15 de novembro de 2013

“Aquela não é a nossa Igreja”

 

Relato de um episódio ocorrido ao final de uma reunião com catequistas, em 24 de outubro de 2013.

Por Hermes Rodrigues Nery (*)

Dias atrás, recebi o comunicado da Coordenadora da Catequese de mais uma reunião no meio da semana, em 24 de outubro, com os catequistas. Reunião que visava preparar uma gincana com as crianças para o encerramento de outubro, mês das Missões.

Às 19 horas lá estávamos na igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Durante a reunião foi ressaltado de que a gincana seria para as crianças brincarem, um momento para diversão. A coordenadora da Catequese sabia que eu havia lançado o livro “A Igreja é viva e jovem” na Jornada Mundial da Juventude, e disse que iria sugerir ao pároco (muito popular na cidade por ter fundado uma escola de samba, sucesso já em vários carnavais) para que houvesse um lançamento também na paróquia. Na ocasião, com profundo realismo, eu agradecera à Coordenadora pela atenção, mas por ser um trabalho de linha conservadora e em defesa da Tradição e do Magistério da Igreja, não tinha ilusão de que o pároco fosse se interessar. É evidente que o lançamento não aconteceu, e ela não me falou mais sobre o assunto, e eu compreendi perfeitamente a situação, grato de coração pela sua solicitude, mas ciente de que eu teria todo apoio do pároco se fosse um discípulo de Leonardo Boff. Como um último na paróquia, há vários anos, apenas como catequista, gratificava-me o sorriso das crianças nas manhãs de domingo, em que eu podia falar sobre a pessoa de Jesus Cristo, pois toda a catequese dada tinha a marca da profunda devoção mariana (nas orações antes da catequese, rezamos também a Salve Rainha), com o foco sempre cristocêntrico.

Já quase ao final da reunião, o vigário paroquial (recém ordenado padre, número dois na paróquia) perguntou se havia algum aviso ou algum recado de alguém presente na reunião, ao que solicitei a palavra. Disse que diante de uma certa angústia dos catequistas, muitas vezes, sem saber ao certo ao que recorrer, em termos de material de consulta, de informação, de orientação segura sobre os conteúdos da fé, em meio ao relativismo vigente, havia solicitações para que eu indicasse referências (livros, PDFs, DVDs, etc.) para o aprofundamento da fé católica. Outro dia, perguntaram até mesmo qual a melhor edição brasileira, em termos de tradução da Bíblia, pois algumas incluíram termos de expressões da ideologia marxista, etc. Diante disso, eu recomendei aos catequistas as aulas do Padre Paulo Ricardo, disponíveis na internet. Disse que são exposições bem didáticas, em comunhão com o Magistério da Igreja, e que realmente oferecem reflexões e colocações que motivam a conhecer mais o conteúdo do Catecismo, o que muito contribui para aqueles que desejam uma sólida formação católica.

Eis que, feita a indicação, o vigário foi à frente de todos e, como um raio em céu azul, proferiu enfaticamente:

— Refuto com veemência esta recomendação. Se vocês estão angustiados devem recorrer a nós, os padres da paróquia, responsáveis pela Catequese e formação.
E acrescentou, demonstrando muita contrariedade com o que eu havia há pouco recomendado:

— Esse Padre Paulo Ricardo é um cismático, a Igreja “dele” não é a “nossa”. Ele é um padre de antes do Concílio Vaticano II, não aceita a nova realidade. É um padre dos livros, das coisas velhas e ultrapassadas de Roma, não se atualizou. A nossa realidade é local, e temos que dar uma catequese a partir de como vive o nosso povo. O que sabe o Padre Paulo Ricardo da realidade da nossa comunidade? Saibam que ele não é bem visto por muitos de nós, até bispos. Sabiam que ele quer nos impor a batina, aonde já se viu? A “sua” Igreja está no passado, a “nossa” no presente, no aqui e agora. A “sua” Igreja é a da teologia antiga, das hierarquias, que concebe a Igreja como uma monarquia. Mas a Igreja não é uma monarquia, vocês entendem? Ainda bem que houve o Concílio Vaticano II, que o Papa Bom João XXIII, que será agora declamado santo pelo Papa Francisco, abriu as janelas da Igreja, para o ar fresco entrar. Foi o aggiornamento.

E continuou:
— Agora, houve uns bispos cismáticos, como o monsenhor Lefébvre, da Fraternidade São Pio X, que recusaram a “nova” Igreja e ficaram lá, com as coisas velhas do passado. Não é “aquela” Igreja que devemos ensinar aos nossos catequizandos, mas a “nova”, a Igreja da base, a Igreja do povo, da teologia do povo, e não aquela superada pelo Vaticano II. Aquela não é a nossa Igreja!

Muitos ficaram atônitos, diante daquela explosiva colocação. A Coordenadora da Catequese manteve-se de olhos baixos, em silêncio, sem saber o que dizer ou fazer depois daquele balde de água fria e da forma categórica com que o vigário rechaçou a minha indicação que fizera há pouco. Todos se silenciaram, como se estivessem imobilizados, o que me lembrou um comentário há alguns meses de outra catequista, ao final de outra reunião:

— Eu não falo mais nada. Se ainda me mantenho catequista, é por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, sim, é nosso Senhor e Salvador!

Mesmo assim, ao terminar de falar o vigário, argumentei dizendo que as aulas de Catecismo do Padre Paulo Ricardo estão em consonância com a sã doutrina e o Magistério da Igreja, e que dão a resposta católica segura aos inúmeros questionamentos da atualidade, em tempos tão convulsivos, de secularização crescente, ateísmo militante e forças manipulatórias que instrumentalizam a Igreja para fins ideológicos anti-cristãos, que de modo sofisticado, agem por dentro da instituição, com a hermenêutica da ambiguidade, com ação cada vez mais corrosiva. Por isso também a evasão do fiéis, que não reconhecem a Igreja de Cristo nesta descaracterização, nos reducionismos e até nas somas das heresias que estão por toda a parte, desconstruindo conceitos, demolindo o arcabouço doutrinal, no afã de fazer valer uma outra Igreja, mais pagã do que cristã.

