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13 de abril de 2026

Pesquisas revelam o que os americanos pensam sobre questões morais

 


✅  Plinio Maria Solimeo

Com uma população estimada em 2025 entre 341,7 e 347,2 milhões de habitantes — crescimento esse impulsionado principalmente pela imigração, apesar da baixa taxa de natalidade e das mortes —, a sociedade americana está bastante dividida entre conservadores, liberais e moderados. Os primeiros geralmente se concentram no Partido Republicano e têm obtido aproximadamente 38% da intenção de votos contra 24% dos representantes do Partido Democrata. Os moderados oscilam entre um e outro.

Nos últimos 30 anos a polarização nos Estados Unidos atingiu níveis críticos, com os Democratas movendo-se cada vez mais para a esquerda e os Republicanos mais para a direita. Por isso a oposição entre os dois partidos cresceu também, indo além da compreensível incompatibilidade entre inimigos existenciais e opositores, para muitas vezes chegar a afetar até a governabilidade do país. Isso se torna manifesto, por exemplo, quando se trata da aprovação da lei orçamentária do governo pelas duas casas do Congresso.

Por causa da constante desavença entre republicanos e democratas, isso pode gerar uma paralisação ou shutdown na aprovação do orçamento. Foi o que ocorreu concretamente no ano passado quando, devido a um impasse político entre o Congresso e o Poder Executivo, o shutdown forçou o governo a paralisar suas atividades não essenciais pelos 43 dias que durou o impasse. 

Essa polarização entre os americanos é mostrada pelo Pew Research Center[i] em interessante reportagem com o título “Republicanos e Democratas diferem profundamente em questões sobre o aborto, a homossexualidade e a pena de morte são moralmente errados”, baseado em duas pesquisas feitas por experientes membros desse instituto, respectivamente de 24 a 30 de março do ano passado com 3.605 americanos adultos, e de 5 a 11 de maio do mesmo ano com 8.937, sobre o que pensam sobre problemas morais.

Essas entrevistas foram feitas com diferentes grupos de americanos divididos por idade, sexo etc. das quais só apresentaremos algumas por questão de espaço.

 

O que pensa a generalidade dos americanos sobre os problemas morais

O Pew Research, falando dos americanos em geral, afirma: “Em uma ampla gama de questões, os americanos expressam visões moralmente permissivas.” Dá como exemplo que 91% deles afirmam que usar contraceptivos para evitar a gravidez não é moralmente errado, 40% acham que é moralmente aceitável, 51% pensam que não é uma questão moral, enquanto só 8% julgam que é moralmente errado.

Já com relação ao adultério eles são em geral mais conservadores, pois 90% julgam-no moralmente errado, contra 9% para os quais não o é, enquanto apenas 7% afirmam que é aceitável.

À pergunta sobre se é moralmente errado ver pornografia, o número dos que concordam com essa afirmação é de apenas 52%, contra 47% que afirmam que não é moralmente errado, 31% julgam que não se trata de uma questão moral, e 15% que afirmam que é moralmente aceitável.

Sobre o aborto, apenas 47% dos entrevistados julgam-no moralmente errado. Somando-se os 52% dos que julgam que não o é aos 21% que lhe são favoráveis e aos 31% que afirmam que não é uma questão moral, temos que, no fundo, a grossa maioria dos americanos é favorável ao aborto.

Com relação à homossexualidade, apenas 39% dos entrevistados mostraram-se contrários. Uma maioria de 60% julga que não é moralmente errado, ou seja, não são contra, 23% são declaradamente a favor e 37% que isso não é uma questão moral.

Também sobre a eutanásia, uma grossa maioria de 63% julga que não é moralmente errada, 34% julgam-na moralmente aceitável, 29% dizem que ela não implica em questão moral e apenas 35% lhe são contrários.

Quanto à pena de morte, 64% dos entrevistados julgam-na moralmente certa, 38% moralmente aceitável e 26% que não se trata de uma questão moral. Apenas 34% julgam-namoralmente condenável.

A outra estatística que nos interessa é a sobre o divórcio. Como era de se esperar num mundo tão corrompido como o nosso, uma maioria de 76% considera que não é moralmente errado, 31% que é moralmente aceitável, 45% que não implica uma questão moral, e apenas 23% afirmam que ele é moralmente errado.

 

O que pensam os jovens entre 18 e 29 anos

Em vários pontos, os jovens entre 18 e 29 anos se mostram mais conservadores do que os mais velhos. Por exemplo, na questão do divórcio, da fertilização in vitro e dos anticonceptivos lideram os que julgam que isso é moralmente errado.

Já com relação ao aborto, ao adultério, à eutanásia e à homossexualidade, eles são mais complacentes que seus maiores.

Por outro lado, na questão da pena de morte eles a rejeitam mais que os mais velhos, influenciados pela propaganda da esquerda e de certos púlpitos.

É interessante notar que, segundo o levantamento do Cooperative Election Study (CES) — uma das mais abrangentes pesquisas eleitorais e populacionais do país —, 21% dos integrantes da Geração Z declaram-se católicos, superando os 19% que se identificam como protestantes. Essa inversão quebra uma hegemonia protestante que vigorava há séculos.

 

Como vota cada sexo

É curioso verificar que em várias questões os homens se mostram mais conservadores que as mulheres. Por exemplo, 28% deles julga que o divórcio é moralmente errado, o que ocorre apenas com 19% das mulheres. Do mesmo modo, 51% deles julgam que o aborto também é moralmente errado, enquanto o número de mulheres que compartem essa opinião perfaz 44%. No tocante à homossexualidade, 43% dos homens consideram-na moralmente errada, contra 37% das mulheres.

Essa tendência se manifesta em outros pontos morais, como a fertilização in vitro, uso de anticoncepcionais, eutanásia, adultério etc. nos quais os homens são sempre mais conservadores que as mulheres.

 

O que pensam Republicanos e Democratas

A respeito do aborto é que há mais radicalização entre os dois partidos. Enquanto somente 24% dos Democratas o consideram errado, 71% dos Republicanos são contrários ao assassinato de inocentes.

Para 59% dos Republicanos o homossexualismo é condenável, apenas 20% dos Democratas têm a mesma opinião. 65% dos Republicanos julgam errado ver pornografia, número que cai para 39% entre os Democratas.

O uso de contraceptivos é apoiado ou visto com indiferença tanto por democratas — dos quais só 7% o julgam moralmente errado — quanto por republicanos (9%).

Há menor rejeição por parte dos dois partidos com relação à eutanásia, sendo que só a acham moralmente errada 48% dos republicanos e 23% dos democratas.

Já com relação ao adultério, a diferença entre os dois partidos na sua condenação é pequena: 93% dos republicanos, e 88% dos democratas.

