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1 de junho de 2021

Denúncia da subversão que visa descristianizar o Ocidente e implantar o totalitarismo


Na esteira da epidemia do coronavírus, o complô de uma conjuração anti-cristã para o estabelecimento de um governo totalitário mundial 

Transcrição do editorial da revista Catolicismo, Nº 846, Junho/2021* 

A revista Catolicismo publicou há um ano o manifesto “Aproveitando o pânico da população e o apoio espiritual do Vaticano: Articula-se a maior operação de engenharia social e baldeação ideológica da História”

Esse documento, do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, denunciava um gigantesco plano verdadeiramente diabólico destinado a mudar o mundo inteiro, sob o pretexto de combater o novo coronavírus oriundo da China comunista. 

O manifesto denunciava também a existência de forças poderosas, que visam o domínio das mentes e das nações por meio de um pensamento único; e a implantação de uma ‘nova ordem mundial’ através de um governo totalitário, ditando normas para tudo (os decretos de lockdowns são exemplos disso). Seria despoticamente imposto a todos um regime neocomunista, igualitário e miserabilista, vigiando os cidadãos e controlando os seus passos por meio da tecnologia chinesa de reconhecimento facial. 

No dia 8 de dezembro de 2015, show ecologista e gnóstico, patrocinado pelo Grupo do Banco Mundial, projetou imagens de animais na fachada da Basílica de São Pedro. O objetivo do "espetáculo", denominado FIAT LUX, foi para celebrar a "Mãe Terra", como uma neo-religião ecológica e pagã.







Esse lance revolucionário de inspiração demoníaca tem em vista extinguir os últimos vestígios da Cristandade hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal, para implantar em seu lugar a ‘nova ordem’ mundial pós-coronavírus (denominação atualizada para Great reset — grande reinício), dentro de um ‘novo normal’ de acordo com os objetivos da Revolução gnóstica e igualitária. 

Tendo em vista esse projeto em andamento, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira publicou no dia 13 de maio último uma atualização do que havia divulgado um ano atrás. O tema da matéria de capa da edição junho da revista [foto no topo] é um resumo desse importante manifesto, cuja íntegra está disponível no site https://ipco.org.br. 

Os leitores da revista Catolicismo poderão ter assim uma noção atualizada de como se encontra avançado o projetado Great reset, elaborado com o objetivo de descristianizar o Ocidente e implantar uma espécie de ‘República Universal’ influenciada pela China vermelha.

Catolicismo sempre aconselhou seus leitores a não se deixarem aterrorizar pelo clima de pânico que está se espalhando, mas sim resistir, rezando e confiando em Deus, que também pode estar permitindo tudo isso para castigo da humanidade pecadora. Mas, como Pai, Ele não quer a perdição dos homens, antes deseja que todos se tornem fiéis à verdadeira Religião Católica, Apostólica, Romana.

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* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

24 de maio de 2021

Agitação insana das ‘lives’ contraposta à paz no convívio medieval


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Luis Dufaur

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de home office substituem o relacionamento humano, as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia. Sobretudo com o uso intensivo e cotidiano de tais sistemas, como acontece nesses dias de confinamento, segundo se deduz do artigo da psicóloga e pesquisadora da PUC-SP, Katty Zúñiga, publicado numa reportagem da “Folha de Pernambuco”: “Cada vez mais as pessoas se queixam de se sentirem cansadas ou esgotadas nessa nova realidade em que a casa se tornou o local para se fazer tudo”. 

A fadiga do ‘zoom’ 

‘Zoom fatigue’ é a denominação atribuída recentemente à fadiga causada pelo Zoom, uma plataforma muito usada nos encontros virtuais ou ‘lives’. O mosaico de muitas caras de pessoas conectadas sobrecarrega o cérebro. Explica a psicóloga: “Presencialmente, as reuniões de trabalho, ou mesmo as salas de aula, são permeadas por momentos de distração, descontração. Já no online, não há isso, e a parte cognitiva fica em constante estado de atenção”. O fato de não seguir os padrões humanos da convivência exige uma hipervigilância, que no fim do dia se revela devastadora. 

O atraso entre a fala e a escuta na transmissão de dados, e a falta de liberdade de movimentos que a câmera ligada induz, aumentam o desgaste, afirma Marcos Oreste Colpo, psicólogo e professor da PUC-SP: “Quando você está conversando presencialmente, o corpo também fala, mostra inquietações. Nesses sinais, você aprende sobre o outro, percebe aprovação ou reprovação”. 

Quando ele ministra aulas remotas, os alunos desligam as câmeras, morrendo o relacionamento no grupo, que fica sem reações afetivas. Isto é devastador para a psique humana, que não funciona como circuitos eletrônicos, mas é um espírito vivo. 

Problemas na visão 


Danilo Soriano, doutor em oftalmologia da USP, explica que a longa exposição à luz da tela do computador tem efeitos oculares que acentuam a exaustão: “Prestar atenção nas telas por horas seguidas faz que a gente fique muito tempo sem piscar”, aumentando a chance de ressecamento ocular e de presbiopia, ou ‘vista cansada’. Soriano recomenda soluções paliativas: uma pausa caso os olhos fiquem irritados, ardendo ou lacrimejando; lubrificá-los para evitar um cansaço excessivo; ou usar um protetor de tela. 

“Os smartphones já tinham nos colocado numa tensão constante”, afirma Zúñiga. Mas não se revelou verdadeira a ideia de que permanecer no lar é melhor: “Ao contrário, as pessoas estão ainda mais sobrecarregadas nas suas casas”. A psicóloga recomenda conferir se é o caso de deixar a conversa para depois, ou então marcar um horário: “A melhor coisa é ser sincero e dizer que não pode falar naquele momento, sem rodeios”. 

Fim do relacionamento 

O especialista em comportamento André Spicer afirma que as videochamadas tornam irreais os contatos. Diante da tela perdemos muitos sinais indispensáveis na vida real, como o cheiro da sala ou detalhes em nossa visão periférica. Esses dados adicionais nos ajudam a entender o que se passa. Quando eles inexistem, nosso cérebro multiplica o trabalho para entender, e às vezes chega a uma conclusão errada. Por exemplo, um estudo do desempenho virtual de candidatos em entrevistas de emprego mostrou resultados piores que quando entrevistados presencialmente.

Outro estudo descobriu que num seminário virtual os médicos se concentravam no apresentador, e só no comparecimento presencial focavam a razão de ser do encontro. Os juízes que deviam julgar casos de refugiados por asilo mostravam-se inseguros nas entrevistas por vídeo, além de seu entendimento ser pior. Descobertas as fraquezas do método, as partes são propensas a enganar os juízes, que ficam menos capazes de detectar as falsidades. 

Na conversa online se perde o contato com a personalidade, porque “não há espaço para um papinho paralelo, um comentário baixinho para um amigo que está no bar com você, ou um olhar atravessado para um colega de trabalho que vai lhe entender do outro lado da mesa. Quando você chega numa reunião no escritório, tem aquele papo no café, tem um tititi antes. Esse tititi, em geral, nós perdemos [no online]. Não tem um social que envolve o trabalho, não tem como olhar na expressão das pessoas se aquilo causou algum incômodo ou tédio. Com tanta gente, você perde a individualidade”. É o que explica a psicóloga Maluh Duprat, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da PUC-SP. Também diminui nossa capacidade de ‘medir a temperatura’ do ambiente da conversa. Sem uma leitura corporal, é difícil saber se a fala é bem-vinda, quando encerrá-la ou outras decisões ditadas pela percepção das atitudes psicológicas. 

