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10 de maio de 2014

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, rogai por nós!

A Fundação de São Paulo - Pintura de Oscar Pereira da Silva (1865-1939)
Desde a missão de evangelizar, civilizar e instruir os indígenas da Terra de Santa Cruz até a vocação de cruzado — colaborando heroicamente para a expulsão dos hereges que invadiram nossas terras —, Anchieta foi um dos principais forjadores da unidade nacional

Paulo Roberto Campos 
Matéria publicada na Revista "Catolicismo"
Nº 761, edição de Maio/2014.

Beatificado por João Paulo II em junho de 1980, Anchieta foi canonizado no dia 3 de abril último pelo Papa Francisco. Mas já nos idos de 1736 Clemente XII fizera a proclamação da heroicidade de suas virtudes, tornando-se desde então comum recorrer à intercessão desse Venerável filho espiritual de Santo Inácio de Loyola, que mereceu o cognome de Apóstolo do Brasil. A esse título ele será particularmente atento às preces que nós brasileiros lhe dirigirmos — tanto para as nossas necessidades individuais quanto para as da Terra de Santa Cruz. 


Anchieta - Autor anônimo. Museu Paulista
A respeito das delongas e dos obstáculos para se chegar à tão esperada canonização de Anchieta, escreve o Pe. Armando Cardoso, S.J: “Seu processo de beatificação, começado cinco anos apenas após sua morte, e interrompido várias vezes por diversas circunstâncias históricas, se estendeu até 1736, em que o Papa Clemente XII deu o ‘Decreto das Virtudes em Grau Heroico Praticadas pelo Venerável Servo de Deus o Padre José de Anchieta, Sacerdote Professo da Companhia de Jesus’. Retomado para exame dos milagres, foi largado por mais de 120 anos por ocasião da perseguição à Companhia de Jesus, sua supressão, restituição e volta ao Brasil (1757-1877)”.(1) 



Fundador da cidade de São Paulo, um “Bandeirante da Fé”

Ainda muito jovem,
Anchieta faz o voto de castidade
 
Também cognominado "Apóstolo do
Novo Mundo” e “São Francisco Xavier da América”, José de Anchieta nasceu há 480 anos, no dia 19 de março de 1534, em São Cristóvão de La Laguna, Tenerife (Arquipélago das Canárias). Descendente de nobres espanhóis, iniciou seus estudos universitários em Coimbra no ano de 1548, e três anos depois ingressou na Companhia de Jesus. Com apenas 19 anos, enquanto noviço jesuíta, embarcou como missionário para o Brasil, aportando na Bahia de Todos os Santos (Salvador) em 13 de julho de 1553, com o governador-geral Duarte da Costa. 

Pouco depois, partiu para seu principal destino: São Vicente, no litoral paulista, então sede da capitania de Martim Afonso de Sousa. 

Seu zelo pela salvação das almas levou o jovem Anchieta a galgar os 900 metros da escarpada Serra do Mar para chegar ao planalto de Piratininga. Acompanharam-no nesta empreitada 12 jesuítas, que se estabeleceram sobre uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú. Também vinham junto 20 “curumins” — indiozinhos que haviam descido para São Vicente a fim de estudar na escola dos missionários.

Não se trata de narrar aqui toda a empolgante epopeia desse santo missionário, nem os numerosos milagres por ele operados em terras brasílicas. Mas dentre os abundantes fatos épicos de sua vida merece especial destaque um: em 25 de janeiro de 1554, o jovem jesuíta, juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega, fundou a Vila de Piratininga, tendo como ponto de partida o atual Pátio do Colégio, berço da capital paulista. Naquele dia, o ato de fundação da cidade foi a primeira Missa celebrada no rústico e provisório “Colégio São Paulo”. Tal foi o papel do Apóstolo do Brasil, como incansável “Bandeirante da Fé”, na fundação da cidade de São Paulo, que alguns autores afirmam que a atual megalópole bem poderia chamar-se “Cidade de Anchieta”. 


“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” 

O mestre de Piratiniga
Pela grandeza da obra do recém-canonizado santo, salta aos olhos o quanto é injusta e cruel a crítica que a nova missiologia indigenista — levada a cabo por sacerdotes progressistas alinhados à “Teologia da Libertação” — lança contra Anchieta devido à sua catequese dos índios. Sendo batizados e civilizados, estes só lucraram, tanto espiritual quanto materialmente, pois se viram livres de práticas pagãs, de contínuas batalhas entre tribos, e de muitos vícios, como a bebedeira, o infanticídio, a feitiçaria, o canibalismo etc.

