Mostrando postagens com marcador Demografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Demografia. Mostrar todas as postagens

31 de março de 2025

Na França, apesar dos imigrantes, o número de nascimentos continua em declínio


·      ✅   Plinio Maria Solimeo

 

Com a decadência religiosa e a perda do espírito sobrenatural, hoje em dia a quase totalidade das pessoas vive só para seu conforto e prazeres. Por isso evita tudo que possa supor um sacrifício ou dedicação integral. O que leva a que elas não pensem mais em ter filhos, ou em ter apenas um. Para isso recorrem à pílula abortiva para evita-los e, quando não conseguem, fazem o aborto.

                Isso, que ocorre em todo o mundo, faz com que em vários países, principalmente da Europa, o número de nascimentos seja tão pequeno, que não satisfaz a taxa de reposição necessária que corresponda um ao pai, outro à mãe, e outro para recompensar o número de mortes.

                Nesse sentido, vamos analisar essa situação como ocorre na França de hoje, outrora a “Filha Primogênita de Igreja”, segundo o relatório demográfico do Instituto Nacional de Estatística do país, publicado no dia 14 de janeiro. Seus dados e estatísticas foram analisados pelo jornalista Yann Thompson em artigo na France Télévisions[i], no qual nos baseamos.

                O relatório daquele Instituto mostra que, no dia 1º. de janeiro, a França tinha cerca de 68,6 milhões de habitantes, incluindo Córsega e departamentos ultramarinos. O que mostra que houve um aumento de 0,25% de pessoas no país. Ou seja, de 169 mil pessoas, que no entanto é o menor aumento dos últimos anos. Mesmo assim, a França continua sendo o segundo país mais populoso da União Europeia logo atrás da Alemanha. Deve-se dizer que esse aumento da população se deve em boa parte à imigração.

As mortes são quase tão numerosas quanto os nascimentos

Sublinha o relatório que há 60 anos a França, em meio a um boom demográfico, registrava quase o dobro de nascimentos do que de mortes a cada ano. Eram os bons tempos em que as famílias eram muito numerosas e tinham muitos filhos.

Isso mudou. Em 2024 o número de bebês nascidos foi de 663 mil, para 646 mil mortes. Houve então uma queda de 2,2% nos nascimentos em um ano.   O que, para o Instituto significa que, a pequena diferença de 17 mil entre nascimentos e mortes revela que a França atingiu “o seu nível mais baixo [de nascimentos] desde o fim da Segunda Guerra Mundial".

Por outro lado, a taxa de mortalidade aumentou um pouco de 1,1%, em 2024, de acordo com estimativas do Instituto. Esse aumento, que era perfeitamente previsível, pode ser explicado pelo envelhecimento da população, com a chegada “a idades de alta mortalidade” das gerações nascidas entre 1946 e 1974.

Contudo, houve uma mudança na expectativa de vida da população. A taxa de envelhecimento das mulheres passou para 85,6 anos, enquanto que a dos homens começa pela primeira vez a atingir a idade dos 80 anos de expectativa de vida.              

Assim, a "esperança de vida das mulheres é uma das mais elevadas da UE", atrás de Espanha, enquanto "a dos homens está na 11.ª posição", muito atrás do campeão, Malta, mas acima da média europeia, como nota o Instituto Nacional de Estatística com base em dados comparativos de 2023.

Cada vez menos filhos

                Uma coisa a se lamentar tendo-se o espírito católico, é que as mulheres francesas entre 20 e 40 anos, estão cada vez tendo menos filhos. Em 2024, com um índice de 1,62 filhos por mulher, a taxa de fertilidade total continuou a diminuir para um nível não visto desde 1919 e o fim da Primeira Guerra Mundial.

                Com a preocupação crescente das jovens com seus estudos e carreira profissional mais os atrativos da vida moderna, ocorre que as mulheres entre 30 e 34 anos têm taxa maior de fertilidade que as jovens entre 25 e 29 anos. Mesmo assim, essa taxa de fecundidade também registrou o nível mais baixo em um século, sendo de 1,59, bem abaixo do necessário para ocorrer a renovação da população. Para se ter uma ideia, essa taxa ainda em 2010, era de 2,02 filhos por mulher.

                Entretanto, apesar dessa taxa baixíssima, para se ver a decadência da moralidade na Europa, as mulheres francesas ainda têm mais filhos que as de muitas outras nações da União Europeia, como a Espanha e Itália. Esta situação permite à França manter uma das maiores percentagens de menores de 15 anos na Europa (17,3 % em 2023), atrás da Irlanda e da Suécia.

