13 de maio de 2026


 

A grande promessa fatimista vinculada à Comunhão em reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Imaculado Coração de Maria

  Paulo Roberto Campos

Da grandiosa e bela perspectiva de Fátima, com as promessas proferidas por Nossa Senhora — carregadas de muitas esperanças, mas também de sérias advertências à humanidade pecadora —, esta revista tem- se ocupado com certa frequência. Tratando, por exemplo, do castigo previsto, da consagração e conversão do mundo, e do Reino de Maria preanunciado por Ela.

Mas para a edição deste mês, e em memória da sua primeira aparição aos três pastorinhos em 13 de maio de 1917, pediram-nos para expor outro ponto também central nas revelações de Fátima: A prática da Comunhão Reparadora dos cinco primeiros sábados seguidos.

100 anos se passaram da maternal recomendação dessa prática. Entretanto, ainda hoje, ela é pouco conhecida. Grande parte dessa ignorância é de responsabilidade do clero progressista, vinculado à teologia da libertação, que não prega a respeito, fazendo ouvidos moucos aos pedidos implorados em Fátima pela Santíssima Virgem. Quantos já ouviram algum sermão tratando dessa tão importante prática? É de se contar nos dedos...

No que consiste essa devoção? Quais as condições para cumpri-la? Que graças recebem os devotos? Trata-se de um pedido expresso da Santa Mãe de Deus?

Jacinta, Lúcia e Francisco, em 13 de outubro de 1917


Pedidos não inteiramente atendidos

Na terceira aparição de Nossa Senhora aos pequenos pastores — Lúcia (então com 10 anos) e seus primos Francisco (9 anos) e Jacinta (7 anos) —, em 13 de julho de 1917 na Cova da Iria (aldeia portuguesa de Aljustrel, na região de Fátima), após proporcionar-lhes uma terrificante visão da Geena de tormentos eternos1, Ela disse: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.”2

Na mesma aparição, Ela afirmou que a guerra (o primeiro conflito mundial, de 1914 a 1918) iria acabar, mas “se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior”.3 E ainda profetizou que Deus “vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”.

Em seguida, Nossa Senhora sublinhou: 

“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.4

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, junto a Lúcia postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha. 


Perseguições aos bons católicos

         O primeiro pedido da Santa Mãe de Deus (a consagração da Rússia, que deveria ter sido feita de modo solene e em união com todos os bispos do mundo) não foi adequadamente atendido — nem quanto às condições, nem quanto ao prazo. Como já se tratou desta questão em edições anteriores, aqui apenas recomendamos o best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia — publicado em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — de autoria do célebre fatimólogo Antonio Augusto Borelli Machado (link abaixo).5

E, por isso, a Rússia ainda não se converteu e continua espalhando os erros da doutrina comunista pelos quatro cantos da Terra. Em poucas palavras, os erros que mais saltam aos olhos são o materialismo e o ateísmo; o igualitarismo e a revolta nas relações sociais; as blasfêmias, profanações e sacrilégios; o desprezo e/ou ultraje ao catolicismo; a imoralidade, a prática do aborto e da eutanásia, do divórcio, até mesmo a abolição do sacramento do matrimônio e relações antinaturais. A impiedade avassaladora grassa por toda parte.

Impõe-se aqui uma palavra sobre o seguinte prognóstico de Nossa Senhora: “Os bons serão martirizados.” A respeito, basta ler o noticiário para perceber o quanto os bons são perseguidos, por exemplo, se eles desejam levar uma vida de acordo com a moral católica ou manifestem desacordo com as leis imorais. Isto a tal ponto que, em certos países, leis revolucionárias e sumamente iníquas, tacham de crime quem defende algumas verdades católicas, o que pode levar o defensor à prisão.

