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Foto de Joel Silva (Folhapress) estampada na primeira página da “Folha de S. Paulo” (12-10-10). Dilma Rousseff, durante a missa no Santuário de Aparecida, além de não ter feito o “Pelo Sinal” no momento apropriado, não soube sequer persignar-se — ela o fez da direita para a esquerda, e introduzindo uma novidade: uma cruzinha na ponta do nariz... Aqueles que desejarem ver essa cena, envie-me um e-mail (prccampos@terra.com.br ) com o pedido, pois tenho cópia da filmagem. |
Na 6ª. feira (15-10-10) foi publicada a “carta aberta” aos cristãos, que a candidata do PT havia prometido. Imaginei que se produziria um documento “sólido”, mas saiu “gelatinoso”, muito fraquinho.
Transcrevo alguns trechos do mesmo e, em seguida, analiso os pontos assinalados com letra vermelha. Para aqueles que desejarem a íntegra, abaixo indico o link. (*)
Assinado por Dilma Rousseff, o documento, intitulado “MENSAGEM DA DILMA” (foto), assevera:
1. — “Resolvi pôr um fim definitivo (sic) à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais”. A signatária afirma ser “pessoalmente contra o aborto”.
2. — “O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família”.
3. — “Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil”.
4. — “Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião”.
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(*)http://www.jb.com.br/eleicoes-2010/noticias/2010/10/15/em-carta-aberta-dilma-tenta-por-fim-as-calunias-e-se-afirma-contra-o-aborto/
1 — Campanha de calúnias e boatos
Ora, não foram “espalhados" nem “calúnias” nem “boatos”, mas sim verdades e fatos concretos.
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Charles Maurice, príncipe
de Talleyrand-Périgord (1754-1838),
brilhante diplomata francês do séc. XIX,
considerado como o mais versátil,
habilidoso e influente diplomata
de seu tempo. |
Talleyrand (quadro ao lado), o grande diplomata francês do século XIX, legou à História um dito lapidar: “Il y a une chose plus terrible que la calomnie, c'est la vérité”. (Há uma coisa mais terrível que a calúnia, é a verdade). Esse pensamento genial veio-me à mente lendo a “Mensagem da Dilma”.
Dizer-se vítima de uma “campanha de calúnias e boatos espalhados”... Francamente, Dona Dilma! Porventura relembrar o que alguém tenha dito ao longo de sua vida é “campanha de calúnias?! Não se fez senão relembrar; só isso, nada mais que isso!
Mas “isso” doeu terrivelmente! Por quê? — Parafraseando Talleyrand, poderíamos afirmar que “há uma coisa mais terrível que as calúnias: são os fatos”.
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Capa da VEJA desta semana.
Na parte superior: "Acho que
tem de haver a descriminalização
do aborto. Acho um absurdo
que não haja".
Dilma Rousseff, em 4-10-2007 |
Contra fatos concretos, fotos, gravações e registros em filmes, não há argumentos. Neste blog mesmo, os leitores encontrarão vários documentos incontestes sobre afirmações passadas, feitas por Dilma Rousseff e por petistas da sua entourage. Entretanto, ela — sem execrar nem pedir perdão pelo seu passado — começou a dizer coisas contrárias ao que dissera outrora. Por exemplo, ao reafirmar na carta ser “pessoalmente contra o aborto”. Sim, isso é o mínimo que se pode dizer. Afirma-se se “pessoalmente contra o aborto” e deixa-se a aprovação por conta da bancada do PT no Congresso? E como ficam as anteriores declarações no sentido favorável à legalização da prática abortiva?
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A mesma capa, mas invertida:
"Eu, pessoalmente, sou contra.
Não acredito que haja uma
mulher que não considere
o aborto uma violência"
Dilma Rousseff, em 29-09-2010
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No noticiário desses últimos dias, os petistas (e a própria candidata deles) insistiram ad nauseam que a Sra. Rousseff só não ganhou as eleições no 1º turno devido a uma “campanha baixa”, “caluniosa”, “baseada na boataria”. “Posso assegurar que não passa de campanha difamatória – diria, terrorista – acusar Dilma Rousseff de ‘abortista’ ou contrária aos princípios evangélicos”. Chegou a afirmar o petista e fidelcastrista Frei Beto (“Folha de S. Paulo”, 10-10-10).
Para se mostrar católica, no dia 11 Dilma chegou a ir à Basílica de Nossa Senhora Aparecida — pela primeira vez em sua vida... e justamente neste período de eleições...
Evidentemente, a candidata foi instruída por seus marqueteiros a dar marcha-ré a fim de aliciar eleitores. Assim, passou a dizer que é contrária ao aborto, que “valoriza a família”, que recebera “sólida formação moral e religiosa” etc.
No mesmo noticiário, inúmeros analistas apontam que foi a questão do aborto que levou as eleições para um 2º turno e que o PT, percebendo que questões religiosas e morais impediram a vitória de sua candidata, resolveu fazer uma campanha para tentar convencer o público de que Dilma é contra o aborto e a favor da família bem constituída entre um homem e uma mulher. Quantos acreditarão que isso é verdade? Quantos vão pensar que isso é fingimento?
