31 de agosto de 2026

TATUAGENS — Satanás pretende marcar nossos filhos?

Ontem, hoje, amanhã


Fonte: Revista Catolicismo, Nº 906, junho/2026 

Catolicismo dá a lume nesta edição um estudo inédito sobre tatuagens. O autor, pertencente à associação Avenir de la Culture, dirigiu originalmente o trabalho ao público francês, mas ainda não foi publicado. Na presente tradução para a língua portuguesa, adaptamos o texto, com dados atuais da realidade brasileira.

Não podemos permanecer indiferentes quando um novo flagelo atinge as gerações mais jovens: a disseminação desenfreada de tatuagens. Daí a importância de esclarecermos o tema.

Outrora reservadas a indivíduos de origens marginalizadas, nos últimos anos as tatuagens têm causado preocupação devido à sua normalização. Tanto que um terço dos brasileiros tem a pele tatuada!

Embora felizmente essa tendência não agrade a todos, no entanto quem suspeita que ela coloca em sério risco não apenas o corpo, mas também a alma daqueles que se tatuam?  

Por que a tatuagem foi condenada durante séculos de cristianismo? E por que agora é tão aceita e promovida? Essas são perguntas que pais e avós cristãos deveriam se fazer. Não seria, na verdade, papel das pessoas maduras aconselhar — e, se necessário, alertar — as gerações mais jovens?

Para isso, é essencial compreender o problema e apreender melhor toda a sua dimensão. Assim, este estudo ajudará nossos leitores a fazerem as perguntas certas sobre uma prática que normalmente ninguém questiona e, esperamos, também a encontrarem as respostas certas.  

Primeiramente apresentamos as origens deste fenômeno, destacando depois o perigo que ele representa para a saúde e as suas ligações pouco conhecidas, mas infelizmente reais, com o satanismo, uma seita cujas práticas vis estão ganhando cada vez mais popularidade entre os nossos jovens.

Que a leitura deste artigo, concebido para reflexão e ação — porque tal tendência não deve ser aceita passivamente, mas sim firmemente denunciada —, ajude a impedir que jovens, e até alguns já não tão jovens, do seu círculo social, carreguem para sempre uma marca da qual poderão arrepender-se pelo resto das suas vidas.  

Da Redação de Catolicismo

 

“Stay true” significa, na maioria dos contextos, “mantenha-se fiel”, “seja fiel” ou “mantenha-se autêntico”. É uma expressão usada em tatuagens para incentivar alguém a não desistir de contestar a Ordem social e a Civilização

 

AMANHÃ, TODOS TATUADOS?

*        Atilio Faoro

Impressas na pele de jovens e idosos, homens e mulheres, desempregados e executivos, grevistas e ministros de governo, as tatuagens estão por toda parte. Talvez mais em alguns do que em outros, mas uma coisa é certa: elas definitivamente deixaram as celas das prisões e as tabernas portuárias onde, não muito tempo atrás, pareciam confinadas para sempre.

Mais do que se tornar comum, é uma tendência que parece pronta para varrer tudo em seu caminho. Convenções e estúdios de tatuagem estão se multiplicando, livros sobre o assunto estão inundando as prateleiras das livrarias e algumas marcas, como Thierry Mugler e Jean-Paul Gaultier, estão até mesmo usando-as como ferramenta de marketing.[i] De acordo com um estudo do Ifop (Institut français d'opinion publique), publicado em 2017, sete milhões de franceses estavam tatuados! Isso representava 14% da população. Em 2010, um estudo inicial estimava esse número em 10%.[ii]

Um detalhe surpreendente: ao contrário do que se poderia imaginar, o Ifop revela que as mulheres fazem mais tatuagens do que os homens (16 % das mulheres francesas têm tatuagens, em comparação com 10% dos homens).[iii]

Quanto ao Brasil[iv], de acordo com o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), existem mais de 22 mil estúdios de tatuagem no País. Uma pesquisa da IBIS World, empresa global de pesquisa, relatórios e estatísticas de marketing, revelou que o segmento cresceu 23,2% em 2021 em todo o mundo. No mesmo período, o setor no Brasil superou o mundo, crescendo 25%.

