6 de agosto de 2019

Conduta da Igreja Católica frente ao divórcio

Tão logo a lei do divórcio se estabeleceu, as dissensões, os ódios e as separações aumentaram enormemente. Após um relaxamento moral tão assustador, até mesmo divorcistas se arrependeram por terem defendido tais separações; as quais, por não terem procurado rapidamente o remédio na lei contrária, seria de recear que a própria sociedade civil se arruinasse.

Narra-se que os antigos romanos ficaram horrorizados pelos primeiros casos de divórcio. Demorou pouco para começar a entorpecer nos espíritos o senso de honestidade; desapareceu o pudor — que modera a sensualidade —, enfraqueceu a fidelidade conjugal em meio de tal licenciosidade, a ponto de parecer muito plausível o que se lê em alguns autores: as mulheres introduziram o costume de contar os anos não por causa das mudanças dos cônsules, mas dos maridos [...].

Muito mal compreendem o interesse e a felicidade pública aqueles que imaginam poder impunemente perverter-se a genuína e verdadeira noção do matrimônio. Desconhecendo a santidade da religião e do sacramento, parecem querer corromper e desfigurar o matrimônio mais vergonhosa e ignominiosamente do que o fizeram as próprias leis dos pagãos [...].

Portanto, se essas formas de pensar não mudarem, tanto as famílias quanto a sociedade humana viverão em constante temor de serem arrastadas, lamentavelmente, para tal perigo e ruína universal, que há algum tempo vêm propondo as hordas criminosas de socialistas e comunistas. Nisso podemos ver quão equivocado e absurdo é esperar o bem-estar público com o divórcio, que, pelo contrário, arrasta a sociedade para a ruína. 

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(Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae, nº 21, de 10 de fevereiro de 1880, do Papa Leão XIII).

3 de agosto de 2019

A respeito da natureza criada por Deus, algumas frases que ecologistas odeiam

“A criação, admirável e harmoniosa, Deus não a fez senão para o homem. E se a fez tão maravilhosa, tão grande, diversificada, rica, útil, benéfica para alimentar o corpo e conduzir a alma a Deus, é por causa do homem” 

(São João Crisóstomo) 


“As coisas na face da Terra foram criadas por causa do homem, para ajudá-lo a conseguir o seu fim; por isso, devemos usá-las ou abster-nos delas, na medida em que conduzem o homem ao seu fim ou dele o afastam” 

(Santo Inácio de Loyola) 


“Um pintor deve começar o quadro com um banho de negro à tela, porque todas as coisas na natureza são escuras quando não estão expostas à luz” 

(Leonardo da Vinci) 


“Deus fez as coisas da natureza como um bom pai faz com o filho: deu um caderno com os desenhos impressos, mas sem cor, e também deu os lápis de cor para o filho pintar” 

(Plinio Corrêa de Oliveira)


“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras” 

(São Paulo, Apóstolo)

24 de julho de 2019

Uma declaração contra a implantação do divórcio no Brasil

Já nos idos de 1943 houve uma tentativa de implantação do divórcio em nosso País, por meio de um pleito reivindicado num Congresso Jurídico Nacional, e, na ocasião, Plinio Corrêa de Oliveira fez um comunicado de imprensa. Tal tentativa resultou inútil porque a opinião católica ainda reagia fortemente contra a indissolubilidade do vínculo conjugal. Segue o texto do comunicado publicado no “Legionário” de 14 de novembro daquele ano. 

“Supérfluo é dizer quanto a opinião católica está empenhada no assunto. A indissolubilidade do vínculo conjugal decorre do direito natural, e se torna particularmente cara aos católicos por motivo da dignidade sacramental a que Nosso Senhor Jesus Cristo elevou o matrimonio. Enquanto a Igreja existir — e portanto sempre — Ela lutará pela indissolubilidade do vínculo conjugal. Razões naturais e teológicas superiores a quaisquer contingências do tempo e de lugar, a tornam inimiga irredutível do divórcio, para todos os lugares, até a consumação dos séculos. Jamais, transigirá ela neste assunto. Assim, é de se compreender a atitude de apreensão que reinava em torno do assunto, e o desafogo que lhe veio trazer o relatório do Ex.mo Sr. Ministro da Justiça. 

Mas a opinião divorcista é solerte, empreendedora, combativa. Precisamos estar sempre de atalaia e combater incessantemente o divórcio. Este continua a ser, para nós, o grande dever, por excelência. 
*   *   * 
E já que falamos em casamento, destaquemos da recente mensagem do Santo Padre aos católicos do Peru [1° de novembro de 1953, por ocasião do Encerramento do Congresso Eucarístico naquele país, cfr. LEGIONÁRIO, 7 de novembro de 1943, 1ª. página], o seguinte texto de ouro: 

“Não se pode viver sem o Espírito de Deus. E quando o pobre peregrino não suportar sobre seus ombros anêmicos, se lhe falta o alimento espiritual, a carga da própria vida; quando se dobra na fraqueza como uma folha de feno e sente a angústia no coração, por haver esquecido de comer o seu pão, como nos havemos de admirar da debilidade do indivíduo — Pai, Filho, Esposo ou Esposa — que converta em dor da família, célula fundamental da sociedade, a ameaça de desfazer-se ou pulverizar-se como um bloco de cimento mal curtido, precisamente porque lhe falta a Santidade? Sem Deus Eucarístico nem sequer é possível a coordenação mútua dos diversos elementos, nem é realizável a harmonia da paz. E todo o edifício da família, todo o complexo social, longe de ser fonte de vida, não tardará a dar sinais de dissolução, como um corpo morto, em que cada elemento parece pugnar por voltar à sua anorgânica independência”.

