11 de dezembro de 2022

ELEIÇÕES VENEZUELAS: UM CONCHAVO

 

Os semelhantes dão as mãos aos semelhantes assim como um gambá cheira outro gambá...

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Paulo Roberto Campos 

O próprio ditador da Venezuela confessou que as eleições no país não foram livres. Segundo notícia da “France Presse”, Nicolás Maduro condicionou a “realização de eleições livres no país à retirada completa das sanções de países como os EUA à sua economia”. 

A “Folha de S. Paulo” (2-12-22) publicou: “Maduro já vinha reivindicando o alívio das sanções dos EUA, Canadá e União Europeia, mas na declaração desta quarta-feira fez uma relação causal entre essa medida e a realização de um pleito livre. O calendário eleitoral oficial de Caracas prevê uma disputa presidencial para 2024, mas o regime ainda não definiu uma data”

Podemos dizer que Maduro também não definiu se as eleições em 2024 serão livres ou com as “cartas marcadas”. 

Todos já sabíamos desse conchavo, mas agora o próprio “eleito” reconhece que não foi eleito... 

Lula felicita Castillo e este felicita Lula
Não merece ele o mesmo destino do ex-presidente peruano, Pedro Castillo, da ex-presidente argentina, Cristina Kirchner e do ex-presidente brasileiro, Lula da Silva? Os três foram condenados à prisão, os três são defensores de jurássicas ideologias comunistas, os três manifestam amizades mútuas, os três se felicitam mutuamente. [veja exemplo na foto ao lado]. 

Os semelhantes dão as mãos aos semelhantes assim como um gambá cheira outro gambá...

7 de dezembro de 2022

Arma poderosa para destruir as heresias modernas


Da Encíclica Ad diem illum de São Pio X, em 2-2-1904 

“Creiam os povos e professem que a Virgem Maria foi preservada de toda mancha de pecado desde o primeiro instante de sua conceição: desde logo torna-se-lhes mister admitir o pecado original, a redenção da humanidade por Jesus Cristo, o Evangelho e a Igreja, enfim, a lei do sofrimento. 

Em virtude disto, todo ‘racionalismo’ e ‘materialismo’ que campeia pelo mundo é arrancado e destruído em suas raízes, cabendo à sabedoria cristã a glória de ter guardado e defendido a verdade. 

Além disso, é vezo perverso, e comum a todos os inimigos da Fé, sobretudo em nossa época, repudiar e proclamar que se deve repudiar todo respeito e toda obediência à autoridade da Igreja, e mesmo de todo poder humano, na crença de que em consequência lhes será mais fácil banir a fé dos corações. Aqui está a origem do ‘anarquismo’, a mais nociva e perniciosa doutrina que possa existir, tanto na ordem natural quanto na sobrenatural. 

Ora, tal peste, fatal tanto à sociedade como ao nome cristão, é ferida de morte pelo dogma da Imaculada Conceição de Maria, pela obrigação que este dogma impõe de atribuir à Igreja um poder em face do qual tem que se curvar não só a vontade, mas também a inteligência. Pois é em virtude de tal submissão que o povo cristão canta este louvor da Virgem: 'Toda sois formosa, ó Maria, e não há em Vós a mancha original` (Grad. da Missa da festa da Imac. Conc.). 

Daí se justifica uma vez mais o que a Igreja afirma da Virgem, dizendo que 'só Ela exterminou todas as heresias do mundo inteiro`."

6 de dezembro de 2022

O MARAVILHOSO PRIVILÉGIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO

O Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição

No próximo dia 8 dezembro celebra-se a festividade da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem. Em Sua homenagem, transcrevemos abaixo o extraordinário sermão proferido pelo Padre Thiago Fragoso no dia 8 de dezembro de 2021 — publicado na revista Catolicismo deste mês —, no qual ele discorre sobre o sublime e singular privilégio da Imaculada Mãe de Deus, tornado dogma pelo Bem-aventurado Papa Pio IX em 1854. Dogma promulgado com base nos Evangelhos e coroando tradições muito antigas. 

Celebramos neste dia, com grande exultação, o privilégio singularíssimo da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Este dogma da nossa divina Religião está muito bem enraizado no coração do povo fiel porque é indissociavelmente único do mistério da Encarnação do Verbo. 

Com efeito, Maria Santíssima foi preservada imune de toda mancha de pecado precisamente para que fosse a Mãe do Salvador. Celebrada no coração do Advento, essa festa apresenta-se como aurora da nossa salvação ao preparar o ventre bendito onde se daria o milagre da Encarnação. 

Antevendo a queda dos nossos primeiros pais, o Senhor não abandonou a humanidade prostrada pelo pecado original, mas planejou a sua Redenção na plenitude dos tempos quando o Filho Unigênito deveria nascer de uma mulher (cf. Gl 4,4). 

Não convinha, contudo, que essa mulher — essa filha de Adão — que teria o privilégio de gerar o Verbo de Deus feito carne e lhe dar natureza humana, fosse tocada pela mancha do pecado original, porque, segundo a sentença do livro de Jó, jamais poderá o puro vir dum ser impuro (cf. Jó 14,4). Fazendo com que Maria fosse concebida sem pecado, Deus cumpria a promessa de que a Mulher calcaria sob os pés a cabeça soberba da Antiga Serpente (cf. Gn 3,15). 

