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| A capital venezuelana sendo bombardeada |
Chávez morreu e Maduro está preso. Mas o governo comuno-chavista continua dilapidando as riquezas, abolindo o direito de propriedade, deteriorando as instituições, oprimindo seu infeliz povo, desmantelando o que resta de civilização cristã. Até quando?
✅ Paulo Roberto
Campos
Um acontecimento sem precedentes na América do Sul deixou pasmo o mundo inteiro: Na madrugada do dia 3 de janeiro, Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores foram capturados ‘em pijamas’, dentro de seu próprio território. Houve por toda parte manifestações comemorativas.
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Nicolás Maduro na chegada a Nova
York, na sede da DEA (agência de combate às drogas), após sua captura em
Caracas. |
O ditador venezuelano temia uma invasão americana, e passava seu tempo mudando de lugar, de um esconderijo a outro. Militares americanos, sem enfrentar grandes dificuldades, retiraram o casal de seu aposento tido como ‘inexpugnável’, dentro do próprio Fuerte Tiuna — o maior complexo militar do país, no sul de Caracas, com túneis e bunkers, abrigando também o ministério da defesa, comandos militares e paiol de armas.
O casal foi levado
facilmente para os Estados Unidos, a fim de ser julgado por crimes de
narcoterrorismo, tráfico de cocaína e porte de armas de guerra. Graves delitos,
evidentemente, mas seu principal crime foi “cubanizar” a Venezuela,
transformando um dos países mais ricos em um dos mais pobres.
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| A capital venezuelana sendo bombardeada |
Supremacia
americana
O governo
americano havia oferecido várias saídas para Maduro, desde que renunciasse à
presidência. Inicialmente o ditador impôs condições, mas inaceitáveis. Depois, não
aceitou renunciar.
Donald Trump
ordenou o ataque à Venezuela, com membros de elite da Força Delta do Exército americano. Segundo uma fonte do jornal The New
York Times, serviços de
inteligência da CIA, infiltrados no governo venezuelano, monitoravam a
localização de Maduro e conheciam todos seus esconderijos, passos e hábitos.
A ação militar
foi precisa. Em apenas duas horas, foram bombardeados lugares estratégicos, de
onde eventualmente poderiam partir contra-ataques. Depois ocorreu, em apenas
alguns minutos, a investida de captura, não encontrando resistência
significativa. A operação foi executada com derramamento mínimo de sangue, sem nenhuma
baixa entre militares americanos.
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Surpreendidos,
os militares venezuelanos e cubanos foram neutralizados. De nada valeram para a proteção de Maduro os
‘fortes’ esquemas montados por técnicos chineses e russos, com sofisticados
radares e baterias antiaéreas destinadas a interceptar qualquer ataque; nem a proteção
por 32 agentes comunistas cubanos, cujos cadáveres foram remetidos para Cuba no
dia 15 de janeiro.
O esquema de defesa foi inútil, fracassado e vergonhoso. Uma humilhação,
sobretudo para a Rússia e China, cujos sistemas de defesa demonstraram ser
“gigantes com pés de barro”, quase nada em comparação com o poderio militar
americano.
Como informou O Estado de S. Paulo (12-01-26),
“os avançados sistemas de defesa aérea da
Venezuela, fabricados pela Rússia, nem sequer estavam conectados ao radar
quando os helicópteros americanos chegaram para capturar o ditador Nicolás
Maduro. Segundo autoridades americanas, isso deixou o espaço aéreo venezuelano
surpreendentemente desprotegido muito antes de o Pentágono lançar sua ação
militar de captura”.
Por esses “avançados sistemas de
defesa”, a República
Bolivariana da Venezuela — como o país foi rebatizado por Hugo Chávez, quando assumiu
o governo em 1999 — pagou em petróleo, só
para a Rússia, 4 bilhões de dólares.
Maduro caiu, mas seu governo continua de
pé
Há muitas incoerências nas atitudes do presidente Trump em relação à
Venezuela. Só compreenderemos de modo claro a realidade quando proximamente
virmos as consequências dessa ação. Não basta ter retirado Maduro do poder, se
seu governo despótico continua. Sua captura deveria ser apenas um começo, para
se proceder depois a uma mudança dentro do governo bolivariano.
