27 de janeiro de 2026

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia


No domingo, 18 de janeiro de 2026, uma multidão entusiasmada e energizada de aproximadamente 10.000 pessoas compareceu à tradicional Marcha Francesa para a vida, em Paris. O evento, realizado na Place Vauban, diretamente em frente ao Hôtel des Invalides, foi um forte sinal para a França e o mundo de que, apesar das derrotas recentes, o movimento pró-vida pela primeira filha da Igreja não está apenas vivo, mas crescendo.

A marcha deste ano foi notável pelo grande número de jovens e pela presença católica muito visível. Grupos de estudantes do ensino médio e universitários vieram de toda a França cantando canções católicas, rezando o terço e entoando slogans pró-vida. O presidente da Marca para a Vida, Guilhaume de Théuilloy, lembrou aos participantes que "manifestações não são a única forma de lutar... A oração é verdadeiramente fundamental, assim como a vigília pela vida que ocorre na noite anterior [à marcha] na Igreja de Saint-Roch. A cultura da morte é o desencadeamento da obra do diabo, que luta ferozmente contra a humanidade." Monsenhor Dominique Rey, bispo emérito de Fréjus-Toulon e o único bispo presente, afirmou em seu discurso: "O respeito pela vida hoje é um chamado do Céu. Está no cerne da missão da Igreja."

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Diversas organizações pró-vida francesas participaram da marcha, incluindo Droit de NaîtreSOS Tout-PetitsLes Éveilleurs e Renaissance Catholique. Pró-vida vieram de outros países europeus, assim como dos Estados Unidos. Tanto no conteúdo quanto no tom, a Marcha para a Vida se inspira muito na Marcha Americana pela Vida anual realizada em todos os meses de janeiro em Washington, D.C. Filiais francesas de organizações pró-vida nos EUA, como 40 Dias pela Vida e Rachel's Vinyard, estavam presentes. Assim como na marcha dos EUA, os pró-vida franceses expressam uma militância e confiança apesar dos retrocessos e batalhas perdidas. Em Paris deste ano, a Marca para a Vida prestou homenagem ao líder conservador americano Charlie Kirk, um ferrenho defensor dos não nascidos, que foi tragicamente assassinado em 10 de setembro de 2025.

A defesa dos não nascidos, idosos e doentes terminais na França não poderia ser mais urgente. Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos em 2022 anulou a infame decisão Roe vs. Wade -- permitindo assim que estados isoladamente proibissem o aborto – os progressistas europeus ficaram chocados. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson chamou isso de "um grande retrocesso", enquanto a primeira-ministra francesa Elisabeth Borne o chamou de "um dia sombrio para os direitos das mulheres." O presidente Emmanuel Macron prometeu tornar a França o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida de acesso ao aborto" na constituição do país, e conseguiu isso em 4 de março de 2024 com maiorias esmagadoras tanto na Assembleia Nacional quanto no Senado francês.

O tema principal da marcha pela vida deste ano foi a luta contra o suicídio assistido.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Cumprindo uma de suas promessas de campanha de 2017, em 27 de março de 2025, por 305 votos a 199, o governo do presidente Emmanuel Macron aprovou uma lei de eutanásia na Assembleia Nacional. Ainda está aguardando uma votação no Senado, mas se aprovada, a lei seria uma das mais permissivas do mundo sobre eutanásia, colocando a França na mesma categoria que Bélgica e Canadá.

Marie-Lys Pellissier, porta-voz da Marche pour la vie, disse ao Le Figaro: "Não queremos uma sociedade que mate, mas uma que proteja e apoie os mais vulneráveis em todas as fases de suas vidas, independentemente do seu nível de dependência e do custo de sua existência."

Embora o tema do suicídio assistido seja o mais urgente politicamente, a luta pelo aborto ainda não acabou. Por um lado, a taxa de abortos está subindo. Em 2023, 243.300 abortos foram realizados na França, o maior número desde 1990 e um dos maiores já registrados. Ao mesmo tempo, a taxa de natalidade está despencando. Em 2025, a taxa de natalidade na França caiu para 1,56 filhos por mulher, o nível mais baixo desde o fim da Primeira Guerra Mundial. Nesse mesmo ano, o menor número de nascimentos desde 1942 também registrou a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que o número de mortes (651.000) superou o número de nascimentos (645.000). A população da França, de 69,1 milhões, cresceu ligeiramente apenas devido à imigração. Até 2030, pessoas com 65 anos ou mais serão mais numerosas do que aquelas com menos de 20 anos.

