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3 de setembro de 2016

A FELICIDADE DAS FAMÍLIAS NUMEROSAS

Família de José Maria Postigo e Rosa Pich, de Barcelona (Espanha)

Plinio Maria Solimeo 

Hoje em dia, quando se diz que uma família é numerosa, é porque tem de três a quatro filhos. E mesmo isso está cada vez mais raro. Pois em geral os casais não querem ter mais que um filho, ou mesmo nenhum, pois “dão trabalho”, e “queremos gozar a vida”. Infelizmente, boa parte dos casais está substituindo os filhos por animais de estimação, que tratam com mimos que não dariam a filhos.

Desse modo, a finalidade primordial do casamento, que é a procriação da espécie humana, segundo mandado de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é mais observada, ou o é muito pouco. Além de constituir grave pecado, isso traz como consequência secundária o envelhecimento e declínio da população.

Felizes os tempos em que se via por toda parte a buliçosa e feliz algazarra de incontáveis crianças, cheias de graça, vitalidade e alegria.

Por isso trazemos hoje à consideração de nossos leitores o exemplo de duas famílias excepcionais, uma espanhola e outra americana, que receberam como verdadeira bênção do Céu os numerosos filhos que Deus lhes mandou. A primeira teve 18, e a segunda, 13. 

“Família Numerosa Europeia de 2015” 

A família de José Maria Postigo e Rosa Pich [foto acima, ao lado e abaixo], de Barcelona, foi eleita pela European Large Families Confederation como a Família Numerosa Europeia de 2015, “não tanto pelo número de seus membros, quanto pelo seu modo de encarar os reveses” da vida. A imprensa espanhola trouxe na ocasião extensas reportagens, nas quais nos baseamos, sobre essa família modelo.(1) 

Os dois esposos excepcionais que a constituíram vêm também de famílias numerosas. José Maria teve 16 irmãos e Rosa, 14. Por isso sempre sonharam em ter muitos filhos. 

Mas isso parecia quase impossível, pois a primeira filha, Carmina, nasceu com severa cardiopatia(2), tendo os médicos lhe dado poucos anos de vida. Entretanto, ela viveu até os 22 anos, falecendo depois graduar-se e acabar um mestrado. Os dois filhos seguintes nasceram com o mesmo problema e não sobreviveram. Por isso os médicos recomendaram ao casal que não tivesse mais filhos. 

José Maria e Rosa não seguiram esse conselho. Diz ela: “Ninguém sabe o número de vidas nos espera na Terra ou no Céu. [...] Se os filhos nascem e os tenho de enterrar, terão tido a oportunidade de salvar-se [pelo batismo], e sempre serão meus filhos. Pois a vida não acaba aqui na Terra”. E conclui, com muita propriedade: “Estamos voltando ao nazismo quando decidimos matar nossos próprios filhos. Há algo no mundo que não está funcionando bem quando consideramos que o aborto é um direito”


Essa mulher exemplar encontra na religião católica as forças para enfrentar as vicissitudes da vida: “Somos graças a Deus uma família com fé, porque com tudo o que temos passado, não teríamos podido superar de outra maneira. Depois de enterrar dois filhos em quatro meses, logo morreu a maior, já com 22 anos, e nos teríamos desfeito de todo se não fosse pela fé que temos”.

Com o falecimento de três filhos, restam-lhes ainda 15, o que a torna a família com mais filhos em idade escolar de toda a Espanha. Desses 15 filhos, 8 nasceram com a mesma doença de coração. Alguns se curaram, outros estão em tratamento. Essa razão levou o casal a promover uma fundação destinada à investigação da cardiopatia, cujo nome é “Menudos Corazones” (Pequenos Corações). 

Muito ativo, o casal não se limita a cuidar de sua imensa prole, mas já participou de numerosas reportagens e documentário sobre famílias numerosas. José Maria e Rosa também dão palestras de orientação familiar para ajudar outros pais.


Apesar do trabalho insano com uma família de 17 pessoas, Rosa ainda encontrou tempo para escrever um livro sobre sua experiência e os segredos da felicidade de sua família “Como ser feliz com 1, 2, 3... filhos” [capa ao lado], que já foi traduzido em seis idiomas europeus. Orgulhosa de seus inúmeros filhos, ela afirma: “Temos um tesouro que queremos compartir com a sociedade”.

Como educar tantos filhos? Diz Rosa: “Os sacerdotes devem proporcionar uma direção espiritual, mas creio que os pais de famílias numerosas temos uma graça especial para educar nossos filhos e somos responsáveis pela sua educação. Creio que o fato de ter uma família tão numerosa tornou meu coração maior, porque não só quero a todos os meus filhos, como também a seus amigos”.

Para ela, “não importa o que dizem os que não querem [ter muitos filhos] para não sofrer. As alegrias sempre superam os sofrimentos, e vale a pena lutar por cada segundo de vida. Uns lutam para ter um automóvel, por uma viagem, e eu luto por ter uma família. Se passamos de dois a três, tanto melhor. O que os meus filhos querem é ter muitos irmãos”. 

É preciso notar que o casal não é rico e vive apenas de seu salário. Por isso cria os filhos com muita austeridade. Rosa, além de todo o trabalho com uma família de 17 pessoas, trabalha meio período em uma empresa de organização de eventos. José Maria é consultor de indústrias relacionadas com o comércio de carnes, que produzem, processam e distribuem carne aos centros consumidores. Por isso passa quase o dia inteiro trabalhando. 


Os filhos dormem em dois quartos, em cada um dos quais foram adaptados dois conjuntos com quatro camas superpostas, um para os meninos, outro para as meninas. Não dá para mais. Em cada quarto, um dos irmãos fica como responsável, velando pela boa ordem e os bons modos. Os filhos são educados para agir como uma equipe. Cada um se encarrega de um irmão menor.

As roupas e os livros escolares passam de filho a filho. A comida é muito frugal, não havendo na geladeira coisas consideradas supérfluas como chocolates e refrigerantes. Também não há presentes de aniversário. Apesar disso, diz a mãe: “Meus filhos valorizam muito cada coisa, como se fosse algo único”


Todos devem observar algumas normas. Na cozinha há um quadro com a função de cada um, como montar, servir e recolher a mesa, pôr o lixo para fora, apagar as luzes etc. E também uma lista de sugestões para se melhorar no dia-a-dia como, aos muito chorões, de “chorar uma só vez por dia”, “não ficar amuado”, “sorrir mais”, “tratar bem o pai” etc. 

Algumas coisas estão formalmente proibidas, como fumar ou adquirir uma moto ou celular antes dos 18 anos. Todos se contentam com o que têm e não se sentem inferiorizados pelo que não têm. “Nós pomos alguns limites, diz a mãe, pois não esperamos para dizer-lhes ‘não’ só quando forem adolescentes; mas desde o primeiro momento, ano por ano. E sabem? Os meninos agradecem e os amigos querem ser seus amigos, porque veem que são generosos e serviçais”.

Com tudo isso, todos formam uma família muito feliz. E é uma alegria quando se encontram na hora do jantar. Os 15 irmãos estudam, praticam esportes e almoçam no colégio ou fora. Mas, haja o que houver, a hora do jantar é sagrada. “É quando nos juntamos e comentamos como foi o dia, o que sucedeu a cada um, nos ajudamos, nos escutamos e rimos”, explica a mãe. Para ela, “cada um é um indivíduo, tem seu caráter diferenciado e suas preocupações próprias. Entretanto, ainda que custe crer, conheço muito bem todos os meus filhos”.

