4 de janeiro de 2025
2024 EM RETROSPECTIVA — Sinais do Céu para a Igreja e para o Mundo
26 de novembro de 2024
Medalha Milagrosa para a Ucrânia em guerra
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| Miguel Angel Gutiérrez (na foto à direita). |
✅ Oscar Vidal
A fim de ajudar espiritualmente os ucranianos que combatem contra o invasor russo, Miguel Angel Gutiérrez, espanhol de Granada e membro da TFP italiana, da associação Luci sull’Est e da Federação Pro Europa Christiana, entrou no início de abril na Ucrânia levando consigo 50 mil unidades da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças.
Na distribuição que fez delas, boa quantidade ele destinou a freiras que as costuraram nos coletes antibalísticos dos militares e civis que se alistaram para lutar pelo país, deixando-os especialmente protegidos [foto abaixo]. Essa Medalha Milagrosa é uma arma muito poderosa que a Santa Mãe de Deus nos concedeu para vencermos as dificuldades.
Assim, numa aparição a Santa Catarina Labouré em 27 de novembro de 1830, Ela assegurou: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todas as pessoas que a usarem ao pescoço receberão grandes graças. As graças serão abundantes para as pessoas que a levarem com confiança”.
Entidades religiosas ucranianas estão pedindo mais Medalhas para distribuição entre os devotos, e logo serão atendidas pelas três associações mencionadas.
Em entrevista no dia 5 de abril a Javier Navascués, do site espanhol Infocatólica, Miguel Angel declarou: “Como é difícil chegar às aldeias e às pequenas cidades da Ucrânia, enviamos 20 mil Medalhas para o Bispo Auxiliar de Lviv, Mons. Kava, que sendo um franciscano conventual, segue a espiritualidade de São Maximiliano Kolbe de difundir a Medalha Milagrosa. E 30 mil Medalhas distribuímos aos fiéis das igrejas de Lviv, especialmente onde se encontrava a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.”
Ao ser perguntando se teve medo de entrar num país em guerra, bombardeado a todo instante, com os evidentes riscos, além do perigo de não conseguir retornar à Itália, onde reside, Miguel Angel afirmou:
“Quando recebi a mensagem de um amigo sacerdote, o Padre Paulo Vyskosky, missionário dos Oblatos de Maria Imaculada, de que ele e sua comunidade se dirigiam a Kiev para dar assistência espiritual e caritativa às pessoas afetadas, pensei que se tinham essa coragem e zelo pelas almas numa zona muito próxima da frente de batalha, mais uma razão para eu me armar com esta coragem.”
O que mais o impressionou nessa perigosa aventura “foi o quanto as pessoas ficavam agradecidas ao receber as Medalhas. Os católicos na Ucrânia sofreram perseguição e martírio durante décadas, a sua fé é muito profunda porque foi forjada no sangue. E saber que em outros países estão rezando por eles e que esta Medalha é o símbolo desta união na oração, deixou seus corações repletos de emoção. Deve-se dizer que as medalhas são muito bem cunhadas e feitas de bom metal, o que as torna ainda mais apreciáveis. Para Deus o melhor, como dizia São Francisco de Assis.”
Miguel Angel sentiu uma graça de, em meio à guerra, ser muito protegido pela Santíssima Virgem. “Encontrar um povo que está sofrendo os horrores da guerra e vê-los rezar com aquela profunda fé e confiança em Deus, por intermédio da Virgem Maria, de quem são muito devotos, fez-me refletir sobre como vivemos tão tibiamente nos nossos países ocidentais.” E deu um admirável exemplo: “A Virgem peregrina de Fátima encontrava-se na maior paróquia greco-católica do país. Todas as noites fazem uma procissão em torno da igreja, recitando o terço. Quando as sirenes antiaéreas soam, a procissão não é suspensa... continua nos subterrâneos da igreja.”
Com uma nota de muita esperança, o corajoso granadino disse que “os bispos ucranianos viram muito claramente que com a conversão do coração dos homens os problemas se resolvem. Se não houver conversão, o pecado continuará a produzir males maiores. Foi por isso que, em Fátima, Nossa Senhora pediu a consagração da Rússia, e também penitência e conversão. Esta foi a forma que nos indicou para que pudéssemos ver o quanto antes o triunfo do Seu Coração Imaculado.”