E ressaltei:
— Mas a Igreja de Cristo é santa, e é a ela que está prometida a proteção permanente do Espírito Santo. E voltei-me aos catequistas presentes, dizendo do quanto me aprecia a frase que rezamos a cada missa: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”.

No caminho de volta para casa, outra catequista concluiu:
— Realmente, o que podemos fazer? Não temos nenhum poder de decisão. Eles assumiram os postos de comando. Estamos sitiados.
Cheguei com minha esposa e filhos ainda muito pequenos, em São Bento do Sapucaí [foto], no dia de São José, em 19 de março de 2001. Sonhava com um lugar que pudesse oferecer uma infância para os filhos, e a bucólica cidadezinha foi um dos presentes de Deus, propiciando os momentos de convivência com o povo bom e devoto daqui, nas alturas azuis da Mantiqueira. Escrevi no meu discurso de posse como Presidente da Câmara, em 1º de janeiro de 2009:

“De fato, há nesta cidade uma leveza especial, que nos eleva e nos dá alento, a almejar às “amplidões supernas” , como um sinal claro e puro do que Deus tem guardado para aqueles que o amam, ambiente aprazível, onde “se frui o lídimo tesouro”, no dizer de Dante: a sua topografia, a claridade límpida do ar, a paisagem doce dessas montanhas, como um bálsamo às vistas; o canto do sabiá ao final da tarde, enquanto as garças brancas sobrevoam a Fazenda do Estado; os vagalumes do vale do Quilombo (mencionados na obra clássica de Eugênia Sereno), os carros de bois do sr. Joaquim Costa, em cuja oficina algumas vezes pude recordar a mística do trabalho inspirado por São José, que aparece na bela estampa de sua oficina. Ali próximo, onde algumas vezes fui com as crianças visitar o admirável jequitibá e ler os salmos à beira do riacho, em meio aos seus bois. Há também os ipês magníficos, especialmente o raríssimo ipê branco, de floração sempre inesquecível.” 

E mais: 
“E ainda as belas cachoeiras, a Pedra do Baú (que escalei uma única vez), o momento de confraternização na fogueira das temporadas do Acampamento Paiol Grande, as cavalgadas, as conversas tão enriquecidas com o artesão Ditinho Joana, em seu atelier de trabalho. Tocante a devoção desse povo: na via-sacra da Quaresma, quando vi — pela primeira vez — a cidade do alto do Cruzeiro, antes das seis da manhã; a reza do terço em família, como na casa de D. Isolina, as procissões e festas religiosas, a Paixão de Jesus Cristo encenada nas ruas da cidade pelo grupo de teatro amador, a coroação de Nossa Senhora pelas crianças no mês mariano, as novenas e celebrações nas igrejas dos bairros rurais, o almoço comunitário no bairro do Quilombo na festa do 13 de maio…”

Somente foi possível residir em São Bento do Sapucaí e recomeçar a vida lá (depois do difícil ano 2000), pois o então pároco local solicitara-me fazer o jornal da paróquia, sugerindo que eu fosse procurar parcerias que pudessem dar sustentação econômica ao periódico, que procurei, desde o início fazer um jornal da “boa notícia”, divulgando iniciativas que pudessem motivar as pessoas à multiplicação dos talentos, conforme a parábola contada por Nosso Senhor Jesus Cristo. De linha conservadora, com o jornal “Comunidade São Bento”, pudemos conhecer todos na cidade, e convergir o trabalho comprometido com a evangelização. Cheguei inclusive a trabalhar um período no escritório paroquial, onde, na pequena biblioteca, pude encontrar alguns volumes dos “Documentos da Igreja”, de modo especial os “Documentos de Pio XII”. Em meio ao trabalho, podia, por exemplo, anotar trechos da Mediator Dei 27, destacando: “É verdade que os sacramentos e o sacrifício do altar têm uma intrínseca virtude enquanto são ações do próprio Cristo que comunica e difunde a graça da Cabeça divina nos membros corpo místico”. E enquanto atendia os paroquianos, fazia as anotações e apontamentos dos documentos do grande Papa Pacelli.

Mas dois anos depois, subitamente, o então pároco ligou-me para dizer que ele seria transferido para a periferia de São Paulo, e que as coisas iriam mudar. De fato, informaram-me que o novo pároco tinha não apenas o estilo, mas o pensamento diferente do anterior. Uma das catequistas me advertira: “As coisas tem de ser do seu modo, e não tem jeito!” Sem sequer usar o clergyman, e com o foco no social, desentendeu-se de cara com o casal que trabalhava no escritório paroquial e não titubeou em demitir os dois, marido e mulher, para mostrar que com ele as coisas funcionavam assim: ou faz as coisas do jeito dele, ou então, não serve. E não tardou para que seu estilo “rolo compressor” fizesse também do jornal paroquial a sua vítima. Incomodado com a metodologia e a linha editorial adotada, alguns meses depois, nos chamou para uma reunião com o conselho paroquial, e foi implacável: “Não quero mais!” E ponto final. Foi assim que o jornal “Comunidade São Bento”, até então o meu ganha-pão na cidade, sofreu esse revés. Ao que socorreu-me um padre norte-americano, presidente de uma instituição educativa no Município, mas residente no Rio de Janeiro, que viabilizou a sustentação daquele periódico comunitário por mais algum tempo. Dez anos se passaram daquele doloroso episódio, ao que, na época, uma catequista ressaltou: “Deu para ver como as coisas funcionam agora? Ou faz do jeito dele ou está fora, entende? Você viu o que aconteceu com a Ana Paula e o Marquinho? E agora, o que você vai fazer? Vai embora?

De fato, o pároco anterior havia me dito: “as coisas vão mudar!” Contudo, permaneci na cidade até hoje, e permaneci Catequista, mas a Ana Paula e o Marquinho tiveram mesmo que ir embora.