Também no noticiário percebemos o martírio de católicos em países islâmicos, o que aumenta ainda mais com as atuais guerras no Oriente Médio; sem falar do que já temos aqui tratado no tocante às “perseguições à Igreja” e ao seu “processo de autodemolição”, que tanto penaliza os bons católicos devido à “fumaça de Satanás que entrou no templo de Deus”, como afirmou Paulo VI em 1972.

Representação da aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus a Lúcia, em Pontevedra, Espanha.


Transcorreu-se um século do pedido de reparação

         Quanto ao segundo pedido (comunhão reparadora nos primeiros sábados), quem ousaria garantir que essa santa prática é uma devoção generalizada pelo mundo inteiro? E quem garantiria que grande parte dos católicos já a cumpriram? Tudo leva a crer que ambas as respostas seriam negativas...

         É a respeito desse segundo pedido que passaremos a expor mais pormenorizadamente. Antes, porém, é bom que se diga que essa devoção de extrema importância foi aprovada oficialmente em 13 de setembro de 1939, por Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, de 1920 até sua morte em 1957.

Além do pedido feito em 1917 por Nossa Senhora em Fátima, como acima referido, essa magnífica devoção cordimariana está documentada sobretudo nos escritos da própria Irmã Lúcia, especialmente nas suas memórias e em cartas, nas quais nos baseamos.

Maria Santíssima voltou a insistir nessa devoção oito anos após as aparições na Cova da Iria. No dia 10 de dezembro de 1925 (portanto, há 100 anos), Ela apareceu à Irmã Lúcia — então com 18 anos de idade e única sobrevivente dos confidentes de Fátima —, enquanto religiosa postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha. Hoje esse convento é conhecido como Santuário das Aparições.

Quando a Irmã Lúcia estava em sua cela no convento, deu-se a aparição. Em seus braços, Nossa Senhora portava o Menino Jesus envolto numa nuvem luminosa, que dirigindo-se a Lúcia e “pondo-lhe uma das mãos ao ombro, mostrou-lhe um Coração rodeado de espinhos, que tinha na outra mão. O Menino Jesus, apontando para ele, exortou a vidente com as seguintes palavras: ‘Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.”

Em seguida, a Santíssima Virgem tomou a palavra, acrescentando: 

“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Ayres da Fonseca, pp. 350-351; Thomas Walsh, p. 196; Pe. de Marchi, ed. em inglês, pp. 152-153; Pe. Antonio de Almeida Fazenda S.J., pp. X-XI).6

Aplainando certas dificuldades

         No ano seguinte, nova e maternal insistência nessa devoção de capital importância. No dia 15 de fevereiro de 1926, o Menino Jesus volta a aparecer à Irmã Lúcia, no mesmo convento das Irmãs Doroteias. Quando estava no jardim, fazendo um trabalho de limpeza, ela viu uma criança, com a qual conversou. Esta, repentinamente, ficou resplandecente e perguntou “Você revelou ao mundo o que a Mãe Celestial lhe pediu?”.

Neste momento, Lúcia reconheceu que era o Menino Jesus, que a repreendia por não fazer mais a fim de divulgar a devoção dos Primeiros Sábados. 

“A vidente dá conta de dificuldades apresentadas pelo confessor, e explica que a Superiora estava pronta a propagá-la, mas que aquele Sacerdote havia dito que sozinha a Madre nada podia. Jesus respondeu: — ‘É verdade que a tua Superiora só nada pode, mas com a minha graça pode tudo’. A Irmã Lúcia expôs a dificuldade de algumas pessoas de se confessarem no sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu: — ‘Sim, pode ser de muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria’. A Irmã Lúcia ainda levantou a hipótese de alguém se esquecer de formar a intenção ao confessar-se, ao que Nosso Senhor respondeu: — ‘Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar’”
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Fazenda, pp. XI XII; Ayres da Fonseca, p. 351; De Marchi, ed. em inglês, p. 153).7



Providencial insistência no pedido

         Estando a Irmã Lúcia em Tuy (cidade espanhola na fronteira com Portugal), em outro convento das Irmãs Doroteias, em 1929, a Santíssima Virgem favoreceu-lhe com outra aparição persistindo na difusão da devoção das Comunhões Reparadoras dos pecados que se cometem contra Ela, como pedido em Pontevedra: “Tantas são as almas que a justiça de Deus condena pelos pecados cometidos contra mim, que venho pedir reparação. Sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.”

