22 de outubro de 2018

Digamos um NÃO definitivo ao lulopetismo

Reproduzimos a seguir o comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em seu site neste domingo (21-10-18) e, no mesmo dia, distribuído na manifestação realizada na Av. Paulista 


Grandes manifestações populares tomaram as ruas do Brasil nos últimos anos, resultantes de uma profunda inconformidade com os 13 anos de governo petista. 

Com efeito, os brasileiros sentiram-se agredidos por uma ideologia anticristã, o comunismo, condenado reiteradas vezes pelos Papas. Hoje está patente que a Seita Vermelha, mascarada de petismo e com promessas enganadoras, levou-nos à beira do precipício. Não fosse a alma profundamente cristã e o imenso potencial do Brasil, teríamos sido arrastados para a mesma situação em que gemem nossos irmãos venezuelanos. 

Não permitamos que o PT volte ao poder e consuma sua obra nefasta. O ex-ministro José Dirceu, em entrevista ao jornal El País, declarou que “é uma questão de tempo para o PT tomar o poder”.* 

No dia 28 de outubro os brasileiros irão novamente às urnas para escolher o seu chefe de Estado. 

O resultado desta eleição decidirá se o Brasil resvalará ou não para o comunismo, pois: 

• O PT pretende impor a “ideologia de gênero” nos colégios e corromper nossas crianças; 

• O PT pretende impor o dito casamento homossexual, discriminando e acusando de “homofobia” todos que se lhe opuserem; 

• O PT pretende implementar a prática criminosa do aborto; 

• O PT pretende cercear a liberdade de imprensa e perseguir seus desafetos na mídia e nas redes sociais; 

• O PT pretende promover invasões de terras e de prédios, no campo e nas cidades; 

• O PT pretende aplicar a Reforma Agrária socialista e confiscatória, incitar invasões indígenas e “quilombolas”, e usar a arma do “trabalho escravo” para novas expropriações de terras; 

• O PT pretende perseguir a propriedade privada — que é um Direito Natural e que antecede o Estado, além de estar garantida pelo 7º e 10º Mandamentos da Lei de Deus — com novas leis e mais impostos escorchantes; 

• O PT pretende implantar uma “política racial” que gerará, no melhor estilo marxista, a luta racial no Brasil, lançando uns contra os outros; 

• O PT pretende continuar ajudando as ditaduras “bolivarianas” da Venezuela, da Bolívia e de Cuba, além de outras, em grave detrimento de nossa já combalida economia; 

• O PT contará com o apoio da nefasta “esquerda católica” (religiosas, sacerdotes, e até bispos progressistas, que aplicam dentro da Igreja os mesmos erros que o comunismo impõe na sociedade civil). “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil. [Ele] deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e minha chegada ao poder”. Declaração do ex-presidente Lula ao jornal “El País” em 9-5-10. 

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, associação cívica continuadora da obra do insigne pensador e homem de ação cujo nome ostenta, apela a todos os brasileiros para que repudiem definitivamente o PT e toda sua ideologia marxista. E fiquem vigilantes porque é da natureza dessa seita filosófica, ateia e anticristã não se dar por vencida. Ela não somente “aparelhou” em larga medida nosso País, detendo ainda numerosos cargos de influência, como está à espreita da primeira ocasião para tentar recuperar o Poder — como o confessou José Dirceu —, se não prestarmos atenção. “Vigiai e orai”, recomendou o Divino Mestre. 

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nos cubra com o seu manto sagrado e afaste definitivamente de nosso País os malefícios da seita comunista. 

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira 
São Paulo, 21 de outubro de 2018 

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Notas * https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,e-questao-de-tempo-para-tomar-o-poder-diz-dirceu,70002522942 


Cruzeiro do Sul, símbolo da Redenção 


Transcrevemos as palavras de fogo pronunciadas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o futuro glorioso que nos está reservado nos planos da Providencia Divina: 


“Folheie o Brasil as páginas de sua própria história. Indague de Anchieta qual o fundamento de sua admirável abnegação apostólica; pergunte a Vieira qual a chama que acendeu em prol das mais nobres causas o talento de sua inexcedível eloquência; interrogue o Duque de Caxias sobre o segredo que tornou gloriosa a sua espada no Paraguai; investigue as razões que levaram a Princesa Isabel a abolir o cativeiro, com o sacrifício do próprio trono. E todos, a uma voz, apontarão para nosso céu estrelado, mostrando o Cruzeiro do Sul, símbolo bendito da Redenção, que a Providência desenhou em nosso firmamento.”