Muito poucas famílias com menos filhos podem ter semelhante felicidade de situação e a satisfação que tal convívio produz! 
*       *      *

Os Fatzingers: família numerosa, um dom de Deus 

Rob, 51 anos, e Sam Fatzinger, 48, residentes em Bowie, Maryland, Estados unidos, têm nada menos que 13 filhos [foto acima]. A esposa cuida só da casa, de maneira que eles têm de viver apenas do salário do marido para sustentar uma família de 15 pessoas. Apesar de tudo, foram recebendo os filhos como uma dádiva do Céu.


Seu caso é tão excepcional, que “The Washington Post” dedicou-lhes extensa reportagem com o título: “Como uma família está enviando 13 filhos à escola, vivendo sem débitos — e ainda planeja aposentar-se cedo” .(3) Entretanto, a vida dessa família modelo não é assim tão fácil. Seus chefes não nasceram ricos, e vivem somente do salário e de estrita economia. Desde que se casaram, há 27 anos, começaram a fazer um pecúlio para comprar uma casa. Seu único luxo é comemorar anualmente o aniversário de casamento em um restaurante econômico. 

Católicos ao estilo antigo, quiseram ter todos os filhos que Deus lhes mandasse, confiando em que, como diz um velho dito popular, “cada filhinho já nascia trazendo debaixo do braço o seu pãozinho”. Ou ainda, “Deus manda o frio conforme o cobertor”. Por isso, por mais que a família crescesse, nunca passaram necessidade. 

Católicos praticantes, seu primeiro negócio foi uma livraria católica. Como não tiveram muito sucesso, fecharam-na em 2000, quando já tinham sete filhos. Rob conseguiu então trabalho testando softwares e, muito aplicado e consciencioso, teve várias promoções, até receber um salário bem razoável. Entretanto, para sustentar a numerosa família, eles economizam no que podem. A esposa procura comprar sempre o que está em oferta, e adapta seu cardápio de acordo com o que encontra. Nas horas vagas, Rob procura ganhar alguma coisa extra, cortando grama ou fazendo pequenos reparos para os vizinhos. Qualquer tostão é importante para eles. 

Com suas economias puderam dar entrada para a compra de uma casa grande, velha, de cinco quartos. Compraram-na barato, pois estava em tão mal estado, que parecia uma casa mal assombrada. O que levou o sacerdote que foi chamado para benzê-la a perguntar jocosamente: “Devemos fazer nela um exorcismo?”

Como a Providência Divina vela pelas grandes famílias, com a ajuda de parentes e amigos, aos poucos a reformaram e tornaram a casa habitável. Com o tempo foi até possível acrescentar mais dois dormitórios e aumentar a cozinha. E os donativos foram chegando: um fogão a lenha, um sofá velho, um automóvel usado... Assim, foi possível ter coisas indispensáveis para tanta gente, como duas geladeiras, dois fogões, duas máquinas de lavar pratos, uma van e uma máquina de lavar roupa. E os únicos que estão livres de cuidar da lavagem da enorme quantidade de roupa suja são os dois caçulas, de seis e quatro anos de idade. Evidentemente, como católicos exemplares, fica proibido fazer esse trabalho no domingo, para observar o preceito. 

A mãe ensina aos filhos as primeiras letras em casa, seguindo o bom costume americano do home-schooling. Depois eles frequentam os ginásios e universidades. “Meus filhos arrumam empregos tão logo têm idade, e aprendem a discernir entre necessidades e desejos. Eles pagam seus celulares, seus colégios, e até mesmo a gasolina que gastam”. Eles aprendem a economizar para atender às suas necessidades, pois não têm mesadas. 


Entretanto, o admirável êxito dessa família não seria possível se não fosse sua profunda fé: “Sem dúvida, a Missa diária é o mais importante [para a família], e também o rosário à tarde, quando é possível, bem como viver o ano litúrgico”, diz a mãe. “É difícil responder a isto [hábitos religiosos] em nível familiar, porque quase todos nossos filhos já são maiores de idade e portanto responsáveis pela sua própria formação na fé. Eles vão aos retiros no instituto [católico] sempre que lhes é possível. [...] Aqueles de nossos filhos que vão, participam das aulas sobre a Bíblia e dos grupos de jovens. E os menores são coroinhas”. [...] Eu gosto de fazer uma Hora Santa durante a semana, mas foi difícil encontrar tempo por causa da numerosa família, e de minha personalidade. Sou muito madrugadora. Finalmente julguei que a melhor hora para mim [para fazer a Hora Santa] era ao sábado, às cinco horas da manhã”

Rob e Sam são orgulhosos de sua família. E dão às outras alguns conselhos que as ajudaram a ser felizes: “Sê amável, e aja do modo que convenha à situação de tua família na vida. Ajuda as outras famílias, dá-lhes uma mão com os filhos ou a comida, apoiando-os na oração. [...] Ama o pecador e aborrece o pecado. Encontra formas para que as pessoas se voltem para Deus, e sê um exemplo em um mundo conturbado para ajudar os demais” .(4) 

É certo que as famílias numerosas são mais unidas. Os filhos se aproximam mais dos pais e os ajudam a enfrentar as vicissitudes da vida. Por isso é muito difícil ouvir falar de separação entre eles, o que é muito mais frequente nas famílias menos numerosas, e mesmo sem filhos. 

Que o belo exemplo de religiosidade e confiança na Providência dessas duas notáveis famílias sirva de inspiração a muitos casais brasileiros. 
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1. http://www.religionenlibertad.com/los-postigopich-18-hijos-en-la-cama-de-papa-y-mama-40617.htm 
https://www.facebook.com/pages/C%C3%B3mo-ser-feliz-con-123-hijos/1384298871817535 
http://www.europapress.es/sociedad/noticia-familia-espanola-18-hijos-premio-familia-numerosa-europea-ano-20151209175448.html 
http://www.elmundo.es/sociedad/2015/12/26/56731bbaca47410d658b4590.html 
http://www.abc.es/familia/padres-hijos/abci-familia-espanola-18-hijos-premio-familia-numerosa-europea-201512100153_noticia.html 
http://www.lavanguardia.com/gente/20160227/4035882214/familia-numerosa-postigo-pich.html 
http://www.actuall.com/entrevista/familia/rosa-pich-madre-de-18-hijos-no-se-puede-vivir-con-miedo-las-alegrias-superan-a-los-sufrimientos/

2. “alteração na estrutura do coração presente antes mesmo do nascimento. Essas alterações ocorrem enquanto o feto está se desenvolvendo no útero e pode afetar cerca de 1 em cada 100 crianças, segundo dados da American Heart Association. É a alteração congênita mais comum e uma das principais causas de óbito relacionados a malformações congênitas” http://www.minhavida.com.br/saude/temas/cardiopatia-congenita. 3. 

4. https://www.washingtonpost.com/lifestyle/magazine/13-kids-13-college-educations-not-rich-retiring-early/2016/08/08/3abe7cec-38b4-11e6-a254-2b336e293a3c_story.html 

5. http://www.religionenlibertad.com/los-postigopich-18-hijos-en-la-cama-de-papa-y-mama-40617.htm

27 de agosto de 2016

10 razões pelas quais a “Ideologia de Gênero” é a pior inimiga da família


John Ritchie

Aquilo que a revolução trans-gênero deseja é auto-destrutiva, tirânica, anticientífica, imoral, abusiva e nociva à saúde.


