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5 de fevereiro de 2022

O tiro saiu pela culatra

Em 8 de maio de 2021, em Louisville, Kentucky, anti-abortistas em frente ao Centro Cirúrgico Feminino EMW, uma clínica que realiza abortos. [Foto: Jon Cherry / GETTY)


Cidade paga 75 mil dólares de indenização a policial suspenso por protestar contra o aborto 

✅  Plinio Maria Solimeo

Neste nosso infeliz mundo com muita frequência o bem é perseguido e o mal premiado. Mas às vezes ocorre de o tiro sair pela culatra. Foi o que aconteceu com um policial católico dos Estados Unidos, que após ter sido multado pela sua corporação por rezar contra o aborto diante de uma clínica que o praticava, teve de ser indenizado pela injusta e arbitrária punição. 

Mateus Schrenger, policial altamente qualificado na polícia de Louisville, no Estado de Kentucky, é um devoto católico, pai de quatro filhos. Fiel à doutrina da Igreja, é ferrenho antiabortista. Por isso, quis participar da campanha “40 Dias pela Vida”, que através de orações pacíficas e jejum em frente a empresas de aborto, visa acabar com o extermínio de inocentes. 

Desse modo, na manhã de 20 de fevereiro de 2021, antes de ir para o serviço, parou para rezar com seu pai na calçada do lado de fora do Centro Cirúrgico Feminino EMW, que realiza abortos. Eram aproximadamente 6 horas da manhã quando os dois começaram a rezar o Rosário, o que fizeram durante 45 minutos antes da abertura da clínica da morte. Como o oficial entraria depois em serviço, vestia o uniforme da corporação, cobrindo-o com um casaco. 

Deve-se notar que se tratava de um ato muito pacífico, sem outras pessoas por perto, a não ser um senhor que se juntou a eles no início da oração, além de alguns outros que chegaram quando Schrenger já saía. As ruas adjacentes também estavam quase vazias de tráfego naquele amanhecer de sábado. Portanto, o que fizeram em nada atrapalhava quem quer que fosse, nem mesmo os partidários do aborto. 

No entanto, o vídeo de vigilância da clínica mostrou Schrenger caminhando fora do prédio enquanto rezava, portando um pequeno cartaz no qual estava escrito: “Rezar para acabar com o aborto”

A represália não se fez esperar. Naquele mesmo dia seu computador foi bloqueado pela polícia e o carro da corporação com o qual trabalhava retirado de seu uso. Afastaram-no também da escala de patrulhamento e o suspenderam por mais de quatro meses, embora mantendo o seu salário. Além disso, foi destituído de seus poderes como policial e colocado sob investigação. 

Segundo o Departamento de Polícia de Louisville, Schrenger foi punido “por ter violado os Procedimentos Operacionais Padrão da polícia e as leis de Kentucky”. Ora, na lista desses procedimentos não se proíbe a participação de um policial em ato não político, no seu período de folga. 

De acordo com uma carta do último mês de junho, obtida pelo jornal WDRB News, a polícia alegou também que Schrenger foi indiciado porque usava uniforme policial completo ao participar de uma “atividade de protesto”, mas reconhecia que ele procurou cobri-lo com o casaco. 

Ora, quando o Departamento de Polícia estendeu o período de suspensão do policial, ignorou o prejuízo que causava à sua carreira e aos seus meios de subsistência dos quatro filhos menores, além de outros danos, perdendo quantias substanciais de pagamento. Ficava claro que o motivo da punição eram suas crenças religiosas e sua atitude declarada e militantemente pró-vida. 

Também a clínica abortista visada postou em sua conta do Twitter graves acusações contra Schrenger, as quais foram amplamente divulgadas e politizadas. 

É incrível como um ato isolado e sem publicidade de um católico fiel aos ensinamentos da Igreja, feito quase de madrugada e sem alarde, atraiu tanto ódio dos abortistas e dos “politicamente corretos”! 

O oficial punido reagiu corajosamente. Assessorado pela Thomas More Society, firma de advogados dedicada a restaurar o respeito à lei pela vida, família e liberdade religiosa, Schrenger processou o prefeito, o chefe de polícia e o departamento de polícia da cidade por persegui-lo por causa de suas convicções religiosas e sua atuação pró-vida. O advogado da Thomas More Society, Blaine Blood, entrou em outubro de 2021, em nome de seu cliente, com uma ação federal contra a cidade de Louisville e o Departamento de Polícia Metropolitana. 

O conselheiro sênior desse grupo, Matt Hefrom, afirmou: “A disciplina injusta revelou inegavelmente discriminação baseada em conteúdo contra as visões pró-vida pessoais do oficial Schrenger, e violou seus direitos da Primeira Emenda americana. Ele não se engajou em nenhum protesto político em serviço: só rezou em silêncio. No entanto, foi punido por esse comportamento pacífico e privado”. E, o que é mais grave, “foi tratado assim de maneira muito diferente que outros policiais que inegavelmente se envolveram em verdadeiros protestos políticos e ativismo enquanto participavam de manifestações LGBT e Black Lives Matter”. Para estes, benevolência e compreensão. Hefrom insiste que ainda mais grave é o fato de os policiais acima envolvidos se manifestarem estando em serviço e de uniforme.

Entretanto, aparentemente foram por debaixo do pano aprovados ou pelo menos tolerados pelo Departamento de Polícia. Tanto assim é que os registros abertos mostraram que esses oficiais não enfrentaram em absoluto suspensão nem nenhum tipo de pena disciplinar. Ele conclui que a medida implicou em “uma violação significativa e imperdoável dos direitos constitucionais de um oficial leal”

A própria chefe da polícia, Erika Shields, quando questionada sobre o assunto Schrenger em reunião do Comitê de Supervisão e Auditoria do Conselho Metropolitano de Louisville, em 2 de março de 2021, admitiu publicamente que não acreditava que sua conduta estivesse claramente proibida. No entanto, as sanções foram mantidas. 

Contudo, a polícia e a municipalidade tiveram que ceder. Ante a ameaça de um processo que os punha no pelourinho e lhes seria muito prejudicial, a administração da cidade de Louisville resolveu, para que Schrenger encerrasse rapidamente o caso, indenizá-lo com 75 mil dólares. Esse acordo saiu três meses depois de o policial ter entrado com seu processo. 

