19 de setembro de 2019

NOVA MARCHA CONTRA A PRÁTICA DO ABORTO


O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira está convidando todos os seus membros, amigos e simpatizantes a também participar da Marcha pela Vida Brasil que se realizará no próximo domingo (dia 22) às 14:30hs na Avenida Paulista. (Ponto de encontro: Metrô Brigadeiro).

O aborto provocado — qualquer que seja o pretexto para perpetrá-lo — acarreta a morte cruel e injusta de um ser humano inocente, e por isso constitui grave violação da Lei de Deus.
Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto provocado. Este ensinamento não mudou. Continua invariável.
O aborto direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral: Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido.
Deus, senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna ao homem.
Por isso a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crimes nefandos.
Nascer é um direito!
Lamentavelmente, já há várias iniciativas para descriminalizar o aborto, por qualquer motivo, até os três meses de gestação. Há vozes ainda mais radicais, que defendem a completa liberalização do aborto até os nove meses de gestação!
Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido
Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil e Diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, em seu discurso de encerramento da "Marcha pela Vida Brasil" ocorrida em 30-9-2018, lembrou que o aborto, acima de tudo, é uma grave ofensa a Deus Nosso Senhor. A indignação por esta grave violação dos Direitos de Deus deve ser o principal motivo pelo qual devemos rejeitar o aborto!
Para evitar mais passos rumo ao aborto livre, exigimos que o direito à vida seja efetivamente protegido, sem que se permita a ampliação do aborto no Brasil.
Nascer é um direito inalienável e precisa ser defendido em nossa Constituição de forma clara, para que o direito à vida não se torne puramente virtual e para que a proteção dos fracos e dos indefesos seja realmente uma das estrelas de nosso firmamento, no qual o Cruzeiro do Sul é símbolo eloquente da bênção do Cristo Redentor sobre nossa Pátria.
Não rejeitemos essa bênção com a ampliação da lei do aborto!
Por isso, acesse o site abaixo — ou preencha o formulário ao lado — e assine e compartilhe você também essa petição e vamos fazer algo para barrar essa “vanguarda da morte”!

http://nascereumdireito.com.br/

8 de setembro de 2019

Apostolado e epopeia dos santos missionários

Em S. Vicente (SP), o Pe. Manuel da Nóbrega, abençoando as tropas que, sob o comando de Estácio de Sá, partiam para expulsar os invasores franceses do Rio de Janeiro. A seus pés, ajoelhado, vemos o Pe. Anchieta. Pintura de Benedito Calixto, Palácio S. Joaquim (RJ).

Representação nas selvas brasileiras dos milagres de São Francisco de Assis 


Nóbrega e Anchieta foram grandes heróis da fé católica. A esses santos missionários muitíssimo devemos pelo fato de terem impulsionado o processo civilizatório que resultou na grandeza do Brasil. 

Entretanto, eles foram, por assim dizer, “excomungados” pelos neo-missionários da eco-teologia progressista. A nova missiologia condena o fabuloso apostolado -- para catequizar, civilizar e salvar os indígenas da barbárie -- exercido por tantos santos missionários que sacrificaram suas vidas no interior de nossas selvas. 

Em homenagem à inestimável epopeia desses heróis nacionais, segue um comentário de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado num artigo para “O Século”, do Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 1932. 

"Anchieta, Evangelho nas Selvas", Benedito Calixto (1893)

Se pudéssemos recorrer a uma comparação profana, para dar ideia da importância de Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o Brasil o que Licurgo foi para Esparta, e Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar as primeiras construções e organizar as primeiras instituições.

Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue nas nascentes da Nação brasileira, construindo seu primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, redigindo nas praias do oceano os primeiros versos compostos em plagas brasileiras. Anchieta foi simultaneamente nosso primeiro mestre-escola, nosso primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, “o mais antigo vulto da literatura brasileira”, como o chamava Silvio Romero.

Acima dessa tríplice coroa fulgura ainda o diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras os milagres do Poverello de Assis, cuja simples presença amansava feras e atraía os passarinhos, nas florestas densas da Úmbria.

28 de agosto de 2019

A Encíclica Humanæ Vitæ e a revolução sexual Uma condenação atual e perene

Luiz Sérgio Solimeo

No dia 25 de julho de 2018, a Igreja celebrou o 50º aniversário da publicação da Encíclica Humanæ Vitæ, do Papa Paulo VI, lançada no contexto da revolução sexual de meados dos anos sessenta. A moda, a literatura e a indústria do entretenimento haviam contribuído para uma atmosfera em que a moral tradicional em matéria sexual foi subvertida. Isto se manifestou especialmente em filmes de Hollywood, na televisão, na descoberta e divulgação da pílula anticoncepcional e no advento da minissaia. 

(É proibido proibir)
Em maio de 1968, o surto de distúrbios estudantis na maioria das universidades do Ocidente deu à revolução sexual uma base ideológica, unificando e dando significado a toda uma gama de tendências desordenadas voltadas contra a moral tradicional. Essa base ideológica consistia numa mistura de anarquismo, marxismo e freudismo. Ela negava a ordem político-social, e qualquer forma de autoridade, civil, religiosa ou de lei moral. Um slogan pintado nas paredes do campus da Universidade de Paris-Sorbonne (É proibido proibir) condensava numa frase toda essa revolta. [foto ao lado]

Ao mesmo tempo, círculos católicos progressistas procuravam fazer com que a Igreja “se adaptasse" cada vez mais ao mundo. Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais. 

A Igreja não pode mudar a Lei de Deus, expressa na natureza

Foi nesse clima de contestação que o Papa Paulo VI decidiu publicar uma encíclica sobre a contracepção — a Humanæ Vitæ.[1] A encíclica deu grande alívio aos fiéis católicos, ao mesmo tempo que provocava consternação nas hostes liberais, porque reafirmou, com toda clareza, a doutrina tradicional da Igreja sobre a natureza do casamento e a finalidade primária do ato sexual. Ao mesmo tempo condenou, de modo incisivo, o uso da pílula anticoncepcional ou de qualquer outro meio artificial de contracepção. 

