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19 de julho de 2026

No turbilhão invasivo da Inteligência Artificial, como reagir e separar o ‘joio’ do ‘trigo’?


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 906, julho/2026 * 

“Tenho medo do dia em que a tecnologia vier a sobrepor-se à interação humana. O mundo terá uma geração de idiotas.” A frase é atribuída a Albert Einstein, mas não encontramos comprovação histórica. Entretanto, o que importa é esta verídica advertência.

O referido dia parece ter chegado com o domínio onímodo e onipresente da Inteligência Artificial (IA). Especialistas dizem que ela está suplantando a inteligência humana, “pensando por você”, “decidindo por você”. 

Ou seja, embora o próprio do ser humano é ser racional, os humanos estão deixando de pensar. Os algoritmos de IA estão amortecendo o raciocínio e a criatividade, eliminando os aspectos mais inerentes (e mais deleitáveis) à vida humana: pensar, analisar, decidir. 

Por isso, idiotices, mediocridades, imoralidades, fakes, deepfakes estão dominando o mundo. 

Muitas pesquisas científicas vêm comprovando que praticamente todos estão ficando dependentes da internet, todos tendem a ficar com o pensamento atrofiado e homogêneo. Isto porque recebem overdoses de informações propagadas por bots e robôs de IA. O pior é que todos ficam sem meios para separar o joio do trigo — muitas vezes, permanecendo apenas com o ‘joio’ (inverdades, ocultismo, pornografia). Com a IA, o ‘joio’ é transmitido em toneladas, enquanto o ‘trigo’ em apenas alguns gramas... 

Assim sendo, uma pergunta se impõe: quais são os seres que estão dirigindo tais robôs de IA? Seres invisíveis? Seres transnacionais ou preternaturais? 

O que é certo é que aqueles que controlam os robôs de IA detêm poderes titânicos, sem precedentes na História. Eles podem controlar quase tudo o tempo todo; podem remodelar as mentes, vigiar e escravizar os utilizadores de IA, torná-los autômatos, a fim de fazerem não o que desejam, mas o que ordena aqueles que concentram em suas mãos todo o poder tecnológico. 

Com o objetivo de ajudar nossos leitores a separar melhor o ‘joio’ do ‘trigo’, publicamos a presente matéria de capa sobre a avassaladora IA, que está penetrando em todos os ambientes, fazendo vítimas entre jovens, adultos, idosos e até entre crianças que desde cedo perdem a inocência. 

Neste tsunami da nova era digital, peçamos a Nossa Senhora, invocada como Sedes Sapientiae (Sede da Sabedoria), que não nos deixe naufragar no mar de lixo eletrônico, e nos conceda a graça e a inteligência para seguirmos bem o Farol e assim chegarmos ao Bom Porto, que é seu Divino Filho.
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*Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para: catolicismo@terra.com.br 

3 de fevereiro de 2025

Pais não querem celular nas escolas



62% de 2.029 pais entrevistados em 113 municípios não querem os celulares nas escolas.

Pesquisa da TIC Educação registrou que 28% das instituições de ensino, urbanas e rurais, já aplicam restrições rígidas. 

A UNESCO fez relatório contra o seu uso nas aulas e apontou os prejuízos causados aos estudantes. 

Os celulares foram banidos em escolas dos EUA, França, Espanha, Finlândia, Itália, Holanda, Canadá, Suíça, Portugal e México. 

Na rede pública municipal do Rio de Janeiro, o prefeito vetou seu uso dentro e fora da sala de aula. O Ministério da Educação projeta uma lei para banir o aparelho nos colégios.

23 de agosto de 2024

Com a leitura, poderosos efeitos benéficos às crianças



O acadêmico espanhol Miguel Salas alertou contra a procura de lazeres fáceis, como o de ficar paralisado diante a TV ou do celular lesando o futuro de crianças e jovens. 

Para o acadêmico, as crianças que se habituam a ler desde pequenas, colhem benefícios ao longo de toda a vida: superioridade na carreira, melhorias sociais e individuais, habilidades de comunicação, capacidade de se expressar e compreender melhor. 

Também é óbvio o aumento do vocabulário, os bons resultados escolares, a empatia bem direcionada, o esquecimento das preocupações danosas e a concentração até tocar na meditação.

 

18 de junho de 2024

Abuso das telas digitais leva jovens ao suicídio


U
m em cada três meninos passa mais de seis horas diárias presos nas telas digitais, isolando-se física e emocionalmente, perdendo o controle e desenvolvendo um vício que leva até à automutilação.

Essa foi em 2022 a principal causa mortis de adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos na Espanha, segundo o Observatório do Suicídio. 

Por sua vez, pediatras alertam para o atraso na fala em crianças menores de 3 anos pelo uso de telas desde cedo, enquanto o acesso à pornografia ocorre precocemente, condicionando o cérebro de crianças e adolescentes.

2 de abril de 2024

Progressiva piora da saúde mental em jovens



Cientistas australianos constataram que desde os anos 1980 tem havido uma crescente degradação da saúde mental dos jovens, coincidindo com os resultados de outros países, em especial dos membros da OCDE, os mais ricos do planeta. 

José Luis Ayuso Mateos, professor de psiquiatria da Universidade Autônoma de Madrid, culpa “o excesso de exposição às redes sociais”. 

O Prof. Richard Morris, da Universidade de Sidney, pede “olhar mais para a família e as relações sociais”, fonte da felicidade de que os jovens sentem mais a falta.

7 de fevereiro de 2024

Retorno à caligrafia para não prejudicar a educação

Meninos praticam caligrafia em uma escola sueca. 

A total digitalização da atividade escolar contribui para criar o cenário perfeito de uma educação deplorável. Na Suécia, o retorno à escrita manual. 


✅  Luis Dufaur 

Diante dos estragos produzidos nas mentes infantis e juvenis pela dependência das telas LCD, escolas na Europa e nos EUA redescobrem o valor do contato pessoal, a importância da sala de aula, da memorização, da escrita, dos livros de papel e da própria caligrafia, noticiou o jornal “El Colombiano”.[1] 

Estudos, livros especializados e muitos testes científicos recomendaram a des-digitalização massiva das escolas. E ela já começou nos países nórdicos e pode tornar-se tendência em todo o mundo. 

Em países desenvolvidos, as crianças de famílias de baixa renda consomem quase o dobro de tecnologia do que as crianças de famílias de alta renda. Cunhou-se o termo “ciberproletariado”: uma massa de jovens minimamente capacitados, mentalmente desfavorecidos, rebaixados pelas escolas para a condição de novos servos pelo uso das tecnologias digitais. 

A ministra sueca da Educação, Lotta Edholm, insurgiu-se contra esse rebaixamento. Para ela, a digitalização das aulas foi um experimento acrítico, em que a tecnologia foi aceita sem levar em conta o conteúdo e o resultado. Por sua vez, as ciências mostraram que os efeitos foram tão danosos que chegou a hora de dar marcha-à-ré, porque os alunos recebem cada vez menos conhecimentos e têm uma queda intelectual e cerebral. Eles mal sabem ler, sua compreensão da leitura caiu vertiginosamente, a caligrafia foi perdida e, acima de tudo, a capacidade de manter a atenção. 

A Suécia desistiu da digitalização escolar e o governo deseja que a aula funcione como lugar de leitura e escrita. A tecnologia não será descartada, mas a solução para os problemas da educação consistirá em não abandonar os alunos diante de uma tela. 

