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23 de dezembro de 2018

A plenitude da graça de Natal

Adoração dos Reis Magos – Escola Flamenga, séc. XVII. Coleção Particular. 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira 

Nossos espíritos estão voltados para a celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e nossas almas se preparam para as alegrias desse dia, que descem do Céu e transcendem todas as dores terrenas. O Santo Natal é uma data de consolação interior. O que quer dizer Natal santo e Natal feliz? Qual a conjugação de significados entre “santo” e “feliz”? 

Segundo o mundo, essas palavras se excluem. A santidade é o caminho da austeridade e renúncia, portanto o contrário do que o mundo entende por felicidade. Contudo, o verdadeiro católico sabe que o Natal é ocasião de graças inefáveis, alegrias interiores extraordinárias, acompanhadas de uma unção celeste que geralmente desce sobre os homens. E o motivo especial dessa alegria é tornar palpável que o Verbo de Deus se fez carne e habituou entre nós. 

A alma humana fica como que transposta para outro nível, para uma clave superior de cogitações, em que nos desligamos das vicissitudes de todos os dias e nos tornamos capazes de perceber o sobrenatural. Sentimo-nos iluminados pelo sorriso de Nossa Senhora, por sua promessa de que, para além de todas as desventuras e de todas as alegrias desta vida, nos aguarda outra ordem de coisas, diante de um Deus infinitamente benigno, acessível, meticulosamente carinhoso, pronto a perdoar e a nos socorrer. Um Deus que, por vontade própria, se tornou obediente Àquela que é também a nossa Mãe.

Cada um de nós pode pedir à Santa Mãe de Deus que aproxime o Menino Jesus de nossa alma, fazendo-nos sentir toda a plenitude da graça do Santo Natal e nos dê força de alma para suportar em paz as dificuldades. 

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que Nosso Senhor pode nos deixar em dificuldades a fim de recolher méritos para socorrer algumas almas mais fracas. Assim, devemos aceitar as dificuldades de bom grado, oferecê-las com alegria ao Menino Jesus como um presente de Natal.

Quando se comemora o momento augusto em que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou o claustro magnífico da beatíssima Virgem Maria, em que os anjos apareceram, os pastores acordaram, a estrela brilhou, São José se extasiou, a natureza toda se revigorou, devemos pedir a Nossa Senhora que abra para cada um de nós uma torrente de graças, nos dê forças para enfrentar as grandes lutas do próximo ano, e que ele seja um ano de grandes misericórdias e conversões. Assim Ela fará por nós incomparavelmente mais do que estamos fazendo por Ela, abrirá as vastidões de nossos caminhos, expulsará os demônios, preparará as almas para o anúncio do advento de seu Reinado na Terra. 

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Excertos de uma mensagem de Natal, gravada por Plinio Corrêa de Oliveira em 21-12-91. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

6 de outubro de 2018

LEPANTO, 447 ANOS DEPOIS...

A grandiosa vitória da Cristandade sobre o Império Otomano -- que envidou no século XVI todos os esforços para dominar o Velho Continente -- nos leva a confiar que obteremos nos presentes dias uma outra vitória  contra o grande perigo que nos ameaça: a tomada do poder pela esquerda comuno-bolivariana.


➤  Paulo Roberto Campos 

Neste dia 7 de outubro de 2018, em que celebramos 447 anos da vitória da Cristandade na batalha naval no golfo de Lepanto, o Brasil encontra-se numa encruzilhada, em uma outra grande batalha. Naquele ano, por intercessão da Santíssima Virgem do Rosário, as esquadras católicas impediram que o poderio maometano tomasse a Europa. Peçamos também a Ela que proteja nossa Pátria, impedindo que nestas eleições o Brasil seja dominado por movimentos esquerdistas que sonham implantar aqui um tipo de governo bolivariano nos moldes daquele que subjugou a infeliz Venezuela com a nefasta dupla Chávez–Maduro. 

Para quem duvide da realidade da ameaça, basta recordar a recente declaração de um dos próceres da esquerda lulopetista, o ex-ministro José Dirceu, réu triplamente condenado a mais de trinta anos de prisão, e a quem a Justiça deixa incompreensivelmente em liberdade para atacar o Brasil e a própria instituição que lhe concedeu a liberdade. Em entrevista ao jornal “El País” (27-9-18), ele declarou que “é uma questão de tempo” para o PT “tomar o poder”. E sugeriu, segundo o Portal "180 graus" (Piauí), de se “tirar todos os poderes do Supremo”

Na mesma data de Lepanto, celebramos também o dia de Nossa Senhora do Rosário — festividade estabelecida pelo Papa São Pio V em ação de graças pela vitória contra o Islã. Rezemos ao menos um terço suplicando-Lhe uma nova vitória da Cristandade no Brasil e a restauração moral de nosso povo nascido nesta Terra de Santa Cruz. 

Um pouco de história da providencial batalha de Lepanto 

No século XVI, o poderio otomano (sobretudo o Império turco, de religião muçulmana) crescia espantosamente e tudo empreendia para aniquilar e dominar a Europa cristã. Os turcos já haviam conquistado Constantinopla e ocupado a ilha de Chipre, de onde pretendiam marchar em direção ao Ocidente. Em face do iminente perigo para a Cristandade, o Sumo Pontífice de então, o Papa São Pio V [imagem ao lado], conclamou os príncipes europeus a se unirem numa frente comum contra o inimigo. Reuniu uma pequena esquadra composta com o apoio de Felipe II da Espanha, das Repúblicas de Veneza e de Gênova e do Reino de Nápoles, além de um contingente dos Estados Pontifícios.

São Pio V não desanimou ante a desproporção das forças, pois confiava mais na proteção de Deus e de sua Santíssima Mãe. Entregou ao generalíssimo D. João d’Áustria o comando da esquadra e deu-lhe um estandarte com a imagem de Nossa Senhora, pedindo-lhe que partisse logo ao encontro do inimigo. Há 447 anos, em 7 de outubro de 1571, a esquadra católica, composta de aproximadamente 200 galeras, concentrou-se no golfo de Lepanto. Dom João D´Áustria mandou hastear o estandarte oferecido pelo Papa e bradou: “Aqui venceremos ou morremos”, e deu a ordem de batalha contra os seguidores de Maomé. Os primeiros embates foram favoráveis aos muçulmanos, que, formados em meia-lua, desfecharam violenta carga. Os católicos, com o Terço ao pescoço, prontos a dar a vida por Deus e tirar a dos infiéis, respondiam aos ataques com o máximo vigor possível. 


