7 de novembro de 2010

Sancho Pança no século XXI? Sim, ele não morreu, ele ressurgiu na mentalidade de muitos contemporâneos!

Paulo Roberto Campos
Fazendo um balanço das disputas ideológicas ocorridas neste último pleito eleitoral, em minha modesta opinião, principalmente três fatores afloraram:

1º — Uma boa parcela da opinião pública, que até então parecia anestesiada, saiu de seu letargo. Ela sentiu-se ameaçada naquilo que há de mais nobre e elevado e se levantou em defesa dos valores morais e religiosos — sólidas proteções para impedir a desagregação da família.

Certa mídia e o PT tentaram zombar desta reação — alcunhada de “medieval” ou de “sacristia” —, mas tal parcela pouco se incomodou com a zombaria e triunfou altaneira. Reatividade que surgiu como uma nova força muito potente e que não poderá mais ser desprezada pelos políticos. É uma prova de que, apesar de tudo, a boa causa poderá vencer.

Este fator (despertado sobretudo no eleitorado conservador) obrigou a presidente eleita a se comprometer a não envilecer tais valores. Que segurança tem esse compromisso? O futuro responderá! No momento, o que temos a fazer é estar “de olho”, não podemos baixar a guarda, pois — pelo que já vimos — “La donna è mobile / qual piuma al vento / muta d'accento / e di pensier”... (*)


2º — Como muitos analistas políticos tinham afirmando antes do pleito, realmente essas eleições foram “plebiscitárias”. Caiu por terra “desplumado” a mitológica popularidade de Lula da Silva que voava nas asas da imaginação com os sonhados 83%, que os “Institutos de Pesquisas” — e só eles — atribuíram ao Presidente.

Do total do eleitorado, 58,9% não votou em Dilma Rousseff. Portanto, apenas 41,1% apertou a tecla confirmando o 13, votando no projeto de Lula. Ou seja, sua popularidade gira em torno dos 40%... Uma comprovação? — Click no quadro abaixo.
Concluindo este ponto: A candidata do PT venceu? Sim, claro! Mas não triunfou, evidentemente! Ficou também evidenciado o delírio dos “oráculos” dos “Institutos de Pesquisas”: fracassaram ao prognosticar uma vitória petista já no 1º turno; e, depois, uma esmagadora vitória no 2º turno.
3º — No referido balanço, outro fator entrou no cômputo: uma outra fatia da opinião pública não saiu do letargo próprio à mentalidade comodista, só desejando fruir a vidinha, continuou em seu sono à beira do precipício. Imagino que tal parcela é constituída por muitos daqueles que, indiferentes às conseqüências do resultado eleitoral no dia 31, lotaram as praias de norte a sul do Brasil; somados por muitos daqueles que anularam o voto ou votaram em branco; e também por aqueles que indolentemente votaram na esquerda não querendo considerar o risco que ela representa.

Se essa parcela da opinião pública tivesse se preocupado, um pouquinho ao menos, com o gravíssimo perigo pelo qual passava o País, como poderia ter sido diferente o resultado do último pleito! De quanta culpa poderão ser responsabilizados tais indiferentes?

Resposta a esta pergunta encontrei num artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, escrito num período em que o Brasil, assim como agora, atravessava outro grave perigo: a “Intentona Comunista de 1935”. Há quanto tempo! Mas, a história se repete. O então jovem líder católico e diretor de “O Legionário”, escreve sobre a tentativa do Partido Comunista Brasileiro de tomar o poder a partir do levante articulado por Luis Carlos Prestes — que naquele ano, clandestinamente, tinha retornado da União Soviética, onde esteve conspirando com os chefões comunistas.
1935: Quartel da Salgadeira
(Rio Grande de Norte)
atacado durante a Intentona Comunista

Segue a transcrição do memorável artigo — nele intercalo [em letra azul] apenas algumas perguntinhas, talvez incomodas... Notaremos que, assim como nos idos de 1935, essa mentalidade indiferente e comodista (a mentalidade “sanchopancesca”) reapareceu em milhares e milhares de brasileiros.
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(*) “A mulher é móvel / como pluma ao vento / muda de acento / e de pensamento”.
(Um dos atos da ópera Rigoletto, de Giuseppe Verdi).

“Sancho Pança revive no comodismo dos imprevidentes, que fecham os olhos às nuvens de hoje, que serão tempestades amanhã”
O crime de Sancho Pança

Escrevendo a História de Dom Quixote, Cervantes lhe associou um personagem secundário, que nunca abandonou o herói da Mancha. Este homem se chamava Sancho Pança.

Que surpresa sentiria Cervantes [quadro à direita] se um telescópio profético lhe pudesse desvendar os acontecimentos futuros e lhe mostrasse que, enquanto o valente Dom Quixote entraria definitivamente para a galeria dos dementes inofensivos com sua lança, sua couraça e seu esquelético Rossinante, Sancho Pança, o tímido Sancho Pança, o medíocre Sancho Pança, o desprezível Sancho Pança, haveria de acometer dentro de alguns séculos uma grande nação, e atirá-la, ele sozinho, às beiras do mais negro precipício?
[Pergunto: Isto não nos faz lembrar do Brasil pós 31 de outubro/2010?]

Foi, no entanto, o que se deu com o Brasil. Se nosso País não estivesse sob uma proteção especial da Virgem Aparecida, não duvidaríamos muito que, dentro de algum tempo, se lhe pudesse cavar a sepultura em sua terra fecunda. E, como justo epitáfio poder-se-iam escrever no túmulo estes tristes dizeres:

Aqui jaz uma Nação fundada por heróis, civilizada por Santos e destruída pelo comodismo imprevidente de alguns de seus filhos.



