10 de maio de 2019

Notre Dame de Paris, a luz e as chamas

➤  Nelson R. Fragelli 

No tempo longínquo em que a reforma litúrgica imposta pelo Concílio Vaticano II encontrava adeptos ardentes, a celebração da Missa foi adquirindo um tom festivo, com canções novas e sermões otimistas exibidos em meio a representações cênicas deploráveis. Tudo sob medida para a Missa perder seu conteúdo de mistério. 

Com um grupo de amigos da TFP francesa, íamos à Missa dominical em Notre Dame de Paris. Um velho cônego da Catedral, hostil à reforma pós-conciliar, celebrava a Missa de acordo com Ordo tradicio0al, que São Pio V estabelecera durante o Concílio de Trento, como forma de combate ao laicismo protestante. Disposições pós-conciliares relegaram o Ordo de São Pio V à categoria de cerimônia apenas tolerada, e a nossa Missa em Notre Dame tinha que ser celebrada às oito horas da manhã, “escondida” num altar lateral. Nessa hora quase não havia frequentadores ou visitantes da catedral, mas o que certos hierarcas temiam era a força da tradição. 


Ambiente de grandeza e mistério 

Durante o inverno, a catedral fechada, ainda envolvida nas últimas sombras do alvorecer, parecia repousar. Tão imponente e majestosa, que preferíamos manter-nos em silêncio, mesmo estando do lado de fora, enquanto junto a ela aguardávamos que se abrissem as portas. Pontualmente às oito horas, dentro do santuário velhas aldravas e fechaduras rangiam, e o grande portal estremecia ao abrir-se apenas uma passagem de pequenas dimensões, existente na sua parte inferior.

Ao entrar, nossa primeira impressão agradável era sermos recebidos por uma espécie de “hálito da catedral”. Era o alento dos séculos, no qual se juntam o odor do incenso, a umidade das pedras, a fragrância de flores ressequidas, emanações enigmáticas de idades imemoriais. Odores da continuidade numa possante tradição, característicos dos edifícios seculares. 

Ainda na obscuridade, a catedral nos apresentava então as suas vastidões e o seu silêncio. Uma floresta bem ordenada de colunas, traves e nervuras, onde nada se movia. Na imensidão do templo imerso em denso silêncio, presenças invisíveis se impunham aos sentidos, como a de anjos que habitam espaços sagrados. A amplitude das naves e a altura dos arcos góticos se dilatavam aos nossos olhos, pasmados ao perscrutarem as altas ogivas de um extremo a outro de sua extensão. A sacralidade daqueles espaços benditos nos atraía, tornando lento nosso caminhar para o altar distante onde nosso venerável Cônego celebraria. Grandeza e mistério envolviam os sentidos, criando um instante passageiro no qual a eternidade se fazia sentir. 


Guerras e a inclemência dos tempos tinham destruído os vitrais junto à entrada. Substituídos por outros — monocromáticos, de tom esverdeado, inexpressivos — não tinham o esplendor dos painéis originais, cujas imagens narravam histórias santas em cores feéricas. Mas durante a Missa eu podia contemplar minúcias de grandezas: figuras da Natividade de Cristo, cujas faces de comoventes canduras se apresentavam como recém-saídas da mão do Criador; simples traços fisionômicos de personalidades acessíveis, revelando intenções firmes e fortes; figuras artísticas próprias à elevação e contemplação do mistério. A criatividade dos artistas e artesãos pôs naquelas feições disposições sobrenaturais, nas quais transluz a alma medieval. A penumbra da manhã encobria detalhes das imagens, mas nada tirava da beleza. A imaginação completava o que os olhos não discerniam, acrescentando-lhe traços sugeridos pela cândida inocência dos tempos idos e passados.

Ao fim da Missa, já o sol começava a acender os vitrais. Primeiramente os da abside voltada para o Levante, de onde veio a Luz do mundo, nosso Salvador. As cores são particularmente puras, pois vêm da Idade Média. No interior do templo, sobre quem os contempla, eles vertem luz, cores e prodígios. Mas na saída, ao contemplar a luz esverdeada dos vitrais monocromáticos, pensávamos numa “catedral submersa”, repousando no fundo de um oceano, à espera da fé de um povo que a resgatasse e a trouxesse à tona. E assim deixávamos Notre Dame e sua ternura materna, após a Missa tradicional dos domingos. 


Fisionomias humanizadas 

Do lado de fora, dávamos um último olhar à terna grandeza da catedral.

Olhando-a de longe, ela parece dominadora, a ponto de a cidade em torno desaparecer da atenção, obnubilada por sua grandeza. A fachada evoca uma fortaleza, onde as torres sobressaem como maciços torreões acastelados por contrafortes. São torres vigiando o mundo que se move a seus pés, e exprimem os olhos de Deus que tudo vê. Nelas se juntam à sua seriedade a Lei e os Profetas, evocando o Antigo e o Novo Testamento, ambos representados em esculturas da fachada.

 Outras vezes, contemplando-a de longe, suas pedras adquirem cor mais clara, em alguns períodos do dia ficam mais rosadas. Sua acolhedora fisionomia ilude então nosso senso de observador, fazendo-a parecer pequena como a catedral de uma aldeia em miniatura, e a fachada parece procurar seus amigos com terno olhar, a todos ela parece ver. Mostrando-se meiga, a catedral desperta nos filhos de Deus a vontade de aproximar-se. Sua majestade nada tem de esmagador. 

Entre as duas torres, a Mãe de Misericórdia tem seu Filho nos braços, abrandando todo rigor que os portentosos campanários tão oportunamente inspiram. Se a inflexibilidade das torres propõe um exame de consciência, junto a elas a rosácea central emoldura a imagem de Nossa Senhora, como um sorriso de perdão dado ao arrependimento. Maria nos diz que a severidade das torres se relaciona com os inimigos da Igreja, com os impenitentes e com o que pode haver de impenitência na alma de cada um. Mas Ela socorre os que a procuram com coração contrito. 