Mas, apesar da bravura dos soldados de Cristo, a numerosíssima frota do Islã, comandada por Ali-Pachá [pintura ao lado], parecia vencer. Após 10 horas de encarniçado embate, os batalhadores católicos receavam a derrota, que traria graves consequências para a Civilização Cristã europeia. Mas, óh prodígio! Ficaram surpresos ao perceberem que, inexplicavelmente e de repente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada… 

Obtiveram mais tarde a explicação: aprisionados pelos católicos, alguns mouros confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir. 

Logo no início da retirada dos barcos muçulmanos, os católicos reanimaram-se e reverteram a batalha: os infiéis perderam 224 navios (130 capturados e mais de 90 afundados ou incendiados), quase 9.000 maometanos foram capturados e 25.000 morreram. Ao passo que as perdas católicas foram bem menores: 8.000 homens e apenas 17 galeras perdidas. 


Quadro representando a visão que São Pio V teve da vitória de Lepanto
Enquanto se travava a batalha contra os turcos em águas de Lepanto, a Cristandade rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário. Em Roma, o Papa São Pio V pediu aos fiéis que redobrassem as preces. As Confrarias do Rosário promoviam procissões e orações nas igrejas, suplicando a vitória da armada católica. 

O Pontífice, grande devoto do Rosário, no momento em que se dava o desfecho da gloriosa batalha, teve uma visão sobrenatural, na qual ele tomou conhecimento de que a armada católica acabara de obter espetacular vitória. E imediatamente, exultando de alegria, voltou-se para seus acompanhantes exclamando: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”

A milagrosa visão foi confirmada somente na noite do dia 21 de outubro (duas semanas após o grande acontecimento), quando, por fim, o correio chegou a Roma com a notícia. São Pio V tinha meios mais rápidos para se informar… 

Em memória da estupenda intervenção de Maria Santíssima, o Papa dirigiu-se em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou o Te Deum Laudamus e introduziu a invocação Auxílio dos Cristãos na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa extraordinária vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora da Vitória, que, dois anos mais tarde, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorada pela Igreja no dia 7 de outubro de cada ano. 


Na. Sra. do Rosário de Lepanto [foto Michael Gorre]
Ainda com o mesmo objetivo, de deixar gravado para sempre na História que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o senado veneziano mandou pintar um quadro representando a batalha naval com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).

Consumado o milagroso triunfo em Lepanto, outro prodígio salvou a armada católica: uma furiosa tempestade ameaçava levar ao fundo do mar todas as naus. Mais parecia uma tempestade desencadeada pelos demônios, como vingança pela derrota que acabavam de sofrer, pois viam escapar de suas garras a Europa Cristã que os seguidores de Maomé tentaram conquistar para o domínio muçulmano. Em meio à fúria das águas, os navegantes começaram a rezar à Santíssima Virgem, Rainha do Santo Rosário, e a tempestade serenou milagrosamente.
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A grandiosa vitória da Cristandade sobre o Império Otomano -- que envidou no século XVI todos os esforços para dominar o Velho Continente -- nos leva a confiar que obteremos nos presentes dias outra vitória contra o grande perigo que nos ameça: a tomada do poder pela esquerda comuno-bolivariana.


19 de julho de 2018

SANTO ELIAS — Espada e escudo da verdadeira fé

Nos dias 16 e 20 de julho, celebram-se respectivamente as festividades de Nossa Senhora do Carmo e do Profeta Elias, fundador da Ordem carmelitana. Para marcar essas memoráveis datas, transcrevemos algumas considerações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em uma conferência de 20-7-67. 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira 

Celebramos hoje a festa de Santo Elias. Ele constituiu a primeira Ordem religiosa que houve na História, cujos membros moravam no Monte Carmelo [nas proximidades de Jerusalém]. 

A Ordem do Carmo tem como finalidade principal propagar o culto a Nossa Senhora. No seu nascimento, combatia também o politeísmo na nação judaica. Os seguidores de Santo Elias eram a espada e o escudo da verdadeira fé.

Elias pode ser considerado o príncipe dos profetas, porque teve um papel maior que todos os outros. Converteu mais gente, atuou mais profundamente no povo judeu, do qual foi um verdadeiro condutor, salvou a nação eleita da ruína e lutou contra os erros do seu tempo. Num momento em que a nação estava completamente deteriorada, a Providência o escolheu para comunicar seu espírito a uma Ordem de religiosos, e a partir dela a toda a nação eleita. Foi escolhido para dirigir o povo de Deus naquele momento de hecatombe, e concentrou em si todo o espírito que Deus queria conceder à nação judaica para que ela ressurgisse. 

Elias foi o primeiro a considerar a devoção a Nossa Senhora, simbolizada na nuvenzinha que surgiu no alto do Monte Carmelo, e que se transformou numa nuvem enorme, dando origem a uma chuva que salvou o povo de Deus da miséria. Nossa Senhora é simbolizada pela nuvem, e o Messias é simbolizado pela chuva. 

Devemos pedir a Santo Elias um aumento de nossa devoção a Nossa Senhora, pois assim alcançaremos a felicidade celeste. Quanto à felicidade terrena, só uma é verdadeira: conhecer a finalidade para a qual nascemos, segundo os planos de Deus, e realizar essa finalidade.

