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25 de janeiro de 2017

CONTOS DE FADAS



Plinio Maria Solimeo

Por anos, gerações e gerações de crianças e adolescentes — e por que não dizer, também de pais? — se encantaram com a leitura dos contos de fadas para crianças. Lembro-me ainda com saudades de ler com muito deleite, quando pequeno, por exemplo, a história do “Patinho Feio”, do “Soldadinho de Chumbo”, da “Gata Borralheira” ou “Cinderela”, do “Pinóquio”... e outras tantas histórias que alegravam minha vida de criança. 


Num artigo anterior, comentei que, de acordo com cientistas, a criança nasce com o senso do bem e do mal, da verdade e do erro. E que o bebê se alegra e ri diante de algo bom ou belo, e faz careta e afasta o rosto diante do contrário. Trata-se, como nos ensina a doutrina católica, da lei natural, comunicada pela Providência Divina, a cada alma dos que nascem.

Por isso é muito benfazejo e formativo alimentar essa boa tendência na alma das crianças, ajudando-as a preservar essa visão primeira. 

Porque, em geral, os contos de fadas procuram mostrar o lado bom, belo e deleitável da vida, e por isso ajudam a formar as mentalidades das crianças, incentivando esse lado bom, e servindo de alimento para suas almas. 


O eminente líder genuinamente católico, Plinio Corrêa de Oliveira, dizia que as crianças têm seus primeiros contatos com a vida através das histórias e, por meio delas, a inteligência infantil transpõe os limites do ambiente doméstico. Assim, aprende as noções iniciais sobre a sociedade humana. Segundo esse grande pensador, essas primeiras noções sobre esta luta que é a vida, e as impressões mais profundas que recebem em seus primeiros anos de existência, ajudam a criança a tomar posição diante delas. Donde a importância capital, para uma civilização católica, de proporcionar às crianças uma literatura profunda e saudavelmente formativa, que as ajude a manter-se fiéis à inocência, e a empreender o caminho da admiração pelo maravilhoso. Isso poderá constituir o verdadeiro timão de suas vidas . Como estamos longe disso nos nossos tristes dias!

Hans Christian Andersen, o mais célebre escritor infantil 

Antônio Giuliano, jornalista de “Il Timone”, da Itália, ao comentar a biografia do maior escritor de narrações infantis de todos os tempos, Hans Christian Andersen (1805-1875) [foto ao lado], comenta: “A miúdo se escrevem mais os contos para os adultos, que para as crianças. E eles [os contos] têm um estranho poder: ajudam-nos a reler nossa existência, projetando-a para horizontes mais amplos e inimagináveis”.

Diz o jornalista que “o grande escritor dinamarquês revela, em sua autobiografia, alguns traços ainda pouco notados e paradoxais de sua personalidade. Ele a começa assim: ‘A minha vida tem sido um formoso conto, rica e feliz’, quando, na realidade, sua existência foi tudo, menos um conto”. De família pobre, seu pai, sapateiro, enviuvou quando ele tinha 11 anos, deixando-o “abandonado a seus sonhos e à sua fantasia, alimentados pela leitura de livros infantis, feita com o pai”.

Aos 14 anos Andersen resolveu partir para Copenhague, “abandonado a mim mesmo, sem ninguém mais que o Deus do Céu”

Depois de várias tentativas frustras, começou a escrever peças e contos. Alguns doadores generosos lhe permitiram satisfazer uma de suas maiores paixões: “viajar”. Fez 30 viagens fora da Dinamarca, sete só na Itália, que muito amava. Nunca teve casa própria nem família, vivia quase sempre em casa de amigos. Só no fim da vida foi-lhe reconhecido o mérito, e começou a gozar a merecida fama. 

Quando se dedicou exclusivamente ao conto infantil, “Desaconselharam-me absolutamente, e todos me disseram que me faltava o talento necessário, e que isso não era coisa para nossa época”. Esses pessimistas não mostraram ser profetas...

Giuliano comenta: “Mas, em seus contos, o bem é superior ao mal, e o fazia sobretudo passar a mensagem de que, na vida, nunca se pode dar por vencido. Basta crer, sustentados por essa certeza posta no início de sua autobiografia: ‘A história de minha vida dirá ao mundo o que ela me diz: existe um Deus amoroso, que conduz tudo a melhor fim’”.

“Escola de Princesas” 

Qual a menina de antanho que não pensou em ser uma princesa de contos de fada, pelo menos por um dia? Ou qual o menino que não sonhava com um uniforme de soldadinho, com espadinha e tudo? 


Foi, pois, com prazer que li a reportagem do “Estado de São Paulo”, sobre uma “Escola de Princesas”, fundada em Uberlândia, na qual as meninas de quatro a 15 anos são ensinadas “desde os valores de uma princesa — como humildade, solidariedade e bondade — e como arrumar o cabelo e se maquiar, até regras de etiqueta, de culinária, e como organizar a casa”, tudo isso num ambiente elevado e tradicional. As aulas são ministradas por profissionais, entre os quais cozinheiras, nutricionistas e psicólogos. 

É claro que, em nosso mundo tão igualitário, uma escola dessas tinha que ser alvo de críticas. Diz a jornalista Hyndaira Freitas em sua reportagem: “‘O sonho de toda menina é tornar-se uma princesa’: esse é o mote da escola, que recebe críticas por ser, supostamente, um retrocesso, ao ensinar tarefas domésticas apenas para meninas, como se ensinasse que lugar de mulher é na cozinha” . Isso horripila as feministas e os esquerdistas de todos os matizes de nosso tempo. 

Por isso, como não poderia deixar de ser, logo surgiu a reação da esquerda. O mesmo “Estado de São Paulo” traz, no dia 17 de novembro, o artigo: “Meninas fazem oficina antiprincesa”.

É preciso dizer que esse título é forçado, e não condiz com a matéria. Pois não se trata de meninas que fazem esse curso, mas de adultos “engajados”, que idearam e tocam avante essa oficina. 


A reportagem refere-se — aliás com indisfarçada simpatia —, a uma “Oficina de Desprincesamento”, que uns chilenos estão introduzindo em São Caetano do Sul (SP). Pelo que diz a mãe de uma menina, candidata ao curso, pode-se avaliar o grau de engajamento ideológico que seus idealizadores têm em vista.

