5 de agosto de 2018

De volta as escolas que respeitam a psicologia dos meninos e das meninas

Rendimento escolar específico cresce em escolas que não são mistas. (Escola católica nos EUA).

➤  Luis Dufaur

Ressurgem as escolas exclusivas para meninos ou meninas. Elas favorecem o melhor desenvolvimento de uns e de outras. E estão aumentando a cada ano. Hoje somam 240 mil escolas em 70 países no mundo. 

Uma moda inspirada no espírito anárquico igualitário da Revolução da Sorbonne (Maio de 68) e no relativismo moral espalhado em nome de Concílio Vaticano II desqualificou as escolas single-sex (só para meninos ou só para meninas). 

A revolução cultural-sexual da Sorbonne começou em marco de 1968 na Universidade de Nanterre, na periferia de Pais, reclamando toaletes comuns para homens e mulheres. 

Hoje, essa reivindicação está no cerne da agenda LGBT e causa profundas divisões nos EUA, onde a população recusa a mistura de toaletes que admitiria transexuais. 


Na Austrália também comprovam os benefícios
das escolas diferenciadas para meninos.
As escolas mistas não deram os resultados prometidos pela utopia igualitária e danificaram várias gerações. 

Por isso as escolas que não são mistas (só para meninos e ou só para meninas) voltam a ganhar espaço. Elas mostraram se adaptar melhor aos ritmos diferentes de cada gênero. 

Elas são apoiadas por estudos que apontam diferenças no desenvolvimento cognitivo e social de meninos e meninas, informou o jornal. “Gazeta do Povo”. 

Também como vem sendo observado por pais de família e comentaristas do blog e nas redes sociais, as escolas separadas por gênero criam um ambiente propício para a moralidade e os bons costumes. 
“As aulas single-sex podem tornar mais fácil aos professores adaptar o ensino às características comportamentais dos alunos. As meninas parecem preferir ambientes mais quietos em que possam trabalhar em grupo e chegar a um consenso. Meninos costumam preferir um ambiente mais competitivo, com mais atividades físicas e mais barulho”, afirma o psicólogo da escola norte-americana Clover Park School District, Robert Kirschenbaum. 
Nas escolas single-sex não há diferenças nos conteúdos, mas sim nos métodos, que são mais adequados aos perfis de meninos ou meninas. 

O resultado é uma educação personalizada, que atende às necessidades específicas e gera resultados mais eficazes. 

As moças estão sendo muito beneficiadas pelas escolas single-sex em Londres “Em um ambiente single-sex, principalmente nas idades de 13, 14 e 15 anos, há a oportunidade, tanto para os meninos como para as meninas, de serem eles mesmos por mais tempo”, disse o ex-diretor da faculdade Eton College, Tommy Little, no Fórum Global de Educação e Habilidades (GESF, Global Education and Skills Forum). 

No Brasil, as escolas single-sex entraram em declínio depois da década de 1950, quando as instituições públicas passaram a ser mistas. 

Mas elas não desapareceram. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, em 2010 existiam pelo menos 612 escolas públicas e privadas em regime não misto no País. 

Em Curitiba (PR), o Colégio do Bosque Mananciais tem como objetivo atender aos ritmos e perfis distintos de meninos e meninas. 

“A sociedade estava carente desse sistema educacional”, analisa Leandro Pogere, diretor da instituição. 

“Encontramos nesse modelo aquilo que muitas famílias estavam buscando: maior foco no estudo, relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, professores que compreendem o universo dos alunos com mais facilidade, os respeitam e motivam, e que auxiliam os pais”, afirmou. 


Meninas são muito mais beneficiadas
pelas escolas single-sex em Londres
No ambiente escolar, a separação por sexo é total: meninos têm professores e as meninas têm professoras, com aulas em prédios distintos, que ficam separados por um bosque. 

Nos EUA a procura de escolas single-sex cresceu muito. “Certamente todos já constatamos que há profissões comumente exercidas por homens e outras por mulheres. Na educação single-sex podemos encontrar uma solução, uma vez que trabalhamos as habilidades que comumente são encontradas no outro sexo”, concluiu. 

Nos EUA, o sistema single-sex, ainda restrito quase exclusivamente às escolas privadas de elite e religiosas, começa a ser usado no ensino público, principalmente em regiões de baixa renda. 

Na escola primária Charles Drew, na Flórida, um quarto das turmas é separado por sexo. O alto desempenho observado em escolas single-sex compensa o baixo desempenho característico de uma escola periférica. 


Nos EUA a procura de escolas single-sex cresce cada vez mais
A avaliação estadual da escola subiu de nota D para C. Resultados similares foram encontrados em outras escolas públicas que adotaram turmas single-sex em centros urbanos como Nova York, Chicago e Filadélfia. 

Segundo o Departamento de Educação dos EUA, o país contava em 2014 com 850 escolas públicas single-sex e cerca de 750 escolas públicas que oferecem pelo menos uma turma single-sex. Cfr. Blog do BG. 

O modelo de educação personalizada ganhou força nos EUA em 2002, quando uma lei permitiu às agências educacionais locais usar fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero. 

Em 2002 só uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas tinham atividades desse tipo. 

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz — há pelo menos 219 centros de estudo oferecendo educação diferenciada. 

A informação provém da Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês). 

A Suprema Corte da Espanha reconheceu esse direito a nove colégios da Andaluzia. Cfr. Solar Colegios.

Esse tipo de escola tende a se disseminar pela América Latina, diz o secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco. 

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz. 

Além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país.

3 de agosto de 2018

Assine já! Não ao Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero!

➤  Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira 
https://ipco.org.br/ 

Em nome da não discriminação, discrimina-se quem não concorda com o homossexualismo. 

Se aprovado, o "Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero" cercearia a liberdade religiosa e até mesmo o direito dos pais em educar seus filhos contra a Ideologia de Gênero

Nesse sentido, tornaria o Cristão um cidadão de segunda classe. 

