25 de dezembro de 2018

STILLE NACHT

"Adoração dos Pastores" – Mattia Preti, séc. XVII. Walker Art Gallery, Liverpool, Inglaterra.

Noite Feliz, a canção de Natal por excelência, ecoa há 200 anos em toda a Cristandade, como um som celestial

*        Nelson R. Fragelli
*        Matéria especial de Natal publicada na Revista Catolicismo, Nº 816, Dezembro/2018

Stille Nacht, Noite Silenciosa — ou Noite Feliz, na versão brasileira — traduz em sons o profundo silêncio que inunda de suave tranquilidade a noite de Natal, envolvendo a imaginação de todos numa atmosfera celestial própria ao magno acontecimento da Cristandade. Noite sagrada, lembrando a Sagrada Família e o nascimento de Jesus no silêncio da gruta de Belém. Silêncio...
Profundo recolhimento, acentuado pelos acordes com que a flauta dos pastores acompanhava as alegres vozes celestiais dos Anjos anunciando o nascimento do Menino Deus. Tudo é silêncio, calma, harmonia. Anjos, felicidade, estabilidade. Tem-se o desejo difuso de que essa noite nunca mais termine. Anunciando um acontecimento celeste, ela nos traz a esperança de chegarmos à eternidade do Céu. Deus nasceu, e está entre nós. Nada mais precisa acontecer.
Foi esse estado de espírito pastoril, angélico, sobrenatural, familiar, íntimo, mas de grande dignidade e grande alcance simbólico, que inspirou as harmonias do canto Stille Nacht — a noite silenciosa, santa e tranquila do primeiro Natal. É bem esse o sentimento que exprimem suas palavras, perfeitamente adaptadas à suavidade da melodia. Tudo dorme. Sozinho, apenas o casal venerável e santíssimo permanece desperto — Alles schläft, einsam wacht, nur das traute hochheilige Paar.
Em meio à alegria, a música exprime doce ternura. E nessa ternura um tanto lírica, uma nota de compaixão, uma tristeza dentro do festivo — a tristeza pelo frio e pobreza em que nasce o Menino Jesus. Mas também, mais do que isso, já se percebe uma tristeza na previsão da Cruz, cuja sombra se projeta sobre a noite de Natal. Assim, no Stille Nacht a ternura está cercada de suave compaixão, pois Jesus tinha em Belém, como em todos os momentos de sua vida terrena, a lembrança de que Ele veio para ser o Redentor, para sofrer e morrer por nós.


Na canção, a afinidade da alma com os coros angélicos

Plinio Corrêa de Oliveira — entusiasmado comentador da canção e em quem me baseei para muitas explanações contidas neste artigo — dizia que a melodia do Stille Nacht é simples, popular, mas seu sentido é profundo. Nela se sente a nota de tranquilidade continuamente acentuada. Não uma tranquilidade imobilizada e vazia, como a que se adquire com a compreensão apenas intelectual daquele acontecimento, mas a paz celestial trazida pelos anjos, que anunciavam o magno acontecimento aos pastores; como a paz angélica dos claustros medievais, onde oravam e meditavam grandes santos; como a tranquilidade profunda que nos invade ao olharmos atentamente o firmamento, onde silenciosamente se movem as estrelas; como no Stille Nacht, onde se movem tranquila e solenemente as notas musicais. Em ambos domina um repouso celeste, através dos anjos cantando — durch der Engel, Alleluja.
“De joelhos diante do Presépio, a contemplação do Menino Jesus nos inspira um respeito sacral, acompanhado de ternura e compaixão. O amálgama entre o respeito e a compaixão paira do princípio ao fim nos acordes melodiosos do Stille Nacht. Podemos assim penetrar docemente no sapiencial e Imaculado Coração de Maria, e ali ouvir a própria canção d’Ela para ninar seu Filho”, comentou com profunda sensibilidade e enlevo Plinio Corrêa de Oliveira.
Em alguns de seus arranjos musicais, cantados por um coral, ao término da canção as palavras emudecem, substituídas por um simples murmúrio gutural. Corresponderia ao momento em que Nossa Senhora puxa um cobertorzinho sobre seu Filho. Ele dorme, enquanto a Virgem Mãe e São José continuam a rezar. Na tranquilidade, encerra-se a canção.
Não, ela não se encerra. Retorna com a suavidade daquela noite bendita, e continua envolvendo a memória como o perfume de um bálsamo celeste. A alma se sente coberta por gotas de inocência, que emanam da Gruta de Belém. Deus está ali. Pode-se sentir Jesus em carne humana — Jesum im Menschengestalt.
Feliz a nação cuja cultura católica está assim entranhada em todos os aspectos de sua vida. Não se caracteriza como povo culto aquele que possui famosos gênios entre seus filhos, mas aquele no qual os sentimentos cristãos impregnam amplamente suas almas. Num povo assim, um simples pároco do interior pode se unir a um modesto compositor e conceberem juntos essa altíssima compreensão do nascimento de Jesus em Belém, entoando-Lhe esse hino de louvor. Sai de seu peito a canção que exprime a afinidade da alma de seu povo — e de todos os povos — com os coros angélicos. Naturalmente, inesperadamente, da alma deles desponta essa singela maravilha.