Com efeito, explica a mãe da mencionada menina que “no encontro, as garotas terão workshop de autodefesa, e serão apresentadas a personalidades como Clarice Lispector [escritora, conhecida como a “grande bruxa da literatura brasileira”], Patrícia Galvão (a “Pagu”), [“membro do Partido Comunista Brasileiro, trotkista”] , e Violeta Parra [chilena, folclorista, “mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, suicida” ]. “Estão planejados ainda um debate sobre auto-imagem, o que é ser princesa [segundo o conceito marxista], e o que pode ser feito para manter um cotidiano mais igualitário entre meninos e meninas”.

Ainda, segundo ela, “entre os assuntos debatidos no treinamento dado pelos chilenos, foram abordados o amor romântico [que soa como o amor entre pessoas do mesmo sexo] e questões de gênero [não podia faltar!]. Explica ela que “o curso é uma forma de ‘plantar uma semente’ nas novas gerações, para minimizar a desigualdade de gênero nas próximas décadas” (grifos do jornal). Não podia ser mais ideologizado! 

É trágico verificar como esses radicais não perdem ocasião de pregar e pôr em prática suas mais perversas teorias. E vão matando assim na alma das crianças aquela visão primeira e dourada da vida, apresentadas a elas pelos contos de fadas.

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[1] Cfr. “O maravilhoso, o real e o horrendo na literatura infantil”, Ambientes, Costumes e Civilizações, Catolicismo Nº 40 - Abril de 1954.

[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_Parra

27 de agosto de 2016

10 razões pelas quais a “Ideologia de Gênero” é a pior inimiga da família


John Ritchie

Aquilo que a revolução trans-gênero deseja é auto-destrutiva, tirânica, anticientífica, imoral, abusiva e nociva à saúde.


1 — A ideologia trans-gênero é tirânica

No dia 13 de maio de 2016, nos Estados Unidos o governo Obama emitiu um decreto ditatorial ordenando que todas as escolas públicas permitam aos membros pertencentes biologicamente a um dos sexos de usar os chuveiros, vestiários e banheiros do sexo oposto. Com uma simples canetada, o governo federal impôs banheiros transexuais em todas as escolas públicas do país. Os estados que se opuseram à medida têm sido ameaçados com penas severas, tais como a perda de fundos federais. 

As legítimas preocupações dos pais com relação a seus filhos foram postas de lado. O direito à privacidade e a importância de proteger a inocência das nossos filhos foram também pisoteados. Como o islamismo, o movimento trans-gênero só se dá por satisfeito quando obtém submissão completa. Sob esta nova tirania, escolas, universidades, empresas e até mesmo igrejas não são mais livres de seguir seus princípios morais. A moral cristã não é tolerada.

2 — Ela promove o abuso de crianças 

O transgenerismo é especialmente prejudicial para as crianças. De acordo com o American College of Pediatricians (Faculdade Americana de Pediatria), a promoção pública de transgenderismo constitui uma forma de abuso infantil: 

“O fato de condicionar uma criança a ter que viver a vida toda fazendo uso de químicos e cirurgias para fazer o papel do sexo oposto é abuso infantil. O endosso do sistema de educação pública e de políticas governamentais da discordância de gêneros como sendo confundirá crianças e pais, levando mais crianças a apresentar-se em ‘clínicas de gênero’ onde receberão medicamentos bloqueadores da puberdade. Por sua vez, isto praticamente garante que eles 'escolherão' tomar a vida inteira hormônios cancerígenos e tóxicos do sexo oposto, e provavelmente acharão desnecessária a mutilação cirúrgica de seus órgãos saudáveis de jovens adultos”. 

Esta forma de abuso de crianças deve ser vigorosamente combatida. 

3 — Ela contradiz a biologia e a ciência 

A Ideologia de Gênero contradiz a biologia básica. O mesmo movimento progressista que costumava adorar a ciência laica, excluindo Deus e a metafísica, virou-se agora contra o seu próprio dogma de que a ciência é tudo. Agora, toda prova científica que contradiz a narrativa da Ideologia de Gênero é descartada. 

No entanto, o Colégio Americano de Pediatria é taxativo: “A sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: os marcadores genéticos ‘XY’ e ‘xx’ são marcadores de saúde, e não de desordem. O ser humano, como norma, foi projetado para ser ou masculino, ou feminino. A sexualidade humana foi criada com a finalidade óbvia de que nossa espécie se reproduza e floresça. Este princípio é óbvio. Os indivíduos afetados por DSDs [distúrbios do desenvolvimento sexual] não constituem um terceiro sexo”.

4 — O sexo biológico não pode ser alterado 

As pessoas que aderem à Ideologia de Gênero fingem que os homens podem se transformar em mulheres ou que as mulheres podem se transformar em homens. Mas esta alegação é falsa. 

“É fisiologicamente impossível mudar o sexo de uma pessoa, pois o sexo de cada indivíduo está codificado nos genes XX, se for do sexo feminino, e XY se for do sexo masculino. A cirurgia só cria a aparência do outro sexo”, explicam o Dr. Richard P. Fitzgibbons, Philip M. Sutton, Ph.D., e Dale O’Leary em um estudo bem documentado. Eles afirmam que a identidade sexual “está escrita em cada célula do corpo e pode ser determinada através de testes de DNA. Ela não pode ser alterada.” 

5 — Ela deforma a masculinidade e a feminilidade 

A Ideologia de Gênero afirma que a realidade biológica não determina o sexo da pessoa, mas a maneira como ela se sente. Portanto, as diferenças entre homem e mulher, bem como as roupas que vestimos nada tem a ver com nossa identidade e estão em constante mutação. Masculinidade e feminilidade são meras etiquetas utilizadas para descrever o que vemos, mas não se baseiam em nada substancial.

A ideóloga feminista lésbica e escritora Simone de Beauvoir afirmou que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. O ponto central do feminismo não é tanto eliminar a chamada classe “opressora” masculina, mas abolir todas as diferenças entre os sexos. 

Aqui se vê como os movimentos homossexuais, transgêneros e feministas são aliados. Eles compartilham o mesmo objetivo final: a destruição de macho e fêmea, da masculinidade e feminilidade. 