“Et nomem Virginis Maria”
(Lc 1,27). Este nome dulcíssimo da Mãe de Deus desperta nas almas fiéis um gozo tal que palavras não podem suficientemente exprimir. O simples ressoar desse nome põe nos lábios do Altíssimo o sorriso de um regozijo que se derrama sobre toda a criação enquanto causa tremores terríveis no Inferno habitado por aquele que, na bendita conceição hoje celebrada, viu-se vencido por uma criatura mortal. 

Ao deleite do Céu e da Terra corresponde o pavor das hostes infernais. O inimigo de Deus e de todo o gênero humano, embora nutra um ódio visceral à Mãe de Deus, deve inclinar diante dela sua fronte e reconhecer sua derrota porque, por singular privilégio de Deus onipotente e em previsão dos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa Virgem foi preservada desde o primeiríssimo instante do labéu com o qual Satanás conspurcou a pureza original da humanidade. 

Essa inimizade é sinal do constante estado de beligerância no qual se encontram a descendência da Mulher e a da Serpente, isto é, o conflito entre aqueles que, por serem membros da Igreja — Corpo místico de Cristo — tornaram-se filhos da Virgem e os outros que, conculcando as promessas batismais, sacudiram fora o suave jugo do Senhor, tornando-se descendência do Inimigo de Deus. 

Ora, vê-se aqui a inimizade entre a Santa Igreja, assembleia dos fiéis redimidos e o mundo do terror, da ganância e de toda sorte de vícios ao qual cabe perfeitamente a denominação do Reino de Satanás. 

Nestes últimos tempos temos assistido o desencadear de uma brutal e escancarada perseguição movida pelo mundo contra a Igreja de Deus e nisso está um sinal claríssimo dessa inimizade anunciada pelo Altíssimo no Éden. 

De modo cada vez mais evidente, o mundo procura atacar a descendência da Mulher de todos os modos; busca com todas as armas aniquilar a Santa Igreja, da qual a Santíssima Virgem é Mãe, como atestam as Sagradas Escrituras (cf. Jo 19,27). O mundo odeia a Igreja porque ela o acusa; rejeita-a como o fogo rejeita a presença da água porque esta ameaça sua existência. 

Com grande dor, vemos multiplicarem-se mundo afora as ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria. As blasfêmias e desonras contra Maria que eram gestadas em corações ímpios e depravados e não ousavam transpor o limite do foro íntimo são agora propaladas com grande velocidade pelos meios de comunicação. 

Não há mais vergonha em ofender a Virgem Santíssima precisamente porque não há mais no coração dos homens aquele senso sobrenatural da Fé Católica que constituía uma barreira à imoralidade que vemos em todos os ambientes. 

Os mais sórdidos e abomináveis pecados contra a santidade, a pureza, a honra e a dignidade da Mãe de Deus, são perpetrados diariamente; por vezes, sob o olhar silencioso e, por isso, conivente das autoridades religiosas. A Mãe de Deus é substituída por divindades pagãs entronizadas solenemente em ambientes religiosos. 

Sua Imagem sagrada é manipulada e deturpada de modo sujo e despudorado. Propagam-se insultos à sua pessoa e mentiras relacionadas aos dogmas que a ela dizem respeito. Peças teatrais, programas de televisão, matérias de um jornalismo barato e obras de "arte" blasfemas contribuem para arrefecer no coração dos homens o respeito e o amor devidos à Virgem Imaculada. 

A Imaculada Conceição, obra-prima de Piero di Cosimo na Uffizi (1485-1505), basílica da Santíssima Annunziata, Florença

Será que o Pai Eterno tão justo nos Seus juízos permitirá por muito tempo essas ofensas execráveis contra a obra prima de Suas mãos? Será que um Filho extremoso como Nosso Senhor, um Filho que nutre o amor mais perfeito que um filho pode nutrir pela própria mãe permitirá que fique impune essa obra diabólica contra Sua Mãe Imaculada? 

Será que o Espírito Paráclito, que nos guia à Verdade completa (cf. Jo 16,3) deixará ser ofendida a honra da Sua esposa puríssima? 

Os acontecimentos lamentáveis dos últimos anos — inclusive a crise de fé que se abateu sobre a Igreja — são anúncio do triunfo do Imaculado Coração de Maria, conforme Ela profetizou aos pastorinhos de Fátima na aparição de 13 de julho de 1917. 

No I Domingo do Advento ouvimos as palavras do Senhor: "Haverá sinais no sol, na lua, nas estrelas, e na Terra consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de susto, na expectativa do que virá sobre todo o mundo, porque as virtudes dos Céus se abalarão" (Lc 21, 15-26). 

Ao comentar essa passagem do Evangelho, Santo Agostinho de Hipona dá-nos uma importante chave interpretativa. O Doutor da Graça afirma que, ao falar dos sinais do sol, na luz e nas estrelas, Nosso Senhor refere-se à Igreja de quem se diz "formosa como a lua, brilhante como o sol". 