“Des-digitalizar” é progresso 

Ministra sueca da Educação,
 Lotta Edholm
 
Pesquisadores e educadores apalpam essa queda e veem com preocupação a geração que, segundo a UNICEF, cresceu sem conhecer a vida antes do smartphone e desanimou da leitura. As mudanças com a digitalização em todos os níveis deterioraram o QI dessa geração. 

Os dispositivos digitais são poderosos e, se utilizados de modo exclusivo ou abusivo, exibem um sem-número de efeitos deseducativos e mentais danosos. Acresce que a juventude está entrando na era da ‘Inteligência Artificial’, cheia de riscos, que nem os adultos conseguem mensurar. Os especialistas recomendam que as crianças tenham acesso à tecnologia só após aprenderem a ler e escrever com fluência. De fato, o que faria um jovem que precisa escrever de próprio punho uma mensagem, mas que só pode digitar? 

Os cientistas constatam que em países como os EUA há milhares de escolas públicas para crianças carentes saturadas de tecnologia, nas quais se diminuiu a importância dos professores. Resultado: estes ficaram pouco qualificados, com baixos salários e em escasso número. 

Restaurar o ensino tradicional é o futuro 

A cultura medieval empregava muito
 os desenhos como parte da caligrafia
Formou-se o cenário perfeito para uma educação deplorável, resultado da ausência do relacionamento entre uma pessoa qualificada — o professor — e o aluno, exaltada desde a Antiguidade pelos mestres na Grécia, por exemplo. Um grande promotor da digitalização, Steve Jobs, fundador da Apple, confessou em 2001, em um relatório intitulado “A sala de aula do futuro”: “Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates”. 

Se se procura uma cultura democrática, esta não pode depender de um algoritmo, método ideal para uma ditadura de Science-fiction, mas dos valores e conhecimentos que o mestre transmite aos discípulos.

Em 2023, 100 escolas públicas de Seattle (EUA) e 50 mil alunos processaram empresas de tecnologia por danos à saúde mental causados por aplicativos como TikTok, Instagram, Facebook, SnapChat ou YouTube. Restaurar a educação clássica é a maior urgência. 

A ministra da Educação da Suécia foi apoiada pela ministra da Cultura, e os partidos conservadores aceitam a “mudança de paradigma”, ainda que num país como a Suécia isso possa parecer retrógrado. Os políticos pensam na reação positiva dos pais de família, preocupados com a queda cultural das crianças. 

A História registra a importância da leitura da escrita na idade infantil. Os textos cuneiformes sumérios de 2.500 anos atrás insistiam em que os alunos requintassem a caligrafia. As escolas sumérias tinham um “encarregado do chicote” para aqueles que não cultivassem na perfeição a arte da escrita. Um grande educador e teólogo, o Pe. Henri Ramière SJ, fiel ao estilo que elevou a Companhia de Jesus a um patamar educativo superior, exigia dos alunos uma redação pessoal primorosa de apenas uma página, não só sem erros de ortografia ou gramática, mas com perfeição caligráfica, sem manchas, borrões ou outras imperfeições.[2] 

Progressistas contra a ciência 

Os opositores da restauração não gostam que as evidências científicas reprovem a digitalização das aulas. É fácil encontrar estudos de pediatria, neurociência e psicologia alertando para os danos do uso excessivo de tecnologias digitais. A ira modernista foi contra o fato de o governo se apoiar em “evidências científicas”. Quando a ciência se posiciona contra as utopias esquerdistas, vituperam a ciência, como registrou Critical Studies of Education & Technology.[3] 

A mentalidade ‘moderna’, revoltada contra as ciências, reclama uma liberdade irrestrita para os alunos navegarem no mundo digital, mas pouco se importam com a educação dos jovens. 

Confirmação de professor português 

O português Prof. Antonio Duarte[4] ressaltou que em 15 anos as aptidões intelectuais dos alunos suecos diminuíram, a dependência da informação pronta na Internet lhes tirou a vontade de pensar, e ficaram cada vez mais incapazes de se exprimir, enquanto enfraquecia a leitura. 

As ministras suecas da Educação e da Cultura anunciaram o retorno ao ensino baseado nos livros, e pensam em dispensar os computadores e tablets. O desenvolvimento cerebral e a habilidade manual são essenciais, mas se ficam inibidos pelas telas LCD estaremos voltando às cavernas, iluminadas, é claro, pelos reflexos das telas acesas. 

É indispensável a avaliação rigorosa, isenta, honesta, que o mestre faz da experiência pedagógica de cada aluno, não jogando nossas crianças e jovens num sistema que não tem dado bons resultados e caminha para um desastre civilizacional. Para isso, a Suécia investe R$ 315 milhões em livros, observou “O Estado de S. Paulo”.[5] 

O mencionado jornal acrescentou que, segundo a ministra Lotta Edholm, “novas descobertas na ciência cognitiva mostram que os alunos aprendem mais quando leem em um livro do que em um tablet”. Segundo ela, professores e alunos gostaram da decisão: “As respostas são muito positivas. Ter livros é quase visto como um luxo e, mais do que tudo, muitos pais aceitam a mudança”. 

Em maio de 2023 a avaliação global PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), mediu a capacidade dos alunos do 4º ano do ensino fundamental para a leitura e intelecção de textos em 57 países. A Suécia ficou na 13ª posição, e o Brasil, dói dizê-lo, ficou à frente só do Irã, da Jordânia, do Egito da e África do Sul. 

O governo de São Paulo tinha um plano de mandar imprimir 10 milhões de livros didáticos, que seriam distribuídos gratuitamente. A repercussão foi tão negativa que o governo mudou de ideia. 

Equilíbrio entre letra e imagem

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que foi catedrático da PUC, defendia o equilíbrio entre caligrafia e imagem. Ele dava como exemplo as iluminuras nos livros e pergaminhos medievais. A letra capitular poderia ter um passarinho cantando, uma flor, uma cena da vida quotidiana etc. A cultura medieval empregava muito os desenhos como parte da caligrafia. Essa harmonização, no aprendizado, da letra e da contemplação da imagem, agradava muito e foi se aprimorando com o tempo, formando uma geração que forjou a civilização ocidental cristã. 
________ 
Notas: 
1.http://surl.li/lhebc 
2.http://surl.li/lhecl 
3.http://surl.li/lhedk 
4.http://surl.li/lheea 
5.http://surl.li/lheeu

31 de janeiro de 2024

Escolas melhoram sem celular


A Flórida vetou o uso celular nas aulas de suas escolas públicas. Em muitas delas foi proibido durante todo o dia, pois os pais pedem medidas drásticas contra seu uso desenfreado, que ameaça a educação, o bem-estar e a segurança dos alunos. 

Jovens filmaram agressões a colegas apenas para postar em redes sociais. 

Marc Wasko, diretor da escola de Timber Creek (Flórida), com 3.600 alunos, afirmou que agora os professores os encontram mais participativos. 

“Adorei. Os alunos estão mais falantes e colaborativos”, confirmou a professora Nikita McCaskill.