No contato virtual, os colegas de trabalho ou os alunos de um curso perdem a sensação de pertencerem a um grupo. Estudos observaram que assim os mestres não podem ‘ler’ a sala de aula ou a equipe de estudo; isso é danoso para a interação aluno-professor; e gera piores desempenhos. Para os chefes o dano é maior, pois não podem julgar a acolhida dos empregados ou dependentes, não conseguem encontrar expressões de concordância, desacordo ou tédio. 

Quem modera uma ‘live’ fica facilmente perdido, diz Duprat. Pode ser que o outro desligue a câmera porque tinha uma necessidade, ou foi embora por desgosto: “Você não tem como saber se o sujeito foi fazer outra coisa, ou o quanto dele está ali”. 

Funcionária do Capitólio da Virgínia, nos EUA, monitora uma reunião de Zoom entre membros da Casa.

Presença, papel e caneta levam a melhor 

Os intérpretes da ONU e da União Europeia sentem-se escravizados pelo sistema. E os terapeutas dizem que “perdem a conexão” com seus pacientes nas consultas por vídeo (telemedicina). Outra análise verificou que os funcionários remotos padecem uma forma de exílio, pois se sentem esquecidos. Spicer recomenda arranjar outras atividades durante uma ‘live’: fazer pausas; afastar-se da tela para refletir e se recuperar; desligar a câmera; considerar que há formas de comunicação mais eficientes que as videoconferências. 

Há momentos em que funciona melhor não ter comunicação e permanecer em silêncio. Até papel e caneta levam vantagem, pois constatou-se que um agradecimento escrito manualmente deixa os destinatários muito mais felizes. 

Sedentarismo danoso 

Longas horas em ‘lives’ levam a um nível prejudicial de sedentarismo. Mesmo as pessoas não ativas sofrem agora com a falta de pausas para alongamentos, beber água, até para ir ao banheiro. Os intervalos para o cafezinho são escassos, e o tempo para fazer algum exercício é quase nulo. Por isso o Prof. Jeremy Bailenson, que liderou estudo da Universidade Stanford, julga necessário fazer pausas periódicas para refrescar o corpo e a mente. Segundo a neurocientista Thaís Gameiro, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto funcionarem plataformas como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams, alertas de exaustão estarão sendo enviados para o seu cérebro. 

De todas as empresas procuradas pela reportagem do caderno LINK do jornal “Estado de S. Paulo” (abaixo citada), apenas o Google não se pronunciou. A Zoom acolheu conselhos para moderar o uso de sua plataforma. A Microsoft pesquisa desde o ano passado os danos das ‘lives’ aos usuários. Mas parece pouco. Pelo jeito, a única saída é adotar pausas para caminhar, ir ao banheiro e beber água periodicamente; e, sempre que possível, ficar com a câmera desligada. Reservar um local de trabalho para as chamadas virtuais também pode ajudar o corpo a entender quando é hora de descanso e quando é hora de trabalho. 

A memória rateando 

Ronald Fischer, psicólogo e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) da Victoria University de Wellington, Nova Zelândia, afirma: “No Zoom, Teams, Skype ou outro, muita informação visual é cognitivamente cansativa. [...] Estudos demonstram que a memória funciona melhor quando se liga a ambientes específicos. Quando voltamos àquele ambiente, ele nos ajuda a recordar a experiência. Sem ambiente fica mais difícil para o nosso cérebro guardar todas essas reuniões”. 

Pequenos atrasos na conexão afetam negativamente a forma como vemos uns aos outros. Um delay de 1,2 segundos traz ao nosso subconsciente a impressão enganosa de que a outra pessoa é menos amigável. Afinal, o outro pode montar um ambiente artificial, ou introduzir um fundo de tela que não tem nada a ver com o local em que está, e mudá-lo como preferir. Outro estudo mostrou que o distanciamento reduz a empatia pelo próximo. “A esquisitice aumenta se as pessoas não estão familiarizadas umas com as outras. Elas não têm conhecimento prévio da personalidade do outro ou como ele fala”, afirma a pesquisadora Katrin Schoenenberg. 

Por que é cansativa a tela virtual 

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de
home office substituem o relacionamento humano,
as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia



No site TAB Reporteres na rua, Luiza Pollo chegou a uma conclusão mais direta: “Todo mundo está exausto de conversar por vídeo”. Já para Fischer, sentir-se extenuado depois de uma longa conversa por vídeo é normal, sendo o estresse diretamente proporcional ao número de participantes da ‘live’. Nosso cérebro fica atento principalmente a pessoas e animais, a seus movimentos ou gesticulações. Nós prestamos sempre atenção às expressões faciais e aos movimentos dos colegas, e até dos pets. Isso é muito “diferente de olhar para uma única pessoa falando por vez; no computador ou no celular, todos estão te encarando” - ou, pelo menos, essa é a sensação. 

Elisa Brietzke, psiquiatra e professora da Escola Paulista de Medicina, explica que o cérebro precisa reconhecer sinais corporais que complementam a fala. Mas as ‘lives’ eliminam tudo o que caracteriza uma conversa presencial: falar, gesticular, fazer caretas etc., são coisas que compõem a sobrevivência do relacionamento humano. 

O caderno LINK, do “Estado de S. Paulo”, apresenta conclusões análogas. Por exemplo, Gabriela Costa, 25, professora de inglês e mestranda em Geografia, sofreu utilizando o sistema Zoom nas suas salas de aula. “A gente fica muito mais cansada. Quando termina a aula, só me jogo na cama”. A Dra. Thaís Gameiro explica que a sensação de estar sendo monitorada por muito tempo tira o conforto do contato presencial. “Diante da tela, ficamos olhando o tempo todo para o nosso rosto como se a gente estivesse olhando para um espelho. O usuário pode correr o risco de se desconectar mentalmente do que está fazendo para se analisar”. Assim o explica Sylvia van Enck, especialista em dependência de Tecnologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Segundo ela, a nossa própria imagem transmitida na tela joga contra. A Dra. Thaís completa, dizendo que ficar a maior parte do tempo se olhando pode entrar na conta da fraqueza extrema. 

Conselho dos especialistas: evitar o vídeo 

No final de fevereiro de 2020, uma pesquisa da Universidade Stanford mostrou que a exposição excessiva às videochamadas é prejudicial a curto e longo prazo. Entre os sintomas estão dores de cabeça, depressão e crises de ansiedade. Por isso, o conselho dos especialistas é evitar o vídeo. 

O Prof. Bailenson liderou a pesquisa e detectou vários fatores degradantes da percepção. O primeiro é uma espécie de estresse, por tornar-se o “centro das atenções”. Cada participante recebe o tempo inteiro os olhares do grupo postos sobre ele, e um painel de teleconferência pode ter dezenas de olhares diferentes e/ou desconhecidos. 

A pesquisa de Stanford vai além da recomendação, e é categórica: desligue a própria imagem. Bailenson afirma: “No mundo real, se alguém estivesse seguindo você constantemente com um espelho, de forma que enquanto estivesse falando com as pessoas você estivesse se vendo num espelho, isso seria loucura”. 

O equilíbrio necessário 

No seu conjunto, as conclusões dos autores citados são válidas e úteis como advertências, pois abordam as consequências negativas do uso intensivo, muitas vezes abusivo, de instrumentos desenvolvidos na esteira de uma mentalidade moderna, superconectada, revolucionária. Evidentemente, tudo isso pode trazer consigo consequências indesejáveis como as que foram apontadas. No entanto, considerados em si mesmos, esses instrumentos podem se prestar ao uso útil, sério, necessário, quando feito moderadamente e sem os abusos aos quais também se prestam. 

