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4 de maio de 2018

Sorbonne — assalto do igualitarismo comunista

Slogans contestatários pichados na fachada da capela da Universidade da Sorbonne (Paris). À dir.: “Comment penser librement à l'ombre d'une chapelle?” ("Como pensar livremente à sombra de uma capela?"). Ou seja, os libertários do Sorbonne queriam ficar livres dos ensinamentos da Santa Igreja, mas, claro, presos aos ensinamentos revolucionários. À esq.: “Ceux qui font les revolutions a moitie ne font que se creuser un tombeau” (“Aqueles que fazem revoluções pela metade, não fazem senão cavar o próprio túmulo”).

Dois meses após a explosão da Revolução da Sorbonne, Plinio Corrêa de Oliveira, numa conferência para sócios e cooperadores da TFP*, denunciou o igualitarismo como seu objetivo principal 




Plinio Corrêa de Oliveira 


Fachada da capela da Sorbonne 
(pichada com os slogans descritos na foto do topo). 
Esta imagem registra as estampas de Marx, Lenin 
e Mao Tsé-Tung que sorbonianos colaram nas colunas.
Podemos imaginar um mundo inteiramente igualitário, no qual tivesse desaparecido tudo que representa uma imagem de Deus para os homens; no qual tivesse cessado a submissão de qualquer homem a outro; e, como consequência, tivesse cessado até a ideia da submissão do homem a Deus. Nesse mundo igualitário, a comunismo teria triunfado. 

O jornalista Gilles Lapouge, em artigo publicado no “Estado de São Paulo” [16-7-68], afirmou que o movimento universitário da Sorbonne estava reduzido a cinzas. Mas por baixo das cinzas há brasas que preparam um novo incêndio, e em pouco tempo o tumulto universitário na França será mais intenso do que nunca. 


O movimento universitário da Sorbonne, nascido em maio último, é a ponta de lança do mais violento assalto contra o que resta de desigualdade. Na ordem civil, querem eliminar o direito de propriedade, estabelecer a igualdade entre patrão e empregado. No terreno universitário, querem suprimir as cátedras, estabelecer igualdade entre aluno e professor. E daí por diante, o igualitarismo em todas as esferas. É a tentativa de se chegar logo ao regime comunista. 

Esse igualitarismo que o movimento da Sorbonne quer estabelecer não se limita às funções humanas, é uma espécie de revolta e igualitarismo dentro do próprio homem. De acordo com a ordem normal das coisas, no homem a fé ilumina a inteligência; a inteligência governa a vontade; a inteligência e a vontade juntas dominam os instintos. O movimento universitário deseja implantar o contrário disso: o impulso do instinto arrastando a vontade, obnubilando a inteligência e proclamando a inutilidade da inteligência. Representa uma inversão de valores dentro do próprio homem. 


Na esfera religiosa, o caminho próprio para se obter o igualitarismo não é combater a Igreja, mas sim obter o apoio da Igreja para a obra de nivelamento. Enquanto ocorre essa rebelião na Sorbonne, na Igreja se implanta outro movimento sumamente sintomático. O Santo Padre, em decreto recente, acaba de despir os bispos de muitas das honras e insígnias que faziam deles príncipes da Igreja, portanto conduzindo-os ao nivelamento com as outras categorias de sacerdotes. Caminha para algo como a proclamação da forma de governo republicana dentro da Igreja Católica, segundo a qual todas as funções seriam eletivas, por meio de eleições em que participem o clero e o povo. 

Esse nivelamento acabaria com a monarquia papal, transformando o Papado e a Igreja numa vil e desbotada república. O Papa seria Pontífice durante certo número de anos, como um presidente no sistema republicano. Procura-se uma completa igualdade dentro da Igreja, ao mesmo tempo que se procura completa igualdade dentro da sociedade temporal. No dia em que o nivelamento estiver completo, desaparecerão as condições para que a Igreja exista, e ela teria cometido como que um suicídio, morrendo pelas próprias mãos. 

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* Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 16 de junho de 1968. Sem revisão do autor. Fonte: Revista Catolicismo, Nº 809, maio/2018.

22 de março de 2017

Lançamento da obra "Utopia igualitária"


Hélio Brambilla 

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira reuniu no dia 16 de março p.p. seleto público no auditório do Clube Homs, na Av. Paulista (SP), para conferência e lançamento do mais recente livro de Dr. Adolpho Lindenberg, Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana. 

No início da sessão, Dr. Eduardo de Barros Brotero [foto ao lado], diretor do Instituto, saudou o autor, lembrando que Dr. Adolpho não apenas conviveu, mas colaborou muito proximamente com seu primo Plinio Corrêa de Oliveira, tendo haurido dele preciosos conhecimentos e exemplos de vida.

Recordou também que Adolpho Lindenberg, com a construtora que leva seu nome, restaurou o estilo neoclássico na arquitetura, além do colonial para as residências em São Paulo, sabendo salientar o papel primordial das tendências na conduta dos seres humanos, imortalizando a grife Lindenberg em prédios de apartamentos que pontilham a capital paulista.

Por sua vez, Adolpho Lindenberg [foto abaixo] afirmou ser o decano naquele auditório, mas que procuraria contrastar com a suma atualidade de palestras curtas, rápidas e sintéticas. Passou em seguida a desenvolver o arcabouço doutrinário de seu recente livro, ilustrando com muitos fatos os erros do mundo moderno influenciado pela doutrina igualitária.

“Os homens são iguais?” — indagou o orador. E respondeu que no sentido de que são seres humanos dotados de corpo e alma, inteligência, vontade, sensibilidade e com direitos essenciais, como a vida, o acesso à cultura e à dignidade, todos são iguais. Mas no que tange à inteligência, aos dotes artísticos, à força física, à capacidade de iniciativa etc., eles são profundamente desiguais e nisso reside a beleza da criação de Deus.

Exemplificou com o caleidoscópio, cuja diversidade de cores e refrações encanta não apenas crianças, mas também adultos. Assim, mostrou que o conjunto das diversidades e qualidades individuais forma a maravilha mais bela do Universo. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem detém em si o resumo de toda a criação.

