6 de maio de 2010

Um belo exemplo nos chega de São Bento do Sapucaí

Em meio a tantas más notícias que se sucedem dia-a-dia em nosso conturbado País, eis que hoje (5-5-10) deparo-me com uma EXCELENTE notícia e apresso-me a transcrevê-la para animar os amigos que lutam em defesa da instituição da família, atualmente tão corroída por fatores desagregadores. Vamos incentivar outros municípios a imitar o belo exemplo da simpática São Bento do Sapucaí — “o primeiro município pró-vida da nação”.

Promulgada lei orgânica pró-vida em município de São Paulo
SÃO PAULO, 05 Mai. 10 / 03:26 pm (ACI). — A Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí (São Paulo), promulgou, em Sessão Solene, a Lei Orgânica do Município revisada, declarando a primazia da vida e a dignidade da pessoa humana como princípios fundamentais no texto constitucional local. Os 129 artigos da lei, dão destaque à defesa da vida e promoção da estrutura natural da família (primeira e principal instituição humana), para declarar oficial e solenemente que “o direito à vida, desde a concepção até a morte natural” é “o primeiro e principal de todos os direitos humanos”. Desta forma São Bento do Sapucaí se torna o primeiro município pró-vida da nação.

No discurso do vereador Prof. Hermes Rodrigues Nery (na foto, à esquerda), Presidente da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí, durante a Sessão Solene de Promulgação da primeira Lei Orgânica pró-vida do País, o político destacou que “chegamos hoje, depois de muito trabalho, ao momento da promulgação da Lei Orgânica do Município revisada de São Bento do Sapucaí, num processo amplamente democrático, transparente e participativo, (...). Daí que quando propusemos a reforma da Lei Orgânica, foi para que pudéssemos garantir em lei o direito a vida como primeiro e principal de todos os direitos humanos, e políticas públicas em defesa da estrutura natural da família, primeira e principal instituição humana”.


Na mesma sessão solene o vereador fez uma análise da cultura atual assinalando que “é uma crise muito séria a que vivemos, pois a humanidade inteira está sendo vítima de muitos ataques e violências, atentados e agressões em nível sem precedentes, especialmente contra princípios e valores que por durante séculos elevaram o gênero humano à consciência de que sua dignidade é um bem precioso, que precisa ser defendido de todas as ameaças. Daí o nosso compromisso, desde o início, com formação e depois com a própria revisão da lei orgânica, foi conjugar legislação e vida, como um primeiro passo, pois sabemos que há muito que ser feito para que alcancemos um nível de consciência que reconheça o valor da pessoa humana” (...), comentou o vereador.

Sobre a defesa da família o legislador mencionou que “quisemos nesta Lei Orgânica incluir um capítulo especial sobre a defesa da estrutura natural da família. O ser humano tem necessidade de viver comunitariamente em sociedade. Tem direitos e deveres naturais, e a exigência da vida em sociedade, no convívio com os demais, se faz necessário justamente para que ela se realize como pessoa. Ninguém é uma ilha. Não se é feliz sozinho, isolado. O homem e a mulher não foram feitos para a solidão. Por isso, é impelido pela sua própria natureza, a atender as suas necessidades (materiais e imateriais) no convívio com os demais, numa relação de mútua-ajuda, e não de espoliação uns dos outros”.

“A Constituição Federal coloca a dignidade da pessoa humana como princípio fundamental — continuou o político pró-vida — mas ‘faz um silêncio de morte sobre o início da vida humana’, como afirmou o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito. A Carta Magna garante a inviolabilidade da vida humana, mas não deixa claro a partir de que momento a vida humana deve ser protegida, provocando assim erros hermenêuticos com conseqüências que banalizam o valor e o sentido da vida, porque não a promove integralmente”.

Referindo-se à apresentação da Lei Orgânica revisada de São Bento do Sapucaí, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins, renomado jurista brasileiro, salienta que “nada impede que nas constituições estaduais e nas leis orgânicas sejam reproduzidas normas da Constituição da República, com explicitações. O que a Câmara de São Bento faz é exatamente explicitar a inviolabilidade da vida humana, desde a concepção até a morte natural, garantindo assim a primazia do direito à vida, pois não há direito à saúde, à educação, à liberdade de expressão, à moradia, etc., se não estiver assegurado o direito à vida”, destacou.

