26 de junho de 2026

NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Foto do milagroso quadro original, pintura atribuída a São Lucas, atualmente venerado na Igreja de Santo Afonso em Roma [Foto PRC]



Se quisermos conhecer as origens primeiras do quadro da Mãe do Perpétuo Socorro ou de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, precisamos remontar aos primórdios do Cristianismo. Consta, por uma tradição oriental, que são Lucas, evangelista, era não só médico e perito conhecedor das letras, mas também pintor. Assim, teria ele pintado –– quando ainda vivia a Santíssima Virgem –– pelo menos uma imagem da Mãe de Deus levando em seus braços o Menino Jesus. Nossa Senhora, tendo visto o ícone, teria dito: "A minha graça o acompanhará"

Com o correr dos séculos, foram sendo feitas cópias desta imagem, com pequenas variações, conforme a piedade e o gênio dos artistas. 

Ao contemplarmos o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, verifica-se que o artista a concebeu com algumas e, aliás muito felizes modificações em relação ao mencionado ícone primitivo: a cabeça da Virgem está inclinada para seu divino Filho, com uma fisionomia régia, suave e profundamente triste. O Menino Jesus volta-se para o lado, onde contempla atenta e seriamente algo que Lhe atrai a atenção. Ele parece ver em espírito os futuros sofrimentos de sua vida, simbolizados nos instrumentos da Paixão levados por São Miguel e São Gabriel Suas mãozinhas apertam a mão direita da Mãe como a pedir proteção; e, pormenor tocante, com o seu movimento a sandália do pé direito se desamarra. 

Como chegou até nós o milagrooso quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro? Era ele venerado em uma igreja da ilha de Creta, onde operava estupendos milagres. Mas foi roubado por um rico negociante, que o levou para Roma onde pretendia, talvez, vendê-lo por bom preço. 

Mal havia o navio levantado ferros, desencadeou-se horrível tempestade que ameaçava submergi-lo. Os tripulantes, no auge do desespero –– nem de longe suspeitando qual a preciosa carga que estava em risco de perder-se fizeram promessas a Deus e à Santíssima Virgem, e foram atendidos, pois a tempestade dissipou-se, e dias depois o barco entrava num porto da Itália. 

Após a morte do ladrão sacrílego, que felizmente morreu arrependido, a própria Virgem Maria, por uma série de aparições em sonhos a diversas pessoas, manifestou o desejo de ser venerada na igreja de São Mateus, em Roma. 

Não tendo sido satisfeito o seu desejo, Nossa Senhora apareceu a uma menina de seis anos, filha da mulher que mantinha em seu poder o quadro, e disse-lhe: “Dize a tua mãe e a teu avô que a Santa Maria do Perpétuo Socorro vos admoesta que a leveis de vossa casa para uma igreja, senão morrereis dentro em pouco”. 

A referida mulher atendeu à ordem comunicada por Nossa Senhora e levou o quadro à igreja de São Mateus, dos padres agostinianos, onde foi solenemente entronizado no dia 27 de março de 1499. Durante três séculos a milagrosa imagem fez desta igreja um centro glorioso de devoção, de peregrinações e de graças maravilhosas. 

No ano de 1798, Roma foi invadida pelos revolucionários franceses que destruíram a igreja de São Mateus. Os religiosos, guardiães da imagem, foram dispersos, levando-a consigo. Mas, em meados do século XIX, Pio IX chamou para a Cidade Eterna os Redentoristas, que se estabeleceram no lugar da antiga igreja de São Mateus, os quais acabaram por descobrir a milagrosa imagem. Foi então esta, por ordem do Papa, reconduzida, num cortejo triunfal ao seu trono, na igreja de Santo Afonso, edificada no lugar da antiga igreja de São Mateus. A 23 de junho do ano seguinte, foi a imagem solenemente coroada ao troar dos canhões e ao repicar dos sinos das velhas basílicas, que anunciavam à Cidade Eterna o novo triunfo da Mãe de Deus. 

* Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é a padroeira principal da prelazia de Cristalândia (Goiás), onde se comemora sua festa a 30 de julho.
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Bibliografia 
1. Dr. Clemente M. Henze C.SS.R, Mater de Perpetuo Succursu,, Typis A. de Bièvre, Brasschaat, Bonn, 1926. 2. Edésia Aducci, Maria e seus gloriosos títulos, Editora "Lar Católico", Florianópolis, 1958,

18 de junho de 2026

A BUSCA PELA PERFEIÇÃO

A Sagrada Família – Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682). Coleção Museu do Prado, Madri

Todo católico deve tender a Deus, portanto tender à perfeição em todas as coisas; levar ao mais alto grau as nobres qualidades humanas; buscar a santidade. 


  Plinio Corrêa de Oliveira 

Deus não é propriamente perfeito. Ele é a perfeição! É algo diferente de “ser perfeito”. Um homem que era perfeito, se deixa de sê-lo, continua sendo homem. No mundo está cheio de imperfeitos, enchendo cidades, montes e vales. 

Entretanto, no que concerne a Deus, não pode Ele ser imperfeito. Há uma impossibilidade suprema e divina de Ele ser imperfeito. Sua onipotência consiste em ser perfeitíssimo! 

No que concerne ao homem católico, como ele deve tender a Deus, deve procurar tender à perfeição em todas as coisas. Antes de tudo na vida espiritual, ele deve tender a ter um amor o mais possível perfeito em relação a Deus. 

Como isso é um ideal altíssimo, que normalmente não está ao alcance dos homens, é preciso pedir por meio de Nossa Senhora — que foi perfeitíssima, concebida sem pecado original, filha do Padre Eterno, Mãe do Verbo Encarnado, Esposa do Divino Espírito Santo, e, portanto, colocada numa altura incalculável e amada pela Santíssima Trindade com um amor que não temos possibilidade de calcular. 

Ela, entretanto, é uma mera criatura humana como somos nós. Mas poderá ter pena de nós, dando-nos o desejo da perfeição. Ou seja, desejando alcançar a santidade. 

Santo é aquele que obteve a perfeição na vida espiritual, e todos devemos desejar a santidade. Essa é nossa meta, nossa razão de ser. Tal desejo tem reflexo na nossa atitude querendo que todas as coisas sejam perfeitas. 



Perfeita ordenação na Santa Casa de Loreto 


Um exemplo. A mais simples das casas é aquela que a Sagrada Família teve na Terra Santa, e que os anjos, séculos depois, transportaram para Loreto, na Itália, onde hoje essa casa é venerada. 

Imaginem nessa casa, no centro de uma sala, uma mesinha com três bancozinhos para a Sagrada Família tomar refeições. No meio dela um vasinho e perto uma caixa para guardar coisas. Tudo simplicíssimo, mas não se pode imaginar que o vasinho estivesse colocado de modo errado na mesa e que a flor nele colocada estivesse posta sem arte. Os bancozinhos, feitos por São José, simples, mas com tanta distinção, arte e bom gosto, que seriam obras-primas. Também não se pode imaginar jogado pelo meio da sala uma sandália, ainda que fosse uma celestial sandália do Menino Jesus. Não é verdade que na Sagrada Casa de Loreto deveria reinar a mais perfeita ordem? 

Por que essa ordem perfeita? Por causa da tendência para a perfeição deles três — Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José. Assim sendo, numa civilização onde todos fossem católicos, e, sobretudo, tendendo à santidade e execrando o vício, tudo deveria ser admirável, bem arranjado, fino, simpático. Mesmo entre pessoas pobres. Ninguém tem obrigação de ser rico, todo mundo tem obrigação de procurar ser perfeito! 

Isso deve levar a que um homem que deseje a perfeição, queira ser perfeito em todas as coisas. Se sua alma for perfeita, ele tem os gestos, a amabilidade, a cortesia, o modo de fazer, perfeitos também. No exemplo da Sagrada Família, não se pode imaginar os três comendo apoiados na mesa de modo vulgar, mas, sim, com modos perfeitamente celestiais. 

Nobreza e Santidade 


Retrato de Madame Clotilde de França
– Johann J. Heinsius (1740-1812).
Coleção Privada.

Também o homem deve procurar a perfeição de modo esplêndido. Tanto quanto a natureza humana permite, procurar levar as qualidades ao mais alto grau. Esse é um nobre.

