Fonte: Revista Catolicismo, Nº 906, junho/2026
Catolicismo dá a lume nesta edição um estudo inédito sobre tatuagens. O autor,
pertencente à associação Avenir de la Culture, dirigiu originalmente o
trabalho ao público francês, mas ainda não foi publicado. Na presente tradução
para a língua portuguesa, adaptamos o texto, com dados atuais da realidade
brasileira.
Não podemos permanecer indiferentes quando um novo
flagelo atinge as gerações mais jovens: a disseminação desenfreada de tatuagens.
Daí a importância de esclarecermos o tema.
Outrora reservadas a indivíduos de origens
marginalizadas, nos últimos anos as tatuagens têm causado preocupação devido à
sua normalização. Tanto que um terço dos brasileiros tem a pele tatuada!
Embora felizmente essa tendência não agrade a todos,
no entanto quem suspeita que ela coloca em sério risco não apenas o corpo, mas
também a alma daqueles que se tatuam?
Por que a tatuagem foi condenada durante séculos de
cristianismo? E por que agora é tão aceita e promovida? Essas são perguntas que
pais e avós cristãos deveriam se fazer. Não seria, na verdade, papel das
pessoas maduras aconselhar — e, se necessário, alertar — as gerações mais
jovens?
Para isso, é essencial compreender o problema e apreender
melhor toda a sua dimensão. Assim, este estudo ajudará nossos leitores a fazerem
as perguntas certas sobre uma prática que normalmente ninguém questiona e, esperamos,
também a encontrarem as respostas certas.
Primeiramente apresentamos as origens deste fenômeno,
destacando depois o perigo que ele representa para a saúde e as suas ligações
pouco conhecidas, mas infelizmente reais, com o satanismo, uma seita cujas
práticas vis estão ganhando cada vez mais popularidade entre os nossos jovens.
Que a leitura deste artigo, concebido para reflexão e
ação — porque tal tendência não deve ser aceita passivamente, mas sim
firmemente denunciada —, ajude a impedir que jovens, e até alguns já não
tão jovens, do seu círculo social, carreguem para sempre uma marca da
qual poderão arrepender-se pelo resto das suas vidas.
Da Redação de Catolicismo
AMANHÃ, TODOS TATUADOS?
Atilio Faoro
Impressas na pele de jovens e idosos, homens e
mulheres, desempregados e executivos, grevistas e ministros de governo, as
tatuagens estão por toda parte. Talvez mais em alguns do que em outros, mas uma
coisa é certa: elas definitivamente deixaram as celas das prisões e as tabernas
portuárias onde, não muito tempo atrás, pareciam confinadas para sempre.
Mais do que se tornar comum, é uma tendência que
parece pronta para varrer tudo em seu caminho. Convenções e estúdios de
tatuagem estão se multiplicando, livros sobre o assunto estão inundando as
prateleiras das livrarias e algumas marcas, como Thierry Mugler e Jean-Paul
Gaultier, estão até mesmo usando-as como ferramenta de marketing.[i] De
acordo com um estudo do Ifop (Institut français d'opinion publique),
publicado em 2017, sete milhões de franceses estavam tatuados! Isso representava
14% da população. Em 2010, um estudo inicial estimava esse número em 10%.[ii]
Um detalhe surpreendente: ao contrário do que se
poderia imaginar, o Ifop revela que as mulheres fazem mais tatuagens do que os
homens (16 % das mulheres francesas têm tatuagens, em comparação com 10% dos
homens).[iii]
Quanto ao Brasil[iv],
de acordo com o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas), existem mais de 22 mil estúdios de tatuagem no País. Uma pesquisa da
IBIS World, empresa global de pesquisa, relatórios e estatísticas de marketing,
revelou que o segmento cresceu 23,2% em 2021 em todo o mundo. No mesmo período,
o setor no Brasil superou o mundo, crescendo 25%.
A pesquisa também aponta que o Brasil está no Top 10
de países com população mais tatuada, precisamente em 9º lugar, com 32% de
pessoas tatuadas. Em primeiro lugar está a Itália, seguida da Suécia e dos
Estados Unidos.
Segundo a ABT — Associação Brasileira de Tatuadores —,
o setor movimentou por volta de 2,5 bilhões de reais em 2024, representando um
crescimento de 15% em comparação a 2023.