Tramita no Senado Federal o PLS 134/2018, elaborado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e pela Comissão Especial de Diversidade de Gênero e Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

O texto recebeu parecer favorável da relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). 

Ele institui o Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero. O objetivo desse Estatuto, com mais de cem artigos, é impor, de forma draconiana, a Ideologia de Gênero em todos os segmentos da sociedade. Ele cria também uma casta de pessoas com direitos e privilégios específicos: os que têm “identidade de gênero” diferente. 

Para ler um resumo comentado dessa proposta de lei, clique aqui. 

Apenas a título de exemplo da interferência desse projeto nas escolas: 

➤ Art. 56: “Os estabelecimentos públicos e privados de ensino têm o dever de promover a liberdade, a tolerância, a igualdade, a diversidade e o respeito entre as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.” 

➤ Em seguida, no art. 58 diz: “Os profissionais da educação têm o dever de abordar os temas relativos à sexualidade, adotando materiais didáticos que não reforcem a discriminação com base na orientação sexual ou identidade de gênero.” 

➤ No art. 60: “Ao programarem atividades escolares referentes a datas comemorativas, dirigentes e educadores devem atentar à multiplicidade de formações familiares, de modo a evitar qualquer constrangimento dos alunos filhos de famílias homoafetivas”

Serão também criadas cotas nas empresas públicas e privadas para os homossexuais e transgêneros:

➤ Art. 70. A administração pública assegurará igualdade de oportunidades no mercado de trabalho a transgêneros e intersexuais, mediante cotas, atentando ao princípio da proporcionalidade. 

Cabe a nós a mobilização contra esta ameaça silenciosa. 

Divulgar a campanha e assinar novos cartões vermelhos para os Senadores é uma maneira de alertá-los que somos contra a Ideologia de Gênero e estamos de olho nas ações deles daqui em diante. 



Esses cartões serão impressos e uma comitiva do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira irá entrega-los em Brasília. 

Imagine mais de 3 milhões de Cartões Vermelhos entrando no Senado Federal e sendo entregues aos Senadores? É uma montanha de advertências do Brasil inteiro contra esse absurdo projeto! 

Assine agora seu cartão vermelho e agora seu cartão vermelho e faça parte dessa maioria que ama a Terra da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não permita que essa projeto iníquo seja aprovado e imposto à maioria de um país que deseja ser fiel à Deus e à Sua Lei. 

Contamos com a sua mobilização! 

Divulgue! Já enviou o seu cartão vermelho? Então ajude-nos a propagar essa campanha! 

Você pode: 

1 – Convidar 5 amigos no mínimo para se juntar à esta mobilização, através desta página. Você não precisa fazer nada além de incluir o e-mail dessas pessoas (elas receberão um e-mail automático de convite à esta mobilização). 

2 – Colocar o abaixo-assinado em seu blog ou site. Dessa forma, os visitantes do seu site poderão ler a descrição e assinar o abaixo-assinado diretamente do seu site! Para isso, basta incluir o código abaixo no seu site: 

Ver código

3 – Fazer uma doação – não importa o valor – para nos ajudar a alcançar o maior número de pessoas possível e entregar pessoalmente todos os cartões! 

Não temos grandes patrocínios e nem recebemos ajuda de empresas. Só dependemos de você, um brasileiro consciente de seu papel como cidadão e precisamos da sua colaboração para entregar em mãos todas as dezenas de milhares de cartões vermelhos enviados através de nosso site! 

29 de julho de 2018

Tudo pronto para o extermínio de inocentes


(Tudo pronto para o aborto. Até o congresso da FIGO Rio 2018 já ensina a praticá-lo...)

➤  Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

De 14 a 19 de outubro de 2018 será realizado no Rio de Janeiro o XXII Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). O Congresso será precedido de um pré-congresso com alguns cursos a serem oferecidos no dia 14 de outubro. Entre esses cursos encontramos um chamado “Tecnologia de aborto”.

Eis as palestras que serão dadas, cada uma com uma hora de duração:
1. Aspiração uterina com aspirador manual a vácuo no primeiro trimestre
2. Aborto médico precoce
3. Aborto médico tardio
4. Dilatação e evacuação no segundo trimestre
5. Controle da dor
6. Gerenciando complicações (com treinamento)

A explicação para tal curso é a seguinte:
Dada a mudança do clima em relação ao aborto em toda a América Central e do Sul, o Congresso da FIGO no Rio de Janeiro é uma oportunidade de introduzir novos fornecedores para a atual tecnologia de aborto e expandir as ofertas de provedores experientes[1].

Essa “mudança de clima” (“changing climate”) deve-se referir, entre outras coisas, à expectativa de que, em breve, o Supremo Tribunal Federal julgue procedente a ADPF 442, impondo a nós, a golpe de martelo, a legalização do aborto nos três primeiros meses de gestação.

Sobre esse assunto, a Diocese de Anápolis emitiu uma nota, com a ordem de que fosse lida em todas as Santas Missas de domingo.


NOTA DE REPÚDIO À ADPF 442
EM JUÍZO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

A Diocese de Anápolis (GO), por seu Bispo Diocesano abaixo assinado, Dom João Wilk, OFMConv., vem fazer eco à “Nota da CNBB pela vida, contra o aborto”, de 11 de abril de 2017, para manifestar sua apreensão diante da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 442, proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), solicitando que os artigos 124 e 126 do Código Penal, que incriminam o aborto, sejam “interpretados” de modo que se exclua “do seu âmbito de incidência a interrupção da gestação induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas”. O que esse minúsculo partido, autor da ADPF 442, pretende é obter o que jamais obteve no Congresso Nacional através do processo legislativo: a legalização do aborto até três meses de vida intrauterina.