6 — Ela destrói a razão 

Uma parte fundamental da lógica e da razão é a ideia de que as coisas têm um propósito. O objetivo dos nossos olhos, por exemplo, é nos fornecer visão. As asas de uma águia existem para permitir-lhe voar. Nossos pulmões existem para que possamos respirar e absorver oxigênio, e nossos ouvidos existem para ouvir. Da mesma forma, o objetivo principal da sexualidade humana é a procriação. 

No entanto, como a homossexualidade e o feminismo, a Ideologia de Gênero nega este princípio e portanto ataca a própria razão humana, o que é uma forma deliberada de loucura. 

7 — A ideologia de gênero é auto-destrutiva 

O movimento homossexual destrói vidas. Arrependimento, desespero e suicídio são comuns entre os que adotam a letra “T” do estilo de vida LGBT. 

Walt Heyer, um homem que se arrepende de ter vivido como uma mulher por muitos anos, disse: “Eu sabia que não era uma mulher de verdade embora meus documentos de identidade afirmassem que eu tinha tomado medidas extremas para resolver o meu conflito de gênero; porém, a mudança de sexo não funcionou. Era obviamente uma farsa”

“Os transgêneros não apenas liquidam a identidade com que nasceram”, explica Heyer, mas “destroem tudo e todos em seu caminho: família, esposa, filhos, irmãos ou irmãs, e a carreira. Isso certamente indica um comportamento de pessoa que teima em se auto-destruir e auto-mutilar completamente”.

O stress produzido por um estilo de vida que viola a natureza torna-se aparente. De acordo com a American Foundation for Suicide Prevention (Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio), 41% das pessoas que se identificam como transgêneros nos EUA tentaram cometer suicídio, vinte e cinco vezes mais que a média nacional. 

8 — A trans-espécie, produto final da Ideologia de Gênero 

Se um homem pode fingir ser mulher, por que não pode também afirmar não ser humano? Lamentavelmente, aqui está a conclusão relativista: ele é chamado ‘trans-espécie’, também conhecido como ‘furries’ ou ‘otherkins’ (outrotipo). Pessoas com transtorno identitário de espécie consideram-se não-humanas e se apresentam em desfiles homossexuais. Os argumentos empregados pelo movimento trans-espécie para questionar o sua condição humana são essencialmente os mesmos do movimento transgênero. 

Quando sentimentos substituem a realidade, a lógica fenece. O intelecto, parte mais nobre do homem, é degradado. O aspecto animal domina. E nossa cultura ateia pressiona para que aceitemos estas fantasias depravadas.

Uma vez que tais distúrbios passam a ser considerados normais, o que impediria que as paixões desenfreadas produzissem formas ainda mais escabrosas de depravação? Que proteção terá a razão humana para evitar maior destruição?

9 — Ideologia de gênero e perseguição religiosa

Favorecida pelo laicismo, a Ideologia de Gênero pode desencadear o pior tipo de perseguição religiosa uma vez que impõe a perversão das mentes, começando com crianças pequenas. Os que a ela se opõem são visados por esta nova religião da igualdade que obriga crianças a participarem em ‘treino de sensibilidade’ e doutrinação em Ideologia de Gênero. Na verdade, saibam ou não, aqueles que aplaudem o movimento homossexual nada mais são que súditos de fato de uma nova religião. 

Sua doutrina: a ideologia transgênero. Seu falso deus: igualdade radical e esquerdismo desenfreado. Seu clero: os líderes do movimento homossexual. Seus acólitos: a mídia esquerdista, políticos imorais e, infelizmente, membros dissidentes do clero católico. Sua “inquisição”: as leis anti-discriminação, que ameaçam a ordem e a paz. Sua “excomunhão”: Qualquer um que diga a verdade é rotulado de “homofóbico” ou “transfóbico”. 

10 — Ela ofende a Deus 

O desejo de mudar de sexo biológico não só nega a realidade, mas também ofende a Deus. Ninguém nasce homem ou mulher por acaso, mas de acordo com um plano da Divina Providência: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jer. 1,5). Deus os criou homem e mulher (Gn 1,27) Portanto, contradizer intencionalmente a natureza biológica da humanidade é um ato de revolta contra o Criador.

A caridade nos chama a ajudar os aflitos ou confusos sobre seu próprio sexo, mas não aumentando sua confusão e lhes oferecendo uma falsa solução. A caridade “não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade” (1 Cor 13,6). Portanto, a misericórdia nunca pode opor-se à verdade, pois só a verdade liberta (Jo 8,32). 

O que podemos fazer para salvar a família? 

Devemos seguir o exemplo angélico de São Miguel Arcanjo.

“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever” (Ef 6,11-13).

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19 de agosto de 2016

ESPORTE E RELIGIÃO


Nesses dias de Olimpíadas, tratemos de atletas americanos famosos que não se envergonham de sua fé 


Plinio Maria Solimeo

No Brasil, uma das maiores nações católicas da Terra, é crença quase geral de que no mundo do esporte não cabe religião. Por isso, aqui, praticamente nenhum esportista famoso faz alarde de sua fé. 

Nos Estados Unidos, o país da modernidade, onde — como veremos — muitos grandes nomes do esporte não se envergonham de falar em público e de modo categórico sobre sua fé. Vamos dar alguns exemplos, todos de católicos, nos quais surpreende constatar seus conhecimentos religiosos e o modo desassombrado com que praticam sua fé. 



1 — John Harbaugh [FOTO], 51 anos, ex-jogador e agora treinador de futebol americano, é o técnico da equipe Baltimore Ravens (Corvos de Baltimore), da Liga Nacional de Futebol Americano. Seu clube foi o vencedor da Super Bowl de 2013 — o maior prêmio da Liga de profissionais, concedido à melhor equipe do ano. John teve como adversário nessa decisão seu irmão Jim, também católico, dirigindo os “San Francisco 49ers”.

Membro dos Catholic Athlets for Christ (Desportistas Católicos por Cristo). John é casado e tem uma filha. Em uma entrevista ao semanário "National Catholic Register", nota-se ardente fé. Muito devoto do Santo Sacrifício da Missa, há pouco ele decidiu reimplantar uma Missa regular para jogadores e membros da equipe técnica dos Baltimore Ravens que desejem assistir. Na entrevista, ele fala sobre essa iniciativa: “A Missa me recorda que cada sacerdote hoje pode remontar sua linhagem até Jesus. Há uma sucessão ininterrupta de bispos que têm ordenado sacerdotes durante séculos, de modo que todos e cada um deles estão verdadeiramente unidos a Jesus de forma sacramental. É algo extraordinário e insubstituível que nos oferece a Igreja.” 

