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| No Brasil, o número de pessoas tatuadas alastrou-se como uma epidemia nos últimos anos. O que vem causando danos irreparáveis. |
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| No Brasil, o número de pessoas tatuadas alastrou-se como uma epidemia nos últimos anos. O que vem causando danos irreparáveis. |
· ✅ Paulo
Henrique Américo de Araújo
Convido o leitor a acompanhar-me numa visita ao
chamado relicário da América: o pequeno e magnífico Equador. Percorramos juntos
as ruas estreitas e pitorescas do centro histórico da capital, Quito. A algumas
quadras atrás da imponente igreja de São Francisco, deparamo-nos com a singela igreja
de São Roque, quase esquecida em meio a tantos outros santuários famosos da
cidade. Mas não a ignoremos, entremos... Ali, num altar à esquerda da nave
central há uma pintura da Mãe de Deus, ao mesmo tempo tão pequena e magnífica
como o próprio país que a abriga. Nossos olhos se erguem com encanto ao contemplarmos
Nossa Senhora “La Borradora”, isto é, “aquela que apaga”.
Ajoelhamos e rezamos a Ave-Maria diante da belíssima
figura da Virgem que nos sorri. Ela mostra o braço direito estendido com o
rosário na mão e traz no esquerdo seu Filho Divino que curiosamente inclina-se
para o lado, segurando um cordão. Mais abaixo, São Domingos e São Francisco em
atitude de oração, completam a cena. Uma exclamação quase instintiva nos vêm
aos lábios: “Não é ela muito parecida com a milagrosa pintura de Nossa Senhora
de Las Lajas, na Colômbia?* Será uma cópia dela?” Um simpático equatoriano que
se encontrava ali, ao pé do altar, ouve nossas interrogações e nos conta a
seguinte história.
Dizem que Frei Pedro Bedón, dominicano, nascido no
final do século XVI, é o autor do quadro da “Borradora” de Quito. Se é verdadeira
a autoria, temos um problema: o frade teria pintado a imagem equatoriana por
volta de 1610, porém a aparição de Nossa Senhora de Las Lajas se deu em 1754,
mais de um século depois! Sabemos que a imagem colombiana é milagrosa, cravada
na rocha [vide Catolicismo, fevereiro/2001, p. 48]. Será que Nossa Senhora
quis “pintar” sua imagem de Las Lajas na Colômbia “copiando” os mesmos
traços da já existente Virgem “Borradora” de Quito? Ou simplesmente há um
equívoco sobre a autoria atribuída a Frei Bedón? E “La Borradora” é uma
pintura posterior, copiada de “Las Lajas”?
Ficamos perplexos ao ouvir nosso gentil narrador chegar
a esse impasse. Ele não podia, nem tinha a intenção de dar solução para o caso.
Mas convidou-nos a deixar de lado o problema histórico e voltarmos a atenção aos
fatos que tornarama pintura de Nossa Senhora “La Borradora” tão
venerada ali.
Igreja de São Roque, em Quito,
onde se encontra
o altar
da Virgem “Borradora”
A mudançada Virgem do Rosário (título original) para
“aquela que apaga” ocorreu ainda nos tempos da América colonial. Em 1628, um indígena
foi acusado de assassinato. O pobre homem negou insistentemente a
responsabilidade pelo crime, mas os juízes o condenaram à morte. Na capela da
prisão em Quito encontrava-se uma pintura da Virgem do Rosário, a quem o índio
pediu intercessão para livrá-lo daquela aflição.
Na manhã da execução, ele foi escoltado por guardas à
praça onde o cadafalso já tinha sido erguido. Mas a Boníssima Senhora atendeu-lhe
o pedido de socorro de forma inesperada e engenhosa: quando o notário estava
prestes a ler a sentença e prosseguir para sua execução, descobriu que os
documentos que deveriam ter as assinaturas dos juízes estavam em branco. A pena
de morte foi suspensa e o juiz marcou uma nova data para a conclusão do
processo.