Dr. Adolpho demonstrou como a mentalidade revolucionária tenta igualar tudo, até mesmo a indisfarçável verdade de que o gênero humano comporta dois sexos distintos com inúmeras diferenças. Isso não obstante, a propaganda tende a difundir que todos são iguais em todos os aspectos.

Tal igualitarismo, segundo ele, se manifesta também nas modas, que vão padronizando os trajes e caminhando para uma moda unissex, como certas confecções à base de jeans, que alcançam seu “auge de modernidade” quando exibidas rasgadas e desbotadas. Citou vários exemplos de como o igualitarismo causa o aviltamento da dignidade humana, lembrado no título de seu livro.

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança [foto ao lado] pronunciou as palavras de encerramento do evento. Discorreu ele sobre a oportunidade do livro que estava sendo lançado, e afirmou que se podia sentir no horizonte a adesão, sobretudo nos jovens, aos ideais anti-igualitários da Cristandade.

No final foram sorteados alguns exemplares do livro [fotos abaixo]. Em seguida, todos participaram de um animado coquetel, enquanto o Dr. Adolpho Lindenberg concedia autógrafos [fotos abaixo] aos numerosos participantes que adquiriram a obra.


Click na foto para percorrer a "galeria" de imagens























6 de março de 2017

CONVITE

Palestra: 

UTOPIA IGUALITÁRIA — Aviltamento da dignidade humana 


Adolpho Lindenberg irá expor em sua conferência no Club Homs, no próximo dia 16 (quinta-feira), que a ditadura do igualitarismo constitui violento atentado à ordem natural das coisas e discorrerá a respeito do papel e da extensão da utopia igualitária moderna, na vida do homem do século XXI. 

O expositor — que é presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, Arquiteto, Fundador da Construtora Adolpho Lindenberg — demonstrará que a hierarquia social não é uma “cascata de desprezos”, mas sim um fator de harmonia e concórdia entre classes sociais distintas. 

A manifestação de superioridade de um homem em relação a outro é sempre chocante, ofensiva, revoltante? A superioridade gera necessariamente uma opressão do superior sobre o inferior, como afirmam os marxistas? A libertação desse jugo não requer a eliminação progressiva de todas as superioridades? 

Os contrastes entre os muito ricos e os muito pobres não são de molde a nos afrontar e despertar vontade de alterar o atual establishment? Não somos todos filhos de Deus, não partilhamos da mesma natureza, não temos os mesmos direitos? Deus, que é Pai e é bom, amando todos os seus filhos, pode aprovar a existência de desigualdades de classes, de fortuna, de saúde, e tantas outras? O aforismo segundo o qual se dois seres forem totalmente iguais um deles é supérfluo, é verdadeiro ou falso? 

Tais perguntas — que ouvimos com frequência e indicam o quanto a utopia igualitária influencia a mentalidade do homem moderno — serão respondidas por Adolpho Lindenberg, que recentemente lançou a obra com o título em epígrafe. Ele sustenta que a ditadura do igualitarismo constitui um violento atentado contra a liberdade e a própria dignidade da pessoa humana.

Para se inscrever, gratuitamente, a fim de assistir tal conferência, click no seguinte link: 





Data:   16 de março de 2017
Horário:   19h
Local:   Clube Homs (Av. Paulista, 735)
São Paulo – Capital






9 de outubro de 2016

A verdade sobre a “guerra dos banheiros”

Mais uma loucura do mundo "moderno". Atualmente gerando grandes polêmicas nos EUA e logo mais no Brasil também! Tudo dentro do projeto da "Revolução Cultural" que visa perverter crianças, jovens e adultos e, assim, mais rapidamente destruir a instituição familiar.

John Horvat II (*) 

A assim-chamada "guerra dos banheiros" nada tem a ver com banheiros, mas tudo a ver com guerra. O movimento para permitir que as pessoas usem o banheiro de sua escolha nada mais é do que a fase mais recente da revolução sexual. Trata-se de uma guerra implacável para impor uma igualdade irracional que procura agora destruir as últimas barreiras que distinguem os sexos. 


Vejamos as coisas como são. Uma vez que qualquer um possa usar o banheiro em que ele ou ela se sinta mais à vontade, os avisos na porta, “Homens” / “Mulheres”, perdem qualquer sentido. De acordo com a estranha lógica dos "guerreiros de banheiro", ou se constrói banheiros iguais para qualquer “gênero” que apareça por aí (e já há cerca de 60 deles...) — ou todos devem ser integrados em um (ou dois) banheiros que possam utilizar indiscriminadamente. Obviamente, esta última solução é a única economicamente viável.

Assim, não se trata simplesmente de fazer com que as pessoas se sintam à vontade; o que se vê é o começo do fim da separação, por sexo, de banheiros, vestiários e outros lugares privados. É uma verdadeira mudança cultural que transforma o próprio sexo biológico, de realidade social e pública em mera opinião pessoal, capricho ou fantasia.

As assim-chamadas "guerras de banheiro" não são apenas sobre predadores sexuais, como muitos argumentam. Sempre haverá os que aproveitarão as novas regras sanitárias para encurralar e agredir suas vítimas. No entanto, a verdadeira finalidade é remover os últimos vestígios de modéstia, decência e vergonha que ainda restam na sociedade. Remove-se agora este forte muro de proteção, tanto para homens como para mulheres, em seus momentos mais privados. 

A virtude da modéstia faz parte de uma estrutura moral que serve como freio das paixões humanas menos violentas. A modéstia governa as ações exteriores para que estejam em conformidade com as exigências de decência e decoro, derivadas da natureza humana e dos costumes sociais. O vestuário, o modo de falar, e o relacionamento entre os sexos se conjugam neste quadro para manter uma sociedade equilibrada e virtuosa. Quando a decência natural e a modéstia não são respeitadas, a natureza humana perde sua dignidade, sendo facilmente degradada a um nível animalesco. 


Assim, não é nenhuma surpresa que no mundo super sexualizado e violento de hoje haja pessoas que peçam o fim de toda e qualquer restrição ou tabu. Seu alvo último seria a modéstia, este senso natural e delicado pelo qual uma pessoa refreia todo o ato que lhe traria vergonha. Tudo aquilo que protege a tão necessária castidade deve ser destruído. 