Sobre a passagem do Evangelho de São João (14,15) “se me amais, guardareis meus mandamentos”, Harbaugh comenta: “É uma grande explicação de como o amor e a obediência se dão a mão. Podemos dizer que amamos a Deus, mas isso só é verdade se cumprirmos os seus Mandamentos. Quando a vontade de Deus se converte no desejo de nosso coração, seus grandes planos para nossa vida se tornam realidade”

Raramente se ouve linguagem semelhante na boca de desportistas. 



2 — Matthew Robert “Matt” Birk [FOTO], com 1.92 de altura e 141 quilos, ocupou posto relevante no Baltimore Ravens até há pouco. É licenciado em economia pela Universidade de Harvard, católico praticante e pai de sete filhos. 

Também em entrevista ao "National Catholic Register", ele dá belo testemunho de sua fé. Esteve um pouco afastado da Religião em sua juventude, até entrar na Liga Nacional do Futebol Americano e conhecer logo após sua futura esposa. Sobre ela comenta: “católica devota, ela me ajudou a ver que eu estava me equivocando ao separar-me da Igreja. [...] Disso depende a vida”. 

Consequente com essa fé, é ferrenho antiabortista: “Todos podemos fazer algo [para evitar um aborto]. Talvez não possas salvar mil vidas, mas a única que possas salvar já vale muito”. Para isso é necessário “a oração, que todo mundo pode e deve fazer: a oração é a base de qualquer boa ação”. “Caso se dissesse a verdade sobre o aborto, ninguém recorreria a ele”. “Ouvimos falar de ‘escolha’ e ‘direitos reprodutivos’, mas os abortistas nunca te dizem que matarão teu filho arrancando-lhe os braços e as pernas”. 

Quando o Baltimore Ravens conquistou a cobiçada Super Bowl, recebeu a visita de Barack Obama. Mas Matthew não esteve presente. Por quê? Ele explica: “Eu tenho grande respeito pelo ofício de presidente, mas há cinco ou seis semanas nosso presidente fez um comentário num discurso, dizendo ‘Deus abençoe a Planned Parenthood’, que faz aproximadamente 330 mil abortos por ano. Eu sou católico e ativo no movimento pró-vida; senti que não podia consentir nisso. Não poderia endossar isso de modo algum” . 

Seu protesto foi não comparecer ao encontro. Isso é coerência! 

Como não podia deixar de ser em um católico desse calibre, Matt Birk também é contra o denominado “casamento homossexual”. Ele argumenta que “o maior erro é crer que o matrimônio é o que queres que seja, e não a união de um homem e de uma mulher por toda a vida, com a intenção de educar os filhos. Isso foi assim desde que se tem memória, e é o que continua sendo hoje, pensem o que quiserem”.

Ele também constata: “Tem havido, durante décadas, um intenso ataque ao matrimônio, divórcio incluído”, algo que é “devastador para a família, em particular para as crianças, que necessitam de um pai e de uma mãe”. O que faz falta é “não fugir das responsabilidades, mas comprometer-se com o matrimônio”. 

Uma atitude que, é claro, cria problemas, exige sofrimento. Por isso, ele conclui: “Jesus Cristo disse que é preciso negar-se a si mesmo, tomar a cruz, e segui-Lo. O caminho da cruz é a única via para ser um verdadeiro cristão, e realmente o único que vale a pena percorrer. Isso te ajuda a converter-te na melhor versão de ti mesmo”. 

Essa bem poderia ser a linguagem de um bom sacerdote em seu sermão. 



3 — Joseph “Joe” Wieland [FOTO], 24 anos, do Seattle Mariners, é uma estrela emergente do baseball americano. Ao dedicar-se ao esporte, começou a não levar a sério a Religião. Mas aos poucos acabou compreendendo que suas habilidades esportivas “deviam-se à bondade e à generosidade de Deus”. 

Em entrevista para o mesmo "National Catholic Register", ele afirma: “Em cada Missa acontece um milagre sobre o altar. Não o vemos com os olhos, mas o pão e o vinho se convertem no Corpo e no Sangue de Jesus.” 

Ele também se refere ao sacramento da Confissão: “Quando pecamos, e desse modo não podemos receber a Eucaristia, pois necessitamos estar em estado de graça. Por isso a confissão é tão útil. Muitas pessoas sentem-se angustiadas em procurá-la, e dela se afastam. Mas não deveríamos prestar atenção em como nos sentimos antes de ir nos confessar, mas como nos sentimos depois da confissão. Não há nada como que te digam que Jesus, pela boca do sacerdote, perdoou teus pecados. Ser sincero com o que fizeste de mal é humilhante, mas a graça que recebes em troca vale a pena. Inclusive, se não cometes pecados mortais, é um alívio livrar-te dos veniais que tenhas acumulado.”

Repetimos: isso é um atleta de fama que fala!



4 - Justin Andrew de Fratus [FOTO], 28 anos, joga no clube de basebol da Liga Americana Filadelphia Phillies. Ele deu seu testemunho com outros jogadores católicos praticantes em um DVD. Anteriormente esteve um pouco afastado da Religião, mas uma lesão, considerada por ele uma “bênção de Deus”, fê-lo ver que o que importa na vida não é ter fama, mas “Amar a Deus e cumprir a Sua vontade”. 

Para Justin Andrew é uma grande alegria pertencer à Igreja, “ser parte de uma comunidade de crentes. Algumas pessoas tendem a ver a Religião como algo ‘entre Deus e eu’, e ninguém mais. Mas é necessário recordar que, quando Deus Se fez homem, fundou uma Igreja à qual deveriam pertencer todos seus seguidores”. 

Vivendo num país onde predominam os protestantes — que negam o primado de Roma —, eis o que ele considera mais importante: “A Igreja Católica foi fundada diretamente por Jesus Cristo. Como católicos, podemos traçar nossa ascendência, através dos bispos, durante séculos, até os primeiros, os Apóstolos; e depois, evidentemente, ao próprio Jesus Cristo. [...] Sem uma autoridade central baseada no Papado, cada pessoa cria sua própria religião, e se multiplicam assim as denominações”. 