Na Itália e na Suécia, quase metade da população
também tem tatuagens, segundo um estudo de 2018 do instituto de pesquisas Dalia
Grupos. Antes considerados completamente imunes a esse tipo de prática, agora
exibem uma marca indelével na pele. É o caso, por exemplo, do
ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, que tatuou um grande corvo no
braço esquerdo.[v]
Ainda mais
surpreendente, seminaristas e até padres estão exibindo suas tatuagens! Em
Jerusalém, a tendência está ressurgindo entre os peregrinos, revivendo uma
prática que se diz remontar às Cruzadas. O que está por trás dessa mania? Uma
moda passageira, como a febre do bigode nos anos 1980 e a tendência da barba
hoje em dia?
A comparação é complexa porque, embora a moda seja
inerentemente passageira, as tatuagens são permanentes. Mas este, provavelmente,
não é o aspecto mais preocupante. Refletir sobre o fenômeno inevitavelmente
levanta muitas questões.
Será insignificante que uma prática antes restrita a mulheres
de má vida seja agora adotada por mães? E que cidadãos respeitáveis estejam
adotando um hábito que, até recentemente, distinguia condenados? Será que
aqueles que procuram um tatuador têm consciência de que às vezes estão
colocando seriamente sua saúde em risco? Esse risco é proporcional ao respeito
que todos devem ao seu corpo?
Um rito pagão?
É a tatuagem tão antiga como o mundo? Talvez não. Mas
uma coisa é certa: a prática era muito difundida entre culturas primitivas, e
quase sempre para fins rituais. Foi na Polinésia que a tatuagem teve seu
desenvolvimento mais significativo. Além de refletir o lugar ocupado pelos
indivíduos na hierarquia social, a prática da tatuagem visava fortalecer a
fertilidade e os laços com o sobrenatural e os espíritos guardiões — para não
dizer demônios. De certa forma, funcionava como um “batismo” pagão…[vi]
Indígena maori com o
rosto tatuado (séc. XIX).
Nas Ilhas Marquesas, na Oceania, a marca indelével era
feita por um feiticeiro, sob encantamentos de membros da tribo para encorajar
aqueles que estavam prestes a serem tatuados a suportar a dor. Os chefes podiam
cobrir todo o rosto, enquanto outros membros da tribo aplicavam marcas no torso,
costas e membros.[vii]
Na África subsaariana, a tatuagem servia para provar a identidade de alguém por
meio de uma marca tribal e para distinguir-se dos escravos, que não eram
marcados.[viii]
Na África, assim como na Polinésia, a tatuagem e a
escarificação da pele (criação artificial de cicatrizes) faziam parte dos ritos
de iniciação. Elas atestavam o pertencimento a uma comunidade e marcavam a
passagem de um estado para outro (o de criança para adolescente ou de
adolescente para adulto).[ix]
Essas agressões corporais, que sempre eram acompanhadas de grande sofrimento,
supostamente fortaleciam a personalidade de quem as sofria, e aumentavam suas
forças vitais.[x]
Na maioria das tribos nativas americanas, a tatuagem era prerrogativa de
feiticeiros que tinham cenas rituais e motivos mágicos representados em seus
corpos.[xi]
Na Europa, a prática da tatuagem desapareceu com a
cristianização — Carlos Magno ordenou sua proibição no século VIII —, mas
reapareceu no século XVIII com as grandes explorações no Oceano Pacífico.
Em 1769, enquanto o Capitão Cook estava ancorado na
costa do Taiti, seus marinheiros viram uma flotilha de nativos tatuados chegar
em canoas. Nos dias que se seguiram, marinheiros e oficiais também tiveram sua
pele marcada.[xii]
Dos marinheiros aos portos, depois das tabernas às
prisões, o caminho foi trilhado muito rapidamente. Limitada por algumas décadas
a marinheiros e párias, a tatuagem está — talvez definitivamente — de volta às
populações.
Embora aparentemente desprovida de suas funções
mágicas, ela continua a se apropriar de elementos rituais. Será coincidência
que a primeira tatuagem seja frequentemente feita por ocasião de um evento especial,
como um casamento, um nascimento, uma morte ou um acidente? Em vez de pedir um
batismo para seu filho, a jovem mãe vai ao tatuador para ter o nome do seu
pequeno inscrito em seu corpo…
Após a morte de um ente querido, a tatuagem é
considerada por alguns como uma etapa de luto, ou mesmo uma forma de manter o
falecido por perto.
O sofrimento que se aceita também
merece ser examinado.