Eles conseguiram assumir os postos, em tática gramsciana
Decorridos exatos dez anos, logo após a reunião em que o vigário refutou a minha recomendação das aulas do Padre Paulo Ricardo, a mesma catequista voltou a dizer:

— O nosso sentimento é de impotência, imobilização, acuamento. É isso! Estamos sitiados. O que ocorre é que nós que amamos a Igreja, a Tradição e o Magistério, estamos na base da base, sujeitos aos progressistas, que ocuparam os postos de comando e hoje ditam o que querem, e pronto. Os que buscam manter a Tradição Viva são cuspidos para fora. E aí sim prevalece o burocratismo, a pastoral da manutenção, a instrumentalização e a ideologização da Igreja para fins meramente assistencialistas. Mas você viu o que ele disse: a Igreja “dele” é a de 50 anos para cá, e à “anterior”, de dois mil anos, referiu-se como “coisas velhas e ultrapassadas”. Os que defendem a Tradição de dois mil anos é que são cismáticos, e não eles, com a nova teologia populista, a “teologia do povo”. Eles conseguiram assumir os postos, em tática gramsciana, e agora fazem do modernismo, “a síntese de todas as heresias”, como definiu São Pio X, como o que vale. É fato.

E respondi:
— Sim. Mas ao contrário de muitos que evadiram-se, ainda me mantenho catequista, mesmo sabendo da angústia e o desamparo de boa parte do rebanho católico. Não evadi, pois sou um batizado. Nosso Senhor prometeu proteção à Igreja, à Igreja santa! Não existe isso de “esta” ou “aquela” Igreja, mas a Igreja é uma só: a de Jesus Cristo, “que comunica e difunde a graça da Cabeça divina nos membros corpo místico”, lembrando a Mediator Dei. Ele é a Cabeça, e nós os membros. Ele é a Videira. Queremos estar enxertados na Videira, mesmo que aparentemente estejamos em minoria.

E com isso, descemos a rua da Igreja matriz, em meio à noite escura, mas sabendo que acima de nós, as estrelas feitas por Deus permanecem fixas no firmamento.
______________
(*) Hermes Rodrigues Nery é Catequista na Paróquia São Bento. 


Médicos alertam sobre Facebook: perigo de depressão

Mathias Von Gersdorff
Do site alemão “Kultur und Medien”, em 5-11-2013
A Academia Americana de Pediatras (AAP) alerta sobre riscos de forte depressão em jovens sensíveis à internet.

O uso da Internet pode causar danos a jovens, segundo a opinião da pediatra Gwenn O’Keefe [foto abaixo], de Boston. Particularmente sensíveis são aqueles jovens propensos à insegurança. Eles tendem a olhar longamente fotos de pessoas em festas e reuniões amistosas. Caso não consigam imitá-los são tomados por melancolia, previne a autora das diretrizes da AAP a respeito do uso da Internet.

O fato de que gestos e movimentos corporais das pessoas não apareçam em Facebooks faz com que eles deem da realidade um quadro grosseiramente distorcido. A linguagem corporal permite melhor compreender uma situação humana. Assim acontece que muitos usuários da Internet caem em profunda aflição, caso não possuam tantos amigos quanto outros que se manifestam em páginas do Facebook, caso não viajem frequentemente ou não façam muita coisa na vida. Então, apenas presenciar o que amigos realizam enquanto eles ficam imóveis, causa-lhes depressão.

“No total trata-se de uma grande competição de popularidade. Ganha aquele que tem o maior número de amigos ou ostenta o maior número de fotos em sua página web”, diz uma estudante de 16 anos.

“Os pais devem tomar consciência do perigo da depressão através do Facebook e conversar a respeito com seus filhos. O mesmo conselho é válido quando se trata da internet-mobbing ou da crescente propagação do sexo, tal como o envio por SMS de fotos ostentando pessoas despidas”, aconselha a revista “Pediatrics”.

14 de novembro de 2013

Mais um filho!?

Recebi de um colega e-mail anexando um texto muito interessante e recomendando-me publicá-lo no Blog da Família. Tal texto foi extraído do Blog comshalon.org (http://blog.comshalom.org/vidasemduvida/filhos-escola-amor/), postado no dia 11 último, e, realmente, vale a pena difundi-lo, pois bem retrata a realidade de uma família que deseja resistir às ondas destrutivas da Civilização Cristã, como, por exemplo, o controle de natalidade. Trata-se de um relato de autoria de Renato Guimarães Varges — responsável pelo referido blog

Filhos, uma escola de amor

No dia 07 de maio de 2013, meu quarto filho foi concebido. Poucos dias depois veio a confirmação da gravidez e naturalmente a notícia foi se espalhando. 

Algumas pessoas como minha mãe e amigos próximos ficaram imensamente felizes e já foram logo dando palpite sobre o sexo do bebê. Outras pessoas já sorriram só com o canto da boca, respiraram fundo e deram uns parabéns amarelado ou por pura educação. Outras sequer conseguiram disfarçar seus pensamentos e teceram comentários divididos por categoria, os irônicos diziam: “vocês são animados hein!” ou “vocês não tem TV em casa?”; os pseudo-entusiastas: “vocês são guerreiros!” ou “nossa, que coragem!”; os calculistas: “mais um? meu Deus!” ou “quem vai pagar suas contas?” ou “vocês planejaram isso?” ou “já marcaram a laqueadura de trompas?”; e por fim os dramáticos: “foi um acidente?” ou “como vocês vão viver?” .

Comentários à parte, estamos imensamente felizes com a chegada do caçula da vez. No entanto, a decisão de escrever esse artigo é fruto do desejo de fazer uma pequena partilha do que vivo como pai e defensor da cultura da vida e expressar um pouco algo que me incomoda muito na cultura que vivemos atualmente. 

Ah sim, você pode perguntar “E o que isso tem a ver com bioética?” Respondo: ABSOLUTAMENTE TUDO!!! Pois a bioética não pode ficar presa nos livros, conceitos e teorias, mas para defende-la e exercê-la com autoridade, é preciso antes de tudo acreditar nela na nossa própria vida. 