(Fonte: Revista Catolicismo, Nº 877, Janeiro/2023)

17 de janeiro de 2022

A Providência, que abate com uma mão, ampara com a outra

 


✅  Plinio Maria Solimeo

A Providência Divina tem seus caminhos, imperscrutáveis para os que não têm fé. Às vezes parece provar desproporcionadamente pessoas que fazem tudo para Lhe serem fiéis e andar nas suas vias. Foi o que sucedeu com uma piedosa família de nove filhos cuja casa foi devorada por um incêndio, ficando todos na rua da amargura. 

A família de David Goodwin, residente em Wynnum, na região de Brisbane (Austrália), é muito conservadora. Segue em tudo a doutrina tradicional da Igreja, procurando que sua numerosa prole trilhe o mesmo caminho. Além dos nove filhos, perderam quatro, que não sobreviveram. Eles se vestem de acordo com a modéstia cristã, não têm televisão, videogames, smart-phones, tabletes ou dispositivos musicais pessoais. Nem mesmo celulares conectados com as redes sociais. 

Isso é totalmente incompreensível para o homem do século XXI. Contudo, o casal David e Belinda — ela uma médica de 43 anos, ferrenhamente contrária ao aborto e a outras aberrações do mundo moderno — se comprometeu a resistir às “pressões modernas para dar esses modernos dispositivos aos filhos, porque eles não somente podem ser daninhos e perigosos para as crianças, mas também desnecessários”, afirma Belinda. Ela acrescenta que “sem televisão, as crianças não veem muitas formas imorais em que vivem as pessoas [hoje em dia]; e, pelo contrário, passam seus anos mais formativos sendo instruídos por nós no que está bem, evitando o mal. Não estão assim expostas às imagens ou comportamentos inapropriados que seus olhinhos inocentes simplesmente não deveriam ver”. 

Muita gente se esquece de que antes de todos esses aparelhos modernos existirem, as famílias viviam muito bem, desfrutando do convívio familiar e dos mais próximos. Os filhos, geralmente numerosos, eram muito unidos e praticamente bastavam a si mesmos. O que explica que os filhos dos Goodwin aceitem alegremente essas aparentes limitações, não se importando sequer com a pressão dos companheiros de escola. Pois, diz a mãe, “eles são os melhores amigos um dos outros, tanto que o maior problema é fazê-los ir para a cama, pois ficam despertos até tarde conversando animadamente todas as noites”. 

Muitos perguntariam como essas crianças empregam seu tempo sem esses dispositivos modernos. Elas têm muitas atividades, pois se ocupam com “uma combinação de estudo, violino, balé, jogo de rugby, debates e atividades extra-escolares”. Passam o tempo “brincando ao ar livre, lendo um bom livro, falando ou jogando”. Convém ressaltar que esse bom hábito da leitura, que está desaparecendo, sobretudo entre os jovens, entretém e ajuda a formação. De onde ser necessário para os Goodwin ter uma biblioteca “com uma grande seleção de livros”. Quer dizer, livros escolhidos a dedo, para não corromperem a fé e a moral, e ajudarem não só a distrair, mas a formar o caráter. O mais importante é que “nossos filhos vão à Missa, rezam o Rosário com a família diariamente, frequentam regularmente (o sacramento da) confissão, e visitam (Jesus no) Santíssimo Sacramento”. 

Tudo nessa família é feito com conta, peso e medida: “Os filhos maiores têm endereço de correio eletrônico, principalmente para o trabalho escolar. Com exceção de Tom [o mais velho], que terminou a escola, os outros meninos não estão nas redes sociais”. 

Esses conscienciosos pais ensinam seus filhos “a serem fortes, líderes, a sempre defender o que é certo, ainda que ninguém mais o faça”. Mas para isso, como afirma Belinda, “preciso ser para eles um exemplo vivo do que é certo, desde a maneira como me visto, falo, atendo às questões que contam”. E para isso, “rezo regularmente a Deus para que me ajude a ser uma mãe e esposa melhor, pois tenho meus defeitos”. 

E acrescenta: “Eu criei o hábito de rezar para que se cumpra a vontade de Deus em minha vida e na vida de minha família […], pois é ao fazer a santa vontade de Deus que seremos mais felizes. Minha força para ser mãe e esposa está firmemente ancorada em Cristo, em Nossa Santíssima Mãe Maria e nos ensinamentos da Santa Igreja Católica. Nosso trabalho é levar nossos filhos para o Céu, e isso requer paternidade intencional.” 

Como resultado dessa educação genuinamente católica, Tomás, o primogênito, de 17 anos, “é um grande exemplo para os outros filhos”. “Ele se tornou um homem de caráter e moral forte, e David e eu estamos muito orgulhosos dele”. “Assiste à missa e vai à confissão durante a semana, bem como com a família aos domingos.” Tendo completado seus estudos intermediários, trabalha e estuda Artes Liberais. E, como seus irmãos, reza o Rosário todos os dias. 

O incêndio que não destruiu a família 

A casa dos Goodwin em Wynnum dava para a costa, na pitoresca Waterloo Esplanade. 

Tudo começou numa tranquila tarde de setembro por volta das 14h15, quando a Sra. Goodwin descansava em seu quarto e oito de seus nove filhos desfrutavam um dia livre sem escola, divertindo-se entre si. Cinco deles estavam num quarto ao lado, as duas meninas mais novas com a mãe, e um dos meninos maiores no porão, rezando o terço. O filho mais velho e o pai, David, estavam trabalhando. 

De repente, as crianças notaram que um fogo irrompera entre a parede dupla que separava os dois quartos. É preciso dizer que na Austrália, como nos Estados Unidos, geralmente as divisões internas das casas não é de alvenaria, mas de placas de gesso e papelão revestidas com material isolante, por onde passa a fiação elétrica. Possivelmente um curto-circuito provocou o incêndio. 

Assustadas, as crianças correram para acordar a mãe. Quando Belina entrou no quarto vizinho, viu que o fogo estava se alastrando. Agarrou os filhos menores e gritou para os outros descerem rapidamente escada abaixo, em direção à rua. “Eu levei as crianças para o outro lado da estrada e, quando olhei para trás, todo o andar de cima havia sumido”, disse ela. 

Em poucos minutos eles ficaram reduzidos à roupa do corpo, e a dois pares de sapatos para toda a família, pois as crianças brincavam descalças. 

Sala de jantar da família Goodwin, antes do incêndio
O Sr. Goodwin estava em uma reunião na cidade quando recebeu uma ligação de sua filha comunicando-lhe que a casa estava pegando fogo. Sua primeira reação foi dizer: “Certifique-se de que as crianças estão fora, e conte-as uma por uma”. Depois insistiu meia dúzia de vezes para que ela contasse novamente os irmãos. Ligou também para o filho que estava no trabalho, pedindo-lhe que fosse com urgência para casa, e também se certificasse de que todas as crianças estavam a salvo. 

Chegando em casa, o aflito pai comentou: “Você anda na rua, de um lado está a casa queimando e do outro a sua família”. E conclui: “Em uma fração de segundo você vê o que é realmente importante!” 

A família perdeu muito no incêndio — relíquias de família, jóias, roupas, livros, mochilas escolares, uniformes, sapatos, violinos, aparelhos domésticos, cartões de crédito... 

A mão da Providência 

Mas a Providência Divina, “que abate com uma mão, ampara com a outra”. Como a família Goodwin era muito querida, uma onda de apoio da comunidade veio em seu auxílio. Em poucas horas, o povo de Wynnum, a comunidade católica e a família lhes forneceram “uma loja inteira” cheia de produtos úteis: sofás, geladeiras, lancheiras, livros e bolsas. O professor de música providenciou todos os violinos para os músicos iniciantes. 