9 de março de 2022
RÚSSIA x UCRÂNIA — Movimentações nos ventos da guerra (Parte III)
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| Neste dia 9 de março, a maternidade da cidade de Mariupol foi bombardeada… |
Aseguir reproduzimos um texto, publicado como um quadro ilustrativo da matéria de capa da revista Catolicismo deste mês — artigo redigido às vésperas da efetiva invasão da Ucrânia por ordem do déspota Vladimir Putin.
A revista elenca episódios que antecederam o início da guerra, que se pode dizer que oficialmente foi iniciada no dia 21 de fevereiro com o decreto de Putin, o covarde stalinista russo, declarando a independência de duas regiões da Ucrânia (Donetsk e Luhansk). Decreto que foi estopim para a explosão da guerra com o oficial envio de tropas russas, com o objetivo de excluir para sempre a identidade do povo ucraniano, mas que o cínico Putin denominou de “missão de paz”!

A ESCALADA DAS MOVIMENTAÇÕES RUMO À GUERRA
Segue um breve elenco de alguns dos episódios transcorridos apenas em fevereiro último, todos baseados em informações de agências de notícias sérias, que reforçam a ideia de que a tensão aumentou muito na região fronteiriça Rússia/Ucrânia. E isso apesar dos esforços diplomáticos de líderes mundiais para obter a pacificação e dos reiterados desmentidos de Vladimir Putin de que não desejava o conflito — nos quais poucos acreditaram.

- Vladimir Putin, ex-oficial da KGB, há 22 anos como mandatário absoluto da Rússia, ordena a expulsão do vice-embaixador americano em Moscou, Bartle Gorman;
- A Rússia no início de fevereiro contava com aproximadamente 100 mil soldados mobilizados na fronteira com a Ucrânia. Putin declarou que eles estavam sendo retirados. Entretanto, em meados daquele mês o contrário aconteceu, o número de soldados dobrou;
- Alguns países, como Brasil, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Holanda, Letônia, Noruega, expedem ordens de retirada de seus cidadãos da Ucrânia. Somente dos EUA são 30 mil americanos;
- Joe Biden reforça o pedido de retirada dos cidadãos americanos dizendo que a situação é muito grave, que não estavam lidando apenas com uma organização terrorista, mas sim com um dos maiores exércitos do mundo e que “as coisas podem perder o controle e se tornarem apaixonadas rapidamente”;
- Tropas russas participam de manobras na Bielorrússia em meio ao aumento da tensão na Ucrânia, e testam inclusive lançamento de mísseis intercontinentais. Manobras que foram supervisionadas diretamente por Putin;
- Imagens de satélite revelam um substancial aumento de tropas, veículos e aviões russos na Bielorrússia e na Península da Criméia (anexada pela Rússia há sete anos, na região de Kursk, a 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia);
- Aumento do número de navios de guerra russos, abarrotados de equipamento militar, no Mar Negro;
- Antony Blinken, secretário de Estado americano, afirma que “estamos em uma janela em que uma invasão pode começar a qualquer momento […] Continuamos a ver sinais muito preocupantes da escalada russa, incluindo novas forças chegando à fronteira”;
- Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que “a maneira como Putin mobilizou suas forças e as colocou no terreno, juntamente com os outros indicadores que coletamos por meio de inteligência, deixa claro que existe uma possibilidade muito alta de que a Rússia deva lançar uma operação militar, e há razões para acreditar que isso pode acontecer em um prazo razoavelmente curto”;
- Por sua vez, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, declarou: “Há um perigo de conflito militar, uma guerra no leste da Europa, e a Rússia tem responsabilidade por isso”;
- Boris Johnson, primeiro-ministro inglês, disse que a Rússia está planejando a “maior guerra na Europa desde 1945. […] Que poderá ocorrer uma geração de derramamento de sangue e miséria”;
- Governos ocidentais emitem novos alertas sobre o risco de uma iminente invasão russa à Ucrânia;
- O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, também fala em “risco real” de conflagração armada envolvendo a Europa, inclusive com a utilização de armas russas “cibernéticas”;
- Como tentativa de enfraquecer ou mesmo derrubar o governo ucraniano, ciber-ataques são operados por russos contra instituições e bancos;
- Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, declarou que Rússia se dirige para uma “invasão iminente” da Ucrânia, apesar dos anúncios de Putin sobre a falaciosa retirada de tropas;
- Declaração do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, dizendo que, como atestam documentos de Inteligência americana, a Rússia não diminuiu a presença militar e que novas tropas russas vão se aproximando da Ucrânia;
- Elevando o tom ainda mais, Biden — durante coletiva de imprensa na Casa Branca e após uma ligação com líderes ocidentais — declarou estar convencido de que Vladimir Putin tomou a decisão de invadir a Ucrânia, incluindo um ataque à capital, Kiev. E que sua convicção se fundava em relatórios da inteligência americana;
- No dia em que fechamos esta matéria (21 de fevereiro), Putin deu o passo que todo o mundo ocidental temia: numa violação flagrante da legislação internacional, da integridade e da soberania territorial da Ucrânia, decretou a independência de duas regiões claramente ucranianas (Donetsk e Luhansk), conforme os acordos de Minsk (2014 e 2015) e, algumas horas após a assinatura do decreto, ordenou o envio de tropas para ocupar essas regiões. Durante tal declaração, Putin — não escondendo seu anseio de restaurar a antiga URSS — novamente lamentou as perdas que a Rússia teve quando a União Soviética se desfez em 1991.