O índio foi libertado e em agradecimento, pediu para
cuidar da capela de Nossa Senhora localizada na prisão. Após sua morte, ele foi
enterrado aos pés “d’Aquela que apaga”. Histórias populares mencionam que, até
o final do século XIX, o crânio do índio devoto ainda podia ser visto em frente
à imagem da Virgem.
Em 1895 o quadro foi trasladado para a igreja de São Roque, no centro de Quito. Para lá acorrem todos os dias os devotos necessitados a implorar para que se “apaguem” certos documentos judiciais pelos quais poderiam acabar na prisão! Existem inúmeros testemunhos de como Ela tem ajudado os que lhe pedem soluções em julgamentos ou processos judiciais. Segundo os devotos, não há dúvida, Nossa Senhora é a melhor advogada do mundo!
Ouvimos atentos e admirados o fim da história
contada pelo equatoriano. Ajoelhamos mais uma vez diante da bela imagem da Mãe
de Deus e pedimos que Ela nos perdoe e “apague” os nossos pecados diante de seu
Divino Filho. Sim! Mesmo que não tenhamos sentenças judiciais contra nós, ainda
temos que pedir a Ela que nos salve, pois é por Ela que nos chegam todas as
graças de Deus, sobretudo aquelas que nos livram da condenação eterna, e que,
por fim, nos conduzem ao Paraíso.
Deixamos a igreja de São Roque encantados com esta
magnífica manifestação da bondade maternal de Maria. Então nos despedimos, caro
leitor. Prometo rezar por ti à Virgem “que apaga nossos pecados” e peço
que faça o mesmo por mim.
____________
Referências:
https://www.lahora.com.ec/archivo/La-Borradora-una-Virgen-de-nombre-singular-20190602-0008.html
https://cambiocolombia.com/los-danieles/articulo/2024/9/la-virgen-borradora/
https://revistamundodiners.com/virgen-san-roque-borra-pecados/
*
Referimo-nos a Nossa Senhora de Las Lajas como estando hoje no território da
Colômbia. Mas no século XVIII, a região onde se deu a aparição fazia parte do
atual território equatoriano.
Fonte: Revista Catolicismo, Nº
903, abril/2026
✅ Paulo
Roberto Campos
Da grandiosa e bela perspectiva de Fátima, com as
promessas proferidas por Nossa Senhora — carregadas de muitas esperanças, mas
também de sérias advertências à humanidade pecadora —, esta revista tem- se
ocupado com certa frequência. Tratando, por exemplo, do castigo previsto, da
consagração e conversão do mundo, e do Reino de Maria preanunciado por Ela.
Mas para a edição deste mês, e em memória da sua
primeira aparição aos três pastorinhos em 13 de maio de 1917, pediram-nos para
expor outro ponto também central nas revelações de Fátima: A prática da Comunhão Reparadora dos cinco primeiros
sábados seguidos.
100 anos se passaram da maternal recomendação dessa
prática. Entretanto, ainda hoje, ela é pouco conhecida. Grande parte dessa
ignorância é de responsabilidade do clero progressista, vinculado à teologia da libertação, que não prega a
respeito, fazendo ouvidos moucos aos pedidos implorados em Fátima pela
Santíssima Virgem. Quantos já ouviram algum sermão tratando dessa tão
importante prática? É de se contar nos dedos...
No que consiste essa devoção? Quais as condições para
cumpri-la? Que graças recebem os devotos? Trata-se de um pedido expresso da
Santa Mãe de Deus?
