24 de dezembro de 2010

É NATAL! Por excelência a festividade familiar

Diletos Amigos do Blog da Família
Agradecendo ao Divino Menino Jesus, à Sua Santíssima Mãe e a São José por todo auxílio ao longo deste ano cheio de embates em defesa da instituição da Família, agradeço também a todos nossos Amigos por terem participado de tais embates e nos incentivado na luta contra os fatores que visam a decomposição da sociedade.


De todo coração desejo-lhes um Santo e Feliz Natal, coroado das mais escolhidas graças da Sagrada Família e celestiais bênçãos de Ano Novo. Que Jesus, Maria e José reinem ao longo de todos os dias de todos anos em seus lares e corações, protegendo e concedendo-lhes a verdadeira paz, que — segundo Santo Agostinho — é a “tranquilidade da ordem”. E por ordem não entendemos apenas viver pacificamente neste mundo anárquico e igualitário, mas a reordenação de todas as coisas (das leis, das instituições, etc.) conforme àquele Divino Infante que veio ao mundo para salvá-lo. Como bem definiu Plinio Corrêa de Oliveira: “Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos a paz de Cristo no reino de Cristo. Ou seja, a Civilização Cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, antiigualitária e antiliberal”.
Para esta época natalina, por excelência familiar, ofereço a nossos leitores uma bela lenda de Natal — de autoria do historiador francês G. Lenotre (1857 – 1935), extraída do livro “Lendas de Natal” (Editora Verbo, Lisboa, 1966) —, que narra a nobre atitude do Conde de Plessis-Morambert para com um simples menino limpador de chaminés, chamado Mathiote; bem como a atitude, também nobre, do limpador de chaminés em relação ao Conde, ajudando-o a escapar da prisão à qual fora encarcerado pelos sanguinários sans-culottes na Revolução Francesa.


Um Conto de Natal que bem retrata a harmonia entre as classes sociais, numa “civilização antiigualitária e antiliberal” — que a Revolução de 1789 fez de tudo para destruir, assim como tentou abolir o próprio Natal. O que seria do mundo sem Natal?
Paulo Roberto Campos
Natal/2010



Mathiote

G. Lenôtre

Naquela véspera de Natal, Mathiote, sem despir a roupa enfarruscada de limpa-chaminés, dirigia-se ao palácio de Plessis-Morambert. Tinham-no chamado ali por acaso, três anos antes, para limpar uma chaminé, certa noite de Natal em que o conde dispunha na lareira uma enorme pirâmide de brinquedos e guloseimas, para fazer surpresa a seu filho Tiago, quando acordasse na manhã seguinte. Mathiote era da idade do filho do conde. Ao surpreender o olhar de admiração que o pequeno limpa-chaminés lançava àquelas maravilhas, e seduzido ao mesmo tempo pelo seu ar inteligente e honesto, conversara alguns momentos com ele, dera-lhe uma moeda de ouro e mandara-o para a copa, onde lhe serviram um bom jantar.


A lembrança enternecida daquela festa inesperada levava ali todos os anos, na mesma data, o limpa-chaminés, que recebia sempre broas e sopa quente, para as quais o atraía não só o reconhecimento, mas também a gulodice e o interesse.
Ora, naquela noite, que era a de 24 de dezembro de 1793, o pequeno ficou surpreendido ao encontrar o palácio fechado. Nas janelas não brilhava uma luz. Deixou cair por várias vezes a aldrava da porta, sem obter resposta, e ia já desistir e virar as costas, muito desiludido, quando avistou na extremidade da rua, na escuridão já densa, o vulto de um rapazinho que se encaminhava a largos passos para o palácio. Mathiote reconheceu Tiago de Morambert e correu para ele.
Ah! És tu, Mathiote... Coitado, vieste!... Anda, vem depressa, é melhor entrarmos.
Mal entraram em casa, Tiago rompeu a soluçar:
— Há oito dias que meu pai foi preso. O Comitê revolucionário desta área denunciou-o. Vão julgá-lo antes do fim do ano. Ai, Mathiote! O meu pai está perdido!...
E o pranto do pequeno redobrou. Mathiote, a quem o Terror em nada alterara a humilde existência, soube que o conde era acusado de “incivismo” – crime terrível naquela época – e que o cadafalso era inevitável. Havia oito dias que Tiago ia postar-se todas as tardes em frente à prisão. Tinham-lhe recusado a consolação de falar com o pai, mas pelo menos, através das grades de uma janela que dava para a rua, via o conde atirar-lhe beijos. O pobre rapazinho ficava ali até ao anoitecer. Regressava justamente dessa dolorosa “entrevista”, no momento em que Mathiote o encontrara.
— Não se aflija, senhor Tiago – disse o limpa-chaminés, desolado com o que acabava de ouvir. Esses malvados não podem matar assim o senhor conde, que é tão bom, tão caridoso.
— Enganas-te. Foi isso que o perdeu.
— Tenha coragem e deixe o caso comigo.
— Contigo? Que podes tu fazer?... Qualquer tentativa de o ajudar só serviria para apressar a execução.
E Tiago recomeçou a chorar. Mathiote consolou-o o melhor que pôde. Os dois rapazes estiveram juntos cerca de uma hora. Quando o limpa-chaminés saiu do palácio, anoitecera de todo. Dirigiu-se em passo rápido, e quase alegre, para o centro de Paris.
O conde de Plessis-Morambert fora encerrado na prisão da Abadia. Durante as primeiras horas de cativeiro, dominado por essa sobre-excitação raivosa que se apossa de todos os presos, andara às voltas na cela, como uma fera na jaula, esquadrinhando os cantos da prisão, sacudindo as grades da janela, procurando arrombar a porta, esforçando-se, em suma, por descobrir qualquer meio de evasão. A solidez das barras de ferro, a espessura das paredes, as enormes dimensões da fechadura atarrachada por grandes parafusos, depressa lhe dissiparam as ilusões.
