4 de outubro de 2013

Pluralismo seletivo: “Jesus dialogou com Satanás” (!), mas a FAJE não dá a palavra aos Católicos.


Estivemos em Belo Horizonte, onde a abortista Roseli Fischman fez seu proselitismo laicista na FAJE. Apresentamos os nossos argumentos à Coordenação da FAJE sobre a falácia dos eufemismos e como os inimigos da Igreja estão agindo por dentro, com sofisticação semântica, para semear o joio por dentro da instituição. Ao final, dissemos: viemos aqui para não pecar por omissão e afirmar a nossa fidelidade ao Magistério da Igreja. Não foram autorizadas fotos nem filmagens do evento. Mas estivemos lá  afirmando com veemência  o valor do Evangelho da Vida. 

Por Hermes Rodrigues Nery (*)

Após a leitura do artigo do Pedro Anísio de Alcântara, fizemos uma pesquisa do histórico da Profª. Roseli Fischman e realmente constatamos que ela colabora com o CLADEM, que segundo ela própria define como “uma articulação plural de organização e pessoas da sociedade civil latino americana e caribenha em defesa e promoção dos direitos humanos a uma educação pública, laica e gratuita para todos”. A Profª Roseli Fischman costuma fazer seu proselitismo laicista para justificar o direito à autonomia individual e os demais direitos decorrentes dessa premissa laicista, como os direitos das mulheres acima do direito dos pais em educar seus filhos, os direitos sexuais e reprodutivos, inclusive o direito ao aborto, etc. 

Sugerimos então que houvesse uma mobilização de e-mails e telefonemas, especialmente para evitar que a exposição da Prof.ª Roseli Fischman, que, segundo Pedro Anísio de Alcântara, “faz parte do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA), que conta com o apoio do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e seu foco é capilarizar a discussão do tema do aborto sob o prisma da Saúde Pública e retirá-lo da esfera do crime. Entre seus participantes o GEA declara outras organizações, como por exemplo, as Católicas pelo Direito de Decidir e o Ipas Brasil, que possuem a mesma finalidade, além do Ministério da Saúde e da Secretaria de Política para as Mulheres. Para alcançar seu fim o GEA produz novos materiais e estimula a difusão de informação e dados de pesquisas através de entrevistas e matérias nos veículos de comunicação do Brasil e no mundo e realiza seminários, colóquios e encontros com mais parceiros nessa iniciativa. Tudo isso para descriminalizar o aborto. 

Para se ter ideia da importância do GEA, alguns dos seus membros e o próprio grupo tiveram importância na discussão e julgamento favorável ao aborto de fetos anencéfalos pelo STF na ADPF 54. Pró-aborto, a Dra. Roseli realizou nos anos de 2007 e 2008 o projeto “Ensino Religioso em Escolas Públicas: legislação e normas e seu impacto sobre a cidadania e os direitos sexuais e reprodutivos”. Tal projeto teve como financiadores as Católicas pelo Direito de Decidir e apoio financeiro da MacArthur Foundation (ambas abortistas) com consultoria do GEA. Em 2009, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a Dra. Roseli Fischmann, contrária ao acordo entre o Brasil e o Estado do Vaticano, defendeu a sua inconstitucionalidade e seus perigos. Tendo ela mesma, por conta desta ocasião, pedido a viagem de representante(s) da virulenta ATEA Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos para Brasília.” 

Não conseguindo audiência com Dom Walmor, arcebispo de Belo Horizonte, para lhe falar sobre o histórico de militância abortista e anticatólica da prof.ª Roseli Fischman, conversei por telefone com o Reitor da FAJE, Pe. Vitório, destacando os vários documentos pontifícios que primam por afirmar a identidade católica nas instituições acadêmicas católicas, e dizendo que acolher a Prof.ª Fischman naquela instituição acadêmica católica e jesuíta é alargar o relativismo ainda mais, em detrimento do Magistério da Igreja, esse sim, que deveria ser priorizado. Ao que o Pe. Vitório disse que, em nome do pluralismo, aceita dialogar com o diferente, inclusive com os inimigos da Igreja, aludindo que Jesus dialogou com Satanás. Vindo uma declaração desta de um padre e reitor de uma instituição católica, foi chocante. E concluiu dizendo que já havia falado com Dom Walmor, e de que garantiria, sim, o direito da Prof.ª Fischman falar na FAJE sobre a laicidade do Estado, em nome do pluralismo. Diante da negativa de cancelamento, sugerimos então um debate com a Prof.ª Fischman, para refutar suas posições laicistas e anticatólicas, e solicitei ao Pe. Berardo Graz e Pe. Pedro Stepien que ligassem para ver essa possibilidade. 