Alegria que eleva à fonte de todas as alegrias

A canção é o chamado de Deus para que o homem medite no mistério da salvação ali presente. Deus o espera para dar-lhe perdão, fazê-lo partícipe da grande festa do nascimento de Jesus. Seu orgulho, sua incredulidade, seus desejos mesquinhos sentem arrependimento em face daquela inocência. Das alturas douradas do Céu, a plenitude da graça nos mostra Jesus — Aus des Himmels goldenen Höh’n, uns der Gnaden Fülle lässt seh’n.
A inocência é calma, traz a apetência por tudo o que na Terra exprime o maravilhoso. Diante dela a alma evoca sua infância, seus pais, as florestas por onde passou, as montanhas do alto das quais descortinou panoramas que a faziam sonhar. Volta a soar para ela a hora da salvação. A bondade nos lábios divinos faz soar a hora da graça redentora — Schlägt die rettende Stunde: Jesus, der Retter, ist da.
Degustar os momentos em que a calma envolve a inocência é uma das maiores alegrias desta vida. As alegrias do mundo não são alegrias, apenas excitação, pois não é verdadeira alegria aquela que não eleva a alma até o Criador, fonte de todas as alegrias. Impregnando-se com as alegrias do Natal, a alma sentirá um choque ao reencontrar a feiura, a vulgaridade e o pecado, e fugirá das ilusões que lhe fornece o falso brilho do mundo — festas, barulheira, ajuntamento e vaidade — Feste Geräusch und Gedräng mit eitlem Gepräng, como diz a versão alemã do hino “A treze de maio”.
Em confronto com as verdades que percebe, a alma vê melhor a malícia do erro que a circunda. Os acontecimentos mundanos são tão tumultuosos e prementes, fazem-nos imergir numa luta tão forte, que as marcas do tormento, do sangue, das lágrimas tendem a repercutir negativamente em nossa meditação.
As pessoas e as coisas não devem ser amadas pelas vantagens que trazem ou pelo prazer que causam, mas pelo grau de perfeição de que são portadoras. No mundo atual — desorientado, indiferente a Deus, voltado para sua ciência, suas invenções, suas diversões — essa visão se afasta. Maria e José não protestaram por terem sido obrigados a abrigar-se entre animais, no nascimento de Jesus. Naquele estábulo receberam reis vindos de longe, guiados por uma estrela. Esses reis se ajoelharam também diante do Menino e Lhe ofereceram preciosos presentes, reconheceram-no como Rei do Universo. A dignidade da Sagrada Família, em meio à pobreza e à privação, desperta nobres sentimentos, pois configura um dos mais salientes traços da nobreza de espírito.

O Menino Jesus — contrastes do Santo Natal

Painel representando o Natal, que se encontra 
no interior da Capela de Oberndorf
O Divino Infante está na manjedoura. Embora cercado de pobreza, sua grandeza é infinita — tão pequeno e tão grande. Ali mesmo Ele poderia manifestar-se terrível, se quisesse nos mostrar sua força. Mas desejou colocar-se ao nosso alcance, para nos atrair a uma familiaridade conosco, ter um contato em família, desembaraçado. Assim, fez-se menor do que nós quem é infinitamente maior que todos nós juntos. Não desejou que nos extasiássemos, vendo-O como criador do Céu e da Terra, presidindo a História, inspirando as ações dos bons e punindo os pecados dos maus. Ao nascer, apresenta-se a cada um de nós tão pequeno, que nossa admiração exclama: Como é possível, sendo Ele tão grande, fazer-se tão pequeno? Deitado num estábulo, sentindo frio, chegou ao extremo de provocar pena, como incentivo para a admiração!
Sua majestade infinita se mostra cheia de ternura. Ele quer ser amado, e sabe que não conseguiríamos amá-Lo se não se apresentasse menor, como um ser humano. Esta verdade, a grande lição do Natal, é sugerida pela delicadeza harmônica do Stille Nacht. Em sua bondade, para mostrar proporção conosco, Ele se fez criança, o menino encantador de cabelos cacheados — Holder Knabe im lockigen Haar.
De joelhos diante do Presépio, a contemplação do Menino Jesus nos inspira um respeito sacral, acompanhado de ternura e compaixão. O amálgama entre o respeito e a compaixão paira do princípio ao fim nos acordes melodiosos do Stille Nacht. Podemos assim penetrar docemente no sapiencial e Imaculado Coração de Maria, e ali ouvir a própria canção d’Ela para ninar seu Filho.

A graça de Deus trazida à Terra pelo Salvador

Menino Jesus, catedral de Buenos Aires
[Foto Luis Guillermo Arroyave]
O encanto do Natal está em sabermos que o Criador que acaba de nascer — esse Homem-Deus — traz consigo todas as belezas possíveis da alma humana. Sendo divinamente grande, o Menino Jesus mostra-se pequeno na Gruta de Belém. Segundo a liturgia, Ele é pequeno, mas o firmamento celeste é insuficiente para contê-Lo. No Natal nós O vemos numa manjedoura: fraco, entregue ao zelo dos homens, de Maria, de José, à adoração dos Magos e dos pastores, ao bafo dos animais que O aqueceram naquela noite de inverno. Embora tenha criado o Sol, era então acalentado, no frio da Gruta, não pelo astro-rei, mas pelo bafo dos animais.
Dava-nos assim uma lição sobre a dignidade da vida: na ordem hierárquica da criação, um boi vale mais do que um sol, porque o boi tem vida e o sol não a tem. Imensa humildade. Deixa-se aquecer pelo bafo de um simples animal, nesta Terra de exílio, Aquele que criou o sol. Há nesta honra primeira uma glorificação da vida e de tudo o que é vivo. Quando o sol “dormia”, o boi estava acordado e os anjos convocavam os pastores.
Percebem-se facilmente os contrastes magníficos que nisto se contêm. Deus nos faz assim entender que o menor dos homens — o mais torto, o mais limitado, o mais doente — é muito mais do que o Sol. Desde que não seja pecador, desde que seja fiel à graça de Deus trazida à Terra pelo Salvador, faz soar para ele, no seu nascimento, a hora da graça redentora — Da uns schlägt die rettende Stund’, Christ in deiner Geburt!

A grandeza do que é pequeno

Capela de Oberndorf, construída no lugar 
em que ficava a igrejinha de São Nicolau, 
onde se interpretou pela primeira vez o Stille Nacht
Ele veio para salvar a todos. O menor dos homens vale mais do que o sol. Nosso Senhor Jesus Cristo entra na Terra dando-nos esta lição magnífica e inesquecível. Fez-se pequeno para mostrar a grandeza do que é pequeno, de tudo que germina, de tudo que se desenvolve a partir de um determinado ponto, de tudo que nasce e tem vida. Lição inesquecível, especialmente numa época como a nossa, em que a vida é tão ultrajada pelo aborto e pela eutanásia.
Jesus nasceu dentro da adversidade. Ninguém acolheu seus pais, apesar de Maria estar próxima de dar à luz. Perseguida por Herodes, a Sagrada Família fugiria para o Egito pouco depois. Herodes mandaria matar inocentes, esperando assim livrar-se do Menino Deus. Lição inesquecível para os nossos dias, em que a virtude é perseguida e a vida inocente é eliminada aos milhões.