Entre os muitos efeitos de uma guerra, como um exemplo analógico, pode ser destacado o conjunto de ruídos ensurdecedores produzidos por bombas, aeronaves, canhões, tanques de guerra e toda a parafernália, que no entanto é indispensável para enfrentar e derrotar o inimigo. Além das mortes, destruições e outros prejuízos conhecidos, constam também no campo médico as neuroses de guerra e outros males como endemias, epidemias e pandemias, muitas das quais surgiram depois das guerras, como suas consequências diretas ou indiretas. E grandíssima parte dos atingidos nem sequer participou do esforço de guerra. 

O mesmo se pode dizer sobre outros utensílios aceitos e de uso generalizado, como computadores, celulares, televisões, rádios, automóveis. A decisão de utilizar ou não tais instrumentos úteis, mas potencialmente perigosos para os incautos, cabe portanto a cada um.

O sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver, caraterísticas da sociedade em geral durante a Idade Média

Lucidez e coerência em usar e não usar 

Sobre este assunto, transcrevemos a seguir um comentário esclarecedor do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Como se verá, ele sempre foi adepto incondicional da calma, de períodos de silêncio, da reclusão voluntária para pensar tranquilamente. Mas nunca deixou de utilizar - sempre que necessário para combater a Revolução - instrumentos que também são úteis à Revolução. E o fazia recomendando a mesma atitude aos seus seguidores, como também o fez no seu livro “Revolução e Contra-Revolução”: 


“Tender para os grandes meios de ação - Em princípio, é claro, a ação contra-revolucionária merece ter à sua disposição os melhores meios de televisão, rádio, imprensa de grande porte, propaganda racional, eficiente e brilhante. O verdadeiro contra-revolucionário deve tender sempre à utilização de tais meios, vencendo o estado de espírito derrotista de alguns de seus companheiros que, de antemão, abandonam a esperança de dispor deles porque os veem sempre na posse dos filhos das trevas” (parte II, cap. VI, 1). 

Estas diretrizes, que Plinio Corrêa de Oliveira praticou eximiamente ao longo de toda a vida e recomendou aos seus seguidores em sua obra-prima, não contradizem em nada a vida plácida, pacífica, estável e tranquila que também levou e recomendou aos seus seguidores em conferência de 28-2-1991: 

“Em geral, as iluminuras da Idade Média representam o operário trabalhando no seu métier, a dona de casa cozinhando ou costurando, ou o calígrafo desenhando uma letra, com algo que eu não me farto de admirar: o sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver; fazendo o mesmo trabalho que leva dias, meses, às vezes anos; sem pressa, contanto que saia perfeito. 

“Sem esse estilo de vida, o mundo enlouqueceria. O pequeno burguês, o operário qualificado ou não, o pedreiro medieval podiam passar anos cinzelando uma coluna, sem pressa, sem aflição. Paravam o trabalho na hora de rezar o Ângelus, iam para casa, encontravam a mulher preparando o jantar. Sentavam-se, os filhos se punham em torno deles, calçavam uns chinelões e contavam histórias da família, dos antepassados, da região; liam um trecho da Escritura, da vida dos Santos. 

“Essa estabilidade eu ainda peguei muito, porque em frente de minha casa, na Rua Barão de Limeira, havia um renque de casas operárias misturadas com as casas das melhores famílias de São Paulo. Eu achava a vida deles muito mais sossegada do que a nossa. E eu, que sou amigo do sossego, suspirava: ‘Afinal, eles lá ficaram com o melhor da vida’. 

“O medieval compreendia o nexo do mais alto e sobrenatural com o menor, com coisas sem importância. Uma dona de casa preparava as malas para ir passar uma temporada na casa de uma prima, lembrando de Nossa Senhora indo visitar Santa Isabel, num ambiente densamente impregnado de aroma sobrenatural”. 



Quando concluí a leitura deste texto de Dr. Plinio, perguntei-me se não estou num mundo insano de teletrabalho, videoconferências, comunicação digital, pandemias, lockdowns, políticos corruptos, crises econômicas etc. E pensei: Como seria bom estar junto a um camponês, um burguês ou um castelão, imerso naquela imensa paz e perfume sobrenatural da vida medieval. Mas para chegarmos a algo pelo menos parecido com isso, temos de empreender esforços gigantescos a fim de derrotar a Revolução gnóstica e igualitária. Sem menosprezar os recursos que a própria técnica revolucionária coloca ao nosso alcance.

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Notas: 

1. https://www.folhape.com.br/noticias/videoconferencias-e-excesso-de-chamadas- -causam-exaustao-na-pandemia/143760/ 

2. https://epocanegocios.globo.com/Carreira/ noticia/2020/06/como-videochama das-podem-te-deixar-emocionalmente- -exausto.html 

3. https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/08/por-que-todo-mundo-esta-exausto-de-conversar-por-video.htm 

4. https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,videochamadas-sao-uma-usina- -de-exaustao-e-estudo-mostra-os-motivos,70003646089 

5. Plinio Corrêa de Oliveira, conferência em 28-2-91. Sem revisão do autor.

29 de março de 2021

Dados mostram um dos mais funestos efeitos do lockdown: depressão e suicídio entre crianças


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Plinio Maria Solimeo

Apesar de estudos conscienciosos de cientistas e médicos sobre os malefícios do lockdown, governadores e prefeitos, autorizados pelo STF, continuam a impingi-lo ao povo indefeso. 

Um dos mais funestos desses efeitos é o aumento do suicídio entre crianças e jovens devido ao isolamento forçado. 

Em dois ilustrativos artigos sobre o assunto, publicados pela Gazeta do Povo no dia 19 de março, temos dados estarrecedores do que está sucedendo com essa parcela mais frágil da sociedade. 


Um dos artigos reproduz declarações de Brad Palumbo [foto], da Foundation for Economic Education: “Bilhões de pessoas em todo o mundo continuam a viver sob confinamentos ou ter uma vida fortemente restringida. E para quase todos nós, a vida em meio à pandemia de 2020 foi um ano difícil e isolado. No entanto, os médicos estão alertando que as crianças estão enfrentando graves consequências para a saúde mental como resultado dos lockdowns — levando a uma ‘epidemia internacional’ de suicídio infantil”. 

Isso porque os “lockdowns e outras restrições reduziram drasticamente a interação social e, tragicamente, catalisaram a crise de saúde mental dos jovens [...]. Nos Estados Unidos, os Centros de Controle de Doenças (CDC) relataram que 25% dos jovens adultos consideraram o suicídio durante os confinamentos, enquanto as taxas gerais de saúde mental e suicídio parecem ter disparado também”, observou Brad. 

Ele prossegue: “Como qualquer política, as ordens de saúde pública devem ser avaliadas em seus resultados. Como disse o economista ganhador do Prêmio Nobel, Milton Friedman, ‘um dos grandes erros é julgar as políticas e programas por suas intenções e não por seus resultados’. Os lockdowns podem ser resultado de um desejo sincero de proteger o público; mas suas consequências têm feito o oposto”. 