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(Trecho do discurso pronunciado no dia 1 de setembro de 1932, nos microfones da Sociedade Rádio Educadora Paulista e Rádio Cruzeiro do Sul). 


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Para percorrer a "galeria" de fotos da manifestação contra o PT, na Av. Paulista, no dia 21-10-18, click na primeira imagem e use a setinha do teclado.


















Uma imensa fila se formou na Av. Paulista para cumprimentos aos policiais 








Verde e amarelo, sem foice nem martelo










17 de outubro de 2018

Contradições do movimento feminista

Simone de Beauvoir

As feministas alegam defender os interesses das mulheres, mas os fatos as desmentem 

➤  Paulo Henrique Américo de Araújo 

Uma das iniciativas mais funestas, na tarefa em que se empenham os destruidores da Civilização Cristã, é o chamado feminismo. As raízes relativistas, hegelianas e marxistas desse movimento se encontram, em boa medida, nas ideias de Simone de Beauvoir, “companheira” de Jean Paul Sartre, o criador da escola existencialista.[1] Beauvoir baseou-se no princípio da luta de classes, arma que Marx inventou contra a “opressão” dos ricos sobre os pobres, e estendeu o conceito à “opressão” do homem sobre a mulher. Assim, deve ser combatido qualquer aspecto da convivência humana que não seja regido pela igualdade entre os sexos, mesmo em questões cujas diferenças biológicas são flagrantes.

Em conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, a Profª. Fernanda Takitani afirmou que “a origem das atuais discussões sobre ‘gênero’ pode ser buscada no movimento feminista, que nega a complementaridade entre o homem e a mulher”.[2] Tanto o feminismo quanto a ideologia de gênero negam essa complementaridade, portanto são parceiros na guerra infame que movem contra a concepção católica de família; no fundo, contra a Civilização Cristã.

Atualmente, o viés mais radical do feminismo chega inclusive a promover rituais místicos dos mais bizarros, segundo observou Julio Loredo em recente estudo.[3] Todas essas tendências não conseguem, no entanto, esconder as contradições e falsidades em que se baseiam. Para demonstrá-lo, convido o leitor a acompanhar o raciocínio a seguir, que possibilita reconhecer os reais fundamentos do feminismo.

Incoerência feminista 

Se o feminismo fosse coerente com seus princípios, não faria acepção ideológica em relação às mulheres. Entretanto, nem sempre essa alegada “defesa das mulheres” se apresenta no currículo feminista. Vejamos um exemplo. 

No último mês de maio, correu como rastilho de pólvora na imprensa brasileira a ação da policial Katia Sastre, que evitou um assalto em frente à escola de sua filha em São Paulo.[4] Vestida à paisana, por estar fora do seu horário de trabalho, com rapidez e perícia ela atirou no assaltante, que ameaçava com uma pistola as crianças e seus pais, e o imobilizou no meio da rua. Pouco depois ele veio a falecer no hospital. 

Katia Sastre, policial que evitou um assalto 
em frente à escola de sua filha em São Paulo
Muitos especialistas atribuíram principalmente ao treinamento e profissionalismo a eficácia da policial, e algumas vozes apontaram riscos e agressividade na sua atitude. De qualquer modo, é estranho não se ter conhecimento de nenhuma manifestação de apoio proveniente dos arraiais feministas,[5] mesmo diante dessa patente vitória de uma mulher contra um homem criminoso que intimidava impunemente mulheres e crianças. Por que o movimento feminista silenciou a respeito? Afinal, a policial Sastre demonstrou agilidade e “sangue frio”, tornando-se uma verdadeira heroína na defesa da sociedade. Por que não é ela um modelo para as feministas?

Uma das muitas hipóteses sobre as razões desse silêncio seria a de que as feministas são contra qualquer tipo de violência, mas tal hipótese não se coaduna com a realidade dos fatos, como veremos.

Um peso, duas medidas 

Em dezembro de 2016, o então presidente da França, François Hollande, concedeu liberdade a uma mulher que havia assassinado o próprio marido com três tiros nas costas.[6] Ela sofrera abusos dele durante décadas, havia sido condenada pelos tribunais, e cumpria pena desde 2012. No imenso alarido midiático desse fato, as ONGs feministas comemoraram a libertação.