Uma canção longamente desejada pela Cristandade

O Pe. Joseph Mohr e Franz Xaver Gruber, 
autores, respectivamente, da letra e da música do Stille Nacht
Até 1818, passados muitos séculos da era cristã, o cântico de Natal popular e perfeito não tinha ainda aparecido. Dir-se-ia que toda a Cristandade tateava nas sombras, à procura de uma expressão musical para honrar o Menino-Deus em seu nascimento. Foi então que a alma enlevada de um simples vigário de aldeia, associando-se com a sensibilidade artística de um modesto mestre de escola, impregnou com palavras combinadas com sons musicais o que as pessoas sentiam a propósito do Natal. Poeta e compositor, para comemorarem a noite do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, exalaram em uníssono a canção natalina da qual se pode dizer que a humanidade tinha pressa para cantar. Acumulando-se imperceptivelmente esse anseio em toda a Cristandade, ele encontrou nessas duas almas a expressão perfeita através do Stille Nacht. Na hora desejada pela Providência, compuseram a canção imortal; o mundo ouviu-a maravilhado; e ela se tornou a canção de Natal por excelência.

A singela história de um hino providencial

Instrumento no qual o Prof. Gruber 
compôs a música do Stille Nacht
Hertha Pauli* conta no livro Ein Lied vom Himmel a história do Stille Nacht. Informa que na Áustria a aldeia de Oberndorf é vizinha de Salzburg, famosa cidade de Mozart. No centro dela, às margens de um sonoro riacho de montanha, o Salzach, ergue-se a igreja de São Nicolau, cuja torre domina a paisagem. Em 1818, São Nicolau era uma pequena e pobre igreja, cercada de poucas casas. Visto de um dos altos picos que o rodeiam, esse pequeno conjunto arquitetônico parece um remoto ninho de pássaros entre altas montanhas.
Era vigário de São Nicolau o jovem sacerdote Pe. Joseph Mohr. Havia também na aldeia uma escola, cujo mestre era Franz Xaver Gruber, bom organista e apreciável compositor, grande amigo do Pe. Mohr. Eram as pessoas mais instruídas da aldeia. Franz era cinco anos mais velho que o Pe. Mohr, e tinha 29 anos quando foi nomeado para a escola de Oberndorf. Na tranquilidade da aldeia, podiam calmamente seguir as inspirações poéticas e musicais de seus corações. Gélidos invernos os recolhiam em suas casas, onde se dedicavam a escrever e a compor.
Com nítida veia poética, o Pe. Mohr frequentemente exprimia seus pensamentos através de bons e despretensiosos versos, onde interpretava sentimentos de sua região e de seu país. Às vésperas do Natal de 1818, repassava ele o olhar pelas montanhas vizinhas — cujos sendeiros costumava trilhar nas visitas pastorais aos paroquianos, no silêncio dos vales e em meio a pinheirais nevados — e sentia promessas de paz e bênção próprias da Noite Sagrada em que nascera o Salvador. Essas percepções de sua sensibilidade faziam-no caminhar suavemente por entre os flocos de neve abundantes, acompanhando o repicar dos sinos nas aldeias vizinhas. Ocorreu-lhe oferecer ao Menino Jesus, naquele ano, a poesia que latejava em seu peito. Escreveu então um poema curto, inocente e puro, que é hoje a letra da canção de Natal mais famosa do mundo — o Stille Nacht.

Estreia modesta, no Natal de 1818

Na Abadia de São Pedro, famosa por sua escola de música, 
o estudante Felix, fi lho do Prof. Gruber, 
conhecia de cor o Stille Nacht e o ensinava a pássaros canoros.
O Pe. Mohr logo mostrou o poema ao seu amigo Gruber. O mestre de escola recebeu a folha do sacerdote, leu-a atentamente, e confidenciou:
— Estes versos também palpitam em minha alma.
Releu o poema, já cogitando notas musicais para cada frase, e pediu licença para compor uma canção:
— Se a composição sair bem, talvez possamos entoá-la na noite de Natal.
Às primeiras notas — ainda hesitantes, sucessivamente corrigidas, modificadas, mas já surpreendentemente encantadoras — o Pe. Mohr se deixava maravilhar. Levaram logo texto e partitura ao coral da igrejinha de São Nicolau, composto de paroquianos de boa voz, que a admiraram e ensaiaram. Enlevado, o coro a cantou pela primeira vez naquela noite de Natal de 1818.
Pouco depois, um conhecido construtor de órgãos, Karl Mauracher, de passagem pela aldeia, ouviu em recolhido silêncio a canção natalina recém-composta. Cofiando sua longa barba, disse pausadamente:
— Gostaria de ouvir isso mais uma vez, senhor Gruber.
O professor atendeu ao pedido do instruído organista, e juntamente com o sacerdote voltou a entoá-la. Ao retornar à sua cidade, Mauracher pediu licença para levar a letra e a partitura. Lá chegando, enviou-a a outros coros, recomendando-a com a sua autoridade musical. Não houve quem não a admirasse, e ela passou a ser executada por ocasião das festas de Natal, pois seria inapropriada fora do ambiente natalino. E assim, de Natal em Natal, em todos os lugares onde era apresentada, a canção transportava as almas para a manjedoura onde dormia o Divino Menino, impregnando-as com a unção que emana da Sagrada Família.
O Stille Nacht despertava as imaginações. Mas é exatamente esta a finalidade da música. Era como uma fresta entre as tábuas do estábulo de Belém, através da qual se podia ouvir e sentir aquele momento grandioso da Gruta bendita, na convivência doméstica da Sagrada Família. Começou assim a expandir-se a música pela região vizinha do Tirol, depois pela Áustria inteira. Transpondo os Alpes, atingiu a Alemanha, sendo desde então entoada com ternura e compenetração em todo o mundo cristão.

À procura do autor de Stille Nacht

        
O jovem cantor – Georges de La Tour,
séc. XVII. Coleção Particular.
Pouco se sabe sobre os autores do Stille Nacht. Em suas várias apresentações iniciais, a canção era tida como popular, de autor desconhecido, enquanto os dados sobre seus autores se perdia. O problema da autoria foi resolvido a partir do momento em que Frederico Guilherme, Rei da Prússia, ouviu-a num concerto da corte em 1854. Profundamente impressionado e comovido, quis conhecer seu autor. Supôs que ainda estivesse vivo, pois até então nunca ouvira essa obra tocante. Ninguém sabia informá-lo, nem mesmo seu renomado Mestre dos Concertos Reais, que recebeu então a incumbência de descobrir o nome do compositor.
Tomando a sério sua responsabilidade, o Mestre mergulhou nas bibliotecas do reino, a começar pela de Berlim. Nada encontrando na Alemanha, foi a Viena e Salzburg. Interrogou membros de orquestras e corais, os melhores professores de música de Salzburg, onde vicejaram Mozart e outros excelentes compositores. Todos concordavam em que a canção era recente e muito admirada pelo povo, mas ninguém podia fornecer pista sobre os autores. Tentaram resolver a questão, baseando-se em alguns indícios, e escreveram a Frederico Guilherme que “tudo indicava ser Michel Haydn seu autor”. Michel era irmão do grande compositor católico Joseph Haydn.
Mas a carrancuda precisão prussiana não podia dar-se por satisfeita, e era preciso saber quem compôs essa maravilha. O Mestre de Concertos Reais de Berlim, antes de retornar desanimado, pediu ao inspetor do coro da Abadia de São Pedro, em Salzburg, para “tentar fazer alguma coisa”. Ele tentou. E deu certo.