Tudo permanecerá na mesma se, após tê-lo apeado à força e levado vivo
para a prisão em Nova York, a situação política continuar, uma vez que todos os
membros de seu governo são chavistas: ministros, militares, juízes, políticos
encastoados nos mais altos cargos.
O jornalista Leonardo Coutinho, especialista em ameaças
transnacionais, informou em artigo para a Gazeta
do Povo (10-1-26): “A mineração
ilegal, os negócios de armas com o Irã, a proteção de grupos guerrilheiros
colombianos como o ELN e dissidentes das FARC e até mesmo a aproximação
diplomática com o Hezbollah são fios de uma teia que conecta a elite governante
da Venezuela a redes criminosas e terroristas transnacionais que independem de Nicolás Maduro.”
Tudo como dantes no quartel bolivariano?
Pairam ainda dúvidas sobre o panorama político venezuelano.
Tudo permanecerá na mesma se, por exemplo, continuarem com seus poderes
de repressão quase absolutos a temida Força
Armada Nacional Bolivariana e a Dirección
General de Contrainteligencia Militar.
Esse sistema foi criado ao longo de duas décadas com a ajuda cubana, e
tem um ‘currículo’ recheado de violações aos direitos humanos, tortura,
perseguição política e cruel repressão aos manifestantes contrários ao governo.
Tudo permanecerá na mesma, se dezenas de milhares de civis chavistas armados
continuarem controlando casa por casa; e se os milhares de milicianos cubanos e
os chamados “coletivos” (uma espécie de ‘polícia popular’ ou quadrilha de
terroristas urbanos) continuarem a intimidar, torturar e executar cruelmente
aqueles que se opõem à implantação da ditadura comunista do proletariado,
batizada pelo coronel Hugo Chávez com denominação ‘tranquilizante’: Socialismo do Século XXI.
Tudo permanecerá na mesma, se o governo formado por Maduro continuar
dando guarida ao narcotráfico; aos responsáveis pela astronômica corrupção de
chavistas que aparelharam o Estado; e aos responsáveis pelo sucateamento do setor energético e petrolífero, atualmente
enferrujado, caindo aos pedaços por falta de manutenção. Alguns especialistas
afirmam que, em alguns casos, é melhor começar do zero do que reformar essa sucata.
A própria indústria do petróleo, que era a riqueza principal do país, encontra-se
quebrada devido à estatização socialista, e o que sobrou foi adquirido por
russos e chineses.
Pelo contrário, tudo melhorará se uma sábia ação americana conseguir ‘descubanizar’
a outrora próspera nação, nascida com o nome de ‘pequena Veneza’ (Venezuela). Tudo
melhorará se conseguir livrá-la da ingerência russa, chinesa, iraquiana e
cubana. Seria assim possível salvar a o país das garras do comuno-chavismo, e seu
povo estaria livre para escolher novos dirigentes e reerguer a Venezuela que jaz
na miséria.
Se isso acontecer, poder-se-á aplaudir a ação americana, que de fato terá
valido a pena. Mas se limitar-se à prisão de Maduro, permanecendo seus sequazes
na cúpula do governo, Trump terá falhado. E será talvez uma das maiores falhas de
seu governo.
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| Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, junto com a cúpula “chavista” que continua à cabeça do governo após a prisão de Maduro [Foto: @Miraflores] |
Governo Maduro sem Maduro
Sobre o curto período pós-Maduro, uma das incoerências na política do governo
Trump é estabelecer relações com a atual presidente interina, Delcy Rodríguez
Gómez, que era vice do ditador venezuelano. Se Maduro era presidente ilegítimo,
logicamente a vice-presidente também o é, pois ambos foram eleitos
fraudulentamente.
Inicialmente a Sra. Rodríguez condenou a invasão americana: “Não seremos uma colônia, nem escravos dos
EUA”. Depois afirmou querer aliança com os EUA, a fim de colaborar
trabalhando juntos. Soa isso muito estranho, pois ela sempre foi uma fanática
comuno-chavista ‘anti-imperialista’. Seria essa uma aliança apenas para conseguir
sobreviver no poder, juntamente com seus companheiros sequazes de Maduro? Ou
convocará novas eleições, conforme exige a lei venezuelana? Serão também estas fraudadas?