Entretanto, os tais neomissionários pregam o retorno dos silvícolas aos seus antigos vícios, ao primitivismo tribal... Pregação bem oposta à gloriosa missão de Anchieta, que admiravelmente seguiu o divino mandado de Nosso Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas” (Mc 16,15-17). 


“A pedra preciosa é o Padre Anchieta” 

O zelo apostólico de Anchieta, “Ad Majorem Dei Gloriam”
(fazer tudo para a maior glória de Deus — lema dos Jesuítas), não se restringiu ao planalto paulista. Seu ardor pela conquista das almas e estabelecimento da civilização cristã em nossas terras levou-o a percorrer enormes distâncias e boa parte do litoral brasileiro. Para esse infatigável apostolado junto aos silvícolas, Anchieta redigiu, em menos de dois anos, a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil — “a melhor de todas as que se escreveram nos tempos coloniais e a que mais corresponde às exigências científicas modernas”, segundo o Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J.(2)

Entre outras obras, Anchieta escreveu os Diálogos da Fé em língua tupi, que passou a ser usado em São Vicente desde 1557. Compôs diversos poemas, canções, sermões e peças teatrais para ensinamento dos índios; redigiu também algumas instruções catequéticas sobre o batismo, a assistência aos silvícolas em perigo de morte e o sacramento da confissão. 

Sinteticamente, para se ter uma certa noção do vulto grandioso desse gigante da fé, basta lembrar o que dele afirmou o segundo bispo do Brasil, Dom Pedro Leitão, o qual lhe havia conferido o sacramento da Ordem: “A Companhia de Jesus no Brasil é um anel de ouro e a pedra preciosa dele é o Padre Anchieta”.(3) 

Ou ainda o que escreveu o jesuíta Simão de Vasconcelos (1596-1671), um dos primeiros biógrafos de Anchieta: “Um José na castidade, um Abraão na obediência, um Moisés nos segredos do Céu, um Job na paciência, um Elias no zelo e um David na humildade. Um portento de maravilhas e um assombro do mundo”.(4) 


Cruzada brasileira contra os invasores do Rio de Janeiro 

O Pe. Nobrega abençoando Estácio de Sá
e suas tropas, que partiam para reconquistar
Guanabara e fundar a cidade do Rio de Janeiro.
Ajoelhado, o Pe. José de Anchieta.
 
Além do título de fundador de São Paulo, o Pe. Anchieta mereceu também, juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega, o de co-fundador do Rio de Janeiro. Vejamos.

Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1571), e outros invasores franceses protestantes, chegaram à baía de Guanabara em 1555, construíram o Forte de Coligny na ilha de Seregipe (como a chamavam os Tamoios — hoje ilha de Villegaignon) e implantaram ali uma colônia que, muito jactanciosamente, denominaram “França Antártica”. Mas foram expulsos da ilha pela esquadra enviada pelo governador-geral Mem de Sá (1500-1572). Entretanto, os sectários de Lutero retiram-se para terra firme, instigaram os índios Tamoios contra os portugueses e retornaram mais tarde as antigas posições.

Os intrusos, amotinando os Tamoios, desejavam implantar a
Mem de Sá
heresia calvinista na Terra de Santa Cruz. Nóbrega e Anchieta logo perceberam a gravidade do perigo e insistiram junto à Corte de Lisboa para que enviasse novas forças. Ao mesmo tempo, multiplicaram os contatos com os chefes indígenas aliados e incentivaram a fabricação de armas e embarcações, somando esforços junto ao governador-geral, que — como registrou Anchieta em sua obra Feitos de Mem de Sá — “prepara uma esquadra para expulsá-los das terras mal havidas: equipa com armas luzentes muitas naus e as enche de escolhidos soldados”.(5) 


O grande missionário e taumaturgo tornou-se o esteio moral em
Chegada de Anchieta
no Rio de Janeiro
que se apoiavam as esperanças de todos. Foi Anchieta quem, durante o estratégico ano de 1565, soube manter inabalável o espírito combativo contra o herege invasor, sem o qual os intrusos não teriam saído do Rio de Janeiro, ameaçando, assim, dividir a nação brasileira. 