Stille Nacht na voz de um passarinho

Na Abadia de São Pedro, famosa por sua escola de música, o estudante Felix Gruber conhecia de cor o Stille Nacht e o ensinava a pássaros canoros. Uma vez bem ensaiados, eram vendidos a bom preço, contribuindo para rechear sua magra bolsa. Num dia em que ele entoava a canção no pátio da escola, após um ensaio com seus pássaros, o inspetor ouviu-a e o interrogou:
— Como você conhece essa música?
— Meu pai a compôs — respondeu Felix.
— Seu pai?
— Sim, sou filho do ex-Mestre de Escola de Oberndorf, Franz Xaver Gruber, e foi ele o compositor da música Stille Nacht.
O inspetor partiu imediatamente com seu aluno para a casa de Franz Gruber. Ali chegando, foi a vez de se alvoroçar o compositor:
— O inspetor do coro da grande abadia de Salzburg à minha porta?!...
A conversa entre Gruber e o inspetor foi exultante.
— Sim, compus essa música para as seis estrofes escritas pelo Pe. Mohr, meu grande amigo, há 35 anos.
Um ano após escrever a letra do Stille Nacht, o sacerdote deixara Oberndorf, falecendo em 1848 quando era pároco de Wagram.
Ali mesmo, diante do inspetor, Gruber lavrou um documento testemunhando ser o procurado compositor do Stille Nacht. Corrigiu errôneas modificações introduzidas na partitura, e enviou cópia ao Mestre dos Concertos Reais. Algumas semanas mais tarde, recebeu uma carta em que o Rei da Prússia o saudava reverentemente. A partir de então, o Stille Nacht deixou de ser uma composição de autor desconhecido.

Stille Nacht, um convite para meditação

Adoração dos Reis Magos
– Jerónimo Ezquerra, séc. XVII.
Coleção Carmen Thyssen-Bornemisza, Madri.
Os autores do Stille Nacht dotaram sua música com o sentimento de carinho que desperta no Presépio uma frágil criança — com as suas debilidades físicas, chorando, com frio — que, no entanto é o próprio Deus! Deus com a formosura de um menino perfeito, mas destinado a sofrer tanto; uma criança que abre seus pequeninos braços em forma de cruz, pressagiando as insondáveis dores pelas quais deveria passar. Inspira-nos indizível ternura por quem se encarnou para o nosso bem, para a nossa salvação, sem outra finalidade senão a de sofrer por nós, a Redenção longamente desejada — Lange schon uns bedacht.
Tudo isso desperta no mais alto grau os sentimentos de ternura e compaixão, mas constitui um paradoxo aplicarmos esses mesmos sentimentos em relação a um Deus infinitamente mais poderoso que nós. Sentimento paradoxal, sim, mas de modo algum contraditório. O cálice de dor que bebemos com Ele deve exprimir compaixão altamente delicada, de alta sensibilidade de alma para ser digna d’Aquele que de fato merece tal compaixão, mas que também é Deus onipotente. As palavras e a melodia do Stille Nacht, se bem meditadas, despertam esses sentimentos por nosso Criador.
Na realidade, a meditação sobre a vida de Nosso Senhor compõe uma sequência de admirações. Ao primeiro movimento de admiração pelo Homem-Deus que nascia, Ele quis associar nossa compaixão pelo Menino pobre e isolado na Gruta de Belém. Do mesmo modo, 33 anos mais tarde, chegado ao termo de sua vida terrena, quis também a nossa compaixão por sua dor, associada à nossa admiração por seu martírio: Meu Deus, eu tenho compaixão de Vós.

O perfeito equilíbrio da alma católica

Os Meninos Cantores de Viena durante um concerto de Natal
A noite de Natal, noite de graças por excelência, encontra no Stille Nacht a meditação apropriada para as situações angustiantes criadas pela sociedade moderna. Os acontecimentos que nos circundam são prementes e tumultuosos. Dentro de uma luta tão forte, é impossível ouvirmos o Stille Nacht sem serem despertadas na alma as marcas do tormento, do sangue e das lágrimas, agora aliviadas pela Redenção longamente desejada — Lange schon uns bedacht, als der Herr vom Grimme befreit, in der Väterurgrauer Zeit — Assim nosso espírito deve se apresentar ao Menino Jesus.
Genuflexos diante do presépio, contemplando o Menino que também é Deus, a alma se enche de respeito sacral, acompanhado de ternura e compaixão. Respeito e compaixão parecem à primeira vista sentimentos incompatíveis, mas a música do Stille Nacht os inspira do princípio ao fim. Estende-os também ao respeitabilíssimo e santíssimo casal, o único que permanece acordado — nur das traute, hochheilige Paar. Mas algo na música vai muito além, consegue exprimir também de modo extraordinário o sentimento dos pais despertos, enquanto contemplam o menino encantador de cabelos cacheados — holder Knabe im lockigen Haar.
Ouvindo esses sons maviosos, podemos sentir-nos conduzidos ao Imaculado Coração de Maria, e nele ouvir o próprio hino de amor da Virgem Santíssima: Meu filho, meu Deus tão pequenino, tão grande e tão adorável, como te respeito e protejo! É a inspiração ápice da noite de Natal. Assim como dois arcos góticos se encontram no alto da ogiva, nessa inspiração se encontram os mais sublimes sentimentos que o Stille Nacht traz consigo. A música os apresenta do começo ao fim — ora a gravidade do pensamento adulto, ora a inocência infantil. É quase um diálogo entre o adulto e o menino, em uma harmonia incomparável.