O divórcio, como se podia esperar nesta época de quase amor livre, é rejeitado apenas por 33% dos republicanos, que o acham moralmente errado, e por 13% dos democratas.

O que surpreende é que 48% dos republicanos achem a pena de morte moralmente errada, enquanto só 20% dos democratas a condenem.

 

O fator religioso que deveria orientar os votos

Não sabemos até que ponto o fator religioso influenciou a votação das pessoas nessas pesquisas. Pois, tanto para os católicos quanto para protestantes conservadores, esse fator deveria ter pesado.

Segundo dados recentes do Pew Research Center, as igrejas evangélicas históricas e pentecostais têm apresentado uma queda contínua, especialmente entre jovens e adultos até 40 anos, sobretudo pela desfiliação religiosa e rejeição à politização das igrejas. Enquanto o catolicismo apresenta uma estabilidade relativa, sustentada principalmente pela imigração latina, que mantém o número absoluto de católicos.

Somando-se as inúmeras seitas protestantes, estas representam ainda 40% da população americana, enquanto os católicos representam somente 20%. Contudo, os Estados Unidos têm a quarta maior população de católicos do mundo, com 53 milhões de fiéis.

Se as pesquisas tivessem sido feitas exclusivamente com estes, o resultado teria sido muito diferente? Tememos que não. Pois hoje em dia, com a decadência religiosa e o esquecimento dos princípios morais mais comezinhos, o casamento em declínio sendo substituído por uniões ilícitas mais em uso, é cada vez menor o número de católicos que ainda pautam sua vida segundo os princípios da Santa Igreja.

Para ilustrar nossos leitores, vamos lembrar o que diz a Doutrina Católica sobre os vários pontos abordados, seguindo o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, ou Catecismo Maior de São Pio X.

Aborto – Pílulas abortivas

Está condenado no 5º. Mandamento da Lei de Deus, não matar, porque o aborto espontâneo é um verdadeiro assassinato de inocentes perpetrado pela própria mãe. E, sendo um homicídio voluntário, classifica-se como um dos “pecados que bradam ao Céu e pedem à Deus por vingança”, pois sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-lo com os mais severos castigos

Homossexualismo

Por ser um ser um ato sensual contra a natureza, também é um dos pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança.

Adultério – relações extramatrimoniais

A infidelidade matrimonial está condenada pelo 6º. Mandamento da Lei de Deus “não pecar contra a castidade”, e pelo 9º. “Não desejar a mulher do próximo” que, segundo o Catecismo de São Pio X, “proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se juraram ao contrair o matrimônio; e proíbe também todo o pensamento culpável e todo desejo de ação proibido pelo sexto Mandamento”.

Eutanásia

Esta prática está condenada pelo 5º Mandamento da Lei de Deus, “Não matar”. Diz o Catecismo: “Neste Mandamento Deus proíbe ainda ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio [...] porque o homem não é senhor de sua vida, como o não é da dos outros”.

Divórcio

“O Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos [...] e não se pode quebrar senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim estabeleceu Deus desde o começo, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Senhor Nosso”. [...] “O vínculo do matrimônio cristão não pode ser dissolvido pela autoridade civil, porque esta não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos, nem separar o que Deus uniu”.

Pena de Morte

A doutrina tradicional da Igreja, baseada em São Tomás de Aquino, defendia a licitude da pena capital em casos específicos, argumentando que retirar a vida de um grande malfeitor que ameaça a sociedade é um ato justo e salutar para preservar o bem comum. Ele comparava o criminoso a um membro gangrenado que deve ser amputado para salvar o corpo social. A sentença deve ser proferida por uma autoridade pública legítima, após julgamento justo, e não por vingança pessoal.

Entretanto, teólogos modernos argumentam que, se o sistema carcerário for capaz de neutralizar o criminoso sem a sua morte, isso diminui a necessidade da pena capital.

O que, com sobejas evidências, duvidamos

O Catecismo de São Pio X está de acordo com a doutrina de São Tomás, a qual foi até há pouco pregada pela Igreja: “É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.”

Fertilização in vitro

A Doutrina Católica considera a fertilização in vitro (FIV) moralmente inaceitável, pois separa a procriação do ato sexual conjugal e frequentemente envolve a destruição de embriões. A Igreja ensina que os filhos devem ser concebidos através de um ato de amor entre os cônjuges, não como um produto laboratorial, respeitando a dignidade humana desde a concepção.

Esperemos que, pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, Padroeira da Igreja Universal, tempos venham em que a sã doutrina católica e ortodoxa readquira seu lugar na Igreja como na época do Concílio de Trento, em que, ao lado das Sagradas Escrituras, estava a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, na qual os ensinamentos perenes da Santa Igreja orientaram e orientam até hoje os católicos amantes da tradição.



[i] O Pew Research Center é um think tank (laboratório de ideias) apartidário com sede em Washington, D.C., que fornece informações baseadas em dados sobre questões sociais, opinião pública, tendências demográficas e hábitos de mídia nos EUA e no mundo. Ele é conhecido por ser uma fonte neutra que não toma posições políticas ou de políticas.

 

 

18 de novembro de 2025

O que os Santos dizem sobre pureza, humildade, e controle da língua

Santa Maria Goretti é venerada como símbolo da pureza. Também conhecida como a "doce mártir da pureza" por sua coragem em defender a castidade mesmo ameaçada de morte. Dela, esta é a única foto conhecida, tirada em 1902 [detalhe abaixo].


✅  Plinio Maria Solimeo

O maior ornamento que uma mulher pode ter é o de uma pureza ilibada, tanto enquanto solteira como casada. Pois o pudor feminino atrai até mesmo o olhar dos anjos. O que se pode aplicar também aos homens.

O conhecidíssimo Santo Cura d’Ars dizia a esse respeito em um sermão: “Uma alma pura é como uma fina pérola. Enquanto está escondida na concha no fundo do mar, ninguém pensa em admira-la. Mas se a trazeis à luz do sol, essa pérola brilhará e atrairá todos os olhares. Assim, a alma pura que está escondida aos olhos do mundo, um dia brilhará diante dos Anjos no brilho da eternidade”. Fazendo outra comparação ele diz: “A alma pura é uma bela rosa, e as Três Pessoas Divinas descem do Céu para inalar sua fragrância”.

Por sua vez São João Bosco, fundador dos Salesianos, acrescenta: “A Santa Pureza, a rainha das virtudes, a angélica virtude, é uma joia tão preciosa que, quem a possui, torna-se como os anjos de Deus no Céu, mesmo revestido da carne mortal”.