1 — A ideologia trans-gênero é tirânica

No dia 13 de maio de 2016, nos Estados Unidos o governo Obama emitiu um decreto ditatorial ordenando que todas as escolas públicas permitam aos membros pertencentes biologicamente a um dos sexos de usar os chuveiros, vestiários e banheiros do sexo oposto. Com uma simples canetada, o governo federal impôs banheiros transexuais em todas as escolas públicas do país. Os estados que se opuseram à medida têm sido ameaçados com penas severas, tais como a perda de fundos federais. 

As legítimas preocupações dos pais com relação a seus filhos foram postas de lado. O direito à privacidade e a importância de proteger a inocência das nossos filhos foram também pisoteados. Como o islamismo, o movimento trans-gênero só se dá por satisfeito quando obtém submissão completa. Sob esta nova tirania, escolas, universidades, empresas e até mesmo igrejas não são mais livres de seguir seus princípios morais. A moral cristã não é tolerada.

2 — Ela promove o abuso de crianças 

O transgenerismo é especialmente prejudicial para as crianças. De acordo com o American College of Pediatricians (Faculdade Americana de Pediatria), a promoção pública de transgenderismo constitui uma forma de abuso infantil: 

“O fato de condicionar uma criança a ter que viver a vida toda fazendo uso de químicos e cirurgias para fazer o papel do sexo oposto é abuso infantil. O endosso do sistema de educação pública e de políticas governamentais da discordância de gêneros como sendo confundirá crianças e pais, levando mais crianças a apresentar-se em ‘clínicas de gênero’ onde receberão medicamentos bloqueadores da puberdade. Por sua vez, isto praticamente garante que eles 'escolherão' tomar a vida inteira hormônios cancerígenos e tóxicos do sexo oposto, e provavelmente acharão desnecessária a mutilação cirúrgica de seus órgãos saudáveis de jovens adultos”. 

Esta forma de abuso de crianças deve ser vigorosamente combatida. 

3 — Ela contradiz a biologia e a ciência 

A Ideologia de Gênero contradiz a biologia básica. O mesmo movimento progressista que costumava adorar a ciência laica, excluindo Deus e a metafísica, virou-se agora contra o seu próprio dogma de que a ciência é tudo. Agora, toda prova científica que contradiz a narrativa da Ideologia de Gênero é descartada. 

No entanto, o Colégio Americano de Pediatria é taxativo: “A sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: os marcadores genéticos ‘XY’ e ‘xx’ são marcadores de saúde, e não de desordem. O ser humano, como norma, foi projetado para ser ou masculino, ou feminino. A sexualidade humana foi criada com a finalidade óbvia de que nossa espécie se reproduza e floresça. Este princípio é óbvio. Os indivíduos afetados por DSDs [distúrbios do desenvolvimento sexual] não constituem um terceiro sexo”.

4 — O sexo biológico não pode ser alterado 

As pessoas que aderem à Ideologia de Gênero fingem que os homens podem se transformar em mulheres ou que as mulheres podem se transformar em homens. Mas esta alegação é falsa. 

“É fisiologicamente impossível mudar o sexo de uma pessoa, pois o sexo de cada indivíduo está codificado nos genes XX, se for do sexo feminino, e XY se for do sexo masculino. A cirurgia só cria a aparência do outro sexo”, explicam o Dr. Richard P. Fitzgibbons, Philip M. Sutton, Ph.D., e Dale O’Leary em um estudo bem documentado. Eles afirmam que a identidade sexual “está escrita em cada célula do corpo e pode ser determinada através de testes de DNA. Ela não pode ser alterada.” 

5 — Ela deforma a masculinidade e a feminilidade 

A Ideologia de Gênero afirma que a realidade biológica não determina o sexo da pessoa, mas a maneira como ela se sente. Portanto, as diferenças entre homem e mulher, bem como as roupas que vestimos nada tem a ver com nossa identidade e estão em constante mutação. Masculinidade e feminilidade são meras etiquetas utilizadas para descrever o que vemos, mas não se baseiam em nada substancial.

A ideóloga feminista lésbica e escritora Simone de Beauvoir afirmou que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. O ponto central do feminismo não é tanto eliminar a chamada classe “opressora” masculina, mas abolir todas as diferenças entre os sexos. 

Aqui se vê como os movimentos homossexuais, transgêneros e feministas são aliados. Eles compartilham o mesmo objetivo final: a destruição de macho e fêmea, da masculinidade e feminilidade. 

6 — Ela destrói a razão 

Uma parte fundamental da lógica e da razão é a ideia de que as coisas têm um propósito. O objetivo dos nossos olhos, por exemplo, é nos fornecer visão. As asas de uma águia existem para permitir-lhe voar. Nossos pulmões existem para que possamos respirar e absorver oxigênio, e nossos ouvidos existem para ouvir. Da mesma forma, o objetivo principal da sexualidade humana é a procriação. 

No entanto, como a homossexualidade e o feminismo, a Ideologia de Gênero nega este princípio e portanto ataca a própria razão humana, o que é uma forma deliberada de loucura. 

7 — A ideologia de gênero é auto-destrutiva 

O movimento homossexual destrói vidas. Arrependimento, desespero e suicídio são comuns entre os que adotam a letra “T” do estilo de vida LGBT. 

Walt Heyer, um homem que se arrepende de ter vivido como uma mulher por muitos anos, disse: “Eu sabia que não era uma mulher de verdade embora meus documentos de identidade afirmassem que eu tinha tomado medidas extremas para resolver o meu conflito de gênero; porém, a mudança de sexo não funcionou. Era obviamente uma farsa”

“Os transgêneros não apenas liquidam a identidade com que nasceram”, explica Heyer, mas “destroem tudo e todos em seu caminho: família, esposa, filhos, irmãos ou irmãs, e a carreira. Isso certamente indica um comportamento de pessoa que teima em se auto-destruir e auto-mutilar completamente”.

O stress produzido por um estilo de vida que viola a natureza torna-se aparente. De acordo com a American Foundation for Suicide Prevention (Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio), 41% das pessoas que se identificam como transgêneros nos EUA tentaram cometer suicídio, vinte e cinco vezes mais que a média nacional. 

8 — A trans-espécie, produto final da Ideologia de Gênero 

Se um homem pode fingir ser mulher, por que não pode também afirmar não ser humano? Lamentavelmente, aqui está a conclusão relativista: ele é chamado ‘trans-espécie’, também conhecido como ‘furries’ ou ‘otherkins’ (outrotipo). Pessoas com transtorno identitário de espécie consideram-se não-humanas e se apresentam em desfiles homossexuais. Os argumentos empregados pelo movimento trans-espécie para questionar o sua condição humana são essencialmente os mesmos do movimento transgênero. 

Quando sentimentos substituem a realidade, a lógica fenece. O intelecto, parte mais nobre do homem, é degradado. O aspecto animal domina. E nossa cultura ateia pressiona para que aceitemos estas fantasias depravadas.

Uma vez que tais distúrbios passam a ser considerados normais, o que impediria que as paixões desenfreadas produzissem formas ainda mais escabrosas de depravação? Que proteção terá a razão humana para evitar maior destruição?

9 — Ideologia de gênero e perseguição religiosa

Favorecida pelo laicismo, a Ideologia de Gênero pode desencadear o pior tipo de perseguição religiosa uma vez que impõe a perversão das mentes, começando com crianças pequenas. Os que a ela se opõem são visados por esta nova religião da igualdade que obriga crianças a participarem em ‘treino de sensibilidade’ e doutrinação em Ideologia de Gênero. Na verdade, saibam ou não, aqueles que aplaudem o movimento homossexual nada mais são que súditos de fato de uma nova religião. 