Trata-se de uma iniciativa pioneira, a Câmara promulgar a nova Lei Orgânica, e conjugar legislação e vida, "inspirado nos princípios da lei natural", enfatizando a defesa da vida humana, "a partir dos valores do humanismo integral". Dessa forma, São Bento do Sapucaí torna-se o primeiro Município pró-vida do Brasil.

3 de maio de 2010

“Poesia” e “aborto” — termos que não rimam

De Rosalina Herai, professora e poetisa, recebi para este blog uma poesia sobre aborto. “Poesia” e “aborto” — termos que não rimam, pelo contrário, destoam, “berram” por estarem juntos. Mas ela expressa muito bem em versos a mais pura verdade do que se passa numa prática abortiva: o crime em si (o infanticídio); e o trauma que sucede àquela que em vez de embalar seu bebê, “embala” aflitivos pesadelos, por não ter em seus braços a inocente criança que Deus lhe deu.
Eis a transcrição do texto que nos foi enviado:
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Prezado amigo, boa tarde!
É maravilhosa sua luta pelo bem, pela vida... São tantos os choros dos inocentes, um choro dentro da mãe... Meu Deus que pecado imenso elas cometem!
Deus o abençoe meu amigo. É uma honra poder contribuir para esta luta.
Atenciosamente
Rosalina Herai

Aborto

Uma criança suplica
Do ventre de sua mãe
Não retire os meus membros
Que a mim ele compõe

Desesperada a criança
Foge no líquido amniótico
Senti que lá fora
Há uma seringa de plástico

Sugando seu corpinho
O monstro varre o ventre
Desmanchando o ninho
Do pobre inocente

Já sangrando lá dentro
Indefesa a pobre criança
Chora por sua mãe
Interrompe a matança

Nas dobras que tem
O seu corpinho se espalha
E a mãe assassina
Se senti aliviada

Passa o primeiro momento
A mãe tem um só pensamento
Passando a mão pelo ventre
Senti falta da criança lá dentro

Passam: minuto a minuto
Hora por hora
Mês a mês
Ela a mãe está morta
No seu coração a assassina
Matou também ela própria

Em todo lugar que vai
Senti a criança gritar
E seus braços sentem
A falta da criança embalar

Já toda ressequida
Pelo crime que cometeu
Vê que seus puros sonhos
Com a criança morreu

Chora por muitos anos
No vazio da vida em seu quarto
Sabe que naquele dia fatídico
Deveria salvar o bebê, amá-lo

Agora já sem ninguém
Vê, foi uma covarde na vida
Podia ter trabalhado
Criado sua criança
Que estaria adormecida


Rosalina Herai

24 de abril de 2010

“Obrigado por não ter-me abortado”

“Busco a mi mamá” (“Procuro a minha mãe”) — Este o nome da página criada no site de relacionamentos Facebook por Mauricio Barrios [foto], um argentino de 23 anos residente na província de Córdoba. Segundo ele, além da família que o adotou e com a qual reside, 25 mil pessoas se uniram à campanha na rede social para tentar ajudá-lo a encontrar sua mãe.

Por meio da Internet, finalmente ele encontrou a mãe, hoje com 50, que o havia abandonado num hospital no dia 1º de janeiro de 1987, logo nos primeiros dias do bebê.

Mauricio disse que, há uma semana, apareceu uma amiga de sua mãe biológica e contou-lhe que ela morava em Villa del Totoral.

No dia 17 último, o jovem pode conversar por telefone com sua mãe, que, muito emocionada, disse-lhe: “Meu filho, sou eu, tua mamãe. Não me odeie. Perdoe-me. Recordei-me sempre de ti, nunca te esqueci”.

O jovem marcou o reencontro para o dia seguinte. Logo após tê-la abraçado, disse-lhe: “Obrigado por ter tido a valentia de dar-me a vida e não ter-me abortado”.

Ao jornal argentino “Clarín”, Mauricio Barrios declarou: “Senti-me pleno, nunca tinha experimentado a serenidade da alma. Por fim pude fechar minha história. [...] O único que atinei a dizer-lhe foi que estava tudo bem e que eu a perdoava”.

Diante das câmeras de televisão da Argentina, ele afirmou: “Ela me abraçou, pediu desculpas, e eu a desculpei e lhe agradeci por ter-me deixado nascer, ela não me abortou”.

(Cfr. “BBC”, 20-4-10 e “ACI”, 20-4-10)
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Eis um bonito exemplo para usarmos contra a freqüente objeção daqueles que defendem o aborto em casos de "nascimentos indesejáveis" pela mãe (por exemplo, em casos de estupro ou à alegada impossibilidade de criar o filho devido à extrema pobreza).