Brad cita depois o Dr. Richard Delorme [foto], chefe do departamento psiquiátrico de um dos maiores hospitais infantis da França, para quem “são claramente as restrições e lockdowns cobrando seu preço às crianças que acabam em seu hospital: ‘Eles falam sobre um mundo caótico, de ‘Sim, não estou mais fazendo minhas atividades’; ‘Não estou mais fazendo minha música’; ‘Ir para a escola é difícil de manhã’; ‘Estou tendo dificuldade para acordar’; ‘Não aguento mais a máscara’”, são algumas das alegações dos jovens sobre os efeitos do lockdown

O Hospital Delorme passou a atender “cerca de 20 tentativas de suicídio por mês. envolvendo pacientes de 15 anos ou menos, [como] relata a AP, para mais do que o dobro. As tentativas [de suicídio] são perturbadoramente feitas com mais determinação do que nunca”. 

“Estamos muito surpresos com a intensidade do desejo de morrer entre as crianças de 12 ou 13 anos” acrescenta o Dr. Delorme. “Às vezes vemos crianças de nove anos que já querem morrer. E não é simplesmente uma provocação ou chantagem por suicídio. É um desejo genuíno de acabar com suas vidas”. 


Brad afirma que “a saúde mental da infância e da adolescência têm se deteriorado na última década, com aumento das taxas de depressão e suicídio na juventude. Mas o isolamento e a desesperança causados pela resposta à pandemia exacerbaram essa tendência”. 

E conclui: “Os governos em todo o mundo devem considerar mais do que as contagens de casos de Covid-19 ao avaliar as políticas de lockdown e restrições atuais e futuras. O dano que estamos infligindo às crianças é devastador demais para ser descartado em nome da saúde pública — é uma emergência por si só. [...] 

Quando se trata de bloqueios, documentamos amplamente as consequências não intencionais, incluindo isolamento, depressão, suicídio, desemprego, uso de drogas, violência doméstica e muito mais. Esses graves efeitos de segunda ordem oferecem um doloroso lembrete de por que os formuladores de políticas devem ser humildes no escopo de suas ações. Lockdowns radicais são tudo menos humildes: eles presumem que os burocratas em um escritório em algum lugar podem salvar a sociedade com ordens de cima para baixo e nada dará errado. [...] 

Toda ação humana tem consequências intencionais e não intencionais’, explicam o economista Antony Davies e o cientista político James Harrigan. Os seres humanos reagem a todas as regras, regulamentos e ordens que os governos impõem, e suas reações resultam em resultados que podem ser bastante diferentes dos resultados pretendidos pelos legisladores”. 


No outro artigo publicado pela Gazeta do Povo, a jornalista, economista e especialista em educação, Kerry McDonald [foto], também da Foundation for Economic Education, fornece dados mais concretos de como o lockdown 
afeta as crianças e adolescentes. 

Ela começa afirmando: “Fechamento de escolas, decretos de permanência em casa, e fechamento de empresas consideradas ‘não essenciais’ estão contribuindo para o aumento das taxas de depressão e de suicídio entre os jovens, bem como ao aumento da incidência de overdoses de drogas e mortes relacionadas”. 

Cita então os seguintes dados alarmantes:  
O New York Times noticiou nesta semana [de 14 a 21 de março] que um aumento alarmante de suicídios de estudantes fez com que as escolas em Las Vegas agissem rapidamente para reabrir as escolas para o ensino presencial. No distrito de Clark County, Nevada, 18 alunos cometeram suicídio durante os nove meses de fechamento das escolas — o dobro do número de alunos que cometeram suicídio no distrito em todo o ano de 2019. A criança mais nova tinha apenas nove anos”. 
“No condado de Pima, os suicídios no Arizona aumentaram 67% em 2020 em comparação com o ano anterior para crianças de 12 a 17 anos, e os suicídios infantis em todo o estado também aumentaram desde 2019. West Virginia viu um aumento repentino nas tentativas de suicídio de estudantes durante a pandemia. 
“Partes de Wisconsin relataram taxas de suicídio disparadas entre jovens em 2020, enquanto hospitais no Texas e na Carolina do Norte estão atendendo mais pacientes jovens que tentaram se suicidar. 
“Os dados do Centro de Controle de Doenças mostram um aumento de 24% nas visitas de saúde mental da sala de emergência para crianças de 5 a 11 anos, em comparação com 2019. Entre adolescentes de 12 a 17 anos esse aumento é de 31%. No verão passado, o CDC informou que um em cada quatro adultos jovens havia pensado em suicídio no mês anterior. 
“No início deste mês, um estudante do ensino médio e estrela do futebol em Illinois, que já havia lutado contra a depressão, cometeu suicídio. 
“Outro estudante do ensino médio e jogador de futebol no Maine, Spencer Smith, suicidou-se no mês passado depois de deixar um bilhete dizendo que se sentia trancado em casa e que a separação dos colegas com o aprendizado à distância era demais para ele suportar. ‘As crianças precisam dos colegas mais do que nunca agora’, disse seu pai, Jay Smith. ‘Eles precisam de contato cara a cara para que possam liberar suas emoções’”. 
“A arte da economia consiste em olhar não apenas para os efeitos imediatos, mas também para os efeitos mais longos de qualquer ato ou política; consiste em rastrear as consequências dessa política não apenas para um grupo, mas para todos os grupos. Nove décimos das falácias econômicas que estão causando danos terríveis no mundo hoje são o resultado de ignorar esta lição. Todas essas falácias derivam de uma de duas falácias centrais, ou ambas: a de olhar apenas para as consequências imediatas de um ato ou proposta, e a de olhar para as consequências apenas para um determinado grupo, com negligência de outros grupos. [...] 
À medida que os dados sobre as consequências não intencionais da política na pandemia se tornam mais sombrios, os formuladores de políticas estão começando a reconhecer as contrapartes. A reabertura de escolas em Las Vegas é um sinal positivo dessa mudança, mas mais precisa ser feito para afrouxar as restrições prejudiciais à pandemia e permitir que a vida social e econômica se recupere. Isso é particularmente importante agora, pois mais pesquisas mostram que os danos dos lockdowns e políticas relacionadas podem superar seus benefícios. Um novo estudo revisado por pares no European Journal of Clinical Investigation descobriu que políticas restritivas e obrigatórias podem não ser mais eficazes no controle da disseminação do coronavírus do que medidas voluntárias” — acrescentou a Sra. McDonald. 


Resumindo: Para fazer cessar esses, bem como muitos outros efeitos perniciosos do lockdown, retomamos o que Brad Palumbo disse, com toda propriedade: “Os governos em todo o mundo devem considerar mais do que as contagens de casos de Covid-19 ao avaliar as políticas de lockdown e restrições atuais e futuras. O dano que estamos infligindo às crianças é devastador demais para ser descartado em nome da saúde pública — é uma emergência por si só”.

19 de março de 2021

Aborto matando mais que Covid

 


✅  Plinio Maria Solimeo

“Já houve três vezes mais abortos em 2021, do que mortes por Covid”. Essa afirmação estarrecedora é de Francisco Vêneto em interessante artigo no portal PTAleteia, no qual ele acrescenta que isso significa que houve “praticamente 8 milhões de abortos em menos de dois meses e meio, versus 2,6 milhões de mortes por Covid, em mais de 14 meses”.[1]

A isso acrescenta o site Arrow que “a Organização Mundial da Saúde comunicou que uma média de 73.3 milhões de abortos — seguros e não seguros — ocorreram por ano entre 2015 e 2019, sendo a taxa de abortos maior nas regiões em desenvolvimento que nas desenvolvidas”.[2] 

Temos então essa espantosa cifra de inocentes que são cruelmente assassinados por suas próprias mães. Considerando-se que cada aborto provocado é um pecado mortal contra o 5º. Mandamento da Lei de Deus, temos uma cifra escandalosa de pecados mortais cometidos sem remorso, sendo que um só deles, não sendo absolvido pelo sacramento da confissão, leva à condenação eterna. 