Cite-se a referida nota da CNBB: essa é uma atitude que, “atropelando o Congresso Nacional, exige do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar”. Além de ser condenável pelo seu conteúdo — a pretensão de legitimar um “crime abominável, vergonha para a humanidade” (S.S. João Paulo II) — a ADPF 442 é particularmente repugnante por causa do meio que pretende usar para a obtenção de seu fim. De fato, nenhum dos onze Ministros da Suprema Corte foi eleito por voto popular. Todos têm mandato vitalício e não dependem dos eleitores para se manterem no poder. Daí resulta que, se o Tribunal atribuir a si a tarefa de “reinterpretar” a Constituição de modo a decidir arbitrariamente que ela não protege a vida do nascituro concebido até três meses, a população brasileira sofrerá um golpe. Onze juízes terão decidido, por sua própria conta, algo frontalmente contrário ao desejo da grande maioria do povo: que o aborto deve ser legal no primeiro trimestre. Isso será um golpe no Estado de Direito, na separação e harmonia dos Poderes da União e no exercício da cidadania.

Diz-se que o Supremo Tribunal Federal se vê “obrigado” a suprir uma “omissão” do Congresso Nacional sobre o aborto. Não é verdade. Pois o Congresso não tem sido omisso quanto a esse tema. Ao longo dos anos, sua decisão tem sido constante: uma resposta negativa à proposta de legalizar tal crime. Se os representantes do povo disseram “não” ao aborto, que direito têm os juízes da Suprema Corte de dizerem “sim” a essa nefanda prática?

É repudiável não apenas um absurdo possível julgamento favorável à ADPF 442. É vergonhoso o próprio fato de o Tribunal não ter indeferido liminarmente o pedido, mas ter-se considerado competente para decidir sobre a questão!

A invasão crescente da competência dos outros Poderes, em especial o Legislativo, pela Suprema Corte tem contribuído para aumentar a desconfiança popular nas autoridades constituídas. A sensação de caos e insegurança jurídica não cessará enquanto o STF persistir em reformar a Constituição a seu bel-prazer em vez de exercer sua função de guardião da Carta Magna (cf. art. 102, caput, CF).

Esta Diocese, cuja padroeira é Santa Ana, mãe da Virgem Maria, a Mãe do Salvador, conclama seus diocesanos a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana. Esta é literalmente uma questão de vida ou morte.

Anápolis, 09 de julho de 2018
Dom João Wilk
Bispo Diocesano
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Agenda LGBT contra a Igreja

➤  Pe. David Francisquini

O artigo Católicos LGBT organizam movimento para reivindicar mais espaço na Igreja, de Anna Virginia Balloussier (folha.uol, 23-7-18), traz declarações de uma ativista homossexual que de tal maneira deixou cair a máscara, que produziu o efeito da pedrinha de sal ao cristalizar todo o líquido de um copo.

A árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos, pelos frutos conhecereis os homens, ensina o divino Salvador (Mt 7, 20). Toda a árvore que não der bom fruto será lançada ao fogo. Portanto, as pessoas que não produzem bons frutos querem transformar o ambiente católico numa atmosfera concessiva ao pecado que clama a Deus por vingança. 

Aprendi nas aulas de Catecismo que a Igreja Católica — sociedade visível fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo — tem seus mandamentos, sua doutrina, suas leis, suas regras, seus cânones. Todo esse conjunto fundamentado na Sagrada Escritura e na Tradição constitui um bloco do qual não se pode aceitar apenas uma parte. 

Mais ainda, pelos estudos feitos no Seminário, aprendi também que os princípios da Religião católica são inegociáveis. Assim, entre o ensinamento da Igreja e o homossexualismo, por exemplo, não existe aproximação possível; são irreconciliáveis como a luz e as trevas, a verdade e o erro, a virtude e o vício; há entre eles uma incompatibilidade total, pois são excludentes. 

Se a Igreja abrisse mão deste ponto, deixaria de ser a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois está no livro do Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gen. 3, 15). E essa inimizade é eterna. 

Vejamos as palavras da ativista homossexual que se insurge contra a autoridade eclesiástica: “Questionamos muito a atitude de esperar que o Papa mude alguma coisa, como se tivéssemos de aguardar algum tipo de autorização vinda do alto da Hierarquia para podermos ser Igreja. Isso nós já somos”. Seria bom se essa ativista que diz “ser Igreja” soubesse que, conforme afirma São Paulo na segunda epístola a Timóteo, autoridade alguma na face da Terra pode mudar a doutrina de Cristo. 

O Apóstolo ainda aconselha: “Prega a palavra, insiste, quer agrade, quer desagrade; repreende, suplica, admoesta com toda a paciência e doutrina. Porque, virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, e contratarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir, e afastarão os ouvidos da verdade para os abrir às fábulas” (Tim. 4,1-8). 

Afirmar ser igreja revela uma total deformação do conceito de Igreja. São Pio X [foto ao lado] ensina que a Igreja é uma sociedade visível composta de eclesiásticos e de leigos. Os primeiros pertencem à Igreja docente, ou seja, têm o poder de ensinar, governar e santificar; os leigos são da Igreja discente, isto é, devem ser ensinados, governados e santificados pelos seus pastores. Para ser cristão é indispensável ser batizado, crer e professar a doutrina e a lei ensinadas por Jesus Cristo e contida no magistério da Igreja. 

O ensinamento de Nosso Senhor na parábola do Bom Pastor e do filho pródigo que volta à casa paterna ressalta o Seu amor para com as almas afastadas da graça e da amizade divina. Ele faz de tudo para que elas voltem ao redil, pois há mais júbilo no Céu por um pecador que faça penitência do que por noventa e nove justos que não precisam dela. 

Há mais alegria no Céu por um só pecador que se emenda e faz penitência, do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se (Lc 15,7). A pior tragédia de uma alma é quando ela quer justificar sua má conduta impondo-a aos demais. Ao reivindicar cidadania para o erro, o seu coração endurece, dificultando a sua conversão. 

Toda sociedade civilizada tem suas leis, seus princípios, seus códigos. Seus membros devem aderir a esse conjunto normativo, pois são afins com ele e existem para o bem comum. Assim, a Igreja como sociedade visível de caráter espiritual não pode transigir em relação aos ensinamentos do seu Fundador, o Filho de Deus encarnado. 

