26 de maio de 2008

Urgente: Apelo para que os Ministros do STF votem NÃO às pesquisas com células-tronco embrionárias: não curam e são criminosas!


Como todos se recordam, em 5 de março último, iniciou-se no Supremo Tribunal Federal o julgamento do projeto de Lei de Bio-Segurança — que permitiria pesquisas com células-tronco embrionárias. (vide post: http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/2008/03/no-lcito-eliminar-uma-vida-ainda-que.html

Mas a decisão do STF foi adiada, pois, em boa hora, o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, pediu vistas ao processo, a fim de ter mais tempo para estudar os argumentos apresentados naquele colegiado.

Agora, na próxima 4ª. feira, dia 28 de maio, o STF novamente se reunirá para a votação.

Em vista disso, recebi um e-mail urgente de um colega, Daniel Martins, da Campanha “Nascer é um direito”, pedindo o envio de mensagens a todos os Bispos do Brasil a fim de que eles possam influenciar na decisão dos Ministros do STF.

Já atendi o pedido e rogo o mesmo favor aos diletos Amigos. Segue o e-mail que recebi e que bem explica o urgente lance:
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Clique aqui e participe de nossa campanha de envio de apelo aos Bispos do Brasil!
Vamos salvar a vida dos embriões!
O futuro e a sorte de milhares de embriões será decidida, nesta quarta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal(STF), em Brasília.

Clique aqui agora e impeça que milhões de embriões sejam condenados à morte!
Vamos mandar uma carta aos bispos de todo o Brasil pedindo que eles se mobilizem e usem sua benéfica influência em defesa da vida inocente.
Mais uma vez agradeço seu esforço.
Deus lhe pague
Atenciosamente
Daniel Martins
Campanha Nacional Contra o AbortoNascer é um DireitoAssociação dos Fundadores
http://www.nascereumdireito.org.br/
Para saber mais detalhes, leia a explicação abaixo
Há três anos, foi aprovada uma lei conhecida como a lei da Biossegurança (Lei nº 11,105/05) e depois sancionada pelo Presidente Lula. De acordo com essa lei poder-se-ia utilizar embriões para pesquisas e terapias. Ou seja seria permitido matar embriões.
Eles procuram dizer que seriam usados as células tronco dos embriões para curar determinadas doenças degenerativas.

Ora, isso é falso! Pois até agora cientistas de todo o mundo que tentaram fazer alguma experiência com células-tronco de embriões, não obtiveram resultados positivos, muito pelo contrário, nenhuma deu certo. Mas, usando células-tronco adultas, deram excelentes resultados.
Naquele mesmo ano, o Procurador Geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal alegando que essa lei violava nossa Constituição, era portanto, inconstitucional.

No começo deste ano, em março começou o julgamento no STF e o relator Ministro Carlos Ayres Britto, votou contra as alegações do Procurador Fonteles, dizendo que a vida começa só depois do nascimento com vida! O que é um absurdo! O feto, o embrião tem vida desde o momento da concepção.

Essa lei absurda não é só contra a Constituição é, também, contra a lei de Deus. É contra o quinto mandamento que proíbe matar.

Vamos pois fazer um apelo aos bispos do Brasil, pois eles têm autoridade para mostrar que essa lei vai contra os princípios da Igreja Católica, que é a religião com o maior número de fiéis em nossa Pátria.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem condições de ir ao STF e apelar para que os Ministros do Supremo não aprovem esta lei, pois ela será a porta de entrada para o aborto o qual é a nova matança de inocentes, em pleno século XXI.
Dê um clique e salve a vida desses inocentes. Só Você poderá fazer isso. Clique aqui e participe de nossa campanha de envio de apelo aos Bispos do Brasil.

25 de maio de 2008

Prática homossexual: “Pecado que brada aos céus por vingança”

Representação da cidade de Sodoma sendo destruída por uma chuva de fogo

Paulo Roberto Campos

Hoje, 25 de maio, realiza-se a tal “parada do orgulho homossexual” na Avenida Paulista. O que repugna a toda família normalmente bem constituída — ou seja, constituida a partir do casamento entre um homem e uma mulher.

Já o nome — “parada do orgulho” — revela suas péssimas origens, pois segundo o grande comentarista da Sagrada Escritura, Cornélio a Lápide, o orgulho gera impureza:

“A impureza é o castigo do orgulho, da mesma forma que a humildade é a recompensa da castidade. Esta é a ordem estabelecida por Deus, e se o homem submete sua mente a Deus, também o seu corpo se submeterá a Deus. Pelo contrário, quando o homem se rebela contra Deus, também seu corpo se rebela contra ele” (Cornélio a Lápide, Commentaria in Scripturam Sacram (Paris: Vivès, 1863), vol. 18, p. 54)

Lamentavelmente a referida “parada do orgulho” é feita com patrocínios provenientes dos cofres públicos — dinheiro, portanto, da imensa maioria da população brasileira, que entretanto a reprova. É o que informa “O Estado de S. Paulo”, do dia 16-05-08: “Neste ano, o governo federal reserva R$ 300 mil, ante R$ 250 mil de 2007, e a Prefeitura desembolsa R$ 450 mil, ante R$ 350 mil da edição passada. O evento vai ter orçamento em torno de R$ 1,070 milhão, já acrescentados os investimentos da Caixa Econômica Federal (R$ 120 mil) e Petrobrás (R$ 200 mil)”.

Mas pior que o desperdiço do dinheiro público, é tratar-se do financiamento de um evento que exalta o pecado, a imoralidade, o vício antinatural. Pois, a homossexualidade viola a Lei de Deus, além de contrariar a própria natureza humana. É a pior forma de imoralidade, severamente condenada pela Igreja Católica, cujo pensamento a respeito nunca mudou, conforme ensina o “Catecismo da Igreja Católica” (publicado em 1994 pelo Vaticano) ao afirmar que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados”, e “contrários à Lei Natural”.

Verdades esquecidas
À vista dessa “parada do orgulho” e em defesa da família normalmente constituída, transcrevo aqui algumas verdades esquecidas, de acordo com as quais o pior castigo de Deus é quando Ele abandona às suas próprias paixões os pecadores que não querem se converter. Disso decorre o vício antinatural da homossexualidade.

São Paulo Apóstolo, tratando da degradação dos romanos, devido à prática homossexual, afirma:

“Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario”. (Rom 1, 26-27).

O grande São Tomás de Aquino, referindo-se a essas palavras do Apóstolo, mostra a gravidade de tal pecado antinatural:

“Se todos os pecados da carne merecem condenação, pois através deles o homem se deixa dominar pelo que tem da natureza animal, muito mais merecem condenação os pecados contra a natureza, pelos quais o homem degrada sua própria natureza animal. [...] O homem peca contra a natureza quando contraria a natureza do seu gênero, isto é, a sua natureza animal. Ora, é evidente que, de acordo com a ordem natural, a união dos sexos entre os animais é orientada para a concepção. Disso se segue que todo ato sexual que não pode conduzir à concepção é oposto à natureza animal do homem”. (São Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Romanos, Cap. 1, Lec. 8).

E Santo Agostinho, em sua célebre obra “Confissões”, nestes termos condena a homossexualidade:

“Aquelas ofensas que são contrárias à natureza devem ser detestadas e punidas em todo o tempo e lugar. Assim aconteceu com os sodomitas, e todas as nações que as cometerem deveriam ser igualmente culpadas do mesmo crime ante a lei divina, pois Deus não fez os homens de tal modo que possam abusar um do outro daquele modo. Pois a amizade que deve existir entre Deus e nós é violada quando a própria natureza da qual Ele é autor é poluída pela perversão da luxúria”. (Santo Agostinho, Confissões, Livro II, Cap. 8, n° 15).

Santa Catarina de Siena, escreveu o que Deus lhe ditou sobre os homossexuais:

“Como cegos e insensatos, com a luz do seu intelecto obscurecida, não reconhecem o mau odor e a miséria em que se encontram. Não apenas porque esse pecado tem mau odor diante de mim, que sou a suprema e eterna Verdade, mas de fato ele me desagrada a tal ponto, e eu o tenho em tanta abominação, que por causa apenas dele Eu queimei cinco cidades por punição divina, pois a minha justiça divina não mais podia suportá-lo. Esse pecado desagrada não apenas a mim, como já disse, mas também aos próprios demônios que esses desgraçados tornaram seus senhores. Não que esse mal os desagrade [aos demônios], pois não gostam de nada que seja bom, mas porque a natureza deles, que foi originalmente angélica, provoca-lhes repugnância ao ver cometer tão enorme pecado”. (Santa Catarina de Siena, The Dialogue of the Seraphic Virgin (Londres: Burns, Oates e Washbourne, Ltd., 1925), p. 255.

Os pecados de homossexualismo de tal modo provocam a cólera divina que “bradam aos Céus e clama a Deus por vingança”. Na Bíblia lemos esta passagem referente a Sodoma e Gomorra: “Vamos destruir este lugar, pois é tão grande o clamor diante do Senhor contra os da cidade, que Ele nos enviou para destruí-la” (Gen. 19, 13). (Vide gravura no alto)

Ambas as cidades pecadoras e amaldiçoadas servem de advertência de Deus para as cidades de nossos dias, nas quais se ostenta o “orgulho homossexual”. Segundo São Pedro: “E condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, pondo-as como exemplo daqueles que venham a viver impiamente”.(II Pedro, 2, 6-8).

A conclusão óbvia é que a promoção de tal “parada” esta provocando a cólera de Deus, atraindo assim terríveis castigos para nossa cidade.