Cresce o número de “casamentos”

                O articulista que seguimos, para ser politicamente correto, tem em seu artigo um subtítulo que diz “Os casamentos estão em ascensão, as uniões PACS estão em declínio”.

                Ele afirma com toda naturalidade que o número de casamentos celebrados na França aumentou em 2% em 2024, atingindo um total de 247 mil. Ora, por liberalismo, ele inclui nesse total os 7 mil “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo as PACS – “parceria contratual  entre duas pessoas maiores, independente do sexo, tendo como objetivo organizar a vida em comum” – caiu 3% em 2023, sendo de 204 mil uniões “incluindo 10.600 pessoas do mesmo sexo”.

                Curioso que não encontramos dados sobre as uniões fora do casamento, tão comum nos nossos infelizes dias.

                Por causa dessa triste realidade, muitas nações da Europa, principalmente Itália e Espanha, com sua população cada vez mais envelhecendo e diminuído, têm que recorrer à mão de obra estrangeira para poder sobreviver.

                Rezemos para que isso não ocorra em nosso Brasil, a Terra de Santa Cruz.



[i] (https://www.francetvinfo.fr/societe/naissances-mariages-deces-decouvrez-le-portrait-demographique-de-la-france-en-cinq-graphiques_7011737.html#at_medium=5&at_campaign_group=1&at_campaign=alerte_info&at_offre=3&at_variant=V3&at_send_date=20250114&at_recipient_id=726375-1492290919-f7c26739&at_adid=DM1054776)

 

19 de março de 2025

Depressão aniquila chineses que não são avós



Pouco mais da metade dos chineses adultos sofrem crises psiquiátricas porque nunca se tornarão avós devido à repressão da natalidade imposta cruelmente pelo Partido Comunista. 

A perda do legado familiar causa dor muito profunda nas pessoas. 

Muitas mulheres que sonharam estar rodeadas de netos aos quais transmitiriam as receitas de família e o amor pela música, segundo o costume milenar chinês, hoje não escondem a sua depressão. 

Repetem que “os netos trazem esperança e luz para sua vida”, mas eles não virão. É uma forma de luto e os psiquiatras não conseguem deter essa dor profunda.

11 de março de 2025

Hungria: solução para o problema da imigração desordenada e da baixa taxa de natalidade



  Plinio Maria Solimeo 

O mundo todo — mas principalmente a Europa — está enfrentando crise após crise, originadas por políticas suicidas. Além do envelhecimento da população, entre outras coisas ela tem que arcar com uma muito baixa taxa de nascimentos, e a uma imigração descontrolada. 

O problema mais grave é a baixa taxa de nascimentos, pois ela tende só a piorar porque a maioria das mulheres hoje em dia querem se dedicar somente às suas ocupações profissionais e seus lazeres, sem ter preocupação com filhos.

A solução que a maior parte dos países da União Europeia encontrou para enfrentar a falta de mão de obra que a situação acima configura, é a de abrir suas fronteiras para a imigração sem controle, apesar dos protestos contínuos de muitos de seus habitantes. 

Haverá outra solução para o problema? 

Ao que parece, a Hungria encontrou a fórmula. 

Viktor Orbán, seu primeiro-ministro, alegando que os imigrantes que entram no país tiram vagas de trabalho que deveriam ser de cidadãos húngaros, é contra uma imigração desordenada. Por isso afirma que, enquanto ele for primeiro-ministro, a “Hungria não se transformará em um destino para os imigrantes [...] Não queremos uma minoria numerosa com diferentes tradições e cenário culturais; queremos conservar a Hungria como Hungria”, afirmou. 

Em um discurso citado pelo diário britânico Guardian, o primeiro-ministro húngaro afirmou que: “Em toda a Europa existem cada vez menos crianças, e a resposta do Ocidente para isso é a imigração [...]. Eles [os europeus] querem que entrem [nos seus países] tantos imigrantes quanto as crianças que estão em falta, para que os números equilibrem. Nós, húngaros, temos uma maneira diferente de pensar. Em vez de apenas números, queremos crianças húngaras. A imigração para nós é uma [forma de] rendição", conclui Orbán . 

Por isso, para ele, a única forma de resolver o problema do envelhecimento e do encolhimento da população, é a de incentivar o nascimento de novos cidadãos. E a fórmula para isso é investir na família. 

Foi isso que disse em seu discurso sobre o estado da Nação quando definiu as diretrizes gerais de seu governo para 2025: “Fortalecer políticas pró-natalidade, e incentivar as famílias húngaras a terem mais filhos, contando com vantagens fiscais sem precedentes na Europa” . 