Comenta Matt Heffron: “A oferta rápida da cidade de pagar US$ 75.000 mostra que ela sabia que cometera uma violação significativa e imperdoável dos direitos constitucionais de um oficial leal”

Não é sempre que vemos uma injustiça tão flagrante ser sanada com tanto sucesso. 
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Fontes: 
- Policial católico ganha acordo de US$ 75 mil após suspensão por rezar em estabelecimento de aborto| Registro Católico Nacional (ncregister.com) 
- https://thomasmoresociety.org/louisville-pays-75000-to-wronged-police-officer-suspended-for-off-duty-prayer/ 
- https://thomasmoresociety.org/case/matthew-schrenger-v-louisville-metro-police-chief-erika-shields-and-mayor-greg-fischer/

25 de novembro de 2020

Comunismo criminoso e diabólico

Manifestantes derrubam estátua de Lênin em Kiev (Ucrânia)

  Paulo Roberto Campos

No dia 4 de novembro, o parlamento eslovaco aprovou uma emenda declarando o Partido Comunista uma organização criminosa. A Eslováquia se junta à Ucrânia, Lituânia, Letônia e Polônia — países que tomaram medidas semelhantes de “descomunistização”. Conforme matéria de Álvaro Peñas, do periódico madrileno “El Correo de España”, a emenda também proíbe monumentos, placas comemorativas e até nomes de praças e ruas, relacionados à ideologia comunista. 


Entretanto, na Rússia — onde há 5.776 ruas com o nome de Lênin... — quando algumas cidades tomam atitudes semelhantes, surgem enormes obstáculos levantados pelo governo Putin. Por exemplo, na pequena cidade de Tarusa, os habitantes, com o apoio da Prefeitura, resolveram mudar o nome de uma determinada “Rua Lênin” [foto ao lado], e de 15 outras ruas e uma praça do centro da cidade. No lugar, as autoridades colocariam nomes relacionados à história anterior ao regime comunista na ex-URSS. 

Putin recebendo o líder comunista
Gennady Ziuganov

Essa tão justa iniciativa enfureceu Presidente do Conselho Central da União dos Partidos Comunistas, Gennady Ziuganov [foto]. Esbravejando, ele disse que tal medida representava “uma humilhação da grande era soviética” e que era uma medida “nazista e fascista”. Com efeito, ele é fiel à orientação de Putin, que visa renovar na população russa, sobretudo junto às crianças e adolescentes, o entusiasmo por figuras comunistas como Lênin e Stalin, assim como pelo passado soviético desde 1917. 

Muito justamente escreveu Álvaro Peñas que a nova ‘história’ oficial não apenas ergue monumentos em homenagem aos assassinos, como também procura apagar gradualmente a lembrança de suas vítimas. Por isso, monumentos e placas lembrando aqueles que foram executados pelos bolchevistas estão sendo abandonados e paulatinamente removidos. 

Em Tomsk (Siberia) museu para
recordar as vitimas do comunismo

Devido à mesma orientação putinista, museus ou memoriais que homenageiam as vítimas do comunismo não recebem verbas estatuais e, assim, são obrigados a fechar. 

Conclui o jornalista do “El Correio de Espana”: “Como sabemos, quando a história é colocada a serviço do Estado ou da ideologia, a primeira vítima é a verdade”. E a verdade não é outra senão aquela que está registrada e que ninguém poderá apagar: a Rússia, bem como as nações subjugadas por ela, foi tiranicamente dominada pelo criminoso regime comunista, ateu e materialista, que executou pelo menos 100 milhões de pessoas — segundo o célebre “Livro Negro do Comunismo”. Pior ainda, matou a fé em Deus em outros tantos milhões de almas e espalhou os erros comunistas pelo mundo inteiro! 


O antigo Arcebispo de Lvov e Patriarca de Halich, líder da Igreja Católica na Ucrânia durante as perseguições de Lênin e Stalin, Mons. André Sheptyskyj [foto], deixou registrado para a História numa carta ao Vaticano: “O regime comunista só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva”. 

Como seria salutar para a Igreja e para o mundo se hoje tivéssemos grandes e santos exorcistas!

18 de abril de 2018

Vaticano-China: Cardeal Zen reitera na Alemanha suas duras críticas ao Cardeal Parolin


Em Bonn, o Cardeal Zen concedendo entrevista a Mathias von Gersdorff
Mathias von Gersdorff 

O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo-emérito de Hong Kong, reiterou em recente viagem à Alemanha sua forte crítica ao planejado acordo entre o Vaticano e a República Popular da China. Esse acordo entregaria a Igreja Clandestina chinesa, que foi sempre fiel à Santa Sé, à Associação Patriótica, criada pelo regime comunista chinês em 1957.


O Cardeal Zen recebeu no dia 7 de abril último em Bonn, antiga capital da Alemanha, um prêmio concedido pela Fundação Stephanus aos cristãos perseguidos — Stephanus Stiftung für verfolgte Christen [foto ao lado].

Em seu discurso de agradecimento, ele explicou que a Secretaria de Estado do Vaticano, liderada pelo Cardeal Pietro Parolin, está disposta a fazer concessões absurdas ao governo comunista. O acordo contemplaria a nomeação de bispos pelo governo chinês. O Papa só teria direito de veto. Devido às distâncias geográficas e às complicações da realidade chinesa, isso significaria que o Papa praticamente não teria influência.

Escandaloso também é o fato de os católicos clandestinos de numerosas dioceses, que vêm sendo perseguidos há várias décadas, terem de aceitar bispos cismáticos de obediência ao regime comunista, que tomariam o lugar dos bispos clandestinos fiéis a Roma. De que serviu então resistir às perseguições durante tantos anos? 


As dioceses chinesas são governadas por bispos “patrióticos” e clandestinos. No início de janeiro de 2018, uma delegação do Vaticano enviada pelo Cardeal Parolin e liderada por Dom Cláudio Maria Celli tentou remover dois bispos clandestinos para que os “patrióticos” aumentassem o número de suas dioceses. 

Os bispos legítimos felizmente não cederam à pressão do Vaticano. Mas essa singular intervenção foi para o Cardeal Zen a gota que transbordou a taça. Ele foi a Roma externar sua perplexidade ao Papa Francisco, que se manifestou surpreso e desconhecedor dos pormenores. 

É por isso que o Cardeal Zen acusa o Cardeal Parolin e o Secretário de Estado de informarem mal, ou inclusive erroneamente, o Papa Francisco.

A viagem à Alemanha para receber o prêmio da Fundação Stephanus constituiu a última etapa da turnê do Cardeal Zen para alertar os católicos de todo o mundo sobre a projetada traição aos católicos chineses. 


O Cardeal deu muitos detalhes sobre a intensificação da perseguição aos católicos nos últimos meses. Uma nova lei das religiões limita severamente a liberdade da Igreja. Há grandes dificuldades em administrar os sacramentos. Por exemplo, é proibido batizar menores de 18 anos de idade. Durante a Semana Santa, os comunistas prenderam os bispos clandestinos para impedi-los de celebrar as cerimônias litúrgicas daquele período. No início deste mês, uma nova lei limitou fortemente a venda de Bíblias. 

