1 de fevereiro de 2015

Exortação às famílias numerosas


Paulo Roberto Campos

Em célebre discurso aos dirigentes e representantes das associações das famílias numerosas da Itália, o Papa Pio XII prestou homenagem às famílias grandes e as estimulou depositarem sua confiança na Providência Divina. Sua Santidade mostrou que elas são as mais queridas do Criador e representam a garantia da “saúde física e moral do povo cristão”. Também apontou os desvios às leis do matrimônio e da procriação como causa da decadência dos povos, devido à rejeição aos dons inestimáveis de Deus que são os filhos.

A esse propósito, não resisto ao desejo de citar uma frase de Nelson Rodrigues: “O filho único é um mártir; mártir do pai, mártir da mãe e mártir dessas circunstâncias. As famílias numerosas são muito mais normais, mais inteligentes e mais felizes”. Apenas coloco uma ressalva, para não suscetibilizar os casais que, por algum desígnio de Deus e não por limitação artificial da natalidade, não puderam ter filhos, ou tiveram somente um ou dois. Como reza o ditado popular, “toda regra tem exceção”. Esses casais podem oferecer esse sacrifício pelo bem das famílias com muitos filhos ou mesmo, tendo condições, prestar auxílio àquelas com proles numerosas que tenham alguma necessidade.

Segue a íntegra do admirável discurso de Pio XII, publicado pela Editora Vozes Ltda. (Documentos Pontifícios, 1958, pp. 13 a 22). Apenas tomei a liberdade ilustrar o texto, e de assinalar em negrito algumas passagens. 


No dia 20 de janeiro de 1958, o Papa Pio XII dirigiu a palavra a um grupo de dirigentes e membros da Federação Nacional (italiana) das Associações de Famílias Numerosas 





1. Entre as visitas mais agradáveis ao Nosso coração, destacamos a vossa, caros filhos e filhas, dirigentes e representantes das Associações de Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Conheceis, com efeito, a viva solicitude que dedicamos à família. Não perdemos nenhuma ocasião de assinalar-lhe a dignidade em seus múltiplos aspectos, de afirmar e defender-lhe os direitos, de inculcar-lhe os deveres, numa palavra, de fazer dela um ponto fundamental de nosso ensinamento pastoral. 

2. Em razão dessa solicitude para com a família, consentimos com todo o prazer, quando as ocupações de Nosso cargo a isso não se opõem, em receber, mesmo que seja por breves momentos, os grupos de famílias que vêm até a Nossa residência e mesmo em deixar-Nos fotografar em sua companhia, para perpetuar, de algum modo, a lembrança da Nossa e sua alegria. 

3. O Papa no meio de uma família! Não é este um lugar que bem lhe convém? Não é ele próprio, com um significado altamente espiritual, o Pai da família humana regenerada no Cristo e na Igreja? E não é por intermédio do Vigário de Cristo na Terra que se realiza o admirável desígnio da Sabedoria criadora, que ordenou toda paternidade humana no sentido de preparar a família eleita dos céus, onde o amor de Deus, Uno e Trino, a envolverá num só e eterno abraço, dando-se a Si mesmo como herança de beatitude?

4. Entretanto não representais apenas a família, mas sois e representais as famílias numerosas, isto é, as que são mais abençoadas por Deus, queridas e estimadas pela Igreja como os tesouros mais preciosos. Destas recebe, com efeito, com mais evidência, um tríplice testemunho, pois ao mesmo tempo em que confirmam aos olhos do mundo a verdade de sua doutrina e a retidão de sua prática, tornam-se, em virtude do exemplo, de grande auxílio para todas as outras famílias e para a própria sociedade civil. Com efeito, quando são encontradas com frequência, as famílias numerosas atestam a saúde física e moral do povo cristão, a fé viva em Deus e a confiança em sua Providência, a santidade fecunda e feliz do casamento católico.

5. Sobre cada um desses testemunhos queremos dizer-vos algumas breves palavras. 

Famílias numerosas, garantia da saúde e moral de um povo 


6. Entre as aberrações mais prejudiciais da moderna sociedade pagã, deve-se destacar a opinião de alguns que ousam definir a fecundidade dos casamentos como uma “doença social” que os países por ela atingidos deveriam esforçar-se para banir de todos os modos. Daí a propaganda daquilo que se designa como “controle racional dos nascimentos”, sustentado por pessoas e entidades às vezes ilustres por outros títulos, mas infelizmente condenáveis por este. Mas, se é doloroso notar a difusão de tais doutrinas e práticas, mesmo das classes tradicionalmente sãs, é no entanto reconfortante assinalar em vossa pátria os sintomas e os fatos de uma salutar reação, tanto no terreno jurídico como médico.