Enquanto a dor é cada vez menos tolerada pelos nossos
contemporâneos, especialmente a causada por doenças, o sofrimento infligido
pela agulha do tatuador é aceito sem reservas. Como num rito de iniciação
tribal, ele deve marcar tanto a mente quanto o corpo. A tal ponto que se pode
questionar se uma tatuagem indolor ainda seria uma tatuagem. Uma espécie de sacerdote
secular — ou melhor, feiticeiro —, o tatuador traz seu cliente à existência,
dando à luz uma nova carne. Há um antes e um depois da tatuagem. Ser “tatuado”
é unir-se à comunidade daqueles que desejaram e suportaram essa provação.
Como um sacramento, geralmente a tatuagem tem um
caráter definitivo que não permite retorno.
Não seria este mais um paradoxo numa época em que o
efêmero e o descartável são geralmente favorecidos? Por essa razão, é difícil reduzir
a tatuagem a um simples adorno, como a barba nos homens ou o cabelo comprido
nas mulheres.
Que tipo de imagem a tatuagem celebra?
Importada da Polinésia, a tatuagem ressurgiu na Europa
através das camadas mais obscuras da sociedade: tabernas, bordéis e prisões. Deve-se
dizer que a marcação corporal representou, na cultura europeia, desde a
Antiguidade até recentemente, um sinal de infâmia.
Jovem com tatuagens em Bogotá,
Colômbia.
Na Roma Antiga, os escravos eram tatuados para que seu
status fosse imediatamente aparente. Na Idade Média, a flor-de-lis era o
símbolo dos condenados e dos marginalizados. Escravos das galeras eram marcados
com “gal”, ladrões com “v” e mendigos com “m”.[xiii]
Na França, até o fim do Antigo Regime (e mesmo sob o
Império), a marcação corporal era a punição por certos crimes. O Código Negro,
elaborado por Colbert e publicado após sua morte no final do século XVII,
prescrevia a marcação de escravos fugitivos com uma flor-de-lis como sinal de
propriedade de seu senhor e como “propriedade do próprio Estado”.[xiv]
Em 1687, um decreto real autorizou a marcação a ferro
na bochecha de soldados que abusassem da autoridade militar. Sob Luís XV, essa
marcação foi inscrita permanentemente no ombro, sendo abolida pela Assembleia
Nacional Constituinte em 1791, antes de ser reinstaurada por Napoleão em 1810.
Os comércios de escravos na Espanha, em Portugal, na Holanda, na Inglaterra e na
França também fizeram uso dessas marcas difamatórias.[xv]
A flor-de-lis também é usada em conexão com o destino
de prostitutas. D’Artagnan, ao tentar conter Milady, rasga involuntariamente
seu roupão, descobre a marca vergonhosa e, “com
um choque indescritível, reconheceu a flor-de-lis, aquela marca indelével
impressa pela mão vergonhosa do carrasco…”[xvi]
Símbolo de reconhecimento e afiliação a um grupo
antissocial, ao “submundo”, a tatuagem funciona como um sinal de marginalização
voluntária que “reitera o desejo de se distanciar do resto da sociedade”. Expressa,
então, o ódio à polícia, ao sistema judiciário, a uma hierarquia, a um regime
político ou à sociedade como um todo.
Um ponto na primeira falange de cada dedo significa:
“Odeio a justiça até a ponta dos meus dedos”; três pontos em um triângulo: “Morte
aos porcos”; sem mencionar as frases tatuadas exibidas sem qualquer
ambiguidade: “Meu ódio aos policiais”, “Odeio a justiça”, “Nem Deus nem
mestre”, “Derrotado, mas não domado”, “Sem piedade”.[xvii]
Na Rússia, os desenhos e a quantidade de tatuagens dos
prisioneiros fornecem pistas sobre o motivo de sua prisão e estabelecem uma
espécie de hierarquia dentro do sistema prisional. Uma caveira com ossos
cruzados, por exemplo, significa condenação por assassinato, enquanto uma
sirene pode indicar abuso sexual infantil.[xviii]
No Japão, a tatuagem está intimamente ligada à máfia
Yakuza, com 68% de seus membros supostamente tatuados.[xix]
Na América Central e do Norte, a tatuagem é amplamente
praticada por gangues, particularmente a Mara Salvatrucha. Fazer uma tatuagem é
um ato irreversível que os membros dessa organização criminosa, talvez a mais
perigosa do continente, “merecem” após cometerem delitos e crimes.[xx]
Teias de aranha, lápides, arame farpado ou figuras
demoníacas estão frequentemente entre as muitas tatuagens usadas por esses
criminosos. Uma caveira significa assassinato e geralmente é encontrada nos
tornozelos. Uma torre de vigia evoca a prisão, e uma lágrima, geralmente no
rosto, mostra envolvimento em um assassinato.[xxi]
Outro grupo historicamente marginalizado que aprecia
tatuagens é a comunidade homossexual. Um relatório do Pinterest revela um
aumento de 1512% nas buscas por “tatuagens lésbicas” em 2019, enquanto as
palavras-chave “tatuagens transgênero” registraram um aumento de 1131%.[xxii]
No Brasil, a pesquisadora Silvana Jeha recompôs a
história da tatuagem no meio urbano brasileiro entre o século XIX e o ano de
1970, década em que a prática começou a dissociar-se da ideia de marginalidade.
