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18 de agosto de 2018

A Argentina católica rejeita o aborto, em defesa da família

Argentinos comemoram a rejeição à prática do aborto no país

➤  Santiago Escobar

Nesta semana, a Argentina demonstrou ao mundo sua corajosa defesa da vida inocente contra o crime do aborto. Ela o fez não só por causa da votação no Congresso que rejeitou a aprovação do aborto, mas também pelas numerosas manifestações que envolveram todas as suas cidades, chegando até a designar um estado argentino (Tucumán) com resolução oficial como defensor da vida.*

Apesar da pressão da mídia, das ameaças econômicas do FMI e do prolongado silêncio por parte do clero, os argentinos demonstraram ao mundo sua alta consideração pelos princípios morais e estão dispostos a enfrentar o que for preciso para preservar a instituição da família como célula fundamental da sociedade. 

Com o slogan “Salvemos as duas vidas”, o movimento “Onda celeste” tornou-se rapidamente popular. Foi uma luta de vários meses, que passou por vários períodos críticos e atingiu o auge em 14 de junho, quando houve uma primeira derrota na Câmara dos Deputados (129 a favor do aborto, 125 contra). Depois desse resultado, a pressão da opinião pública de todo o país para que os senadores rejeitassem o projeto cresceu exponencialmente, por ser ele inconstitucional e, sobretudo, por constituir uma afronta a Deus e à Família Argentina. 

Os argentinos sentiram-se amplamente apoiados por movimentos pró-vida de todo o mundo, especialmente da América Latina, onde em mais de 15 países houve protestos nas embaixadas e consulados argentinos contra o projeto. Seus promotores decidiram designar o protesto como #Latinoamericaxlas2vidas e entregaram ao Senado um manifesto assinado por mais de 170 organizações pró-vida. 

Esse fenômeno da opinião pública nasce com grande força na América Latina e influencia poderosamente para que os políticos estejam cada vez mais inibidos de realizar projetos iníquos e perversos. Ele se junta a uma forte corrente de reações, como o Manif pour tous na França ou a March for Life nos EUA, que neste ano contou com a presença do vice-presidente Mike Pence. 

As marchas e manifestações em todo o país evidenciaram a profunda religiosidade dos argentinos, que os levou a defender a Lei de Deus e a vida humana desde a concepção. Eles o fizeram em coerência com este trecho do Catecismo da Igreja Católica: “A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida” (Nº 2270). 

Confirmando essa religiosidade, o artigo 2º da Constituição argentina declara: “O governo federal apoia o culto apostólico católico romano”, isto é, o reconhece como a religião oficial do Estado argentino e, consequentemente, reconhece os mandamentos da lei de Deus, os decretos e as leis do Magistério da Igreja. 

Como conclusão, alegra-nos afirmar que a Argentina profunda e católica, deu mostra de sua coragem movida pela fé na defesa do Mandamento da Lei de Deus “Não matar”, seriamente ameaçado por um lobby da morte, desejoso de impor, custe o que custar, o aborto em todo o Ocidente. Sua derrota levou os militantes abortistas a reagir com depredações de lugares religiosos e temporais, e ainda com pedidos formais de apostasia da Igreja Católica. 

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(*) https://www.aciprensa.com/noticias/declaran-provida-a-importante-provincia-en-argentina-81873

5 de agosto de 2018

De volta as escolas que respeitam a psicologia dos meninos e das meninas

Rendimento escolar específico cresce em escolas que não são mistas. (Escola católica nos EUA).

➤  Luis Dufaur

Ressurgem as escolas exclusivas para meninos ou meninas. Elas favorecem o melhor desenvolvimento de uns e de outras. E estão aumentando a cada ano. Hoje somam 240 mil escolas em 70 países no mundo. 

Uma moda inspirada no espírito anárquico igualitário da Revolução da Sorbonne (Maio de 68) e no relativismo moral espalhado em nome de Concílio Vaticano II desqualificou as escolas single-sex (só para meninos ou só para meninas). 

A revolução cultural-sexual da Sorbonne começou em marco de 1968 na Universidade de Nanterre, na periferia de Pais, reclamando toaletes comuns para homens e mulheres. 

Hoje, essa reivindicação está no cerne da agenda LGBT e causa profundas divisões nos EUA, onde a população recusa a mistura de toaletes que admitiria transexuais. 


Na Austrália também comprovam os benefícios
das escolas diferenciadas para meninos.
As escolas mistas não deram os resultados prometidos pela utopia igualitária e danificaram várias gerações. 

Por isso as escolas que não são mistas (só para meninos e ou só para meninas) voltam a ganhar espaço. Elas mostraram se adaptar melhor aos ritmos diferentes de cada gênero. 

Elas são apoiadas por estudos que apontam diferenças no desenvolvimento cognitivo e social de meninos e meninas, informou o jornal. “Gazeta do Povo”. 

Também como vem sendo observado por pais de família e comentaristas do blog e nas redes sociais, as escolas separadas por gênero criam um ambiente propício para a moralidade e os bons costumes. 
“As aulas single-sex podem tornar mais fácil aos professores adaptar o ensino às características comportamentais dos alunos. As meninas parecem preferir ambientes mais quietos em que possam trabalhar em grupo e chegar a um consenso. Meninos costumam preferir um ambiente mais competitivo, com mais atividades físicas e mais barulho”, afirma o psicólogo da escola norte-americana Clover Park School District, Robert Kirschenbaum. 
Nas escolas single-sex não há diferenças nos conteúdos, mas sim nos métodos, que são mais adequados aos perfis de meninos ou meninas. 

O resultado é uma educação personalizada, que atende às necessidades específicas e gera resultados mais eficazes. 