Sancho Pança? perguntarão alguns leitores, mas Sancho Pança não morreu? Que tem ele a ver, pois, com a crise brasileira?

Não. Sancho Pança não morreu. Sancho Pança revive em espírito, e inspirando milhares de mentalidades, dita as atitudes de seus filhos espirituais nos Parlamentos, nas cátedras, nos bancos, na alta administração.

[Pergunto: Hoje não poderíamos acrescentar “nas Igrejas”?]

Sancho Pança revive no comodismo dos imprevidentes, que fecham os olhos às nuvens de hoje, que serão tempestades amanhã. Ele fecha os olhos, não porque confie na Providência, não porque tenha qualquer motivo sério para negar o perigo, mas simplesmente para gozar em paz o momento que passa. Julga que o perigo não existe simplesmente porque não lhe atacou o pêlo.
[Pergunto: Não tem semelhança com aqueles que no dia 31 de outubro
agiram como “avestruzes” — metendo a cabeça na areia para não ver o perigo”?]

Sancho Pança revive no snobismo míope dos jovens plutocratas inscritos na A.N.L [Aliança Nacional Libertadora — que favoreceu o PCB naquela conjuntura de 1935], que atiçam o incêndio que ameaça sua classe, esquecidos de que o destino de Judas ou de Philippe Égalité será o fruto de sua vaidosa mania de originalidade.

Sancho Pança revive no imediatismo mesquinho e cúpido de certos políticos de oposição, ou de certos literatos vaidosos que não se incomodam de proteger com um liberalismo de mau gosto aqueles que atacam as bases da nação. Na imprevidência de sua ambição só pensam em gozar de momentânea popularidade e... quem sabe assenhorear-se, por alguns minutos, do poder. Por alguns minutos, dizemos, porque a onda imprudentemente levantada seguirá seu rumo. E ela tragará num futuro bem próximo àqueles mesmos que lhe abriram caminho.
[Pergunto: Não nos faz lembrar da “oposição”
que não fez verdadeira oposição?]

Sancho Pança revive na incúria comodista de muitos cidadãos a quem o Brasil havia confiado a missão sagrada de defender a Religião, a Família, a Propriedade, e que não se pejavam em designar para cargos de máxima responsabilidade os mais encarniçados inimigos dos princípios cuja custódia lhes incumbia como dever sagrado.
Sancho Pança revive no terror dos poltrões que, assustados pelas primeiras chamas do incêndio já dominado, exageram as proporções do perigo, alarmando a população laboriosa, e espalhando em torno de si um terror que, longe de conduzir à reação, conduz ao abatimento e à inércia, paralisando todas as iniciativas boas e inutilizando todas as resistências.

[Pergunto: Isto não nos faz lembrar dos exageros
dos “Institutos de Pesquisas” a fim de favorecer o PT?]

Ah! Sancho Pança! Tu que, vestindo farda, beca, toga ou casaca [Hoje, não poderíamos inserir: “batina” ou “clergyman”?], brincas com o fogo ou foges diante do adversário, tu que simbolizas a imprevidência, a incúria, o comodismo, a cupidez imediatista, o medo, tu infeccionaste profundamente o Brasil. As chagas que se abriram foi teu sangue morno e impuro que as rasgou. Tu brincas hoje, tu chorarás amanhã. Mas ouve: aqueles mesmos revolucionários cujo caminho preparas porque és imediatista ou porque és poltrão, eles mesmos te dirão agora, pela boca de um grande anarquista, o futuro que te aguarda se te não emendares. Tu não nos queres ouvir, dizes que cheiramos sacristia e que não entendemos de política. Quando apontamos o perigo tu te ris, dizendo que somos medrosos. E quando o perigo ruge tu foges, e tachas de quiméricos nosso esforço para organizar a reação. Mas se te não impressiona a voz dos que lutam por Deus, ouve a voz de alguém que lutou pelo mal, ouve Proudhon:

— Quando a primeira colheita tiver sido pilhada, a primeira casa forçada, a primeira igreja profanada, a primeira tocha incendiada, a primeira mulher violada;
— quando o primeiro sangue tiver sido derramado;
— quando a primeira cabeça tiver caído;
— quando a abominação da desolação reinar em toda a França;
— Oh então sabereis o que é uma revolução social: uma multidão desencadeada, armada, ébria de vingança e de furor; espetos, machados; espadas nuas, martelos; a polícia no seio dos lares, as opiniões suspeitas, as palavras delatadas, as lágrimas observadas, os suspiros contados, o silêncio espionado, as denúncias, as requisições inexoráveis, os empréstimos forçados e progressivos, o papel moeda depreciado, a guerra civil e o estrangeiro nas fronteiras, os pro-consulados implacáveis, um "comitê de salut public", um comitê com o coração de aço:
— eis aí os frutos da revolução dita democrática e social.
E, eis aí, Sancho Pança, o futuro que nos preparas. Mas tu não vencerás o Brasil. Não é possível que uma corte de míopes destroce uma grande nação.