É com pessoas dessa natureza que o Secretário de Estado quer encontrar um acordo? Para o Cardeal Zen, isso só pode resultar em catástrofe, numa completa capitulação aos governantes comunistas na China. 

Nenhum acordo é melhor que um péssimo acordo, resume o Cardeal Zen.

11 de abril de 2018

O CASO MINDSZENTY

Esse martirizado prelado não dobrou os joelhos diante da tirania vermelha e resistiu admiravelmente à Ostpolitik vaticana de aproximação com os regimes comunistas.
A duríssima situação dos católicos perseguidos na China comunista está na ordem do dia, e vem a propósito recordar um grande herói que resistiu à política de aproximação com o comunismo, sendo por isso preso e torturado: o Cardeal József Mindszenty (1892-1975), Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria. Esse martirizado prelado não dobrou os joelhos diante da tirania vermelha e resistiu admiravelmente à Ostpolitik vaticana de aproximação com os regimes comunistas. 

Devido a essa resistência, foi destituído por Paulo VI de sua arquidiocese.[1] Comentando o seu caso, Plinio Corrêa de Oliveira escreveu para a “Folha de S. Paulo” (31-3-1974) o artigo intitulado Ao grande criador do caso imenso, do qual reproduzimos o trecho abaixo. 


O Cardeal Mindszenty é recepcionado pela TFP venezuelana no aeroporto de Maiquetia (Caracas, 1975)

No panorama da geral devastação, o Cardeal Mindszenty se tem erguido como o grande inconformado, o criador do grande caso internacional,[2] de uma recusa inquebrantável que salva a honra da Igreja e do gênero humano. O seu exemplo — com o prestígio da púrpura romana intacta nos ombros do robusto pastor valente e abnegado — mostrou aos católicos que não lhes é lícito acompanhar as multidões que vão dobrando o joelho ante Belial.  

Assim, para a figura do egrégio purpurado se voltam as vistas admirativas dos sócios e militantes da TFP e organizações afins, nas Américas e na Europa. Empolgados pela atitude santamente intrépida do ex-Arcebispo de Esztergom, os presidentes dessas entidades lhe enviamos uma mensagem conjunta[3] (vide link abaixo). Estou certo de que incontáveis leitores gostariam de a ter assinado, muitos com seu sangue; ou com suas lágrimas, sangue de suas almas. O sangue da alma do herói de Esztergom e dos que pela Terra inteira sofrem em uníssono com ele. Sangue a que foi dado, desde Abel até o fim do mundo, o poder — maior do que qualquer outro poder — de subir ao Céu e de clamar diante de Deus. 

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Notas: 
1. A respeito do Cardeal Mindszenty, o "The Sunday Telegraph", de Londres, publicou em 15-9-1974: “Os dois grandes tormentos do Prelado: crucificado pelo Kremlin e traído pelo Vaticano”
2. No dia 10 de janeiro último, em audiência privada, o Papa Francisco disse ao Cardeal Zen: “Não criem outro caso Mindszenty!” — referindo-se aos bispos chineses que, assim como o Cardeal Mindszenty, estavam resistindo ao regime comunista chinês (Cfr. “Settimo Cielo”, 29-1-18). 
3. http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP%2074-03-31%20Ao%20grande.htm#.WrO239T4_IU

3 de fevereiro de 2018

DEUS NÃO MORRE!


Plinio Maria Solimeo

Há vários tipos de ateus. O dicionário Houaiss os define como pessoas que não creem em Deus ou nos deuses; ateístas. E, no sentido pejorativo, os que ou aqueles que não revelam respeito ou deferência para com as crenças religiosas alheias; ímpios, hereges. Poder-se-ia acrescentar “os meramente indiferentes em matéria de religião”, que representam a maioria.

Nesse sentido, poder-se-ia afirmar que o emblemático Juliano, o Apóstata [busto ao lado], tido como ateu afamado que tentou exterminar o cristianismo ainda dando os seus primeiros passos do Império Romano, embora se dissesse ateu, no fundo acreditava em Deus, e O odiava. Consta que, ao morrer vítima de uma flechada durante batalha, exclamou: “Venceste, Galileu!”

Poderíamos dizer o mesmo do regime comunista que procurou exterminar do seu “império” toda ideia de Deus e, por conseguinte de religião, como prejudiciais à sua ideologia e métodos de doutrinação. Interessante artigo publicado no site católico espanhol, Religión en Libertad, traz o sugestivo título: “Há 100 anos, o Estado Soviético fuzilava Deus: hoje, 7 entre 10 pessoas declaram sua crença n’Ele”.

Escreve o articulista que há 100 anos, no dia 16 de janeiro de 1918, houve um “Juízo do Estado Soviético contra Deus”, que acabou de modo sumário no dia seguinte: Deus foi condenado à morte, tendo sido disparados cinco rajadas de metralhadora rumo ao céu. À época “os bolcheviques se encontravam apenas há três meses no poder, e controlavam Moscou, São Petersburgo e a zona central da Rússia. Não obteriam o controle total do país senão em outubro de 1922, com a conquista da distante Vladivostok e o fim da guerra civil. Em janeiro de 1918 não havia ainda começado a matança de clérigos. ‘Fuzilar Deus’ era um gesto simbólico e humilhante para ir mostrando [à população] a nova situação”

O responsável por essa pantomina foi Anatóli Lunatcharski [foto ao lado], um intelectual que gostava de encenação. Assim, no dia marcado, diante de numeroso público moscovita, ocorreu a primeira seção do juízo contra Deus. Durante mais de cinco horas, foram lidas as acusações do “povo russo, em representação da espécie humana”, contra “o réu”. A mais protuberante delas: Deus é acusado de “genocídio”. 

Como era impossível personificar o réu, foi colocado num banquinho um exemplar da Bíblia para representá-Lo. Os acusadores “apresentaram” então grande quantidade de provas, baseadas em testemunhos históricos, contra o “réu”. Para demonstrar imparcialidade no julgamento, foram nomeados defensores para o réu, escolhidos pelo Estado Soviético.

Aqueles ímpios “defensores” pediam a absolvição do “réu”, pois ele padecia de “grave demência e transtornos psíquicos”, não sendo, portanto, responsável pelos seus atos. Não podia ir mais longe o burlesco daquela encenação. O resultado não poderia ter sido diferente: Deus foi declarado culpado de todos os delitos, sobretudo, de genocídio e crimes contra a humanidade.