É duro levar até ao mais alto grau as qualidades humanas. Em geral, isso é mais fácil quando a família toda é assim, quando se tem uma tradição de família que modela o homem. Por isso a nobreza é hereditária. 

Encerro com outro exemplo. Luís XVI, o Rei da França que foi decapitado na Revolução Francesa, teve uma irmã que é bem-aventurada. Os revolucionários não gostam que se lembre de alguém venerado nos altares que seja nobre. Ela é a bem-aventurada Clotilde de França, uma Princesa Real.* 

Essa senhora levava numa alma perfeita toda a distinção, toda a nobreza, toda a elegância de Versailles. É a perfeição! Era uma nobre santa. O ter boas maneiras e distinção facilita a aquisição da virtude. Sobretudo, ter virtude facilita a ter boas maneiras. 

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NOTA: 
* Marie Adelaide Clotilde Xavière de France (1759-1802), mais conhecida como Madame Clotilde, não deixou descendência. Seu esposo, o Rei Carlos Emanuel IV da Sardenha-Piemonte, após ser derrubado do trono em 1798 pelas tropas francesas do Diretório, passou por toda sorte de privações no exílio. A Princesa foi notável pela grande virtude e eminente piedade, muitos diziam dela, ainda em vida, que era uma santa. A exemplo de seus irmãos, sofreu as consequências nefastas da Revolução Francesa. Faleceu em Nápoles, onde está enterrada na Igreja de Santa Catarina a Chiaia. Pio VII, que a conheceu pessoalmente, declarou-a Venerável em 1808 e introduziu seu processo de beatificação. Em 11 de fevereiro de 1982, João Paulo II assinou o decreto proclamando a heroicidade de suas virtudes.

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Excertos de uma conversa com o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 17 de fevereiro de 1992. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

8 de junho de 2026

ANCHIETA, O APÓSTOLO DO BRASIL

Estátua representando Anchieta escrevendo o “Poema à Virgem” numa das praias de Ubatuba

  Paulo Roberto Campos 

Entre inúmeras e grandiosas obras apostólicas, São José de Anchieta converteu numerosos índios à fé católica, salvando-os das trevas do paganismo. Além de fundador da cidade de São Paulo, colaborou decisivamente com Estácio de Sá, fundador do Rio de Janeiro, para a expulsão dos invasores calvinistas franceses dessa cidade. Ainda em vida, operou numerosos milagres. 

Em memória de Anchieta, cuja festividade litúrgica é celebrada neste dia 9 de junho, uma breve lembrança sobre o seu belíssimo Poema à Virgem (“De Beata Virgine Dei Matre Maria”). 

Foi escrito em latim nas areias da então praia de Iperoig em 1563, e memorizado pelo santo autor, que possuía privilegiada memória. É considerado o maior poema mariano da literatura católica. Os versos foram compostos quando Anchieta esteve preso pelos índios tamoios, enquanto o Pe. Manuel da Nóbrega negociava a pacificação dos indígenas.

Os admiráveis versos revelam a excelsa elevação a Deus e a profunda devoção à Santíssima Virgem do Apóstolo do Brasil. 

Eis apenas alguns dos quase 6.000 mil versos:  

“Por Ti, Mãe, o pecador está firme na esperança, Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!" 

"Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo, Jorrando água para a vida eterna!" 

"Em Ti todos se refugiam dos inimigos que ameaçam." 

"Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança, Para que possa viver no Coração do meu Senhor!" 

[...] 

"Quem poderá louvar dignamente a Mãe daquele que tudo criou?" 

[...] 

 "Brilhas acima dos astros, mais bela que a aurora nascente." 

[...] 

"Olha como os espinhos rasgam a cabeça sagrada do teu Filho." 

[...] 

"Que me consumam as saudades do Senhor, enquanto vivo longe da Pátria celeste."

[...] 

"Guia-me, Virgem Santa, pelo mar revolto desta vida." 

[...] 

"Depois de Cristo, minha esperança, és Tu, ó dulcíssima Mãe."

5 de junho de 2026

TATUAGENS E A DITADURA DA MODA

 

No Brasil, o número de pessoas tatuadas alastrou-se como uma epidemia nos últimos anos. O que vem causando danos irreparáveis.

Por que hoje é considerado normal o que ontem era tido como hediondo?