A pesquisa também aponta que o Brasil está no Top 10 de países com população mais tatuada, precisamente em 9º lugar, com 32% de pessoas tatuadas. Em primeiro lugar está a Itália, seguida da Suécia e dos Estados Unidos.

Segundo a ABT — Associação Brasileira de Tatuadores —, o setor movimentou por volta de 2,5 bilhões de reais em 2024, representando um crescimento de 15% em comparação a 2023.

Na Itália e na Suécia, quase metade da população também tem tatuagens, segundo um estudo de 2018 do instituto de pesquisas Dalia Grupos. Antes considerados completamente imunes a esse tipo de prática, agora exibem uma marca indelével na pele. É o caso, por exemplo, do ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, que tatuou um grande corvo no braço esquerdo.[v]

 Ainda mais surpreendente, seminaristas e até padres estão exibindo suas tatuagens! Em Jerusalém, a tendência está ressurgindo entre os peregrinos, revivendo uma prática que se diz remontar às Cruzadas. O que está por trás dessa mania? Uma moda passageira, como a febre do bigode nos anos 1980 e a tendência da barba hoje em dia?

A comparação é complexa porque, embora a moda seja inerentemente passageira, as tatuagens são permanentes. Mas este, provavelmente, não é o aspecto mais preocupante. Refletir sobre o fenômeno inevitavelmente levanta muitas questões.

Será insignificante que uma prática antes restrita a mulheres de má vida seja agora adotada por mães? E que cidadãos respeitáveis estejam adotando um hábito que, até recentemente, distinguia condenados? Será que aqueles que procuram um tatuador têm consciência de que às vezes estão colocando seriamente sua saúde em risco? Esse risco é proporcional ao respeito que todos devem ao seu corpo?

Um rito pagão?

Indígena maori com o
rosto tatuado (séc. XIX).
É a tatuagem tão antiga como o mundo? Talvez não. Mas uma coisa é certa: a prática era muito difundida entre culturas primitivas, e quase sempre para fins rituais. Foi na Polinésia que a tatuagem teve seu desenvolvimento mais significativo. Além de refletir o lugar ocupado pelos indivíduos na hierarquia social, a prática da tatuagem visava fortalecer a fertilidade e os laços com o sobrenatural e os espíritos guardiões — para não dizer demônios. De certa forma, funcionava como um “batismo” pagão…[vi]

Nas Ilhas Marquesas, na Oceania, a marca indelével era feita por um feiticeiro, sob encantamentos de membros da tribo para encorajar aqueles que estavam prestes a serem tatuados a suportar a dor. Os chefes podiam cobrir todo o rosto, enquanto outros membros da tribo aplicavam marcas no torso, costas e membros.[vii] Na África subsaariana, a tatuagem servia para provar a identidade de alguém por meio de uma marca tribal e para distinguir-se dos escravos, que não eram marcados.[viii]

Na África, assim como na Polinésia, a tatuagem e a escarificação da pele (criação artificial de cicatrizes) faziam parte dos ritos de iniciação. Elas atestavam o pertencimento a uma comunidade e marcavam a passagem de um estado para outro (o de criança para adolescente ou de adolescente para adulto).[ix] Essas agressões corporais, que sempre eram acompanhadas de grande sofrimento, supostamente fortaleciam a personalidade de quem as sofria, e aumentavam suas forças vitais.[x] Na maioria das tribos nativas americanas, a tatuagem era prerrogativa de feiticeiros que tinham cenas rituais e motivos mágicos representados em seus corpos.[xi]

Na Europa, a prática da tatuagem desapareceu com a cristianização — Carlos Magno ordenou sua proibição no século VIII —, mas reapareceu no século XVIII com as grandes explorações no Oceano Pacífico.

Em 1769, enquanto o Capitão Cook estava ancorado na costa do Taiti, seus marinheiros viram uma flotilha de nativos tatuados chegar em canoas. Nos dias que se seguiram, marinheiros e oficiais também tiveram sua pele marcada.[xii]

Dos marinheiros aos portos, depois das tabernas às prisões, o caminho foi trilhado muito rapidamente. Limitada por algumas décadas a marinheiros e párias, a tatuagem está — talvez definitivamente — de volta às populações.