Ao observar a postura de certos casais diante da realidade dos filhos, tenho me perguntado: Por que alguns casais estão convencidos de que os filhos são verdadeiros estraga prazeres da vida conjugal? De onde vem esta mentalidade de que os filhos diminuem a qualidade de vida do casal? Por que existe tanto espaço para a cultura materialista que só consegue enxergar os filhos como potenciais consumidores, gastadores e devoradores de salário? Por que alguns pais querem dar aos filhos um padrão de vida que não possuem como se isso fosse a fórmula do sucesso pessoal e familiar? Por que as pessoas tem tanto pavor do trabalho que as crianças dão em casa, enquanto se matam no trabalho para cumprir metas e conseguir promoções? Por que o cansaço e as exigências com a educação dos filhos são tão rejeitados? Por que as mulheres valorizam tanto o trabalho fora de casa como se educar um filho em casa não fosse um serviço tão ou mais nobre à sociedade quanto qualquer outro trabalho? 

Passaria horas aqui somente escrevendo perguntas do tipo, mas esse não é meu objetivo, como também não é responde-las ou levantar um debate sobre cada um dos temas, isso daria um livro o qual eu não tenho competência para escrever.

Gostaria simplesmente de tentar descrever porque considero os filhos um dom preciosíssimo de Deus e uma verdadeira escola de amor. Nossos planos como casal nunca foram baseados no conforto, nem nas férias inesquecíveis na Disney, nem na casa dos sonhos, mas sempre foram baseados no papel que estávamos assumindo diante de Deus e da Igreja, ou seja, o compromisso de ser uma família. Não tenho nada contra as férias (aliás estou precisando das minhas), nem contra a Disney (dizem que é muito divertido), mas os que se casam confiando unicamente em planos materiais e só tomam decisões com a segurança da conta corrente não estão preparados para construir uma família que ama a Deus acima de todas as coisas e provavelmente não terão a fé como seu maior valor. Se você nunca pensou nisso ou simplesmente nem leva isso em consideração, sinceramente você tem meu respeito, mas, por experiência própria, posso garantir que o matrimônio como um empreendimento meramente humano perde uma dimensão que considero essencial. 

Recordo quando descobrimos a gravidez do nosso 3º filho, uma pessoa chegou para mim e disse: “Ih… agora vocês se danaram. Saiba que o mundo foi feito pra quem tem no máximo dois filhos!” Eu estava um pouco destemperado no momento e respondi sem medir muito as palavras, mas expressando o que se passava no fundo do meu coração: – “E quem disse que nós geramos filhos pensando neste mundo minha senhora?”. Ela arregalou os olhos e viu que eu tinha me ofendido, mas fui obrigado a continuar, especialmente porque eu sabia que ela já havia criticado um outro casal amigo. Eu concluí dizendo: – “Uma família católica gera filhos para povoar o Céu e não nossas cidades, queremos gerá-los para a eternidade, pois é lá que desejamos encontrá-los um dia, a herança que temos para deixar para nossos filhos é a fé, o amor de Deus e a santidade, todo resto é consequência. O bem estar que ofereço é aquele que Divina Providência nos conceder”… Pelo silêncio acho que ela acabou entendendo. Mas é exatamente isso! 

Um casal que rejeita o dom dos filhos ou se fecha irreversivelmente a essa possibilidade está invertendo em absoluto a razão de ser do matrimônio, do ato conjugal e do propósito de estarem unidos por um sacramento. Não estou aqui fazendo apologia à mera quantidade de filhos. Ninguém pode me acusar disso. Sobre esse assunto, o que digo é que existem quatro critérios que devemos adotar quando pensamos em ter filhos: 
1. A confiança na vontade de Deus e na Divina Providência deve ser maior que nossos fundos de investimentos. 
2. A quantidade de filhos não se calcula pela quantidade dos que já temos, mas pela generosidade com os que ainda podemos ter. 
3. O próximo filho será ainda mais exigente, portanto, nos fará crescer ainda mais na partilha e no amor. 
4. O melhor presente que posso dar aos meus filhos é o próximo irmão. 

Ou seja, não é simplesmente uma questão ter muitos filhos, mas ter o máximo que o casal puder. Quanto mais filhos um casal tiver, mais experimentarão da Providência de Deus. Não estou fazendo apologia à irresponsabilidade, mas à generosidade. 

Os filhos só terão sentido na vida de um casal e assim contribuir para a santidade da família se eles forem entendidos e acolhidos como dons de Deus e não como intrusos, vilões ou saqueadores de seu cheque especial. Você pode estar ai dizendo que isso é um exagero ou que eu vivo fora da realidade. Nada disso! Há momentos, não poucos, em que temos a impressão que os filhos exigem mais do que podemos dar, humana e financeiramente, ou que a educação que damos vai parar em qualquer outro lugar que não seja a cabecinha da criança. Isso tira qualquer um do sério, mas não justifica a rejeição dos filhos, nem a substituição do nosso papel na sua educação, muito menos achar que tudo que fizemos até hoje de nada valeu. Ultimamente, quando estou muito cansado e me pego rejeitando dar atenção ou calculando quanto amor vou dar a um filho, penso em três coisas, exatamente nessa ordem: 
1. Como São José agiria nesse momento? 
2. Nas crianças abortadas que não tiveram a chance de nascer.
3. Nas famílias que estão na fila da adoção na esperança de ter pelo menos um filho em casa. Pode parecer um pouco ingênuo, mas pelo menos funciona. 

Há duas coisas que vem junto com os filhos. Uma é inversa e outra diretamente proporcional à sua quantidade. O tempo livre será sempre inversamente proporcional e o cansaço sempre diretamente proporcional à quantidade de filhos. Isso não tem escapatória! Quanto ao tempo, não tem jeito, se não tivessem os filhos, seria ocupado com outra coisa, talvez até menos nobre. 