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| Jacinta, Lúcia e Francisco, em 13 de outubro de 1917 |
Pedidos
não inteiramente atendidos
Na terceira aparição de Nossa Senhora aos pequenos
pastores — Lúcia (então com 10 anos) e seus primos Francisco (9 anos) e Jacinta
(7 anos) —, em 13 de julho de 1917 na Cova da Iria (aldeia portuguesa de
Aljustrel, na região de Fátima), após proporcionar-lhes uma terrificante visão
da Geena de tormentos eternos1,
Ela disse: “Vistes o inferno, para onde
vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.”2
Na mesma aparição, Ela afirmou que a guerra (o
primeiro conflito mundial, de 1914 a 1918) iria acabar, mas “se não deixarem de ofender a Deus, no
reinado de Pio XI começará outra pior”.3
E ainda profetizou que Deus “vai punir o
mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e
ao Santo Padre”.
Em seguida, Nossa Senhora sublinhou:
“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.4”

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, junto a Lúcia postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia,
em Pontevedra, Espanha.
Perseguições
aos bons católicos
O primeiro pedido da Santa Mãe de Deus
(a consagração da Rússia, que deveria ter sido feita de modo solene e em união
com todos os bispos do mundo) não foi adequadamente atendido — nem quanto às
condições, nem quanto ao prazo. Como já se tratou desta questão em edições
anteriores, aqui apenas recomendamos o best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã
Lúcia — publicado em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — de
autoria do célebre fatimólogo Antonio Augusto Borelli Machado (link abaixo).5
E, por isso, a Rússia ainda não se converteu e
continua espalhando os erros da doutrina comunista pelos quatro cantos da
Terra. Em poucas palavras, os erros que mais saltam aos olhos são o
materialismo e o ateísmo; o igualitarismo e a revolta nas relações sociais; as
blasfêmias, profanações e sacrilégios; o desprezo e/ou ultraje ao catolicismo;
a imoralidade, a prática do aborto e da eutanásia, do divórcio, até mesmo a
abolição do sacramento do matrimônio e relações antinaturais. A impiedade
avassaladora grassa por toda parte.
Impõe-se aqui uma palavra sobre o seguinte
prognóstico de Nossa Senhora: “Os bons
serão martirizados.” A respeito, basta ler o noticiário para perceber o
quanto os bons são perseguidos, por exemplo, se eles desejam levar uma vida de
acordo com a moral católica ou manifestem desacordo com as leis imorais. Isto a
tal ponto que, em certos países, leis revolucionárias e sumamente iníquas, tacham
de crime quem defende algumas verdades católicas, o que pode levar o defensor à
prisão.
Também no noticiário percebemos o martírio de
católicos em países islâmicos, o que aumenta ainda mais com as atuais guerras
no Oriente Médio; sem falar do que já temos aqui tratado no tocante às
“perseguições à Igreja” e ao seu “processo
de autodemolição”, que tanto penaliza os bons católicos devido à “fumaça de Satanás que entrou no templo de
Deus”, como afirmou Paulo VI em 1972.
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| Representação da aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus a Lúcia, em Pontevedra, Espanha. |
Transcorreu-se
um século do pedido de reparação
Quanto ao segundo pedido (comunhão
reparadora nos primeiros sábados), quem ousaria garantir que essa santa prática
é uma devoção generalizada pelo mundo inteiro? E quem garantiria que grande
parte dos católicos já a cumpriram? Tudo leva a crer que ambas as respostas
seriam negativas...
É a respeito desse segundo pedido que
passaremos a expor mais pormenorizadamente. Antes, porém, é bom que se diga que
essa devoção de extrema importância foi aprovada oficialmente em 13 de setembro
de 1939, por Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, de 1920
até sua morte em 1957.
Além do pedido feito em 1917 por Nossa Senhora em
Fátima, como acima referido, essa magnífica devoção cordimariana está
documentada sobretudo nos escritos da própria Irmã Lúcia, especialmente nas
suas memórias e em cartas, nas quais nos baseamos.
Maria Santíssima voltou a insistir nessa devoção
oito anos após as aparições na Cova da Iria. No dia 10 de dezembro de 1925 (portanto,
há 100 anos), Ela apareceu à Irmã Lúcia — então com 18 anos de idade e única
sobrevivente dos confidentes de Fátima —, enquanto religiosa postulante no
convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha.