7 de março de 2022
RÚSSIA x UCRÂNIA — Movimentações nos ventos da guerra (Parte I)
| Coluna de tanques russos |
“A Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 855, Março/2022
Tendo
como fundo de quadro o grave conflito que vem se acentuando ao longo das
fronteiras entre Rússia e Ucrânia — sobretudo depois da assinatura do pacto
entre Rússia e China de “aliança sem limites”, acordado em Pequim no dia
4 de fevereiro último —, muitos analistas internacionais passaram a sentir
“cheiro de pólvora” se espalhando pelos ares de várias nações.
Alguns
deles vislumbraram a possibilidade da realização de velho sonho do autocrata
Vladimir Putin de restabelecer a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas), para o que a invasão da Ucrânia seria apenas o primeiro passo.
Outros levantam inclusive a hipótese de que tal conflito possa se degenerar
numa III Guerra Mundial, até mesmo com o emprego de arsenal atômico.
Temendo o perigo de que esse sonho de Putin se transforme em realidade, alguns países outrora subjugados pela falida União Soviética — como Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Lituânia, Letônia e Estônia — mobilizaram tropas para defender suas fronteiras.
No
quadro [aqui o reproduziremos amanhã] elencamos algumas informações que mostram
como os ventos da guerra avançaram rapidamente até chegar ao decreto do dia 21
de fevereiro, com o qual Putin deixou cair a máscara, mostrando sua sinistra
face stalinista. Com efeito, com esse decreto ele violou a integridade e a
soberania territorial da Ucrânia ao declarar a independência de duas regiões
claramente ucranianas (Donetsk e Luhansk), conforme os acordos de Minsk (2014 e
2015); tendo ordenado logo em seguida o envio de tropas para essas regiões — o
que o governante absoluto da Rússia, hipocritamente, chamou de “missão de
paz”...
Análise sob o
ponto de vista católico
Nós, enquanto católicos que procuram analisar meticulosamente o panorama político internacional, não podemos deixar de relacionar esse conflito com as proféticas palavras de Nossa Senhora de Fátima. Com efeito, no dia 13 de julho de 1917, na terceira aparição aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, Ela profetizou:
“Quando
virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal
que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da
fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a
consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos
primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá
e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e
perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito
que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado
Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se
converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.
1
Em
carta do dia 12 de maio de 1982, dirigida ao Papa João Paulo II, a Irmã Lúcia
escreveu : “Porque não temos atendido a este apelo da Mensagem, verificamos
que ela se tem cumprido, a Rússia foi invadindo o mundo com seus erros.
E se não vemos ainda, como fato consumado, o final desta profecia, vemos que
para aí caminhamos a passos largos”. 2
Guerra de
civilizações, de culturas, de ideologias
Enquanto
católicos não podemos deixar de apontar os efeitos que uma nova guerra poderá
causar à Igreja e influenciar todos os aspectos da sociedade temporal. É o que
o nosso principal colaborador, o muito saudoso Prof. Plinio Corrêa de Oliveira,
comenta em seu prenunciativo texto publicado em nossa edição de abril de 1951 [aqui o reproduziremos
no dia 9 próximo].