7. Como se sabe, a Constituição em vigor na República Italiana, para citar apenas uma fonte, concede, no artigo 31, uma “particular proteção às famílias numerosas", enquanto a doutrina mais em voga entre os médicos italianos toma cada dia mais força contra as práticas que limitam os nascimentos. No entanto, não se deve julgar que o perigo cessou e foram destruídos os preconceitos que tendem a sujeitar o casamento e suas sábias normas a culpáveis egoísmos individuais e sociais. Deve-se especialmente lamentar que a imprensa volte, de tempos em tempos, ao problema, com a manifesta intenção de confundir as ideias do povo simples e induzi-lo em erro com documentações falsas, com inquéritos discutíveis e mesmo com declarações deturpadas de tal ou qual eclesiástico.

8. Da parte católica, é preciso insistir para se propagar a convicção, fundamentada na verdade, de que a saúde física e moral da família e da sociedade não se resguarda senão na obediência generosa às leis da natureza, isto é, do Criador, e antes de mais nada no respeito sagrado e interior nutrido por elas. Tudo nesse assunto depende da intenção. Poder-se-iam multiplicar as leis e agravar os sofrimentos, demonstrar por provas irrefutáveis a inanidade das teorias da limitação e os males que decorrem de sua aplicação; mas se faltar a sincera resolução de deixar o Criador realizar livremente a sua obra, o egoísmo humano saberá sempre encontrar novos sofismas e expedientes para fazer calar, se possível, a consciência e perpetuar os abusos. 

9. Ora, o valor do testemunho dos pais de famílias numerosas não consiste apenas em rejeitar sem meios-termos e com força dos fatos qualquer compromisso intencional entre a lei de Deus e o egoísmo do homem, mas na prontidão em aceitar com alegria e gratidão os inestimáveis dons de Deus que são os filhos, e no número que Lhe apraz. Esta disposição de espírito, ao mesmo tempo em que liberta os esposos de intoleráveis pesadelos e remorsos, traz consigo, conforme médicos autorizados, as premissas psíquicas mais favoráveis para o são desenvolvimento dos frutos próprios ao casamento, evitando na origem dessas vidas novas os tormentos e angústias que se transformam em taras físicas e psíquicas, tanto na mãe como na prole. 

10. Na verdade, exceto casos excepcionais sobre os quais tivemos ocasião de falar de outras vezes, a lei da natureza é essencialmente harmonia e portanto não produz desajustes e contradições senão na medida em que seu curso é perturbado por circunstâncias quase sempre anormais ou pela oposição da vontade humana. Não existe eugenia que saiba fazer melhor do que a natureza e só será salutar na medida em que respeitar as leis desta, após tê-las profundamente conhecido, tanto que em certos casos de pessoas deficientes, é aconselhável dissuadi-las de contrair matrimônio (Cf. Enc. “Casti Connubii”, 31-12-1930 — A. A. S. a. 22, 1930, p. 565). Aliás, sempre e em toda parte, o bom-senso popular viu nas famílias numerosas o sinal, a prova e a fonte da saúde física, enquanto a história não se engana quando aponta o desvio das leis do casamento e da procriação como uma primeira causa da decadência dos povos.

11. As famílias numerosas, longe de serem “doença social”,
são a garantia da saúde física e moral de um povo. Nos lares em que sempre há um berço de onde se ouvem vagidos, as virtudes florescem espontaneamente, enquanto o vício se afasta como que expulso pela infância, que aí se renova qual brisa fresca e vivificante da primavera. 

12. Que os pusilânimes e egoístas sigam pois o vosso exemplo; que a pátria vos seja grata e tenha predileção por vós, por tantos sacrifícios que assumis criando e educando seus cidadãos; do mesmo modo a Igreja vos deve gratidão, pois, graças a vós e convosco, pode apresentar à ação santificadora do Espírito Santo multidões de almas cada vez mais sãs e numerosas. 