Soa ainda mais estranho que Trump tenha manifestado desejo de se aliar a
ela. Seria isto uma continuação do ‘chavismo’, sem Chávez e sem Maduro. Trump
advertiu que, se a Sra. Rodríguez “não
fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que
Maduro”. Mas depois elogiou-a como “uma
pessoa formidável”. A
marca política de Trump tem sido a imprevisibilidade, podendo-se aplicar a ele
o que jocosamente dizia Nelson Rodrigues sobre as incertezas do Brasil: “Até o passado é imprevisível”...
Em carta de 12 de janeiro à Casa Branca, a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava [foto], manifestou-se contrária à aliança Trump/Rodríguez, pedindo ao presidente americano que formalize imediatamente a liderança de Edmundo González Urrutia e María Corina Machado, pois González comprovadamente obteve 67% dos votos nas eleições presidenciais de julho/2024, mas Maduro ‘decretou’ sua ‘vitória esmagadora’ sobre o adversário. E negou-se a apresentar as atas, como é sabido.1 Com o atendimento do pedido de Levine Cava, a legitimidade de ambos se reforçaria para governar a Venezuela.2
Como conseguirão governar, se todo o staff comuno-chavista permanece
no poder? Um deles é Diosdado Cabello, o todo poderoso ministro do Interior e
mentor de Maduro, uma das figuras mais dominantes do chavismo. Acusado de
tráfico de drogas, ele era procurado pela justiça americana mediante a
recompensa de 25 milhões dólares por informações que levassem à sua prisão. Isso
é apenas um exemplo para se temer que o ‘madurismo’ continue, mesmo sem Maduro,
se persistirem no comando autoridades desse naipe, assim como toda a
nomenclatura militar.
Apesar da extrema pobreza, o país conta com 2.000 generais e almirantes,
que dominam as grandes instituições e empresas. Esse número é mais que o dobro
do quadro militar dos EUA. No Brasil, com população sete vezes maior que a da
Venezuela, eles são 396.
No dia seguinte ao encontro de María Corina com Trump na Casa Branca, em
15 de janeiro (quando ela o presenteou com a medalha do recebida como Prêmio
Nobel da Paz 2025), em Washington ela teceu fortes críticas à nova mandatária
da Venezuela, acusando-a de comunista (o que é público e notório) e de manter
laços com Moscou e Teerã (o que parece de toda evidência).
Divisão do mundo em três zonas de
influência
O mandatário americano disse também que vai administrar a Venezuela: “Vamos liderar o país até que possamos
garantir uma transição segura, adequada e sensata.” Como isso se fará? Com
envio de tropas? Ou fazendo alianças com o próprio governo comuno-bolivariano?
Alguns analistas internacionais insinuam que, já antes da operação que capturou
o caudilho marxista, membros do governo venezuelano, entre eles a Sra. Rodríguez,
já estavam em conversações com membros do governo americano. O que eles
tramaram?
Caracas nega tal diálogo. Mas, caso ele se confirme, revelaria uma nova
estratégia de intervenção no estilo trumpismo.
Estilo bem diverso da intervenção feita no Iraque, em 2003, no governo de
George W. Bush. Ou seja, intervenção sem derrubar um governo, mas aliando-se
com ele, sem se importar com a sua ideologia.
Dois dias após a captura de Maduro, o
Departamento de Estado dos EUA publicou no X (antigo Twitter) a
seguinte mensagem: “Este é o NOSSO hemisfério, e o Presidente Trump não
permitirá que nossa segurança seja ameaçada.” A fim de manter a hegemonia regional, os EUA pretendem impedir a influência
geopolítica de potências externas no bloco constituído pelas três Américas.
Vamos aguardar e observar os acontecimentos, pois ainda é cedo para se
concluir algo preciso. Mas pode-se levantar outra pergunta importante, tendo em
vista uma futura conclusão: Concordarão a Rússia e a China em os EUA fiquem se
ocupando com a ‘administração da Venezuela’ e de outras nações do Hemisfério
Ocidental, para que estas sejam ‘quintais dos EUA’? Enquanto isso, os russos e
chineses vão se ocupar de outras partes do mundo.