A essa natural agitação, a inatividade forçada fez suceder longas horas de prostração. Invadira-o uma espécie de resignação calma, e nessa noite, à frouxa luz de uma lanterna que o carcereiro acendera, sentado na única cadeira de palha que mobiliava a cela, com os olhos fitos na chaminé vazia, meditava tristemente. O seu pensamento fugia para o lar onde se sabia tão amado. Via o seu pequeno Tiago lavado em lágrimas, sozinho no palácio deserto, pedindo por ele a Deus. E lembrava-se das noites de Natal passadas, quando o pequeno, antes de adormecer, ia pôr os sapatinhos na chaminé, esperando a visita do Menino Jesus, que nunca faltava.
Que pensaria Tiago na manhã seguinte, ao acordar, quando visse que o Menino Jesus se esquecera dele? À idéia daquela decepção inevitável, o conde de Morambert fixava os olhos cheios de lágrimas na chaminé sem lume, comovido pela lembrança dessas noites felizes, quando entrava pé ante pé no quarto do filho adormecido e dispunha na chaminé os brinquedos enfeitados de laçarotes, os altivos soldados de pau na caixa de pinho branco, as laranjas de ouro, as frutas cristalizadas – todo esse paraíso de coisas boas que o menino, ao acordar, festejava com palmas e gritos de alegria.
O conde foi bruscamente arrancado aos seus melancólicos pensamentos por um ruído estridente na chaminé. Uma chuva abundante de caliça e fuligem crepitou na pedra da lareira, seguida quase logo de um volumoso embrulho muito bem amarrado, que caiu pesadamente e rolou até ao meio da cela. Espantado com o caso estranho, o conde se levantou. Os seus olhos iam da chaminé ao misterioso embrulho, quando viu de repente dois pés que balouçavam por cima da lareira. Num instante esses pés tocaram no chão. Uma forma negra agachou-se na chaminé e saltou com esforço para o meio do quarto, dizendo:
— Não se assuste, senhor conde! Sou eu, Mathiote.
Era Mathiote, com efeito. De pé diante do preso, com a cara e a roupa negros de fuligem, sorria, mostrando os dentes brancos. Os olhos, na face de breu, pareciam claros e luziam como estrelas.
— Ma-thi-o-te?... – vacilou o fidalgo, tentando lembrar-se.
— Eu é que não me esqueci do senhor conde. Venho lá da sua casa. O senhor Tiago está bem. Alegre não está, já se sabe... Mas depois falaremos dele com mais vagar. Agora venho buscá-lo, senhor conde.
— Vens buscar-me?
— Sim, não podemos perder tempo. Fale baixo. Tenho aqui tudo o que é preciso. Primeiro, roupas para o senhor.
E o pequeno limpa-chaminés desatava febrilmente o embrulho que atirara pela chaminé.
— Arranjei as roupas em casa do patrão. Está aqui este rolo de luíses de ouro, que o Sr. Tiago me deu. São dois mil francos. Podem servir, mas temos de os esconder. Daqui a um quarto de hora estaremos na rua.
— Mas por onde sairemos, meu pequeno? Não pretendes levar-me por onde vieste, com certeza... Aliás, onde é que iríamos ter? Aos telhados... É verdade: como conseguiste encontrar a minha cela?
— O senhor Tiago tinha-me dito: a última janela à esquina da rua Sainte-Marguérite, e estudei bem o local. Quando se está habituado, não custa nada. Mas olhe, senhor conde, se me dá licença, agora não lhe respondo mais. Conversaremos depois, na rua. Vou trabalhar, e enquanto isso o senhor se vista.
Mathiote dirigiu-se à porta da cela e examinou a fechadura. Tirou da algibeira uma chave de parafusos e começou a tentar soltar a enorme chapa. Trabalhava com precisão e habilidade. O prisioneiro olhava para o que ele fazia, estupefato. Estava numa dessas situações em que a alma, amolecida e desencorajada, se rende antecipadamente, sem luta. A um gesto imperativo de Mathiote, obedeceu quase insensivelmente, despiu a sobrecasaca e começou a enfiar as calças endurecidas de fuligem e o casaco ensebado e enfarruscado, que o pequeno lhe trouxera. A outro sinal, tirou a peruca e foi à chaminé, onde massageou energicamente o rosto com as mãos sujas. Assim disfarçado, tão a rigor que parecia um autêntico limpa-chaminés, voltou para junto de Mathiote que, com ar de triunfo, mas sem dizer palavra, lhe mostrou a fechadura finalmente solta. O pequeno aprovou com um aceno de cabeça a transformação do aristocrata, depois aproximou-se dele e disse em voz baixa:
— Está salvo. Pegue no seu dinheiro e esconda-o. Fiquei com uma moeda, da qual vou precisar agora. O senhor desce a escada atrás de mim. Quando eu me aproximar da sentinela, siga o seu caminho sem parar. Saia naturalmente para a rua e volte à esquerda, sem hesitação. Estamos entendidos?
O conde respondeu-lhe com um aperto de mão. Mathiote abriu a porta e lançou um olhar para o corredor. Sem precipitação, deu passagem ao prisioneiro, saiu com ele e fechou a porta atrás de si. Seguiram pelo corredor e desceram a escada.
No átrio da prisão, o carcereiro, que entrara de serviço havia menos de uma hora, dormia num cubículo envidraçado, aquecido por um fogareiro de barro e mal iluminado por uma lanterna pousada sobre a mesa. O conde, guiado pelo rapazinho, ficou na escuridão, onde o seu vulto negro desaparecia por completo, enquanto Mathiote, com desembaraço, ia bater no vidro e acordava o carcereiro:
— Quero sair, cidadão!
O carcereiro abriu os olhos, dirigiu a luz da lanterna para o local de onde vinha a voz, viu apenas a criança carregada de cordas, de ganchos, de vasculhos – instrumentos do seu ofício – e, tranqüilizado, puxou o cordão da porta. A porta abriu-se, o conde esgueirou-se no escuro até ao limiar. A custo conteve um movimento de recuo, ao ver a sentinela que se voltara, ao ouvir o ruído do fecho. Mathiote, porém, tinha previsto isso e disse, logo que a porta voltou a fechar-se nas costas deles.
— Desculpe, senhor militar, pode indicar-me onde está o chefe do posto?
— O chefe do posto? Que queres tu do chefe do posto? Que estás fazendo por aqui? E quem é esse homem que vai sair? Aqui ninguém passa!
— Queria entregar ao senhor oficial esta moeda de ouro que encontrei lá em cima numa sala vazia, ao varrer as cinzas da chaminé. Está aqui. Não sei o que fazer dela...


