
Pintura representando
Dona Lucilia aos 92 anos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 903, abril/2026
O Dr. Adolpho Lindenberg, falecido aos 99 anos em 2024, foi um eminente colaborador de Catolicismo desde a sua fundação em 1951. Além de sempre se recordar, falar e escrever sobre a vida de luta de seu primo-irmão, Plinio Corrêa de Oliveira, reportava-se com saudades de sua “tia Lucilia”. Assim, em razão do sesquicentenário do nascimento dela, reproduzimos a seguir uma entrevista que o seu sobrinho nos concedeu em abril de 2018.
Nosso saudoso entrevistado, além de ter sido um constante colaborador desta revista, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) e do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Engenheiro pela Universidade Mackenzie, sua atividade profissional sempre esteve relacionada com a Construtora Adolpho Lindenberg, uma das mais conceituadas do País, que se notabilizou pela reintrodução do estilo colonial e o lançamento do estilo neoclássico na construção de edifícios.
Catolicismo — Em
que época o senhor mais conviveu com sua tia Lucilia e com seu primo Plinio
Corrêa de Oliveira?
Dr. Adolpho — Na época em que éramos
crianças, e convivíamos na casa de nossa avó, Gabriela Ribeiro dos Santos, mãe
de Dona Lucilia. Vovó era uma senhora muito aristocrática, que marcou época na
sociedade paulista do início do século passado.
Catolicismo — Antes
de passarmos às perguntas sobre Dona Lucilia, desejaríamos conhecer algo mais
da personalidade de Dona Gabriela. Alguma lembrança que o senhor pudesse narrar
a respeito?
Dr. Adolpho —
Na
sala de visitas do apartamento onde morou tia Lucilia há uma bonita pintura de
minha avó Gabriela, num quadro muito elogiado por Dr. Plinio. Retrata uma bela
senhora matriarcal, que teve relações de amizade com a Princesa Isabel. Tia
Lucilia recordava-se do vovô Antonio (esposo de Dona Gabriela) como tendo sido
um homem boníssimo, pleno de qualidades, enquanto vovó Gabriela tinha deixado a
recordação de uma senhora bonita, imponente e inteligente. Quando eu era
menino, ela aparentemente me ignorava, mas só anos depois vim a compreender que
nessa atitude anti-igualitária ela demonstrava apenas uma segurança, uma nota
aristocrática e dominadora, uma superioridade diante da qual um menino
hesitava.
Catolicismo — Poderia
descrever como era o convívio no ambiente da casa de Dona Gabriela?
Dona Gabriela
Dr. Adolpho —
A família Ribeiro dos Santos se destacava pela loquacidade, e o convívio
naquele ambiente era animadíssimo. Conservo muitas lembranças e saudades desse
convívio com toda a parentela. Nem preciso dizer o quanto Plinio, com sua
vitalidade, colaborava nessa animação, por exemplo, formando rodas de conversas
agradabilíssimas. Ele proseava com muito bom humor sobre qualquer coisa, desde
grandes fatos históricos, passando por episódios ocorridos com nossos tios, até
as cores das pedras. Costumo lembrar o dito de Talleyrand: “Quem não viveu na França no período anterior à Revolução Francesa
[1789], não conheceu a doçura de viver”. Posso afirmar que algo dessa
“doçura de viver” existia em nossa família, na então pequena cidade de São
Paulo. Recordo-me de que, alguns meses antes da morte de Dr. Plinio, eu mantive
com ele uma conversa durante a qual ele se lembrou daqueles antigos tempos, no
convívio com sua irmã Rosée, seus primos e amigos na casa de vovó. Ele, muito
mais do que eu, sentia saudades do bem-estar desse pequeno microcosmo que era o
nosso ambiente familiar.

Dona Zili, em pé, a Fräulein Mathilde, à direita, com
as crianças da família. Sentado na frente está Plinio
Catolicismo — E
como era a presença de Dona Lucilia nesse “microcosmo” na casa dos Ribeiro dos
Santos?
Dr. Adolpho — Tia Lucilia dispensava
um trato muito cerimonioso às pessoas — com os filhos e sobrinhos, com seu
esposo, meu tio João Paulo, até com seus pais, pelos quais ela nutria uma
verdadeira veneração. Muito diferente de certas pessoas modernas, que usam um
trato excessivamente íntimo. Ela não apreciava esse tipo de comportamento
“sem-cerimônias”, por assim dizer, sem certa solenidade de atitudes. Ela era
solene por natureza, o que tornava o ambiente da casa de vovó muito agradável e
elevado.
Catolicismo — Quais
suas impressões sobre a figura de sua tia, e o que mais o impressionava nela?