8 de julho de 2019

Pedagogia católica e pedagogia da barbárie


➤  Paulo Henrique Américo de Araújo

Após a recente criação da Comissão Parlamentar pelo Ensino Domiciliar, mais uma iniciativa proveniente do Congresso Nacional na área da educação deixou os esquerdistas de todos os quadrantes à beira de um ataque de histeria. Trata-se da proposta do deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) de retirar do guru marxista Paulo Freire o prestigioso título de Patrono da Educação e entregá-lo à figura veneranda de São José de Anchieta [quadro acima]. 

A polêmica já havia tido um episódio preliminar quando, em fins de abril passado, o Presidente Jair Bolsonaro declarou que o Patrono seria mudado,[1] o que suscitou o primeiro lance de indignação dos asseclas da esquerda. Dentre as várias manifestações de repúdio à possível “expulsão” de Paulo Freire [foto ao lado], a de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), foi proferida durante as minguadas manifestações dos movimentos de esquerda em 30 de maio último: “Nós estamos aqui também para defender a memória de Paulo Freire e seu legado, que nos orgulham lá fora, ao contrário dessa turma lesa-pátria que nos envergonha”.[2] 

Jesuítas boicotam Anchieta 

Entretanto, o posicionamento que causou mais estranheza foi a carta dos jesuítas do Santuário Nacional de São José de Anchieta.[3] Os sacerdotes dizem ter recebido “com preocupação a notícia”, e acrescentam: “Não podemos aceitar que o legado de São José de Anchieta seja instrumentalizado para fins meramente ideológicos. Tanto ele como Paulo Freire caminham na mesma direção”. 

Mas a história não para aí. O deputado Carlos Jordy, em resposta à nota do Santuário de Anchieta, acusou os padres jesuítas de hereges: “Eles [padres do Santuário Nacional São José de Anchieta] não são padres. Eu tenho muitos eleitores católicos que são fervorosos, praticantes, e que concordam comigo que eles são hereges, teólogos da libertação. São padres ligados a uma falsa doutrina católica, criada por comunistas para desvirtuar os princípios cristãos”.[4]

A acusação é paradoxal, pois o deputado professa a religião protestante. Veja aonde chegamos: um protestante se arvora em defensor da fé católica contra padres jesuítas! E o mais estranho de tudo é que neste ponto ele tem razão. Realmente vergonhosa e triste é a situação atual da Companhia de Jesus. Acabaram-se os dias de Santo Inácio de Loyola e da instituição por ele fundada no século XVI, considerada a força mais eficaz contra a heresia protestante. 

Mas a voz dos católicos verdadeiros também se fez ouvir numa carta aberta da deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ) rejeitando a nota dos padres jesuítas: “Muito me decepciona a Nota Oficial divulgada pelo site do Santuário Nacional de São José de Anchieta e escrita pelos senhores. Como pudemos chegar ao ponto em que a figura de São José de Anchieta, co-padroeiro de nossa amada Terra de Santa Cruz e maior educador desta nação, seja boicotada publicamente por dois sacerdotes pertencentes à mesma Companhia de Jesus?”[5] 

Doutrina marxista de Paulo Freire 

Segundo Paulo Freire, Che Guevara “um dos maiores profetas
dos silenciosos do Terceiro Mundo”
 
Diante de todo esse debate, podemos nos perguntar o porquê de tanta ânsia das esquerdas e dos próceres da teologia da libertação em manter esse título para o pedagogo dos “oprimidos”. A resposta é simples: Paulo Freire é apresentado como símbolo da doutrinação marxista escolar e goza de reconhecimento internacional; reconhecimento esse, aliás, promovido por setores marxistas mais ou menos explícitos. Argumentam os marxistas brasileiros que, se há tantas honrarias ao pedagogo no exterior, como deixá-lo de lado em seu próprio país? Não é difícil excogitar os motivos para deixá-lo de lado aqui, basta ver que, apesar de tantos louvores internacionais, nenhum outro país adota a pedagogia dele em seu sistema de ensino. E assim se chega à conclusão de que ela não convém para nenhum outro país, portanto não convém também para nós. 

Mas vamos a algumas ideias do pedagogo que arrancam tantos elogios da esquerda mundial. Constata-se facilmente o viés marxista de Paulo Freire na sua obra Ação Cultural para a Liberdade.[6] Nessa compilação, o falecido professor deixa cair a máscara de sua ideologia, algo que permanecia um tanto velado em suas publicações anteriores. Destaco apenas alguns pontos onde, no meio de uma cantilena indigesta de distorções sociológicas e conceitos quase iniciáticos, a pregação marxista desse pedagogo contém as seguintes posições:[7] 

  • Nega o conceito tradicional de “alfabetização”, o qual afirma não passar de “ato mecânico de ‘depositar’ palavras, sílabas e letras nos alfabetizandos” (p. 11), de nada servindo ao trabalhador rural ou urbano para “compreender, criticamente, a situação concreta de opressão em que se acham” (p. 12); “mera transfusão alienante” (p. 12), que em nada contribui para a “transformação revolucionária da sociedade de classes, em que a humanização é inviável” (p. 120). 
  • Acusa os métodos comuns de alfabetização de “sacralizarem”, “mitificarem” a atual ordem social com o fim de preservar o poder das classes dominantes, quebrando nos educandos “oprimidos” qualquer veleidade de contestação. Seriam métodos “opressores”, “desumanizantes”, “domesticadores” (cfr. pp. 65 e 82). 
  • Considera Che Guevara "um dos maiores profetas dos silenciosos do Terceiro Mundo” e o aponta como exemplo de “comunhão entre a liderança e as massas populares”, modelo de líder que submetia a “sua prática diária a uma constante reflexão crítica” (p. 66). 

Doutrina Paulo Freire e o caos nas escolas 

A pedagogia de Paulo Freire, dita “humanista”
é uma geradora de neobárbaros, máquina
anticivilização diametralmente oposta
aos fins do próprio ensino
Mas há algo mais em Freire do que a simples doutrinação marxista corriqueira. Ele não pretende apenas inocular nos alunos a luta de classes e a revolta contra as chamadas opressões, provocando assim o desmoronamento da sociedade capitalista rumo à utopia socialista. Ao mesmo tempo, sua pedagogia também suscita a negação imediata — ali mesmo, na sala de aula — da desigualdade natural, da hierarquia legítima que deve existir entre professor e aluno, sem as quais ficam solapadas a ordem e a disciplina indispensáveis para o convívio escolar e o aprendizado eficiente. 

