13 de abril de 2026

Pesquisas revelam o que os americanos pensam sobre questões morais

 


✅  Plinio Maria Solimeo

Com uma população estimada em 2025 entre 341,7 e 347,2 milhões de habitantes — crescimento esse impulsionado principalmente pela imigração, apesar da baixa taxa de natalidade e das mortes —, a sociedade americana está bastante dividida entre conservadores, liberais e moderados. Os primeiros geralmente se concentram no Partido Republicano e têm obtido aproximadamente 38% da intenção de votos contra 24% dos representantes do Partido Democrata. Os moderados oscilam entre um e outro.

Nos últimos 30 anos a polarização nos Estados Unidos atingiu níveis críticos, com os Democratas movendo-se cada vez mais para a esquerda e os Republicanos mais para a direita. Por isso a oposição entre os dois partidos cresceu também, indo além da compreensível incompatibilidade entre inimigos existenciais e opositores, para muitas vezes chegar a afetar até a governabilidade do país. Isso se torna manifesto, por exemplo, quando se trata da aprovação da lei orçamentária do governo pelas duas casas do Congresso.

Por causa da constante desavença entre republicanos e democratas, isso pode gerar uma paralisação ou shutdown na aprovação do orçamento. Foi o que ocorreu concretamente no ano passado quando, devido a um impasse político entre o Congresso e o Poder Executivo, o shutdown forçou o governo a paralisar suas atividades não essenciais pelos 43 dias que durou o impasse. 

Essa polarização entre os americanos é mostrada pelo Pew Research Center[i] em interessante reportagem com o título Republicanos e Democratas diferem profundamente em questões sobre o aborto, a homossexualidade e a pena de morte são moralmente errados”, baseado em duas pesquisas feitas por experientes membros desse instituto, respectivamente de 24 a 30 de março do ano passado com 3.605 americanos adultos, e de 5 a 11 de maio do mesmo ano com 8.937, sobre o que pensam sobre problemas morais.

Essas entrevistas foram feitas com diferentes grupos de americanos divididos por idade, sexo etc. das quais só apresentaremos algumas por questão de espaço.

 

O que pensa a generalidade dos americanos sobre os problemas morais

O Pew Research, falando dos americanos em geral, afirma: Em uma ampla gama de questões, os americanos expressam visões moralmente permissivas. Dá como exemplo que 91% deles afirmam que usar contraceptivos para evitar a gravidez não é moralmente errado, 40% acham que é moralmente aceitável, 51% pensam que não é uma questão moral, enquanto só 8% julgam que é moralmente errado.

Já com relação ao adultério eles são em geral mais conservadores, pois 90% julgam-no moralmente errado, contra 9% para os quais não o é, enquanto apenas 7% afirmam que é aceitável.

À pergunta sobre se é moralmente errado ver pornografia, o número dos que concordam com essa afirmação é de apenas 52%, contra 47% que afirmam que não é moralmente errado, 31% julgam que não se trata de uma questão moral, e 15% que afirmam que é moralmente aceitável.

Sobre o aborto, apenas 47% dos entrevistados julgam-no moralmente errado. Somando-se os 52% dos que julgam que não o é aos 21% que lhe são favoráveis e aos 31% que afirmam que não é uma questão moral, temos que, no fundo, a grossa maioria dos americanos é favorável ao aborto.

Com relação à homossexualidade, apenas 39% dos entrevistados mostraram-se contrários. Uma maioria de 60% julga que não é moralmente errado, ou seja, não são contra, 23% são declaradamente a favor e 37% que isso não é uma questão moral.

Também sobre a eutanásia, uma grossa maioria de 63% julga que não é moralmente errada, 34% julgam-na moralmente aceitável, 29% dizem que ela não implica em questão moral e apenas 35% lhe são contrários.

Quanto à pena de morte, 64% dos entrevistados julgam-na moralmente certa, 38% moralmente aceitável e 26% que não se trata de uma questão moral. Apenas 34% julgam-namoralmente condenável.