As moças estão sendo muito beneficiadas pelas escolas single-sex em Londres “Em um ambiente single-sex, principalmente nas idades de 13, 14 e 15 anos, há a oportunidade, tanto para os meninos como para as meninas, de serem eles mesmos por mais tempo”, disse o ex-diretor da faculdade Eton College, Tommy Little, no Fórum Global de Educação e Habilidades (GESF, Global Education and Skills Forum). 

No Brasil, as escolas single-sex entraram em declínio depois da década de 1950, quando as instituições públicas passaram a ser mistas. 

Mas elas não desapareceram. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, em 2010 existiam pelo menos 612 escolas públicas e privadas em regime não misto no País. 

Em Curitiba (PR), o Colégio do Bosque Mananciais tem como objetivo atender aos ritmos e perfis distintos de meninos e meninas. 

“A sociedade estava carente desse sistema educacional”, analisa Leandro Pogere, diretor da instituição. 

“Encontramos nesse modelo aquilo que muitas famílias estavam buscando: maior foco no estudo, relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, professores que compreendem o universo dos alunos com mais facilidade, os respeitam e motivam, e que auxiliam os pais”, afirmou. 


Meninas são muito mais beneficiadas
pelas escolas single-sex em Londres
No ambiente escolar, a separação por sexo é total: meninos têm professores e as meninas têm professoras, com aulas em prédios distintos, que ficam separados por um bosque. 

Nos EUA a procura de escolas single-sex cresceu muito. “Certamente todos já constatamos que há profissões comumente exercidas por homens e outras por mulheres. Na educação single-sex podemos encontrar uma solução, uma vez que trabalhamos as habilidades que comumente são encontradas no outro sexo”, concluiu. 

Nos EUA, o sistema single-sex, ainda restrito quase exclusivamente às escolas privadas de elite e religiosas, começa a ser usado no ensino público, principalmente em regiões de baixa renda. 

Na escola primária Charles Drew, na Flórida, um quarto das turmas é separado por sexo. O alto desempenho observado em escolas single-sex compensa o baixo desempenho característico de uma escola periférica. 


Nos EUA a procura de escolas single-sex cresce cada vez mais
A avaliação estadual da escola subiu de nota D para C. Resultados similares foram encontrados em outras escolas públicas que adotaram turmas single-sex em centros urbanos como Nova York, Chicago e Filadélfia. 

Segundo o Departamento de Educação dos EUA, o país contava em 2014 com 850 escolas públicas single-sex e cerca de 750 escolas públicas que oferecem pelo menos uma turma single-sex. Cfr. Blog do BG. 

O modelo de educação personalizada ganhou força nos EUA em 2002, quando uma lei permitiu às agências educacionais locais usar fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero. 

Em 2002 só uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas tinham atividades desse tipo. 

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz — há pelo menos 219 centros de estudo oferecendo educação diferenciada. 

A informação provém da Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês). 

A Suprema Corte da Espanha reconheceu esse direito a nove colégios da Andaluzia. Cfr. Solar Colegios.

Esse tipo de escola tende a se disseminar pela América Latina, diz o secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco. 

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz. 

Além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país.

3 de agosto de 2018

Assine já! Não ao Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero!

➤  Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira 
https://ipco.org.br/ 

Em nome da não discriminação, discrimina-se quem não concorda com o homossexualismo. 

Se aprovado, o "Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero" cercearia a liberdade religiosa e até mesmo o direito dos pais em educar seus filhos contra a Ideologia de Gênero

Nesse sentido, tornaria o Cristão um cidadão de segunda classe. 

Tramita no Senado Federal o PLS 134/2018, elaborado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e pela Comissão Especial de Diversidade de Gênero e Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

O texto recebeu parecer favorável da relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). 

Ele institui o Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero. O objetivo desse Estatuto, com mais de cem artigos, é impor, de forma draconiana, a Ideologia de Gênero em todos os segmentos da sociedade. Ele cria também uma casta de pessoas com direitos e privilégios específicos: os que têm “identidade de gênero” diferente. 

Para ler um resumo comentado dessa proposta de lei, clique aqui. 

Apenas a título de exemplo da interferência desse projeto nas escolas: 

➤ Art. 56: “Os estabelecimentos públicos e privados de ensino têm o dever de promover a liberdade, a tolerância, a igualdade, a diversidade e o respeito entre as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.” 

➤ Em seguida, no art. 58 diz: “Os profissionais da educação têm o dever de abordar os temas relativos à sexualidade, adotando materiais didáticos que não reforcem a discriminação com base na orientação sexual ou identidade de gênero.” 

➤ No art. 60: “Ao programarem atividades escolares referentes a datas comemorativas, dirigentes e educadores devem atentar à multiplicidade de formações familiares, de modo a evitar qualquer constrangimento dos alunos filhos de famílias homoafetivas”

Serão também criadas cotas nas empresas públicas e privadas para os homossexuais e transgêneros:

➤ Art. 70. A administração pública assegurará igualdade de oportunidades no mercado de trabalho a transgêneros e intersexuais, mediante cotas, atentando ao princípio da proporcionalidade. 

Cabe a nós a mobilização contra esta ameaça silenciosa. 

Divulgar a campanha e assinar novos cartões vermelhos para os Senadores é uma maneira de alertá-los que somos contra a Ideologia de Gênero e estamos de olho nas ações deles daqui em diante. 



Esses cartões serão impressos e uma comitiva do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira irá entrega-los em Brasília. 

Imagine mais de 3 milhões de Cartões Vermelhos entrando no Senado Federal e sendo entregues aos Senadores? É uma montanha de advertências do Brasil inteiro contra esse absurdo projeto! 