16 de julho de 2018

Festa de Nossa Senhora do Carmo — 16 de julho

No século XII, como consequência do estabelecimento do Reino Latino de Jerusalém, muitos peregrinos da Europa vieram se juntar aos solitários da santa montanha do Carmelo [foto abaixo], na Palestina, aumentando-lhes assim o número. Pareceu bom dar à sua vida, até então mais eremítica que conventual, uma forma que fosse mais de acordo com os hábitos ocidentais. Foi quando o Legado Aimeric Malafaida, Patriarca de Antioquia, os reuniu em uma comunidade sob a autoridade de São Bertoldo, a quem foi dado pela primeira vez o título de Prior Geral. Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém e igualmente Legado Apostólico, completou, nos primeiros anos do século seguinte, a obra de Aimeric, concedendo uma Regra fixa à Ordem, que começou a se expandir em Chipre, na Sicília e nos países de além-mar, favorecida pelos príncipes e pelos cavaleiros, de volta da Terra Santa. 


Logo depois, tendo Deus abandonado os cristãos do Oriente aos castigos merecidos por suas faltas, tornaram-se tais — nesse século de adversidades para a Palestina — as represálias dos sarracenos vitoriosos, que uma assembleia geral, realizada no Monte Carmelo, sob os auspícios de Alain le Breton, decretou a emigração total dos religiosos, não deixando para cuidar do berço da Ordem senão alguns poucos sedentos de martírio. No preciso momento em que ela se extinguia no Oriente (1245), Simão Stock foi eleito Geral, no primeiro Capítulo do Ocidente, reunido em Aylesford, na Inglaterra.

Na noite do dia 15 para 16 de julho do ano de 1251, a graciosa Soberana do Carmelo confirmava a seus filhos, por um sinal externo, o direito de cidadania que Ela lhes havia obtido nas novas regiões para as quais os havia conduzido seu êxodo. Senhora e Mãe de toda a Ordem religiosa, Ela lhes conferia de suas próprias e augustas mãos o escapulário, parte do vestuário que caracteriza a maior e mais antiga das famílias religiosas do Ocidente. São Simão Stock, no momento em que recebia da Mãe de Deus essa insígnia [representação na pintura abaixo], enobrecendo-a ainda pelo contato de seus dedos sagrados, ouviu a própria Virgem Santíssima dizer: “Todo aquele que morrer dentro deste hábito não sofrerá de maneira nenhuma as chamas eternas”


A Rainha dos Santos manifestou-se posteriormente a Jacques d’Euze, que o mundo iria saudar em breve como novo Papa sob o nome de João XXII. Anunciava-lhe Ela sua próxima elevação ao sumo pontificado, e, ao mesmo tempo, recomendava-lhe publicar o privilégio de uma pronta libertação do purgatório, que Ela havia obtido de seu divino Filho para seus filhos do Carmelo: “Eu, sua Mãe, descerei por misericórdia até eles, no sábado que se seguir à sua morte, e a todos que encontrar no purgatório livrá-los-ei e levá-los-ei à montanha da eterna vida”. São as próprias palavras de Nossa Senhora, citadas por João XXII na bula em que ele disto deu testemunho, e que foi chamada Sabatina em razão do dia designado pela gloriosa libertadora, no qual Ela exerceria o misericordioso privilégio. 

A munificência de Maria, a piedosa gratidão de seus filhos pela hospitalidade que lhes dava o Ocidente, a autoridade, enfim, dos sucessores de Pedro, tornaram logo essas riquezas espirituais acessíveis a todo o povo cristão, pela instituição da Confraria do Santo Escapulário, que faz seus membros participarem dos méritos e privilégios de toda a Ordem do Carmo.

Quando o Papa Bento XIII, no século XVIII, estendeu a festa do dia 16 de julho para a Igreja inteira, ele, por assim dizer, nada mais fez do que consagrar oficialmente a universalidade do fato de que o culto da Rainha do Carmelo havia conquistado quase todas as latitudes do orbe. 

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Dom Prosper Guéranger, O.S.B., L’Année Liturgique – Le temps après la Pentecôte, Maison Alfred Mame et Fils, Tours, 1922, tomo IV, excertos das pp. 149-153.

11 de maio de 2018

FÁTIMA — Algumas frases para reflexão

Aproximando-se a celebração do 101º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, no dia 13 de maio de 1917, seguem algumas frases para refletirmos neste dia a respeito do tema do castigo providencial por Ela anunciado.

“Se os homens não se emendarem, Nossa Senhora enviará ao mundo um castigo como não se viu igual” 

(Santa Jacinta de Fátima) 

“O que podemos fazer para evitar o castigo anunciado em Fátima, na tênue medida em que ele é evitável? O que podemos fazer para obter a conversão dos homens, na fraca medida em que ela ainda possa ser obtida antes do castigo, dentro da economia comum da graça? O que podemos fazer para apressar a aurora bendita do Reino de Maria, e para nos ajudar a caminhar no meio das hecatombes que tão gravemente nos ameaçam? Nossa Senhora o indica: afervoramento na devoção a Ela, oração e penitência”

(Plinio Corrêa de Oliveira) 

“O Senhor castiga misericordiosamente os filhos que erram. Perseverai, pois, na sua disciplina. Se Deus vos poupa o castigo e a correção, temei que vos reserve para o suplício” 

(Bossuet) 

“Não haverá iniquidade que não tenha o seu castigo apropriado”

 (Tomás de Kempis) 

“O tempo que precede o castigo esperado é a pior parte desse castigo” 

(Sêneca)

27 de fevereiro de 2018

VENEZUELA: igrejas sem hóstias para a Comunhão


Paulo Roberto Campos
prccampos@terra.com.br

A derrocada da Venezuela, fruto da implantação do regime bolivariano-comunista — que os governos petistas queriam reproduzir no Brasil, nunca é suficiente insistir — trouxe à cena não somente um grande êxodo, centenas de milhares de venezuelanos fugindo da fome, mas também famílias procurando comida no lixo, outras comendo carne de cachorro, mercados com as prateleiras vazias, farmácias e hospitais sem remédios, crianças morrendo de desnutrição, pais que entregam os filhos para adoção por não terem como sustenta-los, inflação astronômica etc. etc. 

Na outrora prospérrima Venezuela, o descalabro não para aí. Ele atingiu o inimaginável: os jornais noticiam que em várias igrejas do país não há distribuição da Sagrada Eucaristia durante a Missa por falta de hóstias! Ou seja, não há farinha para produzi-las e assim os fiéis católicos ficam sem a comunhão.