Embora aparentemente desprovida de suas funções mágicas, ela continua a se apropriar de elementos rituais. Será coincidência que a primeira tatuagem seja frequentemente feita por ocasião de um evento especial, como um casamento, um nascimento, uma morte ou um acidente? Em vez de pedir um batismo para seu filho, a jovem mãe vai ao tatuador para ter o nome do seu pequeno inscrito em seu corpo…

Após a morte de um ente querido, a tatuagem é considerada por alguns como uma etapa de luto, ou mesmo uma forma de manter o falecido por perto.

         O sofrimento que se aceita também merece ser examinado.

Enquanto a dor é cada vez menos tolerada pelos nossos contemporâneos, especialmente a causada por doenças, o sofrimento infligido pela agulha do tatuador é aceito sem reservas. Como num rito de iniciação tribal, ele deve marcar tanto a mente quanto o corpo. A tal ponto que se pode questionar se uma tatuagem indolor ainda seria uma tatuagem. Uma espécie de sacerdote secular — ou melhor, feiticeiro —, o tatuador traz seu cliente à existência, dando à luz uma nova carne. Há um antes e um depois da tatuagem. Ser “tatuado” é unir-se à comunidade daqueles que desejaram e suportaram essa provação.

Como um sacramento, geralmente a tatuagem tem um caráter definitivo que não permite retorno.

Não seria este mais um paradoxo numa época em que o efêmero e o descartável são geralmente favorecidos? Por essa razão, é difícil reduzir a tatuagem a um simples adorno, como a barba nos homens ou o cabelo comprido nas mulheres.

Que tipo de imagem a tatuagem celebra?

Jovem com tatuagens em Bogotá,
Colômbia.
Importada da Polinésia, a tatuagem ressurgiu na Europa através das camadas mais obscuras da sociedade: tabernas, bordéis e prisões. Deve-se dizer que a marcação corporal representou, na cultura europeia, desde a Antiguidade até recentemente, um sinal de infâmia.

Na Roma Antiga, os escravos eram tatuados para que seu status fosse imediatamente aparente. Na Idade Média, a flor-de-lis era o símbolo dos condenados e dos marginalizados. Escravos das galeras eram marcados com “gal”, ladrões com “v” e mendigos com “m”.[xiii]

Na França, até o fim do Antigo Regime (e mesmo sob o Império), a marcação corporal era a punição por certos crimes. O Código Negro, elaborado por Colbert e publicado após sua morte no final do século XVII, prescrevia a marcação de escravos fugitivos com uma flor-de-lis como sinal de propriedade de seu senhor e como “propriedade do próprio Estado”.[xiv]

Em 1687, um decreto real autorizou a marcação a ferro na bochecha de soldados que abusassem da autoridade militar. Sob Luís XV, essa marcação foi inscrita permanentemente no ombro, sendo abolida pela Assembleia Nacional Constituinte em 1791, antes de ser reinstaurada por Napoleão em 1810. Os comércios de escravos na Espanha, em Portugal, na Holanda, na Inglaterra e na França também fizeram uso dessas marcas difamatórias.[xv]

A flor-de-lis também é usada em conexão com o destino de prostitutas. D’Artagnan, ao tentar conter Milady, rasga involuntariamente seu roupão, descobre a marca vergonhosa e, “com um choque indescritível, reconheceu a flor-de-lis, aquela marca indelével impressa pela mão vergonhosa do carrasco…”[xvi]

Símbolo de reconhecimento e afiliação a um grupo antissocial, ao “submundo”, a tatuagem funciona como um sinal de marginalização voluntária que “reitera o desejo de se distanciar do resto da sociedade”. Expressa, então, o ódio à polícia, ao sistema judiciário, a uma hierarquia, a um regime político ou à sociedade como um todo.

Um ponto na primeira falange de cada dedo significa: “Odeio a justiça até a ponta dos meus dedos”; três pontos em um triângulo: “Morte aos porcos”; sem mencionar as frases tatuadas exibidas sem qualquer ambiguidade: “Meu ódio aos policiais”, “Odeio a justiça”, “Nem Deus nem mestre”, “Derrotado, mas não domado”, “Sem piedade”.[xvii]

Na Rússia, os desenhos e a quantidade de tatuagens dos prisioneiros fornecem pistas sobre o motivo de sua prisão e estabelecem uma espécie de hierarquia dentro do sistema prisional. Uma caveira com ossos cruzados, por exemplo, significa condenação por assassinato, enquanto uma sirene pode indicar abuso sexual infantil.[xviii]

