Fisionomia bem diferente dos habituais ‘santinhos’ que conhecemos — normalmente distribuídos em igrejas e pintados segundo uma iconografia progressista — em que o santo parece sentimental, adocicado, hesitante e mole. O oposto das grandes virtudes de São Francisco de Assis, considerado uma das maiores glórias da Igreja em todos os tempos, um varão de extrema determinação e força de vontade, sem nenhuma moleza como é apresentado por tal iconografia. Oito séculos depois sua mensagem permanece atual e increpando o mundo.
✅ Fonte: Revista Catolicismo, Nº 910, outubro/2026
No dia 3 de outubro completam-se 800 anos da morte de São Francisco de Assis, ocorrida em 1226. Para ressaltar esta importante efeméride, a matéria de capa da edição deste mês contempla a riquíssima grandeza do Poverello de Assis.
Muito mais do que o santo sentimental, mole e adocicado, amigo bonzinho dos animais e da natureza, como tantas vezes o apresentam de modo desfigurado os progressistas — que de católicos só têm o nome —, apresentamos São Francisco como ele de fato foi: um homem de extraordinária firmeza, pureza, serenidade, espírito de contemplação e força de vontade; em suma, um cruzado!
O centro de sua espiritualidade encontra-se na Cruz. Neste sentido, dele afirmou o restaurador da Ordem de São Bento na França, Dom Prosper Guéranger, O.S.B.: “A Cruz é o grande livro no qual se formou a alma de Francisco. Desde a hora em que o Cristo da Igreja do Damião lhe falou, ele não quis pensar a não ser na Paixão de Jesus.”
Daí toda a sua existência trilhada nos passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando origem à radical pobreza do santo franciscano. Ao renunciar aos bens — e até mesmo às suas roupas diante de seu pai, Pedro Bernardone —, ele não realizou simplesmente uma ruptura familiar, mas, por uma razão mais alta, proclamou, com sua própria vida, que Deus deve ocupar o primeiro lugar e que nenhum bem terreno pode escravizar a alma.
Como poderemos ver em tal edição, Plinio Corrêa de Oliveira revela o segredo da santidade e grandeza de São Francisco, e o considera portador de uma efetiva “ação contra-revolucionária preventiva”. Pois sua humildade, pureza e austeridade contribuíram para deter tendências de orgulho, sensualidade e apego aos bens terrenos que começavam a corroer no século XIII a Cristandade medieval.
A missão de São Francisco foi profundamente marial, aparecendo como uma das grandes figuras suscitadas pela Providência Divina para defender e restaurar a Cristandade. Sua devoção à Imaculada Conceição ocupou lugar central na espiritualidade franciscana muito antes da definição dogmática desse privilégio de Nossa Senhora.
Oito séculos depois, sua mensagem permanece atual e increpando o mundo: amar a Cruz; vencer o orgulho pela humildade; a sensualidade pela pureza; o apego pelo desapego, e colocar toda a vida a serviço de Deus e da Santíssima Virgem.
Para todos os católicos — especialmente para os inúmeros devotos de São Francisco —, este oitavo centenário constitui, portanto, uma ocasião privilegiada para renovar o autêntico espírito franciscano e pedir a ele que nos alcance a graça de sermos, em nosso tempo, de modo íntegro, plenamente de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima.

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