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8 de novembro de 2025

A VIDA TERRENA NÃO É PARA SEMPRE...



Como uma rosa que hoje floresce e amanhã murcha e seca, tudo na Terra é passageiro. Tudo na eternidade é... eterno... Tudo é para sempre! A Justiça Divina premiará com o Céu, em alegrias e felicidades supremas e eternas, ou castigará com os tormentos sem fim do Inferno — pior que prisão perpétua, pois esta um dia termina: quando o condenado morre. O fogo do Inferno nunca se apaga, queima, mas não mata.

✅  Paulo Roberto Campos

Conta-se que um Conde de Meaux, estando muito doente e praticamente desenganado pelos médicos, despediu-se de seus familiares e entrou para um mosteiro beneditino a fim de melhor se preparar para uma boa morte. 

 Certo dia, recebeu a visita de alguns parentes que insistiram com ele para voltar ao mundo, pois em casa recuperaria sua saúde. O conde lhes respondeu:

— Com gosto atenderia o vosso desejo, mas há quatro guardas na porta do mosteiro que não me permitiriam sair. Portanto, não me é possível voltar ao mundo! Eis os nomes dos guardas: Morte, Juízo, Céu e Inferno...

O que acontece imediatamente após a morte?

         As celebrações litúrgicas do início deste mês (dias 1 e 2) nos levam a meditar sobre esses “guardas”: os “Novíssimos do homem” — as últimas coisas que nos acontecerão no final de nossa existência terrena —, a Morte, o Juízo, o Paraíso ou o Inferno.

Os “Novíssimos” (do latim “novíssima”, últimos acontecimentos) trazem-nos à memória o final de nossa vida na Terra com a morte, a qual ninguém sabe quando se dará, mas que poderá ser ainda hoje com um acidente, um infarto, um derrame, ou uma doença qualquer.

Esses “guardas” lembram-nos também o que nos sucede imediatamente após a morte: o justíssimo Juízo de Deus, que julgará todas as nossas boas e más ações e nos destinará eternamente para o Céu ou para o Inferno.

O grande Santo Agostinho, em seu tratado sobre a origem da alma humana, escreveu: “As almas são julgadas ao sair do corpo [no Juízo Particular], sem esperarem aquele dia em que serão julgadas unidas a seus corpos [no Juízo Final], para serem atormentadas ou glorificadas com aquele mesmo corpo em que habitaram sobre a terra”.

Ou seja, para a glória suprema e felicidade eterna com Deus, com a nossa Mãe Santíssima, com os Anjos e santos e com todos os bem-aventurados. Qualquer alegria terrena não é absolutamente nada se comparada com as alegrias celestiais que nunca cessarão, sendo incomparavelmente a maior delas a alegria de ver a Deus. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (São Mateus 5,8).

Ou para o sofrimento eterno com os demônios, caso a pessoa morra em pecado mortal. A respeito, há numerosas advertências no Velho e no Novo Testamento, como, por exemplo, esta: “Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos” (Mt 25, 41).

Poderão transcorrer bilhões de séculos, e os tormentos infernais estarão apenas começando. Se ao menos os condenados soubessem que, depois desses quase infinitos séculos, um dia terminariam os suplícios demoníacos, seria um colossal alívio. Mas nem isso eles vão ter. Santo Afonso Maria de Ligório disse que os condenados poderão até perguntar aos demônios quando terminarão seus tormentos, e a resposta será: “Nunca! Nunca!” — Quanto tempo vão durar? — “Sempre! Sempre!”

No Apocalipse, São João adverte: “Há de beber [o réprobo] também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus santos anjos e do Cordeiro. A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite” (14, 10-11).

Fachada da Catedral de Notre-Dame de Chartres com o alto relevo do Juízo Final


Passagem pelas chamas purificantes

         Incontáveis pessoas se apegam à vida terrena como se esta fosse para sempre — sempre nas alegrias, sempre nos prazeres e glórias mundanas sem fim —, mas há uma outra vida post mortem. Esta, sim, é para sempre. É eterna juntamente com Deus no Paraíso ou com os demônios na Geena de tormentos sem fim.1 “E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 13, 40-42).

A pessoa julgada e destinada ao Céu, antes de sua entrada no Paraíso, poderá passar pelo Purgatório para um período de terríveis padecimentos em suas chamas — que, segundo diversos teólogos, são as mesmas do Inferno, com a diferença de não serem eternas —, a fim de ser purificada dos pecados veniais e imperfeições, pois no Céu nada de impuro entrará. Ainda que a pessoa morra arrependida de seus pecados e perdoada em suas confissões, no Purgatório ela poderá sofrer a pena temporal devida às transgressões aos Mandamentos da Lei Divina e às suas faltas leves que não foram inteiramente reparadas ao longo de sua vida.2

“Peço-lhes que pensem na eternidade!”

      Estamos preparados para, em nosso último dia nesta Terra, comparecermos perante o Divino Juiz a fim de sermos julgados e entrarmos na glória da vida eterna? Quando e como foi nossa última confissão? Estamos sinceramente arrependidos por termos ofendido a Deus? Tivemos um firme propósito de não mais pecar?

Para refletirmos nestas verdades, por nós muitas vezes esquecidas — até mesmo por eclesiásticos que deveriam pregá-las em seus sermões e não o fazem —, publicamos os textos que seguem. Eles poderão auxiliar-nos a estarmos prontos para comparecer diante de Deus no dia do nosso Juízo.

Para isso, não poderíamos terminar sem mencionar o poderosíssimo auxílio da Santíssima Virgem, a Santa Mãe de Deus e Advogada nossa, diante da qual os demônios tremem. Peçamos a Ela que nos preserve do pecado, que poderá levar-nos ao Inferno, e nos conceda uma santa e boa morte, salvando-nos eternamente.

Madre Maria Letícia
 da Virgem Misericordiosa.
Uma religiosa, entusiasta da revista Catolicismo, a Madre Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, OSSR. (1900-1974), Superiora do Mosteiro do Coração Doloroso e Imaculado de Maria, numa carta aos seus irmãos, em 27 de dezembro de 1973, escreveu:

“Peço-lhes que pensem na eternidade! Eu que sempre vivi na vida religiosa afirmo-lhes que é um momento único... Dar contas a Deus! Misericórdia, Senhor! Não fosse a confiança, chegaria ao desespero... Uma eternidade! Inferno ou Céu? Preparemos bem e peçamos a Nossa Senhora sua assistência contínua.”



____________

Notas:

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 899, Novembro/2025

1. Geena (Vale do Hinom, em Jerusalém) é usada como metáfora do Inferno. Na época de Jesus, era um “lixão” fora da cidade onde lixo, animais mortos e corpos de criminosos, consumidos por vermes, eram queimados continuamente.

2. Cfr. A Enciclopédia Católica, https://www.newadvent.org/cathen/

31 de outubro de 2024

Comemoração de todos os fiéis defuntos


✅  Paulo Roberto Campos 

Em 2 de novembro a Igreja Católica celebra a festividade litúrgica de Finados. Dia que devemos rezar especialmente pelas almas que estão no Purgatório, sobretudo pelos nossos parentes e conhecidos que faleceram. 

Ocasião também de visitarmos suas sepulturas nos cemitérios.* A respeito desta importante data, o Martyrologium Romanum — uma das variedades históricas de Martirológios com o catálogo dos santos e beatos honrados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Não apenas dos mártires, como leva a crer o nome, mas de todos os santos conhecidos — registra: 

“Hoje [2 de novembro], comemoração de todos os fiéis defuntos. Nossa comum e piedosa mãe, a Igreja, depois de celebrar condignamente a memória daqueles seus filhos que já entraram na glória, procura auxiliar pela sua poderosa intercessão junto a Jesus Cristo, seu Esposo e Senhor, todos aqueles que gemem ainda nas penas do Purgatório, para que se lhes abreviem os dias de exílio e para que se reúnam à sociedade dos santos”. 
Hedwig Cemetery. Pintura representando o Dia de Finados,
do artista alemão Franz Skarbina (1849-1910).

 

Neste dia também devemos meditar e nos preparar para o nosso último dia nesta Terra. Com essa finalidade, seguem alguns pensamentos oportunos: 

“A morte assusta os pecadores, que sabem que, da primeira morte, do estado de pecado, passarão à segunda, que é a morte eterna. Ela é, no entanto, um consolo para as almas boas que, confiadas nos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, têm indícios suficientes para estarem moralmente certas de se acharem na graça de Deus”. (Santo Afonso de Ligório) 

“No entardecer desta vida, seremos julgados segundo o amor”. (São João da Cruz)

“Vigiai porque não sabeis nem o dia nem a hora”. (São Mateus, 25, 13). 

“A mais augusta tabeliã que há sobre a Terra é a morte. O que se passa em presença dela raramente é fraude, porque ela avança e desmascara tudo! É o juízo que está atrás dela, ela não faz senão servir de arauto ao juízo. E ao ouvir os passos do grande Juiz que chega, é preciso ser quase satânico para não ter medo e não pedir perdão!” (Plinio Corrêa de Oliveira) 

“O homem é um cadáver adiado”. (Fernando Pessoa)

Cemitério da Santa Cruz, em Gniezno (Polônia), no Dia de Finados


__________ 

Notas

*“Aos que visitarem algum cemitério e rezarem, ainda que só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras. Isto é: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchir. Indulgentiarum, nº 13)”. 

**O Martirológio Romano “É um livro litúrgico que constitui a base dos calendários litúrgicos que determinam a data das festas religiosas anuais. O documento está ordenado segundo os dias do calendário, nele se anotando o local e a data de morte, o título canônico (apóstolo, mártir, confessor, virgem, ou outro), o tipo de memória litúrgica e algumas notas sobre a sua espiritualidade e fatos relevantes da vida e obra”.

30 de outubro de 2024

Dia de Todos os Santos e Finados — oposição ao Halloween

 

Finados, pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

✅  Paulo Roberto Campos 

prccampos@terra.com.br

No primeiro dia de novembro comemoram-se Todos os Santos — todos homens e mulheres que morreram, se salvaram e cujas almas estão no Céu na felicidade eterna. Conforme o Apóstolo São Paulo: “Se morremos com Cristo, temos fé de que também viveremos com Ele” (Rom. 6,8). 

O segundo dia deste mês é dedicado aos fiéis defuntos, ou Dia de Finados. Com o desvelo de Mãe, a Igreja, depois de festejar a glória de todos que se encontram no Céu, volta seu olhar misericordioso para as almas que estão sofrendo no Purgatório (lugar de purificação). 

Santa Catarina de Gênova, em seu “Tratado do Purgatório”, escreve: 

“A alma do justo, ao sair de seu corpo, vendo em si mesma alguma coisa que empana sua inocência primitiva e opõe-se à sua união com Deus, experimenta uma aflição incomparável; e como sabe muito bem que este impedimento não pode ser destruído senão pelo fogo do Purgatório, desce ali de repente e com plena vontade”. 
Isto porque a alma deseja apresentar-se diante de Deus purificada de qualquer mancha, de qualquer pecado. Como filhos de Deus, devemos procurar aliviar as penas, e mesmo obter de nosso Divino Redentor o livramento das almas que padecem no Purgatório, especialmente as de nossos mais próximos, parentes, amigos. 

Como aliviar seus padecimentos? — Rezando e sofrendo por elas, pedindo a intercessão de Maria Santíssima para que leve as almas dos fiéis defuntos o quanto antes para a glória da bem-aventurança eterna. 

Dia de Finados
em Guanajuato (México).
Nessa intenção, devemos rezar todos os dias do ano, mas de modo particular no Dia de Finados. Daí o costume de em 2 de novembro visitar os cemitérios e rezar junto à sepultura de nossos entes queridos. Os que o fizerem de 1º a 8 de novembro podem ganhar uma indulgência plenária, nas condições estabelecidas pela Santa Igreja. 

