6 de novembro de 2019

Rosário pela Venezuela

Venezuelanos em fuga pela fronteira com a Colômbia
➤  Plinio Maria Solimeo

         O problema da Venezuela “cubanizada” está cada vez mais tenebroso, com notícias diárias da pobreza a que foi reduzidasua população, a falta de alimentos, de remédios, e, sobretudo, a violenta repressão do regime ditatorial a qualquer manifestação de inconformidade. Por isso, em vários países se acenou para uma intervenção militar externa para depor o ditador Maduro.

         Ora, um dos maiores problemas de uma intervenção na Venezuela é que ela se encontra ocupada, com a total anuência do governo chavista, não só pelos quartéis do narcotráfico, mas também por forças estrangeiras. Segundo fontes insuspeitas, nada menos de 22 mil cubanos controlam as Forças Armadas e os serviços de inteligência do país, 400 russos estariam a serviço de Maduro, cerca de 20 mil terroristas das FARC e do ELN colombianos encontram-se no território venezuelano, além de um número incerto de terroristas do Hezbollah. Por isso, uma operação militar contra o país poderia provocar um conflito de longas e imprevisíveis consequências para toda a América do Sul.

        Deve-se em vista disso considerar que não havendo uma solução factível no plano temporal, o remédio mais eficaz é recorrer ao auxílio do Céu. Não só porque o afastamento da moral católica foi determinante para precipitar a Venezuela na atual situação em que jaz, mas também porque, como dizia a Irmã Lúcia, “não há problema, por mais difícil que seja, que não possamos resolver com a recitação do Santo Rosário”.

         Nesse sentido, temos exemplos impressionantes de como a recitação pacífica do Santo Rosário obteve resultados surpreendentes nas mais complicadas situações políticas. Citamos apenas dois: a saída do comunismo da Áustria depois de ter-se implantado no país, e o ocorrido no Brasil em 1964.

Traição dos Aliados entrega a Áustria católica aos comunistas

         Em 1938 a Áustria foi anexada pela Alemanha, tornando-se parte do eixo nazista. Terminada a II Grande Guerra Mundial, esses dois países foram divididos em quatro zonas de ocupação, administradas pelos Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética. Os Aliados então fizeram esta coisa abominável: entregaram parte da Áustria católica, onde estava Viena, aos comunistas soviéticos!

         Ora, em menos de dois anos, a parte da Alemanha que estava sob a administração das potências ocidentais foi obtendo gradualmente sua independência política, o que não ocorreu com a que estava na zona soviética. Surgiu assim a República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental. Os soviéticos, pelo contrário, favoreceram a reclamação de parte do território austríaco pelo ditador comunista Tito, mantendo férreo controle sobre toda a Europa Oriental, convertendo os países ocupados por eles em satélites de Moscou. Assim, para essas infelizes nações cativas não havia, naturalmente falando, esperança de liberdade.

Nossa Senhora inspira a recitação do Rosário

         
Foi então que um frade capuchinho, Frei Petrus Pavlicek [foto ao lado], decidiu apelar ao sobrenatural para libertar seu país. Nascido no Tirol austríaco em 6 de janeiro de 1902, após uma tentativa fracassada na vida religiosa ele entrou num convento capuchinho, onde foi ordenado sacerdote em 1941. Servindo no campo da saúde do exército alemão, foi capturado pelos Aliados em agosto de 1944 e libertado no dia 16 de julho de 1945, festa de Nossa Senhora do Carmo.

No dia 2 de fevereiro de 1946, festa de Nossa Senhora das Candeias, quando orava ardentemente diante da imagem milagrosa da Virgem em Mariazell [foto abaixo], principal santuário mariano da Áustria, Frei Pavlicek ouviu uma voz interior que lhe disse: “Faça o que te digo e terão paz”. Ele foi então inspirado a incrementar a recitação do Rosário, como a Virgem pedira em Fátima, para obter a libertação de seu país do jugo comunista. Fundou então, em 1947, a Cruzada de Reparação do Santo Rosário. Seus membros deveriam se unir na recitação de um Rosário perpétuo, implorando a conversão dos pecadores, a paz mundial e a liberdade da Áustria do comunismo.

Imagem da Magna Mater Austriae,
no Santuário Nacional austríaco de Mariazell
O zeloso sacerdote começou então a fazer peregrinações por todo o país pregando essa devoção. Obteve para esse fim, do bispo de Leiria, uma cópia da imagem de Nossa Senhora de Fátima esculpida pelo mesmo artesão que fizera a imagem peregrina original.

         Em setembro de 1948 Frei Pavlicek estendeu a Cruzada de Reparação do Santo Rosárioa Viena. Esta incluía a confissão, bênção dos enfermos, o Santo Rosário e a Missa. Ele chamava estas devoções de “assaltos de oração” e dizia: “A paz é um regalo de Deus, e não dos políticos; e os regalos de Deus se obtêm com a oração que assalta o céu, como os soldados assaltam um forte com confiança e determinação”.