Desse modo, ao contrário do que diz propaganda, a separação dos sexos não se destina a incomodar as pessoas. Nunca houve nem haverá polícia verificando identidades reais ou imaginárias em cada porta de banheiro. Esta separação se destina, sobretudo, a honrar e preservar essas normas consagradas de longa data que permitem que a sociedade funcione e protegem a dignidade individual.

Finalmente, as tais "guerras de banheiro" nada têm nada a ver com a realidade e nada mais fazem do que alimentar as fantasias dos que desejam escapar dos restritos limites da identidade e da razão.

Este novo ativismo envolve a capacitação da fantasia, que por definição é o poder ou processo de criação de imagens mentais irrealistas ou improváveis respondendo aos estímulos de caprichos psicológicos. Em tempos passados, pessoas com essas fantasias eram chamadas a “cair na real”, acordando para a realidade que se encontra na sociedade e na natureza. Hoje, a sociedade como um todo está sendo solicitada a ser conivente e a aprovar as fantasias antinaturais de alguns poucos.

Sem sombra de dúvida, a "guerra dos banheiros" nada tem a ver com banheiros, mas tudo a ver com guerra. É uma nova fase da Guerra Cultural. Aqueles que pensavam que a guerra terminou quando se renderam ao “casamento” homossexual, acabarão por ver que este foi apenas um começo.

Esta nova fase é uma extensão e radicalização daquilo que veio antes. A diferença está em que a fase anterior destruiu estruturas externas — tradição, costumes ou valores comunitários que atrapalhavam auto-satisfação e prazer. A nova fase visa destruir as estruturas internas — razão, identidade e sentido do ser — que atrapalham o exercício do “direito” ao prazer imediato. 

Em sua velha fase, a Guerra Cultural ainda funcionava dentro das estruturas sociais que destruiu, e assim oferecia maior possibilidade para que as pessoas resistissem. A nova fase ataca o próprio cerne do ser e a identidade pessoal. Ela é mais tirânica e não permite oposição. Qualquer um que discorde é imediatamente e furiosamente agredido, seja ele um indivíduo, uma empresa, ou até mesmo um estado. A haver um retorno à ordem, a sociedade deverá reconhecer esta nova fase como realmente é. Não se trata de uma frívola guerra de banheiros, mas de uma guerra cultural tão completa que se estende até mesmo ao uso de banheiros.
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(*) Transcrito da "Cruzade Magazine" (Tradução de José Aloisio Aranha Schelini).

17 de junho de 2016

A “Igreja pobre” do Vaticano II ao Papa Francisco


Roberto de Mattei

Segundo a opinião dominante dos teólogos, os documentos do Papa Francisco constituem meras indicações genéricas, de caráter pastoral e moral, destituídas de qualidade magisterial significativa. Esta é uma das razões pelas quais esses documentos são discutidos mais livremente do que acontecia antigamente com os textos pontifícios.

Entre as análises mais penetrantes dos textos do atual Pontífice, assinala-se o estudo de um filósofo da Universidade de Perugia, Flavio Cuniberto [foto acima], intitulado Senhora Pobreza. O Papa Francisco e a refundação do cristianismo (Blacks Pozza, Vicenza 2016), dedicado particularmente às encíclicas Evangelii Gaudium (2013) e Laudato sì (2015). O exame ao qual o Prof. Cuniberto submete os textos é o do estudioso que procura compreender suas teses de fundo, muitas vezes escondidas numa linguagem deliberadamente ambígua e elíptica. Sobre o tema da pobreza, Cuniberto traz à luz duas contradições: a primeira de natureza teológico-doutrinária, e a segunda de caráter prático. 

Em relação ao primeiro ponto, teológico-doutrinário, ele observa que o Papa Francisco, em contraste com o que pode ser deduzido a partir do Evangelho, faz da pobreza uma condição mais material do que espiritual, para transformá-la assim em uma categoria sociológica. Esta exegese transparece, por exemplo, na escolha em citar, para o sermão das bem-aventuranças, o evangelho de Lucas (6, 20), e não o relato mais preciso de São Mateus (5, 3), que usa o termo “pauperes spiritu”, ou seja, aqueles que vivem humildemente diante de Deus. 

Mas, para o Pontífice, a pobreza parece ser ao mesmo tempo um mal e um bem. Com efeito, observa Cuniberto, “se a pobreza como miséria material, exclusão, abandono, é indicada desde o início como um mal a ser combatido, para não dizer o mal dos males, e é, portanto, o objetivo principal da atividade missionária”, o novo significado cristológico que lhe atribui Francisco “faz dela simultaneamente um valor e, de fato, o valor supremo e exemplar”. Trata-se, sublinha o filósofo de Perugia, de um emaranhado complicado. “Por que combater a pobreza e erradicá-la quando ela é, pelo contrário, um ‘tesouro precioso’, e mesmo o caminho para o Reino? Inimigo a combater ou tesouro?” (pp. 25-26). 
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O segundo ponto, de caráter prático, refere-se às “causas estruturais” da pobreza. Supondo que esta seja um mal radical, o Papa Bergoglio parece individuar sua causa essencial na “desigualdade”. A solução indicada para erradicar esse mal seria aquela marxista e terceiro-mundista da redistribuição da riqueza: tirar dos ricos e dar aos pobres. Uma redistribuição igualitária que passaria por uma maior globalização dos recursos, não mais restrita às minorias ocidentais, mas estendida a todo o mundo. Mas na base da globalização está a lógica do lucro, que é criticada de um lado e propiciada de outro como uma forma de vencer a pobreza. O supercapitalismo, de fato, para se alimentar, necessita de um público de consumidores cada vez mais extenso, mas essa extensão do bem-estar em grande escala acaba alimentando as desigualdades que se desejaria eliminar. 

O livro do Prof. Cuniberto merece ser lido juntamente com o de um estudioso napolitano, o sacerdote Beniamino Di Martino, intitulado Pobreza e riqueza. Exegese dos textos evangélicos (Editrice Dominicana Italiana, Nápoles 2013). O livro é muito técnico e o Pe. Di Martino desmonta, através de uma análise rigorosa dos textos, as teses fundamentais de certa teologia pauperista. A fórmula “contra a cupidez, não contra a riqueza”, resume, segundo o autor, o verdadeiro ensinamento dos Evangelhos. 