Vindo da Bahia em socorro de seu sobrinho Estácio de Sá, o governador-geral, Mem de Sá, derrotou definitivamente os invasores franceses em 20 de janeiro de 1567, dia de São Sebastião. A vitória, entretanto, custou a vida do jovem e bravo Estácio — que veio a falecer santamente um mês após a vitória, em consequência de uma flecha envenenada. 


Essa vitória contra os inimigos da fé católica foi marco da fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro. Fundada pelo fidalgo Mem de Sá, mas para a qual Anchieta tanto havia colaborado, por exemplo, estimulando os indígenas à defesa da cidade, entre os quais se destacou o valente índio Ararigboia (da tribo dos termiminós), batizado com o nome de Martim Afonso. [Ao lado, estátua do índio Ararigboia diante da estação das barcas em Niterói].
A fundação da cidade do Rio de Janeiro - Palácio Pedro Ernesto

Essa heroica reação de portugueses e nativos contra os calvinistas franceses poderia ser designada como a primeira cruzada brasileira para a expulsão dos protestantes que pretenderam dominar o Rio de Janeiro e, a partir daí, apoderarem-se da nação. 
Poema à Virgem Maria - B. Calixto, 1901. Colégio São Luis, São Paulo

Cantor e poeta da Santíssima Virgem Maria 

A devoção do Pe. Anchieta a Nossa Senhora é dos traços que mais o distinguiam. Uma prova saliente disso se deu durante seu cativeiro entre os índios Tamoios, em Iperoig (Ubatuba), quando compôs o célebre Poema da Virgem (De Beata Virgine Matre Dei Maria), certamente a primeira grande obra literária em honra da Santíssima Virgem escrita em terras da América. Com seu bordão, o indômito missionário jesuíta escreveu sobre a areia da praia, em latim clássico, o poema de quase seis mil versos, no qual ele canta a história da Mãe de Deus desde sua Conceição Imaculada até sua gloriosa Coroação no Céu. Nesse fabuloso poema, além de sua robusta inteligência e cultura, o santo autor se revela um precursor dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção. 


O cortejo fúnebre com o corpo
de Anchieta
Após 44 anos de contínuo labor apostólico, o agora canonizado Pe. José de Anchieta — que em vida já era considerado grande santo —, previu o dia de sua morte. Despediu-se na véspera de seus próximos, e no dia 9 de junho de 1597 entregou sua bela alma a Deus, aos 63 anos de idade, na aldeia do Reritiba, hoje cidade de Anchieta (ES). Entre os índios, foi geral a lamentação e tristeza pela morte daquele que lhes dedicara toda a sua existência. Hoje o Brasil inteiro venera esse fulgurante missionário que profeticamente, na acima citada obra, anunciara: “A nação que se ceva agora em carnes humanas, a terra em que sopra o Sul, conhecerá o Teu nome e ao mundo austral advirão os séculos de ouro, quando as gentes brasílicas observarem a Tua doutrina”(6) — a divina doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o Apóstolo do Brasil viveu e morreu heroicamente. 
Pátio do Colégio - Benedito Calixto

“Primeiro rebento de santidade de uma grande nação”

A seguir, algumas palavras do mesmo autor, publicadas em “O Século”, do Rio de Janeiro, em 4-9-1932:
“Se pudéssemos recorrer a uma comparação profana,
para dar a ideia da importância de Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o Brasil o que Licurgo foi para Esparta e Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar os primeiros edifícios e organizar as primeiras instituições.
Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue nas nascentes da nação brasileira, a construir seu primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, e a redigir, confiando-os às praias do oceano, os primeiros versos compostos em plagas brasileiras. 
“O fundador de São Paulo foi, portanto, simultaneamente, nosso primeiro mestre-escola, nosso primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, o mais antigo vulto da literatura brasileira, como o chamava Silvio Romero.
“E sobre esta tríplice coroa fulgura ainda o diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras os milagres do Poverello de Assis, que, com sua simples presença, amansava feras e atraía os passarinhos, nas florestas densas da Úmbria.” 
Anchieta costumava rezar aos pés desta imagem de Na. Sra. da Conceição
Almejando ardentemente a elevação do Pe. Anchieta à honra dos altares, assim conclui Plinio Corrêa de Oliveira o referido artigo, naqueles idos de 1932:
“Seu processo de canonização está confiado ao juízo soberano da Santa Igreja. E todas as razões nos levam a crer que Deus ouvirá as orações que lhe forem dirigidas por intermédio de Anchieta, facilitando assim a causa de sua canonização, para erguer sobre seus altares um grande santo, primeiro rebento de santidade de uma grande nação.”  
Relíquia de São José de Anchieta
_______ 
Notas: 
1. Pe. Armando Cardoso, S.J., O Bem-aventurado Anchieta, Edições Loyola, São Paulo, 1991, p. 68. 
2. Cfr. Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J., José de Anchieta, Tenenge, São Paulo, 1987, p. 24. 
3. Celso Viera, Anchieta, Pimenta e Mello & Cia, Rio de Janeiro, 1929, p. 175. 
4. Pe. Simão de Vasconcelos, A Vida do Venerável Pe. José de Anchieta, Lello & Irmãos, Editores, Porto, 1953, p. 90. 
5. Pe. Ioseph de Anchieta, De Gestis Mendi de Saa praesidis in Brasillia, Obras completas, 3ª ed., 1º vol. p. 195. 
6. Idem, ibidem, p. 229.