O ambiente convulsionado (dir-se-ia quase selvagem) nas escolas do Brasil não constitui novidade para ninguém: falta de educação, desrespeito, indisciplina são frequentes entre os alunos, bem como nas suas relações com os professores. Não estaria o método revolucionário de Paulo Freire na raiz desse estado caótico nas salas de aulas? E, como consequência, não se encontra aí uma das principais razões dos baixíssimos níveis de aprendizado dos estudantes brasileiros? Tudo indica, aliás, que a atual tendência à militarização das escolas públicas seria a última tábua de salvação antes do completo desfazimento das estruturas de ensino público no País. 

Essas questões se impõem. Diante delas os adeptos do retrógrado pedagogo marxista se poriam em silêncio ou tentariam desviar do assunto incômodo, mas não reconheceriam a necessidade de abandonar o método. Por que motivo? Na realidade, os esquerdistas entendidos pouco se importam com a qualidade do ensino propriamente dito. O que lhes interessa é a criação de jovens revoltados e indignados, que então se tornam instrumentos dóceis — “soldados”, enfim — na guerra contra o “sistema social opressor”. Aqui reside talvez a grande eficácia às avessas do método de Paulo Freire: sua pedagogia dita “humanista” é uma geradora de neobárbaros, máquina anticivilização diametralmente oposta aos fins do próprio ensino. 

Bem outra é a visão católica da educação escolar. A Igreja tem como meta, na alfabetização e instrução intelectual dos homens, a sua dignidade, elevação e civilização. Ou seja, que se assemelhem a Deus. A pedagogia de Freire e dos marxistas em geral deseja, pelo contrário, a degradação do homem, a ponto de assemelhá-lo a um animal bruto, irracional. 


*   *   * 

Volto à nota dos padres jesuítas do Santuário de São José de Anchieta. Ao apontar pontos de convergência entre Paulo Freire e o santo e venerável Apóstolo do Brasil, os mencionados jesuítas se dizem “preocupados com a instrumentalização ideológica da imagem do santo”, mas não se eximem de favorecer a ideologia marxista, qualificando o Padre Anchieta de educador dos “marginalizados” e “oprimidos” contra a “ambição dos poderosos”. Uma afirmação ridícula e contraditória, além de blasfemadora. A declaração dos jesuítas revela-se uma negação contundente da pedagogia verdadeira e um manifesto em prol da pedagogia da barbárie. 

Peçamos a São José de Anchieta que nos proteja da ação maléfica desses pseudo-educadores. Ele merece ser proclamado “Patrono da Educação”. 

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Notas 
1. Cf. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/bolsonaro-indica-que-paulo-freire-nao-sera-mais-patrono-da-educacao/ 
2. Cf. https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2019/05/estamos-aqui-tambem-para-defender-a-memoria-de-paulo-freire-diz-boulos/ 
3. Cf. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/psl-propoe-substituir-paulo-freire-por-jose-de-anchieta-padres-jesuitas-recusam/ 
4. Idem. 
5. Cf. https://filhosdedeus.blog.br/2019/05/anchieta/ 
6. Cf. versão em PDF disponível em:https://drive.google.com/file/d/1h8zV09aDlvbYg8rhas8bvYB0Zu6vHHhT/view 
7. Catolicismo publicou um estudo detalhado sobre o tema na edição de março/1977. 

7 de julho de 2019

Uma deputada digna defensora da família católica


Paulo Roberto Campos

Dedicando seu mandato a Cristo, Rei do Universo, e a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a deputada federal Chris Tonietto (PSL–RJ), entre diversos compromissos morais em defesa da família tradicional, tem o de combater o aborto, defendendo a vida inocente desde a concepção. 

No dia 4 do corrente mês de julho, a jovem deputada fluminense pronunciou um histórico discurso no Congresso Nacional sobre a identidade Católica do Brasil, nascido como Terra de Santa Cruz. Sem qualquer respeito humano, iniciou seu pronunciamento rezando uma Ave-Maria, como costumava fazer o grande São Bernardo de Claraval antes de suas homilias. Recomendo vivamente a nossos leitores assistir ao vídeo (abaixo) com seu discurso.

“As Leis de Deus acima das leis dos homens”. Ela reafirmou sua resolução de combater no Congresso Nacional qualquer tentativa de implantar leis que possam debilitar a instituição familiar e de defender e fortalecê-la em toda medida do possível em nossa legislação. 

Em seus 13 anos de (des)governo, seguindo a cartilha marxista do Foro de São de Paulo, o PT fez de tudo para conspurcar e apagar a identidade católica do Brasil. Mas percebemos que na onda conservadora que se expande em todos os estados, despontam jovens — e Chris Tonietto é disso um bom exemplo — destemidamente dispostos a restaurar a grandeza católica desta Terra de Santa Cruz. Luta que é árdua como uma batalha de reconquista, mas se formos fieis à nossa identidade católica, Cristo Rei, e sua Mãe Rainha, voltarão a reinar no Brasil em todas as famílias.
 

3 de julho de 2019

A ofensiva contra a família


Plinio Corrêa de Oliveira
“Legionário”, 27 de junho de 1943

Há dois modos de combater a família. Um, consiste em investir contra ela abertamente, quer visando extingui-la por completo, como é o caso do comunismo, quer visando destruir-lhe a parte mais importante e fundamental, o vínculo indissolúvel. 