Nesse caso, as feministas consideraram que a violência da mulher estaria justificada por ter sido praticada contra a “opressão” em um casamento abusivo. Mas a atitude da heróica policial brasileira, enfrentando a “opressão” do bandido, recebeu apenas o silêncio dessas mesmas feministas. Endossaram a ação violenta da mulher francesa, mas não a da policial brasileira. Como desvendar esse enigma? 

A resposta só pode estar em outro fator, e não na simples questão da violência. No fundo, o feminismo não visa defender as mulheres contra a “opressão da sociedade patriarcal”. Tendo sua origem na Revolução gnóstica e igualitária, na realidade ele pretende subverter o que resta da boa ordem desejada por Deus no convívio humano. 

Não interessa às feministas defender uma mulher policial que mata um bandido numa ação legítima. Tal ação se apresenta aos olhos do público como uma vitória contra a criminalidade e o caos moderno, expressões uma e outro da Revolução que visa destruir os restos da Civilização Cristã. E o feminismo é parte dessa Revolução. 

Além disso, a policial paulista agiu para defender sua filha e os filhos de outras mães, que corriam risco em frente à mencionada escola. Ora, as feministas, nas suas correntes mais extremadas, repudiam até a maternidade, daí o seu invariável apoio ao aborto. Nada mais natural, portanto, que elas tenham se calado quando uma mãe policial saiu vencedora. 

Por outro lado, quando uma esposa mata o próprio marido e é libertada antes de cumprir toda a pena estabelecida pela justiça, as feministas aplaudem e festejam, pois isso representa, em tese, uma rejeição aos ideais do casamento e da família. Estes são restos da Cristandade, ainda presentes na sociedade, que a vertente feminista detesta. 

Muçulmanos poupados pelo feminismo 

A
Feminista protesta nos EUA
s feministas são sempre contrárias a agressões sexuais contra mulheres? Seria normal elas sempre levantarem protestos indignados diante de qualquer fato desse gênero. No entanto, vejamos o que aconteceu em Colônia (Alemanha), no final de 2015.[7] Centenas de mulheres alemãs relataram assédio sexual ou agressões físicas por homens de origem árabe, na celebração de Ano Novo no centro da cidade. Em dois meses, 73 suspeitos foram identificados como imigrantes do norte da África. 


Dias depois, em resposta aos ataques, a prefeita de Colônia, Henriette Reker, tida como feminista, simplesmente instruiu as mulheres alemãs a se manterem “a um braço de distância de desconhecidos, para evitar agressões”.[8] A declaração foi muito criticada, bem como todo o movimento feminista, pois não se ouviu dele nenhuma manifestação relevante repudiando os ataques. 

Por cima do cinismo escancarado da prefeita alemã, e do silêncio das feministas, fica a marca de sua indiferença — para dizer o mínimo — quanto aos perigos que representam para a Civilização Cristã as atuais ondas de imigração na Europa. Aparentemente, para o feminismo vale mais a conivência com a multidão desenfreada de imigrantes do que a proteção das mulheres europeias.

Em resumo, o feminismo é sinônimo de subversão, de Revolução anticristã, não de verdadeira defesa das mulheres.  

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Notas 
1. Cfr. Catolicismo, novembro/2005. A Revolução Sexual destrói a família. 
2. Cfr. https://ipco.org.br/conferencia-sobre-ideologia-de-genero/#.Wz-GuNJKiUk 
3. Teologia da Libertação – Um salva-vidas de chumbo para os pobres, p. 407. 
4. Cfr. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/16/politica/1526422216_815525.html 
5. Cfr. https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/214032-a-mulher-que-matou-o-bandido-por-jr-guzzo-na-veja.html#.Wz-bX9JKiUk 
6. Cfr. http://br.rfi.fr/franca/20161229-feministas-comemoram-perdao-de-hollande-mulher-que-matou-marido 
7. Cfr. https://www.theguardian.com/world/2016/jan/05/germany-crisis-cologne-new-years-eve-sex-attacks 
8. Cfr. https://www.theguardian.com/world/2016/jan/06/cologne-attacks-mayor-women-keep-men-arms-length-germany

15 de outubro de 2018

Cinquenta anos de autodemolição na Igreja

Membros da TFP em campanha de coleta de assinaturas no centro da capital paulista

Há meio século, um abaixo-assinado com grande número de aderentes denunciou a infiltração comunista nos meios católicos, pedindo a Paulo VI medidas contra o avanço comunista no Brasil 