Nunca considero o tempo que passo com meus filhos uma perda, nem fico ponderando mentalmente o que eu poderia estar fazendo caso não estivesse ali com eles, pois isso seria uma espécie de traição e talvez diminuísse minha alegria de estar com eles. Não adianta, educação não se terceiriza e quem cai nessa cilada, muito cedo paga o preço. Educar os filhos exige muito mais esforço que os mais árduos trabalhos profissionais. Talvez por isso alguns preferem, consciente ou inconscientemente, distrair os filhos do que educá-los. Outros talvez tenham medo de colocar limites claros e dar punições para não perder a amizade dos filhos. Mas a realidade da boa educação exige exatamente o contrário. Meus filhos ainda são pequenos, ainda me idolatram como qualquer criança, mas tenho certeza que seria muito mais fácil eu perder a amizade futura dos meus filhos por não tê-los deixado aprender com as quedas do que pela liberdade que dei para aprenderem a caminhar com suas próprias pernas e entender que crescer e amadurecer dói. Educar é penoso e por vezes vergonhoso porque mostra muito mais os limites dos pais do que as capacidades dos filhos. Por isso, ao invés de fugir desta sadia responsabilidade, devemos abraça-la ainda com mais dedicação. 

Quanto ao cansaço, esse é uma marca do sofrimento físico de quem ama. Um corpo sem as marcas do sofrimento, das exigências de quem se doa ao outro é um corpo que reflete muito mais o que faço para mim do que o que faço pelos outros. O corpo de quem ama é esculpido pelo amor e não pelas academias, por isso, nossos melhores “personal trainers” são nossos filhos. Um corpo que se desgasta por amor é um corpo sarado sim, mas sarado no sentido de ser curado a todo instante de um possível egoísmo ou fechamento aos outros.

Sempre confesso meu cansaço ao cuidar das crianças, mas ajudar nas tarefas de casa, dar as refeições, conviver com meus filhos, poder sorrir com eles, ouvir suas palhaçadas, consolar as dores das suas quedas, fingir que eles são engraçados, dar atenção, corrigir seus erros, tirar as dúvidas brincar, contar histórias, escovar os dentes, brigar, cantar e rezar com eles é um grande presente de Deus. 

Concluo dizendo que só sabe educar quem decide amar. Definitivamente, amar não é uma emoção agradável, nem um sentimento gostoso, como descer numa montanha russa. Amor é uma decisão séria e comprometida que envolve em primeiro lugar a felicidade do outro e não a minha. Amar é um sim mútuo entre dois imperfeitos que se escolhem. Amar é decidir-se por fazer o que é melhor pelo outro ainda que isso custe o meu tempo, meus planos, meu sono, minha beleza, minhas últimas energias. Com alegria digo que Deus não me deu o dom da vida para ser retido, afinal, o que guardamos demais acaba perdendo a validade e apodrecendo. Nunca o cansativo cuidado com os meus filhos aliviou tanto meu cansaço.

Por fim, posso dizer, não se descansa apenas dormindo. Descansa-se acima de tudo amando e servindo aos outros. Quando se ama de verdade, até o sono é uma forma de amar, pois o repouso nos fará servir melhor aos outros ao despertar. Por essas e outras razões, posso afirmar que os filhos são uma escola de amor! 

Por Renato Guimarães Varges

11 de novembro de 2013

Em tempos de extrema confusão, “permanecer firmes, mantendo as tradições que nos foram ensinadas”

  

Luiz Sérgio Solimeo
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 755, Novembro/2013

No dia 19 de setembro, Civiltà Cattolica”, a principal revista da Companhia de Jesus, simultaneamente com outras publicações da mesma Ordem, publicou uma entrevista concedida pelo Papa Francisco, a qual foi comentada favoravelmente pela mídia internacional.

O impacto da entrevista sobre a opinião pública foi enorme e deu origem a muito debate. Inúmeros setores católicos conservadores ficaram perplexos, enquanto os secularistas — incluindo os movimentos abortista e pró-homossexual — lhe deram um surpreendente apoio.

Causaram particularmente escândalo as afirmações do Papa de que “não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e ao uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível”. E que “uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a se impor insistentemente”.(1)

Posteriormente, no dia 1º de outubro, o mesmo Soberano Pontífice concedeu uma entrevista ao jornalista e político ateu Eugenio Scalfari, fundador do jornal secularista radical “La Repubblica”.(2) [foto no topo]

O destaque desta última entrevista foi para as afirmações do Papa de que “não existe um Deus católico”; de que o proselitismo “é um solene disparate” (solenne sciocchezza); de que ao encontrar um clerical, ele (o Papa) se “torna imediatamente anticlerical”; de que cada um pode seguir a sua concepção do bem e do mal; de que os chefes da Igreja foram com frequência narcisistas, etc.

Não foi empenhada a infalibilidade
É bem evidente que em tais entrevistas o Papa não fez uso de sua prerrogativa de infalibilidade, isto é, não falou empenhando sua suprema autoridade apostólica, nem definiu doutrinas em matéria de fé e moral que devem ser aceitas por toda a Igreja.(3)

“Lifesitenews.com” publicou estudo de um teólogo romano especializado em eclesiologia, que após explicar que as entrevistas do Papa não envolvem infalibilidade, afirmou:

“Nós podemos olhar para as palavras e ações do Papa e, com espírito de humildade e caridade, chegar à conclusão de que elas não são de nenhuma ajuda particular, ou que são positivamente contraproducentes e mesmo perigosas. Nesse caso, podemos ter a obrigação de nos pronunciar ou mesmo de resistir ao Papa. Eu digo podemos: uma pessoa não tem sempre a obrigação de agir, especialmente quando percebe que a ação não resultará em um bem, ou que ela poderia, inclusive causar um mal maior”.(4)

O movimento abortista agradece ao Papa
O porta-estandarte do movimento abortista nos Estados Unidos, a National Abortion and Reproductive Rights Action League — NARAL-Pro-Choice America, colocou uma nota de agradecimento ao Papa em sua página do “Facebook” com os dizeres:

“Caro Papa Francisco: Obrigado. Assinado, mulheres pró-escolha de todas as partes. NARAL Pro-choice America”.(5)

Por seu lado, Carmen Barroso, diretora regional da International Planned Parenthood Federation — Western Hemisphere Region, que promove o aborto em todo o mundo, escreveu esta carta ao Editor de “The New York Times”, publicada em 21 de setembro:

“Nós saudamos o desejo do Papa Francisco de encontrar ‘um novo equilíbrio’ dentro da Igreja Católica e assegurar que ela seja verdadeiramente um ‘lar para todos’.