A encíclica explica claramente que a Lei de Deus não pode ser mudada, uma vez que ela é expressa na própria natureza humana: “A Igreja não foi a autora dessa lei, e não pode portanto ser árbitra da mesma; ela é somente depositária e intérprete; nunca pode declarar lícito aquilo que não o é, pela sua íntima e imutável rejeição ao que se opõe ao verdadeiro bem comum do homem”.[2] 

A encíclica é baseada na lei natural e na Revelação, ambas manifestando a vontade de Deus. O Magistério da Igreja recebeu a missão não apenas de interpretar a Revelação, mas também a lei natural, portanto aborda a moral em todos os seus aspectos: “Jesus Cristo, ao comunicar a Pedro e aos Apóstolos a sua autoridade divina, e ao enviá-los a ensinar a todos os povos os seus mandamentos, constituiu-os guardas e intérpretes autênticos de toda a lei moral; ou seja, não só da lei evangélica, como também da natural, dado que ela é igualmente expressão da vontade divina, e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação”.[3]

Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual, “é própria e exclusiva aos cônjuges”,[4] e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.[5] Por isso, não hesita em afirmar: “Chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida”.[6] 
Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais. 

Condenando a limitação artificial da natalidade 

Ao contrário da mentalidade antinatalista de hoje, que vê as crianças como obstáculos à felicidade conjugal, a encíclica recorda: “Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.[7] E delineia a obrigação dos cônjuges de aderir às normas ditadas pela lei natural e divina: “Na missão de transmitir a vida, os pais não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, [...] mas devem conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus”.[8] 

Quando o ato conjugal é praticado de tal maneira que “prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus, Criador de todas as coisas, nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana”.[9] Em linguagem simples, está afirmado que pecam os que praticam o ato sexual impedindo artificialmente a procriação.

Assim, a Igreja não pode aceitar, mas deve condenar a contracepção: “Em conformidade com estes pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos uma vez mais declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo gerador já iniciado; e sobretudo o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas. É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher. É ainda de excluir toda a ação que, em previsão do ato conjugal ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”.[10]

Para se avaliar o alcance e a seriedade dessa condenação, o Papa deixou claro que estava falando como Doutor da Igreja Universal e sucessor dos Apóstolos. De fato, depois de expor os novos problemas do Magistério, ele afirma inequivocamente: “Por isso, depois de termos examinado atentamente a documentação que nos foi preparada, depois de aturada reflexão e de insistentes orações, é nossa intenção agora, em virtude do mandato que nos foi confiado por Cristo, dar a nossa resposta a estes graves problemas”.[11] 

Alguns teólogos liberais alegaram que o aspecto unitivo do ato conjugal, por si só, é suficiente para justificá-lo. E poderia ser dissociado do aspecto procreativo, justificando assim o uso da pílula anticoncepcional. A encíclica, ao contrário, reafirma que os aspectos unitivos e procreativos do ato conjugal são inseparáveis por sua própria natureza, como estabelecido pelo Criador. Portanto o homem não pode, por sua própria iniciativa, romper a conexão inseparável “entre o significado unitivo e o significado procreativo”, ambos inerentes ao ato conjugal.[12]

Tais teólogos invocam a teoria do “mal menor”, para justificar o uso da pílula anticoncepcional. No entanto, a encíclica explica que essa teoria não se aplica a este caso: “Nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal para que daí provenha o bem (Rom. 3, 8); isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado, e portanto indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais”.[13]
Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual “é própria e exclusiva aos cônjuges”, e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.

Advertindo os Estados de índole totalitária 

Quem analisa a Humanæ Vitæ não pode deixar de admirar a sabedoria da doutrina tradicional da Igreja, prevendo ao longo do tempo a situação a que chegaria o mundo moderno, com os Estados exibindo tendência sempre crescente de definir suas próprias normas para as famílias, resultando uma assustadora corrupção da moral. Por isso a encíclica enfatiza que o controle artificial da natalidade abre facilmente o caminho para a infidelidade conjugal e causa “um abaixamento geral dos padrões morais”, expondo particularmente os jovens à tentação. A advertência é clara: 

“Quem poderia reprovar um governo que aplicasse à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? [...] Portanto, não se querendo expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem é lícito ultrapassar, seja ele simples cidadão privado ou investido de autoridade”.[14] 

Não há nada utópico na solução apresentada pela Humanæ Vitæ, e de fato é a única realmente coerente e eficaz. Por isso ela chama a atenção dos “educadores e de todos aqueles que desempenham tarefas de responsabilidade, em ordem ao bem comum da convivência humana, [...] para a necessidade de criar um clima favorável à educação para a castidade, isto é, ao triunfo da liberdade sã sobre a licenciosidade, mediante o respeito da ordem moral”.[15] 

Observa ainda que a virtude da castidade, sem a qual a família está destinada a perecer, infelizmente é atacada de todas as formas: “Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unânime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano. Em vão se procurará justificar estas depravações com pretensas exigências artísticas ou científicas, ou tirar partido da liberdade deixada neste campo por parte das autoridades públicas”.[16] 

Agir de acordo com ensinamentos perenes 

Que São Joaquim e sua castíssima filha, a Virgem Maria,
iluminem a tantos que no meio da confusão dos dias atuais
correm o risco de encaminharem seus passos
pelos caminhos de perigosa e terrível perdição
Cinquenta anos após a publicação da Humanæ Vitæ, seus ensinamentos continuam válidos como sempre, e indiscutivelmente se aplicam ao debate sobre o “casamento” homossexual e inúmeras outras aberrações, que tanto ameaçam a família e a própria vida humana. Em meio a essa cacofonia, que obedece a comandos ocultos, deve ser sempre reafirmada a doutrina católica sobre o propósito do ato sexual, e, portanto, do casamento. 