Mas, pergunto eu, de onde provém essa confusão teológica, exegética e moral, entre pobreza espiritual e pobreza material? Não se pode ignorar o chamado “Pacto das Catacumbas”, assinado em 16 de novembro de 1965, nas Catacumbas de Domitila em Roma, por quarenta e cinco Padres conciliares que estavam tentando viver e lutar por uma Igreja pobre e igualitária. 

O grupo tinha entre seus fundadores o padre Paul Gauthier (1914-2002), que havia participado da experiência dos “Padres operários” do cardeal Suhard, condenada pela Santa Sé em 1953. Depois, com o apoio do bispo Dom Georges Hakim, do qual foi teólogo no Concílio, ele fundou na Palestina a família religiosa de Os companheiros e as companheiras de Jesus carpinteiro. Gauthier era auxiliado em Roma por sua companheira de luta Marie-Thérèse Lacaze, que se tornou sua mulher quando ele deixou o sacerdócio. 

Entre os que apoiaram o movimento estavam Dom Charles M. Himmer, bispo de Tournai (Bélgica), que acolhia suas reuniões no Colégio Belga de Roma; Dom Helder Câmara, que ainda era bispo-auxiliar do Rio e depois se tornou arcebispo de Recife; e o cardeal Pierre M. Gerlier, arcebispo de Lyon, em estreito contato com o cardeal Giacomo Lercaro, arcebispo de Bolonha, que se fazia representar pelo seu conselheiro Pe. Giuseppe Dossetti e pelo seu bispo auxiliar Dom Luigi Bettazzi (cfr. O Pacto das Catacumbas. A missão dos pobres na Igreja, por Xabier Pizaka e José Antunes da Silva, Edições Missionárias Italianas 2015).

Dom Bettazzi, o único bispo italiano participante do Vaticano II ainda vivo, também foi o único italiano a aderir ao “Pacto das Catacumbas”. Atualmente com 93 anos, ele participou de três sessões do Concílio Vaticano II e foi bispo de Ivrea de 1966 a 1999, quando renunciou por motivos de idade.

Se Dom Helder Câmara foi o “arcebispo vermelho” brasileiro, Dom Bettazzi entrou para a história como o “bispo vermelho” italiano. Em julho de 1976, quando parecia que o comunismo poderia tomar o poder na Itália, Dom Bettazzi escreveu uma carta ao então secretário do Partido Comunista Italiano, Enrico Berlinguer, ao qual reconhecia a intenção de realizar “uma experiência original de comunismo, diferente dos comunismos de outras nações”, e lhe pedia para “não hostilizar a Igreja”, mas, ao contrário, “estimular nela uma evolução segundo as exigências dos tempos e as expectativas dos homens, sobretudo dos mais pobres, que porventura o senhor poderá ou saberá mais apropriadamente interpretar”. O líder do PCI respondeu ao bispo de Ivrea através da carta Comunistas e católicos: clareza de princípios e bases de entendimento, publicada em “Renascita” de 14 de outubro de 1977. 

Nessa carta, Berlinguer negou que o PCI professasse explicitamente a ideologia marxista como filosofia materialista ateia, e confirmou a possibilidade de um encontro entre cristãos e comunistas no plano da “des-ideologização”. Não se trata de pensarem do mesmo jeito, mas de juntos fazerem o mesmo caminho — afirmava Berlinguer em substância —, na convicção de que não se é marxista no pensamento, mas se torna na prática. 

O primado marxista da praxis penetrou na Igreja de hoje sob a forma de absorção da doutrina pela pastoral. E a Igreja corre o risco de tornar-se marxista na prática também falseando o conceito teológico de pobreza. 

A pobreza autêntica é o desprendimento dos bens da Terra, de modo que eles sirvam para a salvação da alma, e não para a sua perdição. Todos os cristãos devem ser desapegados dos bens, porque o Reino do Céu é reservado aos “pobres de espírito”, e alguns deles são até chamados a viver uma pobreza efetiva, renunciando à posse e ao uso dos bens materiais. Mas esta escolha tem valor pelo fato de ser livre, e não imposta por outrem, como nos regimes coletivistas. 

Desde os primeiros séculos, as seitas heréticas pretenderam, pelo contrário, impor a comunhão dos bens, a fim de consumar nesta Terra uma utopia igualitária. Na mesma linha coloca-se hoje quem quiser substituir a categoria religiosa dos pobres em espírito pela categoria sociológica dos materialmente pobres.

Dom Luigi Bettazzi, autor do livro A Igreja dos pobres do Concílio ao Papa Francisco (Pazzini 2014) recebeu, em 4 de abril de 2016, a cidadania honorária de Bolonha e poderia receber a púrpura do Papa Francisco, sob cujo pontificado, de acordo com o mesmo ex-bispo de Ivrea, desenvolveu-se o Pacto das Catacumbas “como uma semente de trigo colocada sob a terra e crescida lentamente para dar seus frutos”.

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(*) Fonte: “Corrispondenza Romana”, 15-6-2016. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.

19 de junho de 2015

Por que a Ideologia de Gênero deve ser rejeitada


Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

A criação de um “homem novo” foi almejada pelas ideologias marxista e nazista, no século passado. Uma nova tentativa da Revolução Cultural renasce agora sob a nefasta Ideologia de Gênero, que visa modificar nossa concepção sobre homem e mulher, não pela violência das armas, mas através de uma guerra cultural, cujos tanques visam esmagar a instituição familiar. 

Nas últimas décadas, a sociedade tornou-se vítima de uma revolução sexual promovida por uma aliança de poderosas organizações, forças políticas e meios de comunicação, a qual atenta contra a própria existência da família como célula básica da sociedade. Para tal, os militantes da Ideologia de Gênero tentam implantar no ensino básico suas teorias para deformar desde a mais tenra infância a cabeça de nossos filhos e netos. 