Encerro prometendo continuar com esse importante tema. Vou pesquisar outras “verdades esquecidas” a respeito, para serem introduzidas neste Blog da Família. São verdades óbvias, mas muito esquecidas devido ao relativismo moral de nossos tempos. Mas antes de encerrar, uma ponderação:

Nosso Senhor Jesus Cristo ensina no Evangelho (cfr. Mt 7, 1-6) que não devemos condenar o semelhante. Portanto, não podemos, de modo algum, agredir tais pecadores. Mas enquanto católicos temos a obrigação de ser fiéis aos ensinamentos do Divino Mestre, que também nos ensinou o dever de repudiar categoricamente o pecado. Então, rezemos pela conversão dos pecadores. Em conformidade, aliás, com o pedido feito por Nossa Senhora em Fátima.

19 de maio de 2008

“Não há dever mais urgente do que o de agradecer”

Os Deputados reunidos na “Comissão de Seguridade Social e Família”, onde o PL 1135/91 foi rejeitado por 33 x 0

Diletos Amigos

“Não há dever mais urgente do que o de agradecer”, disse o grande Santo Ambrósio. Não há coisa mais feia que a ingratidão — de certo modo poderíamos dizer.

Assim sendo, precisamos manifestar nossos agradecimentos aos Deputados que votaram contra o aborto naquele bendito dia 7 de maio de 2008 (vide matéria abaixo Unanimidade contra o aborto — 33 x 0 ). Bendito dia em que todos aqueles que batalharam pela rejeição do Projeto abortista — o infame PL 1135/91, que pretendia despenalizar o crime do aborto — obtiveram a vitória com o espetacular resultado: 33 votos contra o PL e nenhum a favor!

Como enviamos mensagens pedindo aos Deputados que não deixassem de comparecer à “Comissão de Seguridade Social e Família”, da Câmara dos deputados, e votassem pela rejeição do PL, precisamos agora enviar outras mensagens, desta vez em reconhecimento. Desse modo, eles perceberão que acompanhamos seus passos e estaremos atentos aos próximos. Como se sabe, mesmo com a histórica vitória, a ameaça contra os inocentes por nascer continua, pois tal PL foi encaminhado para apreciação na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça), onde será analisado sob o aspecto da constitucionalidade.

Ao mesmo tempo em que enviarmos as novas mensagens aos 33 Deputados, agradecendo-lhes pela bela atitude que tomaram, manifestamos que foram registrados os nomes daqueles que não compareceram à votação. A vitória poderia ter sido ainda mais espetacular se os que se abstiveram não tivessem “lavado as mãos”... na bacia de Pilatos... Suas bases eleitorais ficarão sabendo...

Abaixo segue cópia da mensagem que anteontem (17-5-08) enviei aos 33 parlamentares que honraram seus mandatos, bem como seus e-mails, a fim de que os leitores deste blog possam enviar as felicitações.

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Exmo. Senhor Deputado
7 de maio de 2008 — Um grande dia que marcou a História Brasil ! Realmente, esse dia foi de uma grande vitória a favor da vida inocente, contra a legalização do crime do aborto. Nesta gloriosa vitória V. Exa. tem parte e terá seu nome escrito e lembrado em nossa História, pois seu voto foi um dos 33 que rejeitou o abominável PL 1135/91 na "Comissão de Seguridade Social e Família".
33 votos que representam a enorme rejeição da população brasileira, que é — segundo recentes pesquisas — maciçamente contrária à prática do aborto.
Por sua atuação nesta luta contra o crime hediondo do aborto minhas calorosas felicitações. Conte conosco para os novos embates a fim de se obter o ARQUIVAMENTO DEFINITIVO do tal Projeto de Lei, que JAMAIS deveria ter sido proposto.
Como o Sr. bem sabe, foi nomeado o Dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para relator do projeto do aborto na "Comissão de Constituição de Justiça", e a população brasileira espera que o parecer dele seja conforme o voto dos 33 Deputados na CSSF.
Forte abraço
Paulo Roberto Campos

prccampos@terra.com.br
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E-mails dos 33 nobres Deputados que votaram contra o aborto:

dep.alinecorrea@camara.gov.br, dep.armandoabilio@camara.gov.br, dep.eduardobarbosa@camara.gov.br, dep.geraldoresende@camara.gov.br, dep.germanobonow@camara.gov.br, dep.henriqueafonso@camara.gov.br, dep.joaobittar@camara.gov.br, dep.jofranfrejat@camara.gov.br, dep.joselinhares@camara.gov.br, dep.leandrosampaio@camara.gov.br, dep.mauriciotrindade@camara.gov.br, dep.mauronazif@camara.gov.br, dep.nazarenofonteles@camara.gov.br, dep.rafaelguerra@camara.gov.br, dep.raimundogomesdematos@camara.gov.br, dep.ritacamata@camara.gov.br, dep.robertobritto@camara.gov.br, dep.rodrigomaia@camara.gov.br, dep.ronaldocaiado@camara.gov.br, dep.solangealmeida@camara.gov.br, dep.dr.talmir@camara.gov.br, dep.tonhamagalhaes@camara.gov.br, dep.manato@camara.gov.br, dep.costaferreira@camara.gov.br, dep.goretepereira@camara.gov.br, dep.irisdearaujo@camara.gov.br, dep.jorgetadeumudalen@camara.gov.br, dep.luizbassuma@camara.gov.br, dep.miguelmartini@camara.gov.br, dep.neiltonmulim@camara.gov.br, dep.simaosessim@camara.gov.br, dep.tadeufilippelli@camara.gov.br, dep.valtenirpereira@camara.gov.br

9 de maio de 2008

Unanimidade contra o aborto — 33 x 0


Paulo Roberto Campos
São raras as boas notícias, mas a de hoje (7-5-2008) é muito boa: um grande revés nas hostes abortistas — na “bancada da morte” —, uma vitória na luta contra o aborto no Brasil.

O Projeto de Lei que pretende descriminalizar o aborto (o malfadado PL 1135/91 — vide matéria abaixo) foi rejeitado por unanimidade na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. 33 votos contra o PL e nenhum a favor!

São 60 deputados na CSSF, mas vários deles, pró-aborto, não compareceram e outros retiraram-se... Claro, perceberam que não conseguiriam reverter a situação. Nesse sentido, uma deputada comentou: “Aqui já perdemos, é questão de 30 a 5, temos que enrolar”...

Assim, começaram a “enrolar”, alegando certos artifícios regimentais a fim de evitar a votação e protelar a sessão para um outro dia. Felizmente não conseguiram.

Conforme notícia divulgada pela “Agência Câmara”: “O grupo de deputados que defendia a continuidade das discussões e a realização de uma quarta audiência pública sobre a proposta se retirou da reunião depois de serem rejeitados sucessivos requerimentos para adiar a votação. Marcada por manifestações de cidadãos favoráveis e contrários ao projeto, a reunião foi encerrada em seguida”.

Uma vez que tal audiência foi pouco noticiada, os deputados não imaginavam que os anti-abortistas teriam tempo de se organizar e reagir a fim de influenciar na votação. Mas, em apenas um dia e meio de atividade, somente por intermédio de um site www.fundadores.org.br/AbortoNao foi possível a inúmeras pessoas enviarem um total de 106.500 mensagens aos deputados e alertas para que os parlamentares anti-aborto comparecessem em peso. Refiro-me a 106.500 mensagens eletrônicas, pois, não temos meios de calcular o número de cartas, fax, telefonemas etc.

Abaixo, os leitores poderão observar algumas fotos que um Amigo de Brasília, presente à audiência, enviou-me. Notem que muitos deputados estão folheando a revista Catolicismo (edição de abril último) cuja matéria principal já postamos mais abaixo neste blog com o título: ABORTO: Crime que brada ao Céu e clama a Deus por vingança! Graças a Deus, ganhamos uma batalha, não a guerra. Esta continua. O PL segue — formalmente e sem data para votação — para apreciação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), e depois para o plenário da Câmara. Continuemos então nesta guerra, verdadeiramente santa, até conseguirmos o arquivamento DEFINITIVO do Projeto de Lei que legalizaria a morte do bebê no ventre materno e em qualquer etapa da gestação.

Com minhas congratulações pela vitória a todos que puderam enviar suas mensagens aos parlamentares, despeço-me cordialmente até a próxima ação, na qual novamente nos uniremos para evitar a aprovação do aborto — um ato covarde, além de ser contrário à Lei Natural e à Lei de Deus.

6 de maio de 2008

URGENTE: NOVA MANOBRA SINISTRA DOS DEPUTADOS ABORTISTAS — A BANCADA DA MORTE




O projeto (o PL 1135/91) radicalmente abortista, novamente em votação
Paulo Roberto Campos



Amanhã, 4ª. feira dia 7 de maio, o PL 1135/91 será apresentado para votação na Comissão de Seguridade Social e Família. O lobby abortista (a bancada da morte) na Câmara dos Deputados, constatando que a imensa maioria dos brasileiros é contrária ao aborto, estão agindo na calada da noite, para não provocar reações na população, e assim, afinal, conseguir aprovar totalmente a prática abortiva — e em qualquer mês da gravidez!!!


O PL 1135/91 anula o artigo 124 de nosso Código Penal, que criminaliza o aborto. Se esse nefando PL for aprovado, será a aprovação do crime — e o mais hediondo possível —, pois consistiria na legalização do assassinato de um bebê ainda no útero materno.


Jamais a população brasileira perdoará aqueles parlamentares que pretendem legalizar o aborto, ou seja, legalizar o crime, inocentar o assassino.


Seria o mesmo que inocentar os assassinos da Isabella, de apenas 5 anos, pois, matar um ser humano é crime em qualquer idade. Tenha esse ser humano 100 anos, 50, ou 5, ou mesmo alguns meses, dias ou horas.


Não podemos absolver qualquer um que pratique um crime, como, por exemplo, a prática abortiva. Envie seu protesto aos deputados — por fax, telefonema ou e-mail — e peça a seus Amigos que também protestem.