O próprio Nosso Senhor nos alerta sobre os falsos profetas que vêm a nós com pele de ovelhas e por dentro são lobos vorazes. Porventura se colhem uvas de espinhos ou figos de cardos? São Paulo Apóstolo, na epístola aos Romanos, afirma que quando somos livres do pecado e feitos servos de Deus, temos por fruto a santidade e por fim a vida eterna. 

A mencionada ativista homossexual, pelo contrário, se considera acima dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja a ponto de querer impor condições à autoridade eclesiástica: “Questionamos muito a atitude de esperar que o Papa mude alguma coisa”... É bom lembrá-la da lição divina de que nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no reino do Céu, mas quem faz a vontade de meu Pai que está no Céu, e a vontade de Deus está contida nos Mandamentos. 

A ativista vai mais longe. Para ela, “essa linguagem progressista do papa não é precisa, ‘não faz sentido’ a Igreja excluir e ferir. ‘Cristo andava com os piores pecadores, os maiores párias da sociedade”. Os apóstolos e discípulos seriam pecadores péssimos, párias da sociedade? Da mesma forma que Lázaro, José de Arimateia e Nicodemos, que comprou 100 libras de mirra e aloés para os funerais do Homem-Deus? (Jo 19-33). 

Qual o conselho do Divino Mestre à mulher adúltera? “Vai e não peques mais”. [representação ao lado] Se nas palavras de uma ativista homossexual não faz sentido a Igreja excluir e ferir, então o Papa Leão X deveria ter “incluído” os erros de Lutero no Magistério da Igreja? A Igreja deveria ter aceitado o divórcio e “incluído” Henrique VIII e todo o anglicanismo como enriquecimento do magistério? São Pio X deveria ter aprovado e “incluído” os erros modernistas, em vez de condená-los? 

A Igreja deveria acatar e “incluir” Frei Boff e os “teólogos” da Teologia da Libertação em seu seio? Talvez essa ativista inclua na sua agenda a reabilitação de Lúcifer e sua “inclusão” no reino celeste, um verdadeiro absurdo, mas é a conclusão que se pode tirar de seu ‘princípio inclusivo’. Na verdade, ela nega o princípio metafísico da contradição, a incompatibilidade do vício com a virtude. 

Convém lembrar o que diz São Pio X no Catecismo Maior: “A sodomia está classificada em gravidade logo depois do homicídio voluntário, entre os pecados que clamam a Deus por vingança. Desses pecados se diz que clamam a Deus por vingança, porque o Espírito Santo assim o diz, e porque a sua iniquidade é tão grave e evidente, que provoca a punição de Deus com os castigos mais severos.” 

Por sua vez, São Pedro Damião afirma: “Este vício não pode jamais ser comparado a nenhum outro, pois ultrapassa a enormidade de todos os vícios. Ele corrompe tudo, mancha tudo, polui tudo. Por sua própria natureza, não deixa nada puro, nada limpo, nada que não seja imundície. A carne miserável arde com o calor da luxúria; a mente fria treme com o rancor da suspeita; no coração do homem miserável o caos ferve como o inferno.” 

E prossegue: “Depois que essa serpente venenosa introduz suas presas na infeliz alma, o senso é retirado, a memória se desgarra, a clareza da mente é obscurecida. Ele não se lembra mais de Deus, até se esquece de si mesmo. Essa praga solapa os fundamentos da fé, enfraquece a força da esperança, destrói o laço da caridade; afasta a justiça subverte a fortaleza, expulsa a temperança, entorpece a perspicácia da prudência” (Homem e Mulher Deus os Criou, Artpress, S. Paulo, 2011, p. 26). 

Protestemos contra essa rebeldia, que é também uma ingerência e um insulto à Santa Igreja de Deus. Aconselharia a tal ativista que lesse meu livro Homem e Mulher Deus os Criou — As relações homossexuais à luz da doutrina católica, da Lei natural e da ciência médica.

27 de julho de 2018

Péssima conselheira

Alerta à família brasileira contra maus conselhos dados por alguém com maus antecedentes 


Marcos Machado 

O site universa.uol.com.br informa em 16 de julho de 2018 sobre o mau conselho dado às mulheres brasileiras pela deputada abortista argentina Vitoria Donda, do partido de esquerda Libres Del Sur. Temos grande apreço pela nação irmã e não reconhecemos nas palavras de Vitoria os sentimentos da verdadeira Argentina, católica e conservadora. 

Mais ainda, repudiamos essa ingerência contra a família brasileira, a qual tem mostrado seu repúdio às práticas abortistas, quer nas ruas, quer nas Câmaras estaduais ou na Assembleia federal.

Uma aprovação do aborto pela Câmara dos Deputados da Argentina — projeto que ainda irá ao Senado e dependerá depois da ratificação do Presidente Macri — de modo algum tem o valor de um plebiscito nacional, através do qual o povo se manifestaria e faria valer sua posição conservadora e antiabortista. 

Ademais, espera-se que o Episcopado argentino faça uso de sua autorizada voz mostrando as constantes condenações dos Papas ao aborto e as sanções eclesiásticas aos promotores deste infanticídio. 

Maus antecedentes — Filha de guerrilheiros coerente com os erros da ideologia comunista que vilipendia a família e a propriedade, Vitória vai além do aborto e encampa a agenda LGBT. 

Aqui no Brasil já temos longa comprovação desta espúria aliança dos abortistas com os promotores da agenda homossexual. 

Incoerências da esquerda abortista — Em entrevista por e-mail ao referido site da UOL, a deputada abortista, fiel seguidora dos velhos jargões da esquerda, não entende que os ventos da História já não enfunam as velas das naus bolivarianas. 

Assim, seu apelo às mulheres brasileiras é para “que não abaixem suas armas. [...]. Depende de nós modificar o estabelecido. [...] as mulheres continuarão a avançar na luta por uma sociedade mais igualitária”. 

Então, legalizar o aborto é caminhar na igualdade? Aborto, agenda LGBT, igualdade são parte de um mesmo kit. 