Baseada na imutabilidade da natureza humana, na Sabedoria e Vontade divinas, a doutrina católica prega hoje aquilo que sempre pregou e sempre pregará até o fim dos tempos. Tal pregação nem sempre é popular. De fato, a Humanæ Vitæ foi recebida com desânimo e desprezo pelos promotores da revolução sexual. Mas desprezo à verdade não torna a verdade menos verdadeira. Ao condenar a revolução sexual, num chamado constante para retornar à verdadeira natureza do casamento, a voz sempre coerente e perene da Igreja se destaca ainda mais em meio ao caos moral. 

Estamos em tempos difíceis, ainda mais deteriorados após a Amoris Lætitia. Mas a encíclica de Paulo VI permanece um farol para os que são fiéis ao ensinamento perene da Igreja. Hoje, infelizmente, muitos teólogos, inclusive bispos e cardeais, querem mudar essa doutrina perene. Há até rumores de que o Papa Francisco teria convocado uma comissão para estudar a história da Humanæ Vitæ, presumivelmente com a intenção de modificá-la. 

De nossa parte, aconteça o que acontecer, teremos sempre como norma de vida e combate os princípios imutáveis da lei natural e da Revelação.

____________ 

Notas 
1. CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE PAPA PAULO VI, 25 de julho do ano de 1968, http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html. Durante a comemoração do 40º aniversário, Bento XVI enfatizou: “Quarenta anos depois da sua publicação, aquele ensinamento não só manifesta a sua verdade inalterada, mas revela também a clarividência com a qual o problema é tratado”. (Discurso aos participantes do congresso internacional organizado pela Pontifícia Universidade Lateranense por ocasião do 40º aniversário da Encíclica Humanae Vitae, em 10 de maio de 2008: http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2008/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20080510_humanae-vitae.html. 
2. HV, nº 18. As citações da Humanae Vitae referem-se ao número do parágrafo da encíclica apresentado no site do Vaticano: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html 
3. HV, nº 4. 
4. HV, nº 8. 
5. HV, nº 9.
6. HV, nº 11.
7. HV, nº 9.
8. HV, nº 10. 
9. HV, nº 13.
10. HV, nº 14. 
11. HV, nº 6. Inúmeros teólogos são da opinião de que a condenação da contracepção é uma doutrina infalível. Por exemplo: Pe. M.R. Gagnebet, O.P., “The Authority of the Encyclical Humanae Vitae” ("A Autoridade da Encíclica Humanae Vitae"), em www.ewtn.com/library/Theology/AUTHUMVT.HTM; Pe. John Hardon, S.J., “Contraception: Fatal to the Faith” ("Contracepção: Fatal à Fé"), em www.catholic-pages.com/morality/fatal.asp; Pe. Brian W. Harrison, O.S., revisão de Humanae Vitae e Infallibilità: il Concilio, Paolo VI e Giovanni Paolo II (“Humanae Vitae e Infalibilidade: o Concilio, Paulo VI e João Paulo II”), por Ermenegildo Lio, O.F.M. (Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 1986), em www.rtforum.org/lt/lt12.html; Pe. Joseph H. Ryder, S.J., “Pope Paul VI’s Encyclical Humanae Vitae as an Infallible Definition of Doctrine” (“A Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI como uma Definição Infalível de Doutrina”), Social Justice Review, em www.socialjusticereview.org/articles/humanae_vitae.php. 
12. HV, nº 12.
13. HV, nº 14. 
14. HV, nº 17. 
15. HV, nº 22.
16. Id. Ibid.

6 de agosto de 2019

Conduta da Igreja Católica frente ao divórcio

Tão logo a lei do divórcio se estabeleceu, as dissensões, os ódios e as separações aumentaram enormemente. Após um relaxamento moral tão assustador, até mesmo divorcistas se arrependeram por terem defendido tais separações; as quais, por não terem procurado rapidamente o remédio na lei contrária, seria de recear que a própria sociedade civil se arruinasse.

Narra-se que os antigos romanos ficaram horrorizados pelos primeiros casos de divórcio. Demorou pouco para começar a entorpecer nos espíritos o senso de honestidade; desapareceu o pudor — que modera a sensualidade —, enfraqueceu a fidelidade conjugal em meio de tal licenciosidade, a ponto de parecer muito plausível o que se lê em alguns autores: as mulheres introduziram o costume de contar os anos não por causa das mudanças dos cônsules, mas dos maridos [...].

Muito mal compreendem o interesse e a felicidade pública aqueles que imaginam poder impunemente perverter-se a genuína e verdadeira noção do matrimônio. Desconhecendo a santidade da religião e do sacramento, parecem querer corromper e desfigurar o matrimônio mais vergonhosa e ignominiosamente do que o fizeram as próprias leis dos pagãos [...].

Portanto, se essas formas de pensar não mudarem, tanto as famílias quanto a sociedade humana viverão em constante temor de serem arrastadas, lamentavelmente, para tal perigo e ruína universal, que há algum tempo vêm propondo as hordas criminosas de socialistas e comunistas. Nisso podemos ver quão equivocado e absurdo é esperar o bem-estar público com o divórcio, que, pelo contrário, arrasta a sociedade para a ruína. 

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(Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae, nº 21, de 10 de fevereiro de 1880, do Papa Leão XIII).

3 de agosto de 2019

A respeito da natureza criada por Deus, algumas frases que ecologistas odeiam

“A criação, admirável e harmoniosa, Deus não a fez senão para o homem. E se a fez tão maravilhosa, tão grande, diversificada, rica, útil, benéfica para alimentar o corpo e conduzir a alma a Deus, é por causa do homem” 

(São João Crisóstomo) 


“As coisas na face da Terra foram criadas por causa do homem, para ajudá-lo a conseguir o seu fim; por isso, devemos usá-las ou abster-nos delas, na medida em que conduzem o homem ao seu fim ou dele o afastam” 

(Santo Inácio de Loyola) 


“Um pintor deve começar o quadro com um banho de negro à tela, porque todas as coisas na natureza são escuras quando não estão expostas à luz” 

(Leonardo da Vinci) 


“Deus fez as coisas da natureza como um bom pai faz com o filho: deu um caderno com os desenhos impressos, mas sem cor, e também deu os lápis de cor para o filho pintar” 

(Plinio Corrêa de Oliveira)


“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras” 

(São Paulo, Apóstolo)

24 de julho de 2019

Uma declaração contra a implantação do divórcio no Brasil

Já nos idos de 1943 houve uma tentativa de implantação do divórcio em nosso País, por meio de um pleito reivindicado num Congresso Jurídico Nacional, e, na ocasião, Plinio Corrêa de Oliveira fez um comunicado de imprensa. Tal tentativa resultou inútil porque a opinião católica ainda reagia fortemente contra a indissolubilidade do vínculo conjugal. Segue o texto do comunicado publicado no “Legionário” de 14 de novembro daquele ano. 