Hoje esse convento é conhecido como Santuário
das Aparições.
Quando a Irmã Lúcia estava em sua cela no convento,
deu-se a aparição. Em seus braços, Nossa Senhora portava o Menino Jesus envolto
numa nuvem luminosa, que dirigindo-se a Lúcia e “pondo-lhe uma das mãos ao ombro, mostrou-lhe um Coração rodeado de
espinhos, que tinha na outra mão. O
Menino Jesus, apontando para ele, exortou a vidente com as seguintes palavras: ‘Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe,
que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe
cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.”
Em seguida, a Santíssima Virgem tomou a palavra, acrescentando:
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Ayres da Fonseca, pp. 350-351; Thomas Walsh, p. 196; Pe. de Marchi, ed. em inglês, pp. 152-153; Pe. Antonio de Almeida Fazenda S.J., pp. X-XI).6
Aplainando
certas dificuldades
No ano seguinte, nova e maternal
insistência nessa devoção de capital importância. No dia 15 de fevereiro de
1926, o Menino Jesus volta a aparecer à Irmã Lúcia, no mesmo convento das Irmãs
Doroteias. Quando estava no jardim, fazendo um trabalho de limpeza, ela viu uma
criança, com a qual conversou. Esta, repentinamente, ficou resplandecente e
perguntou “Você revelou ao mundo o que a
Mãe Celestial lhe pediu?”.
Neste momento, Lúcia reconheceu que era o Menino Jesus, que a repreendia por não fazer mais a fim de divulgar a devoção dos Primeiros Sábados.
“A vidente dá conta de dificuldades apresentadas pelo confessor, e explica que a Superiora estava pronta a propagá-la, mas que aquele Sacerdote havia dito que sozinha a Madre nada podia. Jesus respondeu: — ‘É verdade que a tua Superiora só nada pode, mas com a minha graça pode tudo’. A Irmã Lúcia expôs a dificuldade de algumas pessoas de se confessarem no sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu: — ‘Sim, pode ser de muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria’. A Irmã Lúcia ainda levantou a hipótese de alguém se esquecer de formar a intenção ao confessar-se, ao que Nosso Senhor respondeu: — ‘Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar’”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Fazenda, pp. XI XII; Ayres da Fonseca, p. 351; De Marchi, ed. em inglês, p. 153).7
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Providencial
insistência no pedido
Estando a Irmã Lúcia em Tuy (cidade espanhola
na fronteira com Portugal), em outro convento das Irmãs Doroteias, em 1929, a
Santíssima Virgem favoreceu-lhe com outra aparição persistindo na difusão da
devoção das Comunhões Reparadoras dos
pecados que se cometem contra Ela, como pedido em Pontevedra: “Tantas são as almas que a justiça de Deus
condena pelos pecados cometidos contra mim, que venho pedir reparação.
Sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.”
Com nossos sacrifícios e orações,
podemos repará-La e podemos ajudar na salvação de muitas outras almas
pecadoras. É o que a Igreja ensina e que consta no 9º artigo do Credo “Creio na comunhão dos santos”, não
apenas no sentido daqueles santos que foram canonizados, mas de todos os fiéis
unidos a Nosso Senhor. Entre todos nós — como fazendo parte de uma ‘congregação’
de todos os batizados — há uma como que ‘circulação’ de bens espirituais que pelos
méritos d´Ele, as orações de uns podem favorecer outros de nossos irmãos na Fé.
Donde o referido pedido de reparação: comungando e rezando reparamos os pecados
cometidos por outros que ultrajam Nossa Senhora. Assim nos beneficiamos todos
mutuamente.
