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11 de fevereiro de 2025

71º milagre ocorrido em Lourdes

 


Recente confirmação da cura, oficialmente reconhecida como milagrosa, do soldado John Traynor, da Marinha Real Britânica.

 

✅  Afonso de Souza

Fonte: Revista Catolicismo, fevereiro/2025

 

John Traynor
com uniforme de marinheiro
No dia 8 de dezembro passado, festa da Imaculada Conceição, Dom Malcolm McMahon, Arcebispo de Liverpool (Inglaterra), comunicou a cura milagrosa do soldado da Marinha Real Britânica, John Traynor, no 81º aniversário de sua morte.

        Esse foi o 71º milagre ocorrido em Lourdes a ser aprovado, depois de o Dr. Alessandro de Franciscis ter pedido, no ano passado, a revisão do caso Traynor, realizada pelo médico inglês Dr. Kieran Moriaty, membro do Comitê Médico Internacional de Lourdes.

Em sua pesquisa, o Dr. Moriaty descobriu várias pastas nos arquivos de Lourdes, que incluíam os depoimentos dos três médicos que naquela época examinaram Traynor antes e depois de sua cura, juntamente com outras evidências.

Isso levou a que o caso de Traynor fosse declarado não explicável pela ciência médica e considerado milagroso pela Igreja.

O arcebispo Dom McMahon declarou: “Dado o peso das evidências médicas, o testemunho da fé de John Traynor e sua devoção a Nossa Senhora, é com grande alegria que declaro que a cura de John Traynor, de múltiplas condições médicas graves, deve ser reconhecida como um milagre realizado pelo poder de Deus por meio da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes.”

         O fato de o Arcebispo de Liverpool declarar depois de tanto tempo que a cura do militar inglês pode ser considerada milagrosa, mostra todo o rigor da Igreja em aprovar um milagre. Para se ter ideia disso, constate-se que o Bureau Médico de Lourdes, encarregado de analisar as possíveis curas tidas por milagrosas, registrou, desde 1905, sete mil curas “medicamente inexplicáveis”. Entretanto, destas, só 70 foram declaradas “milagrosas” pela Igreja.

John Traynor ainda debilitado sobe no trem em Lourdes e desce em Liverpool, após a cura milagrosa, levando sua antiga cadeira de rodas

De família profundamente católica

John Traynor nasceu em Liverpool, em 1883, de mãe irlandesa. Ela faleceu quando ele ainda era jovem. Em seu testemunho apresentado no site do santuário, Traynor afirma que “sua devoção à Missa e à Sagrada Comunhão e sua confiança na Mãe Santíssima permaneceram com ele como uma memória e um exemplo frutífero”. Pois sua mãe era, naquela época, “comungante diária quando poucas pessoas o eram”.

Consequências das batalhas

Em 1940, John Traynor na sua última visita
a Lourdes (no centro)
No início da Primeira Grande Guerra (1914-1918), participando no sítio de Antuérpia como membro da Reserva da Marinha Real, John Traynor foi atingido na cabeça por estilhaços ao tentar carregar um oficial para fora do campo. Recuperando-se rapidamente, voltou ao serviço.

         Em 25 de abril de 1915, ele participou de um desembarque anfíbio nas costas de Galípoli, como parte de uma tentativa mal-sucedida das tropas britânicas e francesas de capturar a península na Turquia ocupada pelos otomanos. Traynor foi dos poucos soldados a chegar à costa naquele primeiro dia, apesar do ataque de fogo de metralhadora pelas forças turcas que estavam no topo de barrancos íngremes junto à praia. Por mais de uma semana ele permaneceu ileso enquanto tentava liderar o pequeno contingente que sobrevivera ao ataque.

Entretanto, no dia 8 de maio o destemido militar recebeu uma rajada de metralhadora na cabeça, no peito e no braço, durante uma carga de baioneta. Seus ferimentos o deixaram com o braço direito paralisado e o tornaram suscetível a ataques epiléticos. Os médicos tentaram várias cirurgias para reparar os nervos danificados em seu braço e tratar dos ferimentos na cabeça que se acreditava serem a causa de sua epilepsia, mas sem sucesso.

         Tendo sido considerado “completa e incuravelmente incapacitado”, oito anos depois da batalha Traynor foi designado para internação em um hospital para incuráveis. Ele, entretanto, ignorando os apelos da esposa, dos médicos e sacerdotes, insistiu em participar da peregrinação de sua paróquia a Lourdes, de 22 a 27 de julho de 1923.

Efeito dos banhos nas piscinas

John Traynor após o milagre
“Levanto sacos de carvão que
pesam quase 100 qauilos”
Nos três primeiros dias da viagem, Traynor esteve gravemente doente. Já em Lourdes, enfrentando a resistência de seus cuidadores, conforme ele afirma em seu depoimento, “conseguiu ser banhado nove vezes na água da piscina da gruta”.

No segundo dia em Lourdes, o militar sofreu um severo ataque epilético enquanto era levado à piscina. Diz ele: “Sangue escorria da minha boca, e os médicos ficaram muito alarmados”. Mas quando tentavam levá-lo de volta ao seu alojamento, Traynor se recusou, puxando os freios da cadeira de rodas com sua mão sadia. Então, afirma ele em seu depoimento, “eles me levaram para o banho e me banharam da maneira usual. Nunca mais tive um ataque epilético depois disso”.

Quando estava na piscina no dia seguinte, sentiu que sua perna direita, até então paralisada, tornou-se “violentamente agitada”, e ele sentiu como se tivesse recuperado o uso dela. Como deveria retornar para a procissão eucarística, os seus cuidadores, que acreditavam que ele estava tendo outro ataque epilético, levaram-no às pressas para a igreja do Rosário.

Lá, quando o Arcebispo de Reims passou por ele com o Santíssimo Sacramento, também seu braço direito foi “violentamente agitado”. Então ele rompeu suas bandagens e fez o Sinal da Cruz, pela primeira vez em oito anos.

