A grande promessa fatimista vinculada à Comunhão em reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Imaculado Coração de Maria
✅ Paulo
Roberto Campos
Da grandiosa e bela perspectiva de Fátima, com as
promessas proferidas por Nossa Senhora — carregadas de muitas esperanças, mas
também de sérias advertências à humanidade pecadora —, esta revista tem- se
ocupado com certa frequência. Tratando, por exemplo, do castigo previsto, da
consagração e conversão do mundo, e do Reino de Maria preanunciado por Ela.
Mas para a edição deste mês, e em memória da sua
primeira aparição aos três pastorinhos em 13 de maio de 1917, pediram-nos para
expor outro ponto também central nas revelações de Fátima: A prática da Comunhão Reparadora dos cinco primeiros
sábados seguidos.
100 anos se passaram da maternal recomendação dessa
prática. Entretanto, ainda hoje, ela é pouco conhecida. Grande parte dessa
ignorância é de responsabilidade do clero progressista, vinculado à teologia da libertação, que não prega a
respeito, fazendo ouvidos moucos aos pedidos implorados em Fátima pela
Santíssima Virgem. Quantos já ouviram algum sermão tratando dessa tão
importante prática? É de se contar nos dedos...
No que consiste essa devoção? Quais as condições para
cumpri-la? Que graças recebem os devotos? Trata-se de um pedido expresso da
Santa Mãe de Deus?
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| Jacinta, Lúcia e Francisco, em 13 de outubro de 1917 |
Pedidos
não inteiramente atendidos
Na terceira aparição de Nossa Senhora aos pequenos
pastores — Lúcia (então com 10 anos) e seus primos Francisco (9 anos) e Jacinta
(7 anos) —, em 13 de julho de 1917 na Cova da Iria (aldeia portuguesa de
Aljustrel, na região de Fátima), após proporcionar-lhes uma terrificante visão
da Geena de tormentos eternos1,
Ela disse: “Vistes o inferno, para onde
vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.”2
Na mesma aparição, Ela afirmou que a guerra (o
primeiro conflito mundial, de 1914 a 1918) iria acabar, mas “se não deixarem de ofender a Deus, no
reinado de Pio XI começará outra pior”.3
E ainda profetizou que Deus “vai punir o
mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e
ao Santo Padre”.
Em seguida, Nossa Senhora sublinhou:
“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.4”

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, junto a Lúcia postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia,
em Pontevedra, Espanha.
Perseguições
aos bons católicos
O primeiro pedido da Santa Mãe de Deus
(a consagração da Rússia, que deveria ter sido feita de modo solene e em união
com todos os bispos do mundo) não foi adequadamente atendido — nem quanto às
condições, nem quanto ao prazo. Como já se tratou desta questão em edições
anteriores, aqui apenas recomendamos o best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã
Lúcia — publicado em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — de
autoria do célebre fatimólogo Antonio Augusto Borelli Machado (link abaixo).5
E, por isso, a Rússia ainda não se converteu e
continua espalhando os erros da doutrina comunista pelos quatro cantos da
Terra. Em poucas palavras, os erros que mais saltam aos olhos são o
materialismo e o ateísmo; o igualitarismo e a revolta nas relações sociais; as
blasfêmias, profanações e sacrilégios; o desprezo e/ou ultraje ao catolicismo;
a imoralidade, a prática do aborto e da eutanásia, do divórcio, até mesmo a
abolição do sacramento do matrimônio e relações antinaturais. A impiedade
avassaladora grassa por toda parte.
Impõe-se aqui uma palavra sobre o seguinte
prognóstico de Nossa Senhora: “Os bons
serão martirizados.” A respeito, basta ler o noticiário para perceber o
quanto os bons são perseguidos, por exemplo, se eles desejam levar uma vida de
acordo com a moral católica ou manifestem desacordo com as leis imorais. Isto a
tal ponto que, em certos países, leis revolucionárias e sumamente iníquas, tacham
de crime quem defende algumas verdades católicas, o que pode levar o defensor à
prisão.