E o rapazinho mostrava ao guarda a moeda, que brilhava no escuro, na ponta dos dedos enegrecidos.
O guarda sans-culotte tomou a moeda, examinou-a e meteu-a no bolso. Naquela época, valia duzentos francos em papel-moeda. Já humanizado, o guarda resmungou:
— Está bem, deixa ficar, que eu entrego ao chefe. Não vale a pena acordá-lo por tão pouco.




— Obrigado, cidadão.
— Não há de quê, garoto.
E Mathiote, numa corrida, alcançou o conde de Morambert, que durante este diálogo se adiantara e caminhava já a passos largos pela Rua de Buci.
O valente rapazinho tinha o seu plano. Não ignorava que era impossível esconder o conde em Paris: as buscas domiciliárias inutilizavam qualquer tentativa de despistar a polícia. Além disso, como encontrar, nessa época de terror, um ser tão heróico, tão temerário que estivesse disposto a oferecer hospitalidade, mesmo por uma noite, ao prisioneiro evadido, cuja fuga logo no dia seguinte ia ser participada a todos os agentes do Comitê de Segurança Geral?
Por isso Mathiote resolvera sair da França e ir para a Sabóia. Ali, ao menos, conhecia uma casa, a dos pais, onde o seu nobre protegido poderia viver sem perigo até passar a tormenta revolucionária. Em dez dias poderiam chegar à fronteira, e dois saboianos de regresso à terra, no seu traje regional de limpa-chaminés, tinham grandes probabilidades de fazer toda a viagem sem despertar suspeitas.
Para maior segurança, envolveu numa ligadura de linho a cabeça do fidalgo, como se estivesse ferido. Na realidade, fizera isso apenas para explicar o mutismo absoluto que o conde devia manter, sempre que estivessem entre estranhos. Mathiote encarregava-se de responder a todas as perguntas, de desencorajar todas as indiscrições. E fizeram o seu caminho sem ser alvo de nenhuma curiosidade. Ao segundo dia de jornada, o conde de Morambert, pouco afeito a andar a pé, privado do conforto a que estava habituado, comendo toucinho nas estalagens, bebendo água nas fontes, dormindo nos palheiros das herdades, já não precisava fingir. Representava convincentemente o papel de um trabalhador exausto, ferido e doente, que se arrasta conforme pode, para chegar à sua terra. Ninguém poderia descobrir um aristocrata nesse homem escaveirado e sujo, sempre calado, que levava por companheiro o castiço limpa-chaminés, exuberante no seu dialeto saboiana.
O conde, entretanto, admirava a inteligência e a força de alma dessa criança que o salvara. Não tivera até então oportunidade de apreciar as sólidas virtudes da gente do povo. Encontrava motivo sempre novo de espanto na dedicação, no desinteresse absoluto desse pobre limpa-chaminés, que arriscava a vida em reconhecimento de uma sopa quente e de um luís de ouro. Durante as longas marchas, dias a fio, o conde repetia com os seus botões a frase célebre: “Onde se foi esconder a virtude!”
Doze dias depois de saírem de Paris, os fugitivos chegaram finalmente à última aldeia francesa. Mathiote, fresco, bem disposto e cheio de entusiasmo; o conde, estafado, a coxear, mal podendo arrastar-se. Depois de uma noite inteira de caminho, tinham parado numa estalagem e estavam comendo pão com manteiga, quando o estalajadeiro, dirigindo-se a Mathiote e apontando o conde, perguntou:
— É o teu pai?
— Não, senhor, é o irmão do meu patrão.
— Está doente?
— Caiu de um telhado e aleijou-se. Vou acompanhá-lo à terra.
— Tens passaporte?
— Tenho... o quê?
— Não podem passar a fronteira se não têm os papéis. A fronteira está guardada pelos patriotas. Ainda ontem eles prenderam dois emigrados, que estavam disfarçados como vendedores de queijos.
Mathiote empalideceu, sob a fuligem que lhe cobria o rosto, pois não previra esse desfecho. Mas conseguiu controlar-se, e comentou com simplicidade:
— Apesar disso eu gostaria de passar. Eu já podia ter chegado, mas o velho mal consegue arrastar-se.
— Só pode passar quem tiver os documentos – finalizou o estalajadeiro, e em seguida pôs-se a cuidar de outras coisas.
Uma hora depois os fugitivos, sentados num tronco à beira do caminho, não haviam ainda conseguido, apesar de todo o esforço, achar um meio de transpor aquele último obstáculo. Adiante deles a estrada conduzia a uma ponte sobre um riacho, e do outro lado já era o estrangeiro. Menos de cem metros. Eles até conseguiam já ver um poste com as cores da Savóia, bem na fronteira. Mas antes disso havia uma dezena de soldados bem armados, impedindo a passagem no posto de guardas.
— Senhor Conde, vamos tentar um último esforço. Podemos caminhar pelo mato, e depois cruzaremos o riacho em algum lugar menos profundo.
— Impossível, meu pobre Mathiote. Eu mal consigo caminhar, e não poderia fazê-lo nesta terra gelada.
— Então poderíamos aproximar-nos do posto, e enquanto eu distraio os guardas o senhor dá uma corrida e...
— Correr! Correr com estas pernas doloridas!... E além disso eles começarão a atirar.
— Bem, mas as balas podem não acertar.
— Neste caso eles te farão prisioneiro, e pagarás com a vida. Não posso consentir nisso.
— Então!...
— Então está tudo acabado. Encalhamos bem perto do porto. O melhor é me deixares aqui e seguires sozinho pelo mato. Só estarei tranqüilo quando tiveres passado o riacho.
Mathiote ficou pensativo por um momento, coçou a cabeça, e em seguida propôs:
— Temos uma última possibilidade, Sr. Conde. Vamos caminhando tranqüilamente até o posto da guarda. Se eles nos pedirem os papéis, o senhor continuará caminhando o mais rápido que puder. Enquanto isso eu vou desabotoar lentamente a minha jaqueta, e começarei a simular a procura dos documentos nos bolsos. Isto será suficiente para o senhor avançar uns bons metros. Mas... – e calou-se, hesitando.
— Mas o quê?
— Mas, como não temos a certeza de escapar, é melhor o senhor desfazer-se dos luíses... Se o revistassem e lhe achassem tanto dinheiro, então é que ficaria comprometido de fato!
O conde aquiesceu com um sinal de cabeça. As últimas palavras de Mathiote pareciam confirmar uma leve suspeita que ainda tinha. Na realidade, fora muito ingênuo ao acreditar que um rapazinho daquela condição o ajudara, a ele, rico e nobre, por pura dedicação. Era a primeira vez que se deixava iludir pelo aparente desinteresse de um plebeu. Parecia que o saboiano tivera apenas uma intenção: apropriar-se daquela soma, que para ele era uma fortuna, e receber assim o preço dos seus serviços. Tirou o dinheiro dos bolsos e o pôs na mão do limpa-chaminés. Depois, passando a mão pela testa, como se quisesse afastar a amargura da decepção, levantou-se a custo.
— Vou me entregar. Trata de escapar, se puderes. Tens razão: cada um por si.
— Eu não o deixo! – exclamou Mathiote, seguindo-o com ar alegre.
Minutos depois os fugitivos chegavam diante do posto. Os soldados, sem desconfiança perante o traje característico dos dois viajantes, deixaram-nos passar sem exigir documentos. Mal tinham dado alguns passos para a ponte, o oficial, com uma súbita suspeita, chamou os seus homens:
— Rapazes! Olhem para esses dois, que já transgrediram a ordem! Ei, garoto!
Mathiote fingiu que não ouvia. Isso significava mais alguns passos ganhos.
— Páras ou não, pequeno patife?
Mathiote voltou-se, afetando um ar surpreendido, e retornou ao posto, enquanto o conde, chamando a si todas as forças, estugava o passo em direção à fronteira.
— Que foi, cidadão? – perguntou o rapazinho, com ar inocente.
— O teu passaporte!... E o outro, será que ele é surdo?
— Está ferido...
— Ele que pare, senão disparamos!
— Oh, cidadão, não faça isso!... O meu passaporte... já lho dou... é só um instante...
Seguindo pelo canto do olho o conde de Morambert, que estava já a poucos passos da ponte, Mathiote enfiava as mãos em todos os bolsos, virava a boina pelo avesso, despejava o saco. Aquela manobra não enganou o oficial. Percebendo o embuste, chamou os seus homens com uma praga formidável:
— Façam fogo! Não vêem que é um aristocrata tentando fugir? Abatam esse homem! Fogo! Fogo!
Todas as espingardas se abaixaram ao mesmo tempo. Mathiote, num salto, atirou-se para a frente dos canos apontados. Os soldados hesitaram em fuzilar à queima-roupa aquela criança desarmada.
— Fogo! Façam fogo, senão ele nos escapa!
Mas nesse instante Mathiote, enchendo as mãos com as moedas de ouro que trazia nos bolsos, atirou-as como confeitos de batizado aos pés dos soldados prestes a disparar.
E foi uma confusão indescritível. À vista daquele ouro que rolava pela estrada, os soldados perderam a cabeça, largaram as espingardas e precipitaram-se para o apanhar, empurrando-se, atirando-se ao chão, disputando a soco o despojo inesperado.
Mathiote não se deteve a contemplar aquele quadro épico. Num salto, foi juntar-se ao conde, do outro lado da ponte, fora da França. E enquanto os soldados lutavam ainda, disputando a última moeda, a criança atirou a boina ao ar e gritou no seu dialeto saboiano:
— Evviva la libertà! — E correu para o seu companheiro.
Esgotado, chorando de alegria, de cansaço e de gratidão, o conde caíra abraçado ao poste com as cores da Sabóia.

6 de dezembro de 2010

Projeto de Lei 122: Em nome da “anti-homofobia” uma monstruosa lei “anti-família”

Acabo de ler no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira uma notícia estarrecedora! Em vista dela devemos reagir, e com toda urgência, em defesa da família gravemente ameaçada pelo Projeto de Lei 122/2006: a "Lei da Homofobia" — a "Lei do Zipper".
Click no link abaixo, faça sua parte, e depois convide seus Amigos para também agirem antes que seja tarde demais.
A respeito, transcrevo, no final, a matéria publicada no blog do Prof. Zenóbio Fonseca.


Só mesmo às escondidas, aqueles que deveriam ser nossos representantes conseguem aprovar absurdos como esse lixo de projeto que é o monstruoso PL 122. Agora querem aproveitar que a população brasileira está toda voltada para os preparativos das festividades de NATAL e ANO NOVO para — no apagar das luzes de 2010 e do governo Lula — transformar o Projeto em Lei — uma lei absurda, um projeto que deve ir para onde merece: A LATA DE LIXO.
Como já explanamos aqui [para saber mais, na coluna “SUMÁRIO”, à direita, click em “Lei da Homofobia”], o PL 122 (cuja relatora é Fátima Cleide (PT – tinha que ser...) é um projeto de lei que visa punir severamente como um criminoso quem simplesmente manifestar opinião de acordo com a moral, com a Lei Natural e com a Lei de Deus, ou seja contra o homossexualismo. Ademais, tal projeto visa conceder privilégios a quem for homossexual. Privilégios ao vício!!! Assim, estaremos rumando para uma ditadura ideológica (ou ditadura homossexual), que mandará para a prisão (de 2 a 5 anos de reclusão) quem fizer uso da livre expressão de pensamento, por exemplo dizendo que não é normal o que é anti-natural: a homossexualidade — “um pecado que brada aos Céus por vingança”.
E-mail para o autor: prccampos@terra.com.br
http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/


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Crime inafiançável para quem defende a família? Reaja agora!