Notre Dame nos observa e nos convida, exprime-se como uma fisionomia humana. Suavemente penetra nas almas, chamando-as à Religião. Esse chamado é como um sopro divino que abala o materialismo infiltrado nas almas, restaurando partes arruinadas pelos erros deste século. Quem a visita, nunca mais a esquece, fica na memória como o lugar deste mundo no qual as almas encontram refrigério. E retorna à lembrança, da mesma forma que a luz volta a iluminar seus vitrais, passada a escuridão da noite. Seu consolo se aloja na recordação indelevelmente. Não será esta sutil impressão um dos dons de Notre Dame, que atrai tantos visitantes? 

O afeto filial torna mesmo imaginável tomá-la nos braços. Nisso ela se parece com a imagem central de sua fachada, representando Nossa Senhora com seu Divino Filho no colo. Transparece através de suas linhas e de seus adornos arquitetônicos o semblante da filha de São Joaquim e Sant’Ana — Notre Dame, ou Nossa Senhora — sendo apresentada no Templo de Jerusalém.


Um fogo que ilumina 

O fogo acaba de consumir uma parte significativa de Notre Dame. Estarrecidos, vimos a catástrofe que absolutamente não podia ocorrer: chamas vorazes, como que vindas do inferno, calcinavam aquele lugar celestial, trazendo à memória Santa Joana d’Arc, inocente e virginal, condenada ao suplício do fogo. Naquele instante — Joana d’Arc em sua agonia atroz, e a catedral em meio às chamas — davam de si uma figura mais santa do que nunca. Cresceram ambas na consideração de todos os homens. Sua beleza adquiriu assim um novo esplendor, iluminado pelas chamas do sacrifício. Assim é a beleza do martírio. 

Cessado o fogo, as imagens de seu interior impiedosamente calcinado causam profunda dor. As cinzas do santuário baixam sobre nossos corações em luto. Mas se ela devesse um dia desaparecer, formaria na mente dos que a veneram uma figura mais bela ainda do que ela tem sido durante os quase nove séculos de sua esplendorosa existência. Notre Dame não desaparecerá, mas também não é admissível restaurá-la com outra fisionomia. 


Um povo em luto 

No dia seguinte ao incêndio, acerquei-me da catedral. Temeroso de vê-la em meio à desolação das cinzas, assim mesmo fui. Grande número de pessoas em torno dela, tanto quanto era possível, pois um cinturão de segurança a rodeava. Em pequenos e silenciosos agrupamentos, falava-se pouco e em voz baixa, nas mais diversas línguas. Católicos ou não, todas as faces mostravam consternação, olhares pesarosos como se tivessem perdido um familiar querido. O sentimento de orfandade vagueava entre todos, mesmo nos que não tinham explicitamente tomado Nossa Senhora por mãe. Grupos de jovens rezavam o Rosário, ajoelhados e contritos. 

Esbarrei casualmente com a proprietária da lavanderia que me atende. Preocupada sempre com o esmero de seus trajes, a ostentação de seus enfeites e sua inserção no mundo, nunca pensei encontrá-la ali, onde não havia ambiente para futilidades. Cumprimentei-a passageiramente, quase sem fixá-la, mas ela me reteve. Notei então, pela primeira vez, traços de seriedade sob sua densa maquiagem: “Não pude conter as lágrimas, ao ver a transmissão ao vivo de Notre Dame em chamas”. Nunca imaginei que, sobre tantas camadas de cosméticos, algum dia pudessem correr lágrimas. 

Havia nas pessoas, em particular nos jovens, um sentimento raro nos dias de hoje: a dor causada por uma razão elevada. Não era o sentimento pela perda do emprego ou pela derrota de seu time. Notre Dame sofrera essa tragédia no primeiro dia da Semana Santa, cujas cerimônias recordam o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz. Numa dessas cerimônias recitam-se as Lamentações de Jeremias, sobre a desolação de Jerusalém castigada por Deus. Substituindo mentalmente a cidade de Jerusalém pela catedral de Notre Dame, podemos sentir ali “como está abandonada a cidade antes tão povoada! Aquela que foi grande entre todas as nações assemelha-se a uma viúva. [...] Estão de luto os caminhos de Sião, e ninguém mais vem às suas festas”. 

Aqueles jovens que rezam e o público lacrimoso encontrariam em Jeremias os termos consonantes com esta hora de dor. 



Notre Dame de Paris em chamas 

Comunicado da Sociedade Francesa de Defesa da Tradição, Família e Propriedade 


Foi com horror e uma tristeza indizível que o mundo inteiro viu a Catedral de Notre Dame de Paris, joia da Cristandade, devorada pelas chamas, num momento em que uma vaga de profanações vandaliza os santuários franceses. No dia exato em que começava a Semana Santa, Notre Dame de Paris transformou-se em Nossa Senhora das Dores. 

A coragem dos bombeiros permitiu salvar as torres e paredes, mas a flecha que apontava para o céu desabou dramaticamente. Como não ver nessa tragédia o símbolo do mal que corrói a França, outrora a pérola do mundo cristão? Um incêndio de impiedade devora o país, alimentado pela obsessão igualitária destruidora de tudo o que, por sua verticalidade, lembra o rumo do Céu. 

Esse fogo propriamente infernal ergue-se por vezes, infelizmente, no próprio interior da Igreja, criando a ilusão de que ela vai desabar. Fluctuat nec mergitur (fustigada pelas ondas, ela não soçobra). Esta divisa da cidade de Paris aplica-se também com acerto à Roma eterna.

Por isso mesmo as ruínas de Notre-Dame não devem levar os católicos ao desespero. Ao contrário, assim como elas atraíram os fiéis, durante o incêndio, a se reunirem em massa para rezar nas margens do Sena, devem ser ocasião para nos voltarmos para Nossa Senhora e pedir forças para extinguir o mal que consome a França. 
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O original deste comunicado da TFP francesa encontra-se disponível no site da entidade: http://tfp-france.org/notre-dame-de-paris-en-flammes/

28 de abril de 2019

Fogo na casa de Deus!