Seria um ressurgimento da velha “Doutrina Monroe”. O republicano James
Monroe (1758-1831), duas vezes presidente dos EUA, implementou essa política (que
se pode resumir no lema “A América para
os americanos”) para aumentar a influência americana nas Américas em detrimento
da influência na Europa.
Nessa nova “Doutrina Monroe”, que está sendo divulgada como um “Trump Corollary”
(Corolário Trump), os EUA marcariam fortemente sua presença nas Américas, ficando
out (fora do seu ‘quintal’) todos os
demais países, sobretudo Rússia e China. Atualmente é bem forte a presença
chinesa, devido aos seus empreendimentos não só na Venezuela, mas também no
Brasil e países vizinhos.
Com tal projeto estratégico, os EUA se despreocupariam da Europa e do resto
do mundo, deixando os russos e os chineses livres para continuarem seus
intentos de conquista de outros ‘quintais’. Estariam ‘costurando’ tal projeto
para que não se intrometa um no ‘quintal’ do outro? Assim, Putin, o novo ‘czar’
da Rússia, poderia livremente continuar sua tentativa de tomar a Ucrânia, em
seguida outros territórios que eram dominados pela antiga URSS. Quanto a Xi
Jinping, uma espécie de novo Imperador da China comunista, estaria livre para
empreender a conquista de Taiwan, e depois outras nações asiáticas.
Soa como combinação maquiavélica uma divisão do mundo em três zonas de
influência: uma com os EUA, outra com a Rússia e outra com a China. Terão os
três mandatários dessas nações combinado dividir assim o mundo? Desejam eles estabelecer
um triunvirato
global ditando os rumos da política internacional? Fiquemos muito atentos a essa hipotética manobra revolucionária.
Confirmando tal hipótese, e reafirmando a nova “Doutrina Monroe”, o governo americano publicou em dezembro último um documento oficial de 33 páginas, intitulado National Security Strategy (Estratégia Nacional de Segurança), disponível integralmente no site da Casa Branca (link abaixo)3, no qual afirma taxativamente: “Após anos de negligência, os Estados Unidos irão reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a localidades geograficamente estratégicas em toda a região.”
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| Encontro entre Maduro e Lula no Palácio do Planalto (Ricardo Stuckert/PR) |
Qual a posição do Brasil?
Envergonhando o
Brasil, e negando todas as evidências de que o povo venezuelano vive oprimido
por uma ditadura, em 2023 Lula da Silva estendeu tapete vermelho para Maduro,
recebendo-o em Brasília com todas as pompas, como se fosse um legítimo
presidente de República.
No caso atual,
Lula condenou a intervenção
norte-americana como sendo uma interferência num “país soberano”. Ele, que sempre
apoiou a ditadura chavista e trata Maduro como “companheiro”, disse que “os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente
ultrapassam uma linha inaceitável”.4
No entanto, não condenou as
referidas ingerências comunistas russa, chinesa, iraniana e cubana. A julgar
por suas próprias palavras, a Venezuela não pode ser tutelada pelos EUA, mas
pode sê-lo pela China, Rússia, Irã e Cuba.
O que era negado
por Caracas e Havana, o próprio ditador cubano, Miguel Díaz-Canel — vendo a
ilha castrista no “apagão”, e agora percebendo que ela está ficando até sem o
petróleo venezuelano —, acabou admitindo a interferência do regime de Cuba na
Venezuela, com a atuação de agentes comunistas, afirmando que em Caracas “perderam a vida em ações combativas 32
cubanos, que cumpriam missões de representação das Forças Armadas
Revolucionárias e do Ministério do Interior”.5
Como vimos, de há muito a Venezuela não é mais um “país soberano”, ao
contrário do que alegou Lula. Além da interferência da China, Rússia, Irã e
Cuba, encontra-se invadido internamente pelas gangues chavistas que controlam
tudo em todas as cidades, quarteirão por quarteirão.