Emocionada, comenta a Sra. Goodwin: “Esta é a primeira vez que vejo uma bondade enorme e avassaladora [...] pessoas que tinham muito menos do que nós nos dando tanto.”

Para ela, as crianças reagiram bem ao incêndio. Notou que o fogo mudou até mesmo a forma como elas passaram a praticar a sua fé: era a “hora extra” “de adoração ao Santíssimo ou missa, o tempo extra de oração”, disse ela. “Se um de nossos filhos estiver melhor na vida, mantendo sua fé como consequência disso, faríamos tudo de novo amanhã”, afirmou agradecida Belinda Goodwin. 

Os Goodwins foram passar o Natal em Toowoomba, com a família do marido. David comentou que, nesse Natal, era importante lembrar em frente ao presépio, pois “Deus não entrou em uma família rica, Ele veio em uma muito pobre”. “E durante todo o caminho, José e Maria foram providos; eles tinham de dar um passo constante na fé, e é isso que eu acho que os católicos devem fazer”. E acrescentou: “Acho que devemos perder muitos de nossos luxos e de nosso materialismo. “Quando você passa por um desses (eventos da vida), é um lembrete muito rápido e fresco do que realmente importa”. Quer dizer, viver como bons católicos, com a convicção de que “Deus provê, Ele realmente provê.” E assim foi, pois em três semanas a família conseguiu encontrar um aluguel adequado para nove filhos. 

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Fontes: Intentional parenting in the way of God, how nine brothers and sisters become ‘the best of friends’ by Selina HYPERLINK "https://catholicleader.com.au/author/selina-venier/" HYPERLINK "https://catholicleader.com.au/author/selina-venier/" HYPERLINK 

"https://catholicleader.com.au/author/selina-venier/"Venier. 26 March 2019 - Updated on 1 April 2021 
https://catholicleader.com.au/news/qld/family-of-11-escapes-house-fire-by-the-grace-of-god/

Family of 11 escapes house fire by the grace of God by Joe Higgins. 25 December 2021 

https://catholicleader.com.au/news/qld/family-of-11-escapes-house-fire-by-the-grace-of-god/ 

Esta familia de 9 hijos escapó del incendio de su casa: una gran lección magistral de la Providencia. J.L. / ReL 11 enero 2022. https://www.religionenlibertad.com/vida_familia/567372339/familia-goodwin-hijos-incendio-providencia.html?eti=3048#%23STAT_CONTROL_CODE_3_567372339%23%23

13 de janeiro de 2022

As telas digitais formam uma “fábrica de cretinos”?


A
fábrica de cretinos digitais é o chocante título do livro do neurocientista Michel Desmurget, que elenca os efeitos das telas digitais. 

Ele comprovou “constante bombardeio perceptivo; desmoronamento das trocas interpessoais; perturbação quantitativa e qualitativa do sono; amplificação das condutas sedentárias; insuficiência de estimulação intelectual crônica”. 

Desmurget é equilibrado na crítica, mas o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) visualiza uma avalanche de transtornos mentais entre os jovens. As crianças não nascem sabendo mexer com computadores e os videogames não tornam os jovens mais habilidosos e inteligentes.


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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 852, Dezembro/2021.

5 de junho de 2021

DITADURA DA MEDIOCRIDADE

       

A vida mental dos medíocres cifra-se na sensação do imediato — a abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e a televisão — não vai além disso o seu pequeno paraíso.


Os medíocres impõem às almas de largos horizontes a ditadura da mediocridade

✅ Plinio Corrêa de Oliveira 

A mediocridade é o mal dos que, inteiramente absorvidos pelas delícias da preguiça, pela exclusiva deleitação do que está ao alcance da mão, pelo inteiro confinamento no imediato, fazem da estagnação a condição normal de suas existências. Não olham para trás, pois falta-lhes o senso histórico. Nem olham para frente ou para cima, não analisam nem prevêem. Têm preguiça de abstrair, alinhar silogismos, tirar conclusões, arquitetar conjecturas. 

A vida mental dos medíocres cifra-se na sensação do imediato — a abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e a televisão — não vai além disso o seu pequeno paraíso. Paraíso precário, que procuram proteger com toda espécie de seguros: de vida, de saúde, contra o fogo, contra acidentes etc. 

Agradam aos medíocres as veleidades da aventura, a despreocupação ante a iminência do risco, o deslumbramento com miragens. Pelo contrário, fogem aos esforços necessários para atingir os céus da Fé, para os largos horizontes da abstração, para os imensos voos da lógica e da arte, para a grandeza de alma e o heroísmo. 

Com os artifícios mediocrizantes do sufrágio universal, os medíocres fizeram tantas leis, tantos regulamentos, instituíram tantas repartições públicas, que tornou-se impossível qualquer fuga das almas superiores para fora dos cubículos dessa mediocridade organizada. Sem mesmo terem a intenção de o fazer, entretanto, os medíocres impõem às almas de largos horizontes a ditadura da mediocridade.

Como todas as ditaduras, também esta só se prolonga quando consegue monopolizar os meios de comunicação social. Consequentemente, cada vez mais as mediocracias vão penetrando nos jornais, revistas, rádio e televisão. 
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(Excertos, com ligeiras adaptações, do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo” de 20 de junho de 1981).

24 de maio de 2021

Agitação insana das ‘lives’ contraposta à paz no convívio medieval


✅ 
Luis Dufaur

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de home office substituem o relacionamento humano, as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia. Sobretudo com o uso intensivo e cotidiano de tais sistemas, como acontece nesses dias de confinamento, segundo se deduz do artigo da psicóloga e pesquisadora da PUC-SP, Katty Zúñiga, publicado numa reportagem da “Folha de Pernambuco”: “Cada vez mais as pessoas se queixam de se sentirem cansadas ou esgotadas nessa nova realidade em que a casa se tornou o local para se fazer tudo”. 

A fadiga do ‘zoom’ 

‘Zoom fatigue’ é a denominação atribuída recentemente à fadiga causada pelo Zoom, uma plataforma muito usada nos encontros virtuais ou ‘lives’. O mosaico de muitas caras de pessoas conectadas sobrecarrega o cérebro. Explica a psicóloga: “Presencialmente, as reuniões de trabalho, ou mesmo as salas de aula, são permeadas por momentos de distração, descontração. Já no online, não há isso, e a parte cognitiva fica em constante estado de atenção”. O fato de não seguir os padrões humanos da convivência exige uma hipervigilância, que no fim do dia se revela devastadora. 

O atraso entre a fala e a escuta na transmissão de dados, e a falta de liberdade de movimentos que a câmera ligada induz, aumentam o desgaste, afirma Marcos Oreste Colpo, psicólogo e professor da PUC-SP: “Quando você está conversando presencialmente, o corpo também fala, mostra inquietações. Nesses sinais, você aprende sobre o outro, percebe aprovação ou reprovação”. 

Quando ele ministra aulas remotas, os alunos desligam as câmeras, morrendo o relacionamento no grupo, que fica sem reações afetivas. Isto é devastador para a psique humana, que não funciona como circuitos eletrônicos, mas é um espírito vivo. 

