ele, a realização da Parada [homossexual] determinou a divulgação da nota. “Nós achamos que esse era o momento correto de colocar essa nota em circulação. Nós da Igreja estamos engajados na defesa dos direitos humanos e não compactuamos com nenhuma violação, independentemente da cor e da orientação sexual das pessoas”, disse Tardelli.


23 de setembro de 2013

"CASAMENTO" E CASAMENTO

Dom Salvatore Cordileone, Arcebispo de São Francisco (Califórnia), prognostica nesta entrevista que se os católicos não reagirem, temíveis perseguições sobrevirão para a Igreja Católica, por pregar uma moral segundo os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 


Entrevista publicada na Revista Catolicismo, 
 Nº 753, Setembro/2013




Se o mundo católico não reagir, dias difíceis nos aguardam. Inúmeros fiéis já são perseguidos pelo “crime” de perseverar e defender a moral segundo a doutrina do Magistério da Igreja Católica. Mais difíceis ainda serão os dias daqueles que têm por obrigação combater a imoralidade infrene e as leis que viabilizam a prática do aborto e o “casamento” de pessoas do mesmo sexo. 

Em entrevista concedida ao Sr. Michael Drake, membro da TFP norte-americana — e que Catolicismo reproduz nesta edição — o Arcebispo de São Francisco (Califórnia), Dom Salvatore J. Cordileone, responde, entre outras, a estas preocupantes questões: O que acontecerá com sacerdotes que pregam a verdadeira moral católica? Serão condenados? E com os pais de família que ensinarem a seus filhos que o matrimônio só deve ser entre um homem e uma mulher, em união monogâmica e indissolúvel, com vistas à procriação e educação da prole? Sofrerão eles análogas condenações? 

Convém lembrar que, em conformidade com o Evangelho, é uma honra sofrer perseguição por amor à Justiça: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa” (Jo 15, 18-20). 
Catolicismo — Existe uma ligação direta entre os esforços para promover a contracepção e os destinados a promover relacionamentos intrinsecamente estéreis entre pessoas do mesmo sexo? 

Dom Salvatore — Há certamente ligações filosóficas. Aqueles dentre nós que estudamos isto sabem que o início da erosão neste assunto foi a mentalidade contraceptiva separando a procriação do ato conjugal. O sexo ficou reduzido apenas ao prazer. Cheguei a ler recentemente algumas colunas na imprensa, que o afirmam explicitamente. Uma delas em particular criticava os mórmons porque eles também não aprovam a contracepção. Esse colunista simplesmente não podia acreditar que alguém pudesse olhar o sexo a não ser como recreação. Contudo, se este for praticado exclusivamente como recreação, não haverá limites; qualquer coisa prazerosa será legítima. 
O Padre Norman Weslin, de 80 anos, foi preso nos Estados Unidos no Campus da Universidade Católica de Notre Dame. Que "crime" cometeu? Liderou um protesto contra o aborto...
Catolicismo — Uma palavra sobre a reação à violência que estamos observando ser perpetrada contra aqueles que apoiam o casamento tradicional. Haveria uma resposta para isso? Como devemos apresentá-la? 

Dom Salvatore — Deve haver uma resposta ao ódio e à violência. Há muito para se dizer sobre isso. Deve haver uma preocupação em saber o que o outro lado realmente quer. Essas pessoas estão do lado que prega a tolerância. Mas quando não conseguem o que desejam se tornam os mais intolerantes. Referem-se a “tirar um direito fundamental”; mas como pode ser fundamental um direito criado que nunca existiu antes? Número dois: ele não foi criado através de um processo democrático. Em cada estado onde o “casamento” homossexual foi legalizado, criaram-no quatro juízes da Suprema Corte. Nós fizemos uso de um processo democrático: tiramos o poder das mãos de uma pequena corte e colocamo-lo de volta nas mãos das pessoas, para que o povo pudesse decidir de forma democrática em que tipo de sociedade gostaria de viver. Explicamos que essa atitude não se voltava contra ninguém, não era discriminatória. 

O casamento é algo diferente. Considerável número de pessoas recebeu essa mensagem e a entendeu. Se os que se opõem a nós desejam pregar a tolerância, devem praticá-la. Eles precisam usar meios democráticos, pacíficos e honestos. Acabei de receber esta manhã e-mail de um sacerdote amigo de minha diocese. Ele anexou a coluna que escreveu para seu boletim, comparando a atitude deles à Kristallnacht [A noite dos cristais], na Alemanha nazista em 1938, quando foram atacadas pessoas, instituições e entidades judaicas por serem israelitas. Nenhum funcionário público censurou a coluna. O mesmo está acontecendo agora contra os mórmons e nenhum funcionário público está criticando, simplesmente por serem mórmons que participaram do processo democrático que eles e nós acreditamos visar o bem comum, e não ter em vista sua própria visão religiosa particular. 
"O que está acontecendo em nossa sociedade é a presença sobre a mesa de duas ideias de casamento que são excludentes. Elas não podem coexistir"
Catolicismo — Se o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo for levado adiante, como isso afetará diretamente a Igreja — ou, de modo indireto, as organizações a ela filiadas? Ou ainda as organizações não filiadas e sem fins lucrativos? 