Também no noticiário percebemos o martírio de
católicos em países islâmicos, o que aumenta ainda mais com as atuais guerras
no Oriente Médio; sem falar do que já temos aqui tratado no tocante às
“perseguições à Igreja” e ao seu “processo
de autodemolição”, que tanto penaliza os bons católicos devido à “fumaça de Satanás que entrou no templo de
Deus”, como afirmou Paulo VI em 1972.
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| Representação da aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus a Lúcia, em Pontevedra, Espanha. |
Transcorreu-se
um século do pedido de reparação
Quanto ao segundo pedido (comunhão
reparadora nos primeiros sábados), quem ousaria garantir que essa santa prática
é uma devoção generalizada pelo mundo inteiro? E quem garantiria que grande
parte dos católicos já a cumpriram? Tudo leva a crer que ambas as respostas
seriam negativas...
É a respeito desse segundo pedido que
passaremos a expor mais pormenorizadamente. Antes, porém, é bom que se diga que
essa devoção de extrema importância foi aprovada oficialmente em 13 de setembro
de 1939, por Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, de 1920
até sua morte em 1957.
Além do pedido feito em 1917 por Nossa Senhora em
Fátima, como acima referido, essa magnífica devoção cordimariana está
documentada sobretudo nos escritos da própria Irmã Lúcia, especialmente nas
suas memórias e em cartas, nas quais nos baseamos.
Maria Santíssima voltou a insistir nessa devoção
oito anos após as aparições na Cova da Iria. No dia 10 de dezembro de 1925 (portanto,
há 100 anos), Ela apareceu à Irmã Lúcia — então com 18 anos de idade e única
sobrevivente dos confidentes de Fátima —, enquanto religiosa postulante no
convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha.
Hoje esse convento é conhecido como Santuário
das Aparições.
Quando a Irmã Lúcia estava em sua cela no convento,
deu-se a aparição. Em seus braços, Nossa Senhora portava o Menino Jesus envolto
numa nuvem luminosa, que dirigindo-se a Lúcia e “pondo-lhe uma das mãos ao ombro, mostrou-lhe um Coração rodeado de
espinhos, que tinha na outra mão. O
Menino Jesus, apontando para ele, exortou a vidente com as seguintes palavras: ‘Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe,
que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe
cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.”
Em seguida, a Santíssima Virgem tomou a palavra, acrescentando:
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Ayres da Fonseca, pp. 350-351; Thomas Walsh, p. 196; Pe. de Marchi, ed. em inglês, pp. 152-153; Pe. Antonio de Almeida Fazenda S.J., pp. X-XI).6
Aplainando
certas dificuldades
No ano seguinte, nova e maternal
insistência nessa devoção de capital importância. No dia 15 de fevereiro de
1926, o Menino Jesus volta a aparecer à Irmã Lúcia, no mesmo convento das Irmãs
Doroteias. Quando estava no jardim, fazendo um trabalho de limpeza, ela viu uma
criança, com a qual conversou. Esta, repentinamente, ficou resplandecente e
perguntou “Você revelou ao mundo o que a
Mãe Celestial lhe pediu?”.
Neste momento, Lúcia reconheceu que era o Menino Jesus, que a repreendia por não fazer mais a fim de divulgar a devoção dos Primeiros Sábados.
“A vidente dá conta de dificuldades apresentadas pelo confessor, e explica que a Superiora estava pronta a propagá-la, mas que aquele Sacerdote havia dito que sozinha a Madre nada podia. Jesus respondeu: — ‘É verdade que a tua Superiora só nada pode, mas com a minha graça pode tudo’. A Irmã Lúcia expôs a dificuldade de algumas pessoas de se confessarem no sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu: — ‘Sim, pode ser de muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria’. A Irmã Lúcia ainda levantou a hipótese de alguém se esquecer de formar a intenção ao confessar-se, ao que Nosso Senhor respondeu: — ‘Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar’”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Fazenda, pp. XI XII; Ayres da Fonseca, p. 351; De Marchi, ed. em inglês, p. 153).7
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Providencial
insistência no pedido
Estando a Irmã Lúcia em Tuy (cidade espanhola
na fronteira com Portugal), em outro convento das Irmãs Doroteias, em 1929, a
Santíssima Virgem favoreceu-lhe com outra aparição persistindo na difusão da
devoção das Comunhões Reparadoras dos
pecados que se cometem contra Ela, como pedido em Pontevedra: “Tantas são as almas que a justiça de Deus
condena pelos pecados cometidos contra mim, que venho pedir reparação.
Sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.”
Com nossos sacrifícios e orações,
podemos repará-La e podemos ajudar na salvação de muitas outras almas
pecadoras. É o que a Igreja ensina e que consta no 9º artigo do Credo “Creio na comunhão dos santos”, não
apenas no sentido daqueles santos que foram canonizados, mas de todos os fiéis
unidos a Nosso Senhor. Entre todos nós — como fazendo parte de uma ‘congregação’
de todos os batizados — há uma como que ‘circulação’ de bens espirituais que pelos
méritos d´Ele, as orações de uns podem favorecer outros de nossos irmãos na Fé.
Donde o referido pedido de reparação: comungando e rezando reparamos os pecados
cometidos por outros que ultrajam Nossa Senhora. Assim nos beneficiamos todos
mutuamente.
A
guerra poderia ter sido evitada
De tal modo Nosso Senhor Jesus Cristo
deseja que se difunda essa devoção em desagravo à Sua Mãe Santíssima, que
facilitou ainda mais os meios para cumpri-la. Na vigília de 29 para 30 de maio
de 1930, Ele, falando interiormente à Irmã Lúcia, resolveu ainda outra
dificuldade: “Será igualmente aceita a
prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus
Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas” (Cf. Memórias
e Cartas da Irmã Lúcia, Composição e impressão de Simão Guimarães, Filhos,
Ltda. — Depositária: L. E. — Porto, 1973, p. 410).
Em carta, naquele mesmo dia, ao seu confessor, então o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., a Irmã Lúcia relata que Nosso Senhor, tendo-lhe feito sentir no fundo do coração a sua Divina Presença, instou-lhe a pedir ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos Primeiros Sábados. São palavras da vidente:
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 404).
“Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora”
Em outra carta ao mesmo confessor, a Irmã Lúcia
reafirmou “A confissão pode ser feita
dentro de oito dias, com tal que se esteja em graça no primeiro sábado, e se
tenha a intenção de reparar.”
Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra
Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser
evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados. Numa delas, datada de 19 de março de 1939, ela
escreveu: “Guerra ou paz no mundo depende
da prática dessa devoção, juntamente com a consagração ao Imaculado Coração de
Maria.”
A
certeza da graça da boa morte
Já em 1940, a Irmã Lúcia, em sua primeira carta
dirigida ao Papa Pio XII, escrevera: “Pediu
[Nossa Senhora] que se propagasse no mundo a Comunhão Reparadora nos primeiros
Sábados de cinco meses seguidos, fazendo com o mesmo fim uma confissão, um
quarto de hora de meditação sobre os mistérios do Rosário e rezando um terço
com o fim de reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidos contra o
seu Imaculado Coração. Às pessoas que praticarem esta devoção, promete a Nossa
boa Mãe do Céu, assistir na hora da morte com todas as graças necessárias para
se salvarem”.8
É interessante notar que ninguém, nem
mesmo as almas mais santas, tem a certeza de que irão para o Céu; entretanto,
cumprindo-se perfeitamente os mencionados atos de piedade, como pedido por
Nossa Senhora, a pessoa pode ter a certeza da assistência espiritual para uma
boa morte. Isto se deve ao enorme poder de intercessão d’Elajunto a Deus, como Medianeira Universal de todas as graças.
Fátima
e devoção ao Imaculado Coração de Maria
Como vimos até aqui, são uma constante
as referências e vinculações entre a prática das Comunhões Reparadoras com a devoção de desagravo ao Imaculado
Coração de Maria. Fátima e essa sublime devoção são inseparáveis.
Não desenvolveremos aqui este binômio inseparável,
pois em artigos já publicados, sobretudo de Plinio Corrêa de Oliveira, a
temática já foi largamente exposta. Entretanto, apenas para rememorar, eis
alguns pontos defendidos em tais artigos: evidenciam que as revelações de
Fátima não podem ser compreendidas senão à luz da devoção ao Imaculado Coração
de Maria. Tentar separar esses temas tão intimamente ligados seria desfigurar o
plano de Deus relacionado a Fátima e mutilar seu plano quanto à salvação do
mundo, pois ambos os temas se completam e se explicam reciprocamente. Fátima
conduz ao Imaculado Coração, e o Imaculado Coração explica Fátima.