A pesquisa resultou na obra Uma História da Tatuagem no Brasil: Do Século
XIX à Década de 1970.[xxiii]
Foi no século XIX, com navegadores não apenas europeus, mas também
norte-americanos e do Oriente Médio, que as tatuagens se disseminaram por aqui.
Em comum, havia o fato de adotarem a prática como forma de expressar
sentimentos, identidade religiosa ou pertencimento nacional.[xxiv]
A partir da década de 1980, influenciadas
principalmente por cantores pop e rock, as tatuagens escaparam
dos guetos onde estavam confinadas, tornando-se comuns e, posteriormente,
disseminadas por toda a sociedade.
Mas será que as tatuagens se afastaram do submundo, ou
foi a sociedade como um todo que se aproximou dele? Tudo indica que a tatuagem
é a consagração de uma inversão de normas sem precedentes: o criminoso e a
prostituta deixaram de ser marginais, adquirindo sutilmente o status de
exemplo a ser seguido.
Uma prática sem riscos?
O amor-próprio e o instinto de conservação estabelecem
que devemos evitar expor a saúde a perigos desnecessários. Será que a prática
da tatuagem permite o cumprimento desse imperativo moral? Longe de ser certo… Fazer
uma tatuagem representa um risco considerável para a saúde, do qual as pessoas
mais diretamente envolvidas raramente têm consciência.
Para introduzir a tinta sob a epiderme, o tatuador
perfura a pele milhares de vezes com uma agulha contendo uma mistura de
solventes e pigmentos.[xxv]
Essa ruptura na barreira cutânea pode ser uma porta de
entrada para infecções bacterianas, como estafilococos, especialmente se o
tatuador trabalha em condições precárias.[xxvi]
Há também o risco de contaminação por certos vírus
transmitidos pelo sangue (HIV, hepatite etc.), se o equipamento for reutilizado.[xxvii]
Além disso, a tatuagem acarreta o risco de alergia (na
maioria das vezes devido à tinta vermelha): a tatuagem pode coçar, inchar ou
desenvolver lesões. Essas alergias podem ser aliviadas com cremes
corticosteroides, mas a remoção da tatuagem a laser ou cirúrgica às vezes é
necessária.[xxviii]
Portanto, não é sem razão que pessoas com eczema, psoríase, lúpus, sarcoidose
ou vitiligo sejam aconselhadas a evitar tatuagens.[xxix]
Inseridos na derme, os pigmentos viajam por todo o
corpo através do sistema linfático, sendo também encontrados nos gânglios
linfáticos.[xxx]
Notemos também que as tatuagens às vezes são muito
grandes, cobrindo mais de 50% da superfície corporal. Com uma taxa de 1 mg de
tinta por cm², a quantidade de tinta injetada é, portanto, muito significativa.