Sua doutrina: a ideologia transgênero. Seu falso deus: igualdade radical e esquerdismo desenfreado. Seu clero: os líderes do movimento homossexual. Seus acólitos: a mídia esquerdista, políticos imorais e, infelizmente, membros dissidentes do clero católico. Sua “inquisição”: as leis anti-discriminação, que ameaçam a ordem e a paz. Sua “excomunhão”: Qualquer um que diga a verdade é rotulado de “homofóbico” ou “transfóbico”. 

10 — Ela ofende a Deus 

O desejo de mudar de sexo biológico não só nega a realidade, mas também ofende a Deus. Ninguém nasce homem ou mulher por acaso, mas de acordo com um plano da Divina Providência: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jer. 1,5). Deus os criou homem e mulher (Gn 1,27) Portanto, contradizer intencionalmente a natureza biológica da humanidade é um ato de revolta contra o Criador.

A caridade nos chama a ajudar os aflitos ou confusos sobre seu próprio sexo, mas não aumentando sua confusão e lhes oferecendo uma falsa solução. A caridade “não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade” (1 Cor 13,6). Portanto, a misericórdia nunca pode opor-se à verdade, pois só a verdade liberta (Jo 8,32). 

O que podemos fazer para salvar a família? 

Devemos seguir o exemplo angélico de São Miguel Arcanjo.

“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever” (Ef 6,11-13).

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14 de maio de 2016

PASMEM! UMA CIDADE NA QUAL NÃO HÁ DIVÓRCIOS


Plinio Maria Solimeo
Nestes tempos tão decadentes em que vivemos, nos quais todo sentimento religioso e moral praticamente desapareceu, uma das instituições mais atingidas pela crise é a família, reduzida infelizmente a frangalhos. O número de divórcios é avassalador — calcula-se que quase 50% dos casamentos se desfazem —, sem falar das uniões ilícitas, que se tornaram hoje um hábito corriqueiro e aparentemente sem consequências.

Por isso é salutar saber que — pasmem os leitores! —, apesar da malícia dos tempos, há uma cidade no mundo que não se entregou à depravação universal, e na qual os vínculos da família são tão fortes, que nela não há registros de divórcios.

Essa cidade privilegiada é Siroki-Brijeg [foto acima]. Situada na Bósnia, país da Península Balcânica que fez parte da antiga Iugoslávia no período comunista, seus aproximados 26 mil habitantes, de origem croata, sempre foram aguerridos na defesa de sua fé católica, mesmo diante das piores adversidades. Foi o ocorreu, por exemplo, durante a invasão muçulmana e, depois, quando o país caiu sob as botas do ateu regime comunista, período em que sua fé foi provada de todos os modos.


Placa em homenagem aos Franciscanos 
assassinados por ódio ao Catolicismo
Esses católicos de escol tiveram seus mártires quando, em 7 de fevereiro de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, Siroki Brijeg foi palco do selvagem martírio de 66 frades franciscanos, mortos pelos sem-Deus por ódio à fé católica [foto ao lado].

A confiar em notícias de diversos sites católicos fidedignos, “Siroki-Brijeg é notável [...] porque jamais houve — na memória coletiva de todos — um só divórcio entre os católicos croatas da cidade”(*).

Qual a explicação para fato tão notável? 


Igreja de Na. Sra. da Assunçãosímbolo
de Siroki-Brijeg
Primeiro porque, seguindo sua profunda tradição croata, essa cidade com quase 100% de católicos vive com muita seriedade sua fé. Por isso seus habitantes consideram como ponto de honra a defesa da indissolubilidade conjugal e da família monogâmica formada pela união de um homem e uma mulher – como consta na Constituição do país – com as bênçãos da Santa Madre Igreja.

Entretanto, o que dá a profunda base religiosa a essa atitude é o fato de o matrimônio ser visto como uma cruz indissoluvelmente unida à cruz de Cristo. Isso leva os cônjuges a encarar sua união sem romantismo, sem uma visão cinematográfica da vida, sem falsas expectativas, enfim, sem ilusões. Realistas, eles sabem que neste Vale de Lágrimas todos têm defeitos, e que não há bom entendimento mútuo sem o também mútuo exercício da paciência. 

É essa visão católica do matrimônio que evita a incidência de divórcios e separações. Nela os cônjuges encontram força para, na prece em comum diante do Crucifixo que tinham em mãos na cerimônia religiosa do casamento, ser fiéis aos votos de fidelidade ali feitos.

Nessa cerimônia o sacerdote benze o Crucifixo apresentado pelos noivos, põe sobre ele a mão direita da noiva e a mão do noivo sobre a da noiva, as cobre com a estola e lhes diz que encontraram o “sócio” ideal com o qual devem compartilhar suas vidas: “Vós encontrastes vossa cruz! Trata-se de uma cruz que é preciso amar, e levar convosco em todos os dias de vossas vidas. Sabei apreciá-la” diz-lhes o ministro de Deus. 

Osculando a cruz, os cônjuges depois a entronizam em lugar de honra em suas casas, pois creem profundamente que a família deve nascer da cruz. 


Recém-casados frente à Igreja da Assunção
símbolo de Siroki-Brijeg
Quando surgem as provações, as incompreensões, as desavenças, as dificuldades, tão comuns e a que todos estão sujeitos neste mundo, ambos vão se ajoelhar diante do Crucifixo. E com uma fé que não permite enganos, pedem forças para suportá-las, pois o jugo de Nosso Senhor “é suave, e seu fardo leve”. Essa atitude é coerente com a crença de que, uma vez que eles fundamentaram seu matrimônio na cruz, esta lhes dará forças para superar as provações cotidianas.

Ficam desse modo sabendo que, se um deles abandona o outro, estará abandonando a Cristo. Pois a experiência lhes ensina que a fonte da perseverança pela qual ganharão a vida eterna só pode vir da Cruz de Cristo, e não de outros fatores ou ajudas externas, quaisquer que sejam.

Vindo os filhos, a forte tradição familiar lhes é inculcada, aprendendo eles desde pequenos a ver com veneração o Crucifixo da família, e a dirigir ao Crucificado suas primeiras orações.

Desse modo, esses católicos aprendem a praticar desde a mais tenra idade aquilo que cantava o nosso imortal Camões: “Tu, que descanso buscas com cuidado, neste mar do mundo tempestuoso, não esperes de achar nenhum repouso, senão em Cristo Jesus Crucificado". E adquirem com isso coerência para enfrentar depois as vicissitudes da vida com espírito sobrenatural. 
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(*) http://www.ncregister.com/site/article/surefire-start-to-marital-happiness/ 
Outras Fontes consultadas
http://adelantelafe.com/descubra-pueblo-donde-no-solo-divorcio/ https://catholicismpure.wordpress.com/2012/09/24/marriage-crucifix/
http://www.uccronline.it/2016/03/11/il-paesino-di-siroki-brijeg-dovrebbe-essere-il-centro-del-mondo/

25 de novembro de 2015

FAMÍLIA

Quadro de Giovanni Battista Torriglia (1858 - 1937), óleo sobre tela. 