Para São Francisco de Sales, o mestre da vida espiritual, também “A castidade é o lírio das virtudes, e torna os homens quase iguais aos Anjos. Tudo se torna belo de acordo com sua pureza. Assim, a pureza do homem [ou da mulher] é castidade, que é chamada honestidade; e sua observância honra e também integridade. O contrário dela é chamado corrupção. Em uma palavra, a castidade tem essa excelência peculiar sobre todas as outras virtudes: preserva tanto a alma quanto o corpo sãos e sem mancha”.

O pudor, tanto no homem quanto na mulher — mas sobretudo nesta —,tem que se refletir em todo seu semblante, em todos seus atos, em toda sua aparência, e principalmente no seu modo de se portar e até de se vestir. O que muitas vezes supõe um grande sacrifício.

Porque, como dizem muitos santos com São Pedro Julião Eymard, fundador dos Sacramentinos: “Nós temos que ser puros. E não falo meramente da pureza dos sentidos. Temos que observar a pureza em nossa vontade, em nossas intenções, em todas nossas ações”.

O que é corroborado pelo grande Doutor da Igreja e fundador dos Redentoristas, Santo Afonso Maria de Liguori: “Temos que praticar a modéstia não somente em nosso olhar, mas também em todos nossos atos, e particularmente em nossa vestimenta, em nosso caminhar, em nossa conversação e ações similares”.

Essa obrigação de nos vestirmos segundo a modéstia cristã se impõe, como diz São Jerônimo: “Ou falamos como nos vestimos, ou nos vestimos como falamos. [de outro modo, se nos vestimos indecorosamente, por exemplo] A língua fala de castidade, mas todo o corpo revela impureza”.

O fato de nos vestirmos com decoro se torna extremamente penoso nos dias de libertinagem quase total em que vivemos. Pois a moda, essa tirana que quer a todo propósito nos subjugar, está cada vez mais ousadamente caminhando para o nudismo. Basta mencionar as roupas propositadamente rasgadas e os micro-shorts com que andam muitas das mulheres de hoje, independente de idade, não tendo o pejo de ir assim indecorosamente vestidas mesmo à Santa Missa.

         Já Santa Jacinta de Fátima, favorecida por Nossa Senhora com visões proféticas apesar de sua jovem idade — morreu com 11 anos apenas —, alertou que “os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne. Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo”.

         Ora, citando outra vez Santo Agostinho, “a luxúria consentida se torna hábito, e hábito não resistido se torna necessidade”. Quer dizer, seguir as modas inconscientemente forma um hábito que se torna necessidade. E essa necessidade muitas vezes se torna como uma droga. que pode levar aos piores excessos.

         Por isso aconselha o grande Santo Inácio de Loyola: “Que a tua modéstia seja um incentivo suficiente, sim, uma exortação para que todos fiquem em paz só de olharem para ti”.

         Isso é muito importante. Porque as mulheres que se vestem de modo indecoroso e andam pelas ruas pavoneando-se, são responsáveis por todos os pecados de mau pensamento e de maus desejos que cometem os homens que as veem. E deverão pagar por isso no inferno ou, quando muito, no Purgatório.

         Sobre como ser pura comenta a mesma Santa Jacinta de Fátima: “Ser pura de corpo é guardar a castidade [segundo o estado de vida]. E ser pura de alma é não cometer pecados, não olhar o que não se deve ver, não roubar, não mentir nunca, dizer sempre a verdade ainda que custe”.

         Isso nos leva a outra ordem de considerações. Santa Jacinta diz que ser pura de alma é não cometer pecados. Ora, um dos pecados mais comuns entre as mulheres e que é muito pouco combatido, é a murmuração sobre a vida alheia; enquanto que entre os homens, é o vício das conversas imorais.

 Sobre isso diz o Santo Cura d’Ars: “O homem de fala impura é uma pessoa cujos lábios são apenas uma abertura e um cano que o inferno usa para vomitar suas impurezas sobre a terra.”

         A consequência disso, como afirmou São Clemente de Alexandria — escritor, teólogo e apologista cristão grego que viveu entre os séculos II e III: “Conversa impura faz-nos sentir confortáveis com ações impuras. Mas aquele que sabe controlar a língua está preparado para resistir aos ataques da luxúria”.

         Esse controle da língua exige muito esforço. São Tiago Apostolo, em sua epístola (3, 7) comenta: “Todo gênero de feras é domável e tem sido domado pela força humana. Mas a língua nenhum homem é capaz de domá-la”. “Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma floresta! Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade”. (3, 5b) E, “Se alguém não peca por palavra, é varão perfeito” (Id 2).

         A necessidade de controlar nossas palavras é muito importante, pois Nosso Senhor Jesus Cristo já nos alertou: “Eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens falarem terão que dar conta no dia do juízo. Pois, por tuas palavras serás justificado, ou por tuas palavras serás condenado” (Mt 12, 36,37).

         O Real Profeta dizia num de seus Salmos: “Quem poderá Senhor, entrar no teu Santuário? [...] aquele que não usa sua língua com maledicência, que nenhum mal faz a seu semelhante, nem lança calúnias ou afrontas contra seu companheiro” (Sl 15, 3).

         Para isso é necessário que se tenha muita humildade, que se seja puro e humilde de coração. Pois, como diz São Francisco de Sales: “A humildade é a salvaguarda da castidade. Em matéria de pureza, não há perigo maior do que não temer o perigo. Quanto a mim, quando encontro um homem seguro de si e sem medo, considero-o perdido. Alarmo-me menos com aquele que é tentado e resiste evitando as ocasiões, do que com aquele que não é tentado e não se preocupa em evitar as ocasiões. Quando uma pessoa se coloca numa situação de tentação, dizendo: ‘Não cairei’, é um sinal quase infalível de que cairá, e com grande prejuízo para a sua alma.”

Isso supõe que a pessoa esteja em estado de graça, pois este estado, segundo São Pedro Julião Eymard, “nada mais é do que pureza, e concede o céu àqueles que se revestem dela. A santidade, portanto, é simplesmente o estado de graça purificado, iluminado, embelezado pela pureza mais perfeita, isento não só do pecado mortal, mas também das menores faltas; a pureza fará dos homens santos! Tudo reside nisso!

Essa é a graça que devemos pedir Àquela que foi sempre Imaculada e mansa e humilde de coração: que nos dê uma profunda humildade junto a uma exímia pureza de coração, de corpo e de alma.


20 de junho de 2024

QUINTESSÊNCIA DA VIRTUDE DA PUREZA

São Luís de Gonzaga — símbolo de pureza, grandeza de alma e intensíssimo amor a Deus 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

S
ão Luís de Gonzaga (1568-1591) é símbolo da pureza, um mártir do amor de Deus, cultivado no segredo de seu coração, pois poucas pessoas percebiam o que nele havia de extraordinário. 

Ele teve como diretor espiritual o grande São Roberto Belarmino, um santo, Doutor da Igreja, diretor de outro santo. Ambos brilham no Céu. 