Famílias numerosas, testemunho da fé viva em Deus e da confiança em Sua Providência



13. No mundo civil moderno a família numerosa vale em geral, não sem razão, como um testemunho da fé cristã vivida, porque o egoísmo de que acabamos de falar como principal obstáculo à expansão do núcleo familiar, não pode ser eficazmente vencido senão recorrendo-se aos princípios ético-religiosos. 

14. Recentemente ainda, viu-se que a famosa “política democrática” não obtém mais resultados apreciáveis, seja porque quase sempre o egoísmo individual prevalece sobre o egoísmo coletivo, de que ela é frequentemente a expressão, seja porque as intenções e os métodos dessa política aviltam a dignidade da família e da pessoa, equiparando-se quase às espécies inferiores. Somente a luz divina e eterna do Cristianismo ilumina e vivifica a família de tal modo que, seja no início, seja no desenvolvimento, a família numerosa é tida quase sempre como sinônimo de família cristã. O respeito às leis divinas lhe deu a exuberância da vida; a fé em Deus concede aos pais a força necessária para enfrentar os sacrifícios e as renúncias exigidas pela educação dos filhos; o espírito cristão do amor vela sobre a ordem e a tranquilidade, ao mesmo tempo em que prodigaliza, como que as extraindo da natureza, as íntimas alegrias familiares, comum aos pais, aos filhos, aos irmãos. 

15. Exteriormente também uma família numerosa bem ordenada é qual um santuário visível: o sacramento do Batismo não é para ela um acontecimento excepcional, mas renova muitas vezes a alegria e a graça do Senhor. Ainda não se encerraram as festivas peregrinações às fontes batismais e já começam, resplandecentes de igual candura, as das crismas e primeiras comunhões. Mal o caçulinha tirou sua pequena veste branca, conservada como a mais cara lembrança de sua vida, e eis que já aparece o primeiro véu nupcial, que reúne aos pés do altar pais, filhos e novos pais. Como primaveras renovadas, suceder-se-ão outros casamentos, outros batizados, outras primeiras comunhões, perpetuando por assim dizer, no lar, as visitas de Deus e de sua graça. 
Pintura do séc. XIX representando um cortejo de meninos e meninas caminhando em direção à igreja, cuja bela torre se faz notar ao fundo, para a cerimônia da Primeira Comunhão. No primeiro plano, uma mãe aguarda sua filha receber as felicitações da avó (osculando a netinha) e depois do avô (sentado e já estendo a mão para os cumprimentos). A mãe, com o livro de missa na mão esquerda, espera o término das saudações a fim de levar a filha para seguir o cortejo das crianças. O pequenino observa os meninos, um deles talvez seu irmão, certamente já desejando chegar o dia em que ele também poderá fazer a Primeira Comunhão.

16. Mas Deus também vem às famílias numerosas com a sua Providência, da qual os pais, principalmente os pobres, dão um testemunho evidente, nela colocando toda a sua confiança, quando não são suficientes os meios humanos. Confiança bem fundada e de modo algum vã! A Providência — para nos exprimirmos com conceitos e palavras humanas — não é propriamente o conjunto de atos excepcionais da clemência divina, mas o resultado normal da ação harmoniosa da sabedoria, bondade e onipotência infinita do Criador. Deus não recusa meios de viver àquele que traz à vida. O divino Mestre ensinou explicitamente que “a vida vale mais que o alimento e o corpo mais que a veste” (Cf. Mt 6,25). Se fatos isolados, pequenos e grandes, parecem às vezes provocar o contrário, é sinal de que algum obstáculo foi interposto pelo homem à execução da ordem divina, ou então, em casos excepcionais, que prevalecem desígnios superiores de bondade; mas a Providência é uma realidade, uma necessidade de Deus Criador.  

17. Sem dúvida alguma, não é de falta de harmonia ou de inércia da Providência, mas da desordem do homem — em particular do egoísmo e da avareza — que surgiu e permanece ainda sem solução o famoso problema do excesso de população da Terra, que em parte existe realmente e em parte irrazoavelmente temido como uma catástrofe iminente da sociedade moderna. Com o progresso da técnica, com a facilidade dos transportes, com as novas fontes de energia, de que apenas se começam a colher os frutos, a terra poderá proporcionar prosperidade a todos que acolher, durante muito tempo ainda. 