Sentindo-se curado, na manhã seguinte Traynor pulou da cama e correu para a gruta. Diante da imagem da Virgem, ele disse: 

“Minha mãe sempre me ensinou quando alguém pede um favor a Nossa Senhora ou deseja mostrar a Ela alguma veneração especial, deve fazer um sacrifício”. Então, continua,“eu não tinha dinheiro para oferecer, pois havia gastado meus últimos shillings em rosários e medalhas para minha esposa e meus filhos. Mas, ajoelhado diante da Mãe Santíssima, fiz o único sacrifício que pude pensar: resolvi parar de fumar”.

Imagem de Nossa Senhora na gruta das aparições


Conclui Madalaine Elhabbal, no artigo em que nos baseamos:

“Na manhã de 27 de julho, Traynor foi examinado por três médicos, os quais descobriram que ele havia recuperado sua capacidade de andar perfeitamente, assim como o uso e a função completos de seu braço e perna direita. As feridas em seu corpo haviam cicatrizado completamente e seus ataques epiléticos cessaram. Uma abertura em seu crânio, criada durante uma de suas cirurgias, também havia diminuído consideravelmente.

“Um dos relatórios oficiais emitidos pelo Bureau Médico de Lourdes em 2 de outubro de 1926 — mais tarde descoberto por Moriarty — afirma que a ‘cura extraordinária de Traynor está absolutamente além e acima dos poderes da natureza’.”1

Traynor teve três filhos após sua cura; deu a uma das filhas o nome de Bernadette. Acredita-se que John Traynor seja o primeiro católico britânico a ser curado em Lourdes, de acordo com o site do santuário.

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Notas:

Healing at Lourdes of British World War I soldier declared ‘miraculous’ By Madalaine Elhabbal Catholic News Agency Dec 10, 2024. https://www.catholicnewsagency.com/news/260945/healing-at-lourdes-of-british-world-war-i-soldier-declared-miraculous?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=catholic_news_healing_at_lourdes_of_british_world_war_i_soldier_officially_declared_miraculous&utm_term=2024-12-10

15 de abril de 2024

Santa Bernadette Soubirous — um conduto de graças


  Paulo Roberto Campos 

Nascida em Lourdes, no Moulin de Boly, no dia 7 de janeiro de 1844, em tal mês celebramos os 180 anos do nascimento de Santa Bernadette Soubirous. 

Aos 35 anos de idade faleceu em Nevers (a 260 km ao sul-sudeste de Paris), no dia 16 de abril de 1879, há exatos 145 anos. 

Seu corpo foi exumado em 1908 e encontrado incorrupto — uma dádiva de Nossa Senhora à sua vidente que foi (e continua sendo) um canal de graças para o mundo inteiro, especialmente para a França e um canal para a confirmação do dogma da Imaculada Conceição. 


O corpo incorrupto de Santa Bernadette (145 anos depois da morte) hoje, numa urna de ouro e cristal, pode ser venerado na capela do Convento de de Saint-Gildard em Nevers [foto acima]. 

Da santa vidente de Lourdes, comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: 

"Nela vemos bem o espírito da verdadeira contra-revolucionária, católica e santa, que não se importa com as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta; e que, por causa disso, despreza as honras e louvores mundanos. Para se ter sobranceria, é preciso não ligar para o mundo". 



Seguem algumas frases de Santa Bernadette; pensamentos de uma simples camponesa, mas repletos de sabedoria: 

“O sacrifício vale mais que a oração.” 

“Minhas armas” são a oração e o sacrifício." 

"Eu sou encarregada de lhes dizer a mensagem, não fazê-los acreditar.” 

“A escrita mais simples será a melhor.” 

“Quando não se quer nada, sempre tem o que precisa.” 

“Quando se pensa que o bom Deus permite, não se reclama.”
Quando lhe perguntaram “Você sofre?”, ela respondeu: “Tudo isso é bom para o Céu”.

11 de fevereiro de 2023

SANTA BERNADETTE — Uma verdadeira contra-revolucionária



✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Vendo fotografias autênticas de Santa Bernadette Soubirous (não as imagens deformadas que existem em algumas igrejas), percebemos um rosto ligeiramente dado ao quadrado, traços regulares e bem feitos, olhos pretos, grandes e com uma certa fixidez hispânica. 

O feitio de espírito dela era taxativo, de dizer as coisas sem rodeios. Educada com muita simplicidade, entretanto tinha muita elevação de alma. Não recebeu certa educação que consiste em dissimular o que se pensa. 

O todo dela era de um desprendimento completo, como quem, no fundo, não pretende ser nada; humilde diante de todo mundo. Mas, no serviço de Nossa Senhora, era exímia. Por exemplo: ela ia para a gruta, por ocasião das aparições, e poderia se envaidecer falando com a Virgem Imaculada diante de uma multidão. Lourdes inteira assistindo. Mas ela não se envaidecia, não dava importância alguma.

Chamada para ser interrogada sobre as revelações, portava-se em relação à polícia com um desassombro e naturalidade extraordinários. Entretanto, em relação aos pais e às pessoas respeitáveis com quem tratava, bem como em relação a seu vigário e à sua superiora religiosa, era um modelo de respeito e obediência. 

Nela vemos bem o espírito da verdadeira contra-revolucionária, católica e santa, que não se importa com as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta; e que, por causa disso, despreza as honras e louvores mundanos. Para se ter sobranceria, é preciso não ligar para o mundo. 

A vida inteira de Santa Bernadette foi motivo de edificação para todos. Quando começava a visão de Nossa Senhora, ela se transfigurava, tornava-se de uma majestade que impressionava todo mundo. Uma senhora da sociedade francesa, que a observou durante uma das visões, disse que nunca viu uma moça da aristocracia que tivesse o porte e a figura de Santa Bernadette. Ou seja, como estava tratando com a Rainha do Céu e da Terra, ela adquiria algo de régio da Rainha. Viam nela um espelho de Nossa Senhora. 
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de abril de 1966. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

10 de fevereiro de 2023

LOURDES — Milagre físico para fazer bem espiritual à alma


N
esse dia 11 de fevereiro celebramos as aparições da Imaculada Conceição a Santa Bernadete Soubirous em 1858, em Lourdes (França), onde os comprovadíssimos milagres não cessam, apesar da descrença dos homens em nossos dias. 

