2 de maio de 2026

Ambiente familiar na velha Europa

 


  Plinio Corrêa de Oliveira

Quando eu tinha uns 14 anos, lia livros franceses de contos. Num deles, lembro-me da narração de um domingo numa propriedade agrícola europeia, anterior à Primeira Guerra Mundial. 

A cena se passava num pequeno castelo de um barão viúvo com vários filhos — crianças, moços e moças. Todos sentados, muito saudáveis, conversando alegremente durante um almoço servido por lacaios, numa sala de jantar com uma mesa grande. 

As comedorias representavam um papel importante, sobretudo as deliciosas carnes assadas, em baixela de prata; sem grande luxo, mas comidas opulentas. O barão sentado à cabeceira da mesa, gorducho, com um apetite devastador. 

À medida que os pratos entravam, a criançada fazia festa. Os lacaios serviam contentes, o barão se divertia em ver tudo isso, e todos se divertiam em ver o divertimento dele. Era uma circulação geral de alegria, mas alegria muito casta, o problema da pureza nem entrava em cena. 

O que entrava em cena era o que minha mãe dizia: “viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”. Era o ‘banquete espiritual’ de todos se quererem bem, terem a mesma mentalidade, sentirem todas as coisas do mesmo modo. 

O ambiente interno era iluminado por discretos abajures, e externamente uma chuvinha fina insuportável — o que tornava ainda mais agradável estar dentro de casa. 

Ainda adolescente, eu ia pensando nisso e achando que assim valia a pena viver. Daí eu ter tirado uma consequência que não se realizou: quando eu ficar maduro, vou morar na Europa.
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Excertos de comentários feitos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 25 de julho de 1993. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.