➤  Paulo Roberto Campos 

Reverente e Filial Mensagem a Sua Santidade o Papa Paulo VI — Assim se intitulava o abaixo-assinado em que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) colheu 1.600.368 assinaturas, entre julho e setembro de 1968 [vide link I]. Membros da TFP ergueram seus estandartes rubros com o leão dourado em 229 cidades de quase todos os estados brasileiros, numa histórica campanha percorrendo o País em coleta de assinaturas e denunciando um processo de autodemolição da Igreja perpetrado por eclesiásticos de mentalidade comunista. As entidades coirmãs do Chile, Uruguai e Argentina aderiram à campanha, elevando o número de adesões para 2.025.201.[1] 

Naquele ano, os católicos estavam preocupados com a atuação do clero comuno-progressista infiltrado na Igreja Católica. Entre eles se destacava o sacerdote belga Joseph Comblin, professor no Instituto Teológico da Arquidiocese de Recife, onde era acobertado por Dom Helder Câmara, cognominado “Arcebispo Vermelho”. Os objetivos e ideias do Pe. Comblin estavam compendiados em um documento reservado, não destinado ao grande público, mas acabaram vazando na imprensa e estarreceram o País [vide link II]. Propunha uma revolução não apenas nos ambientes católicos, mas também na sociedade civil, incluindo tribunais de exceção para punir os adversários anticomunistas. 

Esse documento subversivo foi o estopim para a deflagração da campanha da TFP pedindo a Paulo VI providências para fazer cessar a ação deletéria dentro da Igreja. O regime proposto pelo Pe. Comblin tinha como modelo a ditadura cubana; e o modelo religioso era uma igreja miserabilista a serviço do comunismo. Alguns itens do projeto bastam para avaliar a sua radicalidade: 
• “Será necessário montar um sistema repressivo: tribunais novos de exceção contra quem se opõe às reformas. Os procedimentos ordinários da justiça são lentos demais. O poder legislativo também não pode depender de assembleias deliberativas.  
• “O poder deve neutralizar as forças de resistência: neutralização das forças armadas se [elas] forem conservadoras; controle da imprensa, TV, rádio e outros meios de difusão; censura das críticas destrutivas e reacionárias.  
• “Sem dúvida, a religiosidade católica tradicional do povo está condenada a desaparecer com o desenvolvimento. Se a Igreja não tiver OUTRA religião mais evoluída para oferecer-lhes, as massas voltar-se-ão para outras mensagens mais ao alcance delas ou mais preocupadas com elas.”

Apreciações de autoridades sobre a campanha da TFP 

Plinio Corrêa de Oliveira
observa a impressionante pilha
com mais de dois milhões de assinaturas
Autoridades e órgãos de imprensa se manifestaram sobre a campanha. Dentre elas, destacamos: 

Mons. Alfredo Cifuentes Gómez, Arcebispo de La Serena (Chile), um dos mais destacados e respeitados membros do Episcopado daquele país: “Li com especial interesse a reverente e filial mensagem [...]. Ela reflete duas características que sempre animaram o espírito cristão e o verdadeiro amor à pátria. Espírito cristão, porque justamente veem ameaçados os princípios ligados intimamente à doutrina da Igreja: e amor à pátria, porque precisamente o ataque a esses princípios vulnera em suas bases o bem-estar e a paz da nação. Como filhos fiéis, os senhores recorrem à suprema Autoridade da Igreja com sentimentos de profundo respeito e confiança”. 

A revista americana “Time”, em sua edição de 23-8-68, reconheceu “a facilidade com que a TFP coletou as assinaturas. [...] Reflete o fato de que a maioria dos latino-americanos aprova ou pelo menos tolera o conservadorismo católico”. No mesmo sentido, afirmou o sacerdote francês Charles Antoine: “De todas as campanhas organizadas pelo movimento Tradição, Família e Propriedade, a mais espetacular é sem dúvida a de julho de l968”.[2]

De passagem pelo Brasil naquele ano, o Pe. René Laurentin, renomado teólogo francês e doutor em Mariologia, relatou em um de seus livros: “Grupos volantes recolheram assinaturas um pouco por toda a parte, nas estações ferroviárias, nos aeroportos e noutros lugares públicos. Os autores desta iniciativa abordaram-me muito cortesmente num supermercado de Curitiba. Desfraldavam um estandarte de veludo vermelho com a figura de um leão em pé. Convidavam a assinar ‘contra o comunismo’.” [3] [vide link III]. 


Abaixo-assinado entregue, silêncio do Vaticano 

As folhas do abaixo-assinado formavam uma pilha de 10 metros de altura. Foram copiadas em rolos de microfilmes, e assim entregues na Secretaria de Estado da Santa Sé.