A santa carmelita Maria Madalena de Pazzi (1566-1607) [quadro ao lado] disse que a super-glória de São Luís de Gonzaga consistia em continuamente praticar atos de amor a Deus, que eram como setas que atingiam o Divino Coração. 

Ele sofreu um verdadeiro martírio de amor, porque sofria o tormento por não amar a Deus tanto como Deus merece ser amado, bem como por ver que os homens não amam a Deus como merece ser amado. 

Em São Luís vemos uma alma cheia de sabedoria, como que vista por dentro. É o que há no interior de uma alma cheia de sabedoria. Afastou de si todas as impressões intemperantes e impuras que poderiam apartá-lo de sua elevação. A sua alma voou muito além dos horizontes da mera pureza. 

Está na Sagrada Escritura: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!” (Mt 5,8). Ver a Deus, já nessa Terra, é ser como São Luís. E isso é próprio dos puros que tomam a sério a pureza, que lutam para mantê-la e limpam os seus pecados. Assim, ficam sem mácula, se alguma vez tiveram mácula em suas vidas, e têm a alma com a elevação necessária para ver a Deus. 

Compreende-se a grandeza de São Luís, no Céu. Grandeza que adquiriu por ter uma alma como um sacrário, como uma catedral gótica, como um castelo. Temos o grande santo, a quintessência da virtude da pureza. 
____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de junho de 1967. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

16 de janeiro de 2024

“RAINHA DAS VIRTUDES”


Obra do artista italiano  Giovanni Battista Torriglia (1858 - 1937). The See-Saw oil on canvas.

✅  Paulo Roberto Campos 

Cultivar a virtude da pureza é indispensável no lar verdadeiramente católico. Sem ela, a família entra numa espiral declinante, que poderá levar à sua suma decadência moral e material. 

Pelo contrário, nos lares onde a virtude angélica da pureza é cultivada, todas as demais virtudes encontram solo fértil para florescer. Os vínculos familiares se fortalecem, o ambiente se torna harmonioso e o convívio agradável. Por isso, muitos santos afirmaram que a pureza é a “Rainha das Virtudes”. São Francisco de Sales costumava dizer que “a castidade é o lírio das virtudes”, que deixava as pessoas parecidas com os anjos. 

Infelizmente, grande parte da mídia, sobretudo TVs e Internet, despeja em nossas casas toneladas de lixo de impureza, propaga a imoralidade escancarada e até pornografia para destruir a inocência das crianças, levar as famílias à dissolução do matrimônio, à depravação dos bons costumes e até à perversão sexual. 

Com o objetivo de auxiliar os pais e mães de família na formação de seus filhos, comentando com eles temas que mostram a beleza da virtude da virgindade e falando do horror ao pecado contra a castidade, seguem alguns pensamentos de grandes santos. 

“A castidade, ou a pureza de coração, carrega um glorioso e distinto lugar entre as virtudes, porque ela — sozinha — permite ao homem ver a Deus. Por isso, a própria Verdade disse: ‘Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus’ (Mt 5,8)”. 
(Santo Agostinho) 

“A humildade é a guardiã da castidade. Em matéria de pureza, não há pior perigo do que não temer o perigo. Quando uma pessoa está segura de si mesma e sem medo de cair, ela está perdida”. 
(São Filipe Neri) 

“Devemos ser puros. Não falo apenas da pureza dos sentidos. Devemos observar grande pureza em nossa vontade, em nossas intenções, em todas as nossas ações”. 
(São Pedro Julião Eymard ) 

“A alma pura é uma bela rosa, e as três pessoas divinas descem do Céu para inalar a sua fragrância”. 
(São João Maria Vianney) 

“A santa pureza, a rainha das virtudes, a virtude angelical, é uma joia tão preciosa que aqueles que a possuem se tornam como os Anjos de Deus no Céu, mesmo vestidos em carne mortal”. 
(São João Bosco)

 

5 de julho de 2023

Menina de 12 anos preferiu a morte a perder sua pureza

Maria Goretti (foto feita aproximadamente 1900)
na propriedade de sua família
Santa Maria Goretti (1890 – 1902), heroína da fé e da pureza, é um grande exemplo para todos, especialmente para as meninas e adolescentes em nossos dias de generalizada imoralidade. 

Quando contava apenas 12 anos, Maria Goretti foi assediada por um rapaz que, deparando-se com a firme resistência da menina, amordaçou-a e ameaçou-a com uma faca. Como ela continuava resistindo, o perverso tentou arrancar-lhe a roupa. Nisso, a menina gritou: “Não faças isso, que é pecado. Irás para o inferno”. Ele respondeu: “Se não deixar, eu te mato”. Não conseguindo praticar a perversidade, o depravado esfaqueou a pequena várias vezes. Era o dia 6 de julho de 1902 — exatamente há 121 anos. 

O Papa Pio XII afirmou que Santa Maria Goretti é: “o fruto de lar cristão, onde se reza, se educam cristãmente os filhos no santo amor de Deus, na obediência aos pais, no amor à verdade, na honestidade e na pureza”. 

Desta Santa Virgem e Mártir comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em conferência no dia 6 de junho de 1966: 
Urna com as relíquias de Sta. Maria Goretti

“A Igreja Santa, Católica, Apostólica, Romana, em meio à degradação moral do mundo de hoje, apresenta aos homens uma santa como modelo na luta contra a imoralidade: Santa Maria Goretti — um modelo que é o contrário daquilo para que o mundo contemporâneo tende. 


A pureza transparece até no quarto da santa
Santa Maria Goretti se apresenta a nós como um incitamento à fidelidade à doutrina tradicional da Igreja, ao zelo da Igreja pela pureza, ao valor que a pureza possui e que a Igreja sempre inculcou. De tal maneira que mais vale ao homem perder sua vida do que sacrificar sua pureza. 

Em toda essa questão social de que tanto se fala, o problema da pureza ocupa um lugar preponderante. Não pode haver ordem social verdadeira sem ordem familiar verdadeira; e não pode haver ordem familiar verdadeira sem a virtude cujo nome enche os homens de respeito humano; sem que essa virtude seja praticada pelos católicos até a última perfeição; e praticada por ser conhecida e admirada como tal. É a virtude sobre a qual pouco se ousa falar, e que é a castidade conforme o estado da pessoa: a castidade perfeita ou a castidade matrimonial. Duas formas santas de virtude, que precisam ser adotadas e defendidas. 

A ordem política e a ordem social ruem inevitavelmente nos ambientes onde a virtude da pureza não é observada. Não há preservação da ordem política e social, não há edificação da Civilização Cristã que se possa fazer seriamente, sem que, entre outras virtudes, a da pureza esteja na base”. 

