23 de maio de 2020

O que Nossa Senhora Auxiliadora representa para nós


Neste dia 24 de maio celebramos a invocação Auxiliadora dos Cristãos, instituída por Pio VII em 1814. 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira

A palavra família indica uma pluralidade de pessoas. Mas há outra palavra, de especial significado, que indica uma só pessoa: mãe.

Mãe é a quintessência da família, porque é a quintessência do amor, a quintessência do afeto; e, nessas condições, a quintessência da bondade e da misericórdia. 

Assim, a alma da criança em contato com a mãe começa a compreender o que é a bondade que não se cansa, o que é a graça, o favor, o amor que não se exaure. E também aquela forma de afeto que inclina a mãe a jamais achar tedioso estar com o filho. Carregar seu filho nos braços, brincar com ele, soltá-lo no chão, vê-lo correr de um lado para outro, ser importunada por ele incontáveis vezes durante o dia com perguntinhas, com brinquedinhos. Para a boa mãe, nisto consiste a alegria da vida. 

Se alguém, no começo de sua existência, percebe o que é a alegria de ter uma boa mãe, compreende que a vida na Terra pode ser muito difícil; mas, enquanto conservar a recordação de sua mãe, guardará a lembrança paradisíaca da sua infância.

Retendo essa recordação, a pessoa mantém a esperança do Paraíso Celeste, onde a boa Mãe vai nos receber. E assim compreendemos tudo quanto representa Nossa Senhora Auxiliadora para nós.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 24 de maio de 1995. 
Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

14 de maio de 2020

Santa Joana d’Arc: a França de espada na mão

No dia 16 de maio celebramos o centenário da canonização de Santa Joana d’Arc (1412-1431), heroína santa escolhida por Deus para salvar a França. Em memória desta efeméride histórica, segue um comentário de Plinio Corrêa de Oliveira numa conferência em 2 de setembro de 1966. 


O Príncipe de Metternich, grande estadista austríaco do século XIX, exprimiu de modo interessante e pitoresco a importância da França: Quando a França espirra, toda a Europa assoa o nariz. Tal relevância ainda persistia no tempo de São Pio X, quando havia nos meios católicos franceses, inclusive entre o episcopado, uma tendência de aceitar os princípios da Revolução Francesa e a separação entre a Igreja e o Estado. 

São Pio X preparou uma “bomba” contra essa tendência, beatificando Santa Joana d’Arc em 18 de abril de 1909, e anunciando sua canonização [realizada em 16 de maio de 1920 pelo Papa Bento XV, sucessor de São Pio X]. 

Esse acontecimento não agradou a Revolução, porque Santa Joana d’Arc é uma França de espada na mão, e disto a Revolução não gosta. Ela tolera, por enquanto, os santos que tenham um pote de unguento na mão, mas não tolera uma santa de espada na mão. Sobretudo porque a história da santa guerreira vinha impregnada de recordações monárquicas e da integridade das fronteiras francesas. 

Como isso agrada imensamente o espírito francês, ocorreram grandes peregrinações de franceses para assistir à beatificação efetuada por São Pio X; e também depois, por ocasião da canonização em 1920.

12 de maio de 2020

Ó Senhora de Fátima tolhei os passos à infiltração comunista

A fim apressarmos a aurora bendita do Reino de Maria, uma oração para rezarmos nestes apocalípticos dias de tantos perigos que ameaçam o Brasil, o mundo e a Igreja


Neste dia 13 de maio de 2020 celebramos o 103º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos (Lúcia, Francisco e Jacinta). Ocasião mais do que propícia para suplicarmos a Ela que, o mais breve possível, venha o triunfo do Imaculado Coração de Maria no Brasil e em todo o mundo. 

Plinio Corrêa de Oliveira — fundador da TFP brasileira e, sem dúvida, o maior divulgador durante o século XX da Mensagem de Fátima — indagou o seguinte: 
“O que podemos fazer para evitar o castigo anunciado em Fátima, na tênue medida em que ele é evitável? O que podemos fazer para obter a conversão dos homens, na fraca medida em que ela ainda possa ser obtida antes do castigo, dentro da economia comum da graça? O que podemos fazer para apressar a aurora bendita do Reino de Maria, e para nos ajudar a caminhar no meio das hecatombes que tão gravemente nos ameaçam? Nossa senhora o indica: afervoramento na devoção a Ela, oração e penitência”. 
Nesse sentido, segue uma muito oportuna oração para rezarmos esses trágicos dias de pandemia, iniciada na China comunista. Essa bela prece foi composta pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para recitação particular. 




Oração a Nossa Senhora de Fátima


Ó Rainha de Fátima, nesta hora de tantos perigos para as nações cristãs, afastai delas o flagelo do comunismo ateu. 

Não permitais que consiga instaurar-se, em tantos países nascidos e formados sob o influxo sagrado da Civilização Cristã, o regime comunista, que nega todos os Mandamentos da Lei de Deus.

Para isto, ó Senhora, conservai vivo e aumentai o repúdio que o comunismo encontrou em todas as camadas sociais dos povos do Ocidente cristão. Ajudai-nos a ter sempre presente que: 

1°) O Decálogo nos manda “amar a Deus sobre todas as coisas”, “não tomar seu Santo Nome em vão” e “guardar os domingos e festas de preceito”. Mas o comunismo ateu tudo faz para extinguir a Fé, levar os homens à blasfêmia e criar obstáculos à normal e pacífica celebração do culto. 