TEMOS QUE AGIR URGENTEMENTE. TEMOS QUE PRESSIONAR OS PARLAMENTARES PARA SENTIREM O QUANTO É IMPOPULAR O QUE A BANCADA DA MORTE PRETENDE APROVAR. JÁ QUE MUITOS DELES NÃO TEMEM A DEUS — A QUEM PRESTARÃO SEVERAS CONTAS —, QUE SITAM A REJEIÇÃO DE TODOS OS BRASILEIROS, QUE ELES DEVERIAM REPRESENTAR...


Click no link abaixo e envie agora mesmo o seu protesto contra o aborto e contra aqueles que pretendem legalizá-lo. Assim, ao mesmo tempo, você estará manifestando sua posição pelo arquivamento DEFINITIVO do abominável PL.


http://www.fundadores.org.br/abortonao/acao/050508/dcamp.asp?camp=5



4 de maio de 2008

A vida inicia-se na fecundação. Mas cientistas a serviço da causa abortista tudo fazem para tentar provar o contrário.

Sobre a questão da utilização de células-tronco embrionárias, que temos tratado aqui neste Blog, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes, afirmou que pretende retomar a votação neste mês de maio. (cfr. “O Estado de S. Paulo, 25-4-08). Temos, portanto, que ficar muito atentos às movimentações que se façam nesse sentido no STF.

A revista Catolicismo deste mês publica uma muito elucidativa entrevista (segue abaixo) a respeito do tema com o Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos, professor da Universidade de São Paulo. O ilustre entrevistado deixa claro que quanto mais avança a pesquisa científica, mais claramente fica demonstrado que a vida começa na concepção.

O Prof. Dalton há 25 anos leciona Ética Profissional e, na última década, Bioética. Coube a ele dissertar sobre o tema “Inconsistências conceituais sobre o início da vida humana”, na audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal, realizada em Brasília em 20 de abril de 2007, referente à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn nº 3510) contra o art. 5º e parágrafos da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, que permite, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias.
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Uma nova vida humana começa no exato momento da fecundação No STF, Prof. Dalton Luiz de Paula Ramos, durante sua exposição sobre o início da vida humana


Catolicismo — Qual é a natureza do presente debate sobre experiências científicas com embriões humanos?

Prof. Dalton — A natureza do debate é discutir o momento do início da vida. Julgo importante reafirmar um fato. No meu ponto de vista — devidamente demonstrado, como explicarei —, uma nova vida humana, segundo a Biologia e a Genética, começa no exato momento da fecundação. Uma nova vida humana, zigoto, embrião etc. A Biologia e a Genética vão empregar diferentes terminologias para caracterizar diferentes estágios do desenvolvimento, mas o fato é que, no momento da junção de dois gametas (masculino e feminino) uma identidade geneticamente única se formou. Portanto, no momento da fecundação cria-se um patrimônio genético diferente daquele do pai e da mãe. Esse é um aspecto importante que merece ser ressaltado, porque a identidade dessa nova vida se cria já naquele exato momento chamado fecundação.

Catolicismo — Isto já se encontra demonstrado pela Biologia e pela Genética?

Prof. Dalton — Na verdade, a Biologia nos demonstra esse cenário não só no campo do ser humano. Ao longo da História, a reprodução sexuada sempre gerou novos organismos diferentes dos pais. Entre organismos aquáticos, por exemplo, com fecundação externa, essa alteridade se torna evidente. Ninguém pensaria que um alevino (forma embrionária de peixe) ou um girino (larva de anfíbio) é parte do corpo de sua mãe. Sua alteridade é evidente. Mas seu “status” embriológico é comparável ao de um feto humano. E o aspecto que hoje fica evidente é que, quanto mais se pesquisa, mais rica e detalhada se torna a realidade da vida humana desde o momento da concepção. Aliás, eu gostaria de frisar este aspecto da realidade como método. Para tal estudo é necessário termos acesso a todos os elementos dessa realidade.
Catolicismo — Se tal estudo não é fácil nem para os cientistas, o que dizer para a sociedade em geral?
Prof. Dalton — Com efeito, isto constitui uma grande dificuldade quando falamos de biotecnologia. No mais das vezes, o que chega à sociedade em geral são informações parciais, que nem sempre ajudam à formação de um juízo claro que possa embasar de forma bem mais consistente as decisões. A Embriologia é uma ciência muito complexa, que exige muito estudo para se chegar a uma visão mais clara desta realidade. Ora, o público leigo não tem necessariamente tal clareza, até que os cientistas o informem. Ao embrião humano não se pode dispensar o tratamento conferido a uma entidade biológica qualquer. E este é um aspecto importante pois o estudo do embrião humano enfrenta várias dificuldades. Uma delas é o fato de ele ser muito pequeno. Assim sendo, fica difícil àqueles que não têm acesso aos recursos tecnológicos (ao conhecimento tecnológico que permita a obtenção de uma visão mais clara do que venha a ser este embrião) entender efetivamente o que ele representa.

Catolicismo — O embrião humano pode ser desenvolvido em laboratório, fora do útero materno?
Prof. Dalton — O embrião humano não é um simples aglomerado de células, pois o comportamento dessas primeiras células embrionárias, que formam um conjunto denominado embrião, é totalmente diferente do comportamento de outras células agrupadas. Em inúmeros laboratórios de pesquisa são hoje desenvolvidas culturas de células humanas. Retira-se pequeno segmento da pele, por exemplo, e esse pequeno segmento de pele, com uma tecnologia que já dominamos há quase um século, é cultivado em laboratório. Essa cultura de células tem uma grande importância na pesquisa científica, pois permite aos pesquisadores testar a toxicidade de medicamentos, o comportamento dessas células, o comportamento de algumas das suas proteínas. Enfim, viabiliza uma série de estudos importantíssimos no cenário científico. Temos células humanas colocadas em um ambiente propício. Basicamente lhes é oferecido um ambiente protegido, onde elas possam dispor dos alimentos necessários. Nestas condições de suporte de vida, essa cultura de células permanecerá como tal enquanto os recursos tecnológicos o permitirem. Agora vamos fazer um paralelo com o embrião humano. Se ao embrião humano forem oferecidas condições de proteção, acolhida e alimentação necessárias, ele vai se desenvolver de acordo com um processo ou projeto que já foi nele colocado: a vida humana como um processo contínuo, coordenado e progressivo. Mas ainda que não disponhamos de tanta tecnologia.

Catolicismo — O Sr. poderia explicar esse processo com mais detalhes?
Prof. Dalton – Ele é contínuo porque tem um ponto de início, isto é, o surgimento de uma nova vida humana, um novo ser com identidade própria, distinto de todos os outros. Contínuo ainda porque tem um ponto de fim, que nós chamamos de morte, quando se interrompe este processo. Quanto tempo isto vai durar? Vai depender de cada um, da história de cada um em particular. Pode durar uma semana ou durar cem anos.
O processo é coordenado, porque auto-suficiente. Auto-suficiente no próprio projeto, pois possui todas as instruções para que se realizem os processos biológicos necessários à continuidade desta vida. O embrião não pergunta à sua mãe, depois da nidação, o que ele precisa fazer para constituir seu braço ou sua perna. Ele “sabe”!
É também progressivo, pois se oferecermos ao embrião as condições necessárias, se lhe oferecermos o amparo e a acolhida de que precisa, ele sempre passará para um estágio seguinte. Ultrapassada uma etapa de desenvolvimento, passa à etapa seguinte, sem regressos. Em condições normais não há regressos, e essas evoluções vão compor uma biografia.

Catolicismo — Isso significa então que a vida humana não se limita àquilo que um leigo pode perceber sem a ajuda de aparelhos?

Prof. Dalton — Esse conhecimento da vida humana, nós todos temos, independentemente do nosso cabedal de informações na área da Genética ou da Biologia, porque quando falamos de vida humana, estamos falando de algo que nos diz respeito. Independentemente do nosso conhecimento científico, esse processo que eu mencionei se torna evidente após o nascimento. Todos concordam que isso reflete o desenvolvimento da vida a partir do parto da criança, que vai se transformar em um adolescente, em um adulto, em um idoso: um início e um fim. Ora, se dispusermos de outra lupa, de outro sistema para ver essa realidade — o que a biotecnologia nos oferece —, nós vamos retrocedendo nessa cronologia até chegarmos à constatação de que, já naquele primeiro instante da concepção, se configuram todas estas categorias, todo esse processo que acabei de descrever.

Catolicismo — A vida começaria na nidação?

Prof. Dalton — Não! Não começa na nidação! A nidação, que é a implantação e fixação do ovo no útero da mãe, apenas fornece ao novo ser a possibilidade de se alimentar e se desenvolver. Quando um recém-nascido está sendo amamentado, torna-se muito claro para nós o seu vínculo, o seu maravilhoso vínculo com a mãe. Se uma criança recém-nascida não é alimentada pela mãe, ela morre! Quanto à nidação, é possível através de microscópio ver o embrião ali, ligado ao útero da mãe. Se a um embrião não for oferecida a oportunidade de chegar à nidação, ele não se tornará feto, vai morrer e ser eliminado.

Catolicismo — A relação com a mãe constitui originária e estruturalmente o novo ser?

Prof. Dalton — Não! É a realidade do novo ser que torna possível a relação! Não há relação se não existe um ser humano que se relaciona com outro ser humano. Então, quando falamos de relação, nós estamos reconhecendo que existem dois seres humanos. A implantação faz simplesmente com que o embrião cresça e se desenvolva. Nesse sentido, eu lembro uma situação que é muito freqüente, e que muitas mães poderão relatar: a existência de embriões congelados não tira da mãe que os cedeu o significado da relação dela para com eles. Muitas mães podem relatar isto.

