13 de julho de 2015

BOLÍVIA: Francisco, a foice e o martelo


“Destaque Internacional”, 12-7-15


Não se entende como o Papa Francisco rodeia-se de líderes revolucionários, assume as suas ideias como sendo boas e dá-lhes apoio praticamente incondicional. E isso, sem sequer ouvir especialistas conceituados que defendem com dados concretos que a propriedade privada e a livre iniciativa têm sido fonte de progresso social e de redução da pobreza no mundo inteiro; e que, pelo contrário, o socialismo tem sido — como na Cuba comunista e na Venezuela bolivariana — um sistema econômico intrinsecamente multiplicador de miséria.

1. No último dia 9 de julho, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, durante o 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, o Papa Francisco fez um discurso longo e apaixonado contra o capitalismo e a propriedade privada. Tal discurso foi pronunciado frente a líderes revolucionários de inspiração marxista e de seguidores da “Teologia da Libertação”, que ovacionaram o Papa.


2. Entre esses líderes, além do presidente da Bolívia, Evo Morales — que estava vestindo uma jaqueta com um desenho do sanguinário "Che" Guevara [foto] — encontrava-se João Pedro Stédile, dirigente do MST (Movimento dos Sem-Terra), que há décadas promove a violência revolucionária nas zonas rurais do Brasil, e o trotskista argentino Juan Grabois, especialista em agitação urbana nas periferias de Buenos Aires, líder da Confederação da Economia Popular e membro da comissão organizadora do 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares

3. Eles, e outros chefes de delegações presentes, são considerados os piores líderes revolucionários latino-americanos, remanescentes do comunismo. Entretanto, Francisco os tratou como se fossem os melhores entre os melhores, garantindo que suas ações seriam "motivadas pelo amor fraterno", que seriam promotores de "uma mudança positiva" na sociedade, e que estariam realizando um autêntico trabalho de "poetas sociais". "Nossa fé é revolucionária", os incentivou o Papa, e disse-lhes: "Eu os carrego em meu coração”. Como se observa, o apoio de Francisco para essa tropa de choque revolucionária não poderia ter sido maior. 


4. Em discurso inflamado, Francisco colocou as metas de sua revolução socioeconômica juntamente com a sua revolução ecológica, dando a esta última a primazia: "Talvez a mais importante que hoje devemos assumir". Não obstante, esse discurso papal, assim como a recente Encíclica "Laudato Si", padecem de uma importante e preocupante lacuna científica que, com o devido respeito, afeta uma premissa fundamental. Trata-se da tese dos ambientalistas mais radicais, que Francisco assume inteiramente, de que seria a atividade humana, e não os ciclos da natureza, a principal responsável pelas atuais mudanças climáticas. Tese esta que não conta com a unanimidade dos meios científicos mais conceituados e tem sido impugnada por trabalhos acadêmicos de alto nível.

Não se sabe em que estudos científicos concretos e em que especialistas ecológicos o Pontífice se fundamenta, porque a bibliografia de ambos os textos não cita nenhum documento a esse respeito. Nesse sentido, é importante lembrar que em 27 de abril pp., 100 cientistas ambientalistas enviaram uma carta a Francisco implorando-lhe que não se deixasse enganar pelos argumentos dos ambientalistas radicais, com conclusões que não foram demonstradas pela ciência ambiental. A carta acrescenta que ecologistas revolucionários, sob o pretexto de ajudar os pobres, estão, com suas propostas, contribuindo para aumentar perigosamente a miséria no mundo (cfr. “Destaque Internacional”, "Francisco, aventura ecológica e lacuna científica", 22-7-15: http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscoeco.htm). 