2°) O Decálogo manda “honrar pai e mãe”, “não pecar contra a castidade” e “não desejar a mulher do próximo”. Mas o comunismo deseja romper os vínculos entre pais e filhos; quer entregar ao Estado a educação dos filhos; nega o valor da castidade; e ensina que o casamento pode ser dissolvido por qualquer motivo, pela mera vontade de um dos cônjuges. 

3°) O Decálogo manda “não furtar” e “não cobiçar as coisas alheias”. Mas o comunismo nega a propriedade privada e a sua importante função social. 

4°) O Decálogo manda “não matar”. Mas o comunismo emprega a guerra de conquista como meio de expansão ideológica, promove revoluções e crimes em todo o mundo. 

5°) O Decálogo manda “não levantar falso testemunho”. Mas o comunismo usa sistematicamente a mentira como arma de propaganda. 

Fazei que, tolhendo resolutamente os passos à infiltração comunista, todos os povos do Ocidente cristão possam contribuir para que se aproxime o dia da gloriosa vitória que predissestes em Fátima, com estas palavras tão cheias de esperança e doçura: “Por fim, o meu imaculado coração triunfará”.

11 de maio de 2020

Algumas frases para reflexão nesse período de quarentena, durante o qual circula uma epidemia de inverdades

“A verdade deve ser dita com amor, mas o amor nunca pode impedir a verdade de ser dita”. 

(Santo Agostinho)

“Eu sempre digo toda verdade; se não querem sabê-la, não me procurem”. 

(Santa Teresinha)

“Quando o erro não é combatido, termina sendo aceito; quando a verdade não é defendida, termina sendo oprimida”. 

(São Félix III)

“O que não corresponde à verdade e à lei moral não tem objetivamente nenhum direito à existência, nem à propaganda, nem à ação”. 

(Pio XII)

“A confusão não se remedeia senão com a verdade. Mas com a Verdade por excelência, plena e sem jaça, que só se encontra n’Aquele que é ‘Caminho, Verdade e Vida’”. 

(Plinio Corrêa de Oliveira)

“Eu sei que Vossa Excelência preferia uma delicada mentira; mas eu não conheço nada mais delicado que a verdade”.

(Machado de Assis)

“A mistura do falso com o verdadeiro é muito mais tóxica que o totalmente falso”. 

(Paul Valéry)

9 de maio de 2020

“Tu te machucaste, meu filho?”

"O amor materno tem de mais sublime e tocante: seu desinteresse completo, sua inteira gratuidade, sua ilimitada capacidade de perdoar. A mãe ama seu filho quando é bom. Não o ama, porém, só por ser bom. Ama-o ainda quando mau. Ama-o simplesmente por ser seu filho" 


Em homenagem ao Dia das Mães, de coração ofereço a todas elas o precioso texto abaixo. Trata-se de um artigo, que considero antológico, de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (publicado na “Folha de S. Paulo” de 18-12-1968), no qual faz um enaltecimento ímpar do sublime papel de uma mãe. 


O amor materno no que tem de mais sublime e tocante 


➤  Plinio Corrêa de Oliveira 

É de Emile Faguet, se não me engano, o seguinte apólogo: Havia certa vez um jovem dilacerado por uma situação afetiva crítica. Queria ele com toda a alma sua graciosa esposa. E tributava afeto e respeito profundos à sua própria mãe. 

Ora, as relações entre nora e sogra eram tensas e, por ciumeiras, a jovem encantadora mas má, concebera um ódio infundado contra a idosa e veneranda matrona. 

Em certo momento, a jovem colocou o marido entre a espada e a parede: ou ele iria à casa da mãe, a mataria, e lhe traria o coração da vítima, ou a esposa abandonaria o lar. Depois de mil hesitações, o jovem cedeu. Matou aquela que lhe dera a vida. Arrancou-lhe do peito o coração, embrulhou-o em um pano, e se dirigiu de volta para casa. No caminho, aconteceu ao moço tropeçar e cair. Ouviu ele então uma voz que, partida do coração materno, lhe perguntou cheia de desvelo e carinho: “Tu te machucaste, meu filho?” 

Com este apólogo, quis o autor destacar o que o amor materno tem de mais sublime e tocante: seu desinteresse completo, sua inteira gratuidade, sua ilimitada capacidade de perdoar. A mãe ama seu filho quando é bom. Não o ama, porém, só por ser bom. Ama-o ainda quando mau. Ama-o simplesmente por ser seu filho, carne de sua carne e sangue de seu sangue. Ama-o generosamente, e até sem nenhuma retribuição. Ama-o no berço, quando ainda não tem capacidade de merecer o amor que lhe é dado. Ama-o ao longo da existência, ainda que ele suba ao fastígio da felicidade ou da glória, ou role pelos abismos do infortúnio e até do crime. É seu filho e está tudo dito. 


Este amor, altamente conforme a razão, tem nos pais, também, algo de instintivo. E, enquanto instintivo, é análogo ao amor que a Providência pôs até nos animais por suas crias. Para se medir a sublimidade deste instinto, basta dizer que o mais terno, o mais puro, o mais soberano e excelso, o mais sacral e sacrificado dos amores que tenha existido na Terra, o amor do Filho de Deus pelos homens, foi por Este comparado ao instinto animal. Pouco antes de padecer e morrer, chorou Jesus sobre Jerusalém, dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis eu reunir os teus filhos como a galinha recolhe os seus pintainhos debaixo das asas, e tu não o quiseste!” 