         Com nossos sacrifícios e orações, podemos repará-La e podemos ajudar na salvação de muitas outras almas pecadoras. É o que a Igreja ensina e que consta no 9º artigo do Credo “Creio na comunhão dos santos”, não apenas no sentido daqueles santos que foram canonizados, mas de todos os fiéis unidos a Nosso Senhor. Entre todos nós — como fazendo parte de uma ‘congregação’ de todos os batizados — há uma como que ‘circulação’ de bens espirituais que pelos méritos d´Ele, as orações de uns podem favorecer outros de nossos irmãos na Fé. Donde o referido pedido de reparação: comungando e rezando reparamos os pecados cometidos por outros que ultrajam Nossa Senhora. Assim nos beneficiamos todos mutuamente.

A guerra poderia ter sido evitada

         De tal modo Nosso Senhor Jesus Cristo deseja que se difunda essa devoção em desagravo à Sua Mãe Santíssima, que facilitou ainda mais os meios para cumpri-la. Na vigília de 29 para 30 de maio de 1930, Ele, falando interiormente à Irmã Lúcia, resolveu ainda outra dificuldade: “Será igualmente aceita a prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas” (Cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, Composição e impressão de Simão Guimarães, Filhos, Ltda. — Depositária: L. E. — Porto, 1973, p. 410).

The United Kingdom Government / Domínio Públic
Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados.



Em carta, naquele mesmo dia, ao seu confessor, então o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., a Irmã Lúcia relata que Nosso Senhor, tendo-lhe feito sentir no fundo do coração a sua Divina Presença, instou-lhe a pedir ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos Primeiros Sábados. São palavras da vidente: 


“Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora”
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 404).

Em outra carta ao mesmo confessor, a Irmã Lúcia reafirmou “A confissão pode ser feita dentro de oito dias, com tal que se esteja em graça no primeiro sábado, e se tenha a intenção de reparar.”

Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados. Numa delas, datada de 19 de março de 1939, ela escreveu: “Guerra ou paz no mundo depende da prática dessa devoção, juntamente com a consagração ao Imaculado Coração de Maria.”


A certeza da graça da boa morte

Já em 1940, a Irmã Lúcia, em sua primeira carta dirigida ao Papa Pio XII, escrevera: “Pediu [Nossa Senhora] que se propagasse no mundo a Comunhão Reparadora nos primeiros Sábados de cinco meses seguidos, fazendo com o mesmo fim uma confissão, um quarto de hora de meditação sobre os mistérios do Rosário e rezando um terço com o fim de reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidos contra o seu Imaculado Coração. Às pessoas que praticarem esta devoção, promete a Nossa boa Mãe do Céu, assistir na hora da morte com todas as graças necessárias para se salvarem”.8

         É interessante notar que ninguém, nem mesmo as almas mais santas, tem a certeza de que irão para o Céu; entretanto, cumprindo-se perfeitamente os mencionados atos de piedade, como pedido por Nossa Senhora, a pessoa pode ter a certeza da assistência espiritual para uma boa morte. Isto se deve ao enorme poder de intercessão d’Elajunto a Deus, como Medianeira Universal de todas as graças.

Fátima e devoção ao Imaculado Coração de Maria

         Como vimos até aqui, são uma constante as referências e vinculações entre a prática das Comunhões Reparadoras com a devoção de desagravo ao Imaculado Coração de Maria. Fátima e essa sublime devoção são inseparáveis.