Infelizmente, em nossos tempos, procura-se desviar a atenção de assuntos relacionados com a morte. Entretanto, quem de nós sabe se viverá até amanhã? A cada passo a morte roça em nós — é um parente, um amigo, um vizinho que é chamado ao Tribunal de Deus —, mas procuramos não pensar nesse tema tão sério, como se não nos dissesse respeito. 

Essa não é uma atitude cristã. “Como? Morreu?”, fingimos surpresa. “Como se pudesse causar surpresa a morte de um mortal” (Bossuet, Le sermon sur la mort). 

Também se procura cada vez mais esquecer esta lembrança de Finados, substituindo-a pelo Halloween (dia das bruxas), festividade evocativa de cultos do antigo paganismo, trazendo à tona recordações hediondas e sinistras — sobretudo quando associam o Halloween com as Marchas dos Zumbis (ou dos mortos vivos, como na foto ao lado), que desfilam pelas cidades seus horrores asquerosos, macabros e infernais. 


As pessoas que amam tais coisas repugnantes deveriam começar a rechaçá-las a fim de não se aplicar a elas a censura do Profeta Oséias (9,10): “tornaram-se tão abomináveis como as coisas que amavam”. Especial cuidado devem ter os pais em não fantasiar seus filhos com esses horrores do inferno. O Padre Gagriel Amorth, que foi o principal exorcista de Roma, advertiu que esses horrores servem ao diabo para dominar as almas. 

No Brasil, Halloween faz parte do programa de descristianização das famílias e da sociedade em geral. Na Europa, berço da Cristandade, a onda impondo artificialmente o Dia das Bruxas deu-se há 20 anos. Esforçava-se então para levar as famílias a festejá-lo, adotando suas imagens repugnantes, conferindo uma importância semelhante à do Natal. Programas de rádio e televisão, artigos de jornais e revistas — de festejos escolares abusando da inocência até papéis de embrulho recomendados pelas associações comerciais — ostentavam morcegos dentuços, esqueletos, cadáveres ambulantes, bruxas e gatos pretos, aranhas negras e serpentes, monstros saídos de cavernas infernais. 

As músicas afins com este horror, tocadas em muitos ambientes, restaurantes, livrarias etc., causam calafrios. Aos poucos trouxeram repulsa. Crianças choravam. Velhos viravam o rosto. Sorriam, de um sorriso amarelo, somente donos das lojas, num esforço de passar imagens das trevas. 

Contou-me um Amigo, que, há uns dez anos, num posto de gasolina, na auto-estrada A-4, que liga Paris à Alemanha, uma jovem mãe hesitava em receber como brinde de um dos empregados um monstro cadavérico, típico de Halloween. O casal de filhos, a quem se destinava o “brinde”, dependurando-se na barra de sua saia, tal náufragos amedrontados pela morte: “Não, mãe. O Natal já vai chegar. Já temos o Menino Jesus”, disse o menino. “E os boizinhos e o burrico. E também os anjos”, acrescentou a menina. 

Enquanto o Halloween e a Marcha dos Zumbis nos impelem para as coisas cadavéricas, para o horrendo próprio ao Inferno e seus precitos e demônios, as celebrações nos dias de Todos os Santos e de Finados elevam nossos olhos para o Céu e seus Anjos e Santos. 
"Sete Santos", pintura de Filippo Lippi (1406-1469)



31 de outubro de 2013

Dia de Todos os Santos e Finados — oposição ao Halloween


Paulo Roberto Campos
prccampos@terra.com.br

No primeiro dia de novembro comemoram-se Todos os Santos — todos homens e mulheres que morreram, se salvaram e cujas almas estão no Céu na felicidade eterna. Conforme o Apóstolo São Paulo: “Se morremos com Cristo, temos fé de que também viveremos com Ele” (Rom. 6,8).

O segundo dia deste mês é dedicado aos fiéis defuntos, ou Dia de Finados. Com o desvelo de Mãe, a Igreja, depois de festejar a glória de todos que se encontram no Céu, volta seu olhar misericordioso para as almas que estão sofrendo no Purgatório (lugar de purificação).