É compreensível, então, por que a questão da toxicidade da tinta se torna
importante.[xxxi]
Essas tatuagens são frequentemente multicoloridas,
utilizando novas tintas cuja composição raramente é especificada. Essas tintas
permanecem na pele por um longo tempo, sofrendo alterações em suas estruturas
físicas e químicas, particularmente sob o efeito da radiação UV ou do laser
usado para tentar remover a tatuagem.[xxxii]
Nos últimos anos, esses novos componentes, incluindo
corantes orgânicos e conservantes, proliferaram nas tintas de tatuagem, assim
como sais metálicos, às vezes em altas concentrações e, mais recentemente, na
forma de nanopartículas (titânio). Não há dados disponíveis sobre sua
toxicidade após injeção intradérmica.[xxxiii]
Na França, o aumento no número de tatuagens tornou-se
uma preocupação de saúde pública tão grande que, em abril de 2017, a Assistance
Publique – Hôpitaux de Paris (AP-HP) inaugurou o primeiro consultório
dedicado ao tratamento de complicações relacionadas a tatuagens. Este
ambulatório visa atender à crescente necessidade de informação e aconselhamento
tanto de pacientes quanto de profissionais de saúde.[xxxiv]
Além dos riscos
à saúde física, existem também os que ameaçam o bem-estar mental. Muitas vezes
feita por impulso, a tatuagem permanece impressa no corpo para sempre. Como
conviver com uma tatuagem da qual se arrepende? A expressão “sentir-se
desconfortável na própria pele” talvez nunca tenha sido tão apropriada como numa
situação semelhante a essa.
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| Fotos das tatuagens da Yakuza viralizaram e levaram à detenção do líder da máfia japonesa. [Reprodução/Redes Sociais] |
Uma porta aberta para Satanás?
“Não fareis
incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo.
Eu sou o Senhor” (Levítico 19,
28).
Mara Salvatrucha,
organização criminosa
da América Central
Como podemos nos surpreender que os satanistas sejam
os primeiros a desafiar essa proibição bíblica? “Meu corpo me pertence”,
proclama o homem moderno. Essa afirmação justifica tatuagens, piercings,
uso de drogas, mas também reprodução assistida, barriga de aluguel, eutanásia,
aborto, transumanismo…
Para os satanistas, a tatuagem não é mais apenas uma
rebelião contra a ordem social, mas uma rebelião direta contra Deus. Ela sela seu
pertencimento à Besta, cuja marca a pessoa tatuada — muitas vezes sem ter
consciência disto — carrega. Um site comercial com temas satânicos convida seus
visitantes a tatuarem uma imagem demoníaca na pele: “Você pode adicionar qualquer símbolo satânico ou algumas citações
apropriadas à imagem também. De fato, Satanás traz o mal, a tentação e a
sedução aos seres humanos no caminho do pecado.”[xxxv]
O site fornece alguns detalhes arrepiantes: “Demônios,
símbolos de magia negra e línguas de fogo são frequentemente representados como
representações de Satanás. Um pentagrama invertido simboliza rebelião ou o
controle do homem e é conhecido como o ‘Selo de Baphomet’. A cruz invertida
desonra diretamente a Cristo e representa forças opostas. Um olho dentro da
pirâmide personifica Satanás, sugerindo que as pessoas são divinas e não
precisam de Deus.”
“A tatuagem
de Satanás pode ser esculpida em um design
colorido para impressionar quem a vê. Na verdade, a tatuagem de Satanás também
pode simbolizar luta interior, paixão, poder e recusa em se conformar.”
Em 2017, dois satanistas, seguidores de Anton LaVey,
levaram o horror a um nível completamente novo ao tatuarem um pentagrama
satânico no ventre de seu bebê![xxxvi]
Esse ato horripilante tinha como objetivo simbolizar a oferenda da criança a
Satanás.
“Assim, ele se junta à nossa comunidade de fiéis e à
grande família de Belzebu”, anunciou
orgulhosamente a mãe nas redes sociais. “Satanás reconhecerá os seus”,
acrescentou o companheiro, provocando fortes reações online.
No prefácio do livro Manual de Demonologia, de
Simone Iuliano, o padre Gabriel Amorth, ex-exorcista da Diocese de Roma, e o
padre Mario Granato soam o alarme.[xxxvii]
Segundo eles, um cristão que faz uma tatuagem comete um ato satânico não
intencional, na medida em que ataca o Templo do Espírito Santo, que é o corpo
da pessoa batizada.
Eles também citam Anton LaVey, o fundador da Igreja de
Satã nos Estados Unidos, que afirma em seu livro Primitivos modernos que
por trás de cada tatuagem, independentemente do desenho, está Satanás e que é
da sua vontade que as tatuagens se multipliquem.
E após as tatuagens?
À medida que as tatuagens se tornam mais comuns,
inevitavelmente vão sendo consideradas sem o caráter transgressor. Amanhã, qual
nova marca no corpo ocupará o lugar que as tatuagens representam atualmente? As
primeiras respostas já estão surgindo e estão longe de ser tranquilizadoras.
