8 de janeiro de 2014

“Se a palavra submissa incomoda, queimai a Bíblia”



Cid Alencastro 
Revista Catolicismo, Nº 757, janeiro/2013 

A jornalista italiana Costanza Miriano [foto], que trabalha na RAI (Rádio e TV italiana, estatal), gerou uma grande polêmica com a publicação de seu corajoso livro "Casa e sê submissa" (Sposati e sii sottomessa[foto abaixo], um best-seller na Itália, já traduzido na Espanha por iniciativa da Arquidiocese de Granada. 


Neste último país, em apenas uma semana, o livro foi objeto de uma polêmica que chegou ao Congresso. A esquerda estremeceu. O Partido Socialista (PSOE) pediu ao governo que tome medidas para evitar que a obra faça “apología do machismo”. Furiosa, a deputada socialista Carmen Montón diz que o livro “não contribui para a luta contra a violência de gênero, pois joga lenha ao fogo da violência machista”. 

Também a Esquerda Unida (IU) reagiu, pedindo à Promotoria de Granada que intervenha contra a edição e a venda da obra, com base no delito de “apologia da violência contra as mulheres”. 

A autora, 42 anos, mãe de quatro filhos, residente em Roma, diz que sua fonte de inspiração é o Apóstolo São Paulo e apresenta citações recolhidas na Bíblia. Por isso, mostra-se surpresa com toda essa polêmica. Em entrevista ao jornal espanhol “El País” (17-11-13), afirma:  

“Estou consternada por imaginar que podem censurar o livro, que contém ideias que a Igreja proclama ao mundo desde sempre. De início imprimi apenas 1.200 copias. Telefonei para minha família com a esperança de que pelo menos comprassem uma meia dúzia. Mas depois o livro teve muitas edições, mais de vinte, creio”. 

O entrevistador diz que o livro está sendo acusado de defender a violência contra as mulheres. Constanza responde:

“Em que ponto exato eu exorto, defendo, desculpo, justifico ou menciono a violência, mesmo remotamente? Em que momento digo algo disso? Onde? Com que palavras? A única violência que vejo em tudo isto é a que estão fazendo contra mim, que também sou mulher. Uma agressão indignante. Não se pode lançar acusações ao ar. 

“Não escrevi um tratado de sociologia. Olhei para a minha realidade e a de meus amigos, e nossos problemas são como ser feliz com nossos maridos, como amar melhor, como cuidar deles e como pedir que cuidem de nós, como manter unidos todos os papéis que tem uma mulher moderna: mulher, mãe, trabalhadora, mulher de fé que cultiva o espírito, mas que também aprecia cuidar de seu corpo. Quem imaginaria que meus escritos iriam ser lidos por 50.000 pessoas na Itália e no Exterior? 

“Cristo morreu por sua esposa, a Igreja. Um homem que segue os mandamentos é um homem disposto a morrer por sua esposa. A esposa, segundo a Igreja, é uma esposa dócil face a um homem dócil, generoso. É a lógica cristã”.

O entrevistador insiste na questão da suposta violência. 

“Se o que incomoda é a palavra submissa, então queimai todas as cópias da Bíblia. Nesse caso, será para mim uma honra ir para a fogueira”. 

Constanza se refere aqui à seguinte exortação do Apóstolo São Paulo: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor [...] Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 22-25). 

Encerra a autora: “Como a Igreja, eu recuso a palavra gênero. Creio que há dois sexos, não gêneros. Ademais, eu rechaço a violência. Basta-me o quinto mandamento: ‘Não matarás’. Isso significa não matar as crianças (inclusive dentro do útero, porque a violência aí se dá em evidente desproporção entre a vítima e o verdugo), não matar mulheres, não matar homens”.

5 comentários:

NEREU.PEPLOW_ADVOCACIA&AIKIDO disse...

E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R !!!!! E "tolitur quaestio".

Francisco Guilherme disse...

Bem, aí é uma questão de interpretação, não se pode entender essa passagem da Bíblia ao pé da letra! Quando S. Paulo diz que uma mulher deve ser submissa ao seu marido, ele se refere a etimologia da palavra: "submissione", que vem do latim e que significa "sob missão", no sentido de que a mulher tem uma missão p/ com o marido, de ajudá-lo, de viver ao seu lado, etc. Só isso e nada mais!

silvia disse...

pois é, com as telenovelas incitando valores tão contrarios a palavra deixada por JESUS CRISTO,era de se esperar que em meio a conta gotas anos a fio de valores invertidos, essa obra acabasse sendo rechassada por muitos, mas devemos levar em conta a beleza que foi a venda de mais de 5 edições, significa que o mundo tem ainda jeito, não é??

Edilene disse...

O mundo só chegou nesse grau de loucura que está, graças a essa doidivanas feministas, que acham que são iguais aos homens.
Resultado: Frustradas, lunáticas e, sozinhas, sem amor, sem o AMOR de um Homem que as proteja, e para chamarem de "SEU" que é o que tem que ser, sempre e para sempre.
MAS, A VERDADE É QUE A MULHER NUNCA SERÁ IGUAL AO HOMEM.
QUEM NÃO QUISER CONCORDAR, PODE MORDER O NARIZ.

alal001 disse...

Caro Paulo Roberto:-

Como faço para entrar em contato com esta jornalista italiana, Sra. Constanza Miriano???
Meu objetivo e´conseguir os direitoa autorais para lingua portuguesa do livro dela, para o meu movimento Pró-Vida, fazer a tradução para o português e divulgá-lo aqui no Brasil!!!
Você poderia me conseguir o e-mail dela???
Um grande abraço:-

Alexandre Luiz Antonio da Luz
Ex-Presidente da Sociedade Protetora dos Nascituros Imaculada Conceição de Maria
Movimento Pró-Vida da Arquidiocese de Curitiba