O estupro é um crime hediondo, mas matar o inocente nascituro é um crime ainda maior. Deve-se severamente punir o estuprador e não o inocente. Certas organizações, e mesmo o Estado, em vez de facilitar o aborto, deveriam facilitar a adoção do bebê, por famílias ou instituições. Assim, salva-se a criança e também a mãe que, se optasse pelo aborto, além do gravíssimo pecado, passaria o resto de sua vida com traumas (as chamadas “síndromes pós-aborto”), devido à execução do filho que ela gerou.

22 de abril de 2010

Marcha Contra o Aborto em Bruxelas


  • Heitor Abdalla Buchaul (*)

No último dia 28 de março, em Bruxelas, cerca de 3000 pessoas, participaram da Marcha pela Vida, por ocasião dos 20 anos da nefasta lei que despenalizou o aborto na Bélgica.

A marcha silenciosa, em sinal de luto pelas milhares de vítimas do aborto, qualificado por um dos oradores, como o maior holocausto da História, estendeu-se da Place Royal até o Palácio da Justiça.[foto]

A Marcha foi iniciativa de um grupo de estudantes, cujos participantes contavam entre de 18 a 21 anos, notando-se uma presença maciça de jovens, enquanto uma pequena manifestação contrária ocorria ao longe, composta por vetustos esquerdistas.

O ponto alto da manifestação foi uma mensagem do novo arcebispo de Malines-Bruxelas Monseigneur André-Joseph Léonard, [foto] que leu mensagem de apoio enviada por D. Cardoso Sobrinho, felicitando a todos os participantes e prometendo orações. Havia grande número de religiosos e religiosas, além de padres diocesanos.




A delegação da entidade francesa Droit de Naître [foto] juntou-se aos numerosos jovens vindos de outros países, notadamente da Alemanha, Áustria, Itália, Irlanda, Holanda, Polônia, Espanha, além de participantes dos Estados Unidos, Brasil e Congo.

No final da marcha, em frente ao Palácio de Justiça, o depoimento de uma jovem americana chamou a atenção: ela é fruto de um abuso de um pai em relação à própria filha, ou seja, filha do próprio avô, tendo afirmado: “Se alguém pensa que num caso assim deve haver direito à vida ou não, olhem-me...”.

No encerramento, discursou o jovem estudante e principal organizador Michel de Keukelaere, que incentivou a todos a lutarem em prol da vida em seus meios e países e a retornarem na próxima marcha, no dia 27 de março de 2011.

Mais de mil rosas foram distribuídas e depositadas nas escadas do Palácio de Justiça. Eram brancas e vermelhas, simbolizando pureza, honestidade, como também sangue derramado e combate!

13 de abril de 2010

O esdrúxulo encontro

No dia 21 de dezembro de 2009, o ato de lançamento do PNDH-3 (Fotos: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil)

• Paulo Roberto Campos
E-mail:
prccampos@terra.com.br

Intitulada “Via sacra”, uma breve notícia na coluna da Mônica Bérgamo (“Folha de S. Paulo”, 30-3-10) diz muito em poucas linhas. Mas suscita indagações. Em estilo “curto e grosso”, a renomada jornalista escreve:

“A ministra Dilma Rousseff, que já disse que ‘aborto é uma questão de saúde pública’ para defender a legalização, vai se encontrar com bispos católicos, depois da Páscoa, para discutir o tema. O vereador Gabriel Chalita (PSB-SP), que tenta se lançar ao Senado com apoio do PT, é um dos interlocutores da reunião. Os cardeais de São Paulo, dom Odilo Scherer, e do Rio, dom Orani Tempesta, estão entre os 50 clérigos convidados”.

Também procurando ser “curto e grosso”, comento: A ministra é favorável ao aborto. A Igreja Católica é categoricamente contrária ao aborto. O novo “Programa Nacional de Direitos Humanos” (PNDH-3), assinado por Dilma Roussef [foto], defende a legalização do aborto “considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”. Também julga a matança dos inocentes um “direito humano” e — exatamente como a ministra — “uma questão de saúde pública”.