 
➤ Paulo Roberto Campos 

Neste dia 28 de abril, festividade de São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) — grande missionário francês, o doutor marial por excelência que explicitou magnificamente a doutrina sobre a Sagrada Escravidão a Nossa Senhora —, rezando a “Oração Abrasada” de repente fui assaltado pela lembrança do fogo devorador de Notre Dame de Paris.

E, na mesma oração composta por São Luís Grignion (no trecho que abaixo transcrevo) é impossível não nos recordarmos de um outro “incêndio”, denominado “auto-demolição”, que vem se alastrando dentro da Santa Igreja: “a fumaça de Satanás no templo de Deus”... E, novamente, ser assaltado pela imagem do incêndio que atingiu o coração da Cristandade. 

Ainda não se tem certeza se o incêndio em Notre Dame foi acidental ou criminoso, mas alguns líderes muçulmanos comemoram a desfiguração de Notre Dame. Por exemplo, os jihadistas do “Estado Islâmico” celebraram o incêndio da Catedral. O portal Site (que monitora atividades extremistas na internet) publicou que eles “se divertiram” com a tragédia e a classificaram como sendo “um golpe no coração dos líderes cruzados”. (Cfr. “VEJA”, 24-4-19). 

Aqui seguem os trechos da parte final da “Oração abrasada”, que se encontra nas últimas páginas do célebre e extraordinário “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”: 


E nós, grande Deus! embora haja tanta glória e tanto lucro, tanta doçura e vantagem em servir-vos, quase ninguém tomará vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará em vossas fileiras? Quase nenhum São Miguel clamará, no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela vossa glória: Quis ut Deus? 
Ah! permiti que brade por toda parte: Fogo! fogo! fogo! socorro! socorro! socorro! Fogo na casa de Deus! fogo nas almas! fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão! socorro, que degolam nossos filhos! socorro, que apunhalam nosso bom Pai! 
Si quis est Domini, iungatur mihi. Venham todos os bons sacerdotes que estão espalhados pelo mundo cristão, os que estão atualmente na peleja, e os que se retiraram do combate para se embrenharem pelos desertos e ermos, venham todos esses bons sacerdotes e se unam a nós. Vis unita fit fortior, para que formemos, sob o estandarte da cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplinado, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já tocaram a rebate: Sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt, multiplicati sunt. Dirumpamus vincula eorum et projiciamus a nobis jugum ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos. Exsurgat Deus, et dissipentur inimici ejus. Exsurge, Domine, quare abdormis? Exsurge.
Erguei-vos, Senhor: por que pareceis dormir? Erguei-vos em todo o vosso poder, em toda a vossa misericórdia e justiça, para formar-vos uma companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e salvem tantas almas que custam todo o vosso sangue, para que só haja um aprisco e um pastor, e que todos vos rendam glória em vosso santo templo: Et in templo ejus omnes dicent gloriam. Amém.

18 de abril de 2019

Um incêndio simbólico e apocalíptico!

As chamas quase destruíram um dos mais belos e esplendorosos reflexos da Cristandade. Notre Dame está de luto. 



Paulo Roberto Campos

“Igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro”. Assim Plinio Corrêa de Oliveira se referiu à catedral das catedrais que é a de Paris [vide vide trecho no final]. 


Considerada o monumento mais representativo da Cristandade, a “alegria do mundo inteiro” ardeu em chamas logo no primeiro dia da Semana Santa. Nossas almas entristecidas ficam duplamente revestidas de luto nestes dias nos quais consideramos especialmente a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cabe recordar que a Catedral de Notre Dame é também um monumental escrínio que contém adoráveis relíquias do Filho de Deus: a coroa de espinhos [foto ao lado: o relicário que guarda a sagrada coroa], um cravo da Santa Cruz e um fragmento deste madeiro no qual Ele foi crucificado. Escrínio também de numerosas outras preciosíssimas e seculares relíquias. 

O incêndio devorou parte da mais célebre e gloriosa catedral, é verdade, mas, para além dessa tragédia indescritível, devorou parte de mais de oito séculos de História. Devorou parcialmente uma catedral que resistiu altaneira a guerras e revoluções. 

Impávida, esta “Igreja de uma beleza perfeita” — memorizada por Víctor Hugo como o paradigma das catedrais francesas — atravessou a Guerra dos Cem Anos, a Comuna de Paris (1871), as duas guerras mundiais, a sanha destrutiva dos nazistas. Mais ainda. Atravessou a crudelíssima Revolução Francesa que, após ter feito correr um rio de sangue com sua diabólica guilhotina, destruiu muitas de suas imagens, fundiu seus sinos para a fabricação de canhões, tentou transformar a Catedral de Notre Dame no “Templo da deusa razão” — onde uma atriz foi “adorada” como “deusa”, no lugar de Nossa Senhora de Paris. 


Até o momento ainda não se tem certeza se o início do incêndio foi provocado de modo criminoso ou acidentalmente — apesar de se ter notícias de que alguns líderes maometanos comemoram a ruína de Notre Dame... Em qualquer das hipóteses, foi um incêndio que atingiu o fundo de todos os corações autenticamente católicos. Muitos destes, estarrecidos e desolados assistindo o vídeo da catástrofe, sentiram-se como se estivessem tendo um pesadelo! E, in loco, muitos daqueles que presenciaram a tragédia, sobretudo o momento pungente em que La Flèche — como os franceses denominam a celestial flecha da catedral — desmoronou tragada pelas chamas [na foto acima, durante e antes do incêndio], em prantos caíram de joelhos e puseram-se a rezar o Rosário [foto abaixo]. Salve Rainha Mãe de misericórdia, interceda junto a Seu Divino Filho para que Ele tenha compaixão da França e de todos nós!