Não, Sancho Pança, não! Teus dias estão contados. Não vês essas falanges de moços, que por toda aparte se levantam, trazendo uma cruz na lapela e nos lábios o nome de Maria? Eles são a alma do Brasil que luta, que crê, que espera. Eles são a bênção de Maria, na Terra de Santa Cruz. Por intermédio deles, Maria te esmagará como esmagou a cabeça da serpente!
(“O Legionário”, N.º 186, 8 de dezembro de 1935)



[Por fim, pergunto: Isto não nos faz lembrar dos heróicos brasileiros que de Norte a Sul lutaram denodadamente para desmascarar o erro e a mentira? Eles não combateram em vão. Se continuarem a reação, a eles está reservado o futuro de um Brasil fiel a seu grandioso passado cristão!]
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1 de novembro de 2010

As eleições, o escorpião e o sapo

Devido à inexistência nestas eleições de candidato representativo das verdadeiras aspirações do povo brasileiro, restou a escolha entre dois males (vide post abaixo Entre dois males, o menor). Prevaleceu infelizmente o maior deles, para cujo êxito a compra oficial de votos através do programa “Bolsa Família”, o apoio do Führer e de toda a máquina governamental, dos institutos de pesquisas e de expressiva parcela da mídia concorreram decisivamente.

Para não falar ainda da séria desconfiança que pesa sobre as urnas eletrônicas com softwares chineses, controladas pelos probos vencedores. Seja como for, sobre o irrefletido otimismo nacional prevaleceu a candidata de um partido disciplinado e intransigente, de objetivos nefastos como os do PNDH-3, métodos e determinação para cumpri-los; de um partido admirador de Hugo Chávez, quem, segundo a AFP, expressou assim sua satisfação:

CARACAS, 31 Out 2010 (AFP) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, expressou sua satisfação neste domingo pela vitória eleitoral da candidata governista à presidência Dilma Rousseff, dando-lhe as boas-vindas ‘ao clube’ e afirmando que ela se tornará ‘uma gigante’.
"Vou mandar este beijo para a minha querida Dilma",
disse Chávez, ao encerrar a transmissão de seu programa dominical ‘Alô, Presidente'.
"Você veio de longe, companheira, eu te conheço. Sabemos de onde você vem, das batalhas pelo Brasil, das batalhas duras. Uma mulher de grande índole, uma mulher patriota".

Parafraseando o conhecido adágio, poder-se-ia com propriedade dizer: “Dilma-me quem te apóia e dir-te-ei quem és”...

Contudo, esta vitória da ala mais próxima ao chavismo prestou um grande serviço à causa conservadora, que ficou mais coesa e fortificada, dando azo a que se repita aqui o “efeito Obama”. Efetivamente, a bombástica imposição do presidente americano a uma opinião pública que rejeitava as propostas que ele lhe ocultava ou a respeito das quais mentia, resultou em estrondoso e colossal fracasso.

Ontem, na comemoração da vitória, Dilma Rousseff reafirmou que respeitará uma série de promessas feitas ao público não alinhado ao PT. Mas, assim como ela já mudou de opinião várias vezes — por exemplo, em questões morais e religiosas —, quem garante que cumprirá tais promessas?

Pensando a respeito, lembrei-me de uma historinha que talvez o leitor se recorde. É a fábula do “Escorpião e o sapo”. Ei-la com adaptações e alguns acréscimos que inseri. 

Era uma vez um escorpião que prometia fazer o bem. Como os outros desconfiavam de suas promessas, ele resolveu realizar suas boas ações na outra margem do rio. Mas como atravessá-lo, se não sabia nadar, nem construir um barquinho? Pensou: “Vou pedir uma corona nas costas de um sapo”.

Num dia de “feriadão”, o escorpião aproximou-se de um sapo que coaxava à beira de um rio e fez-lhe um pedido:

— "Sapinho querido, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"

O sapo respondeu:

— "Tá maluco! Eu sou sapo, mas não sou burro! Você vai me picar e eu vou afundar."

Argumentou o sabido escorpião:

— "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos. Você morreria com a ferroada e eu afogado”.

— “Coaxi-coaxi, ah-ah, é verdade, é verdade!” Disse o sapo, mudando de opinião e confiando na “lógica” do escorpião. Assim, o sapo concordou em dar carona e levou o escorpião nas costas.

Chegado à outra margem do rio, inesperadamente o escorpião cravou seu venenoso ferrão no bobinho sapo...

Atingido pelo golpe mortal, o sapo, gemendo de dor, apenas conseguiu coaxar gritando:

— "Mas por quê? Por quê? Você não prometeu que não me picaria?”

E o peçonhento aracnídeo, limpando o ferrão, apenas respondeu:

— "Foi espontâneo, é algo que está fora de meu controle, sapo querido. Agi segundo a minha natureza. Sou escorpião, sabe como é que é, não é? É natureza!”


Quantos e quantos sapos (sapos empresários, intelectuais, gozadores da vida, religiosos, enfim a “saparia” é muito vasta) não ajudaram a transportar o escorpião? O que também terá levado boa parte dos brasileiros “sapiformes” a acreditar na “lógica escorpiônica”?

Eles poderão reclamar quando sentirem a ferroada do escorpião? Reclamar com quem?