Saibamos nós, brasileiros, reagir em defesa da família e contra essas más ingerências de ventos fétidos que sopram da esquerda argentina igualitária e anticristã.

19 de julho de 2018

SANTO ELIAS — Espada e escudo da verdadeira fé

Nos dias 16 e 20 de julho, celebram-se respectivamente as festividades de Nossa Senhora do Carmo e do Profeta Elias, fundador da Ordem carmelitana. Para marcar essas memoráveis datas, transcrevemos algumas considerações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em uma conferência de 20-7-67. 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira 

Celebramos hoje a festa de Santo Elias. Ele constituiu a primeira Ordem religiosa que houve na História, cujos membros moravam no Monte Carmelo [nas proximidades de Jerusalém]. 

A Ordem do Carmo tem como finalidade principal propagar o culto a Nossa Senhora. No seu nascimento, combatia também o politeísmo na nação judaica. Os seguidores de Santo Elias eram a espada e o escudo da verdadeira fé.

Elias pode ser considerado o príncipe dos profetas, porque teve um papel maior que todos os outros. Converteu mais gente, atuou mais profundamente no povo judeu, do qual foi um verdadeiro condutor, salvou a nação eleita da ruína e lutou contra os erros do seu tempo. Num momento em que a nação estava completamente deteriorada, a Providência o escolheu para comunicar seu espírito a uma Ordem de religiosos, e a partir dela a toda a nação eleita. Foi escolhido para dirigir o povo de Deus naquele momento de hecatombe, e concentrou em si todo o espírito que Deus queria conceder à nação judaica para que ela ressurgisse. 

Elias foi o primeiro a considerar a devoção a Nossa Senhora, simbolizada na nuvenzinha que surgiu no alto do Monte Carmelo, e que se transformou numa nuvem enorme, dando origem a uma chuva que salvou o povo de Deus da miséria. Nossa Senhora é simbolizada pela nuvem, e o Messias é simbolizado pela chuva. 

Devemos pedir a Santo Elias um aumento de nossa devoção a Nossa Senhora, pois assim alcançaremos a felicidade celeste. Quanto à felicidade terrena, só uma é verdadeira: conhecer a finalidade para a qual nascemos, segundo os planos de Deus, e realizar essa finalidade.

16 de julho de 2018

Festa de Nossa Senhora do Carmo — 16 de julho

No século XII, como consequência do estabelecimento do Reino Latino de Jerusalém, muitos peregrinos da Europa vieram se juntar aos solitários da santa montanha do Carmelo [foto abaixo], na Palestina, aumentando-lhes assim o número. Pareceu bom dar à sua vida, até então mais eremítica que conventual, uma forma que fosse mais de acordo com os hábitos ocidentais. Foi quando o Legado Aimeric Malafaida, Patriarca de Antioquia, os reuniu em uma comunidade sob a autoridade de São Bertoldo, a quem foi dado pela primeira vez o título de Prior Geral. Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém e igualmente Legado Apostólico, completou, nos primeiros anos do século seguinte, a obra de Aimeric, concedendo uma Regra fixa à Ordem, que começou a se expandir em Chipre, na Sicília e nos países de além-mar, favorecida pelos príncipes e pelos cavaleiros, de volta da Terra Santa. 


Logo depois, tendo Deus abandonado os cristãos do Oriente aos castigos merecidos por suas faltas, tornaram-se tais — nesse século de adversidades para a Palestina — as represálias dos sarracenos vitoriosos, que uma assembleia geral, realizada no Monte Carmelo, sob os auspícios de Alain le Breton, decretou a emigração total dos religiosos, não deixando para cuidar do berço da Ordem senão alguns poucos sedentos de martírio. No preciso momento em que ela se extinguia no Oriente (1245), Simão Stock foi eleito Geral, no primeiro Capítulo do Ocidente, reunido em Aylesford, na Inglaterra.

Na noite do dia 15 para 16 de julho do ano de 1251, a graciosa Soberana do Carmelo confirmava a seus filhos, por um sinal externo, o direito de cidadania que Ela lhes havia obtido nas novas regiões para as quais os havia conduzido seu êxodo. Senhora e Mãe de toda a Ordem religiosa, Ela lhes conferia de suas próprias e augustas mãos o escapulário, parte do vestuário que caracteriza a maior e mais antiga das famílias religiosas do Ocidente. São Simão Stock, no momento em que recebia da Mãe de Deus essa insígnia [representação na pintura abaixo], enobrecendo-a ainda pelo contato de seus dedos sagrados, ouviu a própria Virgem Santíssima dizer: “Todo aquele que morrer dentro deste hábito não sofrerá de maneira nenhuma as chamas eternas”


A Rainha dos Santos manifestou-se posteriormente a Jacques d’Euze, que o mundo iria saudar em breve como novo Papa sob o nome de João XXII. Anunciava-lhe Ela sua próxima elevação ao sumo pontificado, e, ao mesmo tempo, recomendava-lhe publicar o privilégio de uma pronta libertação do purgatório, que Ela havia obtido de seu divino Filho para seus filhos do Carmelo: “Eu, sua Mãe, descerei por misericórdia até eles, no sábado que se seguir à sua morte, e a todos que encontrar no purgatório livrá-los-ei e levá-los-ei à montanha da eterna vida”. São as próprias palavras de Nossa Senhora, citadas por João XXII na bula em que ele disto deu testemunho, e que foi chamada Sabatina em razão do dia designado pela gloriosa libertadora, no qual Ela exerceria o misericordioso privilégio. 

A munificência de Maria, a piedosa gratidão de seus filhos pela hospitalidade que lhes dava o Ocidente, a autoridade, enfim, dos sucessores de Pedro, tornaram logo essas riquezas espirituais acessíveis a todo o povo cristão, pela instituição da Confraria do Santo Escapulário, que faz seus membros participarem dos méritos e privilégios de toda a Ordem do Carmo.