O Vaticano — cujo atual Secretário de Estado foi durante vários anos Núncio em Caracas — não tem conhecimento dessa calamidade? Não escutou nada, não viu nada e não fala nada? Sobretudo, não condena os ditadores fidelcastristas que estão transformando a nação venezuelana numa Cuba de extrema miséria espiritual e material? 

Rezemos pela pobre, infeliz e castigada Venezuela. Lembrando a parábola do “Filho pródigo” do Evangelho, posso afirmar que ela está literalmente comendo as bolotas dos porcos. Quando regressará à casa materna da Virgem de Coromoto, sua tão bondosa e querida Padroeira? Não estará Ela muito esquecida? Nossa Senhora poderá obter de seu Divino Filho a solução para todos os problemas, desde que os venezuelanos se voltem para sua Padroeira com verdadeiro arrependimento, com o coração contrito e humilhado.

11 de fevereiro de 2018

LOURDES – 1858-2018

Imagem de Na. Sra. de Lourdes venerada na Igreja do Sagrado Coração Jesus [Foto PRC] 


Em memória do 160º aniversário das aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette em Lourdes, reproduzimos a seguir trecho de uma conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 10 de fevereiro de 1965, sem sua revisão. 


Plinio Corrêa de Oliveira

Nossa Senhora de Lourdes desejou ser conhecida enquanto sumamente benfazeja. Assim, sugiro pensarmos numa grande graça para pedir a Ela. Devemos ser ousados em nossas orações, pedir coisas arrojadas, não coisas insensatas, e pedir com muita insistência. Por exemplo, pedir uma graça que diga respeito à santificação, e depois algo que se queira de temporal, mas que Ela nos conceda se for para o bem de nossas almas. Isso nos leva a refletir no panorama de nossa vida espiritual, a ter uma visão de nós mesmos e de nossas atividades. 

Na igreja do Sagrado Coração de Jesus [na capital paulista] há uma gruta com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes [foto ao lado e acima]. Não é uma imagem qualquer, é a própria imagem que era venerada na Basílica de Lourdes, na França, antes da imagem atual, segundo documento [foto abaixo] guardado na igreja. Portanto, essa imagem constitui um elo entre Lourdes e o Brasil. 

Nunca devemos nos esquecer de que no Evangelho as doenças do corpo são tratadas como sendo símbolos de doenças da alma. Assim como alguns sofrem paralisia do corpo, outros sofrem paralisia de alma; alguns sofrem de cegueira no corpo, outros na alma; surdez, mudez e outras enfermidades. Se tivermos defeitos de alma que desejamos corrigir, seria o momento adequado de os levarmos àquela gruta de Nossa Senhora de Lourdes e pedir a Ela que nos cure.

Para ampliar, click na foto
Isso tem muita razão de ser, pois se a Virgem Santíssima deseja tanto curar corpos perecíveis e mortais, quanto mais desejará curar almas imperecíveis e imortais. Nosso Senhor Jesus Cristo não veio à Terra para salvar corpos, veio para salvar almas. 

Nossos pedidos não podem deixar de ser muito gratos a Ela. Pedidos feitos para nós ou por outrem; por alguém a quem desejamos fazer um bem; por uma alma cujas dificuldades nos amedrontam; por um amigo cujas aflições, tentações ou perigos constituem para nós uma fonte de preocupação.

16 de dezembro de 2017

1967 – 2017: meio século de uma graça extraordinária


Leo Daniele 

“Será que meus amigos não percebem que estou muito doente?” 

Foi o que pensou em 1967 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, sentindo-se debilitado e vendo sua figura, muito abatida, num filme documentário. 

De fato não percebiam, porque ele, sempre muito apostólico e desejoso de animar seus discípulos, disfarçava e não reclamava dos sofrimentos que a Providência lhe pedia. 


Dias depois revelou-se a enfermidade: uma terrível crise de diabete, com ameaça de gangrena, que o fez internar num hospital às pressas. O prognóstico mais provável era ter de submeter-se a algumas cirurgias, que seriam cada vez mais radicais e de eficácia duvidosa. Uma primeira intervenção, com amputação de alguns artelhos do pé, foi executada. 

No dia 16 de dezembro de 1967, há exatamente 50 anos, um de seus amigos, visitando-o, trouxe uma reprodução italiana, em grande formato [acima e ao lado, que se encontra no quarto de Plinio Corrêa de Oliveira], de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano.

O Prof. Plinio olhou para a estampa longamente. Depois seu estado de ânimo mudou, mostrando-se mais bem disposto. Algo de sublime se passou naquele momento, pelo qual ele se ligou estreitamente a Nossa Senhora de Genazzano até o fim de sua vida. A partir daí ele começa a recuperar-se, até retomar suas atividades habituais, sem necessidade de novas intervenções cirúrgicas.

25 de novembro de 2017

CÍRIO DE NAZARÉ

A maior festa religiosa católica do Brasil e uma das maiores do mundo

Carlos Sodré Lanna 

No segundo domingo de outubro realiza-se anualmente em Belém do Pará uma grande procissão do Círio de Nazaré. Na realidade, as celebrações começam uma semana antes e terminam uma semana depois. 

Círio tem sua origem na palavra latina cereus, que significa vela grande, tendo sua festa no Pará sido declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em dezembro de 2013. 

Segundo uma antiga tradição, a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, venerada na cidade portuguesa do mesmo nome, teria saído no ano 361 de Nazaré da Galileia, onde a esculpira o próprio São José, na casa onde morava a Sagrada Família. Entalhada em madeira escura, a Virgem Maria aparece sentada, com o Menino Jesus ao colo. 

Identificada como original desde os primeiros séculos do cristianismo, a histórica imagem percorreu a Cristandade a partir de Israel, indo parar nas mãos de São Jerônimo que, temeroso por sua segurança devido aos ataques dos inimigos da fé católica, enviou-a a Santo Agostinho no Norte da África. Mais tarde ela foi ter nas mãos dos monges agostinianos, que a levaram para Mérida, na Espanha. Por ocasião das invasões muçulmanas em terras hispânicas, ela foi escondida em um local de difícil acesso, ficando ali esquecida durante muito tempo. 