Tatuagem com implante
[GNU Free Documentation License]
Depois das tatuagens na pele, vêm as tatuagens nos
olhos! A técnica, modificada ao longo dos anos, consiste em injetar pigmento
diretamente no globo ocular, de forma que fique sob a fina camada externa do
olho, a conjuntiva.
Mais uma vez, a tendência teve origem no mundo da
criminalidade. Em 2015, o julgamento de Jason Barnum, um criminoso com um olho
completamente roxo, no Alasca (EUA), trouxe esse fenômeno à tona, e desde então
ele vem ganhando novos adeptos.[xxxviii]
Como se temia, a prática é muito perigosa, com um
risco significativo de cegueira.
“Meu conselho é não fazer, já que não há benefício
comprovado e existe o risco de dor e perda de visão”, disse Jeffrey Walline, da Associação Americana de
Oftalmologia, à BBC. A preocupação é tão grande que alguns estados americanos
estão considerando proibir a tatuagem do globo ocular.[xxxix]
O Prof. Gilles Renard, oftalmologista francês, também
alerta: “O pigmento é introduzido em uma estrutura vascularizada, com o
risco de se espalhar para onde não se deseja. Pode ocorrer uma reação
inflamatória ou imunológica, e há risco de sangramento. E, diferentemente da
pele, há um órgão vital envolvido: o olho. Se o dispositivo de tatuagem
penetrar demais na parede do olho, há um grande risco de cegueira.”[xl]
As primeiras vítimas já estão aparecendo. O rapper polonês Popek, filmado fazendo
uma tatuagem no olho com Luna Cobra em Londres, relatou queimaduras graves que
o mantiveram acordado por vários dias. Outro artista jamaicano, Mace, perdeu a
visão. No Daily Mail, o brasileiro
Rodrigo Fernando dos Santos declarou: “Chorei tinta por dois dias.”[xli]
No entanto, existe algo ainda mais abominável do que
tatuagens nos olhos: implantes sob a pele, inclusive de chifres! No México,
Maria José Cristerna, de 35 anos, é advogada de formação e mãe de quatro
filhos. Um perfil aparentemente tranquilo, mas em seu país ela é apelidada de “mulher
vampira”![xlii]
Seu corpo é inteiramente coberto de tatuagens. Ela tem chifres de titânio
implantados no crânio e implantes dentários que lembram presas. Segundo ela,
seus chifres são um símbolo de força. Os implantes foram feitos sem anestesia.
As presas, porém, foram adicionadas porque Cristerna “adorava vampiros” quando
era criança. Mas sua transformação não terminou. Ela está considerando
implantar chifres na parte de trás da cabeça…
Em Los Angeles, EUA, um ex-banqueiro gastou nada menos
que US$ 68.000 para se transformar em um réptil![xliii]
O homem começou sua transformação em 1997, após descobrir que era portador do
HIV. Ele então decidiu alterar sua aparência para se tornar uma
“mulher-dragão”. Agora se autodenominando Tiamat Legion Medusa, ele explicou ao
Daily Mail que queria se tornar uma criatura reptiliana transgênero.
Desde então, ele implantou 18 chifres, removeu suas
orelhas e parte do nariz (operações inspiradas em Voldemort, o vilão da saga
Harry Potter). Também teve vários dentes extraídos e passou por uma cirurgia
para criar uma língua bifurcada.
Enquanto isso, no Reino Unido, um homem está se
transformando gradualmente no diabo![xliv]
Como explicou em uma reportagem exibida no Canal 5, Diablo Delenfer (nome verdadeiro Gavin Paslow) agiu “com total
consciência”.
Após se descrever como um “Artista de Modificação
Corporal”, este ex-segurança divorciado e pai de dois filhos esclareceu: “Escolhi me tornar um demônio porque,
tirando isso, tudo já foi feito. Mas eu não sou absolutamente um seguidor de
Satanás, estou apenas me divertindo. É um pouco estranho e excêntrico, é
verdade, mas é quem eu sou!” Diablo teve que se submeter a vários
procedimentos sem anestesia. Sua “língua bifurcada”, as tatuagens em seus
globos oculares e a inserção dos implantes de “chifres”, por exemplo, foram
realizados sem anestesia. “Você vê as
agulhas chegando e é bastante estressante. Mas você não pode ter medo da dor
quando é o Diabo!", ele se vangloria...