O outro modo, porém, é inteiramente diverso, e se compõe de dois momentos. O primeiro se caracteriza pelo elogio e pela defesa do instituto familiar: “é preciso, dizem, sustentar a Família contra forças pagãs do comunismo, porque a Família é a base da organização social, a Família é o fulcro da civilização cristã ocidental, a Família é a fonte de vida da nacionalidade, a Família é isto; a Família é aquilo, a Família é uma beleza”. Este primeiro momento, pois, é ditirâmbico, estrondoso, publicitário, e põe a Família nos cornos da Lua. Ai do infeliz que ouse sequer um instante suspeitar das benemerências da Família! E os comunistas de água doce clandestinamente rangem os dentes de ódio, ante tamanha exaltação da Família. Mas, depois, do primeiro momento, vem o segundo.

Este segundo momento é o contrário do primeiro. Vem de mansinho, com pés de lã, e enquanto todas atenções e todos os ouvidos estão cheios da declamação ditirâmbica, vai corroendo tudo o que há de substancial em torno da Família, reduzindo-a à expressão mais simples, reduzindo-a mesmo, afinal de contas, a um simples rótulo sem conteúdo. Porque o instituto familiar vai sendo depenado tão impiedosamente e conscienciosamente de todas aquelas coisas que lhe dão a fisionomia própria, que acaba por ser um nome, um fantasma vago e flutuante, um sonho, uma miragem. A Família, é verdade, continua a existir, mas só poderá ser encontrada nos dicionários. Como os nossos leitores já devem ter percebido, este modo desleal de combater a Família é próprio aos regimes nazifascistas, que se caracterizam pela fraude e pela mentira despudorada, e contra os quais arremetem vitoriosamente as Democracias, a fim de pôr termo ao império do embuste.

Graças a Deus [NB: o autor escreve em 1943... Se fosse em 2019, o que diria da instituição familiar hoje atingida por tantos fatores de desagregação, como o "divórcio express" e a propaganda do pseudo "casamento homossexual" ?], a Família no Brasil está amplamente amparada não só por dispositivos constitucionais, mas também por uma série de medidas de alto alcance econômico-social que têm por objetivo fazer com que a Família não seja apenas um instituto jurídico, mas uma realidade concreta e palpitante. Isto, no entanto não impede que alguns indivíduos, pouco afinados com os sentimentos nacionais, procurem a cada momento destruí-la. 

Não faz muito tempo, presenciamos os furores da onda divorcista, que parecia um mar encapelado, e acabou por ser uma tempestade num copo d’água. Porém, a malfadada corrente divorcista, vendo fracassarem seus ataques diretos, recorre aos indiretos, procurando envenenar sub-repticiamente quanta iniciativa louvável surge em prol das famílias. Nada mais digno de encômios, por exemplo, do que a previdência social, em tão boa hora instituída a favor de nossas pobres famílias operárias; pondo-as a salvo da iminência da miséria. É visível, entretanto, que, pervertendo tão elevadas intenções, se está procurando criar, em concorrência com a mulher legítima, e em igualdade de condições com ela, a figura da “companheira”, equiparando-se assim o matrimônio cristão ao concubinato pagão. 

Ainda agora o “Diário Popular”, jornal que lamentavelmente se encarreirou no esquadrão divorcista, louvou rasgadamente a decisão de certo magistrado, que autorizou um viúvo a reconhecer filho adulterino, havido na constância do casamento. Diz aquela folha que o referido Juiz outra coisa não fez a não ser aplicar logicamente os princípios da lei que autorizou o reconhecimento dos filhos adulterinos, por parte dos desquitados. Mas, a ser assim, que resta da Família?

23 de junho de 2019

As cruzes e a felicidade


“Beau-Dieu” na fachada central da catedral
de Nossa Senhora de Amiens, França
Guilherme Félix de Sousa Martins

“Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15, 9-11).

Com essas consoladoras palavras aos Apóstolos, nosso Divino Redentor, na véspera de sua Paixão, nos mostra o quanto deseja a nossa felicidade; e para torná-la possível, Ele morreu na cruz por nós. Não nos prometeu, evidentemente, a felicidade que o mundo promete. Nossas amargas experiências cotidianas provam com abundância que o mundo não cumpre suas falaciosas promessas, portanto não precisaríamos de comprovação científica para ter esta certeza.

A novidade, no entanto, é que instituições universitárias de renome começam a oferecer cursos especiais dedicados a ensinar aos universitários como conseguir a felicidade.1 Já se pode desde logo prever o insucesso dessa empreitada, pois a “alegria completa” mencionada no Evangelho de São João apresenta esta condição: “se guardardes os meus mandamentos”. E o que se conhece sobre a generalidade desses profissionais do ensino universitário leva-nos a prever que tal condição será sistematicamente ignorada, quando não ridiculizada.

Com efeito, as regras que Deus nos impõe, sob a forma de Mandamentos, são garantias para atingirmos o grau de felicidade possível nesta Terra. São como o corrimão de uma escada: servem de apoio no caminho ascendente para o Céu, e ao mesmo tempo preservam-nos das quedas a que estamos sujeitos pela fraqueza e concupiscência. Se a obediência a essas regras exige sacrifício — portanto, certo sofrimento —, maior sofrimento traz a desobediência a elas. 

O divórcio arruína a família


“Não me casei contigo porque te quisesse,
casei-me contigo para querer-te”.
Palavras do Chanceler alemão Otto von Bismarck
em resposta a uma carta de sua esposa
Johanna (ambos no quadro).
Um exemplo frisante nos foi oferecido em 12 de agosto último pelo insuspeito diário madrileno “El País”, versão on-line,2 com o título A economia do desamor. O autor analisa, a partir de dados estatísticos da Europa e dos Estados Unidos, as consequências do divórcio na vida financeira dos cônjuges. O cabeçalho já contém um significativo resumo: “Romper o vínculo familiar supõe, para as classes médias, uma viagem rumo ao empobrecimento”. Se bem que os aspectos econômicos não sejam os mais importantes no matrimônio e no divórcio, não se pode negar-lhes a importância. Afinal, a propriedade é o esteio da família; e a comunhão de bens, associada ao caráter indissolúvel do matrimônio como Nosso Salvador o instituiu, visa exatamente garantir a estabilidade da célula mater da sociedade.