Que Deus proteja todos os brasileiros! Uns para que continuem ainda mais firmes na luta pelos valores de um Brasil autêntico e cristão, outros para que se arrependam sinceramente.
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29 de outubro de 2010

Arcebispo Raymond Burke — ótimos e oportunos conselhos para os brasileiros na atual situação do País

(Roma, 20 de outubro de 2010)

O excelente Blog de Luis Dufaur, “VALORES INEGOCIÁVEIS”, publicou hoje uma muito oportuna entrevista com o Arcebispo Raymond L. Burke, presidente do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica (tribunal supremo da Santa Sé), e recentemente apontado para receber de S. S. Bento XVI a púrpura cardinalícia. Tal entrevista foi concedida em Roma a Thomas McKenna, fundador e presidente da associação Ação Católica pela Fé e Família, dos EUA. http://www.catholicaction.org/

O entrevistador interrogou ao arcebispo sobre as razões que o levaram a escrever uma carta pastoral ‒ quando dirigia a arquidiocese de St Louis ‒ sobre a maneira com que os católicos devem votar.

A seguir transcrevo trechos escolhidos da entrevista — sobretudo as partes que mais diretamente são de interesse para os católicos no Brasil —, mas aqueles que desejarem a íntegra click em:


O prelado explicou que muitos católicos, embora professando bons princípios, na hora dar o voto acham que podem colocar as verdades da fé “entre parênteses e votar de acordo com outros  critérios”.

‒ “Eu queria me certificar ‒ explicou o prelado ‒ que os fiéis se dessem conta de que têm uma obrigação moral muito grave de votar nos candidatos que defendam a verdade da lei moral, o que, naturalmente, também redunda no maior bem da sociedade”.
 ‒ “Não podemos alegar, por exemplo, a respeito da existência em nossa sociedade da prática generalizada do aborto ou de uma permissão cada vez maior para os assim chamados casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que ‘Nada temos a ver com isso.’ Temos sim, pois elegemos para cargos públicos pessoas que permitem essas coisas em nossa sociedade.”

‒ “É minha real obrigação enquanto bispo de exortar os fiéis a cumprirem seu dever cívico de acordo com sua fé católica”.

‒ “Não se pode jamais votar em alguém que favoreça absolutamente o 'direito’ de uma mulher de destruir uma vida humana em seu seio ou de procurar um aborto.”

‒ “Em algumas circunstâncias em que não exista nenhum candidato que se proponha a eliminar todo e qualquer aborto, pode-se escolher o candidato que mais limite esse grave mal em nosso país; mas jamais seria justificável votar num candidato que não só não quer limitar o aborto mas entende que ele deva estar ao alcance de todos.

O entrevistador Thomas McKenna, lembrou que esse é um problema também do Brasil e perguntou que mensagem enviaria aos bispos
brasileiros engajados na luta contra o aborto.

‒ “Eu os elogiaria por exercerem seu ministério como mestres da fé a respeito de um assunto fundamental. Como poderia um bispo dormir a noite se não ensinasse nem alertasse seus fiéis contra um mal tão grave quanto o aborto, que ameaça acometer a sua nação? Então, esses bispos devem ser parabenizados, pois o que estão fazendo é simplesmente exercer sua função de mestres da fé e da moral, num assunto como disse fundamental e essencial: a proteção da vida de inocentes e indefesos seres humanos.”

Thomas lembrou que há católicos que dizem: ‘socialmente, ou por outras razões, quero votar no outro lado a despeito do que a Igreja diga’.

‒ “Eu simplesmente lhes perguntaria: ‘Vocês seguem a Regra de Ouro que nos foi ensinada pelo próprio Nosso Senhor nos Evangelhos? Em outras palavras, ‘façam aos outros aquilo que gostariam que lhes fizessem?’ Vocês acham realmente justo negar o direito à vida de outros membros da sociedade, especialmente os que dependem totalmente de nós para viver, a fim de obter alguma vantagem, ainda que legítima, seja ela ambiental ou outra? [...] ou seja, fazer o mesmo que quereríamos que nos fizessem quando nos encontrávamos, pequeninos, no ventre de nossa mãe, em fase embrionária de desenvolvimento ou a caminho do nascimento; como gostaríamos então que os eleitores votassem para proteger e salvaguardar nossas vidas”.

Diz-se também que o "casamento" homossexual é uma questão de não-discriminação, e isso impressionou alguns católicos tíbios. Observou Mckenna, perguntando: Qual seria a resposta da Igreja a isso?

‒ “Há discriminação injusta, por exemplo, quando se diz que um ser humano, por causa da cor de sua pele, não é parte da mesma raça humana. Mas há uma discriminação que é perfeitamente justa e boa, ou seja, a discriminação entre o que é certo e o que é errado. Entre aquilo que está de acordo com nossa natureza humana e que é contrário à nossa natureza humana.
Assim, ao ensinar que atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são intrinsecamente maus e contra a natureza, a Igreja Católica está simplesmente anunciando a verdade, ajudando as pessoas a discriminarem o certo do errado em suas próprias atividades. [...]
“Portanto, não é de modo algum discriminação injusta simplesmente dizer ‘não’”.

Thomas apontou que personalidades públicas votam a favor do aborto ou são contrárias aos ensinamentos da Igreja, porém continuam a comungar e ir à igreja e a se apresentarem como católicos. E perguntou: O senhor poderia dizer algo sobre o que é exatamente esse escândalo, qual sua gravidade?


‒ “É muito grave, ‒ explicou Mons. Burke ‒ isso lhe digo. Porque muitas pessoas, católicos e não-católicos, passaram a crer que o ensino da Igreja Católica sobre a gravidade do aborto não deve ser muito firme ou até mesmo que está prestes a ser alterado de um modo ou doutro. [...]
“O que é, pois, dar escândalo? Dar escândalo é fazer ou deixar de fazer algo que leve outros a ficarem confusos ou caírem em erro sobre o bem moral. Aqui está um perfeito exemplo de escândalo: católicos que traem a fé católica na vida política, como legisladores, juízes ou o que for, levando outras pessoas a acreditar que o aborto não deve ser o grande mal que realmente é, ou que de fato o aborto é uma coisa boa em certas circunstâncias.”

