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Foto do milagroso
quadro original, pintura atribuída a São Lucas, atualmente venerado na Igreja
de Santo Afonso em Roma [Foto PRC] |
Blog da Família
26 de junho de 2026
NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
18 de junho de 2026
A BUSCA PELA PERFEIÇÃO
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| A Sagrada Família – Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682). Coleção Museu do Prado, Madri |
Todo católico deve tender a Deus, portanto tender à perfeição em todas as coisas; levar ao mais alto grau as nobres qualidades humanas; buscar a santidade.
Perfeita ordenação na Santa Casa de Loreto
Nobreza e Santidade
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| Retrato de Madame Clotilde de França – Johann J. Heinsius (1740-1812). Coleção Privada. |
Também o homem deve procurar a perfeição de modo esplêndido. Tanto quanto a natureza humana permite, procurar levar as qualidades ao mais alto grau. Esse é um nobre.
NOTA:* Marie Adelaide Clotilde Xavière de France (1759-1802), mais conhecida como Madame Clotilde, não deixou descendência. Seu esposo, o Rei Carlos Emanuel IV da Sardenha-Piemonte, após ser derrubado do trono em 1798 pelas tropas francesas do Diretório, passou por toda sorte de privações no exílio. A Princesa foi notável pela grande virtude e eminente piedade, muitos diziam dela, ainda em vida, que era uma santa. A exemplo de seus irmãos, sofreu as consequências nefastas da Revolução Francesa. Faleceu em Nápoles, onde está enterrada na Igreja de Santa Catarina a Chiaia. Pio VII, que a conheceu pessoalmente, declarou-a Venerável em 1808 e introduziu seu processo de beatificação. Em 11 de fevereiro de 1982, João Paulo II assinou o decreto proclamando a heroicidade de suas virtudes.
8 de junho de 2026
ANCHIETA, O APÓSTOLO DO BRASIL
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Estátua representando Anchieta escrevendo o “Poema à Virgem” numa das praias de Ubatuba
“Por Ti, Mãe, o pecador está firme na esperança, Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!""Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo, Jorrando água para a vida eterna!""Em Ti todos se refugiam dos inimigos que ameaçam.""Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança, Para que possa viver no Coração do meu Senhor!"[...]"Quem poderá louvar dignamente a Mãe daquele que tudo criou?"[...]"Brilhas acima dos astros, mais bela que a aurora nascente."[...]"Olha como os espinhos rasgam a cabeça sagrada do teu Filho."[...]"Que me consumam as saudades do Senhor, enquanto vivo longe da Pátria celeste."[...]"Guia-me, Virgem Santa, pelo mar revolto desta vida."[...]"Depois de Cristo, minha esperança, és Tu, ó dulcíssima Mãe."
5 de junho de 2026
TATUAGENS E A DITADURA DA MODA
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| No Brasil, o número de pessoas tatuadas alastrou-se como uma epidemia nos últimos anos. O que vem causando danos irreparáveis. |
Por que hoje é considerado normal o que ontem era tido como hediondo?
27 de maio de 2026
NOSSA SENHORA — “AQUELA QUE APAGA...”
· ✅ Paulo
Henrique Américo de Araújo
Convido o leitor a acompanhar-me numa visita ao
chamado relicário da América: o pequeno e magnífico Equador. Percorramos juntos
as ruas estreitas e pitorescas do centro histórico da capital, Quito. A algumas
quadras atrás da imponente igreja de São Francisco, deparamo-nos com a singela igreja
de São Roque, quase esquecida em meio a tantos outros santuários famosos da
cidade. Mas não a ignoremos, entremos... Ali, num altar à esquerda da nave
central há uma pintura da Mãe de Deus, ao mesmo tempo tão pequena e magnífica
como o próprio país que a abriga. Nossos olhos se erguem com encanto ao contemplarmos
Nossa Senhora “La Borradora”, isto é, “aquela que apaga”.
Ajoelhamos e rezamos a Ave-Maria diante da belíssima
figura da Virgem que nos sorri. Ela mostra o braço direito estendido com o
rosário na mão e traz no esquerdo seu Filho Divino que curiosamente inclina-se
para o lado, segurando um cordão. Mais abaixo, São Domingos e São Francisco em
atitude de oração, completam a cena. Uma exclamação quase instintiva nos vêm
aos lábios: “Não é ela muito parecida com a milagrosa pintura de Nossa Senhora
de Las Lajas, na Colômbia?* Será uma cópia dela?” Um simpático equatoriano que
se encontrava ali, ao pé do altar, ouve nossas interrogações e nos conta a
seguinte história.