A “fumaça de Satanás” que penetrou no Templo de Deus 

De um incêndio em qualquer outra catedral poder-se-ia dizer que é simbólico. Mas de um incêndio em Notre Dame — a jóia da arte gótica e obra prima da arquitetura da Idade Média, a “doce primavera da fé”, segundo feliz expressão de Montalembert — podemos afirmar que se trata de um acontecimento apocalíptico, altissimamente simbólico e no mais alto grau carregado de significados. 

Que significado? — Um psy-incêndio vem arruinando a Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II. Um incêndio símbolo da auto-demolição da Igreja perpetrada por eclesiásticos vinculados à “esquerda católica”, ao progressismo e à “Teologia da Liberação”. Símbolo da “fumaça de Satanás no templo de Deus”[1], introduzida por aqueles que agem para enxovalhar e conspurcar a única e verdadeira Igreja fundada diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, um incêndio símbolo da atual, e também apocalíptica, crise que atingiu a Religião Católica; símbolo da nefasta atuação que vêm incendiando o ensinamento de seu magistério tradicional. 


Incêndio simbólico da apostasia das nações 

De ambos os parágrafos que seguem em itálico, poder-se-ia afirmar que foram escritos nesses dias, nos quais o mundo inteiro chocado acompanhava o alastramento das chamas devoradoras de Notre Dame. Não, eles foram redigidos em 1942 por Plinio Corrêa de Oliveira. Assim, pode-se constatar que a crise que flagela a nação francesa, assim como todos os demais países, começou há muito tempo. 
“A França apostatou da Igreja e repudiou o seu passado histórico. É esse o mal que ela expia, e‚ só no corretivo desse mal que ela encontrará remédio [...]. Se fazemos esta observação não é porque desejamos agravar a justíssima dor de nossos irmãos franceses, mas porque uma grande lição desprende destes fatos para o mundo inteiro. 
“Não é com paliativos, com meias medidas que se pode resolver o mal. Os paliativos só podem retardar a cura. Não foi pintando com novas tintas seus velhos ídolos que a França de Clóvis se converteu: ela teve que queimar o que adorara, e adorar o que queimara. Para a França, e para todos os povos contemporâneos, não pode ser outro o caminho. [Não basta] a destruição dos ídolos do século passado. [Não basta] apenas uma mudança em suas roupagens. É preciso que os ídolos caiam, e não basta que se transformem”.[2]
Dentre alguns artigos que poderíamos citar, um recente, com o título “Cai Nossa Senhora”, publicado no ABC de 16-4-19, confirma especialmente a declaração acima. Para esse periódico madrileno escreveu o jornalista Salvador Sostres: “É um sinal do nosso tempo que Nossa Senhora de Paris tenha caído. Este incêndio não é pior do que o laicismo que assola a Civilização, negando-lhe a profundidade e o significado. É o fogo de Deus, que escreve severamente em incêndios, ante tanta apostasia. Cai Notre Dame como antes caiu a França na vulgaridade ateia e jacobina”.


A bela imagem medieval de Notre Dame de Paris, ficou intacta rodeada de escombros do incêndio

Rezemos especialmente nestes dias da Semana Santa pedindo a Nossa Senhora, Padroeira da Catedral de Paris [foto acima], pela completa restauração desse seu belo e majestoso Templo. 

Rezemos pela restauração espiritual da França — denominada “Fille aînee de l´Église” (“filha primogênita da Igreja”), em razão da conversão e batismo de Clóvis, o primeiro rei francês, em 25 de dezembro de 496. A respeito da conversão da França — sua passagem, como o Apóstolo São Paulo, pelo “caminho de Damasco” — veja no final texto com as proféticas palavras do Papa São Pio X. 

Rezemos também pela restauração da Civilização Cristã em todo seu esplendor, grandeza e glória, para a alegria do mundo inteiro. 
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Notas: 
1. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. X, p. 707.
2. Plinio Corrêa de Oliveira, 7 Dias em Revista, “Legionário”, Nº 496, 15 de março de 1942, p. 2.




“Eis a igreja de uma beleza perfeita, a alegria do mundo inteiro"
➤ Plinio Corrêa de Oliveira

“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris. Cheguei à noitinha, jantei e fui imediatamente ver a Catedral de Notre Dame. Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita. A catedral estava iluminada.

Ela me pareceu desde logo, num determinado ângulo tomado ao acaso, tão bela que eu fiquei com vontade de dizer ao motorista do taxi no qual eu estava: ‘Pára, que eu quero ficar aqui!’ Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam a catedral naquele ângulo e pararam. E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor daquele ponto de vista, que contemplou aquilo que outros talvez não tenham louvado suficientemente. Ao menos se dirá que uma vez que um peregrino vindo de longe amou o que muitos outros — por pressa ou por não terem recebido uma graça especial naquele momento — não amaram.

Em todos os grandes monumentos da Cristandade, depois de admirar as maravilhas, eu tenho a tendência de ir admirando os pormenores. Isto num ato de reparação, porque esses pormenores talvez não tenham sido amados como eles deveriam ser. Então fazer ao menos isto: amar o que deveria ter sido amado e que foi esquecido. É sempre a nossa vocação de levar à tona as verdades esquecidas que os homens põem de lado.

Eu fiquei encantado com a catedral vista naquele ângulo. Depois dei a volta e retornei para o hotel com a alma cheia. Se alguém naquele momento me lembrasse da palavra da Escritura: ‘Eis a igreja de uma beleza perfeita, a alegria do mundo inteiro’, eu teria dito: ‘Oh! como está bem expresso! É bem o que eu sinto a respeito da Catedral’”. 
(Trecho da conferência de Plinio Corrêa de Oliveira, em 13-10-79, para sócios e cooperadores da TFP. Esta transcrição não passou pela revisão do autor).