Amálgama harmonioso de alegria e tristeza

Majestoso órgão da catedral
de Sevilha, na Espanha
Percebe-se clara e sutilmente no Stille Nacht um misto de alegria e tristeza. O Menino nasceu: alegria; mas nasceu para ser vítima: tristeza. Tem-se por vezes a impressão de que Ele chora, e em outros momentos parece sorrir. É possível que os variados reflexos do canto se façam sentir diferentemente de pessoa a pessoa, no entanto todos são tocados profundamente por esta unidade de sentimentos: Deus infinito e adorável, mostrando-se em sua pequenez.
A percepção da tristeza num momento de esplendor é muito útil no combate ao ateísmo materialista deste século. Concomitante com os momentos de uma nota de alegria maior, ou de tristeza maior, há desde o início no Stille Nacht uma nota de tristeza augusta ao lado de uma admiração jubilosa. E prossegue até o fim, quando fala do pecado de Adão: als der Herr vom Grimme befreit, in der Väter urgrauer Zeit — desde que o Senhor aliviou aos nossos pais o castigo e a amargura, prometendo a Redenção.
De forma similar à que transparece nessa melodia, as catedrais góticas inspiram um amálgama harmonioso de alegria e tristeza, que perpassa toda a atmosfera interna dessas maravilhosas obras arquitetônicas. Em uma catedral cuja rosácea é batida pelo sol há também penumbra à meia luz. Da rosácea radiante partem dardos de luz multicolor, espalhando safiras, esmeraldas, rubis e outras cores pelo chão. Mas sem a penumbra cercando esses reflexos coloridos, não veríamos o esplendor dos seus matizes. É uma composição de alegria e dor — alegria pelas razões certas, e dor pelas razões opostas, mas também certas — que forma um dos mais altos aspectos do equilíbrio da alma humana.

Sacrifício e alegria nos cantos litúrgicos

Este aspecto da vida da Igreja se exprime nitidamente na liturgia tradicional, universalmente praticada no tempo em que o Stille Nacht foi composto. Olhando em torno de nós, encontraremos com frequência a concepção de que durante a Semana Santa só se deve pensar na dor e no pranto do Calvário, e no Natal só cabem júbilo e alegria. Mesmo entre almas assíduas aos sacramentos, muitos pensam assim. Mas o que se pode realmente sentir em presença da liturgia compungida da Semana Santa, por exemplo, é a tristeza pela morte do Salvador, mas com aspectos de esperança que nenhuma dor consegue apagar. Logo depois, na comemoração da Páscoa, acentua-se quase só a presença de uma luz intensa e gloriosa, pois Nosso Senhor ressuscitou, e além disso foi consumada a nossa redenção.
Para os que vivem num mundo de gargalhadas e gozo da vida — feste Geräusch und Gedräng, mit Trunk und Geladen und eitlem Gepräng — a grandiosa liturgia católica parece enfadonha, pois só sabem viver em busca de prazeres fugazes. Ignorando a alegria da dor, e só concebendo a dor sem alegria ou a alegria sem dores, uma alma assim está rachada por dentro, incapaz de degustar nos acordes do Stille Nacht a paz que sobrepaira um ambiente de alegria na dor. Não sabe mais distinguir na tranquilidade do Natal a paz imensa que nos trouxe o sacrifício generosamente aceito por Jesus Cristo, tão bem expressa nos vários tempos da liturgia católica.
Quão raros são, hoje em dia, os sermões em que transparece essa mescla de sentimentos. Foram mais numerosos outrora, num tempo em que os pregadores viviam intensamente antes o que iriam pregar depois. Mostravam então aos seus ouvintes o que conheciam por experiência própria, com a autenticidade que hoje lhes falta. Sabiam pintar para seus ouvintes a verdadeira dor, no fundo da qual habita a alegria inefável de Nosso Senhor e Nossa Senhora, Ele na cruz e Ela ao pé da cruz. Pregando a alegria, sabiam comunicar também as que não são contrárias à dor, mas preparam para bem aceitá-la. Quem não vê na alegria tranquila do Stille Nacht uma preparação para a Paixão? Quem não percebe, em meio às alegrias de Belém, um pouco dos soluços de Nossa Senhora aos pés da Cruz?
Representando no contexto da Gruta de Belém as variegadas sonoridades com que foi concebido, o Stille Nacht comunica suavemente às almas um misto de submissão do espírito aos mistérios de nossa Fé, de reverência pelos insondáveis desígnios de Deus, convida à oração e meditação. Pode-se nitidamente acompanhar na música as alternativas. Cada vez que os tons são mais baixos, trazem-nos ao espírito a ternura vigilante que pousa sobre o berço, transparente na atenção dos Pais inclinados sobre a manjedoura. Se o Menino chora, a Mãe O consola. Quando o momento é para lembrar que Deus ali está, o canto traz a fulgente ideia de um sopro sobrenatural banhando o entendimento. Então: HeiligeNacht!

Desejo intenso de salvar as almas

Selo comemorativo do bicentenário da canção Stille Nacht
Talvez seja ainda mais comovente outro aspecto do Natal. De acordo com a realidade histórica, contemplamos ou imaginamos o Menino Jesus na manjedoura, à espera dos que vão a Ele. De fato o Menino Jesus nasceu e foi posto numa manjedoura; os pastores, os habitantes das redondezas e os Reis Magos foram adorá-Lo ou dar-Lhe as boas vindas; outras pessoas terão passado por lá em inteira reverência; Nossa Senhora e São José O adoraram sempre.
Junto a esta realidade há outra, fundamentalmente teológica e sobrenatural, tão mais comovedora e não menos real, que dela não se dissocia: Jesus procurava almas. A partir da noite de Natal, o Menino Jesus percorreu o mundo de modo sobrenatural, invisível, à procura de almas. Convidava cada uma para vir a Ele, a fim de O conhecer e amar, pois trazia a salvação para o mundo — die der Welt Heil gebracht.
Jesus tinha a sede de almas, que o acompanhou durante toda a vida, em tudo o que ensinou, até mesmo nas polêmicas contra os fariseus. Sua sede não foi saciada até o alto da cruz, quando em sua agonia disse: Tenho sede. Além da sede física, os teólogos afirmam que ele tinha a sede das almas, e sempre procurou atraí-las a Si: Como Ele os amava, amou-os até o fim — afirma a Escritura.