Dr. Adolpho — Eu quase não comento
sobre o modo de ser de tia Lucilia, mas quando aparece uma boa oportunidade,
causa-me alegria poder falar dela. Não é fácil, para aqueles que não a
conheceram pessoalmente, compreender inteiramente sua figura. Impressionava-me
muito, além de sua amabilidade e paz de alma, a força de seu olhar. Olhar de
uma pessoa reta, honesta, e de uma superioridade ímpar. Quem não é reto e
honesto poderia até ficar envergonhado na sua presença. Olhar muito meigo,
muito bondoso, mas quem não estivesse com a consciência em paz não gostava
muito. Era o encontro de olhares entre uma pessoa virtuosa e outra sem virtude.
Muito me impressionava o olhar dela, que incentivava as pessoas a enfrentar as
dificuldades da vida.
Ela
foi muito emblemática do ideal perfeito de mãe, esposa, filha e tia. Católica
ao máximo, monarquista e tradicionalista, não pactuava com o relaxamento dos
costumes, com as modas extravagantes. Lembro-me dela visitando-me quando eu
ficava doente. Ela lia para mim livros interessantes que exaltavam o heroísmo,
como o livro dos Três Mosqueteiros. E
aplicava a leitura dando bons conselhos, advertindo-me dos perigos que poderia
enfrentar em minha vida. Ela me causava a impressão de ser uma senhora muito
cerimoniosa e de uma geração anterior. Nesse sentido, nunca tingiu nem cortou
curtos os cabelos, não se pintava, usava vestidos muito discretos.
Catolicismo — Dona
Lucilia era enérgica em exigir dos filhos o cumprimento dos deveres diários?
Dona Lucilia pouco antes
de seu casamento
Dr. Adolpho —
No
período anterior à Primeira Grande Guerra, notava-se a rivalidade entre a
França e a Alemanha. Muitos no Brasil pareciam divididos: os francófilos e os
germanófilos. Tia Lucilia amava a França, e meu pai amava a Alemanha. Assim,
apesar de tia Lucilia demonstrar equilíbrio, ele se queixava de sua cunhada.
Ela era de uma cortesia admirável, manifestava muito afeto às pessoas de bom
coração, mas era intransigente em relação às pessoas más, e não cedia ao erro.
Até no relacionamento com os filhos, mesmo sendo extremamente afetuosa, exigia
deles o cumprimento integral do dever, das obrigações diárias, etc.
Por
isso, elogiava para os filhos o modo de ser do alemão, disciplinado no
cumprimento do dever. E foi certamente por isso que ela escolheu para os filhos
uma governante alemã, a Fräulein Mathilde Heldman, fato que deixou papai muito
satisfeito... Dr. Plinio admirava muito essa Fräulein bávara, pois ela o ajudou
a apreciar o estilo de vida europeu, as tradições e a nobreza europeia, as
grandes famílias e figuras do Velho Continente. Com sua cultura, essa
governante colaborou na formação de Rosée e de Plinio e no aprendizado da
língua alemã, mas também do francês e do inglês.
Em
1912, num período em que Dona Lucilia sofria de cálculos biliares, ela viajou
de navio à Alemanha com vários membros da família — Plinio tinha apenas quatro
anos, e eu nem tinha nascido —, para submeter-se a uma cirurgia com um
especialista que era médico do Kaiser, o Dr. Bier. Certamente essa viagem
colaborou para aumentar nela e nos filhos a admiração pelo modo de ser alemão,
o amor à ordem, à disciplina etc.
Tia
Lucilia e a Fräulein Mathilde colaboraram para formar a Weltanschauung (visão de mundo) do Dr. Plinio. Podemos notar isso
em sua vida e em seus escritos, por exemplo, no livro Revolução e Contra-Revolução e em sua última obra, Nobreza e Elites Tradicionais Análogas.
Alguns de meus tios ficavam meio perplexos com essa Weltanschauung adquirida por Plinio, com seu modo de ser
categórico, e pareciam pensar: “Como é
que Lucilia, tão cordata, foi ter um filho tão afirmativo como esse? É
realmente inconcebível”.
Catolicismo — Como
explicar esse modo de ser categórico de Dr. Plinio, sendo sua mãe tão serena?
Dr. Adolpho — O que levou Plinio a
tomar posições categóricas foi sua luta contra-revolucionária em defesa da
Igreja e da Cristandade, embora temperamentalmente ele se assemelhasse à sua
mãe. Ele foi um menino muito plácido, pacífico, até fleumático, gostava de
ficar contemplando as coisas da natureza. Já contei que numa fotografia de
família aparece minha prima Rosée, menina de sete anos, andando por uma
calçada, muito atenta a tudo, levando pela mão o irmão, dois anos mais novo que
ela. Plinio parece distraído, tranquilamente contemplando alguma coisa.
