22 de junho de 2022

Nossa Senhora como caminho para se chegar a Jesus Cristo


Para todas as almas apostólicas é de primordial importância o culto ao Imaculado Coração de Maria.

“No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo.”

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

“Legionário”, 30 de julho de 1944

Imagem da Capela de Nossa Senhora,
 a Branca – Catedral de Santo Estêvão,
Bourges (França)
[Foto: Frederico Viotti]

O
Revmo. Sr. Pe. Raimundo Pujol, Provincial dos Missionários do Coração Imaculado de Maria, deu a lume uma obra sobre a devoção básica da gloriosa Congregação a que pertence. Gostaríamos que o belo e prático volume editado pela “Ave Maria” estivesse em mãos de todos os católicos verdadeiramente piedosos, autenticamente interessados nos destinos da Igreja em nossos dias.

“Dos católicos verdadeiramente piedosos”, dizíamos. Com efeito, toda a piedade verdadeira tem por objetivo dar glória a Deus e conduzir o homem à virtude. Para uma e outra coisa, que aliás se confundem, a devoção ao Coração Imaculado de Maria é um verdadeiro dom da Providência a este pobre e dilacerado século.

Nossa Senhora é a Medianeira de todas as graças. Querer rezar sem a intercessão dela é o mesmo que pretender voar sem asas, diz Dante. Se desejamos que nossos atos de amor, de louvor, de ação de graças e de reparação cheguem até o trono de Deus, devemos depositá-los nas mãos de Maria Santíssima.

Seria ridículo imaginar que Nossa Senhora constitui um desvio, e que atingimos mais diretamente a Deus se não nos dirigirmos a Ela. O contrário é que é verdade. Só por meio dela é que chegamos a Deus. Prescindir de Nossa Senhora para chegar a Jesus Cristo, sob o especioso pretexto de que Nossa Senhora constitui um anteparo entre nós e Seu Divino Filho, é tão estulto como pretender analisar os astros sem telescópio, “diretamente”, por imaginar que o cristal das lentes constitui um anteparo entre os astros e nós. Quem quisesse fazer astronomia “diretamente”, a olho nu, não faria astronomia, mas tolice. Pretender ter vida de piedade sem o auxílio de Nossa Senhora, é o mesmo que fazer astronomia a olho nu.

O mesmo se diga quanto ao papel de Nossa Senhora em nossa santificação. Não são poucos os católicos que, verificando a imensa desproporção existente entre a debilidade das forças humanas e a dureza da luta que a preservação da virtude impõe, se deixam arrastar a uma moral latitudinária, minimalista, cheia de transações com o espírito do século. E, para isto, os pretextos, as razões falsas, porém verossímeis, não lhes faltam. Apelam para a fraqueza moral do homem contemporâneo, para as mil dificuldades que a civilização moderna cria para a prática da virtude etc., etc. De uma coisa, entretanto, se esquecem: por mais fraco que seja o homem, a graça de Deus é invencível. Quando a graça de Deus encontra o apoio de uma correspondência generosa no homem ela pode milagres. “Tudo posso n´Aquele que me conforta”, escreveu São Paulo.

*   *   *


Com o auxílio de Deus as crianças, as donzelas, os anciãos enfrentavam no Coliseu os mais terríveis tormentos. Será possível que o cristão católico de nossos dias não possa enfrentar os perigos da civilização moderna?

A questão, para dilatarmos as fronteiras da Santa Igreja, por todo o universo, não consiste em afrouxarmos a invencível doutrina de Jesus Cristo. Saibamos viver a vida da graça com a plena correspondência de nosso livre arbítrio. Saibamos procurar a graça nas fontes onde realmente ela jorra, e com o auxílio dela tornemo-nos fortes para todas as austeridades que o Espírito Santo de nós exige. Entre essas fontes da graça, está sem dúvida, em lugar relevantíssimo, a devoção ao Coração Imaculado de Maria.

Na Sagrada Escritura encontramos esta frase: “Porque foram fracos, eu lhes abri uma porta que ninguém poderá fechar”. Esta porta aberta para a fraqueza do homem contemporâneo é o Coração Imaculado de Maria.

Com efeito, nada nos pode dar maior confiança, esperança mais fundada, estímulo mais certo, do que a convicção de que em todas as nossas misérias, em todas as nossas quedas, não temos apenas, a nos olhar com o rigor de Juiz, a infinita Santidade de Deus, mas também o coração cheio de ternura, de compaixão, de misericórdia, de nossa Mãe Celeste. Onipotência Suplicante, Ela saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande tarefa de nosso reerguimento moral.

Com este coração, todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu aberta de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta “ninguém a poderá fechar”, nem o demônio, nem o mundo, nem a carne.

Fazer apostolado é, essencialmente, salvar almas. Aos que se interessam pelo apostolado nada deve importar mais do que o conhecimento das devoções providenciais com que o Espírito Santo enriquece a Santa Igreja em cada época, para a utilidade das almas. O Sumo Pontífice atualmente reinante [Pio XII] aponta duas devoções: a do Sagrado Coração de Jesus, a do Coração Imaculado de Maria.