‒ “Hoje tornou-se mais importante do que nunca considerar a realidade do escândalo porque há uma tendência a dizer: ‘O problema está em você. Esta é uma boa pessoa, está fazendo aquilo que acha certo’ e assim por diante, sem ligar para o que é verdadeiro e o que não o é. ‘Você é que cria problema para nós quando o critica’.
“Ora, isso não é verdade de modo algum. Quando manifestamos que algo nos causou escândalo, aconselhamos a pessoa que causou o escândalo a corrigir-se e reparar o mal que fez. Não se trata de acusar outrem falsamente. Não se trata de introduzir discórdia ou desunião na comunidade. Trata-se na realidade de buscar os fundamentos da verdadeira unidade. Em outras palavras, a unidade na promoção do bem comum”.

Mas, interrogou ainda McKenna: Se um homem público católico dá escândalo, que tipo de reparação deve fazer para compensar o mal causado?

‒ “Em primeiro lugar, explicou D. Burke, deve haver uma genuína reforma do coração. Isso se faz através do sacramento da Penitência, por meio da satisfação ou penitência atribuída no sacramento.
Mas é preciso reconhecer que, tratando-se de uma figura pública que tenha promovido algo muito mau de maneira pública, ela deve renunciar também publicamente ao erro que cometeu e ao qual estava levando outras pessoas.
Então, para mim, a única coisa adequada é que essa figura pública diga: ‘Eu estava errado e agora entendo a verdade sobre a vida humana. E lamento profundamente o que fiz.’
Por exemplo, no campo da medicina, alguém como Bernard Nathanson, que foi grande promotor do aborto provocado e depois se emendou, reconheceu o erro e passou a escrever livros e dar palestras para tentar reparar as muitas e muitas vidas para cujo assassinato serviu de instrumento.
Você se pergunta: ‘Como pode alguém ser perdoado por cometer aborto?’ Mas Deus nos perdoa. Sua misericórdia é incomensurável, e em seguida nos leva a fazer a reparação que nós humanamente precisamos fazer para reparar o mal praticado e atrair as pessoas para o bem".

Como conclusão o futuro Cardeal recomendou:


‒ “Desejo convidar todos a invocar de modo particular a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe. Ela foi-nos dada como Mãe da América. Ela é nossa Mãe. Ela é a Mãe de Jesus Nosso Senhor, mas nossa Mãe de modo muito particular.
Apareceu em nosso continente em 1531 e mostrou-se protetora de toda vida humana. Rezemos muito especialmente sob sua intercessão, unindo nossos corações ao seu Coração Imaculado, para pedir o fim do aborto e de todos os ataques à família, especialmente o fim da promoção de uniões do mesmo sexo".


Video: Bispos não podem dormir sem alertar contra o aborto

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28 de outubro de 2010

Papa aos Bispos brasileiros: “Os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”

Durante a visita “Ad Limina” de 15 bispos do Maranhão (Regional Nordeste 5) ao Papa Bento XVI tratou-se de importantes questões relacionadas com o novo Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) — como projetos de legalização do aborto, da eutanásia e da abolição dos símbolos religiosos em lugares públicos.

O Pontífice relembrou a norma da Igreja sobre a obrigatoriedade de os Prelados alertarem os fiéis sobre esses problemas dizendo:
“Os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas. [...] não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo”.
A seguir — tendo em vista as eleições no próximo domingo — transcrevo a íntegra do oportuno pronunciamento feito pelo Papa na manhã desta quinta-feira. Apenas assinalei em negrito alguns trechos que poderiam servir de incentivo para que os “bispos silenciosos” agora também falem (até o momento apenas alguns o fizeram com coragem), alertando seus fiéis para o iminente perigo que corre nosso País.


“Amados Irmãos no Episcopado,

‘Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo’ (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38).

Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático — que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida ‘não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo’ (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é ‘necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o Compêndio da Doutrina Social da Igreja’ (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. ‘Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana’ (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve ‘encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política’ (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica”.
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http://press.catholica.va/news_services/bulletin/news/26281.php?index=26281&lang=po

25 de outubro de 2010

“Entre dois males, o menor"

A doutrina católica sobre o “duplo efeito de ato humano” — ou “teoria do mal menor”

Paulo Roberto Campos
Em razão das várias matérias que ultimamente tenho postado em nosso Blog da Família (por exemplo, esta: “Há uma coisa mais terrível que a calúnia: é a verdade”), recebi diversos e-mails com severas criticas. Até mesmo de pessoas que estão “do nosso lado” — “fogo amigo?”. Elas afirmam que nestas eleições os dois lados não são bons. Portanto, eu não poderia favorecer nenhum deles. A todos respondi com os cinco itens que seguem. Deixo-os aqui registrados, pois talvez possam fazer cessar as críticas. Além disso, poderão ser úteis aos Amigos e ajudar a elucidar dúvidas que alguns manifestaram.