Lunatcharski — com pompa teatral — proclamou a sentença: “Deus morrerá fuzilado amanhã dia 17 de janeiro, sem possibilidade de interpor qualquer tipo de recurso, nem ocorrer o mínimo atraso”. Assim se passou. No dia seguinte houve a “execução” de Deus com o disparo de cinco rajadas de metralhadoras contra o céu... 

*       *       * 
Ora, diz o articulista: “Uma vez que se mata Deus, matar homens não custa nada”. Daí os milhões de vítimas dos regimes comunistas. Essa política ferozmente antirreligiosa, entretanto, se mostrou contraproducente. De modo que, por ocasião da morte de Lenin em 1924, O.Y. Liovin, especialista em História da Igreja Russa, pôde dizer: 

“Ferir os sentimentos religiosos dos crentes, profanar o sagrado, fechar os templos, reprimir o clero [...] tudo isso, de fato, serviu para unir os crentes e provocar um renascimento religioso. De modo que, depois de uma política de carga de cavalaria, o regime recomendou adotar a política de assédio a longo prazo”

Os comunistas viram a necessidade urgente de mudar a tática, seguindo meio mais eficaz de “descristianizar” o povo. Uma circular do Partido, de 5-9-1924, ordenava:

“A propaganda antirreligiosa deve ser levada em forma de explicações das ciências naturais e políticas, que minem a fé em deus, e desmascarem, com fatos concretos, a fraude e a avareza dos milagreiros, curadores. É preciso evitar a agitação antirreligiosa massiva [...] que insulte e fira os sentimentos da parte crente da população”

Por isso, dizemos, o melhor método que encontraram no Ocidente foi o da infiltração comunista nos meios católicos, e inclusive eclesiásticos. Os sem-Deus chegaram à conclusão diabólica de que, a longo prazo, para descristianizar a população, o melhor era começar pelas crianças, nas escolas.

Assim, em março de 1929, antes da retomada das matanças, Lunatcharski, que era então Ministro da Educação, escrevia no jornal “Izvestia”: 

“Na tarefa da educação [...] entra a dissipação de superstições de toda classe, e uma luta sem quartel contra todo obscurantismo, herança do passado, estorvo para a criação do futuro. Em concreto, a escola [...] não pode ser alheia à luta contra a religião, em suas formas velhas ou novas”.

Ora, para os comunistas conseguirem sucesso nessa empreitada, necessitavam de professores ateus. Assim Lunatcharski continua: 

“O Comissariado Popular da Educação [...] declara firmemente que, ter mestres crentes na escola soviética, é uma grave contradição, e que os departamentos de educação devem utilizar qualquer expediente para substituí-los por outros de veio antirreligioso. [...] A escola terá que aplicar seu esforço para dissuadir às crianças de visitar a igreja e as variadas cerimônias religiosas e [...] oferecer-lhes, ao mesmo tempo, um equivalente na escola, algo organizado, algo antirreligioso e ao mesmo tempo atraente”

Infelizmente é o que ocorre em nossas escolas onde, mestres ateus tentam impingir nos seus incautos alunos teorias como a absurda Ideologia de Gênero, de “família” homoafetiva e outros absurdos. 

Apesar de todo esforço de ateização, o sentimento religioso é tão enraizado nas pessoas que, no censo russo de 1937, depois de 20 anos de comunismo e repressão antirreligiosa, de 30 milhões de cidadãos analfabetos maiores de 16 anos, 84% (mais de 25 milhões), ainda se declaravam crentes.

E de 68,5 milhões de alfabetizados, 45% (mais de 30 milhões), ainda criam em Deus. É curioso notar que, entre os analfabetos, a proporção dos crentes foi mais expressiva do que a dos alfabetizados. Bons tempos em que os canais de televisão — muito pouco crédulos — não invadiam a privacidade do lar, até nas mais remotas regiões, para modificar mentalidades com os obscenos conteúdos de novelas. 

Isso deixou os bolcheviques furiosos, e recomeçaram então as matanças. Entre os anos 1937 e 1938, houve 100 mil execuções e 200 mil deportações. De 1939 a 1942, como já havia pouca gente para matar, houve “só” 4 mil execuções. Nesse último ano, como Stalin precisava gente para a guerra, parou a perseguição sangrenta. 

O artigo não apresenta dados mais recentes, mas cita uma pesquisa da agência WinGallup, de 2017, na qual consta: de cada 10 pessoas no mundo, 7 creem em Deus. Isso praticamente se inverte na China, onde prevalece a ditadura comunista que persegue a religião: de cada 10 chineses, 7 se declaram ateus. 

Por fim, assinalo que essa farsa sacrílega de “matar Deus” foi imitada pelos comunistas espanhóis durante a guerra civil espanhola de 1936. Um grupo deles foi até o Cerro de los Ángeles [foto ao lado], nos arredores de Madrid, onde se encontrava uma grande imagem do Sagrado Coração de Jesus, e “a fuzilaram”, como se se tratasse de pessoa viva, mostrando bem que aprenderam a lição com seus mestres do Kremlin.

13 de agosto de 2017

Dois prefeitos “politicamente incorretos”


Plinio Maria Solimeo

Em outro artigo(*) apresentamos um político inglês conservador, bem casado e pai de seis filhos, que por sua fidelidade à fé católica enfrenta de peito aberto todos os desmandos morais que assolam o pobre mundo moderno.

Hoje falaremos de dois políticos italianos que, coerentes com a sua ideologia, também defendem os valores tradicionais, não aceitando essas pragas que infestam nosso século.


O primeiro é Federico Sboarina [foto ao lado], recém-eleito prefeito, pela coalizão da Liga do Norte, da importante cidade de Verona. Advogado de 46 anos, “tão logo chegou ao cargo, deu ordem para se retirar das escolas e deixar de privilegiar nas bibliotecas públicas todo o material propagandístico da ideologia de gênero que havia sido distribuído nos últimos anos” .(1)

Isso ele fez em cumprimento ao prometido em seu programa eleitoral que, “como forma de apoiar a família, estabelece, entre outros, estes três pontos: 
“Oposição à difusão da ideologia de gênero nas escolas mediante propostas educativas desenvolvidas em colaboração com as associações de famílias, com a finalidade de promover o respeito à dignidade masculina e feminina, sem desprezar suas valiosas diferenças naturais”;  
“Retirada das bibliotecas e das escolas municipais [...], incluídas as creches, de livros e publicações que promovam a equiparação da família natural com as uniões do mesmo sexo, e interrupção das iniciativas que promovem indiretamente este mesmo objetivo”;  
“Compromisso de rechaçar toda iniciativa (deliberações, moções, ordens-do-dia, coleta de assinaturas, orgulho homossexual, etc.) contrária aos valores da vida, da família natural ou das prerrogativas do direito dos pais em educar seus filhos segundo seus princípios morais e religiosos”.
Devido a essas propostas conservadoras, Federico Sboarina obteve 58,11% dos votos no segundo turno das eleições de 25 de junho. É preciso salientar que Verona, com cerca de 250.000 habitantes, é a segunda cidade do Vêneto, logo depois de Veneza. 