Posteriormente, devido a uma batalha, no ano 711 a imagem foi retirada de seu esconderijo e levada para Nazaré, em Portugal, onde também permaneceu escondida por um longo período no Pico de São Bartolomeu.

Em 1182, o nobre português Dom Fuas Roupinho participava de uma caçada naquele pico. Ao perseguir um cervo, seu cavalo esteve a ponto de cair em um precipício, quando ele invocou Nossa Senhora e foi salvo [quadro ao lado]. Em ação de graças, mandou edificar no local a Capela da Memória, onde os operários encarregados da construção descobriram a imagem. A notícia se espalhou, atraindo muitas pessoas, que passaram a acorrer ao local para venerá-la, operando-se muitos milagres. 

Este episódio está imortalizado em um dos vitrais da Basílica do Belém do Pará, onde um cavaleiro aparece perseguindo um cervo que cai em um precipício. 


Em 1377, Dom Fernando (1367-1383), Rei de Portugal, construiu um templo maior na cidade de Nazaré, o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré [foto acima], para onde a imagem foi transferida. Desde então, na data no dia 8 de setembro de cada ano, os portugueses se reúnem no local para celebrar o Círio de Nazaré. 

A devoção à imagem cresceu com os milagres e graças alcançadas por seu intermédio. Diante dela rezou São Francisco Xavier antes de partir para o Oriente, e foram os padres jesuítas, seus irmãos de hábito, que trouxeram sua devoção para o Brasil em 1653. 

Nossa Senhora de Nazaré no Brasil 

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré venerada em Belém do Pará [foto ao lado] é semelhante àquela celebrada no Círio português. Segundo antiga tradição, transcorria o ano 1700 quando o jovem Plácido José de Souza, andando pelas margens do igarapé de Utinga, onde se ergue hoje a Basílica Santuário em Belém do Pará , encontrou entre pedras e entulhos a pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré. 

Esculpida em madeira e com 28 cm de altura, Plácido a levou para casa, limpou-a e colocou-a em um altar improvisado. Conforme as narrativas da época, a imagem retornou várias vezes, sem explicação, ao local onde fora encontrada. Percebendo Plácido que se tratava de um desígnio sobrenatural de Nossa Senhora, promoveu então a construção ali de uma capela para abrigá-la. 

A divulgação deste milagre chamou a atenção não só dos habitantes da região, que frequentavam a capela para rezar, mas também do governador da capitania, Francisco Coutinho, que ordenou a remoção da imagem para a capela do palácio da cidade. Como sucedera com Plácido, a imagem também desapareceu mais de uma vez do palácio do governador para voltar ao nicho de sua capela. Desta maneira a devoção adquiriu um caráter oficial, tendo sido construída no mesmo local uma igreja, que se tornou hoje a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré de Belém. 

Em 1773, o Bispo do Pará colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. Mandada a Portugal no início de 1774 para ser submetida a uma restauração, por ocasião de sua volta, ocorrida no mês de outubro do mesmo ano, a imagem foi levada em romaria pelos fiéis do porto até o santuário, com a participação do governador, do bispo e de autoridades civis e eclesiásticas, sob a escolta de tropas militares. Este foi considerado o primeiro Círio de Nazaré. 

As festividades do Círio em Belém 

As comemorações anuais do Círio em Belém compõem-se de várias etapas, que se estendem por quinze dias, perfazendo um total de 12 procissões oficiais. O principal evento ocorre no segundo domingo de outubro com a grande procissão do Círio, que tem reunido mais de dois milhões de pessoas na capital do Pará, hoje com um milhão e meio de habitantes. 

Conforme a tradição, ela sai bem cedo da Catedral de Belém e percorre cerca de cinco quilômetros até a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, percurso que pode durar até nove horas, como já ocorreu devido ao enorme número de participantes, ficando ali exposta para veneração pública durante quinze dias, na chamada Quadra Nazarena

Nesta procissão aparece um número enorme de pagadores de promessas oriundos de lugares distantes do Brasil, sobretudo do Norte e do Nordeste, que em sinal de agradecimento pelas graças e curas recebidas levam casas em miniatura, partes do corpo humano feitas com cera, sinais de milagres e miniaturas de barcos, sendo os círios e as velas os mais comuns. 

Durante todo o percurso a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é objeto de grandes homenagens de todos os presentes, como chuvas de papéis picados, foguetes e fogos de artifícios, flores variadas, palmas vibrantes, diversos cânticos, executados até por corais e orquestras. 

Existe também o costume de preparar comidas típicas da Amazônia e região para os participantes das celebrações, as quais são postas em barracas próximas das maiores concentrações de público. 

As diversas romarias do Círio de Nazaré 

São 12 as procissões oficiais das celebrações do Círio de Nazaré: 
1) Translado em carro aberto da Basílica de Nazaré para Ananindeua-Marituba;
2) Romaria rodoviária em direção à Vila de Icoaraci, distrito de Belém; 
3) Romaria fluvial [foto ao lado] durante a qual a imagem é levada de barco pela baía de Guajará em direção a Belém; 
4) Moto-romaria do cais de Belém, na qual a imagem, em carro aberto, é seguida por motoqueiros até um colégio no centro de Belém, onde é celebrada uma missa; 
5) Transladação à noite, antes do Círio, à luz de velas, na Berlinda, carro da imagem de Nossa Senhora; 
6) Procissão do Círio, auge dos festejos, que tem reunido mais de dois milhões de participantes nos últimos 12 anos; 
7) Ciclo-romaria, a mais nova das procissões, que acontece desde 2004, a pedido da Federação dos Ciclistas do Pará; 
8) Romaria da juventude, comunidades de jovens das paróquias que veneram a Rainha da Amazônia; 
9) Romaria das crianças, para fortalecer a devoção mariana e nas quais elas vão acompanhadas dos pais; 
10) Romaria dos corredores, procissão em forma de corrida lenta, para acompanhar a imagem de perto; 
11) Procissão da festa, organizada pela diretoria das festividades de Nazaré e comunidades da Basílica Santuário; 
12) Recírio, procissão de despedida realizada duas semanas após o Círio.