A
guerra poderia ter sido evitada
De tal modo Nosso Senhor Jesus Cristo
deseja que se difunda essa devoção em desagravo à Sua Mãe Santíssima, que
facilitou ainda mais os meios para cumpri-la. Na vigília de 29 para 30 de maio
de 1930, Ele, falando interiormente à Irmã Lúcia, resolveu ainda outra
dificuldade: “Será igualmente aceita a
prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus
Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas” (Cf. Memórias
e Cartas da Irmã Lúcia, Composição e impressão de Simão Guimarães, Filhos,
Ltda. — Depositária: L. E. — Porto, 1973, p. 410).
Em carta, naquele mesmo dia, ao seu confessor, então o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., a Irmã Lúcia relata que Nosso Senhor, tendo-lhe feito sentir no fundo do coração a sua Divina Presença, instou-lhe a pedir ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos Primeiros Sábados. São palavras da vidente:
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 404).
“Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora”
Em outra carta ao mesmo confessor, a Irmã Lúcia
reafirmou “A confissão pode ser feita
dentro de oito dias, com tal que se esteja em graça no primeiro sábado, e se
tenha a intenção de reparar.”
Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra
Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser
evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados. Numa delas, datada de 19 de março de 1939, ela
escreveu: “Guerra ou paz no mundo depende
da prática dessa devoção, juntamente com a consagração ao Imaculado Coração de
Maria.”
A
certeza da graça da boa morte
Já em 1940, a Irmã Lúcia, em sua primeira carta
dirigida ao Papa Pio XII, escrevera: “Pediu
[Nossa Senhora] que se propagasse no mundo a Comunhão Reparadora nos primeiros
Sábados de cinco meses seguidos, fazendo com o mesmo fim uma confissão, um
quarto de hora de meditação sobre os mistérios do Rosário e rezando um terço
com o fim de reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidos contra o
seu Imaculado Coração. Às pessoas que praticarem esta devoção, promete a Nossa
boa Mãe do Céu, assistir na hora da morte com todas as graças necessárias para
se salvarem”.8
É interessante notar que ninguém, nem
mesmo as almas mais santas, tem a certeza de que irão para o Céu; entretanto,
cumprindo-se perfeitamente os mencionados atos de piedade, como pedido por
Nossa Senhora, a pessoa pode ter a certeza da assistência espiritual para uma
boa morte. Isto se deve ao enorme poder de intercessão d’Elajunto a Deus, como Medianeira Universal de todas as graças.
Fátima
e devoção ao Imaculado Coração de Maria
Como vimos até aqui, são uma constante
as referências e vinculações entre a prática das Comunhões Reparadoras com a devoção de desagravo ao Imaculado
Coração de Maria. Fátima e essa sublime devoção são inseparáveis.
Não desenvolveremos aqui este binômio inseparável,
pois em artigos já publicados, sobretudo de Plinio Corrêa de Oliveira, a
temática já foi largamente exposta. Entretanto, apenas para rememorar, eis
alguns pontos defendidos em tais artigos: evidenciam que as revelações de
Fátima não podem ser compreendidas senão à luz da devoção ao Imaculado Coração
de Maria. Tentar separar esses temas tão intimamente ligados seria desfigurar o
plano de Deus relacionado a Fátima e mutilar seu plano quanto à salvação do
mundo, pois ambos os temas se completam e se explicam reciprocamente. Fátima
conduz ao Imaculado Coração, e o Imaculado Coração explica Fátima.
Confirmando esta tese,
que nos é muito cara, eis um só exemplo:
Na segunda aparição de Nossa Senhora,
em 13 de junho de 1917, depois de algum diálogo com as três crianças, às quais
confiou alguns segredos, Ela ouviu um pedido expresso por Lúcia:
— “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.
— “Sim — responde a Virgem Santíssima — à
Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo.
Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A
quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como
flores postas por mim a adornar o seu trono”.
— “Fico cá sozinha?” — perguntou, um
pouco assustada.
—
“Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.
Após estas últimas
palavras, nessa terceira aparição, Lúcia narrou o que viu:
“A
Virgem abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo da luz imensa
que nos envolvia. Nela nos vimos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o
Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na
que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa
Senhora estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam.
Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que queria reparação”.9
Síntese
dos pontos essenciais
Resumindo, convém acentuar que a todos
aqueles que praticarem essa devoção das Comunhões
Reparadoras, Nossa Senhora garante a graça da perseverança final, ou seja,
uma boa morte e a salvação eterna. É bom recordar que a CONFISSÃO pode ser feita no mesmo dia ou até oito dias antes ou
depois10; a COMUNHÃO deve ser feita no próprio
primeiro sábado e em estado de graça [vide quadro abaixo]; o TERÇO deve ser rezado no mesmo dia
(podem ser tanto os mistérios gozosos quanto os dolorosos ou gloriosos [vide
quadro no final]; a MEDITAÇÃO de 15
minutos, também no mesmo dia, pode ser sobre um dos 15 mistérios, sobre alguns
deles ou a respeito de todos — o que seria difícil, pois sobraria apenas um
minuto para cada mistério. Quando se fala de “Mistérios do Rosário” é no
sentido de acontecimentos revelados e narrados nas Sagradas Escrituras
relacionados à vida de Jesus. Tudo deve ser feito com a explícita intenção de
desagravar o Imaculado Coração de Maria, devido às ofensas que O atingem —
desagravar os pecados cometidos, não apenas os próprios, mas também aqueles
praticados por todo o gênero humano. Esta deve ser a principal motivação, e não
apenas a de receber graças.
Importante ressaltar: só se cumpre a
promessa caso seja repetida por cinco meses consecutivos. Se, por esquecimento
ou alguma outra razão, for interrompida, é necessário recomeçar do início, até
completar os cinco meses. Esse santo costume não se limita a ser feito apenas
uma vez na vida. Muito pelo contrário, quanto mais vezes o fizerem, melhor.
A Irmã Lúcia disse que numa das aparições Jesus lamentou o fato de que muitos começam a cumprir a promessa, mas a interrompem. Em 15 de fevereiro de 1926, Lúcia ouviu a seguinte lamentação d’Ele:
“É verdade, minha filha, que muitas almas começam os Primeiros Sábados, mas poucas os terminam, e aqueles que os completam o fazem para receber as graças prometidas. Agradar-me-ia mais se fizessem cinco com fervor e com a intenção de fazer reparações ao Coração de vossa Mãe celestial, do que se fizessem quinze de forma morna e indiferente.”
Para servir de lembrete
aos leitores que desejarem mensalmente consultar sobre as condições necessárias
para se cumprir a promessa dos Primeiros
Sábados, vide quadro mais abaixo.
“É
durante a noite que é belo acreditar na luz”
É uma tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, consagrar a Ela o sábado. Isto porque sua fé foi integral quando seu Divino Filho estava “morto e sepultado”. Todos duvidaram, até mesmo os Apóstolos, de que Ele ressuscitaria três dias após a Crucifixão (numa sexta-feira). Como profetizado, esse acontecimento impressionante e “impossível” ocorreria no Domingo de Páscoa.
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vês de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”
“A pessoa mais importante na Terra é uma mãe.
Ela não pode reivindicar para si a honra de ter construído uma Catedral como Notre Dame.
Ela não precisa.
Ela construiu algo muito mais magnífico que qualquer catedral — a morada para uma alma imortal, a pequena perfeição que é o corpo de seu filho.
Nem sequer os anjos foram dotados de tamanha graça.
Eles não podem partilhar do milagre criador de Deus, nem levar novos santos ao Paraíso.
Só uma mãe humana pode.
As mães estão mais perto de Deus Criador do que qualquer outra criatura.
Deus une esforços com as mães para executar esse ato da criação.
O que nesta boa Terra de Deus é mais glorioso do que isso: ser uma mãe?
(Cardeal Mindszenty)
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| Dr. José Maria Villalón, grande especialista em medicina desportiva e notável católico, pai de doze filhos, que é presidente da Federação Madrilenha de Famílias Numerosas. |
“A família está sendo muito atacada na sociedade atual. A Espanha vai caminhando para um ‘suicídio demográfico’. Há poucas ajudas diretas e indiretas à família e à maternidade, o melhor capital que tem uma sociedade. Chama muito a atenção que os responsáveis sócio-políticos não se dão conta disto”.