Entretanto, não são apenas essas mães desnaturadas as únicas a cometerem esse pecado mortal, mas também todos os que concorreram para a efetivação do aborto, como médicos, enfermeiras, assistentes sociais, entre outros. 

A coisa não pára por aí. Cada nação que aprova o aborto, participa oficialmente da gravidade desse crime hediondo. Como é da doutrina católica que as nações, não existindo na outra vida, devem pagar por seus crimes aqui mesmo nesta Terra, que castigos não merecerão? 

Pode-se perguntar se a pandemia de COVID já não é um dos castigos devidos aos inúmeros abortos cometidos. Para a organização Center For Reproductive Rigths, a maioria dos países desenvolvidos permite o aborto até o terceiro mês de gestação. Isto é, quando o feto está em pleno desenvolvimento. O que é um assassinato e, portanto, um pecado grave. 

Em outros 66 países como a Suécia, Holanda, Portugal, Rússia, Suíça e Uruguai, cabe à mulher grávida o “direito” de decidir se deseja ou não abortar, sem nenhum problema com o Estado. 

No Brasil, desde 1984, o Código Penal prevê que o aborto é crime, sendo permitido “apenas” em casos de estupro, de risco para a vida da mãe, ou quando o feto não possui a maior parte do cérebro (anencefalia). Mesmo nesses casos, o aborto não deixa de ser um crime contra uma criança indefesa. Portanto, também um pecado mortal. 

A malfadada Organização Mundial da Saúde é quem promove esse crime monstruoso em todo o mundo. Ela, usando agora o pretexto da pandemia, recomenda que se faça o aborto em casa, utilizando pílulas químicas. 

Já em uma decisão de 1994, ela afirmou eufemisticamente que “cada indivíduo tem o direito de decidir livre e responsavelmente — sem discriminação, coerção ou violência — o número, espaçamento e tempo de seus filhos, e de ter informação e meios para isso, e o direito de obter o mais elevado estado de saúde sexual e reprodutiva”. 

E o meio para isso, é claro, consiste em recorrer ao aborto na possibilidade de uma gestação indesejada. Pois logo afirma: “O acesso ao aborto legal, seguro e compreensivo, incluindo cuidados pós-aborto, é essencial para se atingir o mais elevado nível de saúde sexual reprodutiva”.[3] 

Por isso o número dos abortos provocados crescem assustadoramente. Segundo ainda Francisco Vêneto, “nesta mesma manhã [10 de março], o total de abortos perpetrados no mundo somente em 2021, em menos de dois meses e meio, já superou o triplo desta marca dramática: foram mais de 7,985 milhões de abortos desde o dia 1º de janeiro [...] os abortos propositais já equivalem a três pandemias de Covid-19, com base no total de mortes provocadas por essa peste histórica ao longo de mais de 14 meses. A fonte dos dados é o site Worldometers.info, um painel de estatísticas mundiais que apresenta números a partir de fontes oficiais. Ele mostra, por exemplo que, do dia 1º de janeiro de 2021, até a manhã deste dia 10 de março, já nasceram 26,2 milhões de pessoas, enquanto faleceram 11 milhões de seres humanos — sem contar os casos de aborto”

Entretanto, a infâmia não fica só aí. Pois quase todos os países que aprovam o aborto, também legalizam a homossexualidade em todas suas formas, que representa um pecado que brada aos céus e clama a Deus por vingança. 

Segundo fontes do Worldmeters e do Google, citados pela revista "Piauí", temos que, de início de janeiro a fim de dezembro de 2020, houve 42.652.318 abortos em todo mundo. Essa cifra é seguida de perto pelo número de mortes por HIV/Aids, que se eleva a 42.371.699 mortes. Segundo a mesma fonte, as mortes por coronavírus vêm muito abaixo, com 1.810.360.[4]

Baseando-se somente nesses dados, e não se falando dos inúmeros pecados que se cometem com toda a facilidade contra a virtude da pureza nas uniões ilícitas, modas imorais, e obscenidades de toda ordem na TV e Mídia; contra a santidade do matrimônio com a proliferação do adultério. 

E sobretudo no campo religioso, principalmente com os sacrilégios cometidos contra Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, contra suas igrejas e imagens etc., não se pode deixar de afirmar que o mundo de hoje, com raríssimas e louváveis exceções, vive em estado de pecado mortal. 
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Notas: 
1.https://pt.aleteia.org/2021/03/10/ja-houve-3-vezes-mais-abortos-em-2021-do-que-mortes-por-covid-na-pandemia-toda/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=N_pt
2.https://arrow.org.my/safe-abortion-crucial-for-womens-reproductive-health/ 
3.https://www.who.int/health-topics/abortion#tab=tab_1 
4.https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2021/01/11/verificamos-mortes-aids-covid-19-2020/

8 de fevereiro de 2021

LOURDES — Graças, milagres e a conformidade com o sofrimento


Lugar abençoado com a fonte de milagres suscitada pela Santíssima Virgem, onde Ela estabeleceu seu Trono, revela especialmente sua bondade e mostra que é nossa Mãe 

✅ Fonte: Revista Catolicismo, Nº 842, fevereiro/2021

Difusor incansável da devoção à Santa Mãe de Deus, Plinio Corrêa de Oliveira costumava repetir com São Bernardo a máxima “de Maria nunquam satis” (Nunca nos cansamos de Maria). Podemos afirmar também que ‘de Lourdes nunquam satis’, pois jamais se ficará saciado e nunca se dirá o bastante. 

Não há palavras suficientes para enaltecer os inúmeros milagres operados em Lourdes — cientificamente comprovados, com grande rigor, por equipes médicas que desmentem qualquer incrédulo. Nem palavras suficientes para falar dos relatos de peregrinos que marram as maravilhas que presenciaram quando lá estiveram e voltaram curados ou reconfortados em seus sofrimentos. 

Sendo a festividade de Nossa Senhora de Lourdes a principal celebração marial deste mês, a matéria de capa da edição de Catolicismo [foto acima] expende aspectos diferentes dos já expostos ao longo dos anos na revista. Os leitores encontrarão informações preciosas, convidando-os a percorrer em espírito aqueles benditos lugares às margens do rio Gave, junto aos Pirineus. 

Podemos pedir à Imaculada Conceição — título dogmático com que Ela se apresentou a Santa Bernadette na 16ª aparição (25 de março em 1858) — as graças, ou mesmo milagres, de que mais necessitamos neste ano sombrio, pandêmico e carregado de apreensões; mas também de esperanças na intervenção da Divina Providência. 


Não nos esqueçamos de rezar também pelo restabelecimento da Igreja e do mundo, abalados pela autodemolidora crise atual. Os pedidos podem ser feitos preferencialmente diante de uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes (ou da Imaculada Conceição). Aos que residem na capital paulista, será proveitoso visitar uma imagem muito especial [foto], de acordo com a informação do Prof. Plinio: 
“Na igreja do Sagrado Coração de Jesus há uma gruta com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Não é uma imagem qualquer, é a própria imagem que era venerada na Basílica de Lourdes, na França, antes da imagem atual, segundo documento guardado na igreja. Portanto, essa imagem constitui um elo entre Lourdes e o Brasil”. 
Desejamos a todos uma profícua leitura, com bons frutos para a vida espiritual de cada um. Certamente serão concedidos por intercessão d’Aquela que é fonte de todas as graças, a bondosa medianeira entre Deus e os homens. 
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* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

11 de janeiro de 2021

RETROSPECTO — Pânico do contágio, perseguição à Igreja, República Universal


O vírus chinês espalhou pânico, caos no mundo e perseguição à Igreja. A grande ameaça à Civilização pela implantação de um tirânico governo mundial visando o domínio das mentes e das nações, assim como subjugar a Religião Católica aproveitando da infidelidade de certas autoridades eclesiásticas que colaboram com a autodemolição da Igreja. 