Patrizia Bisinella, adversária de Sboarina, também pertencera à Liga do Norte, partido conservador; mas nos últimos anos cedeu ao império do lobby homossexual. O resultado das eleições mostra que a maioria da população é mais conservadora do que os políticos pensam. E, no entanto, eles se iludem defendendo essas aberrações morais, que julgam ter popularidade entre o povinho. 


Campanha de imposição ideológica subvencionada

Como não é de surpreender, as medidas do novo prefeito provocaram um imenso clamor no establishment pró-homossexual. O lobby LGBT fala agora em “confiscar” e “destruir” qualquer livro que questione a ideologia de gênero, além de atacar a “censura” existente em Verona, no que é apoiada pela Associação Italiana de Editores, pela Associação Italiana de Bibliotecas e pela International Publishers Association, que pediram a Federico Sboarina que reconsidere a sua decisão. 

Uma das principais organizações do lobby homossexual italiano, Arcigay, comenta: “É desconcertante que Sboarina seja vítima do grande espantalho e da apoteose paranoica reacionária do momento, do ogro do gênero, que não existe, mas sobre o qual se construiu um partido que consegue alguns votos”. Ao que “os defensores da medida respondem que esses ‘alguns votos’ são quase dois terços dos registrados no dia 25 de junho, e que a própria existência de toda a propaganda retirada agora por Sboarina demonstra que não há nenhum ‘espantalho’ nem ‘paranoia’, mas uma campanha de imposição ideológica bem organizada e subvencionada”

Com efeito, a maioria dos textos infantis, que têm muito pouca venda nas livrarias e “pouca procura da parte dos pais que compram livros para seus filhos, são financiados com dinheiro público para sua distribuição escolar e estão destinados exclusivamente a doutrinar as crianças na ideologia de gênero”.

Apesar do verdadeiro estrondo publicitário que estão fazendo contra essa medida de Federico Sboarina, ela significa apenas que esses lixos morais “simplesmente deixarão de ser leitura escolar obrigatória, e não serão privilegiados, como até agora, nas salas de leitura infantil das bibliotecas públicas”


Católico e cristão à antiga 

O outro prefeito que se opõe à agenda LGBT é Serafim Ferrino [foto ao lado], 68 anos, da pequena cidade de Favria, de cinco mil habitantes, na província de Turim. Reeleito quatro vezes, ele se confessa um “católico e cristão à antiga” .(2)

Também coerente com a sua fé, ele foi o primeiro prefeito na Itália a se negar a celebrar um “casamento” entre dois homens, desde a aprovação, em maio, da lei que o permite. O destemido prefeito afirma: “Para mim, a família está composta só por um homem e uma mulher, não por dois homens ou duas mulheres”. “Essas poderão ser uniões, mas não famílias. Creio firmemente que a base da sociedade é a família. Sem família não há sociedade. É ela que educa os filhos, a que trabalha sobre o terreno”

Em várias entrevistas, Serafim já havia declarado que não celebraria “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, “nem delegaria a função de fazê-lo, porque seria uma forma indireta de colaboração”. Foi o que, chegada a ocasião, pôs em prática. 

Como não poderia deixar de ser, a ditadura homossexual pôs a boca no mundo, no que foi secundada pela imprensa liberal. Serafim não se abalou: “Simplesmente obedeço à minha consciência”, disse ele à “La Nuova Bussola Quotidiana”: “Agora todos me fazem guerra, mas paciência. Isso quer dizer que é necessário dar testemunho assim!”

Serafim já havia se manifestado de outras formas, como participando da concentração organizada pelo movimento Sentinelas em Pé na cidade de Ivrea.


A provocação do lobby homossexual 

O prefeito é muito querido em sua cidade, à qual não pertenciam os que provocativamente haviam solicitado o “casamento”. A localidade é muito apreciada para bodas por sua beleza artística, “mas Serafim tem claro que, como não há casualidade, eles escolheram o local justamente para suscitar o caso, porque sabiam de seu rechaço à lei”. Aliás, essa é uma das táticas habituais do lobby homossexual para amedrontar seus oponentes, como sucedeu com o confeiteiro Jack Phillips [foto ao lado], do Colorado, a três mil quilômetros de distância, a quem um casal homossexual encomendou um bolo para sua boda a fim de obter uma negativa e o confeiteiro ser multado. 

Serafim diz por que se recusa a fazer esse “casamento”: “Por razões éticas e morais, porque sou católico praticante, e porque, como prefeito, tenho o dever de opor-me a uma lei injusta. Sou um católico que procura fazer política seguindo o Magistério da Igreja. Ninguém pode impedir-me de professá-lo”.

No clima de ditadura anticristã em que vivemos isso poderá acarretar para Serafim a perda do cargo. Mas ele tem o apoio da esposa, entretanto “muito preocupada com a exposição mediática” deslanchada pela imprensa liberal praticamente de todo o mundo. “Em 37 anos de atividade política e administrativa, jamais isso me havia sucedido. Não estou violando a lei, estou é respeitando minha fé”, diz o destemido batalhador. 
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1. http://www.religionenlibertad.com/alcalde-coherente-retira-colegios-guarderias-todo-material-57992.htm, que vimos seguindo para este artigo. 
2. Este artigo está baseado em http://www.religionenlibertad.com/solo-obedezco-conciencia-dice-alcalde-italiano-que--52245.htm

29 de maio de 2017

A face sinistra da China

O aspecto não sorridente da China comunista é o aspecto real do país 


Plinio Maria Solimeo

A China é apresentada por muitos como um país onde o socialismo de mercado de tal maneira deu certo, que a converteu na economia de mais rápido crescimento no mundo, na maior exportadora e importadora de bens, e na primeira potência industrial. Isso evidentemente não teria sido possível sem a cumplicidade do Ocidente. 

Assim, de repente, um país que ainda em vias de desenvolvimento se torna o primeiro mercado para bens de consumo de luxo, com o número assombroso de 1.363 milionários, que gastam e esbanjam no Ocidente empobrecido. 