Plinio Corrêa de Oliveira
"Folha de S. Paulo", 24 de abril de 1969

Em meu último artigo, falei do que é a tradição. Afirmei, sobretudo, que são demolidores da Pátria todos os que se esforçam por promover um progresso alheio e até hostil à tradição. Hoje, quero mostrar que a tradição é fruto necessário da família, de sorte que, por toda a parte em que floresça a família, ficarão impregnados de tradições os costumes públicos e privados, a cultura e a civilização.

Ainda desta vez, sirvo-me de alguns luminosos textos de Pio XII. Lembra ele, antes de tudo, alguns motivos de ordem natural pelos quais a família é uma riquíssima fonte de continuidade entre as gerações, ao longo dos séculos:"Desta grande e misteriosa coisa que é a  hereditariedade  quer dizer, o passar através de uma estirpe, perpetuando-se de geração em geração, de um rico acervo de bens materiais e espirituais: a continuidade de um mesmo tipo físico e moral, conservando-se de pai para filho; a tradição que une através dos séculos os membros de uma mesma família  desta hereditariedade, dizemos, se pode sem dúvida entrever a verdadeira natureza sob o aspecto material. [...] Não se negará certamente o fato de um substrato material à transmissão dos caracteres hereditários; para estranhar isto, precisaríamos esquecer a união íntima de nossa alma com nosso corpo, e em quão larga medida as nossas mesmas atividades mais espirituais dependem de nosso temperamento físico".

Em seguida, o Pontífice trata dos fatores morais e sobrenaturais da tradição familiar: "Mas o que mais vale é a hereditariedade espiritual, transmitida não tanto por esses misteriosos liames da geração material, quanto pela ação permanente daquele ambiente privilegiado que constitui a família, com a lenta e profunda formação das almas, na atmosfera de um lar rico de altas tradições intelectuais, morais e sobretudo cristãs, com a mútua influência entre aqueles que moram em uma mesma casa, influência essa cujos benéficos efeitos se prolongam muito além dos anos da infância e da juventude, até o fim de uma longa vida, naquelas almas eleitas que sabem fundir em si mesmas os tesouros de uma preciosa hereditariedade com o contributo de suas próprias qualidades e experiências. Tal é o patrimônio, mais do que todos precioso que, iluminado por firme fé, vivificado por forte e fiel prática da vida cristã em todas as suas exigências, elevará, aprimorará, enriquecerá as almas de vossos filhos" (Discurso à Nobreza e ao Patriciado Romano, "L'Osservatore Romano" de 7/8-1-1941). 

Mas, dirá alguém, essa concepção, que parece supor um longo passado aristocrático, é imprópria para continentes novos como o nosso. Pio XII parece ter previsto a objeção. Diz ele: "Também nas democracias de recente data [...] foi se formando, pela própria força das coisas, uma espécie de nova nobreza ou aristocracia. É a comunidade das famílias que, por tradição, põe todas as suas energias ao serviço do Estado, de seu governo, da administração, e sobre cuja fidelidade ele pode contar a qualquer momento" (idem, "L'Osservatore Romano" de 9-1-47). 

A tradição não é, então, o contrário da verdadeira democracia vigente, pelo menos em tese, em toda a América? Ouçamos Pio XII: "Segundo o testemunho da história, onde reina uma verdadeira democracia a vida do povo está como que impregnada de sãs tradições, que é ilícito abater. Representantes destas tradições são, antes de tudo, as classes dirigentes, ou seja os grupos de homens e de mulheres ou as associações que dão, como se costuma dizer, o tom na aldeia e na cidade, na região e no país inteiro. Daí a existência, em todos os povos civilizados, de instituições eminentemente aristocráticas, no sentido mais alto da palavra, como são algumas academias de larga e bem merecida fama" (idem, "L'Osservatore Romano" de 17-1-46).

Mas, poder-se-á ainda objetar, tal concepção da família conduz a uma sociedade escalonada em classes diversas? Perfeitamente. É ainda Pio XII que nô-lo afirma: "As desigualdades sociais, inclusive as ligadas ao nascimento, são inevitáveis; a natureza benigna e a benção de Deus à humanidade iluminam e protegem os berços, beijam-nos, porém não os nivelam. Atentai mesmo para as sociedades mais inexoravelmente niveladas. Nenhum artifício jamais logrou ser bastante eficaz a ponto de fazer com que o filho de um grande chefe, de um grande condutor de multidões, permanecesse em tudo no estado de um obscuro cidadão perdido no povo. Mas se tais disparidades inelutáveis podem, quando vistas de maneira pagã, parecer uma inflexível conseqüência do conflito entre forças sociais e da supremacia conseguida por uns sobre outros segundo as leis cegas que se supõem regerem a atividade humana, de maneira a consumar o triunfo de alguns com o sacrifício de outros. Pelo contrário, tais desigualdades não podem ser consideradas por uma mente cristãmente instruída e educada, senão como disposição desejada por Deus pelas mesmas razões que explicam as desigualdades no interior da família, e portanto com o fim de unir mais os homens entre si, na viagem da vida presente para a pátria do Céu, ajudando-os da mesma forma que um pai ajuda a mãe e os filhos" (idem, "L'Osservatore Romano" de 5-6-1-1942). 

Vimos que para Pio XII a desigualdade cristã é fonte de concórdia entre as classes. Ouçamo-lo ainda: "Para o cristão as desigualdades sociais se fundem em uma grande família humana; e [...] portanto as relações entre classes e categorias desiguais devem permanecer governadas por uma honesta e igual justiça, e ao mesmo tempo animadas por respeito e afeição mútua, que ainda sem suprimir a disparidade, lhes diminuam as distâncias e temperem os contrastes. [...] Nas famílias verdadeiramente cristãs, por acaso não vemos nós os maiores dentre os patrícios e as patrícias, vigilantes e solícitos em conservar para com seus empregados, e todos os que os cercam, um comportamento consentâneo por certo com sua posição, mas escoimado de presunção, propenso à cortesia e benevolência nas palavras e modos que demonstra a nobreza dos corações; patrícios e patrícias que vêem neles homens, irmãos, cristãos como eles, e a eles unidos em Cristo, com os vínculos da caridade, daquela caridade que mesmo nos palácios ancestrais conforta, sustém, ameniza e dulcifica a vida entre os grandes e os humildes, máxime nas horas de dor e tristeza, que nunca faltam" (idem "L'Osservatore Romano" de 5/6-1-1942). 

Noto de passagem que o termo "patrício", usado pelo Pontífice, se refere a membros da alta aristocracia romana.

Assim, a família gera de per si a tradição e a hierarquia social. Para abolir a tradição e a hierarquia, é mister depauperar, estiolar, reduzir e esfrangalhar a família. É o que muitos não sabem ou não querem ver...

14 de setembro de 2015

GRANDE EXEMPLO PARA AS ESPOSAS EM DIFICULDADES NO CONVÍVIO FAMILIAR

Pintura da Bem-aventurada Elisabeth Canori Mora, com 22 anos. Para as famílias que passam por um difícil convívio no lar, um modelo perfeito de mãe e esposa
Nascida em 21 de novembro de 1774, Elizabeth Canori casou-se, em 10 de janeiro de 1796, com Cristoforo Mora, advogado, filho de um próspero médico romano. Tiveram 4 filhas, sendo que 2 delas faleceram em tenra idade. 

Era promissor o futuro dessa família. Entretanto, o marido a arruinou. Ele abandonou o lar, traiu a esposa, atentou contra a vida dela e foi viver com uma mulher de má vida. 