18. Quanto ao futuro, quem pode prever os outros novos recursos ainda ignorados que encerra o nosso planeta e que surpresas, fora dele, nos reservam talvez as admiráveis realizações da ciência, que apenas começam? E quem pode assegurar para o futuro um ritmo de procriação natural semelhante ao atual? Será impossível a intervenção de uma lei moderadora intrínseca do ritmo de expansão? A Providência reservou para si o futuro do mundo. Na expectativa disso, um fato singular é que, enquanto a ciência converte em realidades úteis o que outrora era considerado como fruto de imaginações fantasistas, o temor de alguns transforma as esperanças bem fundadas de propriedade em espectros de catástrofe. O excesso de população não é, pois, uma razão plausível para difundir os métodos ilícitos do controle dos nascimentos, mas antes pretexto para legitimar a avareza e o egoísmo, seja das nações que, da expansão de outras temem um perigo para sua própria hegemonia política e abaixamento do nível de vida, seja dos indivíduos especialmente dos mais bem providos de meios de fortuna, que preferem o mais amplo gozo dos bens da terra à honra e ao mérito de suscitar novas vidas. Chegam desse modo a violar as leis acertadas do Criador, sob o pretexto de corrigir os erros imaginários de sua Providência. Seria, pelo contrário, mais razoável e útil que a sociedade moderna procurasse mais resoluta e universalmente corrigir sua própria conduta, removendo as causas da fome nas “regiões subdesenvolvidas” ou superpovoadas, por meio do emprego mais ativo, com fins de paz, das descobertas modernas, de uma política mais, ampla de colaboração e intercâmbio, de uma economia mais previdente e menos nacionalista. E, principalmente, reagindo contra as sugestões do egoísmo pela caridade, da avareza pela aplicação mais concreta da justiça. Deus não pedirá aos homens contas do destino geral da humanidade, que é de sua alçada; mas dos atos distintos queridos por eles em conformidade com os ditames de suas consciências ou em oposição aos mesmos.

19. Quanto a vós, pais e filhos de famílias numerosas, continuai a dar com firmeza serena o vosso testemunho da confiança na Providência divina, certos de que ela não deixará de recompensá-los pela prova de sua assistência cotidiana e, se for necessário, por intervenções extraordinárias de que muitos dentre vós tendes a feliz experiência.

Famílias numerosas, testemunho da santidade fecunda e feliz do casamento católico


20. E agora, algumas considerações sobre o terceiro testemunho, a fim de apaziguar os inquietos e aumentar vossa coragem. 

As famílias numerosas são os mais belos ramalhetes do jardim da Igreja; nelas, como em terreno propício, floresce a alegria e amadurece a santidade. Qualquer núcleo familiar, mesmo o mais restrito é, nas intenções de Deus, um oásis de serenidade espiritual. Existe, porém, profunda diferença no lar em que o número de crianças não ultrapassa ao do filho único. Essa intimidade serena, que tem um valor de vida, traz em si qualquer coisa de melancólico e pálido; é de duração mais breve, talvez mais incerta, muitas vezes perturbada por temores e remorsos secretos. Outra é, pelo contrário, a serenidade de espírito dos pais cercados por uma vigorosa florescência de vidas jovens. A alegria, fruto da bênção superabundante de Deus, se manifesta de mil modos, com constância estável e segura. Sobre a fronte desses pais e mães, mesmo quando carregada de cuidados, não há traço dessa sombra interior reveladora de inquietações de consciência ou do temor de uma irreparável volta à solidão. Sua juventude parece nunca ter fim enquanto dura no lar o perfume dos berços, enquanto nas paredes da casa ressoam as vozes argentinas dos filhos e dos netos. As fadigas multiplicadas, os sacrifícios redobrados e as renúncias às distrações dispendiosas são largamente recompensadas, mesmo aqui na Terra, pelo mundo inesgotável de afetos e de doces esperanças que lhes invadem o coração, sem todavia oprimi-lo ou cansá-lo.



21. E as esperanças se transformam em breve em realidade, quando a filha mais velha já começa a ajudar a mãe a cuidar do mais novo; quando o filho mais velho volta para casa radiante, pela primeira vez, com seu primeiro salário. Esse dia entre todos será abençoado de modo especial pelos pais, que veem para sempre afastado o espectro de uma velhice miserável, e sentem a segurança da recompensa de seus sacrifícios. Os filhos numerosos, por sua vez, ignoram a solidão e o mal-estar de serem obrigados a viver no meio de adultos. É verdade que essa companhia numerosa pode às vezes transformar-se numa vivacidade fastidiosa e suas desavenças, em tempestades passageiras; mas quando estas são superficiais e de curta duração, concorrem eficazmente para a formação do caráter. Os filhos das famílias numerosas se educam por assim dizer por si mesmos na vigilância e na responsabilidade de seus atos, no respeito e no auxílio mútuo, na largueza do espírito e na generosidade. A família é para eles um pequeno mundo de experiências antes de enfrentarem o mundo exterior, mais árduo e mais constrangedor.