Santa Catarina de Gênova, em seu “Tratado do Purgatório”, escreve: “A alma do justo, ao sair de seu corpo, vendo em si mesma alguma coisa que empana sua inocência primitiva e opõe-se à sua união com Deus, experimenta uma aflição incomparável; e como sabe muito bem que este impedimento não pode ser destruído senão pelo fogo do Purgatório, desce ali de repente e com plena vontade”. Isto porque a alma deseja apresentar-se diante de Deus purificada de qualquer mancha, de qualquer pecado.

Como filhos de Deus, devemos procurar aliviar as penas, e mesmo obter de nosso Divino Redentor o livramento das almas que padecem no Purgatório, especialmente as de nossos mais próximos, parentes, amigos. Como aliviar seus padecimentos? — Rezando e sofrendo por elas, pedindo a intercessão de Maria Santíssima para que leve as almas dos fiéis defuntos o quanto antes para a glória da bem-aventurança eterna.


Nessa intenção, devemos rezar todos os dias do ano, mas de modo particular no Dia de Finados. Daí o costume de em 2 de novembro visitar os cemitérios e rezar junto à sepultura de nossos entes queridos. Os que o fizerem de 1º a 8 de novembro podem ganhar uma indulgência plenária, nas condições estabelecidas pela Santa Igreja.

Infelizmente, em nossos tempos, procura-se desviar a atenção de assuntos relacionados com a morte. Entretanto, quem de nós sabe se viverá até amanhã? A cada passo a morte roça em nós — é um parente, um amigo, um vizinho que é chamado ao Tribunal de Deus —, mas procuramos não pensar nesse tema tão sério, como se não nos dissesse respeito. Essa não é uma atitude cristã. “Como? Morreu?”, fingimos surpresa. “Como se pudesse causar surpresa a morte de um mortal” (Bossuet, Le sermon sur la mort).

Também se procura cada vez mais esquecer esta lembrança de Finados, substituindo-a pelo Halloween (dia das bruxas), festividade evocativa de cultos do antigo paganismo, trazendo à tona recordações hediondas e sinistras — sobretudo quando associam o Halloween com as Marchas dos Zumbis (ou dos mortos vivos, como na foto ao lado), que desfilam pelas cidades seus horrores asquerosos, macabros e infernais.


No Brasil, Halloween faz parte do programa de descristianização das famílias e da sociedade em geral. Na Europa, berço da Cristandade, a onda impondo artificialmente o Dia das Bruxas deu-se há 20 anos. Esforçava-se então para levar as famílias a festejá-lo, adotando suas imagens repugnantes, conferindo uma importância semelhante à do Natal. Programas de rádio e televisão, artigos de jornais e revistas — de festejos escolares abusando da inocência até papéis de embrulho recomendados pelas associações comerciais — ostentavam morcegos dentuços, esqueletos, cadáveres ambulantes, bruxas e gatos pretos, aranhas negras e serpentes, monstros saídos de cavernas infernais. As músicas afins com este horror, tocadas em postos de gasolina, restaurantes, livrarias, causam calafrios. Aos poucos trouxeram repulsa. Crianças choravam. Velhos viravam o rosto. Sorriam, de um sorriso amarelo, somente donos das lojas, num esforço de passar imagens das trevas.


        Contou-me um Amigo, que, há uns dez anos, num posto de gasolina, na auto-estrada A-4, que liga Paris à Alemanha, uma jovem mãe hesitava em receber como brinde de um dos empregados um monstro cadavérico, típico de Halloween. O casal de filhos, a quem se destinava o “brinde”, dependurando-se na barra de sua saia, tal náufragos amedrontados pela morte: “Não, mãe. O Natal já vai chegar. Já temos o Menino Jesus”, disse o menino. “E os boizinhos e o burrico. E também os anjos”, acrescentou a menina.

Enquanto o Halloween e a Marcha dos Zumbis nos impelem para as coisas cadavéricas, para o horrendo próprio ao Inferno e seus precitos e demônios, as celebrações nos dias de Todos os Santos e de Finados elevam nossos olhos para o Céu e seus Anjos e Santos.