Entre muitos comentários de Plinio Corrêa de Oliveira sobre Lourdes*, destacamos um no qual ele chama a atenção para um aspecto fundamental: que os milagres físicos são operados por Nossa Senhora visando fazer um bem ainda maior, que é o espiritual, o bem às almas. 

Foto: Michael Gorre

"As piores doenças, os maiores males, os sofrimentos mais horrorosos, Nossa Senhora pode curar. Em Lourdes Ela tem eliminado as leis mais inflexíveis da natureza e vence tudo. Opera milagres, por exemplo, de fazer uma pessoa enxergar sem ter o nervo ótico, tal é seu domínio sobre a natureza. 

Tudo isso mostra que todas as graças vêm por meio d'Ela, que é a Rainha do Céu e da Terra. Certas pessoas, sobretudo de outras religiões, dadas a pedir favores materiais, desdenham as graças e os favores espirituais, e se impressionam muito com as graças de Lourdes. 

Elas não compreendem que os favores materiais que Deus dá são para salvar as almas, a fim de que elas desejem os favores espirituais, as graças para a alma. É por aí que verdadeiramente Deus atrai as almas para Ele. 

Não se pense que a cura de Lourdes é só porque Nossa Senhora tem pena do homem que é capenga, que é coxo. Ela tem pena dos aleijados, é claro, e quer curá-los. Entretanto, muito mais do que isto, Ela quer fazer bem às suas almas. 

Serve-se de um milagre físico para fazer bem espiritual à alma, não apenas deles, mas também de outros que tomem conhecimento do prodígio. Um desses bens é uma grande fé na verdade de que Ela é medianeira de todas as graças. 

Por exemplo, uma pessoa reza, pedindo proteção contra a dor de garganta. Nossa Senhora pode livrá-la da dor, sobretudo nos casos em que a dor poderia não a conduzir à salvação. Às vezes, uma dor de garganta, e males piores, podem fazer bem espiritual para muita gente. Se não houvesse doença na Terra, o inferno estaria muitíssimo mais cheio. Portanto, não é qualquer doença que Nossa Senhora cura". 

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*Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 4 de fevereiro de 1965. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

10 de fevereiro de 2022

LOURDES E O FUTURO DOGMA


 

✅ Plinio Corrêa de Oliveira

Muito se poderia dizer a respeito da devoção a Nossa Senhora de Lourdes, mas um dos aspectos insuficientemente acentuado — verdade fundamental para o Reinado de Maria — é Ela enquanto Medianeira de todas as Graças. 

Pela sua própria natureza humana, Nossa Senhora não tem mais poder do que nós sobre os astros, sobre os homens. Ela está infinitamente abaixo de Deus, mas Ele a estabeleceu como Rainha de todos os anjos, santos, homens, de todo o mundo material e, ao mesmo tempo, dominadora terribilíssima e completa sobre o demônio. Para isso Ela precisa obter as graças de Deus. 

Nas aparições de Lourdes pode-se estudar a presença da ideia da mediação universal das graças e do Reinado de Maria. Isso de modo especial se pode dizer debaixo de um título: Nosso Senhor Jesus Cristo desejou essa fecundidade de milagres operados no santuário de Lourdes. 

Na França, por exemplo, há um outro santuário magnífico consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, que é o Santuário de Paray-le-Monial, onde Nosso Senhor fez suas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque. 

Ele poderia perfeitamente fazer com que essa abundância de milagres se desse lá. Poderia fazer o mesmo em todos os santuários do mundo consagrados a Ele, mas não foi o que aconteceu. Ele estabeleceu que a maior fonte de milagres na História da Igreja e do mundo fosse num santuário consagrado a Nossa Senhora. 

Nosso Senhor desejou que aquelas curas todas só fossem obtidas sob a égide de sua Mãe Santíssima, depois de uma aparição d'Ela, como uma graça e mediante um pedido feito por Ela. Ele quis que todas aquelas curas estupendas passassem pelas mãos d'Ela. 

Ele assim desejou também para documentar o papel de Nossa Senhora enquanto mediadora universal de todas as graças — que ainda não é dogma, mas é uma verdade. Tudo isso para ajudar os homens a compreender bem até que ponto Ela pode nos alcançar tudo. 


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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 4 de fevereiro de 1965. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

12 de maio de 2021

Nas fontes de Fátima, uma Lourdes portuguesa

 

A fonte milagrosa em 1922

Na Cova da Iria, a fonte de águas operou curas espirituais e corporais extraordinárias. Os milagres em Lourdes são principalmente físicos, mas em Fátima Nossa Senhora distribui também abundantemente graças espirituais e conversões. 


✅  Paulo Roberto Campos

A conversão dos pecadores foi pedida com veemência pela Santíssima Virgem em Fátima, em 1917. Insistiu no recurso à oração e penitência, a fim de que a humanidade se convertesse e retomasse o reto caminho do qual tinha se desviado. Se tal não acontecesse, Deus mandaria terríveis castigos para punir a humanidade. Em 13 de julho de 1917, Ela revelou aos três pastorinhos que, se os homens não se convertessem, “várias nações seriam aniquiladas”.[1]

Transcorreram 104 anos, e o mundo não se converteu, continua sua corrida louca de ofensas a Deus. Apenas alguns exemplos: modas e costumes imorais, drogas, aborto, eutanásia, divórcio, ideologia de gênero, ‘casamento’ homossexual. E a avassaladora crise religiosa, que levou Paulo VI a declarar que a Igreja estava sendo vítima de um misterioso “processo de autodemolição” (alocução de 7-12-68). Hoje ninguém ousaria dizer que os pedidos de Nossa Senhora foram atendidos. 

Pandemia – um flagelo nas mãos de Deus? 