Numa entrevista, Viktor Orbán  falou sobre os “ataques à família tradicional [...]. Queremos proteger a família tradicional. Que a mãe é uma mulher, e o pai é um homem. Isso tem a ver com a tradição e nós gostaríamos de manter isso”, disse o primeiro-ministro . 

Entre as reformas que ele promoveu com relação à família, está a de estender a isenção fiscal vitalícia concedida às outras mães húngaras, antes reservada para mulheres com quatro filhos. Gradualmente essa mesma medida será estendida, a partir de outubro de 2025, às mães de três filhos e, a partir de janeiro de 2026, às com dois filhos. 

Essa reforma “afetará aproximadamente 250.000 famílias com três filhos, e 600.000 famílias com dois filhos. Orbán justificou essa política explicando que a estabilidade financeira é um fator fundamental para incentivar a natalidade. Segundo ele, sem as medidas pró-família postas em prática pelo seu governo desde 2010, a Hungria teria visto pelo menos 200.000 nascimentos a menos”. 

Contudo, além da isenção total do imposto de renda, “o governo húngaro também está dobrando o valor das deduções fiscais para os pais, num esquema semelhante aos existentes em outros países europeus. 

Concretamente, as novas medidas permitirão às famílias deduzir 50 euros por mês para um filho, 200 euros para dois filhos, e 500 euros para três filhos”. Também estarão isentos de impostos todos os auxílios vinculados à licença parental e aos abonos de família. 

Ora, para isso é necessário que a Hungria esteja gozando de boa situação financeira, pois representa um investimento orçamentário significativo. “Viktor Orbán garantiu que a situação econômica húngara permite que elas sejam financiadas. A Hungria espera crescimento estável e redução contínua da dívida pública, apesar dos novos gastos”. 

Entre as medidas já em vigor, estão: 

• Empréstimos sem juros para recém-casados, conversíveis em subsídios dependendo do número de filhos.
• Assistência na compra de veículos familiares, incluindo minivans para famílias numerosas. 
• Benefícios parentais vantajosos, combinados com isenções fiscais. 

É necessário ressaltar que essas medidas já atraíram os conservadores europeus, que citam a Hungria como exemplo a seguir contra a "caixa de ferramentas demográficas" da Comissão Europeia, que está focada principalmente no aumento da imigração extra-europeia para responder ao envelhecimento da população. Essa medida foi fortemente criticada pelos “grupos conservadores da Itália, Polônia, e até mesmo na França, que estão defendendo políticas semelhantes [às da Hungria] diante de populações cada vez mais hostis à imigração em massa”.

24 de setembro de 2024

Caminha-se para o fim do matrimônio no mundo?



Nossa Senhora advertiu em Fátima contra os costumes imorais. Eles fizeram colapsar os casamentos em todo o Ocidente. 

Na Espanha, apenas 20% dos noivos se casam hoje na Igreja, quando em 1976 somavam 99%. 

O Observatório Demográfico CEU disse que a imensa maioria se casava antes dos 30 anos, mas que em 2022 só 8% dos homens e 14% das mulheres o fazem, com óbvio impacto negativo na fecundidade. 

Mais de 10% dos bebês espanhóis serão criados por um único progenitor e dois milhões estão sendo criados sem pais. 

Em 2022, 53% dos bebês foram filhos de mães solteiras, quando em 1976 eram apenas 2%. 

Outro estudo indica o desaparecimento do matrimônio na Grã-Bretanha, enquanto na Alemanha o número de casamentos é hoje o mesmo do final da Primeira Guerra Mundial.

15 de novembro de 2023

Descalabro chinês, fruto do controle da natalidade

Prédios paralisados pelo colapso do setor imobiliário na China vermelha

A
economia da China ruma para o pior dos cenários devido ao longo controle demográfico, disse o Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman. 

O país carece de jovens trabalhadores e encara um horizonte de paralisia. 

Sua economia está desequilibrada, a demanda de consumo caiu muito e só sobrevivia pelo inchaço dirigista, agora colapsado, do setor imobiliário. 

O comunismo chinês desintegrou a coesão social e o regime autoritário não é capaz de pôr ordem no país sem recorrer à repressão.

21 de junho de 2023

Japão pode parar devido à queda da natalidade


O
primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, declarou que seu país corre o risco de “parar de funcionar” devido à queda da natalidade. 

Na década de 1970 nasciam anualmente mais de dois milhões, enquanto em 2022 nasceram menos de 800 mil japoneses. 

O Japão conta hoje com 125 milhões de habitantes, mas nesse ritmo terá no fim do século apenas 53 milhões. 