Apesar de tudo, a Bem-aventurada Elizabeth manteve uma fidelidade heroica. Mesmo com muita dificuldade, dedicou-se com extremo amor à educação das 2 filhas (Marianna e Lucina); rezava pela conversão do marido; previu que esse milagre um dia ocorreria e que, após morte dela (em 5 de fevereiro de 1825), Cristoforo se tornaria sacerdote.

E o milagre realmente aconteceu! O marido, arrependido da vida pecaminosa, entrou para uma ordem religiosa, fez penitência, foi ordenado sacerdote e levou uma vida exemplar. 

Especialmente para nossos dias, a Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora é um grande exemplo para as esposas que passam por dificuldades no relacionamento com seus maridos. E, ao mesmo tempo, um modelo de vida que deve ser levado em consideração pelos bispos que participarão do próximo "Sínodo da Família", que se realizará no próximo mês em Roma. 

Para melhor compreensão desse santo exemplo, transcrevo abaixo um excelente artigo de Cristina Siccardi para o site italiano “Corrispondenza Romana”. 
Paulo Roberto Campos

O EXEMPLO DA BEATA ELIZABETH CANORI MORA 

Cristina Siccardi

Muitas grandes testemunhas femininas têm alcançado a honra dos altares. Muitas destas mulheres, após viver heroicamente a sua fidelidade conjugal, receberam a graça (durante a sua vida ou também após a sua morte) da conversão dos seus maridos. 
Em Roma, no edifício ao fundo, durante muitos,
anos, residiu a B.A. Elizabeth Canori Mora

Como não achar, então, a romana Elisabeth Canori Mora (1774-1825), exemplar esposa, mãe e mística? Beatificada em 24 de abril de 1994, ela viveu os sofrimentos de um matrimônio infeliz, mas recompensada de maneira extraordinária pela Fé por excelência. Forçada trabalhar e viver para si e para as duas filhas com o labor das próprias mãos, Elisabeth, a qual Jesus prometeu que Ele mesmo seria o pai das suas duas filhas (Marianna e Maria Lucina), teve uma fé inabalável.

Dedicava muito tempo à oração e conseguia encontrar tempo também para o serviço aos pobres e à assistência aos enfermos. “Te amo com amor de predileção, estou para favorecer-te não menos que minha Teresa, ou que minha Gertrudes”, disse-lhe Cristo e ela viveu assim em união com Deus, experimentando as suavidades daquelas almas que vivem inebriadas pelo amor divino em uma troca de puríssima e castíssima paixão.

Conversão do marido

Entre os vários dons místicos lhe foi dado também o de ver o futuro da Igreja. Conheceu e aprofundou a espiritualidade dos trinitários, abraçando a ordem secular. A fama da sua santidade, o eco das suas experiências místicas e dos seus poderes taumatúrgicos tiveram grande ressonância já em vida. Ofereceu a si mesma por amor de Cristo e da Igreja, salvando a alma do marido – que se converteu e entrou na Ordem secular dos Trinitários, após a morte da mulher, frade menor conventual e depois sacerdote, como lhe havia predito a consorte (esses os milagres do autêntico Amor) – mas votou os seus sacrifícios e a sua existência também para o Papa e para a Igreja toda. 
Manuscritos da Beata Elizabeth Canori Mora, guardados nos arquivos dos padres trinitários em San Carlino, em Roma.

Visões místicas sobre a desordem religiosa de nossos dias

As suas visões místicas e as profecias sobre a Igreja estão contidas no seu volumoso Diário [foto acima]. Em tal importante e precioso documento, a beata revela, em diversas e dramáticas páginas, a desordem religiosa e ética dos homens de hoje.

Leiamos a extraordinária fotografia que fez dos nossos dias, destacando o dano que as modernas filosofias têm cumprido nas consciências fracassadas e insensíveis: 
“O dia 15 de novembro de 1818 o meu pobre espírito nas orações favorecido pelo Senhor com graça particular [...] a um momento me foi mostrado o mundo; esse eu o via todo em revolta, sem ordem, sem justiça, os sete pecados capitais se levavam em triunfo, e por toda parte via que reinava a injustiça, a fraude, a libertinagem e cada sorte de iniquidade. 
“O povo mal acostumado, sem fé, sem caridade, mas todos imersos nas crápulas e nos perversos preceitos da moderna filosofia. Meu Deus! Que dor provava o meu pobre espírito ao ver que todos aqueles povos tinham a fisionomia mais de animais do que de homens. Oh! que horror o meu espírito tinha de todos esses homens tão deformados pelo pecado! [...] A ordem da natureza estava tudo confusa [...] Via após no meio de tanta iníqua gente, um demônio tanto mau que devastava o mundo com tanta soberba e arrogância.  
“Este mantinha os homens em uma penosa escravidão, com orgulhoso império queria que todos os homens fossem a ele sujeitos, renunciando a fé de Jesus Cristo, com o desprezo de seus santos mandamentos, colocando-se em presa a libertinagem e aos perversos preceitos do mundo, adotando a vã e falsa filosofia dos nossos modernos e falsos cristãos. [...]Ver que atrás desses falsos preceitos corriam loucamente cada sorte de pessoas, de cada classe social, de cada idade, não somente seculares, mas ainda eclesiásticos de cada dignidade, tanto secular como regular [...] Oh o que não teria feito, o que não teria padecido para compensar as graves injúrias que esses fingidos cristãos faziam ao eterno Deus [...] Via muitos ministros do Senhor que se despiam uns com os outros muito raivosamente, rasgavam os ornamentos sagrados, via derrubarem os altares sagrados pelos mesmos ministros do Senhor, via por estes pisotearem com os seus pés com muito desprezo os ornamentos sagrados; por meio de uma pequena janela tenho visto o mísero estado das pessoas: qual confusão, qual massacre, qual ruína [...]“.
*       *       *
Às “feridas do amor“, a Beata Elisabeth não respondeu renunciando o seu matrimônio e buscando um outro homem, mas se doou completamente a Jesus, que a recompensou plenamente (como sempre costuma fazer o Mestre com quem tem realmente fé: quantas vezes no evangelho se lê: “a sua fé o salvou“?, já aqui sobre a Terra) com a divina misericórdia, aquela que salvou ela e seu marido.

8 de maio de 2015

PT — partido que declaradamente promove a desagregação da Família


Mensalão, petrolão, generão

(esquemas de corrupção do PT) 


Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Por algum tempo, pensava-se que o mensalão fosse o maior esquema de corrupção já promovido pelo governo do PT. Quando veio à luz o petrolão, com desvio de dezenas de bilhões de reais da Petrobrás, o mensalão pareceu tão insignificante que poderia ser julgado em um “juizado de pequenas causas”, segundo palavras do ministro Gilmar Mendes.(1)

No entanto, ambos os esquemas parecem quase inofensivos diante de um outro, que não apenas furta o dinheiro público, mas concentra-se diretamente em destruir a família natural. Na falta de um nome melhor, chamarei de “generão” ao esquema de imposição sistemática da ideologia de gênero pelo governo petista. 