Sem este amor, não há paternidade ou maternidade digna deste nome. Quem nega este amor em sua excelsa gratuidade nega, portanto, a família. 

É este amor que leva os pais a amarem seus filhos mais do que os outros — de acordo com a lei de Deus — e a desejar para eles, com afã, uma educação melhor, uma instrução maior, uma vida mais estável, uma ascensão verdadeira na escala de todos os valores, inclusive os de índole social. Para isto, os pais trabalham, lutam e economizam. Seu instinto, sua razão, os ditames da própria fé os levam a tal. Acumular uma herança para ser transmitida aos filhos é desejo natural dos pais. Negar a legitimidade desse desejo é afirmar que o pai está para seu filho como para um estranho. É arrasar a família. 



E não só a família e a propriedade, como também a tradição. Com efeito, das múltiplas formas de herança, a mais preciosa não é a do dinheiro. A hereditariedade — o fato é de observação corrente — fixa muitas vezes em uma mesma estirpe, seja ela nobre ou plebeia certos traços fisionômicos e psicológicos que constituem um elo entre as gerações, a atestar que de algum modo os ancestrais sobrevivem e se continuam em seus descendentes. 

Cabe à família, cônscia de suas peculiaridades, destilar ao longo das gerações o estilo de educação e de vida doméstica, bem como de atuação privada e pública, em que a riqueza originária de suas características atinja a sua mais justa e autêntica expressão. Este intuito, realizado no decurso dos decênios e das centúrias, é a tradição. Ou uma família elabora sua própria tradição como uma escola de ser, de agir, de progredir e de servir, para o bem da pátria e da cristandade, ou ela corre o risco de gerar, não raras vezes, desajustados, sem definição do seu próprio eu e sem possibilidade de encaixe estável e lógico em nenhum grupo social. 

Do que vale receber dos país um rico patrimônio, se deles não se recebe — pelo menos um estado germinativo, quando se trata de famílias novas — uma tradição, isto é, um patrimônio moral e cultural? Tradição, bem entendido, que não é um passado estagnado, mas é a vida que a semente recebe do fruto que a contém. Ou seja, uma capacidade de, por sua vez, germinar, de produzir algo de novo que não seja o contrário do antigo, mas o harmônico desenvolvimento e enriquecimento dele. Assim vista, a tradição se amalgama harmonicamente com a família e a propriedade, na formação da herança e da continuidade familiar. 

Este princípio está no bom senso universal. E por isto vemos casos em que mesmo os países mais democráticos o acolhem. É que a gratidão tem algo de hereditário. Ela nos leva a fazer pelos descendentes de nossos benfeitores, mesmo quando já falecidos, o que eles nos pediriam que fizéssemos. A essa lei estão sujeitos não só os indivíduos como os Estados. 

Haveria uma flagrante contradição em que um país guardasse em um museu, por gratidão, uma caneta, os óculos, ou até os chinelos de um grande benfeitor da pátria, mas relegasse à indiferença e ao desamparo aquilo que ele deixou de muitíssimo mais seu que os chinelos, isto é, a descendência. 

Daí a consideração que o bom senso vota aos descendentes dos grandes homens ainda que sejam pessoas comuns. Por isto é que, por exemplo, nos Estados Unidos, todos os descendentes de Lafayette, o militar francês que lutou pela independência, gozam das honras da cidadania americana, tenham eles nascido em qualquer outro país. Daí também a pensão que governos brasileiros têm dado muito justamente a descendentes de grandes figuras, caídos em um honrado estado de necessidade: filhos ou netos de Campos Sales, Rui, etc. Daí também um lance histórico dos mais belos, ocorridos durante a mais recente guerra civil espanhola. 


Brasão de armas 
do Duque de Veraguas
Os comunistas se haviam apoderado do duque de Veraguas, último descendente de Cristóvão Colombo, e iam fuzilá-lo. Todas as repúblicas da América se uniram para pedir clemência para ele. É que não podiam elas ver, com indiferença, extinguir-se sobre a terra a descendência do heroico descobridor. 

*   *   * 

Estas as consequências lógicas da existência da família e dos reflexos dela na tradição e na propriedade. 

Privilégios injustos e odiosos? Não. Desde que se salve o princípio de que a hereditariedade não pode acobertar o crime, nem tolher a ascensão de valores novos, trata-se simplesmente de justiça. E da melhor... 

5 de maio de 2020

VÍRUS DO PÂNICO: Gigantesca e catastrófica operação de baldeação ideológica

A pretexto do novo coronavírus, forças ponderosas parecem visar o domínio das mentes e das nações por meio de uma ditadura do pensamento único. Isso nos faz recordar de uma experiência orwelliana rumo a uma nova (des)ordem mundial para a implantação de um governo totalitário que ditaria normas para tudo. Todos seriam obrigados a levar um estilo de vida neo-comunista e miserabilista. 