Em 1949 a situação se tornou mais crítica com a queda da Tchecoslováquia e da Hungria nas mãos dos comunistas, a perseguição à Igreja e o julgamento sumário do Cardeal Mindszenty em Budapeste. Tudo isso contribuiu para aumentar ainda mais a ansiedade dos austríacos.

Quando novas eleições se aproximavam, Frei Petrus resolveu intensificar sua cruzada. Organizou cinco dias de preces públicas em Viena, durante as quais foram ouvidas confissões dia e noite, e 50.000 pessoas visitaram o convento franciscano. O resultado do pleito foi um fiasco para os comunistas: eles só ganharam cinco cadeiras. Mas não tinham a intenção de desistir tão fácil de sua presa, e todos já esperavam um golpe de estado.

Como as procissões com a recitação do Rosário foram se tornando muito numerosas, Frei Pavlicek resolveu fazer uma procissão geral, unindo todas as paróquias de Viena. Escolheu para ela o dia 12 de setembro de 1954, consagrado ao Santo Nome de Maria, com o objetivo de pedir à Virgem que libertasse a Áustria do comunismo. O arcebispo de Viena mostrava-se reticente em relação ao êxito da procissão. Temia que os católicos não se mobilizassem, porque já se havia pedido muito deles. Entretanto, a esse esforço uniu-se ninguém menos que o Primeiro Ministro da Áustria, Leopoldo Figl [foto ao lado], que disse ao frei Pavlicek: “Mesmo que fôssemos somente nós dois, eu iria [à procissão]. Meu país o exige”. Compareceram 35 mil pessoas, com o Chanceler Figl à frente, terço e vela à mão. 

Em Berlim, Molotov, ministro russo das relações exteriores, ao tomar conhecimento disso, ridicularizou o Chanceler austríaco: “Não tenham esperanças. O que nós, russos, uma vez possuímos, jamais entregamos”. Figl transmitiu a Frei Petrus essa bravata, dizendo-lhe: “Rezem mais do que nunca”.

Isso ocorreu na hora certa, pois no fim do mês os comunistas tentaram um golpe militar. Proclamaram uma greve geral e ocuparam a Chancelaria Geral. Mas os sindicatos anticomunistas lançaram seus membros nas ruas, armados de paus, em uma contra ofensiva. A greve foi dissolvida, e o golpe revolucionário falhou. À época, a Cruzada do Rosário contava com 200 mil membros.

Acontece o imprevisível: os russos deixam a Áustria!

Falando na ocasião a um sacerdote austríaco durante uma audiência privada, Pio XII lhe disse: Viena é o último baluarte da Europa. Se Viena cair, a Europa cairá. Se Viena resistir, a Europa resistirá. Os católicos de Viena não têm o direito de ser medíocres. Diga-o repetidamente aos vienenses. E diga-lhes que o papa está rezando muito, sim, que ele está rezando bastante pela Áustria.
       Enquanto isso a Cruzada do Rosário continuava, expandindo-se por toda a Áustria, atingindo também a Alemanha e a Suíça. No ano de 1955, mais de meio milhão de austríacos — ou seja, aproximadamente 10% da população — haviam se comprometido a rezar diariamente à Virgem de Fátima, fazendo os três pedidos: a conversão dos pecadores, a paz no mundo e a liberação da Áustria do comunismo. Um número maior participava das procissões marianas.

    Foi então que sucedeu o imprevisível: em abril desse ano de 1955, Molotov anunciou que retiraria suas tropas da Áustria em três meses. Com efeito, no dia 15 de maio, ante a surpresa geral do mundo, as Forças Aliadas que ocupavam a Áustria, assinaram um tratado que garantia sua independência. Finalmente, no dia 26 de outubro, o último soldado russo deixou o solo austríaco...

Pode-se imaginar a alegria da população vienense, que marchou em procissão pelas ruas da cidade, com rosários e tochas, para agradecer à Virgem de Fátima a libertação do país do comunismo. O Primeiro Ministro Figl, dando sua voz a toda a população, exclamou então: “Hoje nós, que temos o coração cheio de fé, clamamos ao Céu com gozosa oração: somos livres! Ó Maria, nós te damos graças!


O Brasil, também livre da ameaça comunista pelo Rosário

        Como nos concerne mais imediatamente, citemos também o que ocorreu no Brasil em 1964.

Em 1960 o socialista João Goulart foi reeleito vice-presidente da República. Com a renúncia de Jânio Quadros, ele assumiu o poder no ano seguinte. Levando avante uma política nitidamente socializante, Jango preparava o cenário que poderia levar o Brasil a se tornar irremediavelmente uma nova Cuba.

Houve reação das forças conservadoras, principalmente das católicas, muito fervorosas e atuantes naquele tempo. Elas organizaram manifestações por todo o País, ante a iminência dessa desgraça.