5. No Vaticano, em outubro de 2014, realizou-se o 1º Encontro Mundial de Movimentos Populares. Nesse evento, os dirigentes receberam do Papa Francisco palavras laudatórias. Foi uma espécie de "beatificação" publicitária, e em vida, de atuantes figuras revolucionárias de inspiração marxista — sui generis "beatos" de uma espécie de "igreja ao revés”, contrária à doutrina social da Igreja defendida por antecessores de Francisco (cfr. “Destaque Internacional”: "Francisco, ‘beatificação’ publicitária de revolucionários e ‘tempestade social’”, 2-11-13: http://www.cubdest.org/1406/c1411franciscomst.htm. A respeito, veja também: Nelson Ramos Barreto, “Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano”, 12-11-14: http://www.abim.inf.br/encontro-mundial-de-movimentos-populares-no-vaticano/#.VaL-4V-6fIU



6. Em seu discurso em Santa Cruz de la Sierra, Francisco reconhece que "nem o Papa nem a Igreja têm o monopólio da interpretação da realidade social." Assim sendo, não se entende como o Papa Francisco rodeia-se de líderes revolucionários, assume as suas ideias como sendo boas e dá-lhes apoio praticamente incondicional, sem sequer ouvir especialistas conceituados que defendem com dados concretos que a propriedade privada e a livre iniciativa têm sido fonte de progresso social e de redução da pobreza no mundo inteiro; e que, pelo contrário, o socialismo tem sido — como na Cuba comunista [foto acima] e na Venezuela bolivariana [foto abaixo]— um sistema econômico intrinsecamente produtor de miséria. Desse modo, no 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, Francisco agiu como companheiro de viagem de atuais líderes comuno-católicos e do comunismo. 
Venezuelanos fazem gigantescas filas para comprar os mais básicos produtos e frequentemente nem isso encontram nas prateleiras dos supermercados...

7. Nesse sentido, horas antes do referido discurso, em La Paz, o presidente Evo Morales havia ofertado a Francisco, juntamente com o Condor Andino, a condecoração Luis Espinal — em memória de um padre revolucionário assassinado na década de 1970, cuja medalha contém uma representação blasfema de Jesus Cristo sobre a foice e o martelo [foto abaixo], símbolos do comunismo. Trata-se de uma medalha que reproduz uma escultura em madeira feita pelo Pe. Espinal. Uma réplica em tamanho natural de tal escultura também foi ofertada a Francisco. 


8. Essa condecoração com a medalha blasfema parece ser um símbolo tragicamente premonitório dos rumos que vai tomando no plano político-social o pontificado de Francisco. Segundo informou a agência de notícias católica ACI, o Papa decidiu deixar as condecorações recebidas aos pés da Imagem de Nossa Senhora de Copacabana, Patrona da Bolívia. Tais condecorações para ele representariam "símbolos de carinho e proximidade" recebidos com "afeto cordial e generoso" do presidente Evo Morales (cfr. ACI, 10-7-15. Link para foto da condecoração blasfema: https://www.aciprensa.com/noticias/el-papa-francisco-deja-en-bolivia-condecoraciones-que-le-dio-evo-morales-77266/ .

9. “Destaque Internacional” difundiu vários editoriais e artigos com análises críticas de atitudes semelhantes e populistas de Francisco, que causaram perplexidades nos defensores da liberdade de expressão em todo o mundo. Disponibiliza para os leitores interessados alguns links para o livre acesso a esses textos respeitosamente críticos. 

10. Estas notas de “Destaque Internacional” constituem breves comentários interativos, de carácter oficioso, que não representam necessariamente a opinião de todos os membros do seu conselho de redação. Os comentários destinam-se a chamar a atenção sobre temas "politicamente incorretos" e que, muitas vezes, são deixados à margem, apesar de serem vitais para a sociedade. São bem-vindas sugestões, opiniões e críticas.
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Recentes artigos relacionados:

Francisco, consumismo, miserabilismo e Boff
http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscomiser.htm

Francisco, aventura ecológica e lacuna científica
http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscoeco.htm

Francisco, os comunistas e os pobres
http://www.cubdest.org/1506/c1506pobresfran.htm

Francisco, ecoterrorismo e miséria
http://www.cubdest.org/1506/c1505eco.htm

Mais artigos a respeito do Papa Francisco no site:
http://www.cubdest.org
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[Tradução PRC]

5 comentários:

NEREU AUGUSTO TADEU DE GANTER PEPLOW disse...