Deixará de brilhar a Igreja pela força tremenda da perseguição da qual será vítima. Muitos autores sagrados são enfáticos ao afirmar uma perseguição inaudita à Igreja de Cristo. Em determinado momento da História, o mal parecerá ter triunfado finalmente sobre a Esposa do Senhor. Satanás espalhará seus erros pelo mundo e quando uma maléfica tranquilidade reinar é então que o Senhor se levantará para julgar o mundo. 

A solenidade do dia 8 de dezembro tem muito a nos dizer nesse contexto difícil que a Igreja atravessa. Com efeito, a festa de hoje celebra o triunfo obtido por Cristo sobre o Antigo Inimigo com a concepção de Sua Mãe Santíssima. Ao ser concebida sem pecado original no seio outrora estéril de Sant´Ana, a Virgem esmaga a cabeça da Serpente.

Concebendo o Verbo de Deus e engendrando Sua Humanidade no seu seio virginal, a Rainha do mundo imporá novo e duro golpe ao Diabo ao se tornar Mãe de Deus segundo a carne, sendo ela uma criatura feita do mesmo barro que ele havia corrompido no Paraíso. 

É-nos absolutamente impossível descrever a grandeza dessa filha de Sião. Ainda que nosso corpo fosse todo feito de línguas, elas ainda seriam insuficientes para cantar os louvores desta Senhora gloriosa. 

“De Maria nunquam satis”
dizia o grande São Bernardo, e hoje, celebrando com devoção a festa da sua Imaculada Conceição, devemos afirmar com o “Doctor Millifluus” que toda palavra humana está aquém da digna exaltação da Rainha do Céu e da Terra que o Senhor quis elevar acima de todos os Anjos e Santos. 

Contudo, nosso espírito de filial devoção nos impele a louvá-la na insuficiência da nossa capacidade porque à astúcia diabólica da Serpente conforme contida no livro do Gênesis, o Senhor contrapõe a singeleza e humildade da Virgem de Nazaré. 

Ao pai da mentira, Deus contrapõe a Virgem que viveu na verdade; à fealdade de Satanás, a beleza impoluta de Maria; ao diabólico "non serviam", o "fiat" seguro daquela Donzela, poço inesgotável de virtudes. 

O que Eva nos infligiu pela desobediência, Maria cancelou pela obediência; se Eva nos fechou o Céu, Maria nô-lo franqueou dizendo seu "sim” ao plano divino. Aprouve a Deus que a concepção imaculada de Maria fosse o primeiro antídoto contra o veneno do Diabo. 

É esse “sim” generoso que o orbe católico celebra neste dia de intensa alegria quando recordamos o aniversário da definição dogmática desse privilégio mariano. 167 anos nos separam da manhã radiosa de 8 de dezembro de 1854 quando o Papa Pio IX, de imortal memória, declarou e definiu como sendo verdade de fé "a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original" (Bula Ineffabilis Deus). 

Desde aquele dia, o mundo cristão se encheu de ainda maior gozo ao confessar que sua Senhora e Mãe, conforme ensina o dogma católico, foi isenta da nódoa do pecado original. Toda a humanidade exulta com a Virgem que, juntamente com seu Divino Filho, constitui uma exceção à regra universal. 

Na Conceição Imaculada da Virgem, o Filho já triunfa antecipadamente e, por conseguinte, essa Conceição Puríssima é já penhor da incorruptibilidade dos filhos de Deus que renascidos pelo Batismo, tornar-se-ão membros do Corpo Místico de Cristo. 

Celebrando com vivos transportes de júbilo o triunfo de Cristo na Imaculada Conceição de Sua Mãe, supliquemos ao Senhor que nos faça semelhantes a ela. Peçamos-Lhe que nos torne dóceis a moções do Seus Espírito de modo que O possamos acolher com os mesmos sentimentos com os quais a Virgem O recebeu no dia feliz da Anunciação. 

Peçamos também a Maria Santíssima, poderosa inimiga do Demônio e vencedora das heresias, que faça da Santa Igreja uma fortaleza inexpugnável que o adversário da nossa Fé jamais possa conquistar. 

Peçamos à terna Mãe de Deus que, com suas preces poderosas, esmague com o calcanhar de neve as várias e funestíssimas ideologias que, como cabeças incontáveis de uma hidra, lançam seus venenos sobre o mundo e sobre a Igreja de Deus para enredar os cristãos incautos arrastando-os para o charco de lama no qual o próprio Lúcifer se encontra mergulhado. 

Que Ela, com a eficácia de sua intercessão, soerga-nos do pó no qual nossos pecados nos lançaram e, purificando nossas mentes e nossos sentidos, nos torne dignos do Céu porque nós cremos: "Ipsa conteret"... (Gn 3,15). Amém. 
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*http://www.cmmc.com.br/noticias/exibe_noticia.php?codi go=414

2 de dezembro de 2022

Quando o eleito engana seus eleitores

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

 

Tendo em vista as últimas eleições, seguem algumas frases oportunas que dão no que pensar, no mínimo... 


