24 de novembro de 2007

Por amplíssima maioria: rejeitada a proposta de descriminalização do aborto


De 14 a 18 de novembro, realizou-se na Capital Federal a 13ª Conferência Nacional de Saúde, reunindo 4.500 pessoas. Dentre elas, tinham direito a voto 2.275 delegados estaduais e nacionais eleitos em conferências de saúde regionais — 50% deles são usuários do SUS, 25% trabalhadores do sistema e 25% gestores (secretários estaduais e municipais e representantes do Ministério da Saúde).

Contrariando as expectativas do próprio Ministério da Saúde, chefiado pelo Sr. Temporão, apoiado por diversos grupos pró-aborto (inclusive pelas soi-disant “Católicas pelo Direito de Decidir” — grupo que de católico apenas leva o nome), o resultado foi surpreendente: 70% dos delegados votaram contra a proposta de legalização total do aborto no Brasil.

Tal resultado — espetacular, pois nunca visto em anteriores conferências — não tem efeito legal, mas é considerado muito importante, uma vez que exerce influência na formulação de políticas acerca do aborto e serve para pressionar os congressistas a fim de que não votem pró-aborto.

Uma das artimanhas dos representantes do governo na 13ª Conferência, para conseguir a aprovação do aborto, foi justamente “esconder” a palavra “aborto” do texto a ser votado sobre “a livre interrupção da gravidez”.

A citação era "Assegurar os direitos sexuais e reprodutivos, respeitar a autonomia das mulheres sobre seu corpo, reconhecendo-o como problema de saúde pública e discutir sua descriminalização por meio de projeto de lei".Sem a palavra “aborto” a citação fica menos contundente. O intuito foi claro: confundir os votantes que poderiam ficar menos chocados e enganá-los, pois ficavam sem saber direito no que estavam votando.

Mas, desta vez, essa artimanha não obteve sucesso e a derrota dos abortistas foi fragorosa.

Inconformado com a derrota, o diretor de “Ações e Programas Estratégicos do Ministério da Saúde”, Adson França, afirmou que a decisão contra o aborto foi “hipócrita”. Eis aí uma afirmação pouco "estratégica"... ou uma "retirada estratégica", de quem não tem argumentos...

Clair Castilhos, diretora da “Rede Nacional Feminista de Saúde”, criticou a decisão dizendo que ela reflete o fundamentalismo de setores da sociedade brasileira. Eis aí uma crítica “fundamentalista” e nada “democrática”...

Por sua vez, o Sr. Ministro da Saúde quis fazer pouco caso da decisão, dizendo que “a conferência não é deliberativa”. Sim é verdade, não é deliberativa, mas se ele não tivesse sido derrotado, não diria isso. Não é verdade Sr. Temporão? Ademais, como já disse acima, o resultado influencia os congressistas. Estes entendem que tal resultado reflete a opinião dos eleitores... Além disso, eles viram que muitos dos que votaram pelo aborto foram vaiados... Vaias que eles não querem ouvir... Vaias, entretanto, que a nossos ouvidos soam como melodiosas músicas. Precisamos ouvir mais dessas músicas... e em alto e bom som.

Também os lobbystas-do-aborto no Brasil — fartamente financiados pelo lobby internacional pró-aborto —, reclamaram de tal conferência dizendo que ela não reflete a vontade popular... Mas esqueceram eles que recentes pesquisas do Data-Folha refletiram muito bem a vontade popular, revelando que “só 3% da população consideram ‘moralmente aceitável’ fazer um aborto, contra 87% que acham isso ‘moralmente errado’, e 6% que, estranhamente, afirmam não ser essa ‘uma questão moral’”.

É a tal história da pseudo-democracia: se a conferência votasse em peso pelo aborto, os mesmos lobbystas insistiriam: os congressistas precisam aprovar a prática do aborto, pois devem seguir a vontade popular.
Seria bem o caso de dizer: “Vontade popular, vontade popular, quantos crimes se comentem em teu nome!”