Através da melodia, o Menino Jesus visita as almas

Canção tão suave e singela pode ser cantada numa cidade católica, em igrejas, em oratórios públicos, em presépios públicos; seria bem acolhida numa casa de família adornada para o Natal, numa escola, numa universidade. Ouvindo o pequeno coral da paróquia, o órgão aparatoso da catedral, as melodiosas vozes infantis ou de anciãos, o fiel pode sentir-se movido por seu Anjo da Guarda e tocado por um trecho mais adequado à sua sensibilidade. Uma entonação especial o atrai de modo particular, fixa-se em sua alma, e intimamente ele exclama extasiado: Meu Senhor e meu Deus! É a graça incidindo sobre a alma por meio daquela harmonia.
Cessado o canto, ela o acompanha de volta ao lar. E em determinado momento, enquanto se dedica a algo da vida caseira, volta-lhe de repente à memória aquele trecho, pela ação conjugada da graça com a natureza. Parando e cogitando, ele então repete: Meu Senhor e meu Deus! É um modo frequente de o Menino Jesus visitar as almas através da melodia. Assim Ele toca suavemente uma alma, a propósito da música, e depois retribui a visita indo ao encalço dos homens, a quem ele sempre quer fazer o bem. A todos os homens de todas as idades, de todas as línguas, de todas as condições sociais, Ele procura de modo especial na noite de seu aniversário, e lhes diz alguma coisa através dos trechos do Stille Nacht que lhes tocam o coração. É a sede de almas — tenho sede — que já o movia quando ainda Menino.

Canção consoladora dos aflitos e perseguidos

A canção não sensibiliza apenas os que festejam no conforto do lar, pode também suavizar, em larga medida, o Natal dos tristes, levando alegria aos lugares onde há tristeza, como manifestação de sua força tão suave.
Pode-se imaginar um católico perseguido, encerrado numa sinistra prisão comunista da China ou de algum país muçulmano. Ouvindo ao longe essa canção vinda da única igreja aberta aos fieis naquela região, ele se ilumina e diz: Agora é Noite de Natal. Do fundo de sua cadeia, de seu isolamento, num lugar onde só o cercam ódio, perseguição, pobreza, tristeza, onde todo momento é de aflição e toda aflição faz nascer mais uma angústia, esse homem, se tem fé, ajoelha-se e diz: Senhor, hoje é vosso santo Natal. Logo aos primeiros acordes, uma alegria instantânea penetra nos muros intransponíveis do cárcere, o homem reza e se lembra: Stille Nacht, heilige Nacht, Alles schläft, einsam wacht, nur das traute hochheilige Paar — Noite silenciosa, noite Santa, todos dormem. Só e desperto, apenas o fiel e santíssimo casal.
Do fundo de seu isolamento ele pode dizer: Ó Deus, não é só o Santíssimo Casal — das traute hochheilige Paar — que está acordado, mas também eu, o prisioneiro. Olhai, ó meu Deus, para meus pulsos: estão carregados de cadeias. Quando me movo, meu Deus, eu ouço o arrastar das correntes no chão. Prendem-me os pés e baixam dos meus pulsos até o chão. Fazem barulho enquanto eu ando, e despertam guardas que vêm me perseguir como se eu fosse um bicho, trancafiar-me, pois não tenho direito de viver fora destas quatro paredes. Meu Deus, tudo isso é verdade. Quanto tempo ficarei aqui? Não sei. Dai-me, eu vos peço por meio de Vossa Mãe, coragem até o dia de minha libertação, quando poderei cantar no coro de minha paróquia: Stille Nacht, heilige Nacht. Minha solidão e minha dor, minha alegria e minha esperança, de algum modo lembram a solidão e a dor, a alegria e a esperança da vossa Sagrada Família naquela noite bendita de Belém.

Compunção e a esperança jubilosa do Natal

Um dos primeiros encantos da criança, no contato com a Igreja Católica, é o majestoso som do órgão. Ela não sabe ainda ao certo o que é alegria nem o que é dor. Entretanto, sente no órgão afinidade com a paz do Natal e com a gravidade da Semana Santa. Ainda tão pequeno, o menino não passou pelos grandes sofrimentos nem entendeu o júbilo das grandes vitórias. Mas o órgão coloca suavemente no fundo de sua alma, com mão materna, disposições afins ao que mais tarde verá serem os sentimentos de alegria ou de dor.
Nos acordes de tudo que o órgão toca há sempre a compunção da Sexta-feira Santa, associada à esperança jubilosa do Natal. Quando o órgão acompanha o canto do Stille Nacht, cada palavra evoca a grandeza de uma catedral, seu caráter profundamente religioso, sua serenidade, tranquilidade e dignidade. Leva-nos a compreender que é a voz da Igreja, cantando ao sopro do Espírito Santo o dom grandioso que Deus nos fez por intermédio dela.


Stille Nacht, heilige Nacht


Stille Nacht, heilige Nacht,
alles schläft, einsam wacht,
nur das traute, hochheilige Paar.
Holder Knabe im lockigen Haar,
schlaf’ in himmlischer Ruh’,
schlaf’ in himmlischer Ruh’!

Stille Nacht, heilige Nacht,
Hirten erst kundgemacht!
Durch der Engel Halleluja
tönt es laut von fern und nah:
Christ, der Retter, ist da!
Christ, der Retter, ist da!

Stille Nacht, heilige Nacht!
Gottes Sohn, o wie lacht
Lieb’ aus deinem göttlichen Mund,
da uns schlägt die rettende Stund’,
Christ, in deiner Geburt!
Christ, in deiner Geburt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
die der Welt Heil gebracht,
Aus des Himmels goldenen Höh’n,
uns der Gnaden Fülle läßt seh’n,
Jesum in Menschengestalt!
Jesum in Menschengestalt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
wo sich heut’ alle Macht
väterlicher Liebe ergoß,
und als Bruder huldvoll umschloß,
Jesus die Völker der Welt!
Jesus die Völker der Welt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
lange schon uns bedacht,
als der Herr vom Grimme befreit,
in der Väter urgrauer Zeit
aller Welt Schonung verhieß!
Aller Welt Schonung verhieß!


Noite silenciosa, noite Santa

(tradução literal)
Noite silenciosa, noite Santa,
todos dormem. Só e desperto,
apenas o fiel e santíssimo casal.
O menino encantador de cabelos cacheados
Dorme em paz celestial,
Dorme em paz celestial!

Noite silenciosa, noite Santa,
Aos pastores foi dado o primeiro anúncio
através dos anjos cantando
em voz alta, de longe e de perto:
Cristo, o Salvador, está aqui!
Cristo, o Salvador, está aqui!

Noite silenciosa, noite Santa
Ó, como sorri o Filho de Deus.
A bondade nos seus lábios divinos
Faz soar a hora da graça redentora
Cristo, no seu nascimento!
Cristo, no seu nascimento!

Noite silenciosa, noite Santa,
traz a salvação para o mundo,
Das alturas douradas do Céu,
A plenitude da graça nos mostra
Jesus em carne humana!
Jesus em carne humana!