Com
a invasão da Ucrânia pela Rússia, a situação de guerra poderá levar o mundo a
um novo e brutal “choque de civilizações” e a uma “guerra cultural”, gerando
revoluções sociais e/ou guerras civis, provocando destruições incalculáveis,
não apenas materiais, mas culturais, no sentido da expansão da IV Revolução.
3 Ou seja, será uma guerra ideológica entre “duas civilizações,
duas culturas, dois mundos ideológicos inteiramente distintos e antagônicos, em
presença um do outro. E a sobrevivência da hegemonia mundial da cultura
ocidental será impossível se a vitória couber ao bloco liderado pelos
bolchevistas”, escreveu o Prof. Plinio no referido artigo.
Uma vez iniciada a invasão da Ucrânia pela Rússia, a situação de guerra poderá levar o mundo
a um novo e brutal “choque de civilizações” e a
uma “guerra cultural”.
“Morto o
comunismo? E o anticomunismo também?”
Uma
objeção poderia ser levantada: a URSS não existe mais; a União Soviética era
uma coisa e a Rússia de hoje, outra. Sem dúvida, o objetor fictício tem razão.
Mas também tem razão quem vê o perigo do retorno do regime próprio da “União
Soviética” — que subjugou povos por sete longas e negras décadas —, prenunciado
na pretensão de dominar a vizinha Ucrânia. Tudo isso se agrava exponencialmente
com o recente pacto sino-russo.
Ademais,
constitui grave equívoco julgar que o “comunismo morreu” e que a Rússia pós
URSS já não é mais dominada pela antiga nomenklatura do regime
comunista. A respeito, aconselhamos a leitura do manifesto “Morto o
comunismo? E o anticomunismo também?”, de autoria de Plinio Corrêa de
Oliveira, publicado em nossa revista (edição de outubro de 1989 — link indicado
no final desta matéria).4
Nesse
documento, o autor demonstra que no desmoronamento da União Soviética o
comunismo não morreu, mas apenas se metamorfoseou por meio de duas políticas
cosméticas denominadas Glasnost (transparência), em 1985, e depois Perestroika
(reestruturação), em 1986, ambas levadas a cabo pelo velhaco político Michail
Gorbachev.
Como
a carranca marxista-leninista do comunismo assustava a opinião pública
ocidental, os dirigentes russos resolveram dar a impressão de que “o velho
comunismo morreu”, desmobilizando desse modo as reações anticomunistas, ao
mesmo tempo que conservavam os países satélites da Rússia. Tudo não passou de
mera cirurgia cosmética — como agora estamos vendo com o projeto de Putin,
antigo coronel da KGB da ex-URSS.
Ele
próprio já afirmou que a maior tragédia geopolítica do século XX foi o fim da
União Soviética, tendo aliás renovado essa afirmação no dia 21 de fevereiro
último, ao lamentar as perdas causadas à Rússia pelo desfazimento da União
Soviética em 1991. Não é, pois, de estranhar que Putin queira restabelecer o
antigo sistema de domínio soviético ao subjugar o próprio país e os vizinhos,
entre os quais a Ucrânia, a fim de restabelecer aquela espúria união de países
comunistas para fazer face ao mundo ocidental.
“Espada de
Dâmocles” pairando sobre o Ocidente
Nestes
dias em que redigimos esta matéria, a tensão nos ventos da guerra é altíssima —
sobretudo porque poderá ocorrer uma conflagração armada envolvendo Rússia,
China, Estados Unidos, Ucrânia e nações vizinhas. Bem vislumbramos que esses
ventos poderão mudar de direção de um dia para outro, e quando esta edição
estiver em mãos de nossos leitores, a tensão poderá ter aumentado, diminuído ou
mesmo cessado. Quem viver, verá!
Mesmo que o clima de guerra venha aparentemente arrefecer,
enquanto Vladimir Putin e Xi Jinping — o qual pretende fazer com Taiwan o mesmo
que o mandatário russo quer fazer com a Ucrânia — estiverem aboletados no poder
de suas imensas nações, tal clima persistirá ainda que seja como “espada de
Dâmocles” pairando sobre a civilização ocidental e cristã.