Recomendação final e Bênção Apostólica


22. Todos esses bens e todos esses valores ganham em consistência, intensidade e fecundidade quando a família numerosa coloca, como seu fundamento e regra, o espírito sobrenatural do Evangelho, que tudo eleva acima do humano e tudo perpetua. Nesses casos, aos dons comuns de providência, de paz, de alegria, Deus acrescenta muitas vezes, como a experiência o demonstra, os chamados de predileção, isto é, as vocações ao sacerdócio, à perfeição religiosa e à própria santidade. Mais de uma vez, e não sem
razão, salientou-se a prerrogativa das famílias numerosas como viveiros de santos. Citam-se, entre outras, a de São Luís, rei da França, composta de dez filhos; a de Santa Catarina de Sena, de vinte e cinco; a de São Roberto Bellarmino, de doze; a de São Pio X [foto], de dez. Toda vocação é um segredo da Providência; mas no que diz respeito aos pais, esses fatos permitem concluir que o número de filhos não impede sua excelente e perfeita educação; que o número, nesse assunto, não traz desvantagem para a qualidade no que se refere aos valores tanto físicos como espirituais.

23. Uma palavra, finalmente, para vós, dirigentes e representantes das Associações das Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Tende o cuidado de imprimir um dinamismo cada vez mais vigilante e ativo à ação que vos propusestes realizar para o bem da dignidade da família numerosa e sua proteção econômica. Quanto à primeira finalidade, conformai-vos aos preceitos da Igreja; quanto à segunda, é preciso sacudir a inércia da porção da sociedade que ainda não se abriu aos deveres sociais. 

24. A Providência é uma verdade e uma realidade divina, mas ela se apraz em servir-se da colaboração humana. De ordinário, move-se e acorre quando é chamada e, por assim dizer, conduzida pela mão do homem; gosta de esconder-se por detrás da ação humana. Se é justo reconhecer na legislação italiana posições das mais avançadas no terreno da proteção às famílias, particularmente às famílias numerosas, é preciso não ocultar que ainda existem muitas que se debatem, sem que seja por culpa sua, no meio de dificuldades e privações. Pois bem, vossa ação deve propor-se fazer chegar igualmente a estas a proteção das leis e, nos casos urgentes, a da caridade. Qualquer resultado positivo alcançado nesse terreno é qual uma sólida pedra colocada no edifício da Pátria e da Igreja; e é o melhor que podeis fazer como católicos e como cidadãos.

25. Invocando a proteção divina para as vossas famílias e para as de toda a Itália e colocando-as ainda uma vez sob a égide celestial da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, de todo o coração Nós vos concedemos a Nossa paternal Bênção Apostólica".

4 comentários:

Josélia Ramos Camargo disse...

Apesar de longa, li de ponta a ponta esta matéria! Comecei a ler, mas pensando apenas numa leitura rápida saltando alguns trechos, mas me prendi no texto. Que clareza de pensamento tinha o Papa Pio XII para se expressar tão bem! Como difere dos textos que temos visto do atual Papa. Que confusão, por exemplo nessa batatada sobre as famílias que geram como coelhos. Um absurdo! Até comentei com minha cunhada que os textos de Pio XII eram católicos, e os de Francisco são caóticos! Infelizmente tenho que dizer isso, mas como católica que sou obrigada a dizer na esperança de que se mude o sistema atual no Vaticano de fala-fala de improviso, ou não de improviso mas com alguma intenção não boa que não consigo perceber qual.

Anônimo disse...

Lamentável! É o que tenho a dizer do comentário do Papa que menosprezou o valor das mães católicas e de todas as famílias numerosas. Que Deus tenha pena dele.

Jaqueline Ayala disse...

Ah, que espírito tinha a Igreja noutros tempos. Mas temos que rezar muito pelos nossos sacerdotes.

Ana Carla Marques Silva disse...

Devemos essa mudança de postura do Vaticano ao CV2 pois foi ele que permitiu a modernização da Igreja, no sentido de negar sua doutrina imutável, como se isso fosse possível.