“Nasci numa família católica na qual me inculcaram a fé, e fui a colégios nos quais se viviam os valores cristãos. Esta foi uma grande bênção pela qual estou muito agradecido”.
“uma mulher íntegra e cristã, que sabe inculcar nos filhos a fé, e me renovou ainda mais. Com o matrimônio nasceu esta família com a qual nos embarcamos para chegar a bom porto [...] e que é um regalo do Céu”.
“os filhos vão chegando pouco a pouco. Primeiro tens um, e te parece um mundo. Mas aprendes coisas que te ajudam com o seguinte, e com o outro [...]. Pouco a pouco vais vendo o desígnio divino. Tenhas um filho ou doze, tens que abrir-lhes as portas quando Deus os envia. Ele é quem me abençoou com uma família numerosa. Sempre estivemos abertos à vida. Para mim, não há outra opção. Seja um filho ou doze, todos são bem-vindos”.
“Em casa, todos se ajudam. Há um momento em que teu filho mais velho se converte no padrinho do sexto: ajuda-o no estudo etc. Há muita contribuição dos filhos para que a dinâmica familiar funcione”.
“Quando um jogador entra pela porta com um problema, o primeiro que faço é encomendá-lo ao seu Anjo da Guarda” para que o inspire. Assim, “quando chegam à equipe, os acolhe e os ajuda em tudo o que podes. É um trabalho de estar ali que eles percebem e te agradecem, porque muitos não têm referentes na Espanha. [Por isso] os assessoras sobre que tipo de colégios podem enviar seus filhos, ou quando surge um problema médico também em sua família. De alguma maneira influencias em sua vida ao dar-lhes um conselho quando enfrentam alguma dificuldade”.
“é simples ver a Cristo nos enfermos. Muitos médicos muitas vezes vemos, no próximo, a essa pessoa que vais ajudar, ao necessitado de quem Jesus Cristo já dizia para dar de comer ao faminto, de beber ao sedento [...]. O que nós médicos tratamos de fazer diariamente é ajudar à pessoa que necessita”.
“Também a leitura de cada dia de algum texto espiritual ou dos santos Evangelhos”.
“Dou graças a Deus porque em minha vida de fé não tive grandes altos e baixos. Sempre há pessoas como os pacientes que te pedem ajuda, e com isso te impulsionam a perseverar na fé. Também a família, os filhos. A pessoa mesmo se vai formando quando trata de ser educador dos próprios filhos. Eu creio que não tenho tido altos e baixos porque meus pais me inculcaram a fé, a trabalharam todos os educadores que tive nos colégios e as pessoas que na minha vida me têm ajudado a que me fortaleça nesse caminho. Dou prioridade no caminho da fé à família, à minha mulher e filhos. Com uma atitude voluntariosa trato de perseverar na fé porque me dá energia para seguir vivendo com alegria”.
28 de abril é o dia fixado pela Santa Igreja para a festa litúrgica de São Luís Maria Grignion de Montfort, ardoroso missionário francês do século XVIII (o século de Luis XIV), doutor marial por excelência, nascido em 1673 e falecido no dia 28 de abril de 1716.
Entre suas numerosas profecias, uma que atrai especialmente a atenção foi o anúncio de uma Cristandade restaurada em todo seu esplendor — o Reino de Maria, como também previsto em Fátima.
Uma profecia feita há mais de 300 anos por por São Luís Grignion e que está registrada no seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (1712):
“Ah! quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? [...] Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo [...]. Quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino, ‘Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae’”*. (Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o vosso Reino - ou seja, o Reino de Jesus Cristo). [Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort, Editora Vozes, Petrópolis, 1961, VI edição, tópico 217, pp. 210-211].
