17 de março de 2010

CONVITE AOS DILETOS AMIGOS NA LUTA CONTRA O ABORTO

Praça da Sé, aspecto parcial da manifestação anti-aborto no ano passado


Diletos Amigos,

Às 10 horas do próximo sábado, dia 20 de março, haverá a IV Marcha em Defesa da Vida. Como em 2009, o ato público transcorrerá na Praça da Sé da capital paulista.

Vamos lá para manifestar a nossa indignação, dizendo NÃO ao aborto! NÃO ao massacre de inocentes no ventre materno! NÃO à legalização do infanticídio! NÃO à legalização da “pena de morte” aplicada contra o inocente nascituro!

Vamos manifestar nosso repúdio ao PL 1.135/91, um projeto de lei homicida, que, se for aprovado no Congresso Nacional, ampliará ainda mais a prática abortiva no Brasil: o aborto passará a ser permitido em qualquer caso, até mesmo no 9º mês de gravidez (desde a concepção até o momento do parto...).

Vamos nos manifestar contra o novo Plano Nacional de Direitos Humanos (o ignóbil PNDH-3 — Decreto 7037/2009) que, se aplicado no Brasil, dará direito de cidadania a tudo que não presta, exceto ao bebê. Este não é contemplado com qualquer “direito humano”, mesmo o mais fundamental, que é o direito à vida!

Aqui fica meu convite.
Convide também os seus Amigos.
Leve seus familiares!

Um forte abraço e até sábado!
Paulo Roberto Campos
http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/
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4ª Marcha em Defesa da Vida
PS: O “Comitê Estadual do Movimento da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto”, conforme notícia da agência ACI, avisa que neste ano, além da concentração em frente à Catedral da Sé, ocorrerá uma Marcha “que sairá do Viaduto Jacareí, em frente à Câmara Municipal de São Paulo, e chegará até à Praça da Sé, onde haverá o Ato Público” — que será encerrado às 13 horas.

19 de fevereiro de 2010

Colossal Marcha de 300.000 manifestantes anti-aborto em Washington

Em sua 37ª edição, a Marcha Pela Vida ocupou completamente grandes avenidas da capital americana, no dia 22 de janeiro último, neste primeiro ano do governo precocemente envelhecido de Barack Hussein Obama, insensível ao “grito silencioso” dos nascituros assassinados no ventre materno.

Já nos seus primeiros dias (em 23-1-09), ele revogou a proibição de se financiar com verbas federais organizações que fomentam a prática abortiva no mundo inteiro. E agora, com sua abstrusa e controvertida “Reforma da Saúde”, pretende abrir ainda mais as portas para oficializar o “morticínio dos inocentes”.


A política abortista da administração Obama contribuiu para indignar ainda mais a maioria dos norte-americanos e engrossar assim a March For Life deste ano, que contou com aproximadamente 300 MIL manifestantes, que a grande mídia do Brasil fingiu não ter visto.

Nossa mídia parece insensível a esse lancinante “grito silencioso”, pois sabotou
essa gigantesca manifestação (segundo informou os organizadores, quase a metade dos participantes eram jovens com menos de 25 anos). Insisto no que neste blog certa vez afirmei: evidentemente, se fosse uma passeata de meia-dúzia de abortistas, a grande mídia brasileira publicaria grandes manchetes em letras garrafais, com fotos e entrevistas com os seis gatos-pingados. Nossa mídia parece ter um sofisticadíssimo GPS para “farejar” e descobrir qualquer manifestaçãozinha de abortistas, homossexuais, sem-terras, quilombolas, índios etc., para dar-lhes notoriedade e fazer ecoar pelo mundo suas reivindicações que o Brasil inteiro rejeita.