➤  Fonte: Revista Catolicismo, Nº 833, Maio/2020

Enquanto a mídia se encarrega de espalhar ad nauseam previsões apocalípticas do contágio do vírus chinês, o mundo inteiro parece contagiado pelo vírus do medo. Mas muitos já começam a desconfiar dessa mesma mídia e estranhar os despóticos decretos governamentais de confinamento; por exemplo, a ordem “fique em casa”. Alguns acatam de modo pacifico tal ordem, e voluntariamente ficam em “prisão domiciliar”. Mas outros percebem que se está manipulando a opinião pública numa experiência orwelliana.

No célebre romance “1984” (publicado em 1949 sob o pseudônimo George Orwell), o escritor Eric Blair prenuncia o advento de uma governança mundial, que mandaria em todo o mundo, perseguindo quem pensasse por si próprio ao invés de pensar de acordo com a coletividade. A tecnologia chinesa de reconhecimento facial dos cidadãos, inspirada na vigilância policial do “grande irmão” imaginado por Orwell, teria condições para espionar e controlar os passos de todos, suas emoções, o que veem na internet, o que falam e fazem, os arquivos de uso dos celulares etc. 

Muitos comentam que nada no mundo será como antes da pandemia Covid-19. Certos próceres, entre os quais o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, subserviente à China comunista, repetem sem cessar a palavra de ordem: o mundo pós-coronavírus será um “novo mundo”, no qual teremos “um novo normal” numa “nova ordem”. 


Estaria a opinião pública mundial passando por um processo de “baldeação ideológica” para aceitar semelhante sistema de controle planetário? Passaria ela por um teste para o estabelecimento de uma República Universal, com um só governo totalitário ditando normas para tudo e para todos? Haveria forças poderosas desejando implantar um “mundo novo”, nos moldes de um “mundo chinês”? Esse governo mundial imporia a todos um mesmo estilo coletivista de vida? O brusco confinamento das pessoas, com graves consequências econômicas e a falência de inúmeras empresas, jogará muitas regiões na extrema pobreza? Pretende-se fazer desaparecer os derradeiros restos de uma Cristandade hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal? Seria ela substituída por uma sociedade mundial igualitária, miserabilista e tribalista? 

Alguns elementos para resposta, nossos leitores os encontrarão na matéria de capa da revista Catolicismo deste mês. Nesta mesma edição, como é natural, outras matérias se relacionam com essas questões. O fechamento de igrejas, não só no Brasil mas em todo o Ocidente, é decisão com a qual concorda a maior parte das autoridades eclesiásticas, comprazendo o regime chinês, comunista e ateu. Responsável, aliás, por ferrenha perseguição à Igreja, com o fechamento de templos, destruição de cruzes e imagens sagradas. 

Nossos leitores poderão tomar conhecimento da íntegra da referida matéria no seguinte link: 
http://www.abim.inf.br/aproveitando-o-panico-da-populacao-e-o-apoio-espiritual-do-vaticano-articula-se-a-maior-operacao-de-engenharia-social-e-baldeacao-ideologica-da-historia/

26 de abril de 2020

A saúde e o futuro das crianças ameaçados pela televisão

➤  Antoine Béllion

Um estudo publicado em 29 de janeiro último pelo Conselho Superior da Saúde Pública (HCSP) e reproduzido pelo diário parisiense “Le Figaro” faz soar o alarme: o tempo excessivo passado diante da televisão tem consequências dramáticas para a saúde e para o futuro comportamento dos jovens. 

O documento apresenta uma análise completa dos efeitos demolidores causados pela televisão nas crianças e adolescentes, e dá recomendações. 

Atualmente na França crianças e adolescentes entre 3 a 17 anos passam três horas por dia diante da televisão. E alguns jovens ultrapassam essa média. Ora, esse hábito tem graves consequências para a saúde, denunciam muitos especialistas. 

Estes são taxativos no que diz respeito aos muito jovens: “Nas crianças com menos de dois anos todo conteúdo dos programas é associado a consequências negativas.” Por precaução recomenda-se a proibição total da assistência a programas de televisão às crianças com menos de três anos. 

Quanto aos efeitos das telas no sono e na saúde física das crianças, destaque “Le Figaro”, elas não precisam mais de comprovação. De fato, as crianças que passam mais tempo na frente das telas dormem cada vez menos do que as outras, praticam menos atividade física e comem mal. O relatório recomenda proibir a televisão no quarto e durante as refeições. E isto em todas as idades. 

Atualmente não é mais necessário provar os efeitos causados pela televisão no sono e na saúde psíquica das crianças, chama atenção “Le Figaro”. “Não se deve autorizar a assistência de nenhum programa uma hora antes de dormir”, recomendam os autores do estudo. “Toques de recolher” deveriam ser instalados nos aparelhos de televisão. 

Pode-se falar de uma “dose” máxima de assistência a programas a partir da qual o mal é inevitável? Infelizmente o estudo do HCSP não traz conselho seguro a este respeito. “Diferentes estudos são unânimes sobre a existência de efeitos maléficos causados pela ‘overdose’ de programas. Entretanto uma ‘dose’ limite não pode ser estabelecida, bem como não se pode demonstrar como se dão as consequências”, notam os especialistas.

Chamam atenção os riscos psicossociais corridos em adolescentes. “Há uma relação de causa e efeito entre o tempo passado vendo televisão e o bem estar emocional”, destaca o estudo. 