“Quando se aproximam as eleições, cresce o ‘fervor religioso’ de nossos políticos, multiplicam-se as manifestações de fé. Tornam-se mais rubras as tintas da catolicidade de nossos figurões. E iludem-se os católicos incautos. Aprendam, no entanto, e de uma vez por todas, que não se pode fiar em discurseiras de gente que anda com o nome de Deus na boca, e não no coração”. 
(Plinio Corrêa de Oliveira) 


“Não é possível ser eleito em um programa e aplicá-lo. Porque a escolha é simples: ou o eleito engana seus eleitores ou o interesse do país”. 
(Charles de Gaulle) 


“Muitas vezes a multidão trai o povo” 
(Victor Hugo) 


“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. 
(Nelson Rodrigues) 


“O errado não deixa de ser errado só porque a maioria participa e concorda”. 
(Tolstói) 



“Antigamente os cartazes com rostos de criminosos ofereciam recompensas; atualmente pedem votos”. 
(Eduardo Costa) 


“Ao contrário do que se diz, não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto”. 
(Olavo Bilac) 


“Você pode enganar todas as pessoas em algum momento, ou todas as pessoas durante algum tempo; mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”. 
(Abraham Lincoln)

24 de novembro de 2022

OS FUNERAIS QUE EXTASIARAM O MUNDO

 “Ícone atemporal que menospreza as modas, figura maternal e protetora, mãe benfeitora da nação. A Rainha Elizabeth permite aos britânicos acreditar sempre num destino fora do comum” (Stéphane Bern).

  • Luis Dufaur

Mídias e redes sociais despejam informações-pesadelo típicas do mundo moderno: a crudelíssima invasão da Ucrânia; as provocações russas a países vizinhos; o corte de gás para a Europa, deixando grandes setores da população sujeitos ao intenso frio; a paralisação das fábricas; o aumento do preço da eletricidade e seu racionamento.

Na China, uma irracional campanha denominada “covid-zero” encarcera dezenas de milhões de cidadãos em suas moradias. Desesperados pela fome, muitos se suicidam, jogando-se do alto de prédios. Conjuntos imobiliários imensos estão inconclusos e os que adquiriram imóveis com sacrificadas quotas são espancados pela polícia por protestarem e exigirem o lhes pertence. Fábricas paralisam o mundo porque a China não dispõe de funcionários suficientes para lhes enviar peças indispensáveis. Enquanto o mundo geme, o regime comunista faz despesas gigantescas visando a uma invasão de Taiwan, enfrentando até os EUA.

A América do Sul, do Caribe à Terra do Fogo — de modo especial o Brasil — é convulsionada por manobras eleitorais suspeitas que colocam subversivos nas presidências para logo enfrentarem multidões descontentes com as propostas esquerdistas que lhes tentam impor.

Seria intérmino elencar as crises morais, sociais e econômicas que assolam o mundo religioso; escândalos de altos prelados; igrejas que se esvaziam e se vendem a preço vil para atividades imorais ou incompatíveis com o culto que nelas se realizavam. Mais difícil ainda seria descrever as dores morais das pessoas nesta Terra convulsionada.

Porém, por 11 dias a humanidade sofredora esqueceu os males que a flagelam para assistir à solene pompa dos funerais da Rainha Elizabeth II. Sim, a pompa — obviamente fúnebre, com seu esplendor, regra e nobreza — que acompanhou os restos mortais daquela que durante 70 anos foi uma espécie de Rainha do mundo, espelhando a Cristandade, apesar de objeções que se podem legitimamente apresentar.

Todos viram um reflexo da Cristandade

Quatro bilhões de pessoas — mais da metade da humanidade — em todos os continentes puderam contemplar, por meio das filmagens, esse fantástico reflexo da civilização cristã. O cálculo é uma estimativa do jornal “The Washington Post”.1 Abriu-se uma janela de paz e beleza que conectou todo o mundo com o passado da Cristandade. E com o futuro, se Deus tiver pena de nós, por ocasião do nosso ingresso na Corte celeste, onde a Santíssima Trindade, Nossa Senhora e coortes de anjos e santos envoltos no fulgor divino nos receberão numa intensa alegria, perfeita e eterna. Santa Brígida da Suécia descreve em uma de suas visões a pompa do juízo e da recepção no Céu do cavaleiro que deu sua vida pela Igreja e do cortejo de glória suma com que desfilará diante das legiões angélicas.

O cerimonial do enterro da Rainha Elizabeth II nos fez admirar uma pálida, mas formidável figura desse momento que aguarda quem amou e lutou pela Cristandade. A admiração faz com que a ordem presente naquele cerimonial entre em nossas almas sob forma de um eco terreno, magnífico, embora pobre, se comparado com aquele que encherá de alegria sem fim o ingresso dos bem-aventurados no Paraíso celeste.

Enquanto eu contemplava alguns aspectos do cerimonial fúnebre da Rainha, um velho conhecido mandou-me um áudio em que ele e seus parentes argentinos transbordavam de alegria. Após décadas de propaganda nacionalista antibritânica relacionada com as Malvinas, a Argentina parecia ter-se esquecido dela e se derretia de enlevo assistindo às cenas que desde o castelo de Balmoral até o de Windsor glorificavam a coroa outrora portada por Santo Eduardo, o Confessor.