As planificações demográficas falharam e a solução agora mais falada pode ser um tiro pela culatra: afrouxar a imigração. 

A China poderia ocupar com facilidade o Japão. O declínio se deve à imoralidade e à pregação ecológica contra a natalidade.

17 de junho de 2023

“Cada criança que nasce vem com um pão debaixo do braço”


✅  Paulo Roberto Campos

A municipalidade da Andaluzia premiou com um salário uma numerosa família da cidade de Granada que tem 15 filhos — a mais velha com 21 anos e o caçula com 14 meses. 

Pai e mãe (Cuevas Benítez, 47 anos, e Belén Benitez, 45 anos) com os filhos (Paloma, Daniel, Miguel, Esther, Rafael, Marcos, Fernando, Lucas, Santiago, Sofía, Elena, José, Alejandro, Alma e Javier) residem em uma casa de dois andares e se locomovem em duas vans. 

A família numerosa numa viagem de férias à Itália
Os pais não acham esquisita uma família tão numerosa, o que consideram esquisito é o fato de as famílias europeias atualmente não querem ter filhos ou apenas um. Eles confiam na providência divina nas dificuldades próprias a uma grande família, mas vivem harmonicamente e muito felizes. A casa sempre cheia é sempre uma alegria, disse Belén, que não trabalha fora para poder se dedicar exclusivamente à educação da prole. 

O Governo de Juanma Moreno justifica o prêmio à família: “educação dos seus filhos e filhas na convicção de que está contribuindo da melhor forma para o aumento demográfico e a mudança geracional. As famílias numerosas cumprem uma função social. E é importante que seja visível.” Infelizmente na Espanha atual há apenas 147 famílias com mais de 10 crianças.

A respeito da recompensa, conhecida como “Prêmio Famílias Andaluzas”, Javier afirmou que “Sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, seria a nossa vez. Há alguns anos premiaram alguns amigos. O reconhecimento não nos diz nada. São coisas nossas, é a nossa família e pronto. Não queríamos quebrar nenhum recorde nem nada. Eles fizeram questão de nos conceder e nós aceitamos. Parto do princípio de querem incentivar as famílias numerosas. Já estamos com os meios e todas estas coisas, o que nos custa um pouco de trabalho”. 


O casal, além dos trabalhos quotidianos, encontra tempo para ser catequistas na paróquia granadina da Virgen de las Angustias. 

“Redes, tecnologias criam novas necessidades. Vemos como essencial comer todos juntos. Na hora do almoço, quando estamos reunidos, surgem algumas reclamações. O único que tem celular é o mais velho. As crianças não devem receber tudo o que querem. Hoje em dia tudo tem que ser imediato. Belén e eu recebemos outra educação. Damos a eles o que precisam, não o que pedem. Eles já estão vendo como alguns de seus colegas sofrem problemas para acessar, por exemplo, pornografia” — disse Javier numa entrevista (“El Mundo”, 14-6-23). 

O heroico casal tem dificuldade para sustentar todos os filhos, mas sempre conseguem o necessário. Javier costuma dizer que “Cada criança que nasce vem com um pão debaixo do braço”.

28 de janeiro de 2021

Pai é homem, Mãe é mulher e ponto final.


C
om o título “Os nossos filhos moldarão o futuro” — uma afirmação da ministra húngara Katalin Novák [foto] — o site “Dies Irae” (Portugal) publicou no dia 26 p.p. uma excelente entrevista com ela. Julgamos de utilidade para os leitores deste blog as muito pertinentes respostas da ministra em defesa do instituto da família. Assim, aqui reproduzimos o texto, com a grafia do português de Portugal, exatamente como estampado naquele conceituado site.

*   *   * 

O portal Dies Iræ teve o privilégio de entrevistar, em exclusivo, a Ministra para os Assuntos Familiares da Hungria, Katalin Novák, no seguimento das alterações realizadas à Constituição e dos inúmeros ataques da Europa ao Governo de Orbán que, ao longo dos seus mandatos, tem introduzido legislação absolutamente fundamental para a defesa dos valores da Família e da Vida. Possa esta entrevista inspirar todos aqueles que, principalmente em Portugal, se empenham nas mais diversificadas acções e campanhas pró-Vida e pró-Família. 


1. Senhora Ministra, começamos por lhe agradecer por nos conceder esta tão importante entrevista e desejamos que este novo ano possa ser repleto das bênçãos de Deus e de Santo Estêvão para a Hungria, para o Governo Húngaro e, claro, para a senhora Ministra. Esperamos, em breve, poder recebê-la no nosso País. Brevemente, que balanço faz de 2020, ano marcado pelo COVID-19, a nível nacional e internacional? 