Catolicismo — Alguns cientistas favoráveis à pesquisa com células-tronco embrionárias afirmam que não é possível haver um ser humano se ainda não existe o cérebro. Pode-se dizer que o cérebro começa a atuar quando, exatamente?

Prof. Dalton — Sabemos que o cérebro se desenvolve porque o embrião o faz desenvolver-se. Não é o inverso! O cérebro do feto não vai se desenvolver por ação da mãe. Desenvolve-se por meio dos genes que estão dentro do embrião desde o primeiro momento da fecundação.

Catolicismo — Dada a grande incidência de abortos espontâneos nas primeiras semanas da gravidez, alguns questionam se é possível falar em vida neste período.

Prof. Dalton — É claro que sim! O aborto espontâneo é uma interrupção muito precoce desta vida, um episódio de morte, o que não descaracteriza o fato de que esta vida ocorreu. Mesmo que o prognóstico seja de morte em função de um aborto espontâneo –– ou em função de uma intervenção tecnológica que privou este embrião de continuar seu processo, que priva este embrião do corpo da mãe, e que conserva este embrião congelado –– não podemos, por isto, dizer que esta vida nunca existiu, não descaracteriza o fato de que esta vida ocorreu. Seria o mesmo que dizer que não estamos vivos porque um dia iremos morrer! Frente à baixa perspectiva de virem a ser implantados e viabilizados alguns desses embriões crio-conservados, equivaleria à pena de morte uma lei autorizando a utilizá-los para qualquer finalidade.

Catolicismo — Visto que o embrião pode se dividir em dois ou mais, formando gêmeos com a mesma base genética, podemos ter certeza de sua individualidade?

Prof. Dalton — Essa individualidade existe! A geminação do embrião para formar os gêmeos não destrói o primeiro embrião. Em todos esses argumentos existe uma discussão, não a respeito da distinção entre a individualidade materna e a individualidade do embrião. O que se discute, ainda que implicitamente, é se essa vida é “humana”, isto é, se compartilha todos os atributos de um indivíduo humano.
Nesse particular, estamos retrocedendo na história da civilização ocidental. Os bárbaros exigiam que os recém-nascidos demonstrassem ter atributos humanos para serem plenamente reconhecidos no seio da comunidade social. Agora retornamos — de forma mais elaborada, talvez — à mesma discussão e à mesma exigência daqueles povos. Aos poucos, impregnados por tais erros, chegamos à conclusão de que pode ser válido matar todos aqueles que não sejam viáveis ou não tenham potência suficiente para se proteger. Sociedades assim são plenamente conhecidas ao longo da História, e seus mais recentes representantes, o nazismo e o stalinismo, ainda estão presentes na memória coletiva.
Por tudo isso, a sociedade até poderá assumir (!) um critério de “humanidade” que se baseie na potência e viabilidade do organismo, porém não poderá negar que essa opção contraria o dado biológico, que caracteriza o “humano” por seus atributos genéticos e por sua expressão orgânica. Ainda mais, tal critério de “humanidade” traz o perigo do casuísmo e da própria negação da vida como direito universal.
Claro que estamos todos interessados na busca de terapêuticas que possam resolver os males que afligem a nós mesmos e a nossos irmãos. Nesta discussão se apresentam indícios científicos de terapêuticas que podem ser eficazes para a solução de uma série de problemas de saúde, como é o caso das pesquisas em que se empregam células-tronco originárias de tecidos adultos — o que não implica na destruição de embriões — ou na reprogramação celular, quando células-tronco originárias de tecidos adultos, por meio de intervenções genéticas realizadas em laboratórios, adquirem os atributos biológicos de totipotência similares aos das células embrionárias para que, então, possa se pesquisar esses atributos para possíveis usos terapêuticos. O segundo aspecto –– reconhecimento do embrião como vida humana –– não se contrapõe às exigências éticas que devem regular a busca dessas terapêuticas. Hoje, é público e notório que o uso de células-tronco adultas oferece os resultados terapêuticos que a sociedade exige e precisa.

14 de abril de 2008

Isabellas (sim, com “s” no final)

O Brasil inteiro está chocado com o caso Isabella!

Paulo Roberto Campos
prccampos@terra.com.br

Todos os brasileiros estamos estarrecidos com o monstruoso fato ocorrido no dia 29 de março último: uma menininha, de apenas 5 anos, jogada do 6º andar de um prédio, seu corpo encontrado espatifado no solo.

Nesses últimos dias, jornais, revistas, rádios, TVs e sites estão repletos de reportagens sobre esse trágico assassinato. Realmente, um caso monstruoso — seja quem for o(a) responsável.

Todos se perguntam:
“Quem matou Isabella Nardoni?”
“Quem praticou tamanha crueldade?”
“Por que alguém teria cometido tal barbaridade?”

Tremenda insensatez – inexplicável incoerência

Com tal caso, torna-se impossível não denunciar uma pavorosa incoerência dos meios de comunicação e de incontáveis pessoas. Refiro-me àquelas que estão chocadíssimas com o brutal assassinato da pequena Isabella — e razões não faltam —, mas que não ficam chocadas com o brutal assassinato de crianças no ventre materno! É incompreensível, mas muitas pessoas são até favoráveis ao aborto, portanto ao assassinato de pequenas e inocentes “Isabellas” que nem sequer viram a luz do sol.

Quantas “Isabellas” são diariamente assassinadas, e do modo mais cruel que se possa imaginar? Eliminar uma vida humana será sempre gravíssimo crime, não importando a idade: seja aos 100 anos, 50 ou aos 5, seja com apenas alguns meses ou dias.

Ah! se um dia jornais, revistas, rádios, TVs e sites estiverem repletos de comentários contra o assassinato de bebês indefesos no útero materno, QUE MARAVILHA SERIA! Seria um bom passo para a restauração da civilização neste mundo neo-bárbaro.

Oxalá um dia o Brasil inteiro — que se encontra horrorizado com o caso Isabella — venha a se horrorizar também com as incontáveis vítimas do aborto. Que o Brasil inteiro, assim como deseja a condenação do(a) facínora que matou a pequenina Isabella Nardoni, do mesmo modo exija a condenação de facínoras (leiam-se médicos, enfermeiras ou quem quer auxilie o aborto) que matam as crianças no ventre de suas mães.

Ambos são crimes hediondos! Ambos lamentamos profundamente e não podem ficar impunes!

“Estão se queixando do cheiro de carne humana queimada”

Recente artigo de Carlos Heitor Cony (“Folha de S. Paulo”, 11-4-08), muito apropriadamente intitulado “Uma história repugnante”, relata a pesquisa realizada por dois jornalistas ingleses, Michel Litchfield e Susan Kentish, sobre a “indústria do aborto” em Londres. Eles investigaram o que se passava nas clínicas abortivas, após a legalização do aborto na Inglaterra (com o “Abortion Act”, de 1967), e gravavam as conversas com os médicos. Com base na pesquisa, eles escreveram a clássica obra “Babies for Burning” (Bebês para Queimar), editado pela Serpentine Press, de Londres.

Aqueles que desejarem adquirir tal obra em português, há uma versão da Edições Paulinas (São Paulo, 1985), com o título: Bebês para queirmar: a indústria do aborto na Inglaterra.
E o referido artigo pode ser lido na íntegra em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200842.htm

Aqui transcrevo apenas alguns trechos:


  • “Os autores souberam, por meio de informações esparsas, que a indústria do aborto, como qualquer indústria moderna, tinha uma linha de subprodutos: a venda de fetos humanos para as fábricas de cosméticos. [...]

    “Contam os jornalistas: ‘Quando nos encontramos em seu consultório, o ginecologista pediu à sua secretária que saísse da sala. Sentou-se ao lado de Litchfield, o que melhorou a gravação, pois o microfone estava dentro da sua maleta. O médico mostrou uma carta:

    — “‘Este é um aviso do Ministério da Saúde’, disse, com cara de enfado. ‘As autoridades obrigam a incineração dos fetos... não devemos vendê-los para nada... nem mesmo para a pesquisa científica... Este é o problema....’

    — “‘Mas eu sei que o senhor vende fetos para uma fábrica de cosméticos e... e estou interessado em fazer uma oferta... também quero comprá-los para a minha indústria...’

    — “‘Eu quero colaborar com o senhor, mas há problemas... Temos de observar a lei... As pessoas que moram nas vizinhanças estão se queixando do cheiro de carne humana queimada que sai do nosso incinerador. Dizem que cheira como um campo de extermínio nazista durante a guerra.’

    “E continuou: ‘Oficialmente, não sei o que se passa com os fetos. Eles são preparados para serem incinerados e depois desaparecem. Não sei o que acontece com eles. Desaparecem. É tudo.’

    — “‘Por quanto o senhor está vendendo?’

    — “‘Bem, tenho bebês muito grandes. É uma pena jogá-los no incinerador. Há uso melhor para eles. Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos. Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocados numa incubadeira poderiam sobreviver, mas isso aqui não é berçário. Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias’”.

“Quem derrama o sangue humano será castigado”

Realmente repugnante! Mas é a realidade de inúmeras clínicas abortivas. No trecho acima encontramos referência a “curetagem”. O que vem a ser uma “curetagem”?

No livro Aborto — 50 perguntas e 50 respostas em defesa da vida inocente, lemos à pág. 12:

  • “Dilatação e curetagem (D&C) — Um objeto afiado, de forma semelhante a uma colher, corta a placenta e retalha o corpo do bebê, o qual é então succionado através do colo. Para evitar infecção, os pedaços do nascituro são remontados fora, após a extração, peça por peça, pelas enfermeiras, para assegurar-se de que nenhuma de suas partes ficou no útero materno”.