3 de abril de 2014

São José de Anchieta

Anchieta, Apóstolo do Brasil, fundador da cidade de São Paulo e co-fundador do Rio de Janeiro. Pintura de Oscar Pereira da Silva (1865-1939).
Paulo Roberto Campos 


Beatificado por João Paulo II em junho de 1980, Anchieta é agora canonizado pelo Papa Francisco. Mas já nos idos de 1736, Clemente XII fez a proclamação da heroicidade das virtudes do Venerável Apóstolo do Brasil. Podendo-se então, desde aquele longínquo ano, recorrer à intercessão desse prodigioso santo junto a Deus. Assim, particularmente para nós brasileiros, é recomendável pedir tal intercessão em nossas orações. 

Também cognominado Apóstolo do Novo Mundo, José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534 em São Cristóvão de La Laguna, Tenerife (Arquipélago das Canárias). Iniciou seus estudos universitários em Coimbra no ano de 1548, e três anos depois ingressou na Companhia de Jesus. Com apenas 19 anos, embarcou como missionário para o Brasil, aportando na Bahia de Todos os Santos, Salvador, em 13 de julho de 1553. 

Não se trata de narrar aqui a empolgante epopeia desse prodigioso santo missionário, mas dentre os numerosos fatos épicos da sua vida, destacamos um: em 25 de janeiro de 1554, o jovem jesuíta fundou a Vila de Piratininga, no Pátio do Colégio, berço da capital paulista.

Em homenagem a este grande herói da Fé católica, a quem todos os brasileiros tanto devem, reproduzimos a seguir algumas palavras de Plinio Corrêa de Oliveira, publicadas em “O Século”, do Rio de Janeiro, em 4-9-1932. 
“A Fundação de São Paulo”, pintura de Oscar Pereira da Silva (1865-1939).
“Se pudéssemos recorrer a uma comparação profana, para dar a ideia da importância de Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o Brasil o que Licurgo foi para Esparta e Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar os primeiros edifícios e organizar as primeiras instituições. 
Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue nas nascentes da nação brasileira, a construir seu primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, e a redigir, confiando-os às praias do oceano, os primeiros versos compostos em plagas brasileiras.
O fundador de São Paulo foi, portanto, simultaneamente, nosso primeiro mestre-escola, nosso primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, o mais antigo vulto da literatura brasileira, como o chamava Silvio Romero.
E sobre esta tríplice coroa fulgura ainda o diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras os milagres do Poverello de Assis, que, com sua simples presença, amansava feras e atraía os passarinhos, nas florestas densas da Umbria”.
Relicário contendo a tíbia de São José de Anchieta

24 de janeiro de 2014

1554-2014 — 460 anos da fundação de São Paulo

Pátio do Colégio, em 1824, pintura de Jean Baptiste Debret
Paulo Roberto Campos

Neste dia 25 de janeiro, em memória da comemoração do 460º aniversário de fundação da capital paulista, ofereço aos leitores trecho (transcrito abaixo) de memorável discurso de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em 21-7-1935 no jornal “O Legionário”, então órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo. 

Enquanto líder católico, o ilustre orador que então contava com 27 anos, proferiu uma saudação ao prefeito Fábio da Silva Prado (no quadriênio 1934 a 1938). Essa histórica saudação foi uma homenagem à cidade em nome dos 15.000 jovens Congregados Marianos concentrados na área externa da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. 

