4 de dezembro de 2018

Loucura não tem limites

➤  Plinio Maria Solimeo

Neste mundo onde o absurdo se torna cada vez mais frequente, um fato muito sintomático ocorreu há pouco nos Estados Unidos. Uma médica pediatra está forçando seu filho de seis anos a se comportar como menina e ameaçando legalmente o marido por não concordar com isso. Eles são divorciados.

Com efeito, enquanto Ana Georgulas mudou o nome de seu filho James [foto ao lado] para Luna, veste-o e maquia-o como menina, além de obrigá-lo a usar o banheiro feminino na escola, Joffrey Younger, o pai, trata-o, como é normal, como ele sempre foi: James Younger, do sexo masculino. A criança é obrigadaa viver assim com uma dupla identidade.

O mais absurdo e infame em tudo isso é a tétrica realidade dos nossos dias, em que a justiça dá razão e apoia a mãe, e se insurge contra o pai: Jeffrey Younger está proibido por ordem judicial de dizer qual é o sexo de seu filho, inclusive de lhe transmitir o ensino cristão sobre gênero e sexualidade. 

O tribunal concedeu também à mãe o direito exclusivo de escolher o tratamento psiquiátrico e psicológico a ser dado a James e a seu irmão gêmeo Jude, tornando o pai dos meninos incapaz de opinar sobre o caso. 

O absurdo vai além: o pai está proibido de cortar o cabelo de seus filhos. Uma vez que o fez, foi delatado por um professor das crianças ao Texas Child Protective Services como se tivesse cometido um crime contra elas.

Uma prova da predeterminação da mãe é o fato de ela ter levado o menino diretamente para o “aconselhamento” com um “terapeuta de transição de gênero” que arbitrariamente o diagnosticou como possuidor de uma “disforia de gênero”. O “tratamento recomendado” pode incluir a esterilização hormonal que, no caso de James, deveria começar dois anos depois, quando ele completasse oito anos. Isso o prepararia para fazer mais tarde uma cirurgia de “re-atribuição sexual”. 

Em sua radicalidade, essa mãe procurou ainda obter ordens judiciais contra o marido, para acabar com seus direitos parentais, bem como obrigá-lo a pagar as consultas de James com o tal terapeuta, para quem o menino é um “trans”. 

Ora, como no Texas o custo do tratamento psicológico e psiquiátrico de crianças é considerado apoio infantil, amigos da família reunidos em torno do blog “Save James” dizem que, pelos atuais estatutos desse Estado, o pai do menino poderia ser “forçado a pagar pela mutilação sexual de seu próprio filho”

Entrou agora na celeuma Walt Heyer, um estudioso que fora “transgênero” e agora é defensor dos que sofrem arrependidos pela mudança de sexo. Em artigo para The Federalist, ele afirma que James não se encaixa nos critérios defendidos pelo tal terapeuta. E para que um conflito mental ocorrido numa criança a respeito de sua própria identidade possa ser diagnosticado como “disforia de gênero”, ele deve ser persistente, consistente e insistente. Ora, segundo Heyer, a mãe do menino força as coisas, fornecendo-lhe apenas roupas femininas e matriculando-o na escola com o nome de menina. Porém, acontece que James, quando está com o pai ou com outros meninos, prefere vestir-se e viver como menino. 

Heyer conclui: “A preciosa jovem vida de James depende exclusivamente do diagnóstico de ‘disforia de gênero’ feito por um terapeuta que se envolve nas cores do arco-íris e defende seu diagnóstico rejeitando as evidências em contrário.”


Segundo outra pediatra e especialista, Dra. Michelle Cretella [foto ao lado], que estudou extensivamente o assunto, “algumas mães que obrigam seus filhos a se passarem por meninas, sofrem de ‘luto de gênero’”. “Os Drs. Kenneth Zucker e Susan Bradley, especialistas de renome mundial no tratamento de distúrbios de identidade de gênero na infância, declaram encontrar algumas mães que queriam desesperadamente uma menina, e que entraram em profundo estado de depressão depois de terem tido apenas filhos. Essa depressão foi gradualmente aliviada apenas por um filho agindo de maneira afeminada ou permitindo que ela o vestisse como uma menina.” 

