26 de maio de 2018

Ativistas pró-aborto colocam em dúvida a utilidade do conceito de “autodeterminação”


Mathias von Gersdorff

Para defender a prática do aborto, seus ativistas geralmente utilizam um único argumento: a mulher grávida tem “direito à autodeterminação”. 

O que querem dizer com isso é que a mulher deve ser completamente autônoma ao decidir se vai portar a criança em seu ventre ou não. Para justificar essa posição, abstraem completamente da existência do nascituro. A criança gerada não existe quase nunca nos textos apologéticos dos ativistas do aborto. 

É óbvio que esta estratégia não apenas reduz, mas também distorce a realidade do problema, enfraquecendo significativamente a sua credibilidade: qualquer mulher que não padeça de uma completa cegueira ideológica compreende que se trata na verdade da vida de um ser humano. Caso contrário, seria difícil entender por que desde há décadas existe um debate intenso e dramático sobre o aborto, mesmo em países onde ele é legal e subsidiado pelo Estado.

Mas, entrementes, surgiram outras questões: ao se fixar no argumento da autodeterminação, o feminismo radical está se excluindo completamente dos debates mais recentes, que dizem respeito inteiramente a posições ideológicas que realmente o interessam. 

Quem entendeu isso é a jornalista feminista Kirsten Achtelik, que publica suas obras em editoras ultraesquerdistas, como “Verbrecher” (Criminosos). Ela defende o aborto radical, mas parece reconhecer a simplicidade da argumentação de seu meio, que leva a posições fanáticas e injustificáveis. 

Kirsten Achtelik reconhece o perigo de o termo “autodeterminação” permitir uma normatividade completamente moldada pelo individualismo e pela auto-realização através da perfeição e do desempenho. 

Essa visão do tema permitiria facilmente matar crianças que não cumprem certos padrões de saúde (antes ou depois do nascimento). 

Nos últimos anos, uma das atividades mais importantes dos movimentos de esquerda tem sido a luta contra as normatividades (supostamente) arbitrárias. Essa luta tem enfrentado considerável oposição devido ao seu empenho em prol da “autodeterminação”. 

Isso é mais evidente do que nunca nos novos temas do movimento de proteção à vida, como por exemplo o diagnóstico pré-natal. Esse diagnóstico leva, como se sabe, ao assassinato de quase todas as crianças com deficiências físicas, como a síndrome de Down. 

Quando a saúde perfeita se torna a norma absoluta, isso só pode significar que as crianças com deficiências físicas não têm direito à vida. 

Essa é a prática, embora poucos o digam claramente. Tal visão utilitarista da vida humana foi formulada pelo filósofo australiano e ativista dos direitos dos animais Peter Singer, que defende até a matança de crianças após o nascimento, caso tenham defeitos físicos. 
O autor deste artigo numa manifestação contra o aborto em Roma. No cartaz: “Ativo pelo direito à vida dos não nascidos”. Mathias von Gersdorff é diretor da Aktion SOS Leben, Frankfurt (Alemanha).

____________ 

Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos.

Nenhum comentário: