1 de novembro de 2007

Omissões e distorções históricas

A revista “Época” Nº 492 (22 de outubro 2007), estampou uma interessante matéria – de autoria de Alexandre Mansur, Luciana Vicária e Renata Leal — concernente ao que temos publicado neste Blog.
Título de capa: “O QUE ESTÃO ENSINANDO A NOSSAS CRIANÇAS – Os livros didáticos refletem ou distorcem a realidade?”.
Essa matéria confirma, uma vez mais, o quanto certos autores de livros obrigatórios em escolas das redes pública e privada estão “reescrevendo” a História com a finalidade de influenciar ideologicamente os estudantes. Nem mesmo um livro de Educação Física escapou à sanha de “doutrinação” a favor do sistema comunista: No capítulo “Faço esporte ou sou usado pelo esporte”, a atividade esportista é apresentada como ferramenta de exploração capitalista...
Transcrevo um trecho dos autores que sintetiza bem a questão: “ÉPOCA fez um levantamento de 20 livros didáticos e 28 apostilas de História e Geografia adotados por escolas. Em um país democrático, pode-se esperar que os títulos reflitam o amplo espectro ideológico e político da sociedade. Não é o que ocorre. A maioria dos livros — em especial os de História — é simpática ao socialismo e apresenta o livre mercado como um modelo econômico gerador de desigualdade e pobreza. O dado que assusta é a quantidade de distorções que os autores fazem em nome da visão socialista. Existem dois tipos de problemas. O primeiro é a omissão. Ao tratar de revoluções socialistas, como da China e Cuba, vários livros deixam de mencionar o caráter opressivo e ditatorial desses regimes. Além disso, a ideologia leva alguns autores a publicar informações erradas, como dizer que a globalização aumentou a pobreza mundial”.
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A História “ao avesso”
Recomendo também outra matéria: A revista “Veja” (26 de setembro 2007) expôs “A MÁ EDUCAÇÃO DE CHÁVEZ” — artigo de Duda Teixeira — a respeito da revolução na educação que o mandatário venezuelano, Hugo Chávez, está pondo em curso. Tudo no mesmo sentido de muitos “livros didáticos” no Brasil, de deturpar a História e deformar as crianças impondo-lhe idéias obtusas. Além de erros já constatados em livros distribuídos em nosso país pelo MEC , como louvores a tiranos do jaez de Stalin, Mão Tsé-Tung, Fidel Castro, Che Guevara et caterva, o coronel Chávez está promovendo uma radical reforma do currículo na educação primária e secundária. Apresenta a História “virada pelo avesso”: facínoras são apresentados como heróis; heróis apresentados como facínoras. Por exemplo, o ínclito Cristóvão Colombo, a quem o mundo tanto deve, é apresentado como invasor que deve ser odiado pelos educandos.
“Trata-se de um delírio: Chávez quer transformar as crianças em vassalos que pensam da mesma maneira que ele” — é a afirmação do pedagogo venezuelano Leonardo Carvajal, da Universidad Católica Andrés Bello (de Caracas).
Um trecho da referida matéria da “Veja”: “A reforma venezuelana imita o sistema de Cuba em que a educação está a serviço da formação do ‘homem novo’, inspirado em Che Guevara, o personagem mítico da revolução cubana. A história mostra que, quando o estado tem a pretensão de criar um povo formado por cidadãos idealizados, superiores, o que vem pela frente é a perseguição inflexível à liberdade individual. Em Cuba — ao lado de seu irmão Adán, ministro da Educação — anunciou que as escolas privadas que se recusarem a adotar o novo sistema serão fechadas ou estatizadas. Uma gráfica foi comprada para imprimir os novos livros didáticos, que serão distribuídos gratuitamente aos alunos. A proposta de Chávez tem o militarismo como ponto central. Os alunos serão estimulados a assumir atitudes de ‘compromisso coletivo’ em defesa do país, para atender a um objetivo básico: abastecer as milícias civis armadas criadas pelo presidente”.
A “Veja” encerra com um comentário do Prof. Roberto Romano, da Unicamp: “Ao impor o medo da guerra, os ditadores criam uma massa dócil, inclinada a aceitar os seus comandos”. _______________
Agora, para mais eficazmente falsificar a História e ministrar a “má educação”, o coronel Chávez já controla praticamente toda informação televisiva que chega aos lares venezuelanos. O que restará da verdadeira História nas cabecinhas infantis? O que virão a ser, quando adultas, aquelas crianças?
Perguntar não ofende: Por que o governo petista tem tanta pressa no funcionamento da chamada “Empresa Brasil de Comunicação”? Ou seja, a Televisão estatal — a TV Lula?