5 de julho de 2020

Menina de 12 anos preferiu a morte a perder sua pureza

Maria Goretti (foto feita aproximadamente 1900)
na propriedade de sua família
Santa Maria Goretti (1890 – 1902), heroína da fé e da pureza, é um grande exemplo para todos, especialmente para as meninas e adolescentes em nossos dias de generalizada imoralidade. 

Quando contava apenas 12 anos, Maria Goretti foi assediada por um rapaz que, deparando-se com a firme resistência da menina, amordaçou-a e ameaçou-a com uma faca. Como ela continuava resistindo, o perverso tentou arrancar-lhe a roupa. Nisso, a menina gritou: “Não faças isso, que é pecado. Irás para o inferno”. Ele respondeu: “Se não deixar, eu te mato”. Não conseguindo praticar a perversidade, o depravado esfaqueou a pequena várias vezes. Era o dia 6 de julho de 1902 — exatamente há 118 anos. 

O Papa Pio XII afirmou que Santa Maria Goretti é: “o fruto de lar cristão, onde se reza, se educam cristãmente os filhos no santo amor de Deus, na obediência aos pais, no amor à verdade, na honestidade e na pureza”. 

Desta Santa Virgem e Mártir comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em conferência no dia 6 de junho de 1966: 
Urna com as relíquias de Sta. Maria Goretti

“A Igreja Santa, Católica, Apostólica, Romana, em meio à degradação moral do mundo de hoje, apresenta aos homens uma santa como modelo na luta contra a imoralidade: Santa Maria Goretti — um modelo que é o contrário daquilo para que o mundo contemporâneo tende. 


A pureza transparece até no quarto da santa
Santa Maria Goretti se apresenta a nós como um incitamento à fidelidade à doutrina tradicional da Igreja, ao zelo da Igreja pela pureza, ao valor que a pureza possui e que a Igreja sempre inculcou. De tal maneira que mais vale ao homem perder sua vida do que sacrificar sua pureza. 

Em toda essa questão social de que tanto se fala, o problema da pureza ocupa um lugar preponderante. Não pode haver ordem social verdadeira sem ordem familiar verdadeira; e não pode haver ordem familiar verdadeira sem a virtude cujo nome enche os homens de respeito humano; sem que essa virtude seja praticada pelos católicos até a última perfeição; e praticada por ser conhecida e admirada como tal. É a virtude sobre a qual pouco se ousa falar, e que é a castidade conforme o estado da pessoa: a castidade perfeita ou a castidade matrimonial. Duas formas santas de virtude, que precisam ser adotadas e defendidas. 

A ordem política e a ordem social ruem inevitavelmente nos ambientes onde a virtude da pureza não é observada. Não há preservação da ordem política e social, não há edificação da Civilização Cristã que se possa fazer seriamente, sem que, entre outras virtudes, a da pureza esteja na base”.

21 de maio de 2019

Um dia internacional da mulher, mas diferente

Grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia
➤ Paulo Henrique Américo de Araújo 

Todos anos, no dia 8 de março, uma enxurrada de reportagens nas diversas mídias comemora o chamado “Dia Internacional da Mulher”. O ano de 2019 não deixaria de trazer a cantilena de sempre, e o sentido de revolta contra as normas católicas de comportamento se repete na leitura de qualquer publicação sobre o tema.

Bem significativa, neste sentido, é a informação do “Correio Brasiliense” sobre uma manifestação feminista no centro de Brasília,[1] na data mencionada. Jolúsia Batista, uma das organizadoras, ressaltou os objetivos do ato: “É dia de expressar uma luta organizada. Mas a luta é diária. Somos contra o conservadorismo do governo atual e contra o fundamentalismo cristão. Somos pró-legalização do aborto e contra a reforma [da previdência] como está, pois agrava o cenário, principalmente para as mulheres. Somos contra qualquer tipo de retrocesso”.

Não é meu intento analisar aqui o conteúdo da declaração (ou a ausência dele), nem fazer comentários sobre a agenda das manifestantes. Deixemos de lado esses aspectos, pois todos estamos saturados desse feminismo tacanho, distorcido e anticatólico. Em face dos devaneios feministas, parece-me a melhor iniciativa opor a eles exemplos de atitudes que ressaltam o real valor das mulheres. Lembrar modelos contrários ao do feminismo tem o efeito salutar de desintoxicar as pessoas do veneno que ele vem disseminando. E se as pessoas se deixarem desintoxicar, é bem possível que no futuro as comemorações do dia internacional da mulher realmente enalteçam as virtudes femininas características.

Alta nobreza na atitude de uma mulher

Um desses exemplos me caiu recentemente nas mãos, com a leitura das memórias da grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia,[2] prima-irmã do último czar Nicolau II. Nascida em 1890, ela viveu durante o auge da crise do Império Russo, passando pela Primeira Guerra Mundial, e finalmente pelas trágicas convulsões da revolução comunista. Com muita dificuldade ela conseguiu escapar da Rússia, ao mesmo tempo que os bolcheviques massacravam os membros da nobreza, inclusive seu próprio pai.

O período que nos interessa compreende a grande guerra de 1914-18. Como muitas mulheres da mais alta nobreza, a grã-duquesa Maria se engajou como voluntária para o serviço de enfermaria das tropas russas. Exerceu essa função com máximo empenho, durante quase todos os quatro anos do terrível conflito. No início, como simples auxiliar de enfermagem, e depois como enfermeira, procurando ocultar sua identidade para poder trabalhar em qualquer tarefa que lhe fosse requisitada, além de evitar lisonjas ou louvores. Depois, como seu prestígio e experiência aumentassem, assumiu o comando de um importante hospital de campanha.

Um pequeno episódio revela como, apesar de ser prima do imperador, Maria não procurava ostentar sua posição diante das tropas. No início da guerra, em uma aldeia perto do front de batalha, acabara de chegar um oficial com a mão ferida. Ao ver o grupo de enfermeiras, das quais uma era a princesa, ele perguntou:

— Irmãzinhas, não tereis por acaso uma atadura limpa para trocar o meu curativo?

O oficial não distinguia a grã-duquesa entre as enfermeiras. O tratamento que ele usou (irmãzinhas) para se dirigir a elas se explica pelo fato de as enfermeiras se trajarem à maneira de freiras. Maria se ofereceu de imediato para trocar o curativo. Enquanto o fazia, outro militar se aproximou sem que ela percebesse, e perguntou:

— Vossa Alteza Imperial permite que eu a fotografe?

Confusa, a princesa-enfermeira voltou-se, reconheceu o militar, e suplicou:

— Não, não faça isso, pelo amor de Deus!