Assistimos a um ano como nenhum outro. É a primeira vez, em mais de um século, que uma pandemia coloca o Mundo de joelhos. Forçou os decisores, líderes políticos e económicos, bem como os cidadãos, a reavaliar as suas prioridades e a pensar sobre o que realmente importa. Também podemos concluir que, entre os efeitos negativos da globalização, não podemos falar apenas das alterações climáticas ou da migração ilegal, mas devemos também dirigir a nossa atenção para os riscos relacionados com a saúde pública. Cada crise internacional mostrou que os estados-nação continuam a ser os actores mais capazes e poderosos para defender os interesses dos seus cidadãos. Isto foi verdade depois da crise económica de 2008, igualmente depois da crise migratória, em 2015, e também é verdade agora. Não importa o potencial das organizações internacionais em ajudar os países a coordenar e mitigar os efeitos das crises, têm sido incapazes de prever, preparar e aconselhar os governos nacionais. Os governos nacionais puderam tomar decisões responsáveis e arriscar, e tomar medidas quando se tratou de limitar as viagens, ajudar sectores, limitar a liberdade de movimento, adquirir, urgentemente, equipamentos médicos e de protecção meses antes da UE ou outros. 
Na verdade, devo observar, com tristeza, que, no caso da Hungria, organizações internacionais e adversários políticos tentaram impedir os nossos esforços de protecção, rotulando a nossa lei de emergência, aprovada nesta Primavera, como um retrocesso autoritário – até mentiram sobre o Parlamento, dizendo que a questão não esteve na sessão, quando, na verdade, esteve.


2. É Ministra para os Assuntos Familiares, do Governo de Viktor Orbán, desde Outubro de 2020. Todavia, há já longos anos que conhece de perto a política húngara. Para além disso, é casada e tem três filhos. O que a levou a defender tão convictamente a Nona Emenda à Constituição da Hungria, aprovada, a 15 de Dezembro, por grande maioria parlamentar? 

Na sessão plenária do Parlamento húngaro, 
em 21 de setembro de 2020,
Katalin Novák fez o juramento



Como disseram, em primeiro lugar, sou a mulher do meu marido e mãe dos nossos três filhos. Antes da minha nomeação, fui responsável, durante anos, pela política familiar húngara. Com a alteração da nossa Lei Fundamental, registámos coisas que são óbvias para o povo Húngaro. Há uma tendência alarmante em que verdades básicas, que a humanidade considerou óbvias e inquestionáveis, estão, agora, a ser contestadas. A ideologia política parece superar a ciência e a razão. Esta tendência ainda não está presente na Hungria, as pessoas ainda acreditam que homens são homens e mulheres são mulheres, e que não se pode mudar o seu ADN ou fingir que é possível. Aprovámos legislação para fechar brechas legais e determinar quem é que o Estado reconhece como homem ou mulher, com base na biologia e na ciência, e não na ideologia social e política. Em Dezembro, acrescentámos à Constituição que pai é homem, mãe é mulher. Mesmo que isso seja óbvio para nós, actualmente é contestado. Queremos defender os nossos filhos e deixá-los ser crianças sem os usarmos para qualquer base ideológica. Parte central do pensamento do governo Húngaro é que o interesse superior da criança e o seu bem-estar são fundamentais. 


3. Um pouco por todo o Mundo, fazendo-se notar particularmente na Europa, assistimos a uma rejeição da Cultura Cristã enquanto garante da unidade e da coesão dos Estados. Ao invés disso, a Hungria, através do seu Governo, opta por vincar e reforçar esta importância do Cristianismo como valor essencial para a preservação da identidade húngara. O que move o Governo? 

O estado Húngaro está profundamente entrelaçado com o Cristianismo. Tribos húngaras chegaram, no século VIII, à Europa e os líderes Húngaros foram aceites pelos líderes na Europa quando nos convertemos ao Cristianismo, e o Papa enviou uma coroa para o nosso primeiro rei. Ao longo dos séculos, o Rei Santo Estêvão I da Hungria, bem como outros reis Húngaros, foram canonizados. A Hungria travou muitas guerras para defender o Cristianismo Húngaro e Europeu. Estamos na fronteira do Cristianismo Oriental e Ocidental, estivemos na fronteira entre os mundos Cristão e Muçulmano durante séculos, e estivemos na fronteira da Guerra Fria, infelizmente, no lado Oriental, onde o império Soviético tentou erradicar a Cristandade. A nossa história é uma história de sobrevivência para os Húngaros, mas também uma história de sobrevivência do Cristianismo. Mesmo os Húngaros que não acreditam em Deus entendem e reconhecem a profunda ligação entre a identidade Cristã, a identidade Húngara e a condição do estado Húngaro. 


