7 de outubro de 2008

“Sarah Palin pôs no centro do debate americano a religião, a tradição e a família”



O “fenômeno Sarah Palin”



“Sarah pôs no centro do debate americano a religião, a tradição e a família”.



Apesar da assombrosa crise financeira que se abateu sobre os Estados Unidos — repercutindo no mundo inteiro e que estourou num momento muito propício, e suspeito, para favorecer o candidato esquerdista Barack Obama —, a “América profunda” encontra-se sadiamente interessada em problemas de ordem moral e religiosa.

  • Paulo Roberto Campos

A inusitada escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice de John McCain, com a conseqüente reversão das intenções de votos nas pesquisas, revela a força da opinião pública americana, que deseja uma sociedade baseada nos princípios morais e religiosos. Uma clara manifestação do poder da “América profunda”.




O candidato republicano à presidência dos EUA preferiu para sua chapa uma senhora bem conservadora, mãe de cinco filhos, que recusou abortar o último deles que nasceria com a síndrome de Down. Seu filho mais velho, Track, 19 anos, entrou para o exército em setembro de 2007 e foi recentemente mandado para combater no Iraque.

Palin, 44 anos e casada há 20, opõe-se ao aborto em todos os casos; é contra o “casamento” homossexual; grande defensora de políticas pró-família; a favor da abstinência sexual antes do matrimônio; defende o ensino do criacionismo nas escolas; é favorável à pena de morte e contra o desarmamento da população. Ela é membro da NRA (Associação Nacional do Rifle), entidade que defende o direito ao porte de armas nos EUA. Enfim, ela gosta também de caçadas e de hambúrguer de carne de alce — hábitos abomináveis para os ecologistas...


Resume acertadamente a posição da candidata republicana o diário madrileno “El País”: “Sarah pôs no centro do debate americano a religião, a tradição e a família”. Resultado: por ocasião da indicação da atual governadora do Alasca para vice na chapa republicana, as pesquisas de intenções de voto se inverteram.


O esquerdista Barack Obama, que levava vantagem desde que se lançara como candidato à Casa Branca, foi superado pelo conservador John McCain. Eis aí o que os comentaristas estão classificando de “fenômeno Palin” — o “efeito” que reverteu a vantagem democrata. Segundo diversos institutos, pesquisas realizadas após o anúncio de Sarah Palin mostraram o candidato republicano à frente do democrata. Por exemplo, o Gallup apontava McCain com cinco pontos acima de Obama.

* * *

Com tal reviravolta, até os democratas mais esquerdistas foram obrigados a mudar o foco de sua campanha eleitoral. Em vez de insistirem em questões econômicas, guerra do Iraque e racismo, passaram também a abordar valores da instituição familiar. Eles “caíram na real”. Antes diziam: “O problema maior dos EUA é econômico”. Agora confessam que, apesar da crise financeira, o problema central não é econômico.


Nesse sentido, dois articulistas do “Financial Times”, Andrew Ward e Edward Luce, escreveram: “O benefício trazido por Palin é sua capacidade de ajudar os republicanos a fazer com que a eleição gire em torno de cultura e de valores, e não da economia”.


Confirmando isso, um colunista do “Washington Post”, Tom Shales, concluiu: “Se os republicanos vencerem as eleições em novembro, poderá ser dito que eles a venceram na noite de quarta-feira — a noite em que a brilhante e estranha escolha de John McCain para sua companheira de chapa mudou de alvo”.


* * *

Fica a pergunta: E no Brasil? Se aqui os candidatos defendessem propostas tão conservadoras quanto as de Sarah Palin, não seriam eles os escolhidos pelo eleitorado brasileiro? Certamente. Ao menos a julgar por recentes pesquisas de opinião em nosso País, por exemplo a do Datafolha (vide Catolicismo, edição de setembro/2008, “Juventude conservadora”). Entretanto, nossos candidatos preferem repetir mesmices, temas secundários e apresentar soluções demagógicas ou esquerdistas. Adotando a penúltima moda, estão perdendo o “bonde da História”...

A família de Sarah Palin

4 comentários:

J. Sepúlveda disse...

Parabéns pelo comentário, sobretudo no que diz respeito à realidade brasileira.
Há um divórcio essencial entre o mundo político e publicitário e o sentimento profundo da opinião pública.
É misterioso perceber que nenhum político se decide a ser o representante daquela faixa de público que as análises mais detalhadas dão como largamente majoritário, até entre os jovens.

André F. Falleiro Garcia disse...

Esclarecedora matéria para o público brasileiro. Evidencia como o conservadorismo, além de posição ideológica, é um estado de espírito que encontra grande receptividade na maior potência do planeta. Postei-a no Site da Sacralidade (http://www.sacralidade.com). Parabéns!

valdir disse...

Gostaria de dizr que tb concordo com a maneira muito suspeita que estourou essa crise financeira nos estados unidos. Exatamente no momento terminante Mc Cain X Barack HUSSEIN Obama. tUDO suspeito para favorecer este esquerdista comprometido a agitadores muculmanos. Alem disso, a crise estoura para obrigar os americanos a se voltarem para questoes economicas e esquecer das questoes mais importantes como os valores familiares, o problema do aborto etc. Para mim é impossivel nao pensar que essa suspeição não se dirija ás forças ocultas que fazem de tudo para q o esquerdista Obama vença nos USA. A midia brasileira tb dá sua força no mesmo sentido das forças ocultas.
Gostaria de dizer tb que nao tem nada de racista minha opinião contra Obama pelo fato dele ser afro-descendente. Se no lugar dele estivesse a CONDOLEZZA RICE (QUE É MUITO MAIS DA RAÇA NEGRA QUE OBAMA, CUJA MÃE ERA BRANCA) eu a escolheria. Logo minha posição é ideológica e nÃO RACISTA!!!

Anônimo disse...

EXCELENTE BLOG!

PARABÉNS!



KIRK