O fato foi tão incrível que, para tentar prová-lo, outro amigo filmou todos os andares do prédio do outro lado da rua, cujos moradores não faziam outra coisa senão acompanhar insaciavelmente as cerimônias inglesas. Nas conversas, afloravam em todos os episódios acumulados nas memórias pessoais de Elizabeth II e de seu filho, o agora rei Charles III. Nas bancas, as revistas do mundo consagradas à venerada Rainha se esgotaram num abrir e fechar de olhos. E esse foi um fenômeno em todos os continentes, raças e povos.

Esses fatos na vizinha Argentina são apenas sintomas do que se passou nas almas dos quatro bilhões de pessoas que assistiram às cerimônias.

A questão da salvação eterna

Pode-se miopemente objetar que a Rainha, que marcou quase um século da história recente, não merece os comentários acima, feitos por um católico que se ufana de o ser, por ela ter sido chefe de uma igreja protestante, herege e cismática, fundada pelo sempre execrado rei Henrique VIII. Anna Maria Taigi (1769-1837), uma bem-aventurada agraciada durante décadas com visões, narrou ter visto no Purgatório o Czar da Rússia, Alexandre I, cismático durante toda a sua vida, por ter este se convertido de última hora, pela misericórdia de Deus, ao catolicismo. Uma das razões do Czar ter alcançado esta graça foi por ele ter defendido os direitos da Igreja sobre os Estados Pontifícios no Congresso de Viena.

Essa afirmação passou pelo “advogado do diabo”, o teólogo e canonista nomeado nos bons tempos pela Igreja para vasculhar os escritos, vida e obra do candidato a ser canonizado, para ver se não havia algum erro, por mínimo que fosse, que obstasse a sua glorificação. E neste caso nada objetou.

Nabucodonosor, rei pagão da Babilônia, que escravizou o povo eleito e profanou horrendamente o Templo de Salomão, no fim de seus dias se converteu, como nos diz o profeta Daniel, e morreu dizendo “Agora, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico o rei do céu, cujas obras são todas justas e cujos caminhos são retos, e que tem o poder de humilhar aqueles que procedem com orgulho” (Daniel, 4, 34).

No dia do Juízo saberemos do destino eterno da Rainha Elizabeth II. Embora na Terra possamos apenas fazer hipóteses, o que ela fez de bom, sobretudo em matéria de beleza e esplendor — desaparecidos, por obra do clero progressista, das próprias cerimônias católicas —, não terá sido de molde a atrair uma especial misericórdia de Deus sobre ela?

Elizabeth II diante da misericórdia de Deus

Apesar de todos os defeitos que podem ser apontados na Rainha, durante 70 anos ela sustentou, envolto numa espécie de prestígio legendário, todo o passado europeu, cujas grandes figuras, monumentos e eventos constituem gigantescos quadros gloriosos.

O corpo da soberana foi velado no Westminster Hall, grande salão medieval anexo ao Parlamento inglês. Esse foi preservado de uma antiga abadia católica da Idade Média quase em ruínas. Quem o vê dificilmente intui que a mão que o manteve foi a de um católico empolgado pela ordem medieval: o arquiteto Augustus Welby Pugin (1812-1852). Como era católico, seu nome ficou misturado entre muitos outros assinantes do projeto do atual Parlamento para que fosse aprovado. No centenário da inauguração, os peritos encontraram nos planos originais sua caligrafia presente em tudo.

A Rainha na carruagem após a cerimônia de coroação

Embora anglicana, a Rainha Elizabeth foi paradoxalmente velada num magnífico ambiente abacial da Idade Média — o Parlamento, uma instituição com um passado colossal e uma influência sobre a história das ideias, das tendências, e, portanto, da salvação ou perdição das almas no mundo inteiro. Isso porque o sulco determinante da História é saber se as almas se salvam ou se perdem. Quanto pesou na balança da Justiça divina o bem que a Rainha fez às almas de quatro bilhões de assistentes pelo fato de ter mantido essa ordem medieval durante quase um século? Aliás, século em que tudo se precipitou numa corrida desvairada rumo à feiúra e à perdição!

Deus já tinha julgado a Rainha quando seu féretro passou diante do Big-Ben, símbolo mais representativo da alma britânica, também obra de Pugin, que reboava sua última despedida. O dia em que os britânicos derrubassem o Big-Ben, cairia a Inglaterra, a nação ficaria descaracterizada, comentou Plinio Corrêa de Oliveira. Isto porque a alma inglesa perderia aquilo que a diferencia dos outros povos, com seu gosto pela exatidão, pela coisa bem disposta, bem organizada etc. Essa alma impregnou todas as cerimônias fúnebres da Soberana com um incenso de bom odor.

A Rainha e a ação tendencial no mundo

As tropas desfilam e uma multidão de súditos admiram sua nova Rainha

A Revolução nas tendencias e nos ambientes é mais importante do que a transformação das realidades materiais, porque a causa — ensinou-nos Dr. Plinio — é mais importante do que o efeito. Elizabeth II não exercia a bem dizer qualquer poder material, por exemplo político. Sua grande influência pessoal se exerceu nas tendências e nos ambientes. E deste ponto de vista foi uma rainha cultural do mundo, com um impalpável, mas penetrante perfume medieval católico.