Em sentido oposto, podemos sugerir o gosto pela leitura tradicional — leitura de bons livros — desde a primeira juventude. Este é um modo excelente de evitar o costume abusivo da televisão. A sugestão também é válida para os pais e todos os adultos... 

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Fonte: http://www.lefigaro.fr/sciences/langage-sommeil-sante-un-rapport-fait-le-point-sur-les-effets-des-ecrans-20200210

18 de abril de 2020

Por que os laços familiares são tão importantes?

John Horvat II

A importância das relações familiares pode também, entre diversas razões, ser constada nos benefícios para a saúde que advêm de laços afetivos entre parentes. 

Em um estudo realizado nos anos cinquenta, a um grupo de estudantes da Universidade Harvard (na cidade de Cambridge - EUA), escolhidos aleatoriamente, foi solicitado aos alunos que descrevessem o nível de calor de seus relacionamentos com os pais. Cerca de 35 anos depois, foi feita uma verificação de seus registros médicos.

O psicólogo britânico Prof. David Halpern** [foto ao lado] destacou que: 
“Entre aqueles que classificaram os relacionamentos com os pais como calorosos e estreitos, um pouco menos da metade (47%) teve doenças graves diagnosticadas na meia-idade; mas entre aqueles que descreveram os relacionamentos com os pais como tensos e frios, todos (100%) tinham doenças graves diagnosticadas na meia-idade”.

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Fonte: David Halpern, Social Capital, Polity Press: Cambridge, 2005, p. 81). 

*  John Horvat II é vice-presidente da TFP norte-americana, autor do best-seller "Return to Order". 

** David Halpern foi professor de ciências sociais humanas na Universidade de Cambridge. Atualmente ele supervisiona a resposta do governo do Reino Unido à pandemia de coronavírus como parte do Grupo Consultivo Científico para Emergências, concentrando-se em mudanças comportamentais.

11 de abril de 2020

Na Igreja Católica repete-se a Paixão de Nosso Senhor

Apesar da crise na Igreja, ocorrerá com ela, ainda em nossos dias, algo semelhante à Ressurreição de Jesus Cristo 


➤  Paulo Roberto Campos 

A Santa Igreja, bem sabemos, é imortal, mas passa presentemente por uma Paixão — ela é martirizada e, por assim dizer, passa por uma nova “Sexta-Feira Santa”, na qual se procura condená-la e crucificá-la. 

A exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica é perseguida, odiada, abandonada por inúmeros de seus próprios filhos, muitos destes, inclusive, ocupando altas funções em sua hierarquia. Assim, a Igreja muitas vezes parece sepultada sob a pesada pedra de um sepulcro. 

Porém, os verdadeiros fiéis confiam firmemente na promessa de Nosso Salvador a São Pedro: “as portas do inferno não prevalecerão” contra a Igreja (Mt 16,18), e com Ela ocorrerá algo semelhante à Ressurreição do Divino Redentor. Ela poderá ser crucificada, mas um dia triunfará gloriosamente! 

Posta essa conjuntura, nós, católicos que desejamos manter a íntegra fidelidade mesmo nas circunstâncias presentes, nas situações mais amargas e aparentemente sem saída, temos a obrigação de fazer em prol da Igreja e da Cristandade o que outrora realizaram os cruzados para libertar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

O texto abaixo — extraído de histórico artigo de Plinio Corrêa de Oliveira publicado na revista Catolicismo (janeiro/1951) — constitui um verdadeiro programa para todos católicos autênticos e nos encoraja à resistência aos males que presentemente nos afligem. 


“Na Idade Média, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dos infiéis o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo e instituir um Reino Cristão na Terra Santa. [...] Mas o que é o Reino de Cristo, ideal supremo dos católicos? [...] O próprio da Igreja é de produzir uma cultura e uma Civilização Cristã. É de produzir todos os seus frutos numa atmosfera social plenamente católica. O católico deve aspirar a uma civilização católica, como o homem encarcerado num subterrâneo deseja o ar livre, e o pássaro aprisionado anseia por recuperar os espaços infinitos do céu.  
E é esta a nossa finalidade, nosso grande ideal. Caminhamos para a civilização católica que poderá nascer dos escombros do mundo de hoje, como dos escombros do mundo romano nasceu a civilização medieval. Caminhamos para a conquista deste ideal, com a coragem, a perseverança, a resolução de enfrentar e vencer todos os obstáculos, com que os cruzados marcharam para Jerusalém. Porque, se nossos maiores souberam morrer para reconquistar o Sepulcro de Cristo, como não querermos nós, filhos da Igreja como eles, lutar e morrer para restaurar algo que vale infinitamente mais do que o preciosíssimo Sepulcro do Salvador, isto é, seu reinado sobre as almas e as sociedades, que Ele criou e salvou para O amarem eternamente?”.

8 de abril de 2020

A completa infâmia em contraste com a suma perfeição


➤ Plinio Corrêa de Oliveira 

Neste célebre quadro, Giotto* pintou Judas no ato de oscular Nosso Senhor Jesus Cristo. Era o ósculo da traição, no momento em que Nosso Senhor, pouco antes de ser preso e levado para ser julgado e crucificado, acabava de dizer aquelas tremendas palavras: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!” (Lc 22, 48). 