Noite silenciosa, noite Santa,
Em que o poder do Pai
Derrama hoje seu amor,
e gentilmente, como irmão,
Jesus abraça os povos do mundo!
Jesus abraça os povos do mundo!

Noite silenciosa, noite Santa,
longamente desejada,
Desde que o Senhor aliviou
Aos nossos pais o castigo e a amargura
Prometendo a Redenção!
Prometendo a Redenção!

Noite feliz – Versão brasileira


Noite feliz, noite feliz
Ó senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa, Jesus nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus

Noite feliz, noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores os anjos dos céus
Anunciando a chegada de Deus

De Jesus, Salvador!
De Jesus, Salvador!

Noite feliz, noite feliz
Ó senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa, Jesus nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus

Noite feliz, noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores os anjos dos céus
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus, Salvador!
De Jesus, Salvador!

_________________


Notas:


* Hertha Pauli – Download do texto em PDF – http://irtamatias.tk/download/iYbCOwAACAAJ-noite-feliz



Links de vídeos contendo execuções recomendáveis do Stille Nacht:

Animação infantil com o Stille Nacht – https://www.youtube.com/watch?v=DKz1eOyIfz8


Canto do Stille Nacht numa igreja – https://www.youtube.com/watch?v=dQnR0p8DdXo&t=239s

Ivan Rebroff e Meninos Cantores de Viena – https://www.youtube.com/watch?v=3XiygYs8axU


Meninos cantores de St. Florian – https://www.youtube.com/watch?v=ixTym6gFTxQ&t=399s


Meninos Cantores de Viena, com imagens de presépios – https://www.youtube.com/watch?v=eNuP5JvrkXQ




23 de dezembro de 2018

A plenitude da graça de Natal

Adoração dos Reis Magos – Escola Flamenga, séc. XVII. Coleção Particular. 

➤  Plinio Corrêa de Oliveira 

Nossos espíritos estão voltados para a celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e nossas almas se preparam para as alegrias desse dia, que descem do Céu e transcendem todas as dores terrenas. O Santo Natal é uma data de consolação interior. O que quer dizer Natal santo e Natal feliz? Qual a conjugação de significados entre “santo” e “feliz”? 

Segundo o mundo, essas palavras se excluem. A santidade é o caminho da austeridade e renúncia, portanto o contrário do que o mundo entende por felicidade. Contudo, o verdadeiro católico sabe que o Natal é ocasião de graças inefáveis, alegrias interiores extraordinárias, acompanhadas de uma unção celeste que geralmente desce sobre os homens. E o motivo especial dessa alegria é tornar palpável que o Verbo de Deus se fez carne e habituou entre nós. 

A alma humana fica como que transposta para outro nível, para uma clave superior de cogitações, em que nos desligamos das vicissitudes de todos os dias e nos tornamos capazes de perceber o sobrenatural. Sentimo-nos iluminados pelo sorriso de Nossa Senhora, por sua promessa de que, para além de todas as desventuras e de todas as alegrias desta vida, nos aguarda outra ordem de coisas, diante de um Deus infinitamente benigno, acessível, meticulosamente carinhoso, pronto a perdoar e a nos socorrer. Um Deus que, por vontade própria, se tornou obediente Àquela que é também a nossa Mãe.

Cada um de nós pode pedir à Santa Mãe de Deus que aproxime o Menino Jesus de nossa alma, fazendo-nos sentir toda a plenitude da graça do Santo Natal e nos dê força de alma para suportar em paz as dificuldades. 

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que Nosso Senhor pode nos deixar em dificuldades a fim de recolher méritos para socorrer algumas almas mais fracas. Assim, devemos aceitar as dificuldades de bom grado, oferecê-las com alegria ao Menino Jesus como um presente de Natal.

Quando se comemora o momento augusto em que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou o claustro magnífico da beatíssima Virgem Maria, em que os anjos apareceram, os pastores acordaram, a estrela brilhou, São José se extasiou, a natureza toda se revigorou, devemos pedir a Nossa Senhora que abra para cada um de nós uma torrente de graças, nos dê forças para enfrentar as grandes lutas do próximo ano, e que ele seja um ano de grandes misericórdias e conversões. Assim Ela fará por nós incomparavelmente mais do que estamos fazendo por Ela, abrirá as vastidões de nossos caminhos, expulsará os demônios, preparará as almas para o anúncio do advento de seu Reinado na Terra. 

____________ 

Excertos de uma mensagem de Natal, gravada por Plinio Corrêa de Oliveira em 21-12-91. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

CONVITE: Em Curitiba, no Dia dos Santos Inocentes, manifestação contra o aborto

“O Massacre dos Santos Inocentes” (detalhe do quadro de Hans Memling, 1480)

Recebi o e-mail abaixo, proveniente de um incansável combatente na luta contra o aborto em Curitiba. Na data do evento em epígrafe, estou impossibilitado viajar até à simpática e acolhedora capital paranaense, mas estendo o convite a todos nossos leitores que possam participar desse importante evento em defesa da vida inocente. 

Caro Paulo Roberto
Que a Paz da Sagrada Família JESUS, Maria e José, esteja com você, com seus familiares e no seu apostolado! 

Eu estou lhe enviando este e-mail para saber se você poderia vir à Curitiba, para a Missa e Manifestação Pró-Vida do Dia dos Santos Inocentes (28/12/19)? Esta Missa ocorrerá na Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, situada na Praça Tiradentes, ao Meio-Dia e será celebrada pelo nosso Arcebispo D. José Antonio Peruzzo. Todo ano aqui em Curitiba no dia 28/12, data em que a Igreja Católica celebra os Santos Inocentes, nós da Sociedade Protetora dos Nascituros Imaculada Conceição de Maria, que é o movimento Pró-Vida mais antigo da Arquidiocese de Curitiba, celebramos a Missa e Manifestação Pró-Vida do Dia dos Santos Inocentes, sendo que a manifestação é sempre depois da Missa. 

Este ano esta Missa e Manifestação Pró-Vida terá uma importância muito maior que nos anos anteriores, pois iremos nos manifestar contra a “Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental” — ADPF 442 —, que visa legalizar o aborto até o terceiro mês de gestação, que irá ser julgada no Supremo Tribunal Federal, ainda sem data marcada!!! O STF não tem competência para legalizar o aborto, pois estaria legislando, o que seria inconstitucional!!! Esta atribuição pertence apenas ao Congresso Nacional!!! Por esta razão, precisamos colocar de 5000 a 10000 pessoas na Praça Tiradentes, aqui em Curitiba nesta data, que eu sei que é bem “indigesta”, pois está entre o Natal e o Ano Novo e nesta data a maioria das pessoas aqui no Brasil está viajando!!! Mas, como é do conhecimento geral, Curitiba é tida como “Cidade Formadora da Opinião Pública Nacional”, as manifestações públicas nacionais de grande importância começaram aqui em Curitiba, a saber, as manifestações pelas Diretas Já, as manifestações pedindo o impeachment do Collor e da Dilma, etc. A Operação Lava-jato começou aqui em Curitiba, que continua como sede desta operação!!! A primeira manifestação pública contra a ADPF 442 foi realizada aqui em Curitiba no dia 15 de Setembro passado!!! 