O ministro Paulo Vannuchi, um dos principais mentores do PNDH-3

A Igreja Católica sempre considerou o aborto como uma evidente violação do 5º Mandamento da Lei de Deus (“Não Matarás”). De acordo com o Catecismo, o aborto é um pecado gravíssimo que brada aos Céus e clama a Deus por vingança. Portanto, o encontro “com bispos católicos” seria uma reunião entre quem defende a morte do nascituro no seio materno e aqueles que devem defender “o valor sagrado da vida humana desde o seu início até o seu termo” — conforme afirmou o Papa João Paulo II em sua encíclica Evangelium vitae (1995).

Ainda na mesma encíclica o Papa condena nos seguintes termos quem defende a “legalização do aborto”: “Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela Igreja”.

No dia da assinatura do PNDH-3. No centro, da esquerda para a direita, Vannuchi, Dilma e Lula

Então, qual a razão de um encontro de uma Ministra, que defende o aborto, com pastores, cuja missão natural, e também sobrenatural, é defender de todos os modos e sem exceção a vida inocente?

Entre várias suposições possíveis de se fazer, trago à baila duas. Imaginem que ambos os lados adotem a política do “ceder para não perder” — o governo se comprometeria a fazer alguns recuos no PNDH-3, enquanto os pastores se comprometeriam a não atacá-lo por inteiro e veementemente.

Ou um outro acordo: a ministra cederia na questão do aborto, retirando-a do PNDH-3, em troca de os pastores não atacarem as outras inúmeras aberrações contidas no Programa. Por exemplo, a sovietização de nossos campos através de uma Reforma Agrária radical bafejada por órgãos da CNBB a reboque dos quais atua o MST.

Terá esse encontro o desfecho merecedor da reprovação feita por Churchill à política entreguista de Chamberlain em relação aos nazistas: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra”? Quem viver, verá!

Rezemos para que o esdrúxulo encontro não traga como resultado uma vergonhosa derrota dos defensores naturais da ortodoxia e da moral, por terem preferido ceder em vez de lutar. E seja, pelo contrário, o de lutar para vencer!

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Mobilização Nacional contra o PNDH-3

www.ipco.org.br

Convido os leitores deste blog, preocupados com os rumos que o País está tomando em direção a uma radical sovietização, a engajarem-se na importante campanha promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, contra o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).

Lançado pelo governo Lula às vésperas do último Natal, tal programa, caso venha a ser aprovado no Brasil, corresponde à implantação no País de uma implacável perseguição religiosa, sob pretexto de “Direitos Humanos”.

Acessando o site em epígrafe, clique na figura das mãos segurando o terço. Assim, o leitor poderá enviar seu “cartão amarelo” a todos os Senadores e Deputados Federais manifestando suas preocupações com os graves riscos de “cubanização” do Brasil com a implantação do
obscurantísta e jurássico PNDH-3.

Não deixe para amanhã, envie o quanto antes sua advertência aos nossos representantes em Brasília. É muito fácil e rápido.

www.ipco.org.br

28 de março de 2010

Isabella e outros infanticídios

Graças a Deus, no caso Isabella, “justiça foi feita!”, conforme disse a mãe da menininha cruelmente esganada pela madrasta e defenestrada pelo próprio genitor. Um crime hediondo que chocou o Brasil inteiro e que clamava por punição exemplar!

Entretanto, milhões e milhões de outras “Isabellas” ainda bradam aos Céus e clamam a Deus por justiça. São as incontáveis outras “Isabellas” assassinadas pelas próprias mães por meio do não menos hediondo crime do aborto. Deixar impunes esses crimes, semelhantes a “infanticídios”, seria o mesmo que inocentar o genitor e a madrasta da pequena Isabella.

A respeito desse "Isabellicídio", um caso tão pungente iniciado exatamente há dois anos, transcrevo a seguir um artigo publicado na revista Catolicismo (edição de maio/2008), no qual fazemos uma denúncia da espantosa ilogicidade de muitos meios de comunicação.



Isabellas

  • Paulo Roberto Campos

A opinião pública encontra-se estarrecida com o monstruoso fato ocorrido no dia 29 de março [2008]: uma menininha, de apenas cinco anos, jogada do 6º andar de um prédio; seu corpo ficou espatifado no solo.

Nestes últimos dias, jornais, revistas, rádios, TVs e sites estiveram abarrotados de reportagens sobre esse sinistro acontecimento na capital paulista. Realmente, todos qualificam tal crime como monstruoso, e todos se perguntam: Quem matou Isabella Nardoni? Quem praticou tamanha crueldade? Por que?