Assine agora seu cartão vermelho e agora seu cartão vermelho e faça parte dessa maioria que ama a Terra da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não permita que essa projeto iníquo seja aprovado e imposto à maioria de um país que deseja ser fiel à Deus e à Sua Lei. 

Contamos com a sua mobilização! 

Divulgue! Já enviou o seu cartão vermelho? Então ajude-nos a propagar essa campanha! 

Você pode: 

1 – Convidar 5 amigos no mínimo para se juntar à esta mobilização, através desta página. Você não precisa fazer nada além de incluir o e-mail dessas pessoas (elas receberão um e-mail automático de convite à esta mobilização). 

2 – Colocar o abaixo-assinado em seu blog ou site. Dessa forma, os visitantes do seu site poderão ler a descrição e assinar o abaixo-assinado diretamente do seu site! Para isso, basta incluir o código abaixo no seu site: 

Ver código

3 – Fazer uma doação – não importa o valor – para nos ajudar a alcançar o maior número de pessoas possível e entregar pessoalmente todos os cartões! 

Não temos grandes patrocínios e nem recebemos ajuda de empresas. Só dependemos de você, um brasileiro consciente de seu papel como cidadão e precisamos da sua colaboração para entregar em mãos todas as dezenas de milhares de cartões vermelhos enviados através de nosso site! 

27 de julho de 2018

Péssima conselheira

Alerta à família brasileira contra maus conselhos dados por alguém com maus antecedentes 


Marcos Machado 

O site universa.uol.com.br informa em 16 de julho de 2018 sobre o mau conselho dado às mulheres brasileiras pela deputada abortista argentina Vitoria Donda, do partido de esquerda Libres Del Sur. Temos grande apreço pela nação irmã e não reconhecemos nas palavras de Vitoria os sentimentos da verdadeira Argentina, católica e conservadora. 

Mais ainda, repudiamos essa ingerência contra a família brasileira, a qual tem mostrado seu repúdio às práticas abortistas, quer nas ruas, quer nas Câmaras estaduais ou na Assembleia federal.

Uma aprovação do aborto pela Câmara dos Deputados da Argentina — projeto que ainda irá ao Senado e dependerá depois da ratificação do Presidente Macri — de modo algum tem o valor de um plebiscito nacional, através do qual o povo se manifestaria e faria valer sua posição conservadora e antiabortista. 

Ademais, espera-se que o Episcopado argentino faça uso de sua autorizada voz mostrando as constantes condenações dos Papas ao aborto e as sanções eclesiásticas aos promotores deste infanticídio. 

Maus antecedentes — Filha de guerrilheiros coerente com os erros da ideologia comunista que vilipendia a família e a propriedade, Vitória vai além do aborto e encampa a agenda LGBT. 

Aqui no Brasil já temos longa comprovação desta espúria aliança dos abortistas com os promotores da agenda homossexual. 

Incoerências da esquerda abortista — Em entrevista por e-mail ao referido site da UOL, a deputada abortista, fiel seguidora dos velhos jargões da esquerda, não entende que os ventos da História já não enfunam as velas das naus bolivarianas. 

Assim, seu apelo às mulheres brasileiras é para “que não abaixem suas armas. [...]. Depende de nós modificar o estabelecido. [...] as mulheres continuarão a avançar na luta por uma sociedade mais igualitária”. 

Então, legalizar o aborto é caminhar na igualdade? Aborto, agenda LGBT, igualdade são parte de um mesmo kit. 

Saibamos nós, brasileiros, reagir em defesa da família e contra essas más ingerências de ventos fétidos que sopram da esquerda argentina igualitária e anticristã.

13 de julho de 2018

Desfazendo mitos sobre a Idade Média


➤  Plinio Maria Solimeo 

Quase todos nós aprendemos na escola que a Idade Média foi uma época de mil anos de trevas e de fanatismo religioso, sem nada digno de ser mencionado nos séculos seguintes. E não nos damos ao trabalho de estudar as obras, as instituições, a arquitetura, a vida de família e, sobretudo, a profunda religiosidade, que a tornaram insuperável. 

Segundo o prestigioso jornal “Economist” , isso começa a mudar: 
“Desde os ataques de 11 de setembro, a direita norte-americana desenvolveu um fascínio pela Idade Média e pela Renascença em particular, com a ideia do Ocidente como uma civilização que estava se defendendo de um desafio do Oriente. Essa tendência tem sido estimulada pela descoberta do movimento de suas contrapartes europeias que usavam imagens medievais e de cruzados desde o século XIX.” 
Para o jornal, alguns exemplos disso são o frequente aparecimento e as ilustrações de cruzados revestidos de capacete e que bradam o grito de guerra Deus vult! Diz ainda: 
Charles Martel na batalha de Poitiers (732),
obra de Charles de Steuben
(museu de história da França, Versailles)
“Os jornais e sites contrários ao islamismo se nomeiam segundo o rei franco Charles Martel [quadro ao lado], que lutou contra exércitos muçulmanos no século VIII, ou a derrota otomana (levemente pós-medieval) em Viena”, enquanto “milhões de outros [...] são atraídos pela era medieval, de que são testemunhos a popularidade de reconstituições renascentistas ou as fantasias medievais de inspiração, como Game of Thrones”. 
A esse respeito, o também muito conceituado site do “National Catholic Register” publica uma entrevista com o especialista da Idade Média, Andrew Willard Jones [foto], professor de história da Igreja, teologia e doutrina social na Universidade Franciscana de Steubenville, Ohio, sobre seu novo livro Diante da Igreja e do Estado: um estudo da ordem social no reino sacramental de São Luís IX [ao lado, foto da capa], no qual esse acadêmico traz considerações acerca de verdades esquecidas e frequentemente negadas sobre a Idade Média, a qual foi chamada de “A doce primavera da Fé” por Montalembert. 