Confirmando esta tese,
que nos é muito cara, eis um só exemplo:
Na segunda aparição de Nossa Senhora,
em 13 de junho de 1917, depois de algum diálogo com as três crianças, às quais
confiou alguns segredos, Ela ouviu um pedido expresso por Lúcia:
— “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.
— “Sim — responde a Virgem Santíssima — à
Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo.
Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A
quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como
flores postas por mim a adornar o seu trono”.
— “Fico cá sozinha?” — perguntou, um
pouco assustada.
—
“Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.
Após estas últimas
palavras, nessa terceira aparição, Lúcia narrou o que viu:
“A
Virgem abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo da luz imensa
que nos envolvia. Nela nos vimos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o
Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na
que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa
Senhora estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam.
Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que queria reparação”.9
Síntese
dos pontos essenciais
Resumindo, convém acentuar que a todos
aqueles que praticarem essa devoção das Comunhões
Reparadoras, Nossa Senhora garante a graça da perseverança final, ou seja,
uma boa morte e a salvação eterna. É bom recordar que a CONFISSÃO pode ser feita no mesmo dia ou até oito dias antes ou
depois10; a COMUNHÃO deve ser feita no próprio
primeiro sábado e em estado de graça [vide quadro abaixo]; o TERÇO deve ser rezado no mesmo dia
(podem ser tanto os mistérios gozosos quanto os dolorosos ou gloriosos [vide
quadro no final]; a MEDITAÇÃO de 15
minutos, também no mesmo dia, pode ser sobre um dos 15 mistérios, sobre alguns
deles ou a respeito de todos — o que seria difícil, pois sobraria apenas um
minuto para cada mistério. Quando se fala de “Mistérios do Rosário” é no
sentido de acontecimentos revelados e narrados nas Sagradas Escrituras
relacionados à vida de Jesus. Tudo deve ser feito com a explícita intenção de
desagravar o Imaculado Coração de Maria, devido às ofensas que O atingem —
desagravar os pecados cometidos, não apenas os próprios, mas também aqueles
praticados por todo o gênero humano. Esta deve ser a principal motivação, e não
apenas a de receber graças.
Importante ressaltar: só se cumpre a
promessa caso seja repetida por cinco meses consecutivos. Se, por esquecimento
ou alguma outra razão, for interrompida, é necessário recomeçar do início, até
completar os cinco meses. Esse santo costume não se limita a ser feito apenas
uma vez na vida. Muito pelo contrário, quanto mais vezes o fizerem, melhor.
A Irmã Lúcia disse que numa das aparições Jesus lamentou o fato de que muitos começam a cumprir a promessa, mas a interrompem. Em 15 de fevereiro de 1926, Lúcia ouviu a seguinte lamentação d’Ele:
“É verdade, minha filha, que muitas almas começam os Primeiros Sábados, mas poucas os terminam, e aqueles que os completam o fazem para receber as graças prometidas. Agradar-me-ia mais se fizessem cinco com fervor e com a intenção de fazer reparações ao Coração de vossa Mãe celestial, do que se fizessem quinze de forma morna e indiferente.”
Para servir de lembrete
aos leitores que desejarem mensalmente consultar sobre as condições necessárias
para se cumprir a promessa dos Primeiros
Sábados, vide quadro mais abaixo.
“É
durante a noite que é belo acreditar na luz”
Por que o sábado é o dia especialmente dedicado à Santa Mãe de Deus? Seria uma pergunta a ser levantada, uma vez que Nossa Senhora escolheu o “primeiro sábado”, e não o domingo ou qualquer outro dia da semana.
É uma tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, consagrar a Ela o sábado. Isto porque sua fé foi integral quando seu Divino Filho estava “morto e sepultado”. Todos duvidaram, até mesmo os Apóstolos, de que Ele ressuscitaria três dias após a Crucifixão (numa sexta-feira). Como profetizado, esse acontecimento impressionante e “impossível” ocorreria no Domingo de Páscoa.