Qual foi a resposta do Vaticano? Lamentavelmente, o silêncio. Desconcertante silêncio, pois revelava insensibilidade ante a preocupação de mais de dois milhões de fiéis que subscreveram o abaixo-assinado. Não mereceriam resposta esses fiéis, cuja preocupação os levou a pedir ao Papa socorro contra a escandalosa infiltração esquerdista nos meios católicos?

Apesar desse silêncio da Santa Sé, a campanha atingiu o seu objetivo: a “esquerda católica” ficou muito desacreditada e enfraquecida, enquanto os autênticos católicos saíram fortificados na fé e reuniram esforços para reagir com ainda maior eficácia. Ademais, o incendiário Pe. Comblin acabou abandonando o Brasil. 


O esquerdismo católico e seus derivados 

Em setembro de 1968, a TFP comemora,
na Casa de Portugal em São Paulo,
o término de sua campanha, em que 1.600.368 brasileiros
pediam providências a Paulo VI contra a infi ltração comunista na Igreja.
Transcorrido exatamente meio século daquele memorável abaixo-assinado — e não tendo sido tomadas as medidas solicitadas pelos signatários — o mal não cessou, antes cresceu de modo ainda mais alarmante, deixando os fiéis mais estarrecidos do que então. Basta considerar que o progressismo católico — herdeiro do modernismo, condenado pelo grande Papa São Pio X como a “síntese de todas as heresias” — atingiu quase todos os ambientes católicos e instituições eclesiásticas, revolucionando a própria liturgia e abolindo tradições da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, avaliado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira como “uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja”.[4] 

Do progressismo nasceu a “Teologia da Libertação”, cujo programa de luta de classes marxista intoxicou os seminários, além de deformar os missionários com sua neomissiologia indigenista. Uma das suas consequências foi a formação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Mas elas foram forçadas a um longo período de encolhimento, devido às denúncias do livro-bomba As CEBs... Das quais muito se fala, pouco se conhece ─ A TFP as descreve como são. Nessa obra de 1982, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e os irmãos Gustavo Antônio e Luís Sérgio Solimeo apresentam contra elas acusações graves, nunca refutadas. Seis edições, num total de 72 mil exemplares, foram amplamente difundidas em todo o território nacional. Foi também editada e divulgada uma versão popular em quadrinhos, com a tiragem de 180.000 exemplares. 


Em entrevista obtida pela Agência Boa Imprensa, publicada com exclusividade em Catolicismo (edição de janeiro/1993),[5] o próprio Pe. Comblin foi obrigado a confessar o fracasso das CEBs: “Elas estão marginalizadas, fustigadas, fulminadas em todas as partes. Hoje, elas constituem minorias sem projeção no conjunto das igrejas locais”. Atualmente as cinzas das CEBs começam a ser exumadas do sepulcro pelo clero comuno-progressista, com o apoio do Papa Francisco.

Outro derivado do esquerdismo católico está contido em matéria publicada por Catolicismo na edição de julho passado.[6] Trata-se de uma ruptura com o Magistério tradicional da Igreja, uma “mudança de paradigma” especialmente sobre a instituição da família monogâmica e indissolúvel, estabelecida por Deus no sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher. Reflete-se também na acolhida que o Pontífice vem concedendo a movimentos ditos “sociais”, que agem segundo a doutrina marxista. Esses movimentos esquerdistas, assim como regimes comunistas de alguns países, veem no Papa Francisco um ponto de apoio, embora seja uma atuação condenada pela doutrina católica tradicional, por servir de base a um sistema “intrinsecamente perverso”.
Concílio Vaticano II


Autodemolição e fumaça de Satanás na Igreja 

Essa verdadeira revolução em curso na Igreja traz à memória as palavras do Papa Paulo VI em 7 de dezembro de 1968, onde se refere ao processo de autodemolição da Igreja, “golpeada também pelos que d´Ela fazem parte”.[7] São palavras que confirmam a grave denúncia contra a infiltração comunista no clero católico, divulgada pela TFP poucos meses antes. Outra confirmação se encontra na alocução “Resistite fortes in fide” (29 de junho de 1972), onde o mesmo Papa alega ter a sensação de que “por alguma fissura tenha entrado a fumaça de Satanás no templo de Deus”.[8]

O que poderia suceder de mais terrível à Santa Igreja do que ser penetrada pela fumaça de Satanás e sofrer o processo de autodemolição? Difícil imaginar tragédia maior! Presentemente, tudo isso leva muitos fiéis católicos a perguntarem para onde ruma a “nova igreja do Papa Francisco”.