Aparecendo em Fátima, Nossa Senhora disse textualmente aos Pastorzinhos que uma intensa devoção ao Coração Imaculado de Maria seria o meio de salvação do mundo contemporâneo. Milagres sem conta têm atestado a autenticidade da mensagem celeste. Não nos resta, senão confortarmo-nos ao ditame que dela decorre.

Se essa é a salvação do mundo, se queremos salvar o mundo, apregoemos o meio providencial para sua salvação. No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no dia em que o mundo inteiro voltar a Jesus por Maria, o mundo estará salvo. Para todas as almas apostólicas é, portanto, de primordial importância o culto ao Imaculado Coração de Maria.

*   *   *

Temos falado constantemente em “verdadeira” devoção. Com efeito, não nos bastam as devoções externas, formais, convencionais. É preciso que a devoção seja esclarecida, inteligente, sensata, fecunda. Ela deve resultar de persuasões firmes, gerar resoluções duráveis.

O livro do Revmo. Sr. Pe. Raimundo Pujol, em linguagem atraente e edificante, chega precisamente a este resultado. Escrito com muita suavidade de estilo, ele é, entretanto, altamente substancioso, e contém todos os elementos de um estudo lógico, claro, rico, a respeito da devoção ao Coração de Maria.

Este livro não é apenas uma série de ditirambos, mas uma doutrina substanciosa, que se pode compreender, assimilar, admirar. Lendo-o, estudando-o adquirem-se os conhecimentos necessários para que a devoção ao Coração de Maria deite em nosso espírito as raízes sólidas de que carece. Quer quanto ao histórico dessa devoção, quer quanto aos seus fundamentos dogmáticos e sua importância em nossos dias, o Revmo. Pe. Raimundo Pujol dá a conhecer ao público tudo quanto é desejável [“O Coração de Maria e a hora presente”, Editora Ave Maria, 1944, 91 páginas].

Para a propagação do culto ao Coração Imaculado da Santa Mãe de Deus, os filhos do Beato Claret [canonizado por Pio XII a 7 de maio de 1950] acabam de dar, portanto, mais um grande tributo pela pena de seu ilustrado e douto Provincial.

21 de junho de 2022

O ADORÁVEL SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 


A devoção ao Sacratíssimo Coração é admiravelmente enriquecida quando unida à devoção ao Imaculado Coração de Maria, pois Ela é o caminho mais seguro, fácil e rápido para se chegar ao nosso Divino Redentor.

  Paulo Roberto Campos

 

“O culto ao Sagrado Coração é a quintessência do cristianismo, o compêndio e sumário de toda a Religião”, escreveu de modo lapidar o Bispo de Poitiers, Louis-Édouard François Désiré Pie (1815-1880), mais conhecido como Cardeal Pie, por quem São Pio X nutria grande admiração.

Entre as numerosas recomendações de papas e santos mostrando a importância primordial dessa devoção, podemos citar, a título de exemplo, as palavras do Bem-aventurado Pio IX (1846-1878) ao fundador dos Missionários do Coração de Jesus, Padre Jules Chevalier: “A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele que curará todos os nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.1

Amor divino respondido com a ingratidão humana

Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial
O mês de junho é consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebra na sexta-feira seguinte à Oitava de Corpus Christi — portanto, neste ano, no dia 24. A Santa Igreja a estabeleceu como uma extensão da comemoração de Corpus Christi (16 de junho). 

Metaforicamente, o substantivo “coração” é empregado para simbolizar valores de ordem moral — a pureza, por exemplo: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!” (Mt 5, 8). Mas simboliza sobretudo o extremo amor d’Aquele que disse: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). É o amor de Jesus Cristo por seus filhos, duros de coração, mas aos quais Ele se ofereceu como vítima para os redimir e salvar eternamente.

Esse sublime aspecto nos é apresentado pela iconografia com a imagem de Nosso Senhor apontando seu Coração, em recordação ao que Ele disse a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) [vide quadro no final deste artigo] no dia 16 de junho de 1675 no Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial [foto ao lado], quando lamentou:

         “Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até se esgotar e se consumir, para lhes testemunhar seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim.”2

“A Grande Promessa” do Sagrado Coração de Jesus

Aparição do Sagrado Coração
 de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque
Justamente para desagravar as ofensas contra seu Divino Coração, Nosso Senhor orientou essa mesma santa — cuja vida foi inteiramente voltada para o culto do Sagrado Coração e, sempre aconselhada por São Cláudio la Colombière, tudo fez para expandir essa sacratíssima devoção — a incentivar em todos os católicos o piedoso hábito da comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras de cada mês. Ele prometeu que concederia a graça da salvação eterna a todos aqueles que durante nove meses seguidos comungassem na primeira sexta-feira especialmente para desagravá-Lo. Ou seja, quem cumprisse esse seu desejo não morreria em pecado e teria garantida sua felicidade eterna no Céu. Para alcançar tamanha graça, contudo, há também a obrigação de não transgredir os 10 Mandamentos da Lei de Deus. Essa garantia de salvação eterna é conhecida como a “A Grande Promessa” do Sagrado Coração.