No Japão, a tatuagem está intimamente ligada à máfia Yakuza, com 68% de seus membros supostamente tatuados.[xix]

Na América Central e do Norte, a tatuagem é amplamente praticada por gangues, particularmente a Mara Salvatrucha. Fazer uma tatuagem é um ato irreversível que os membros dessa organização criminosa, talvez a mais perigosa do continente, “merecem” após cometerem delitos e crimes.[xx]

Teias de aranha, lápides, arame farpado ou figuras demoníacas estão frequentemente entre as muitas tatuagens usadas por esses criminosos. Uma caveira significa assassinato e geralmente é encontrada nos tornozelos. Uma torre de vigia evoca a prisão, e uma lágrima, geralmente no rosto, mostra envolvimento em um assassinato.[xxi]

Outro grupo historicamente marginalizado que aprecia tatuagens é a comunidade homossexual. Um relatório do Pinterest revela um aumento de 1512% nas buscas por “tatuagens lésbicas” em 2019, enquanto as palavras-chave “tatuagens transgênero” registraram um aumento de 1131%.[xxii]

No Brasil, a pesquisadora Silvana Jeha recompôs a história da tatuagem no meio urbano brasileiro entre o século XIX e o ano de 1970, década em que a prática começou a dissociar-se da ideia de marginalidade. A pesquisa resultou na obra Uma História da Tatuagem no Brasil: Do Século XIX à Década de 1970.[xxiii] Foi no século XIX, com navegadores não apenas europeus, mas também norte-americanos e do Oriente Médio, que as tatuagens se disseminaram por aqui. Em comum, havia o fato de adotarem a prática como forma de expressar sentimentos, identidade religiosa ou pertencimento nacional.[xxiv]

A partir da década de 1980, influenciadas principalmente por cantores pop e rock, as tatuagens escaparam dos guetos onde estavam confinadas, tornando-se comuns e, posteriormente, disseminadas por toda a sociedade.

Mas será que as tatuagens se afastaram do submundo, ou foi a sociedade como um todo que se aproximou dele? Tudo indica que a tatuagem é a consagração de uma inversão de normas sem precedentes: o criminoso e a prostituta deixaram de ser marginais, adquirindo sutilmente o status de exemplo a ser seguido.

Uma prática sem riscos?

O amor-próprio e o instinto de conservação estabelecem que devemos evitar expor a saúde a perigos desnecessários. Será que a prática da tatuagem permite o cumprimento desse imperativo moral? Longe de ser certo… Fazer uma tatuagem representa um risco considerável para a saúde, do qual as pessoas mais diretamente envolvidas raramente têm consciência.

Para introduzir a tinta sob a epiderme, o tatuador perfura a pele milhares de vezes com uma agulha contendo uma mistura de solventes e pigmentos.[xxv]

Essa ruptura na barreira cutânea pode ser uma porta de entrada para infecções bacterianas, como estafilococos, especialmente se o tatuador trabalha em condições precárias.[xxvi]

Há também o risco de contaminação por certos vírus transmitidos pelo sangue (HIV, hepatite etc.), se o equipamento for reutilizado.[xxvii]

Além disso, a tatuagem acarreta o risco de alergia (na maioria das vezes devido à tinta vermelha): a tatuagem pode coçar, inchar ou desenvolver lesões. Essas alergias podem ser aliviadas com cremes corticosteroides, mas a remoção da tatuagem a laser ou cirúrgica às vezes é necessária.[xxviii] Portanto, não é sem razão que pessoas com eczema, psoríase, lúpus, sarcoidose ou vitiligo sejam aconselhadas a evitar tatuagens.[xxix]

Inseridos na derme, os pigmentos viajam por todo o corpo através do sistema linfático, sendo também encontrados nos gânglios linfáticos.[xxx]

Notemos também que as tatuagens às vezes são muito grandes, cobrindo mais de 50% da superfície corporal. Com uma taxa de 1 mg de tinta por cm², a quantidade de tinta injetada é, portanto, muito significativa. É compreensível, então, por que a questão da toxicidade da tinta se torna importante.[xxxi]