Chamberlain, no retorno a Londres, exibe o “acordo de Munique” após encontro com Hitler
“Escolhestes a
vergonha, agora tereis a guerra”
Não somos partidários do “ceder para não perder”, mas sim de lutar para vencer! Imaginamos que também nossos leitores sejam admiradores desse princípio católico, em oposição a certos líderes mundiais entreguistas, partidários do princípio “ceder para não perder”. Conforme se desenrolarem os acontecimentos, a eles poderemos aplicar a histórica censura proferida por Churchill [foto ao lado] ao entreguista Chamberlain (Primeiro-Ministro do Reino Unido entre 1937 e 1940) quando este retornou a Londres celebrando o “acordo de Munique” após um encontro com Hitler — às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial —, na vã tentativa de apaziguar a agressividade nazista: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra. Escolhestes a vergonha, agora tereis a guerra”.
Assim
sendo, não “baixemos a guarda”, estejamos com os olhos bem abertos, pois não
podemos ver de modo otimista o perigo que nos ameaça, nem com olhos
“chamberlainescos”... Pelas mesmas razões, consideramos que o artigo a seguir seja mais atual do que
no próprio ano em que foi redigido, décadas atrás, por Plinio Corrêa de Oliveira.
Dele eliminamos apenas algumas frases concernentes especificamente à
geopolítica naquele remoto ano.
Da Redação de Catolicismo
____________
Notas:
1.
1. Um caminho
sob o olhar de Maria
– Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de
Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, pp. 63-64.
2.
2.
Antonio Augusto Borelli Machado, Catolicismo,
Nº 597, Setembro/2000.
3.
3.
Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e
Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4a. edição em português, 1998, Parte
III. (na qual o autor descreve o nascimento da IV Revolução - a Revolução
Cultural, que procura implantar uma sociedade tribal e anárquica).
2 de março de 2022
Desejar a paz é estar disposto a pegar em armas para conquistá-la
Nesses dias de uma guerra que poderá se estender pela Europa, talvez até para todos os Continentes, seguem alguns pensamentos para refletirmos
“Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que aconteça. Mas ainda não será o fim.”
(São Mateus 24, 6)
“Preparai-vos, sede corajosos e estai prontos desde a manhã para o combate a essas nações que estão unidas para nos arruinar, a nós e tudo o que possuímos de sagrado.”
(I Judas Macabeu 3,58)
“Eu não temeria ir à guerra. Com que alegria, por exemplo, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges. Sim! Eu não temeria levar um tiro, não temeria o fogo!”
(Santa Teresinha)
“Pax quaeritur bello.”
[Procura-se a paz por meio da guerra]
(Expressão latina)
“É próprio ao belicismo fanático delirar e agredir. É próprio ao pacifismo fanático fechar os olhos, ceder, recuar.”
(Plinio Corrêa de Oliveira)
“Não sabemos a totalidade das armas da terceira guerra mundial, mas as da quarta serão o arco e a flecha.”
(Albert Einstein)
1 de março de 2022
Rússia/Ucrânia: tensão nos ventos da guerra. Estamos às vésperas de uma III Guerra Mundial?
| Dois misseis russos atingiram uma área residencial de Kharkiv, a 2ª maior cidade da Ucrânia, em 1-3-22. |
| Torre de TV bombardeada, neste primeiro dia de março, em Kiev, capital ucraniana |
15 de fevereiro de 2017
Bispos ucranianos condenam a “Ideologia de Gênero”
Encíclica de bispos da Ucrânia denuncia a absurda, totalitária e pseudo-científica tese dos “ideólogos de gênero” como uma revolta contra a ordem estabelecida por Deus quando criou o homem e a mulher
Uma das mais nefastas ideologias inspiradas pelo demônio para perverter especialmente a infância é a Ideologia de Gênero. Na loucura generalizada de nossos dias, não se podia conceber coisa mais absurda nem contra o mais elementar bom senso.
Era preciso que o mundo chegasse ao extremo de decadência e de amoralidade de nossos dias para que teoria tão nefasta pudesse surgir.