Eis as palavras divinas dirigidas à Santa Margarida:

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que este Lhe seja prestado.”3

         Além do santo costume da comunhão reparadora recomenda-se, de modo muito especial a cada um individualmente e a toda família, a consagração ao Sagrado Coração de Jesus. Há uma bela e muito inspirada consagração a Ele, composta pela grande santa de Paray-le-Monial, que propomos aos nossos leitores e às suas famílias. [vide quadro no final deste artigo].


Nossa Senhora inseparavelmente unida a Jesus Cristo

Em sua encíclica Haurietis Aquas, publicada em 1956, ano do centenário da extensão para toda a Igreja da festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Pio XII escreveu de maneira magistral:

“O Coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da Divina Pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e n’Ele podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa Redenção. Quando adoramos o Coração de Jesus Cristo, nele e por ele adoramos tanto o amor incriado do Verbo divino quanto o seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro amor moveu o nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua Esposa.”4

A Providência Divina dispôs que a Santíssima Mãe de Jesus fosse Medianeira universal de todas as graças. Ou seja, ninguém recebe graça alguma a não ser por meio d’Ela. Assim, se quisermos atendê-Lo e acrisolar a nossa devoção ao seu Sacratíssimo Coração, devemos ter uma especial devoção ao Imaculado Coração de Maria. Duas devoções inseparáveis, a tal ponto de São João Eudes, fundador da Congregação de Jesus e Maria, ensinar que ambas as devoções poderiam resumir-se em uma só, sintetizada na jaculatória “Sagrado Coração de Jesus e Maria”, de tal modo ambos os corações estão unidos.

Na mesma encíclica Haurietis Aquas, Pio XII recomenda: “A fim de que a devoção ao Coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã, e mesmo em toda a humanidade, procurem os fiéis unir a ela estreitamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que, na obra da Redenção humana, a Santíssima Virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe. Por isso, convém que o povo cristão –– que de Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina –– depois de prestar ao Sagrado Coração o devido culto, renda também ao amantíssimo Coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, amor, agradecimento e reparação. Em harmonia com este sapientíssimo e suavíssimo desígnio da Divina Providência, Nós mesmo, por ato solene, dedicamos e consagramos a santa Igreja e o mundo inteiro ao Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria.”5

A plenitude do culto ao Sagrado Coração de Jesus

         No mesmo sentido apontado na citada encíclica, Plinio Corrêa de Oliveira escreveu, em artigo publicado em 2-6-1946 no semanário “Legionário”: “A ideia do culto ao Coração Imaculado de Maria se relaciona com a mediação universal. Assim como no culto do Sagrado Coração de Jesus se tem em vista o íntimo do mistério de Cristo, o seu aspecto mais profundo de Redentor, assim também no culto ao Coração de Maria se tem em vista o íntimo do mistério da Mãe de Deus, pelo qual se acha em união necessária com seu Filho e assim é a mediadora de todas as graças.”

         No mesmo “Legionário”, em matéria de 30 de julho de 1944, o saudoso escritor católico, o principal colaborador de Catolicismo, havia desenvolvido de modo mais aprofundado o comentário acima, afirmando que a devoção ao Coração de Maria leva à sua plenitude o culto ao Sagrado Coração de Jesus. [Nota: Reproduzimos tal matéria no post que faremos amanhã neste Blog da Família]. 

Fátima e o Sagrado Coração de Jesus e Maria

        

Em Fátima se inculca, com expressiva insistência,
 a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
 Nas fotos, a imagem de Nossa Senhora percorre a esplanada do santuário,
no centro da qual se encontra a imagem dourada
do Sagrado Coração, no alto de uma esguia coluna.
 
Encerramos as considerações sobre essas devoções — essenciais e perfeitas, sobretudo para os nossos conturbados tempos de impiedade e de catástrofes morais e materiais, agravadas pela guerra em curso no Leste europeu que poderá se alastrar pelo mundo — reproduzindo trecho de outro artigo do Prof. Plinio, publicado na edição de Catolicismo de junho de 1953:

 Em Fátima se inculca igualmente, com expressiva insistência, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que, ela também, tem sido posta na penumbra por certa tendência de espiritualidade muito em voga em nossos dias.

O culto ao Sagrado Coração de Jesus foi considerado por todos os teólogos como uma das mais preciosas graças com que a Santa Igreja tem sido confortada nos últimos séculos. Destinava-se ela a reanimar nos homens o amor de Deus entorpecido pelo naturalismo da Renascença, pelos erros dos protestantes, jansenistas, deístas e racionalistas.

No século passado, foi por meio desta devoção que o Apostolado da Oração produziu um admirável reflorescimento de vida religiosa em todo o mundo. E, como os males de que o Sagrado Coração de Jesus nos deve preservar crescem dia a dia, é evidente que dia a dia se acentua a atualidade desta incomparável devoção.

Contudo é preciso acrescentar que, na agravação dos males contemporâneos, a Providência como que quis superar a si própria, apontando aos homens como alvo de sua piedade o Coração de Maria, que de certo modo requinta e leva à sua plenitude o culto ao Sagrado Coração de Jesus.