Em artigo assinado por Luiz Inácio Lula da Silva no The New York Times, em 18-1-26, ele voltou a fazer algumas críticas
à operação que capturou Maduro. Entretanto, percebendo que Trump estava
mantendo diálogo com o governo chavista, atenuou um pouco seu discurso. Mas
fingiu desconhecer que o povo venezuelano não é livre: “O futuro da Venezuela deve permanecer nas mãos do seu próprio povo”.6
O povo venezuelano não pode sequer se manifestar. Quem for visto, por
exemplo, comemorando a prisão de Maduro, poderá ser denunciado e encarcerado,
como se tivesse cometido um ato terrorista contra o Estado. Não é sem razão que,
numa população de 28 milhões habitantes, mais de 8 milhões se exilaram contra a
própria vontade, para fugir da repressão, do desemprego, do desabastecimento, da
miséria e da fome. A maioria desses milhões de desditosos conheceu — como
também conheci, quando vivi em Caracas — a impressionante prosperidade ‘saudita’
do país antes da tomada do poder pelo déspota Hugo Chávez, em 1999. A Venezuela
produzia então, segundo fontes da OPEP, 3 milhões de barris de petróleo/dia. Atualmente,
devido à falta de investimento e deterioração de suas estruturas, a média não
chega a um milhão barris/dia.
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| Jovens da TFP venezuelana em campanha pública em Caracas |
Tirania socialista da Venezuela
perseguiu a TFP
Vem de longe essa
tragédia que comunistizou a
Venezuela. Em 1984, ascendeu ao governo o presidente esquerdista Jaime Lusinchi,
cujas medidas socialo-comunistas prepararam a situação política para a tomada
do poder por Hugo Chávez em 1999.
No ano em que
Lusinchi se tornou presidente, a Asociación
Civil Resistencia — entidade venezuelana coirmã das TFPs (Tradição, Família
e Propriedade) — sofreu um espantoso ‘estrondo publicitário’, que bombardeava
diariamente, de modo torrencial, por meio da mídia impressa e falada, as mais
injuriantes e inverossímeis suspeitas e delirantes difamações. Todas elas eram
refutadas em manifestos publicados por Resistencia. Os difamadores não
replicavam. Pelo contrário voltavam a repetir as mesmas calúnias, sem apresentarem
uma prova sequer.
Apesar de inverídicas as calúnias, elas serviram como pretexto para o governo socialista de Lusinchi fechar Resistencia, por meio de um tirânico decreto do Poder Executivo datado de 13-11-1984. Esse decreto foi lido em rede de televisão pelo ministro da Justiça, José Manzo González, que em março de 1988 foi obrigado a renunciar devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas. Decreto ilegal e sem fundamento jurídico, entretanto muito aplaudido por líderes e órgãos comunistas, como o Izvestia (edição de 20-11-1984) [foto ao lado], órgão oficial do governo da URSS, e a revista cubana Bohemia (de 7-12-1984), vinculada ao Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.
Devido
ao fechamento da entidade coirmã da TFP, seus membros foram obrigados a deixar
a Venezuela, a fim de não serem perseguidos e presos por ordem do governo
socialista. Em 15-5-1986, o Judiciário emitiu sentença definitiva exarando como
carentes de fundamento as acusações assacadas contra a TFP (vide no final deste artigo) comunicado que Catolicismo publicou
em sua edição de dezembro de 1984).
Encerrando
esta parte do artigo, levanta-se uma pergunta: se as atividades anticomunistas
da TFP na Venezuela não tivessem sido proibidas, e assim silenciada sua voz,
teria o país sido tomado por líderes marxistas, que o arruinaram tão
profundamente como estamos vendo hoje? Muitos afirmaram que, para se implantar ali
um regime comunista, antes seria preciso ‘cancelar’ a TFP.
A
atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez (apelidada la czarina, devido ao seu imenso poder),
manifestou-se contra a TFP, apesar de a entidade estar ausente do país desde seu
injusto fechamento em 1984. Falando na Assembleia Nacional Venezuelana em 3 de
abril de 2024, contra aqueles que ela considera “fascistas” — e que criticam o
governo Maduro —, atacou sem nenhum fundamento a TFP da Venezuela: “Havia [referindo-se a 1984] a chamada seita Tradição, Família e
Propriedade (TFP), composta por jovens membros de famílias anticomunistas ricas
da Venezuela, de ascendência e sobrenomes, onde era realizado treinamento
paramilitar, e que foi finalmente proibida pelo então presidente da República
Luis Herrera Campíns”(sic).7
Ela
se enganou no que diz respeito à TFP, como também quanto ao presidente da
República na época. Em novembro de 1984, quando a TFP na Venezuela foi
proibida, o presidente não era Luis Herrera Campíns, mas sim o socialista Jaime
Lusinchi.