Dizem que Frei Pedro Bedón, dominicano, nascido no
final do século XVI, é o autor do quadro da “Borradora” de Quito. Se é verdadeira
a autoria, temos um problema: o frade teria pintado a imagem equatoriana por
volta de 1610, porém a aparição de Nossa Senhora de Las Lajas se deu em 1754,
mais de um século depois! Sabemos que a imagem colombiana é milagrosa, cravada
na rocha [vide Catolicismo, fevereiro/2001, p. 48]. Será que Nossa Senhora
quis “pintar” sua imagem de Las Lajas na Colômbia “copiando” os mesmos
traços da já existente Virgem “Borradora” de Quito? Ou simplesmente há um
equívoco sobre a autoria atribuída a Frei Bedón? E “La Borradora” é uma
pintura posterior, copiada de “Las Lajas”?
Ficamos perplexos ao ouvir nosso gentil narrador chegar
a esse impasse. Ele não podia, nem tinha a intenção de dar solução para o caso.
Mas convidou-nos a deixar de lado o problema histórico e voltarmos a atenção aos
fatos que tornarama pintura de Nossa Senhora “La Borradora” tão
venerada ali.
Igreja de São Roque, em Quito,
onde se encontra
o altar
da Virgem “Borradora”
A mudançada Virgem do Rosário (título original) para
“aquela que apaga” ocorreu ainda nos tempos da América colonial. Em 1628, um indígena
foi acusado de assassinato. O pobre homem negou insistentemente a
responsabilidade pelo crime, mas os juízes o condenaram à morte. Na capela da
prisão em Quito encontrava-se uma pintura da Virgem do Rosário, a quem o índio
pediu intercessão para livrá-lo daquela aflição.
Na manhã da execução, ele foi escoltado por guardas à
praça onde o cadafalso já tinha sido erguido. Mas a Boníssima Senhora atendeu-lhe
o pedido de socorro de forma inesperada e engenhosa: quando o notário estava
prestes a ler a sentença e prosseguir para sua execução, descobriu que os
documentos que deveriam ter as assinaturas dos juízes estavam em branco. A pena
de morte foi suspensa e o juiz marcou uma nova data para a conclusão do
processo.
Mais uma vez os magistrados assinaram os papéis, novamente o suposto criminoso foi amarrado e — ah! surpresa — novamente as assinaturas tinham se apagado. Atônitos, os espectadores atribuíram o fenômeno a uma demonstração do poder daquela Virgem do Rosário, que passou a ser chamada de “La Borradora”, “aquela que apaga”. Tais eventos estão pintados numa cena localizada abaixo do quadro da “Borradora” [foto].
O índio foi libertado e em agradecimento, pediu para
cuidar da capela de Nossa Senhora localizada na prisão. Após sua morte, ele foi
enterrado aos pés “d’Aquela que apaga”. Histórias populares mencionam que, até
o final do século XIX, o crânio do índio devoto ainda podia ser visto em frente
à imagem da Virgem.
Em 1895 o quadro foi trasladado para a igreja de São Roque, no centro de Quito. Para lá acorrem todos os dias os devotos necessitados a implorar para que se “apaguem” certos documentos judiciais pelos quais poderiam acabar na prisão! Existem inúmeros testemunhos de como Ela tem ajudado os que lhe pedem soluções em julgamentos ou processos judiciais. Segundo os devotos, não há dúvida, Nossa Senhora é a melhor advogada do mundo!
Ouvimos atentos e admirados o fim da história
contada pelo equatoriano. Ajoelhamos mais uma vez diante da bela imagem da Mãe
de Deus e pedimos que Ela nos perdoe e “apague” os nossos pecados diante de seu
Divino Filho. Sim! Mesmo que não tenhamos sentenças judiciais contra nós, ainda
temos que pedir a Ela que nos salve, pois é por Ela que nos chegam todas as
graças de Deus, sobretudo aquelas que nos livram da condenação eterna, e que,
por fim, nos conduzem ao Paraíso.
Deixamos a igreja de São Roque encantados com esta
magnífica manifestação da bondade maternal de Maria. Então nos despedimos, caro
leitor. Prometo rezar por ti à Virgem “que apaga nossos pecados” e peço
que faça o mesmo por mim.