Respondendo a uma pergunta sobre o que o levou a escrever seu livro, ele explica: 
“Eu estava estudando o papado do século XIII. E fui inspirado pelo que estava lendo. Era todo um mundo que não havia sido ainda investigado [...]. Somos abençoados na história medieval. Eles [os medievais] tinham se avantajado nas operações de escrita de cartas. Havia cartas e manuscritos papais. [...] É um tesouro de registros da Corte, de registros monárquicos e de crônicas”. 
Por isso, Jones afirma: 
“A Idade Média tem um papel na história do mundo moderno. Nós tendemos a vê-la como um mundo obscuro, de dogma e opressão, pelo que só agora entendemos o que significa liberdade.” O escritor faz então esta afirmação tantas vezes já repetida: “A visão da Idade Média como um período sombrio vem de um ceticismo moderno muito anticatólico.” 
Para evitar equívocos, ele esclarece: 
“Eu não romantizo excessivamente a Idade Média como uma utopia.” Mas vê a era medieval como a de uma civilização sacramental e cristianizada. Pelo que afirma: “Nós somos tendentes a imaginar o catolicismo como vida privada. O catolicismo pede uma civilização da caridade. A Idade Média pode nos ajudar a ver isso de novo.”
Hoje em dia se fala muito em igualdade. É um dogma do mundo moderno. Jones explica: 
“A modernidade tem uma noção específica de igualdade. Ela vê a desigualdade [entre as pessoas] como fonte inerente de conflito e competição. No cristianismo, as desigualdades levam à paz. Nós vemos diferenças na família: elas se manifestam na busca do bem comum”. E ainda: “Eu usei o exemplo de um pai e um filho, dizendo que eles alcançam o bem comum através de diferentes papéis.” 
Quer dizer, as diferenças entre ambos os fazem se complementar e completar-se, o que é muito diferente do jargão esquerdista. 

Jones afirma: 
“No mundo moderno, se entende por paz fazer compromissos, enquanto na Idade Média a paz se obtinha pelo modo de lidar com as diferenças de maneira adequada e caridosa. Enquanto os modernos veem [as desigualdades como] uma violação dos direitos, na Idade Média elas consistiam em se restabelecer as diferenças de modo pacífico. O mundo moderno é cético. Os medievais não tinham cinismo em relação à doação mútua. Por exemplo, há [hoje em dia] conflitos entre pai e filhos, porque não são propriamente diferentes. A mesmice é uma fonte de conflito. Somente essa ideia seria proveitosa para a nossa sociedade meditar, quando considerarmos como a cultura popular se tornou infantilizada”. 
O autor trata também em seu livro do tão difamado tema da Inquisição, abordando o tema da Inquisição Francesa do século XIII. Jones afirma: 
“Há uma visão polêmica e anticatólica da Inquisição. Naquela época havia muito pouco interesse em saber o que as pessoas conservavam em suas mentes. O problema era se [na manifestação das ideias] havia rejeição da ordem social e se a heresia se tornava pública. Uma investigação poderia começar, não havia interesse em pegar ou enganar as pessoas. Na maioria das vezes, a penalidade era a correção. Temos nossa própria versão da Inquisição e da heresia com os mobs do Twitter”. 
E conclui: 
“Precisamos ampliar nossa imaginação. A tentativa moderna de um mundo sem Deus vai falhar. Haverá uma concepção cristã de ordem social, mas não o mesmo que a Idade Média [...]. Meu livro visa afastar os leitores do mundo ao seu redor, e a procurar vê-lo a partir de um ponto de vista mais elevado [como foi o mundo medieval]. Isso nos salva do desespero. As coisas mudam. A esperança é uma virtude. O bom e o verdadeiro vencerão”.

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Notas:
1. http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2017/01/medieval-memes 
2. http://www.ncregister.com/blog/annaabbott/steubenville-prof-sets-the-record-straight-on-the-middle-ages

11 de julho de 2018

Crianças que ameaçam os tiranos


Paulo Henrique de Araújo

O drama de Alfie Evans,[1] o bebê inglês falecido no final de abril passado, percorreu o mundo e movimentou desde simples opiniões individuais até discussões em altos escalões do direito internacional.[foto ao lado]

Nascido em maio de 2016, filho de Tom Evans e Kate James, inicialmente Alfie aparentava boa saúde, mas em dezembro do mesmo ano deu entrada no Hospital Infantil Alder Hey, de Liverpool. 

Para angústia dos pais, logo foi diagnosticada uma rara doença neurológica degenerativa; e incurável, segundo os pareceres médicos. A direção do hospital tomou a decisão de desligar os aparelhos que mantinham o bebê vivo, mas o pai insistia em que seu filho apresentava certas condições de melhora, portanto ainda havia esperança no tratamento. 

A partir de então iniciou-se uma disputa judicial para determinar o destino da criança. Os pais recorreram aos tribunais, invocando o direito de manter os cuidados médicos do filho. Os pedidos foram rejeitados, um a um, pelos diversos julgadores que analisaram o caso. Os tribunais ingleses, e mesmo a Corte Europeia de Direitos Humanos, alegavam que os “melhores interesses” do bebê consistiam em que o deixassem morrer. 