4. Ainda no seguimento da questão anterior, mas abordando o assunto da Família natural, isto é, constituída por um homem, uma mulher e os eventuais filhos, qual lhe parece ser a centralidade que a Família deve ter numa sociedade? E porquê? 

As famílias são as unidades básicas de qualquer sociedade, a menor e mais próxima comunidade de todas as comunidades. São o tecido da nossa sociedade. Se desfizermos esse tecido, as nossas sociedades desintegrar-se-ão como um todo. É onde as crianças experimentam e aprendem o amor, a solidariedade, mas também a responsabilidade e o valor da comunidade. Nem todas as crianças têm a sorte de crescer numa família feliz, mas é do interesse da sociedade e, portanto, dever do Estado ajudar e defender as famílias. Uma sociedade onde as pessoas não querem ter filhos, não acreditam que vale a pena reproduzir-se, está condenada à morte. O facto de a taxa de natalidade em todos os países Europeus não corresponder à fecundidade de reposição diz muito sobre os nossos valores e o nosso modelo socioeconómico. Por alguma razão, os líderes Europeus não querem reconhecer esta situação. Preocupamo-nos com as mudanças climáticas e com o futuro do nosso planeta, mas não nos importamos com o facto de que é preciso haver novas gerações para lhes darmos o nosso planeta. É por isso que queremos dar oportunidade aos Húngaros de terem quantos filhos quiserem. 


5. Em 2017, um partido de extrema-esquerda português, que actualmente apoia o Governo, defendeu que os menores de idade, a partir dos 16 anos, devem poder processar os pais caso não lhes concedam a permissão para a mudança de sexo. Já o Governo, contra um parecer técnico e ético, aprovou a possibilidade de mudança de sexo a partir dos 16 anos, ainda que com a autorização dos representantes legais dos menores de idade. Assiste-se, assim, a uma desconstrução da identidade com que cada um nasce e a uma completa rejeição e banalização do poder de influência que a Família, e bem, pode e deve exercer sobre os seus filhos, mormente quando menores. Que comentários que lhe merecem medidas como estas? Há quem as proponha também na Hungria? 

Katalin Novák entre o Primeiro Ministro Viktor Orbán (esq.)
e o Presidente da República, János Áder,
no Salão dos Espelhos do Palácio Sándor


Há um ditado na Hungria para quem está completamente perdido: nem sabe se ele é menino ou se ela é menina. Daí resulta também que, para uma criança, um dos principais pontos de segurança é o seu sexo. Não existem tais propostas na Hungria como em Portugal, mas esta tendência é, exactamente, porque aprovámos certas medidas legislativas na Hungria. O desenvolvimento mental e físico das crianças é algo muito frágil. Os adolescentes são, de modo especial, vulneráveis à influência – todos os pais podem ser testemunhas disso. Temos leis que tornam os pais responsáveis pelas acções e pelo desenvolvimento dos filhos por um motivo. As crianças têm responsabilidade limitada pelas suas próprias acções por um motivo. Não podem beber álcool, conduzir um carro ou votar nas eleições abaixo de uma certa idade por um motivo. O estado e a sociedade têm a obrigação de defendê-los e também de proteger os seus melhores interesses. Veja-se os regulamentos de escolaridade obrigatória, por exemplo. Não acompanhei esse debate em Portugal, mas a sociedade portuguesa, provavelmente, passou pelos mesmos debates e argumentos. Se foi o que a maioria apoiou, devemos respeitar. Se a opinião da maioria mudar, será possível mudar essa legislação. Acredito que esta é uma boa luta e uma luta que vale a pena travar, mas cada sociedade deve assumir a responsabilidade pelo seu futuro e pelo futuro dos seus filhos.


6. Perante o actual quadro político europeu, os constantes ataques que a Hungria sofre, um pouco a par da Polónia, podem ser vistos como uma confirmação de que estão no caminho certo?

Se somos atacados pela esquerda, deve isso significar que não estamos a procurar ideologias de esquerda, mas valores conservadores. É para isso que fomos eleitos. Há alguns anos, um comunista português liderou esse esforço, no Parlamento Europeu, contra a Hungria. Fomos reeleitos duas vezes desde então. Essas são questões que cada pessoa deve decidir por si mesma. A Hungria testemunhou quatro décadas de imposição do modelo comunista e socialista. As pessoas que viveram num país socialista nunca compreendem por que motivo o socialismo ainda possa ser um sonho romântico para muitos na Europa Ocidental. Na Hungria, os governos socialistas destruíram o país, com consequências duradouras, em 1919, 1989 e 2009. Sentimos o efeito e sofremos as consequências de todos os três até hoje. 