A busca da felicidade fora das sendas iluminadas pelo amor de Deus não poderia conduzir a precipício maior que o divórcio. Do ponto de vista estritamente econômico, o divórcio “é um pedágio caro, pois quem passa por essa experiência perde, em média, 77% de seu patrimônio”. O autor o compara ao fenômeno astronômico do buraco negro: “O divórcio atrai e arruína o patrimônio com a mesma determinação com que essa geografia do espaço encarcera a luz e a matéria”.

Após uma análise toda ela voltada para as estatísticas — preocupada com os números, mas esquecida dos aspectos principais do matrimônio — o leitor é surpreendido por uma insólita conclusão: “Longe da geografia dos números, o estado ideal de todo casal […] é conviver como consta em uma carta que há mais de cem anos Otto von Bismarck escreveu a sua mulher. Naqueles dias, [as cartas] demoravam a chegar, ou não chegavam nunca. ‘Tenho medo de que te esqueças de mim’, anotou sua esposa. O chanceler alemão respondeu: ‘Não me casei contigo porque te quisesse, casei-me contigo para querer-te’. Oxalá a vida de casal transcorresse sempre como neste tempo do verbo”.

Ao que tudo indica, Bismarck compreendeu melhor que os liberais modernos o modo de encontrar a felicidade no matrimônio. No fundo, sua resposta — “casei-me contigo para querer-te” — pressupunha a determinação de vencer os obstáculos que ele desde o início divisara. Em linguagem católica, esses obstáculos chamam-se “cruzes”. São os sacrifícios que a obediência aos mandamentos supõe — aos casados, não menos que aos solteiros — sobretudo em um mundo paganizado, que rejeitou o jugo suave de Nosso Senhor.

Para atingir a “alegria perfeita”, a fórmula é clara: “perseverar no amor de Deus, guardando seus mandamentos”. Obviamente, com a assistência benfazeja da graça divina, inesgotável para aqueles que a procuram.
___________

Notas:
 Fonte: Revista Catolicismo, Nº 814, Outubro/2018

22 de junho de 2019

Cresce o círculo de influência da Contra-Revolução


   
Lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019 [Fotos: Cleia Viana / Câmara dos Deputados]

 ➤  Paulo Henrique Américo de Araújo

O auditório encontrava-se lotado. Todos os presentes pareciam muito à vontade, quase como se estivessem em casa. Homens, mulheres, casais jovens; e para completar, muitas crianças corriam e brincavam entre as poltronas, através dos corredores, deixando-se filmar e fotografar. Mas o leitor se enganaria, julgando tratar-se de festa de aniversário ou reunião de pouca importância. Não! Lá estavam vários deputados federais, jornalistas aglomerados; e na tribuna, uma Ministra de Estado.

Um menino mais ousado subiu correndo até a área das autoridades, e se escondeu sob a mesa junto da qual se achava a Ministra. A mãe, em estado avançado de gravidez, rapidamente alcançou o pequeno atrevido, e após pequena luta conseguiu retirá-lo daquele lugar inapropriado. Todos os que presenciaram a cena, inclusive a Ministra, sorriam e achavam graça.

A descrição que acabo de fazer é fidedigna. Eu mesmo a acompanhei, e seria facilmente confirmada por todos os presentes no lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019.1 A alegria distendida da cena pode surpreender o leitor, e foi certamente sentida pelos frequentadores dos carrancudos ambientes parlamentares de Brasília, assim amenizado pela presença incomum de tantas crianças em evento que dizia respeito a elas. 
As crianças amenizaram com sua presença o importante evento

Defender os filhos da corrupção moral

Por cima do debate sobre o ensino domiciliar (home schooling), durante aquela sessão as atitudes, o convívio, as maneiras de ser revelavam algo de profundamente distendido, gentil, suave, algo autenticamente brasileiro. Bem o oposto do que se costuma ver no Congresso: carrancas, manifestações furiosas, gestos histéricos, violentos até.

Como argumento mais recorrente a favor do ensino domiciliar, os deputados integrantes da Frente Parlamentar apontavam sobretudo a defesa da família, sob os aplausos entusiasmados da audiência. A Ministra Damares Alves foi especialmente ovacionada quando afirmou: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos”.

Poderia haver nos presentes algumas discrepâncias de métodos, mas um princípio era compartilhado por todos: a educação das crianças cabe primeiro aos pais. Ao Estado cabe apenas a função supletiva, acessória. Os pais têm o direito e o dever de defender seus filhos, especialmente quando se sabe que o ambiente escolar está impregnado de doutrinação marxista e degradação moral. Assim, a bandeira do home schooling adquire, em linhas gerais, um inegável caráter contra-revolucionário.

Algumas ponderações e distinções se impõem. Em seu depoimento aos participantes, uma mãe de dois filhos com problemas mentais indicou que o home schooling não é para todos, mas sim para os pais que desejarem e tiverem condições para tanto. Para os militantes da esquerda, contrários à educação dos filhos em casa, deixou este recado, sob aplausos do auditório: “Nós não somos extra-terrestres!”. 
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Fracos argumentos contra o ensino em casa


A argumentação contrária ao home schooling alega que a educação cabe primeiro ao Estado, e secundariamente à família. Num evidente embaralhamento de conceitos, exemplifica com crianças hipotéticas, que fora das escolas públicas não teriam oportunidade de interação, convívio com pessoas diferentes (na verdade, recorrem a termos tendenciosamente manipulados, como “diversidade”, “socialização”, “preconceitos”, etc). Os pais que negam isso aos filhos são pejorativamente tachados de retrógrados, conservadores obtusos, religiosos fanáticos.