Como não pensar que todas essas almas infelizes estão
se preparando para o Inferno?
![]() |
| [Divulgação] |
Conclusão
Concebida por pagãos, popularizada por malfeitores,
perigosa para a saúde, exibindo ligações perturbadoras com o satanismo e
abrindo caminho para tendências ainda mais abomináveis, a prática da tatuagem é
fundamentalmente errada e deve ser rejeitada como tal pelos cristãos de hoje, assim
como o foi pelos do passado.
No entanto, simplesmente não ceder a essa tendência
degradante não é suficiente. Ela também deve ser vigorosamente combatida. E,
para isso, argumentos lógicos e factualmente sólidos devem ser empregados. Que
a leitura deste artigo tenha lhe fornecido esses argumentos!
Agora, chegou a hora de expressar corajosamente sua
opinião aos seus entes queridos. Nunca é fácil criticar uma tendência,
especialmente quando ela é quase unanimemente aceita. Mas se você não o fizer,
quem o fará?
Você certamente encontrará oposição e talvez até mesmo
sarcasmo de seus detratores. Não desanime! Mesmo aqueles que discordam de você
terão que reconhecer sua coragem. E, antes de fazer uma tatuagem, seus
argumentos provavelmente voltarão à tona para eles. Você talvez nunca saiba,
mas graças à sua honestidade, terá evitado que um dos seus faça algo irreparável.
[i]Laura Gabrieli, “Você nunca vai adivinhar o número de pessoas tatuadas na França…”, Marie France, janeiro de 2017
[ii]Ibid.
[iii]Ibid.
[v]The Huffington Post Quebec, “Eis o significado da famosa tatuagem de Justin Trudeau”, março de 2017
[vi]https://www.kustomtattoo.com/origines-du-tatouage/
[vii]Ibid.
[viii] Ibid.
[ix]Ibid.
[x]Ibid.
[xi]Ibid.
[xii]France Inter, “At the Origins of Tattooing,” February 2019
[xiii]Ibid.
[xiv]Emma Viguier, Corpo Dissidente, Defendendo o Corpo: Tatuagem, uma “Pele de Resistência”, Amnis, 2010
[xv]Ibid.
[xvi]Ibid.
[xvii]Ibid.
[xviii]Romain Geoffroy, “Tattooing, a primitive art that has become popular,” Le Monde, março de 2018
[xix]Alec Dubro, David Kaplan, Yakuza, the Japanese Mafia, Philippe Picquier, 2001, p. 52
[xx] www.opnminded.com/2017/04/26/tattoo-gang-ms-13-barrio-18.html
[xxi]Ibid.
[xxii]HéloïseFamié-Galtier, “Tatuagens, um forte marcador de identidade para pessoas LGBT”, PureTrend, fevereiro de 2019
[xxiii]https://revistaplaneta.com.br/corpos-marcados-a-historia-da-tatuagem-no-brasil
[xxiv]Ibid.
[xxv]https://www.passeportsante.net/fr/Actualites/Dossiers/DossierComplexe.aspx?doc=Tatouages-piercings-quels-risques-et-comment-les-eviter
[xxvi] Ibid.
[xxvii]Ibid.
[xxviii]Ibid.
[xxix]Ibid.
[xxx]Camille Gaubert, « Tatouages : des risques non évalués », Sciencesetavenir.fr, octobre 2017
[xxxi]Ibid.
[xxxii]Ibid.
[xxxiii]Ibid.
[xxxiv]Ibid.
[xxxvi]https://secretnews.fr/2017/04/11/bapteme-nouveau-ne-parents-satanistes-tatouer-diable-ventre/
[xxxvii]https://es.churchpop.com/2019/02/18/las-distintas-opiniones-del-exorcista-amorth-y-el-padre-fortea-sobre-los-tatuajes/
[xxxviii]20minutes.fr, « Tatouage des yeux, la dangereuse pratique venue des Etats-Unis », janvier 2015
[xxxix]Audrey Vaugrente, « Tatouage de l’œil : la mode qui inquiète les ophtalmos », pourquoidocteur.fr, janvier 2015
[xl]Ibid.
[xli]Ibid.
[xlii]7sur7, « La "femme vampire" tatouée et cornée », avril 2011
[xliii]RTL INFO.BE, « Castration, cornes, découpage de la langue, des oreilles et du nez: un ancien banquierdépense 68.000 euros pour devenir un reptile », août 2019




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