Os estudos e a devoção cordimariana não são novos. Quer nos parecer, entretanto, que a simples leitura das mensagens de Fátima demonstra com quanta insistência Nossa Senhora os quer para nossos dias. A missão que Ela confiou à Irmã Lúcia foi especialmente a de ficar na Terra para atrair os homens ao Coração Imaculado de Maria. Várias vezes esta devoção é recompensada durante as visões. Este Coração Santíssimo nos aparece mesmo, na segunda aparição, coroado de espinhos pelos nossos pecados, a pedir a oração reparadora dos homens. Parece-nos que este ponto como que compendia em si todos os tesouros das mensagens de Fátima."

____________

Notas:

1. Pe. Jules Chevalier, Le Sacré-Coeur de Jésus, Retaux-Bray, Paris, 1886, p. 382.

2. Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, p. 70. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun.

3. Op. cit. p. 71.

4. Encíclica de Pio XII, Haurietis Aquas (15-05-1956), Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes Ltda, Petrópolis, 1959, p. 31.

5. Op. cit. p. 47.

* Matéria publicada na Revista Catolicismo, Nº 858, Junho/2022.

 



CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

[Composta por Santa Margarida Maria Alacoque]

 

Eu, [mencionar o nome], dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.

É esta a minha vontade irrevogável: pertencer-Vos e fazer tudo por vosso amor, renunciando completamente ao que não for do vosso agrado.

Eu Vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus vosso Pai, afastai de mim os castigos de vossa justa cólera. Ó Coração de amor, ponho em Vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade.

Destruí em mim tudo o que Vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais Vos esquecer, nem me separar de Vós.

Suplico-Vos também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vosso Coração, pois eu quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco na qualidade de vosso escravo. Assim seja!




SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE

Confidente do Sagrado Coração de Jesus

 

            Essa grande santa visitandina nasceu em Verosvres (França), em 22-7-1647, e três dias depois recebeu o batismo.

            Ainda muito pequena, bastava alguém dizer-lhe que tal coisa ofendia a Deus, para que ela compreendesse imediatamente que não se devia fazer. A menina Margarida Maria rezou certo dia: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço o voto de castidade perpétua”. Mais tarde, ela própria disse que não sabia o que significava “voto de castidade perpétua”, mas sentiu-se inspirada a fazer essa consagração.

            Quando contava oito anos, devido à morte de seu pai, passou dois anos como aluna no convento das clarissas, em Charolles, e fez ali sua primeira comunhão. Vendo o bom exemplo das religiosas, nasceu em sua alma a vocação religiosa.

            Como um indício da grande vocação a que ela era chamada, é oportuno lembrar um fato de sua vida: muito devota da Santíssima Virgem, rezava todos os dias o terço de joelhos. Mas um dia rezou-o sentada. Nossa Senhora apareceu-lhe e a repreendeu: “Estranho muito, minha filha, que me sirvas com tanto desleixo”.

Mais tarde, quando manifestou a familiares seu desejo de ser religiosa, esses pressionaram-na para que entrasse no convento das ursulinas. Ela respondia: “Eu quero ir às visitandinas, em um convento bem longe, onde não tenha nem parentes nem conhecidas, porque não quero ser religiosa senão por amor de Deus”.

            Afinal, aos 24 anos, seu desejo se cumpriu, depois de 10 anos de provações. Entrou no convento das visitandinas de Paray-le-Monial da Ordem da Visitação de Santa Maria — instituição religiosa fundada por São Francisco de Sales (1567-1622) e Santa Joana de Chantal (1572-1641). Esse convento francês fora escolhido por Nosso Senhor para, a partir daí, mais intensamente expandir pelo mundo inteiro a devoção a seu Sacratíssimo Coração.

            Como religiosa nesse convento, por três ocasiões sucessivas o Divino Redentor apareceu-lhe com o Sagrado Coração à mostra, fez-lhe ver o desejo ardente que tinha de salvar os pecadores e pediu a instituição de uma festa litúrgica para honrá-Lo, bem como a comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras do mês.

Tal missão não se realizaria senão com muitas lutas e sofrimentos. Ela era criticada dentro e fora do convento. Internamente, criticava-se tal devoção como sendo uma “novidade extravagante”; externamente, era criticada pelos jansenistas(*) — os progressistas da época. Esses atacavam virulentamente o culto ao Sagrado Coração e à Eucaristia.

            Entretanto, o Divino Redentor quis servir-se da santa religiosa visitandina para difundir universalmente a devoção. Após sua morte, em 1690, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus estendeu-se muito, não apenas na França, mas por outros países. Ela foi canonizada em 1920, pelo papa Bento XV (**).

____________ 

(*) Jansenismo: heresia que constituiu uma corrente semi-protestante no interior da Igreja. Era de um rigorismo hirto e despropositado. Foi instituída pelo holandês Cornélio Jansênio, bispo de Ypres (1636). Este negava a infinita misericórdia de Deus e defendia a predestinação. Tal heresia foi condenada por diversos Papas, entre os quais Inocêncio X, pela bula papal Cum occasione (1653).

(**) Cfr. Vie et Révélations de Sainte Marguerite-Marie Alacoque écrites par elle-même, Imprimerie St-Paul, Bar-le-Duc, França, 1947; e 

http://www.corazones.org/santos/margarita_maria_alacoque_escritos.htm.