O que é pior, ela não encontra, mesmo da parte de pessoas tidas como sensatas, a repulsa que deveria causar. Por isso é muito reconfortante saber que os bispos do rito Greco-católico da Ucrânia se ergueram em uma só voz contra ela, numa “Carta Encíclica” dirigida a todo o clero daquele sofrido país, àqueles responsáveis pela educação dos filhos e “aos que trabalham na informação e nos currículos educativos, como também aos cientistas, para que proporcionem uma informação real e completa sobre a própria essência do ser humano”.
O documento é reproduzido e comentado pelo jornalista Raffaele Dicembrino no site católico italiano La Croce Quotidiano , de 14 de janeiro último, e retransmitido em espanhol em ReligionenLibertad. É dessas fontes que publicamos esta matéria.
De onze páginas, muito categórica e com forte linguagem, a “Carta Encíclica” é assinada em nome do Sínodo dos bispos do rito Greco-católico ucraniano pelo Arcebispo Maior desse rito em Kiev, Sviatoslav Shevchuk [foto acima].
Nova ideologia para destruir a fé e a moralidade cristãs
“Antes havia o regime soviético, que impunha uma visão ateia do mundo — diz Dicembrino, citando o documento —, apresentada como sendo ‘a única científica, e que privava os homens do direito de professar livremente sua fé religiosa’”. Os bispos afirmam que hoje os desafios são similares, pelos “modos ideológicos de destruir a fé católica”, pondo em discussão, de maneira solapada, “a fé e a moralidade cristãs”. Entre os novos desafios que enfrentamos, “tem um lugar relevante a Ideologia de Gênero”.Segundo os bispos, essa ideologia “procura destruir a percepção da sexualidade humana como dom de Deus naturalmente vinculado às diferenças biológicas entre homem e mulher”, tendo como consequência “introduzir perigosa desordem nas relações humanas”.
Os prelados alertam os fiéis ucranianos para que não reajam passivamente aos sofismas dessa ideologia, “aceitando como verdade, sem pensar, essas teorias atéias, cujo [falso] fundamento é afirmar a dignidade humana, alcançar a igualdade entre as pessoas, e defender o direito humano à liberdade”.
Os bispos Greco-católicos recordam que o plano de Deus delineia a dignidade humana, e põem em evidência as passagens da Bíblia que acentuam e valorizam as diferenças entre o homem e a mulher. Eles recordam que a sexualidade “como dom de ser homem e mulher” cobre, “de maneira íntegra, todas as dimensões da existência da pessoa humana: corpo, alma e espírito”. Além do que a pessoa humana, criada à imagem de Deus, “está chamada à eterna comunhão com o Criador”, com “livre vontade” — termo amplamente esgrimido pelos que fomentam a Ideologia de Gênero — “que permite ao homem escolher tanto o bem quanto o mal”.
Para os bispos, a Ideologia de Gênero é um legado da “constante tentação de violar os estatutos de Deus neste âmbito”, a qual vem “da queda de nossos progenitores”. Pois, a partir do Pecado Original, o homem “abusa da possibilidade de uma escolha livre, quando tenta liberar-se dos valores tradicionais na área da sexualidade e da vida matrimonial, ao que trata falsamente como um arcaísmo e um obstáculo à igualdade, dignidade e à liberdade”. Para a Ideologia de Gênero, “a diferença entre os sexos seria uma condição prévia para a violência sexual, na família e fora dela”, enquanto que, na realidade, a causa desses problemas “não é a sexualidade, mas precisamente sua percepção distorcida”.
Escolher o próprio sexo: eleição pessoal?
O documento ressalta que, durante milênios, os seres humanos se definiram sempre com base nos sexos biológicos, varão e mulher, e que só recentemente “pontos de vista mundanos, contrários à fé cristã, à realidade científica objetiva, e à lei natural, passaram a ser difundidos e influentes”, fazendo com que a identidade de gênero “já não seja um dom de Deus”, mas uma “escolha individual da pessoa”.Isso a leva a “não compreender seu profundo chamado ao amor eterno”, mas antes a considerar a identidade de gênero, “uma diversão temporal da existência”.
Segundo essa funesta ideologia, a pessoa humana possui uma como que “liberdade incorpórea”, da qual é criadora e a partir da qual constrói sua identidade. Desse modo, todos podem escolher o sexo que queiram, porque à pessoa “se oferece a possibilidade de não limitar o próprio sexo biológico ao conceito de homem ou mulher, ou ao papel social de homem e mulher, mas antes em escolher o próprio gênero dentre uma pluralidade de possibilidades”. A pessoa já não está determinada “por ser algo”, mas antes por “atuar no papel de alguém”.