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Transcriçao do post do Prof. Zenóbio Fonseca:


Alerta nacional: Ativistas ligados ao Movimento GLBT tentarão aprovar PLC 122/06 no Senado nos dias 08 e 09 dezembro/10.

AS INFORMAÇÕES QUE AQUI APRESENTAMOS NÃO SÃO SUPOSIÇÕES, MAS POSSIBILIDADES CONCRETAS COM BASE EM TUDO QUE ACONTECEU NOS ÚLTIMOS DIAS NO SENADO FEDERAL E NA CÂMARA DOS DEPUTADOS BEM COMO NO DEPOIMENTO DE MUITOS PARLAMENTARES


INFORMAÇÃO URGENTE: Os ativistas do Movimento Homossexual articularam com senadores que apóiam a causa da criminalização da homofobia para que seja aprovado pelo Senado Federal nos dias 08 e 09 de dezembro de 2010 o PLC 122/06, que torna crime inafiançável criticar o comportamento homossexual, ou seja, instituir o delito de opinião.
Antes precisamos lembrar que o PLC 122/2006 encontra-se na Comissão de Direitos Humanos do Senado aguardando realização de Audiências Públicas por força de Requerimentos anteriormente aprovados.
É possível que com as articulações, manobras políticas e regimentais a aprovação do PLC 122 neste final de ano pelo Senado aconteça da seguinte forma:
Aproveitamento da aparente desmobilização dos cristãos e dos parlamentares
No dia 08/12/2010 (quarta-feira) haverá Sessão Ordinária na Comissão de Direitos Humanos para discutir diversos assuntos já estabelecidos em pauta. Mas há fortes evidências que será apresentado um Requerimento extra-pauta pedindo a dispensa da realização das Audiências Públicas, que tanto aguardamos, para que seja feita a imediata votação do PLC.
Se este Requerimento, que vai ser apresentado de ultima hora, for aprovado, o PLC poderá ser votado já na mesma Sessão, ou seja, já na próxima quarta-feira, quando poderá ser votado e aprovado com as Emendas apresentadas pelos Senadores Marcelo Crivella e Magno Malta, fruto de grandes debates.
A tramitação normal do PLC seria a seguinte: após a votação na Comissão de Direitos Humanos ele deveria ser enviado imediatamente para a Comissão de Constituição e Justiça, onde grandes juristas acreditam que ele seria derrubado pois apresenta vícios constitucionais.
Ocorre que esta Comissão poderá ser pulada com ajuda de uma manobra regimental, ou seja, é possível que no mesmo dia após ser aprovado na Comissão de Direitos Humanos, já seja apresentado no Plenário Geral do Senado um pedido requerimento de urgência do PLC 122, sob a alegação que ele já foi muito debatido e que a sociedade está esperando uma resposta do legislativo em virtude dos últimos acontecimentos, isto é, após as imagens divulgadas de um jovem que fora agredido em São Paulo por ser homossexual.
Assim, se o Requerimento for aprovado, o Projeto passa a ter o regime de urgência e poderá ser votado ainda no dia 09/12 (quinta-feira) pelo Plenário Geral do Senado Federal.
Esta manobra não é a primeira vez que os ativistas GLBT tentam. Precisamos lembrar a todos que em uma madrugada de dezembro de 2008 a Senadora Fátima Cleide, relatora do PLC 122/2006, junto com a então Líder do Governos, Senadora Ideli Savati (que não foi reeleita), tentou aprovar um Requerimento de Urgência ao PLC 122/2006 no Plenário do Senado durante as discussões do Orçamento da União e naquela madrugada o Senador Magno Malta estava presente e não deixou que a votação acontecesse. E vocês precisam lembrar que as senadoras até já haviam recolhido no Requerimento a assinatura de vários líderes de Partidos que “assinaram enganados” sem saber que se tratava do PLC 122/2006.
Então é possível que a relatora e outros senadores a tentem novamente pedir o regime de urgência.
Se conseguirem por em prática esta estratégia, temos a certeza que a votação do PLC 122/06 (emendado) no plenário do Senado será de fácil aprovação, pois as Emendas apresentadas e aprovadas pela Comissão de Direitos Humanos do Senado espelham um projeto de lei sem “aparentes violações” ao direito de liberdade de expressão e consciência, o que o torna a sua aprovação pelos senadores uma possibilidade fácil.
É possível que junto a esses atos políticos, na próxima semana, também será veiculada por algumas mídias de comunicação de massa, imagens de violências sofridas por homossexuais. Tais fatos têm o intuito de criar uma atmosfera falaciosa de que existe verdadeiro massacre contra homossexuais no Brasil, criando ambiente favorável para aprovação do PLC no Senado.
O Pior não está aqui na aprovação pelo Plenário do Senado, mas o que acontecerá na Câmara Federal com a nova votação do PLC 122. Lembre-se que depois de aprovado no Senado com as alterações propostas ele voltará para a Câmara dos Deputados onde ele nasceu.
Constitucionalmente quando um projeto de lei sofre emenda ao texto original por uma das Casas Legislativas (Senado ou Câmara), ele deve voltar a Casa legislativa originária do projeto para que seja votada as emendas que foram apresentadas ao projeto pela outra Casa.
E ai é que está o perigo e a armadilha principal, pois existe uma forte mobilização para que na semana seguinte a aprovação do PLC 122 pelo Senado Federal, ele seja votado imediatamente no Plenário da Câmara, e temos a certeza que o Movimento Gay já está fazendo um trabalho junto aos deputados para que eles DERRUBEM AS EMENDAS APROVADAS PELOS SENADORES, ou seja, o texto do PLC 122 passa ser válido na sua forma original como foi aprovado no ano de 2006 na Câmara, com todas as questões gravíssimas, ilegalidade e inconstitucionalidade já apontadas por diversos juristas e instituições, entre elas a Igreja Evangélica e a CNBB.
Sabemos que já é dada como certa pelos ativistas do Movimento Homossexual a aprovação pela Câmara Federal, com a derrubada das Emendas dos senadores.
Em seguida o texto aprovado na Câmara na forma original que foi proposto será enviado para a sanção ou veto presidencial. Temos a certeza que será sancionado e ainda este ano, pois o atual Governo já manifestou algumas vezes interesse em aprovar uma legislação que trate de Crime de Homofobia.
Tudo indica que toda esta movimentação é para que o PLC 122/2006 seja aprovado ainda em dezembro, pois com certeza o Presidente Lula não quer que a nova presidenta passe pelo “desgaste” de sancionar uma lei que “inibe” a liberdade religiosa no Brasil, pois ela durante a campanha eleitoral, pressionada, assinou um “compromisso” com o povo evangélico que durante seu Governo não tomaria nenhuma iniciativa que afetasse as Igrejas. E, a única forma dela não “descumprir o prometido” é o Presidente Lula sancionar a lei antes de deixar a Presidência.
O QUE FAZER SOBRE ESSES POSSÍVEIS ACONTECIMENTOS
Ligue para os Senadores de seus Estados alertando sobre mais esta tentativa de aprovação açodada do PLC 122/06 no Senado, peçam para VOTAR CONTRÁRIO A APROVAÇAO DESTE PROJETO DE LEI NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, E POSTERIORMENTE NO PLENÁRIO DO SENADO, POIS O SÓ ASSIM O PROJETO SERÁ ARQUIVADO EM DEFINITIVO, não existindo possibilidade de votação na Câmara, sendo sepultada sua tramitação.
Informem aos deputados federais sobre esta nova tentativa de aprovação, peçam a eles para ficarem atentos caso o PLC 122/2206 volte para a Câmara, alertem também as assessorias parlamentares sobre esta possibilidade.
Esta lei se aprovada causará maiores conflitos do que paz social, gerando grave insegurança jurídica. Ressalte-se que já existem mecanismos jurídicos para resguardar direitos dos todos os cidadãos brasileiros.
Fonte: Blog de Zenóbio Fonseca
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CLICK AQUI PARA ENVIAR SEU PROTESTO CONTRA A LEI DA HOMOFOBIA:
Envie aqui seu protesto aos Senadores, pedindo que não permitam que manobras aprovem o PLC 122/2006, que implanta uma verdadeira perseguição religiosa no Brasil. 