Uma das senhoras católicas que liderou a reação, Da. Amélia Bastos, em discurso numa das Marchas da Família com Deus pela Liberdade [foto acima e ao lado], descreveu uma situação que se aproxima à da que ocorre na Venezuela: “Esta nação que Deus nos deu, tão imensa e maravilhosa como é, encontra-se em grave perigo. Temos permitido a homens de ambição desmedida, sem fé cristã nem escrúpulos, trazer a miséria a nosso povo, destruindo nossa economia, transgredindo nossa paz social, para criar ódio e desespero. Infiltraram-se em nossa nação, em nosso governo, em nossas forças armadas, e mesmo em nossas igrejas. [...] Mãe de Deus, salvai-nos do fatal destino e sofrimento das mulheres martirizadas de Cuba, Polônia, Hungria e outras nações escravizadas!”.

         A população saiu então às ruas das cidades brasileiras, principalmente as mulheres, rezando-o em voz alta o Terço e cantando hinos religiosos, para obter de Deus, pela intercessão de Nossa Senhora, misericórdia para com os pecados do povo e o afastamento do País do comunismo. Foram as gloriosas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Nossa Senhora não deixou de ouvir seus fiéis, e um golpe militar derrubou o governo comunista. 

Cruzada do Rosário pela Venezuela

         Caro leitor católico: se isso deu certo em circunstâncias tão difíceis como na queda do comunismo na Áustria e na liquidação da ameaça comunista no Brasil, não dará certo na Venezuela? O grande São Pio X, ao fixar a festa de Nossa Senhora do Rosário em memória da vitória católica na Batalha de Lepanto sobre as hostes do Islã, ocorrida em 7 de outubro de 1571, afirmou: “Deem-me um exército que reze o Rosário e ele vencerá o mundo”.

         A recitação do Santo Rosário não requer um esforço muito grande. É fácil e está ao alcance de qualquer um.

         Se conseguirmos um bom número de católicos que queiram rezá-lo diariamente pela Venezuela, veremos milagres acontecerem. Aqui fica este convite, feito de todo o coração, por essa nação irmã.

Para concluir, citemos que em setembro de 1972 um bispo austríaco, falando diante de todo o episcopado do país por ocasião da Reparação do Rosário, declarou: “Tal como a Áustria foi libertada do jugo comunista pela recitação fervorosa do Rosário, será da mesma maneira que pela arma do Rosário o mundo será libertado dos ataques do demônio e de seus sequazes. Se rezarmos o Rosário, Nossa Senhora nos dará verdadeira liberdade e paz”.
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PS: Além da recitação do Rosário, sugerimos esta oração a Nossa Senhora de Fátima, composta pelo fundador da TFP brasileira o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, para que Ela livre não só o Brasil, mas todas as nações da América Latina do comunismo:

Ó Rainha de Fátima, nesta hora de tantos perigos para as nações cristãs, afastai delas o flagelo do comunismo ateu.
Não permitais que consiga instaurar-se, em tantos países nascidos e formados sob o influxo sagrado da Civilização Cristã, o regime comunista, que nega todos os Mandamentos da Lei de Deus.
Para isto, ó Senhora, conservai vivo e aumentai o repúdio que o comunismo encontrou em todas as camadas sociais dos povos do Ocidente cristão. Ajudai-nos a ter sempre presente que:
1°) O Decálogo nos manda “amar a Deus sobre todas as coisas”“não tomar seu Santo Nome em vão” e “guardar os domingos e festas de preceito”. Mas o comunismo ateu tudo faz para extinguir a Fé, levar os homens à blasfêmia e criar obstáculos à normal e pacífica celebração do culto.
2°) O Decálogo manda “honrar pai e mãe”“não pecar contra a castidade” e “não desejar a mulher do próximo”. Mas o comunismo deseja romper os vínculos entre pais e filhos; quer entregar ao Estado a educação dos filhos; nega o valor da castidade; e ensina que o casamento pode ser dissolvido por qualquer motivo, pela mera vontade de um dos cônjuges.
3°) O Decálogo manda “não furtar” e “não cobiçar as coisas alheias”. Mas o comunismo nega a propriedade privada e a sua importante função social.
4°) O Decálogo manda “não matar”. Mas o comunismo emprega a guerra de conquista como meio de expansão ideológica, promove revoluções e crimes em todo o mundo.
5°) O Decálogo manda “não levantar falso testemunho”. Mas o comunismo usa sistematicamente a mentira como arma de propaganda.
Fazei que, tolhendo resolutamente os passos à infiltração comunista, todos os povos do Ocidente cristão possam contribuir para que se aproxime o dia da gloriosa vitória que predissestes em Fátima, com estas palavras tão cheias de esperança e doçura: “Por fim, o meu imaculado coração triunfará”.
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Fontes:
- Germán Mazuelo-Leytón, Nuestra Señora de Fátima y el comunismo, disponível em https://adelantelafe.com/nuestra-senora-de-fatima-y-el-comunismo/.
- Pe. Marie-Dominique, O.P, Great Historical Victories of the Rosary.Citado em “A Áustria salva do comunismo por Nossa Senhora”, disponível em: http://speminaliumnunquam.blogspot.com/2010/12/austria-salva-do-comunismo-por-nossa.html

4 de novembro de 2019

Uma oração idolátrica e dois atos de reparação



➤  Paulo Roberto Campos

No contexto do recém-encerrado Sínodo Pan-Amazônico, depois de vermos Nossa Senhora ser preterida pelo ídolo pagão Pachamama (a “Mãe Terra”), mais um ultraje foi perpetrado contra Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima: uma “oração” à Pachamama [foto acima], difundida, por incrível que pareça, pela agência missionária da Conferência Episcopal Italiana... 