Nesse sentido, é reveladora a declaração de Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp: “Se a família tem visões racistas ou preconceituosas, a escola tem que transformar esses valores em socialmente desejáveis. Cada família vai estar centrada nos seus valores e achar que são únicos, só que a gente tem que pensar que educa as pessoas para uma sociedade democrática, plural”.2

A mensagem da professora não poderia ser mais tendenciosa: deve-se corrigir as famílias de seus “racismos” e “preconceitos”, quer dizer, de seu posicionamento contra o homossexualismo ou contra a ideologia de gênero, por exemplo. E a escola se apresenta como o lugar ideal para libertar as crianças de tais ideias religiosas “radicais” e “discriminatórias” vindas dos pais...

Ainda mais ostensivamente contrária é a opinião da jornalista Renata Cafardo, num pequeno artigo para “O Estado de S. Paulo”: “Com 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, o governo de Jair Bolsonaro escolheu priorizar em seus primeiros cem dias o ensino em casa, praticado por cerca de 7 mil famílias”.3 Note-se que o vozerio altissonante da esquerda em favor das minorias (sobretudo a autointitulada LGBT) aplaude qualquer iniciativa governamental que as favoreça, mas isso não vale para as minorias do home schooling, nas quais não reconhece o direito de existir.

Com esta comparação se percebe como a iniciativa da educação em casa tem causado dores de cabeça aos revolucionários de nossos dias. 

A reação anticomunista se fortalece


Após a referida reunião no Congresso Nacional, em 12 de abril o Governo Federal apresentou projeto de lei para regulamentação do ensino domiciliar.4 É claro que os contrários esperam barrar essa iniciativa, para manterem como obrigatória para todas as crianças a escola que no entanto qualificam como “plural”, “diversa” e “cidadã”. Os campos estão bem delimitados, nessa batalha que não deve terminar tão cedo.

O ambiente distendido e alegre no Congresso Nacional, por ocasião do lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, em nada diferia das multidões pacíficas, tipicamente brasileiras, que se aglomeraram nas principais cidades do País a partir de 2013. Pois os pais que se preocupam com os perigos da doutrinação esquerdista e a degradação moral nas escolas acompanham e apoiam também as incontáveis outras reações sadias da opinião pública nos últimos anos — manifestações firmes, serenas, contra o socialismo e a imoralidade, sem nada de agressões nem agitações.

Esse panorama trouxe-me a recordação de uma entrevista concedida por Plinio Corrêa de Oliveira ao Prof. Marcelo Lúcio Ottoni de Castro, na ocasião em que este preparava sua dissertação de mestrado em História.5 Quando o diálogo tratava do desequilíbrio de forças da Revolução e da Contra-Revolução, especificamente entre as décadas de 60 e 90 do século XX, o entrevistado deixou claro o que pensava:

“No desequilíbrio de forças, a da Contra-Revolução aumentou mais. Por quê? Porque a Revolução se tornou mais radical. E tornando-se mais radical, muita gente que era da chamada ‘terra de ninguém’, entre Revolução e Contra-Revolução, se assustou e voltou para trás. São os ‘agredidos pela realidade’. Esses voltaram e acrescentaram em algo o círculo de influência da Contra-Revolução. Não ficaram propriamente contra-revolucionários, mas ampliou-se o círculo de influência da Contra-Revolução”.

A constatação acima se apresenta ainda mais verdadeira ao analisar os fenômenos de opinião pública ocorridos no Brasil recente. Nos 13 anos dos governos Lula-Dilma, aguçou-se uma reação veemente de grande parte dos brasileiros contra a cavalgata esquerdista. E aí está o fenômeno do “ensino domiciliar”, a comprovar o fato. Assim cresce o círculo de influência da Contra-Revolução.

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Notas

21 de junho de 2019

Mães corajosas defendem seus filhos face à investida de “Drag Queen”

➤  Marcos Machado 

Uma excelente notícia nos vem do EUA: mães fortes e corajosas se unem para fazer frente à misoginia[1] e sexualização de crianças levada a cabo por "Drag Queen History Hour"

O site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira [2] publicou, em março deste ano, um artigo esclarecedor sobre o protesto da TFP americana contra o “Drag Queen”: “As reuniões (Drag Queen) geralmente acontecem em bibliotecas públicas, além de locais privados”. Durante esses eventos (dragqueen), homens vestidos de mulher lêem livros para crianças, geralmente sobre homossexualidade ou transgenderismo”.[3] 

Afirma a notícia, publicado por LifeSiteNews, SPOKANE, Washington, 19 de junho de 2019, que “Um grupo de mães e seus simpatizantes tomaram as ruas para mostrar sua oposição à Drag Queen Story Hour". [foto acima]


Nasce uma reação corajosa de mães em defesa de seus filhos 

“Um grupo 500 ‘Mom Strong’ (Mães fortes) e aderentes homens se reuniram do lado de fora da Biblioteca Pública de Spokane South Hill (Washington) no sábado, 15 de junho. O evento da tarde, que atraiu mais de 200 apoiadores, ocorreu no lado oposto da rua da biblioteca. Apresentava vários grupos de igrejas. 
“500 ‘Mom Strong’ é um grupo fundado no Facebook por Anna Bohach [foto], uma mulher que acredita que os eventos de ‘dragqueen’ da biblioteca são tanto misóginos quanto tentativas de sexualizar crianças. 
“Bohach começou o grupo quando descobriu que a Biblioteca Spokane South Hill Branch ia sediar uma "Hora da História de Drag Queen" em 15 de junho. Um anúncio oficial do evento prometia "uma edição especial brilhante do storytime". "Vamos compartilhar histórias de identidade e inclusão e celebrar a criatividade com um ofício", continuou o anúncio. 
“Bohach, que tem quatro filhos, está casada há 13 anos. Ela disse à LifeSiteNews que sempre dissera a si mesma que faria alguma coisa se a Hora das Histórias de Drag Queen chegasse a Spokane. O pedido de ação chegou quando sua mãe telefonou para ela com a notícia da hora da biblioteca de Spokane. ‘Acho que veio de Deus’, disse Bohach. Veio à minha cabeça que eu e um grande número de mães deveria fazer algo sobre isso." 