Essa é uma das “técnicas” abortivas, usadas para matar o fruto de uma concepção. Ou seja, o bebê é espatifado. Depois é incinerado, ou “comercializado”, ou jogado na lata de lixo.

Isabella também ficou espatifada, mas não incinerada e jogada na lata de lixo. Graças a Deus, ela era batizada. E teve um enterro digno. Honra que não se presta aos bebês espatifados pelos instrumentos de aço pontiagudos utilizados por mãos abortistas.

Encerro este “post” com uma passagem da Sagrada Escritura, que encontrei no mesmo livro e que se aplica aos assassinos de todas as “Isabellas” : “Quem derrama o sangue humano será castigado pela efusão de seu próprio sangue” (Gen. 9, 6).

9 de abril de 2008

Parte III -- ABORTO: Crime que brada ao Céu e clama a Deus por vingança!

CONTINUAÇÃO

TERCEIRA PARTE [ Final ]


ABORTO
O ensinamento da Igreja, a Lei natural e a ciência convergem na defesa da vida

Se a grande maioria anti-abortista do Brasil não se mobilizar, o nefando massacre de inocentes poderá tornar-se lei, atraindo para o País a maldição divina

Frederico Abranches Viotti

As penas canônicas à prática do aborto
Para deixar clara a gravidade desse pecado, a Igreja estabeleceu penas severas não apenas para quem o praticar, mas também para todos aqueles que com ele colaborarem. Assim dispõe o Código Canônico, em seu cân. 1398: “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.”

A excomunhão latae sententiae é uma pena automática, independentemente de ser declarada por qualquer autoridade eclesiástica. Para que ela recaia sobre a pessoa, é preciso que o aborto tenha sido voluntário (não espontâneo, mas provocado) e que o efeito tenha sido atingido (o feto tenha morrido). Se houve uma tentativa, há o pecado que deve ser confessado, mas não ocorre a pena de excomunhão.


Caso o aborto tenha sido realizado, incorrem na pena de excomunhão latae sententiae não apenas a mulher que voluntária e conscientemente o realizou, mas também todos aqueles que formalmente para esse ato colaboraram, como médicos, enfermeiras, parentes, amigos, etc.


Nesse sentido também se pronunciou João Paulo II: “Mas a responsabilidade cai ainda sobre os legisladores que promoveram e aprovaram leis abortistas e sobre os administradores das estruturas clínicas onde se praticam os abortos, na medida em que a sua execução deles dependa”.(21)


Para que a pena de excomunhão seja levantada, é preciso que o penitente procure o seu bispo, pois é este que tem a autoridade para remir a pena de excomunhão latae sententiae (cân: 1356). Alguns padres podem receber poderes especiais de seu bispo para atenderem esses casos de excomunhão automática (cân: 1357 § 2º).


Caso o penitente tenha procurado seu confessor, durante o sacramento da confissão este pode, segundo o cân. 1357, remitir a censura latae sententiae, se for duro para o penitente permanecer em estado de pecado grave durante o tempo necessário para que o superior competente tome providências. Para isso, o confessor deve impor ao penitente a obrigação de recorrer dentro de um mês ao superior competente ou a um sacerdote munido de faculdade, sob pena de reincidência. Esse recurso ao superior pode também ser feito pelo próprio confessor.(22)

A questão da infusão da alma por Deus
Não resta dúvida de que a vida começa na concepção, como vimos. Já no que diz respeito à infusão da alma, a Igreja nunca definiu dogmaticamente o momento em que Deus a infunde no embrião (também chamado de animação).


Alguns autores, entre eles São Gregório de Nissa († após 394), São Basílio Magno († 379), São Máximo Confessor († 662) eram partidários da animação imediata. Para esses santos, a alma é infundida no mesmo momento da concepção, quando Deus “anima” aquele ser que está sendo concebido. Já Santo Tomas de Aquino († 1274) defendia a tese da animação mediata (isto é, apenas um certo tempo após a concepção).


Em qualquer dos casos, o aborto sempre foi proibido e severamente punido, pois a vida natural deve ser preservada desde o momento da concepção, para que nela possa ser infundida a alma.


É por isso que o Papa Inocêncio XI condenou em 1679 a idéia de que seria lícito “praticar o aborto antes da animação do embrião [infusão da alma no embrião por Deus] para impedir que uma jovem grávida fosse morta ou desonrada” (nº 34); e também condenou a tese de que “todo embrião (enquanto está no útero) carece de alma racional, e portanto esta tem início quando ocorrer o parto; e conseqüentemente dever-se-ia dizer [com base nessa tese], em nenhum aborto comete-se homicídio” (nº 35).(23)


Dessa forma, mesmo não tendo se pronunciado dogmaticamente sobre o momento da animação, a Igreja sempre proibiu o aborto. Já desde o primeiro catecismo, conhecido como Didaqué prescrevia: “Não matarás o embrião por meio do aborto”.(24)


Ao longo de todos os séculos, essa proibição se manteve inalterada.

Tentativas para a ampla legalização do aborto no Brasil
Em sua recente viagem ao Brasil, Bento XVI também deixou patente a clara posição da Igreja em face do tema. Ainda antes de chegar ao solo de nosso País, enquanto concedia uma entrevista a jornalistas que o acompanhavam, reiterou que todos aqueles que praticam o aborto incorrem na pena de excomunhão.(25) No mesmo sentido foram suas palavras quando fez seu primeiro discurso no País, ainda no aeroporto internacional de Cumbica.(26)


Infelizmente, apesar de seu apelo contra o assassinato de inocentes, Bento XVI encontrou um País sendo acuado por uma maciça propaganda que busca liberalizar o aborto no Brasil. Ela tem o nítido interesse de quebrar a barreira moral que existe na opinião pública brasileira, amplamente contrária ao aborto. Recente pesquisa de opinião assegurou que cerca de 90% da população do Brasil é contrária ao aborto.(27)


A escandalosa propaganda abortista, muitas vezes carregada de argumentos emocionais, não visa apenas quebrar o horror ao crime do aborto. Também tem a finalidade de apoiar os inúmeros projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional para ampliar os casos de aborto não punidos em nosso País, ou mesmo considerá-los legais.


No Senado existem cinco projetos em tramitação. A grande maioria tenta ampliar os casos em que o aborto –– apesar de ilegal –– não é punido no Brasil.(28) Um dos projetos tenta obrigar as delegacias de polícia a que informem à gestante a respeito do seu “direito” ao “aborto legal”...(29)


Na Câmara Federal encontra-se mais de uma dezena de Projetos de Lei procurando favorecer o aborto de todas as formas possíveis. Há vários deles obrigando os hospitais públicos a realizar o aborto nos casos não punidos pelo Código Penal Brasileiro. Outras propostas legislativas defendem a permissão do aborto até certo período de tempo de gestação. Há também alguns que buscam liberalizar totalmente o homicídio dos inocentes, em qualquer tempo e em qualquer caso.(30)



Conclusão e uma conclamação aos católicos
Não é de hoje que a rejeição ao aborto vem aumentando em nosso País. Segundo pesquisas recentes, essa rejeição aumentou em mais de 30 pontos percentuais nos últimos 15 anos.(31)


Exatamente por isso, os defensores do aborto procuram fazer passar leis que obriguem a população a tolerar e até mesmo a aceitar a sua prática.


Catolicismo já alertou algumas vezes para a enorme máquina abortista que está em funcionamento incessante no mundo inteiro, incluindo o Brasil.(32)


Diante dessa pertinaz onda abortista, nada mais importante do que conclamar os católicos a serem militantes, isto é, a defenderem vigorosamente a posição anti-abortista. E nesta defesa, empregarem destemidamente argumentos também religiosos. Não basta defender a vida no plano natural, é preciso defender desassombradamente a Lei de Deus na sociedade humana.


A sociedade deve buscar ser um reflexo do Céu, e o homem deve preparar sua alma para a eternidade. É dever do católico, que nesta Terra deve ser militante, defender Nosso Senhor Jesus Cristo com ardor, e não apenas defender a vida humana.


Se o Brasil aprovar o aborto, não estará aprovando apenas mais uma lei. Estará aprovando uma legislação contrária a Deus, à Lei natural, à própria ciência e ao Direito Constitucional brasileiro.


A exemplo de Santa Gianna Beretta Molla, que preferiu entregar sua vida a Deus para evitar que seu filho morresse, saibamos também nós, auxiliados pelas graças concedidas mediante a intercessão da Santíssima Virgem, defender os princípios d’Aquele que, sendo seu Filho, também é nosso Redentor e fonte de toda e qualquer vida –– Nosso Senhor Jesus Cristo.