Querem impor essa ideologia totalitária
Para a “Carta Encíclica”, o pior de tudo não são essas teorias aloucadas, mas que elas sejam “impostas de maneira agressiva à opinião pública, introduzidas gradualmente na legislação, forçando — e aumentando — sua visibilidade em âmbitos distintos da vida humana, sobretudo na educação e no crescimento” das crianças.Desse modo, “as Ideologias de Gênero começam a adquirir as características de uma ideologia totalitária, e são similares às teorias utópicas que, no século XX, não só prometeram criar o paraíso na Terra, mas buscaram ao mesmo tempo introduzir, mediante a força, seu modo de pensar, erradicando qualquer outro ponto de vista alternativo”.
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| Vitral representando a criação no Paraíso Terrestre do homem e da mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus |
Sobretudo, com a Ideologia de Gênero se nega “a existência de um Criador”, e “a verdade de que os homens foram feitos à Sua imagem”, pondo em discussão a complementariedade dos homens e mulheres, e mesmo a instituição do matrimônio.
Ideologia sem base científica
O mais absurdo é que a Ideologia de Gênero “não corresponde sequer a dados científicos objetivos”, mas se baseia antes em “hipóteses subjetivas e declarações pseudo-científicas, feitas pelas partes interessadas”. Isso, além de fomentar muitas formas de “identidade sexual ou comportamentos que não correspondem de todo à natureza humana”, levam mais bem “à promiscuidade e à progressiva desmoralização da sociedade”.Os bispos ressaltam que as Ideologias de Gênero também “destroem o conceito de família como comunidade formada por pai e mãe, na qual as crianças nascem e crescem”, porque esta é apresentada só como “uma forma possível de família”.
O último parágrafo da encíclica recomenda especialmente educação e estudo, porque a sociedade “não conhece em profundidade as questões de gênero”. Entretanto, é necessário não sucumbir à pressão social, e trabalhar “juntos para defender a dignidade de cada pessoa, reafirmando as características próprias naturais dadas por Deus, e protegendo com firmeza o desenvolvimento da comunidade da família como fundamento da revelação divina”.
Para isso é necessário informar-se, e compreender “o verdadeiro objetivo de algumas propostas ou apelos”, porque “o ser humano não pode trair sua vocação e destruir a dignidade humana em favor de duvidosos projetos políticos e sociais, mesmo que estes sejam apresentados como um sinal de progresso e modernidade”.
Esperamos que esse lúcido apelo dos bispos Greco-católicos ucranianos encontre eco em muitos outros episcopados, em particular aqui, nesta Terra de Santa Cruz.
____________
1. http://www.lacrocequotidiano.it/articolo/2017/01/14/chiesa/la-chiesa-ucraina-tuona-contro-il-gender2 http://www.religionenlibertad.com/iglesia-ucraniana-compara-ideologia-genero-con-las-ideologias-54475.htm
20 de julho de 2014
Boeing 777 da Malaysia Airlines: raio que mata, mas esclarece!
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O Boeing 777, da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil terra-ar da
Rússia, certamente utilizando um lançador Buk,
que pode disparar projéteis a uma altitude de 22 mil metros
|
A derrubada do Boeing 777, da Malaysia Airlines, por um míssil russo no dia 17 último, traz à memória uma inevitável recordação de setembro de 1983: a trágica derrubada do jumbo sul-coreano, da Korean Air Lines, atingido por um caça soviético, matando 269 passageiros. Naquela ocasião, a Sociedade Norte-Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) lançou um manifesto, com o título “Jumbo sul-coreano: raio que mata, mas esclarece!”, sua tradução foi publicada na revista Catolicismo, Nº 393, Setembro/1983.
Nos presentes dias, tal manifesto, mutatis mutandis, aplica-se ao atual crime cometido pelas forças russas contra o avião malaio numa região ucraniana, mas controlada por milicianos separatistas pró-Rússia, fortemente armados pelo "império" russo — ato covarde que matou 298 civis, entre os quais, 80 crianças!
