19 de maio de 2021

AUTODEMOLIÇÃO DA IGREJA

 

Dom Pedro Casaldáliga,
na foto ainda Bispo de São Félix do Araguaia (MT).
 Durante décadas foi um dos principais expoentes
 da esquerda católica no Brasil.
Tão radical nas suas posições igualitárias,
que até chinelo ele considerava causa de sujeição

✅ Plinio Corrêa de Oliveira


Atingir os objetivos do modo mais completo, rápido e direto possível, eis a preocupação de todo homem sério e sensato. Assim convencidos, os comunistas visaram extirpar a Religião pelos métodos mais violentos e diretos, pondo sua seriedade e sensatez operacionais ao inteiro serviço de seus objetivos errôneos e iníquos.

Alguns passos dados nessa direção, no entanto, os convenceram rapidamente de que desta forma chegariam a um resultado oposto, pois as convicções religiosas da esmagadora maioria dos russos, traumatizados pela violência dos sem-Deus, se transformaram desde logo num formidável potencial de descontentamento. Para os soviéticos, importava no mais alto grau evitar que tal acontecesse, e assim o objetivo da política por eles seguida tomou um matiz peculiar, que se acentuaria cada vez mais no curso dos acontecimentos.







Para arrancar a fé da alma popular, a mão brutal e estúpida do sem-Deus é incomparavelmente menos eficiente do que a mão ungida, macia e jeitosa do mau bispo, do mau padre, da freira degradada. Paralelamente, ninguém é mais eficiente para a propaganda do comunismo do que as pessoas consagradas a Cristo, quando se entregam à prevaricação. Se a Passionária e Ana Pauker [fotos ao lado] tivessem tido a esperteza de se fazerem freiras, por exemplo, teriam sido incomparavelmente mais úteis ao comunismo do que no papel de viragos vermelhas. 

Uma vez assentado que o futuro do ateísmo estaria na autodemolição da Igreja, os supremos senhores do comunismo só tinham diante de si um problema: como detectar ou ‘fabricar’ os bispos, os padres, os monges e as freiras que se incumbissem do sinistro mister de matar a Jesus Cristo nas almas. Daí as investigações policiais jeitosas e contatos discretos com poltrões ou ambiciosos, com que detectaram e prepararam logo os agentes da autodemolição. 
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Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira publicado na “Folha de S. Paulo” em 26-9-1971.

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