Há mais de um ano padecemos males físicos, psicológicos e espirituais decorrentes da atual pandemia, que a partir da China vermelha assola todas as nações. Não seria essa tragédia universal um prenúncio dos passos de Deus que se aproximam? A Santíssima Virgem exortou pela conversão; como não foi atendida, poderá punir com o ‘aniquilamento das nações’. Ficaremos surdos e indiferentes a tudo isso? 

Deus bem pode fazer uso de um flagelo oriundo dos próprios homens, para punir o gênero humano descristianizado, como parece ser o caso da presente pandemia. Em certo sentido, pode-se dizer que estamos dentro de uma ‘grande guerra mundial’ — não com armas de fogo, mas com armas biológicas, bacteriológicas e psicológicas. Nessa guerra, governos e tribunais despóticos decretam a seu bel-prazer o que nos proíbem ou autorizam: confinam famílias, fecham escolas e o comércio, produzem o desemprego e a fome; e num cúmulo de autoritarismo incontido, fecham igrejas e cerceiam a liberdade de praticarmos livremente a Religião. 

Nesse quadro dantesco estão imersas todas as nações, confirmando a suma importância da Mensagem de Fátima — uma mensagem de tragédias e esperanças, como temos ressaltado em nossas páginas. Ver por exemplo, em nossa edição de maio de 2017, o artigo “Na Cova da Iria, a Rainha do Céu adverte a humanidade e anuncia o seu Reinado na Terra”

Às tragédias, já nos referimos acima. Quanto às esperanças, repetimos que após os terríveis castigos anunciados em 1917 triunfará o Imaculado Coração de Maria, como Ela prometeu. Será a restauração da Civilização Cristã em seu maior esplendor.

Em 1918, Hospital militar, em Camp Funston, Kansas (EUA), atende soldados contagiados pela ‘gripe espanhola'

Na ‘gripe espanhola’, aproximadamente 50 milhões de mortos 

De passagem, lembremo-nos de que no ano seguinte às aparições de Nossa Senhora — no final da Primeira Guerra Mundial, cujo término Ela previra — houve uma virulenta pandemia: a ‘gripe espanhola’. Esta devastou várias nações, provocando mais mortes do que a própria guerra. Nos anos 1918 e 1919, dizimou aproximadamente 50 milhões de pessoas e infectou mais de um terço da população mundial. Incluem-se entre suas vítimas Francisco e Jacinta, dois dos videntes de Fátima, hoje canonizados, que faleceram em 4 de abril de 1919 e 20 de fevereiro de 1920, respectivamente. 

Fátima, magnífica e milagrosa fonte de salvação 

Este mês, em que celebramos a primeira aparição da “Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol”, ocorrida em 13 de maio de 1917, é uma ocasião especial para nos voltarmos a Ela, suplicando seu socorro em meio aos incontáveis sofrimentos dos presentes dias pandêmicos. Assim, trataremos de um aspecto de Fátima propício para o atual momento, mas pouquíssimo conhecido até mesmo por estudiosos do tema, pois tem sido muito silenciado e boicotado. 

Por várias razões, pode-se afirmar que Fátima é a Lourdes de Portugal. Uma delas é que, assim como na Gruta de Massabielle surgiu milagrosamente uma fonte, na Cova da Iria o mesmo ocorreu; e as fontes foram várias. Quase não se fala delas, por isso apresentaremos a seguir um pequeno histórico. 

Com a expansão da devoção a Nossa Senhora de Fátima, nos anos que se seguiram às aparições, aumentou muito o afluxo de peregrinos à Cova da Iria. Sobretudo no dia 13 dos meses de maio a outubro, romarias provinham de muito longe para suplicar graças, recordar e agradecer as aparições da Santíssima Virgem, em número até maior que o dos peregrinos de Lourdes. Temos notícia de que, num só dia de 1926, o local foi visitado por aproximadamente 400 mil fiéis, como está registrado na “Documentação crítica de Fátima – Seleção de documentos (1917-1930)”: 

“As peregrinações de Fátima são mais imponentes e significativas que as de Lourdes. Em Fátima juntam-se num só dia muito mais pessoas do que habitualmente se juntam em Lourdes, apesar de todo o conforto e comodidades que a pequena cidade dos Pirineus oferece aos peregrinos. Nunca em Lourdes se viu tanta gente reunida, como se vê em Fátima, principalmente no dia 13 de maio. Dizem que no ano passado [1926] deviam estar lá cerca de 400.000 pessoas” (p. 331).[2] 

A mesma documentação registra: “Se o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes é, por antonomásia, o santuário dos milagres físicos, das curas das doenças de toda a espécie, de que se enferma a pobre humanidade, pode dizer-se com verdade que o Santuário de Nossa Senhora de Fátima é, por excelência, o Santuário das conversões e das graças espirituais. Apesar do segredo que envolve estas ressurreições mais belas e mais admiráveis do que a de Lázaro, quando saiu do sepulcro à voz portentosa do Senhor, que o chamava de novo à vida, não há quem não conheça o movimento consolador de confissões, incessante e intenso, que se realiza em Fátima, principalmente no dia 13 de cada mês” (pp. 471 e 472).[3] 

Brotaram águas a poucos passos da azinheira 

Fontanário de Fátima, em 1928

Devido a esse exponencial afluxo de peregrinos, tornou-se urgente e absolutamente indispensável dispor de água em abundância para atender à sede de tanta gente. Mas Fátima está localizada num terreno desértico, calcário, nada propício às fontes de água, e o local era distante de residências, tornando muito difícil essa tarefa. Como dessedentar, portanto, centenas de milhares de peregrinos? 




Precisava-se de água também para outras atividades correlatas: para necessidades higiênicas dos peregrinos; para construção e ampliação de hospedarias a fim de recebê-los dignamente; para construir albergues para os enfermos; para os animais que conduziam os peregrinos etc. 

Os próprios habitantes daquela região agreste — Cova da Iria, Aljustrel e proximidades — se debatiam havia muito tempo com a dificuldade de obter água. Tão crônica era a carência do precioso líquido, que se viam obrigados a recolhê-lo dos telhados e guardá-lo em cisternas, quando chovia. 