Na ocasião, Plinio Corrêa de Oliveira — descendente, pelo lado materno, dos paulistas denominados “de quatrocentos anos”, isto é, originários dos fundadores ou dos primeiros habitantes da “Vila de São Paulo” — exalta os extraordinários talentos que a Divina Providência prodigalizou ao povo paulista e tece profundas considerações sobre a grandeza e glória da Pauliceia, fundada pelos jesuítas Nóbrega e Anchieta no Pátio do Colégio e desenvolvida pelos heroicos desbravadores bandeirantes.
Diversos Bandeirantes
“Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal 
Incumbiu-me a mocidade que aqui se congrega, de homenagear, na pessoa de V. Exa., a gloriosa capital paulista. 
Nada de mais grato para nossos corações do que celebrar, na festiva data de hoje, a grandeza e a glória da nossa Pauliceia, tão digna de todas as homenagens, pela sólida catolicidade que a distingue e pelo valor de sua atuação na vida nacional.
Há 460 anos, em 25 de janeiro de 1554, foi realizada, diante da construção feita de taipa de pilão erguida no Pátio do Colégio, a missa pela fundação da cidade de São Paulo do Piratininga
Consagrando ao Apóstolo das Gentes a cidade que acabava de fundar, Anchieta implorou e obteve, para a raça que dela brotasse, o idealismo abrasador, a energia inexaurível, a combatividade invencível, a audácia viril e realizadora que Paulo de Tarso soube pôr a serviço da maior das causas, a causa de Cristo e da sua Igreja. [...] 
Não é apenas no idealismo candente e no vigor da ação, que os filhos desta cidade se têm mostrado dignos do Patrono que lhes deu Anchieta. É também pela universalidade de sua ação. 
São Paulo, o Apóstolo das Gentes, não concebia limites para a sua doutrinação. O mundo inteiro era pequeno para a grandeza de seu ardor apostólico.
Representação da cabana do cacique Tibiriça, na qual sacerdotes jesuítas se abrigaram no dia da fundação de São Paulo, 25 de janeiro de 1554
Assim também a ação vigorosa e fecunda dos paulistanos se destaca pela sua universalidade. Nem a distância dos lugares, nem a dificuldade das comunicações foram diques capazes de conter a ação da gente bandeirante, que se tem derramado em influxos benéficos sobre o Brasil inteiro. E desde as bandeiras até à reconstitucionalização do País, todos os episódios de nossa história têm sido um transbordamento do coração e da energia de São Paulo, para além de nossas fronteiras em benefício de nosso grande Brasil. [...]
São Paulo não é grande por ser rica. Mas São Paulo é rica, porque o paulista é grande. Nossa riqueza foi arrancada ao solo virgem de nossa terra depois de uma luta titânica contra a natureza bravia. Nossa capital não se construiu em fértil e luminosa planície, embelezada por todas as graças da natureza. Foi edificada em terreno montanhoso e sob um céu cheio de brumas, em que tudo no ambiente nos lembra, constantemente, a vocação do paulista; porque as brumas nos dizem lutar e o solo acidentado nos brada subir. 
Se nosso Estado é próspero e nossa capital é bela, não o devemos nós, portanto, senão à mercê de Deus e à fibra de nossa gente. Porque foram sempre a mercê de Deus e o valor de nossa fibra a maior riqueza com que contamos”.

31 de julho de 2008

Uma nova inquisição — desta vez, sobretudo, contra os católicos


Paulo Roberto Campos
prccampos@terra.com.br

Como se sabe, a chamada “lei da homofobia” (Projeto de Lei 122/2006, da deputada petista Iara Bernardi) foi aprovada na Câmara dos Deputados — evidentemente sem consulta popular, pois se houvesse seria reprovada — e atualmente tramita no Senado.

Na próxima semana, com o fim do recesso parlamentar, certamente esse tema voltará à pauta. Assim, temos que ficar “de olho” nessa questão de suma gravidade e de trágicas conseqüências para as famílias normalmente constituídas.