Mas foi devido à sua luta que ele se viu obrigado a
tornar-se um polemista, um cruzado, a discutir para defender a glória de Deus.
Quando jovem, vivendo ainda em casa de vovó, ele analisava muito as ideologias
modernas enquanto penetravam nos modos e no pensamento de seus primos. E
procurava alertá-los, para rejeitarem o que aparecia de ruim no mundo moderno
com suas extravagâncias. Tia Lucilia também ficava assustada com as
extravagâncias que iam surgindo, as modas em geral.
Catolicismo — Portanto, ela
não foi uma mulher considerada “moderna”.
Dona Lucilia
em 1929
Dr. Adolpho — Tia Lucilia, com seu
temperamento calmo e modos aristocráticos, criava em torno de si uma atmosfera
tranquila, oposta às agitações do mundo dito moderno. Ela morreu no século XX,
mas, por assim dizer, contagiava as pessoas ao seu redor com aquela atmosfera
suave e tranquila do século XIX. Poder-se-ia mesmo falar em “atmosfera
luciliana”, usando uma espécie de neologismo. As pessoas podiam chegar aflitas
e agitadas à sua casa, mas ela as “serenava” com sua calma e carinho, e aos
poucos elas se livravam da agitação. O próprio Dr. Plinio disse que ela era
excelente consoladora das pessoas: “Quando
dela me aproximava, devido a alguma aflição ou numa situação sem saída, bastava
ouvi-la dizer 'meu filho, o que é?', e metade do problema já se desfazia”.
Ela resolvia com muita benevolência as dificuldades das pessoas, e elas saíam
contentes.
Catolicismo — O que o senhor diria sobre as devoções de
Dona Lucilia?
Dr. Adolpho — Muitíssimo devota do
Sagrado Coração de Jesus, tia Lucilia tinha especial predileção pela Igreja do
Sagrado Coração de Jesus, no bairro Campos Elíseos no qual ela residia, e lá
assistia às missas dominicais junto com seus filhos. Como se pode ver ainda
hoje, essa Igreja foi decorada com muito bom gosto, belos vitrais, pinturas e
imagens. Seu ambiente, com aspectos sobrenaturais, convida verdadeiramente à
piedade. Pode-se dizer que o bom temperamento dela e seu modo de ser
misericordioso tinham como motivação sua devoção ao Sagrado Coração, do qual
possuía duas imagens: uma num pequeno oratório em seu quarto; e outra talhada
em alabastro, sobre uma coluna no salão, diante da qual passava um bom tempo
rezando.
Tia
Lucilia enviou muitas cartas ao Dr. Plinio, quando ele viajava para alguma
cidade do Brasil ou do exterior. Eis o que escreveu numa delas: “Agradou-me imenso saber que, quando tens
saudades minhas, rezas diante do meu oratório. Eu também rezo tanto por ti. O
Sagrado Coração de Jesus, nosso amor, será tua salvaguarda e protetor, filho
querido do meu coração!”.
De
outra carta, escrita por Dona Lucilia quando meus primos eram adolescentes,
destaco estas linhas: “Você [Plinio] e Rosée são confiados a Deus antes de
nascer. Portanto, com fé e amor a Deus, vocês não poderão deixar de ser
felizes, tanto mais que por vocês eu rezo noite e dia, e é natural que as
preces de uma mãe católica, mesmo de tão pouco mérito, sejam atendidas por
Nossa Senhora, que também é mãe, e por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Para
pessoas de fora de seu círculo mais restrito de amizades, Dr. Plinio não falava
muito de sua mãe, mas para nós, quando indagado sobre o seu relacionamento com
ela, deixava claro o papel que ela exerceu a fim incrementar nele a fé católica
e aumentar sua devoção aos Corações de Jesus e Maria.
Catolicismo — Dr. Plinio deixava transparecer a sua gratidão a Dona Lucilia?
Dr. Adolpho —
Dr.
Plinio, certa vez, comentou o seguinte sobre sua mãe: “Era verdadeiramente uma senhora católica. Ninguém pode imaginar o bem
que ela me fez. Estudei sua bela alma com uma atenção contínua, e era por isso
mesmo que eu gostava dela. A tal ponto que, se ela não fosse minha mãe, mas a
mãe de outro, eu gostaria dela da mesma maneira, e daria um jeito de ir morar
junto a ela. Mamãe me ensinou a amar Nosso Senhor Jesus Cristo, ensinou-me a
amar a Santa Igreja Católica”. Difícil encontrar louvor maior de um filho
em relação à sua mãe.