França — “Filha primogênita da Igreja”


“Nação predestinada, vaso de eleição, vai levar, como no passado, meu nome diante de todos os povos e de todos os reis da Terra”

Da Alocução de São Pio X (29-11-1911)*

            “Que vos diremos agora, filhos da França, que gemeis sob o peso da perseguição? O povo que fez aliança com Deus nas fontes batismais de Reims se arrependerá e retornará à sua vocação primitiva.

            Os méritos de tantos filhos seus que pregam a verdade do Evangelho quase em todo o mundo, tendo-a selado muitos com o próprio sangue, as orações de tantos Santos que desejam ardentemente ter em sua companhia na glória celeste os irmãos, muito amados, de sua Pátria, a piedade generosa de tantos filhos seus que, sem recusar nenhum sacrifício, provêm à dignidade do Clero e ao esplendor do culto católico, e, acima de tudo, os gemidos de tantas crianças que, diante dos tabernáculos, expandem a alma com as expressões que o próprio Deus lhes coloca nos lábios, atrairão certamente sobre esta nação as misericórdias divinas. As faltas não ficarão impunes, mas não perecerá nunca a filha de tantos méritos, de tantos suspiros e de tantas lágrimas.

            Dia virá, e esperamos que não esteja muito afastado, em que a França, como Saulo no caminho de Damasco, será envolvida por uma luz celeste e escutará uma voz que lhe repetirá: 'Minha filha, por que Me persegues?` E à resposta: 'Quem és tu, Senhor?` a voz replicará: 'Sou Jesus, a Quem persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão, porque em tua obstinação te arruinas a ti mesma`. E ela, trêmula e admirada, dirá: 'Senhor, que quereis que eu faça?` E Ele: 'Levanta-te, lava as manchas que te desfiguraram, desperta em teu seio os sentimentos adormecidos e o pacto da nossa aliança, e vai, filha primogênita da Igreja, nação predestinada, vaso de eleição, vai levar, como no passado, meu nome diante de todos os povos e de todos os reis da Terra’”.
(*) Alocução consistorial Vi ringrazio de 29 de novembro de 1911, Acta Apostolicae Sedis, Typis Polyglottis Vaticanis, Roma, 1911, p. 657).

14 de abril de 2019

Que utilidade houve no meu sangue?

“Quae utilitas in sanguine meo?” 
Raffaello Sanzio (1483–1520). 
National Gallery, Londres.
Plinio Corrêa de Oliveira 

Em quase todos os continentes corre copiosamente o sangue humano. O mundo vive horas cruciais de sua História, e os rumos dos futuros séculos parecem depender do que a geração contemporânea decidir. 

A civilização cristã está ameaçada. Napoleão disse a seus soldados que, do alto das pirâmides, 40 séculos os contemplavam. De certo modo, nossa responsabilidade ainda é maior. O gênero de barbárie que se trata de combater hoje em dia não é apenas uma barbárie pagã: é uma barbárie diabólica. 

Toda a sabedoria, toda a cultura e toda a arte dos países pagãos anteriores a Jesus Cristo, cuja obra a Igreja, longe de destruir, elevou e imortalizou; todas as expectativas dos profetas que clamavam pela Redenção do gênero humano; todo o sangue de nossos mártires; toda a santidade de tantas almas que, no decurso da História, têm subido à honra dos altares; as vigílias de tantos doutores; o amor de tantos apóstolos — tudo isso, todo esse imenso tesouro natural e sobrenatural, está como que depositado em nossas mãos. 

Se o fizermos vencer, transmitiremos esse inestimável caudal de valores para os séculos vindouros. Se não o fizermos vencer, esse tesouro será inútil para milhões de almas, não produzirá talvez a plenitude de seus frutos durante dezenas de séculos. 

E Nosso Senhor bem poderia nos pedir contas por tal derrota, fazendo-nos a pergunta terrível que se lê na Escritura: “Quae utilitas in sanguine meo?” — Que utilidade houve no meu sangue? (Sl 29,10).

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Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira em “Legionário” (7 Dias em Revista), de 25-1-1942. 

31 de março de 2019

Desvendando a hipocrisia de feministas radicais

➤  Paulo Roberto Campos 

No tão badalado “Dia Internacional da Mulher” (8 de março), entre diversos eventos comemorativos, sobretudo por parte de movimentos esquerdistas, ocorreu também uma sessão solene em homenagem às mulheres na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). 


Nesse evento, a jovem deputada estadual Ana Caroline Campagnolo [foto] (PSL-SC) — que vem promovendo eficazes ações contra o ensinamento de “ideologia de gênero” às crianças nas escolas — prestou sua homenagem com um admirável discurso mostrando o verdadeiro e elevado papel das mulheres na família e na sociedade em geral. Ela desmascara a hipocrisia de feministas radicais com base nas próprias declarações dessas feministas badaladas pela mídia esquerdista, que procura promover uma espécie de “luta de classes” entre homens e mulheres. 

As feministas presentes na ALESC pretenderam interromper o discurso de Ana Campagnolo, mas não conseguiram e tiveram que engolir todas as verdades. Tais feministas — a pretexto de defender “direitos das mulheres” e sendo opostas aos aspectos maternal e delicado próprio ao sexo feminino — em suas manifestações acabam fazendo apologia de uma “revolução feminista” para subverter a ordem harmônica e anti-igualitária estabelecida por Deus na sociedade. Assim, promovem um novo tipo de mulher com as características próprias ao perfil psicológico de “mulher-virago”.

Postei abaixo o vídeo com o excelente discurso da Profa. Campagnolo, mas antes lhes conto um episódio pitoresco que se passou com ela. No período anterior à sua eleição para deputada (em outubro de 2018), ela lecionava história em Chapecó (oeste de Santa Catarina) e fora convidada para uma conferência, que ela iniciou sorrindo com estas palavras: “Quando comecei minha luta [contra o falso feminismo], era impensável ver um auditório assim, cheio de gente, quanto mais pessoas cheirosas e que tomam banho, porque sabemos que o público dos eventos de feminismo é um pouco diferente...” 