Se aprovado tal projeto de lei, acarretará numa verdadeira perseguição religiosa a todos que sigam a moral da Santa Igreja. E isso no Brasil, cuja imensa maioria da população é católica. Além de facultar enormes privilégios ao homossexualismo, acarretará também na censura de nossos mais fundamentais direitos — o da livre manifestação de opinião. Será considerado criminoso quem manifestar seu pensamento contrário ao homossexualismo e poderá ser preso.
A respeito, o Revmo. Padre Lodi (foto) — um paladino na luta contra o aborto, presidente do Pró-Vida de Anápolis, bacharel em Teologia pelo Institutum Sapientiae e professor de Bioética na Faculdade de Filosofia São Miguel Arcanjo — escreve, de modo conciso e muito lucidamente, em seu site http://www.providaanapolis.org.br/index1.htm

O que está para acontecer
"A lei que pretende conceder privilégios ao homossexualismo, criando a figura penal da “homofobia”, está muito longe de ser inofensiva. Já agora os homossexuais militantes, organizados em associações, com o apoio do governo e o aplauso dos meios de comunicação social, vêm obtendo, junto ao Judiciário, indenizações por “danos morais”, pensão alimentícia após a morte do “companheiro” e inclusive o direito de adotar crianças! Há juízes e tribunais decidindo contra a lei, à semelhança daqueles que “autorizam” a prática de um aborto de bebê anencéfalo.

O PLC 122/2006, se convertido em lei, conforme compromisso do presidente, acarretará uma perseguição religiosa sem precedentes em nosso país. Vejamos:


  • A proposta pretende punir com 2 a 5 anos de reclusão aquele que ousar proibir ou impedir a prática pública de um ato obsceno (“manifestação de afetividade”) por homossexuais (art. 7°).

    Na mesma pena incorrerá a dona-de-casa que dispensar a babá que cuida de suas crianças após descobrir que ela é lésbica (art. 4°).

    A conduta de um sacerdote que, em uma homilia, condenar o homossexualismo poderá ser enquadrada no artigo 8°, (“ação [...] constrangedora [...] de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”).

    A punição para o reitor de um seminário que não admitir o ingresso de um aluno homossexual está prevista para 3 a 5 anos de reclusão (art. 5°)
O cerne da questão
No entanto, as conseqüências acima (que já são realidade em países que aprovaram leis semelhantes) não são o principal motivo pelo qual o PLC 122/2006 deve ser rejeitado. O cerne da questão não está nas perseguições que hão de vir caso a proposta seja convertida em lei.
O motivo central pelo qual esse projeto deve ser totalmente rejeitado é que ele pretende dar direitos ao vício. O homossexualismo não acrescenta direitos a ninguém. Se um homossexual praticante tem algum direito, conserva-o apesar de ser homossexual, e não por ser homossexual. O mesmo se pode dizer de qualquer outro vício. O bêbado, o adúltero, a prostituta... só têm direitos como pessoas, mas não por causa da embriaguez, do adultério ou da prostituição.

O homossexual, por ter escolhido livremente praticar esse vício, deve arcar com o ônus de sua opção. Não pode exigir que um seminário o acolha para que ele se torne sacerdote. Nem pode querer impedir que, em uma homilia, um pregador reprove sua conduta. Não pode queixar-se de seu empregador querer demiti-lo temendo a corrupção moral de sua empresa. Não pode exigir que um juiz da infância lhe dê uma criança para adotar. Não pode obrigar uma mãe de família a confiar nele para cuidar de seus bebês. Não pode forçar a população a tolerar seus atos de obscenidade praticados em público.

A simples promulgação dessa lei (Deus não o permita!), independentemente de qualquer efeito persecutório, será uma horrenda mudança qualitativa em nossa legislação. Se aprovada essa lei, por ação ou omissão dos brasileiros, este país ter-se-á rebelado contra Deus, transformando em direito aquele pecado “muito grande” (Gn 18,20) que clamava aos Céus por castigo. É de se temer que nossa pátria tenha um destino semelhante ao que teve a cidade de Sodoma (Gn 19).

Anápolis, 19 de maio de 2007
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
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Como se nota, trata-se de uma lei contrária às leis divina e natural e que afronta a maioria da população brasileira, que exige respeito e acatamento às leis de Deus.

Sob pretexto de proteção aos “direitos dos homossexuais”, insulta-se os direitos de Deus!

Sob o pretexto, muito esfarrapado, de “discriminação” pretende-se suprimir a liberdade de expressão!

Onde está a coerência do regime democrático, se este impede a manifestação de opinião?!