Mas a Virgem de Fátima já havia pensado nessa dificuldade, a julgar pelo que registra Thomas Walsh em seu extraordinário livro sobre Fátima: “Em novembro do mesmo ano [1921], mandou ele [o bispo] abrir um poço nas proximidades da Capela [das aparições] a fim de recolher as águas da chuva para o serviço dos peregrinos. Ficou profundamente impressionado quando jorrou do solo pedregoso uma água cristalina, tão abundante que chegou a encher trinta e seis barris. Continua até hoje a abastecer os camponeses das redondezas, e é fonte de saúde para inúmeros doentes”.[4]

Tal prodígio aconteceu no dia 9 de novembro de 1921, após uma missa celebrada na “Capelinha das Aparições” por D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria. Por uma inspiração providencial, ele mandou explorar o solo do local das aparições e abrir um poço. Os técnicos e operários eram céticos, pois conheciam bem o terreno. Mas, por obediência ao Senhor Bispo, começaram a cavar o solo. E a surpresa não demorou: as águas brotaram abundantemente a poucos passos da azinheira sobre a qual a Santíssima Virgem aparecera a Lúcia, Jacinta e Francisco. 

Alguns, chorando de alegria, exclamaram: “É um milagre! Isso não tem explicação natural!”. Os que ainda duvidavam das aparições na Cova da Iria, depois disso ficaram convencidos da sua veracidade. Acreditaram por causa da fonte de água, mas Aquela que fizera surgir essa água já havia operado um milagre ainda maior, naquele mesmo lugar, no dia 13 de outubro de 1917: “O sol ziguezagueou pelo céu”, diante de aproximadamente 60 mil fiéis. “O sol bailou em Fátima”, diziam os camponeses. E o “Milagre do Sol” foi noticiado pelo jornalista Avelino de Almeida no jornal “O Século” (15 de outubro de 1917) com o título “Coisas espantosas! Como o sol bailou ao meio dia em Fátima”.[5]

A água jorrou milagrosamente no dia 9 de novembro de 1921, após a missa celebrada na “Capelinha das Aparições” pelo Bispo de Leiria. Na foto, à esquerda, o fontanário (encimado pela coluna com a imagem do Sagrado Coração de Jesus) com as bicas de água perto da antiga capelinha.

O ‘antídoto celestial’ do ‘cantinho do Céu’ 

Em 1922, com o incremento das multidões de peregrinos, D. José Alves ordenou cavar mais dois poços, um de cada lado da fonte primitiva; e, uma vez mais, a água cristalina jorrou copiosamente, enchendo rapidamente um grande reservatório construído de concreto. Alguns habitantes que assistiram ao evento atestam que aquilo não aconteceria sem uma ação sobrenatural. Com esse renovado milagre, a dificuldade hídrica estava sanada, tanto para os peregrinos quanto para as construções projetadas. 

Sem nenhuma propaganda, no entanto, começou-se a perceber que aquelas águas estavam produzindo curas corporais e espirituais. Assim, os peregrinos levavam para suas casas garrafas com aquele ‘antídoto celestial’ colhido nas fontes benditas, a fim de o ministrarem aos enfermos que não tinham condições físicas ou econômicas de se deslocarem até aquele lugar sacrossanto. Garrafinhas daquela água eram expedidas por correio para outros recantos de Portugal, e até para o Brasil. Na época, pensou-se em construir tanques com aquelas abençoadas águas — como as célebres piscinas existentes em Lourdes — para os enfermos se banharem individualmente. Mas nunca isso foi concretizado... Por quê? Não se tem conhecimento de explicação para essa manifestação de evidente incredulidade, mas voltaremos ao assunto. 

O que se construiu no local das fontes foi um monumento ao Sagrado Coração de Jesus, cuja coluna está no cento de um grande reservatório dotado de 15 torneiras em honra dos 15 mistérios do Santo Rosário. O precioso líquido era distribuído gratuitamente por voluntários, que não podiam receber gorjetas. 

“A água da fonte miraculosa é levada pelos romeiros ou expedida pelo correio para todos os recantos do país. O concurso de peregrinos ao Santuário das aparições intensifica-se de ano para ano, e todos aqueles que vão a Fátima uma vez anseiam por lá voltar mais vezes, sendo aquela viagem a única que não cansa o espírito, e que produz sempre sensações novas e inolvidáveis. Fátima, a Lourdes portuguesa, é verdadeiramente um cantinho do Céu, que fascina todas as almas e prende e cativa todos os corações”.[6]

Alguns golinhos da água de Fátima 

A título de exemplo, reproduzimos o relato de um dos inúmeros milagres comprovados, operados pelas águas das fontes de Fátima em pessoas que se encontravam entre a vida e a morte. O leitor encontrará outros relatos nas páginas finais desta matéria.

“Teresa de Jesus Martins, de 19 anos, casada, residente em Lisboa na Avenida das Cortes, contraíra uma tuberculose pulmonar, com fortes hemoptises, que deixaram alarmada a família. Os médicos prescreveram-lhe os tratamentos de praxe, inclusive a saída de Lisboa, e tentaram até interná-la no Sanatório de Portalegre. 

“Por fim, internada no pavilhão de tuberculosos nº 5 do Hospital do Rego, no Campo Grande, impossível foi acomodar-se ali à vida de hospitalizada. Tinha chegado a um estado de extrema fraqueza e de palidez cadavérica. 

“Entretanto, tendo-lhe sido dado um frasquinho com água da Fátima, ao mesmo tempo que lhe davam a conhecer as curas extraordinárias operadas por Nossa Senhora, sentiu tão grande confiança n’Ela, que, debulhada em lágrimas, se pôs a invocá-La, fazendo-Lhe várias promessas para o caso em que se curasse. 