Dom Salvatore — Não é uma questão de viver e deixar viver. Na verdade, essa é a situação existente com as leis de parceria doméstica, segundo a ideia deles de tolerância. O que está acontecendo em nossa sociedade é a presença sobre a mesa de duas ideias de casamento mutuamente excludentes. Estamos lutando para que uma delas prevaleça. Tais ideias não podem coexistir. 

Uma ideia consiste no modo como o casamento sempre foi entendido em toda a sociedade humana, desde o início da civilização, ou seja, uma união para toda a vida de um homem com uma mulher, com fidelidade duradoura mútua, para a procriação e educação dos filhos, e o bem dos cônjuges. A sociedade tem um interesse nessa ideia. O governo tem interesse e participação no casamento por causa da procriação e da próxima geração de cidadãos. Para a sociedade florescer, os cidadãos devem ser virtuosos. As crianças aprendem a virtude principalmente em suas famílias; em segundo lugar, em suas comunidades educacionais e de fé. Essa é a ideia do casamento como ele sempre existiu.

É por isso que ele goza desse status especial na lei. Não há nenhum outro relacionamento com o status da lei do casamento. Existem outros tipos de belas relações humanas: a relação de amizade, a relação entre pais e filhos, entre um pastor e seu rebanho. Todas essas são relações humanas belas e elevadas. Mas o casamento é diferente de todo o resto.

A outra ideia de casamento é a de que ele pode ser de maneira como você quiser defini-lo. E, assim, não há diferença moral entre o chamado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e as uniões heterossexuais entre maridos e esposas; quem pensar de modo diferente é tachado de “preconceituoso”. Então, se você é um “preconceituoso” à maneira das pessoas que duas gerações atrás se opunham ao casamento inter-racial, será tratado como tal. 

Se você quiser saber como será a sociedade se a ideia do “casamento” do mesmo sexo prevalecer, é só considerar como a sociedade trata hoje os racistas, aos quais ela nega autorização para o exercício de profissões. A Universidade Bob Jones teve revogado seu status de organização sem fins lucrativos porque proibia namoros inter-raciais após a decisão da Suprema Corte no Loving versus Virgínia, em 1967. Não havia um processo judicial, não havia legislação aplicável, mas um burocrata no IRS revogou seu status de organização sem fins lucrativos. A mesma coisa aconteceu com um Acampamento Metodista em Ocean Grove, NJ, dono de um pavilhão em frente à praia que ele alugava para quem quisesse fazer festas de casamento. Tendo se recusado alugá-lo para a cerimônia de união civil de um “casal” de lésbicas, um burocrata revogou o status de instituição sem fins lucrativos no tocante àquela parte confrontante com a praia. Há muitos, muitos outros casos, por exemplo, o da Charities Católica, na Arquidiocese de Boston.

O outro lado vai focalizar com muita frequência sua atenção em igrejas para realizar “casamentos” de pessoas do mesmo sexo. Bem, isso é apenas um fator entre muitos outros. Segundo as leis de acomodação pública, as igrejas que alugam seus salões paroquiais para o público em geral seriam obrigadas a fazê-lo para recepções de uniões do mesmo sexo. Sob a lei trabalhista do emprego, as universidades e as escolas se veriam obrigadas a contratar pessoas unidas por “casamentos” do mesmo sexo e aceitar crianças por elas adotadas, não importando o quanto elas exteriorizam e exibem seu “casamento” homossexual. Quanto à questão de se obrigar a realizar “casamentos” do mesmo sexo, o “Washington Blade”, um jornal homossexual muito influente, disse que ela será resolvida por meio desta frase: “Fluxo constante de processos judiciais”. Então, você verá uma enxurrada de processos judiciais por causa disso. Entretanto, o jornal observou que isso não era certo...

E quanto ao currículo escolar? A evidência e a experiência são claras, apesar da afirmação em contrário de funcionários de escolas: estas serão obrigadas a ensinar a equivalência entre o “casamento” de pessoas mesmo sexo e o casamento heterossexual. Isso já está acontecendo em Massachusetts. E é perfeitamente lógico: as escolas não poderiam ensinar o “fanatismo”, e a opinião comum admitida pela sociedade — que acredita na existência de algo de único na união de maridos e esposas, com exclusão de pessoas comprometidas com o casamento do mesmo sexo — seria uma forma de intolerância. As escolas terão de ensinar a equivalência das uniões conjugais do mesmo sexo com as heterossexuais. É perfeitamente concebível que todas as escolas – inclusive, portanto, as escolas privadas – teriam de adaptar seu currículo a fim de receber a chancela do Estado. Nossas escolas católicas não seguirão isso. O que acontecerá se formos forçados a fechar nossas escolas? O que vai acontecer se formos obrigados a fechar nossos hospitais? Já houve o caso de um hospital católico em São Francisco, o qual foi solicitado a fazer para uma operação completa de mudança de sexo. O Estado não terá como se manter se ele fechar os hospitais católicos. A Igreja Católica oferece uma quarta parte dos serviços de saúde deste país. 