Logo ela notou que a mão ferida da qual cuidava começou a tremer. O oficial ferido examinava-lhe atentamente o rosto, abaixando o olhar mais de uma vez, antes que o curativo estivesse concluído. A princesa permanecia em silêncio.

— Permite-me agora que lhe pergunte quem é? Indagou o oficial.

Maria não via mais motivos para ocultar seu nome, e após a revelação, o ferido outra vez lhe perscrutou o rosto em silêncio, e repentinamente ajoelhou-se na calçada, diante de todos, tomou nas mãos a barra do vestido da princesa e o osculou. Ela mesma conta que ficou perturbadíssima; e sem olhar para o oficial, sem despedir-se, fugiu em direção à farmácia.

Este belo fato revela muito mais do que a manifestação do respeito e admiração dos russos pelos membros da nobreza. Também não se trata apenas de um episódio no qual a força militar — a força física, diríamos — reconhece a superioridade de uma frágil enfermeira. Há no episódio algo mais revelador da mentalidade do russo, que a própria grã-duquesa explicita em suas memórias:

“A atitude dos soldados em relação a nós [enfermeiras] era profundamente tocante. Dir-se-ia que personificávamos para eles tudo o que lhes era caro, tudo o que lhes tocava o coração. Com nossas toucas brancas, representávamos de certo modo esse ente feminino superior, no qual se reúnem as qualidades de mãe e de esposa completadas pelas de religiosa, concepção especialmente apreciada pelo povo russo”. 

Aí está! A superioridade feminina se expressa justamente naquilo que ela tem de autêntico. Superioridade essa invariavelmente rejeitada pelas feministas radicais de hoje. Pergunto-me qual seria a reação daquelas manifestantes do dia 8 de março, se alguém lhes propusesse realçar esse tipo de elevação feminina...
Thomas Bruce o assassino de Jamie Schmidt (foto abaixo). No fundo, o lugar do crime.

Ato heróico de uma mulher não feminista 

Cito outro exemplo, agora dos dias atuais.[3] Em novembro de 2018, Jamie Schmidt entrou numa loja de artigos religiosos católicos na cidade de Saint Louis, Estados Unidos. Duas funcionárias ali trabalhavam na ocasião. Momentos depois, Thomas Bruce chegou ao estabelecimento, trocou algumas palavras com as mulheres e saiu da loja. Depois tornou a entrar, mas desta vez armado com uma pistola.

Diante da ameaça, as duas funcionárias foram obrigadas a se despir, e em seguida foram abusadas sexualmente pelo canalha. Jamie – católica praticante, casada e mãe de três filhos – forçada a permanecer num canto da loja, testemunhou a horrível cena. Thomas então se aproximou, e apontando-lhe a arma, ordenou que ela também se despisse. Tudo que havia ocorrido com as outras duas mulheres se repetiria, mas...

Em momentos drásticos como esses surgem demonstrações de força de alma e personalidade que impressionam. O mais fácil para Jamie seria, talvez, tentar convencer o malfeitor com palavras meigas ou lágrimas desesperadas, numa chance de apaziguar seu ímpeto tresloucado; ou simplesmente ceder diante do perigo, e se deixar agredir sexualmente.

Não! Essa autêntica católica escolheu enfrentar a situação com uma dignidade cheia de fé – uma nova mártir da pureza, a exemplo de Santa Maria Goretti. A resposta à ordem do agressor foi pronta e irredutível:

— Em nome de Deus, eu não vou tirar minhas roupas!

Jamie Schmidt
O abusador deve ter percebido que ali não haveria meio termo nem acordo. Só lhe restava um único recurso: a violência. Disparou à queima-roupa contra o peito da mulher. Por mais paradoxal que possa parecer, essa atitude covarde revela quem só tinha mais força física: Jamie, obviamente! Ela morreu minutos depois, numa ambulância a caminho do hospital. Nos últimos suspiros, testemunhas ouviram Jamie recitar o Padre-nosso. O monstro-agressor foi preso após fugir, e responde pelo crime bárbaro diante dos tribunais. Espera-se que seja condenado à pena de morte.

Algum movimento feminista se lembrou da atitude honrada de Jamie Schmidt? Por que não exaltar o ato heroico daquela mulher, no dia internacional da mulher? Não espere nada disso, pois há muita coisa distorcida no movimento feminista...

Em razão de tudo isso, o site Returntoorder, impulsionado pela TFP norte-americana, está ajudando a promover uma campanha de substituição do dia internacional da mulher por outro muito diferente: o Lady Day. “A alternativa católica é chamada de Lady Day [Dia da Senhora ou da Dama]. O tema de 2019: ‘Comemorando a pureza e a coragem das mães’. [...] Uma resposta positiva, jubilosa e esperançosa no sentido de celebrar e honrar o plano de Deus para as mulheres, enquanto mães puras e corajosas”.[4]

Nada melhor do que o atualíssimo exemplo de Jamie Schmidt para contrapor à revolução feminista e ao seu fraudulento e midiático dia internacional da mulher.

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Notas 
1.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/03/08/interna_cidadesdf,741838/didia-internacional-da-mulher-leva-2-mil-pessoas-a-area-central-de-bra.shtml 
2. Memórias, Maria, grã-duquesa da Rússia, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, sem data de publicação. 
3. http://www.returntoorder.org/2018/12/how-to-die-a-glorious-death-and-gain-honor/ 
4. http://www.returntoorder.org/2019/02/lady-day-2019-celebrates-purity-and-courageous-motherhood/

8 de julho de 2018

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”

Única foto existente de Santa Maria Goretti, encontrada em 2011 no álbum de recordações dos Condes Mazzoleni que acolheram os Goretti em sua propriedade, nas proximidades de Roma.
Ontem postamos uma matéria sobre Santa Maria Goretti (1890-1902). Inocente menina de apenas 12 anos, que sofreu o martírio para defender sua pureza. Verdadeiro modelo para nossas crianças e adolescentes. Hoje transcrevo alguns pensamentos de grandes santos sobre a virtude da castidade — denominada também de “virtude angélica”, uma vez que aqueles que a praticam se assemelham aos anjos de Deus, donde a afirmação de São Mateus “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”.

No final deste post: um vídeo da cerimônia de canonização de Santa Maria Goretti pelo Papa Pio XII, no dia 29 de junho de 1950). No trecho do velho filme (apenas 2 minutos) vemos uma religiosa que avança entre a multidão: é a irmã de Maria Goretti; o Papa, da sedia gestatoria, abençoa os presentes na imensa multidão (300 mil pessoas!); o Presidente da República Italiana assiste a cerimônia; dois irmãos da santa se acham presentes na tribuna da postulação; de uma janela do Vaticano, a mãe da jovem-mártir da pureza contempla a canonização.


“A castidade é o lírio das virtudes e torna os homens quase iguais aos anjos; nada é belo senão pela pureza, e a pureza dos homens chama-se castidade”.