Tremenda insensatez – inexplicável incoerência

Nesse caso, seria clamoroso não denunciar uma atitude de flagrante incoerência da mídia e de incontáveis pessoas. Refiro-me àquelas que, com toda razão, estão chocadíssimas com o assassinato da menina, mas que não ficam chocadas com o não menos brutal assassinato de crianças ainda no ventre materno. É incompreensível que muitas pessoas, horrorizadas com a morte de Isabella, sejam favoráveis ao aborto, portanto à eliminação de pequenas e inocentes “Isabellas”, que nem sequer viram a luz do dia.

Quantas “Isabellas” são diariamente assassinadas do modo mais desumano que se possa imaginar! Extirpar uma vida humana será sempre gravíssimo crime, não importando a idade da vítima: aos 80, 50 ou cinco anos; ou alguns meses ou dias, até mesmo algumas horas.

Ah! se um dia jornais, revistas, rádios, TVs e sites estiverem repletos de comentários contra assassinatos de bebês indefesos no útero materno, seria um acontecimento memorável! Seria um evento importante para a restauração da civilização, neste mundo neobárbaro e neopagão em que vivemos.

Oxalá, proximamente, o Brasil inteiro — que se encontra horrorizado com o caso Isabella — viesse a se comover profundamente também com as incontáveis vítimas do aborto. Assim como se deseja a condenação dos responsáveis pela morte dessa criança, também se exija a condenação dos responsáveis pela matança de crianças ainda no ventre de suas mães. A condenação não só da genitora que se submete a um aborto, mas igualmente daqueles que colaboram na execução do ato, como médicos, enfermeiras, parentes, etc.

Ambos são crimes hediondos. Ambos devem ser lamentados profundamente, e não podem ficar impunes.

“Estão se queixando do cheiro de carne humana queimada”

Recente artigo de Carlos Heitor Cony (“Folha de S. Paulo”, 11-4-08), muito apropriadamente intitulado Uma história repugnante, relata a pesquisa realizada por dois jornalistas ingleses, Michel Litchfield e Susan Kentish, sobre a “indústria do aborto” em Londres. Eles investigaram o que se passava nas clínicas abortivas, após a legalização do aborto na Inglaterra (com o “Abortion Act”, de 1967), e gravavam as conversas com os médicos. Com base na pesquisa, escreveram a clássica obra “Babies for Burning” (Bebês para queimar), editado pela Serpentine Press, de Londres.

Aqueles que desejarem adquirir tal obra em português, a encontrarão publicada pelas Edições Paulinas (São Paulo, 1985), com o título: Bebês para queimar: a indústria do aborto na Inglaterra.

O referido artigo pode ser lido na íntegra em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200842.htm. Aqui transcrevo apenas alguns trechos:

“Os autores souberam, por meio de informações esparsas, que a indústria do aborto, como qualquer indústria moderna, tinha uma linha de subprodutos: a venda de fetos humanos para as fábricas de cosméticos. [...]

Contam os jornalistas: Quando nos encontramos em seu consultório, o ginecologista pediu à sua secretária que saísse da sala. Sentou-se ao lado de Litchfield, o que melhorou a gravação, pois o microfone estava dentro da sua maleta. O médico mostrou uma carta:

— Este é um aviso do Ministério da Saúde – disse, com cara de enfado. As autoridades obrigam a incineração dos fetos... não devemos vendê-los para nada... nem mesmo para a pesquisa científica... Este é o problema....

— Mas eu sei que o senhor vende fetos para uma fábrica de cosméticos e... e estou interessado em fazer uma oferta... também quero comprá-los para a minha indústria...

— Eu quero colaborar com o senhor, mas há problemas... Temos de observar a lei... As pessoas que moram nas vizinhanças estão se queixando do cheiro de carne humana queimada que sai do nosso incinerador. Dizem que cheira como um campo de extermínio nazista durante a guerra.
E continuou: Oficialmente, não sei o que se passa com os fetos. Eles são preparados para serem incinerados, e depois desaparecem. Não sei o que acontece com eles. Desaparecem. É tudo.
— Por quanto o senhor está vendendo?

— Bem, tenho bebês muito grandes. É uma pena jogá-los no incinerador. Há uso melhor para eles. Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem [método utilizado para desmembrar um nascituro]. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados, e vivem um pouco antes de serem mortos. Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador, porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocados numa incubadeira, poderiam sobreviver, mas isso aqui não é berçário. Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado, e não estaria desempenhando meu ofício se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias”.