5 — Mark Charles Teixeira [FOTO], 36 anos, também joga basebol no famoso clube dos Yankees, de Nova York. Estrela de primeira grandeza, ele conquistou cinco Luvas de Ouro e três Tacos de Prata, além de alcançar um recorde inigualável. Seu avô era português, originário da Guiana Inglesa, e ele é um dos oito filhos da família. Casou-se em 2006 e tem quatro filhos. 

Os dados a seguir são de uma entrevista sua concedida a Trent Beattie, no "Catholic Lane". Católico praticante, Mark ficou profundamente abatido pela morte de um amigo íntimo: “Quando Deus nos castiga [com o sofrimento], é a ocasião perfeita para examinar nossa consciência e ver como estamos diante de Deus. Temos então essa dita de nos confessar e receber o perdão. Esse alívio sacramental produz uma grande paz”. 

As reflexões que esse atleta faz sobre a família, também merecem ser divulgadas: “Deus te abençoa permitindo-te cooperar na criação e educação de um ser humano com uma alma imortal. É uma grande alegria, mas também uma grande responsabilidade. Por isso aprecio tanto que a Igreja seja tão pró-vida e pró-família. Encanta-me ser pai, e estou agradecido pelo que aprendi de meus pais. [...] Os pais são chamados de forma especial a participar nos planos da Providência para seus filhos. Quando pensas no muito que te necessita uma criança pequena, isso te recorda o quanto tu necessitas de Deus, inclusive como adulto. As crianças são uma forma de fazer-te pensar na Providência”. 

Ainda referindo-se à morte do amigo, ele acrescenta: “Um dia, estava aí; no dia seguinte, já não estava. Na vida tens muitas oportunidades de começar e voltar atrás, mas chega um ponto em que todos nós temos de deixar esta vida, e então acabaram as oportunidades [de voltar atrás]. É então que pensas na realidade do muito que devemos a Deus”.

Como ele e aquele amigo costumavam frequentar em Baltimore um instituto consagrado a São José, ele conclui: “A Santíssima Virgem e Jesus provavelmente estiveram presentes na morte de São José. É isso também o que desejaria qualquer cristão, não é?” 

Que atleta brasileiro teria cogitações desse tipo a respeito da Religião? 

Há outros exemplos, mas só por essas amostras se vê que os americanos levam muito mais a sério suas convicções religiosas e geralmente são bem mais instruídos em matéria de fé que seus congêneres de outros países, incluindo o Brasil. Que nos sirvam de exemplo!

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16 de agosto de 2016

ALERTA AOS PAIS: Seus filhos transformados em zumbis atrás de Pokémon?

No Brasil, o vício de “caçar” Pokémon levou milhões de pessoas às ruas e praças atrás dos “monstrinhos” logo nos primeiros dias do lançamento desse jogo para celulares. Na foto, o Jardim Botânico de Jundiaí foi “invadido” por 5 mil visitantes num só dia, causando muitos prejuízos, como gramados e plantas destruídos

William Gossett 
(Traduzido do blog “Return to Order”, 
por José Aloisio Aranha Schelini) 

Já nas primeiras semanas de seu lançamento, Pokémon Go, o novo jogo para smartphones, se tornou a última moda em todo o mundo. Parece ser um jogo inocente, grande meio de comunicação social, e um jeitinho fantástico de tirar todo mundo do sofá. Porém, chega-se a uma conclusão diferente quando se analisa o efeito negativo deste jogo sobre as pessoas e a sociedade. 


Trata-se de um jogo para celular, com realidade aumentada baseada em localização. Ele usa a câmera do smartphone para projetar no jogo a imagem de um Pokémon, criatura virtual. O objetivo é capturar o maior número dessas criaturas quanto possível e combater os monstros Pokémon de outras pessoas. O campo de jogo é a própria localização dos jogadores e seus arredores. 

Que mal poderia fazer as pessoas viajarem pela cidade grudados a um celular, procurando criaturas fictícias? Problemas começaram a surgir já nos primeiros dias do lançamento.

Muitas pessoas têm relatado que torceram seus tornozelos, arrebentaram canelas, cortaram as mãos e sofreram outras lesões por estarem mais preocupados em achar os Pokémons do que olhar onde pisavam.(1) 

Mas o problema não fica só em tornozelos torcidos e pernas machucadas: criminosos passaram a usar o jogo para atrair e roubar novas vítimas. No condado de Saint Louis, no Missouri (Estados Unidos) por exemplo, três criminosos adolescentes enviaram alerta aos jogadores da área indicando a possível presença um monstro para caçar. Em vez de achar monstros, os jogadores encontraram assaltantes armados...(2)

Todos esses casos são motivo de preocupação. No entanto, o fenômeno está produzindo problemas ainda mais graves.

O Pokémon Go está causando distúrbios ao mobilizar multidões de jogadores que se lançam por aí buscando os assim chamados raros monstros virtuais. Casos já foram registrados em DeKalb, Illinois, e em Nova York.

Em Illinois, multidões se reuniram à uma hora da manhã procurando freneticamente o monstro “Snorlax”.(3) No Central Park, em Nova York, centenas de jogadores foram vistos em debandada pelas ruas grudados aos seus aparelhos procurando outro Pokémon raro. Isso causou engarrafamentos porque as pessoas deixavam seus carros no meio da rua e seguiam a multidão com seus celulares.[4] Tudo por um monstro virtual!

O fato de que tal jogo esteja ganhando tanta atenção no mundo todo é desconcertante. Acontecimentos de importância global não produzem nem de longe a emoção despertada por este joguinho. O que dizer dos vários tiroteios contra policiais em Dallas e em Baton Rouge? E sobre o recente ataque terrorista do “Estado Islâmico” em Nice (França), ainda os numerosos e constantes ataques em solo americano? Por que é que este jogo está absorvendo a atenção e as atividades de tantos jovens e velhos, mais do que estes eventos históricos e devastadores? Pokémon Go parece anestesiar as pessoas e impedi-las de pensar sobre a gravidade de tais acontecimentos. 

Poderia alguém imaginar centenas de pessoas correndo pelas ruas a todo momento para protestar contra os milhares de cristãos sendo mortos por sua fé? Ou ainda para defender e proteger inocentes nascituros contra o aborto?