“Supérfluo é dizer quanto a opinião católica está empenhada no assunto. A indissolubilidade do vínculo conjugal decorre do direito natural, e se torna particularmente cara aos católicos por motivo da dignidade sacramental a que Nosso Senhor Jesus Cristo elevou o matrimonio. Enquanto a Igreja existir — e portanto sempre — Ela lutará pela indissolubilidade do vínculo conjugal. Razões naturais e teológicas superiores a quaisquer contingências do tempo e de lugar, a tornam inimiga irredutível do divórcio, para todos os lugares, até a consumação dos séculos. Jamais, transigirá ela neste assunto. Assim, é de se compreender a atitude de apreensão que reinava em torno do assunto, e o desafogo que lhe veio trazer o relatório do Ex.mo Sr. Ministro da Justiça. 

Mas a opinião divorcista é solerte, empreendedora, combativa. Precisamos estar sempre de atalaia e combater incessantemente o divórcio. Este continua a ser, para nós, o grande dever, por excelência. 
*   *   * 
E já que falamos em casamento, destaquemos da recente mensagem do Santo Padre aos católicos do Peru [1° de novembro de 1953, por ocasião do Encerramento do Congresso Eucarístico naquele país, cfr. LEGIONÁRIO, 7 de novembro de 1943, 1ª. página], o seguinte texto de ouro: 

“Não se pode viver sem o Espírito de Deus. E quando o pobre peregrino não suportar sobre seus ombros anêmicos, se lhe falta o alimento espiritual, a carga da própria vida; quando se dobra na fraqueza como uma folha de feno e sente a angústia no coração, por haver esquecido de comer o seu pão, como nos havemos de admirar da debilidade do indivíduo — Pai, Filho, Esposo ou Esposa — que converta em dor da família, célula fundamental da sociedade, a ameaça de desfazer-se ou pulverizar-se como um bloco de cimento mal curtido, precisamente porque lhe falta a Santidade? Sem Deus Eucarístico nem sequer é possível a coordenação mútua dos diversos elementos, nem é realizável a harmonia da paz. E todo o edifício da família, todo o complexo social, longe de ser fonte de vida, não tardará a dar sinais de dissolução, como um corpo morto, em que cada elemento parece pugnar por voltar à sua anorgânica independência”.

8 de julho de 2019

Pedagogia católica e pedagogia da barbárie


➤  Paulo Henrique Américo de Araújo

Após a recente criação da Comissão Parlamentar pelo Ensino Domiciliar, mais uma iniciativa proveniente do Congresso Nacional na área da educação deixou os esquerdistas de todos os quadrantes à beira de um ataque de histeria. Trata-se da proposta do deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) de retirar do guru marxista Paulo Freire o prestigioso título de Patrono da Educação e entregá-lo à figura veneranda de São José de Anchieta [quadro acima]. 

A polêmica já havia tido um episódio preliminar quando, em fins de abril passado, o Presidente Jair Bolsonaro declarou que o Patrono seria mudado,[1] o que suscitou o primeiro lance de indignação dos asseclas da esquerda. Dentre as várias manifestações de repúdio à possível “expulsão” de Paulo Freire [foto ao lado], a de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), foi proferida durante as minguadas manifestações dos movimentos de esquerda em 30 de maio último: “Nós estamos aqui também para defender a memória de Paulo Freire e seu legado, que nos orgulham lá fora, ao contrário dessa turma lesa-pátria que nos envergonha”.[2] 

Jesuítas boicotam Anchieta 

Entretanto, o posicionamento que causou mais estranheza foi a carta dos jesuítas do Santuário Nacional de São José de Anchieta.[3] Os sacerdotes dizem ter recebido “com preocupação a notícia”, e acrescentam: “Não podemos aceitar que o legado de São José de Anchieta seja instrumentalizado para fins meramente ideológicos. Tanto ele como Paulo Freire caminham na mesma direção”. 

Mas a história não para aí. O deputado Carlos Jordy, em resposta à nota do Santuário de Anchieta, acusou os padres jesuítas de hereges: “Eles [padres do Santuário Nacional São José de Anchieta] não são padres. Eu tenho muitos eleitores católicos que são fervorosos, praticantes, e que concordam comigo que eles são hereges, teólogos da libertação. São padres ligados a uma falsa doutrina católica, criada por comunistas para desvirtuar os princípios cristãos”.[4]

A acusação é paradoxal, pois o deputado professa a religião protestante. Veja aonde chegamos: um protestante se arvora em defensor da fé católica contra padres jesuítas! E o mais estranho de tudo é que neste ponto ele tem razão. Realmente vergonhosa e triste é a situação atual da Companhia de Jesus. Acabaram-se os dias de Santo Inácio de Loyola e da instituição por ele fundada no século XVI, considerada a força mais eficaz contra a heresia protestante. 

Mas a voz dos católicos verdadeiros também se fez ouvir numa carta aberta da deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ) rejeitando a nota dos padres jesuítas: “Muito me decepciona a Nota Oficial divulgada pelo site do Santuário Nacional de São José de Anchieta e escrita pelos senhores. Como pudemos chegar ao ponto em que a figura de São José de Anchieta, co-padroeiro de nossa amada Terra de Santa Cruz e maior educador desta nação, seja boicotada publicamente por dois sacerdotes pertencentes à mesma Companhia de Jesus?”[5] 

Doutrina marxista de Paulo Freire 

Segundo Paulo Freire, Che Guevara “um dos maiores profetas
dos silenciosos do Terceiro Mundo”
 
Diante de todo esse debate, podemos nos perguntar o porquê de tanta ânsia das esquerdas e dos próceres da teologia da libertação em manter esse título para o pedagogo dos “oprimidos”. A resposta é simples: Paulo Freire é apresentado como símbolo da doutrinação marxista escolar e goza de reconhecimento internacional; reconhecimento esse, aliás, promovido por setores marxistas mais ou menos explícitos. Argumentam os marxistas brasileiros que, se há tantas honrarias ao pedagogo no exterior, como deixá-lo de lado em seu próprio país? Não é difícil excogitar os motivos para deixá-lo de lado aqui, basta ver que, apesar de tantos louvores internacionais, nenhum outro país adota a pedagogia dele em seu sistema de ensino. E assim se chega à conclusão de que ela não convém para nenhum outro país, portanto não convém também para nós. 

Mas vamos a algumas ideias do pedagogo que arrancam tantos elogios da esquerda mundial. Constata-se facilmente o viés marxista de Paulo Freire na sua obra Ação Cultural para a Liberdade.[6] Nessa compilação, o falecido professor deixa cair a máscara de sua ideologia, algo que permanecia um tanto velado em suas publicações anteriores. Destaco apenas alguns pontos onde, no meio de uma cantilena indigesta de distorções sociológicas e conceitos quase iniciáticos, a pregação marxista desse pedagogo contém as seguintes posições:[7] 

  • Nega o conceito tradicional de “alfabetização”, o qual afirma não passar de “ato mecânico de ‘depositar’ palavras, sílabas e letras nos alfabetizandos” (p. 11), de nada servindo ao trabalhador rural ou urbano para “compreender, criticamente, a situação concreta de opressão em que se acham” (p. 12); “mera transfusão alienante” (p. 12), que em nada contribui para a “transformação revolucionária da sociedade de classes, em que a humanização é inviável” (p. 120). 
  • Acusa os métodos comuns de alfabetização de “sacralizarem”, “mitificarem” a atual ordem social com o fim de preservar o poder das classes dominantes, quebrando nos educandos “oprimidos” qualquer veleidade de contestação. Seriam métodos “opressores”, “desumanizantes”, “domesticadores” (cfr. pp. 65 e 82). 
  • Considera Che Guevara "um dos maiores profetas dos silenciosos do Terceiro Mundo” e o aponta como exemplo de “comunhão entre a liderança e as massas populares”, modelo de líder que submetia a “sua prática diária a uma constante reflexão crítica” (p. 66). 

Doutrina Paulo Freire e o caos nas escolas 

A pedagogia de Paulo Freire, dita “humanista”
é uma geradora de neobárbaros, máquina
anticivilização diametralmente oposta
aos fins do próprio ensino
Mas há algo mais em Freire do que a simples doutrinação marxista corriqueira. Ele não pretende apenas inocular nos alunos a luta de classes e a revolta contra as chamadas opressões, provocando assim o desmoronamento da sociedade capitalista rumo à utopia socialista. Ao mesmo tempo, sua pedagogia também suscita a negação imediata — ali mesmo, na sala de aula — da desigualdade natural, da hierarquia legítima que deve existir entre professor e aluno, sem as quais ficam solapadas a ordem e a disciplina indispensáveis para o convívio escolar e o aprendizado eficiente. 

O ambiente convulsionado (dir-se-ia quase selvagem) nas escolas do Brasil não constitui novidade para ninguém: falta de educação, desrespeito, indisciplina são frequentes entre os alunos, bem como nas suas relações com os professores. Não estaria o método revolucionário de Paulo Freire na raiz desse estado caótico nas salas de aulas? E, como consequência, não se encontra aí uma das principais razões dos baixíssimos níveis de aprendizado dos estudantes brasileiros? Tudo indica, aliás, que a atual tendência à militarização das escolas públicas seria a última tábua de salvação antes do completo desfazimento das estruturas de ensino público no País. 

Essas questões se impõem. Diante delas os adeptos do retrógrado pedagogo marxista se poriam em silêncio ou tentariam desviar do assunto incômodo, mas não reconheceriam a necessidade de abandonar o método. Por que motivo? Na realidade, os esquerdistas entendidos pouco se importam com a qualidade do ensino propriamente dito. O que lhes interessa é a criação de jovens revoltados e indignados, que então se tornam instrumentos dóceis — “soldados”, enfim — na guerra contra o “sistema social opressor”. Aqui reside talvez a grande eficácia às avessas do método de Paulo Freire: sua pedagogia dita “humanista” é uma geradora de neobárbaros, máquina anticivilização diametralmente oposta aos fins do próprio ensino. 

Bem outra é a visão católica da educação escolar. A Igreja tem como meta, na alfabetização e instrução intelectual dos homens, a sua dignidade, elevação e civilização. Ou seja, que se assemelhem a Deus. A pedagogia de Freire e dos marxistas em geral deseja, pelo contrário, a degradação do homem, a ponto de assemelhá-lo a um animal bruto, irracional. 


*   *   * 

Volto à nota dos padres jesuítas do Santuário de São José de Anchieta. Ao apontar pontos de convergência entre Paulo Freire e o santo e venerável Apóstolo do Brasil, os mencionados jesuítas se dizem “preocupados com a instrumentalização ideológica da imagem do santo”, mas não se eximem de favorecer a ideologia marxista, qualificando o Padre Anchieta de educador dos “marginalizados” e “oprimidos” contra a “ambição dos poderosos”. Uma afirmação ridícula e contraditória, além de blasfemadora. A declaração dos jesuítas revela-se uma negação contundente da pedagogia verdadeira e um manifesto em prol da pedagogia da barbárie. 

Peçamos a São José de Anchieta que nos proteja da ação maléfica desses pseudo-educadores. Ele merece ser proclamado “Patrono da Educação”. 