Os símbolos do Círio de Nazaré 

As celebrações do Círio apresentam vários objetos simbólicos, os quais podem ser vistos durante todas as procissões. 

A Berlinda [foto ao lado], que transporta a imagem de Nossa Senhora, é por causa disto o centro de todas as atenções no decurso dos 15 dias de festejos.

A conhecida corda de sisal torcido [foto abaixo], com duas polegadas de diâmetro e 400 metros de comprimento, ligada à berlinda e puxada pelos fiéis durante a procissão, passou a ser o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis.

O manto da imagem de Nazaré é considerado um dos mais importantes símbolos do Círio. Anualmente é apresentado dele um novo modelo, confeccionado com material importado da melhor qualidade, fruto de doações anônimas.

Outro símbolo são os carros dos milagres e de promessas, que vão recolhendo dos devotos relatos e demonstrativos dos milagres e graças alcançados pelos fiéis da Virgem de Nazaré. 

Chamam muito a atenção, de um lado as inúmeras crianças vestidas de anjos nas procissões, e de outro os foguetes e fogos de artifícios que são usados durante o percurso pelas ruas e avenidas da cidade de Belém.

Outra tradição são os cartazes espalhados pela cidade anunciando as festas e os almoços, as reuniões de famílias e os pratos típicos da culinária da região, além das barraquinhas existentes na praça em frente à Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. 

Em 2005 participaram do Círio dois milhões de pessoas, número que desde então só tem aumentado, chegando em 2017, quando de sua 225ª procissão, a um total de 2,5 milhões de participantes.

12 de outubro de 2017

Há um século Nossa Senhora operou o “Milagre do Sol”

Foto original feita no momento do “Milagre do Sol”

Os céus de Portugal serviram de “púlpito” para a Providência Divina pregar ao mundo inteiro. O prêmio e o castigo! Promessas e advertências da Santa Mãe de Deus, por meio de portentosos sinais do Céu, para tocar os corações dos fiéis, mas também os corações endurecidos.


Paulo Roberto Campos

Não deixa de ser sintomático e simbólico que em Fátima, no dia 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora tenha escolhido o “astro-rei” para realizar o “Milagre do Sol”.

Portentoso prodígio sobrenatural que Ela operou a fim de confirmar aos olhos de todos, até dos incrédulos, a grandeza e a veracidade de suas revelações, assim como a sinceridade dos três pequenos pastores de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta.

Lúcia, ao descrever a Virgem Santíssima em suas Memórias, registrou de modo inspirado: “Era uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”.1

Há na Sagrada Escritura uma referência muito evocativa à Santa Mãe de Deus: “Quae est ista quae ascendit sicut aurora consurgens pulchra ut luna electa ut sol terribilis ut castrorum acies ordinata?” (Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha? [Cant. 6,10]). A lua simboliza a sua misericórdia, enquanto o sol é o símbolo da justiça d’Aquela que é “terrível como um exército em ordem de batalha”. Veremos como no “Milagre do Sol” a justiça e a misericórdia se manifestaram em Nossa Senhora. 

“Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”

Os três pastorezinhos de Fátima,
junto a um arco erguido pelo povo
para marcar o local das Aparições
O “Milagre do Sol”, ocorrido durante a sexta e última aparição da Virgem Fátima [vide quadro no final deste post], foi testemunhado por aproximadamente 60 mil pessoas na Cova da Iria — local onde hoje se encontra a célebre Capelinha das Aparições. O deslumbrante sinal do Céu não foi visto apenas pelos portugueses daquela região, mas também por pessoas provenientes de diversos pontos do país — pertencentes a todas as classes sociais, crentes e não crentes, e de todas as idades. A maioria chegou caminhando, muitos até descalços na lama, pois chovia constantemente; outros chegaram a cavalo, em charretes e automóveis, alguns até luxuosos. Nas vésperas do dia 13 de outubro, era tanta gente que se pôs em marcha rumo a Fátima, que alguns diretores de jornais portugueses, apesar de céticos, resolveram mandar correspondentes para noticiar o que de fato aconteceria.

    E aconteceu o grandioso milagre, que, além de ter sido assistido pela multidão presente na Cova da Iria, foi visto por incontáveis outros portugueses, pois a manifestação do fulgor solar alcançou um raio de mais de 30 quilômetros do local das aparições.

Fato que desmentiu irrefutavelmente tanto os ateus quanto a imprensa anticlerical da época, que, mesmo tomando conhecimento daquela extraordinária comprovação da existência de Deus, procuraram espalhar a ideia de que o “acidente” não passava de “sugestão coletiva” ou de algum “efeito hipnótico”, porquanto não havia sido registrado por nenhum observatório astronômico. Ora, justamente o fato de não ter sido registrado pelos astrônomos comprova o milagre, pois o que ocorrera não foi um mero fenômeno natural...

Naquele histórico dia, a Santa Mãe de Deus cumpriu o que havia prometido aos três pequenos pastores de Fátima na quinta aparição (13 de setembro de 1917), quando afirmara: “Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”.2 

Incontáveis testemunhas fidedignas

Os portugueses que receberam a graça de presenciar o “Milagre do Sol” descreveram-no como algo apocalíptico. Muitos tiveram a impressão de que chegava o fim do mundo; rezavam o Ato de contrição ou o Credo; confessavam em voz alta pedindo perdão de seus pecados. Mesmo os ímpios que foram a Fátima apenas para desdenhar e fazer chacotas, “prostram-se por terra, entre soluços e orações patéticas”.3

O que os ateus quiseram qualificar como sendo um “fenômeno de sugestão coletiva” foi um verdadeiro e deslumbrante milagre presenciado por centenas de milhares de pessoas. Muitos testemunhos estão publicados em centenas de livros e periódicos. Como não é possível sequer sintetizá-los aqui, seguem apenas excertos de alguns depoimentos. Mesmo porque eles se repetem — uma comprovação a mais de sua veracidade, pois todos viram a mesma manifestação no sol.