Em janeiro de 2024, no mesmo ano em que aprovou a proteção constitucional do aborto, o presidente Macron reconheceu a crise demográfica na França e fez um discurso em que pediu um "rearmamento demográfico." Ele anunciou a criação de novos programas de assistência governamental para ajudar a aumentar a taxa de natalidade. Essas medidas hipócritas não farão nada para conter a maré do inevitável colapso demográfico graças a 51 anos de aborto legal.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Progressistas europeus, de fato, estão profundamente preocupados com o fato de um movimento pró-vida crescente na Europa ameaçar o futuro do aborto legal. Em 2025, a Anistia Internacional publicou um estudo chamado Quando os direitos não são reais para todos: a luta pelo acesso ao aborto na Europa. O relatório, embora otimista quanto ao futuro, ainda assim revela um profundo receio de que o futuro dos direitos ao aborto esteja longe de ser certo. O relatório ataca a existência de "um movimento global anti-gênero bem financiado" que está forçando progressistas a defender "conquistas arduamente conquistadas contra a retrocesso prejudicial e retrógrado no acesso existente ao aborto."

Se os progressistas que promovem a cultura da morte estão preocupados, é porque são muito mais fracos do que parecem. Os movimentos de aborto e suicídio assistido dependem do falso "consenso" de apoio universal à sua causa. Como o exemplo americano demonstra, se até mesmo alguns europeus se levantarem e reagirem, podem quebrar esse consenso e forçar a cultura da morte do passo para trás, que não passa de um gigante com pés de argila.

24 de janeiro de 2026

SÃO PAULO DE OUTRORA

 

Vale do Anhangabaú

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

No tempo antigo do bairro Campos Elíseos, onde morei na capital paulista, os jardins eram muito bonitos, com flores ornamentais. As casas eram ‘sossegadonas’, distintas e elegantes.

Campos Elíseos, nos anos 30

Quando eu era mocinho, gostava de dar um giro a pé pelas ruas (nas quais meus familiares habitualmente não transitavam) para flanar sozinho. Gostava de passar diante das casas e observar seus jardins, as flores particularmente bonitas, mais adiante ouvir a voz de alguma mulher cantando desafinada, com a janela aberta, eu a percebia costurando. 

Observava um caniche que passava, depois um lulu da Pomerânia, mais adiante um cachorro ‘de rua’. Às vezes aparecia um filhote mestiço (certamente uma cadela tinha escapado para a rua e encontrado um cachorro sem raça, daí o nascimento desse mestiço) com a saúde robusta, por um lado, e por outro um pouquinho de finura da cadela. Andava luzidio e exibicionista como um burguesinho, abanando o rabo e latindo para se fazer ver. 

Chá no Mappin
Mais adiante eu encontrava uma padaria de portugueses, exalando o cheiro bom de pão quente saindo do forno, convidando-me a entrar e comprar. 

Naqueles tempos as coisas tinham certo molejo, havia tempo para tudo, ninguém fazia as coisas depressa. Sabia-se que catástrofes podem acontecer, mas nada inopinadamente, e todo mundo levava vida tranquila. 

Inúmeras vezes, pessoas de minha família se queixavam desse ou daquele incômodo (em geral eram pequenos incômodos), e eles iam ao médico no centro da cidade, que era ao mesmo tempo lugar de negócios e de passeios. Havia cinemas, confeitarias, uma porção de atrações dessas, de boa qualidade, e essa ida ao médico se transformava também num passeio. 

Era comum uma senhora ir ao médico levando dois ou três filhos ou sobrinhos, para depois tomarem chá na casa Mappin, por exemplo. No centro da cidade a pessoa podia ir e se distrair. Como seria isso hoje?... 