Não desenvolveremos aqui este binômio inseparável, pois em artigos já publicados, sobretudo de Plinio Corrêa de Oliveira, a temática já foi largamente exposta. Entretanto, apenas para rememorar, eis alguns pontos defendidos em tais artigos: evidenciam que as revelações de Fátima não podem ser compreendidas senão à luz da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Tentar separar esses temas tão intimamente ligados seria desfigurar o plano de Deus relacionado a Fátima e mutilar seu plano quanto à salvação do mundo, pois ambos os temas se completam e se explicam reciprocamente. Fátima conduz ao Imaculado Coração, e o Imaculado Coração explica Fátima.

Confirmando esta tese, que nos é muito cara, eis um só exemplo:

         Na segunda aparição de Nossa Senhora, em 13 de junho de 1917, depois de algum diálogo com as três crianças, às quais confiou alguns segredos, Ela ouviu um pedido expresso por Lúcia:

“Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.

         “Sim — responde a Virgem Santíssima — à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por mim a adornar o seu trono”.

         — “Fico cá sozinha?” — perguntou, um pouco assustada.

— “Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

Após estas últimas palavras, nessa terceira aparição, Lúcia narrou o que viu:

“A Virgem abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo da luz imensa que nos envolvia. Nela nos vimos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.9

Síntese dos pontos essenciais

         Resumindo, convém acentuar que a todos aqueles que praticarem essa devoção das Comunhões Reparadoras, Nossa Senhora garante a graça da perseverança final, ou seja, uma boa morte e a salvação eterna. É bom recordar que a CONFISSÃO pode ser feita no mesmo dia ou até oito dias antes ou depois10; a COMUNHÃO deve ser feita no próprio primeiro sábado e em estado de graça [vide quadro abaixo]; o TERÇO deve ser rezado no mesmo dia (podem ser tanto os mistérios gozosos quanto os dolorosos ou gloriosos [vide quadro no final]; a MEDITAÇÃO de 15 minutos, também no mesmo dia, pode ser sobre um dos 15 mistérios, sobre alguns deles ou a respeito de todos — o que seria difícil, pois sobraria apenas um minuto para cada mistério. Quando se fala de “Mistérios do Rosário” é no sentido de acontecimentos revelados e narrados nas Sagradas Escrituras relacionados à vida de Jesus. Tudo deve ser feito com a explícita intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria, devido às ofensas que O atingem — desagravar os pecados cometidos, não apenas os próprios, mas também aqueles praticados por todo o gênero humano. Esta deve ser a principal motivação, e não apenas a de receber graças.

         Importante ressaltar: só se cumpre a promessa caso seja repetida por cinco meses consecutivos. Se, por esquecimento ou alguma outra razão, for interrompida, é necessário recomeçar do início, até completar os cinco meses. Esse santo costume não se limita a ser feito apenas uma vez na vida. Muito pelo contrário, quanto mais vezes o fizerem, melhor.

         A Irmã Lúcia disse que numa das aparições Jesus lamentou o fato de que muitos começam a cumprir a promessa, mas a interrompem. Em 15 de fevereiro de 1926, Lúcia ouviu a seguinte lamentação d’Ele:        

“É verdade, minha filha, que muitas almas começam os Primeiros Sábados, mas poucas os terminam, e aqueles que os completam o fazem para receber as graças prometidas. Agradar-me-ia mais se fizessem cinco com fervor e com a intenção de fazer reparações ao Coração de vossa Mãe celestial, do que se fizessem quinze de forma morna e indiferente.”

Para servir de lembrete aos leitores que desejarem mensalmente consultar sobre as condições necessárias para se cumprir a promessa dos Primeiros Sábados, vide quadro mais abaixo.

“É durante a noite que é belo acreditar na luz”

        


Por que o sábado é o dia especialmente dedicado à Santa Mãe de Deus? Seria uma pergunta a ser levantada, uma vez que Nossa Senhora escolheu o “primeiro sábado”, e não o domingo ou qualquer outro dia da semana.