PS: Segue também um outro vídeo com Ana Campagnolo  feminina, mas não feminista —, uma entrevista dela à emissora "JovemPan".






18 de março de 2019

Glorioso Patriarca São José — completo em todas as virtudes

Patrono por excelência das Famílias, o glorioso São José, esposo da Santíssima Virgem Maria e pai adotivo do Menino Jesus, é celebrado pela Santa Igreja neste dia 19 de março. Em sua homenagem e para auxílio dos pais e filhos nestes dias nos quais as famílias atravessavam enormes dificuldades — sobretudo de ordem moral e religiosa, mas também de ordem material —, transcrevemos uma bela oração a São José composta pelo Papa São Pio X e depois alguns pensamentos de três grandes santos a respeito do perfeito modelo para os pais. 

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ 

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para a expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência no sucesso, tão funesta à obra de Deus. 

Tudo para Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. 
Amém. 

“Em Nazaré, síntese do mundo, São José manda e o Filho de Deus obedece. Esta obediência nos mostra a humildade do Salvador e a dignidade de José. Que dignidade maior que a de mandar n’Aquele que manda em todos os reis? 

(Santo Afonso M. de Ligório) 

“Tomei por advogado e senhor o glorioso São José, e muito me recomendei a ele. Claramente vi que desta necessidade, como de outras maiores, referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter”. 

(Santa Teresa de Ávila) 

“O nome justo, que o Espírito Santo dá a São José, significa: completo em todas as virtudes”. 

(São João Crisóstomo)

8 de março de 2019

Consequências perniciosas do socialismo light na Suécia


➤  Plinio Maria Solimeo 

Por muito tempo o socialismo na Suécia foi apresentado como modelo de sucesso pelos níveis de prosperidade que proporcionava, graças à ação de um Estado forte e protetor, que provia em tudo às necessidades de seus súditos. Fornecia-lhes entre outras coisas saúde e educação grátis, e amparava os trabalhadores com benefícios trabalhistas pioneiros através de uma política laboral sem precedentes. 

Sobretudo era louvado o individualismo sueco, fruto de um modus vivendi consumista alentado por um socialismo “light”, fautor dessa prosperidade. 

Um dos grandes propulsores desse individualismo foi o Primeiro-Ministro Olof Palmer [foto] com seu programa “A família do futuro: uma política socialista para a família”, lançado em 1972. Visava ele obter uma forma “nova” de família que “libertasse o indivíduo dos laços familiares” para dar-lhe uma independência e autonomia de acordo com o seu direito humano fundamental.

É claro que o cidadão sueco podia ter família. Mas podia também libertar-se das “cargas familiares” que geram dependência, para ter a “liberdade” de escolher só as relações reais que quisesse estabelecer, enquanto o Estado tutelaria e se encarregaria das relações que considerasse “onerosas”.

Assim, segundo esse programa, uma mulher que dependesse economicamente do marido não seria verdadeiramente livre, pois essa relação não seria autenticamente voluntária, porque gerava dependência. Então o Estado deveria intervir para dotar a mulher dos recursos econômicos que lhe dessem maior independência. 

Desse modo o Estado geraria as condições econômicas e sociais que oferecessem sustentabilidade aos cidadãos, para tornar “genuinamente autênticas” do ponto de vista socialista as relações entre eles.


O isolacionismo sueco 

Ora, esse programa incentivava assim o isolacionismo e o egoísmo, levando cada um a pensar só em si, sem se importar com os outros. 

Qual foi a consequência disso? Comenta o jornalista Mario Silar: “Passados mais de quarenta anos da aplicação das políticas sociais inspiradas no manifesto, a realidade é que a metade da população sueca vive só, e segundo um estudo da Cruz Vermelha sueca, 40% da população afirma sentir-se só. E no tocante à relação entre homens e mulheres, o ideal de independência não se deteve simplesmente na independência econômica. As mulheres suecas são as melhores clientes dos bancos de esperma existentes”.(1) 

Realmente, segundo recentes estatísticas, um de cada dois suecos vive só, e um de cada quatro morre em solidão. É a taxa mais elevada do mundo. 

O mais aterrador é que muitos dos anciãos que morrem sós em seus domicílios sem serem reclamados por ninguém, às vezes só são percebidos quando o mau cheiro do corpo em putrefação alerta os vizinhos... 


A praga do divórcio e baixa taxa de nascimentos 

Ocorreu também que em 1974, para dar mais liberdade aos cidadãos, a lei sobre as separações foi alterada para acelerar a obtenção do divórcio. O que fez com que seu número aumentasse de 20 a 25 mil a cada ano nos últimos 40 anos. Desse modo, 47% dos casamentos no país terminam em divórcio , uma das taxas mais altas do mundo. Outra consequência foi fazer com que a taxa de casamentos se tornasse também uma das mais baixas. 

Mas não é só isso. Também em consequência da tendência isolacionista criada, muitos casais não querem ter filhos. O que faz com que a taxa de nascimentos no país seja uma das menores do mundo, apesar de ao nascer um filho um dos pais possa ficar em casa por até um ano, recebendo 80% do salário. 

Entretanto, não é a família que deve cuidar da educação dos filhos, mas o Estado sueco, que determina como eles devem ser educados. Promovendo a “teoria de gênero” nas escolas, o Estado determina que as crianças sejam tratadas promiscuamente, sem diferença de sexo, como “criaturas de gênero neutro”, incentivando desse modo os meninos a se “efeminarem” e asmeninas a se “masculinizarem”. 

Isso é feito desde a mais tenra idade nas creches estatais, depois nas escolas primárias públicas, secundárias e universidades, tudo dirigido pelo Estado todo-poderoso. Pelo que não incumbe mais aos pais a decisão sobre como educar os filhos, pois eles são “protegidos” pelo Estado. Assim, se um pai discutir em voz alta com o filho, ele pode ser alvo de uma denúncia criminal. 