“O reconhecimento de que a Igreja está fora do ritmo dos tempos modernos não poderia chegar em momento melhor: quando os líderes mundiais estão reunidos nas Nações Unidas para discutir os parâmetros da agenda do novo desenvolvimento global e da saúde, em que os direitos das mulheres e dos jovens devem ser priorizados. Isso significa assegurar acesso a uma ampla educação sexual, contracepção e facilidades para o aborto seguro — necessidades às quais o Vaticano tem se oposto com veemência.

“Nós esperamos que este seja um passo adiante na linha de tornar as violações dos direitos reprodutivos e sexuais uma coisa do passado.”(6)

Em uma entrevista à Rede de televisão MSNBC, a freira
Jeannine Gramick [foto], co-fundadora do New Ways Ministry, uma organização oposta à doutrina católica em relação à prática homossexual, contou que chorou de alegria ao ler a entrevista do Papa.(7)

Da mesma maneira, Marianne T. Duddy-Burke (“casada” com uma ex-freira), (8) diretora executiva do movimento homossexual "católico" DignityUSA, declarou: “LGBTs católicos e seus aliados se regozijarão com a conclamação do Papa para que os líderes da Igreja focalizem mais em ser pastores do que aplicadores de leis. Esperamos que os bispos atendam a essa diretriz e cessem imediatamente suas campanhas anti-LGBT, [como também] as demissões de empregados da Igreja pelo que eles são [isto é, por serem homossexuais], os ataques às pessoas que questionam os ensinamentos oficiais [da Igreja], e a retórica exclusiva e crítica que muito frequentemente se ouve dos púlpitos”. E continua: “O Papa não teve ambiguidades: abandonem as intimidações dos púlpitos e acompanhem seu povo.”(9)


Confusão entre os católicos
Por sua vez, o Arcebispo de Filadélfia, D. Charles Chaput [foto], na sua coluna de 25 de setembro no jornal diocesano, diz que entre as mensagens que recebeu sobre a entrevista do Papa:

“As mais comuns eram os emails de catequistas, de pais e de católicos comuns que se sentiam confusos pelas manchetes da mídia sugerindo que a Igreja, de algum modo, tinha mudado seu ensinamento numa variedade de questões morais.”

E exemplifica: “Ouvi de uma mãe de quatro filhos — um adotado, outro deficiente desde o nascimento — e que passou anos aconselhando jovens grávidas [a não abortarem] e abrindo clínicas pró-vida. Ela queria saber por que o Papa parece rejeitar os seus sacrifícios. Um padre disse que o Papa ‘implicitamente acusou de serem obtusos seus irmãos no sacerdócio que tomam com seriedade os problemas morais’ e que ‘[se você é um padre], ser moralmente sério é mais provável que venha a ser agora classificado publicamente como um problema.’ Um outro padre escreveu que ‘o problema é que [o Santo Padre] torna feliz as pessoas erradas, pessoas que nunca irão acreditar no Evangelho e continuarão a perseguir a Igreja’”. (10)

“Questões sobre as quais devemos ser incisivos”
Em uma declaração ao jornal “The Press Democrat”, de Santa Rosa (Califórnia), o bispo dessa cidade, Dom Robert Vasa [foto], disse que não tem visto obsessão a respeito do aborto, contracepção e homossexualidade. E comentou:

“Conheço pessoas — entre as quais certamente me incluo — que acreditam firmemente que essas são questões culturais fundamentais sobre as quais se deve ser incisivo”. E acrescentou: “Mas eu não estou obcecado com elas. A grande maioria das coisas que escrevo não inclui os temas da contracepção ou do divórcio e novo casamento”.

Ele se pergunta: “Há uma necessidade de se pregar sobre essas questões?” E responde com firmeza: “Não há dúvida”.(11)


A moral católica, conjunto de doutrinas desconjuntadas?
Em carta publicada num boletim católico na Internet, Germain Grisez, professor emérito de Teologia Moral no Seminário Mount Saint Mary, de Maryland, e autor de inúmeros livros sobre a matéria, fez o seguinte comentário:

“Qual a razão de dizer que o ministério pastoral da Igreja não pode estar obcecado com a ‘transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a se impor insistentemente’? Fazer essa afirmação sugere, infelizmente, uma caricatura dos ensinamentos dos recentes pontificados. […] A frase é impactante. Ela repercute no nosso íntimo. Mas se ela foi sugerida por um espírito, não foi o Espírito Santo, porque ela confunde e engana”.(12)

“Obsessão” ou “dedicação”?
A Dra. Janet E. Smith, professora de Teologia Moral no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, no Michigan, disse que se sentiu “perturbada” com o comentário do Papa de que há uma “obsessão” em relação ao aborto, à homossexualidade e à contracepção, porque ela passou a maior parte de sua vida tratando dessas questões. Mas, diz que, em vez de “obsessão”, ela crê que foi a “dedicação” e o “empenho” que a levaram a tratar dessas matérias. E explica: “Ajudar as pessoas a entender por que o aborto, a contracepção e os atos homossexuais não estão de acordo com os planos de Deus para a felicidade humana é um meio muito efetivo de tornar as pessoas mais próximas de Jesus e da Igreja e é por isso que passei a maior parte de minha vida adulta evangelizando dessa maneira.”