Os brasileiros não são tolos, sabem perfeitamente que o PT é o partido do aborto; que estabelece em seu próprio estatuto o objetivo de legalizar a prática abortiva — inteiramente em conformidade com o III Congresso do PT. Por que então tal partido não retira este ponto de seu estatuto?
1 — “Programa Nacional de Direitos Humanos - 3”
Quanto ao PNDH-3 — plataforma de um eventual novo governo petista —, por que a candidata do PT não manda rasgá-lo e jogá-lo na lata de lixo? Na “MENSAGEM DA DILMA”, o subversivo PNDH-3, de decreto governamental, virou apenas “carta de intenções”. Ela diz não pretender “promover nenhuma iniciativa que afronte a família”. Mas cabe a mesma pergunta acima: e a bancada petista no Congresso?
Como prova de sua “sólida formação moral e religiosa”, Dilma poderia afirmar que mandou arquivar o PNDH-3 porque, entre outras coisas, uma criança concebida tem o direito de nascer. Sobretudo, poderia ela acrescentar que os “direitos de Deus” estão bem acima de qualquer “direito humano”.
Como já denunciamos neste blog, além do aborto o bolivariano PNDH-3 contém outros aberrantes projetos anticristãos: cerceamento da liberdade de expressão, “casamento” homossexual, limitação do direito de propriedade, legalização da prostituição, realização de cirurgias de troca de sexo pelo SUS, permissão de adoção de filhos por “casais” homossexuais etc.
3 — Projeto de Lei 122
Quanto ao famigerado PLC 122, a “MENSAGEM DA DILMA” só seria aceitável se ela dissesse claramente que não o sancionaria em hipótese alguma, pois se aprovado tal Projeto de Lei acabaria servindo de incentivo ao vício antinatural — “um pecado que brada aos céus por vingança” —, estabeleceria no Brasil uma espécie de “ditadura homossexual” e faria dos homossexuais uma classe privilegiada.
4 — Quem é que manipulou a fé e a religião?
Sobre o último ponto (“manipular a fé e a religião”), gostaria de transcrever o que o maior jornal parisiense – o insuspeito “Le Monde”, de tendência socialista — publicou em 7-10-10: “Quatro dias antes da votação, Dilma Rousseff organizou um encontro com líderes católicos e evangélicos e ressaltou que ela ‘respeitava a vida’. Dois dias antes da eleição, ela assistiu ao batismo de sua neta em Porto Alegre. Essa filha de comunistas, que antigamente se dizia ‘não-praticante’, ‘meio descrente’, lembrou que ela era católica e que também foi batizada”.
Neste sentido, disse a ex-candidata presidencial Marina da Silva: “Ela [Dilma] faz discurso de conveniência sobre temas cristãos".
Encerro com trechos de um excelente post (abaixo, em letra azul) que copiei do Blog do Josias (Folha Online), não sem antes contar o que ouvi há muito tempo, não me lembro de quem: “Não existem ateus dentro de avião em pane”...
Dilma faz campanha no Santuário de Nossa Senhora
Em tempos de eleição, a religiosidade aflora. É quando se descobre que a política está infestada de ateus.
Por sorte, é muito fácil identificar os heréticos. Estão todos nas coligações adversárias.
Nesta segunda (11), Dilma Rousseff foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP).
Participou da missa das 9h. Percorreu o santuário. Foi ao recanto onde se encontra a imagem da santa padroeira do Brasil.
[...]
Na semana passada, Dilma já havia levado sua candidatura para passear num templo religioso, no Rio.
Parece ter dificuldade para virar a página que escreve a crônica da sucessão de 2010 com caligrafia beata.
O diabo é que o histórico da ex-Dilma desautoriza a pose de vítima da candidata.
Em matéria de religiosidade, a pupila de Lula vem se revelando uma ginasta sem futuro.
Em 2007, durante sabatina na Folha, perguntou-se à então chefe da Casa Civil se acreditava em Deus.
E Dilma: “Eu me equilibro nesta questão. Será que há? Será que não há?"
Em 2009, numa entrevista à revista “Marie Claire”, Dilma declarou que não praticava religião nenhuma.
Permitiu-se brincar: “Balançou o avião, a gente faz uma rezinha".
Em fevereiro de 2010, já na pele de pré-candidata, Dilma foi inquirida pela “Época”: Uma religião específica, a senhora não tem?
Soou peremptória: "Não, mas respeito".
Decorridos três meses, em maio, já convertida em candidata, Dilma falou à “IstoÉ”. Perguntou-se se era católica.
Dilma deu um salto mortal: “Sou, antes de tudo, cristã. Num segundo momento, católica".
Nesta segunda-feira, a candidata escora a “conversão” no câncer. Agora, é católica de frequentar a missa. Mas não comunga.
O melhor que Dilma tem a fazer é dar um triplo mortal carpado em direção a outro tema.
Primeiro porque a agenda carola não a socorre. Segundo porque o evangelho de uma pessoa que se dispõe a presidir o país deveria ser outro.
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Charge do Angeli, estampada na "Folha de S. Paulo" (14-10-10 – p. A-2), dá bem uma idéia do que se passa nesta disputa eleitoral: a guinada à direita. Angeli apresenta Dilma Rousseff "tipo beata", de saia comprida, véu, mãos postas, rezando num altar com velas acesas. E para apresentar José Serra "tipo conservador", não encontrou nada melhor do que representá-lo com o estandarte da TFP... |