Ela foi mãe modelar, tanto no incentivo ao bem quanto na
censura ao mal. Por exemplo, na correção de alguma travessura dos filhos e
sobrinhos, procurava fazê-los compreender no que estavam errados e como aquilo
não era do agrado de Deus, ao mesmo tempo em que incutia nos pequenos como era
belo agir com retidão. Mas também, quando alguma criança praticava algo
louvável, era a primeira a elogiar e incrementar nela o quanto a vida virtuosa
era deleitável.
Procurava
mostrar que, mesmo se tornando mais dura a vida de quem praticasse as virtudes,
a criança seria mais feliz cumprindo o dever, ficando assim com a consciência
tranquila. Às vezes tia Lucilia ilustrava sua repreensão ou seu elogio narrando
algum episódio da vida de antepassados, ou da história de pessoas que ela
conheceu. Com suas recordações do passado, ela exemplificava com pessoas que
fracassaram na vida por seguirem o mau caminho, ou pessoas que foram felizes
seguindo o bom caminho, apesar de ser mais difícil. Desse modo estimulava os
lados bons das crianças e incutia horror aos aspectos maus. Era admirável o
senso do bem e do mal, que ela possuiu de modo extraordinário.
Catolicismo — Certa
vez Dr. Plinio fez referência a uma provação à qual Dona Lucilia foi submetida
pouco antes do nascimento dele. Poderia contar para nossos leitores?
Dr. Adolpho — Neste caso, acho que
Plinio se referia a um fato que se passou em 1908. Quando ele estava por
nascer, o médico preveniu Dona Lucilia de que ela seria submetida a um parto de
risco, e tanto ela quanto o filho poderiam não resistir à intervenção
cirúrgica. Perguntou se ela concordaria em fazer um aborto, e desse modo
garantiria a sua vida. Ela ficou chocada com a pergunta, e respondeu: “Esta é uma pergunta que não se faz a uma
mãe. O doutor não deveria sequer cogitar em tal hipótese”. Ela confiou o
filho a Deus, o parto se deu com alguma antecedência em relação ao período
normal de nove meses, e Plinio nasceu com o peso abaixo do normal, mas logo
recuperou plena saúde e peso.
Catolicismo — Sobre
a formação que ela deu aos filhos, o senhor se lembra de algo especial?
Dr. Adolpho — A vida de Dona Lucilia
foi um exemplo de uma mãe caracteristicamente brasileira e católica.
Extremamente bondosa, serena e acolhedora, ela se dedicou afetuosamente, de
todo o coração, aos dois filhos Rosée e Plinio, assim como aos sobrinhos,
procurando incutir nos pequenos a catolicidade que a caracterizava,
proporcionando-lhes ótima formação religiosa.
Dr.
Plinio se lembrava de que, ao entrar em casa após alguma atividade externa,
sentia o ambiente muito acolhedor de sua residência — os ares “lucilianos”, por
assim dizer. Ele se recordava perfeitamente do modo como ela definiu o relacionamento
virtuoso e perfeito numa família: “Viver
é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”.
Catolicismo — Esses
episódios são tão interessantes, que nos agradaria conhecer outros que o senhor
possa recordar.
Dr. Adolpho — Dr. Plinio também se
lembrava de que, ainda menino, com seus sete anos mais ou menos, lia livros
para crianças e fazia considerações sobre a pessoa de Nosso Senhor Jesus
Cristo. Com aquela idade, e contemplando as imagens d’Ele, chegou à certeza de
que Jesus Cristo era o Homem-Deus. Nisso muito lhe auxiliavam as narrações da
História Sagrada que tia Lucilia apresentava para os filhos. Essa formação
religiosa foi tão marcante, que aproximadamente naquela idade Plinio dava aulas
de catecismo aos empregados da casa, com base no que ouvira de sua mãe.

Quarto de Da. Lucilia, onde ela faleceu
Catolicismo — Dos
últimos momentos de Dona Lucilia, o que o senhor poderia nos dizer?
Dr. Adolpho — Numa reunião com Dr.
Plinio, alguém mostrou a ele uma fotografia de tia Lucilia bem idosa, na qual
transluzia muito a esperança do Céu e a confiança na misericórdia divina.
Mencionando o dito latino “Talis vita
finis ita” (tal vida, tal fim), ele comentou que toda a vida dela fora
assim, e assim ela caminhava para o final da vida. Nessa foto se percebia a
afabilidade, mas também a seriedade de uma pessoa que sofreu e estava
tranquila, pronta para se apresentar diante de Deus.
Plinio não assistiu ao desenlace final. Ele estava em casa,
mas em outro cômodo. Entretanto, um médico amigo a assistiu e fez uma narração
daquele último instante. Disse ele que naquele momento final, apesar da crise
cardíaca, tia Lucilia estava muito tranquila, e fez solenemente um grande Sinal
da Cruz. Com este sinal, despediu-se da vida e entregou sua alma a Deus aos 92
anos de idade.


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