“Todos os dias, e cada vez com mais fervor, renovava as suas súplicas, recitando o terço e tomando desde o primeiro dia algumas gotas da água. À medida que bebia um golinho e fazia as costumadas orações, as pontadas desapareciam quase por encanto, sentia-se aliviada e bem disposta. Nunca deixou de rezar o terço, o que alguns dias fez duas e três vezes. 

“Pouco depois haviam passado as hemoptises. Ao cabo de três semanas desapareceram as pontadas, e no fim de um mês estava completamente curada. O médico, ao vê-la pouco depois tão transformada, forte, gorda, corada e aparentando uma saúde esplêndida, não pôde dissimular sua surpresa. Observou-a com toda a atenção e declarou-lhe que, tendo-a julgado perdida, achava-a agora completamente curada. O que reputava inexplicável, quer se considerasse o estado desesperado em que a vira, quer a rapidez com que se efetuara a cura. 

“Eis o atestado assinado pelo distinto clínico de Lisboa, a 15 de janeiro de 1923, e devidamente reconhecido: 

‘Atesto que a Sra. Dª. Teresa de Jesus Martins, de 19 anos de idade, natural de A-dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, foi por mim tratada em junho e julho de 1922, de tuberculose pulmonar com hemoptises, febre vesperal, emagrecimento, suores noturnos; hoje não subsistem sinais clínicos dessa doença. E por ser verdade, passo o presente que assino e juro pela minha honra’” (Voz de Fátima, nº 8).[7]

Maledicências, boatos e perseguição anticatólica 

Como não poderia deixar de ocorrer, os inimigos da Igreja não conseguiam presenciar tal
Na frente o Fontanário, e no fundo o início
da construção da futura basílica

prova do amor de Deus, de fé e devoção à sua Santa Mãe, sem se organizarem para espalhar boatos e promover perseguições aos católicos. 

A título de exemplo, eis um caso: certo dia, o administrador de Vila Nova de Ourém, Antônio de Sá Pavilom, acompanhado de um subdelegado de saúde, apareceu na casa do Pe. Agostinho Marques Ferreira, Pároco de Fátima, a fim de examinarem nas fontes as “águas barrentas com pedaços de algodão ensopados em sangue, porque ali iam vários peregrinos cobertos de chagas, lavar as suas feridas”

Após o ‘exame’, o administrador mandou fechar aquelas fontes, dizendo que “era prejudicial à saúde pública”. Ao que o Pe. Agostinho respondeu que, apesar do que diziam das águas, “não constava que ninguém tivesse morrido, nem tampouco adoecido, por a ter ingerido. Mas, ao contrário, muita gente dizia ter-se curado de várias enfermidades depois de beber tal água”.[8]

Mesmo com os milagres, continuava o murmúrio dos ateus 

Noutra ocasião, como os fiéis continuavam a fazer uso daquelas águas milagrosas, o administrador e o médico voltaram à porta do Pároco de Fátima, alegando terem ouvido falar que “as águas do fontanário estavam envenenadas”. O Pe. Agostinho os acompanhou até lá e retirou um balde cheio daquela água. Viram que era puríssima, e o médico foi obrigado a confessar que era potável. 

Com o tempo, o administrador passou de perseguidor a ajudante dos romeiros que chegavam a Fátima. Ele pôde constatar a falsidade de tudo quanto seus ‘amigos’ ateus e anticlericais espalhavam contra os prodígios operados pelas águas da Cova da Iria. “Isto já parece ser realmente um milagre, pois que hei-de dizer duma água em tal estado que não faz mal a quem a bebe, mas até cura tantas e tão grandes enfermidades?”.[9] 

Mesmo com milagres evidentes e curas inexplicáveis para a ciência, comprovadas por diversos médicos, o complô anticlerical continuou espalhando pela imprensa liberal da época que aquelas águas estavam contaminadas de micróbios. O ódio anticatólico era tal que, no dia 6 de março de 1922, a Capelinha localizada ao lado da bendita azinheira foi destruída por quatro bombas. 

Por que tanto ódio contra Nossa Senhora, se Ela só fazia o bem aos enfermos de alma e de corpo? Seus adversários a odiavam porque Ela distribuía ali abundantes graças para Portugal e o mundo, operava inúmeras curas, convertia muita gente que vivia fora da Igreja e/ou atolada na vida pecaminosa, além de reconfortar numerosos sofredores. 

A água maravilhosa levada para terras distantes 

Com o título “As fontes miraculosas de Fátima”, o site www.pliniocorreadeoliveira.info transcreve um precioso documento e uma bela oração, relativos às águas do abençoado fontanário da Cova da Iria: 

A leitura da obra Novos esplendores de Fátima, de autoria do Padre Valentim Armas C.M.F. (Editora Ave Maria, 1944, São Paulo, págs. 209-212) foi recomendada pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em artigo de 8 de abril de 1945 no Legionário, como sendo da mais absoluta necessidade para o mundo contemporâneo: 

“Nos dias de grande romaria, logo depois da primeira missa campal, uma multidão inumerável fervilha desde manhã cedo e estaciona no local da fonte miraculosa, na ansiedade irreprimível de fazer provisão da água benéfica e salutar. 

“A forma circular da fonte prodigiosa facilita bastante a aquisição do precioso líquido que jorra copiosamente por 15 grandes torneiras de metal amarelo, que simbolizam pelo seu número os 15 mistérios do Santíssimo Rosário. 

“Algumas torneiras, porém, só podiam ser utilizadas por aqueles fiéis que se limitam a beber água no próprio local onde ela é fornecida. A ligeira impaciência dos mais apressados é facilmente contida pelos servitas, que regulam, ao mesmo tempo com prudência e firmeza, o difícil acesso às torneiras. 

“O aprovisionamento da linfa maravilhosa dura horas compridas, intermináveis, desde as primeiras da manhã até as últimas da tarde. Os peregrinos enchem recipientes de todos os tamanhos e de todos os feitios, que levam consigo para as suas terras distantes, com a fagueira esperança de provocar, mediante a aplicação da água, a cura de alguma pessoa da família ou de amizade, ou ao menos proporcionar um pouco de lenitivo aos seus sofrimentos. 