Com toda a sua sublimidade, Nosso Senhor olha para Judas e o analisa até o fundo da alma. Nesse olhar Ele recusa categoricamente a ação infame de Judas; mas, apesar da recusa à infâmia, olha como quem ainda procura algum resto de boas qualidades em Judas. Procura comovê-lo, numa tentativa de ainda obter sua conversão. É um contraste prodigioso! 


Judas é baixo, vil, ganancioso, materialista; com seus lábios grossos e indefinidos, que vão se abrindo para o beijo da infâmia, ele procura com o olhar turvo sorrir para mentir. Tem-se a impressão (desculpem-me o prosaísmo) de sentir até o seu mau hálito, na hora do beijo da traição. Eles se olham, e nisso se nota o supremo contraste entre a completa infâmia e a suma perfeição. 

alma do católico verdadeiramente sério vive desse contraste: a tendência contínua para ver o mais sublime, juntamente com a compreensão de que no fundo de qualquer coisa censurável está palpitando a infâmia, pronta para saltar e tomar conta do ambiente. Ver o mundo através de contrastes assim é agir com seriedade.

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* Afresco pintado pelo célebre artista italiano da época medieval, Giotto di Bondone (1267-1337), na Capela degli Scrovegni, Pádua (Itália), entre 1302 e 1306. 


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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de setembro de 1979. Esta transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte: Revista Catolicismo, Nº 832, Abril/2020.

5 de abril de 2020

Reflexões para a Magna Semana — a Semana Santa

“Mas ele [Jesus] foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às suas chagas”. 
(Isaías, 53, 5) 


“Jesus foi desprezado e coberto de ignomínia quando estava na cruz. Seu rosto foi velado e maltratado a fim de que o poder divino se ocultasse sob o corpo humano”. 
(São Jerônimo) 


“Se a tua mente não se eleva à contemplação desse Homem-Deus crucificado, volta atrás e, começando desde o início até o fim, rumina todos os caminhos da Paixão e da Cruz do Homem-Deus vilipendiado. E se não podes retomar e falar de novo destas coisas com o coração, repete-as frequentemente e amorosamente com os lábios, porque aquilo que se repete com frequência com os lábios dá calor e fervor ao coração”. 
(Santa Ângela de Foligno)

1 de abril de 2020

Globalização do vírus da China comunista

O coronavírus made in China, fantasma do momento, assusta o mundo inteiro, mas as soluções católicas são negligenciadas 



➤Nelson R. Fragelli 
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 832, Abril/2020 

No início não passava de uma curiosidade. Mais uma novidade vinda da China? Mais uma artimanha publicitária, com a intenção de conquistar o mercado no Ocidente? Um boato a ser “viralizado”? Ou seria mais grave e prejudicial do que uma epidemia? 


A novidade proveniente da cortina de bambu põe às claras uma China inexplicável e cheia de contradições. Nadando em dinheiro proveniente do capitalismo, mas com regime comunista. Descendente das chacinas de Mao Tsé-Tung, mas sorridente pelas toneladas de objetos cintilantes que despeja sobre o Ocidente ávido de gozo barato. Até o nome parece artificioso: Coronavírus.

Muitos procuravam tranquilizar-se, gracejando com comentários nada engraçados: se ele for mesmo perigoso, é melhor ficar por lá, onde tem muitas centenas de milhões de habitantes para se divertir; eles já estão habituados ao tirânico domínio comunista, um mal a mais pouca diferença faz; encontrando lá gente suficiente, poupará à nossa mídia esquerdista o desgosto de reconhecer os males do totalitarismo comunista; e o Ocidente continuará saboreando em inteira segurança o seu idolatrado conforto; não dá para globalizar esse malfazejo microrganismo, pois não consegue saltar por cima da muralha da China; e podemos confiar que o Ocidente não o importará, nem oficialmente nem por contrabando. 

Mas acabaram globalizando o Coronavírus e a coronafobia, que transitam confortavelmente em rotas antigas e modernas: comerciantes do Velho e Novo Mundo; exploradores do trabalho escravo chinês; turistas sedentos de contemplar as novidades mundiais; na respiração e transpiração de imensa população cativa. Estão vindo, estão circulando, e cada vez mais. 

Em nossos países, penetra em zonas até então consideradas seguras de toda infecção. Não respeita barreiras sanitárias, nem escolas, nem igrejas. No tráfego aéreo, voos são cancelados. Nos divertimentos, cinemas e teatros são fechados. Permanecer em casa, evitando contatos sociais, é a determinação de tantos governos. Toda aglomeração se torna ameaçadora. 

Como um fantasma, levanta-se a consciência do perigo e surge o medo. Os que refletem sobre a evolução do perigo parecem ver, no que era apenas uma curiosidade inicial, um misterioso desígnio superior. Uma advertência? Um sinal dos tempos? Vindo de onde? Com que finalidade? Cientes agora do perigo, muitos despertam; e paradoxalmente o mesmo vírus, ao abrir em incontáveis pessoas os olhos do espírito, em outras fecha concomitantemente os olhos do corpo. 
Fora e dentro da China, a orientação de incontáveis administrações públicas para se permanecer em casa e evitar contatos sociais parece inspirada em típica decisão do governo totalitário chinês, imposta a seu povo e agora exportada ao mundo. Na foto, o presidente da China, Xi Jinping, analisa a situação da epidemia do novo coronavírus junto com assessores militares.