Entretanto, observadores imparciais alertam que esse gigante asiático tem pés de barro, e que, mais cedo ou mais tarde, mostrará sua verdadeira face. Pois, apesar de tudo isso, sua população vive em estado de semi-escravidão, dependendo em quase tudo de seu inexorável Estado-Patrão. 

Vejamos alguns exemplos. 


No Tigre Asiático vigora há mais de 50 anos o controle implacável do Partido Comunista, como na era do facínora Mao Tsé-Tung [foto à esquerda]. Por exemplo, é o Estado que decide isto de exclusivo do foro familiar: o número de filhos que cada família pode ter, e praticava inexoravelmente a política de filho único até há pouco.

Mas essa medida trouxe tantos problemas ao país — como os vem causando para praticamente o mundo inteiro —, que o governo teve que revisá-la. 

Assim, em outubro de 2015, o Partido Comunista e as autoridades governamentais chinesas fizeram uma nova emenda na Lei de Planejamento Familiar, permitindo a todos os casais devidamente registrados que tivessem dois filhos.

Essa mudança, que pode parecer auspiciosa a muitos desavisados, não demonstra senão até que ponto o Partido Comunista controla a vida dos cidadãos chineses. 

Ele o faz exercendo um controle coercitivo sobre as mulheres e suas famílias. De modo que as recalcitrantes que tiverem três ou mais filhos serão pesadamente multadas, poderão perder o emprego, ser sujeitas a detenção arbitrária e forçadas a abortar. Pior ainda: serão ameaçadas com esterilização, além de sofrerem outras políticas discriminatórias contra seus filhos. 


Mas essa tardia mudança não tem produzido efeito. Porque, apesar da permissão para o segundo filho ter sido sancionada em outubro de 2015, menos de 1.85 milhão em 11 milhões de casais aptos em todo o país (16.8%) se candidataram para tê-los. Pelo contrário, dados do Escritório Nacional de Estatística da China mostram que o número total de nascimentos em 2015 caiu 16.55 milhões, ou seja, 320 mil a menos que em 2014. Ainda não temos dados para 2016, quando as autoridades chinesas esperam um boom, por ser o Ano do Macaco, considerado pela mitologia chinesa como o mais auspicioso para gerar filhos. 

Acontece também que muitos casais, especialmente os das áreas urbanas, estão relutantes em ter um segundo filho, devido a diversos fatores. Entre eles, o do elevado custo, pela falta de opções em assistência e educação infantil, de disponibilidade para o cuidado deles, devendo, ademais, interromper a carreira profissional. Mas principalmente pela mentalidade forjada durante décadas pelo governo comunista, de permitir apenas um filho por casal.

Além disso, essa nova e tardia medida do governo é inepta para reparar o profundo desequilíbrio demográfico causado por décadas de controle da população pelo Estado. É o que crê a Comissão do Congresso dos Estados Unidos sobre a China, em um informe publicado em abril .

O que pesa ainda nesse quadro é que, por uma preferência cultural, tradicionalmente os chineses preferem ter filhos homens, uma vez que ao chegarem à idade de trabalhar poderão mais facilmente garantir o futuro da família, ajudando no orçamento familiar. Por isso, de acordo com dados do governo, em 2015 nasceram 34 milhões de homens a mais que de mulheres. 

O órgão do governo americano estima que, devido também a essa mentalidade, no ano passado foram abortadas cerca de 64 milhões de meninas, o que provoca a existência de um mercado negro para adoção de meninos, dirigido por verdadeiras quadrilhas. 

Esse desequilíbrio entre os sexos está contribuindo também para o aumento do tráfico de mulheres (principalmente de países da região como Laos, Coréia do Norte, Cambodge e Vietnã), para os matrimônios forçados e exploração sexual.

Por outro lado, o governo tem que enfrentar um problema colateral: de acordo com um relatório de janeiro de 2016 do Escritório de Estatística chinês, a população hábil (pessoas entre 16 e 59 anos) teve uma queda de 4.87 milhões com relação ao ano anterior, continuando em declínio. Ao mesmo tempo, a população senil (60 anos para cima) aumentou em aproximadamente 9.58 milhões em 2015, levando os idosos a constituírem agora quase um quarto da população total.
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Igreja Católica destruída, pois não alinhada
ao governo comunista, mas fiel a Roma
 
O relatório do órgão do governo americano trata também da questão religiosa no país, dizendo que o regime chinês está revendo suas leis sobre assuntos religiosos para introduzir novos controles à educação, aumentar a fiscalização dos sites web de conteúdo religioso, e reafirmar o princípio de que a religião é uma ameaça à segurança nacional. Nas restrições à liberdade religiosa, segundo o Comitê do Congresso americano, inclui-se a determinação de minar a influência do Vaticano sobre os católicos chineses. 


Ora, essa perseguição religiosa é bastante antiga. Basta lembrar que durante a chamada Revolução Cultural, “numa circular de 15 de maio de 1966, Mao Tsé-Tung lançou a luta política contra seus inimigos, aos quais chamou de ‘monstros e demônios’; quer dizer, contra todos aqueles que se opuseram ao controle do partido e à ideologia comunista: os intelectuais, os ricos, os proprietários de terra, ‘contra-revolucionários’ e os seguidores das diversas religiões. Depois do editorial do Diário do Povo, de 1º. de julho, ‘Varrer todos os monstros e demônios’, os Guardas Vermelhos lançaram uma violenta campanha para deter e perseguir a todos os membros destas categorias”.

Essa perseguição foi terrível para os seguidores de religiões, sobretudo as cristãs, tachadas de “inimigas do povo”, tendo os católicos sido declarados suspeitos de atividade contra-revolucionária. 


Esse estado de coisas não mudou muito em sua essência, embora nos acidentes tenha havido certa liberalização. O que faz com que a parte mais sadia dos católicos chineses fiéis a Roma — para falar só deles — ainda tenha que pertencer a uma “Igreja Clandestina”, ou seja, viver como que nas catacumbas [foto ao lado].

Para enfraquecer o reduto católico, que segundo algumas estatísticas aumenta anualmente em 100 mil convertidos, o governo comunista resolveu criar uma “Associação Patriótica dos Católicos Chineses”, inteiramente controlada por ele, com bispos nomeados pelo Partido e ordenados sem aprovação de Roma. Essa associação foi definida por Bento XVI como “inconciliável” com a doutrina católica.


Católicos foram humilhados, perseguidos e executados durante 
a “Revolução Cultural” promovida pelo sanguinário Mao Tsé-Tung
Existe atualmente uma centena de bispos ativos na China, 30 dos quais são da Igreja Clandestina, fiéis a Roma, e 70 “oficiais”, ordenados ilegitimamente, mas que depois se reconciliaram mais ou menos com Roma ou foram ordenados com o reconhecimento de Roma e de Pequim. 