Elizabeth II sustentou uma Inglaterra monárquica, com uma Câmara de Lordes conservadora em todas as suas exterioridades, costumes e trajes cerimoniais, a qual freava a marcha aloucada rumo ao prosaísmo, à desordem e à confusão. A influência tendencial conservadora da Rainha marcou o estilo de vida inglês, fez da Inglaterra a grande potência monárquica até nas formas de seus automóveis, pelo menos enquanto suas firmas fabricantes não fossem compradas por multinacionais.

Em todos os países onde ainda existe monarquia ou pelo menos um pouco de compostura governamental, o elemento mais ativo de irradiação conservadora proveio do exemplo haurido da Rainha Elisabeth II. No dia em que ela faleceu, os fundamentos do mundo cultural tremeram; os tronos ainda existentes, coroados ou não, se tornaram mais frágeis e podem vir a cair em episódios de ignomínia.

Se Charles III deixar de irradiar o estilo materno, a atmosfera do mundo se tornará mais proletarizada, socialista, comunista ou anarquista. Digamo-lo bem: putinista. Se essa queda de fato acontecer, o desfazimento do ambiente monárquico que a Inglaterra irradiava dará lugar a uma enxurrada de desastres culturais e sociais, cada um mais deprimente do que o outro, e os padrões de compostura quebrar-se-ão se tenebrosamente.

Colunas da Cristandade em ruínas

Três instituições são as colunas que ainda perduram, embora em frangalhos, na ordem cristã tradicional estabelecida pela Igreja no mundo: o Colégio dos Cardeais, a Coroa inglesa e a Academia Francesa de Letras.

Apesar de não faltarem acadêmicos que escrevem horrores, a Academia Francesa de Letras constituía um obstáculo ao descambar ufano da asneira universal. Essa instituição resistiu com os restos de prestígio aristocrático de seus membros — um cenáculo de duques, cardeais, marechais e grandes teólogos, que congregavam uma inteligência suma à francesa —, mas até quando resistirá? O que falar do Colégio dos Cardeais, envolto em escândalos e em processo de dissolução pelo rolo compressor do Papa Francisco, que não tolera o seu caráter hierárquico e aristocrático? “Guarda e passa” — olha e passa, escreveu Dante afastando-se de um dos tétricos salões de tortura infernais.

Na decadência universal, a Rainha Elizabeth sustentava a vida real inglesa como um baluarte simbólico contra o igualitarismo e o comunismo, sobretudo para os que acreditam que os símbolos valem mais do que qualquer outra forma de defesa.

Elizabeth II cavalga à frente de suas tropas na celebração do Trooping the Colour, tradicional cerimônia militar

Nas comemorações de seus 50 anos de reinado, seu marido, o Príncipe consorte Philip, deu-lhe um conselho brusco e péssimo: renunciar, aduzindo “limite de idade” e “antes de ser expulsa como um sapato velho”.2 Ela respondeu que jamais agiria como uma aposentada, e explicava que na adversidade o bom cavalo come até o feno velho e sabe jogar-se pelo barranco. Que exemplo para cabeças coroadas temporais e espirituais que ainda batem perna pelo mundo! Assim foi até seu último suspiro, com 96 anos em Balmoral, o castelo materno, quando deixou a terra onde nasceu. Não muito tempo depois de ter imposto a espada a um novo Sir de 100 anos, veterano de guerra, que se desculpou por não se ajoelhar, pois “se eu me ajoelhar não levanto mais”.

A Rainha passa em revista militares escoceses revestidos de seu tradicional uniforme.

A Inglaterra é protestante, com todas as propensões para a república inerentes a essa seita igualitária revoltada contra a monarquia do Papado. Há um partido trabalhista — leia-se socialista — fortíssimo que, entretanto, não conseguiu impedir que ao longo das décadas a popularidade da Rainha oscilasse com folga entre 80% e 90%. Pesquisa do jornal socialista “The Guardian” apontou que para cerca de 80% dos britânicos, o Reino Unido pioraria sem a monarquia e só pouco mais de 20% desejam a república. A admiração pela rainha prevalece em todas as classes sociais, em todas as regiões do Reino Unido e, mais incrível, em todos os partidos políticos: têm-na 96% dos conservadores, 84% dos liberais democratas e 74% dos trabalhistas!

No resto do planeta, que força política, Big Tech ou macromidiática teria podido impedir a convergência dos quatro bilhões de almas, de que falamos, diante das telas que refletiam a pompa do enterro real?

 “A Revolução faz careta e dá a entender que tem mais poder do que ela tem de fato” — observou Dr. Plinio, que acrescentava com sua truculência clássica: “Enquanto a gente trata a Revolução como uma bruxa velha, quer dizer, mete a mão em sua cara, uma ou outra vez ela lhe dá uma dentada para matar, mas é o nariz dela que cai”. O reinado e o enterro triunfal de Elizabeth II foram disso um exemplo memorável, para profundo desagrado da Revolução gnóstica e igualitária.