Recebi de um colega da pugnaz TFP norte-americana, que participou com os demais membros da entidade daquela monumental Marcha, um CD com muitas e excelentes fotos (algumas delas postadas neste Blog da Família), bem como um comunicado distribuído durante a manifestação. Estou postando no final desta notícia a tradução integral desse documento, intitulado “Um apelo à insistência”. Pareceu-me interessantíssimo tal comunicado, pois mostra claramente que a questão do aborto não uma mera demanda pelos “direitos reprodutivos da mulher”, mas é uma questão ideológica indispensável para a revolução sexual, que arruína a família. Com o fim do aborto, a “coluna” da revolução sexual é que seria arruinada.
Muito mais se poderia falar desse grandioso acontecimento e de vários outros eventos paralelos — como vigílias e conferências — realizados naquela gelada (0°) sexta-feira em Washington, mas as fotos falam por si. [Para ampliá-las, basta um click ou ctrl +].
“Um apelo à insistência”

Por ocasião da 37ª Marcha Anual pela Vida, a Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade se une novamente às legiões de americanos anti-abortistas de toda a nação. Para os que têm participado deste importante combate, a palavra “novamente” é dolorosa. A cada ano protestamos, esperando que não haja outro “novamente”. E a cada ano o continuado massacre de inocentes torna este “novamente” ainda mais necessário.

Por que insistimos? Porque nosso amor a Deus e nossas consciências não nos permitem agir de maneira diversa. Entretanto, insistimos porque o outro lado também insiste com veemência.
A causa do aborto
A batalha sobre o aborto tem provado ser este um dos temas que mais polarizam a história de nossa nação. A minoria pró-aborto tem insistido tanto neste ponto, que somos levados a perguntar o porquê de tanta insistência.

Por que políticos arriscam sua carreira para apoiar esta prática da morte, quando poderiam tirar maior proveito simplesmente ignorando o tema? Por que alienam tantas mulheres e mães, as quais dizem defender?

A causa esquerdista lucraria muito se abandonasse temporariamente esse problema tão espinhoso, que divide a Nação. Eles ainda insistem em defender suas posições mais horríveis, como o aborto por nascimento parcial ou a morte dos abortados que nasceram vivos.

Além disso, esses defensores de “direitos” tolhem os direitos civis dos pró-vida, impondo regras-mordaça e cinturões de proteção em torno de clínicas de aborto. Alguns levam sua adesão ao aborto a ponto de deliberadamente deixar de relatar casos em que as menores sofrem abuso e tornam-se vítimas de adultos.

É óbvio que se trata de algo muito mais profundo do que apenas uma questão de “direitos da mulher”.
Aborto: coluna necessária da revolução sexual
Existe claramente algo muito maior, não se trata apenas dos “direitos reprodutivos da mulher”. Há uma ideologia por trás dessa insistência.

Devemos compreender que o aborto é a coluna necessária da revolução sexual que abalou o país nos anos 60, e foi assim que se devastou a família desde então.

Pela lógica distorcida desta revolução, a sexualidade humana nunca deve ser contida ou disciplinada. O desejo sexual deve ser satisfeito, e definido como parte inalienável da busca da felicidade. Todas as relações consensuais devem ser permitidas e incentivadas, mesmo em idade precoce e com grande freqüência.

Para implementar tal ideologia, há um obstáculo que tragicamente se interpõe no caminho: o pequeno bebê indefeso, cujo único crime é o seu desejo de nascer.

Quando a contracepção falha, o aborto torna-se um meio necessário para eliminar os inconvenientes que barram o caminho para a “felicidade”.
O que está em jogo
Os radicais pró-aborto entendem muito bem o que está em jogo. Com o fim do aborto, todo o edifício da revolução sexual pode cair por terra. Relações permissivas não serão mais possíveis. As pessoas serão forçadas a lidar com sua sexualidade da maneira que prescreve a natureza: o casamento tradicional.

Além disso, torna-se particularmente evidente que, quando as relações dissolutas entre homens e mulheres são postas em causa, os efeitos nocivos de outros relacionamentos sexuais destrutivos também devem ser denunciados.

É por isso que os promotores do aborto são tão radicalmente insistentes. Eles percebem que toda limitação do aborto, mesmo em suas expressões mais terríveis, é uma afirmação de que algum tipo de moralidade existe para limitar sua busca desenfreada da “felicidade”.

Não pode haver dúvida. O verdadeiro alvo do lobby pró-aborto é a moralidade — a do cristianismo, que tem por base o direito natural.

A procura da felicidade
Os ativistas pró-aborto não querem admitir o fato de que a satisfação irrestrita dos desejos sexuais não traz felicidade. Não querem reconhecer que no campo de batalha da revolução sexual encontram-se as vidas arruinadas de milhões de americanos que procuraram esta “felicidade” em vão.