Ressalvo que tal ideologia não é uma invenção do PT nem está confinada ao nosso País. O mundo inteiro, através dos organismos internacionais, está sob o ataque cerrado dessa doutrina, que tem suas raízes no marxismo. No Brasil, mesmo antes da era petista (que começou em 2003 e se prolonga até os nossos dias), o governo já havia iniciado a aplicação de tal ideologia. No entanto, é forçoso reconhecer que nenhum outro partido, em nenhuma época da história, investiu tanto, em dinheiro e energias, no propósito de roubar a inocência das crianças, destruir a pureza dos jovens e aniquilar a sacralidade das famílias.(2) Distribuição de cartilhas literalmente pornográficas nas escolas de ensino fundamental, promoção de gigantescas passeatas de “orgulho (sic) homossexual”, financiamento do crime do aborto na rede hospitalar pública, perseguição sistemática a quem não aceita a “família” composta por dois pederastas ou duas lésbicas, tentativa de incriminar a oposição ao homossexualismo, rotulada de homofobia, tudo isso tem feito o esquema petista de corrupção da sociedade

O que vou relatar agora é apenas mais um dos inúmeros modos como vem funcionando o “generão” petista. No dia 12 de março de 2015, o “Diário Oficial da União” publicou duas resoluções do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, órgão subordinado à Secretaria de Direitos Humanos. A primeira delas (Resolução n. 11, de 18 de dezembro de 2014) “estabelece os parâmetros para a inclusão dos itens ‘orientação sexual’, ‘identidade de gênero’ e ‘nome social’ nos boletins de ocorrência emitidos pelas autoridades policiais no Brasil”.(3) A resolução define esses três termos do seguinte modo:


Orientação sexual: é “uma referência à capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas e sexuais com essas pessoas”. [Note-se aqui que se considera o homossexualismo e o bissexualismo como “orientações” sexuais, quando na verdade são desorientações sexuais]. 

Identidade de gênero: é “a profundamente sentida, experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos”. [Note-se aqui como se emprega “gênero” com sentido diferente de “sexo”. “Maneirismos” significa trejeitos].  

Nome social: é “aquele pelo qual travestis e transexuais se identificam e são identificadas pela sociedade” [Em outras palavras: homens identificados com nome feminino e mulheres identificadas com nome masculino]. 

De agora em diante, é possível que, ao dirigir-se a uma delegacia de polícia para registrar uma simples ocorrência, o cidadão honesto receba perguntas constrangedoras, tais como: o senhor é homossexual? Está contente com o próprio sexo? Prefere ser chamado por um nome do outro sexo? O objetivo óbvio da resolução é colocar os transtornos sexuais, como o homossexualismo, o travestismo (e provavelmente o incesto e a pedofilia) no mesmo nível da normalidade sexual.

Mais assustadora, porém, é a Resolução n. 12, de 16 de janeiro de 2015, que “estabelece parâmetros para a garantia das condições de acesso e permanência de pessoas travestis e transexuais — e todas aquelas que tenham sua identidade de gênero não reconhecida em diferentes espaços sociais — nos sistemas e instituições de ensino, formulando orientações quanto ao reconhecimento institucional da identidade de gênero e sua operacionalização”.(4) O artigo 1º diz que “deve ser garantido pelas instituições e redes de ensino, em todos os níveis e modalidades [destaquei], o reconhecimento e adoção do nome social àqueles e àquelas cuja identificação civil não reflita adequadamente sua identidade de gênero”. Parece que os seminários e as escolas religiosas estão incluídos entre as instituições obrigadas a reconhecer tal “nome social”. No artigo 2º, obriga-se a tratar exclusivamente pelo nome do outro sexo os alunos que assim o desejarem “em qualquer circunstância, não cabendo qualquer tipo de objeção de consciência [destaquei]”. É espantoso como uma norma infralegal ousa tolher o direito à objeção de consciência assegurado não só pelo Direito Natural, mas também pela nossa Constituição Federal (art. 5, VI e VIII; art. 143 §1º). 

O artigo 6º estabelece que “deve ser garantido o uso de banheiros, vestiários e demais espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito”. Os meninos, portanto, poderão frequentar o banheiro das meninas, e estas o dos meninos, bastando alegar que sua “identidade de gênero” corresponde à do outro sexo. O mesmo vale para os vestiários, onde se trocam as roupas. Abrem-se assim as portas para a promiscuidade sexual nas escolas. E os pais, poderão intervir para livrar seus filhos de toda essa depravação? Segundo o artigo 8º, “a garantia do reconhecimento da identidade de gênero deve ser estendida também a estudantes adolescentes, sem que seja obrigatória autorização do responsável [destaquei]”. Tal resolução, portanto, nega aos pais o direito de educar seus filhos, direito este assegurado pelo Código Civil (art. 1630) e pela Constituição Federal (art. 229). Lembremos que a supressão da autoridade dos pais sobre os filhos é uma das bandeiras do marxismo, expressamente declarada no Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels: “Censurai-nos por querer abolir a exploração das crianças por seus próprios pais? Confessamos esse crime”.(5) 

A essas resoluções os pais e educadores devem responder com a desobediência. Se houver tentativa de coação da parte de alguma autoridade, cabe impetrar contra ela um mandado de segurança alegando ameaça de violação do direito à integridade moral da criança ou adolescente (cf. art. 17, ECA). Os pais podem ainda ajuizar uma ação de reparação de danos morais se seus filhos sofrerem algum constrangimento quanto ao uso dos banheiros e vestiários. O que não se pode, neste momento, é permanecer inerte. 


Anápolis, 6 de maio de 2015 
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz 
Presidente do Pró-Vida de Anápolis 
www.providaanapolis.org.br 
______________ 
Notas: 
1. Gilmar Mendes: Diante do petrolão, mensalão seria julgado em ‘pequenas causas’, 20 nov. 2014, em http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/gilmar-mendes-diante-de-petrolao-mensalao-seria-julgado-em-pequenas-causas/ 
2. Faço eco aqui às palavras do saudoso Bispo de Anápolis, Dom Manoel Pestana, que sempre orava “pela inocência das crianças, pela pureza dos jovens e pela santidade das famílias”. 
3. DOU, Seção I, n. 48, 12 mar. 2015, p. 2-3. 
4. DOU, Seção I, n. 48, 12 mar. 2015, p. 3. 
5. Karl MARX; Friedrich ENGELS. Manifesto do Partido Comunista, São Paulo: Martin Claret, 2002, Parte II, p. 63.

29 de janeiro de 2015

Meus filhos, fruto de uma tentação a Deus?

No post anterior (Família numerosa — uma bênção de Deus) prometi publicar duas cartas nas quais as missivistas manifestam perplexidade face às recentes e infelizes declarações sobre as famílias que procriam “como coelhos”. Abaixo segue a carta da Sra. Mónica C. Ars e no próximo post seguirá a carta da Sra. Patrícia Medina — com ambas concordo em gênero, número e grau. 

Meus filhos, fruto de uma tentação a Deus?

Mónica C. Ars 
"Adelante la Fe", 20-1-2015 
Tradução de Hélio Dias Viana 

Não sei se cada dia estou mais atônita, indignada, entristecida... Faz tempo que não sei como qualificar meu estado de ânimo. Mas o que sim, posso assegurar, é que ontem foi uma jornada negra, dessas que recordarei durante muito tempo. Jamais pensei que poderia chegar a sentir-me desprezada pelo Santo Padre, e, entretanto, foi assim. Que não era essa a sua intenção, creio que não. Mas que foi esse o resultado, sim, foi. 

Suponho que os leitores de Adelantelafe saberão a razão. Jamais escondi que sou mãe de cinco filhos maravilhosos. Sempre os considerei minha “coroa”, meus presentes de Deus, minhas bênçãos. Eu os tenho exibido com orgulho, não por considerá-los meus (pois não são), mas porque sempre os senti como presentes de Deus, confiados a nós (os pais) para os devolver algum dia. 