7. Em Portugal, temos acompanhado com muito interesse toda a acção do Governo Orbán, sobretudo em matérias que dizem respeito à liberdade religiosa, à Família e à imigração. A invasão muçulmana à Europa, com os seus milhares de migrantes ilegais, é um dos factores que, a seu ver, levam à adopção de políticas absolutamente anti-Família natural e anti-Matrimónio? Que resposta deu a Hungria perante tal cenário? E, em concreto, o seu Ministério? 

A esquerda não acredita no papel das nações e dos estados-nação ou da identidade. Desejam substituir os valores e a identidade tradicionais por uma nova identidade despojada de herança. Vimos várias tentativas disso na história. 

Rejeitar os valores familiares e promover a imigração andam de mão dada. Se a família, a maternidade e o património comum não têm valor, os imigrantes ilegais não representam nenhum risco e a imigração em massa é apenas uma questão de números exigidos no mercado de trabalho. As famílias saudáveis já não são necessárias porque a reprodução não tem importância e a imigração pode resolver a demografia. É uma visão muito materialista e não a partilhamos. Se as famílias e a reprodução já não estão ligadas, então família, casamento e sexualidade podem ser o que se quiser e não passam de uma questão de moda e ideologia. Na Hungria, acreditamos que vale a pena proteger e transmitir a nossa cultura e herança às gerações futuras, por isso concentramo-nos na construção de uma sociedade onde o casamento é definido como uma união entre um homem e uma mulher, onde as famílias são definidas pelo casamento ou pela relação progenitor-filho, e a sociedade valoriza as crianças e recompensa a procriação. É por isso que temos construído um país amigo da família desde 2010. O objectivo é permitir que os jovens casais realizem os seus objectivos familiares, por um lado, e, por outro, fortalecer famílias que já criam filhos. Construímos o mais amplo sistema de benefícios familiares do Mundo Ocidental. O orçamento central alocado para apoiar as famílias é duas vezes e meia maior do que em 2010 e representa 5% do PIB total. Temos um sistema tributário favorável à família, o que significa que menos impostos se paga quantos mais filhos se tiver. Mães com, pelo menos, quatro filhos, estão isentas do pagamento dos impostos para o resto das suas vidas. Estamos a construir novas creches para facilitar o equilíbrio entre vida profissional e familiar, a ajudar as famílias por meio de subsídios para a habitação e a garantir a liberdade de escolha para as mulheres. Na Hungria, as mães ou os pais podem optar por ficar em casa e receber uma prestação até a criança atingir os 3 anos de idade. Também receberão benefícios caso regressem ao mercado de trabalho. Graças a uma nova lei, as mulheres ganharão, imediatamente, mais do que o seu ordenado líquido após o parto. A boa notícia é que os resultados são encorajadores: a taxa de fertilidade aumentou em mais de 20%, o número de casamentos atingiu o máximo em quarenta anos, o número de divórcios atingiu o mínimo em seis décadas.


8. Comummente ouvimos dizer, por parte de líderes europeus, que a Hungria, ao adoptar medidas como as já referidas, não cumpre o “estado de direito”. Que resposta lhe merece uma Europa que, aos poucos, se tem vindo a tornar refém dos lobbies defensores das mais abjectas concepções de Estado, de Direito, de Família e de Liberdade? 

A Europa está, lentamente, a despertar para a ideia de que a sua visão sobre dados demográficos, famílias e imigração falhou. Em 2019, pela primeira vez, foi nomeado um Comissário Europeu para a Demografia. A crise da imigração de 2015 destacou as tensões sociais e o custo social da imigração. Ataques terroristas e jovens a partir para a Síria, para lutar pelo ISIS, provaram os fracassos da integração. As políticas a nível europeu mudarão se os eleitores exigirem mudanças a nível nacional. Nesse ínterim, defenderemos os nossos valores e os interesses. Fomos escolhidos, pelos Húngaros, para fazê-lo pelo terceiro mandato consecutivo no governo. 


9. Para terminar, gostaríamos de lhe pedir que deixasse uma mensagem aos portugueses, principalmente àqueles que, através dos diversos meios, lutam pela defesa da Família natural, pela inviolabilidade da Vida desde a concepção até à morte natural, pela conservação da identidade nacional e pelo aprofundamento de saudáveis relações entre os diversos Estados, sem que isso interfira na vida interna de cada País, algo que a actual União Europeia, lamentavelmente, não sabe, aliás, não quer fazer. 