Assim, o sábado foi o dia em que se exigiu a fé
absoluta, pois pareceria o ‘dia do fracasso total’— o dia em que tudo havia
terminado com a morte de Jesus. E Nossa Senhora teve essa fé suprema, a única
pessoa no mundo que tinha a certeza da Ressurreição, a certeza na vitória de
que tudo estava apenas começando; a única que nunca duvidara, sempre manteve a
confiança de que, a partir da Ressurreição, começaria a expansão da Igreja pelo
mundo inteiro.
No dia seguinte à Sexta-feira Santa, Maria
Santíssima foi a única que sustentou a fé e a Igreja subsistiu n´Ela nas trevas
do Sábado Santo. Donde ser o sábado o dia mariano por excelência e o mais
simbólico da firmeza na fé que Ela manteve sem vacilar em nada. São Tomás de
Aquino e outros teólogos defenderam a ideia de que Ela foi a única depositária
da fé da Igreja, e de modo perfeito, naquele dia mais dramático da História.
Então, já na Idade Média, os mosteiros beneditinos
introduziram o Ofício de Nossa Senhora
aos sábados, e a Igreja incorporou oficialmente a tradição no calendário
litúrgico para honrá-La especialmente como um prenúncio do domingo, uma vez que
Ela precede o Divino Filho como a aurora precede e anuncia o Sol. Na escuridão
do Sábado Santo, somente Ela foi a luz a brilhar; com uma confiança
inigualável, durante a tenebrosa noite, Ela acreditava no renascimento da luz
solar, do Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.
O que nos faz recordar de um verso do dramaturgo
francês Edmond Rostand na peça teatral Le
Chantecler (1910): “Eu cantei na
escuridão; o meu cântico se ergueu nas sombras e foi o primeiro. É durante a
noite que é belo acreditar na luz.”
As
cinco razões
Outra pergunta que muitos poderiam
fazer: por que correspondem a cinco primeiros sábados e não mais nem menos?
O já citado sacerdote jesuíta, Pe. Gonçalvez,
confessor da Irmã Lúcia, fez-lhe essa mesma pergunta. A vidente transmitiu-lhe
a resposta de Jesus em 29 de maio de 1930. Segundo ela, cinco, porque são cinco
os principais tipos de ofensas proferidas contra o Imaculado Coração de Maria: 1) Blasfêmias contra a Imaculada
Conceição; 2) contra sua virgindade
perpétua; 3) contra sua maternidade
divina e espiritual, recusando-se ao mesmo tempo a reconhecê-La como Mãe dos
homens; 4) o desprezo por Ela, e até
mesmo o ódio, semeado nos corações das crianças; 5) as atrocidades cometidas contra suas imagens sagradas.
Frente a essas ofensas pecaminosas, não podemos
ficar de braços cruzados. Além dos atos espirituais de reparação, devemos
manifestar nossa indignação nos ambientes que frequentamos, e protestar
publicamente, com nossa presença ou por escrito, tudo de acordo com as
possibilidades de cada um.
No
Céu, a solução para os problemas da Terra
Hoje tanto se fala de guerras, como as que envolvem a Rússia e Ucrânia, assim como aquelas em países do Oriente Médio (sobretudo entre o Irã e Israel). Sem falar do papel dos Estados Unidos e da possibilidade de Guerra da China comunista contra Taiwan; da Índia contra o Paquistão; da Coreia do Norte contra o Sul etc. Sem falar também, mas apenas mencionando de passagem, da situação de muitos países europeus invadidos por movimentos islâmicos, muitos deles compostos por terroristas que recebem armas de governos muçulmanos.
Com tudo isso, muito se fala na necessidade de se
obter a paz mundial. Para se obtê-la, as reuniões internacionais são intérminas;
os acordos de paz são assinados, mas rasgados no dia seguinte; os chefes de
governo e chefes militares, os diplomatas e políticos viajam o mundo buscando
soluções, e nunca se resolve nada. Pelo contrário, a eclosão de uma Terceira
Grande Guerra Mundial parece iminente, se é que já não começou. Não é tal
guerra o estopim dos castigos previstos em Fátima?