Seu Francisco que, por princípio, deveria ser o primeiro e o maior a levar ao mundo o "Ide e evangelizai a todos os povos", resolveu ir e voltar "evangelizado" por silvícolas comunistas e todas as pragas que os rodeiam...

Gabriel Antunes disse...

Não estamos so. Temos a esperança de Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Deus vivo e de nossa Mae a Virgem Maria, mãe de Deus. Nao podemos colocar nossos anseios e o nosso futuro nas mão dos homens.

Anônimo disse...

Claramente nao conhece a realidade desses países onde graças a Deus a religião e a luta contra a injustiça social não se excluem, mas se complementam e onde se sabe que sem uma (a justiça) não serve de nada a religião. O gesto de Evo Morales foi um gesto de muita humildade e mais ainda a da aceitação de Papa Francisco. Evo Morales procurou na história do seu país um ponto de ligação com o catolicismo. Deviam preocupar-se menos em arranjar "demónios" para apontar o dedo e julgarem os outros (coisa que não vos compete) e procurarem mais chegarem junto dos vossos irmãos (toda a humanidade) em qualquer forma que Deus vos conceda.
DEUS NOS ABENÇOE A TODOS e possa Jesus estar presente aonde quer que vamos.

Mariana Ramos disse...

Claramente, o autor desse comentário anônimo, que habla de luta contra la injustiça social, não conhece la realidad boliviana, pois lutar contra a injustiça social es impedir la maléfica ação del presidente bolivariano (e não boliviano) Evo Morales, una vez que el está levando os ricos a la pobresa e os pobres a la miséria. Cada vez mais nossa querida Bolívia afunda no empobrecimento, cada vez mais semelhante a pobre e infeliz Cuba. Não queremos en Bolívia vivir escravizados como se vive em Cuba e como começa a viver el pueblo venezolano injustiçado pelo ditador Maduro. Sim, não apenas devemos apontar o dedo contra os comunistas, mas devemos luchar siempre para que esta desgraça no domine nossa Pátria. Nuestra Senõra de Copacabana, ruega por nosotros et salvad vuestra nación del comunismo bolivariano.

Marcelo Noburo disse...

Aqui nesta página, lendo sobre a visita do Papa à América do Sul, fiquei assustado e temeroso com o futuro da igreja. Que que nossos filhos encontrarão na igreja quando crescidos? E agora? É melhor combater os erros dentro da igreja ou ignorá-los? Pensando nisso, gostaria de dizer-lhe que, desde o Concílio Vaticano II, se tem depauperado a força da igreja, muitos católicos procuram isolar o mal, para ele não contagiar outros, mas temos visto que o mal esta ficando cada vez mais forte e espalhando a doença. Portanto, há 50 anos muitos tem procurado isolar o mal para que o bem possa prosperar. Mas os católicos não temos obtido sucesso. Tal concílio, que tantos malefícios trouxe para a igreja católica, por exemplo abolindo as cerimônias tradicionais da igreja e, por causa disso, nossas igrejas ficaram esvaziadas. Por isso acho que é bom os fiéis tomarem conhecimento desses absurdos que estão acontecendo, como esses do encontro do Papa com o comunista Evo Morales. Diante do problema temos que combater o que é veneno (por exemplo o veneno das ideias comunistas nos ambientes católicos) para que os fiéis não fiquem envenenados. Diante do perigo, há que se combater os erros e não fazer como o avestruz, enviando a cabeça na areia. Para quê? Para não ver o perigo? Não!!! Temos que encarar o perigo, pois, do contrário, o que sobrará da igreja? Que "igreja" encontrará nossos filhos?