Durante as discussões legais, o hospital italiano Menino Jesus, de Roma, ofereceu seus serviços para o tratamento de Alfie. Tudo seria custeado, até mesmo o transporte aéreo da criança da Inglaterra para a Itália. Tratava-se de uma nova esperança para os pais. Mas tudo foi rejeitado pelo juiz Anthony Hayden sob alegação de que, sendo Alfie um cidadão inglês, seu destino deveria ser decidido pela justiça britânica, e não por um Estado estrangeiro. 

O último apelo dos pais [foto acima] ao poder judiciário foi negado em 25 de abril último, e em consequência foram desligados os aparelhos que ajudavam Alfie a respirar. Ele ainda sobreviveu por quatro dias, pairando no ar a hipótese de que um tratamento mais prolongado poderia tê-lo salvado. Se a hipótese de cura era real ou não, é um assunto que foge à nossa competência, e não é o aspecto que nos parece importante nesse caso. Muito mais importante que isso é a flagrante violação do pátrio poder pelo poder judiciário, cuja função é exatamente a defesa de todo o direito. 

Cada pessoa tem o dever de manter a própria vida, usando para isso os recursos disponíveis e sem recorrer também ao suicídio; e da mesma forma, ao pátrio poder compete fazer o possível para manter a vida dos filhos. Mas a impressão que nos fica, em todo esse caso, é que o destino de Alfie já estava selado desde a primeira decisão judicial. 

Negada a manutenção do tratamento nessa instância, todas as outras decisões seguiriam o mesmo entendimento. Nada adiantavam os inúmeros e insistentes apelos dos pais ao poder judiciário, representante do Estado inglês. Pode-se perguntar: Terá algum valor o pátrio poder para esses tribunais? E os direitos de Deus, onde ficam? 


Luís XVII, delfim de França
– Alexander Kucharsky, 1792.
Palácio de Versalhes, Paris.
Quem acompanha o noticiário, procurando observar onde estão sendo violados os direitos de Deus, poderia considerar pequena a violação no caso desse menino inglês. Pelo contrário, ela já é de si enorme, e além disso se inclui na obsessão midiática e legislativa de âmbito mundial pela aprovação do aborto, controle da natalidade pelo poder estatal, “suicídio assistido”, “morte consentida”, e tantos outros eufemismos para eutanásia, assassinato, violações criminosas do pátrio poder. 

É próprio às tiranias violar esses direitos, que em última análise são também direitos de Deus. 

Nada melhor do que o recuo histórico, para se entender a importância do assunto. Passemos a alguns exemplos. 

Um dos episódios mais cruéis da Revolução Francesa foi o sequestro e a degradação do pequeno delfim, herdeiro do trono francês, que o ocuparia como Luís XVII.[2] Em janeiro de 1793, a Convenção Nacional — autointitulada neste período representante do povo[3] — havia mandado executar seu pai, o rei Luís XVI, num pérfido processo judicial. A rainha Maria Antonieta permanecia prisioneira com seus dois filhos, Maria Teresa e Luís, este com apenas oito anos.

Maria Antonieta e Mme Elizabeth sofreriam em outubro de 1793 o mesmo destino de Luís XVI. Mas antes disso, em julho, os deputados convencionais decidiram arrancar o delfim dos cuidados da mãe — para ela um golpe pior do que a própria morte — e entregá-lo às garras de um brutal carcereiro chamado Simon. 


O pequeno Luís XVII é cruelmente separado de sua mãe, a
Rainha Maria Antonieta
Esse jacobino encarniçado recebera ordens de “reeducar” o menino nos moldes da mentalidade revolucionária. Caso ele não abandonasse seus costumes requintados e polidos para se tornar um “republicano” sanguinário e mal-educado, Simon deveria, segundo instruções de Marat, “não o matar, não o envenenar, mas desvencilhar-se dele”. Em outros termos, o filho do rei deveria se transformar num bruto como todos os revolucionários, ou então ser-lhe aplicada a morte. 

Essa atitude dos revolucionários franceses havia se tornado inevitável, pois além de o menino de oito anos ser inocente, ele representava uma ameaça para todo o desenvolvimento da Revolução, podendo galvanizar a reação de incontáveis franceses desejosos da antiga legitimidade real. 

Tendo falhado na “reeducação” do menino-rei, os revolucionários o atiraram num calabouço imundo, e aí o mantiveram por meses. Aos dez anos de idade, faleceu de infecções e desnutrição. Pode-se afirmar, no entanto, que a história da França seria muito diferente com o delfim ocupando o trono francês. E os tiranos não queriam isso. 


*       *       * 

O fato histórico por excelência de decisão tirânica contra um inocente foi o do Menino Jesus, que despertou a ira de Herodes, o tirano usurpador do trono de Judá. Herodes temia ser deposto pelo Rei dos Judeus, por isso ordenou o assassinato dos santos inocentes, entre os quais se incluiria o Menino Jesus. 


Fuga para o Egito – Bartolomé Esteban Murillo, 1647-50.
Detroit Institute of Arts
Qual teria sido o futuro da França, na hipótese de que o delfim sobrevivesse e fosse educado convenientemente para reinar como Luís XVII, após os desatinos da Revolução Francesa? E o leitor já pensou sobre o destino da humanidade inteira, se a ordem de Herodes tivesse sido cumprida? Qual teria sido o tamanho do crime de São José, na hipótese de uma negligência deixando de cumprir a ordem de fugir para o Egito? São hipóteses que merecem ser levantadas. Só hipóteses?! 

O mínimo que se pode dizer de tais hipóteses é de que não estão fora de qualquer cogitação nem podem ser liminarmente descartadas. Um exemplo concreto é o de outro inglês, o cientista Stephen Hawking, acometido de esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos e que faleceu enquanto a situação de Alfie era discutida. Quase todos os portadores dessa doença degenerativa sobrevivem no máximo quatro anos, com grandes sofrimentos para si mesmos e para os pais. 