Perguntamos: como pode alguém não ver? Quantas vidas inocentes norte-americanas ainda devem ser perdidas no útero? Quantas mulheres devem ainda sofrer com os danos psicológicos causados por relações pré-matrimoniais e abortos? Quantos filhos devem experimentar lares desfeitos, abuso e vida sem a família? Quantas outras almas devem perder-se no pecado, antes de a sanidade voltar para a sociedade?

De fato, as fileiras do movimento pró-vida estão cheias de tais mutilados e feridos nesta batalha terrível. Eles têm sido assaltados pela realidade de que a imoralidade não leva à felicidade.

Eles e seus filhos estão agora na linha de frente, usando todos os meios pacíficos e legais para fazer ouvir sua voz na frente de clínicas de aborto, praças e edifícios do Capitólio. Seus protestos e orações insistentes têm visto dezenas de clínicas de aborto fechar, e milhares de crianças serem salvas. Vozes jovens aderem, dando público e alegre testemunho de continuidade e repúdio a essa vergonha da nossa época.

É nessa luta por Deus e sua moralidade que eles encontraram a felicidade.
A luta pela civilização cristã
É por isso que novamente estamos aqui.

Esta luta pela vida é mais do que simplesmente expor um lado no debate político. Ela toma o centro do palco, em uma luta maior para a nossa civilização cristã.

Temos que insistir, porque nossos adversários insistem sempre. Temos que ter coragem para o fato de que nossa insistência transformou o aborto na coluna vulnerável e instável que sustenta a cultura da morte.

É nossa constante presença em eventos como a Marcha pela Vida que mantém o horror do aborto aos olhos do público.

É por isso que temos de estar aqui novamente.

Neste sentido, a TFP americana sente-se orgulhosa de ter ajudado a coordenar a recitação do Rosário em 4.337 lugares públicos em outubro do ano passado, seguindo as advertências feitas em Fátima, como uma solução para pôr fim ao aborto e tantos outros males morais.

Na verdade, esta luta em defesa da moralidade foi prevista por Nossa Senhora em Fátima no ano de 1917. Em sua mensagem aos três videntes, Ela falou da falta de modéstia, da impureza e das modas imorais. Chamou os homens ao arrependimento, à reparação e à mudança de vida.

Em face das lutas que enfrentaremos adiante, temos que continuar esta batalha cultural com uma confiança inabalável, determinação e insistência. É uma luta que está longe de terminar. No entanto, Nossa Senhora ajudar-nos-á, como tantas vezes tem feito no passado. No final, temos a certeza confirmada pela própria Virgem Santíssima em Fátima, de que o resultado será o triunfo de seu Imaculado Coração.


GALERIA









15 de janeiro de 2010

Neste Natal, um duplo milagre: em trabalho de parto, mãe e bebê morrem e recuperam a vida

O pequenino Coltyn Hermanstorfer
A jovem mãe, Tracy Hermanstorfer, de 33 anos, encontrava-se na maternidade do Hospital Memorial, em Colorado Springs (Estados Unidos), preparando-se para dar à luz na própria noite de Natal. Subitamente, ela começou a sentir-se sonolenta. Recostou-se então numa poltrona e perdeu todos os sinais vitais: cessaram os batimentos cardíacos e a pressão sangüínea, e ela deixou de respirar, sem que os médicos conseguissem diagnosticar a causa.

Mike Hermanstorfer, de 37 anos, marido de Tracy [foto acima], acompanhou toda essa agonia e ouviu dos médicos que o melhor a fazer naquele momento seria uma cesariana de emergência para salvar o bebê. Entretanto, uma segunda surpresa: o bebê veio à luz sem sinais de vida. “Senti que tudo o que eu tinha nesse mundo estava sendo tirado de mim”, lastimou Mike. Novos exames foram realizados. Enquanto uma equipe médica cuidava do bebê natimorto, outra equipe tentava reanimar a mãe, sem qualquer batimento cardíaco. Os médicos declararam mortos mãe e filho.