Ideologia de Gênero, feminismo, movimento homossexual e Transsexualidade 

Segundo essa teoria, o sexo de uma pessoa não seria determinado pelo seu componente biológico e genético, mas sim pelo modo como ela se considera a si mesma. Nós nasceríamos sem sexualidade psicológica definida. A diferenciação sexual do corpo seria apenas um acidente anatômico que “convencionalmente” é tido como masculino ou feminino. Ou seja, nossa “suposta” identidade sexual é, para tal teoria, uma mera imposição do ambiente em que fomos educados.

O conceito ‘papel sexual’ foi introduzido pelo psiquiatra americano, John Money, em 1955, para distinguir a identidade sexual biológica do papel social que o indivíduo escolheu representar. Duas correntes desenvolveram essa terminologia: a corrente feminista e a corrente homossexual. Através dessa teoria pretende-se desconstruir a identidade masculina e feminina. 

A feminista Simone Beauvoir afirmava que ninguém nasce mulher, mas se torna mulher; e que o objetivo final do movimento feminista não consiste na eliminação dos privilégios da “classe” opressora — a “classe” masculina —, mas da própria diferenciação entre os sexos. Tal ideologia ajudou enormemente o progresso do movimento homossexual, que tende a “normalizar” a pretensa mudança de sexos. Pois se o “gênero sexual” é fruto de uma “escolha”, de “orientação” assumida por uma pessoa, então por que não adaptar o próprio corpo para assemelhá-lo à do sexo escolhido? 


Ideologia contraria a natureza humana 

“É impossível fisiologicamente mudar o sexo de uma pessoa, uma vez que o sexo de cada um está codificado em seus genes—XX para a mulher, XY para o homem”, explicam os cientistas Richard P. Fitzgibbons, M.D., Philip M. Sutton, Ph.D., e Dale O’Leary em documentado estudo. “A cirurgia pode somente criar uma aparência do outro sexo”, pois a identidade sexual “está escrita em cada célula do corpo e pode ser determinada por meio do teste do DNA, não podendo ser mudada”. [The Psychopathology of “Sex Reassignment” Surgery Assessing Its Medical, Psychological, and Ethical Appropriateness, The National Catholic Bioethics Center].


Ideologia contraria a Lei divina 

A impossibilidade de mudar o sexo com que se nasceu não contraria somente a realidade biológica; ela vai, sobretudo, contra a vontade de Deus. Ninguém nasce homem ou mulher por mero acaso, mas em virtude dos inescrutáveis desígnios da Divina Providência, conforme o texto do profeta Jeremias: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia” (Jer. 1:5).

Ir contra os desígnios divinos é um ato de revolta contra o Criador: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a” (Gen. 1:27-28). 

Assim, em relação a pessoas afligidas por problemas de confusão em relação ao próprio sexo, a caridade cristã impõe que se as ajude, com respeito e compaixão, não para aumentar-lhes a confusão em que se encontram, ou dar-lhes uma falsa solução cirúrgica, mas para auxiliá-las a sair da mesma. A caridade “se rejubila com a verdade” diz São Paulo (1 Cor. 13:6) e, portanto, a misericórdia nunca pode se contrapor à verdade, pois somente a verdade é que liberta (Jo 8:32).


“Transsexualidade” e suicídio 

O diário francês “Le Figaro” reconheceu, em sua edição de 31/1/2014, o fracasso da primeira tentativa de comprovação da Ideologia de Gênero, que culminou com o suicídio do jovem [foto] Bruce- Brenda-Davi (seus três nomes, como homem, mulher e homem!). 

As ideias do prof. John Money, que definiu o “gênero masculino ou feminino” como uma conduta sexual que escolhemos adotar, a despeito de nosso sexo de nascença, foi testada, em primeiro lugar, em Bruce, um menino canadense. Ele foi submetido a uma cirurgia de mudança de sexo e desde os oito meses (sic!) passou a se chamar Brenda. Doravante, uma menina, a “Brenda”, usava saias e brincava com bonecas. Na adolescência passou a ter uma conduta masculina, o que obrigou os pais a lhe contar a verdade. Cirurgicamente, ele voltou a ser homem, passou a chamar-se Davi — terceiro nome em sua existência — e se casou aos 24 anos. Entretanto, o trauma das mudanças de sexo causou um descompasso em sua vida, e ele suicidou-se.

Segundo o diário irlandês "Irish Times" (2/12/2013), 78% de “transgêneros” pensaram em se suicidar e 44% tentaram-no pelo menos uma vez, revelou um estudo sobre saúde mental encomendado à “Transgender Equality Network” pela comunidade “trans” da Irlanda. Entre as causas das tendências suicidas apontadas pelo trabalho irlandês figura o “estresse extremo” ligado ao fato de o indivíduo ostentar um sexo que não é o natural. 


A nova religião ateia e a perseguição religiosa 

Sob pretexto de que vivemos em um Estado laico, a Ideologia de Gênero pode vir a se tornar o pior gênero de perseguição religiosa, pois trata-se de uma perversão compulsória das mentes, desde a mais tenra infância! E ai de quem se opuser! Será vítima da fúria dessa nova religião, como já acontece hoje, por exemplo, na Alemanha, onde pais são presos por impedir seus filhos de assistir às aulas sobre o gênero! 

Sim, os que hoje defendem a agenda do movimento homossexual estão a serviço – conscientemente ou não – de uma nova religião de fato: 
Sua doutrina: a Ideologia de Gênero;
Seu culto: a idolatria do igualitarismo mais radical e completo e da libertinagem mais desenfreada;
Seus sacerdotes: líderes do movimento homossexual
Seus acólitos: a grande mídia em geral e setores do governo e – dói-nos dizê-lo – ativistas infiltrados até na Igreja Católica!
Sua “inquisição”: as várias leis de “anti-homofobia”, que ameaçam os mais pacíficos e ordeiros pais de família e religiosos.
Sua “excomunhão”: o epíteto vago e terrível de “homofóbicos” lançado contra os que se opõem à Ideologia de Gênero.
A essa “religião” falta um “catecismo”: para supri-lo, tenta-se impor o ensino da Ideologia de Gênero nas escolas fundamentais de todo o país. 
Rejeitamos, de maneira ordeira e legal, mas firme, essa funesta iniciativa da agenda homossexual. Pois a vitória da Ideologia de Gênero significaria o incentivo de toda perversão sexual (incluindo o incesto e a pedofilia), a incriminação de qualquer oposição contra ela, a perda do controle dos pais sobre a educação dos filhos e a extinção da própria instituição familiar, célula básica da sociedade.