Entendi há tempo que os filhos não são fruto da decisão dos pais, mas de Deus. “Antes de que estivesses no ventre materno, eu já te conhecia”, assim diz o Senhor. Todos estivemos na mente de Deus desde a Eternidade, por isso nenhuma criança é um erro para Deus. O contrário do que nos quer convencer agora esta sociedade egoísta. Pode acontecer de um nascimento não se dar nas melhores circunstâncias, mas “erro”, jamais. “Deus sempre escreve certo com linhas tortas”, diz-se. 

Nós cristãos defendemos a vida como resultado da vontade de Deus. Por isso, defendemo-la quando aos olhos do mundo ela é indefensável: no caso de violações, no caso de malformações, no caso de perigo para a mãe durante a gravidez... Somos escândalo para o mundo porque, para nós, todo filho é uma bênção de Deus. 

Daí meu estupor quando ouvi as infelizes palavras do Santo Padre: “Há os que creem que para sermos bons católicos devemos ser – perdoem-me a expressão – como coelhos”. 

Santo Padre, era realmente necessária essa expressão? O senhor conhecia a carga significativa que ela tinha, de fato pediu perdão antes de usá-la. E eu me pergunto: ter muitos filhos é agir “como coelhos”? Pensamos que o Santo Padre quis dizer (já começo com interpretações) que os coelhos não têm vontade para engendrar, que simplesmente atuam segundo critérios da Natureza. Muito bem, talvez quis dizer isso. Mas não deixa de surpreender-me que o ato de conceber um filho se “animalizara” de tal forma. Porque a alma humana tem um valor infinito para Deus. E toda alma humana é única, de valor incalculável. Coelhos? Santo Padre, não. O mundo pensa isso, o cristão, não.

O cristão não deve fazer “filhos em série” – continuou [o Papa Francisco] ontem no avião. 

Que duras palavras! Uma coisa feita em série é algo que carece de valor, porque não é única. Supõe também uma automatização onde não intervém a vontade, a criatividade, o engenho humano; agir como robôs, sem consciência alguma do que está fazendo. “Filhos em série...”

Meus filhos foram feitos em série? Não são únicos para Deus? Dou menor valor ao primeiro pelo fato de ter tido mais? O quinto não é uma bênção de Deus? É um número de série?

Este tipo de expressões eu as ouvi demasiadas vezes na ONU, quando se defende o aborto. Começa-se por coisificar (animalizar) o ser humano e acaba-se defendendo o indefensável. 

Mas o Santo Padre continuou falando... e comenta que repreendeu uma mãe que estava grávida do oitavo filho, porque tinha sofrido sete cesarianas. “O que quer, deixar órfãos seus filhos? Isso é tentar a Deus!”. 

Santo Padre, o senhor sempre disse que o pastor precisa ter cheiro de ovelha. Tem que estar próximo delas, conhecê-las, sofrer com elas. Se fosse assim, jamais teria repreendido essa mãe. Eu sofri cinco cesarianas. E o mundo me crucificou. Muito. Mas, ao meu marido, ainda mais. 

Para o mundo, como sou cristã, perdi minha capacidade de decisão e atuo como uma autômata. Deixo-me simplesmente engravidar. E meus filhos, que aguentem! 

Santo Padre, que injusto! Tenho também que ouvi-lo do senhor? Meu pai espiritual? 

Meu marido e eu somos muito conscientes do que fazemos. Meus filhos, também. Cada gravidez que sofri a partir do terceiro, supôs um enorme susto para nós. Não sou um autômata incapaz de pensar. Oxalá fosse! O problema é que, para alguns casais, Deus tem vontade própria. Por mais que o senhor diga que conhece muitos métodos (de verdade?, não naturais?) para evitar uma gravidez, não são métodos infalíveis, menos ainda para alguns casais. 

Precisamente, se a Igreja permite os métodos naturais, é porque sempre se deixa a porta aberta para Deus. E... surpresa, surpresa (porque Deus sempre surpreende), por alguma “estranha” razão, Deus manda filhos a quem coloca sua confiança n’Ele. 

Meu quarto e meu quinto filhos não foram programados. Tampouco são filhos em série. E menos ainda foram fruto do nosso tentar a Deus. Ou sim? Escutamos os ensinamentos da Igreja e, apesar das ENORMES pressões que recebemos (inclusive dentro da própria Igreja) para usar métodos não naturais, apesar do perigo para a minha saúde, pusemos a nossa confiança n’Ele. Que passo mais terrível! Quão duro é!

Como se pode acusar um casal de querer deixar órfãos seus filhos? Eu mesma ouvi essa frase da boca de muita gente. E dói! Como pode [o senhor] acusar tão duramente essa mãe? Eu não quero deixar órfãos meus filhos! Ninguém quer! Mas... creio em Deus. Creio em sua vontade. E confio n’Ele. Inclusive às custas de minha própria vida. Não o disse o próprio Jesus: “Não há ninguém mais feliz do que quem da a vida por um amigo”? Por acaso isso não é transferível aos filhos?

Cada dia de minhas últimas gravidezes fui consciente de que podia ser o derradeiro. Meu marido, também. Não me subestime pensando que sou uma autômata submetida a uma religião sem fundamento. Se tivesse escutado essa mãe, teria ouvido a sua luta diária para continuar confiando em Deus. No duro que é. No difícil que é. Sobretudo num mundo onde é tão fácil ir a uma farmácia e solicitar um contraceptivo. Não necessitamos de sua recriminação (o mundo já no-la dá), necessitamos de seu apoio. Porque é uma decisão difícil, diária, que pesa. 


E sabe? Meu quarto filho nasceu em dezembro. No dia do parto eu havia me preparado. Tinha me confessado e ido à missa com meu marido. Quando me levaram de maca para a sala de partos, apareceu um coro de crianças. Tinham ido ao hospital cantar villancicos [músicas natalinas] para os pacientes. Fizeram um corredor e cantaram... Sim, cantaram! Depois, desceram até a sala de partos, e os médicos abriram as portas para que eu pudesse escutá-los. Meu filho nasceu às 12 (hora do Angelus) sob os cânticos “Nasceu Emanuel”. A enfermeira (que absolutamente não me conhecia), quando o colheu nos braços, emocionou-se e sussurrou ao meu ouvido: “Na verdade, este é um presente de Deus”. E estou de acordo com ela. Meu quinto filho também é de dezembro. E sabe? “Curiosamente”, também recebeu as canções das crianças. Eu sobrenaturalizei os meus partos. Maria esteve presente neles. Senti a comunhão dos Santos... Por favor, não lhes tire a sobrenaturalidade. O mundo já o faz. 

Maria tentou a Deus? Se tivesse escutado o mundo, Jesus não teria nascido. Mas depositou sua confiança em Deus. Confiou. Foi generosa. 

Finalmente, um apontamento. Meus filhos sabiam do perigo que eu corria. Nunca o escondi. Rezaram por mim e pelos seus irmãozinhos. E, neste verão, quando fomos a Lourdes para agradecer a Maria pelo parto sem incidentes, sabe o que meu filho mais velho pediu? Outro irmãozinho! 

Creio que uma criança pode nos ensinar muito. Meu filho ensinou-me generosidade. E valor. Santo Padre, escute as suas ovelhas, por favor, porque nos sentimos perdidas. Que queira ir atrás das que estão fora do redil, fenomenal!, mas não se esqueça das que estamos dentro. Talvez, agora mais do que nunca, estejamos necessitadas de um bom pastor.