Nesse sentido o Estado é um ditador ferrenho e implacável. Após confessar que a educação de seus filhos incluía leves palmadas, um casal teve que pagar uma multa equivalente a dez mil dólares. Mas não ficou só nisso. Apesar de o tribunal reconhecer que eles “tinham um relacionamento amoroso e muito cuidado com seus filhos”, estes foram separados deles e enviados a um orfanato. Pode ocorrer também que, se uma filha menor quiser abortar até a 18ª semana, ela tem toda a proteção do Estado, não precisando da autorização nem do conhecimento dos pais. 


Crescimento dos suicídios e das drogas 

Criados desde pequenos numa doutrina ateia e amoral, tutorados por um Estado-patrão que tira todo o incentivo à iniciativa privada, sem o amparo protetor da religião e da família, não encontrando explicação para a sua existência, muitos jovens preferem pôr fim à vida. O suicídio se tornou assim uma das causas mais comuns de morte na Suécia entre pessoas entre 15 e 44 anos de idade. 

Igualmente — como consequência dessa orientação ateia e materialista do socialismo e da tutela e controle férreo do Estado na educação desde a infância — a partir dos sete anos as crianças já recebem aulas de educação sexual na escola, tornando a Suécia um dos países menos religiosos do mundo. Segundo pesquisa realizada em 2005 por um instituto da Comissão Europeia, apenas 23% da população diz crer em Deus, 53% afirmam que creem em algum vago ser superior ou força vital, e 23% se declaram ateus. De modo que o Estado sueco dá muito, mas cobra um preço altíssimo, não só em impostos, mas, sobretudo, porque domina a alma e a vida dos suecos, especialmente das crianças.

Como não podia deixar de suceder a uma política socialista que dá plena liberdade a seus cidadãos, a Suécia foi o primeiro país no mundo a liberar o uso de drogas. Mas como isso provocou um aumento acentuado da criminalidade e dos suicídios, o governo foi obrigado a recuar, reprimindo atualmente o tráfico e o uso de drogas. 


Fim do “paraíso” sueco? 

Com tudo isso, muitos analistas comentam que terminaram os “anos dourados” do socialismo liberal na Suécia. Fala nesse sentido o resultado das eleições gerais de setembro de 2018, quando o bloco no qual estava o partido que governava o país há várias décadas teve uma insignificante vantagem de 40.7% contra 40.2% sobre o bloco do centro-direita. 

É claro que isso se deveu em muito grande medida ao problema da imigração, sendo sintomático que nunca se falou tanto em “ordem pública” e “segurança”, e tão pouco em “saúde e educação” — dois ídolos socialistas — em uma campanha eleitoral sueca. Isso ocorre porque, depois que o país abriu indiscriminadamente suas portas à imigração, ocorreu o seguinte: “Na pacata Suécia, cenas de tiroteios entre gangues criminosas e carros incendiados nos subúrbios menos favorecidos, além de denúncias de estupros e ataques esporádicos com granada a delegacias de polícia, trazem a questão da integração e da segregação ao centro do debate político. E alarmam uma parcela da população, tradicionalmente pouco habituada a manchetes policiais: em 2017, a violência entre gangues rivais nos subúrbios suecos, marcados pela segregação e pelo alto índice de desemprego entre imigrantes, deixou 40 vítimas”.(3) 

____________ 

1.El infernal “paraíso” de lasociedad sueca, Mario Silar, disponível em https://mail.google.com/mail/u/0/h/vlmk7zcaz20d/?&th=159e0dcb52e27076&v=c 2.Cfr.https://top10mais.org/top-10-paises-com-maiores-taxas-de-divorcio-no-mundo/ 
3.Claudia Wallin, Suécia: eleições devem confirmar avanço de partido da extrema-direita e anti-imigração, disponível emhttp://br.rfi.fr/europa/20180907-linha-direta-eleicoes-legislativas-que-serao-realizadas-neste-domingo-na-suecia-deve. Ver também Claudia Wallin, Suécia: eleições devem confirmar avanço de partido da extrema-direita e anti-imigração, disponível emhttp://br.rfi.fr/europa/20180907-linha-direta-eleicoes-legislativas-que-serao-realizadas-neste-domingo-na-suecia-deve 

25 de fevereiro de 2019

Homossexualismo, pecado gravíssimo contra a natureza

O Papa São Pio X em foto feita em 1905
A doutrina Católica condena o homossexualismo, que é contrário à ordem natural das coisas e à família. O Catecismo de São Pio X (1910) [foto acima] afirma que o “pecado de impureza contra a natureza" é considerado como daquelas perversidades que "bradam a Deus por vingança” (nº 966). Isto porque, “mais do que outros pecados, apresenta uma assinalada e manifesta malícia, e atrai de modo insigne a ira e a vingança de Deus sobre aqueles que o cometem” (Cardeal Pedro Gasparri, Catechismus catholicus, Tipis Poliglotis Vaticanis, 15ª ed., p. 258). 

Tendo em vista o atual julgamento no Supremo Tribunal Federal [vide post anterior] — que assim como se condena uma hostilidade de caráter racista, poderá condenar injustamente quem se manifestar contra o homossexualismo, desse modo criminalizado a chamada "homofobia" —, recomendo a audição da gravação de uma entrevista do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ao SBT, concedida em 29 de outubro de 1992. Aqueles que desejarem o texto da mesma podem obtê-lo no seguinte link:
https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ENT_921029_homossexualismo.htm

22 de fevereiro de 2019

STF pode tornar crime defender a Moral Católica


Comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode ser discutida não é defender o pluralismo de idéias, mas silenciar, discriminar e perseguir os contrários. 


Há mais de 30 anos, Plinio Corrêa de Oliveira dizia que ser católico se tornaria inconstitucional no Brasil por causa do avanço do homossexualismo[i]. 