Notas:
1. “El Mundo” (Panamá), 19-01-03 / EWTN News.
2. Idem, ibidem.
3. São Remy, bispo de Reims, converteu Clóvis, rei dos francos. Dessa conversão nasceu a Filha Primogênita da Igreja, a França.
4. “El Mundo” (Panamá), 19 de janeiro de 2003 / EWTN News.
5. Em alguns países europeus, a lei do Estado já proíbe um católico de se manifestar contra o homossexualismo publicamente.
6. Para efeitos deste artigo, considera-se “ciência empírica” a ciência nascida na época moderna, em que o valor de uma descoberta científica ficava restrito à sua capacidade de ser provada experimentalmente, isto é, empiricamente.
7. O positivismo (1854) foi a doutrina difundida principalmente por Auguste Comte. Segundo ela, filha das idéias da Revolução Francesa, a humanidade estava entrando em uma nova era histórica, em que a ciência derrubaria os “mitos” da religião. Em sua tentativa de tornar a ciência um valor absoluto, Auguste Comte chegou a criar a Religião da Humanidade, na qual os cientistas passariam a ser os novos sacerdotes.
8. A esse respeito, ver Catolicismo, março/2006.
9. Ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA, em inglês Deoxyribonucleic acid) é uma molécula orgânica que contém a "informação" que coordena o desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos.
10. Para efeitos deste artigo, utilizamos o termo “metafísica” (além da física) no seu sentido mais amplo, incluindo argumentos dedutíveis pela razão humana.
11. Essa “teoria da limonada” é atribuída ao jurista Lídio Bandeira de Mello.
12. Apesar de ilegal, diversas são as notícias de que muitos hospitais estão efetivamente dispensando a apresentação do Boletim de Ocorrência para interromper a gravidez (aborto), que supostamente teria sido resultante de estupro.
13. “Folha de S. Paulo”, 5-12-03 – Seção Tendências/Debates
14. Idem, ibidem.
15. Idem, ibidem.
16. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95), nº 58.
17. Cf. Spirago, Catecismo Católico Popular, 5ª edição, União Gráfica, Lisboa, 1951, p. 226.
18. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95).
19.
http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20040516_beretta-molla_po.html, apud “Pró-vida” de Anápolis (GO).
20. A esse respeito, ver Nelson Hungria em seus comentários ao Código Penal Brasileiro.
21. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95).
22. Código de Direito Canônico, 11ª edição revista e ampliada. Comentários do Pe. Jesús Hortal, S.J., Loyola, São Paulo, 1989.
23. Denzinger-Umberg, Enchiridion Symbolorum nºs 1184 e 1185, Editorial Herder, Barcelona, 24ª edição, 1946.
24. Didaqué, Paulus Editora, São Paulo, 1989, p. 10.
25. “O Estado de S. Paulo”, 10-5-07.
26. Idem, ibidem. Ver também Catolicismo de junho de 2007.
27. Reportagem especial da “Folha de S. Paulo”, 25-1-04.
28. SF PLS 00183/2004, SF PLS 00227/2004, SF PLS 00312/2004, SF PLS 00078/1993.
29. SF PLC 00018/2001 de 22-3-01.
30. Com o objetivo de permitir o aborto em qualquer época, destaca-se o PL-1135/1991, de autoria dos deputados Eduardo Jorge e Sandra Starling, ambos do PT, que propugna extinguir o artigo do Código Penal que proíbe o aborto no Brasil.
31. Reportagem da “Folha de S. Paulo”, 25-1-04.
32. Catolicismo, julho/2007, p. 27, A Internacional do aborto: imensa máquina para impor o genocídio de nascituros ao mundo inteiro.

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Sessão no Supremo Tribunal Federal, que começou a julgar a questão das células-tronco embrionárias

No Supremo Tribunal Federal,
recente votação sobre o uso de células-tronco embrionárias

Houve grande cobertura da mídia sobre a votação ocorrida no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do uso de células-tronco embrionárias, em 5 de março último.


A discussão remonta à aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma lei que autoriza o uso de embriões humanos para pesquisas científicas. Com essa lei, todos os embriões congelados há mais de quatro anos poderiam ser usados pelos cientistas em pesquisas variadas.


Diante da gravidade da situação, o ex-Procurador-Geral da República, Cláudio Fonteles, entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) junto ao STF, para derrubar a referida legislação.


Em 5 de março do corrente ano, o plenário do STF começou a julgar a matéria, sendo que dois de seus ministros já se manifestaram sobre o tema, aprovando o uso das células-tronco dos embriões. O terceiro ministro a votar, Carlos Alberto Menezes Direito, pediu vistas aos autos do processo, isto é, pediu para analisar melhor o caso.


Com tal pedido de vistas, o julgamento foi adiado. Peçamos a Deus seja afastado de nosso País o perigo de uma decisão favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias.


A matéria é vasta, já tendo sido tratada na edição de agosto de 2005 de Catolicismo. Todavia, a revista não poderia deixar de mencionar o absurdo dessa presente discussão.


Em recente reportagem, o jornal “Folha de S. Paulo”(1) narrou a história de Vinicius Dorte, hoje com seis meses de idade. O menino, que foi gerado a partir de um embrião congelado havia sete anos, seria uma das milhares – ou milhões – de vítimas potenciais dessa lei.


Salienta-se que os únicos resultados concretos no uso terapêutico de células-tronco foram obtidos através do uso de células adultas (o que é inteiramente lícito do ponto de vista moral), e não de células embrionárias.


Nesse sentido, o jornalista Nelson Ramos Barretto, colaborador de Catolicismo, assim se expressou em 4-3-08 à Agência Brasil: “Nós temos as células adultas, que estão conseguindo o que se deseja. Por que, então, ferir o direito à vida?”.(2)


Nada há de errado em buscar a cura para inúmeras doenças. Mas jamais seria lícito obter essa cura à custa da vida de embriões humanos. O que equivaleria às pesquisas médicas que muitos regimes totalitários (nazismo, por exemplo) realizaram no século XX, levando à morte incontáveis pessoas. É lamentável que muitos sejam capazes de criticar os erros passados, mas poucos são capazes de condenar e evitar desassombradamente os mesmos erros no presente.

1. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0903200801.htm
2. http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/04materia/2008/03/04.8429340217/view

8 de abril de 2008

Parte II -- ABORTO: Crime que brada ao Céu e clama a Deus por vingança!

CONTINUAÇÃO

SEGUNDA PARTE

ABORTO
O ensinamento da Igreja, a Lei natural e a ciência convergem na defesa da vida

Se a grande maioria anti-abortista do Brasil não se mobilizar, o nefando massacre de inocentes poderá tornar-se lei, atraindo para o País a maldição divina

Frederico Abranches Viotti

O chamado aborto legal no Brasil: uma farsa
Para contornar a proibição da prática do aborto no Brasil, os seus propugnadores passaram a defender o que chamam de aborto legal. Segundo eles, como o Código Penal Brasileiro não pune com prisão o aborto quando a gravidez é resultante de estupro, ou quando configura risco de vida para a mãe, ele poderia ser realizado legalmente nesses dois casos, inclusive custeado por verbas públicas.

Ao contrário do que dizem os defensores do aborto, o Código Penal Brasileiro considera sua prática sempre crime. Apenas suspende a aplicação da pena nos dois casos acima mencionados. Não se pode admitir que o Estado pratique um crime (com o dinheiro dos impostos de todos os brasileiros, incluindo o dos contrários ao aborto) simplesmente porque esse crime não será punido. Ademais, é preciso considerar que não há fundamento natural, moral ou religioso para que a lei suspenda a punição à prática do aborto em alguns casos.

Com esse pseudo-argumento do aborto legal, conseguiram os abortistas que o então ministro da Saúde, José Serra, editasse uma Norma Técnica autorizando o aborto no sistema público de saúde, para esses dois casos. Pouco depois, tentaram fazer com que os hospitais públicos não mais exigissem o boletim de ocorrência como comprovação de que a gravidez, que se buscava interromper, tinha sido causada por estupro, mas aceitassem apenas uma mera declaração da mãe, sem a necessidade de que o possível estupro fosse provado.(12)

Mais recentemente, os abortistas têm procurado combater a “objeção de consciência” dos médicos católicos, isto é, a possibilidade de que o médico se negue, por motivo de consciência, a realizar o aborto. Desejam esses abortistas que o médico responda criminalmente, caso se negue a realizar o aborto. Mais uma vez aparece, no horizonte, a ameaça de uma nova perseguição religiosa.

Em elucidativo artigo na “Folha de S. Paulo”, o jurista Ives Gandra Martins assim se expressou sobre o aborto do ponto de vista constitucional: “A Constituição brasileira proíbe o aborto. O art. 5° claramente cita, entre os cinco direitos mais relevantes, considerados fundamentais, o direito à vida”.(13)

Quando analisa os acordos internacionais que o Brasil assinou, afirma o jurista: “Por outro lado, o § 2o do art. 5° da Carta da República declara que os tratados internacionais sobre direitos individuais são considerados incorporados ao texto supremo, significando que tais tratados passam a ter status de norma constitucional — e não ordinária, como ocorre com os demais tratados internacionais. [...] Ora, o Brasil assinou o Pacto de São José da Costa Rica, tratado internacional sobre direitos humanos. No referido tratado, há expressa declaração de que a vida principia na concepção, o que vale dizer: do ponto de vista estritamente jurídico, o Brasil adotou, ao firmá-lo, que a vida de qualquer ser humano tem origem na concepção”.(14)

E conclui Ives Gandra: “Dessa forma, duplamente, o legislador supremo assegurou o direito à vida (art. 5°, “caput”, e § 22) e definiu que a vida existe desde a concepção. [...] Como se percebe, do ponto de vista estritamente constitucional, a vida começa na concepção e assim é garantida por tratado internacional e pelo Texto Maior, não havendo, pois, como admitir a possibilidade de legislação válida sobre o aborto no direito brasileiro”.(15)


A imensa gravidade do pecado de aborto
Após demonstrarmos que o aborto é inaceitável do ponto de vista científico e filosófico, bem como do ponto de vista da Lei natural e da Lei constitucional brasileira, cumpre relembrar a doutrina da Santa Igreja a respeito desse grave pecado.

Assim definiu João Paulo II o aborto: “O aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha a ser realizada, de um ser humano na fase inicial de sua existência, que vai da concepção ao nascimento”.(16)

O aborto se insere no contexto do pecado de homicídio e, segundo a doutrina católica, é um pecado que “brada ao Céu e clama a Deus por vingança”.(17) Diz a Sagrada Escritura que, quando Caim matou seu irmão Abel, o sangue deste “clamava vingança do Céu” (Gen. 4, 10). E que, depois de matar Abel, Caim já não encontrava repouso sobre a terra (Gen. 4, 16). Tal é a sorte de muitos que pecam contra a vida do próximo.