1) Não peço votos nem para X nem para Y;
2) Cada um é livre de votar em quem bem entender, respondendo pelas conseqüências de seus atos;
3) Não sou “serrista” nem “dilmista” — nenhum dos dois é santo de minha devoção... (um dos e-mails afirmava “que não há santos nestas eleições...”);
4) Apenas procuro informar, baseado em documentos sérios, que, se aplicado, o programa do PT acarretará graves malefícios para a Igreja, o País e as famílias;
5) Sei perfeitamente que o "outro lado" não é o ideal para o Brasil, mas, entre o “mal maior” e o “mal menor”, não podemos favorecer o pior. É claro que também não podemos ser cúmplices do mal menor, mas evitemos primeiro o mal maior e depois cuidaremos do menor. Como bem se expressou o Bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, “de dois males, o menor”. O Prelado deixou claro que não se pode escolher um candidato de partido que tenha em seu programa, por exemplo, o objetivo de legalizar o aborto.

Assim, penso que nestas eleições, à falta do “candidato ideal”, do “político ótimo”, devemos escolher o "menos pior". Julgue o leitor quem seria ele e vote. E que Deus nos ajude! Ajude o Brasil a cumprir sua grandiosa vocação numa Civilização verdadeiramente Cristã.

Estes foram os itens contidos em minhas respostas. Entretanto, mesmo assim, recebi três críticas afirmando que eu estaria assentindo com a “moral maquiavélica” (“os fins justificam os meios”). Para dirimir o problema, um deles aconselhava o “voto nulo” ou “em branco”.

Com tais objeções fiquei num aperto e até mesmo com um problema de consciência, pois se de um lado a “moral maquiavélica” é de fato totalmente inaceitável, não se estaria, de outro lado, favorecendo com o voto nulo ou branco o candidato pior para o Brasil?

Procurei então estudar a doutrina da moral católica sobre a “teoria do mal menor”. Não foi fácil encontrar bons autores, mas um reputado Professor recomendou-me a leitura do “Compêndio da Moral Católica”, de autoria do capuchinho P. Heriberto Jone O.M.Cap. — traduzido e adaptado às prescrições do Concílio Plenário, bem como ao Código Civil Brasileiro, pelo sacerdote jesuíta P. Roberto Fox. De tal obra, transcrevo abaixo um trecho (ponto 14) que me pareceu magistral. [em letra verde entre colchetes insiro breves comentários meus].

Pesquisando um pouco mais, encontrei outros autores que também resolveram nosso problema, tirando-me do aperto. Com a intenção de ajudar os Amigos a também se desembaraçarem dessa situação delicada, no final transcrevo mais dois trechos.

Como se verá, não só a tal “moral maquiavélica” não se aplica ao problema exposto, como escolher o “mal menor” pode ser a boa opção. Exemplo clássico: Cortar o braço é um mal? Claro que sim! Mas poderá ser um bem caso, para salvar a vida, se tenha que amputar o braço gangrenado. Assim, o eleitor católico não apenas pode votar no “mal menor”, mas tem obrigação moral de fazê-lo, a fim de evitar o mais perigoso, o pior para a Santa Igreja, o País e as famílias.

COMPÊNDIO DA MORAL CATÓLICA

Pe. Heriberto Jone O.M.Cap.
Doutor em Direito Canônico e professor de Teologia
Traduzido da 10ª edição original e adaptado às prescrições do Concílio Plenário
bem como ao Código Civil Brasileiro, pelo Pe. Roberto Fox S.J.
Edições A NAÇÃO – Porto Alegre, Tip. do Centro, 1943.



14. Quando de uma ação se podem seguir dois efeitos, um bom e outro mau, é lícito praticar a ação, contanto que se verifiquem as seguintes quatro condições:

a) A própria ação deve ser boa ou pelo menos moralmente indiferente. [Comento: a ação de votar, por exemplo].
b) O efeito bom e o efeito mau, que se seguem da ação, devem ser igualmente imediatos. [Comento: evitar um mal maior para o País].
Se o efeito bom se seguisse do efeito mau, este seria diretamente intencionado como meio ilícito, o que nunca é permitido, nem ainda em vista de um fim bom.
c) A intenção só pode visar o efeito bom. [Comento: eleger o menos mau].
Portanto se o efeito bom se pode obter por meios que não acarretam consequências más, devem-se escolher estes meios.
d) Deve haver causa suficiente para se permitir o efeito mau. [Comento: defender a Igreja e sua doutrina autêntica das perseguições religiosas e de deformações doutrinárias, por exemplo].
Esta causa deve ser de peso tanto maior quanto pior, mais certo e mais imediato for o efeito mau e quanto maiores forem as obrigações pessoais (piedade, contrato) de impedi-lo e quanto maior for a probabilidade de que o efeito mau não se siga, omitida a ação. (p. 21 – 22)

“A eleição de um candidato menos mau tem razão de bem”

O moralista católico Gury-Ferreres S.J. expõe a seguinte tese sobre eleições:
“Se é lícito dar alguma vez o voto a um candidato menos indigno ou também indigno? [...] Se não há esperança da eleição de um candidato digno, e o indigno concorre unicamente com outro mais indigno, então a eleição de um candidato menos mau tem razão de bem” (Casus Conscientiae, IV praecepto decalogi, cas. 9º).

“Dar o sufrágio para que seja excluído outro candidato pior, não é pecado e pode ser um bem"

É do mesmo parecer o conceituado moralista Lehmkühl:
“Dar o sufrágio a um candidato mau com a intenção de que saia vencedor, sempre é um pecado grave; porque isto é dar formalmente o sufrágio a um candidato mau. Mas dar o sufrágio para que seja excluído outro candidato pior, não é pecado e pode ser um bem, contanto que não se aprove nada de mal no candidato indigno, porque isto não é outra coisa senão dar materialmente o sufrágio ao candidato mau” (Casus conscientiae, cas. 139).