____________
Referências:
https://www.lahora.com.ec/archivo/La-Borradora-una-Virgen-de-nombre-singular-20190602-0008.html
https://cambiocolombia.com/los-danieles/articulo/2024/9/la-virgen-borradora/
https://revistamundodiners.com/virgen-san-roque-borra-pecados/
*
Referimo-nos a Nossa Senhora de Las Lajas como estando hoje no território da
Colômbia. Mas no século XVIII, a região onde se deu a aparição fazia parte do
atual território equatoriano.
Fonte: Revista Catolicismo, Nº
903, abril/2026
19 de maio de 2026
Miguel, coroinha paulista com síndrome de Down
16 de maio de 2026
Qualquer semelhança, não é mera coincidência
Uma sobrevida para Cuba
Segundo aviso dado pela irmã de Fidel, Juanita Castro, o comunismo cubano, apoiado em “manobras de alguns setores norte-americanos e latino-americanos” empenhados em impedir ou pelo menos retardar a libertação do povo cubano do marxismo, pensaria até mesmo, para aliviar a situação, em derrubar o periclitante ditador, substituindo-o por algum outro líder vermelho.
13 de maio de 2026
A grande promessa fatimista vinculada à Comunhão em reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Imaculado Coração de Maria
✅ Paulo
Roberto Campos
Da grandiosa e bela perspectiva de Fátima, com as
promessas proferidas por Nossa Senhora — carregadas de muitas esperanças, mas
também de sérias advertências à humanidade pecadora —, esta revista tem- se
ocupado com certa frequência. Tratando, por exemplo, do castigo previsto, da
consagração e conversão do mundo, e do Reino de Maria preanunciado por Ela.
Mas para a edição deste mês, e em memória da sua
primeira aparição aos três pastorinhos em 13 de maio de 1917, pediram-nos para
expor outro ponto também central nas revelações de Fátima: A prática da Comunhão Reparadora dos cinco primeiros
sábados seguidos.
100 anos se passaram da maternal recomendação dessa
prática. Entretanto, ainda hoje, ela é pouco conhecida. Grande parte dessa
ignorância é de responsabilidade do clero progressista, vinculado à teologia da libertação, que não prega a
respeito, fazendo ouvidos moucos aos pedidos implorados em Fátima pela
Santíssima Virgem. Quantos já ouviram algum sermão tratando dessa tão
importante prática? É de se contar nos dedos...
No que consiste essa devoção? Quais as condições para
cumpri-la? Que graças recebem os devotos? Trata-se de um pedido expresso da
Santa Mãe de Deus?
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| Jacinta, Lúcia e Francisco, em 13 de outubro de 1917 |
Pedidos
não inteiramente atendidos
Na terceira aparição de Nossa Senhora aos pequenos
pastores — Lúcia (então com 10 anos) e seus primos Francisco (9 anos) e Jacinta
(7 anos) —, em 13 de julho de 1917 na Cova da Iria (aldeia portuguesa de
Aljustrel, na região de Fátima), após proporcionar-lhes uma terrificante visão
da Geena de tormentos eternos1,
Ela disse: “Vistes o inferno, para onde
vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.”2
Na mesma aparição, Ela afirmou que a guerra (o
primeiro conflito mundial, de 1914 a 1918) iria acabar, mas “se não deixarem de ofender a Deus, no
reinado de Pio XI começará outra pior”.3
E ainda profetizou que Deus “vai punir o
mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e
ao Santo Padre”.
Em seguida, Nossa Senhora sublinhou:
“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.4”

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, junto a Lúcia postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia,
em Pontevedra, Espanha.
Perseguições
aos bons católicos
O primeiro pedido da Santa Mãe de Deus
(a consagração da Rússia, que deveria ter sido feita de modo solene e em união
com todos os bispos do mundo) não foi adequadamente atendido — nem quanto às
condições, nem quanto ao prazo. Como já se tratou desta questão em edições
anteriores, aqui apenas recomendamos o best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã
Lúcia — publicado em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — de
autoria do célebre fatimólogo Antonio Augusto Borelli Machado (link abaixo).5
E, por isso, a Rússia ainda não se converteu e
continua espalhando os erros da doutrina comunista pelos quatro cantos da
Terra. Em poucas palavras, os erros que mais saltam aos olhos são o
materialismo e o ateísmo; o igualitarismo e a revolta nas relações sociais; as
blasfêmias, profanações e sacrilégios; o desprezo e/ou ultraje ao catolicismo;
a imoralidade, a prática do aborto e da eutanásia, do divórcio, até mesmo a
abolição do sacramento do matrimônio e relações antinaturais. A impiedade
avassaladora grassa por toda parte.