A seguir, para marcar este grande dia de São Luís Maria Grignion de Montfort, transcrevo um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário” de 21 de outubro de 1945:
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
Como condição de vitória, sem se desprezar nem de leve as providências concretas, devemos contar essencialmente com os recursos sobrenaturais. A História demonstra que não há inimigos que vençam um país cristão que possua três devoções: ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora e ao Papa. Investigue-se bem a queda de nações aparentemente muito fervorosas em sua adesão à Igreja: alguma broca secreta as minava em uma dessas três virtudes-chave.
A vitória, pois, depende de nós. Tenhamos em dia nossa consciência, estejamos tranquilos em Deus, e venceremos.
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Isto explica o extraordinário relevo que damos a uma notícia apagada, que os jornais reproduziram há pouco: a canonização iminente do Bem-aventurado Luiz Maria Grignion de Montfort.
A notícia nada significa para o comum das pessoas. Ela significa tudo, para os que conhecem o verdadeiro fundo das coisas. A Providência resolveu jogar sua bomba atômica contra os adversários da Igreja. Perto desta bomba, as convulsões de Hiroshima e Nagasaki não passam de inocentes tremedeiras. Há dois séculos que está pronta a bomba atômica do Catolicismo. Quando ela explodir de fato, compreender-se-á toda a plenitude de sentido da palavra da Escritura: "Non est qui se abscondat a calore ejus" [Não há quem possa subtrair-se a seu calor].
Esta bomba se chama com um nome muito doce. É que as bombas da Igreja são bombas de Mãe. Chama-se O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Livrinho de pouco mais de 100 páginas. Nele, cada palavra, cada letra é um tesouro. Este o livro dos tempos novos que hão de vir.
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Nosso artigo já está por demais longo, para que demos um resumo biográfico da extraordinária vida desse Bem-aventurado. Não sei de nenhuma, que seja mais empolgante e mais edificante. O que em nosso assunto é essencial, em poucas palavras se diz.
O Beato Grignion de Montfort expõe em sua obra no que consiste a perfeita devoção dos fiéis a Nossa Senhora, a escravidão de amor dos verdadeiros católicos à Rainha do Céu. Ele nos mostra o papel fundamental da Mãe de Deus no Corpo Místico de Cristo e na vida espiritual de cada cristão. Ele nos ensina a viver nossa vida espiritual em consonância com essas verdades. E nos inicia em um processo tão sublime, tão doce, tão absolutamente maravilhoso e perfeito, de nos unirmos a Maria Santíssima, que nada há na literatura cristã de todos os séculos, que o exceda neste ponto.
Esta devoção, diz Grignion de Montfort, unindo o mundo a Nossa Senhora, uni-lo-á a Deus. No dia em que os homens conhecerem, apreciarem, viverem essa devoção, nesse dia Nossa Senhora reinará em todos os corações, e a face da Terra será renovada.
De que forma? Grignion de Montfort esclarece que seu livro suscitaria mil oposições, seria caluniado, escondido, negado; que sua doutrina seria difamada, ocultada, perseguida; que ela suscitaria automaticamente uma antipatia profunda nos que não têm o espírito da Igreja. Mas que um dia viria, em que os homens por fim compreenderiam sua obra. Nesse dia, escolhido por Deus, a restauração do Reino de Cristo estaria assegurada.
Durante séculos, a canonização do Beato Grignion vem caminhando. Por fim, ela chegou a seu termo. É absolutamente impossível que esse fato não tenha um nexo profundo com a dilatação da Verdadeira Devoção no mundo.
E, nós o repetimos, é essa Verdadeira Devoção a bomba atômica que, não para matar mas para ressuscitar, Deus pôs nas mãos da Igreja em previsão das amarguras deste século.
Pois bem, nosso otimismo é este: confiamos imensamente mais na bomba atômica de Grignion de Montfort, e em seu poder, do que nós receamos da ação devastadora de todas as forças humanas.