Enquanto a “igreja oficial” goza da tolerância do governo comunista, a “Igreja clandestina” paga um preço alto pela sua clandestinidade, com perseguições, depoimentos, detenções, sequestros, multas etc. 

Segundo dissidentes que conseguiram escapar desse novo Gulag, “a realidade dos campos de trabalho chineses é aterradora. As minorias religiosas e os dissidentes políticos são encarcerados sem razão durante anos. Nesse tempo, eles são torturados e alguns são levados a instalações cirúrgicas, onde se lhes extirpam seus órgãos enquanto ainda estão vivos”. “Segundo se crê, há mais de 10 mil órgãos em circulação na China, a metade deles extirpados à força. Para o Partido Comunista, o corpo de uma pessoa é propriedade do governo e seus órgãos um ‘bem comum’, assim como os bebês. É a cara negra de uma China que continua sendo maoísta” .


Enquanto isso, o sorridente presidente chinês, Xi Jinping [foto à esquerda cumprimentando Vladimir Putin], aparece abraçando com mandatários dos Estados Unidos, da União Europeia e investidores ocidentais, como se presidisse à nação mais feliz do planeta e sem que ninguém o interpele pelos abomináveis crimes que se cometem em seu país. 

17 de fevereiro de 2017

Escorracem já o povo!


Péricles Capanema 

A vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a morte de Teori Zavascki assanhou a patrulha ideológica. Para desgraça nossa, ela continua crespa, cada vez mais intolerante. Eram 30 candidatos com chances de levar, avaliou Eliseu Padilha, encarregado pelo Presidente de fazer uma triagem inicial, informou a revista “Época”. No seleto grupo estava Ives Gandra Filho [foto abaixo], presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Entre os ventilados, só ele foi fulminado pela fatwa da patrulha. Razão: suas opiniões estão vetadas no Brasil pela censura dos bem-pensantes progressistas. Não conheço Ives Gandra Filho, não tenho procuração nem pedido para defendê-lo e, quer saber, nem tenho juízo formado sobre a melhor escolha. Meu problema aqui é outro, de âmbito nacional.

Intrigado com a agressividade do veto, fui atrás das opiniões do magistrado, em especial sobre a família (o falatório girava em torno do tema). E li a nota que distribuiu à imprensa. Tive enorme surpresa. Suas convicções enunciadas em linguagem culta e clara são as da maioria do povo brasileiro.

São Tomás Morus (1478 – 1535)
Em resumo, a artilharia libertária quer banir do Supremo qualquer candidato que espose ideias aceitas pelo grosso dos brasileiros, mas não da patota emproada. A intolerância da neoinquisição não admite divergência. Faz lembrar Henrique VIII advertindo São Tomás Morus [quadro ao lado] no filme “O homem que não vendeu sua alma”: “No opposition, Thomas, no opposition”. Também ele não admitia oposição. Fica o recado: a KGB progressista não mais tolera no Brasil tais opiniões em pessoas que aspirem a postos de expressão; só ainda as atura no povo miúdo. Cada vez que surgir algum infeliz com tais opiniões, cogitado para posição influente, a patrulha também vai tratá-lo como proscrito.

Para onde vamos? Vamos para a servidão, se o Brasil da gente direita curvar a espinha às tirânicas oligarquias libertárias e assim permitir que minorias fanatizadas, por meio de estrondos publicitários, tomem de assalto as cadeiras do Supremo. E outros espaços de direção.

Vejam o que encontrei (está na rede). O conceito de matrimônio de Ives Gandra Filho reproduz exatamente o que ensina o catecismo católico: “O matrimônio possui dupla finalidade: a) geração e educação dos filhos; b) complementação e ajuda mútua de seus membros. Tendo em vista, justamente, essa dupla finalidade, é que o matrimônio se reveste de duas características básicas que devem ser atendidas pela legislação positiva, sob pena de corrupção da instituição: a) unidade — um homem com uma mulher; b) indissolubilidade — vínculo permanente”. Mesmo protestantes e até agnósticos podem subscrever tal definição; tem raiz no Direito Natural. A intolerância furibunda com os conceitos acima nutre no bojo o vírus da perseguição religiosa, que, se não for combatido, gradualmente vitimará o organismo inteiro.

Transcrevo abaixo algumas outras convicções relativas à família enunciadas pelo Dr. Ives: “A celula mater da sociedade (núcleo básico) é a família, como sociedade natural e primária, constituída numa comunidade de vida e amor para a propagação da espécie humana e ajuda recíproca nas necessidades materiais e morais da vida cotidiana”. Multidões de brasileiros dariam vivas e bateriam palmas em pé para quem afirmasse isso. Vou adiante: “O homem desde a sua origem surgiu no meio de uma família, que é a primeira sociedade humana. Não há que se falar, pois, em estado pré-social ou situação originária de promiscuidade sexual na vida animal”. Continuo: “A base do matrimônio é o consentimento mútuo na outorga e recepção do direito perpétuo e exclusivo sobre o corpo de cada um com vista aos atos aptos à procriação”. Mais uma: “Homens e mulheres têm constituições física e psíquica distintas, complementares entre si”. Excluir um candidato por defender tais convicções, equivale a moralmente banir o geral dos brasileiros de sua pátria.

Opinião de Ives Gandra Filho sobre união homossexual: “O casamento de dois homens ou duas mulheres é tão antinatural quanto uma mulher casar com um cachorro. Casais homoafetivos não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais, isto deturpa o conceito de família”. Reafirmo, é a persuasão da maior parte do povo brasileiro.

É também censurado por ser contrário ao aborto, ao divórcio, à distribuição de pílulas anticoncepcionais em hospitais públicos e a pesquisas com células-tronco de embriões. Reitero meu bordão, milhões de brasileiros têm opinião idêntica.

O presidente do TST julgou-se obrigado a distribuir nota à imprensa: “Diante de notícias veiculadas pela imprensa, descontextualizando quatro parágrafos de obra jurídica de minha lavra, venho esclarecer não ter postura nem homofóbica, nem machista. Deixo claro no artigo citado, de 70 páginas, sobre direitos fundamentais, que as pessoas homossexuais devem ser respeitadas em sua orientação e ter seus direitos garantidos, ainda que não sob a modalidade de matrimônio para sua união. Por outro lado, ao tratar das relações familiares, faço referência apenas, de passagem, ao princípio da autoridade como ínsito a qualquer comunidade humana, com os filhos obedecendo aos pais e a mulher ao marido no âmbito familiar, calcado em obra da filósofa judia-cristã Edith Stein, morta em campos de concentração nazista. O compartilhamento da autoridade sempre me pareceu evidente, tendo sido essa a que meus pais casados há 58 anos viveram e a qual são seus filhos muito gratos. [...] As demais posturas que adoto em defesa da vida e da família são comuns a católicos e evangélicos, não podendo ser desconsideradas "a priori" numa sociedade democrática e pluralista”.