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Notas 
1. Cf. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/bolsonaro-indica-que-paulo-freire-nao-sera-mais-patrono-da-educacao/ 
2. Cf. https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2019/05/estamos-aqui-tambem-para-defender-a-memoria-de-paulo-freire-diz-boulos/ 
3. Cf. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/psl-propoe-substituir-paulo-freire-por-jose-de-anchieta-padres-jesuitas-recusam/ 
4. Idem. 
5. Cf. https://filhosdedeus.blog.br/2019/05/anchieta/ 
6. Cf. versão em PDF disponível em:https://drive.google.com/file/d/1h8zV09aDlvbYg8rhas8bvYB0Zu6vHHhT/view 
7. Catolicismo publicou um estudo detalhado sobre o tema na edição de março/1977. 

7 de julho de 2019

Uma deputada digna defensora da família católica


Paulo Roberto Campos

Dedicando seu mandato a Cristo, Rei do Universo, e a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a deputada federal Chris Tonietto (PSL–RJ), entre diversos compromissos morais em defesa da família tradicional, tem o de combater o aborto, defendendo a vida inocente desde a concepção. 

No dia 4 do corrente mês de julho, a jovem deputada fluminense pronunciou um histórico discurso no Congresso Nacional sobre a identidade Católica do Brasil, nascido como Terra de Santa Cruz. Sem qualquer respeito humano, iniciou seu pronunciamento rezando uma Ave-Maria, como costumava fazer o grande São Bernardo de Claraval antes de suas homilias. Recomendo vivamente a nossos leitores assistir ao vídeo (abaixo) com seu discurso.

“As Leis de Deus acima das leis dos homens”. Ela reafirmou sua resolução de combater no Congresso Nacional qualquer tentativa de implantar leis que possam debilitar a instituição familiar e de defender e fortalecê-la em toda medida do possível em nossa legislação. 

Em seus 13 anos de (des)governo, seguindo a cartilha marxista do Foro de São de Paulo, o PT fez de tudo para conspurcar e apagar a identidade católica do Brasil. Mas percebemos que na onda conservadora que se expande em todos os estados, despontam jovens — e Chris Tonietto é disso um bom exemplo — destemidamente dispostos a restaurar a grandeza católica desta Terra de Santa Cruz. Luta que é árdua como uma batalha de reconquista, mas se formos fieis à nossa identidade católica, Cristo Rei, e sua Mãe Rainha, voltarão a reinar no Brasil em todas as famílias.
 

3 de julho de 2019

A ofensiva contra a família


Plinio Corrêa de Oliveira
“Legionário”, 27 de junho de 1943

Há dois modos de combater a família. Um, consiste em investir contra ela abertamente, quer visando extingui-la por completo, como é o caso do comunismo, quer visando destruir-lhe a parte mais importante e fundamental, o vínculo indissolúvel. 

O outro modo, porém, é inteiramente diverso, e se compõe de dois momentos. O primeiro se caracteriza pelo elogio e pela defesa do instituto familiar: “é preciso, dizem, sustentar a Família contra forças pagãs do comunismo, porque a Família é a base da organização social, a Família é o fulcro da civilização cristã ocidental, a Família é a fonte de vida da nacionalidade, a Família é isto; a Família é aquilo, a Família é uma beleza”. Este primeiro momento, pois, é ditirâmbico, estrondoso, publicitário, e põe a Família nos cornos da Lua. Ai do infeliz que ouse sequer um instante suspeitar das benemerências da Família! E os comunistas de água doce clandestinamente rangem os dentes de ódio, ante tamanha exaltação da Família. Mas, depois, do primeiro momento, vem o segundo.

Este segundo momento é o contrário do primeiro. Vem de mansinho, com pés de lã, e enquanto todas atenções e todos os ouvidos estão cheios da declamação ditirâmbica, vai corroendo tudo o que há de substancial em torno da Família, reduzindo-a à expressão mais simples, reduzindo-a mesmo, afinal de contas, a um simples rótulo sem conteúdo. Porque o instituto familiar vai sendo depenado tão impiedosamente e conscienciosamente de todas aquelas coisas que lhe dão a fisionomia própria, que acaba por ser um nome, um fantasma vago e flutuante, um sonho, uma miragem. A Família, é verdade, continua a existir, mas só poderá ser encontrada nos dicionários. Como os nossos leitores já devem ter percebido, este modo desleal de combater a Família é próprio aos regimes nazifascistas, que se caracterizam pela fraude e pela mentira despudorada, e contra os quais arremetem vitoriosamente as Democracias, a fim de pôr termo ao império do embuste.

Graças a Deus [NB: o autor escreve em 1943... Se fosse em 2019, o que diria da instituição familiar hoje atingida por tantos fatores de desagregação, como o "divórcio express" e a propaganda do pseudo "casamento homossexual" ?], a Família no Brasil está amplamente amparada não só por dispositivos constitucionais, mas também por uma série de medidas de alto alcance econômico-social que têm por objetivo fazer com que a Família não seja apenas um instituto jurídico, mas uma realidade concreta e palpitante. Isto, no entanto não impede que alguns indivíduos, pouco afinados com os sentimentos nacionais, procurem a cada momento destruí-la. 

Não faz muito tempo, presenciamos os furores da onda divorcista, que parecia um mar encapelado, e acabou por ser uma tempestade num copo d’água. Porém, a malfadada corrente divorcista, vendo fracassarem seus ataques diretos, recorre aos indiretos, procurando envenenar sub-repticiamente quanta iniciativa louvável surge em prol das famílias. Nada mais digno de encômios, por exemplo, do que a previdência social, em tão boa hora instituída a favor de nossas pobres famílias operárias; pondo-as a salvo da iminência da miséria. É visível, entretanto, que, pervertendo tão elevadas intenções, se está procurando criar, em concorrência com a mulher legítima, e em igualdade de condições com ela, a figura da “companheira”, equiparando-se assim o matrimônio cristão ao concubinato pagão. 

Ainda agora o “Diário Popular”, jornal que lamentavelmente se encarreirou no esquadrão divorcista, louvou rasgadamente a decisão de certo magistrado, que autorizou um viúvo a reconhecer filho adulterino, havido na constância do casamento. Diz aquela folha que o referido Juiz outra coisa não fez a não ser aplicar logicamente os princípios da lei que autorizou o reconhecimento dos filhos adulterinos, por parte dos desquitados. Mas, a ser assim, que resta da Família?