A minha mensagem é que devem defender a verdade e que esta é uma luta que vale a pena travar. Ninguém o fará por vós. Estamos a travar esta luta há 10 anos. Foi muito difícil, mas também gratificante. Estamos prontos para partilhar as nossas experiências sobre o que funciona e o que não funciona. Mas, no final, cada pessoa e cada país são donos do seu próprio destino. Os nossos filhos moldarão o futuro. A questão é de quem serão os nossos filhos.

27 de novembro de 2012

INVERNO DEMOGRÁFICO

O artigo abaixo, publicado no semanário “Expresso” (Portugal) em 10-11-12, trata do gravíssimo problema demográfico que a nação portuguesa enfrenta, mas pareceu-me que esse “Diário de um Pai” (português) vale igualmente para os pais brasileiros. Pois, como recentes estatísticas têm demostrado, o Brasil está deixando de ser um país de jovens, devido ao programa (suicida) de controle de natalidade.

"Suicida", sim, uma vez que o envelhecimento da população brasileira avança (para o abismo) tragicamente. Segundo um relatório do Fundo de População das Nações Unidas, traçando o perfil demográfico de vários países, no que concerne ao Brasil registra: “A previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 – passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050”. Tal constatação soa até como castigo para uma nação que mata seus filhos por meio do aborto e de outros meios contraceptivos.

DIÁRIO DE UM PAI 

por Henrique Raposo
In Expresso, 10-11-2012 

Esta semana, a pátria teve um leve sobressalto quando viu a taxa de natalidade, mas o assunto voltou rapidamente à coleção de não-assuntos. Eu compreendo: se começassem a falar de apoios à natalidade, políticos, jornalistas e comentadores ainda perderiam, coitadinhos, as credenciais progressistas.

Como se sabe, esses assuntos são coisas de fachos e reacionários, e há que manter a feira das vaidades moderninhas e pós-moderninhas até ao fim. Se nada for feito ao nível das políticas de família, Portugal vai atravessar um inverno demográfico que criará a tempestade perfeita. A atual crise é um pequeno aguaceiro ao pé do “Sandy” demográfico que estamos a cozinhar.

Eu não exijo capas esvoaçantes e um S no peitoral, mas acho que ser pai nesta Terra já deve dar para entrar na escolinha dos super-heróis. Até porque o tal Estado social não existe neste campo. Já sou pai, e continuo sem ver o Estado social. Começo a achar que este ser omnipresente mas invisível é um daqueles clubes seletos que exigem sangue azul ou coisa parecida. É que encontrar uma creche financeiramente acessível é como encontrar um homem honesto no Parlamento. As IPSS de bairro são, sem dúvida, a melhor solução, mas repare-se na perversão do sistema: se tiver um rendimento mensal de 2250 euros, o casal já paga a mensalidade máxima, cerca de 400 euros. É outra renda, que se junta à renda da casa e à renda das fraldas, medicamentos, pediatra, brinquedos, leite de transição, frutinha, sopinha, roupinha e o cartão de sócio do Benfica.

Como se tudo isto não fosse suficiente, os mais velhos dizem-me que o sistema fiscal não valoriza os filhos na declaração de rendimentos. Eu não sei onde é que anda o Estado social, mas sei que o dito não está no sítio que deveria ser a sua primeira prioridade: as crianças, a formação da família, a saúde demográfica da sociedade. Há muito Estado e pouco social no tal Estado social. Num país esmagado por impostos e pela despesa pública, é incompreensível esta ausência do Leviatã no mundo fofo das babás. Mas, afinal, para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos? 0 Estado fica com metade da nossa riqueza e, mesmo assim, é incapaz de apoiar como deve ser a rede de creches já instalada. Repare-se que não é preciso colocar a MotaEngil a fazer uma rede de creches estatais. Basta apoiar e expandir as IPSS que já estão no terreno.

A fim de diminuir as mensalidades dos pais, estas instituições deviam receber mais dinheiro dos nossos impostos. Se não serve para apoiar as crianças e as famílias, se não serve para garantir o futuro, o Estado social serve exatamente para quê?

A Maria quer ser mãe, mas tem uma complicação: entra na maternidade e tem de fazer um aborto forçado. Além da dor física e mental, Maria tem de pagar uma taxa moderadora e os medicamentos.

Joana não quer ser mãe, entra na maternidade e faz uma “interrupção voluntária da gravidez”. Além de não pagar nada ainda recebe uma espécie de subsídio de maternidade.

Até parece piadinha.