Vou virar a página e dar um exemplo revelador das agressões da intolerância. Forum de 31 de janeiro traz em manchete: “Manifesto feminista contra Ives Gandra para a vaga de Teori ganha apoio irrestrito”. A notícia afirma que, “para eles [os signatários], Ives Gandra demonstra desconhecer a realidade social de brasileiras e brasileiros. ‘Sexismo, homofobia, lesbofobia, discriminação racial, desrespeito aos direitos humanos e sociais e ao Estado laico não podem ser parte da trajetória de quem irá integrar o colegiado do STF’, afirmam, em manifesto”. O texto, intoxicado de preconceitos progressistas e lotado de falsidades, vem assinado, entre outros, por Luiz Gonzaga Beluzzo, Miguel Rossetto, Emir Sader, centenas de professores de Direito, procuradores, líderes sindicais, juízes, jornalistas, advogados.

É pressagioso que minorias oligárquicas de esquerdistas e libertários, treinadas no patrulhamento ideológico, façam marcação cerrada para banir dos postos de direção qualquer um que tenha consonância com opiniões majoritárias do povo brasileiro, por eles abominadas. Agem aqui os mesmos germes causadores das perseguições que mataram milhões nos gulags da Rússia soviética e nos campos de concentração da Alemanha nazista.

25 de outubro de 2016

SACERDOTE CONDENADO PELO STJ POR TER IMPEDIDO A MORTE DE UM NASCITURO


Paulo Roberto Campos

Professor de Bioética, o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto], presidente da associação Pró-Vida de Anápolis (GO), é um dedicadíssimo combatente contra o aborto. Bacharel em Teologia pelo Institutum Sapientiae (Anápolis) em 1992, foi ordenado sacerdote em 31 de maio de 1992. 

A seguir, transcrevo a nota que este devotado sacerdote publicou hoje em seu site (link abaixo), a fim de que nossos leitores possam apoiá-lo, rezar por ele e avaliar a absurda condenação que sofreu justamente por tentar impedir que mães executem seus bebês no ventre materno. É a “lógica” deste mundo neo-pagão: muitos que matam podem viver livres; muitos que tentam impedir a “matança de inocentes”, podem acabar condenados. Uma razão a mais para continuarmos em nossa luta contra o aborto, pois como registra o Evangelho: 

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! 

“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.

“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (São Mateus, 5, 10-12). 


Terça-feira, 25 de outubro de 2016

NOTA SOBRE MINHA CONDENAÇÃO POR DANOS MORAIS NO STJ 


Nosso Bispo Diocesano, Dom João Wilk, estando com a saúde fragilizada, pediu-me que emitisse uma nota à imprensa acerca da minha condenação por danos morais que sofri pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, por ter impetrado um habeas corpus em favor de Geovana Gomes Leneu, uma criança deficiente, portadora da síndrome de “body stalk”, condenada ao aborto por uma sentença de um juiz da 1ª vara criminal de Goiânia. 


Impetrei o habeas corpus em 11 de outubro de 2005, sem muita esperança de obter êxito, até mesmo porque quando se tem notícia de autorizações para abortamentos eugênicos, muitas vezes eles já ocorreram. Não me permitiram fotocopiar aos autos do processo, de modo que tive que escrever a peça do habeas corpus a mão, em uma folha avulsa. A suspeita de fracasso foi confirmada por uma notícia (que depois decobri ser falsa) publicada pelo jornal “O Popular” [fac-símile ao lado] no dia 15 de outubro de 2005): 
“O desembargador Aluísio Ataídes de Sousa, em decisão de gabinete, suspendeu ontem alvará judicial que autorizou aborto de feto com síndrome de Body Stalk, em gestante de 19 anos. A decisão, entretanto, perdeu objeto, pois o procedimento já foi realizado” 
Na verdade, a liminar chegou a tempo de salvar Geovana da morte. Ela estava para ser abortada no dia 14 de outubro de 2005, quando chegou ao hospital a decisão liminar do Desembargador Aluízo Ataíde de Souza sustando o aborto e cassando a sentença que o autorizara.

Os pais da criança voltaram a Morrinhos, sua cidade, sem que eu nada soubesse sobre o ocorrido, sempre acreditando na veracidade da notícia do Jornal “O Popular”.

Esse equívoco foi lamentável. Se eu soubesse que Geovana havia sobrevivido e que seus pais estavam em Morrinhos, sem dúvida eu teria ido visitá-los, acompanhá-los durante a gestação, oferecer-lhes assistência durante o parto (como fizemos com tantas outras gestantes) e, em se tratando de uma criança com risco de morte iminente, batizá-la logo após o nascimento. E se ela falecesse, para mim seria uma honra fazer suas cerimônias fúnebres acompanhando a família até o cemitério. 

Quando eu soube de tudo, Geovana já havia nascido em 22 de outubro de 2015, vivido 1h45 e morrido sem que ninguém se lembrasse de batizá-la. De qualquer forma, ela recebeu um nome e foi sepultada, destino bem melhor que o de ser jogada fora e misturada ao lixo hospitalar. 

Meu Bispo aprova minha atitude e lamenta a condenação do Superior Tribunal de Justiça. Qualquer cidadão pode e deve defender uma vida ameaçada de morte, usando para isso os meios legais e processuais a seu dispor, entre eles o habeas corpus. A condenação do impetrante de um habeas corpus por danos morais é teratológica, pois, se o Tribunal ou Desembargador concedeu a ordem, não foi por “obediência” ao cidadão, mas por verificar que, naquele caso, o juiz estava de fato agindo com ilegalidade e abuso de poder. Por que não processar por “danos morais” o Desembargador que expediu a liminar? 

O pedido indenizatório, negado em primeiro e segundo grau, foi agora surpreendentemente acolhido no STJ. Em outra época, porém, essa Corte já se notabilizou pela defesa das crianças deficientes por nascer, ao cassar por unanimidade, uma decisão do TJRJ que autorizara um aborto de um bebê anencéfalo (HC 32152). A relatora do histórico acórdão foi a Ministra Laurita Vaz, que hoje preside o Superior Tribunal de Justiça.
Anápolis, 25 de outubro de 2016.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis 
https://naomatar.blogspot.com.br/2016/10/nota-sobre-minha-condenacao-por-danos.html