Comunismo chinês recrudesce a perseguição 

As consciências têm motivo para estarem pesadas. Na China, a Igreja Católica é cruelmente perseguida. O atual governo se comporta, em relação ao culto católico, exatamente como seus antepassados comunistas: igrejas são destruídas, bispos e sacerdotes encarcerados, seminários fechados. A cristianofobia domina o país, e foi intensificada brutalmente após o acordo secreto entre o Vaticano e o regime comunista de Pequim. A perseguição à família se faz, entre outras muitas imposições, pelo aborto em massa e pela eutanásia. Os recentes acontecimentos dramáticos em Hong Kong (vide Catolicismo, nº 829, janeiro/2020) mostram a tirania do governo comunista chinês ao cercear toda liberdade de expressão. 


Fora e dentro da China, a orientação de incontáveis administrações públicas para se permanecer em casa e evitar contatos sociais parece inspirada em típica decisão do governo totalitário chinês, imposta a seu povo e agora exportada ao mundo. A ela se seguem outras deliberações semelhantes: controle da movimentação em aeroportos; isolamento total de populações inteiras; uso de máscaras protetoras. Na China, as medidas severas ordenadas pelo governo vêm redundando em controles desumanos de transeuntes e motoristas, durante os quais agressões violentas e mortes são confirmadas por numerosos vídeos. Após esconder a existência do vírus, aparecido em novembro do ano passado, o governo chinês persiste em declarar a epidemia “sob controle”. E ai do chinês que se queixar da inépcia do governo. 

Esse duro tratamento da população chinesa chegará até nossos países? Como se comportarão nossas populações diante de um clima inquietante de notícias sobre o alastramento da epidemia? Quantas pessoas se recusarão a aceitar violências contra suspeitos, por uma alegada necessidade de rigoroso controle em vista do bem da maioria? Serão grandes esses números, e frequentes as violências?

Lourdes: a estranha orientação eclesiástica 

Sob pretexto de proteção sanitária a propósito do coronavírus, o Santuário de Lourdes fechou os locais onde os fiéis podiam banhar-se nas águas milagrosas, cuja fonte fora revelada por Nossa Senhora a Santa Bernadette. Nesses locais designados pelo nome de “piscinas de Lourdes”, e auxiliados por respeitosos assistentes voluntários, há muitíssimos anos os peregrinos podiam imergir nas águas, recebendo assim alívio ou mesmo cura para os males do corpo e da alma. 

Milhares de relatos testemunham os efeitos milagrosos dessa imersão: curas físicas e também espirituais, como a correção de defeitos morais, tentações, infestações e depressões, a renovação do fervor, a coragem de viver. Não só isto: ali se banham, na mesma água, incontáveis peregrinos portadores de doenças da pele, feridas supuradas, furúnculos, úlceras etc. Nunca houve sequer um caso de contaminação, e só isto já é um milagre contínuo! 

Neste momento em que a violenta epidemia do coronavírus vem ceifando vidas em número crescente, um dever elementar de caridade seria intensificar a condução dos contaminados à fonte da cura. Entretanto, dando eco a medidas semelhantes tomadas por um clero pouco zeloso em vários países, os responsáveis do Santuário de Lourdes, movidos por uma concepção mundana e materialista das necessidades humanas, fecharam as imersões dos peregrinos nas águas de abundantes milagres. Não só as curas são assim evitadas, mas cerceia-se ainda o bem que o mundo presenciaria ante o conforto moral e físico causado por aquelas águas. E mais evidente ficaria, imediatamente, que tais banhos não transmitem os vírus. Quantos se converteriam diante dessa constatação? Não é isto que desejam os pastores? 

O Sínodo da Amazônia deu amplo assentimento ao ídolo pagão pachamama, introduzido em ato de veneração nos jardins do Vaticano e em igreja das proximidades. Numa flagrante transgressão ao correto procedimento nesses casos, os padres sinodais alegavam pretensas virtudes da “mãe terra”, que estariam sendo representadas por esse ídolo. Mas a água oferecida generosamente por Maria Santíssima em Lourdes está sendo liminarmente recusada!... 

A orientação católica no exemplo de dois santos 

A Diocese de Milão, cuja história foi marcada
pelo zelo pastoral de São Carlos Borromeu (1538-1584),
é especialmente afetada por tais medidas. Contudo,
quando a peste negra açoitou a Europa em sua época,
o santo visitava incansavelmente os moribundos,
levando-lhes os Sacramentos e consolo espiritual. 
[São Carlos Borromeu atende as vítimas da peste
em Milão – Pierre Mignard, séc. XVII.
Museu de Belas Artes de Caen, França]
Como uma peste das almas, a impiedade vem se alastrando vertiginosamente em todo o mundo. No Brasil, a voragem carnavalesca recente, não se contentando com o nudismo e desordens sexuais de inspiração pagã, perpetrou sacrilégios contra a Religião, Nossa Senhora, os Santos e o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Tais investidas dos ímpios vêm de longe, em acelerado crescimento. E não se pode esquecer que, na história dos povos, onde se propaga a impiedade contra o sagrado propaga-se também a impiedade contra as pessoas. A violência contra Deus arrasta consigo, mais cedo ou mais tarde, a violência contra os humanos. O que fizeram os Santos contra isso?