29 de novembro de 2010

Obstinação governamental em legalizar o aborto custe o que custar

Dilma Rousseff sequer foi empossada e já tentam apressar uma proposta contrária ao que fora prometido durante a campanha eleitoral. Uma flagrante contradição, pois prometeram não favorecer a legalização do aborto no Brasil. Entretanto, estamos constatando que nos palanques e nas TVs disseram uma coisa, mas em surdina estão agindo num rumo diametralmente oposto.

O Governo Federal e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) assinaram um compromisso que visa apressar a descriminalização do aborto no Brasil e, para isso, estudam mudanças na legislação.
Recorte do "Diário Oficial", do dia 4-10-10, com a publicação do compromisso
Como se tal horror não bastasse, estão preparando um vídeo para ser distribuído até em escolas — e logo no início do novo governo — com a finalidade de mover os estudantes a apoiarem a prática abortiva. Claro, tudo isso utilizando verba pública!

Como é de conhecimento geral, a FIOCRUZ tem como uma de suas finalidades zelar pela vida e pela saúde, não obstante associou-se ao projeto deste governo — obstinado em sua política pró-aborto, ainda que tenha que enfrentar a maioria do povo brasileiro que é contrária ao aborto.

Quem tomou conhecimento de alguma palavra da presidente eleita dizendo que não concorda com essas monstruosidades? Se alguém ouviu, por favor, avise-me. Gostaria de tomar conhecimento, pois não escutei nada da parte dela, nem de qualquer membro de sua entourage.

Conseguirá o governo legalizar o hediondo crime do aborto? Sim conseguirá..., se ficarmos de braços cruzados! Não vai conseguir, se reagirmos! Como? Barrando esta espúria negociata feita à revelia da opinião pública. Para isso, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira está promovendo uma muito eficaz campanha de abaixo-assinado repudiando o horripilante acordo governamental com a FIOCRUZ.

Clicando no link abaixo, os amigos poderão conhecer os detalhes da iniciativa. E, por meio do link seguinte, poderão enviar protestos.

BOMBA! Aborto pode ser legalizado no Brasil logo


http://www.ipco.org.br/home/envie-seu-protesto-a-fundacao-oswaldo-cruz-contra-a-despenalizacao-do-aborto#formulario
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E-mail para o autor: prccampos@terra.com.br

24 de novembro de 2010

Propaga-se a “Ideologia da homossexualidade”, para arruinar o vínculo matrimonial e a família

De um colega jornalista, atualmente morando em Portugal, recebi um artigo de sua lavra (segue abaixo) que me pareceu de suma importância para este blog — que visa primordialmente contribuir para impedir as investidas (por exemplo da “revolução homossexual”) que têm como objetivo a dissolução da família como estabelecida por Deus.


A “ideologia homossexual”: nova forma de perseguição religiosa

Gabriel J. Wilson

A “ideologia da homossexualidade” quer impor-se e conta com possantes aliados. Tal é, em suma, a gravíssima denúncia formulada pelo Cardeal Giacomo Biffi [foto acima], ex-Arcebispo de Bolonha, de acordo com extratos de uma nova versão das suas memórias, publicados no blog do conhecido vaticanista Sandro Magister e em outros sites. Limito-me a oferecer aos leitores uma tradução, com pequenas adaptações de estilo.

“É preciso nos prepararmos para uma nova forma de perseguição, executada pelos homossexuais facciosos, pelos seus cúmplices ideológicos e também por aqueles cujo dever seria o de defender a liberdade intelectual de todos, inclusive a dos cristãos”, lê-se na edição aumentada de Memorie e digressione d’un italiano cardinale (Cantagalli, Siena, 2010). [foto]

Mas em que consiste essa “ideologia da homossexualidade?” Como se opõe à doutrina católica? Explica o Cardeal, a propósito do problema emergente da homossexualidade, que a concepção cristã nos ensina ser preciso distinguir sempre duas coisas: uma é o respeito devido às pessoas, segundo o qual estas não devem sofrer qualquer forma de exclusão social e política; outra é a recusa, que é justa, da “ideologia da homossexualidade”, hoje frequentemente exaltada em detrimento da realidade matrimonial e familiar.

Remetendo à epístola do Apóstolo São Paulo aos Romanos, mostra que a palavra de Deus nos propõe, em contrapartida, uma interpretação teológica do fenômeno da aberração cultural que se espalha nesse domínio. Essa aberração — afirma o texto sagrado — é ao mesmo tempo a prova e o resultado do fato de que Deus é excluído da atenção coletiva e da vida social e da reserva em Lhe render a glória que a Ele é devida (Rom. 1, 21).

A exclusão do Criador provoca um disparate universal da razão: “Antes se desvaneceram nos seus pensamentos, obscurecendo-se, deste modo, o seu insensato coração. Considerando-se sábios, tornam-se dementes” (Rom. 1, 21-22).

Em consequência da cegueira intelectual, produziu-se uma queda comportamental e teórica que se traduz na mais completa devassidão: “Por isso, Deus, segundo os desejos dos seus corações, os entregou à impureza, a fim de que neles se degradassem os próprios corpos” (Rom. 1, 24).

E, de maneira a impedir qualquer leitura equívoca ou acomodatícia, o Apóstolo continua com uma análise impressionante, formulada em termos bem explícitos: “Por esse motivo, Deus os entregou a paixões degradantes, pois suas mulheres mudaram o uso natural em outro uso que é contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, abrasaram-se na mútua concupiscência, praticando uns com os outros o que é indecoroso e recebendo em si mesmos a paga, que era devida aos seus desregramentos. E como não procuraram ter de Deus conhecimento perfeito, entregou-os Deus a um sentimento pervertido, a fim de que fizessem o que não convinha” (Rom. 1, 26-28).

São Paulo acrescenta outras características perfeitamente aplicáveis aos defensores da ideologia da homossexualidade, mas não citadas na notícia de imprensa sobre as memórias do Cardeal Biffi. O Apóstolo dos gentios toma, entretanto, o cuidado de notar que se atinge o sumo da abjeção quando os que se entregam a tais atos “não só os cometem, como também aprovam os que os praticam” (Rom. 1, 32).

Trata-se aqui de uma página do livro inspirado que nenhuma autoridade terrena pode nos obrigar a censurar, acrescenta a análise. E, se queremos ser fiéis à palavra de Deus, não temos mesmo o direito de deixar passar esta página sob silêncio por medo de não parecer “politicamente corretos”.

Devemos ao contrário ressaltar o interesse, notável para nossa época, desse ensinamento da Revelação: fica bem claro que São Paulo apontava como sucedendo no mundo greco-romano corresponde profeticamente ao que se passa na cultura ocidental no decurso dos últimos séculos. A exclusão do Criador — até essa proclamação grotesca há alguns decênios, da “morte de Deus” — teve como consequência (e quase como punição intrínseca) a difusão de uma interpretação aberrante da sexualidade, desconhecida (na sua arrogância) em épocas anteriores.

A "ideologia da homossexualidade" — como acontece frequentemente às ideologias, quando elas tornam-se agressivas e chegam a tornar-se politicamente vitoriosas — revelam-se uma armadilha para a nossa legítima autonomia de pensamento: aqueles que não as aprovam correm o risco de ser condenados a uma espécie de marginalização cultural e social.

Os atentados contra a liberdade de julgamento começam pela linguagem. As pessoas que não se resignam a dar boa acolhida à homofilia (ou seja, a boa opinião teórica a respeito das relações homossexuais) são acusadas de homofobia (etimologicamente o “medo da homossexualidade”).
Que fique bem claro: quem foi fortalecido pela luz da palavra inspirada e que vive no temor de Deus não tem medo de nada, salvo da estupidez, diante da qual, dizia Bonhœffer, ficamos sem defesa. Agora se chega por vezes até a lançar contra nós a acusação incrivelmente arbitrária de “racismo” — um termo que, aliás, nada tem a ver com esse problema, e que, em todo caso, é totalmente estranho à nossa doutrina e à nossa história.