“Quem derrama o sangue humano será castigado”

Realmente repugnante! Mas é a realidade de inúmeras clínicas abortivas: nascituros são espatifados, extirpados do ventre materno, incinerados, ou “comercializados”, ou jogados na lata de lixo.

Isabella também foi morta, mas não incinerada ou jogada numa lata de lixo. Felizmente, ela era batizada e teve um enterro digno, graça de que são privados os bebês assassinados por mãos abortistas.

Encerro este artigo com uma passagem da Sagrada Escritura, que se aplica aos assassinos de todos os nascituros, de todas as “Isabellas”: “Quem derrama o sangue humano será castigado pela efusão de seu próprio sangue” (Gen. 9, 6).

E-mail do autor: paulocampos@catolicismo.com.br

21 de março de 2010

4ª Marcha em Defesa da Vida

Organizada pelo Comitê Estadual do Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto (São Paulo), a 4ª Marcha ocorreu ontem (20-3-10) com muito êxito, contando com aproximadamente 8 mil manifestantes.

Neste ano, houve também uma passeata desde a Câmara Municipal até a Praça da Sé da capital paulista, lugar da concentração. No percurso, os anti-abortistas fizeram desfilar um “tsunami” de faixas e cartazes contra o aborto (foto ao lado e outras no final deste texto - para ampliá-las, click sobre elas) e bradaram slogans como este:
“Homens de Brasília
Prestem atenção!
Quem libera o aborto
O meu voto não tem não!”

Muitos manifestantes não levavam faixas e cartazes, mas usavam camisetas com dizeres anti-aborto, como esses nas fotos abaixo.







Na Praça da Sé, o grande ato público foi aberto pela Dra. Marília de Castro (foto ao lado), coordenadora estadual do Movimento. No palanque, diversos líderes anti-abortistas (fotos no final do texto) revezaram-se conclamando os presentes à luta contra a implantação do aborto no Brasil. Além alertar para o perigo da aprovação do Projeto de lei nº 1.135/91 (que permitiria o aborto até mesmo no 9º mês), muitos oradores enfocaram a questão do direito humano fundamental (o direito à vida), numa clara alusão ao Decreto 7037/2009, assinado pelo presidente Lula e seus ministros no dia 21 de dezembro último, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).

Tal decreto ditatorial é um “pacote” disforme repleto de normas desumanas, no qual o governo tenta “embrulhar” os brasileiros incautos. Assim, ele visa abater uma série de valores morais; desagregar a instituição familiar (por exemplo, instituindo o “casamento” homossexual e defendendo a prostituição); abolir o direito de propriedade; proibir o direito de ostentar símbolos religiosos etc. Apenas um ser é destituido de todo e qualquer direito: o nascituro. Este, segundo os signatários do decreto — sobretudo o principal deles —, não tem sequer o direito de nascer, podendo ser arrancado do ventre materno e jogado no saco de lixo. Na foto abaixo, faixa da associação Nascer é um Direito com referência direta vinculando o PNDH-3 e o aborto e na foto seguinte, faixa com uma referência indireta.
Nem o forte calor desse último dia de verão afugentou os manifestantes anti-abortistas, que permaneceram até o fim do ato para não perder nenhum dos oradores. O último deles a fazer uso da palavra, foi o diretor da Human Life Internacional para países de língua portuguesa, Raymond de Souza (foto ao lado), que veio dos Estados Unidos especialmente para participar da Marcha. Ele contou que por ocasião do encontro do presidente Lula com seu “companheiro e aborteiro”, o presidente Obama, eles fizeram pactos não para defender a família — o que seria apropriado a chefes de Estado —, mas para implementar o aborto em países do terceiro mundo. A mesma coisa fez a Secretária de Estado americano, a Sra. Hillary Clinton, quando de sua recente vinda ao Brasil, tratando do “controle da natalidade” nesses países. Em seu discurso, o orador mandou uma contundente mensagem para Lula: “Senhor Presidente, o governo existe para proteger o bem comum, para proteger a vida de todos os cidadãos, e não para assassiná-los por meio do aborto”. E terminou bradando a plenos pulmões com toda multidão ali presente: “Um, dois, três, / quatro, cinco mil, / pra´ salvar nossas crianças nós paramos o Brasil!”

(A seguir uma seleção de fotos que tirei do grande ato público contra o aborto. Para ampliá-las, click sobre elas)

Na foto abaixo, a Marcha chegando à Praça da Sé Senhoras grávidas foram convidadas a subir no palanque para uma homenagem