10 de dezembro de 2016

Panetones de Natal — inspiração celeste para as famílias católicas


Luis Dufaur
No Natal, os britânicos preparam o tradicional “pudding” [foto abaixo], oriundo da Idade Média e que segundo instrução da Igreja Católica, “deve ser feito no domingo 25, após a Trindade”. 

“Ele é preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e em cuja massa todos os membros da família devem dar uma mexida durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”

Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles”, ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.


Os alemães preparam o “Christstollen” [foto ao lado], bolo muito denso perfumado com especiarias e recheado com frutos cristalizados e passas, cozinhado numa forma especial. 

Os espanhóis no Natal preferem o “turrón”, uma massa feita com amêndoas e mel. Ele tem muitas variantes: com chocolate, nozes, frutas secas, etc. 


Os franceses comemoram com a “bûche de Noël” [foto ao lado], imitando um pedaço de lenha, que suscita todo ano um verdadeiro concurso para disputar quem é o pâtissier que concebe a variante mais criativa.

Porém, nesse ponto os italianos acabaram passando à dianteira de todos os outros com o universalmente conhecido e cobiçado “panettone”.


Origem do “panettone” 

Discute-se calorosamente na Itália sobre a sua origem. Todos concordam que nasceu na região de Milão. 

Segundo uma versão, o panettone nasceu em fins do século XV num banquete oferecido pelo tempestuoso duque Ludovico Sforza, dito “o Mouro”. 

O ajudante de cozinha de nome Toni, encarregado de vigiar o forno durante a preparação da sobremesa, teria dormido... E quando acordou ela estava queimada! 


Para se salvar da ira do colérico duque? O Toni então reuniu tudo o que estava sobrando na cozinha e misturou, para produzir um pão “enriquecido”... Esse delicioso manjar foi saboreado por todos, que ficaram encantados.

Assim, essa obra-prima passou para a posteridade com o nome de “pão de Toni”, que acabou dando em “panettone”. 

Mas há outra versão: um certo Ughetto degli Atellani, jovem nobre que queria casar com Algisa — filha do padeiro Toni — teria conseguido ser contratado pela padaria, onde concebeu o famoso pão de Natal para conquistar a moça. 

Outra versão ainda é aquela segundo a qual Sóror Ughetta — cujo nome significa uva-passa — teria comprado com suas últimas moedas algumas passas de uva e frutas cristalizadas para acrescentar a seu pão de Natal, a fim de alegrar as irmãs de seu convento. 

O fato histórico incontestável é que, entre outras coisas, na Idade Média nasceu o costume de comemorar o Natal com um pão que fosse melhor que o quotidiano. 

Até 1395, os fornos de Milão só podiam assar esse pão no período natalino. Com frequência o “panettone” era marcado com uma cruz. 


Há também o “panettone” glacé e com amêndoas de Turim. E o “pandoro” de Verona [foto ao lado], que é muito alto, pesa aproximadamente um 1 kg, com sabor de baunilha, uma massa muito leve e que é servido num pacote feito com açúcar cristalizado que é também comestível. 

Em Veneza, o “panettone” vem acompanhado de um creme de frutas cristalizadas. 

E, além do mais, há o “pandolce” de Genova, um pouco mais compacto; o “panforte” de Siena, feito com especiarias e sem farinha, com a massa consolidada com mel, pimenta e canela. 

No sul da Itália aplicou sua inspiração ao panettone, que vinha do Norte, e acrescentou delícias inéditas nas regiões frias: laranja, limão, pistache, bergamota e o licor limoncello. 

O de Nápoles é feito com laranjas cristalizadas de Amalfi e limoncello.

Em Siracusa, ele vem com chocolate, pistaches, laranjas cristalizadas da Sicília e passas de Pantelleria. Todos eles em geral têm preços acessíveis.

Foi somente entre as famílias do mundo católico que a ação multiforme da graça do Espírito Santo inspirou uma tão larga variedade de pães simples, mas deliciosos, próprios a elevar os espíritos e fortalecer o corpo nos gaudiosos dias do nascimento do Redentor. 

Procure-se entre os amargados protestantes calvinistas ou nos decaídos países pagãos e veja se eles criaram uma variedade análoga de uma delícia pura e inocente, tão de acordo com o espírito sobrenatural do Natal católico.


4 comentários:

Anônimo disse...

O Bolo Rei, embora seja invocativo do Dia de Reis, é um bolo de natal:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolo-rei

Nelson Fragelli disse...

Artigo cristãmente delicioso. Ele eleva o espírito ao ambiente familiar, separando-o do corre-corre dos super-mercados e das compras.

Anônimo disse...

Como é bom passear ,degustar , saborear e viver como Católico Apostólico Romano ,nos ares verdadeiramente Cristãos!
Deus seja sempre louvado!

Ticiana B. disse...

Oi. Gostei do blog, linguagem simples e instrutiva. Bem interessante. Vi coisas que não sabia. Também tenho um blog com temas católicos e se quiser conferir, dá uma olhada:
http://simplescomooar.blogspot.com.br/