O problema de fundo que se perfila é o seguinte: é ainda permitido, em nossos dias, ser discípulos fiéis e coerentes do ensinamento de Cristo (que, há milênios, inspirou e enriqueceu toda a civilização ocidental), ou será preciso que nos preparemos para uma nova forma de perseguição levada a cabo pelos homossexuais facciosos, junto com seus cúmplices ideológicos, e também por aqueles cujo dever seria o de defender a liberdade intelectual de todos, inclusive a dos cristãos?

Colocamos uma questão em particular aos teólogos, aos biblistas e aos responsáveis da pastoral: Como pode ser que, no atual clima de valorização quase obsessiva da Sagrada Escritura, a passagem da epístola aos Romanos I, 21-32 de São Paulo nunca tenha sido citada por ninguém? Como pode ser que ninguém se preocupe um pouco mais em torná-la conhecida aos fiéis e aos não-crentes, apesar de sua evidente atualidade?

22 de novembro de 2010

Em proteção da Família e contra a revolução homossexual

Há alguns dias postei notícias muito auspiciosas e muito favoráveis aos valores da instituição da família — em nossos dias “bombardeada” intolerantemente por iniciativas que visam debilitar ainda mais a família bem constituída, ou seja, entre pai, mãe e filhos, dentro de um casamento monogâmico e indissolúvel.

Hoje tive a alegria de deparar-me com mais duas notícias, no mesmo sentido do post anterior: dois exemplos de autoridades governamentais cumprindo o dever de defender a família, protegendo-as de ataques incessantes da “revolução homossexual”.

Como, infelizmente, são raras tais autoridades em nosso País, aqui transcrevo as notícias (uma da Lituânia e outra da Colômbia) com as devidas fontes, citadas no final.

“Não se pode propagar perversão alguma. Tais eventos como as paradas gays provocam grandes prejuízos às crianças”.

Parlamento da Lituânia considera lei que proíbe a homossexualidade

Hilary White

VILNIUS, Lituânia, 17 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Depois da violência da parada do orgulho gay de maio passado em Vilnius, o Parlamento da Lituânia está considerando a aprovação de uma lei que proibiria outras manifestações homossexuais públicas.
A versão preliminar da lei propõe impor multas entre 2.000 e 10.000 litas por “promover publicamente as relações homossexuais”. Na primeira leitura na sexta-feira, a lei recebeu 31 votos a favor e sete contra, com a maioria dos 141 legisladores se abstendo, de acordo com a revista The Baltic Course.
Uma segunda votação é aguardada para dezembro, conforme reportagem da revista online.
Petras Grazulis [foto acima], membro do Partido Ordem e Justiça e o legislador que colocou em pauta o projeto de lei, disse para os meios de comunicação: “Não se pode propagar perversão alguma. Tais eventos como as paradas gays provocam grandes prejuízos às crianças”.
“Não haveria mais licenças para a realização de várias paradas gays e nenhuma tensão na sociedade”, disse ele, chamando a homossexualidade de uma “perversão social”.
Confrontos na primavera passada entre ativistas homossexuais e manifestantes anti-homossexualismo resultaram em 12 detenções, com a polícia recorrendo a gás lacrimejante nos momentos em que ocorreram brigas entre os manifestantes de ambos os lados depois que a prefeitura de Vilnius deu permissão para o evento prosseguir.
Os confrontos fizeram com que os legisladores lituanos apresentassem o projeto de lei para proibir eventos futuros.
Em março, o Movimento de Reforma Lituana, uma organização pró-família, enviou uma carta aberta dirigida aos legisladores e ao prefeito da cidade de Vilnius condenando a aprovação. A organização disse que se opõe às “agressivas políticas que promovem a homossexualidade e sua ideologia” que a União Européia promove: “Não precisamos nem dos burocratas da Comissão da UE — os mediadores dos homossexuais — nem das reuniões de quaisquer membros das minorias sexuais da Lituânia”.
A Lituânia, que se uniu à União Européia em 2004, tem até agora resistido às pressões da UE e das organizações homossexuais internacionais de pressão política para legalizar o “casamento gay” ou as parcerias civis de mesmo sexo, embora a atividade homossexual tenha sido descriminalizada em 1993. Em junho do ano passado lobistas pró-família tiveram sucesso em aprovar uma lei que proíbe a propaganda homossexual nas escolas, recebendo muitos protestos da UE.

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Tribunal da Colômbia se recusa a impor “casamento” gay na nação


Matthew Cullinan Hoffman,
correspondente na América Latina

BOGOTÁ, Colômbia, 16 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Numa decisão surpreendente, o ultraliberal Tribunal Constitucional da Colômbia recusou um pedido de impor o “casamento” homossexual na nação da América do Sul.
Num veredicto de 5 a 4 dado na última sexta-feira, o tribunal se recusou a dar uma decisão num processo judicial que estava requerendo que o Tribunal mudasse o código civil da nação para permitir “casamento” entre indivíduos do mesmo sexo.
O artigo 42 da Constituição da Colômbia declara: “A família é o núcleo fundamental da sociedade. É constituída por ligações naturais ou jurídicas, pela decisão livre de um homem e uma mulher de contraírem matrimônio ou pelo desejo responsável de fazer um”.
O atual código civil reflete a definição tradicional de casamento na Constituição, declarando que o casamento é “um contrato pelo qual um homem e uma mulher se unem para o propósito de viver juntos, procriar e ajudar um ao outro”. Por ora, o código permanecerá intacto, embora o fato de que o tribunal não tenha querido dar um veredicto deixe a porta aberta para uma futura decisão sobre o assunto.
A recusa do tribunal de agir corre em sentido contrário a uma série de decretos judiciais que ele vem tomando, revogando proibições contra o aborto em casos de estupro e exigindo que todas as escolas ensinem programas de educação sexual a favor do aborto e da homossexualidade. As decisões impopulares estão provocando uma repercussão negativa de protestos e estão levando o Partido Conservador da nação a lançar uma campanha para emendar a constituição para proteger o direito à vida em todos os casos.
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Cobertura relacionada de LifeSiteNews:
Prominent Political Party Launches Campaign to Restore Right to Life in Colombia
http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/nov/10111101.html
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/nov/10111608.html

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20 de novembro de 2010

Auspiciosas notícias pró-família: uma proveniente da Polônia, outra de Belgrado

No Brasil, como faz falta membros do governo que defendam os valores da família! Vejam abaixo que belo exemplo deu-nos uma autoridade do governo polonês. Em defesa das crianças, a ministra Elzbieta Radziszewska [foto] agiu a tempo, a fim de impedir que meninos e meninas sofressem nocivas influências nas escolas.

Ministra polonesa defende exclusão de homossexuais
A ministra polonesa da Igualdade, Elzbieta Radziszewska, declarou que as escolas católicas têm perfeitamente direito a expulsar professoras lésbicas, e com maior razão transexuais. Em debate na TVN, uma das maiores do país, Elzbieta polemizou com Krzysztof Smiszek, diretor da Sociedade Polonesa pela Antidiscriminação. A ministra observou que Smiszek tripudiou contra a Polônia, acusando-a de ser um país de atrasos em matéria de liberdades e tolerância. E assinalou que o Código de Trabalho polonês autoriza as escolas católicas a licenciar ou recusar um candidato “cujos costumes não correspondem à ética desejada. Isso é assim, e não de outro modo”.
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Reação contra a parada homossexual em Belgrado
População sai às ruas contra provocações de movimentos homossexuais
A parada homossexual transformou o centro de Belgrado (Sérvia) em campo de batalha, resultando em centenas de feridos além de 249 pessoas presas. O evento havia sido considerado como provocação e alvo de confronto provável, pois milhares de cidadãos, no dia anterior, tinham manifestado inconformidade com ele. O prefeito da cidade julgou-o imprudente, mas os homossexuais contavam com o apoio de representantes da União Européia e do ex-presidente Bill Clinton. A revolução homossexual não progride tanto pelo recrutamento de novos adeptos, e sim pelo estímulo e promoção de ambientes políticos e midiáticos, desejosos de mudar a mentalidade dos povos rumo a um permissivismo total.
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[Fonte: http://revculturalfamilia.blogspot.com/ ]

14 de novembro de 2010

“Casamento” homossexual: destruição da família

Dr. Jorge Scala
Advogado pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina). Professor de Bioética, membro da Organização Internacional para o Desenvolvimento da Liberdade de Ensino (OIDEL), autor de diversos livros sobre a instituição da família.
Recentemente, a ACI (Agência Católica de Informações) publicou importantes e oportunas declarações do advogado argentino Dr. Jorge Scala [foto acima] contra a legalização do pseudo casamento homossexual. Digo “Importantes”, porque o advogado relembra verdades que poucos têm coragem afirmar. “Oportunas”, porque chegam em boa hora, uma vez que no Brasil não cessam as investidas de parlamentares com objetivo de legalizar tão anti-natural relação.