         É uma tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, consagrar a Ela o sábado. Isto porque sua fé foi integral quando seu Divino Filho estava “morto e sepultado”. Todos duvidaram, até mesmo os Apóstolos, de que Ele ressuscitaria três dias após a Crucifixão (numa sexta-feira). Como profetizado, esse acontecimento impressionante e “impossível” ocorreria no Domingo de Páscoa.

Assim, o sábado foi o dia em que se exigiu a fé absoluta, pois pareceria o ‘dia do fracasso total’— o dia em que tudo havia terminado com a morte de Jesus. E Nossa Senhora teve essa fé suprema, a única pessoa no mundo que tinha a certeza da Ressurreição, a certeza na vitória de que tudo estava apenas começando; a única que nunca duvidara, sempre manteve a confiança de que, a partir da Ressurreição, começaria a expansão da Igreja pelo mundo inteiro.

No dia seguinte à Sexta-feira Santa, Maria Santíssima foi a única que sustentou a fé e a Igreja subsistiu n´Ela nas trevas do Sábado Santo. Donde ser o sábado o dia mariano por excelência e o mais simbólico da firmeza na fé que Ela manteve sem vacilar em nada. São Tomás de Aquino e outros teólogos defenderam a ideia de que Ela foi a única depositária da fé da Igreja, e de modo perfeito, naquele dia mais dramático da História.

Então, já na Idade Média, os mosteiros beneditinos introduziram o Ofício de Nossa Senhora aos sábados, e a Igreja incorporou oficialmente a tradição no calendário litúrgico para honrá-La especialmente como um prenúncio do domingo, uma vez que Ela precede o Divino Filho como a aurora precede e anuncia o Sol. Na escuridão do Sábado Santo, somente Ela foi a luz a brilhar; com uma confiança inigualável, durante a tenebrosa noite, Ela acreditava no renascimento da luz solar, do Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.

O que nos faz recordar de um verso do dramaturgo francês Edmond Rostand na peça teatral Le Chantecler (1910): “Eu cantei na escuridão; o meu cântico se ergueu nas sombras e foi o primeiro. É durante a noite que é belo acreditar na luz.”

As cinco razões

         Outra pergunta que muitos poderiam fazer: por que correspondem a cinco primeiros sábados e não mais nem menos?

O já citado sacerdote jesuíta, Pe. Gonçalvez, confessor da Irmã Lúcia, fez-lhe essa mesma pergunta. A vidente transmitiu-lhe a resposta de Jesus em 29 de maio de 1930. Segundo ela, cinco, porque são cinco os principais tipos de ofensas proferidas contra o Imaculado Coração de Maria: 1) Blasfêmias contra a Imaculada Conceição; 2) contra sua virgindade perpétua; 3) contra sua maternidade divina e espiritual, recusando-se ao mesmo tempo a reconhecê-La como Mãe dos homens; 4) o desprezo por Ela, e até mesmo o ódio, semeado nos corações das crianças; 5) as atrocidades cometidas contra suas imagens sagradas.

Frente a essas ofensas pecaminosas, não podemos ficar de braços cruzados. Além dos atos espirituais de reparação, devemos manifestar nossa indignação nos ambientes que frequentamos, e protestar publicamente, com nossa presença ou por escrito, tudo de acordo com as possibilidades de cada um.

No Céu, a solução para os problemas da Terra

         Hoje tanto se fala de guerras, como as que envolvem a Rússia e Ucrânia, assim como aquelas em países do Oriente Médio (sobretudo entre o Irã e Israel). Sem falar do papel dos Estados Unidos e da possibilidade de Guerra da China comunista contra Taiwan; da Índia contra o Paquistão; da Coreia do Norte contra o Sul etc. Sem falar também, mas apenas mencionando de passagem, da situação de muitos países europeus invadidos por movimentos islâmicos, muitos deles compostos por terroristas que recebem armas de governos muçulmanos.