Mais particularmente, não raras são as inúmeras seqüelas físicas e psicológicas que resultam do aborto. Como comprova o depoimento transcrito no início do artigo, muitas são as mulheres que não conseguem se libertar da lembrança de seus filhos abortados.

Aborto não é permitido em nenhum caso. Exemplo de uma santa.
A doutrina católica é taxativamente contra o aborto em qualquer situação, pois jamais é lícito matar um ser humano inocente. João Paulo II assim se exprimiu a esse respeito: “Muitas vezes [...] a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde, ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente”.(18)

Com essa certeza, Santa Gianna Beretta Molla viveu e morreu em santidade. Ela nasceu em Magenta (Milão, Itália) aos 4 de outubro de 1922. Formada em medicina e especializada em pediatria, Gianna tinha especial cuidado com as mães e seus filhos, e considerava seu trabalho como uma “missão”.

Optando pelo matrimônio “para formar uma família realmente cristã”, ela casou-se com o engenheiro Pedro Molla. Quando estava grávida de seu quarto filho, em setembro de 1961 (final do segundo mês de gravidez) sua fé foi posta à prova. Apareceu um fibroma no útero, e a gravidez passou a ser de alto risco. Antes de ser operada do tumor, e diante da possibilidade de que ela ou sua criança viesse a morrer, suplicou ao médico que salvasse o bebê. Com o feliz sucesso da operação, agradeceu a Deus pela vida de seu filho.

Aproximando-se o momento do parto, e com grande confiança na Divina Providência, entregou sua vida a Deus, pedindo que salvasse o fruto de suas entranhas: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei –– e isto o exijo –– a criança. Salvai-a”. Na manhã de 21 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus, eu te amo, eu te amo”, morreu santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante quatro quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália). Foi beatificada por João Paulo II no dia 24 de abril de 1994, e canonizada em 16 de maio de 2004.(19)

Abortar equivale a privar a criança de ser batizada
Há uma questão de suma importância, que não tem sido tratada nos debates. Como ensinou Nosso Senhor Jesus Cristo, “quem não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5). Uma criança abortada é um ser humano a quem se negou a possibilidade de receber o batismo.

Esse tema é de tal importância que, até mesmo a doutrina jurídica, quando discutia antigamente a questão do aborto no Código Penal Brasileiro, trazia-o ao debate.(20) Infelizmente, com a descristianização do Brasil, esse aspecto não vem sendo mais levantado.



Refutando alguns argumentos abortistas

1) O aborto existe, sendo praticado atualmente por milhares de pessoas. Não adianta proibi-lo.
Resposta: O fato de existir o aborto não o torna lícito. Se assim fosse, o homicídio e o roubo também deveriam ser legalizados. Ademais, pior do que viver em um país onde existe o aborto, é viver em um país que aprovou o aborto. Diz o Revmo. Pe. Lodi, presidente do movimento “Pró Vida” de Anápolis (GO) e um dos grandes opositores ao aborto no Brasil: “Uma coisa é você não conseguir combater o infanticídio com as forças policiais. Outra coisa bem diferente é você declarar que a matança dos inocentes não deve ser combatida, porque é um direito do cidadão matar seus filhos. [...] A partir do dia em que o aborto se tornar lei, não haverá apenas uma mudança quantitativa nos assassinatos intra-uterinos. Haverá uma mudança qualitativa essencial: o Brasil terá se tornado formalmente uma nação inimiga de Deus”.(*)

2) Tornar o aborto legal não aumentará sua prática.
Resposta: A ilegalidade torna o aborto mais difícil e deixa patente a rejeição a esse crime. Legalizar o aborto é romper mais uma barreira que inibe sua prática, a da ilegalidade. É tornar normal e lícito um pecado gravíssimo. Quanto mais se difunde a idéia de que o aborto não é errado, tanto mais as pessoas perdem a noção da barreira que existe para sua prática.

3) Nem sempre a Igreja puniu com excomunhão a prática do aborto.
Resposta: A pena de excomunhão é utilizada para punir uma falta muito grave e inibir a sua prática. Em um mundo que banaliza a vida humana, era muito natural que a Igreja buscasse demonstrar a gravidade desse pecado com uma pena mais severa. Apesar de nem sempre o aborto ter sido punido com a excomunhão, ele sempre foi considerado um pecado gravíssimo, não tendo sido jamais admitido pela Igreja.
(*)
http://www.providaanapolis.org.br/naoeames.htm



(FIM DA SEGUNDA PARTE. Continua...)

7 de abril de 2008

ABORTO: Crime que brada ao Céu e clama a Deus por vingança!

“Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão ‘latae sententiae’”. (Cânon 1398 do Código de Direito Canônico)




Aos Amigos que acompanham as matérias deste Blog, recomendo empenhadamente a leitura de um recente e ótimo artigo sobre a questão do aborto, publicado na edição deste mês da revista Catolicismo.

O artigo é de autoria do Dr. Frederico Romanini de Abranches Viotti (Formado em Ciência Política e Direito pela UnB, responsável pelo site da Frente Universitária Lepanto: http://www.lepanto.com.br/); mostra que um crime jamais poderá ser amparado por lei; desmonta embustes e manobras abortistas; fornece excelentes argumentos e indica as penas canônicas àqueles que praticam o aborto.

Dado o risco da aprovação dos Projetos de Lei (que estão tramitando no Senado e na Câmara), que ampliam ainda mais a possibilidade da inumana prática abortiva, recomendaria que os Amigos repassassem esse artigo a seus conhecidos e que todos pressionassem os parlamentares a fim de que estes votem contrariamente aos nefandos projetos abortistas.

Tal artigo pode ser lido no site da revista Catolicismo, para os leitores cadastrados em http://www.catolicismo.com.br/. E aqui neste Blog — sendo o artigo um tanto extenso — o transcreverei em três partes, postando uma a cada dia.
Um abraço
Paulo Roberto Campos

ABORTO
O ensinamento da Igreja, a Lei natural e a ciência convergem na defesa da vida
Se a grande maioria anti-abortista do Brasil não se mobilizar, o nefando massacre de inocentes poderá tornar-se lei, atraindo para o País a maldição divina
Frederico Abranches Viotti

PRIMEIRA PARTE

Era uma manhã de sábado quando Laura marcou sua operação em uma clínica de aborto. A clínica situava-se em um prédio discreto, sem placas ou cartazes. Laura, ainda jovem, caminhava insegura até a porta. Cada passo a aproximava do lugar que marcaria sua vida para sempre.

Foi recebida por uma enfermeira sorridente, amável, que a encaminhou para a sala de espera. Na sala, duas outras mulheres aguardavam ansiosas o chamado do médico para entrarem na sala de operações.

A decoração, repleta de tons claros e alegres, contrastava enormemente com a tensão que se percebia na sala. Paredes azuladas, chão lustrado e limpo, cadeiras confortáveis, mesas com revistas da semana. Tudo parecia lembrar um consultório médico normal. Não faltava nem mesmo a música de fundo, com melodias tranqüilas do gênero new age.

Era mais um dia na vida de Laura, mas o último de vida do seu filho. Pouco depois, a enfermeira chama pelo nome a primeira da fila. Levanta-se outra jovem nervosa, e entra na sala de operações.

Laura estava convencida do que ouvira, destinado a tranqüilizar as pacientes: seria uma operação simples. Pelo que ela entendeu, o médico utilizaria um aparelho parecido com um aspirador. Através da sucção, o feto seria arrancado do útero materno e a mãe assistiria a tudo confortavelmente, amparada pelas enfermeiras, enquanto seu filho seria extirpado como se fosse um tumor que invadira seu corpo.

Laura sabia que não era um tumor, mas um bebê que lá estava. Por outro lado, achava que era mais fácil ver o caso dessa maneira. Afinal, todas as abortistas dizem que o aborto é um caso de saúde da mulher! Trata-se de seu corpo, de sua saúde, de sua vida. Pensar que era um bebê, apenas dificultaria sua decisão.

Com tantos argumentos recolhidos em jornais e televisões, palestras a que assistiu e livros que leu, tudo parecia justificado. Era um caso de saúde pública, de sua saúde! Lembrar agora dos argumentos religiosos e morais, pensou ela, apenas atrapalharia sua decisão.

Com força ela afasta esses pensamentos, preferindo admitir que o bebê em seu ventre não era um ser distinto, mas parte do seu próprio corpo, e que era seu direito dispor da vida daquele ser inocente, que dormia tranqüilamente no seio materno.

* * *

Essa história é fictícia, mas ocorre freqüentemente com pessoas que realizaram abortos, e que com isso têm suas vidas marcadas para sempre.

O depoimento abaixo é real, escrito por uma senhora que, em um momento péssimo de sua vida, praticou um aborto, mas que está profundamente arrependida do ato que cometeu. Por motivos muito compreensíveis, seu nome não será revelado:

“Hoje, venho expor verdadeiramente a minha opinião sobre esse assunto tão polêmico. E Deus é testemunha do que aqui relato. Já fiz um aborto. Há mais ou menos 10 anos atrás. E só Deus, na sua infinita misericórdia, sabe o que passei e o quanto me arrependi — e me arrependo até hoje — por este ato. Cada rosto de uma criança que eu olhava, cada sorriso, cada gesto, eu comparava com o do meu filho(a) se eu não o tivesse assassinado. Sim, esta é a palavra certa. Me culpava, me cobrava imaginando como seria ele(a) hoje. Após tantos anos de arrependimento e pedidos de perdão a Deus, sei que ele me perdoou, pois me deu a graça de ter dois filhos maravilhosos. Mas isso não quer dizer que esqueci o meu ato, e cada vez que olho para meus filhos, lembro-me de que era para ter três alegrias na minha vida, e não duas. Como disse, sinto que Deus me perdoou, mas sei que algum dia serei cobrada pelo meu ato".