Nesse sentido, iniciamos com um documento de grande valor, que constitui um dos primeiros reconhecimentos oficiais da Igreja às revelações feitas pela Santíssima Virgem aos pastorzinhos em Fátima. Ele foi redigido pela autoridade eclesiástica da região, o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva [foto acima] u à página 11 de sua Carta Pastoral sobre o culto de Nossa Senhora de Fátima (1930):

“O fenômeno solar de 13 de outubro de 1917, descrito nos jornais da época, foi o mais maravilhoso e o que maior impressão causou aos que tiveram a felicidade de o presenciar.

“As três crianças fixaram com antecedência o dia e a hora em que se havia de dar. A notícia correu veloz por todo o Portugal e, apesar de o dia estar desabrido, chover copiosamente, juntaram-se milhares e milhares de pessoas que, à hora da última Aparição, presenciaram todas as manifestações do astro-rei, homenageando a Rainha do Céu e da Terra, mais brilhante que o sol no auge das suas luzes.”

“O sol bailou ao meio-dia em Fátima”

Na sua esplêndida obra Nossa Senhora de Fátima — Aparições, Culto, Milagres, o Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, professor no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, após transcrever relatos de testemunhas, inclusive da “mídia” liberal e maçônica da época, consignou:

“Toda a imprensa periódica se ocupou largamente dos acontecimentos daquele dia, em particular do “Milagre do Sol”. Tiveram maior ressonância os artigos do ‘O Século’ (13 a 15 de outubro de 1917): ‘Em pleno sobrenatural: as Aparições de Fátima’ e ‘Coisas espantosas: como o sol bailou ao meio-dia em Fátima’, porque o autor, AVELINO DE ALMEIDA, principal redactor do jornal, apesar da sua ostentada incredulidade e sectarismo, prestou lealmente homenagem à verdade: o que depois lhe atraiu as iras do ‘Livre Pensamento’”.4

No livro, portador do inspirado título Era uma Senhora mais brilhante que o sol — um clássico para se conhecer bem a história de Fátima —, do Pe. João M. de Marchi, I.M.C. reproduz notícia do jornal “O Dia”, de 19 de outubro de 1917, do qual extraímos um trechinho sobre o momento da manifestação solar:
    
“[...] Tudo chorava, tudo rezava de chapéu na mão, na impressão grandiosa do Milagre esperado! Foram segundos, foram instantes que pareceram horas, tão vividos foram!”.5

       Também o Pe. De Marchi transcreve um belo relato do Dr. Almeida Garrett, então catedrático da célebre Universidade de Coimbra, redigido por solicitação do Cônego Doutor Manuel Nunes Formigão:

       “[...]       De repente ouve-se um clamor, como que um grito de angústia de todo aquele povo. O sol, conservando a celeridade da sua rotação, destaca-se do firmamento e sanguíneo avança sobre a terra ameaçando esmagar-nos com o peso de sua ígnea e ingente mó. São segundos de impressão terrífica”.6

“Meu filho, ainda duvidas da existência de Deus?”

Escreveu, no próprio dia 13 de outubro de 1917, o Pe. Manuel Pereira da Silva a seu colega da região da Guarda, o Cônego António Pereira de Almeida:

“[...] Numa carruagem de luxo, junto da qual se encontrava o Dr. Formigão, uma senhora de meia idade, elegantemente vestida, volta-se para um rapaz, tipo de estudante universitário, e pergunta-lhe, presa de indizível comoção: — ‘Meu filho, ainda duvidas da existência de Deus?’ — ‘Não, minha mãe’, — responde-lhe o jovem com os olhos marejados de lágrimas. ‘Não, agora é impossível!’”.7

“Caí de joelhos”. Parecia ter chegado o fim do mundo

Nossa Senhora de Fátima é outro imprescindível livro a respeito dos magnos acontecimentos na Cova da Iria, redigido pelo historiador e escritor norte-americano William Thomas Walsh, que viajou a Portugal com o objetivo de interrogar testemunhas oculares. Em seus interrogatórios, ele entrevistou pessoas que lhe disseram ter exclamado na ocasião do milagroso sinal celeste: “Ai Jesus, vamos todos morrer aqui”; “Nossa Senhora, salvai-nos!”; “Ó meu Deus, pesa-me de Vos ter ofendido”; “Ó meu Deus! Quão grande é o Vosso poder!”; “Milagre! Maravilha!”; “As crianças tinham razão!”. Muitas outras exclamações repercutiram por toda a região, de pessoas que rezaram o Confiteor imaginando que aquele seria seu último instante neste mundo. Todos desejavam beijar as mãos das três crianças, a quem chamavam de “santinhas”, ou pelo menos tocar nelas.

Após reproduzir depoimentos e entrevistas que colheu pessoalmente, narra Thomas Walsh: “Conversei com muitas, inclusive tio Marto e sua Olímpia [pais de Jacinta e Francisco], Maria Carreira, duas irmãs de Lúcia [Maria dos Anjos e Glória] e muitas outras pessoas da aldeia. Todos relataram-me a mesma história com evidente sinceridade. Ao mencionarem a queda do sol tinham na voz vestígios do terror que experimentaram. O Padre Manuel Pereira da Silva forneceu-me, substancialmente, os mesmos pormenores: ‘Ao ver o sol cair em ziguezague’, disse, ‘caí de joelhos. Pensei que o fim do mundo tivesse chegado’”.8 

O sol pareceu ameaçar cair sobre a terra

O renomado escritor norte-americano, além de colher depoimentos de pessoas que presenciaram in loco o “Milagre do Sol”, reproduz também declarações daquelas que testemunharam o prodígio estando bem distantes da Cova da Iria. Eis algumas: “O poeta Afonso Lopes Vieira pôde presenciar o fenômeno, em sua residência de S. Pedro de Moel, a uns quarenta quilômetros de Fátima. Padre Inácio Lourenço contou, mais tarde, como havia visto o fato de Alburita, a dezoito ou dezenove quilômetros de distância. Contava ele, por esse tempo, nove anos de idade. Ele e mais alguns alunos ouviram o povo gritando sobressaltado na rua, diante da escola. Em companhia da professora Dona Delfina Pereira Lopes, viram, com estupefação, a rotação e a queda do sol. [...] Repentinamente, pareceu que baixava, em ziguezague, ameaçando cair sobre a terra. Aterrado, corri a esconder-me no meio do povo. Todos choravam, aguardando, de um momento para outro, o fim do mundo’.