“Não têm conta os casos de curas maravilhosas atribuídas à água da fonte miraculosa de Fátima. Correndo os olhos pela seção de graças, registradas no último número da ‘Voz de Fátima’ que temos em mão, é fácil constatar que, em quase todas elas, a intervenção sobrenatural opera-se, as mais das vezes, mediante a aplicação ou uso da água miraculosa”.[10]

Em continuação da matéria acima, o leitor poderá ler no referido site alguns outros exemplos comprovados de milagres operados em Fátima. Transcrevemos desse mesmo excelente site a oração reproduzida no final deste artigo. 

Prosseguem as graças abundantes da ‘Lourdes portuguesa’ 

Apesar de todas essas maravilhas operadas pelas águas brotadas nas fontes milagrosas, e sob o pretexto de uma terraplanagem e outras construções na Cova da Iria, por algum mistério inexplicável o manancial com as 15 torneiras ficou soterrado. Restam hoje apenas vestígios, e nem isso se divulga. O peregrino que ali chega não o percebe, apesar de o manancial não ter secado nem mesmo em tempos de severa estiagem na região.

Por que essa sabotagem? Fato incompreensível, pois os milagres ocorreram como nas milagrosas águas de Lourdes. Deveriam ser divulgados ao máximo, no entanto são sabotados. Procura-se assim ‘sepultar’ uma imensa graça concedida pela Senhora de Fátima a Portugal e a todas as nações. Estes e muitos outros ‘boicotes’ inexplicáveis parecem fazer parte do processo de autodemolição da Santa Igreja, que se intensificou muito a partir do Concílio Vaticano II. 

Por mais empedernidos e radicais que sejam os sabotadores, e por mais trágica e grave que seja a crise na Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima estão infinitamente acima de todos esses desmandos. Aconteça o que acontecer, continuará a ‘Lourdes portuguesa’ a derramar abundantemente suas graças; a nos incentivar à fidelidade e à conversão; a operar curas espirituais e corporais; a confortar aqueles que sofrem perseguição dos inimigos velados ou declarados d’Aquela que a Tradição católica venera como corredentora do gênero humano, e que instaurará seu Reinado sobre toda a face da Terra.

OBS.: Amanhã, 13 de maio, publicaremos a segunda parte desta matéria com relatos de curas comprovadas e reconhecidas como inexplicáveis pela medicina.
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Notas: 
1. Um caminho sob o olhar de Maria - Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, p. 64. 
2.https://www.fatima.pt/files/upload/fontes/F001_DCF_selecao.pdf
3. Id. Ib. 
4. William Thomas Walsh, Nossa Senhora de Fátima, Edições Melhoramentos, 1947, São Paulo, SP, 1949, p. 182. 
5. Catolicismo, Nº 802, outubro/2017. 
6. Documentação crítica de Fátima - Seleção de documentos (1917-1930), p. 470. 
7. Pe. José de Oliveira Dias, S.J., Florilégio Ilustrado da Fátima, Oficinas Gráficas PAX, Braga, Portugal, Edição da Sociedade Brasileira de Educação, 3ª. edição, 1952, p. 12-13. 
8. Pe. António Maria Martins, S.J., Novos Documentos de Fátima, Edições Loyola, São Paulo (SP), 1984, pp. 134-135. 
9. Id. Ib. p. 138. 
10. https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Fatima_fontes_milagrosas.htm#.YG4_1ehKiUk 

Da fonte das águas milagrosas de Fátima,
 pode-se apreciar uma das torneiras que restaram
[Foto: Miguel Angel Gutiérrez]

ORAÇÃO 

Ó amada Rainha e excelsa Senhora do Rosário de Fátima! 

Esta fonte milagrosa, que Vós fizestes brotar um dia ao pé da azinheira sagrada, é símbolo expressivo do vosso Coração materno manifestado ali, em Fátima, como penhor seguro de paz e salvação para a humanidade. 

Fonte de vida é o vosso Coração Imaculado, ó Senhora, porque dele nasceu para nós Aquele que é nosso caminho, verdade e vida, Jesus Cristo. 

Fonte aberta sois Vós, ó benditíssima Virgem, da qual fluem os rios de vossas graças e liberalidades. 

Fonte sempre aberta para os justos, pelos eflúvios da vossa caridade; e para os pecadores arrependidos, pelas águas de vossa compaixão e misericórdia. 

Vós sois aquela fonte de que nos fala o Gênesis (2, 6), pois assim como aquela era abismo de muitas águas, da qual nasciam outras fontes, assim Vós sois abismo de muitas graças para todos os que vos invocam. 

Sois ainda, ó Virgem benigna, a fonte selada apregoada no Cântico dos Cânticos (4, 12), onde esteve por nove meses oculta a Humanidade santíssima do Filho de Deus. 

Vós sois aquela fonte de Siloé, cujas águas correm silenciosas e por intervalos, à maneira como correm vossos favores, consoante a vossa vontade. 

Salve, Maria, fonte de graça, piedade e misericórdia; manancial inexaurível de doçura e clemência. 

Fazei-nos ouvir aquelas doces palavras que um dia proferiu vosso Filho: Vinde a mim, todos os que tendes sede. Eu sou a fonte de águas vivas que jorram para a vida eterna. 

Afastai-nos dessas águas lodosas do pecado, que se precipitam no abismo, e guiai-nos para essas outras que desalteram e acalmam, que curam e ressuscitam. 

E regai com as águas puras e cristalinas de vossa graça a terra seca e árida de nossos corações; lavai as manchas de nossa alma, a fim de sermos dignos de seguir nessa nossa peregrinação, e depois possuir por toda a eternidade o vosso amado Filho, fonte viva e indefectível de todo bem. 