Ao invés de um jogo inocente com pequenos monstros “engraçadinhos”, o Pokémon Go é um problema muito sério e profundo que afeta nossa sociedade atual. O jogo está levando a sociedade a uma espécie de tribalismo cibernético em que o jogo/smartphone é o xamã, e os jogadores são súditos voluntários e obcecados, prontos a obedecer qualquer palavra de ordem.

Referências: 
1.       Associated Pressartigo publicado pelo New York Post, “Playing Pokemon Go is becoming dangerous” athttp://nypost.com/2016/07/09/pokemon-go-is-afflicting-players-with-real-world-injuries/, acessado 18 de julho de 2016.
2.       Ryan W. Miller,USA Today, “Teens used Pokémon Go app to lure robbery victims, police say” athttp://www.usatoday.com/story/tech/2016/07/10/four-suspects-arrested-string-pokemon-go-related-armed-robberies/86922474/, acessado 18 de julho de 2016.
3.       Newsflare.com, “Pokemon Go – Snorlax hunt at 1 am”http://newsvideo.su/video/4707716, acessado 18 de julho de 2016.
4.       “Pokemon Go – Vaporeon stampede Central Park, NYC,” YouTube video, 0:41, posted by “Dennis450D,” July 15, 2016 athttps://www.youtube.com/watch?v=MLdWbwQJWI0.

14 de julho de 2016

Brasil: pais e mães de família lutam para “despetetizar” a educação


Gonzalo Guimaraens – Destaque Internacional (*)

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), nascido em ambientes da “Teologia da Libertação” e defensor da revolução cubana, aproveitou-se de uma longa década no Poder para assegurar que o sistema educacional permanecesse em suas mãos, mesmo na eventualidade de perder o governo.

Em direção oposta, pais e mães de família de todo o País estão se organizando para conseguir o apoio de deputados federais e estaduais, e proclamam que chegou a hora de uma profunda “despetetização” da educação no Brasil, ou seja, que é necessário desmontar essa máquina de proselitismo criada pelo PT. 

Quem destampou a panela desse drama, e mostrou os descontentamentos subterrâneos existentes em todo o território brasileiro, não foi nenhum meio de comunicação nacional, mas sim o diário “El País”, de Madrid (edição para o Brasil), com uma série de artigos e reportagens referidos nos links no final desta matéria, cuja leitura recomendamos. 


“O professor de minha filha comparou Che Guevara com São Francisco de Assis”, lembra com indignação o advogado Miguel Nagib.[foto“As pessoas desejam deformar as cabeças das crianças, associando as duas coisas, levando-as a dizer que Che Guevara é um santo”, afirmou o entrevistado. O episódio foi o suficiente para que o advogado Nagib criasse em 2004, junto com outros pais de família, a ONG “Escola Sem Partido”, que atualmente tem uma presença ativa na Câmara dos Deputados em Brasília, e em Câmaras Estaduais da Federação. Suas ideias, análises e propostas encontram-se no site: www.escolasempartido.org. 


A tarefa não é fácil, mas o ânimo e a dedicação desses pais de família no Brasil são notáveis, como se pode constatar na reportagem do “El País”. Em direção contrária, sindicatos de professores de orientação esquerdista estão exercendo pressão muito forte para que nada seja “despetetizado”. Trata-se de uma árdua luta contra a “hegemonia” anticultural das esquerdas, e de um exemplo não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina. 

Na educação, as esquerdas brasileiras fundamentam sua ação de deformação principalmente em dois pilares ideológicos: a ideologia marxista gramsciana e a chamada “Ideologia de Gênero”, que ensina aos jovens e às crianças a ideia de que eles podem escolher livremente seu gênero, independentemente do sexo masculino ou feminino. 

Segundo esses pais e mães, isso é algo oposto aos princípios cristãos, contunde o senso comum e contraria a ordem natural. Ademais, programas escolares que defendem a “Ideologia de Gênero”, do ponto de vista jurídico “transgridem princípios constitucionais” e acordos interamericanos de direitos humanos, os quais afirmam que “os pais têm o direito de que seus filhos recebam educação religiosa e moral de acordo com suas respectivas convicções”, esclarece Nagib.


Esses pais e mães de família no Brasil vêm travando há anos uma luta moral e de princípios, mas os grandes meios de comunicação praticamente os ignoram. Pareceu-nos necessário contribuir para torná-los conhecidos também nos países de língua espanhola, bem como nas comunidades hispânicas dos Estados Unidos, onde existem movimentos semelhantes ao da “Escola Sem Partido”, propiciando compartilhar assim as interessantes informações contidas nas reportagens do “El País”.

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Links do “El País” (edição brasileira): 
> “A educação brasileira no centro de una guerra ideológica” http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/22/politica/1466631380_123983.html
> “O professor de minha filha comparou Che Guevara com São Francisco de Assis” http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/23/politica/1466654550_367696.html 
> “Católicos e evangélicos em cruzada contra a palavra gênero” http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/11/politica/1434059650_940148.html 
Sobre o tema, alguns sites recomendados
Escola Sem Partido: www.escolasempartido.org
Instituto Plinio Corrêa de Oliveira: www.ipco.org.br 

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(*) Notas de “Destaque Internacional” — uma visão “politicamente incorreta” feita a partir da América do Sul. Documento de trabalho (11 de julho de 2016). Este texto, traduzido do original espanhol por Paulo Roberto Campos, pode ser divulgado livremente.

4 de janeiro de 2016

QUE BRINQUEDOS COLOCAR NA ÁRVORE DE NATAL EM 2016?


Nelson Ribeiro Fragelli

Junto às árvores de Natal encontravam-se, em quase todos os lares, vistosos brinquedos. Para uma experiência, colocaram também brinquedos eletrônicos... 

Que brinquedos mais favorecem o desenvolvimento mental das crianças? Os eletrônicos, que se movem, falam e cantam emitindo luzes coloridas intermitentes? Ou os brinquedos "tradicionais", como bonecas, carrinhos e livros com figuras mostrando cenas da vida no campo com seus animais ou na cidade com sua movimentação? 

Pedagogos da Northern Arizona University, nos Estados Unidos, quiseram obter resposta a essa pergunta. Assim, convidaram pais e seus respectivos pequerruchos, entre dez e dezesseis meses, para brincar com seus filhos. Puseram-lhes nas mãos os dois tipos de brinquedos, isto é, os eletrônicos e os “tradicionais”. A que resultado chegaram? 