Os amigos da família, reunidos no já citado blog, fornecem um cronograma, documentos judiciais, orações, pesquisas e outros recursos sobre a ideologia de gênero, que é o tema em causa. Afirmam que a mãe de James está fazendo tudo o que pode para manter o pai longe dos filhos, obtendo para isso muito apoio jurídico e financeiro, enquanto que o pai está sozinho e com recursos limitados, lutando contra a imposição ideológica corrente.

Concluímos com o já citado Dra. Cretella: “O que está acontecendo com o pobre James é um testemunho de como a pediatria politizada e anti-ciência se tornou a formação de identidade de gênero em relação às crianças.”

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Cfr.: https://www.lifesitenews.com/news/6-year-old-boy-forced-to-live-as-a-girl-while-mom-threatens-dad-for-not-goi?utm_source=LifeSiteNews.com&utm_campaign=867df38fb5-SATURDAYEMAIL_2018_12_1&utm_medium=email&utm_term=0_12387f0e3e-867df38fb5-401363089

2 de dezembro de 2018

Na Av. Paulista, manifestação contra o crime do aborto

A pedido de amigos, seguem algumas fotos que fiz da manifestação que transcorreu hoje à tarde na Avenida Paulista. Dela participou um numeroso e seleto público, como se pode notar nas imagens. 

Do alto de um carro de som, ilustres oradores dirigiram-se aos presentes encorajando-os ao bom combate em defesa da vida inocente, desde a concepção até a morte natural. 

Vários deles destacaram a importância de tal combate nestes dias em que ainda vemos no Congresso Nacional parlamentares que promovem projetos que favorecem a execução do nascituro no ventre materno. 

Outros aborteiros, por via legislativa ou judiciária, ainda pretendem descriminalizar a prática abortiva até a 12ª semana de gestação. Trata-se da ADPF 442, atualmente em curso no Supremo Tribunal Federal. Outros, ainda mais extremados, atuam para se obter que a lei permita o aborto até mesmo no 9º mês de gestação! 

Para barrar tais projetos que atendam contra as Leis de Deus, cooperadores do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira participaram da manifestação e distribuíram folhetos sobre um abaixo-assinado a favor de uma Emenda Constitucional a fim de se garantir a vida dos nascituros desde a concepção.

[Click na primeira imagem para percorrer a "galeria" de fotos, usando a setinha do teclado]






















O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança dirige palavras animando os manifestantes ao bom combate contra o aborto






















Feminismo, o defensor das mulheres. – Será mesmo?

➤  Ítalo Nóbrega

O feminismo, enquanto corrente ideológica, tem suas raízes no Iluminismo, com a proclamação dos ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. Entretanto, somente após a Revolução Francesa é que o vemos sair do campo meramente teórico para abarcar também o campo político. 

Baseado em uma errônea interpretação dos significados de igualdade e liberdade, ele se empenha na luta contra os valores chamados de patriarcais, fundamentados nas diferenças entre os sexos. 

A luta contra tais valores implica, de um lado, a destruição de costumes, tradições e instituições seculares fundamentais para a sociedade, muitas delas remanescentes da Cristandade medieval. De outro lado, essa luta consiste na proclamação de pérfidos ideais cujo estandarte tem como lema “empoderamento feminino”

Entre as reivindicações do referido movimento, sempre a pretexto de advogar pelas mulheres, estão o tratamento equânime para ambos os sexos em todas as esferas da sociedade, a emancipação das mulheres em todos os campos em que predominam os chamados preconceitos patriarcais, uma maior participação da mulher em cargos de mando ou poder, direitos reprodutivos (leia-se: “direito” de assassinar um ente inocente que ainda não nasceu), entre outros. 

Entretanto, ao confrontarmos as ideias feministas com algumas de suas atitudes, encontramos uma gritante contradição: enquanto se auto proclamam defensoras das mulheres e valorizadoras do sexo feminino, vemos concomitantemente suas atitudes caminharem em sentido radicalmente contrário. 

Provemos.