Sob o pretexto da “não discriminação”, pretende-se estabelecer mecanismos jurídicos para perseguir e mesmo levar à prisão aqueles que ensinarem a doutrina católica. Por exemplo, ensinar o que esta consignado nas Sagradas Escrituras: “Aquele que pecar com um homem, como se ele fosse uma mulher, ambos cometeram uma coisa execranda, sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre eles” (Lev. 20, 13)

E até mesmo pretende-se levar à prisão aqueles que simplesmente fizerem uso do direito à liberdade de expressão. Por exemplo, manifestando-se contra uma aberração que viola a Lei de Deus, a própria natureza e inclusive a lei civil — que só reconhece como casamento a união entre um homem e uma mulher.

Eis a notícia da ACI que recomendo ampla divulgação:


Legalização do “matrimônio” homossexual destrói a sociedade, afirma advogado argentino


Buenos Aires, 04 Nov. 10 / 02:55 pm (ACI). — O que procuram os grupos de pressão com a legalização do mal chamado “matrimônio” homossexual não é casar-se, mas sim ser obter que “uma conduta tolerada socialmente, passa a ser promovida publicamente” declarou à imprensa o advogado Jorge Scala, membro da ONG Portal de Belém.

O jurisconsulto explicou que “se os homossexuais conseguirem que se possa casar e que o Estado reconheça seu matrimônio, então deverá mudar todos os programas de estudo, porque deverá ensinar às crianças que quando cumprirem 18 anos podem se casar com um homem ou com uma mulher".

Scala acusou que o Instituto Nacional contra a Discriminação como “um tipo de Gestapo do Governo" pois está "modificando a lei anti-discriminatória, e qualquer um que diga que a homossexualidade não é uma boa conduta, irá para a cadeia [...]. Uma coisa é tolerar a homossexualidade como conduta privada, mas a lei que permite o ‘matrimônio’ homossexual é a ponta de lança não só para legitimá-la, mas para promovê-la sob pena de prisão”.

Legalizar o "matrimônio" homossexual, denuncia Scala, terá como consequência “uma sociedade destruída, porque a família é a célula básica da sociedade” e “se eu destruir a família ou vou minando-a, vou destruindo a sociedade”.

Por isso também será prejudicial dar em adoção uma criança a um “casal” homossexual pois "estaremos dando crianças como troféu a um par de pessoas que não têm filhos, porque não quiseram tê-los, por seu estilo de vida”.

12 de novembro de 2010

Em socorro de inocentes que não têm voz nem vez


Recebi e-mail abaixo e o reproduzo integralmente para que nossos leitores possam tomar conhecimento desse ótimo texto, intitulado MUNDO ESTRANHO:

Olá:
Meu nome é Emílio Carlos. Sou catequista, professor, escritor e produtor de vídeos católicos.
Seja quem for que ganhe as eleições em 31 de outubro a luta contra o aborto vai continuar.
Por isso lhe envio esse texto de minha autoria para ser publicado. É minha forma de colaborar com a vida e tentar impedir esse assassinato desumano.
Paz e bem!
Emílio Carlos

Mundo estranho,
estranho mundo.
Nos preocupamos com uma baleia encalhada
e prendemos quem mata tartarugas;
mas votamos em quem quer liberar o aborto.

O que é o aborto
senão o assassinato de inocentes
de pequenos seres humanos que
não podem se defender
não tem voz
não tem vez
e são mortos
sumariamente
simplesmente
jogados na lata do lixo
inocentes
vítimas da nossa insensibilidade?

Ser católico é ser cristão.
Ser cristão é seguir Cristo.

Agora pare um pouquinho e pense.
Imagine que Jesus está perto de você
Ele, Jesus, que sempre foi a favor da vida
que morreu na cruz pela minha vida e pela sua.

Pense.
Jesus está ao seu lado.
Olhe bem nos olhos de Jesus.
Olhe fixamente
e diga à Jesus
que você é a favor do aborto
a favor do assassinato
de crianças inocentes.
Você consegue?

Sabe o que Jesus vai te responder?

"Deixai vir a mim os pequeninos".

"Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus." (São Mateus, 18, 10)

7 de novembro de 2010

Sancho Pança no século XXI? Sim, ele não morreu, ele ressurgiu na mentalidade de muitos contemporâneos!

Paulo Roberto Campos
Fazendo um balanço das disputas ideológicas ocorridas neste último pleito eleitoral, em minha modesta opinião, principalmente três fatores afloraram:

1º — Uma boa parcela da opinião pública, que até então parecia anestesiada, saiu de seu letargo. Ela sentiu-se ameaçada naquilo que há de mais nobre e elevado e se levantou em defesa dos valores morais e religiosos — sólidas proteções para impedir a desagregação da família.

Certa mídia e o PT tentaram zombar desta reação — alcunhada de “medieval” ou de “sacristia” —, mas tal parcela pouco se incomodou com a zombaria e triunfou altaneira. Reatividade que surgiu como uma nova força muito potente e que não poderá mais ser desprezada pelos políticos. É uma prova de que, apesar de tudo, a boa causa poderá vencer.

Este fator (despertado sobretudo no eleitorado conservador) obrigou a presidente eleita a se comprometer a não envilecer tais valores. Que segurança tem esse compromisso? O futuro responderá! No momento, o que temos a fazer é estar “de olho”, não podemos baixar a guarda, pois — pelo que já vimos — “La donna è mobile / qual piuma al vento / muta d'accento / e di pensier”... (*)


2º — Como muitos analistas políticos tinham afirmando antes do pleito, realmente essas eleições foram “plebiscitárias”. Caiu por terra “desplumado” a mitológica popularidade de Lula da Silva que voava nas asas da imaginação com os sonhados 83%, que os “Institutos de Pesquisas” — e só eles — atribuíram ao Presidente.

Do total do eleitorado, 58,9% não votou em Dilma Rousseff. Portanto, apenas 41,1% apertou a tecla confirmando o 13, votando no projeto de Lula. Ou seja, sua popularidade gira em torno dos 40%... Uma comprovação? — Click no quadro abaixo.
Concluindo este ponto: A candidata do PT venceu? Sim, claro! Mas não triunfou, evidentemente! Ficou também evidenciado o delírio dos “oráculos” dos “Institutos de Pesquisas”: fracassaram ao prognosticar uma vitória petista já no 1º turno; e, depois, uma esmagadora vitória no 2º turno.
3º — No referido balanço, outro fator entrou no cômputo: uma outra fatia da opinião pública não saiu do letargo próprio à mentalidade comodista, só desejando fruir a vidinha, continuou em seu sono à beira do precipício. Imagino que tal parcela é constituída por muitos daqueles que, indiferentes às conseqüências do resultado eleitoral no dia 31, lotaram as praias de norte a sul do Brasil; somados por muitos daqueles que anularam o voto ou votaram em branco; e também por aqueles que indolentemente votaram na esquerda não querendo considerar o risco que ela representa.

Se essa parcela da opinião pública tivesse se preocupado, um pouquinho ao menos, com o gravíssimo perigo pelo qual passava o País, como poderia ter sido diferente o resultado do último pleito! De quanta culpa poderão ser responsabilizados tais indiferentes?