O fruto dessa experiência acaba de ser publicado pelo jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung” em sua edição on-line do dia 29 de dezembro último. A autora do artigo é Christina Hucklenbroich. 

Algumas famílias receberam pequenos computadores e telefones celulares apropriados a crianças. E os bebês começaram imediatamente a brincar com eles, ajudados pelos pais. 

Outro grupo de famílias recebeu como brinquedos quebra-cabeças, cubos de madeiras em cujas faces se viam figuras variadas. Nada de aparelhinhos eletrônicos. Os pais podiam sempre orientar os filhos a bem utilizar os brinquedos, tal como se faz normalmente em casa. 

Num terceiro grupo os pais brincavam com os filhos folheando livros adaptados às crianças, nos quais se viam animais, figurinhas e desenhos coloridos variados. 

O resultado da pesquisa não poderia ser mais claro. As crianças que mexiam com os brinquedos eletrônicos pouco falavam ou, ao lidar com os brinquedos, emitiam palavras desconexas, sem relação com o que brincavam. Os pais também quase não tinham o que dizer. A comunicação com os filhos era difícil. Eles se limitavam a olhar e rir. O que dizer de uma baratinha que dispara pela sala? 

Enquanto isso, aqueles que se divertiam com os brinquedos “tradicionais” falavam, faziam observações, os pais tinham explicação a dar, riam e se alegravam. Em outras palavras, pais e filhos se comunicavam. Mais surpreendente ainda foi constatar que os livros com figuras interessavam bem mais do que os brinquedos movidos à bateria. Ao folhear os livros as crianças perguntavam, falavam, tentavam exprimir seus pensamentos. E os pais descreviam o que viam, ensinando os filhos a observar o conteúdo das páginas. As crianças perguntavam. 

Os brinquedos eletrônicos deixavam pais e filhos em apático silêncio. Estupefatos diante da "maravilha" eletrônica, todos ficavam absorvidos num circulo fechado. Calados, não se dava a união entre eles. 

Os pesquisadores desaconselham, portanto, os pais a comprar brinquedos eletrônicos. A conversa, desde cedo, entre pais e filhos, é essencial para a educação eficaz. Os modernos brinquedos a prejudicam. Que os pais fiquem com a tradição e sua família permanecerá mais unida.

25 de novembro de 2015

FAMÍLIA

Quadro de Giovanni Battista Torriglia (1858 - 1937), óleo sobre tela. 

Plinio Corrêa de Oliveira
"Folha de S. Paulo", 24 de abril de 1969

Em meu último artigo, falei do que é a tradição. Afirmei, sobretudo, que são demolidores da Pátria todos os que se esforçam por promover um progresso alheio e até hostil à tradição. Hoje, quero mostrar que a tradição é fruto necessário da família, de sorte que, por toda a parte em que floresça a família, ficarão impregnados de tradições os costumes públicos e privados, a cultura e a civilização.

Ainda desta vez, sirvo-me de alguns luminosos textos de Pio XII. Lembra ele, antes de tudo, alguns motivos de ordem natural pelos quais a família é uma riquíssima fonte de continuidade entre as gerações, ao longo dos séculos:"Desta grande e misteriosa coisa que é a  hereditariedade  quer dizer, o passar através de uma estirpe, perpetuando-se de geração em geração, de um rico acervo de bens materiais e espirituais: a continuidade de um mesmo tipo físico e moral, conservando-se de pai para filho; a tradição que une através dos séculos os membros de uma mesma família  desta hereditariedade, dizemos, se pode sem dúvida entrever a verdadeira natureza sob o aspecto material. [...] Não se negará certamente o fato de um substrato material à transmissão dos caracteres hereditários; para estranhar isto, precisaríamos esquecer a união íntima de nossa alma com nosso corpo, e em quão larga medida as nossas mesmas atividades mais espirituais dependem de nosso temperamento físico".

Em seguida, o Pontífice trata dos fatores morais e sobrenaturais da tradição familiar: "Mas o que mais vale é a hereditariedade espiritual, transmitida não tanto por esses misteriosos liames da geração material, quanto pela ação permanente daquele ambiente privilegiado que constitui a família, com a lenta e profunda formação das almas, na atmosfera de um lar rico de altas tradições intelectuais, morais e sobretudo cristãs, com a mútua influência entre aqueles que moram em uma mesma casa, influência essa cujos benéficos efeitos se prolongam muito além dos anos da infância e da juventude, até o fim de uma longa vida, naquelas almas eleitas que sabem fundir em si mesmas os tesouros de uma preciosa hereditariedade com o contributo de suas próprias qualidades e experiências. Tal é o patrimônio, mais do que todos precioso que, iluminado por firme fé, vivificado por forte e fiel prática da vida cristã em todas as suas exigências, elevará, aprimorará, enriquecerá as almas de vossos filhos" (Discurso à Nobreza e ao Patriciado Romano, "L'Osservatore Romano" de 7/8-1-1941). 

Mas, dirá alguém, essa concepção, que parece supor um longo passado aristocrático, é imprópria para continentes novos como o nosso. Pio XII parece ter previsto a objeção. Diz ele: "Também nas democracias de recente data [...] foi se formando, pela própria força das coisas, uma espécie de nova nobreza ou aristocracia. É a comunidade das famílias que, por tradição, põe todas as suas energias ao serviço do Estado, de seu governo, da administração, e sobre cuja fidelidade ele pode contar a qualquer momento" (idem, "L'Osservatore Romano" de 9-1-47). 

A tradição não é, então, o contrário da verdadeira democracia vigente, pelo menos em tese, em toda a América? Ouçamos Pio XII: "Segundo o testemunho da história, onde reina uma verdadeira democracia a vida do povo está como que impregnada de sãs tradições, que é ilícito abater. Representantes destas tradições são, antes de tudo, as classes dirigentes, ou seja os grupos de homens e de mulheres ou as associações que dão, como se costuma dizer, o tom na aldeia e na cidade, na região e no país inteiro. Daí a existência, em todos os povos civilizados, de instituições eminentemente aristocráticas, no sentido mais alto da palavra, como são algumas academias de larga e bem merecida fama" (idem, "L'Osservatore Romano" de 17-1-46).