Quando o Papa Bento XIII, no século XVIII, estendeu a festa do dia 16 de julho para a Igreja inteira, ele, por assim dizer, nada mais fez do que consagrar oficialmente a universalidade do fato de que o culto da Rainha do Carmelo havia conquistado quase todas as latitudes do orbe. 

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Dom Prosper Guéranger, O.S.B., L’Année Liturgique – Le temps après la Pentecôte, Maison Alfred Mame et Fils, Tours, 1922, tomo IV, excertos das pp. 149-153.

13 de julho de 2018

Desfazendo mitos sobre a Idade Média


➤  Plinio Maria Solimeo 

Quase todos nós aprendemos na escola que a Idade Média foi uma época de mil anos de trevas e de fanatismo religioso, sem nada digno de ser mencionado nos séculos seguintes. E não nos damos ao trabalho de estudar as obras, as instituições, a arquitetura, a vida de família e, sobretudo, a profunda religiosidade, que a tornaram insuperável. 

Segundo o prestigioso jornal “Economist” , isso começa a mudar: 
“Desde os ataques de 11 de setembro, a direita norte-americana desenvolveu um fascínio pela Idade Média e pela Renascença em particular, com a ideia do Ocidente como uma civilização que estava se defendendo de um desafio do Oriente. Essa tendência tem sido estimulada pela descoberta do movimento de suas contrapartes europeias que usavam imagens medievais e de cruzados desde o século XIX.” 
Para o jornal, alguns exemplos disso são o frequente aparecimento e as ilustrações de cruzados revestidos de capacete e que bradam o grito de guerra Deus vult! Diz ainda: 
Charles Martel na batalha de Poitiers (732),
obra de Charles de Steuben
(museu de história da França, Versailles)
“Os jornais e sites contrários ao islamismo se nomeiam segundo o rei franco Charles Martel [quadro ao lado], que lutou contra exércitos muçulmanos no século VIII, ou a derrota otomana (levemente pós-medieval) em Viena”, enquanto “milhões de outros [...] são atraídos pela era medieval, de que são testemunhos a popularidade de reconstituições renascentistas ou as fantasias medievais de inspiração, como Game of Thrones”. 
A esse respeito, o também muito conceituado site do “National Catholic Register” publica uma entrevista com o especialista da Idade Média, Andrew Willard Jones [foto], professor de história da Igreja, teologia e doutrina social na Universidade Franciscana de Steubenville, Ohio, sobre seu novo livro Diante da Igreja e do Estado: um estudo da ordem social no reino sacramental de São Luís IX [ao lado, foto da capa], no qual esse acadêmico traz considerações acerca de verdades esquecidas e frequentemente negadas sobre a Idade Média, a qual foi chamada de “A doce primavera da Fé” por Montalembert. 

Respondendo a uma pergunta sobre o que o levou a escrever seu livro, ele explica: 
“Eu estava estudando o papado do século XIII. E fui inspirado pelo que estava lendo. Era todo um mundo que não havia sido ainda investigado [...]. Somos abençoados na história medieval. Eles [os medievais] tinham se avantajado nas operações de escrita de cartas. Havia cartas e manuscritos papais. [...] É um tesouro de registros da Corte, de registros monárquicos e de crônicas”. 
Por isso, Jones afirma: 
“A Idade Média tem um papel na história do mundo moderno. Nós tendemos a vê-la como um mundo obscuro, de dogma e opressão, pelo que só agora entendemos o que significa liberdade.” O escritor faz então esta afirmação tantas vezes já repetida: “A visão da Idade Média como um período sombrio vem de um ceticismo moderno muito anticatólico.” 
Para evitar equívocos, ele esclarece: 
“Eu não romantizo excessivamente a Idade Média como uma utopia.” Mas vê a era medieval como a de uma civilização sacramental e cristianizada. Pelo que afirma: “Nós somos tendentes a imaginar o catolicismo como vida privada. O catolicismo pede uma civilização da caridade. A Idade Média pode nos ajudar a ver isso de novo.”
Hoje em dia se fala muito em igualdade. É um dogma do mundo moderno. Jones explica: 
“A modernidade tem uma noção específica de igualdade. Ela vê a desigualdade [entre as pessoas] como fonte inerente de conflito e competição. No cristianismo, as desigualdades levam à paz. Nós vemos diferenças na família: elas se manifestam na busca do bem comum”. E ainda: “Eu usei o exemplo de um pai e um filho, dizendo que eles alcançam o bem comum através de diferentes papéis.” 
Quer dizer, as diferenças entre ambos os fazem se complementar e completar-se, o que é muito diferente do jargão esquerdista. 

Jones afirma: 
“No mundo moderno, se entende por paz fazer compromissos, enquanto na Idade Média a paz se obtinha pelo modo de lidar com as diferenças de maneira adequada e caridosa. Enquanto os modernos veem [as desigualdades como] uma violação dos direitos, na Idade Média elas consistiam em se restabelecer as diferenças de modo pacífico. O mundo moderno é cético. Os medievais não tinham cinismo em relação à doação mútua. Por exemplo, há [hoje em dia] conflitos entre pai e filhos, porque não são propriamente diferentes. A mesmice é uma fonte de conflito. Somente essa ideia seria proveitosa para a nossa sociedade meditar, quando considerarmos como a cultura popular se tornou infantilizada”. 
O autor trata também em seu livro do tão difamado tema da Inquisição, abordando o tema da Inquisição Francesa do século XIII. Jones afirma: 
“Há uma visão polêmica e anticatólica da Inquisição. Naquela época havia muito pouco interesse em saber o que as pessoas conservavam em suas mentes. O problema era se [na manifestação das ideias] havia rejeição da ordem social e se a heresia se tornava pública. Uma investigação poderia começar, não havia interesse em pegar ou enganar as pessoas. Na maioria das vezes, a penalidade era a correção. Temos nossa própria versão da Inquisição e da heresia com os mobs do Twitter”. 
E conclui: 
“Precisamos ampliar nossa imaginação. A tentativa moderna de um mundo sem Deus vai falhar. Haverá uma concepção cristã de ordem social, mas não o mesmo que a Idade Média [...]. Meu livro visa afastar os leitores do mundo ao seu redor, e a procurar vê-lo a partir de um ponto de vista mais elevado [como foi o mundo medieval]. Isso nos salva do desespero. As coisas mudam. A esperança é uma virtude. O bom e o verdadeiro vencerão”.