✅  Fonte: Revista Catolicismo, Nº 841, Janeiro/2021 

2020 poderá ser estigmatizado como o ano pandêmico. O novo coronavírus oriundo da China comunista se disseminou pelo mundo inteiro, causando enfermidades e mortes em todos os países.

Por meio da mídia com suas notícias poluidoras, muitas delas distorcidas, espalhou-se por todos os continentes o pânico em relação ao vírus. Muitos especialistas consideram que o pânico coletivo foi pior que a própria doença, pois provocou incontáveis traumas psicológicos. Portadores de outras doenças, com receio de serem contaminadas pelo vírus, deixaram de fazer seus exames médicos rotineiros e de procurar clínicas e hospitais para tratar de suas enfermidades (cânceres, problemas pulmonares, cardíacos etc.). Poderiam ser curadas, se dedicassem aos seus males a atenção habitual, contudo muitas acabaram morrendo... por medo de morrer. 

Drásticas medidas de distanciamento social geraram desemprego e muita pobreza em numerosas regiões. Houve também os que se enriqueceram, e muitos outros que continuarão a enriquecer em decorrência de todo esse processo. 

Enquanto a atenção mundial era focada principalmente nos aspectos práticos para debelar a pandemia, em certos setores dirigentes mundiais estudava-se como aplicar o pânico da pandemia para conseguir o domínio das mentes e das nações, com a implantação de um governo mundial despótico — ‘República Universal’, ou ‘Nova Ordem Mundial’, que poderia ser a meta final. No Fórum Econômico Mundial falou-se claramente no ‘Great Reset’. Seria um grande reinício do mundo após a covid-19, onde uma “nova humanidade” viveria de modo subconsumista, ecológico, em novo ‘formato’ globalizado de regime comunista.


Subindo a um patamar espiritual, malefícios atingiram não só os corpos, mas também as almas. Os ditatoriais decretos de lockdown (com o mantra ‘fique em casa’), resultaram em igrejas fechadas com a anuência, e mesmo complacência, de autoridades eclesiásticas. Assim foi negada a assistência religiosa aos fiéis católicos, abandonados num momento em que mais necessitavam — mais um triste exemplo do processo de autodemolição da Igreja.

Essa pandemia de pânico — que certamente será lembrada por muitas décadas como um verdadeiro pandemônio — é um dos temas principais da matéria de capa da revista Catolicismo deste mês [capa acima], que, como de costume, publica como retrospectiva do ano findo. 

Neste novo ano, quando parece estar próximo também o final desse pesadelo de pânico, devemos voltar nossas almas a Deus e curvar-nos aos seus Mandamentos, com o que obteremos dias melhores, mesmo que sejam mais árduos. Desejamos a todos os leitores, e às suas respectivas famílias, um novo ano com muitas graças de Deus e da Virgem Santíssima.

12 de maio de 2020

Ó Senhora de Fátima tolhei os passos à infiltração comunista

A fim apressarmos a aurora bendita do Reino de Maria, uma oração para rezarmos nestes apocalípticos dias de tantos perigos que ameaçam o Brasil, o mundo e a Igreja


Neste dia 13 de maio de 2020 celebramos o 103º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos (Lúcia, Francisco e Jacinta). Ocasião mais do que propícia para suplicarmos a Ela que, o mais breve possível, venha o triunfo do Imaculado Coração de Maria no Brasil e em todo o mundo. 

Plinio Corrêa de Oliveira — fundador da TFP brasileira e, sem dúvida, o maior divulgador durante o século XX da Mensagem de Fátima — indagou o seguinte: 
“O que podemos fazer para evitar o castigo anunciado em Fátima, na tênue medida em que ele é evitável? O que podemos fazer para obter a conversão dos homens, na fraca medida em que ela ainda possa ser obtida antes do castigo, dentro da economia comum da graça? O que podemos fazer para apressar a aurora bendita do Reino de Maria, e para nos ajudar a caminhar no meio das hecatombes que tão gravemente nos ameaçam? Nossa senhora o indica: afervoramento na devoção a Ela, oração e penitência”. 
Nesse sentido, segue uma muito oportuna oração para rezarmos esses trágicos dias de pandemia, iniciada na China comunista. Essa bela prece foi composta pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para recitação particular. 




Oração a Nossa Senhora de Fátima


Ó Rainha de Fátima, nesta hora de tantos perigos para as nações cristãs, afastai delas o flagelo do comunismo ateu. 

Não permitais que consiga instaurar-se, em tantos países nascidos e formados sob o influxo sagrado da Civilização Cristã, o regime comunista, que nega todos os Mandamentos da Lei de Deus.

Para isto, ó Senhora, conservai vivo e aumentai o repúdio que o comunismo encontrou em todas as camadas sociais dos povos do Ocidente cristão. Ajudai-nos a ter sempre presente que: 

1°) O Decálogo nos manda “amar a Deus sobre todas as coisas”, “não tomar seu Santo Nome em vão” e “guardar os domingos e festas de preceito”. Mas o comunismo ateu tudo faz para extinguir a Fé, levar os homens à blasfêmia e criar obstáculos à normal e pacífica celebração do culto. 

2°) O Decálogo manda “honrar pai e mãe”, “não pecar contra a castidade” e “não desejar a mulher do próximo”. Mas o comunismo deseja romper os vínculos entre pais e filhos; quer entregar ao Estado a educação dos filhos; nega o valor da castidade; e ensina que o casamento pode ser dissolvido por qualquer motivo, pela mera vontade de um dos cônjuges. 

3°) O Decálogo manda “não furtar” e “não cobiçar as coisas alheias”. Mas o comunismo nega a propriedade privada e a sua importante função social. 

4°) O Decálogo manda “não matar”. Mas o comunismo emprega a guerra de conquista como meio de expansão ideológica, promove revoluções e crimes em todo o mundo. 

5°) O Decálogo manda “não levantar falso testemunho”. Mas o comunismo usa sistematicamente a mentira como arma de propaganda. 

Fazei que, tolhendo resolutamente os passos à infiltração comunista, todos os povos do Ocidente cristão possam contribuir para que se aproxime o dia da gloriosa vitória que predissestes em Fátima, com estas palavras tão cheias de esperança e doçura: “Por fim, o meu imaculado coração triunfará”.

11 de maio de 2020

Algumas frases para reflexão nesse período de quarentena, durante o qual circula uma epidemia de inverdades

“A verdade deve ser dita com amor, mas o amor nunca pode impedir a verdade de ser dita”. 

(Santo Agostinho)

“Eu sempre digo toda verdade; se não querem sabê-la, não me procurem”. 

(Santa Teresinha)

“Quando o erro não é combatido, termina sendo aceito; quando a verdade não é defendida, termina sendo oprimida”. 

(São Félix III)

“O que não corresponde à verdade e à lei moral não tem objetivamente nenhum direito à existência, nem à propaganda, nem à ação”. 

(Pio XII)

“A confusão não se remedeia senão com a verdade. Mas com a Verdade por excelência, plena e sem jaça, que só se encontra n’Aquele que é ‘Caminho, Verdade e Vida’”. 

(Plinio Corrêa de Oliveira)

“Eu sei que Vossa Excelência preferia uma delicada mentira; mas eu não conheço nada mais delicado que a verdade”.