Entretanto, Nossa Senhora ofereceu os
meios para se obter a verdadeira paz mundial — a paz de Cristo no Reino de
Cristo — e salvar a humanidade pecadora. Para tal, é indispensável atender seus
pedidos feitos em Fátima, um dos quais é a comunhão reparadora dos cinco
primeiros sábados.
Pratiquemos essa devoção e procuremos
atender o pedido da Santíssima Virgem à Irmã Lúcia — como se tivesse sido feito
a cada um de nós — para divulgá-la. Assim faremos algo mais pela conversão do
mundo e pelo advento do Reino d´Aquela que Lúcia descreveu como A viu sobre a
copa da azinheira: “Era uma Senhora,
vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e
intensa que um copo de cristal cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios
mais ardente do sol”.11
____________
NOTAS:
1. A Irmã Lúcia narrou que Nossa Senhora abriu as mãos, que
expediam um reflexo que parecia penetrar a terra “e vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os
demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas,
com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas
mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados —
semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios — sem peso nem
equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam
estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e
asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros
carvões em brasa”.
2. Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã
Lúcia, Artpress, São Paulo, 1997, 46ª ed., p. 46.
3. Nas declarações prestadas em fevereiro de 1946 ao
Montfortino holandês Pe. Iongen, Lúcia confirmou ter ouvido Nossa Senhora
pronunciar o nome de Pio XI, não sabendo, na ocasião, se se tratava de um Papa
ou de um Rei. Para ela, não representa maior dificuldade o fato de se entender
habitualmente que a guerra começou somente sob o pontificado de Pio XII.
Observa ela que a anexação da Áustria — e, poderíamos acrescentar, vários
outros acontecimentos políticos do fim do reinado de Pio XI — constituem autênticos
prolegômenos da conflagração, a qual se configuraria inteiramente como tal
algum tempo depois (cf. entrevista ao Pe. Iongen, em Pe. João M. de Marchi, IM.C.
— Era uma Senhora mais brilhante que o
sol..., Seminário das Missões de Na. Sa. da Fátima, Cova da Iria, 3ª ed.;
p. 309.
4. Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições..., p. 47.
5. O livro pode ser adquirido no site
da Livraria Petrus: http://www.livrariapetrus.com.br/
6. Ib. Apud As aparições..., p. 73-74.
7. Ib. p. 74.
8.Um
caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do
Coração Imaculado, Carmelo de Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, p. 248.
9. Pe. João M. de Marchi, I.M.C., Era uma Senhora mais brilhante que o sol.
Editora Missões Consolata - Fátima (1966), p. 65-66.
10. Nosso Senhor alargou ainda mais
este prazo, ao orientar a Irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, dizendo: “e muitos mais dias ainda, contanto que,
quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o
Imaculado Coração de Maria”.
11. Ib. Pe. De Marchi, p. 43.
Outras obras consultadas:
•Memórias da Irmã Lúcia, Editora
Santuário de Fátima (2000).
•Documentação Crítica de Fátima,
Seleção de documentos (1917-1930). Centro de Estudos de História Religiosa
(CEHR) - Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Editora
Santuário de Fátima (2013).
_________________ QUADRO — 1 _________________
Quem comunga indignamente, em estado de pecado
mortal, comete um pecado ainda pior. Seria um sacrilégio, transformaria um meio
de salvação num meio de condenação
Nosso Senhor Jesus Cristo
encontra-se verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade no
Sacramento da Eucaristia. Não é uma grande graça poder visitá-Lo com
frequência? Não é considerado uma grande honra visitar um rei? Imagine-se então
quão grande é a honra poder visitar o Rei dos Reis, o Senhor do Céu e da Terra
— sempre à nossa disposição nos sacrários, tanto das ricas e imponentes
catedrais quanto das pobres e simples capelinhas!
Se fôssemos convidados a visitar
um rei ou uma rainha, não nos prepararíamos primorosamente para tal visita e a
faríamos com todo respeito?