Impõe-se aqui uma palavra sobre o seguinte
prognóstico de Nossa Senhora: “Os bons
serão martirizados.” A respeito, basta ler o noticiário para perceber o
quanto os bons são perseguidos, por exemplo, se eles desejam levar uma vida de
acordo com a moral católica ou manifestem desacordo com as leis imorais. Isto a
tal ponto que, em certos países, leis revolucionárias e sumamente iníquas, tacham
de crime quem defende algumas verdades católicas, o que pode levar o defensor à
prisão.
Também no noticiário percebemos o martírio de
católicos em países islâmicos, o que aumenta ainda mais com as atuais guerras
no Oriente Médio; sem falar do que já temos aqui tratado no tocante às
“perseguições à Igreja” e ao seu “processo
de autodemolição”, que tanto penaliza os bons católicos devido à “fumaça de Satanás que entrou no templo de
Deus”, como afirmou Paulo VI em 1972.
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| Representação da aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus a Lúcia, em Pontevedra, Espanha. |
Transcorreu-se
um século do pedido de reparação
Quanto ao segundo pedido (comunhão
reparadora nos primeiros sábados), quem ousaria garantir que essa santa prática
é uma devoção generalizada pelo mundo inteiro? E quem garantiria que grande
parte dos católicos já a cumpriram? Tudo leva a crer que ambas as respostas
seriam negativas...
É a respeito desse segundo pedido que
passaremos a expor mais pormenorizadamente. Antes, porém, é bom que se diga que
essa devoção de extrema importância foi aprovada oficialmente em 13 de setembro
de 1939, por Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, de 1920
até sua morte em 1957.
Além do pedido feito em 1917 por Nossa Senhora em
Fátima, como acima referido, essa magnífica devoção cordimariana está
documentada sobretudo nos escritos da própria Irmã Lúcia, especialmente nas
suas memórias e em cartas, nas quais nos baseamos.
Maria Santíssima voltou a insistir nessa devoção
oito anos após as aparições na Cova da Iria. No dia 10 de dezembro de 1925 (portanto,
há 100 anos), Ela apareceu à Irmã Lúcia — então com 18 anos de idade e única
sobrevivente dos confidentes de Fátima —, enquanto religiosa postulante no
convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha.
Hoje esse convento é conhecido como Santuário
das Aparições.
Quando a Irmã Lúcia estava em sua cela no convento,
deu-se a aparição. Em seus braços, Nossa Senhora portava o Menino Jesus envolto
numa nuvem luminosa, que dirigindo-se a Lúcia e “pondo-lhe uma das mãos ao ombro, mostrou-lhe um Coração rodeado de
espinhos, que tinha na outra mão. O
Menino Jesus, apontando para ele, exortou a vidente com as seguintes palavras: ‘Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe,
que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe
cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.”
Em seguida, a Santíssima Virgem tomou a palavra, acrescentando:
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Ayres da Fonseca, pp. 350-351; Thomas Walsh, p. 196; Pe. de Marchi, ed. em inglês, pp. 152-153; Pe. Antonio de Almeida Fazenda S.J., pp. X-XI).6
Aplainando
certas dificuldades
No ano seguinte, nova e maternal
insistência nessa devoção de capital importância. No dia 15 de fevereiro de
1926, o Menino Jesus volta a aparecer à Irmã Lúcia, no mesmo convento das Irmãs
Doroteias. Quando estava no jardim, fazendo um trabalho de limpeza, ela viu uma
criança, com a qual conversou. Esta, repentinamente, ficou resplandecente e
perguntou “Você revelou ao mundo o que a
Mãe Celestial lhe pediu?”.
Neste momento, Lúcia reconheceu que era o Menino Jesus, que a repreendia por não fazer mais a fim de divulgar a devoção dos Primeiros Sábados.