Mas eis uma terceira surpresa: o pai, após ter embalado o cadáver de seu pequenino filho, percebeu que os bracinhos do bebê começaram a se movimentar e que ele passou a respirar... Simultaneamente, sem nenhuma explicação natural, também a mãe começou a respirar. Ambos recuperaram a vida no mesmo momento!

Um milagre? Uma misteriosa ressurreição? Uma das médicas que se encontravam presentes no momento do parto, a Dra. Stephanie Martin, especialista em medicina materno-fetal, declarou numa entrevista ao Daily Mail: “Não há explicação, pois o coração dela parou e, alguns minutos depois, recuperou os batimentos. Fizemos uma investigação rigorosa e simplesmente não conseguimos entender o que aconteceu”.

Por sua vez, Mike declarou: “Eu e minha mulher temos fé em Deus. Mas mesmo uma pessoa que não acredite em milagres não terá argumentos para contestar o que aconteceu. Não houve explicação, é a mão de Deus”.

Tracy afirmou não se recordar de absolutamente nada do que aconteceu. Apenas lembrou-se de ter sido tomada por uma forte sonolência, de ter adormecido, e que quando acordou estava na sala de terapia intensiva. Disse que pretende, quando seu pequeno Coltyn crescer e tiver idade suficiente para entender o que sucedeu, contar-lhe tudo. “Vou dizer que ele é meu miracle-baby”.

No dia 29 de dezembro passado, a mãe com seu baby nos braços, acompanhada do marido, saudáveis deixaram o hospital rumo à sua residência nos arredores de Colorado Springs (aproximadamente 65 Km ao sul de Denver). Lá, apesar do atraso, juntamente com seus outros dois filhos Kanyen e Austin, comemoram o Natal — o nascimento do Menino Jesus e do miraculado recém-nascido.

Aos que desejarem assistir algun(s) vídeo(s) sobre esse impressionante caso, dêem um click em: http://luzesdeesperanca.blogspot.com/

Decreto-bomba-atômica-anti-família
Concluindo, apenas tenho a dizer que esse prodigioso acontecimento corresponde muito às graças natalinas — um inesquecível presente de Natal! Um belo milagre de Natal! Uma demonstração da proteção divina à família e aos nascituros!

Enquanto isso, também nas vésperas de Natal, durante o tempo em que a população brasileira acorria nas pegadas dos Reis Magos para junto do presépio, o governo federal lhe preparava um “Presente de Herodes”: o III Programa Nacional de Direitos Humanos (decreto 7037/2009), um monstrengo de 73 páginas gerado pelo secretário especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi (ex-terrorista e ex-militante da ALN) [na foto segurando o PNDH], em colaboração com diversos ministros de esquerda, como Tarso Genro, e que a revista VEJA desta semana (13 de janeiro/2010) bem classificou como “coisa de maluco”...

No ato de lançamento do PNDH, Lula e seus ministros (21 deles assinaram o Programa)

Lançado no dia 21 de dezembro — num período em que as famílias estavam preocupadas com as celebrações de Natal e do Réveillon, com fechamento de trabalhos, viagens, compras etc. —, o ignóbil PNDH-3 é um “saco de podridão” no qual meteram tudo que não presta: do aborto sem restrições ao “casamento” homossexual; de normas de proteção a homossexuais, bissexuais, lésbicas, quilombolas, travestis, transexuais (LGBT), ex-presos políticos (terroristas), prostitutas (nomeadas como “profissionais do sexo”) à permissão de adoção de filhos por “casais” homossexuais; de orientações para a (des)educação das crianças através da edição de livros didáticos ensinando pseudos direitos humanos à insolente e despótica proibição de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos (por exemplo, Crucifixos e imagens de Nossa Senhora)! Sem falar das arremetidas de tipo “chavista” contra o direito de propriedade, da defesa dos ditos “movimentos sociais” (MST et caterva) e da revisão da “Lei de Anistia”, além da regulamentação do uso dos meios de comunicação (censura).

O nefando Programa mereceria um post especial neste Blog da Família, particularmente no que se refere ao aborto, mas digo apenas uma palavra: tudo que não presta merece sua proteção sob a alegação de “direitos humanos”. Em tal Programa, somente um ser não é contemplado, não é protegido, não tem qualquer direito: o inocente nascituro no ventre de sua mãe. O bebê, este sim, pode ser cruelmente torturado e triturado pelas práticas abortivas e jogado no lixo!