12 de junho de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO MARXISTA E ESTÚPIDA


Mulheres redescobrem a maternidade 
(contrariando a ideologia de gênero) 

Pe. Carlos Lodi da Cruz

“Contra a natureza todos os esforços são vãos”[1]. Assim dizia Leão XIII em 1891 referindo-se ao socialismo e sua pretensão de nivelar todos os homens, desprezando suas diferenças naturais. 

O mesmo se pode dizer hoje da ideologia de gênero, que pretende nivelar homens e mulheres, negando que sejam naturalmente diferentes.

Percebem-se, aqui e ali, algumas mulheres que, depois de doutrinadas a rejeitar os filhos e o ambiente doméstico, a competir com os homens e a disputar com eles o mercado de trabalho, finalmente descobrem que a maternidade é sua vocação e que o lar é o seu lugar privilegiado.


Um exemplo disso encontramos em Maria Mariana Plonczynski de Oliveira [foto], autora de “Confissões de mãe” (Ed. Agir, 2009). Deixando a fama que lhe dava a televisão e o teatro, decidiu “ter filhos e cuidar deles”. Acerca do dogma feminista da igualdade entre os sexos, ela afirma: 

“Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme”[2]. 

Para as jovens, ela tem o seguinte recado:

"Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza — sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro”[3].


Outro exemplo é a jornalista e escritora italiana Costanza Miriano [foto], católica, mãe de quatro filhos e autora de “Sposati e sii sottomessa” (Casa-te e sê submissa). Publicado em 2011, o livro dedicado às suas amigas tornou-se um best-seller e já foi traduzido em língua espanhola. No ano seguinte, publicou “Sposala e muori per lei” (Casa-te e morre por ela), dedicado desta vez aos homens. O pano de fundo de ambos os livros é o seguinte trecho da carta de São Paulo aos efésios: 

"Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres estejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é a cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja e o salvador do Corpo. Como a Igreja está sujeita a Cristo, estejam as mulheres em tudo sujeitas aos seus maridos. 

E vós, maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5,21-27). 

Em seu blog, Costanza explica o sentido da “submissão”: 

“Quando falamos — em voz baixa para evitar o linchamento — de submissão, devemos sair da linguagem do mundo, que lê tudo na ótica do domínio, do poder. O nosso Rei está na cruz, mas assim venceu o único inimigo invencível, a morte. Também nós, portanto, devemos sair da lógica do poder, invertê-la completamente. Antes de tudo porque a submissão não vem da depreciação, não se escolhe [a submissão] porque se pensa não ter valor. Depois, porque o fruto da escolha da mulher é o fato de que o homem estará pronto a morrer por ela.

Quando São Paulo diz às mulheres que aceitem estar embaixo, não pensa de modo algum de sejam inferiores. Antes, é ao cristianismo que devemos a primeira verdadeira grande revalorização das mulheres... A submissão de que fala Paulo é um presente, livre como qualquer presente, senão seria uma taxa. É um presente espontâneo de si, feito por amor”[4]. 

Um terceiro exemplo encontramos em Mary Pride, estadunidense, mãe
de nove filhos, ex-feminista radical e autora do livro “De volta ao lar” [foto]: 

“Com tudo o que andam falando sobre liberação hoje em dia, as mulheres não estão conseguindo perceber que a esposa que trabalha no lar é a única mulher que realmente tem liberdade! Ela é sua própria chefe durante as mesmas nove ou dez horas do dia em que outras mulheres estão fazendo o que seus superiores ordenam. Ela pode organizar seus próprios horários, tomar conta de seu próprio orçamento e se vestir como quer, sem ter de cumprir normas de empresas. A esposa que trabalha no lar tem, até certo ponto, liberdade para fazer o que deseja, ao passo que a esposa que trabalha fora mal consegue ler um livro durante as horas de trabalho. Em vez do ambiente frio e formal do escritório, a trabalhadora do lar serve seus ‘clientes’ diretamente, e diariamente ela recebe tangíveis recompensas por seu trabalho (‘Humm! Este bolo está delicioso, mamãe!’). 

Todos os esforços para promover a liberação da mulher estão estabelecendo uma nova forma de escravidão — a esposa reprimida”[5].

As grandes mestras do feminismo estavam conscientes de que as mulheres, deixadas a si mesmas, prefeririam ficar no lar e cuidar dos filhos. Pensando nisso, assim escreveu Simone de Beauvoir (mulher de Jean Paul Sartre, filósofo francês ateu) a sua amiga Betty Friedan:

“Pensamos que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela“[6]. 

Algumas profissões extradomésticas são tradicionalmente ocupadas por mulheres. Ao falarmos, por exemplo, na professora primária ou na enfermeira, instintivamente usamos o feminino. Tais profissões (magistério infantil, enfermagem) constituem uma extensão da função materna de acolher. De fato, a mãe é a primeira educadora dos filhos e a primeira a cuidar de suas doenças. No entanto, o lugar privilegiado — e insubstituível — da mulher é o lar.

Se as mulheres resolverem sair em massa dos lares para o mercado de trabalho, ocorrerão duas coisas: 1º) Elas desejarão não ter filhos ou ter poucos filhos, o que causará uma queda da taxa de fecundidade da população; 2º) Elas disputarão com os homens (que precisam sustentar suas famílias) as vagas de emprego, o que causará um aumento da taxa de desemprego[7].

Para concluir... e refletir 


O cineasta Aaron Russo (†2007) [foto], entrevistado por Alex Jones, contou uma conversa que teve com seu antigo amigo Nicholas Rockefeller (ou Nick). Este lhe perguntou: “O que você pensa que é a liberação das mulheres?”. Aaron respondeu: “As mulheres têm o direito de trabalhar e ganhar tanto quanto os homens, exatamente como ganharam o direito de votar”.