Drag Queen é ofensivo às mães e aos filhos 

“500 Mom Strong é um grupo de mulheres que se cansaram da sexualização de seus nossos filhos e da zombaria de nossa feminilidade", escreveu ela. “Isso é misoginia; dragqueens são muito ofensivos para as mulheres. São caricaturas grotescas hiper-sexualizadas das mulheres. Eles zombam das mulheres e degradam nossa feminilidade. Uma dragqueen não é diferente de um racista vestindo uma cara preta. 

“A biblioteca que hospeda um evento como esse ensina aos nossos filhos que as mulheres são apenas objetos sexuais e ensina às nossas filhas que elas devem ser excessivamente sexualizadas para serem desejadas. 

"Basta! Dizemos NÃO a uma agenda política voltada para a degradação de mulheres e a sexualização de crianças. Nós dizemos não à ideologia de gênero!” 

“Implacável, a mãe forte espera que outras mães se inspirem em sua luta contra a misoginia de dragqueens e Drag Queen Story Hour. ‘Meu objetivo é de 500 mães’, disse ela à LifeSiteNews. ‘Eu quero somar 500 mães em cada estado que trabalhem juntas para pará-lo em seu estado’. Este não é um sonho impossível”. 
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Um belo exemplo de como a reação conservadora está viva nos EUA. Iniciativas de verdadeiras mães de família preocupadas com a formação moral de seus filhos, que se unem e protestam (pacificamente) nas vias públicas. 

Uma iniciativa a ser tomada como exemplo para mães brasileiras quando a Ideologia de Gênero quer conspurcar as crianças e adolescentes, inclusive nas Escolas brasileiras. 

Diz a Sagrada Escritura: Ai daquele que escandalizar a um desses pequeninos: “Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos” (Lc 17, 2).

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O vídeo mostra, durante uma atuação pública contra atividade “Drag Queen” em escolas, uma transgênero que tenta destruir uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
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1. Misoginia é a repulsa, desprezo, ódio ou aversão às as mulheres. Essa sim, seria uma iniciativa digna de louvor em defesa da mulher se as feministas fossem sinceramente femininas.
2. https://ipco.org.br/ativista-pro-transgenero-ataca-a-estatua-da-virgem-maria-durante-vigilia-de-oracoes-contra-o-drag-queen/#.XQuJtIhKiUk 
3. https://www.lifesitenews.com/news/500-mom-strong-group-leads-rally-against-drag-queen-story-hour

21 de maio de 2019

Um dia internacional da mulher, mas diferente

Grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia
Paulo Henrique Américo de Araújo 

Todos anos, no dia 8 de março, uma enxurrada de reportagens nas diversas mídias comemora o chamado “Dia Internacional da Mulher”. O ano de 2019 não deixaria de trazer a cantilena de sempre, e o sentido de revolta contra as normas católicas de comportamento se repete na leitura de qualquer publicação sobre o tema.

Bem significativa, neste sentido, é a informação do “Correio Brasiliense” sobre uma manifestação feminista no centro de Brasília,[1] na data mencionada. Jolúsia Batista, uma das organizadoras, ressaltou os objetivos do ato: “É dia de expressar uma luta organizada. Mas a luta é diária. Somos contra o conservadorismo do governo atual e contra o fundamentalismo cristão. Somos pró-legalização do aborto e contra a reforma [da previdência] como está, pois agrava o cenário, principalmente para as mulheres. Somos contra qualquer tipo de retrocesso”.

Não é meu intento analisar aqui o conteúdo da declaração (ou a ausência dele), nem fazer comentários sobre a agenda das manifestantes. Deixemos de lado esses aspectos, pois todos estamos saturados desse feminismo tacanho, distorcido e anticatólico. Em face dos devaneios feministas, parece-me a melhor iniciativa opor a eles exemplos de atitudes que ressaltam o real valor das mulheres. Lembrar modelos contrários ao do feminismo tem o efeito salutar de desintoxicar as pessoas do veneno que ele vem disseminando. E se as pessoas se deixarem desintoxicar, é bem possível que no futuro as comemorações do dia internacional da mulher realmente enalteçam as virtudes femininas características.

Alta nobreza na atitude de uma mulher

Um desses exemplos me caiu recentemente nas mãos, com a leitura das memórias da grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia,[2] prima-irmã do último czar Nicolau II. Nascida em 1890, ela viveu durante o auge da crise do Império Russo, passando pela Primeira Guerra Mundial, e finalmente pelas trágicas convulsões da revolução comunista. Com muita dificuldade ela conseguiu escapar da Rússia, ao mesmo tempo que os bolcheviques massacravam os membros da nobreza, inclusive seu próprio pai.

O período que nos interessa compreende a grande guerra de 1914-18. Como muitas mulheres da mais alta nobreza, a grã-duquesa Maria se engajou como voluntária para o serviço de enfermaria das tropas russas. Exerceu essa função com máximo empenho, durante quase todos os quatro anos do terrível conflito. No início, como simples auxiliar de enfermagem, e depois como enfermeira, procurando ocultar sua identidade para poder trabalhar em qualquer tarefa que lhe fosse requisitada, além de evitar lisonjas ou louvores. Depois, como seu prestígio e experiência aumentassem, assumiu o comando de um importante hospital de campanha.

Um pequeno episódio revela como, apesar de ser prima do imperador, Maria não procurava ostentar sua posição diante das tropas. No início da guerra, em uma aldeia perto do front de batalha, acabara de chegar um oficial com a mão ferida. Ao ver o grupo de enfermeiras, das quais uma era a princesa, ele perguntou:

— Irmãzinhas, não tereis por acaso uma atadura limpa para trocar o meu curativo?