17 de outubro de 2010

“Há uma coisa mais terrível que a calúnia: é a verdade”

Foto de Joel Silva (Folhapress) estampada na primeira página da “Folha de S. Paulo” (12-10-10). Dilma Rousseff, durante a missa no Santuário de Aparecida, além de não ter feito o “Pelo Sinal” no momento apropriado, não soube sequer persignar-se — ela o fez da direita para a esquerda, e introduzindo uma novidade: uma cruzinha na ponta do nariz... Aqueles que desejarem ver essa cena, envie-me um e-mail (prccampos@terra.com.br ) com o pedido, pois tenho cópia da filmagem.

     Na 6ª. feira (15-10-10) foi publicada a “carta aberta” aos cristãos, que a candidata do PT havia prometido. Imaginei que se produziria um documento “sólido”, mas saiu “gelatinoso”, muito fraquinho.

Transcrevo alguns trechos do mesmo e, em seguida, analiso os pontos assinalados com letra vermelha. Para aqueles que desejarem a íntegra, abaixo indico o link. (*)

Assinado por Dilma Rousseff, o documento, intitulado “MENSAGEM DA DILMA” (foto), assevera:

1.               “Resolvi pôr um fim definitivo (sic) à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais”. A signatária afirma ser “pessoalmente contra o aborto”.
2.             “O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família”.
3.              “Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil”.
4.             Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião”.
_________
(*)http://www.jb.com.br/eleicoes-2010/noticias/2010/10/15/em-carta-aberta-dilma-tenta-por-fim-as-calunias-e-se-afirma-contra-o-aborto/


1 — Campanha de calúnias e boatos

Ora, não foram “espalhados" nem “calúnias” nem “boatos”, mas sim verdades e fatos concretos.

Charles Maurice, príncipe
de Talleyrand-Périgord (1754-1838),
brilhante diplomata francês do séc. XIX,
considerado como o mais versátil,
habilidoso e influente diplomata
de seu tempo.
Talleyrand (quadro ao lado), o grande diplomata francês do século XIX, legou à História um dito lapidar: “Il y a une chose plus terrible que la calomnie, c'est la vérité”. (Há uma coisa mais terrível que a calúnia, é a verdade). Esse pensamento genial veio-me à mente lendo a “Mensagem da Dilma”.

         Dizer-se vítima de uma “campanha de calúnias e boatos espalhados”... Francamente, Dona Dilma! Porventura relembrar o que alguém tenha dito ao longo de sua vida é “campanha de calúnias?! Não se fez senão relembrar; só isso, nada mais que isso!

         Mas “isso” doeu terrivelmente! Por quê? — Parafraseando Talleyrand, poderíamos afirmar que “há uma coisa mais terrível que as calúnias: são os fatos”.

Capa da VEJA desta semana.
Na parte superior: "Acho que
tem de haver a descriminalização
do aborto. Acho um absurdo
que não haja".
Dilma Rousseff, em 4-10-2007

         Contra fatos concretos, fotos, gravações e registros em filmes, não há argumentos. Neste blog mesmo, os leitores encontrarão vários documentos incontestes sobre afirmações passadas, feitas por Dilma Rousseff e por petistas da sua entourage. Entretanto, ela — sem execrar nem pedir perdão pelo seu passado — começou a dizer coisas contrárias ao que dissera outrora. Por exemplo, ao reafirmar na carta ser “pessoalmente contra o aborto”. Sim, isso é o mínimo que se pode dizer. Afirma-se se “pessoalmente contra o aborto” e deixa-se a aprovação por conta da bancada do PT no Congresso? E como ficam as anteriores declarações no sentido favorável à legalização da prática abortiva?

A mesma capa, mas invertida:
"Eu, pessoalmente, sou contra.
Não acredito que haja uma
mulher que não considere
o aborto uma violência"
Dilma Rousseff, em 29-09-2010
No noticiário desses últimos dias, os petistas (e a própria candidata deles) insistiram ad nauseam que a Sra. Rousseff só não ganhou as eleições no 1º turno devido a uma “campanha baixa”, “caluniosa”, “baseada na boataria”. Posso assegurar que não passa de campanha difamatória – diria, terrorista – acusar Dilma Rousseff de ‘abortista’ ou contrária aos princípios evangélicos”. Chegou a afirmar o petista e fidelcastrista Frei Beto (“Folha de S. Paulo”, 10-10-10).

         Para se mostrar católica, no dia 11 Dilma chegou a ir à Basílica de Nossa Senhora Aparecida — pela primeira vez em sua vida... e justamente neste período de eleições...

         Evidentemente, a candidata foi instruída por seus marqueteiros a dar marcha-ré a fim de aliciar eleitores. Assim, passou a dizer que é contrária ao aborto, que “valoriza a família”, que recebera “sólida formação moral e religiosa” etc.

         No mesmo noticiário, inúmeros analistas apontam que foi a questão do aborto que levou as eleições para um 2º turno e que o PT, percebendo que questões religiosas e morais impediram a vitória de sua candidata, resolveu fazer uma campanha para tentar convencer o público de que Dilma é contra o aborto e a favor da família bem constituída entre um homem e uma mulher. Quantos acreditarão que isso é verdade? Quantos vão pensar que isso é fingimento?