Elizabeth II no banquete de Estado oferecido ao Rei e à Rainha dos Países Baixos, no Palácio de Buckingham.

Prestígio, maternidade e estabilidade

Discursando no Castelo de Windsor durante banquete oferecido ao então presidente da França, Nicolas Sarkozy

A Rainha Elizabeth II comemorou sete décadas no trono envolta numa auréola de prestígio. Sua legitimidade não adveio de qualquer revolução ou pleito democrático. Pelo contrário, o berço e séculos de história colocaram-na acima de partidos e jogos de interesses. Além de seu berço, o que a sustentou tanto durante tanto tempo? Ela passou para a História — segundo comentou outrora o politólogo francês Stéphane Bern — como um “ícone atemporal que menospreza as modas, figura maternal e protetora, mãe benfeitora da nação. A Rainha Elizabeth permite aos britânicos acreditar sempre num destino fora do comum”.3 Por quê? — Porque na Inglaterra profunda e não visível latejam forças da Contra-Revolução que se extasiaram com a Rainha e impedem a proclamação da República.

Os líderes políticos de hoje fogem das consultas populares por medo de serem depostos ou verem suas iniciativas frustradas, e acabam não durando. O Príncipe de Metternich, genial estadista austríaco do século XIX, definiu que no governo “a verdadeira obra-prima consiste em durar”. Neste sentido, a Rainha partiu deste mundo após sete décadas completas de reinado; foi monarca de 15 países, entre os quais o Canadá e a Austrália; encontrou-se com cinco Papas, a partir de Pio XII, e com uma dúzia de presidentes dos EUA; acolheu 16 primeiros-ministros britânicos; recebeu quase todas as sumidades da política internacional, na sua maioria hoje quase esquecidos; e inaugurou com solenidade ímpar, desde 1959, todas as sessões do Parlamento de Westminster.

Sacralidade de séculos

Por força da tradição medieval, a Rainha foi coroada em 2 de junho de 1953 numa cerimônia de raiz católica. Entrou na Catedral de Westminster ao som do órgão, com todas as personalidades se inclinando à sua passagem, e aproximou-se do altar para receber os santos óleos que a Igreja Católica consagrava outrora para a sagração dos reis. Recebeu as insígnias da realeza em sublime sucessão até o momento supremo em que a coroa lhe foi colocada sobre a cabeça. Os sinos de Westminster reboaram e com eles os de todo o reino, os canhões troaram e um júbilo inebriante alastrou-se por todos seus reinos.

Plinio Corrêa de Oliveira defendia que nesse ato estava contida a ideia católica de que todo poder na Terra vem de Deus, por meio da Igreja verdadeira que O representa e confere aos monarcas as insígnias da supremacia real. Ele perguntou certa vez se uma cerimônia dessas — ou equivalente, pois pode dar-se não só com um rei — não enriqueceria a vida política de qualquer país, que lucraria em dignidade, seriedade, moralidade, recebendo seu chefe de Estado o conteúdo religioso que faz dele o representante de Deus para a direção cívica da nação. — Nós não compreenderíamos muito melhor como é grave e sagrada a função política, e como não se pode fazer dela um carnaval permanente, como infelizmente se repete em tantos países deformados pelos erros da Revolução Francesa?

No dia de sua coroação Elizabeth II iniciou a sua missão e 70 anos depois ela a concluiria e partia para a eternidade aureolada pelo mistério bom e pela ação sobrenatural que protege com nacarada névoa sobrenatural as arquetipias de séculos, ainda quando salpicadas de infidelidades.

Simpatia na majestade

Nunca será suficiente sublinhar a simpatia pessoal da Rainha que nos deixou. Por um imponderável qualquer, ela passava a ideia de uma monarquia autenticamente fiel a si mesma, mas inteiramente atualizada, na qual nada cheirava a bolor.

Ela foi uma obra-prima que manteve o prestígio da monarquia britânica encarnando uma tradição viva que fala no coração de todos em todas as classes sociais. Por exemplo, ela tinha gostos que faziam lembrar São Luís IX de França à sombra do famoso carvalho de Vincennes, onde julgava até o último dos súditos que se aproximava confiante em sua sabedoria. Em um vídeo, um fiel guarda-costas da Rainha comentou que no verão ela gostava de fazer piquenique nos bosques de Balmoral, como fazia desde menina. Certa vez, um casal de turistas americanos, não a reconhecendo, aproximou-se e lhe perguntou se ela morava por ali. Ela respondeu que sim, apontando na direção do castelo encoberto pelas árvores, pois ali tinha nascido há 80 anos. O turista quis saber se conhecia a Rainha, e ela respondeu com o humour inglês que não, mas que Dick, seu guarda-costas, a via todos os dias. O turista não coube em si de entusiasmo, abraçou o Dick e passou a câmera fotográfica à rainha que com todo gosto tirou a foto. A seguir, Dick lhe sugeriu para tirar uma foto com ela…

A Rainha permaneceu fiel ao seu marido, o Príncipe Philip, nos 80 anos de vida conjugal. De inata elegância, ele era, segundo Dr. Plinio, “um partidário inato de toda a forma de republicanização, uma espécie de Filipe Égalité sentado ao lado do trono”. E não foi o único a causar profundos e numerosos desgostos à Rainha no atribulado “annus horribilis” — definido assim por ela — em que aconteceu a separação de Lady Diana de seu filho herdeiro, hoje Charles III.