Fui então, representando a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, na manhã do dia 3 de outubro, até a FAJE, com o objetivo de ao menos fazer uma fala em defesa do Magistério da Igreja, nesse contexto. Mas ao chegar à FAJE, com uma pequena comissão pró-vida formada por Adonias, Nina, Marta Ceravolo e esposo, não tivemos autorização de fazer uso da palavra, nem de fotografar nem de filmar o que quer que fosse, e Pe. Vitório delegou ao Pe. Álvaro Pimentel (que nos deu boa acolhida) que se reunisse conosco em uma sala, junto com a Assessora de Imprensa da FAJE. 

Pe. Álvaro Pimentel disse que a FAJE não estava realizando evento pró-aborto, mesmo eu ter explicado que a tática dos inimigos da Igreja é utilizar-se de eufemismos (lembrei a ele o Léxicon publicado pela CNBB), assim como acontece no Congresso Nacional com os Projetos de Lei, a exemplo do PLC 03/2013), o termo “aborto” não é mencionado, mas trata-se na realidade de uma estratégia semântica. A Prof.ª Roseli Fischman faz a defesa do direito à autonomia individual e das mulheres ao aborto quando discorre sobre as premissas do laicismo, a exemplo do que já escreveu em seus textos e em suas demais abordagens e exposições. O Pe. Álvaro disse que para entrar na palestra dela, tínhamos que ter feito a inscrição para o simpósio, procedimento este que ficou a cargo de Pe. Pedro. Para corroborar a posição de militante anticatólica da Prof.ª Roseli, sugerimos então disponibilizar o vídeo da sua palestra, ao que ele nos disse que a palestra dela não tinha autorização para ser fotografada nem filmada. Pe. Álvaro Pimentel afirmou que conhecia a posição divergente da Prof.ª Roseli Fischman em relação ao Magistério da Igreja, mas que todos os professores e especialistas que lá participaram do simpósio eram de conhecimento de Dom Walmor e demais bispos, bem como do próprio Vaticano. E que a proposta do seminário era justamente esta: trazer especialistas que pensam diferente do Magistério da Igreja, para que os alunos possam fazer o discernimento. Insistiu na tese de que é preciso dialogar com o inimigo, lembrando que Jesus disse que é preciso amar nossos inimigos. Perguntou-me se eu tinha titulação acadêmica. Ao que respondi que sou especialista em Bioética, pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Vaticano (Pontifícia Academia para a Vida). Disse ainda que ficou horrorizado com os mais de mil compartilhamentos pelo facebook só de uma página chamada “Santa Igreja”, e dos comentários dos internautas, o que tudo isso será objeto de providências posteriores, sugerindo inclusive, em nome da correção fraterna, reconsiderações apropriadas. Disse a ele, com ênfase, de que o seguimento a Jesus Cristo (a missionariedade e discipulado) requer fidelidade ao Magistério da Igreja, exigindo muitas vezes o deserto e a cruz, e que diante do holocausto silencioso que vitima hoje milhões de crianças privadas ao direito à vida, atenderemos o clamor feito por João Paulo II, na Evangelium Vitae, de afirmar a cultura da vida, mesmo em meio a tantas hostilidades contra a vida, a família e a fé católica. 

Cordialmente, em Cristo e Maria! 
_________________
(*)Prof. Hermes Rodrigues Nery e comissão formada por Adonias Martins de Souza, Nina Viana, Marta Maria Ceravolo Pelypec e esposo.

6 comentários:

Isayas disse...