O oficial não distinguia a grã-duquesa entre as enfermeiras. O tratamento que ele usou (irmãzinhas) para se dirigir a elas se explica pelo fato de as enfermeiras se trajarem à maneira de freiras. Maria se ofereceu de imediato para trocar o curativo. Enquanto o fazia, outro militar se aproximou sem que ela percebesse, e perguntou:

— Vossa Alteza Imperial permite que eu a fotografe?

Confusa, a princesa-enfermeira voltou-se, reconheceu o militar, e suplicou:

— Não, não faça isso, pelo amor de Deus!

Logo ela notou que a mão ferida da qual cuidava começou a tremer. O oficial ferido examinava-lhe atentamente o rosto, abaixando o olhar mais de uma vez, antes que o curativo estivesse concluído. A princesa permanecia em silêncio.

— Permite-me agora que lhe pergunte quem é? Indagou o oficial.

Maria não via mais motivos para ocultar seu nome, e após a revelação, o ferido outra vez lhe perscrutou o rosto em silêncio, e repentinamente ajoelhou-se na calçada, diante de todos, tomou nas mãos a barra do vestido da princesa e o osculou. Ela mesma conta que ficou perturbadíssima; e sem olhar para o oficial, sem despedir-se, fugiu em direção à farmácia.

Este belo fato revela muito mais do que a manifestação do respeito e admiração dos russos pelos membros da nobreza. Também não se trata apenas de um episódio no qual a força militar — a força física, diríamos — reconhece a superioridade de uma frágil enfermeira. Há no episódio algo mais revelador da mentalidade do russo, que a própria grã-duquesa explicita em suas memórias:

“A atitude dos soldados em relação a nós [enfermeiras] era profundamente tocante. Dir-se-ia que personificávamos para eles tudo o que lhes era caro, tudo o que lhes tocava o coração. Com nossas toucas brancas, representávamos de certo modo esse ente feminino superior, no qual se reúnem as qualidades de mãe e de esposa completadas pelas de religiosa, concepção especialmente apreciada pelo povo russo”. 

Aí está! A superioridade feminina se expressa justamente naquilo que ela tem de autêntico. Superioridade essa invariavelmente rejeitada pelas feministas radicais de hoje. Pergunto-me qual seria a reação daquelas manifestantes do dia 8 de março, se alguém lhes propusesse realçar esse tipo de elevação feminina...
Thomas Bruce o assassino de Jamie Schmidt (foto abaixo). No fundo, o lugar do crime.

Ato heróico de uma mulher não feminista 

Cito outro exemplo, agora dos dias atuais.[3] Em novembro de 2018, Jamie Schmidt entrou numa loja de artigos religiosos católicos na cidade de Saint Louis, Estados Unidos. Duas funcionárias ali trabalhavam na ocasião. Momentos depois, Thomas Bruce chegou ao estabelecimento, trocou algumas palavras com as mulheres e saiu da loja. Depois tornou a entrar, mas desta vez armado com uma pistola.

Diante da ameaça, as duas funcionárias foram obrigadas a se despir, e em seguida foram abusadas sexualmente pelo canalha. Jamie – católica praticante, casada e mãe de três filhos – forçada a permanecer num canto da loja, testemunhou a horrível cena. Thomas então se aproximou, e apontando-lhe a arma, ordenou que ela também se despisse. Tudo que havia ocorrido com as outras duas mulheres se repetiria, mas...

Em momentos drásticos como esses surgem demonstrações de força de alma e personalidade que impressionam. O mais fácil para Jamie seria, talvez, tentar convencer o malfeitor com palavras meigas ou lágrimas desesperadas, numa chance de apaziguar seu ímpeto tresloucado; ou simplesmente ceder diante do perigo, e se deixar agredir sexualmente.

Não! Essa autêntica católica escolheu enfrentar a situação com uma dignidade cheia de fé – uma nova mártir da pureza, a exemplo de Santa Maria Goretti. A resposta à ordem do agressor foi pronta e irredutível:

— Em nome de Deus, eu não vou tirar minhas roupas!

Jamie Schmidt
O abusador deve ter percebido que ali não haveria meio termo nem acordo. Só lhe restava um único recurso: a violência. Disparou à queima-roupa contra o peito da mulher. Por mais paradoxal que possa parecer, essa atitude covarde revela quem só tinha mais força física: Jamie, obviamente! Ela morreu minutos depois, numa ambulância a caminho do hospital. Nos últimos suspiros, testemunhas ouviram Jamie recitar o Padre-nosso. O monstro-agressor foi preso após fugir, e responde pelo crime bárbaro diante dos tribunais. Espera-se que seja condenado à pena de morte.

Algum movimento feminista se lembrou da atitude honrada de Jamie Schmidt? Por que não exaltar o ato heroico daquela mulher, no dia internacional da mulher? Não espere nada disso, pois há muita coisa distorcida no movimento feminista...

Em razão de tudo isso, o site Returntoorder, impulsionado pela TFP norte-americana, está ajudando a promover uma campanha de substituição do dia internacional da mulher por outro muito diferente: o Lady Day. “A alternativa católica é chamada de Lady Day [Dia da Senhora ou da Dama]. O tema de 2019: ‘Comemorando a pureza e a coragem das mães’. [...] Uma resposta positiva, jubilosa e esperançosa no sentido de celebrar e honrar o plano de Deus para as mulheres, enquanto mães puras e corajosas”.[4]

Nada melhor do que o atualíssimo exemplo de Jamie Schmidt para contrapor à revolução feminista e ao seu fraudulento e midiático dia internacional da mulher.

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Notas 
1.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/03/08/interna_cidadesdf,741838/didia-internacional-da-mulher-leva-2-mil-pessoas-a-area-central-de-bra.shtml 
2. Memórias, Maria, grã-duquesa da Rússia, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, sem data de publicação. 
3. http://www.returntoorder.org/2018/12/how-to-die-a-glorious-death-and-gain-honor/ 
4. http://www.returntoorder.org/2019/02/lady-day-2019-celebrates-purity-and-courageous-motherhood/