____________ 
Excertos de comentários feitos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 8 e 14 de setembro de 1991. Esta transcrição adaptada não passou pela revisão do autor.

5 de janeiro de 2026

Os três Reis Magos e o papel da representação simbólica



✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Nenhum comentador da adoração prestada ao Menino Jesus pelos três Reis Magos –– Gaspar, Melchior e Baltasar –– nega que era conveniente eles irem adorá-lo, para representar os vários povos da gentilidade aproximando-se de seu berço desde o começo. 

Era conveniente também que fossem magos, para representar toda a sabedoria antiga prestando homenagem ao Menino-Deus. Sabemos que, naquela época, mago era adjetivo para o homem de uma sabedoria extraordinária. Eram sábios, os que foram adorar o Messias.

Os três Reis Magos, de várias raças, representaram todo o mundo e toda a sabedoria antiga homenageando Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-lhe ouro, incenso e mirra. Era um gesto muito simbólico. Nosso Senhor quis ter representantes daqueles povos, e escolheu quem os representaria em caráter simbólico. Eram só três, mas eles significavam algo nos planos da Providência. 

🔔 🔔 🔔

Podemos pedir aos Reis Magos que orem por nós — porque certamente estão no Céu junto a Deus —, para que tenhamos a coragem que eles tiveram: isolados no mundo pagão, à espera da estrela, aguardando a hora de Deus para cumprir Sua vontade com toda a fidelidade. Devemos nos preparar para essa hora para sermos, também no isolamento, exemplos de fidelidade. 
____________

Trecho de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, proferida em 1965, na véspera da festividade dos “Três Reis Magos”, que a Igreja celebra no dia 6 de janeiro.

2 de janeiro de 2026

2025

 


Retrospecto dos principais acontecimentos da Santa Igreja Católica e do mundo multipolar em realinhamentos num rumo caótico


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 901, Janeiro/2026 

A recente mudança de pontificado, na Santa Igreja, suscitou muitas esperanças; mas também, como se tem visto, inseguranças, desconfianças e desilusões. 

Um turbilhão de desordens catastróficas está encaminhando o mundo para a Terceira Guerra Mundial, mas reações conservadoras surpreendentes nos animam, provocando muitas esperanças. 

Na geopolítica mundial, 2025 foi um ano de surpreendentes rupturas e inesperadas alianças. Elas convulsionaram o panorama global, sobretudo após a volta de Trump à Casa Branca. 

No panorama católico, ao lado de calamidades inauditas, temos assistido a um verdadeiro renascimento da fé, sobretudo entre jovens, que estão retomando as práticas religiosas tradicionais no denominado Catholic Revival

O que dissemos acima sintetiza acontecimentos do ano que findou. A retrospectiva de 2025, apresentada em quatro partes por abalizados colaboradores da revista Catolicismo, desenvolve com segurança aspectos de magna importância para o prezado leitor avaliar o status quo de assuntos de especial interesse para a civilização cristã. 

* * * 
Na edição deste mês a revista inicia uma nova seção, intitulada Nobreza e Tradição numa Cristandade Vigorosa. Nela oferecemos aos leitores trechos extraídos do excelente livro A volta ao mundo da Nobreza, de Leon D. Beaugeste. Certamente será muito apreciada essa coletânea de episódios da História pouco divulgados, que nela são condensados, desfazendo conceitos errôneos sobre o valioso papel formativo da antiga nobreza católica, na coesão, harmonia e aperfeiçoamento da vida social. 
* * * 
Enquanto na edição anterior celebrou-se o número 900 de Catolicismo, na deste mês outra comemoração: jubileu de fundação! 75 anos de bom combate, destemido e incansável, sem falhar um mês sequer, desde 1951. Agradecemos a Nossa Senhora essa longa existência, a qual pouquíssimas revistas conseguem alcançar, e suplicamos a Ela especial proteção para as futuras edições, futuras polêmicas, futuras lutas pela maior glória de Deus. 

Desejamos aos nossos leitores especiais graças ao longo do novo ano que se inicia, para que juntos continuemos a guardar a fé e perseverar no combate em prol do pensamento autenticamente católico.