(São Francisco de Sales)  


“Toda virtude em sua alma é um ornamento precioso que o torna querido de Deus e dos homens. Mas a santa pureza, a rainha das virtudes, a virtude angélica, é uma joia tão preciosa, que aqueles que a possuem se tornam como os anjos do Céu, mesmo que envoltos em carne mortal”.


(São João Bosco)  


“Devemos praticar a pureza e a modéstia, não apenas em nossa aparência, mas em todo nosso comportamento, particularmente no vestir, no andar, na conversa e em nossas ações para com os outros”.


(Santo Afonso Maria de Ligório) 

“Uma alma pura é como uma pérola rara. Enquanto está escondida na concha, no fundo do mar, ninguém pensa nela com admiração. Mas se for trazida à luz, essa pérola brilha e atrai todos os olhares. Assim a alma pura, que está escondida dos olhos do mundo, vai um dia brilhar diante dos anjos na luz da eternidade”.

(São João Maria Vianney, Cura d’Ars)



7 de julho de 2018

Santa Maria Goretti

Unica foto conhecida da menina Maria Goretti, tirada em 1902 [detalhe abaixo]

Esta menina de 12 anos incompletos preferiu morrer cruelmente do que perder sua pureza virginal. Pio XII afirma ser ela “o fruto de lar cristão, onde se reza, se educam cristãmente os filhos no santo amor de Deus, na obediência aos pais, no amor à verdade, na honestidade e na pureza”. Exemplo para todas as meninas e adolescentes.

➤  Plinio Maria Solimeo

         No dia 24 de junho de 1950, o Papa Pio XII deparou-se com um problema singular: a canonização de Maria Goretti deveria ser celebrada na Basílica de São Pedro, mas cerca de 500 mil pessoas afluíram à cerimônia, ultrapassando em muito a capacidade do templo — era a maior concentração na história de Roma até então. A solução foi celebrá-la do lado de fora, pela primeira vez em uma canonização.
        
O que levou tanta gente a afluir para essa canonização? Possivelmente foram os pormenores da vida e morte de Maria Goretti, que maravilharam a Itália e todo o mundo católico. Uma menina de apenas onze anos preferiu morrer a pecar; a sua atitude acabou convertendo o próprio assassino, que se tornou religioso; a mãe da vítima o perdoou, e recebeu a Sagrada Comunhão ao lado dele. Tudo isto traduz uma coerência na fé e na piedade, muito rara em nossos dias.

Muita pobreza e muita virtude

Terceira das seis crianças de uma família empobrecida, Maria Goretti nasceu em Corinaldo (Itália), no ano de 1890. Em 1899, a família de Luís Goretti mudou-se para Le Ferriere di Conca, a 40 milhas de Roma, trocando o trabalho agrícola pela situação de meeiros. Os Goretti passaram a compartilhar com os Serenelli — um viúvo de nome Giovanni e seu filho Alessandro — um prédio abandonado da propriedade, ocupando estes últimos o andar superior, enquanto os Goretti ficavam no andar térreo.
Tanto uns quanto outros tiravam seu sustento do árduo trabalho no campo, cuja terra era muito pobre, meio pantanosa, infectada de insetos e muito dura de trabalhar. No ano seguinte, Luís Goretti foi picado por um inseto transmissor da malária, falecendo onze dias depois.

Maria, então com nove anos, era a mais velha dos irmãos; e Assunta, sua mãe, colocou-a em seu lugar nos afazeres domésticos, a fim de substituir o marido no trabalho do campo. Ela passou a cozinhar, fazer limpeza, lavar roupa e cuidar dos irmãos. Também cozinhava e cuidava da limpeza do andar dos Serenelli.

Não era vaidosa

        
Casa onde nasceu a santa
Longe de se lamentar por um estado tão penoso, Maria Goretti era uma fonte de encorajamento para a mãe, a quem assegurava que Jesus Cristo as ajudaria em suas necessidades. Era uma criança piedosa, ia à Missa sempre que podia, aprendeu o Catecismo e recebeu a Primeira Comunhão com grande respeito, na festa de Corpus Christi de 1901. Apesar de todos os trabalhos e cuidados, crescia em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens.


Assunta diria mais tarde a respeito da filha: “Não era vaidosa, não ambicionava vestidos novos. Procurava que os irmãozinhos estivessem cobertos e compostos, e ela própria guardava grande modéstia. Aborrecia palavras e conversas contrárias à honestidade.”

Depois de convertido, Alessandro declarou: “Seguindo as pegadas da mãe, era modesta, usava vestidos compridos, fugia de certas moças levianas, não se fixava em jornais ou revistas com gravuras indecentes. Era verdadeiramente um anjo, inocente como uma pomba, e tão piedosa, tão boa, tão serviçal em casa: era uma moça modelo.”

Martírio pela pureza

Alessandro Serenelli, assassino da santa,
após longo período preso,
reza no quarto que pertenceu a ela
Alessandro, pelo contrário, era um rapaz rude, sem nenhuma formação religiosa. Sua mãe tinha morrido num hospital psiquiátrico quando ele ainda era bebê, e seu pai era alcoólatra, sendo ele próprio dado à bebida. Era muito impuro, e fazia propostas indecentes a Maria quando esta se encontrava só. Ela detestava o procedimento vil e as sugestões torpes do rapaz, e sempre lhe retorquia: “Não, nunca, isso é pecado! Deus o proíbe, e iríamos para o inferno”.

Por que a menina não contava à mãe as investidas lúbricas do rapaz? De um lado, por não querer preocupá-la; de outro, porque Alessandro ajudava sua mãe nos trabalhos mais difíceis do campo. E também porque, se o fizesse, a família não teria para onde ir. Preferia então calar-se e confiar em Deus.

No dia 5 de julho de 1902, enquanto Maria costurava uma camisa de Alessandro e cuidava de uma irmã menor, ele apareceu sob um pretexto qualquer, entrou na cozinha e fechou a porta. Aproximou-se com uma peça de ferro pontiaguda e ameaçou-a de morte, caso ela não cedesse aos seus desejos impuros. Maria gritou: “Não! Isso é pecado! Deus não o quer!” Quando ele quis forçá-la, ela reagiu e lutou com ele, dizendo que preferia morrer a pecar. Furioso, Alessandro a perfurou nove vezes com a peça de ferro. No meio da aflição e das dores, a mártir continuou a recompor seus vestidos, resguardando sua pureza.

Julgando-a morta, o algoz se retirou. Maria conseguiu entreabrir a porta e gritar para o pai de Alessandro. O assassino então voltou e desferiu contra seu peito mais cinco punhaladas. Depois fechou a porta e saiu, deixando prostrada sobre uma poça de sangue a inocente vítima de 11 anos, que gemia: “Meu Deus! Meu Deus! Mãezinha, mãezinha”.