Os tribunais ingleses, se os juízes fossem os atuais, poderiam ter forçado os pais e os médicos de Hawking a “desligar os aparelhos”, pois os “melhores interesses” dele seriam deixá-lo morrer. Mas Hawking viveu ainda 55 anos, falecendo aos 76, após ter dado suas contribuições no campo da astrofísica contemporânea. Os juízes que julgassem o seu caso como o fizeram os de hoje, provavelmente teriam cometido o assassinato de um cientista e feito tabula rasa dos seus “melhores interesses”. 

Também no caso de Alfie, alguém poderia objetar que se tratava apenas da vida de um recém-nascido condenado a sofrer durante a vida inteira, além de trazer inúmeros trabalhos e sofrimentos para os pais. Mas quem pode garantir que, nos planos de Deus, essa criança não estaria destinada a grandes coisas, trazendo benefícios inimagináveis para a humanidade? 

Alfie, o menino inglês, representava também uma ameaça à tirania de dirigentes supremos na Inglaterra e na União Europeia. Não sob a forma do terror revolucionário, mas escamoteada sob o manto de juízes agindo em nome dos “melhores interesses” dele e violando os direitos dos pais. 


____________ 

Notas: 
1. Dados extraídos do artigo: http://www.bbc.com/news/uk-england-merseyside-43754949 

2. Cfr. Renaud Escande, O.P. (direção), O Livro Negro da Revolução Francesa, Aletheia Editores, Liboa, 2010. 

3. Segundo o historiador Pierre Gaxotte, a Convenção foi eleita com os votos de apenas 10% dos eleitores franceses. Cfr. Gaxotte, Pierre; A Revolução Francesa, ed. Tavares Martins, Porto, 1962, p. 203.

9 de julho de 2018

Em Roma, a oitava marcha contra o aborto


➤  Samuele Maniscalco 

Por ocasião dos 40 anos da Lei 194 sobre a prática abortiva, realizou-se no dia 19 de maio em Roma a oitava edição da “Marcha Nacional pela Vida”, o mais importante evento italiano pró-vida. Os milhares de participantes ocuparam as ruas da Cidade Santa para exigir a revogação dessa lei criminosa, através da qual mais de seis milhões de crianças foram executadas no ventre materno desde 22 de maio de 1978, quando o aborto foi legalizado na Itália.

A Sra. Virginia Coda Nunziante, presidente da Marcha pela Vida, afirmou: “Existe um livro da vida e há um livro da morte. Neste livro da morte, a data de 22 de maio de 1978 é escrita em letras de sangue, o sangue de quase seis milhões de vítimas”. Denunciou também o aborto por ser totalmente pago pelo governo, portanto pelos contribuintes. E acrescentou: “Não queremos passar este aniversário sem pedir a revogação da Lei 194, e enquanto isso retirar imediatamente dos gastos públicos os 2 a 3 bilhões de euros que todos os anos são usados para matar nossos filhos”

Foi também lembrado o assassinato do pequeno Alfie Evans, perpetrado em 28 de abril último pela equipe do hospital de Liverpool, com o apoio dos tribunais ingleses e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. 

O evento contou com a presença aproximada de 15 prefeitos e de várias figuras institucionais, como Lorenzo Fontana, vice-presidente da Câmara dos Deputados. Estiveram também presentes autoridades religiosas como o Cardeal Raymond Leo Burke; Mons. Carlo Maria Viganò, Núncio Apostólico emérito nos Estados Unidos; Mons. Luigi Negri, Arcebispo emérito de Ferrara-Comacchio. Participaram também párocos, representantes de institutos religiosos, e numerosas delegações internacionais dos cinco continentes contrárias ao aborto. 

Os organizadores se empenharam em que todos pedissem a ajuda de Deus, fundamental para se ganhar a batalha em defesa do direito à vida inocente. Nesse sentido, na noite de 18 de maio organizou-se na igreja de Santa Maria in Campitelli uma solene adoração eucarística presidida pelo Cardeal Raymond Burke. 

Nos dias 17 e 18 de maio, um dos auditórios da Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum) sediou o importante simpósio IV Rome Life Forum, promovido pela Voice of the Family, uma coalizão que reúne diversas associações pró-vida do mundo. Neste ano, o Forum foi dedicado ao tema da verdadeira e da falsa consciência.

7 de julho de 2018

Santa Maria Goretti

Unica foto conhecida da menina Maria Goretti, tirada em 1902 [detalhe abaixo]

Esta menina de 12 anos incompletos preferiu morrer cruelmente do que perder sua pureza virginal. Pio XII afirma ser ela “o fruto de lar cristão, onde se reza, se educam cristãmente os filhos no santo amor de Deus, na obediência aos pais, no amor à verdade, na honestidade e na pureza”. Exemplo para todas as meninas e adolescentes.

➤  Plinio Maria Solimeo

         No dia 24 de junho de 1950, o Papa Pio XII deparou-se com um problema singular: a canonização de Maria Goretti deveria ser celebrada na Basílica de São Pedro, mas cerca de 500 mil pessoas afluíram à cerimônia, ultrapassando em muito a capacidade do templo — era a maior concentração na história de Roma até então. A solução foi celebrá-la do lado de fora, pela primeira vez em uma canonização.
        
O que levou tanta gente a afluir para essa canonização? Possivelmente foram os pormenores da vida e morte de Maria Goretti, que maravilharam a Itália e todo o mundo católico. Uma menina de apenas onze anos preferiu morrer a pecar; a sua atitude acabou convertendo o próprio assassino, que se tornou religioso; a mãe da vítima o perdoou, e recebeu a Sagrada Comunhão ao lado dele. Tudo isto traduz uma coerência na fé e na piedade, muito rara em nossos dias.