Para os idealizadores do Programa, “direitos humanos” é só para defender os interesses escusos de sua ideologia totalitária, ultrapassada e impopular. Os direitos das famílias bem constituídas e, sobretudo, os Direitos Inalienáveis de Deus não contam, só servindo para serem violados. É a lógica subversiva! Não será a lógica satânica?

Até o momento, no nosso Congresso Nacional, uma única voz se fez ouvir para alertar sobre o Programa “decreto-bomba-atômica-anti-família”: a do deputado federal Paes de Lira. A respeito desse assunto, recomendo ouvi-lo. É só clicar em: http://www.youtube.com/watch?v=mLZdZQxE4zk

23 de dezembro de 2009

NATAL: Destrocando o que foi trocado (São Nicolau por Papai Noel)

Que a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, concedam especiais graças de Natal a todos que combatem os fatores de desagregação da família e as leis destrutivas dos lares


Com os meus votos de Feliz Natal e Boas Festas sob as bênçãos do Menino Jesus e de Sua Mãe Santíssima e as mais escolhidas graças para a luta em defesa da instituição familiar em 2010, aos correspondentes deste Blog da Família ofereço como “presente” a transcrição de duas evocativas cartas muito apropriadas para a ocasião. A primeira carta escrita por uma menina, Virginia O´Hanlon, quando tinha apenas 8 anos (foto). Ela faleceu em 1971, e durante sua longa vida (vivera 81 anos) recebeu milhares de cartas — todas respondidas anexando a sua missiva e a resposta que recebera e publicada no “The Sun”, jornal nova-iorquino. (mais abaixo fac-símile da publicação).

Trata-se de uma história verídica — tão encantadora que mais parece uma fábula natalina — mas que pede uma explicação. Como de um tempo a esta parte substituiu-se a figura tradicional de São Nicolau pela imagem mercantilista e paganizada do “Papai Noel”, na tradução das cartas eu troquei o segundo pelo primeiro, uma vez que o Natal é a festa magna da Cristandade na qual comemoramos o nascimento do Menino-Deus em Belém.

Falecido em meados do século IV, São Nicolau foi Bispo de Myra, na Turquia meridional, atualmente conhecida como Demre. Ele encantou e povoou durante séculos o imaginário infantil no mundo inteiro, sobretudo na época de Natal. De família muito rica, após a morte de seus pais, distribuiu generosamente seus bens aos pobres e protegeu de modo especial as crianças necessitadas.

A partir do século X, meninos e meninas adquiriram o hábito de confeccionar pequenos navios de papel e deixá-los à porta de suas casas, a fim de que São Nicolau ali depositasse presentes e doces. No século XV, o costume passou a ser, no lugar dos navios de papel, os sapatinhos e meias.



Infelizmente, no século passado fez-se a péssima troca de São Nicolau pelo “Papai Noel”. Com isso, as luzes sobrenaturais do Natal foram como que se apagando, enquanto se acendiam os letreiros luminosos da propaganda comercial — inclusive da Coca-Cola-Company —, utilizando a figura do “Papai Noel”.

Um belo revide seria o de as famílias católicas retomarem a tradição de montar em seus lares os presépios, além da montagem da árvore de Natal, e ensinarem a seus pequenos a história de São Nicolau atendendo generosamente seus pedidos em nome do Menino Jesus. As crianças seriam assim despertadas para aquela propensão ao maravilhoso e ao sobrenatural própria a toda alma inocente, remetendo-as para um mundo parecido com Céu e distanciando-as da conotação materialista e paganizada do “Papai Noel”. A seguir a carta de Virginia (foto abaixo), que o redator-chefe do “The New York Sun” encontrou sobre sua mesa de trabalho numa manhã de setembro de 1897:

Prezado Sr. Redator:
Tenho oito anos de idade. Algumas de minhas amigas sempre me dizem que não existe São Nicolau e que isso é uma antiga lenda, tipo conto de fadas. Porém, meu pai disse-me que se tal existência for confirmada pelo “The Sun”, então é certo que existe São Nicolau. Por favor, diga-me a verdade: existe mesmo o São Nicolau?
Virginia O´Hanlon