19 de junho de 2022

Corpus Christi na Católica Baviera



✅  Paulo Roberto Campos

Recebi de um amigo alemão esse vídeo (abaixo) e desejo compartilhar com os leitores deste Blog da Família o contentamento que tive vendo Nosso Senhor Jesus Cristo sendo dignamente honrado. Um contraste impressionante com a "cerimônia" (progressista) que assisti, meio constrangido, numa igreja do interior de Minas de Gerais.  

Trata-se da belíssima procissão de Corpus Christi realizada nesta Quinta-Feira (16 de julho de 2022) na Baviera.

Procissão com o Santíssimo Sacramento que lá ocorre na capital (Munique) e em diversas cidades e em pequenas aldeias de camponeses, participando com seus tradicionais trajes típicos. 

A Baviera, no sudeste da Alemanha, faz fronteira com Liechtenstein, Áustria e República Tcheca. Possui muitos vilarejos rurais que mantêm costumes desde a época medieval. É a região mais católica da Alemanha — não sem razão é a região mais próspera do país... 

Desde o Sacro Império Romano Alemão, juntamente com a Áustria, combateu a “União Protestante” durante a Guerra dos Trinta Anos, no reinado de Maximiliano I de Habsburgo. Esse Imperador Romano-Germânico, graças à sua fidelidade à Igreja Católica, recebeu o título de príncipe eleitor do Sacro Império, o que lhe dava o direito de votar na escolha do imperador. 

 

13 de junho de 2022

POR FALAR EM GUERRA…

A Batalha de Berlim: abril de 1945 - O Exército Vermelho toma os restos de Berlim. A sombra funesta do comunismo se apossa da Alemanha Oriental e ameaçará o Ocidente durante décadas.

A invasão da Ucrânia ordenada pelo ditador Putin se prolonga, ninguém sabe como e quando terminará, nem quem sairá vitorioso; muitos torcem para que haja um acordo de paz. A esse propósito, segue excerto de um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira nas páginas de “O Legionário”, de 5-1-1941, redigido em plena Segunda Guerra Mundial. 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Toda vitória que represente não apenas o triunfo de um país, mas de uma ideologia, não somente de um povo, mas de uma filosofia, evidentemente será uma derrota dos católicos, desde que essa ideologia teológica ou filosófica não seja a da Igreja.

Assim, qualquer paz que signifique o franqueamento de todas as fronteiras à dissolução de doutrinas que são contrárias às de Jesus Cristo, será por certo uma paz que um católico não pode desejar.

Exemplifiquemos com a Rússia. De um momento para outro, pode este país entrar em guerra. Suponhamos que o curso dos acontecimentos internacionais fosse tal que a vitória da Rússia representasse não somente a vitória de um grupo de potências às quais ela estivesse aliada, mas a vitória única e exclusiva da URSS sobre todos os beligerantes, de sorte que ela, ao vencer, se tornasse igualmente senhora dos vencidos e dos seus próprios aliados. 

Quem ousaria afirmar que tal desfecho não seria soberanamente perigoso para os interesses das almas? Quem ousaria negar que a paz estabelecida por meio do triunfo do governo soviético seria uma paz contrária à Igreja, a consumação da derrota da justiça, a abominação da desolação?

Não se pretenda, pois, que não pode haver interesse da Igreja em jogo em um conflito internacional qualquer. Pelo contrário, tais interesses podem existir, e apresentar caráter de rara relevância.

11 de junho de 2022

A Hidra era alimentada e crescia nos antros comunistas


  Paulo Roberto Campos 

Quando em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim (a “cortina de ferro”) e, no ano seguinte, desmoronou o regime comunista com o estrondoso fracasso da URSS, muitos incautos diziam de boca cheia: “o comunismo morreu”...

O maior líder anticomunista do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, foi o paladino da tese contrária, ou seja, ele afirmava categoricamente que o comunismo não tinha morrido, mas se metamorfoseado; fez uma “plástica” em sua carranca para melhor iludir os babaquaras. Tal “plástica” foi feita sobretudo com duas políticas “cosméticas” do velhaco comunista Michail Gorbachev: em 1985 com a Glasnost (transparência), e em 1986 com a Perestroika (reestruturação). 

A respeito desta importante temática, recomendo leitura do histórico manifesto do Prof. Plinio, publicado em 1989 em vários jornais, intitulado “Morreu o comunismo? E o anticomunismo também?”

O próprio Gorbachev confessou: “O comunismo pode voltar à vida. É como o mito grego da Hidra, cujas cabeças cresciam de novo, após terem sido cortadas” (“Folha de S. Paulo”, 9-3-1992). 

Gorbachev nos antros comunistas tomou conhecimento do plano punitista; sabia que a Hidra estava sendo criada e bem alimentada... Hoje quem teria a petulância de dizer que o comunismo está morto? Sobretudo com a atual situação da Rússia, com a hidra Putin no poder, seria um disparate monumental. 

Dentro dessa temática, seguem algumas frases sobre o comunismo que vale a pena memorizar. 

“Hoje, fala-se em cortesia francesa, pontualidade britânica, cavalheirismo espanhol etc. Dia virá em que se falará também em cinismo soviético. Cinismo pasmoso, na verdade, que só teve um ‘símile’ no mundo: o cinismo nazista”. 

(Plinio Corrêa de Oliveira) 


No capitalismo temos a distribuição desigual das riquezas; no socialismo, a distribuição por igual das misérias”. 