Muita pobreza e muita virtude

Terceira das seis crianças de uma família empobrecida, Maria Goretti nasceu em Corinaldo (Itália), no ano de 1890. Em 1899, a família de Luís Goretti mudou-se para Le Ferriere di Conca, a 40 milhas de Roma, trocando o trabalho agrícola pela situação de meeiros. Os Goretti passaram a compartilhar com os Serenelli — um viúvo de nome Giovanni e seu filho Alessandro — um prédio abandonado da propriedade, ocupando estes últimos o andar superior, enquanto os Goretti ficavam no andar térreo.
Tanto uns quanto outros tiravam seu sustento do árduo trabalho no campo, cuja terra era muito pobre, meio pantanosa, infectada de insetos e muito dura de trabalhar. No ano seguinte, Luís Goretti foi picado por um inseto transmissor da malária, falecendo onze dias depois.

Maria, então com nove anos, era a mais velha dos irmãos; e Assunta, sua mãe, colocou-a em seu lugar nos afazeres domésticos, a fim de substituir o marido no trabalho do campo. Ela passou a cozinhar, fazer limpeza, lavar roupa e cuidar dos irmãos. Também cozinhava e cuidava da limpeza do andar dos Serenelli.

Não era vaidosa

        
Casa onde nasceu a santa
Longe de se lamentar por um estado tão penoso, Maria Goretti era uma fonte de encorajamento para a mãe, a quem assegurava que Jesus Cristo as ajudaria em suas necessidades. Era uma criança piedosa, ia à Missa sempre que podia, aprendeu o Catecismo e recebeu a Primeira Comunhão com grande respeito, na festa de Corpus Christi de 1901. Apesar de todos os trabalhos e cuidados, crescia em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens.


Assunta diria mais tarde a respeito da filha: “Não era vaidosa, não ambicionava vestidos novos. Procurava que os irmãozinhos estivessem cobertos e compostos, e ela própria guardava grande modéstia. Aborrecia palavras e conversas contrárias à honestidade.”

Depois de convertido, Alessandro declarou: “Seguindo as pegadas da mãe, era modesta, usava vestidos compridos, fugia de certas moças levianas, não se fixava em jornais ou revistas com gravuras indecentes. Era verdadeiramente um anjo, inocente como uma pomba, e tão piedosa, tão boa, tão serviçal em casa: era uma moça modelo.”

Martírio pela pureza

Alessandro Serenelli, assassino da santa,
após longo período preso,
reza no quarto que pertenceu a ela
Alessandro, pelo contrário, era um rapaz rude, sem nenhuma formação religiosa. Sua mãe tinha morrido num hospital psiquiátrico quando ele ainda era bebê, e seu pai era alcoólatra, sendo ele próprio dado à bebida. Era muito impuro, e fazia propostas indecentes a Maria quando esta se encontrava só. Ela detestava o procedimento vil e as sugestões torpes do rapaz, e sempre lhe retorquia: “Não, nunca, isso é pecado! Deus o proíbe, e iríamos para o inferno”.

Por que a menina não contava à mãe as investidas lúbricas do rapaz? De um lado, por não querer preocupá-la; de outro, porque Alessandro ajudava sua mãe nos trabalhos mais difíceis do campo. E também porque, se o fizesse, a família não teria para onde ir. Preferia então calar-se e confiar em Deus.

No dia 5 de julho de 1902, enquanto Maria costurava uma camisa de Alessandro e cuidava de uma irmã menor, ele apareceu sob um pretexto qualquer, entrou na cozinha e fechou a porta. Aproximou-se com uma peça de ferro pontiaguda e ameaçou-a de morte, caso ela não cedesse aos seus desejos impuros. Maria gritou: “Não! Isso é pecado! Deus não o quer!” Quando ele quis forçá-la, ela reagiu e lutou com ele, dizendo que preferia morrer a pecar. Furioso, Alessandro a perfurou nove vezes com a peça de ferro. No meio da aflição e das dores, a mártir continuou a recompor seus vestidos, resguardando sua pureza.

Julgando-a morta, o algoz se retirou. Maria conseguiu entreabrir a porta e gritar para o pai de Alessandro. O assassino então voltou e desferiu contra seu peito mais cinco punhaladas. Depois fechou a porta e saiu, deixando prostrada sobre uma poça de sangue a inocente vítima de 11 anos, que gemia: “Meu Deus! Meu Deus! Mãezinha, mãezinha”.

Teresita — uma de suas irmãs, ainda de berço — começou então a chorar desesperadamente, fazendo com que o pai de Alessandro acudisse e encontrasse a mártir esvaindo-se em seu próprio sangue.

Enquanto Maria era levada às pressas para o hospital de Nettuno, Alessandro, de 20 anos, ia para a cadeia, onde ficaria durante 28 anos.

Sofrimento oferecido a Deus

Quarto de Sta. Maria Goretti
Chegando ao hospital, pediu água insistentemente, devido à sede decorrente da perda de sangue, mas não podia ser atendida por causa das chagas no corpo. O pároco foi chamado para ministrar-lhe a Extrema Unção, antes de iniciar-se a arriscada operação. 

Mostrando um crucifixo, disse-lhe que Jesus também sofreu sede na cruz, e perguntou se ela queria oferecer sua sede a Ele pela salvação dos pecadores. A menina aceitou e não mais pediu água.