23 de junho de 2019

As cruzes e a felicidade


“Beau-Dieu” na fachada central da catedral
de Nossa Senhora de Amiens, França
Guilherme Félix de Sousa Martins

“Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15, 9-11).

Com essas consoladoras palavras aos Apóstolos, nosso Divino Redentor, na véspera de sua Paixão, nos mostra o quanto deseja a nossa felicidade; e para torná-la possível, Ele morreu na cruz por nós. Não nos prometeu, evidentemente, a felicidade que o mundo promete. Nossas amargas experiências cotidianas provam com abundância que o mundo não cumpre suas falaciosas promessas, portanto não precisaríamos de comprovação científica para ter esta certeza.

A novidade, no entanto, é que instituições universitárias de renome começam a oferecer cursos especiais dedicados a ensinar aos universitários como conseguir a felicidade.1 Já se pode desde logo prever o insucesso dessa empreitada, pois a “alegria completa” mencionada no Evangelho de São João apresenta esta condição: “se guardardes os meus mandamentos”. E o que se conhece sobre a generalidade desses profissionais do ensino universitário leva-nos a prever que tal condição será sistematicamente ignorada, quando não ridiculizada.

Com efeito, as regras que Deus nos impõe, sob a forma de Mandamentos, são garantias para atingirmos o grau de felicidade possível nesta Terra. São como o corrimão de uma escada: servem de apoio no caminho ascendente para o Céu, e ao mesmo tempo preservam-nos das quedas a que estamos sujeitos pela fraqueza e concupiscência. Se a obediência a essas regras exige sacrifício — portanto, certo sofrimento —, maior sofrimento traz a desobediência a elas. 

O divórcio arruína a família


“Não me casei contigo porque te quisesse,
casei-me contigo para querer-te”.
Palavras do Chanceler alemão Otto von Bismarck
em resposta a uma carta de sua esposa
Johanna (ambos no quadro).
Um exemplo frisante nos foi oferecido em 12 de agosto último pelo insuspeito diário madrileno “El País”, versão on-line,2 com o título A economia do desamor. O autor analisa, a partir de dados estatísticos da Europa e dos Estados Unidos, as consequências do divórcio na vida financeira dos cônjuges. O cabeçalho já contém um significativo resumo: “Romper o vínculo familiar supõe, para as classes médias, uma viagem rumo ao empobrecimento”. Se bem que os aspectos econômicos não sejam os mais importantes no matrimônio e no divórcio, não se pode negar-lhes a importância. Afinal, a propriedade é o esteio da família; e a comunhão de bens, associada ao caráter indissolúvel do matrimônio como Nosso Salvador o instituiu, visa exatamente garantir a estabilidade da célula mater da sociedade.

A busca da felicidade fora das sendas iluminadas pelo amor de Deus não poderia conduzir a precipício maior que o divórcio. Do ponto de vista estritamente econômico, o divórcio “é um pedágio caro, pois quem passa por essa experiência perde, em média, 77% de seu patrimônio”. O autor o compara ao fenômeno astronômico do buraco negro: “O divórcio atrai e arruína o patrimônio com a mesma determinação com que essa geografia do espaço encarcera a luz e a matéria”.

Após uma análise toda ela voltada para as estatísticas — preocupada com os números, mas esquecida dos aspectos principais do matrimônio — o leitor é surpreendido por uma insólita conclusão: “Longe da geografia dos números, o estado ideal de todo casal […] é conviver como consta em uma carta que há mais de cem anos Otto von Bismarck escreveu a sua mulher. Naqueles dias, [as cartas] demoravam a chegar, ou não chegavam nunca. ‘Tenho medo de que te esqueças de mim’, anotou sua esposa. O chanceler alemão respondeu: ‘Não me casei contigo porque te quisesse, casei-me contigo para querer-te’. Oxalá a vida de casal transcorresse sempre como neste tempo do verbo”.

Ao que tudo indica, Bismarck compreendeu melhor que os liberais modernos o modo de encontrar a felicidade no matrimônio. No fundo, sua resposta — “casei-me contigo para querer-te” — pressupunha a determinação de vencer os obstáculos que ele desde o início divisara. Em linguagem católica, esses obstáculos chamam-se “cruzes”. São os sacrifícios que a obediência aos mandamentos supõe — aos casados, não menos que aos solteiros — sobretudo em um mundo paganizado, que rejeitou o jugo suave de Nosso Senhor.

Para atingir a “alegria perfeita”, a fórmula é clara: “perseverar no amor de Deus, guardando seus mandamentos”. Obviamente, com a assistência benfazeja da graça divina, inesgotável para aqueles que a procuram.
___________

Notas:
 Fonte: Revista Catolicismo, Nº 814, Outubro/2018

22 de junho de 2019

Cresce o círculo de influência da Contra-Revolução


   
Lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019 [Fotos: Cleia Viana / Câmara dos Deputados]

 ➤  Paulo Henrique Américo de Araújo

O auditório encontrava-se lotado. Todos os presentes pareciam muito à vontade, quase como se estivessem em casa. Homens, mulheres, casais jovens; e para completar, muitas crianças corriam e brincavam entre as poltronas, através dos corredores, deixando-se filmar e fotografar. Mas o leitor se enganaria, julgando tratar-se de festa de aniversário ou reunião de pouca importância. Não! Lá estavam vários deputados federais, jornalistas aglomerados; e na tribuna, uma Ministra de Estado.

Um menino mais ousado subiu correndo até a área das autoridades, e se escondeu sob a mesa junto da qual se achava a Ministra. A mãe, em estado avançado de gravidez, rapidamente alcançou o pequeno atrevido, e após pequena luta conseguiu retirá-lo daquele lugar inapropriado. Todos os que presenciaram a cena, inclusive a Ministra, sorriam e achavam graça.