         Os brasileiros não são tolos, sabem perfeitamente que o PT é o partido do aborto; que estabelece em seu próprio estatuto o objetivo de legalizar a prática abortiva — inteiramente em conformidade com o III Congresso do PT. Por que então tal partido não retira este ponto de seu estatuto?

1 — “Programa Nacional de Direitos Humanos - 3”

         Quanto ao PNDH-3 — plataforma de um eventual novo governo petista —, por que a candidata do PT não manda rasgá-lo e jogá-lo na lata de lixo? Na “MENSAGEM DA DILMA”, o subversivo PNDH-3, de decreto governamental, virou apenas “carta de intenções”. Ela diz não pretender “promover nenhuma iniciativa que afronte a família”. Mas cabe a mesma pergunta acima: e a bancada petista no Congresso?

Como prova de sua “sólida formação moral e religiosa”, Dilma poderia afirmar que mandou arquivar o PNDH-3 porque, entre outras coisas, uma criança concebida tem o direito de nascer. Sobretudo, poderia ela acrescentar que os “direitos de Deus” estão bem acima de qualquer “direito humano”.

Como já denunciamos neste blog, além do aborto o bolivariano PNDH-3 contém outros aberrantes projetos anticristãos: cerceamento da liberdade de expressão, “casamento” homossexual, limitação do direito de propriedade, legalização da prostituição, realização de cirurgias de troca de sexo pelo SUS, permissão de adoção de filhos por “casais” homossexuais etc.

3 — Projeto de Lei 122

Quanto ao famigerado PLC 122, a “MENSAGEM DA DILMA” só seria aceitável se ela dissesse claramente que não o sancionaria em hipótese alguma, pois se aprovado tal Projeto de Lei acabaria servindo de incentivo ao vício antinatural — “um pecado que brada aos céus por vingança”, estabeleceria no Brasil uma espécie de “ditadura homossexual” e faria dos homossexuais uma classe privilegiada.

4 — Quem é que manipulou a fé e a religião?

Sobre o último ponto (“manipular a fé e a religião”), gostaria de transcrever o que o maior jornal parisiense – o insuspeito “Le Monde”, de tendência socialista — publicou em 7-10-10: “Quatro dias antes da votação, Dilma Rousseff organizou um encontro com líderes católicos e evangélicos e ressaltou que ela ‘respeitava a vida’. Dois dias antes da eleição, ela assistiu ao batismo de sua neta em Porto Alegre. Essa filha de comunistas, que antigamente se dizia ‘não-praticante’, ‘meio descrente’, lembrou que ela era católica e que também foi batizada”.

         Neste sentido, disse a ex-candidata presidencial Marina da Silva: “Ela [Dilma] faz discurso de conveniência sobre temas cristãos".

         Encerro com trechos de um excelente post (abaixo, em letra azul) que copiei do Blog do Josias (Folha Online), não sem antes contar o que ouvi há muito tempo, não me lembro de quem: “Não existem ateus dentro de avião em pane”...


Dilma faz campanha no Santuário de Nossa Senhora
 
Em tempos de eleição, a religiosidade aflora. É quando se descobre que a política está infestada de ateus.
Por sorte, é muito fácil identificar os heréticos. Estão todos nas coligações adversárias.
Nesta segunda (11), Dilma Rousseff foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP).
Participou da missa das 9h. Percorreu o santuário. Foi ao recanto onde se encontra a imagem da santa padroeira do Brasil.
[...]
Na semana passada, Dilma já havia levado sua candidatura para passear num templo religioso, no Rio.
Parece ter dificuldade para virar a página que escreve a crônica da sucessão de 2010 com caligrafia beata.
O diabo é que o histórico da ex-Dilma desautoriza a pose de vítima da candidata.
            Em matéria de religiosidade, a pupila de Lula vem se revelando uma ginasta sem futuro.
Em 2007, durante sabatina na Folha, perguntou-se à então chefe da Casa Civil se acreditava em Deus.
E Dilma: “Eu me equilibro nesta questão. Será que há? Será que não há?"
Em 2009, numa entrevista à revista “Marie Claire”, Dilma declarou que não praticava religião nenhuma.
Permitiu-se brincar: “Balançou o avião, a gente faz uma rezinha".
Em fevereiro de 2010, já na pele de pré-candidata, Dilma foi inquirida pela “Época”: Uma religião específica, a senhora não tem?
Soou peremptória: "Não, mas respeito".
Decorridos três meses, em maio, já convertida em candidata, Dilma falou à “IstoÉ”. Perguntou-se se era católica.
Dilma deu um salto mortal: “Sou, antes de tudo, cristã. Num segundo momento, católica".
Nesta segunda-feira, a candidata escora a “conversão” no câncer. Agora, é católica de frequentar a missa. Mas não comunga.
O melhor que Dilma tem a fazer é dar um triplo mortal carpado em direção a outro tema.
Primeiro porque a agenda carola não a socorre. Segundo porque o evangelho de uma pessoa que se dispõe a presidir o país deveria ser outro.

Charge do Angeli, estampada na "Folha de S. Paulo" (14-10-10 – p. A-2), dá bem uma idéia do que se passa nesta disputa eleitoral: a guinada à direita. Angeli apresenta Dilma Rousseff "tipo beata", de saia comprida, véu, mãos postas, rezando num altar com velas acesas. E para apresentar José Serra "tipo conservador", não encontrou nada melhor do que representá-lo com o estandarte da TFP...