Antes de receber o Sagrado Viático, o sacerdote perguntou: “Mariazinha, perdoas de todo coração ao teu assassino?”. Ela respondeu: “Sim, por amor de Jesus perdoo-lhe. E também quero que ele esteja no Céu comigo”.

Os médicos deram início à operação. Eram 14 feridas, nove das quais perfurantes. Como a menina estava muito fraca, eles não usaram anestesia. Maria estava inteiramente consciente quando cada uma das feridas foi aberta para ser suturada por dentro. Apesar das dores, ela não chorou e sofreu sua agonia com perfeita paciência, oferecendo-a a Deus. Às 4 horas da tarde do dia 6 de julho de 1902, com 12 anos incompletos, Maria Goretti entregou sua alma virginal ao Criador, por cujo amor preferiu a morte à ofensa.

Além da dilacerante dor de ver sua filha morrer tão cruelmente, Assunta teve uma pungente dor adicional: uma semana depois, não dispunha de mais ninguém para cuidar dos filhos enquanto trabalhava no campo. Por ser muito pobre, não teve outro remédio senão entregá-los à adoção.

Conversão do assassino

Uma pintura da santa
Na prisão, Alessandro mostrou-se agressivo e revoltado, tendo de ser removido para uma solitária. Entretanto, seis anos depois, Maria Goretti lhe apareceu em sonho, e sem dizer uma só palavra lhe entregou 14 alvos lírios, símbolo da pureza, cada lírio representado uma de suas punhaladas.

O assassino compreendeu por esse sonho que Maria o havia perdoado do crime e estava no Céu. Comovido, sentiu grande arrependimento, seguido de milagrosa conversão. Pediu então que chamassem o bispo encarregado da prisão, a quem confessou seus crimes e pecados. Pagou o resto da sentença como prisioneiro modelo, razão pela qual foi libertado três anos antes do fim de sua pena.

Uma vez posto em liberdade, Alessandro foi procurar a mãe de sua vítima. Era véspera de Natal, e queria saber se ela ainda o reconhecia. Sim, ela o reconhecia como o homem que matou sua filha e destruiu sua família. 

Alessandro então lhe pediu perdão. A resposta dessa mãe verdadeiramente católica foi: “Se Maria, minha filha, o perdoa, e Deus o perdoa, como posso também não perdoá-lo?”. Os dois foram então à Missa de Natal, durante a qual receberam a comunhão de joelhos, lado a lado. Alessandro fez mais: confessou então publicamente na igreja seu pecado, diante dos fiéis, aos quais pediu também perdão.
As relíquias de Santa Maria Goretti, em peregrinação pelos EUA

Aceitação da sentença

No longo período que passou na prisão, Alessandro teve tempo para pensar no mal que fizera e se arrepender. Uma vez cumprida a pena, recolheu-se em um convento dos Padres Capuchinhos, onde faleceu em 1970 aos 88 anos de idade. Em 1962 ele escreveu o que pode ser tido como seu testamento espiritual, do qual transcrevemos aqui uma parte:

“Estou velho, com quase 80 anos, e prestes a terminar a minha vida na Terra. Olhando para o meu passado, reconheço que na minha mocidade segui um caminho errado. [...] Aos 20 anos, cometi o meu crime passional, cuja lembrança hoje me aterroriza. Maria Goretti, agora santa, foi o anjo bondoso que a Providência pôs nos meus passos. Ainda trago as suas palavras de repreensão e de perdão impressas no coração. Rezou por mim, intercedeu por mim, seu assassino.

“Passaram-se os 30 anos de cadeia. Se não fosse menor de idade, teria sido condenado por toda a vida. Aceitei a sentença merecida; resignado, expiei a minha culpa. Maria Goretti foi verdadeiramente a minha luz, a minha padroeira. Com o seu auxílio comportei-me bem, e procurei viver honestamente, quando de novo a sociedade me recebeu entre os seus membros.

“Os filhos de São Francisco, os Capuchinhos, acolheram-me com caridade seráfica, não como criado, mas como irmão. Estou com eles desde 1936. E agora espero serenamente o momento de ser admitido à visão de Deus, de rever e abraçar os meus entes queridos, e de estar perto do meu Anjo protetor (Santa Maria Goretti) e da sua querida mãe, a senhora Assunta.

“Os que lerem esta minha carta, queiram tirar a boa lição de sempre, de fugirem do mal desde novos e seguirem o bem. Convençam-se de que a Religião, com os seus mandamentos, não é coisa para se pôr de lado, mas é o conforto verdadeiro, o único caminho seguro em todas as circunstâncias, mesmo as mais dolorosas da vida.”

Glorificação final

Relíquia de Sta. Maria Goretti
A causa da beatificação de Maria Goretti foi aberta em 1935, com o próprio Alessandro testemunhando sua santidade e sua intercessão. Foi beatificada em 1947 por Pio XII. Sua mãe, presente ao ato, relata: “Quando vi o Papa se aproximando, rezei: ‘Madonna, por favor, ajudai-me’. Ele pôs sua mão em minha cabeça, e disse: ‘Bendita mãe, feliz mãe, mãe de uma Beata’”.

Maria Goretti foi canonizada três anos depois, pelo mesmo Papa, com a presença de Alessandro Serenelli, Assunta Goretti e seus quatro filhos restantes.

Os restos mortais da Santa estão na Basílica de Santa Maria Goretti, ao lado do mar, em Nettuno, Itália, perto do local onde ela viveu e morreu. Estão em um relicário, envoltos numa imagem de cera seguindo seus traços.

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Fontes:
Site “Who is St. Maria?”, disponível em http://mariagoretti.com/who-is-st-maria/
Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, Portugal, 1987, tomo II, pp. 385-388.