Não estamos caminhando para uma ditadura ideológica? É uma nova forma de “patrulhamento ideológico”, por onde um brasileiro não pode falar sobre a doutrina católica a respeito do homossexualismo; não pode falar sobre o que aprendeu no catecismo; não pode ensiná-lo; não pode sequer citar a Bíblia. E se falar: cadeia!
Nas Sagradas Escrituras encontramos “N” passagens que condenam a prática homossexual. Transcrevo apenas uma do Antigo Testamento:

“Aquele que pecar com um homem, como se ele fosse uma mulher, ambos cometeram uma coisa execranda, sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre eles” (Lev. 20, 13)

E uma passagem do Novo Testamento (do Apóstolo São Paulo):

“Porque as suas próprias mulheres mudaram o uso natural, em outro uso, que é contra a natureza. E do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. E, como não procuram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda iniqüidade, malícia e fornicação” (I Rom., 26 e ss.).
Uma nova inquisição que desponta
Se São Paulo estivesse vivo, e se aprovada a “Lei da Homofobia”, certamente seria encarcerado. Não só ele, mas todos os grandes Papas e Santos, como Santo Agostinho, que escreveram contra o homossexualismo. Será que essa nova “patrulha ideológica inquisitorial” fará uma gigantesca fogueira para queimar todas as Bíblias? Proibirá sua venda? Retira-las-á das livrarias? Ou passará a tesoura nas páginas que condenam a prática homossexual?

Se Deus quiser, abordarei nos próximos posts outros aspectos da disparatada “Lei da Homofobia”, mas, sobretudo, pretendo postar neste Blog da Família um IM-POR-TAN-TÍS-SI-MO documento apresentando alguns pontos da moral católica sobre a homossexualidade. Aguardem!
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PS: Hoje recebi por e-mail uma foto (ela dispensa comentários...) de um leitor deste Blog, sugirindo-me inserí-la na matéria acima, pois, segundo ele, "acho que a foto anexa ilustra bem o que vc. fala da nova inquinsição, da gigantesca fogueira para queimar as Bíblias etc."


25 de maio de 2008

Prática homossexual: “Pecado que brada aos céus por vingança”

Representação da cidade de Sodoma sendo destruída por uma chuva de fogo

Paulo Roberto Campos

Hoje, 25 de maio, realiza-se a tal “parada do orgulho homossexual” na Avenida Paulista. O que repugna a toda família normalmente bem constituída — ou seja, constituida a partir do casamento entre um homem e uma mulher.

Já o nome — “parada do orgulho” — revela suas péssimas origens, pois segundo o grande comentarista da Sagrada Escritura, Cornélio a Lápide, o orgulho gera impureza:

“A impureza é o castigo do orgulho, da mesma forma que a humildade é a recompensa da castidade. Esta é a ordem estabelecida por Deus, e se o homem submete sua mente a Deus, também o seu corpo se submeterá a Deus. Pelo contrário, quando o homem se rebela contra Deus, também seu corpo se rebela contra ele” (Cornélio a Lápide, Commentaria in Scripturam Sacram (Paris: Vivès, 1863), vol. 18, p. 54)

Lamentavelmente a referida “parada do orgulho” é feita com patrocínios provenientes dos cofres públicos — dinheiro, portanto, da imensa maioria da população brasileira, que entretanto a reprova. É o que informa “O Estado de S. Paulo”, do dia 16-05-08: “Neste ano, o governo federal reserva R$ 300 mil, ante R$ 250 mil de 2007, e a Prefeitura desembolsa R$ 450 mil, ante R$ 350 mil da edição passada. O evento vai ter orçamento em torno de R$ 1,070 milhão, já acrescentados os investimentos da Caixa Econômica Federal (R$ 120 mil) e Petrobrás (R$ 200 mil)”.

Mas pior que o desperdiço do dinheiro público, é tratar-se do financiamento de um evento que exalta o pecado, a imoralidade, o vício antinatural. Pois, a homossexualidade viola a Lei de Deus, além de contrariar a própria natureza humana. É a pior forma de imoralidade, severamente condenada pela Igreja Católica, cujo pensamento a respeito nunca mudou, conforme ensina o “Catecismo da Igreja Católica” (publicado em 1994 pelo Vaticano) ao afirmar que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados”, e “contrários à Lei Natural”.

Verdades esquecidas
À vista dessa “parada do orgulho” e em defesa da família normalmente constituída, transcrevo aqui algumas verdades esquecidas, de acordo com as quais o pior castigo de Deus é quando Ele abandona às suas próprias paixões os pecadores que não querem se converter. Disso decorre o vício antinatural da homossexualidade.