Nick começou a rir e disse: “Você é idiota”. Aaron perguntou: 

“Por que eu sou idiota”? Nick respondeu:

"Nós, os Rockefeller, é que começamos esse movimento. Nós fundamos a liberação da mulher. Nós temos todos os jornais e TVs, a Fundação Rockefeller... Quer saber por quê? Há duas razões básicas. Uma delas é que não poderíamos taxar metade da população antes da liberação da mulher. A segunda razão é que agora temos as crianças nas escolas em idade mais jovem. Podemos doutrinar as crianças como pensar. Assim, isso quebra a família. As crianças começam a olhar o Estado como a família. A escola, os funcionários como sua família... não os pais ensinando a eles”[8]. 


Anápolis, 10 de junho de 2015. 
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz 
Presidente do Pró-Vida de Anápolis 
_______________ 
Notas:
[1] LEÃO XIII, Rerum novarum, n. 26. 
[2] MENDONÇA, Marta. Maria Mariana – “Deus quer o homem no leme”. Época, 9 maio 2009, em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI71872-15228,00-MARIA+MARIANA+DEUS+QUER+O+HOMEM+NO+LEME.html 
[3] Ibidem. 
[4] http://costanzamiriano.com/la-sottomissione/ 
[5] PRIDE, Mary. De volta ao lar: do feminismo à realidade. Ourinhos: Edições Cristãs, 2006, p. 236. [6] Citado por SOMMERS, Christina Hoff. Who Stole Feminism?, Simon & Shuster, New York, 1994, p.257. [7] Cf. Jorge SCALA. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis, Múltipla, 2004, p. 77. 
[8] Reflections and Warnings: An Interview with Aaron Russo, 2009 in: https://www.youtube.com/watch?v=8WNO3FMUuwA. Uma transcrição completa (em inglês) encontra-se em: https://sites.google.com/site/themattprather/Reading/aaron-russo/reflections-and-warnings-full-transcript

23 de março de 2014

“Ideologia de Gênero” conduz a aberrações morais

Mentes doentias pretendem perverter nossas crianças com o ensinamento da “Ideologia de Gênero”, impondo-a na marra e desde os bancos escolares 
A absurda “Ideologia de Gênero” surgiu nos Estados Unidos dos anos 70, mas atualmente seus “ideólogos” tentam impô-la na marra no Brasil, incluindo-a no “Plano Nacional de Educação”, que está em pauta no Congresso Nacional (Projeto de Lei 8035/2010). 

Vejo nos ditos "ideólogos de gênero" conspiradores de uma Revolução igualitária que visa subverter a sacral Ordem estabelecida por Deus na Criação. Na pregação da bizarra "ideologia de gênero" — como a defesa de práticas sexuais contrárias à natureza humana — nota-se o ódio diabólico contra o Criador, a inocência das crianças, o sacramento do matrimônio, a instituição da família, as sapienciais desigualdades naturais entre os sexos, enfim contra a moral católica. 

Neste sentido, julguei muito oportuna uma recente matéria de autoria do Revmo. Padre Lodi que abaixo transcrevo para conhecimento de nossos leitores. 

O perigo do “gênero” em educação 

(Plano Nacional de Educação deseja incluir a ideologia de gênero)

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

A ideologia de “gênero” prega, em matéria sexual, a “liberdade” e a “igualdade”. A “liberdade”, porém, é entendida como o direito de praticar os atos mais abomináveis. E a “igualdade” é vista como a massificação do ser humano, de modo a nivelar todas as diferenças naturais que existem entre o homem e a mulher.

A origem da ideologia de gênero é marxista. Para Marx, o motor da história é a luta de classes. E a primeira luta ocorre no seio da família. Em seu livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), Engels escreveu:
Em um velho manuscrito não publicado, escrito por Marx e por mim em 1846, encontro as palavras: ‘A primeira divisão de trabalho é aquela entre homem e mulher para a propagação dos filhos’. E hoje posso acrescentar: A primeira oposição de classe que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher unidos em matrimônio monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo sexo masculino[1]. 
Dentro da família, há uma segunda opressão — a dos filhos pelos pais — que Marx e Engels, no Manifesto Comunista (1848), pretendem abolir: “Censurai-nos por querer abolir a exploração das crianças por seus próprios pais? Confessamos esse crime”[2].

Fiel à sua raiz marxista, a ideologia de gênero pretende que, em educação, os pais não tenham nenhum controle sobre os filhos. Nas escolas, as crianças aprenderão que não há uma identidade masculina nem uma feminina, que homem e mulher não são complementares, que não há uma vocação própria para cada um dos sexos e, finalmente, que tudo é permitido em termos de prática sexual.

Note-se que a doutrina marxista não se contenta com melhorias para a classe proletária. Ela considera injusta a simples existência de classes. Após a revolução proletária não haverá mais o “proletário” nem o “burguês”. A felicidade virá em uma sociedade sem classes — o comunismo — onde tudo será de todos.

De modo análogo, a feminista radical Shulamith Firestone (1945-2012), em seu livro A dialética do sexo (1970), não se contenta em acabar com os privilégios dos homens em relação às mulheres, mas com a própria distinção entre os sexos. O fato de haver “homens” e “mulheres” é, por si só, inadmissível.
Como a meta da revolução socialista foi não somente a eliminação do privilégio da classe econômica, mas a eliminação da própria classe econômica, assim a meta da revolução feminista deve ser não apenas a eliminação do privilégio masculino, mas a eliminação da própria distinção de sexo; as diferenças genitais entre seres humanos não importariam mais culturalmente[3]. 
Se os sexos estão destinados a desaparecer, deverão desaparecer também todas as proibições sexuais, como a do incesto e a da pedofilia. Diz Firestone:
O tabu do incesto é necessário agora apenas para preservar a família; então, se nós acabarmos com a família, na verdade acabaremos com as repressões que moldam a sexualidade em formas específicas[4]. 
Os tabus do sexo entre adulto/criança e do sexo homossexual desapareceriam, assim como as amizades não sexuais [...] Todos os relacionamentos estreitos incluiriam o físico[5]. 
Por motivos estratégicos, por enquanto os ideólogos de gênero não falam em defender o incesto e a pedofilia, que Firestone defende com tanta crueza. Concentram-se em exaltar o homossexualismo.