Com tudo isso, muito se fala na necessidade de se obter a paz mundial. Para se obtê-la, as reuniões internacionais são intérminas; os acordos de paz são assinados, mas rasgados no dia seguinte; os chefes de governo e chefes militares, os diplomatas e políticos viajam o mundo buscando soluções, e nunca se resolve nada. Pelo contrário, a eclosão de uma Terceira Grande Guerra Mundial parece iminente, se é que já não começou. Não é tal guerra o estopim dos castigos previstos em Fátima?

         Entretanto, Nossa Senhora ofereceu os meios para se obter a verdadeira paz mundial — a paz de Cristo no Reino de Cristo — e salvar a humanidade pecadora. Para tal, é indispensável atender seus pedidos feitos em Fátima, um dos quais é a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados.

         Pratiquemos essa devoção e procuremos atender o pedido da Santíssima Virgem à Irmã Lúcia — como se tivesse sido feito a cada um de nós — para divulgá-la. Assim faremos algo mais pela conversão do mundo e pelo advento do Reino d´Aquela que Lúcia descreveu como A viu sobre a copa da azinheira: “Era uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios mais ardente do sol”.11



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NOTAS:

1. A Irmã Lúcia narrou que Nossa Senhora abriu as mãos, que expediam um reflexo que parecia penetrar a terra “e vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados — semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios — sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”.

2. Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, Artpress, São Paulo, 1997, 46ª ed., p. 46.

3. Nas declarações prestadas em fevereiro de 1946 ao Montfortino holandês Pe. Iongen, Lúcia confirmou ter ouvido Nossa Senhora pronunciar o nome de Pio XI, não sabendo, na ocasião, se se tratava de um Papa ou de um Rei. Para ela, não representa maior dificuldade o fato de se entender habitualmente que a guerra começou somente sob o pontificado de Pio XII. Observa ela que a anexação da Áustria — e, poderíamos acrescentar, vários outros acontecimentos políticos do fim do reinado de Pio XI — constituem autênticos prolegômenos da conflagração, a qual se configuraria inteiramente como tal algum tempo depois (cf. entrevista ao Pe. Iongen, em Pe. João M. de Marchi, IM.C. — Era uma Senhora mais brilhante que o sol..., Seminário das Missões de Na. Sa. da Fátima, Cova da Iria, 3ª ed.; p. 309.

4. Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições..., p. 47.

5. O livro pode ser adquirido no site da Livraria Petrus: http://www.livrariapetrus.com.br/

6. Ib. Apud As aparições..., p. 73-74.

7. Ib. p. 74.

8.Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, p. 248.

9. Pe. João M. de Marchi, I.M.C., Era uma Senhora mais brilhante que o sol. Editora Missões Consolata - Fátima (1966), p. 65-66.

10. Nosso Senhor alargou ainda mais este prazo, ao orientar a Irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, dizendo: “e muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria”.

11. Ib. Pe. De Marchi, p. 43.

Outras obras consultadas:

•Memórias da Irmã Lúcia, Editora Santuário de Fátima (2000).

•Documentação Crítica de Fátima, Seleção de documentos (1917-1930). Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) - Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Editora Santuário de Fátima (2013).

 

_________________ QUADRO — 1 _________________

 PARA COMUNGAR BEM

 

Quem comunga indignamente, em estado de pecado mortal, comete um pecado ainda pior. Seria um sacrilégio, transformaria um meio de salvação num meio de condenação

 

Nosso Senhor Jesus Cristo encontra-se verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade no Sacramento da Eucaristia. Não é uma grande graça poder visitá-Lo com frequência? Não é considerado uma grande honra visitar um rei? Imagine-se então quão grande é a honra poder visitar o Rei dos Reis, o Senhor do Céu e da Terra — sempre à nossa disposição nos sacrários, tanto das ricas e imponentes catedrais quanto das pobres e simples capelinhas!