A Sra. Rodríguez repetiu o
mesmo que anos atrás também disseram contra a TFP os ditadores Hugo Chávez e
Nicolás Maduro. Não vou reproduzi-las aqui, mas os que desejarem conhecer
melhor esse ‘estrondo publicitário’ podem vê-lo nos links abaixo.8 e 9
| La Virgen de Coromoto, la Reina y Patrona de Venezuela [Foto PRC] |
Queira Nossa Senhora de
Coromoto — que no terceiro centenário de sua aparição (celebrado em 1952) foi
coroada Rainha e Padroeira da Venezuela — interceder pelos seus sofridos filhos
venezuelanos, dando-lhes forças para resistir à narco-ditadura marxista, agora
com nova face. Que o povo venezuelano consiga reconstruir a nação, salvando-a
do regime de terror iniciado por Lusinchi, agravado por Chávez e Maduro. E que
Ela também nos ajude a resistir aos “erros
do comunismo espalhados pelo mundo”, a fim de a desgraça que arruinou a
Venezuela não venha a se repetir no Brasil.
____________
Notas:
1.
https://catolicismo.com.br/acervo/num/0885/P01.html
6.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/18/lula-artigo-eua-venezuela-nyt.ghtml
7.
https://diariolajornada.com/?p=148335
8.
https://catolicismo.com.br/acervo/num/0408/P06-07.html
EM 1984, O FECHAMENTO DA ENTIDADE VENEZUELANA COIRMÃ DAS TFPs
Perseguição ideológico-religiosa na Venezuela.
Nuvem negra baixa sobre o país irmão
Fonte: Catolicismo, Nº 408,
dezembro/1984
A
DIREÇÃO nacional da Ação Democrática (AD) (partido governamental filiado à
Internacional Socialista) deliberou ontem, por unanimidade, pedir ao Presidente
da República da Venezuela que cancele o funcionamento da "Associação Civil
Resistência".
Esta
última é uma entidade conhecida em todo o país, pois há vários anos vem
prestando, dentro da ordem e da lei, os mais insignes serviços para a
preservação daquela nação contra o socialismo e o comunismo, por meio do
estímulo aos valores da tradição, família e propriedade.
Com
essa atitude, a AD tenta arrancar o caso da decisão do Judiciário e pôr ponto
final arbitrariamente a uma longa perseguição ideológico-religiosa cujos
numerosos lances abaixo se descreverão sumariamente.
Está,
assim, prestes a baixar uma negra nuvem de tirania e de perseguição sobre a
nação irmã, cujas liberdades começam a ser calcadas aos pés por motivos
iniludivelmente ideológicos.
* * *
Com
efeito, a partir de 6 de outubro [de 1984], uma torrencial campanha
publicitária começou a se desenvolver simultaneamente contra
"Resistência" pelas colunas de todos os jornais caraquenhos.
Distorções, difamações, calúnias que procuravam envolver, com
"Resistência", o conjunto das organizações TFP [Tradição, Família e
Propriedade], passaram a ser veiculadas pela imprensa e pelas TVs. E com os
mesmos modos sofisticados de certa propaganda difamatória moderna: imputações
berrantes e todas elas carentes de provas, repetidas em meio a uma zoeira
incessante, hipervalorização dos fatos insignificantes.
Se
necessário, de tudo isto será informada mais pormenorizadamente, e em tempo
oportuno, a nação brasileira.
Desta
orquestração publicitária ensurdecedora se retirou logo de início o maior e
mais conceituado quotidiano venezuelano, "El Universal", o qual vem
mantendo atitude exemplar, imparcial no assunto.