(Machado de Assis)

“A mistura do falso com o verdadeiro é muito mais tóxica que o totalmente falso”. 

(Paul Valéry)

5 de maio de 2020

VÍRUS DO PÂNICO: Gigantesca e catastrófica operação de baldeação ideológica

A pretexto do novo coronavírus, forças ponderosas parecem visar o domínio das mentes e das nações por meio de uma ditadura do pensamento único. Isso nos faz recordar de uma experiência orwelliana rumo a uma nova (des)ordem mundial para a implantação de um governo totalitário que ditaria normas para tudo. Todos seriam obrigados a levar um estilo de vida neo-comunista e miserabilista. 


➤  Fonte: Revista Catolicismo, Nº 833, Maio/2020

Enquanto a mídia se encarrega de espalhar ad nauseam previsões apocalípticas do contágio do vírus chinês, o mundo inteiro parece contagiado pelo vírus do medo. Mas muitos já começam a desconfiar dessa mesma mídia e estranhar os despóticos decretos governamentais de confinamento; por exemplo, a ordem “fique em casa”. Alguns acatam de modo pacifico tal ordem, e voluntariamente ficam em “prisão domiciliar”. Mas outros percebem que se está manipulando a opinião pública numa experiência orwelliana.

No célebre romance “1984” (publicado em 1949 sob o pseudônimo George Orwell), o escritor Eric Blair prenuncia o advento de uma governança mundial, que mandaria em todo o mundo, perseguindo quem pensasse por si próprio ao invés de pensar de acordo com a coletividade. A tecnologia chinesa de reconhecimento facial dos cidadãos, inspirada na vigilância policial do “grande irmão” imaginado por Orwell, teria condições para espionar e controlar os passos de todos, suas emoções, o que veem na internet, o que falam e fazem, os arquivos de uso dos celulares etc. 

Muitos comentam que nada no mundo será como antes da pandemia Covid-19. Certos próceres, entre os quais o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, subserviente à China comunista, repetem sem cessar a palavra de ordem: o mundo pós-coronavírus será um “novo mundo”, no qual teremos “um novo normal” numa “nova ordem”. 


Estaria a opinião pública mundial passando por um processo de “baldeação ideológica” para aceitar semelhante sistema de controle planetário? Passaria ela por um teste para o estabelecimento de uma República Universal, com um só governo totalitário ditando normas para tudo e para todos? Haveria forças poderosas desejando implantar um “mundo novo”, nos moldes de um “mundo chinês”? Esse governo mundial imporia a todos um mesmo estilo coletivista de vida? O brusco confinamento das pessoas, com graves consequências econômicas e a falência de inúmeras empresas, jogará muitas regiões na extrema pobreza? Pretende-se fazer desaparecer os derradeiros restos de uma Cristandade hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal? Seria ela substituída por uma sociedade mundial igualitária, miserabilista e tribalista? 

Alguns elementos para resposta, nossos leitores os encontrarão na matéria de capa da revista Catolicismo deste mês. Nesta mesma edição, como é natural, outras matérias se relacionam com essas questões. O fechamento de igrejas, não só no Brasil mas em todo o Ocidente, é decisão com a qual concorda a maior parte das autoridades eclesiásticas, comprazendo o regime chinês, comunista e ateu. Responsável, aliás, por ferrenha perseguição à Igreja, com o fechamento de templos, destruição de cruzes e imagens sagradas. 

Nossos leitores poderão tomar conhecimento da íntegra da referida matéria no seguinte link: 
http://www.abim.inf.br/aproveitando-o-panico-da-populacao-e-o-apoio-espiritual-do-vaticano-articula-se-a-maior-operacao-de-engenharia-social-e-baldeacao-ideologica-da-historia/

1 de abril de 2020

Globalização do vírus da China comunista

O coronavírus made in China, fantasma do momento, assusta o mundo inteiro, mas as soluções católicas são negligenciadas 



➤Nelson R. Fragelli 
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 832, Abril/2020 

No início não passava de uma curiosidade. Mais uma novidade vinda da China? Mais uma artimanha publicitária, com a intenção de conquistar o mercado no Ocidente? Um boato a ser “viralizado”? Ou seria mais grave e prejudicial do que uma epidemia? 


A novidade proveniente da cortina de bambu põe às claras uma China inexplicável e cheia de contradições. Nadando em dinheiro proveniente do capitalismo, mas com regime comunista. Descendente das chacinas de Mao Tsé-Tung, mas sorridente pelas toneladas de objetos cintilantes que despeja sobre o Ocidente ávido de gozo barato. Até o nome parece artificioso: Coronavírus.

Muitos procuravam tranquilizar-se, gracejando com comentários nada engraçados: se ele for mesmo perigoso, é melhor ficar por lá, onde tem muitas centenas de milhões de habitantes para se divertir; eles já estão habituados ao tirânico domínio comunista, um mal a mais pouca diferença faz; encontrando lá gente suficiente, poupará à nossa mídia esquerdista o desgosto de reconhecer os males do totalitarismo comunista; e o Ocidente continuará saboreando em inteira segurança o seu idolatrado conforto; não dá para globalizar esse malfazejo microrganismo, pois não consegue saltar por cima da muralha da China; e podemos confiar que o Ocidente não o importará, nem oficialmente nem por contrabando. 

Mas acabaram globalizando o Coronavírus e a coronafobia, que transitam confortavelmente em rotas antigas e modernas: comerciantes do Velho e Novo Mundo; exploradores do trabalho escravo chinês; turistas sedentos de contemplar as novidades mundiais; na respiração e transpiração de imensa população cativa. Estão vindo, estão circulando, e cada vez mais. 

Em nossos países, penetra em zonas até então consideradas seguras de toda infecção. Não respeita barreiras sanitárias, nem escolas, nem igrejas. No tráfego aéreo, voos são cancelados. Nos divertimentos, cinemas e teatros são fechados. Permanecer em casa, evitando contatos sociais, é a determinação de tantos governos. Toda aglomeração se torna ameaçadora. 

Como um fantasma, levanta-se a consciência do perigo e surge o medo. Os que refletem sobre a evolução do perigo parecem ver, no que era apenas uma curiosidade inicial, um misterioso desígnio superior. Uma advertência? Um sinal dos tempos? Vindo de onde? Com que finalidade? Cientes agora do perigo, muitos despertam; e paradoxalmente o mesmo vírus, ao abrir em incontáveis pessoas os olhos do espírito, em outras fecha concomitantemente os olhos do corpo. 
Fora e dentro da China, a orientação de incontáveis administrações públicas para se permanecer em casa e evitar contatos sociais parece inspirada em típica decisão do governo totalitário chinês, imposta a seu povo e agora exportada ao mundo. Na foto, o presidente da China, Xi Jinping, analisa a situação da epidemia do novo coronavírus junto com assessores militares.

Comunismo chinês recrudesce a perseguição 

As consciências têm motivo para estarem pesadas. Na China, a Igreja Católica é cruelmente perseguida. O atual governo se comporta, em relação ao culto católico, exatamente como seus antepassados comunistas: igrejas são destruídas, bispos e sacerdotes encarcerados, seminários fechados. A cristianofobia domina o país, e foi intensificada brutalmente após o acordo secreto entre o Vaticano e o regime comunista de Pequim. A perseguição à família se faz, entre outras muitas imposições, pelo aborto em massa e pela eutanásia. Os recentes acontecimentos dramáticos em Hong Kong (vide Catolicismo, nº 829, janeiro/2020) mostram a tirania do governo comunista chinês ao cercear toda liberdade de expressão. 