Por isso, além de vir à Curitiba, eu gostaria de lhe pedir, se não lhe for incômodo, que você fizesse um post no seu blog (Blog da Família) convidando a todos os seus seguidores a virem a Curitiba no dia 28/12 (os que forem de fora de Curitiba), ou adiarem as suas viagens para o dia 29/12 (os que forem de Curitiba) para poderem participar desta Manifestação Pró-Vida!!! 


Alexandre Luiz Antonio da Luz 
Ex-Presidente da Sociedade Protetora dos Nascituros Imaculada Conceição de Maria Movimento Pró-Vida da Arquidiocese de Curitiba
 http://alal007.blogspot.com/2018/11/missa-e-manifestacao-pro-vida-do-dia.html

4 de dezembro de 2018

Loucura não tem limites

➤  Plinio Maria Solimeo

Neste mundo onde o absurdo se torna cada vez mais frequente, um fato muito sintomático ocorreu há pouco nos Estados Unidos. Uma médica pediatra está forçando seu filho de seis anos a se comportar como menina e ameaçando legalmente o marido por não concordar com isso. Eles são divorciados.

Com efeito, enquanto Ana Georgulas mudou o nome de seu filho James [foto ao lado] para Luna, veste-o e maquia-o como menina, além de obrigá-lo a usar o banheiro feminino na escola, Joffrey Younger, o pai, trata-o, como é normal, como ele sempre foi: James Younger, do sexo masculino. A criança é obrigadaa viver assim com uma dupla identidade.

O mais absurdo e infame em tudo isso é a tétrica realidade dos nossos dias, em que a justiça dá razão e apoia a mãe, e se insurge contra o pai: Jeffrey Younger está proibido por ordem judicial de dizer qual é o sexo de seu filho, inclusive de lhe transmitir o ensino cristão sobre gênero e sexualidade. 

O tribunal concedeu também à mãe o direito exclusivo de escolher o tratamento psiquiátrico e psicológico a ser dado a James e a seu irmão gêmeo Jude, tornando o pai dos meninos incapaz de opinar sobre o caso. 

O absurdo vai além: o pai está proibido de cortar o cabelo de seus filhos. Uma vez que o fez, foi delatado por um professor das crianças ao Texas Child Protective Services como se tivesse cometido um crime contra elas.

Uma prova da predeterminação da mãe é o fato de ela ter levado o menino diretamente para o “aconselhamento” com um “terapeuta de transição de gênero” que arbitrariamente o diagnosticou como possuidor de uma “disforia de gênero”. O “tratamento recomendado” pode incluir a esterilização hormonal que, no caso de James, deveria começar dois anos depois, quando ele completasse oito anos. Isso o prepararia para fazer mais tarde uma cirurgia de “re-atribuição sexual”. 

Em sua radicalidade, essa mãe procurou ainda obter ordens judiciais contra o marido, para acabar com seus direitos parentais, bem como obrigá-lo a pagar as consultas de James com o tal terapeuta, para quem o menino é um “trans”. 

Ora, como no Texas o custo do tratamento psicológico e psiquiátrico de crianças é considerado apoio infantil, amigos da família reunidos em torno do blog “Save James” dizem que, pelos atuais estatutos desse Estado, o pai do menino poderia ser “forçado a pagar pela mutilação sexual de seu próprio filho”. 

Entrou agora na celeuma Walt Heyer, um estudioso que fora “transgênero” e agora é defensor dos que sofrem arrependidos pela mudança de sexo. Em artigo para The Federalist, ele afirma que James não se encaixa nos critérios defendidos pelo tal terapeuta. E para que um conflito mental ocorrido numa criança a respeito de sua própria identidade possa ser diagnosticado como “disforia de gênero”, ele deve ser persistente, consistente e insistente. Ora, segundo Heyer, a mãe do menino força as coisas, fornecendo-lhe apenas roupas femininas e matriculando-o na escola com o nome de menina. Porém, acontece que James, quando está com o pai ou com outros meninos, prefere vestir-se e viver como menino. 

Heyer conclui: “A preciosa jovem vida de James depende exclusivamente do diagnóstico de ‘disforia de gênero’ feito por um terapeuta que se envolve nas cores do arco-íris e defende seu diagnóstico rejeitando as evidências em contrário.”


Segundo outra pediatra e especialista, Dra. Michelle Cretella [foto ao lado], que estudou extensivamente o assunto, “algumas mães que obrigam seus filhos a se passarem por meninas, sofrem de ‘luto de gênero’”. “Os Drs. Kenneth Zucker e Susan Bradley, especialistas de renome mundial no tratamento de distúrbios de identidade de gênero na infância, declaram encontrar algumas mães que queriam desesperadamente uma menina, e que entraram em profundo estado de depressão depois de terem tido apenas filhos. Essa depressão foi gradualmente aliviada apenas por um filho agindo de maneira afeminada ou permitindo que ela o vestisse como uma menina.” 

Os amigos da família, reunidos no já citado blog, fornecem um cronograma, documentos judiciais, orações, pesquisas e outros recursos sobre a ideologia de gênero, que é o tema em causa. Afirmam que a mãe de James está fazendo tudo o que pode para manter o pai longe dos filhos, obtendo para isso muito apoio jurídico e financeiro, enquanto que o pai está sozinho e com recursos limitados, lutando contra a imposição ideológica corrente.

Concluímos com o já citado Dra. Cretella: “O que está acontecendo com o pobre James é um testemunho de como a pediatria politizada e anti-ciência se tornou a formação de identidade de gênero em relação às crianças.”

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Cfr.: https://www.lifesitenews.com/news/6-year-old-boy-forced-to-live-as-a-girl-while-mom-threatens-dad-for-not-goi?utm_source=LifeSiteNews.com&utm_campaign=867df38fb5-SATURDAYEMAIL_2018_12_1&utm_medium=email&utm_term=0_12387f0e3e-867df38fb5-401363089