São Paulo Apóstolo, tratando da degradação dos romanos, devido à prática homossexual, afirma:

“Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario”. (Rom 1, 26-27).

O grande São Tomás de Aquino, referindo-se a essas palavras do Apóstolo, mostra a gravidade de tal pecado antinatural:

“Se todos os pecados da carne merecem condenação, pois através deles o homem se deixa dominar pelo que tem da natureza animal, muito mais merecem condenação os pecados contra a natureza, pelos quais o homem degrada sua própria natureza animal. [...] O homem peca contra a natureza quando contraria a natureza do seu gênero, isto é, a sua natureza animal. Ora, é evidente que, de acordo com a ordem natural, a união dos sexos entre os animais é orientada para a concepção. Disso se segue que todo ato sexual que não pode conduzir à concepção é oposto à natureza animal do homem”. (São Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Romanos, Cap. 1, Lec. 8).

E Santo Agostinho, em sua célebre obra “Confissões”, nestes termos condena a homossexualidade:

“Aquelas ofensas que são contrárias à natureza devem ser detestadas e punidas em todo o tempo e lugar. Assim aconteceu com os sodomitas, e todas as nações que as cometerem deveriam ser igualmente culpadas do mesmo crime ante a lei divina, pois Deus não fez os homens de tal modo que possam abusar um do outro daquele modo. Pois a amizade que deve existir entre Deus e nós é violada quando a própria natureza da qual Ele é autor é poluída pela perversão da luxúria”. (Santo Agostinho, Confissões, Livro II, Cap. 8, n° 15).

Santa Catarina de Siena, escreveu o que Deus lhe ditou sobre os homossexuais:

“Como cegos e insensatos, com a luz do seu intelecto obscurecida, não reconhecem o mau odor e a miséria em que se encontram. Não apenas porque esse pecado tem mau odor diante de mim, que sou a suprema e eterna Verdade, mas de fato ele me desagrada a tal ponto, e eu o tenho em tanta abominação, que por causa apenas dele Eu queimei cinco cidades por punição divina, pois a minha justiça divina não mais podia suportá-lo. Esse pecado desagrada não apenas a mim, como já disse, mas também aos próprios demônios que esses desgraçados tornaram seus senhores. Não que esse mal os desagrade [aos demônios], pois não gostam de nada que seja bom, mas porque a natureza deles, que foi originalmente angélica, provoca-lhes repugnância ao ver cometer tão enorme pecado”. (Santa Catarina de Siena, The Dialogue of the Seraphic Virgin (Londres: Burns, Oates e Washbourne, Ltd., 1925), p. 255.

Os pecados de homossexualismo de tal modo provocam a cólera divina que “bradam aos Céus e clama a Deus por vingança”. Na Bíblia lemos esta passagem referente a Sodoma e Gomorra: “Vamos destruir este lugar, pois é tão grande o clamor diante do Senhor contra os da cidade, que Ele nos enviou para destruí-la” (Gen. 19, 13). (Vide gravura no alto)

Ambas as cidades pecadoras e amaldiçoadas servem de advertência de Deus para as cidades de nossos dias, nas quais se ostenta o “orgulho homossexual”. Segundo São Pedro: “E condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, pondo-as como exemplo daqueles que venham a viver impiamente”.(II Pedro, 2, 6-8).

A conclusão óbvia é que a promoção de tal “parada” esta provocando a cólera de Deus, atraindo assim terríveis castigos para nossa cidade.

Encerro prometendo continuar com esse importante tema. Vou pesquisar outras “verdades esquecidas” a respeito, para serem introduzidas neste Blog da Família. São verdades óbvias, mas muito esquecidas devido ao relativismo moral de nossos tempos. Mas antes de encerrar, uma ponderação:

Nosso Senhor Jesus Cristo ensina no Evangelho (cfr. Mt 7, 1-6) que não devemos condenar o semelhante. Portanto, não podemos, de modo algum, agredir tais pecadores. Mas enquanto católicos temos a obrigação de ser fiéis aos ensinamentos do Divino Mestre, que também nos ensinou o dever de repudiar categoricamente o pecado. Então, rezemos pela conversão dos pecadores. Em conformidade, aliás, com o pedido feito por Nossa Senhora em Fátima.