A outra estatística que nos interessa é a sobre o divórcio. Como era de se esperar num mundo tão corrompido como o nosso, uma maioria de 76% considera que não é moralmente errado, 31% que é moralmente aceitável, 45% que não implica uma questão moral, e apenas 23% afirmam que ele é moralmente errado.

 

O que pensam os jovens entre 18 e 29 anos

Em vários pontos, os jovens entre 18 e 29 anos se mostram mais conservadores do que os mais velhos. Por exemplo, na questão do divórcio, da fertilização in vitro e dos anticonceptivos lideram os que julgam que isso é moralmente errado.

Já com relação ao aborto, ao adultério, à eutanásia e à homossexualidade, eles são mais complacentes que seus maiores.

Por outro lado, na questão da pena de morte eles a rejeitam mais que os mais velhos, influenciados pela propaganda da esquerda e de certos púlpitos.

É interessante notar que, segundo o levantamento do Cooperative Election Study (CES) — uma das mais abrangentes pesquisas eleitorais e populacionais do país —, 21% dos integrantes da Geração Z declaram-se católicos, superando os 19% que se identificam como protestantes. Essa inversão quebra uma hegemonia protestante que vigorava há séculos.

 

Como vota cada sexo

É curioso verificar que em várias questões os homens se mostram mais conservadores que as mulheres. Por exemplo, 28% deles julga que o divórcio é moralmente errado, o que ocorre apenas com 19% das mulheres. Do mesmo modo, 51% deles julgam que o aborto também é moralmente errado, enquanto o número de mulheres que compartem essa opinião perfaz 44%. No tocante à homossexualidade, 43% dos homens consideram-na moralmente errada, contra 37% das mulheres.

Essa tendência se manifesta em outros pontos morais, como a fertilização in vitro, uso de anticoncepcionais, eutanásia, adultério etc. nos quais os homens são sempre mais conservadores que as mulheres.

 

O que pensam Republicanos e Democratas

A respeito do aborto é que há mais radicalização entre os dois partidos. Enquanto somente 24% dos Democratas o consideram errado, 71% dos Republicanos são contrários ao assassinato de inocentes.

Para 59% dos Republicanos o homossexualismo é condenável, apenas 20% dos Democratas têm a mesma opinião. 65% dos Republicanos julgam errado ver pornografia, número que cai para 39% entre os Democratas.

O uso de contraceptivos é apoiado ou visto com indiferença tanto por democratas — dos quais só 7% o julgam moralmente errado — quanto por republicanos (9%).

Há menor rejeição por parte dos dois partidos com relação à eutanásia, sendo que só a acham moralmente errada 48% dos republicanos e 23% dos democratas.

Já com relação ao adultério, a diferença entre os dois partidos na sua condenação é pequena: 93% dos republicanos, e 88% dos democratas.

O divórcio, como se podia esperar nesta época de quase amor livre, é rejeitado apenas por 33% dos republicanos, que o acham moralmente errado, e por 13% dos democratas.

O que surpreende é que 48% dos republicanos achem a pena de morte moralmente errada, enquanto só 20% dos democratas a condenem.

 

O fator religioso que deveria orientar os votos

Não sabemos até que ponto o fator religioso influenciou a votação das pessoas nessas pesquisas. Pois, tanto para os católicos quanto para protestantes conservadores, esse fator deveria ter pesado.

Segundo dados recentes do Pew Research Center, as igrejas evangélicas históricas e pentecostais têm apresentado uma queda contínua, especialmente entre jovens e adultos até 40 anos, sobretudo pela desfiliação religiosa e rejeição à politização das igrejas. Enquanto o catolicismo apresenta uma estabilidade relativa, sustentada principalmente pela imigração latina, que mantém o número absoluto de católicos.

Somando-se as inúmeras seitas protestantes, estas representam ainda 40% da população americana, enquanto os católicos representam somente 20%. Contudo, os Estados Unidos têm a quarta maior população de católicos do mundo, com 53 milhões de fiéis.