O texto blasfemo desse simulacro de oração foi publicado no livreto oficial da Fondazione Missio [1], também daquela conferência episcopal, e rezado em algumas igrejas da Itália, como, por exemplo, na paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Verona. 

Pedindo aos leitores perdão por reproduzir aqui um texto tão abjeto dirigido a uma “deusa” pagã, faço-o porque há certas coisas tão absurdas sendo perpetradas pelos autodemolidores da Santa Igreja, que muitos terão dificuldade em acreditar. 

Oração à “Mãe Terra” dos povos Incas 

“Pachamama nesses lugares,  
Beba e coma à vontade estas oferendas,
Para que esta terra seja frutífera.  
Pachamama, boa mãe 
Seja propícia! Seja propícia! 
Que os bois andem bem, 
E que não se cansem.  
Faça com que a semente brote bem,  
Que nada de ruim aconteça,
Que a geada não a destrua,
Que produza boa comida. 
Pedimos-lhe:Dê-nos tudo. 
Seja propícia! Seja propícia!” 

Uma religião que desponta, bem diversa da católica! 

Na igreja de Sta. Maria em Traspontina, culto idolátrico à Pachamama
Como denominar “oração” um pedido feito a um ídolo pagão e, portanto, demoníaco, como o são todos os ídolos pagãos? Essa iniciativa não está em conformidade com alguma outra religião oposta à Religião Católica? — Entretanto, repito, tal iniciativa é de uma agência da Conferência Episcopal Italiana! Sem dúvida, em consonância com o Documento Final do Sínodo para a Amazônia, que também, por incrível que pareça, advoga a implantação de uma “teologia indígena” e um sacerdócio e uma igreja “de rosto amazônico”... Podemos também dizer que, sem dúvida, tal “rosto” nada tem a ver com a sagrada e imaculada face da Santa Igreja Católica Apostólica Romana! É o “rosto” de outra religião que desponta — bem diversa da católica! 


Em reparação a esse gravíssimo pecado de idolatria — que transgride diretamente o Primeiro Mandamento da Lei de Deus [2] — reproduzo a seguir uma verdadeira oração, composta por Dom Athanasius Schneider [foto ao lado] (bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana - Cazaquistão) em desagravo pelos atos idolátricos ocorridos durante o nefasto Sínodo para a Amazônia: 
“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, recebei do nosso coração contrito, por meio das mãos da Imaculada e Beatíssima Mãe de Deus a sempre Virgem Maria, um sincero ato de reparação pelos atos de adoração de ídolos e símbolos de madeira, ocorridos em Roma, a Cidade Eterna e coração do mundo católico, durante o Sínodo para a Amazônia. Enchei com o Vosso Espírito o coração do nosso Santo Padre o papa Francisco, dos cardeais, bispos, sacerdotes e fiéis leigos, para que lhes tire a escuridão das mentes, de forma que possam reconhecer a impiedade de tais atos que ofenderam a Vossa divina Majestade e Vos ofereçam atos de reparação públicos e privados. 
Lançai sobre todos os membros da Igreja a luz da plenitude e da beleza da fé católica. Acendei neles um zelo ardente para levar a salvação de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, a todos os homens, especialmente às pessoas da região amazônica, que estão ainda sob a escravidão dos ídolos surdos e mudos da “mãe terra”; a todas as pessoas e especialmente às tribos amazônicas, que não têm a liberdade dos filhos de Deus e não têm a alegria indizível de conhecer Jesus Cristo e ter com Ele parte na vida da Vossa natureza divina. 
Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, Vós único Deus verdadeiro, fora do Qual não existe outro deus e nenhuma salvação, tende piedade da Vossa Igreja. Olhai em particular as lágrimas, os gemidos humildes e contritos dos pequenos na Igreja; olhai as lágrimas e as orações das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos pais e mães de famílias e também daqueles verdadeiros heróis cristãos, que no zelo pela Vossa glória e no seu amor pela Santa Madre Igreja, lançaram nas águas do Tibre os símbolos da abominação que a contaminavam. Tende piedade de nós: poupai-nos, ó Senhor! Parce, Domine; Parce, Domine! Tende piedade de nós! Kyrie, eléison!” 

Revelado o herói que jogou a Pachamama no rio Tibre 

Por fim, neste dia 4 de novembro, tomamos conhecimento do autor do corajoso ato de retirar as imagens da Pachamama da igreja de Santa Maria em Traspontina e jogado essas blasfemas imagens no rio Tibre. Devemos este grande favor ao jovem católico Alexander Tschugguel [foto ao lado], de 26 anos, de Viena (Áustria). No vídeo, que segue abaixo, ele narra o que o levou a livrar aquela igreja dos ídolos sacrílegos, pois violavam o Primeiro Mandamento da Lei de Deus.