Resposta a esta pergunta encontrei num artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, escrito num período em que o Brasil, assim como agora, atravessava outro grave perigo: a “Intentona Comunista de 1935”. Há quanto tempo! Mas, a história se repete. O então jovem líder católico e diretor de “O Legionário”, escreve sobre a tentativa do Partido Comunista Brasileiro de tomar o poder a partir do levante articulado por Luis Carlos Prestes — que naquele ano, clandestinamente, tinha retornado da União Soviética, onde esteve conspirando com os chefões comunistas.
1935: Quartel da Salgadeira
(Rio Grande de Norte)
atacado durante a Intentona Comunista

Segue a transcrição do memorável artigo — nele intercalo [em letra azul] apenas algumas perguntinhas, talvez incomodas... Notaremos que, assim como nos idos de 1935, essa mentalidade indiferente e comodista (a mentalidade “sanchopancesca”) reapareceu em milhares e milhares de brasileiros.
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(*) “A mulher é móvel / como pluma ao vento / muda de acento / e de pensamento”.
(Um dos atos da ópera Rigoletto, de Giuseppe Verdi).

“Sancho Pança revive no comodismo dos imprevidentes, que fecham os olhos às nuvens de hoje, que serão tempestades amanhã”
O crime de Sancho Pança

Escrevendo a História de Dom Quixote, Cervantes lhe associou um personagem secundário, que nunca abandonou o herói da Mancha. Este homem se chamava Sancho Pança.

Que surpresa sentiria Cervantes [quadro à direita] se um telescópio profético lhe pudesse desvendar os acontecimentos futuros e lhe mostrasse que, enquanto o valente Dom Quixote entraria definitivamente para a galeria dos dementes inofensivos com sua lança, sua couraça e seu esquelético Rossinante, Sancho Pança, o tímido Sancho Pança, o medíocre Sancho Pança, o desprezível Sancho Pança, haveria de acometer dentro de alguns séculos uma grande nação, e atirá-la, ele sozinho, às beiras do mais negro precipício?
[Pergunto: Isto não nos faz lembrar do Brasil pós 31 de outubro/2010?]

Foi, no entanto, o que se deu com o Brasil. Se nosso País não estivesse sob uma proteção especial da Virgem Aparecida, não duvidaríamos muito que, dentro de algum tempo, se lhe pudesse cavar a sepultura em sua terra fecunda. E, como justo epitáfio poder-se-iam escrever no túmulo estes tristes dizeres:

Aqui jaz uma Nação fundada por heróis, civilizada por Santos e destruída pelo comodismo imprevidente de alguns de seus filhos.



Sancho Pança? perguntarão alguns leitores, mas Sancho Pança não morreu? Que tem ele a ver, pois, com a crise brasileira?

Não. Sancho Pança não morreu. Sancho Pança revive em espírito, e inspirando milhares de mentalidades, dita as atitudes de seus filhos espirituais nos Parlamentos, nas cátedras, nos bancos, na alta administração.

[Pergunto: Hoje não poderíamos acrescentar “nas Igrejas”?]

Sancho Pança revive no comodismo dos imprevidentes, que fecham os olhos às nuvens de hoje, que serão tempestades amanhã. Ele fecha os olhos, não porque confie na Providência, não porque tenha qualquer motivo sério para negar o perigo, mas simplesmente para gozar em paz o momento que passa. Julga que o perigo não existe simplesmente porque não lhe atacou o pêlo.
[Pergunto: Não tem semelhança com aqueles que no dia 31 de outubro
agiram como “avestruzes” — metendo a cabeça na areia para não ver o perigo”?]

Sancho Pança revive no snobismo míope dos jovens plutocratas inscritos na A.N.L [Aliança Nacional Libertadora — que favoreceu o PCB naquela conjuntura de 1935], que atiçam o incêndio que ameaça sua classe, esquecidos de que o destino de Judas ou de Philippe Égalité será o fruto de sua vaidosa mania de originalidade.

Sancho Pança revive no imediatismo mesquinho e cúpido de certos políticos de oposição, ou de certos literatos vaidosos que não se incomodam de proteger com um liberalismo de mau gosto aqueles que atacam as bases da nação. Na imprevidência de sua ambição só pensam em gozar de momentânea popularidade e... quem sabe assenhorear-se, por alguns minutos, do poder. Por alguns minutos, dizemos, porque a onda imprudentemente levantada seguirá seu rumo. E ela tragará num futuro bem próximo àqueles mesmos que lhe abriram caminho.
[Pergunto: Não nos faz lembrar da “oposição”
que não fez verdadeira oposição?]

Sancho Pança revive na incúria comodista de muitos cidadãos a quem o Brasil havia confiado a missão sagrada de defender a Religião, a Família, a Propriedade, e que não se pejavam em designar para cargos de máxima responsabilidade os mais encarniçados inimigos dos princípios cuja custódia lhes incumbia como dever sagrado.
Sancho Pança revive no terror dos poltrões que, assustados pelas primeiras chamas do incêndio já dominado, exageram as proporções do perigo, alarmando a população laboriosa, e espalhando em torno de si um terror que, longe de conduzir à reação, conduz ao abatimento e à inércia, paralisando todas as iniciativas boas e inutilizando todas as resistências.

[Pergunto: Isto não nos faz lembrar dos exageros
dos “Institutos de Pesquisas” a fim de favorecer o PT?]

Ah! Sancho Pança! Tu que, vestindo farda, beca, toga ou casaca [Hoje, não poderíamos inserir: “batina” ou “clergyman”?], brincas com o fogo ou foges diante do adversário, tu que simbolizas a imprevidência, a incúria, o comodismo, a cupidez imediatista, o medo, tu infeccionaste profundamente o Brasil. As chagas que se abriram foi teu sangue morno e impuro que as rasgou. Tu brincas hoje, tu chorarás amanhã. Mas ouve: aqueles mesmos revolucionários cujo caminho preparas porque és imediatista ou porque és poltrão, eles mesmos te dirão agora, pela boca de um grande anarquista, o futuro que te aguarda se te não emendares. Tu não nos queres ouvir, dizes que cheiramos sacristia e que não entendemos de política. Quando apontamos o perigo tu te ris, dizendo que somos medrosos. E quando o perigo ruge tu foges, e tachas de quiméricos nosso esforço para organizar a reação. Mas se te não impressiona a voz dos que lutam por Deus, ouve a voz de alguém que lutou pelo mal, ouve Proudhon:

— Quando a primeira colheita tiver sido pilhada, a primeira casa forçada, a primeira igreja profanada, a primeira tocha incendiada, a primeira mulher violada;
— quando o primeiro sangue tiver sido derramado;
— quando a primeira cabeça tiver caído;
— quando a abominação da desolação reinar em toda a França;
— Oh então sabereis o que é uma revolução social: uma multidão desencadeada, armada, ébria de vingança e de furor; espetos, machados; espadas nuas, martelos; a polícia no seio dos lares, as opiniões suspeitas, as palavras delatadas, as lágrimas observadas, os suspiros contados, o silêncio espionado, as denúncias, as requisições inexoráveis, os empréstimos forçados e progressivos, o papel moeda depreciado, a guerra civil e o estrangeiro nas fronteiras, os pro-consulados implacáveis, um "comitê de salut public", um comitê com o coração de aço:
— eis aí os frutos da revolução dita democrática e social.
E, eis aí, Sancho Pança, o futuro que nos preparas. Mas tu não vencerás o Brasil. Não é possível que uma corte de míopes destroce uma grande nação.

Não, Sancho Pança, não! Teus dias estão contados. Não vês essas falanges de moços, que por toda aparte se levantam, trazendo uma cruz na lapela e nos lábios o nome de Maria? Eles são a alma do Brasil que luta, que crê, que espera. Eles são a bênção de Maria, na Terra de Santa Cruz. Por intermédio deles, Maria te esmagará como esmagou a cabeça da serpente!
(“O Legionário”, N.º 186, 8 de dezembro de 1935)



[Por fim, pergunto: Isto não nos faz lembrar dos heróicos brasileiros que de Norte a Sul lutaram denodadamente para desmascarar o erro e a mentira? Eles não combateram em vão. Se continuarem a reação, a eles está reservado o futuro de um Brasil fiel a seu grandioso passado cristão!]
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