Se fôssemos convidados a visitar um rei ou uma rainha, não nos prepararíamos primorosamente para tal visita e a faríamos com todo respeito?

Se assim é, com razão ainda maior devemos visitar o Santíssimo Sacramento e receber a Sagrada Comunhão com sumo respeito, numa atitude de adoração, estando em estado de graça (sem a mancha de qualquer pecado mortal). É sapiencial tradição da Igreja recebê-la de joelhos e sobre a língua; no caso das senhoras, cobertas com o véu na cabeça e convenientemente vestidas.

Não estando em estado de graça, deve-se primeiro purificar a alma, arrependendo-se e confessando-se antes de receber a Comunhão. Como adverte São Paulo Apóstolo: “Todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor” (I Cor. 11, 27-29).

Consonante com esta advertência, o Concílio de Trento reafirmou: “Ninguém cônscio de pecado mortal, por mais contrito que se julgue, se aproxime da Sagrada Eucaristia sem ter recebido antes o Sacramento da penitência”.

Ou seja, antes de se aproximar da Comunhão, aproximar-se do Confessionário e buscara absolvição de um sacerdote, confessando seus pecados, sobretudo os mortais, desde a última confissão.

O que precisa ser feito com um coração contrito e humilhado, arrependido sinceramente de seus pecados e com o firme propósito de nunca mais pecar. Assim, estando em estado de graça, poderá ter a imensa alegria de poder comungar.

 

_________________ QUADRO — 2 _________________

Os 15 mistérios do Santo Rosário

Mistérios Gozosos

1 — No primeiro mistério contemplamos a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo.

2 — No segundo mistério contemplamos a Visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel.

3 — No terceiro mistério contemplamos o Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo em Belém.

4 — No quarto mistério contemplamos a Apresentação do Menino Jesus no Templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5 — No quinto mistério contemplamos a perda e o encontro do Menino Jesus.

 

Mistérios Dolorosos

1 — No primeiro mistério contemplamos a Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.

2 — No segundo mistério contemplamos a Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

3 — No terceiro mistério contemplamos a Coroação de espinhos de Nosso Senhor.

4 — No quarto mistério contemplamos Nosso Senhor carregando penosamente a Cruz até o alto do Calvário.

5 — No quinto mistério contemplamos a Crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Mistérios Gloriosos

1 — No primeiro mistério contemplamos a Ressurreição de Jesus Cristo.

2 — No segundo mistério contemplamos a Ascensão de Jesus aos Céus.

3 — No terceiro mistério contemplamos a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos no Cenáculo.

4 — No quarto mistério contemplamos a Assunção de Nossa Senhora aos Céus.

5 — No quinto mistério contemplamos a gloriosa coroação de Maria Santíssima como Rainha do Céu e da Terra.

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Nota: Após enunciar cada um dos Mistérios: Pai-Nosso, 10 Ave-Marias,Glória, Ó meu Jesus...

Para quem reza apenas um Terço por dia, meditam-se os:

·         Mistérios gozosos às segundas e quintas-feiras;

·         Mistérios dolorosos às terças e sextas-feiras;

·         Mistérios gloriosos às quartas-feiras, sábados e domingos.

 

_________________ QUADRO — 3 _________________

SÍNTESE

Para ressaltar e sintetizar as condições necessárias para se cumprir a promessa e alcançar as graças prometidas por Nossa Senhora em Fátima, ei-las: 

Durante cinco primeiros sábados consecutivos:

1.       1.Confessar-se (no dia ou até oito dias antes ou depois);

2.       2.Receber a sagrada comunhão no primeiro sábado;

3.       3.Rezar um Terço no mesmo dia (a terça parte do Rosário);

4.       4.Meditar durante 15 minutos em alguns mistérios do Rosário (também no mesmo dia);

5.       5.Praticar todos esses atos de piedade com a intenção de reparar as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria.

 

A fim de não se esquecer, o leitor que desejar fazer um quadro para anotar as datas, poderia usar algo assim:



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