Problemas na visão 


Danilo Soriano, doutor em oftalmologia da USP, explica que a longa exposição à luz da tela do computador tem efeitos oculares que acentuam a exaustão: “Prestar atenção nas telas por horas seguidas faz que a gente fique muito tempo sem piscar”, aumentando a chance de ressecamento ocular e de presbiopia, ou ‘vista cansada’. Soriano recomenda soluções paliativas: uma pausa caso os olhos fiquem irritados, ardendo ou lacrimejando; lubrificá-los para evitar um cansaço excessivo; ou usar um protetor de tela. 

“Os smartphones já tinham nos colocado numa tensão constante”, afirma Zúñiga. Mas não se revelou verdadeira a ideia de que permanecer no lar é melhor: “Ao contrário, as pessoas estão ainda mais sobrecarregadas nas suas casas”. A psicóloga recomenda conferir se é o caso de deixar a conversa para depois, ou então marcar um horário: “A melhor coisa é ser sincero e dizer que não pode falar naquele momento, sem rodeios”. 

Fim do relacionamento 

O especialista em comportamento André Spicer afirma que as videochamadas tornam irreais os contatos. Diante da tela perdemos muitos sinais indispensáveis na vida real, como o cheiro da sala ou detalhes em nossa visão periférica. Esses dados adicionais nos ajudam a entender o que se passa. Quando eles inexistem, nosso cérebro multiplica o trabalho para entender, e às vezes chega a uma conclusão errada. Por exemplo, um estudo do desempenho virtual de candidatos em entrevistas de emprego mostrou resultados piores que quando entrevistados presencialmente.

Outro estudo descobriu que num seminário virtual os médicos se concentravam no apresentador, e só no comparecimento presencial focavam a razão de ser do encontro. Os juízes que deviam julgar casos de refugiados por asilo mostravam-se inseguros nas entrevistas por vídeo, além de seu entendimento ser pior. Descobertas as fraquezas do método, as partes são propensas a enganar os juízes, que ficam menos capazes de detectar as falsidades. 

Na conversa online se perde o contato com a personalidade, porque “não há espaço para um papinho paralelo, um comentário baixinho para um amigo que está no bar com você, ou um olhar atravessado para um colega de trabalho que vai lhe entender do outro lado da mesa. Quando você chega numa reunião no escritório, tem aquele papo no café, tem um tititi antes. Esse tititi, em geral, nós perdemos [no online]. Não tem um social que envolve o trabalho, não tem como olhar na expressão das pessoas se aquilo causou algum incômodo ou tédio. Com tanta gente, você perde a individualidade”. É o que explica a psicóloga Maluh Duprat, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da PUC-SP. Também diminui nossa capacidade de ‘medir a temperatura’ do ambiente da conversa. Sem uma leitura corporal, é difícil saber se a fala é bem-vinda, quando encerrá-la ou outras decisões ditadas pela percepção das atitudes psicológicas. 

No contato virtual, os colegas de trabalho ou os alunos de um curso perdem a sensação de pertencerem a um grupo. Estudos observaram que assim os mestres não podem ‘ler’ a sala de aula ou a equipe de estudo; isso é danoso para a interação aluno-professor; e gera piores desempenhos. Para os chefes o dano é maior, pois não podem julgar a acolhida dos empregados ou dependentes, não conseguem encontrar expressões de concordância, desacordo ou tédio. 

Quem modera uma ‘live’ fica facilmente perdido, diz Duprat. Pode ser que o outro desligue a câmera porque tinha uma necessidade, ou foi embora por desgosto: “Você não tem como saber se o sujeito foi fazer outra coisa, ou o quanto dele está ali”. 

Funcionária do Capitólio da Virgínia, nos EUA, monitora uma reunião de Zoom entre membros da Casa.

Presença, papel e caneta levam a melhor 

Os intérpretes da ONU e da União Europeia sentem-se escravizados pelo sistema. E os terapeutas dizem que “perdem a conexão” com seus pacientes nas consultas por vídeo (telemedicina). Outra análise verificou que os funcionários remotos padecem uma forma de exílio, pois se sentem esquecidos. Spicer recomenda arranjar outras atividades durante uma ‘live’: fazer pausas; afastar-se da tela para refletir e se recuperar; desligar a câmera; considerar que há formas de comunicação mais eficientes que as videoconferências. 

Há momentos em que funciona melhor não ter comunicação e permanecer em silêncio. Até papel e caneta levam vantagem, pois constatou-se que um agradecimento escrito manualmente deixa os destinatários muito mais felizes. 

Sedentarismo danoso 

Longas horas em ‘lives’ levam a um nível prejudicial de sedentarismo. Mesmo as pessoas não ativas sofrem agora com a falta de pausas para alongamentos, beber água, até para ir ao banheiro. Os intervalos para o cafezinho são escassos, e o tempo para fazer algum exercício é quase nulo. Por isso o Prof. Jeremy Bailenson, que liderou estudo da Universidade Stanford, julga necessário fazer pausas periódicas para refrescar o corpo e a mente. Segundo a neurocientista Thaís Gameiro, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto funcionarem plataformas como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams, alertas de exaustão estarão sendo enviados para o seu cérebro. 

De todas as empresas procuradas pela reportagem do caderno LINK do jornal “Estado de S. Paulo” (abaixo citada), apenas o Google não se pronunciou. A Zoom acolheu conselhos para moderar o uso de sua plataforma. A Microsoft pesquisa desde o ano passado os danos das ‘lives’ aos usuários. Mas parece pouco. Pelo jeito, a única saída é adotar pausas para caminhar, ir ao banheiro e beber água periodicamente; e, sempre que possível, ficar com a câmera desligada. Reservar um local de trabalho para as chamadas virtuais também pode ajudar o corpo a entender quando é hora de descanso e quando é hora de trabalho. 

A memória rateando 

Ronald Fischer, psicólogo e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) da Victoria University de Wellington, Nova Zelândia, afirma: “No Zoom, Teams, Skype ou outro, muita informação visual é cognitivamente cansativa. [...] Estudos demonstram que a memória funciona melhor quando se liga a ambientes específicos. Quando voltamos àquele ambiente, ele nos ajuda a recordar a experiência. Sem ambiente fica mais difícil para o nosso cérebro guardar todas essas reuniões”. 

Pequenos atrasos na conexão afetam negativamente a forma como vemos uns aos outros. Um delay de 1,2 segundos traz ao nosso subconsciente a impressão enganosa de que a outra pessoa é menos amigável. Afinal, o outro pode montar um ambiente artificial, ou introduzir um fundo de tela que não tem nada a ver com o local em que está, e mudá-lo como preferir. Outro estudo mostrou que o distanciamento reduz a empatia pelo próximo. “A esquisitice aumenta se as pessoas não estão familiarizadas umas com as outras. Elas não têm conhecimento prévio da personalidade do outro ou como ele fala”, afirma a pesquisadora Katrin Schoenenberg. 

Por que é cansativa a tela virtual 

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de
home office substituem o relacionamento humano,
as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia



No site TAB Reporteres na rua, Luiza Pollo chegou a uma conclusão mais direta: “Todo mundo está exausto de conversar por vídeo”. Já para Fischer, sentir-se extenuado depois de uma longa conversa por vídeo é normal, sendo o estresse diretamente proporcional ao número de participantes da ‘live’. Nosso cérebro fica atento principalmente a pessoas e animais, a seus movimentos ou gesticulações. Nós prestamos sempre atenção às expressões faciais e aos movimentos dos colegas, e até dos pets. Isso é muito “diferente de olhar para uma única pessoa falando por vez; no computador ou no celular, todos estão te encarando” - ou, pelo menos, essa é a sensação. 