(Churchill) 


“O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem”. 

(Fernando Pessoa) 


“Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las”. 

(Roberto Campos) 


“É fácil ser comunista em um país livre. O difícil é ser livre em um país comunista”. 

(Agustin Etchebarne)

6 de junho de 2022

A plenitude do culto ao Sagrado Coração de Jesus

 


O Sacratíssimo Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, é fonte de vida, consolação e santidade, é o que há de mais precioso na Cristandade e a solução para as desordens do mundo! 


Fonte: Revista Catolicismo, Nº 858, Junho/2022 

Não constitui novidade para ninguém, genericamente falando, reconhecer que nossos contemporâneos não correspondem ao sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz para nos salvar, pois a humanidade vive enchafurdada no vício, na amoralidade, na corrupção, na devassidão, na desonra, na deterioração de todas as coisas. 

Apesar de nosso Divino Salvador ter lamentado sobre a utilidade de seu Preciosíssimo Sangue, ele não correu em vão. Muito pelo contrário, produziu frutos admiráveis ao longo da História. Dele brotaram maravilhosas épocas de fé, numerosas epopeias, inúmeras almas santas, profetas, grandes papas, reis e teólogos, enfim, grandes personagens. Gerou sobretudo a Cristandade. 

Mas, ao nos reportarmos ao nosso século, onde encontrar esses grandes santos? É triste e desolador procurar e não os achar... Há remédio para tal desolação? Sem dúvida! 

Ele se resume numa só frase: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, e com todas as tuas forças” (Mc 12, 30). Foi a resposta de Nosso Senhor ao ser perguntado qual era o primeiro de todos os Mandamentos. 

Quem ousaria dizer que o geral dos homens de nossos dias cumpre esse Mandamento? Entretanto, caso o cumprisse integralmente, a humanidade seria salva, tudo se resolveria, os males seriam sanados; mesmo continuando a viver com as dificuldades inerentes a este Vale de Lágrimas, conviveríamos com muitos aspectos que seriam reflexos do Paraíso terrestre. 

O Bem-aventurado Pio IX foi categórico ao ensinar: “Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ela será a salvação para o mundo”

É com essa esperança que a revista Catolicismo deste mês publica como matéria de capa algumas considerações sobre o adorável Coração de nosso Divino Redentor. 

Publicação feita na esperança de, atendendo ao pedido do Papa Pio IX, poder colaborar na obra de salvação do mundo. O geral dos homens amaria de todo coração a Deus sobre todas as coisas, e depois d’Ele, amaria Nossa Senhora sobre todas as coisas. 

É o que recomendam muitos papas e santos — unir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus à devoção ao Imaculado Coração de Maria —, como o leitor poderá constatar ao longo da referida matéria. 

Ou seja, perceberão tratar-se de devoções inseparáveis de corações inseparáveis, de tal modo que, ao recorrermos a Deus por meio de sua Santíssima Mãe, eleita para ser nossa Medianeira, Ele nos ouvirá com muito mais agrado e nos atenderá muito mais rapidamente.

31 de maio de 2022

São Tomás Morus — Exemplo de coerência na prática da fé


  Plinio Maria Solimeo

Causa espanto e é difícil de se compreender, como uma mãe pode assassinar de maneira cruel o filho que concebeu, com o aborto. Com isso ela abafa em si o primeiro e mais tangível laço afetivo entre dois seres, o amor materno, presente até nos animais irracionais. Também difícil é de se compreender como profissionais da saúde se prestam em cooperar com esse crime odioso que, sendo um homicídio voluntário, é um pecado que “brada ao céu e clama a Deus por vingança”, como ensina o Catecismo de São Pio X. 

Sobre o amor materno diz o profeta Isaías (49, 15): “Acaso, pode uma mulher se esquecer do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre?”. Pois é isso que acontece com o aborto. 

Também é difícil de se compreender que haja tanta gente que se diz católica, que aceita e mesmo pratica esse monstruoso crime. Para não falar da classe dos políticos que, a despeito de sua convicção religiosa, para serem “politicamente corretos” vão na onda, alegando que o aprovam porque devem representar todos seus eleitores, e não votar segundo suas crenças pessoais. 

Deixando de lado os políticos brasileiros, citaremos dois americanos do alto escalão do Partido Democrata — o presidente Joe Biden, e o candidato à presidência em 2004, John Kerry — que, apresentando-se como católicos praticantes, no entanto são partidários do aborto contrariando os ensinamentos da Igreja. 

Num interessante artigo publicado no Seattle Catholic, o jornalista John Davis refuta essa atitude, dando como exemplo da coerência entre a política e a fé que devem ter os políticos, o grande chanceler da Inglaterra no tempo do lúbrico rei Henrique VIII [quadro ao lado], São Tomás Morus. 

Quem foi esse santo que preferiu o martírio a ir contra a fé diante do poder real? 

Em rápidos traços, Tomás nasceu em 1478 nos arredores de Londres. Com apenas 13 anos, empregou-se como mensageiro do arcebispo diocesano de Canterbury. O prelado, notando a notável inteligência do adolescente, financiou seu curso na Universidade de Oxford, onde Tomás obteve o doutorado em Direto aos 22 anos. 