“A vidente dá conta de dificuldades apresentadas pelo confessor, e explica que a Superiora estava pronta a propagá-la, mas que aquele Sacerdote havia dito que sozinha a Madre nada podia. Jesus respondeu: — ‘É verdade que a tua Superiora só nada pode, mas com a minha graça pode tudo’. A Irmã Lúcia expôs a dificuldade de algumas pessoas de se confessarem no sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu: — ‘Sim, pode ser de muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria’. A Irmã Lúcia ainda levantou a hipótese de alguém se esquecer de formar a intenção ao confessar-se, ao que Nosso Senhor respondeu: — ‘Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar’”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Fazenda, pp. XI XII; Ayres da Fonseca, p. 351; De Marchi, ed. em inglês, p. 153).7
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Providencial
insistência no pedido
Estando a Irmã Lúcia em Tuy (cidade espanhola
na fronteira com Portugal), em outro convento das Irmãs Doroteias, em 1929, a
Santíssima Virgem favoreceu-lhe com outra aparição persistindo na difusão da
devoção das Comunhões Reparadoras dos
pecados que se cometem contra Ela, como pedido em Pontevedra: “Tantas são as almas que a justiça de Deus
condena pelos pecados cometidos contra mim, que venho pedir reparação.
Sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.”
Com nossos sacrifícios e orações,
podemos repará-La e podemos ajudar na salvação de muitas outras almas
pecadoras. É o que a Igreja ensina e que consta no 9º artigo do Credo “Creio na comunhão dos santos”, não
apenas no sentido daqueles santos que foram canonizados, mas de todos os fiéis
unidos a Nosso Senhor. Entre todos nós — como fazendo parte de uma ‘congregação’
de todos os batizados — há uma como que ‘circulação’ de bens espirituais que pelos
méritos d´Ele, as orações de uns podem favorecer outros de nossos irmãos na Fé.
Donde o referido pedido de reparação: comungando e rezando reparamos os pecados
cometidos por outros que ultrajam Nossa Senhora. Assim nos beneficiamos todos
mutuamente.
A
guerra poderia ter sido evitada
De tal modo Nosso Senhor Jesus Cristo
deseja que se difunda essa devoção em desagravo à Sua Mãe Santíssima, que
facilitou ainda mais os meios para cumpri-la. Na vigília de 29 para 30 de maio
de 1930, Ele, falando interiormente à Irmã Lúcia, resolveu ainda outra
dificuldade: “Será igualmente aceita a
prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus
Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas” (Cf. Memórias
e Cartas da Irmã Lúcia, Composição e impressão de Simão Guimarães, Filhos,
Ltda. — Depositária: L. E. — Porto, 1973, p. 410).
Em carta, naquele mesmo dia, ao seu confessor, então o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., a Irmã Lúcia relata que Nosso Senhor, tendo-lhe feito sentir no fundo do coração a sua Divina Presença, instou-lhe a pedir ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos Primeiros Sábados. São palavras da vidente:
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 404).
“Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora”
Em outra carta ao mesmo confessor, a Irmã Lúcia
reafirmou “A confissão pode ser feita
dentro de oito dias, com tal que se esteja em graça no primeiro sábado, e se
tenha a intenção de reparar.”
Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra
Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser
evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados. Numa delas, datada de 19 de março de 1939, ela
escreveu: “Guerra ou paz no mundo depende
da prática dessa devoção, juntamente com a consagração ao Imaculado Coração de
Maria.”
A
certeza da graça da boa morte
Já em 1940, a Irmã Lúcia, em sua primeira carta
dirigida ao Papa Pio XII, escrevera: “Pediu
[Nossa Senhora] que se propagasse no mundo a Comunhão Reparadora nos primeiros
Sábados de cinco meses seguidos, fazendo com o mesmo fim uma confissão, um
quarto de hora de meditação sobre os mistérios do Rosário e rezando um terço
com o fim de reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidos contra o
seu Imaculado Coração. Às pessoas que praticarem esta devoção, promete a Nossa
boa Mãe do Céu, assistir na hora da morte com todas as graças necessárias para
se salvarem”.8
É interessante notar que ninguém, nem
mesmo as almas mais santas, tem a certeza de que irão para o Céu; entretanto,
cumprindo-se perfeitamente os mencionados atos de piedade, como pedido por
Nossa Senhora, a pessoa pode ter a certeza da assistência espiritual para uma
boa morte. Isto se deve ao enorme poder de intercessão d’Elajunto a Deus, como Medianeira Universal de todas as graças.
Fátima
e devoção ao Imaculado Coração de Maria
Como vimos até aqui, são uma constante
as referências e vinculações entre a prática das Comunhões Reparadoras com a devoção de desagravo ao Imaculado
Coração de Maria. Fátima e essa sublime devoção são inseparáveis.