Assim, encerro este artigo agradecendo, de todo coração, ao jovem austríaco por seu ato de heroísmo e amor de Deus, que todos nós desejaríamos ter praticado. Que a Santíssima Virgem lhe recompense abundantemente por ter feito esta magnífica defesa de Sua honra. 


  

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Notas: 
1. https://www.missioitalia.it/presentazione/
2. “Antes de promulgar os seus Mandamentos, Deus disse: “Eu sou o Senhor teu Deus”, para que saibamos que Deus, sendo o nosso Criador e Senhor, pode mandar o que quiser, e nós, criaturas suas, somos obrigados a obedecer-Lhe. Com as palavras do primeiro Mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas, Deus nos ordena que o reconheçamos, adoremos, amemos e sirvamos a Ele só, como a nosso Soberano Senhor [...]. O primeiro Mandamento proíbe-nos a idolatria, a superstição, o sacrilégio, a heresia e todo e qualquer outro pecado contra a religião. Chama-se idolatria o prestar a alguma criatura, por exemplo a uma estátua, a uma imagem, a um homem, o culto supremo de adoração devido só a Deus [...]. Chama-se superstição toda e qualquer devoção contrária à doutrina e ao uso da Igreja, bem como o atribuir a uma ação ou a alguma coisa uma virtude sobrenatural que ela não tem. O sacrilégio é a profanação de um lugar, de uma pessoa ou de uma coisa consagrada a Deus ou destinada ao seu culto". (Terceiro Catecismo da Doutrina Católica, Catecismo Maior de São Pio X, Editora Vera Cruz Ltda, S. Paulo, 1976, pp. 73-74).

2 de novembro de 2019

Episódios da luta contra o aborto

➤  Rodrigo da Costa Dias

Dois grandes eventos em defesa da vida do nascituro inocente ocorreram em São Paulo (SP) no mês de setembro: a “Marcha pela Vida Brasil” e a criação da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida”.

No dia 22 de setembro, grande manifestação contra o aborto iniciou-se na Avenida Paulista. Após um discurso do Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans de Bragança — que falou em nome do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira —, os manifestantes marcharam até a Assembleia Legislativa de São Paulo. 

Os principais objetivos da marcha eram: recordar a importância de proteger a vida inocente, desde a concepção até a morte natural; alertar contra os excessos do STF, que deseja ampliar ainda mais a permissão da prática de aborto no Brasil; e apoiar a aprovação do PL 4754/2016, que criminaliza o ativismo judicial. 

Os membros do Instituto distribuíram um folheto convidando os manifestantes a firmarem uma petição ao Congresso Nacional, a fim de opor obstáculos à agenda abortista. Os interessados podem também assiná-la pela internet, no site www.nascereumdireito.com.br 

*   *   *


Alguns dias depois, em 27 de setembro, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira foi convidado para uma sessão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, destinada ao lançamento da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida”. A sessão foi idealizada pelo Deputado Gil Diniz, escolhido como presidente da recém-criada Frente Parlamentar, e contou com a presença de outros deputados. 

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança foi convidado para compor a mesa, e falou aos presentes. O vídeo de seu discurso pode ser visto no canal do youtube da ALESP: https://youtu.be/k5ebFo_bLY8 

O evento foi realizado no auditório Teotônio Vilela, que anos atrás já fora palco de batalhas em defesa da vida e da família como Deus a estabeleceu. A propósito, o Dep. Gil Diniz lembrou que durante o evento de 2015, enquanto se realizava uma audiência sobre ideologia de gênero, um membro da Ação Jovem do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira foi agredido por uma assessora de um vereador comunista, ligado à esquerda católica. Quando houve a agressão, Gil Diniz foi um dos que se manifestaram contra tal violência da esquerda. O vídeo desse episódio encontra-se em https://youtu.be/yDhJ8VxHdfA

1 de novembro de 2019

FINADOS (2 de Novembro): Algumas frases para reflexão

“A morte vos espera em toda a parte; se fordes prudentes, esperai vós por ela, em todo o lugar” 

(São Bernardo de Claraval) 

“Para o justo não há morte, apenas trânsito; porque, para ele, morrer não é senão passar para a eternidade feliz” 

(Santo Atanásio)  

“Nenhuma meditação é tão imprescindível como a meditação da morte” 

(Sêneca) 

 “Deus lhes enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais morte” 

(Apoc. 21, 4) 

“As almas dos justos estão nas mãos de Deus, e não os atingirá o tormento da morte” 

(Sab. 3, 1)

30 de outubro de 2019

Comunicado: O clamor do povo católico da Amazônia foi desprezado pelos Padres Sinodais

➤  Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Jornalista Nelson Ramos Barreto, 
colaborador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
entregando a petição aos Padres Sinodais em Roma.

No dia 4 de outubro, às vésperas da abertura da Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Amazônica, representantes do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira entregaram oficialmente à Secretaria do Sínodo um “Pedido aos Padres Sinodais: Por uma Amazônia cristã e próspera (não uma imensa ‘favela verde’ dividida em guetos tribais)”

O documento trazia assinaturas de mais de 20 mil moradores da Amazônia brasileira, equatoriana e peruana, coletadas em campanhas públicas nas ruas das principais cidades da Amazônia por jovens voluntários do Instituto durante as férias escolares. 