A descrição que acabo de fazer é fidedigna. Eu mesmo a acompanhei, e seria facilmente confirmada por todos os presentes no lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019.1 A alegria distendida da cena pode surpreender o leitor, e foi certamente sentida pelos frequentadores dos carrancudos ambientes parlamentares de Brasília, assim amenizado pela presença incomum de tantas crianças em evento que dizia respeito a elas. 
As crianças amenizaram com sua presença o importante evento

Defender os filhos da corrupção moral

Por cima do debate sobre o ensino domiciliar (home schooling), durante aquela sessão as atitudes, o convívio, as maneiras de ser revelavam algo de profundamente distendido, gentil, suave, algo autenticamente brasileiro. Bem o oposto do que se costuma ver no Congresso: carrancas, manifestações furiosas, gestos histéricos, violentos até.

Como argumento mais recorrente a favor do ensino domiciliar, os deputados integrantes da Frente Parlamentar apontavam sobretudo a defesa da família, sob os aplausos entusiasmados da audiência. A Ministra Damares Alves foi especialmente ovacionada quando afirmou: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos”.

Poderia haver nos presentes algumas discrepâncias de métodos, mas um princípio era compartilhado por todos: a educação das crianças cabe primeiro aos pais. Ao Estado cabe apenas a função supletiva, acessória. Os pais têm o direito e o dever de defender seus filhos, especialmente quando se sabe que o ambiente escolar está impregnado de doutrinação marxista e degradação moral. Assim, a bandeira do home schooling adquire, em linhas gerais, um inegável caráter contra-revolucionário.

Algumas ponderações e distinções se impõem. Em seu depoimento aos participantes, uma mãe de dois filhos com problemas mentais indicou que o home schooling não é para todos, mas sim para os pais que desejarem e tiverem condições para tanto. Para os militantes da esquerda, contrários à educação dos filhos em casa, deixou este recado, sob aplausos do auditório: “Nós não somos extra-terrestres!”. 
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Fracos argumentos contra o ensino em casa


A argumentação contrária ao home schooling alega que a educação cabe primeiro ao Estado, e secundariamente à família. Num evidente embaralhamento de conceitos, exemplifica com crianças hipotéticas, que fora das escolas públicas não teriam oportunidade de interação, convívio com pessoas diferentes (na verdade, recorrem a termos tendenciosamente manipulados, como “diversidade”, “socialização”, “preconceitos”, etc). Os pais que negam isso aos filhos são pejorativamente tachados de retrógrados, conservadores obtusos, religiosos fanáticos.

Nesse sentido, é reveladora a declaração de Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp: “Se a família tem visões racistas ou preconceituosas, a escola tem que transformar esses valores em socialmente desejáveis. Cada família vai estar centrada nos seus valores e achar que são únicos, só que a gente tem que pensar que educa as pessoas para uma sociedade democrática, plural”.2

A mensagem da professora não poderia ser mais tendenciosa: deve-se corrigir as famílias de seus “racismos” e “preconceitos”, quer dizer, de seu posicionamento contra o homossexualismo ou contra a ideologia de gênero, por exemplo. E a escola se apresenta como o lugar ideal para libertar as crianças de tais ideias religiosas “radicais” e “discriminatórias” vindas dos pais...

Ainda mais ostensivamente contrária é a opinião da jornalista Renata Cafardo, num pequeno artigo para “O Estado de S. Paulo”: “Com 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, o governo de Jair Bolsonaro escolheu priorizar em seus primeiros cem dias o ensino em casa, praticado por cerca de 7 mil famílias”.3 Note-se que o vozerio altissonante da esquerda em favor das minorias (sobretudo a autointitulada LGBT) aplaude qualquer iniciativa governamental que as favoreça, mas isso não vale para as minorias do home schooling, nas quais não reconhece o direito de existir.

Com esta comparação se percebe como a iniciativa da educação em casa tem causado dores de cabeça aos revolucionários de nossos dias. 

A reação anticomunista se fortalece


Após a referida reunião no Congresso Nacional, em 12 de abril o Governo Federal apresentou projeto de lei para regulamentação do ensino domiciliar.4 É claro que os contrários esperam barrar essa iniciativa, para manterem como obrigatória para todas as crianças a escola que no entanto qualificam como “plural”, “diversa” e “cidadã”. Os campos estão bem delimitados, nessa batalha que não deve terminar tão cedo.

O ambiente distendido e alegre no Congresso Nacional, por ocasião do lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, em nada diferia das multidões pacíficas, tipicamente brasileiras, que se aglomeraram nas principais cidades do País a partir de 2013. Pois os pais que se preocupam com os perigos da doutrinação esquerdista e a degradação moral nas escolas acompanham e apoiam também as incontáveis outras reações sadias da opinião pública nos últimos anos — manifestações firmes, serenas, contra o socialismo e a imoralidade, sem nada de agressões nem agitações.

Esse panorama trouxe-me a recordação de uma entrevista concedida por Plinio Corrêa de Oliveira ao Prof. Marcelo Lúcio Ottoni de Castro, na ocasião em que este preparava sua dissertação de mestrado em História.5 Quando o diálogo tratava do desequilíbrio de forças da Revolução e da Contra-Revolução, especificamente entre as décadas de 60 e 90 do século XX, o entrevistado deixou claro o que pensava:

“No desequilíbrio de forças, a da Contra-Revolução aumentou mais. Por quê? Porque a Revolução se tornou mais radical. E tornando-se mais radical, muita gente que era da chamada ‘terra de ninguém’, entre Revolução e Contra-Revolução, se assustou e voltou para trás. São os ‘agredidos pela realidade’. Esses voltaram e acrescentaram em algo o círculo de influência da Contra-Revolução. Não ficaram propriamente contra-revolucionários, mas ampliou-se o círculo de influência da Contra-Revolução”.

A constatação acima se apresenta ainda mais verdadeira ao analisar os fenômenos de opinião pública ocorridos no Brasil recente. Nos 13 anos dos governos Lula-Dilma, aguçou-se uma reação veemente de grande parte dos brasileiros contra a cavalgata esquerdista. E aí está o fenômeno do “ensino domiciliar”, a comprovar o fato. Assim cresce o círculo de influência da Contra-Revolução.

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Notas