Qual
a origem dessa ação publicitária, em cuja dianteira figuram fogosamente,
desde o início, os órgãos de informação das principais correntes
socialistas, e o boletim oficial do PC do país?
A
pergunta, que um número cada vez maior de venezuelanos vinha se pondo, começou
a encontrar resposta quando, no dia 15 de outubro, os deputados José Antonio
Martínez, do Movimento Eleitoral do Povo
(socialista), e Henrique Ochoa Antich, do Movimento
para o Socialismo, pediram que a Comissão de Política Interior da Câmara
dos Deputados apurasse a realidade das versões veiculadas contra
"Resistência" pela imprensa e pela televisão.
Certa
de sua inteira inocência, a entidade assim visada declarou pela imprensa, logo
depois de aprovada a investigação pela Comissão da Câmara, que colaboraria de
bom grado com esta para a apuração da verdade.
Mas,
logo desde a primeira — e até aqui única — reunião da referida
comissão, ficou claro que "Resistência" não estava diante de um órgão
voltado a investigar, mas sim a perseguir.
Com
efeito, o deputado socialista David Moralles Bello, presidente da Comissão,
abriu os trabalhos dela com a leitura de um violento libelo de acusação contra
"Resistência". Os demais componentes da mesa da Comissão eram
absolutamente solidários com a atitude do Sr. Moralles Bello. E quando o Sr.
José Rodríguez Iturbe, deputado democrata-cristão, se levantou para pedir que
fosse examinado antes de tudo se havia provas dos fatos
alegados contra "Resistência", e quais deles eram ilegais,
esta proposta proba e de bom senso elementar foi acolhida agressivamente pela
mesa, do que se originou até um incidente.
Justamente
receosa dos resultados a que pudesse chegar uma Comissão de Inquérito desse
naipe, "Resistência" se valeu de um recurso que o Processo Penal do
país lhe faculta. Isto é, "Resistência" requereu ao Poder Judiciário
que abrisse uma completa investigação sobre suas atividades. Assim,
um poder apolítico e imparcial, por definição, iria julgar das provas — ainda não
mencionadas por ninguém — e da pretensa ilegalidade das ações de
"Resistência". Mais límpida, mais honesta, mais pacífica a
ação da entidade não poderia ser.
Pelo
contrário, mais agressiva e mais arbitrária não poderia ser a atitude do
socialismo reinante na Venezuela. É o momento de dizer uma palavra sobre este.
*
As
eleições de dezembro de 1983 deram a maioria à Ação Democrática (AD), partido
filiado à Internacional Socialista. Esta última tem, aliás, em Caracas, uma
sede ativa.
Em
consequência do voto socialista majoritário, a representação parlamentar da AD
— acrescida de pequenas bancadas de outras correntes socialistas e de
representantes do PC — ficou com a maioria no Legislativo. Foi eleito também o
candidato da AD à presidência da República, Sr. Jaime Lusinchi. E o seu
ministério também pertence à AD. A esquerda socialista domina o país.
Não espanta, pois, que, mesmo antes de instalada a investigação parlamentar, já
os ministros do Interior e da Justiça tivessem feito declarações (aliás
espantosamente inconsistentes do ponto de vista legal) contra
"Resistência".
Igualmente
não espanta que, também anteriormente à investigação parlamentar, houvesse sido
aberta, por iniciativa do Ministério Público, uma ação penal contra
"Resistência" por acusações rocambolescas, como sequestro, lavagem
cerebral, uso de drogas etc.
Esta
ação, comportando longos interrogatórios de estilo nazicomunista, que
constituíam clara tortura moral, evidentemente não deu em nada.
No
dia 12 do corrente [novembro de 1984], a "Fiscalía", ou seja, o
Ministério Público, iniciou, pois, outra ação análoga.
Como
acaba de ser dito, havia duas ações judiciais em curso, uma de iniciativa de
"Resistência" e outra do Ministério Público, quando, na manhã de
hoje, os jornais caraquenhos deram uma notícia espantosa. Com o efeito evidente
de arrancar a matéria ao Poder Judiciário, a direção nacional da Ação
Democrática majoritária e socialista, reunida no dia 12 do corrente, deliberou
por unanimidade de votos pedir ao Sr. Presidente da República que decretasse a
"proscrição" de "Resistência". Medida que
acarretaria o fechamento da sua sede, o sequestro de todos os bens que
ali se encontrassem, e a dispersão da entidade.