Mas, poder-se-á ainda objetar, tal concepção da família conduz a uma sociedade escalonada em classes diversas? Perfeitamente. É ainda Pio XII que nô-lo afirma: "As desigualdades sociais, inclusive as ligadas ao nascimento, são inevitáveis; a natureza benigna e a benção de Deus à humanidade iluminam e protegem os berços, beijam-nos, porém não os nivelam. Atentai mesmo para as sociedades mais inexoravelmente niveladas. Nenhum artifício jamais logrou ser bastante eficaz a ponto de fazer com que o filho de um grande chefe, de um grande condutor de multidões, permanecesse em tudo no estado de um obscuro cidadão perdido no povo. Mas se tais disparidades inelutáveis podem, quando vistas de maneira pagã, parecer uma inflexível conseqüência do conflito entre forças sociais e da supremacia conseguida por uns sobre outros segundo as leis cegas que se supõem regerem a atividade humana, de maneira a consumar o triunfo de alguns com o sacrifício de outros. Pelo contrário, tais desigualdades não podem ser consideradas por uma mente cristãmente instruída e educada, senão como disposição desejada por Deus pelas mesmas razões que explicam as desigualdades no interior da família, e portanto com o fim de unir mais os homens entre si, na viagem da vida presente para a pátria do Céu, ajudando-os da mesma forma que um pai ajuda a mãe e os filhos" (idem, "L'Osservatore Romano" de 5-6-1-1942). 

Vimos que para Pio XII a desigualdade cristã é fonte de concórdia entre as classes. Ouçamo-lo ainda: "Para o cristão as desigualdades sociais se fundem em uma grande família humana; e [...] portanto as relações entre classes e categorias desiguais devem permanecer governadas por uma honesta e igual justiça, e ao mesmo tempo animadas por respeito e afeição mútua, que ainda sem suprimir a disparidade, lhes diminuam as distâncias e temperem os contrastes. [...] Nas famílias verdadeiramente cristãs, por acaso não vemos nós os maiores dentre os patrícios e as patrícias, vigilantes e solícitos em conservar para com seus empregados, e todos os que os cercam, um comportamento consentâneo por certo com sua posição, mas escoimado de presunção, propenso à cortesia e benevolência nas palavras e modos que demonstra a nobreza dos corações; patrícios e patrícias que vêem neles homens, irmãos, cristãos como eles, e a eles unidos em Cristo, com os vínculos da caridade, daquela caridade que mesmo nos palácios ancestrais conforta, sustém, ameniza e dulcifica a vida entre os grandes e os humildes, máxime nas horas de dor e tristeza, que nunca faltam" (idem "L'Osservatore Romano" de 5/6-1-1942). 

Noto de passagem que o termo "patrício", usado pelo Pontífice, se refere a membros da alta aristocracia romana.

Assim, a família gera de per si a tradição e a hierarquia social. Para abolir a tradição e a hierarquia, é mister depauperar, estiolar, reduzir e esfrangalhar a família. É o que muitos não sabem ou não querem ver...

15 de agosto de 2015

“Teoria de Gênero” e bafo de Satanás

Revista Catolicismo, nº 776, agosto/2015

Como é possível que se tenha chegado ao absurdo ululante, ao disparate total, à negação da natureza, afrontando despudoradamente as evidências mais claras e objetivas, como essa perniciosa invencionice chamada “Teoria de Gênero”? 

Então a criança que nasce com todas as características próprias de um menino, ancoradas na natureza, poderia ser considerada menina? E a menina viria a ser um menino? E haveria ainda diversos outros gêneros! 

Estupidez ou má fé? 

Por mais que haja gente asnática e imbecilizada, e a espécie não é tão rara, entretanto não foi dado ao ser humano levar a estupidez tão longe a ponto de achar que a Mariazinha pode ser um menino e que o Chiquinho possa ser menina. A imbecilidade humana não comporta tal extremo. 

A maldade humana, esta sim, pode chegar a radicalismos insuspeitados, sobretudo quando se deixa inspirar pelo demônio e adere a ele. 

Ora, ao que a “Teoria de Gênero” conduz, antes de qualquer modificação física, é a uma mudança mental nas pessoas. É a alma que deve mudar. Uma mudança tão medular e desmedida que dela resulte uma espécie de infra-homem, do qual a lógica tenha sido totalmente extirpada, os conceitos mais elementares abolidos, e extintas as evidências mais palpáveis. Fabrica-se assim um ser ex-humano que não seja mais capaz de pensar, analisar ou julgar. Robô perfeito para ser conduzido pela propaganda e por manobras parapsicológicas.

Atingido esse patamar infra-humano, espera-se, talvez, nesses mesmos laboratórios psicológicos nos quais a “Teoria de Gênero” foi urdida, ter desconstruído a própria ideia de ser humano, e a partir de então criar o “homem novo”, já anteriormente esboçado pelas correntes comunistas, nazistas e por certos veios ecologistas. 

A obra do Deus criador teria sido vulnerada em seu âmago, nem homem nem mulher, e em seu lugar uma nova “criação”, diferente e oposta àquela que nos é revelada no Livro do Gênesis. 

O demônio odeia a Deus, mas como é totalmente impotente para O atingir, volta seu ódio contra a natureza humana, feita à imagem e semelhança do Criador, para conspurcá-la e infeccioná-la com sua baba imunda. Como alguém que, odiando muito determinada pessoa, mas não podendo alcançá-la pelo fato de ela residir em outro continente, atira-se contra sua fotografia, cobre-a de imundícies e depois a rasga em pedaços.

Essa face religiosa da “Teoria de Gênero” é o seu aspecto mais sinistro e profundo, e explica por que seus arautos põem tanto empenho em que as crianças em idade escolar sejam nela doutrinadas, a fim de (de)formar os futuros adultos segundo os novos parâmetros. 

E explica também por que tantas reações nobres e boas se levantaram indignadas contra esse atentado às mentes infantis, pois muitas pessoas, mesmo quando não chegam a uma explicitação cabal dos males aí contidos, têm a consciência de sua própria natureza conspurcada, sentem no ar o nauseabundo bafo de Satanás e o repelem. É um embate digno dos Últimos Tempos. 

Nossa Senhora, de um lado, chora ao presenciar tão grande pecado contra a natureza humana criada por Deus. Mas, de outro lado, Ela dá lucidez, força e coragem a seus filhos e seguidores para lutarem sem esmorecer e até o fim. 

Ipsa conteret. Ela esmagará!