Pensam do mesmo modo as legiões de lutadores pela vida, os educadores dos métodos naturais de planejamento familiar e de abstinência sexual, e aqueles que se dedicam em organizações como Coragem, que ajudam pessoas com tendências homossexuais a viverem castamente e que se sacrificam por amor a Deus e à Igreja. A Dra. Janet diz que pode haver um ou outro exagero, mas que ela nunca se deparou com um deles na vida real.(13)


“Movimentos pró-vida atirados aos lobos”
Por sua vez, a Dra. Mônica Migliorino Miller [foto], professora
de Teologia na Madonna University, de Michigan, e diretora do Citizen’s for a Pro-life Society (Cidadãos por uma Sociedade Pró-Vida), expressou muito bem a frustração do movimento pró-vida com as declarações do Papa:

“Eu não estou afirmando que o Papa quis deliberadamente desaprovar, deslegitimar ou desacreditar o trabalho dos movimentos pró-vida. Mas há suficiente ambiguidade em sua declaração, feita ademais num certo tom — que, infelizmente, essas são as consequências de sua entrevista. Estou certa de não ser o único líder ativista pró-vida que tem a sensação de ter sido deixado em uma posição difícil na tarefa, já de si difícil, de lutar pelo fim do aborto legalizado — certamente não somente pela entrevista do Papa — mas, naturalmente, pelo modo como os militantes pró-vida, deliberadamente ou não, foram atirados aos lobos. “Eu me pergunto se o Papa Francisco está inteiramente consciente do tamanho da injustiça que significa o aborto. Eu não estou certa de que ele leva suficientemente em conta o quanto custa aos ativistas pró-vida salvar bebês do aborto. Faço aqui uma analogia sobre as consequências concretas das afirmações do Papa — seria como se o Papa Pio XII tivesse dito a Oskar Schindler: “pare de estar obcecado com o Holocausto dos judeus”.

Mas, como a maioria do movimento pró-vida, a Dra. Miller não desanimou:

“Mas — apesar de tudo — das declarações ambíguas e perturbadoras do Papa e da zoeira da mídia, isto representa apenas uma coisa a mais que Deus nos pede para sofrer por Ele. Portanto, NÃO nos desencorajemos! Façamos nosso trabalho salvador. Isto é o que Deus nos pede e devemos ser seus fiéis servos. Em frente, meus amigos.”(14)

“Cobertura” para os políticos católicos
O Pe. Michael P. Orsi [foto], pesquisador associado de Direito e 
Religião na Ave Maria School of Law, assinala que a afirmação do Papa Francisco em sua entrevista – de que ele é “um filho leal da Igreja” – “não é suficiente para mitigar o estrago que suas palavras causaram no movimento pró-vida e naqueles que estão procurando defender o casamento como sendo entre um homem e uma mulher. Suas palavras efetivamente deram uma arma para aqueles que querem reprimi-los”.

Do mesmo modo, diz ele, “as reflexões do Papa providenciaram uma cobertura para os políticos católicos que apoiam as leis abortistas liberais e a legalização do casamento homossexual. Eles podem agora argumentar que, a exemplo do Papa, estão ocupados com questões mais graves, como a pobreza e a preocupação com os pobres”.(15)

N.S. Jesus Cristo com tiara papal
“Cristo o chefe da Igreja”
Deixamos de transcrever aqui os comentários a respeito da entrevista do Papa ao jornal “La Repubblica” porque alongariam por demais este artigo. Só chamamos a atenção para a dubiedade da afirmação do Papa Francisco ao ateu Scalfari de que “não existe um Deus católico, existe Deus”. Como ensina São Paulo, “Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador” (Ef 5,23). Portanto, a união de Cristo, o Verbo Encarnado, com a sua Igreja é tal, que não se pode separar, pura e simplesmente, Deus de Sua Igreja.


Fidelidade à Igreja
Em tempos de extrema confusão como o nosso, no qual domina a sede de novidades, devemos nos lembrar da exortação do Apóstolo São Paulo: “permanecer firmes, mantendo as tradições que nos foram ensinadas” (2Tes 2,14).

Peçamos a Nossa Senhora a graça de termos uma constante fidelidade à Igreja, Una, Santa, Católica, Apostólica, Romana, a única verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

_______________
Notas:
1.     Íntegra da entrevista do Papa Francisco à ‘Civiltà Cattolica’, in “Brotéria”, Julho de 2013, Vol. 1.
2.     Il Papa a Scalfari: così cambierò la Chiesa — "Giovani senza lavoro, uno dei mali del mondo", in “La Repubblica”, 01 ottobre 2013.
3.     Cf. Denzinger, Enchiridion Symbolorum, 1839. Ver Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, Qual a autoridade doutrinária dos documentos pontifícios e conciliares?, in Catolicismo, nº 202, outubro de 1967.
4.     A definition of infallibility in light of the Pope Francis interviews, in “Lifesitenews,com”; ver também Plinio Corrêa de Oliveira, A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas — Para a TFP: omitir-se? ou resistir? In “Folha de S. Paulo”, 10 de abril de 1974, http://www.pliniocorreadeoliveira.info/MAN%20-%201974-04-08_Resistencia.htm#.Uk9IsFPimos
6.     “The New York Times”, September 21, 2013.
7.     Emma Margolin, Progressive Catholics hail Pope Francis’ position on social issues, in MSNBC — NewNation with Tamron Hall, 09/19/2013.
8.     Cf. 15 Years in the Lives of a Catholic Lesbian Couple, in "The Huffington Post" — Gay Voices, 09/19/2013.
9.     Pope's Comments Signal New Direction for Catholic Church — LGBT Catholics Welcome Pastoral Tone and Substance, in DignityUSA, September 19, 2013.
10.   POPE FRANCIS AND ‘THE INTERVIEW’ — Weekly Column by Archbishop Charles J. Chaput, O.F.M. Cap., September 25, 2013.
11.  Catholics diverge on pope's message, By MARTIN ESPINOZA, “The Press Democrat”, September 20, 2013.
12. Letter #90: Editorial on Pope’s Interview, September 29.
13.       Janet E. Smith, Are We Obsessed? In “First Things”, September 25, 2013.
14.  Unpacking the Pope’s PR Debacle — What Happened and What It Means for Pro-Lifers A Critique of the Pope’s America Interview, By Monica Migliorino Miller, in “Citizens for a Pro-Life Society”.
15.  The pope’s blurred red lines, By Michael P. Orsi, in “The Washington Times”, September 26, 2013.