Elisa Brietzke, psiquiatra e professora da Escola Paulista de Medicina, explica que o cérebro precisa reconhecer sinais corporais que complementam a fala. Mas as ‘lives’ eliminam tudo o que caracteriza uma conversa presencial: falar, gesticular, fazer caretas etc., são coisas que compõem a sobrevivência do relacionamento humano. 

O caderno LINK, do “Estado de S. Paulo”, apresenta conclusões análogas. Por exemplo, Gabriela Costa, 25, professora de inglês e mestranda em Geografia, sofreu utilizando o sistema Zoom nas suas salas de aula. “A gente fica muito mais cansada. Quando termina a aula, só me jogo na cama”. A Dra. Thaís Gameiro explica que a sensação de estar sendo monitorada por muito tempo tira o conforto do contato presencial. “Diante da tela, ficamos olhando o tempo todo para o nosso rosto como se a gente estivesse olhando para um espelho. O usuário pode correr o risco de se desconectar mentalmente do que está fazendo para se analisar”. Assim o explica Sylvia van Enck, especialista em dependência de Tecnologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Segundo ela, a nossa própria imagem transmitida na tela joga contra. A Dra. Thaís completa, dizendo que ficar a maior parte do tempo se olhando pode entrar na conta da fraqueza extrema. 

Conselho dos especialistas: evitar o vídeo 

No final de fevereiro de 2020, uma pesquisa da Universidade Stanford mostrou que a exposição excessiva às videochamadas é prejudicial a curto e longo prazo. Entre os sintomas estão dores de cabeça, depressão e crises de ansiedade. Por isso, o conselho dos especialistas é evitar o vídeo. 

O Prof. Bailenson liderou a pesquisa e detectou vários fatores degradantes da percepção. O primeiro é uma espécie de estresse, por tornar-se o “centro das atenções”. Cada participante recebe o tempo inteiro os olhares do grupo postos sobre ele, e um painel de teleconferência pode ter dezenas de olhares diferentes e/ou desconhecidos. 

A pesquisa de Stanford vai além da recomendação, e é categórica: desligue a própria imagem. Bailenson afirma: “No mundo real, se alguém estivesse seguindo você constantemente com um espelho, de forma que enquanto estivesse falando com as pessoas você estivesse se vendo num espelho, isso seria loucura”. 

O equilíbrio necessário 

No seu conjunto, as conclusões dos autores citados são válidas e úteis como advertências, pois abordam as consequências negativas do uso intensivo, muitas vezes abusivo, de instrumentos desenvolvidos na esteira de uma mentalidade moderna, superconectada, revolucionária. Evidentemente, tudo isso pode trazer consigo consequências indesejáveis como as que foram apontadas. No entanto, considerados em si mesmos, esses instrumentos podem se prestar ao uso útil, sério, necessário, quando feito moderadamente e sem os abusos aos quais também se prestam. 

Entre os muitos efeitos de uma guerra, como um exemplo analógico, pode ser destacado o conjunto de ruídos ensurdecedores produzidos por bombas, aeronaves, canhões, tanques de guerra e toda a parafernália, que no entanto é indispensável para enfrentar e derrotar o inimigo. Além das mortes, destruições e outros prejuízos conhecidos, constam também no campo médico as neuroses de guerra e outros males como endemias, epidemias e pandemias, muitas das quais surgiram depois das guerras, como suas consequências diretas ou indiretas. E grandíssima parte dos atingidos nem sequer participou do esforço de guerra. 

O mesmo se pode dizer sobre outros utensílios aceitos e de uso generalizado, como computadores, celulares, televisões, rádios, automóveis. A decisão de utilizar ou não tais instrumentos úteis, mas potencialmente perigosos para os incautos, cabe portanto a cada um.

O sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver, caraterísticas da sociedade em geral durante a Idade Média

Lucidez e coerência em usar e não usar 

Sobre este assunto, transcrevemos a seguir um comentário esclarecedor do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Como se verá, ele sempre foi adepto incondicional da calma, de períodos de silêncio, da reclusão voluntária para pensar tranquilamente. Mas nunca deixou de utilizar - sempre que necessário para combater a Revolução - instrumentos que também são úteis à Revolução. E o fazia recomendando a mesma atitude aos seus seguidores, como também o fez no seu livro “Revolução e Contra-Revolução”: 


“Tender para os grandes meios de ação - Em princípio, é claro, a ação contra-revolucionária merece ter à sua disposição os melhores meios de televisão, rádio, imprensa de grande porte, propaganda racional, eficiente e brilhante. O verdadeiro contra-revolucionário deve tender sempre à utilização de tais meios, vencendo o estado de espírito derrotista de alguns de seus companheiros que, de antemão, abandonam a esperança de dispor deles porque os veem sempre na posse dos filhos das trevas” (parte II, cap. VI, 1). 

Estas diretrizes, que Plinio Corrêa de Oliveira praticou eximiamente ao longo de toda a vida e recomendou aos seus seguidores em sua obra-prima, não contradizem em nada a vida plácida, pacífica, estável e tranquila que também levou e recomendou aos seus seguidores em conferência de 28-2-1991: 

“Em geral, as iluminuras da Idade Média representam o operário trabalhando no seu métier, a dona de casa cozinhando ou costurando, ou o calígrafo desenhando uma letra, com algo que eu não me farto de admirar: o sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver; fazendo o mesmo trabalho que leva dias, meses, às vezes anos; sem pressa, contanto que saia perfeito. 

“Sem esse estilo de vida, o mundo enlouqueceria. O pequeno burguês, o operário qualificado ou não, o pedreiro medieval podiam passar anos cinzelando uma coluna, sem pressa, sem aflição. Paravam o trabalho na hora de rezar o Ângelus, iam para casa, encontravam a mulher preparando o jantar. Sentavam-se, os filhos se punham em torno deles, calçavam uns chinelões e contavam histórias da família, dos antepassados, da região; liam um trecho da Escritura, da vida dos Santos. 

“Essa estabilidade eu ainda peguei muito, porque em frente de minha casa, na Rua Barão de Limeira, havia um renque de casas operárias misturadas com as casas das melhores famílias de São Paulo. Eu achava a vida deles muito mais sossegada do que a nossa. E eu, que sou amigo do sossego, suspirava: ‘Afinal, eles lá ficaram com o melhor da vida’. 

“O medieval compreendia o nexo do mais alto e sobrenatural com o menor, com coisas sem importância. Uma dona de casa preparava as malas para ir passar uma temporada na casa de uma prima, lembrando de Nossa Senhora indo visitar Santa Isabel, num ambiente densamente impregnado de aroma sobrenatural”. 



Quando concluí a leitura deste texto de Dr. Plinio, perguntei-me se não estou num mundo insano de teletrabalho, videoconferências, comunicação digital, pandemias, lockdowns, políticos corruptos, crises econômicas etc. E pensei: Como seria bom estar junto a um camponês, um burguês ou um castelão, imerso naquela imensa paz e perfume sobrenatural da vida medieval. Mas para chegarmos a algo pelo menos parecido com isso, temos de empreender esforços gigantescos a fim de derrotar a Revolução gnóstica e igualitária. Sem menosprezar os recursos que a própria técnica revolucionária coloca ao nosso alcance.