Catolicismo — Vossa Excelência prevê qualquer tipo de lei da mordaça ou proibição de externar, a partir do púlpito ou de outra forma, o ensinamento verdadeiro e a pregação da Igreja em oposição às uniões do mesmo sexo? 

Dom Salvatore — Por enquanto parece difícil. Mas não considero impossível, porque isso já ocorreu na Suécia. Um pastor foi preso por pregar do púlpito sobre esse tema. Pelo menos um bispo no Canadá foi obrigado a retirar uma Carta Pastoral sobre a santidade do casamento do site diocesano. Haverá leis do chamado discurso de ódio que poderão ser aplicadas contra nós. Mas elas poderão chegar tão longe, até o púlpito? Eu não diria que seja certo, mas é possível. 

Catolicismo — Na parte referente ao casamento, especialmente na Califórnia, uma votação sobre a Proposição 8 [estabelecendo que o casamento é só entre homem e mulher] constatou que a maior mudança demográfica na opinião pública situava-se na faixa etária inferior aos 25 anos. Como aconteceu isso? 

Dom Salvatore — Isso se deu tanto no aspecto temporal quanto no espiritual. No temporal, aconteceu logo depois de iniciadas as campanhas da mídia. Penso que foi por causa de tais campanhas — os comerciais de TV, por exemplo — que os votantes perceberam realmente a índole da questão e seu impacto, bem como que a aprovação da Proposição 8 seria realmente para proteger os direitos, e não o contrário. 

Espiritualmente, houve muitas pessoas de fé que se uniram, fazendo 40 dias de jejum e oração. O jejum iniciou-se uma semana ou duas antes da mudança. Achamos que o esforço espiritual teve algo a ver com isso. 
A Proposição B, na Califórnia, estabelece que o casamento é só entre homem e mulher
Catolicismo — Olhando para frente, que lições tirar da recente campanha? Inicialmente com a DOMA (Lei de Defesa do Casamento) da época de Clinton, em seguida a mesma lei na Califórnia, em 2000, a qual foi aprovada com 61%, e agora essa queda de nove pontos, para 52%, na emenda estadual da Proposição 8. Qual é o futuro desta batalha pelo casamento? 

Dom Salvatore — A queda preocupa, uma vez que o discernimento está erodindo. Embora real, ela não é tão grave como indica, porque os peritos nos dizem que perdemos pelo menos três pontos percentuais, talvez mais, sete pontos; alguns dizem mesmo 10, por causa da mudança do texto. Foi o melhor texto para derrotar uma iniciativa — eliminando um “direito”. Então, se isso não tivesse ocorrido, teríamos obtido pelo menos 55%. No entanto, é uma queda. O que preocupa. 

Mas muitas lições foram aprendidas. Há ainda grande quantidade de pessoas com fé, mesmo na Califórnia. A fé ainda tem o poder de transformar a cultura. Curiosamente, tenho certeza de que tudo isso faz parte do plano da Providência divina. Em setembro, pouco antes da eleição, quando esta questão estava realmente aquecendo, eu estava nas Filipinas. Alguns anos atrás, a comunidade filipina de minha diocese tinha me convidado a visitar seu país, seus locais sagrados, e a participar de uma determinada festividade que eu havia celebrado para o povo de San Diego; e encontrei algum tempo em setembro para fazê-lo. As igrejas estavam cheias. Os múltiplos santuários estavam lotados em todas as missas celebradas de hora em hora. Na festividade mariana que eu celebrei, as igrejas e as ruas da cidade estiveram lotadas durante toda a novena. Minha reflexão foi de que as pessoas com mentalidade pós-modernista olhariam para isso como se tratasse de um curioso costume pitoresco e folclórico antiquado sem nenhum nexo com a vida real. 

Eu estava empenhado desde o início neste esforço e existiam diferentes grupos que não se conheciam. Tivemos que confiar. Não havia escolha. Se não confiássemos, não poderíamos ter feito isso. E essa foi a nossa única chance de fazê-lo. Então, praticamos um ato de grande confiança. A razão disso foi porque todo mundo provou ser digno de confiança. Ninguém estava ali por si só para sua própria glória. Preocupávamos somente com uma coisa: preservar e promover o casamento. Ninguém se importava em obter vantagem. Isto simplesmente não importava.