Se as pesquisas tivessem sido feitas exclusivamente com estes, o resultado teria sido muito diferente? Tememos que não. Pois hoje em dia, com a decadência religiosa e o esquecimento dos princípios morais mais comezinhos, o casamento em declínio sendo substituído por uniões ilícitas mais em uso, é cada vez menor o número de católicos que ainda pautam sua vida segundo os princípios da Santa Igreja.

Para ilustrar nossos leitores, vamos lembrar o que diz a Doutrina Católica sobre os vários pontos abordados, seguindo o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, ou Catecismo Maior de São Pio X.

Aborto – Pílulas abortivas

Está condenado no 5º. Mandamento da Lei de Deus, não matar, porque o aborto espontâneo é um verdadeiro assassinato de inocentes perpetrado pela própria mãe. E, sendo um homicídio voluntário, classifica-se como um dos “pecados que bradam ao Céu e pedem à Deus por vingança”, pois sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-lo com os mais severos castigos

Homossexualismo

Por ser um ser um ato sensual contra a natureza, também é um dos pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança.

Adultério – relações extramatrimoniais

A infidelidade matrimonial está condenada pelo 6º. Mandamento da Lei de Deus “não pecar contra a castidade”, e pelo 9º. “Não desejar a mulher do próximo” que, segundo o Catecismo de São Pio X, “proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se juraram ao contrair o matrimônio; e proíbe também todo o pensamento culpável e todo desejo de ação proibido pelo sexto Mandamento”.

Eutanásia

Esta prática está condenada pelo 5º Mandamento da Lei de Deus, “Não matar”. Diz o Catecismo: “Neste Mandamento Deus proíbe ainda ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio [...] porque o homem não é senhor de sua vida, como o não é da dos outros”.

Divórcio

“O Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos [...] e não se pode quebrar senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim estabeleceu Deus desde o começo, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Senhor Nosso”. [...] “O vínculo do matrimônio cristão não pode ser dissolvido pela autoridade civil, porque esta não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos, nem separar o que Deus uniu”.

Pena de Morte

A doutrina tradicional da Igreja, baseada em São Tomás de Aquino, defendia a licitude da pena capital em casos específicos, argumentando que retirar a vida de um grande malfeitor que ameaça a sociedade é um ato justo e salutar para preservar o bem comum. Ele comparava o criminoso a um membro gangrenado que deve ser amputado para salvar o corpo social. A sentença deve ser proferida por uma autoridade pública legítima, após julgamento justo, e não por vingança pessoal.

Entretanto, teólogos modernos argumentam que, se o sistema carcerário for capaz de neutralizar o criminoso sem a sua morte, isso diminui a necessidade da pena capital.

O que, com sobejas evidências, duvidamos

O Catecismo de São Pio X está de acordo com a doutrina de São Tomás, a qual foi até há pouco pregada pela Igreja: “É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.”

Fertilização in vitro

A Doutrina Católica considera a fertilização in vitro (FIV) moralmente inaceitável, pois separa a procriação do ato sexual conjugal e frequentemente envolve a destruição de embriões. A Igreja ensina que os filhos devem ser concebidos através de um ato de amor entre os cônjuges, não como um produto laboratorial, respeitando a dignidade humana desde a concepção.

Esperemos que, pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, Padroeira da Igreja Universal, tempos venham em que a sã doutrina católica e ortodoxa readquira seu lugar na Igreja como na época do Concílio de Trento, em que, ao lado das Sagradas Escrituras, estava a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, na qual os ensinamentos perenes da Santa Igreja orientaram e orientam até hoje os católicos amantes da tradição.



[i] O Pew Research Center é um think tank (laboratório de ideias) apartidário com sede em Washington, D.C., que fornece informações baseadas em dados sobre questões sociais, opinião pública, tendências demográficas e hábitos de mídia nos EUA e no mundo. Ele é conhecido por ser uma fonte neutra que não toma posições políticas ou de políticas.

 

 

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