Morus pensou muito em ser religioso, mas depois escolheu o caminho do matrimônio, tendo quatro filhos. 

Com acentuada vocação para a política e para a literatura, como homem de lei Tomás Morus exerceu vários cargos. Sua fina inteligência, honestidade, fama de homem íntegro, e sobretudo sua grande fé e caridade, balanceadas por um acurado senso de humor, começaram aos poucos a transparecer em sua vida pública. O que fez com que aos poucos ele passasse a ser muito amado e popular. Essa fama levou-o a ser escolhido por Henrique VIII para o mais algo cargo do reino, o de Lord Chanceler, que exerceu de 1529 a 1532, ano de sua morte. 

Aqui entra John Davis: Primeiro, “Como cavaleiro e membro do Conselho do Rei em 1527, Morus enfrentou seu próprio dilema moral. [Pois] O rei Henrique VIII queria desesperadamente o apoio de Sir Tomás para seu apelo ao papa para que lhe concedesse o divórcio de Catarina de Aragão, para que pudesse se casar com sua amante Ana Bolena. Católico fervoroso, Morus se recusou a dar esse apoio com base no ensino da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento”. 

Continua Davis: “Como retrata o filme de 1966, ‘A Man For All Seasons’ [em português, O Homem que não vendeu sua alma] [foto ao lado], dois anos antes de ascender ao cargo de Lord Chanceler como o primeiro leigo a ocupar o cargo, Morus, interpretado por Paul Scofield, é pressionado por seu antecessor, o Cardeal Wolsey (Orson Welles) [foto acima] sobre sua falta de apoio ao divórcio do rei: ‘Explique como você, como conselheiro da Inglaterra, pode obstruir essas medidas por causa de sua própria consciência?’”

Morus responde à queima-roupa a Wolsey: “Acho que quando os estadistas abandonam sua própria consciência por causa de seus deveres públicos, conduzem seu país por um caminho curto para o caos”. 

Sir Tomás Morus, por se ter oposto ao desejo do rei, foi considerado culpado de crime de alta traição, preso na Torre de Londres, e decapitado em 6 de julho de 1535. “Seu crime foi sua recusa em reconhecer o rei como o autoproclamado chefe supremo da igreja na Inglaterra”.

No momento de sua morte o mártir, dirigindo-se aos presentes, declarou: “Sedes minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma, e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o rei e o aconselhe”. 

Devido à sua morte em defesa da fé, o Papa Leão XIII em 1886 declarou Sir Tomás Morus mártir, beatificando-o como tal. Pio XI o canonizou juntamente com São João Fisher, também considerado mártir, em 19 de maio de 1935. 

Finalmente, em 31 de outubro de 2000, João Paulo II proclamou São Tomás Morus “padroeiro dos funcionários do governo e dos políticos”. Em sua carta apostólica nessa ocasião, João Paulo II destacou a necessidade de um santo padroeiro em um momento em que “as realizações científicas na área da biotecnologia sublinham a necessidade de defender a vida humana em todas as suas diferentes etapas”. E afirma que São Tomás Morus fornece tal modelo, acrescentando: “Sempre que homens ou mulheres atendem ao chamado da verdade, sua consciência guia suas ações com segurança para o bem. Precisamente por causa do testemunho que ele prestou mesmo ao preço de sua vida, ao primado da verdade sobre o poder, São Tomás Morus é venerado como exemplo imperecível de integridade moral e, mesmo fora da Igreja, entre os responsáveis pelos destinos dos povos, é reconhecido como fonte de inspiração para um sistema político que tem como objetivo supremo o serviço da pessoa humana”

Fazendo uma aplicação aos políticos atuais, John Davis diz: “Claramente, esses políticos católicos elevaram o objetivo de serem eleitos acima de seu dever solene de defender a Fé e os mais vulneráveis da sociedade. O Catecismo da Igreja Católica afirma: ‘Deus, Senhor da vida, confiou aos homens a nobre missão de salvaguarda-la, e os homens devem realizá-la de maneira digna de si mesmos. A vida deve ser protegida com o máximo cuidado [desde] o momento da concepção: aborto e infanticídio são crimes abomináveis”

Haverá ainda políticos católicos no Brasil que assumam essa posição, mesmo com risco de perderem as eleições? 

____________ 

Fonte: John Davis, “Some Saintly Advice for Catholic Politicians”, (www.seattlecatholic.com)

28 de maio de 2022

Enquanto rei da criação, o homem deve aprimorar as coisas criadas


Superioridade das frutas quando aprimoradas pela civilização 

Plinio Corrêa de Oliveira 


C
erta vez, em Roma, passando em frente a uma vitrine que tinha vários vidros de compota de cereja e de outras frutas, eu disse a um amigo: “Gosto muito mais de doce de fruta do que da fruta natural e, por causa disso, gosto muito mais de compota de cereja do que de cereja fresca, da fruta crua”. 

Meu amigo argumentou que gostava mais da fruta crua, porque assim ela conservava certa energia e certos sabores da natureza. 

Respondi que quando a culinária se aplica sobre a fruta crua — a natural, para produzir algo ainda melhor, aprimorada e trabalhada pela civilização —, ela perde sempre algo, mas ganha mais do que perde. 