Deixai-nos proclamar com vosso amado servo São Metódio: “Fonte de propiciação de Jesus Cristo para com o gênero humano, rogai por nós” – Fons propiciationis Filii erga genus humanum, ora pro nobis.* 
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*https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Fatima_fontes_milagrosas.htm#.YG4_1ehKiUk

11 de fevereiro de 2021

CURAS INEXPLICÁVEIS, MAS COMPROVADAS


Bureau médico de Lourdes demonstra com todo rigor, exatidão e seriedade quando as curas são consideradas milagrosas


✅ Fonte: Revista Catolicismo, Nº 842, Fevereiro/2021

O médico italiano Alessandro de Franciscis [foto] — membro da Associação Médica Internacional de Lourdes, primeiro presidente não francês desse Bureau, há 11 anos à frente do Laboratório de Constatações Médicas — começou a se interessar aos 17 anos pelos milagres ocorridos em Lourdes, quando se apresentou como voluntário. Numa entrevista para a revista australiana The Record* (6 de fevereiro de 2020), ele descreve o processo no laboratório para julgar os casos apresentados como medicamente inexplicáveis e tidos como milagrosos. 


“Eu gosto de dizer que sou o único médico de que as pessoas realmente não precisam, porque elas só vêm a mim quando estão curadas [...]. Tenho sido muito privilegiado com o que vejo, e a parte mais interessante e emocionalmente impactante do meu trabalho é ouvir relatos muito íntimos e pessoais de vidas e histórias que mudaram completamente por causa de Lourdes. 

“Às vezes alguém me pergunta qual foi a cura mais espetacular que presenciei, ou a coisa mais linda que aconteceu em Lourdes. Mas, na verdade, acho que a coisa mais espetacular aqui é encontrar outros seres humanos de diferentes culturas e continentes, com diferentes línguas, e descobrir que, pela generosidade de Nossa Senhora de Lourdes, suas vidas, independentemente da cura, mudaram radicalmente. Porque foi aqui em Lourdes que descobriram o amor maternal de Maria, a Mãe de Jesus [...]. 

“O Bureau foi fundado com a ideia de recorrer à Medicina, e pedir aos médicos seu julgamento e avaliação antes mesmo de iniciar qualquer análise religiosa e canônica de um possível milagre [...]. 

“Em 2019 recebemos mais de quatro mil médicos, que passaram algum tempo em Lourdes e nos informaram que estavam dispostos a colaborar no estudo, discussão e alteração de expediente de supostas curas. Com este método de estudo colegiado, estudamos cerca de 7.500 casos desde a fundação do Bureau, usando a partir de 1905 o mesmo método da Congregação Romana para as Causas dos Santos. 

“Os sete critérios foram formulados pelo então cardeal Lambertini, arcebispo de Bolonha (posteriormente Papa Bento XIV), em sua importante obra conhecida como De Servorum Dei Beatificatione et Beatorum Canonizatione (Sobre a beatificação dos Servos de Deus e a canonização dos bem-aventurados), que também descreve as maneiras de reconhecer uma cura como potencialmente milagrosa.” 
Os membros do Laboratório de Constatações Médicas entrevistam Catherine Lapeyre, curada milagrosamente de um câncer na língua, em 1889. Quando esteve em Lourdes, ela lavou sua boca com água da fonte.

Exclusivamente provas de curas inequívocas 

A seguir, os sete referidos critérios indispensáveis para se registrar como milagrosa alguma cura em Lourdes:** 
“1 – Primeiro, é preciso saber de que enfermidade padecia o doente. Quer dizer, é obrigatório apresentar um diagnóstico seguro da doença da qual se foi curado. 

2 – Se o prognóstico (evolução que cabia esperar da doença) era grave. Não se analisam casos leves. 

3 – A cura deve ter ocorrido de forma inesperada, sem sinais premonitórios. Quer dizer, não pode ter sido ‘aos poucos’. 

4 – A cura deve ter sido instantânea. 

5 – A cura tem que ter sido completa. 

6 – Ela tem que ter sido duradoura. Passados os anos, não se pode detectar a enfermidade. Por isso é necessário esperar antes de se aprovar o milagre. 

7 – Finalmente, temos um sétimo e último critério. Se tivermos todos os itens acima, precisamos saber se existe alguma explicação médica possível para a cura. 
“Em alguns casos, encontramos uma explicação. Ela ocorre com o enorme número de pessoas que vêm reivindicando a cura do câncer, por exemplo, mas podemos descobrir que elas fizeram algum tipo de tratamento – como imunoterapia, quimioterapia, radioterapia, e assim por diante [...]. 


“Mas existem outros casos raros em que podemos chegar a definir uma cura como inexplicável de acordo com os conhecimentos médicos atuais; é o que basicamente chamamos na medicina acadêmica de regressão espontânea de uma doença grave, onde temos a certeza de que a pessoa adoeceu de uma doença conhecida, e foi curada de uma forma para a qual não temos explicação. Entretanto isso não quer dizer que todas as outras curas que ocorrem não possam ser milagres. Mas para uma cura ser oficialmente declarada milagrosa, absolutamente todas as explicações científicas possíveis devem ser excluídas. 

“Trabalhando com esse método, milhares de casos foram estudados, e mais 63 foram então reconhecidos como milagrosos, junto com os primeiros sete reconhecidos pelo bispo no momento das aparições. O último foi em 11 de fevereiro de 2018, para perfazer um total de 70 casos oficialmente declarados como milagrosos [...]. 

“Considero que temos uma grande necessidade, na comunidade cristã e na Igreja Católica, de redescobrir a relevância da experiência de sofrer doenças, e do conforto e apoio que nossa fé católica pode dar a isso [...]. 

“Na minha experiência, estamos de alguma forma esquecendo a poderosa mediação que Jesus pode dar, e a importância dos Sacramentos como a Unção dos Enfermos. Portanto, creio que Lourdes ainda está aqui para ensinar isso, e continua a ser um lugar onde os peregrinos com alguma doença se sentem bem-vindos como convidados de honra”. 
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* https://therecord.com.au/news/feature/mixing-faith-and-science-behind-the-miracles-at-lourdes/ 
** https://www.religionenlibertad.com/cultura/724885355/lourdes-curacion-milagrosa-exigentes-criterios-responsable.html