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Notas:
1. http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2017/01/medieval-memes 
2. http://www.ncregister.com/blog/annaabbott/steubenville-prof-sets-the-record-straight-on-the-middle-ages

11 de julho de 2018

Crianças que ameaçam os tiranos


Paulo Henrique de Araújo

O drama de Alfie Evans,[1] o bebê inglês falecido no final de abril passado, percorreu o mundo e movimentou desde simples opiniões individuais até discussões em altos escalões do direito internacional.[foto ao lado]

Nascido em maio de 2016, filho de Tom Evans e Kate James, inicialmente Alfie aparentava boa saúde, mas em dezembro do mesmo ano deu entrada no Hospital Infantil Alder Hey, de Liverpool. 

Para angústia dos pais, logo foi diagnosticada uma rara doença neurológica degenerativa; e incurável, segundo os pareceres médicos. A direção do hospital tomou a decisão de desligar os aparelhos que mantinham o bebê vivo, mas o pai insistia em que seu filho apresentava certas condições de melhora, portanto ainda havia esperança no tratamento. 

A partir de então iniciou-se uma disputa judicial para determinar o destino da criança. Os pais recorreram aos tribunais, invocando o direito de manter os cuidados médicos do filho. Os pedidos foram rejeitados, um a um, pelos diversos julgadores que analisaram o caso. Os tribunais ingleses, e mesmo a Corte Europeia de Direitos Humanos, alegavam que os “melhores interesses” do bebê consistiam em que o deixassem morrer. 

Durante as discussões legais, o hospital italiano Menino Jesus, de Roma, ofereceu seus serviços para o tratamento de Alfie. Tudo seria custeado, até mesmo o transporte aéreo da criança da Inglaterra para a Itália. Tratava-se de uma nova esperança para os pais. Mas tudo foi rejeitado pelo juiz Anthony Hayden sob alegação de que, sendo Alfie um cidadão inglês, seu destino deveria ser decidido pela justiça britânica, e não por um Estado estrangeiro. 

O último apelo dos pais [foto acima] ao poder judiciário foi negado em 25 de abril último, e em consequência foram desligados os aparelhos que ajudavam Alfie a respirar. Ele ainda sobreviveu por quatro dias, pairando no ar a hipótese de que um tratamento mais prolongado poderia tê-lo salvado. Se a hipótese de cura era real ou não, é um assunto que foge à nossa competência, e não é o aspecto que nos parece importante nesse caso. Muito mais importante que isso é a flagrante violação do pátrio poder pelo poder judiciário, cuja função é exatamente a defesa de todo o direito. 

Cada pessoa tem o dever de manter a própria vida, usando para isso os recursos disponíveis e sem recorrer também ao suicídio; e da mesma forma, ao pátrio poder compete fazer o possível para manter a vida dos filhos. Mas a impressão que nos fica, em todo esse caso, é que o destino de Alfie já estava selado desde a primeira decisão judicial. 

Negada a manutenção do tratamento nessa instância, todas as outras decisões seguiriam o mesmo entendimento. Nada adiantavam os inúmeros e insistentes apelos dos pais ao poder judiciário, representante do Estado inglês. Pode-se perguntar: Terá algum valor o pátrio poder para esses tribunais? E os direitos de Deus, onde ficam? 


Luís XVII, delfim de França
– Alexander Kucharsky, 1792.
Palácio de Versalhes, Paris.
Quem acompanha o noticiário, procurando observar onde estão sendo violados os direitos de Deus, poderia considerar pequena a violação no caso desse menino inglês. Pelo contrário, ela já é de si enorme, e além disso se inclui na obsessão midiática e legislativa de âmbito mundial pela aprovação do aborto, controle da natalidade pelo poder estatal, “suicídio assistido”, “morte consentida”, e tantos outros eufemismos para eutanásia, assassinato, violações criminosas do pátrio poder. 

É próprio às tiranias violar esses direitos, que em última análise são também direitos de Deus. 

Nada melhor do que o recuo histórico, para se entender a importância do assunto. Passemos a alguns exemplos. 

Um dos episódios mais cruéis da Revolução Francesa foi o sequestro e a degradação do pequeno delfim, herdeiro do trono francês, que o ocuparia como Luís XVII.[2] Em janeiro de 1793, a Convenção Nacional — autointitulada neste período representante do povo[3] — havia mandado executar seu pai, o rei Luís XVI, num pérfido processo judicial. A rainha Maria Antonieta permanecia prisioneira com seus dois filhos, Maria Teresa e Luís, este com apenas oito anos.

Maria Antonieta e Mme Elizabeth sofreriam em outubro de 1793 o mesmo destino de Luís XVI. Mas antes disso, em julho, os deputados convencionais decidiram arrancar o delfim dos cuidados da mãe — para ela um golpe pior do que a própria morte — e entregá-lo às garras de um brutal carcereiro chamado Simon. 


O pequeno Luís XVII é cruelmente separado de sua mãe, a
Rainha Maria Antonieta
Esse jacobino encarniçado recebera ordens de “reeducar” o menino nos moldes da mentalidade revolucionária. Caso ele não abandonasse seus costumes requintados e polidos para se tornar um “republicano” sanguinário e mal-educado, Simon deveria, segundo instruções de Marat, “não o matar, não o envenenar, mas desvencilhar-se dele”. Em outros termos, o filho do rei deveria se transformar num bruto como todos os revolucionários, ou então ser-lhe aplicada a morte. 

Essa atitude dos revolucionários franceses havia se tornado inevitável, pois além de o menino de oito anos ser inocente, ele representava uma ameaça para todo o desenvolvimento da Revolução, podendo galvanizar a reação de incontáveis franceses desejosos da antiga legitimidade real. 