Foto de Che Guevara quando preso nas selvas bolivianas. Estampa bem diferente das fotografias impressas em bonés e camisetas no mundo inteiro.
Che Guevara — apresentado por Hugo Chávez como “herói” a ser imitado pelas crianças — incentivava “O ódio intransigente ao inimigo que impulsiona o ser humano para além de suas limitações naturais e o converte em uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar”. Esse guerrilheiro, assassino frio e cruel, também deixou escrito: “Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue”.

4 comentários:

Neilson disse...

Meu caro comentarista, bom dia! Sou um profissional da História. Issso nao quer dizer muita coisa, nao significa que eu seja o dono da verdade. Mas quero lhe chamar a atenção para ulguns problemas no seu comentário sobre ensino marxista. Lhe sugiro em primeiro lugar que leia Marx, porque uma coisa é a interpretação que ele fez do capitalismo e alternativa que propôs à sociedade, outra coisa é tirania de qualquer ditadura em nome do marxismo. Segundo, quanto a Colombo, Cabral e outros, nao descobriram as Américas coisa alguma, eles chegaram aqui, seguidos de seus reis e espalharam o terror, se apossaram do território desconsiderado as populações locais (indigenas), agiram como se estivesse em terra de ningúem. O senhor chama isso de heroismo? será que para ligar a América a europa precisaria esmagar os amerindios? uma outra pergunta: o senhor acha mesmo que o neo-liberalismo é o melhor modelo, que há justiça social? como o senhor, também sou contra a ditadura, em qualquer regime, socialista ou não, nem por isso defendo que tenhamos que execrar das escolas, o ensino do pensamento de Marx, ele é bem mais justo, bem mais "cristão", ou seu cristianismo prega o individualismo, quem pode mais elimina o próximo, o lucro pessoal acima de tudo, o senhor já leu Adam Smith, Maltus e outros defensores do Liberalismo? eles defendem uma sociedade excludente, assim como as revistas que o senhor teve a infelicidade de citar no texto. Por fim, para com isso de herói, quem precisa de herói, isso é coisa dem quem acredita em humanos com super poderes, historiador sério nao ensina isso nao, outra coisa de onde tirou isso de "verdadeira história"? verdadeira para quem? quer dizer então que verdadeiro é só aquilo que nao contraria a mim nem a meu grupo, o que é do outro nao é verdade?
Nao use seu veículo de comunicação para opinar sobre assuntos que nao domina e ca pra nos, ter como referencias revistas dendenciosas e mesquinhas como Veja e época, nao lhe dará créditos.
Abçs,
neilsonmendes@yahoo.com.br.

Anônimo disse...

Nao estou conseguindo postas uma resposta. V. daria um jeito na configuracao a fim de que isso possa ser feito?

GerardoBrasa disse...

Gostei bastante do seu blog, vc tem potencial, porém, quem quer explorar ambientes como este, tem que respeitar certas regras , digamos, de costume: imparcialidade e coerência são indispensáveis. Ver o outro lado com os mesmos olhos é tão necessário quanto emitir uma idéia do seu "eu" fundamentado imparcialmente e com coerência.

Cristiane disse...

Senhor Neilson, o senhor me desculpe, mas discordo do senhor. Marx não era nem nunca foi cristão, tanto que falava contra o cristianismo e outras religiões. Marx dizia que a religião é o ópio do povo. E também não era justo coisa nenhuma, pois defendia liberdade somente para quem concorda com o comunismo. Os comunistas dizem que defendem a liberdade para todos, mas não é bem assim. Marx também prega uma sociedade excludente, que exclui quem pensa diferente. Os comunistas defendem liberdade somente para eles. Eu sei muito bem o que Marx propôs para sociedade, mesmo porque eu já li obras dele. Também já li Adam Smith. Eu faço faculdade de pedagogia, que infelizmente tem inspiração marxista. Portanto, eu sei do que se trata. E a alternativa que Marx propôs à sociedade é a DITADURA do proletariado. Você quer que eu pense o quê? Claro que Marx pretendia implantar uma ditadura. Todos os regimes comunistas são totalitários. Não há liberdade de expressão, de pensamento. Quem é contra o regime é perseguido, exilado, até morto. Você quer que eu concorde com uma coisa dessas? Claro que o socialismo teria algumas vantagens, mas eu prefiro ficar sem emprego, prefiro ficar na mais absoluta miséria a perder minha liberdade. O regime comunista perseguiu e matou muita gente. Por todos esses motivos, não creio que o comunismo seja uma boa alternativa. Sou contra ditadura, seja de esquerda ou de direita. Não sou a favor dos excessos do capitalismo, mas também não sou nem nunca serei a favor do comunismo.