Se assim é, com razão ainda maior devemos visitar
o Santíssimo Sacramento e receber a Sagrada Comunhão com sumo respeito, numa
atitude de adoração, estando em estado de graça (sem a mancha de qualquer
pecado mortal). É sapiencial tradição da Igreja recebê-la de joelhos e sobre a
língua; no caso das senhoras, cobertas com o véu na cabeça e convenientemente
vestidas.
Não estando em estado de graça, deve-se primeiro
purificar a alma, arrependendo-se e confessando-se antes de receber a Comunhão.
Como adverte São Paulo Apóstolo: “Todo aquele que comer este pão ou beber o
cálice do Senhor indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste
cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a
condenação, não distinguindo o corpo do Senhor” (I Cor. 11, 27-29).
Consonante com esta advertência, o Concílio de
Trento reafirmou: “Ninguém cônscio de pecado mortal, por mais contrito que
se julgue, se aproxime da Sagrada Eucaristia sem ter recebido antes o
Sacramento da penitência”.
Ou seja, antes de se aproximar da Comunhão,
aproximar-se do Confessionário e buscara absolvição de um sacerdote,
confessando seus pecados, sobretudo os mortais, desde a última confissão.
O que precisa ser feito com um coração contrito e
humilhado, arrependido sinceramente de seus pecados e com o firme propósito de
nunca mais pecar. Assim, estando em estado de graça, poderá ter a imensa
alegria de poder comungar.
_________________ QUADRO — 2 _________________
Os 15
mistérios do Santo Rosário
Mistérios Gozosos
1 — No primeiro mistério contemplamos a Anunciação do Anjo e a
Encarnação do Verbo.
2 — No segundo mistério contemplamos a Visitação de Nossa Senhora a
sua prima Santa Isabel.
3 — No terceiro mistério contemplamos o Nascimento de Nosso Senhor
Jesus Cristo em Belém.
4 — No quarto mistério contemplamos a Apresentação do Menino Jesus
no Templo e a Purificação de Nossa Senhora.
5 — No quinto mistério contemplamos a perda e o encontro do Menino
Jesus.
Mistérios Dolorosos
1 — No primeiro mistério contemplamos a Agonia de Jesus no Horto
das Oliveiras.
2 — No segundo mistério contemplamos a Flagelação de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
3 — No terceiro mistério contemplamos a Coroação de espinhos de
Nosso Senhor.
4 — No quarto mistério contemplamos Nosso Senhor carregando
penosamente a Cruz até o alto do Calvário.
5 — No quinto mistério contemplamos a Crucifixão e morte de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
Mistérios Gloriosos
1 — No
primeiro mistério contemplamos a Ressurreição de Jesus Cristo.
2 — No
segundo mistério contemplamos a Ascensão de Jesus aos Céus.
3 — No
terceiro mistério contemplamos a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora
e os Apóstolos no Cenáculo.
4 — No
quarto mistério contemplamos a Assunção de Nossa Senhora aos Céus.
5 — No
quinto mistério contemplamos a gloriosa coroação de Maria Santíssima como
Rainha do Céu e da Terra.
_________
Nota: Após enunciar cada um dos Mistérios: Pai-Nosso, 10 Ave-Marias,Glória,
Ó meu Jesus...
Para quem reza apenas um Terço por dia,
meditam-se os:
·
Mistérios gozosos às
segundas e quintas-feiras;
·
Mistérios dolorosos
às terças e sextas-feiras;
·
Mistérios gloriosos
às quartas-feiras, sábados e domingos.
_________________ QUADRO — 3 _________________
SÍNTESE
Para ressaltar e sintetizar as condições necessárias para se cumprir a promessa e alcançar as graças prometidas por Nossa Senhora em Fátima, ei-las:
Durante cinco primeiros sábados consecutivos:
1.
1.Confessar-se
(no dia ou até oito dias antes ou depois);
2.
2.Receber
a sagrada comunhão no primeiro sábado;
3.
3.Rezar
um Terço no mesmo dia (a terça parte do Rosário);
4.
4.Meditar
durante 15 minutos em alguns mistérios do Rosário (também no mesmo dia);
5.
5.Praticar
todos esses atos de piedade com a intenção de reparar as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria.
A fim de não se esquecer, o leitor que desejar fazer um quadro para
anotar as datas, poderia usar algo assim:








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