OS COMUNISTAS NUNCA CONVIDAM NENHUM RELIGIOSO PARA OS DOUTRINAR...
Mas querem ser sempre acolhidos nos meios católicos para apresentarem suas ideologias, por sinal satanistas.
O pior de tudo é que acham abrigo, como na FAJE, na UNISINOS, até na CNBB, como o foi de frei Susin; bem verdade que se o comunismo está tão ativo no Brasil e até enfiado na CNBB debite-se a um dos seus co fundadores, o marxista D Hélder, suspeito de ser agente da KGB, seguido por alguns bispos comparsas até hoje.
Quem prestigia os candidatos comunistas em eleições compartilha de todas as suas más ações, crimes, como abortos etc. e associa-se ao satanismo.

Paulo Roberto Campos disse...

Prezado Isayas

O que V. diz do marxismo de Dom Helder, fez-me relembrar de dois ditos do Nelson Rodrigues. Eu os anotei, pois considerei muito espirituosos -- além de verdadeiros...

Ei-los:

D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.

D. Helder já esqueceu tanto a letra do Hino Nacional quanto a da Ave-Maria. Prega a luta armada, a aliança do marxismo e do cristianismo. Se ele pegasse uma carabina e fosse para o mato, ou para o terreno baldio, dando tiros em todas as direções, como um Tom Mix, estaria arriscando a pele, assumindo uma responsabilidade trágica e eu não diria nada. Mas não faz isso e se protege com a batina. Sabe que um D. Helder sem batina, um D. Helder almofadinha, de paletó ou de terno da Ducal, não resistiria um segundo. Nem um cachorro vira-lata o seguiria.

alal001 disse...

Caros Amigos:-

Na verdade, D. Helder era oportunista, pois antes de ser marxista ele foi integralista!!! Ele foi do comando do integralismo, junto com Plínio Salgado!!! E o que move alguém do integralismo para o marxismo, se não por puro oportunismo???

Um grande abraço:-

Alexandre.

Jorge Rj disse...

Chega de críticas destrutivas! D. Helder Cãmara é cristão e católico que seguiu os passos da Igreja Católica, como seguiu os passos do Concílio Ecumênico Vaticano II. Igreja ad extra e ad intra! Abertura ao diálogo, ao outro, a Deus. Fechamento é do mal. Parem de Criticar aberturas e saiam do fechamento. Seja católicos e deixem ser ser fechados e contra o Vaticano II.

Jorge Rj disse...

Parem de criticar a Dom Helder Câmara! Vocês não chegam nem aos pés deste profeta católico! Vocês que criticam D. Helder não são católicos, são da divisão, da falta de diálogo, da mentira! Olhem para vocÊs: fechados, sem colocar em prática o Concilio Vaticano II (Diálogo ad extra e ad intra), sem diálogo.

Paulo Roberto Campos disse...

Quanto ao comentário acima:

Prezado Jorge.

Você não forneceu nenhum argumento que possa justificar que eu passe a considerar Dom Helder como santo e/ou inerrante... Ele ficou justamente conhecido como “Arcebispo vermelho”, devido à sua defesa do regime comunista.

Se V. me provar que o “profeta” do comunismo, como qualquer outro ser humano, era incapaz de cometer erros, passarei a elogiá-lo...

Jorge, não podemos pretender reescrever a História. E a História registra Dom Helder como o responsável por introduzir em nosso episcopado o vírus do marxismo. O que resultou na geração dos “padres de passeata” e nas “freiras de mini-saia”, para não falar na tentativa de implantar no Brasil um regime comunista nos moldes da Cuba fidel-castrista.

Assim, graças ao fracasso de Dom Helder, hoje não vivemos num sistema de plena miséria como em Cuba.

A respeito do que V. diz do Concílio Vaticano II, leia pelo menos o recente livro do historiador italiano, Prof. Roberto De Mattei, “O Vaticano II: Uma história jamais escrita”. Seu autor é vice-presidente do Centro Nacional de Pesquisas da Itália e catedrático da Universidade Europeia de Roma...

Mas enquanto V. não encontre tempo para ler tal livro, apenas lhe digo que o próprio Papa Paulo VI, deixou claro que o Concílio Vaticano II não gozava de um magistério infalível, ao afirmar que “Dado seu caráter pastoral, o concilio evitou pronunciar, de maneira extraordinária, dogmas dotados de nota da infalibilidade”.

Portanto, caro Jorge, não queira ser mais papista que o Papa...

Realmente não dá para entender a sua "lógica": quem defende a doutrina tradicional da Igreja Católica, não é católico; quem defende doutrina comunista é católico...