Elizabeth II e o futuro da Inglaterra

Diz-se — mas faltam provas e testemunhos — que nos primeiros anos de reinado Elizabeth II teria manifestado vontade de aderir ao catolicismo. Essa tendência, aliás, é muito forte entre os anglicanos ingleses e está resultando em grandes conversões. Mas que o Papa João XXIII a teria dissuadido, alegando o futuro desenvolvimento do ecumenismo, que hoje se revela desastroso e estéril. Aquele que deveria ter sido o seu supremo apoio ter-lhe-ia fechado as portas.

A Rainha faleceu no dia 8 de setembro — festa da Natividade de Nossa Senhora — e fez sua derradeira viagem para repousar no túmulo real de Windsor 11 dias depois, quando a Igreja Católica comemora Nossa Senhora de La Salette. Sem dúvida uma coincidência de datas, embora o vidente Maximino tenha confidenciado em 1851 que a Santíssima Virgem, Rainha do Céu e da Terra, anunciou que “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio dessa nação, todos os outros países se converterão”. E em 1853 especificou: “A Inglaterra será o instrumento por meio do qual todas as nações do universo se converterão”.4 Numerosos grandes santos, dotados de luzes proféticas, falaram no mesmo sentido.

Não hesitamos em suplicar a Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que acolha a admiração de todas as almas que se extasiaram com as cerimônias fúnebres da Rainha Elisabeth II, e apresse o dia glorioso do retorno da Inglaterra ao seio da Igreja, chamada que é a tão alta missão.

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Notas:

  • Fonte: Revista Catolicismo, Nº 863, Novembro/2022.
  1. https://www.washingtonpost.com/world/2022/09/19/state-funeral-elizabeth-churchill-numbers/
  2.  “Oggi”, junho/2022, p.7.
  3. https://leplus.nouvelobs.com/contribution/317081-elizabeth-ii-fete-ses-60-ans-de-regne-a-quoi-sert-vraiment-la-reine-d-angleterre.html
  4. Michel Corteville – René Laurentin, “Découverte du secret de La Salette”, Librairie Arthème Fayard, 2002, págs. 50 e ss.

7 de novembro de 2022

Reflexos da Cristandade espelhados nas exéquias da Rainha Elizabeth

Membros da guarda da Rainha Elizabeth II lhe prestam sua última homenagem no Westminster Hall do Palácio do mesmo nome, em Londres


Opção preferencial pelo esplendor da realeza 

Fonte: Catolicismo, Nº 863, Novembro/2022 

Embora não tenha sido um xeque-mate, no tabuleiro de xadrez da Europa a Inglaterra perdeu a Rainha. Deus salve o Império Britânico, não permitindo que essa perda irreparável redunde na abolição da Monarquia, como desejam seus inimigos. 

Sequazes da Revolução gnóstica e igualitária, eles se articulam para alcançar essa meta, pois sendo a instituição monárquica um dos mais belos reflexos da Ordem estabelecida por Deus na Criação, sua existência nos ajuda a apetecer o Céu. E, para destruí-la, precisam extinguir a hierarquia na sociedade temporal, implantar o igualitarismo total e a anarquia, na qual qualquer desigualdade social é mal vista, contestada, difamada. 

O esplendor da monarquia britânica — enfraquecida por escândalos de alguns de seus membros e sobretudo pelos incessantes ataques revolucionários — nos faz lembrar um estilo de governo como desejado pelo Divino Criador, pois inspirado na hierarquia por Ele ordenada no Universo, reflexo da hierarquia no Paraíso Celeste. 

Nossa matéria de capa mostra alguns dos reflexos da Cristandade espelhados nas cerimônias fúnebres da Rainha Elizabeth II — e na própria pessoa de Sua Majestade —, que após sete décadas de reinado, deixou maravilhada mais da metade da população mundial que assistiu ao desenrolar de suas deslumbrantes pompas fúnebres entre os dias 8 e 19 de setembro passado. 

Trono de Santo Eduardo III
Conseguirá seu filho e sucessor, Charles III — que será coroado no dia 6 de maio de 2023 —, manter os magníficos reflexos medievais da monarquia e a consequente admiração do povo britânico, que fez opção preferencial pelo esplendor da realeza? 

Pergunta crucial, cuja resposta poderia nos deixar muito apreensivos, pois, assim como uma forte Rainha pode tornar forte o seu povo, “um fraco Rei faz fraca a forte gente”... 

Que Santo Eduardo III, o grande Rei da Inglaterra de 1042 a 1066, obtenha da Augusta Rainha do Céu e da Terra um especial auxílio para que aquela nobre nação regresse o quanto antes ao grêmio bendito da Santa Igreja, e continue assim não somente monárquica, mas alcance um esplendor ainda maior.