Teresita — uma de suas irmãs, ainda de berço — começou então a chorar desesperadamente, fazendo com que o pai de Alessandro acudisse e encontrasse a mártir esvaindo-se em seu próprio sangue.

Enquanto Maria era levada às pressas para o hospital de Nettuno, Alessandro, de 20 anos, ia para a cadeia, onde ficaria durante 28 anos.

Sofrimento oferecido a Deus

Quarto de Sta. Maria Goretti
Chegando ao hospital, pediu água insistentemente, devido à sede decorrente da perda de sangue, mas não podia ser atendida por causa das chagas no corpo. O pároco foi chamado para ministrar-lhe a Extrema Unção, antes de iniciar-se a arriscada operação. 

Mostrando um crucifixo, disse-lhe que Jesus também sofreu sede na cruz, e perguntou se ela queria oferecer sua sede a Ele pela salvação dos pecadores. A menina aceitou e não mais pediu água.

Antes de receber o Sagrado Viático, o sacerdote perguntou: “Mariazinha, perdoas de todo coração ao teu assassino?”. Ela respondeu: “Sim, por amor de Jesus perdoo-lhe. E também quero que ele esteja no Céu comigo”.

Os médicos deram início à operação. Eram 14 feridas, nove das quais perfurantes. Como a menina estava muito fraca, eles não usaram anestesia. Maria estava inteiramente consciente quando cada uma das feridas foi aberta para ser suturada por dentro. Apesar das dores, ela não chorou e sofreu sua agonia com perfeita paciência, oferecendo-a a Deus. Às 4 horas da tarde do dia 6 de julho de 1902, com 12 anos incompletos, Maria Goretti entregou sua alma virginal ao Criador, por cujo amor preferiu a morte à ofensa.

Além da dilacerante dor de ver sua filha morrer tão cruelmente, Assunta teve uma pungente dor adicional: uma semana depois, não dispunha de mais ninguém para cuidar dos filhos enquanto trabalhava no campo. Por ser muito pobre, não teve outro remédio senão entregá-los à adoção.

Conversão do assassino

Uma pintura da santa
Na prisão, Alessandro mostrou-se agressivo e revoltado, tendo de ser removido para uma solitária. Entretanto, seis anos depois, Maria Goretti lhe apareceu em sonho, e sem dizer uma só palavra lhe entregou 14 alvos lírios, símbolo da pureza, cada lírio representado uma de suas punhaladas.

O assassino compreendeu por esse sonho que Maria o havia perdoado do crime e estava no Céu. Comovido, sentiu grande arrependimento, seguido de milagrosa conversão. Pediu então que chamassem o bispo encarregado da prisão, a quem confessou seus crimes e pecados. Pagou o resto da sentença como prisioneiro modelo, razão pela qual foi libertado três anos antes do fim de sua pena.

Uma vez posto em liberdade, Alessandro foi procurar a mãe de sua vítima. Era véspera de Natal, e queria saber se ela ainda o reconhecia. Sim, ela o reconhecia como o homem que matou sua filha e destruiu sua família. 

Alessandro então lhe pediu perdão. A resposta dessa mãe verdadeiramente católica foi: “Se Maria, minha filha, o perdoa, e Deus o perdoa, como posso também não perdoá-lo?”. Os dois foram então à Missa de Natal, durante a qual receberam a comunhão de joelhos, lado a lado. Alessandro fez mais: confessou então publicamente na igreja seu pecado, diante dos fiéis, aos quais pediu também perdão.
As relíquias de Santa Maria Goretti, em peregrinação pelos EUA

Aceitação da sentença

No longo período que passou na prisão, Alessandro teve tempo para pensar no mal que fizera e se arrepender. Uma vez cumprida a pena, recolheu-se em um convento dos Padres Capuchinhos, onde faleceu em 1970 aos 88 anos de idade. Em 1962 ele escreveu o que pode ser tido como seu testamento espiritual, do qual transcrevemos aqui uma parte:

“Estou velho, com quase 80 anos, e prestes a terminar a minha vida na Terra. Olhando para o meu passado, reconheço que na minha mocidade segui um caminho errado. [...] Aos 20 anos, cometi o meu crime passional, cuja lembrança hoje me aterroriza. Maria Goretti, agora santa, foi o anjo bondoso que a Providência pôs nos meus passos. Ainda trago as suas palavras de repreensão e de perdão impressas no coração. Rezou por mim, intercedeu por mim, seu assassino.

“Passaram-se os 30 anos de cadeia. Se não fosse menor de idade, teria sido condenado por toda a vida. Aceitei a sentença merecida; resignado, expiei a minha culpa. Maria Goretti foi verdadeiramente a minha luz, a minha padroeira. Com o seu auxílio comportei-me bem, e procurei viver honestamente, quando de novo a sociedade me recebeu entre os seus membros.

“Os filhos de São Francisco, os Capuchinhos, acolheram-me com caridade seráfica, não como criado, mas como irmão. Estou com eles desde 1936. E agora espero serenamente o momento de ser admitido à visão de Deus, de rever e abraçar os meus entes queridos, e de estar perto do meu Anjo protetor (Santa Maria Goretti) e da sua querida mãe, a senhora Assunta.

“Os que lerem esta minha carta, queiram tirar a boa lição de sempre, de fugirem do mal desde novos e seguirem o bem. Convençam-se de que a Religião, com os seus mandamentos, não é coisa para se pôr de lado, mas é o conforto verdadeiro, o único caminho seguro em todas as circunstâncias, mesmo as mais dolorosas da vida.”

Glorificação final

Relíquia de Sta. Maria Goretti
A causa da beatificação de Maria Goretti foi aberta em 1935, com o próprio Alessandro testemunhando sua santidade e sua intercessão. Foi beatificada em 1947 por Pio XII. Sua mãe, presente ao ato, relata: “Quando vi o Papa se aproximando, rezei: ‘Madonna, por favor, ajudai-me’. Ele pôs sua mão em minha cabeça, e disse: ‘Bendita mãe, feliz mãe, mãe de uma Beata’”.

Maria Goretti foi canonizada três anos depois, pelo mesmo Papa, com a presença de Alessandro Serenelli, Assunta Goretti e seus quatro filhos restantes.

Os restos mortais da Santa estão na Basílica de Santa Maria Goretti, ao lado do mar, em Nettuno, Itália, perto do local onde ela viveu e morreu. Estão em um relicário, envoltos numa imagem de cera seguindo seus traços.

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Fontes:
Site “Who is St. Maria?”, disponível em http://mariagoretti.com/who-is-st-maria/
Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, Portugal, 1987, tomo II, pp. 385-388.