Farsa abortista: causa da aprovação do aborto nos EUA

Não menos impactante é o relato de Norma McCorvey. Jane Roe, nome fictício de Norma McCorvey, foi a primeira norte-americana a ganhar na Justiça o direito de abortar. A partir da sentença da Suprema Corte, no caso que ficou conhecido como “Roe vs. Wade”, o aborto foi aplicado em todos os Estados Unidos. Para medirmos a importância dessa decisão pró-aborto, basta lembrar que, depois dela, o aborto foi sendo aprovado em diversos outros países.

Depois de 30 anos de militância pró-aborto, Norma McCorvey, arrependida e convertida ao catolicismo, revelou a farsa perpetrada pelos abortistas, com sua anuência, para a aprovação desse grave pecado. Fez um impressionante relato ao jornal “El Mundo”,(1) em que assegura ter sido manipulada por “advogadas ambiciosas”, que usaram uma moça inexperiente para se tornarem famosas.

Escreve o jornal: “Era o ano de 1969. Ela estava só, havia abandonado os estudos e dado os filhos para a adoção. As advogadas Sarah Weddington e Linda Coffee convenceram-na a denunciar o fiscal de Dallas, Henry Wade, e a lutar pelo seu direito de abortar no Texas. Assim nasceu o caso Roe vs. Wade, que foi, de acordo com Norma, um cúmulo de mentiras. Para que a Justiça fosse mais rápida, disse às advogadas que fora violentada. Mais tarde, numa entrevista à televisão por ocasião dos 25 anos da sentença, confessou a farsa: a sua gravidez tinha sido fruto de ‘uma simples aventura’. Começou a sentir certa aversão pelas campanhas abortistas e pela clínica no início dos anos 90; não suportava a pressão de todas as mulheres que a procuravam para lhe agradecer, porque tinham podido abortar. Quando começou a trabalhar com o grupo católico, toda a sua vida até aquele momento apareceu-lhe como um erro. [...] Assim, Norma converteu-se em porta-voz da sua causa e publicou um novo livro, contrário ao aborto já desde o título de capa: Won by Love (Vencida pelo amor)”.(2)

Norma guarda tristes lembranças da época em que era abortista, quando pôde presenciar “a natureza aterrorizante do aborto e a devastação que causa nas garotas e nas mulheres”. Um dos fatos que a levaram à conversão teria sido o seguinte: certa manhã de domingo, passando em frente a um playground, encontrou os balanços vazios empurrados pelo vento. Naquele momento, as convicções pró-aborto perdiam força em sua alma diante dos balanços vazios. Pouco a pouco, com a assistência de sacerdotes, converteu-se ao catolicismo e se confessou, passando a rejeitar seu passado.

Essa atitude lembra a exortação que Saint Remy dirigiu a Clóvis, antes de batizar o rei franco: “Queima o que adoraste e adora o que queimaste”.(3) Em 14-1-2005, ela entrou formalmente com uma petição na Suprema Corte norte-americana para pedir a reversão da sentença do caso “Roe vs. Wade”, apresentando o testemunho autêntico de mais de mil mulheres abaladas psicologicamente pelo aborto e 5.300 páginas de depoimentos médicos contrários ao aborto.(4)

Tática dos abortistas: alijar o argumento religioso

Não é raro um católico, ao afirmar sua posição moral frente ao tema do aborto, ser menosprezado pelos abortistas. Argumentam estes que o aborto é um caso de saúde pública, e não deve ser tratado sob o ponto de vista religioso ou moral. Para completar, afirmam que a religião é um valor individual, muitas vezes não seguida pelos seus próprios adeptos, e não pode ser imposta ao conjunto da sociedade.

Nessa verdadeira sanha de combater a doutrina católica sobre o tema, e sobre o direito que assiste aos católicos de defender sua posição, procuram impor sua visão pró-aborto ao conjunto da sociedade. Ou, em outros termos, transformam a defesa e prática do aborto em um valor que seria superior aos valores religiosos e morais da própria sociedade.

Com essa falsa argumentação –– contraditória em sua essência, já que nega aos católicos aquilo que permite aos abortistas –– procuram alijar o argumento religioso do debate público. Ora, se um abortista julga que a religião não tem que se meter na vida pública, um católico tem todo o direito de discordar disso e dizer exatamente o contrário: a religião não apenas tem o direito de interferir em questões morais, como tem esse dever. Não se trata de saber se todos os católicos seguem ou não a moral católica, mas sim, do direito que assiste à Igreja de pregar as verdades da fé, segundo a Revelação. Se um abortista –– ou mesmo um católico relapso, por não querer seguir os ensinamentos da Igreja –– pudesse impedi-la de se manifestar, estaríamos presenciando o retorno de uma verdadeira perseguição religiosa, que evoca a sanha persecutória de imperadores romanos pagãos. Nas perseguições dos primeiros séculos do cristianismo, muitos católicos foram jogados às feras do circo romano por não seguirem a religião oficial de Roma. Proibir a defesa dos valores religiosos em pleno século XXI, época em que quase tudo é permitido, equivale a dizer que o Estado moderno, a exemplo da Roma pagã, criou valores que considera superiores aos valores religiosos da sociedade, isto é, criou sua própria religião oficial.

A argumentação pode parecer inusitada para alguns espíritos, mas não é de hoje que várias leis estão sendo aprovadas em parlamentos do mundo inteiro, proibindo que a moral católica seja defendida abertamente, como no caso do chamado “casamento” homossexual.(5)

A ciência tem desmentido a posição atéia-agnóstica
Nos dois últimos séculos, o grande avanço da ciência empírica(6) deu a muitos ateus o ensejo para utilizar as descobertas mais recentes no seu questionamento da religião. Desejavam provar que a ciência daria as respostas para os mistérios da vida.

Com esse espírito, o positivismo(7) e o agnosticismo influenciaram amplamente a humanidade. Mas, paradoxalmente, foi o próprio avanço da ciência que criou novos obstáculos aos defensores do aborto.

Já em 1827, com o aumento da sensibilidade dos microscópios, Karl Ernest Von Baer pôde observar a fecundação e o desenvolvimento embrionário, comprovando-se que a vida natural começa na fecundação.(8) A ciência continuou a se desenvolver, e em 7 de março de 1953 o norte-americano James Watson e o britânico Francis Crick descobriram a estrutura da molécula do DNA,(9) o que lhes valeu o Prêmio Nobel de fisiologia ou medicina em 1962. O DNA humano é a prova incontestável de que a vida natural começa na concepção, pois a partir daquele primeiro momento em que o óvulo da mulher é fecundado pelo espermatozóide do homem, todas as características do futuro ser humano já estão presentes.

Do ponto de vista científico, não resta dúvida de que a vida de um novo ser começa no momento da concepção.

A filosofia confirma a posição religiosa
Não é apenas a ciência empírica que confirma a posição da Igreja. Poderiam também ser enumerados muitos argumentos de ordem metafísica.(10) Para facilitar o entendimento, vamos explorar apenas um deles que, por si mesmo, é suficiente para demonstrar a inconsistência de algumas teses abortistas tentando negar que a vida comece na concepção.

Para esses abortistas, o momento do início da vida é incerto, variando segundo o especialista consultado. Alguns dizem que só se pode falar em vida após o aparecimento do sistema nervoso (como se alguns seres muito simples, mas desprovidos de sistema nervoso, não estivessem vivos...). Outros preferem apenas dizer que não sabem qual o momento exato.

Alguns abortistas com essa posição afirmam que o embrião não é um novo ser vivo, pois nem sequer possui vida. Assim sendo, o ser vivo surgiria mais tarde, à medida que o embrião se transformasse em feto.

Esta posição é inteiramente inválida do ponto de vista filosófico, pois não é possível surgir a vida e partir de um ser desprovido de vida, como seria a célula embrionária de acordo com essa concepção.

A verdade é que a célula embrionária possui vida. A qual não se origina dela própria, mas sim dos gametas masculino e feminino que se fundem. A vida é então transmitida, e não gerada. As informações genéticas contidas no espermatozóide e no óvulo (duas células vivas, cada uma contendo parte das informações genéticas próprias ao novo ser) se fundem, e desse modo a nova vida, o novo ser, se instala no útero materno.

A Lei natural confirma a posição religiosa
Não apenas a religião, a ciência e a filosofia condenam o aborto, pois a Lei natural, impressa em todos os homens, ensina que não se deve matar.

Quando o homem avança no terreno moral, aproxima-se da perfeição e explicita melhor sua própria natureza e finalidade. Na mesma medida, quando ele se afasta da Lei natural, tende a cair em vícios e a negar sua própria natureza. É por isso que muitos adultos lembram-se de seu primeiro pecado –– ou do pecado mais grave –– porque tal pecado constituiu uma violência contra sua natureza, não apenas uma violência contra Deus e contra o próximo.

Mas a natureza humana deve ser explicitada, não é imediatamente conhecida quando a pessoa nasce. É por isso que a criança, em seus primeiros contatos com o mundo, vai também conhecendo e aprendendo o que é bom, verdadeiro e belo. E com isso vai explicitando e entendendo a Lei natural.

Se o ser humano fosse constituído predominantemente de ferro, dar limonada para uma pessoa seria crime, pois ela poderia “enferrujar”.(11) Por isso o Estado pune a droga (que cria dependência química e psíquica), e não evidentemente a limonada. E não é por outra razão que os povos do mundo inteiro rejeitam o assassinato de inocentes, pois o desejo de viver está gravado na natureza de todos os homens. O Estado não deve e não pode legislar contra a Lei natural. Por isso o aborto é considerado crime no Brasil, e por isso deve continuar proibido.
(FIM DA PRIMEIRA PARTE. Continua...)