Fora e dentro da China, a orientação de incontáveis administrações públicas para se permanecer em casa e evitar contatos sociais parece inspirada em típica decisão do governo totalitário chinês, imposta a seu povo e agora exportada ao mundo. A ela se seguem outras deliberações semelhantes: controle da movimentação em aeroportos; isolamento total de populações inteiras; uso de máscaras protetoras. Na China, as medidas severas ordenadas pelo governo vêm redundando em controles desumanos de transeuntes e motoristas, durante os quais agressões violentas e mortes são confirmadas por numerosos vídeos. Após esconder a existência do vírus, aparecido em novembro do ano passado, o governo chinês persiste em declarar a epidemia “sob controle”. E ai do chinês que se queixar da inépcia do governo. 

Esse duro tratamento da população chinesa chegará até nossos países? Como se comportarão nossas populações diante de um clima inquietante de notícias sobre o alastramento da epidemia? Quantas pessoas se recusarão a aceitar violências contra suspeitos, por uma alegada necessidade de rigoroso controle em vista do bem da maioria? Serão grandes esses números, e frequentes as violências?

Lourdes: a estranha orientação eclesiástica 

Sob pretexto de proteção sanitária a propósito do coronavírus, o Santuário de Lourdes fechou os locais onde os fiéis podiam banhar-se nas águas milagrosas, cuja fonte fora revelada por Nossa Senhora a Santa Bernadette. Nesses locais designados pelo nome de “piscinas de Lourdes”, e auxiliados por respeitosos assistentes voluntários, há muitíssimos anos os peregrinos podiam imergir nas águas, recebendo assim alívio ou mesmo cura para os males do corpo e da alma. 

Milhares de relatos testemunham os efeitos milagrosos dessa imersão: curas físicas e também espirituais, como a correção de defeitos morais, tentações, infestações e depressões, a renovação do fervor, a coragem de viver. Não só isto: ali se banham, na mesma água, incontáveis peregrinos portadores de doenças da pele, feridas supuradas, furúnculos, úlceras etc. Nunca houve sequer um caso de contaminação, e só isto já é um milagre contínuo! 

Neste momento em que a violenta epidemia do coronavírus vem ceifando vidas em número crescente, um dever elementar de caridade seria intensificar a condução dos contaminados à fonte da cura. Entretanto, dando eco a medidas semelhantes tomadas por um clero pouco zeloso em vários países, os responsáveis do Santuário de Lourdes, movidos por uma concepção mundana e materialista das necessidades humanas, fecharam as imersões dos peregrinos nas águas de abundantes milagres. Não só as curas são assim evitadas, mas cerceia-se ainda o bem que o mundo presenciaria ante o conforto moral e físico causado por aquelas águas. E mais evidente ficaria, imediatamente, que tais banhos não transmitem os vírus. Quantos se converteriam diante dessa constatação? Não é isto que desejam os pastores? 

O Sínodo da Amazônia deu amplo assentimento ao ídolo pagão pachamama, introduzido em ato de veneração nos jardins do Vaticano e em igreja das proximidades. Numa flagrante transgressão ao correto procedimento nesses casos, os padres sinodais alegavam pretensas virtudes da “mãe terra”, que estariam sendo representadas por esse ídolo. Mas a água oferecida generosamente por Maria Santíssima em Lourdes está sendo liminarmente recusada!... 

A orientação católica no exemplo de dois santos 

A Diocese de Milão, cuja história foi marcada
pelo zelo pastoral de São Carlos Borromeu (1538-1584),
é especialmente afetada por tais medidas. Contudo,
quando a peste negra açoitou a Europa em sua época,
o santo visitava incansavelmente os moribundos,
levando-lhes os Sacramentos e consolo espiritual. 
[São Carlos Borromeu atende as vítimas da peste
em Milão – Pierre Mignard, séc. XVII.
Museu de Belas Artes de Caen, França]
Como uma peste das almas, a impiedade vem se alastrando vertiginosamente em todo o mundo. No Brasil, a voragem carnavalesca recente, não se contentando com o nudismo e desordens sexuais de inspiração pagã, perpetrou sacrilégios contra a Religião, Nossa Senhora, os Santos e o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Tais investidas dos ímpios vêm de longe, em acelerado crescimento. E não se pode esquecer que, na história dos povos, onde se propaga a impiedade contra o sagrado propaga-se também a impiedade contra as pessoas. A violência contra Deus arrasta consigo, mais cedo ou mais tarde, a violência contra os humanos. O que fizeram os Santos contra isso?

O Castelo Sant’Angelo às margens lendárias do rio Tibre, próximo ao Vaticano, é um dos mais belos monumentos de Roma. No alto do castelo vê-se a imagem em bronze de São Miguel Arcanjo, coberto de armadura guerreira, no ato de embainhar sua espada. Assim ele apareceu ao Papa São Gregório Magno (540-604), ao final de funesta peste epidêmica que vinha ceifando vidas entre os romanos. Eles rezavam. As igrejas se enchiam. Ritos penitenciais se multiplicavam. O Papa São Gregório Magno, saindo em procissão pelas ruas da Cidade Eterna, implorou a misericórdia divina. Durante a procissão, viu São Miguel Arcanjo no alto do castelo, cercado de luz esplendorosa, embainhando sua espada. E o Pontífice entendeu que a epidemia na Cidade Santa grassava em razão de seus pecados, por permissão de Deus. A violação dos Mandamentos era a causa da epidemia.

Era precisamente o que São Gregório supunha, ao convocar a procissão, e também o que o povo intuía, examinando-se em sua própria impiedade. A partir daquela visão do Arcanjo cessou a peste mortífera, e a vida voltou à serenidade. Naqueles tempos abençoados Deus estava entre seus filhos, mas não para ser impunemente vilipendiado, como ocorre atualmente aqui e no mundo inteiro. Como Pai que perdoa, Deus corrige bondosamente e com justiça, pois mais vale a correção terrena do que a pena eterna. 

O leitor pode ver claramente o contraste em relação aos tempos atuais, constatando que ainda não se viu, como iniciativa do clero, nenhuma atitude que de longe se assemelhe à de São Gregório Magno. Pelo contrário, com o pretexto do coronavírus, inclusive por determinação de inúmeras autoridades eclesiásticas, igrejas são fechadas, atos religiosos suspensos, a Confissão e a Comunhão proibidas em algumas dioceses. Milhões de fiéis estão assim longe da assistência espiritual, necessária principalmente em caso de morte. Com essas determinações, tais autoridades agem de modo não condizente com seu caráter religioso. 

A Diocese de Milão, cuja história foi marcada pelo zelo pastoral de São Carlos Borromeu (1538-1584), é especialmente afetada por tais medidas. Contudo, quando a peste negra açoitou a Europa em sua época, o santo visitava incansavelmente os moribundos, levando-lhes os Sacramentos e consolo espiritual. Centenas de seus sacerdotes morreram contaminados, mas São Carlos Borromeu não se detinha em seu cuidado de pastor, confessava os moribundos em meio a mortos pestilentos. De onde vinha a ele e aos seus tal coragem? Da fé, que ilumina o pastor com luz sobrenatural, levando-o a ver claramente aquilo que é invisível aos olhos humanos. Com essa visão sobrenatural, não se curvam diante de circunstâncias humanas nem dos perigos deste mundo, quando umas e outros ameaçam seu magistério divino. Disso deram provas São Gregório Magno e São Carlos Borromeu, entre muitos outros santos.