Atualmente a mídia tem publicado inúmeras notícias que revelam o plano da Rússia de expandir sua (deletéria) influência, e mesmo seu domínio, sobre nações sul-americanas, inclusive no Brasil, onde a garra soviética já se faz notar. Memento 1: a recente visita de Vladimir Putin a nosso país... Memento 2: a pobre Crimeia já sente o peso das botas soviéticas...
Com a ascensão ao Poder no Kremlin desse ex-oficial da KGB, está renascendo o velho sonho imperialista soviético de transformar a nação brasileira e as vizinhas em colônias de Moscou.
Que, ao menos, sirva-nos de lição a derrubada criminosa do Boeing 777 da Malásia e que o Ocidente não capitule frente as investidas da Rússia e saibamos reagir enquanto é tempo. Para servir de alerta neste sentido, transcrevo alguns trechos do aludido manifesto da TFP norte-americana, que distribuiu só em Nova York 120 mil cópias desse documento. Os leitores que desejarem tomar conhecimento de sua íntegra, podem fazê-lo clicando no seguinte link:
Jumbo sul-coreano: raio que mata, mas esclarece!
“O crime perpetrado há poucos dias por um avião de caça soviético contra o jumbo sul-coreano produziu no povo norte-americano o efeito de um raio noturno: matou infelizmente a vários, mas — precisamente como fazem tais raios — iluminou com uma claridade terrível um panorama então coberto de densas trevas.Densas trevas, sim, que há anos vêm toldando progressivamente os horizontes de nossa política externa, com óbvios reflexos sobre nossa política interna. E com prejuízo inestimável para toda a Nação.
Convém que a realidade assim posta em evidência com o fulgor irresistível, mas tão transitório, de um raio, não seja esquecida pela nossa opinião pública. Lembrem-se sempre da tragédia do jumbo sul-coreano, é o conselho que a Sociedade norte-americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade —TFP oferece hoje a todos os norte-americanos. O fato tragicamente noticiado pelos meios de comunicação social no dia 2 de setembro [1983] contém para nós uma lição esclarecedora, a indicar por muitos anos o rumo de nossas cogitações e de nossas atitudes políticas.
[...] O mais elementar patriotismo leva o homem a preferir sua morte à destruição de seu país. Com que adjetivos os grandes patriotas de nosso passado qualificariam o emprego da fórmula “melhor vermelhos do que mortos”, que enuncia, no fundo, o propósito de muitos americanos de entregarem a nação ao imperialismo soviético, contanto que salvem a própria pele?
Mais. E pior. Com que qualificativo os grandes gigantes da Fé, dos quais nos falam o Antigo e o Novo Testamento, ou cujos feitos nos narra a História eclesiástica, haveriam de classificar os norte-americanos que, alegando princípios cristãos, ainda há pouco pleiteavam o desarmamento nuclear unilateral da América do Norte, para salvar — como se fossem valores supremos — as vidas de homens mortais, e sem embargo de entregarem assim à fera do ateísmo comunista os poucos restos preciosos que ainda existem da civilização cristã? O que diriam eles ao saberem que entre os líderes de tais norte-americanos figuram não poucos Bispos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana quando nada em sua doutrina e em sua tradição histórica dá fundamento a tal atitude? Sem embargo de já ter alcançado alguns expressivos resultados, a atuação desses norte-americanos declinou de momento, mas está pronta a erguer a cabeça na primeira ocasião. E teria todo propósito que, se tal se der, se lhes erguesse no caminho Matatias exclamando: “Eis que tudo quanto nós tínhamos de santo, de ilustre e de glorioso, está devastado e foi profanado pelos povos. De que nos adianta pois, viver ainda?” (1°. livro dos Macabeus, cap. II, versículos 12 e 13). Ou, então, Judas Macabeu bradando: “É melhor para nós morrer na guerra, do que ver os males de nosso povo e de nossos lugares santos” (1º. 1ivro dos Macabeus, cap. III, versículo 59).
A esses norte-americanos sirva de lição a tragédia do jumbo sul-coreano!
Tanto mais quanto negamos que o mundo esteja reduzido à opção entre a capitulação ante o comunismo e a tragédia atômica. Esta tragédia, pode-se esperar que Deus omnipotente a poupe aos povos que saibam amá-lo mais do que à vida. Como pode ser que não a poupe aos que amam a vida mais do que a Ele”.






