___________

Notas: 

1. https://www.folhape.com.br/noticias/videoconferencias-e-excesso-de-chamadas- -causam-exaustao-na-pandemia/143760/ 

2. https://epocanegocios.globo.com/Carreira/ noticia/2020/06/como-videochama das-podem-te-deixar-emocionalmente- -exausto.html 

3. https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/08/por-que-todo-mundo-esta-exausto-de-conversar-por-video.htm 

4. https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,videochamadas-sao-uma-usina- -de-exaustao-e-estudo-mostra-os-motivos,70003646089 

5. Plinio Corrêa de Oliveira, conferência em 28-2-91. Sem revisão do autor.

25 de outubro de 2020

Amabilidade: virtude quão necessária hoje!

 


✅ 
Plinio Maria Solimeo
 

A amabilidade é uma das virtudes mais encantadoras e das mais necessárias ao bom convívio humano. Ela tempera o que pode haver de brusco no nosso temperamento, e leva-nos a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. 

Fazem parte dessa virtude uma série de outras muito necessárias nos dias de hoje, e que constituem o cortejo liderado pela verdadeira caridade: “a benignidade, que leva a tratar e julgar os outros e as suas atuações com delicadeza; a indulgência em face dos defeitos e erros alheios; a educação e a urbanidade nas palavras e nas maneiras; a simpatia, que por vezes será necessário cultivar com especial esmero; a cordialidade e a gratidão; o elogio oportuno às coisas boas que vem” . Podemos ainda acrescentar a isso a gentileza, cortesia, brandura, carinho, meiguice, ternura e suavidade no trato com as pessoas. 

O famoso apologista americano, arcebispo Dom Fulton Sheen, explica que “a palavra inglesa «kindness» (amabilidade) é derivada de «kindred» ou «kin» (parentes), e portanto implica uma afeição que dedicamos naturalmente àqueles que são a nossa carne e o nosso sangue. A amabilidade original e típica é a de um pai para com o filho ou a de um filho para com o pai. Gradualmente a palavra adquire maior amplitude até atingir todos os que desejamos tratar como parentes” . 

A amabilidade deriva da virtude da misericórdia que, por sua vez, é um dos efeitos da caridade. Como diz o renomado teólogo Pe. Royo Marin, O.P., ela “nos inclina a ter compaixão das misérias do próximo, considerando-as de certo modo como nossas próprias, porque o que lhe causa tristeza, do mesmo modo nos causa a nós [...]. O próprio Deus manifesta misericórdia num grau extremo, ao ter compaixão de nós” . 

Essa virtude também está relacionada com a da piedade, que por sua vez, como diz o mesmo teólogo, é “um amor filial por Deus considerado como Pai, e um sentimento de irmandade universal para com todos os homens como nossos irmãos e filhos do mesmo Pai celeste” (p. 387). E acrescenta: “É essa piedade que levava São Paulo a se afligir com os aflitos, a chorar com os que choram, e suportar as fraquezas e misérias do próximo com o propósito de o salvar” (p. 390). 

O eminente teólogo continua dizendo (p. 402), que a afabilidade ou amabilidade, é “a virtude social por excelência, e uma das mais delicadas manifestações do verdadeiro espírito cristão”. Ela é muito afim com a verdadeira amizade, que é definida como “uma virtude pela qual nossas palavras e ações externas são dirigidas à preservação de uma amigável e agradável associação com nosso próximo [...]. A verdadeira amizade procede do amor, e entre os cristãos, deve ser o resultado natural da caridade fraterna, a afabilidade é uma espécie de amizade que consiste em palavras e ações com relação aos outros, requerendo de nós que nos conduzamos de um modo amigável e maneira social com o próximo, sejam amigos íntimos ou estranhos”. Por isso, acrescenta o Pe. Royo Marin “Benignidade, polidez, simples louvor, indulgência, sincera gratidão, hospitalidade, paciência, mansidão, refinamento em palavras e ações etc., exercem uma espécie de atração que é difícil de resistir.” O que faz com que “Esta preciosa virtude é extremamente importante não somente em nossa associação com amigos, vizinhos ou estranhos, mas de um modo especial mesmo no círculo de nossa própria família, onde ela é frequentemente muito negligenciada”. 

A importância dessas virtudes nas relações sociais, é porque todas pessoas querem, no trato com as outras, três coisas essenciais: afabilidade, respeito, e perdão para suas faltas. E ficam felizes quando são assim tratadas. Pelo contrário, sofrem e se sentem feridas no seu ego quando são objeto de desatenção, mau trato ou recriminação. 

Nesse sentido conta-se que uma das filhas de Luís XV, da França, um dia recriminou impacientemente uma camareira sem muito motivo. Esta lhe manifestou seu desagrado. A princesa então lhe disse: “Não sabe que eu sou filha do Rei?”. Ao que respondeu dignamente a camareira: “E Vossa Majestade não sabe que eu sou filha de Deus?” Quer dizer, se cada um visse no outro um filho de Deus, o trataria de modo muito diferente. Desse modo a amabilidade, tendo Deus como principal motor, é o contrário da dureza de coração, que resulta geralmente de um doentio amor de si mesmo. 

Alguns países, como a França do Ancien Régime, levaram a amabilidade e a cortesia a um alto grau. Foi então que ocorreu a “douceur de vivre”, a doçura de viver, pois cada um se sentia tratado segundo o melhor lado de si mesmos. É muito conhecido o fato de o rei Luiz XIV, o Rei Sol, em todo o seu esplendor, tirar o chapéu quando cumprimentava uma simples lavadeira. 

Pelo que “São Francisco de Sales nos ensina que a primeira condição [para termos um trato cortês] é sermos humildes, pois ‘a humildade não é somente caritativa, mas também doce. A caridade é a humildade que se projeta externamente, e a humildade é a caridade escondida’; ambas as virtudes estão estreitamente unidas. Se lutarmos por ser humildes, saberemos ‘venerar a imagem de Deus que há em cada homem’, saberemos tratá-los com profundo respeito” . 

É também o que afirma o já citado D. Fulton Sheen, “Todas as anomalias mentais têm suas raízes no egoísmo, toda a felicidade tem suas raízes na amabilidade. Mas para sermos realmente amáveis, devemos ver em todos uma alma imortal, que há de ser amada pelo amor de Deus. Então, não haverá quem não seja para nós de grande apreço”. 

Na mesma linha, diz a Águia de Hipona, Santo Agostinho, com o vôo que lhe é característico: “Os frutos da caridade são alegria, paz e misericórdia. A caridade exige bondade e correção fraterna. É benevolente. Promove a reciprocidade e permanece desinteressada e generosa. É amizade e comunhão. O amor é em si a realização de todas as nossas obras. Essa é a meta; é para ela que corremos. Corremos em sua direção, e assim que nela chegarmos, nela encontraremos nosso descanso”.

Infelizmente está cada vez mais longe o tempo em que as pessoas primavam por serem corteses, amáveis, respeitosas dos outros pois, com o avanço da técnica, e sobretudo com a malícia dos tempos decorrente da profunda orfandade religiosa, essa virtude está cada vez mais posta de lado. As pessoas estão ficando cada vez mais pragmáticas, egoístas, pensando só em si mesmas e no seu mundinho, entretidas com seus celulares. Para elas, as outras não existem. 