Em princípio, concordo que o contato com o cru, não só na culinária, mas em tudo na natureza, oferece algo de original com o qual precisamos de vez em quando tomar contato.

Mas o grosso da vida foi feito para que tudo na natureza fosse ajeitado, aprimorado e dominado; e que o homem, enquanto rei da criação, tenha tudo sujeito a si — com os sabores, com o grau de macio ou de resistente que queira —, de maneira que ele fique mandando e seja o senhor das coisas. 

____________ 


Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 8 de novembro de 1991. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

13 de maio de 2022

Por esse destemido depoimento a GLOBO não esperava...


✅ 
 Paulo Roberto Campos 

Ontem (12-5-22) numa entrevista na rede Globo, no programa de entrevista “Encontro com Fátima Bernades”, a atriz Cássia Kis corajosamente fez afirmações que toda mãe de família deveria fazer, sobretudo nestes dias nos quais tudo conspira para a dissolução total da instituição familiar. 

Ela fala de sua fé católica, fala contra o aborto, recomenda a recitação do Santo Rosário, a Missa tradicional (celebração tridentina e em latim) e relembra outras verdades que estão sendo muito esquecidas e, justamente por isso, a entrevistadora — pela cara muito decepcionada — interrompe a atriz e pede para entrarem os comerciais... 

Certamente a célebre atriz sabia que, depois de suas palavras (trecho no vídeo abaixo), seria "cancelada". Daí a sua coragem em dizer o que disse. 

Que Nossa Senhora a proteja e a auxilie a se converter inteiramente e a vir a ser verdadeiramente Católica, Apostólica, Romana!

 

7 de maio de 2022

Paz não é apenas a cessação de hostilidades

13 de agosto de 1961: o muro e o arame farpado “reinam” sobre a infeliz Alemanha Oriental. A bota comunista russa sela uma pseudo “paz” para essa pobre nação subjugada.

  Plinio Corrêa de Oliveira

Aberram lamentavelmente do senso católico os fiéis que supõem atender a um dever de caridade desejando que a paz se restabeleça quanto antes no mundo, mas que entendem por paz uma cessação qualquer das hostilidades, que evite a qualquer preço a carnificina e a efusão de sangue, ainda que por meio de graves injustiças internacionais. 

Se a paz com justiça é um bem inestimável, a tranquilidade decorrente da injustiça consumada, e que implique na cessação de qualquer resistência contra os fatores de desagregação da civilização católica, não pode deixar de constituir uma monstruosa catástrofe para o mundo contemporâneo, certamente comparável ao que foi, para a antiguidade romana, a queda do Império do Ocidente. 

Não pode haver justiça quando se nega aos povos fracos o direito de existir. Não pode haver justiça quando se afirma que a ordem internacional não deve ser baseada sobre o princípio de igualdade fundamental e natural de todos os povos, mas sobre uma hierarquia anticientífica de raças que, baseada na apreciação de valores acidentais ou imaginários, deseja fazer com que o mundo inteiro viva para o uso e gozo de um ou de poucos povos, supostos privilegiados. Todos estes conceitos implicam em uma violação radical da verdade, e em uma subversão fundamental da justiça, de modo que a paz baseada sobre eles outra coisa não seria senão a apoteose da injustiça. 

Mas as injustiças que acabo de me referir não são as mais graves de que o homem é capaz. A violação dos direitos do próximo nunca poderia ser compreendida em toda a sua gravidade se não tivéssemos em mente que ela constitui ao mesmo tempo uma violação dos soberanos e adoráveis direitos de Deus.

Assim, se a paz só deve ser desejada pelos fiéis com a condição de que ela respeite os direitos dos homens, a fortiori deve ela parecer sumamente repugnante a qualquer coração verdadeiramente católico, se tiver por base o repúdio dos direitos de Deus. (“O Legionário”, 5-1-41).

6 de maio de 2022

Da Virgem Puríssima nasceu Jesus


Para este mês, período mariano por excelência, seguem algumas frases para refletirmos como devemos crescer em nossa devoção à Santíssima Virgem, a Mediadora de Todas as Graças.


“Pela união de sofrimentos e vontades entre Maria e Cristo, Ela mereceu com muita dignidade tornar-se a reparadora do mundo perdido, e, pelo mesmo motivo, tornou-se também a dispensadora de todos os dons que Jesus nos adquiriu por sua morte e seu sangue.” 
(São Pio X) 

“Todos aqueles que se empenham em divulgar as glórias da Virgem Santíssima, têm o Céu assegurado.” 
(São Boaventura) 

“Ninguém se maravilhe se os santos evangelistas foram tão parcos em descrever as prerrogativas de Maria. Eles se contentaram em dizer que ‘dela nasceu Jesus’. Baste-nos isso. Com tais palavras dizem tudo, resumem-lhe todas as excelências.” 
(São Tomás de Vilanova) 

“Não tenhas receio de amar demais a Santíssima Virgem Maria, pois jamais conseguirás amá-la o suficiente e Jesus ficará muito feliz, porque a Virgem Santíssima é sua Mãe.” 
(Santa Teresinha) 

“Maria é tão bonita, que todos os que A veem gostariam de morrer para revê-la”.
(Santa Bernadette)