No entanto, o Documento Final da Assembleia Sinodal simplesmente ignorou as respeitosas solicitações da população amazônica, preferindo atender as demandas da mídia internacional, que promove a psicose ambiental, e a uma minoria de ativistas indígenas levados a Roma pela Rede Eclesial Panamazônica. 

O Documento Final reconhece a influência desse lobby ideológico-publicitário já em seu primeiro parágrafo, em que os Padres Sinodais se felicitam pela “presença notável de pessoas vindas do mundo amazônico, que organizaram ações de apoio em diferentes atividades” e pela “presença massiva dos meios de comunicação internacionais” (Documento Final, nº 1). 
Petição online promovida pelo IPCO 
em apoio aos mais de 20 mil moradores da Amazônia 
que assinaram o “Pedido aos Padres Sinodais: 
Por uma Amazônia cristã e próspera 
(não uma imensa ‘favela verde’ dividida em guetos tribais)”.

Os signatários da petição do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira pediam ao Sínodo que agradecesse a Deus “pela evangelização levada a cabo pelos missionários e pela ação civilizadora dos colonizadores, que trouxeram os benefícios do progresso” (Petição, nº 1). Pelo contrário, os Padres Sinodais denunciaram “a colonização militar, política e cultural” motivada pela “ganância e ambição dos conquistadores” (DF nº 15); consideraram negativa “a influência da civilização ocidental” (DF nº 14); pior ainda, declararam que “frequentemente o anúncio de Cristo foi feito em conluio com poderes que exploravam recursos e populações oprimidas” (DF n° 15), o que é absolutamente contrário à verdade histórica e um insulto aos heróicos missionários, que realizaram uma das maiores epopéias missionárias desde a fundação da Santa Igreja. 

Além disso, os Padres sinodais praticamente renunciaram a converter os nativos ainda pagãos, declarando que “o diálogo ecumênico, inter-religioso e intercultural deve ser assumido como um meio indispensável de evangelização” (DF nº 24) e que a Igreja deve praticar uma “conversão cultural”, limitando o anúncio da Boa Nova a “estar presente, respeitar e reconhecer seus valores, viver e praticar a inculturação e a interculturalidade” (DF n° 41). Os Padres Sinodais são categóricos ao declarar este abandono da missão tradicional: “Rejeitamos uma evangelização de estilo colonialista. Anunciar a Boa Nova de Jesus implica em reconhecer os germes da Palavra já presentes nas culturas. A evangelização que hoje propomos para a Amazônia é o anúncio inculturado que gera processos interculturais” (DF n° 55).

Em vez de ouvir o “grito de angústia diante do perigo de a Amazônia se transformar em uma imensa ‘favela verde’” (Petição IPCO, n. 5), os Padres Sinodais se intrometem indevidamente em assuntos de natureza científica para os quais não têm qualquer mandato divino nem competência técnica (o que representa uma clara manifestação de “clericalismo”). Eles declararam falsamente que o desmatamento “está em quase 17% da floresta amazônica e ameaça a sobrevivência de todo o ecossistema” (DF nº 11); que “a região amazônica é essencial para a distribuição das chuvas nas regiões da América do Sul” (DF nº 6); e que “é urgentemente necessário desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases relacionados às mudanças climáticas” (DF nº 77).


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Além disso, o Documento Final descreve uma suposta “situação dramática de destruição que afeta a Amazônia”, cuja selva estaria “em uma corrida desenfreada em direção à morte”, levando ao “desaparecimento do território e de seus habitantes, especialmente os povos indígenas” (DF nº 2). Isto resultaria da “apropriação e privatização de recursos naturais” e do que chamam de “megaprojetos não sustentáveis”, ou seja, “hidrelétricas, concessões florestais, monoculturas, estradas, hidrovias, ferrovias e projetos de mineração e petróleo” (DF nº 10), resultantes do atual “modelo econômico de desenvolvimento predatório e ecocida” (DF nº 46) e do “extrativismo predatório que responde à lógica da ganância, típica do paradigma tecnocrático dominante” (DF nº 67). 

Para os Padres Sinodais é necessário, pelo contrário, uma “conversão ecológica individual e comunitária que resguarde uma ecologia integral” (DF nº 73), assumindo “uma vida simples e sóbria” (DF nº 17) e “mudando nossos hábitos alimentares (consumo excessivo de carne e peixe / mariscos) com estilos de vida mais sóbrios” (DF n ° 84).