Essas tatuagens são frequentemente multicoloridas, utilizando novas tintas cuja composição raramente é especificada. Essas tintas permanecem na pele por um longo tempo, sofrendo alterações em suas estruturas físicas e químicas, particularmente sob o efeito da radiação UV ou do laser usado para tentar remover a tatuagem.[xxxii]

Nos últimos anos, esses novos componentes, incluindo corantes orgânicos e conservantes, proliferaram nas tintas de tatuagem, assim como sais metálicos, às vezes em altas concentrações e, mais recentemente, na forma de nanopartículas (titânio). Não há dados disponíveis sobre sua toxicidade após injeção intradérmica.[xxxiii]

Na França, o aumento no número de tatuagens tornou-se uma preocupação de saúde pública tão grande que, em abril de 2017, a Assistance Publique – Hôpitaux de Paris (AP-HP) inaugurou o primeiro consultório dedicado ao tratamento de complicações relacionadas a tatuagens. Este ambulatório visa atender à crescente necessidade de informação e aconselhamento tanto de pacientes quanto de profissionais de saúde.[xxxiv]

 Além dos riscos à saúde física, existem também os que ameaçam o bem-estar mental. Muitas vezes feita por impulso, a tatuagem permanece impressa no corpo para sempre. Como conviver com uma tatuagem da qual se arrepende? A expressão “sentir-se desconfortável na própria pele” talvez nunca tenha sido tão apropriada como numa situação semelhante a essa.

Fotos das tatuagens da Yakuza viralizaram e levaram à detenção do líder da máfia japonesa. [Reprodução/Redes Sociais]


Uma porta aberta para Satanás?

Mara Salvatrucha,
 organização criminosa da América Central
“Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor” (Levítico 19, 28).

Como podemos nos surpreender que os satanistas sejam os primeiros a desafiar essa proibição bíblica? “Meu corpo me pertence”, proclama o homem moderno. Essa afirmação justifica tatuagens, piercings, uso de drogas, mas também reprodução assistida, barriga de aluguel, eutanásia, aborto, transumanismo…

Para os satanistas, a tatuagem não é mais apenas uma rebelião contra a ordem social, mas uma rebelião direta contra Deus. Ela sela seu pertencimento à Besta, cuja marca a pessoa tatuada — muitas vezes sem ter consciência disto — carrega. Um site comercial com temas satânicos convida seus visitantes a tatuarem uma imagem demoníaca na pele: “Você pode adicionar qualquer símbolo satânico ou algumas citações apropriadas à imagem também. De fato, Satanás traz o mal, a tentação e a sedução aos seres humanos no caminho do pecado.”[xxxv]

O site fornece alguns detalhes arrepiantes: “Demônios, símbolos de magia negra e línguas de fogo são frequentemente representados como representações de Satanás. Um pentagrama invertido simboliza rebelião ou o controle do homem e é conhecido como o ‘Selo de Baphomet’. A cruz invertida desonra diretamente a Cristo e representa forças opostas. Um olho dentro da pirâmide personifica Satanás, sugerindo que as pessoas são divinas e não precisam de Deus.”

“A tatuagem de Satanás pode ser esculpida em um design colorido para impressionar quem a vê. Na verdade, a tatuagem de Satanás também pode simbolizar luta interior, paixão, poder e recusa em se conformar.”

Em 2017, dois satanistas, seguidores de Anton LaVey, levaram o horror a um nível completamente novo ao tatuarem um pentagrama satânico no ventre de seu bebê![xxxvi] Esse ato horripilante tinha como objetivo simbolizar a oferenda da criança a Satanás.

“Assim, ele se junta à nossa comunidade de fiéis e à grande família de Belzebu”, anunciou orgulhosamente a mãe nas redes sociais. “Satanás reconhecerá os seus”, acrescentou o companheiro, provocando fortes reações online.

No prefácio do livro Manual de Demonologia, de Simone Iuliano, o padre Gabriel Amorth, ex-exorcista da Diocese de Roma, e o padre Mario Granato soam o alarme.[xxxvii] Segundo eles, um cristão que faz uma tatuagem comete um ato satânico não intencional, na medida em que ataca o Templo do Espírito Santo, que é o corpo da pessoa batizada.

Eles também citam Anton LaVey, o fundador da Igreja de Satã nos Estados Unidos, que afirma em seu livro Primitivos modernos que por trás de cada tatuagem, independentemente do desenho, está Satanás e que é da sua vontade que as tatuagens se multipliquem.