Segundo a doutrina católica, a prática do ato homossexual constitui um pecado grave, intrinsecamente desordenado, que “brada aos céus e clama a Deus por vingança”. Tanto as Sagradas Escrituras (a Bíblia) como a Tradição da Igreja condenam claramente essa prática. 

Nas últimas décadas, entretanto, fez-se um silêncio crescente a respeito da moral natural e da moral católica nessa matéria, ao mesmo tempo em que uma ampla campanha favorável à prática homossexual foi lançada através dos meios de comunicação de massa. 

Mesmo assim, dentro da sociedade democrática em que vivemos, tanto os defensores da moral católica como os seus opositores podem se manifestar livremente, publicar livros, fazer campanhas públicas e defender suas posições. 

Essa liberdade, agora, está ameaçada pelo julgamento no STF, que pode considerar inconstitucional ser contra o homossexualismo; equiparando o repúdio à prática homossexual ao crime de racismo e aplicando as mesmas penas, inclusive a pena de prisão. 

Nesse sentido, o voto do Min. Celso de Mello, relator do processo, foi de grande gravidade, praticamente “criando” um novo tipo penal de “homofobia”

Em uma época em que a esquerda defende que o aborto deixe de ser crime, assim como deseja liberar as drogas, e ataca o que considera como punitivismo (punir em demasia), essa mesma esquerda entra com um processo querendo criminalizar e punir os que são contrários à prática homossexual. 

Em nome da “não discriminação”, discriminam-se os que defendem publicamente a posição católica nessa matéria. 

Sobre isso, é preciso esclarecer que a palavra “discriminar” está sofrendo uma mudança de conceito com o propósito de quebrar a resistência da sociedade a essas transformações morais. 

Toda lei discrimina, tanto a lei de Deus como a lei dos homens, ao separar o lícito do ilícito, o certo do errado, e punir o crime. Toda pena de prisão é uma discriminação contra um ato considerado crime. A palavra, portanto, é neutra. O ato de discriminar se torna censurável, errado, na medida em que ele é usado para perseguir o bem, como está se dando agora. 

O ministro Celso de Mello, embora reconheça o direito dos que seguem a Lei de Deus de “narrarem” passagens da Bíblia contra o homossexualismo, por outro lado também afirma que nenhuma liberdade religiosa ou mesmo liberdade de expressão é absoluta e que nenhum discurso de ódio pode ser tolerado… 

O termo “discurso de ódio” é suficientemente amplo para poder ser usado contra qualquer pessoa que critique, publicamente, o ato homossexual. Mesmo podendo relatar o que está nas Sagradas Escrituras, os cristãos poderão dizer que o homossexualismo constitui um vício? Poderão eles repudiar uma conduta que consideram intrinsecamente desordenada, como está no Catecismo Católico? 

A Bíblia, quando afirma taxativamente que os efeminados não herdarão o Reino de Deus (1, Coríntios, 6, 9-10) está apenas narrando um fato? Ou essa afirmação pode ser considerada como uma discriminação a um grupo social? Ficará a circulação da Sagrada Escritura dependendo das interpretações de cada juiz? 

Assim ocorreu em diversos regimes totalitários, notadamente com os comunistas, que chegaram a proibir ou a censurar a Bíblia por conter trechos que não eram do agrado do regime. 

Apesar de enaltecer a democracia brasileira, o relator do STF acusava os contrários ao homossexualismo de serem: “cultores da intolerância, cujas mentes sombrias rejeitam o pensamento crítico, …repudiam o direito ao dissenso, …ignoram o sentido democrático da alteridade e do pluralismo de ideias”… que se apresentam como corifeus e epígonos de sectárias doutrinas fundamentalistas. (Grifos nossos). 

Ora, o que está em jogo é, exatamente, censurar o dissenso a respeito do tema do homossexualismo, impondo uma espécie de dogma laico contra a moral Católica, cujos transgressores estariam sujeitos até mesmo à pena de prisão. Há algo mais radicalmente contrário ao senso crítico e ao pluralismo de idéias do que ameaçar de prisão quem não concorda com a prática homossexual? 

Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode ser discutida não é defender o pluralismo de idéias, mas silenciar, discriminar e perseguir os contrários. 

No Direito penal, não há “analogia em prejuízo do réu” (analogia in malam partem), não há “pena e nem crime sem lei anterior que os defina” (Nullum crimen, Nulla poena sine praevia lege). 

Entretanto, nada disso importou. Usando uma interpretação ampla dos direitos constitucionais, o Ministro relator considerou que a homofobia poderia ser enquadrada no tipo penal de racismo. 

Na prática, equivale a penalizar uma ação que antes não era penalizada. 

Sobre isso, os juristas irão discutir. O fato inconteste, entretanto, é que não foi o Legislativo — a quem cabe criar leis e definir penas — que criminalizou a chamada homofobia, mas terá sido uma decisão de uma corte de justiça, baseada em interpretação subjetiva em matéria penal feita em prejuízo do réu. 

A prevalecer essa decisão, estaremos diante de uma perseguição religiosa sem paralelo na história moderna. Através de uma simples interpretação, a Moral católica — e a da imensa maioria do Brasil — terá se tornado inconstitucional. 

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira não poderia ficar inerte diante da gravidade desse momento. 

Cabe aos Ministros do Supremo, homens que ocupam uma posição privilegiada e de alta responsabilidade nos destinos de nosso País, cumprir a sua função jurisdicional, dizer o Direito. Que eles não se deixem levar pela sedução de mudar a sociedade através da força do Estado, pois esse não é o papel dos juízes. 

Que Nossa Senhora Aparecida, invocada pelo ministro Toffoli em sua posse como Presidente do STF, não permita que essa perseguição religiosa seja imposta ao País do Cristo Redentor. 

São Paulo, 21 de fevereiro de 2019 
Festa de São Pedro Damião 
Instituto Plinio Corrêa de Oliveira