Ao invés de “repudiar energicamente as ideologias neopagãs” que difundem “um conceito distorcido de respeito à natureza” (Petição IPCO, nº 2), o Documento Final do Sínodo afirma a necessidade de preservar “rios e florestas, que são espaços sagrados, fonte de vida e sabedoria” (DF nº 80) e que a vida das comunidades amazônicas “se reflete em crenças e ritos sobre a ação dos espíritos da divindade, chamados de inúmeras maneiras, com e no território, com a natureza e em relação a ela” (DF n° 14). Da mesma forma, o “bem viver” dos povos indígenas (sic!) seria caracterizado por uma existência “em harmonia consigo mesma, com a natureza, com os seres humanos e com o ser supremo, uma vez que existe uma intercomunicação entre todo o cosmos, onde não há nem excludentes nem excluídos. [...] Esta compreensão da vida é caracterizada pela conectividade e harmonia das relações entre água, território e natureza, vida e cultura comunitária, Deus e as diversas forças espirituais” (DF n° 19). 

Ao invés de “repudiar a utopia comuno-tribalista” da Teologia da Libertação (Petição IPCO nº 3), os Padres Sinodais declaram que “a teologia indígena, a teologia de rosto amazônico e a piedade popular já são riquezas do mundo indígena, de sua cultura e espiritualidade” (DF n° 54) e que “eco-teologia, teologia da criação, teologias indígenas, espiritualidade ecológica” devem ser incluídas nos currículos acadêmicos de formação de um sacerdócio com rosto amazônico (DF n° 108). O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira lamenta que, ao invés de abrirem suas almas ao pedido final à Santíssima Virgem no sentido de preservarem a unidade e vocação católica das nações amazônicas, os Padres Sinodais tenham sido mais sensíveis aos eflúvios preternaturais que emanam da figura de Pachamama, presente na sala de aula sinodal e nas cerimônias idólatras de adoração realizadas em sua homenagem nos jardins do Vaticano e na igreja de Santa Maria em Transpontina. E ao se omitirem de lamentar de maneira clara e inequívoca este episódio sem precedentes, eles simplesmente ignoraram o profundo choque que causou nos fiéis do mundo todo.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira espera que, na anunciada Exortação Apostólica pós-sinodal, o Papa Francisco rejeite os erros acima denunciados, bem como a verdadeira revolução eclesiológica preconizada pelo Documento Final do Sínodo ao propor a concessão de extensos ministérios eclesiais oficiais e rotativos a leigos de ambos os sexos, abrir às mulheres os ministérios de Leitorado e Acolitado, e autorizar a ordenação sacerdotal de líderes comunitários casados. 




São Paulo, 30 de outubro de 2019 

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

29 de outubro de 2019

“Todos os deuses dos pagãos são demônios”


Em Roma, durante o Sínodo Pan-Amazônico, Deus e a Santíssima Virgem Maria foram substituídos por ídolos pagãos em algumas celebrações 


➤  Paulo Roberto Campos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 827, Novembro/2019. 

O mundo católico se estarreceu com a “cerimônia” realizada nos jardins do Vaticano, na véspera da abertura do Sínodo Pan-Amazônico, pois se tratou de um ritual indígena de magias para obter curas e outros favores, invocando poderes preternaturais. Muitos a classificaram de “pajelança”, com algumas agravantes: 

Foi realizada na presença do Papa Francisco e de Dom Claudio Hummes, relator-geral do Sínodo e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), além de alguns cardeais, bispos e eclesiásticos. 

Em vez de uma cerimônia religiosa, que poderia ser uma procissão conduzindo uma reprodução da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, tão ligada à conversão dos indígenas, levaram sobre uma canoa, à maneira de um andor utilizado em procissões, uma “adaptação amazônica com traços afros” da imagem que foi denominada pachamama (a “mãe terra”) — divindade cultuada por certas tribos indígenas, sobretudo da região dos Andes, e que mais recentemente está sendo cultuada também por ecologistas radicais; num ato de idolatria, alguns se prosternaram diante da efígie pagã. 



Idolatria na Cidade Eterna 

Antes inimaginável, tal afronta à Santíssima Virgem, destronada e preterida por uma estátua imoral e demoníaca, foi praticada nos jardins do Vaticano. Em seguida ela foi levada sobre os ombros, “em procissão”, à Basílica de São Pedro e a outras igrejas de Roma, enquanto idólatras dançavam e entoavam cânticos fetichistas intercalados com hinos religiosos. Como se essa abominação não bastasse, uma estampa desse ídolo pagão foi colocada no auditório onde se reúnem os padres sinodais. 

No contexto do Sínodo, as ruas próximas ao Vaticano presenciaram também uma paródia da Via Sacra, na manhã do dia 18 de outubro, denominada Via Crucis Amazônica [foto acima]. Exaltou em suas 14 estações equivocados “direitos humanos”, incitou à luta de classes e de raças, e criticou os “abusos da colonização”. Seu encerramento se deu na Praça de São Pedro, com pessoas prosternadas diante da pachamama. Desse evento, sempre com a presença da escultura idolátrica, participaram índios, bispos, sacerdotes e religiosos. Também estiveram presentes Dom Pedro Ricardo Barreto Jimeno, SJ, arcebispo de Huancayo (Peru) e vice-presidente da REPAM. De uma dança dos aborígines, chegou a participar Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), enquanto os índios cantavam, tocavam seus instrumentos musicais primitivos e incensavam os presentes (com a “fumaça de Satanás”). 