Com relutância e hesitação, Francis Pharcellus Church (foto acima), redator do “The Sun”, tomou a si a tarefa de responder à carta da pequena Virginia. Contudo, tendo começado a escrever, as palavras saltaram rápidas sobre o papel, e assim surgiu a seguinte carta:

Virginia:
Tuas amigas não têm razão. Elas sofrem de uma doença péssima e que mais tarde trar-lhes-á ainda muitas dores. Toma cuidado para que essa doença não te pegue. Trata-se de uma doença de alma. Nós, os adultos, chamamo-la de incredulidade, espírito de crítica, falta de inocência. Tuas amigas e outras pessoas que tentaram te convencer pensam que são sábias e espertas, porque só admitem como real aquilo que podem ver com os olhos e tocar com as mãos. Contudo, elas não sabem quão pouco é isso!

Ora, pequena Virginia, imagina todo este imenso Globo terrestre com seus lagos e montanhas, com seus rios e mares, e, pairando sobre nossas cabeças, o céu infinito com suas miríades e miríades de estrelas. Imagina quantas espécies de seres existem no mar, nos ares e sobre a terra. O homem é apenas um entre milhares de seres, e ademais quão pequeno! Diante das imensidões do universo, ele é pouco mais do que um besouro ou uma formiga. Como então pode o homem ver tudo o que existe e com seu pequeno entendimento querer explicar todas as coisas?

Sim, Virginia, existe o São Nicolau! Tão certamente quanto existem o carinho e a alegria, o amor e a bondade, os quais, porém, não podemos ver com nossos olhos e apalpar com nossas mãos. Mas tudo isso existe. Tu mesmo já os experimentaste. E não trazem eles beleza e alegria em tua vida?

Ah, como seria triste o mundo sem São Nicolau! Tão triste como se não houvesse mais Virginias, como se não houvesse mais os contos de fadas, os anjos, as canções, as histórias infantis escritas pelos poetas. Ou, pelo contrário, só houvesse gente que jamais se encanta com nada, que jamais sorri! Então estaríamos todos perdidos. E aquela luz eterna, que jamais se apaga, com a qual as crianças iluminam o mundo e que acompanha toda criancinha que nasce, esta apagar-se-ia para sempre.

Não acreditar em São Nicolau?! Então ninguém mais precisaria crer em fadas e anjos. Tu poderias convencer teu pai a colocar vigias diante de cada chaminé, na noite de Natal, para que eles pudessem agarrar o São Nicolau. O que ficaria então provado se eles não o vissem descer pela chaminé? Ora, ninguém vê o São Nicolau! Isso porém não prova que ele não existe. As coisas que neste mundo são verdadeiramente reais, não as podem ver nem crianças nem adultos. Já viste alguma vez uma fada dançar sobre os prados floridos? O fato de não a teres visto não prova que a fada não dance na pradaria. Ninguém pode compreender todas as maravilhas invisíveis do universo.

Tu podes bem desmontar um chocalho de bebê, a fim de ver como se produz propriamente o ruído das pedrinhas que se chocam umas contra as outras. Porém, sobre o mundo invisível há um véu estendido, o qual não pode ser rasgado nem mesmo pelo homem mais forte da Terra, e nem sequer pela força conjunta de todos os homens fortes de todas as épocas. Somente a fé e a caridade podem levantar um pouquinho a ponta deste véu e assim contemplar a beleza e o esplendor sobrenaturais que se escondem atrás dele.

Será tudo isso realidade? Ó, Virginia, sobre a Terra não há nada de mais real, de mais verdadeiro do que isso! Graças a Deus que São Nicolau vive e viverá eternamente! Nos próximos mil anos — oh! que digo, pequena Virginia —, nos próximos 10 mil anos multiplicados por outros tantos mil anos, o São Nicolau continuará a fazer com que os corações puros das crianças se alegrem e batam com mais força na abençoada noite de Natal.

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PS: Com esta matéria, montei uma apresentação de slides (em arquivo PPS, com música de Natal). Aqueles que desejarem receber tal arquivo por e-mail, basta enviar o pedido para o e-mail: prccampos@terra.com.br