E após as tatuagens?

Tatuagem com implante
[GNU Free Documentation License]
À medida que as tatuagens se tornam mais comuns, inevitavelmente vão sendo consideradas sem o caráter transgressor. Amanhã, qual nova marca no corpo ocupará o lugar que as tatuagens representam atualmente? As primeiras respostas já estão surgindo e estão longe de ser tranquilizadoras.

Depois das tatuagens na pele, vêm as tatuagens nos olhos! A técnica, modificada ao longo dos anos, consiste em injetar pigmento diretamente no globo ocular, de forma que fique sob a fina camada externa do olho, a conjuntiva.

Mais uma vez, a tendência teve origem no mundo da criminalidade. Em 2015, o julgamento de Jason Barnum, um criminoso com um olho completamente roxo, no Alasca (EUA), trouxe esse fenômeno à tona, e desde então ele vem ganhando novos adeptos.[xxxviii]

Como se temia, a prática é muito perigosa, com um risco significativo de cegueira.

“Meu conselho é não fazer, já que não há benefício comprovado e existe o risco de dor e perda de visão”, disse Jeffrey Walline, da Associação Americana de Oftalmologia, à BBC. A preocupação é tão grande que alguns estados americanos estão considerando proibir a tatuagem do globo ocular.[xxxix]

O Prof. Gilles Renard, oftalmologista francês, também alerta: “O pigmento é introduzido em uma estrutura vascularizada, com o risco de se espalhar para onde não se deseja. Pode ocorrer uma reação inflamatória ou imunológica, e há risco de sangramento. E, diferentemente da pele, há um órgão vital envolvido: o olho. Se o dispositivo de tatuagem penetrar demais na parede do olho, há um grande risco de cegueira.”[xl]

As primeiras vítimas já estão aparecendo. O rapper polonês Popek, filmado fazendo uma tatuagem no olho com Luna Cobra em Londres, relatou queimaduras graves que o mantiveram acordado por vários dias. Outro artista jamaicano, Mace, perdeu a visão. No Daily Mail, o brasileiro Rodrigo Fernando dos Santos declarou: “Chorei tinta por dois dias.”[xli]

No entanto, existe algo ainda mais abominável do que tatuagens nos olhos: implantes sob a pele, inclusive de chifres! No México, Maria José Cristerna, de 35 anos, é advogada de formação e mãe de quatro filhos. Um perfil aparentemente tranquilo, mas em seu país ela é apelidada de “mulher vampira”![xlii] Seu corpo é inteiramente coberto de tatuagens. Ela tem chifres de titânio implantados no crânio e implantes dentários que lembram presas. Segundo ela, seus chifres são um símbolo de força. Os implantes foram feitos sem anestesia. As presas, porém, foram adicionadas porque Cristerna “adorava vampiros” quando era criança. Mas sua transformação não terminou. Ela está considerando implantar chifres na parte de trás da cabeça…

Em Los Angeles, EUA, um ex-banqueiro gastou nada menos que US$ 68.000 para se transformar em um réptil![xliii] O homem começou sua transformação em 1997, após descobrir que era portador do HIV. Ele então decidiu alterar sua aparência para se tornar uma “mulher-dragão”. Agora se autodenominando Tiamat Legion Medusa, ele explicou ao Daily Mail que queria se tornar uma criatura reptiliana transgênero.

Desde então, ele implantou 18 chifres, removeu suas orelhas e parte do nariz (operações inspiradas em Voldemort, o vilão da saga Harry Potter). Também teve vários dentes extraídos e passou por uma cirurgia para criar uma língua bifurcada.

Enquanto isso, no Reino Unido, um homem está se transformando gradualmente no diabo![xliv] Como explicou em uma reportagem exibida no Canal 5, Diablo Delenfer (nome verdadeiro Gavin Paslow) agiu “com total consciência”.