À vista dessas irreverências e profanações, nunca é demais relembrar o que está contido na Sagrada Escritura (Salmos 95, 5): “Omnes dii gentium dæmonia” – todos os deuses dos pagãos são demônios. 

Reações justas e necessárias 

Nos jardins do Vaticano, prosternados cultuando a Pachamama 
As “pajelanças” nos jardins do Vaticano, e também diante do Santíssimo Sacramento em igrejas romanas, provocaram viva indignação e justa reação de movimentos e fiéis católicos do mundo inteiro. 

O site LifeSiteNews organizou um abaixo-assinado pedindo ao Vaticano que a Igreja impeça tais atos e faça respeitar o Primeiro Mandamento da Lei Divina: “Eu sou o Senhor, teu Deus [...]. Não terás outros deuses diante de minha face” (Êxodo 20, 2-3). A petição exigia a remoção das imagens da pachamama e outros objetos sincréticos que foram introduzidos em templos católicos de Roma, pois isso confunde os fiéis e os induz ao erro. 

O cacique da etnia Macuxi, Jonas Marcolino, disse ter tomado conhecimento da referida “pajelança”, e observou que, sem dúvida alguma, tratou-se de um ato pagão com todas as características de rituais indígenas da região amazônica. 

Do clero brasileiro, uma reação enérgica foi do bispo emérito de Marajó (PA), Dom José Luiz Azcona, que se manifestou indignado com as “figuras nuas esculpidas de mulheres indígenas grávidas, que aparecem repetidamente no Sínodo da Amazônia e em eventos organizados pela ‘Amazônia Casa Comum’ e pela REPAM”. Classificou as liturgias sincretistas de “motivo de escândalo para toda a Igreja” (cf. LifeSiteNews, 21-10-19).


As três imagens sendo jogadas no rio Tibre
Refletindo a mesma indignação, nas primeiras horas da manhã de 21 de outubro alguns católicos entraram na igreja de Santa Maria em Traspontina, nas proximidades do Vaticano, e retiraram as três estátuas da pachamama que lá estavam expostas num altar. Caminharam em seguida até a histórica Ponte Sant’Angelo, de onde as lançaram no rio Tibre. Os autores se declararam agredidos em sua fé por aqueles objetos anticatólicos, por isso não poderiam ficar indiferentes. 

Foram inúmeros nas redes sociais os comentários elogiosos a esse gesto, corajoso e sumamente simbólico. Muitos comparam a bela atitude de seus autores com a cólera de Nosso Senhor Jesus Cristo, expulsando com um chicote os vendilhões que conspurcavam o lugar santo que era o Templo: “Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões” (Lc 19, 45-46). Um jovem católico comentou: “Eu sou da Amazônia (Belém, PA), e digo com toda autoridade: católicos da Amazônia estão comemorando a destruição do ídolo pagão de ‘pachamama’. Na Amazônia, temos apenas uma rainha: Nossa Senhora de Nazaré, o horror dos pagãos”

Indispensável reparação 

Os ídolos expostos num altar a igreja de Sta. Maria em Traspontina
A fim de se abafar as incontáveis reações, alguns prelados tentaram impingir reinterpretações contraditórias para a imagem da pachamama, como sendo apenas um “símbolo da vida, da fertilidade e da mãe terra”. Por exemplo, Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, disse numa conferência de imprensa que a imagem poderia, entre outras coisas, ser da Virgem Maria. Ninguém acreditou nem aceitou, pois não se sabe o que é pior: a exaltação de uma imagem nua representando Nossa Senhora (um grave ultraje blasfemo contra Ela) ou a idolatria ao ídolo! O próprio Vaticano desmentiu essa reinterpretação de Paolo Ruffini, mas não conseguiu apresentar outra.

Agindo de modo oposto ao dos grandes missionários Nóbrega e Anchieta, a quem o Brasil católico deve seu glorioso passado, os missionários progressistas adeptos da eco-teologia pleiteiam o abandono da ideia de conversão religiosa dos índios, para que se mantenham no paganismo, com seus costumes primitivos, idolatrando ídolos diabólicos, acreditando em superstições e magias dos espíritos malignos, praticando rituais de feitiçarias, canibalismo, infanticídio etc. 


Devemos nos empenhar para oferecer a Deus e à Virgem Santíssima reparação pelos ultrajes desses rituais pagãos. Melhor ainda, empreender todos os esforços para reduzir ao mais completo fracasso o projeto de manter os indígenas em seus costumes primitivos e nos cultos pagãos. Não podemos também admitir a introdução de práticas e rituais do paganismo aborígine mesclados na liturgia católica.

Diante dessa terrível apostasia de uma igreja nova “com o rosto amazônico”, vem a propósito a indagação contida em artigo de Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo”, em 5 de janeiro de 1975, sob o título Quem ainda é católico na Igreja Católica?: “Uma pergunta que, também a propósito da conduta face ao comunismo e de diversos outros assuntos, pode ser feita: quem ainda é católico apostólico romano dentro desse imenso magma de 600 milhões de pessoas — cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos — habitualmente tidos como membros da única e imperecível Igreja de Deus?”.