A fidelidade à Santa Igreja, mantida a toda prova 

Plinio Corrêa de Oliveira afirmou:
“O Concílio Vaticano II foi uma das maiores calamidades,
se não a maior, da História da Igreja”.
Numa comovente Via Sacra publicada por Catolicismo em 1951, e depois reeditada em opúsculos no Brasil e no exterior, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira comenta na 6ª Estação: 

“No Véu de Verônica, a representação da Face divina foi feita como num quadro. Na Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana ela é feita como num espelho. Em suas instituições, em sua doutrina, em suas leis, em sua unidade, em sua universalidade, em sua insuperável catolicidade, a Igreja é um verdadeiro espelho no qual se reflete nosso Divino Salvador. Mais ainda, Ela é o próprio Corpo Místico de Cristo. 

E nós, todos nós, temos a graça de pertencer à Igreja, de ser pedras vivas da Igreja. Como devemos agradecer este favor! 

Não nos esqueçamos, porém, de que noblesse oblige. Pertencer à Igreja é coisa muito alta e muito árdua. Devemos pensar como a Igreja pensa, sentir como a Igreja sente, agir como a Igreja quer que procedamos em todas as circunstâncias de nossa vida. Isto supõe um senso católico real, uma pureza de costumes autêntica e completa, uma piedade profunda e sincera. Em outros termos, supõe o sacrifício de uma existência inteira”. 

Assistimos hoje a uma verdadeira guerra de extermínio empreendida por inimigos que se infiltraram na Igreja, cuja fisionomia se torna cada vez menos reconhecível. Em reparação, peçamos a graça de ter em relação a Ela a atitude de Verônica, que com seu precioso véu limpou a sagrada face de nosso Redentor. Pertencer à Santa Igreja é uma graça imensurável, mas que nos traz obrigações. Como filhos, devemos mais do que nunca lutar por Ela, manter inabalável a fidelidade e ainda mais ardorosa a nossa fé na sua indestrutibilidade. Sabemos que membros da Igreja podem errar e até ensinar erros, mas Ela, jamais, pois o que ensina está definido claramente por Nosso Senhor Jesus Cristo. 

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 Notas:
1. Argentina (266.512 assinaturas), Chile (121.210 assinaturas), Uruguai (37.111 assinaturas).
2. Pe. Charles Antoine, L'Eglise et le pouvoir au Brésil. Naissance du militarisme, Desclée de Brouwer, Paris, 1971, p. 144.
3. René Laurentin, L'Amérique latine à l'heure de l'enfantement, Ed. Seuil, Paris, 1970.
4. “O êxito dos êxitos alcançado pelo comunismo pós-staliniano sorridente foi o silêncio enigmático, desconcertante, espantoso e apocalipticamente trágico do Concílio Vaticano II a respeito do comunismo. [...] Seu silêncio sobre o comunismo deixou aos lobos toda a liberdade. A obra desse Concílio não pode estar inscrita, enquanto efetivamente pastoral, nem na História, nem no Livro da Vida. É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja. A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás”, que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição”. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, Editora Artpress, São Paulo, Parte III, capítulo II, 4, A, pp. 166-168.
5. http://catolicismo.com.br/index1.cfm/mes/Janeiro1993
6. http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0811/P12-13.html
7. Em alocução aos alunos do Seminário Lombardo, no dia 7 de dezembro de 1968, Paulo VI afirmou que “a Igreja atravessa hoje um momento de inquietação. Alguns praticam a autocrítica, dir-se-ia até a autodemolição. É como uma perturbação interior, aguda e complexa, que ninguém teria esperado depois do Concílio. Pensava-se num florescimento, numa expansão serena dos conceitos amadurecidos na grande assembleia conciliar. Há ainda este aspecto na Igreja, o do florescimento. Mas, posto que bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu, fixa-se a atenção mais especialmente sobre o aspecto doloroso. A Igreja é golpeada também pelos que d´Ela fazem parte” (cfr. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. VI, p. 1188).
8. Cfr. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. X, p. 707.

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LINK 1: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0813/P32-33.html#.W8VKOfZFx9A

LINK 2: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0813/P34-35.html#.W8VK3vZFx9A

LINK 3: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0813/P28-29.html#.W8VKjfZFx9A