Após se descrever como um “Artista de Modificação Corporal”, este ex-segurança divorciado e pai de dois filhos esclareceu: “Escolhi me tornar um demônio porque, tirando isso, tudo já foi feito. Mas eu não sou absolutamente um seguidor de Satanás, estou apenas me divertindo. É um pouco estranho e excêntrico, é verdade, mas é quem eu sou!” Diablo teve que se submeter a vários procedimentos sem anestesia. Sua “língua bifurcada”, as tatuagens em seus globos oculares e a inserção dos implantes de “chifres”, por exemplo, foram realizados sem anestesia. “Você vê as agulhas chegando e é bastante estressante. Mas você não pode ter medo da dor quando é o Diabo!", ele se vangloria...

Como não pensar que todas essas almas infelizes estão se preparando para o Inferno?

[Divulgação]


Conclusão

Concebida por pagãos, popularizada por malfeitores, perigosa para a saúde, exibindo ligações perturbadoras com o satanismo e abrindo caminho para tendências ainda mais abomináveis, a prática da tatuagem é fundamentalmente errada e deve ser rejeitada como tal pelos cristãos de hoje, assim como o foi pelos do passado.

No entanto, simplesmente não ceder a essa tendência degradante não é suficiente. Ela também deve ser vigorosamente combatida. E, para isso, argumentos lógicos e factualmente sólidos devem ser empregados. Que a leitura deste artigo tenha lhe fornecido esses argumentos!

Agora, chegou a hora de expressar corajosamente sua opinião aos seus entes queridos. Nunca é fácil criticar uma tendência, especialmente quando ela é quase unanimemente aceita. Mas se você não o fizer, quem o fará?               

Você certamente encontrará oposição e talvez até mesmo sarcasmo de seus detratores. Não desanime! Mesmo aqueles que discordam de você terão que reconhecer sua coragem. E, antes de fazer uma tatuagem, seus argumentos provavelmente voltarão à tona para eles. Você talvez nunca saiba, mas graças à sua honestidade, terá evitado que um dos seus faça algo irreparável.



[i]Laura Gabrieli, “Você nunca vai adivinhar o número de pessoas tatuadas na França…”, Marie France, janeiro de 2017

[ii]Ibid.

[iii]Ibid.

[v]The Huffington Post Quebec, “Eis o significado da famosa tatuagem de Justin Trudeau”, março de 2017

[vi]https://www.kustomtattoo.com/origines-du-tatouage/

[vii]Ibid.

[viii] Ibid.

[ix]Ibid.

[x]Ibid.

[xi]Ibid.

[xii]France Inter, “At the Origins of Tattooing,” February 2019

[xiii]Ibid.

[xiv]Emma Viguier, Corpo Dissidente, Defendendo o Corpo: Tatuagem, uma “Pele de Resistência”, Amnis, 2010

[xv]Ibid.

[xvi]Ibid.

[xvii]Ibid.

[xviii]Romain Geoffroy, “Tattooing, a primitive art that has become popular,” Le Monde, março de 2018

[xix]Alec Dubro, David Kaplan, Yakuza, the Japanese Mafia, Philippe Picquier, 2001, p. 52

[xx] www.opnminded.com/2017/04/26/tattoo-gang-ms-13-barrio-18.html

[xxi]Ibid.

[xxii]HéloïseFamié-Galtier, “Tatuagens, um forte marcador de identidade para pessoas LGBT”, PureTrend, fevereiro de 2019

[xxiii]https://revistaplaneta.com.br/corpos-marcados-a-historia-da-tatuagem-no-brasil

[xxiv]Ibid.

[xxvi] Ibid.

[xxvii]Ibid.

[xxviii]Ibid.

[xxix]Ibid.

[xxx]Camille Gaubert, « Tatouages : des risques non évalués », Sciencesetavenir.fr, octobre 2017

[xxxi]Ibid.

[xxxii]Ibid.

[xxxiii]Ibid.

[xxxiv]Ibid.

[xxxviii]20minutes.fr, « Tatouage des yeux, la dangereuse pratique venue des Etats-Unis », janvier 2015

[xxxix]Audrey Vaugrente, « Tatouage de l’œil : la mode qui inquiète les ophtalmos », pourquoidocteur.fr, janvier 2015

[xl]Ibid.

[xli]Ibid.

[xlii]7sur7, « La "femme vampire" tatouée et cornée », avril 2011

[xliii]RTL INFO.BE, « Castration, cornes, découpage de la langue, des oreilles et du nez: un ancien banquierdépense 68.000 euros pour devenir un reptile », août 2019

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