3 de novembro de 2013

MARCHA DOS ZUMBIS — Depravação dos costumes

Em continuidade com o artigo que publiquei no post anterior (“Dia de Todos os Santos e Finados — oposição ao Halloween”), hoje transcrevo uma matéria que aborda a macabra “Marcha dos Zumbis”, que vai se expandindo pelo mundo como se fosse uma epidemia ou moda. Moda evidentemente imposta por certa corrente, com largo apoio da mídia, que tem como objetivo descristianizar a família e a sociedade e acostumá-las com o hediondo,  a não se ter mais repugnância a coisas satânicas.

Ilustro a referida matéria com fotos tiradas na tarde de ontem na denominada “Zombie Walk” (ou Marcha dos Mortos Vivos”) no centro da capital paulista. E fotos de determinados "restaurantes" REPUGNANTES!

Peço desculpas por ter que estampar neste espaço cenas tão horrendas, mas julgo necessário, pois, do contrário, só a descrição delas seria insuficiente para que todos percebam a que fundo chegou a depravação moral dos costumes na sociedade “moderna”   do homem, criado à imagem e semelhança de Deus, pretendem deformá-lo na imagem e semelhança do demônio!

Zumbis marcham… para o inferno


Gregório Vivanco Lopes

Vejam as seguintes notícias.

1 — Cerca de 20 mil zumbis invadiram as ruas centrais de Santiago, no Chile, na 6ª edição da “Zombie Walk”, realizada anualmente na capital chilena. Os “mortos vivos” percorreram dois quilômetros da Alameda Bernardo O’Higgins, a principal avenida da capital (Portal UOL, 19-10-13).

2 — Os zumbis invadiram Buenos Aires. A tradicional reunião de fanáticos dos mortos vivos juntou mais de 30.000 pessoas na Capital Federal. Em Tucumán se realizará em 3 de novembro (La Gaceta, Argentina, 14-10-13).

3 — Zombie Walk ao redor do mundo – Zombie Walk é um evento realizado em várias cidades do mundo, no qual pessoas se disfarçam de zumbis e realizam uma caminhada por áreas urbanas (Hoy, Paraguay, 24-10-13). 

“Marchas dos zumbis” realizam-se pelo mundo todo. 

O que significa isso? Vamos por partes.

É próprio da natureza humana ordenada tender para a perfeição. Mesmo que não se consiga alcançá-la na sua plenitude, deve-se sempre estar à procura da verdade, do bem e da beleza. Em escala social, uma magnífica realização histórica nos foi legada pela Idade Média. Basta olhar para as imponentes catedrais góticas, para a harmonia entre as classes diferentes, para a beleza do canto gregoriano. Foi a civilização cristã. Com as limitações, é claro, de tudo quanto é terreno, algo de celeste foi ali realizado, com a ajuda da graça divina. Daí os tão grandes elogios feitos à Idade Média pelo Papa Leão XIII.

Se, como diz Tertuliano, a imitação da pessoa sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo faz do indivíduo um alter-Cristo, também a busca ordenada da perfeição faz da sociedade um alter-Céu.

Pelo contrário, quando as pessoas não buscam a perfeição mas a si mesmas e aos prazeres fugazes, elas vão descambando, ainda que insensivelmente e por degraus, para as piores abominações, até chegar a formar uma anti-civilização, em que os parâmetros não sejam mais a verdade, o bem e o belo, mas sim a mentira, o mal e o horrendo. 

Parafraseando Tertuliano poderíamos dizer que a imitação do demônio vai fazendo da pessoa um alter-demônio; e da sociedade, um alter-inferno. 

É esta sociedade que as marchas dos zumbis buscam representar e, talvez, de algum modo iniciar. O pretexto para atrair os incautos é divertir-se e brincar, ceder à apetência de extravagância total, sem levar em conta que o homem se assemelha àquilo em que se compraz. 

Figuras horrendas, monstruosas, repugnantes, em atitudes criminosas ou de demência, saídas não dos túmulos mas dos infernos. Um olho que cai da órbita e fica pendurado, uma boca inchada e apodrecida, uma criancinha servindo de alimento a um monstro e vai por aí afora.

Os organizadores fazem uma espécie de proselitismo, pois em algumas dessas marchas colocam à disposição de quem queria se tornar zumbi cabines de maquiagem para ganharem a aparência de recém saídos da tumba.

Como se chega a isso. Evidentemente, por etapas. Começa-se a ser indiferentes em relação ao belo; depois vem o rock, acompanhado de outros sons desvairados; o gosto de usar roupas rasgadas e amarrotadas, não por pobreza, mas por prazer; o sentir-se bem na sujeira; a imoralidade ostentada de modo despudorado e a conivência com atos contra a natureza; o modo degradado de apresentar-se em público; a linguagem habitualmente chula e imoral; habituar-se a comer baratas e outros bichos repugnantes. 

Nessa linha, o mais recente de que tenhamos notícia é um restaurante nos Estados Unidos em que não só as cadeiras imitam vasos sanitários, mas os próprios pratos e travessas têm esse formato, ou então formatos de urinóis. Aí as pessoas comem! E ao que dizem, em Taiwan tais restaurantes são frequentes. 


Tudo isso não é indiferente, produz um reflexo profundo nas almas, fazendo-as adquirir traços semelhantes aos do pai da mentira. Já advertiu o Profeta Oséias (9,10): “tornaram-se tão abomináveis como as coisas que amavam”.

Em meio a uma passeata de zumbis, se um demônio de verdade nela se infiltrasse, provavelmente nem seria notado, tal é a semelhança. Em outros termos, tais demonstrações de horror, tomadas como naturais e até engraçadas,
preparam as almas para um convívio com Satanás. 

Para onde está caminhando nossa civilização ex-cristã?