Ora, não é preciso uma inteligência extraordinária para perceber que os atos de homossexualismo são antinaturais. Nas diversas espécies, o sexo se caracteriza por três notas: a dualidade, a complementaridade e a fecundidade.
• Dualidade: há animais assexuados, como a ameba, que não têm sexo. Os animais sexuados, porém, têm necessariamente dois sexos. Não há uma espécie em que esteja presente apenas o sexo masculino ou apenas o feminino.
• Complementaridade: os dois sexos são complementares entre si. E isso não se refere apenas aos órgãos de acasalamento e às células germinativas (gametas) de cada sexo. A fisiologia e a psicologia masculinas encontram na fisiologia e psicologia femininas seu complemento natural e vice-versa.
• Fecundidade: a união de dois indivíduos de sexo oposto é apta a produzir um novo indivíduo da mesma espécie. 
Percebe-se que nada disso está presente na conjunção carnal entre dois homens ou entre duas mulheres. Falta a dualidade, a complementaridade e a fecundidade próprias do verdadeiro ato sexual. Os atos de homossexualismo são uma grosseiríssima caricatura da união conjugal, tal como foi querida por Deus e inscrita na natureza.

A ideologia de gênero pretende, porém, obrigar as crianças a aceitar com naturalidade aquilo que é antinatural. Tal ideologia distingue o sexo, que é um dado biológico, do gênero, que é uma mera construção social. Gêneros, segundo essa doutrina, são papéis atribuídos pela sociedade a cada sexo. Se as meninas brincam de boneca, não é porque tenham vocação natural à maternidade, mas por simples convenção social. Embora só as mulheres possam ficar grávidas e amamentar as crianças e embora o choro do recém-nascido estimule a produção do leite materno, a ideologia de gênero insiste em dizer que a função de cuidar de bebês foi arbitrariamente atribuída às mulheres. E mais: se as mulheres só se casam com homens e os homens só se casam com mulheres, isso não se deve a uma lei da natureza, mas a uma imposição da sociedade (a “heteronormatividade”). O papel (gênero) de mãe e esposa que a sociedade impôs à mulher pode ser “desconstruído” quando ela decide, por exemplo, fazer um aborto ou “casar-se” com outra mulher.

Em 2010, o Ministério da Saúde publicou a cartilha Diversidades sexuais[6] com o objetivo único de inculcar nos adolescentes e jovens a ideologia de gênero. A eles é ensinado que o homossexualismo é não uma desorientação, mas uma “orientação sexual”. E mais: que tal “orientação” é natural e espontânea, e não depende da escolha da pessoa!
Hoje já se sabe que ser gay ou lésbica não é uma opção, porque não implica uma escolha. O (a) homossexual não opta por ser homossexual, assim como o (a) heterossexual não escolhe ser heterossexual, o mesmo acontecendo com os (as) bissexuais. É uma característica natural e espontânea[7]. 
Essa afirmação, apresentada como certeza (“hoje já se sabe...”) é duramente atacada pelo psicólogo holandês Gerard Aardweg, especialista em comportamento homossexual:
O infantilismo do complexo homossexual tem geralmente sua origem na adolescência, e em grau menor na primeira infância. [...]. Não é, porém, durante a primeira infância que o destino do homossexual é selado, como muitas vezes defendem os homossexuais emancipistas, entre outros. Essa teoria ajuda a justificar uma doutrinação das crianças na educação sexual tal como: ‘Alguns de vocês são assim e devem viver de acordo com sua natureza’[8]. 
Ora, não há uma “natureza homossexual”, pois o homossexualismo é, em sua essência, um vício contra a natureza. Isso, porém, os ideólogos de gênero proíbem que se diga. Para eles, somente os preconceituosos se opõem às práticas homossexuais. Tal “preconceito”, que eles desejam que se torne um crime a ser punido[9], recebe o nome pejorativo de “homofobia”.

O Projeto de Lei 8035/2010, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020, trazia termos próprios da ideologia de gênero: “igualdade de gênero e de orientação sexual”, “preconceito e discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero”. O Senado Federal, porém, em dezembro de 2013, aprovou um substitutivo (PLC 103/2012) que eliminou toda essa linguagem ideológica e ainda acrescentou como diretriz do Plano a “formação para o trabalho e a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade” (art. 2º, V). De volta à Câmara, o projeto agora enfrenta a fúria dos deputados do PT e seus aliados, que pretendem retirar os “valores éticos e morais” e reintroduzir o “gênero” no PNE, a fim de dar uma base legal à ideologia que o governo já vem ensinando nas escolas.

Nem todos compreendem a importância e a extensão do problema. A vitória da ideologia de gênero significaria a permissão de toda perversão sexual (incluindo o incesto e a pedofilia), a incriminação de qualquer oposição ao homossexualismo (crime de “homofobia”), a perda do controle dos pais sobre a educação dos filhos, a extinção da família e a transformação da sociedade em uma massa informe, apta a ser dominada por regimes totalitários.

É a própria família brasileira que está em jogo.


Anápolis, 11 de março de 2014
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz 
Presidente do Pró-Vida de Anápolis 
_________________________ 
[1] Friedrich ENGELS. The origin of the family, private property and the State. New York: International Publishers, 1942, p. 58. 
2] Karl MARX; Friedrich ENGELS. Manifesto do Partido Comunista, São Paulo: Martin Claret, 2002, Parte II, p. 63. 
[3] Shulamith FIRESTONE. The dialect of sex. New York: Bartam Books, 1972, p. 10-11. 
[4] Shulamith FIRESTONE. The dialect of sex, p. 59. 
[5] Shulamith FIRESTONE. The dialect of sex, p. 240. 
[6] Cf. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Diversidades sexuais. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2010. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diversidades_sexuais.pdf 
[7] BRASIL. Ministério da Saúde. Diversidades sexuais, p. 54. 
[8] Gerard AARDWEG. A batalha pela normalidade sexual e homossexualismo. Aparecida: Santuário, 2000, p. 29. 
[9] O PLC 122/2006, que criminaliza a “homofobia”, foi apensado ao PLS 236/2012 (projeto de reforma do Código Penal) em 17/12/2013.