Por isso é sobretudo difícil ser amável com aqueles que nos pedem um favor, uma esmola. Ora, diz ainda D. Fulton Sheen, “A amabilidade para com os que sofrem torna-se compaixão, que significa sofrer com outrem, partilhar a mágoa e as dores de outrem, como se fossem nossas”. Isso porque, explica ele, “A amabilidade estimula o interesse do coração para além de todo o interesse pessoal, e impele-nos a dar o que temos na forma de esmola, ou o nosso talento, como o médico que trata um doente pobre, ou o nosso tempo, que às vezes é a coisa mais difícil de dar”. Como consequência, “O homem verdadeiramente compassivo e amável, que dá o seu tempo aos outros, consegue encontrar sempre tempo”. 

Ele observa que “muitas pessoas, amabilíssimas nos seus lares e escritórios, podem se tornar grosseiras e egoístas ao volante de um automóvel. Isto é talvez devido a que nos seus lares elas são conhecidas; no automóvel, à sombra do anonimato, podem ser quase brutais sem receio de serem reconhecidas”. E conclui: “Sermos amáveis pelo receio de que os outros pensem que somos grosseiros, não é amabilidade real, mas antes uma forma dissimulada de egoísmo”.

O diz-que-diz, o deboche, a chanchada, a brincadeira porca, a libertinagem são fonte frequente de desavenças e de maus tratos, estando nas antípodas da amabilidade e do respeito no trato social. Infelizmente, como dissemos, com a decadência da prática religiosa e consequente queda dos bons costumes, isso está cada vez mais em voga no mundo de hoje. 

Mudando de quadro: felizmente ainda não se apagaram de todo os resquícios de amabilidade pelo mundo, e quando menos esperamos, disso temos exemplos frisantes. 

Nesse sentido, um amigo meu contou-me um exemplo marcante disso, e do qual jamais se esquecerá, do trato surpreendentemente amável de que foi objeto em circunstâncias quase dramáticas quando viajava pelo Exterior. 

Vindo dos Estados Unidos para o Brasil com uma conexão em Toronto, no Canadá, como havia grande diferença entre a chegada do primeiro e a partida do segundo vôo, ele deixou as malas no aeroporto, tomou um trem, e foi conhecer a cidade para ocupar aquele tempo. À tarde, depois de muito andar num frio congelante, caminhava por uma grande avenida quando, tropeçando nos seus próprios pés, caiu com todo o peso do corpo com a face no chão. Não pôde amortecer a queda com as mãos, pois as tinha no bolso da gabardine por causa do frio. A queda foi tão violenta, que fraturou-lhe o nariz, cortou-lhe os lábios, e quebrou-lhe dois dentes. O sangue corria em profusão do nariz. 

Ele ficou tão atordoado com a queda, que perdeu momentaneamente a memória e não conseguia mover-se. Foi aí que acorreu um casal de jovens em seu auxílio. Com muito cuidado, o ajudaram a sentar-se e a enxugar o sangue do rosto. Isso tudo com muita amabilidade e consideração à sua idade, pois era octogenário. Quando viram que ele estava um pouco refeito, perguntaram-lhe onde morava, se tinha algum parente ou amigo que pudessem avisar, em que hotel estava. Depois de um momento de amnésia, tendo recobrado a memória, meu amigo pôde explicar que estava somente de passagem etc. Como seu lenço já estava todo encharcado de sangue, a jovem correu a um restaurante próximo, e trouxe-lhe um punhado de guardanapos de papel. 

Nesse momento acorreu outro jovem que, vendo que o amigo tiritava de frio, foi a uma loja e comprou um par de luvas, ajudou-o a calçá-las, e perguntou se havia mais algo que pudesse fazer. Então os dois rapazes conseguiram ampará-lo para sentar-se em um banco de pedra das proximidades. 

Mas não parou aí. O primeiro jovem já tinha telefonado para um serviço de saúde, e logo apareceu uma ambulância com um casalzinho de para-médicos, muito simpáticos. Profissionalmente eles examinaram as feridas para ver se ele tinha recebido algum golpe na cabeça, mediram-lhe a pressão e a temperatura, controlaram as batidas do coração, tudo feito com muita amabilidade e consideração à sua idade. Para se certificarem de que ele tinha tido mesmo uma queda acidental, e não devido a um mal súbito e não estava com memória afetada, começaram a lhe fazer perguntas sobre o Brasil, família, São Paulo etc. Enfim, deixaram-no no hospital, onde lhe fizeram suturas no nariz e nos lábios, e lhe deram alta. Ele pôde assim voltar no mesmo dia para o Brasil. 

Esse amigo ficou muito grato e até comovido com a amabilidade e atenção desses vários jovens, tanto mais por serem eles já de uma geração técnica, informatizada, pragmática, órfã de religião, e que provavelmente não receberam em casa lições de boas maneiras ou de bom trato. 

Meu amigo afirmou que, estando em um país estrangeiro, numa cidade em que não conhecia ninguém, tendo um grave acidente, apesar disso não se sentiu desamparado, pois encontrou pessoas que se interessaram por ele, e o trataram com uma caridade cristã e com a consideração que teriam com um parente.
__________________ 

[1] https://semeandocatequese.wordpress.com/2014/01/23/virtude-da-amabilidade/

[1] https://rumoasantidade.com.br/rumo-felicidade/contentamento/)

[1] Pe. Antônio Royo Marín, O.P., The Theology of Christian Perfection, The Foundation for a Christian Civilization, New York, 1987, p. 356.

[1] Semeando...


24 de outubro de 2020

Mau uso de dispositivos móveis gera crianças zumbis

 


✅ Luis Dufaur

Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes que compareceu com sua filhinha para consultas. Assim que chegaram a menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora. 

O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com vários de problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida tu vista. (https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/). 

Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando. 

Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais da importância de fazer a menina a passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais. É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das crianças, como pediatras, optometristas etc. 

Os pais devem se informar dos graves problemas que provocam nas crianças o mau uso das novas tecnologias, que podem produzir zumbis digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em Digital Zombie: https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Zombie 

Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são: 
• Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia. Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes causar muitos problemas no futuro. 

• Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo. 

• Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo. 


Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e tablets nas crianças 

1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais 

Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade infantil, psicose e outros transtornos. 

2. Atraso no desenvolvimento infantil 

Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas, que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente. 

3. Aumento no número de crianças míopes 

4. Obesidade infantil 

A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais. 

5. Distúrbios do sono 

6. Agressão 

As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais ficam expostas. 

7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e dos amigos. 

8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED. 


A Organização Mundial de Saúde classifica os celulares como um risco à saúde devido à emissão de radiação. A superexposição à luz azul emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. AOMS publicou em 2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê de especialistas. Cfr. “El Universo”. 

(https://www.eluniverso.com/noticias/2020/03/27/nota/7797483/enfermedades-ninos-exceso-uso-celulares). 

Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos". 

Além desses danos, os especialistas registraram transtornos do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR). 
“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos, cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA). 

Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a ambientes diferentes. Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso prolongado de celulares podem causar tumores cerebrais. 

A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”. 

Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições. 

A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto. As crianças devem sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais aparelhos mais tempo do que o necessário. 

O problema está muito mais nos pais do que nos filhos. Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações. 

Se ainda não vê claramente o problema, peça ajuda de um psicólogo — conclui site Cuida tu vista. https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/.