Tendo falhado na “reeducação” do menino-rei, os revolucionários o atiraram num calabouço imundo, e aí o mantiveram por meses. Aos dez anos de idade, faleceu de infecções e desnutrição. Pode-se afirmar, no entanto, que a história da França seria muito diferente com o delfim ocupando o trono francês. E os tiranos não queriam isso. 


*       *       * 

O fato histórico por excelência de decisão tirânica contra um inocente foi o do Menino Jesus, que despertou a ira de Herodes, o tirano usurpador do trono de Judá. Herodes temia ser deposto pelo Rei dos Judeus, por isso ordenou o assassinato dos santos inocentes, entre os quais se incluiria o Menino Jesus. 


Fuga para o Egito – Bartolomé Esteban Murillo, 1647-50.
Detroit Institute of Arts
Qual teria sido o futuro da França, na hipótese de que o delfim sobrevivesse e fosse educado convenientemente para reinar como Luís XVII, após os desatinos da Revolução Francesa? E o leitor já pensou sobre o destino da humanidade inteira, se a ordem de Herodes tivesse sido cumprida? Qual teria sido o tamanho do crime de São José, na hipótese de uma negligência deixando de cumprir a ordem de fugir para o Egito? São hipóteses que merecem ser levantadas. Só hipóteses?! 

O mínimo que se pode dizer de tais hipóteses é de que não estão fora de qualquer cogitação nem podem ser liminarmente descartadas. Um exemplo concreto é o de outro inglês, o cientista Stephen Hawking, acometido de esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos e que faleceu enquanto a situação de Alfie era discutida. Quase todos os portadores dessa doença degenerativa sobrevivem no máximo quatro anos, com grandes sofrimentos para si mesmos e para os pais. 

Os tribunais ingleses, se os juízes fossem os atuais, poderiam ter forçado os pais e os médicos de Hawking a “desligar os aparelhos”, pois os “melhores interesses” dele seriam deixá-lo morrer. Mas Hawking viveu ainda 55 anos, falecendo aos 76, após ter dado suas contribuições no campo da astrofísica contemporânea. Os juízes que julgassem o seu caso como o fizeram os de hoje, provavelmente teriam cometido o assassinato de um cientista e feito tabula rasa dos seus “melhores interesses”. 

Também no caso de Alfie, alguém poderia objetar que se tratava apenas da vida de um recém-nascido condenado a sofrer durante a vida inteira, além de trazer inúmeros trabalhos e sofrimentos para os pais. Mas quem pode garantir que, nos planos de Deus, essa criança não estaria destinada a grandes coisas, trazendo benefícios inimagináveis para a humanidade? 

Alfie, o menino inglês, representava também uma ameaça à tirania de dirigentes supremos na Inglaterra e na União Europeia. Não sob a forma do terror revolucionário, mas escamoteada sob o manto de juízes agindo em nome dos “melhores interesses” dele e violando os direitos dos pais. 


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Notas: 
1. Dados extraídos do artigo: http://www.bbc.com/news/uk-england-merseyside-43754949 

2. Cfr. Renaud Escande, O.P. (direção), O Livro Negro da Revolução Francesa, Aletheia Editores, Liboa, 2010. 

3. Segundo o historiador Pierre Gaxotte, a Convenção foi eleita com os votos de apenas 10% dos eleitores franceses. Cfr. Gaxotte, Pierre; A Revolução Francesa, ed. Tavares Martins, Porto, 1962, p. 203.

9 de julho de 2018

Em Roma, a oitava marcha contra o aborto


➤  Samuele Maniscalco 

Por ocasião dos 40 anos da Lei 194 sobre a prática abortiva, realizou-se no dia 19 de maio em Roma a oitava edição da “Marcha Nacional pela Vida”, o mais importante evento italiano pró-vida. Os milhares de participantes ocuparam as ruas da Cidade Santa para exigir a revogação dessa lei criminosa, através da qual mais de seis milhões de crianças foram executadas no ventre materno desde 22 de maio de 1978, quando o aborto foi legalizado na Itália.

A Sra. Virginia Coda Nunziante, presidente da Marcha pela Vida, afirmou: “Existe um livro da vida e há um livro da morte. Neste livro da morte, a data de 22 de maio de 1978 é escrita em letras de sangue, o sangue de quase seis milhões de vítimas”. Denunciou também o aborto por ser totalmente pago pelo governo, portanto pelos contribuintes. E acrescentou: “Não queremos passar este aniversário sem pedir a revogação da Lei 194, e enquanto isso retirar imediatamente dos gastos públicos os 2 a 3 bilhões de euros que todos os anos são usados para matar nossos filhos”

Foi também lembrado o assassinato do pequeno Alfie Evans, perpetrado em 28 de abril último pela equipe do hospital de Liverpool, com o apoio dos tribunais ingleses e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. 

O evento contou com a presença aproximada de 15 prefeitos e de várias figuras institucionais, como Lorenzo Fontana, vice-presidente da Câmara dos Deputados. Estiveram também presentes autoridades religiosas como o Cardeal Raymond Leo Burke; Mons. Carlo Maria Viganò, Núncio Apostólico emérito nos Estados Unidos; Mons. Luigi Negri, Arcebispo emérito de Ferrara-Comacchio. Participaram também párocos, representantes de institutos religiosos, e numerosas delegações internacionais dos cinco continentes contrárias ao aborto. 

Os organizadores se empenharam em que todos pedissem a ajuda de Deus, fundamental para se ganhar a batalha em defesa do direito à vida inocente. Nesse sentido, na noite de 18 de maio organizou-se na igreja de Santa Maria in Campitelli uma solene adoração eucarística presidida pelo Cardeal Raymond Burke. 

Nos dias 17 e 18 de maio, um dos auditórios da Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum) sediou o importante simpósio IV Rome Life Forum, promovido pela Voice of the Family, uma coalizão que reúne diversas associações pró-vida do mundo. Neste ano, o Forum foi dedicado ao tema da verdadeira e da falsa consciência.