É
digno de nota que o pedido procedente dos arraiais políticos socialistas não consta
que tenha sido apoiado por uma só entidade política com expressão na sociedade
venezuelana. Com exceção de três sacerdotes aggiornati e de um
grupo cerrado de 5 ou 6 casais com filhos maiores de idade inscritos em
"Resistência". Este grupo, uma minoria de dez por cento do total dos
pais com filhos na entidade, desde o começo agiu em exata sincronia com os
líderes socialistas. E, ideologicamente opostos a "Resistência",
faziam a esta críticas sem consistência jurídica nem científica do bem conhecido
gênero "lavagem cerebral", "seita" etc.
Segundo
as TVs e rádios estão anunciando com insistência na Capital venezuelana, de um
momento para outro o chefe de Estado poderia tomar essa medida. E à margem do
Judiciário.
Considerada
em seu conjunto esta dramática sucessão de fatos, importa notar um aspecto,
quer do estrondo [publicitário], quer dos debates da Comissão de
Investigação. E o realce ímpar dado pelos adversários de
"Resistência" às acusações de caráter religioso levantadas
contra a entidade. Antes de tudo, esta imputação tipicamente novelesca: que
membros da mais alta aristocracia europeia, entre os quais o príncipe alemão de
Thurnund Taxis, o arquiduque Otto de Habsburgo e os príncipes da Casa de
Bragança (ramo português e ramo brasileiro) haviam maquinado as tentativas de
assassinato contra João Paulo II na Praça de São Pedro e em Fátima.
"Resistência" era apontada como longa manus dessas
personalidades, e tramava um atentado sacrílego contra João Paulo lI,
proximamente em visita à Venezuela!
Ademais,
"Resistência" era fortemente interrogada sobre sua posição perante o
Concílio Vaticano II, as reformas litúrgicas estabelecidas por este, o
movimento renovatório da Igreja pós-conciliar. Era evidente o propósito
de perseguir com tudo isto elementos tradicionais da Igreja, dando,
entretanto, livre curso aos elementos progressistas.
Ora,
num Estado separado da Igreja, como o é o da Venezuela, tais perguntas
extrapolam evidentemente do quadro legal, e conferem a toda
esta perseguição contra "Resistência" o caráter de uma perseguição que,
além de nitidamente ideológica (socialismo versus antissocialismo), é
também religiosa.
No
momento em que esta nota é redigida, o que se sabe pela imprensa é que a
direção da AD foi, incorporada, ao chefe de Estado para pedir-lhe que consume
a tenebrosa ação persecutória, silenciando o judiciário, e chamando a si a
imolação arbitrária de "Resistência".
*
Diante
deste fato, a TFP brasileira não vê meios senão denunciar que a tirania
socialista vai baixando sobre a Venezuela como uma densa nuvem escura. Um ato
persecutório atrai sempre outros: "Um abismo clama por outro abismo",
diz a Escritura (Ps. 41, 8).
À
maneira de seu malogrado e querido amigo Salvador Allende, é de temer que o Sr.
Jaime Lusinchi aceda às instâncias do partido que o elegeu, e que seja levado
pelo curso dos fatos a fazer cessar outras e depois mais outras oposições.
A
experiência socialista mostra que, na América do Sul, ela é inseparável de um
clima de suspeitas, de intolerância e de perseguição.
Protestando
ante Deus e ante Nossa Senhora de Guadalupe, Patrona das três Américas, contra
esta perseguição ideológico-religiosa de que "Resistência" está sendo
objeto, a TFP brasileira alerta para tal a consciência de quantos costumam
erguer-se indignados, sempre que consideram ter sido violado um direito humano
em pessoas de esquerda. Homens os há, tanto na esquerda, quanto no centro ou na
direita. É de esperar que a tutela dos direitos humanos não lhes seja menos
cara quando são perseguidos os que são de direita, como os beneméritos jovens
de "Resistência".
São Paulo, 13 de novembro de 1984
Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor de Imprensa da TFP
