O Castelo Sant’Angelo às margens lendárias do rio Tibre, próximo ao Vaticano, é um dos mais belos monumentos de Roma. No alto do castelo vê-se a imagem em bronze de São Miguel Arcanjo, coberto de armadura guerreira, no ato de embainhar sua espada. Assim ele apareceu ao Papa São Gregório Magno (540-604), ao final de funesta peste epidêmica que vinha ceifando vidas entre os romanos. Eles rezavam. As igrejas se enchiam. Ritos penitenciais se multiplicavam. O Papa São Gregório Magno, saindo em procissão pelas ruas da Cidade Eterna, implorou a misericórdia divina. Durante a procissão, viu São Miguel Arcanjo no alto do castelo, cercado de luz esplendorosa, embainhando sua espada. E o Pontífice entendeu que a epidemia na Cidade Santa grassava em razão de seus pecados, por permissão de Deus. A violação dos Mandamentos era a causa da epidemia.

Era precisamente o que São Gregório supunha, ao convocar a procissão, e também o que o povo intuía, examinando-se em sua própria impiedade. A partir daquela visão do Arcanjo cessou a peste mortífera, e a vida voltou à serenidade. Naqueles tempos abençoados Deus estava entre seus filhos, mas não para ser impunemente vilipendiado, como ocorre atualmente aqui e no mundo inteiro. Como Pai que perdoa, Deus corrige bondosamente e com justiça, pois mais vale a correção terrena do que a pena eterna. 

O leitor pode ver claramente o contraste em relação aos tempos atuais, constatando que ainda não se viu, como iniciativa do clero, nenhuma atitude que de longe se assemelhe à de São Gregório Magno. Pelo contrário, com o pretexto do coronavírus, inclusive por determinação de inúmeras autoridades eclesiásticas, igrejas são fechadas, atos religiosos suspensos, a Confissão e a Comunhão proibidas em algumas dioceses. Milhões de fiéis estão assim longe da assistência espiritual, necessária principalmente em caso de morte. Com essas determinações, tais autoridades agem de modo não condizente com seu caráter religioso. 

A Diocese de Milão, cuja história foi marcada pelo zelo pastoral de São Carlos Borromeu (1538-1584), é especialmente afetada por tais medidas. Contudo, quando a peste negra açoitou a Europa em sua época, o santo visitava incansavelmente os moribundos, levando-lhes os Sacramentos e consolo espiritual. Centenas de seus sacerdotes morreram contaminados, mas São Carlos Borromeu não se detinha em seu cuidado de pastor, confessava os moribundos em meio a mortos pestilentos. De onde vinha a ele e aos seus tal coragem? Da fé, que ilumina o pastor com luz sobrenatural, levando-o a ver claramente aquilo que é invisível aos olhos humanos. Com essa visão sobrenatural, não se curvam diante de circunstâncias humanas nem dos perigos deste mundo, quando umas e outros ameaçam seu magistério divino. Disso deram provas São Gregório Magno e São Carlos Borromeu, entre muitos outros santos.

26 de março de 2020

No Dia da Anunciação, o simbólico Arco-Íris surgido em Lourdes

De um colega que reside na França, recebi estas fotos de um belo arco-íris visto ontem em Lourdes, justamente no dia 25 de março, dia da Anunciação do Anjo e da Encarnação do Verbo [Vide post abaixo]. Pode-se dizer que a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo à Terra, por meio da Santíssima Virgem, foi a magna aliança de Deus com os homens. 

Portanto, é muito simbólico o Arco-da-Aliança surgindo em Lourdes no dia da Anunciação.

É Deus indicando que a solução para a grave crise do mundo hodierno é nossa aliança com sua Mãe Santíssima. E Lourdes é um dos lugares por excelência d´Ela, aonde Ela concede inúmeras graças e opera bens espirituais e físicos. 

Entretanto, o clero progressista fechou os lugares em que os fiéis iam se banhar nas águas milagrosas de Lourdes. Tal clero “esquerda católica” alegou o coronavírus para fechar aqueles abençoados lugares de Lourdes. Justamente nestes dias em que as pessoas mais precisam de graças e curas... É o clero progressista recusando a Aliança de Deus com os homens!




24 de março de 2020

Virgem Maria, Anunciação do Anjo e Cortesia


Em memória do magno dia da Anunciação e da Encarnação do Verbo de Deus, celebrado em 25 de março, segue um belo trecho extraído do livro “Courtoisie chrétienne et dignité humaine” (Cortesia cristã e dignidade humana), de Roger Dupuis, S.J. e Paul Celier. 

“A cortesia é até hoje reconhecida como uma das características próprias à nobreza. Lendo o Evangelho sobre a Anunciação [transcrição abaixo], nota-se com que delicadeza sobrenatural Deus propõe a Maria ser a Mãe do Messias. 

E a fineza de Maria corresponde perfeitamente à delicadeza divina. Pois a verdadeira humildade não é aquela que se abaixa, mas a que obedece. Naquele mesmo ato sublime, Maria toma conhecimento do favor sobrenatural concedidos a sua prima, Santa Isabel. 

Seu primeiro movimento consiste em ir visitá-la. Mais tarde, quando seu Divino Filho disse de si mesmo ‘sou manso e humilde de coração’, revelava a influência de sua Mãe. Jesus quis ter em Maria um modelo perfeito de cortesia”. 


"Eis aqui a serva do Senhor"



“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.  
Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 
O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 
Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 
Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.  
Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela” (São Lucas 1, 26-38)”.