Contrariamente a essas posições abortistas, o representante da “Pastoral da Criança”, o Sr. Clovis Boufleur, declarou: "Essa posição [da 13º Conferência] reflete o pensamento do povo brasileiro". E acrescentou: “O governo fica enfraquecido na sua decisão, porque a conferência decidiu que em relação ao aborto nos próximos quatro anos a posição é essa”. [Tais conferências são realizadas de 4 em 4 anos].

Mas não podemos cair no clima do “já ganhamos” — nisso consiste o perigo. Precisamos continuar a luta e sempre alertas, do contrário os inescrupulosos abortistas — por meio de manobras escusas e passando por cima da opinião pública brasileira — acabarão por aprovar a “pena de morte” aos inocentes.
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Cfr. “Agência Brasil”, “Folha de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”.
MARCHA NACIONAL CONTRA O ABORTO, REALIZADA EM BRASÍLIA

3 comentários:

Osvaldo Marins disse...

É isso mesmo, nossa democracia é uma pseudo-democracia. É uma "ditatocracia". Ouvi uma declaração do ministro da saúde dizendo que não vai considerar a resolução da 13a. conferência nacional de saúde (Brasília). A resolução, aprovada por ampla maioria. teria o poder de proibir a discussão sobre o aborto no Congresso, pelo menos até a próxima conferência daqui há 4 anos, quando novos debates aconteceriam. Mas isso em tese, a democracia "deste país" não considerará a resolução. Segundo o Sr. José Gomes Temporão, ele não vai retirar a discussão sobre o aborto no Congresso e que, dentro dele, continuará seu trabalho pela aprovação do projeto do aborto e para propor ao Congresso a aprovação de um plebiscito sobre o tema. Se ele, um ministro "deste governo", não respeita uma decisão democrática, respeitará o resultado do plebiscito? Sim, ele respeitará deste que o resultado seja favorável à sua intenção maléfica. Do contrário tentará outro recurso, até mesmo um plebiscito falseado, para por fim conseguir a aprovação da maldição do aborto. Que democracia é esta "deste país"? E termino com outra pergunta: Então para que a convocação da Conferência Nacional, com quase 5 mil participantes, com uma gastança enorme? Certamente porque ele contava com um resultado pró-aborto. Mas graças a Deus o Sr. Temporão saiu derrotado. Que Deus nos ajude nesta luta pela vida que Ele criou e somente Ele pode tirar.

Anônimo disse...

O ex arcebispo do do Rio Dom Eusébio, uma vez, chegando ao aeroporto de Roma, foi cercado por repórteres que sabendo da chegada de um arcebispo brasileiro logo fizeram perguntas sobre o presidente brasileiro. Dom Eusébio disse com todas as letras e curto e grosso: "Lula não é católico, ele é caótico". Claro como água. Como pode ser católico quem é a favor do aborto, dos gays e outras sujeiras condenadas pela igreja católica?
A mesma coisa podemos dizer, também de modo curto e grosso, das chamadas "católicas pelo direito de decidir" (a favor do aborto). Elas não são católicas, elas são caóticas.

Eduardo Araújo disse...

Hipocrisia é uma palavra forte, tenho consciência disso, mas não devemos deixar passar em branco o hábito dos adoradores do aborto em achincalhar os que não concordam com o assassinato de fetos, pospondo-lhes o termo negativo.

O bom é que atendo-se ao verdadeiro significadoda palavra, vê-se que é perfeita para descrever esses grupos. É caso, por exemplo, das Católicas (?) pelo Direito de Decidir. Não é uma grande hipocrisia apregoar-se seguidor de uma religião cujos princípios de doutrina combatem como se fosse lixo? E o propalado "direito de decidir", vale para os que decidiram CONTRA a descriminalização do aborto nessa conferência? Parece que não, a julgar pelas feministas e outros adoradores do aborto. Mais hipocrisia, portanto.