Nas últimas décadas, as manifestações feministas de grande porte ora reivindicavam direitos sociais equânimes, ora pediam o fim da violência contra as mulheres ou a descriminalização do aborto. Entretanto, denominadores comuns entre todas elas — as manifestações — inclusive as mais recentes, põem em xeque a legitimidade das mesmas: a omissão de um combate direto e explícito contra a sharia, por exemplo. 

A sharia poderia ser considerada a lei anti-feminina por excelência. Além de tratar as mulheres como impuras, incapacitadas mentais, escravas sexuais de seus maridos, entre outras abominações, ainda torna meninas pré-púberes objeto de espancamentos e de pedofilia. 

Por que as feministas se omitem ante tão crítica situação da mulher nos países islâmicos? 

As contradições são se limitam apenas aos casos negativos; elas estão por toda parte, até mesmo onde se faz mister elogiar. 


Os elogios do movimento feminista se restringem àquelas figuras femininas que servem de cavalo-de-batalha para suas militantes. Algumas de suas principais expoentes servem-nos de ilustração: Mary Wollstonecraft, escritora e “educadora” inglesa, considerada “avó” do feminismo, e Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir [foto à direita], uma francesa filha de aristocratas,mais conhecida como Simone de Beauvoir, que além da bandeira feminista defendia a pedofilia. 

Porém, quantas mulheres honradas que fizeram história e deixaram sua marca são ignoradas pelas feministas? 


Branca de Castela [sua estátua na foto abaixo], mãe de São Luís IX de França, foi uma rainha medieval que assumiu a regência do reino enquanto seu filho ainda não podia fazê-lo. Além de ter sido uma excelente governante, é cultuada como santa. 

Isabel de Castela, esposa de Fernando de Castela — os dois passaram para a História como os Reis Católicos — tinha autoridade política maior que a do seu marido e a usou para o bem de Castela e do catolicismo ali reinante. 

Querem exemplos ignorados mais recentes? 


Santa Gianna Beretta Molla [foto ao lado] preferiu morrer a ter que abortar seu filho. Realizou um gesto heróico. 

Kátia Sastre, policial paulista, neutralizou definitivamente um bandido que ameaçava mães e crianças na porta de uma escola. 

Bem, por que limitar tanto nossa lista? Façamos menção às mães de família que com tanto esforço e em meio às ameaças do mundo moderno — como a ideologia de gênero, por exemplo — lutam para criar e bem educar seus filhos, manter seus lares e servir de apoio a seus maridos. 

Por que tamanha omissão em relação a essas grandes mulheres do passado e do presente? Existe um motivo?

Sim, ele existe. Ei-lo: uma personagem só serve ao feminismo na medida em que é possível usar ou distorcer sua personalidade ou seus atos para desfigurar a imagem da mulher. E este, aliás, é o verdadeiro objetivo do feminismo. 

Vemos que o denominador comum, implícito ou explícito, nos atos ou reivindicações do feminismo, é essa deformação da figura feminina. Desfiguração feita seja pelo aviltamento das qualidades da mulher, seja por uma falsa atribuição de características masculinas a ela. 

Se o feminismo se preocupasse de fato com as mulheres, ele defenderia a verdadeira imagem destas. Imagem que não só completa e adorna a imagem do homem, como tem um papel fundamental na vida da família e da sociedade. 


É a imagem da mãe, da companheira, da conselheira, da protetora, da educadora; é a imagem daquela que sabe combinar esplendidamente a força e a delicadeza, a bondade e a firmeza; é a imagem daquela que, em uma palavra, sabe ser mulher. 

Vemos essa verdadeira imagem nos exemplos históricos que citei. Vemo-la diariamente nas mães de família, nas senhoras da sociedade, em moças respeitáveis, em meninas que transbordam de inocência e graça. Vemo-la resplandecer ao longo da História nas santas canonizadas pela Igreja. 

Vemo-la, por fim, de modo perfeitíssimo em Nossa Senhora, que soube ser Filha e Mãe, Virgem e Esposa, e que possui em altíssimo grau todas as qualidades femininas. Para Ela devemos olhar e contemplar o ideal da mulher. Ela, sim, é um exemplo a ser seguido.