Não desenvolveremos aqui este binômio inseparável,
pois em artigos já publicados, sobretudo de Plinio Corrêa de Oliveira, a
temática já foi largamente exposta. Entretanto, apenas para rememorar, eis
alguns pontos defendidos em tais artigos: evidenciam que as revelações de
Fátima não podem ser compreendidas senão à luz da devoção ao Imaculado Coração
de Maria. Tentar separar esses temas tão intimamente ligados seria desfigurar o
plano de Deus relacionado a Fátima e mutilar seu plano quanto à salvação do
mundo, pois ambos os temas se completam e se explicam reciprocamente. Fátima
conduz ao Imaculado Coração, e o Imaculado Coração explica Fátima.
Confirmando esta tese,
que nos é muito cara, eis um só exemplo:
Na segunda aparição de Nossa Senhora,
em 13 de junho de 1917, depois de algum diálogo com as três crianças, às quais
confiou alguns segredos, Ela ouviu um pedido expresso por Lúcia:
— “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.
— “Sim — responde a Virgem Santíssima — à
Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo.
Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A
quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como
flores postas por mim a adornar o seu trono”.
— “Fico cá sozinha?” — perguntou, um
pouco assustada.
—
“Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.
Após estas últimas
palavras, nessa terceira aparição, Lúcia narrou o que viu:
“A
Virgem abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo da luz imensa
que nos envolvia. Nela nos vimos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o
Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na
que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa
Senhora estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam.
Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que queria reparação”.9
Síntese
dos pontos essenciais
Resumindo, convém acentuar que a todos
aqueles que praticarem essa devoção das Comunhões
Reparadoras, Nossa Senhora garante a graça da perseverança final, ou seja,
uma boa morte e a salvação eterna. É bom recordar que a CONFISSÃO pode ser feita no mesmo dia ou até oito dias antes ou
depois10; a COMUNHÃO deve ser feita no próprio
primeiro sábado e em estado de graça [vide quadro abaixo]; o TERÇO deve ser rezado no mesmo dia
(podem ser tanto os mistérios gozosos quanto os dolorosos ou gloriosos [vide
quadro no final]; a MEDITAÇÃO de 15
minutos, também no mesmo dia, pode ser sobre um dos 15 mistérios, sobre alguns
deles ou a respeito de todos — o que seria difícil, pois sobraria apenas um
minuto para cada mistério. Quando se fala de “Mistérios do Rosário” é no
sentido de acontecimentos revelados e narrados nas Sagradas Escrituras
relacionados à vida de Jesus. Tudo deve ser feito com a explícita intenção de
desagravar o Imaculado Coração de Maria, devido às ofensas que O atingem —
desagravar os pecados cometidos, não apenas os próprios, mas também aqueles
praticados por todo o gênero humano. Esta deve ser a principal motivação, e não
apenas a de receber graças.
Importante ressaltar: só se cumpre a
promessa caso seja repetida por cinco meses consecutivos. Se, por esquecimento
ou alguma outra razão, for interrompida, é necessário recomeçar do início, até
completar os cinco meses. Esse santo costume não se limita a ser feito apenas
uma vez na vida. Muito pelo contrário, quanto mais vezes o fizerem, melhor.
A Irmã Lúcia disse que numa das aparições Jesus lamentou o fato de que muitos começam a cumprir a promessa, mas a interrompem. Em 15 de fevereiro de 1926, Lúcia ouviu a seguinte lamentação d’Ele:
“É verdade, minha filha, que muitas almas começam os Primeiros Sábados, mas poucas os terminam, e aqueles que os completam o fazem para receber as graças prometidas. Agradar-me-ia mais se fizessem cinco com fervor e com a intenção de fazer reparações ao Coração de vossa Mãe celestial, do que se fizessem quinze de forma morna e indiferente.”
Para servir de lembrete
aos leitores que desejarem mensalmente consultar sobre as condições necessárias
para se cumprir a promessa dos Primeiros
Sábados, vide quadro mais abaixo.
“É
durante a noite que é belo acreditar na luz”
Por que o sábado é o dia especialmente dedicado à Santa Mãe de Deus? Seria uma pergunta a ser levantada, uma vez que Nossa Senhora escolheu o “primeiro sábado”, e não o domingo ou qualquer outro dia da semana.
É uma tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, consagrar a Ela o sábado. Isto porque sua fé foi integral quando seu Divino Filho estava “morto e sepultado”. Todos duvidaram, até mesmo os Apóstolos, de que Ele ressuscitaria três dias após a Crucifixão (numa sexta-feira). Como profetizado, esse acontecimento impressionante e “impossível” ocorreria no Domingo de Páscoa.



