‘Junto de nós estava um incrédulo, sem religião, que tinha passado a manhã toda a caçoar dos simplórios que haviam feito a caminhada a Fátima para se pasmar diante de uma menina. Olhei para ele. Estava como paralisado, assombrado, olhos fitos no sol. Depois, vi-o tremer dos pés à cabeça, e, levantando as mãos para o céu, cair de joelhos gritando: ‘Nossa Senhora! Nossa Senhora!’”

Fátima: manifestação da justiça e da misericórdia

Algumas testemunhas que tiveram a dádiva de assistir ao milagre contaram que, depois do medo de serem castigadas pelo sol e de que seria o fim do mundo, uma vez encerrada aquela manifestação portentosa, viram-se de joelhos, mas sentindo uma indizível alegria por terem sobrevivido. Durante o fenômeno muitos choraram de medo; depois de alegria, e abraçavam seus próximos. O que podemos interpretar como símbolo de justiça e misericórdia, dos castigos e dos prêmios anunciados em Fátima. Castigo, por exemplo, quando Nossa Senhora revelou, na terceira aparição (13 de julho de 1917), que “várias nações serão aniquiladas”. Prêmio, quando profetizou “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”.

     O “Milagre do Sol” nos mostra um trailer da magnitude do anunciado castigo que cairá sobre o mundo, por ordem da justiça divina, uma vez que a humanidade não se converteu como pedira a Senhora de Fátima. Mas também manifestação da divina misericórdia, um trailer da alegria daqueles que se mantiverem fiéis a Ela, com a instauração na Terra do Reino de Maria.
       
Em nossos conturbados dias, prenhes de ameaças de todo tipo, até de bombas atômicas que como moderníssimas “espadas de Dâmocles” pairam sobre nossas cabeças, Fátima representa, além da justiça, a esperança e a solução para os graves problemas que afligem a humanidade. Na Aparição focalizada neste artigo, a de 13 de outubro de 1917, a Santa Mãe de Deus suplicou há exatos 100 anos: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

Com essas comoventes palavras, às quais nossos ouvidos não podem permanecer surdos, Nossa Senhora encerrou as maravilhosas e apocalípticas aparições em Fátima. Com elas encerramos também estas considerações, permitindo-nos apenas acrescentar: “Si vocem ejus hodie audieritis, nolite obdurare corda vestra” (Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações [Ps 94,8]).

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Notas:
1.   Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, p. 50.
2.   A respeito, assim como para se ter uma visão de conjunto dos acontecimentos de Fátima, recomendamos a matéria de capa desta revista em maio último.
3.   William Thomas Walsh, Nossa Senhora de Fátima, Melhoramentos, S. Paulo, 1947, p. 131.
4.   Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, S.J., Nossa Senhora de Fátima, Aparições, Culto, Milagres, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1947, 2ª edição, p. 125.
5.   Pe. João M. de Marchi, I.M.C., Era uma Senhora mais brilhante que o sol, Edição do Seminário das Missões de Nossa Senhora de Fátima, Cova da Iria, p. 168.
6.   Id., Ib. p. 169.
7.   Id., Ib. p. 171.
8.    William Thomas Walsh, Nossa Senhora de Fátima, Melhoramentos, S. Paulo, 1947, p. 134.
9.   Id., Ib. pp. 133-134.

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Sexta e última aparição: 13 de outubro de 1917*

Como das outras vezes, os videntes notaram o reflexo de uma luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira:

— LÚCIA: “Que é que Vossemecê me quer?”

— NOSSA SENHORA: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas".

— LÚCIA: “Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir. Se curava uns doentes e se convertia uns pecadores...”

— NOSSA SENHORA: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”. E tomando um aspecto triste: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”.

Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las refletir no sol, e enquanto se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol.

Lúcia, nesse momento, exclamou: “Olhem para o sol!”

Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, desenrolaram-se, aos olhos dos videntes, três quadros, sucessivamente, simbolizando primeiro os mistérios gozosos do rosário, depois os dolorosos e por fim os gloriosos. [...]

Finalmente apareceu, numa visão gloriosa, Nossa Senhora do Carmo, coroada Rainha do Céu e da Terra, com o Menino Jesus ao colo.

Enquanto estas cenas se desenrolavam aos olhos dos videntes, a grande multidão de 50 a 70 mil espectadores assistia ao milagre do sol.

Chovera durante toda a aparição. Ao encerrar-se o colóquio de Lúcia com Nossa Senhora, no momento em que a Santíssima Virgem Se elevava e que Lúcia gritava “Olhem para o sol!”, as nuvens se entreabriram, deixando ver o sol como um imenso disco de prata. Brilhava com intensidade jamais vista, mas não cegava. Isto durou apenas um instante. A imensa bola começou a "bailar". Qual gigantesca roda de fogo, o sol girava rapidamente. Parou por certo tempo, para recomeçar, em seguida, a girar sobre si mesmo, vertiginosamente. Depois seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes de um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada.

Durou tudo uns dez minutos. Finalmente o sol voltou em ziguezague para o ponto de onde se tinha precipitado, ficando novamente tranquilo e brilhante, com o mesmo fulgor de todos os dias.

O ciclo das aparições havia terminado.

Muitas pessoas notaram que suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado subitamente.

O milagre do sol foi observado também por numerosas testemunhas situadas fora do local das aparições, até a 40 quilômetros de distância.

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(*) Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, Editora Vera Cruz Ltda., 46ª edição, São Paulo, 1997, p. 56-60. A obra desse fatimólogo de renome internacional — publicada em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — tornou-se um best-seller, já ultrapassou os cinco milhões de exemplares em 20 línguas, em edições em 30 países.