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| A Rainha Maria Antonieta prisioneira na Conciergerie – Charles Louis Lucien Müller (1815-1892). Museu Hamburger Kunsthalle, Hamburgo (Alemanha). |
Blog da Família
15 de outubro de 2026
MARIA ANTONIETA NA PRISÃO
13 de outubro de 2026
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| O Papa Inocêncio III sonha com São Francisco sustentando com o ombro a Igreja — Giotto di Bondone (1266–1337). Afresco na Basílica Superior de São Francisco de Assis. |
No dia 4 deste mês, unimo-nos às alegrias da Santa Madre Igreja e de toda imensa família franciscana, para dar graças a Deus por ter dado ao mundo o ‘Poverello de Assis’ para a honra e glória da Trindade Santíssima e de toda a Igreja
✅ Plinio Maria
Solimeo
São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, vivia tão unido a Nosso Senhor Jesus
Cristo, que pôde afirmar: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais
eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2,20).
O mesmo poderia dizer de si São Francisco de Assis, um dos santos mais
populares do mundo, que marcou profundamente não só a vida da Igreja, mas
também a sociedade temporal. Poucos santos terão vivido as máximas evangélicas
tão profundamente, de modo a merecer, à semelhança do Salvador, a graça de
receber em seu corpo os sagrados estigmas da Paixão.
Por isso São Boaventura, 3º Geral dos Franciscanos, contemporâneo e
póstero do Poverello, chamou-o de um “Outro Cristo” (Alter
Christus), pois “consagrava a Ele um amor tão vivo, e o Bem-amado, em
troca, mostrava para com ele uma ternura tão familiar, que o servo de Deus parecia
sentir fisicamente diante dos olhos a presença contínua do Salvador, como por
várias vezes confidenciou a companheiros”.
É o que confirma também, por exemplo,
Frei Ugolino Brunforte, provável autor dos poéticos Fioretti, numa
linguagem bem medieval: “O glorioso monsior S. Francisco, em todos os atos
de sua vida foi conforme a Cristo bendito... Por ter sido o verídico servo de
Cristo, monsior S. Francisco, em certas coisas quase um outro Cristo dado ao
mundo para a salvação dos homens, Deus Pai o quis fazer em muitas ações
conforme e semelhante a seu filho Jesus Cristo”.
Sustentáculo da Igreja ameaçada de ruína
O hagiógrafo e historiador francês
Daniel Rops (1901 – 1965), membro da Academia Francesa de Letras, assim
introduz São Francisco de Assis em seu estudo A Igreja das Catedrais e das
Cruzadas: “No decorrer do verão de 1210, Inocêncio III viu apresentar-se
numa audiência um rapaz franzino, de olhar ardente, vestido com a grosseira
túnica e capuz dos camponeses da época, a cintura apertada com uma corda e os
pés nus dentro de sandálias. Vinha de Assis, um povoado da Úmbria, rodeado de
doze companheiros tão indigentes como ele — doze discípulos como os Apóstolos —
e, conforme se dizia, desejava expor ao Santo Padre as suas observações sobre a
situação da Igreja e suas ideias sobre o apostolado.”
Ora, diz Daniel Rops, esse Papa tivera
“nessa mesma noite, um sonho em que via a basílica de Latrão, igreja-mãe da
Igreja, oscilando, prestes a desmoronar-se. Mas surgia um homem enviado por
Cristo que, sozinho, apoiando-se contra as muralhas vacilantes, impedia a
catástrofe. Era um homem magro, jovem, rosto de asceta, olhar inflamado,
vestido com um humilde burel, o retrato exato daquele que estava ali de pé na
sua frente [...]. Rompendo por fim o seu longo silêncio, [o Papa]
exclamou: ‘Na verdade, é por meio deste homem piedoso e santo que a Igreja de
Deus será restabelecida nas suas bases!’ Desceu do seu trono, abraçou aquele
pequeno pobre e, dirigindo-se ao reduzido grupo dos discípulos, acrescentou:
‘Ide com Deus, meus irmãos, e pregai a penitência segundo a inspiração do
Senhor. E, quando o Todo-Poderoso vos tiver feito crescer, voltai a
procurar-me, e eu vos concederei então muito mais do que hoje”.
Síntese biográfica
Francisco nasceu em 1182, na pequena e poética cidade
de Assis, um dos filhos do rico mercador de tecidos Pedro Bernardone — que se
tornará famoso por sua usura e cegueira em relação ao filho — e de uma dama de
origem francesa de nobre sangue e grande virtude, chamada Pica Bourlemont.
Narra uma lenda que sentindo as dores do parto ela não
conseguindo dar à luz, trasladaram-na à estrebaria da casa, onde nasceu
Francisco, à semelhança do Salvador, sobre a palha, entre o asno e o boi.
Alegre, esbanjador, mas temente a Deus
Nada sabemos da infância do santo. Na Legenda de
São Francisco (ou Dos Três Amigos), escrita por três de seus
primeiros discípulos, lemos: “— Já crescido, como era dotado de inteligência
viva, dispôs-se a continuar o ofício paterno, isto é, a mercancia, porém com
outros entendimentos, pois ele era muito mais alegre e liberal do que o pai:
gostava de andar em festiva companhia, quer durante o dia quer durante a noite,
pelas ruas de Assis, em divertimentos e cantos, e era tão grande esbanjador,
que gastava em reuniões e banquetes tudo quanto ganhava.” Ao que acrescenta
São Boaventura: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo
ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia.”
O próprio Francisco confessa: “— Eu verdadeiramente
creio nunca haver, por graça de Deus, cometido falta sem ter feito disso
expiação, confessando o meu pecado e me arrependendo da minha culpa.”.
Alegre, jovial, desprendido, gentil, afável, “— o
Senhor incutia em seu coração um sentimento de piedade que o tornava generoso
com os pobres. Este sentimento foi crescendo em seu coração; e impregnou-o de
tanta bondade, que ele decidiu, como ouvinte atento que era do Evangelho, ser
generoso com quem lhe pedisse esmola, sobretudo a quem pedisse por amor de
Deus”, de modo a dar até parte de seu vestuário se não tivesse mais
dinheiro.
A popularidade que Francisco adquirira até então entre
seus conterrâneos se devia mais às suas qualidades morais que às físicas, pois “—
era pequeno e de aspecto miserável”, atraindo pouco a atenção daqueles que
não o conheciam.
“Despreza o que amaste” — entrega à Dama Pobreza
Levava ele essa alegre e despreocupada vida, quando
teve as primeiras revelações divinas que o chamavam para uma vida mais elevada.
Rezando um dia na igreja de São Damião, ouviu o Crucificado pedir-lhe que
restaurasse sua casa, que estava em ruínas. Tomando as palavras literalmente,
empenhou-se na reforma não só desse templo, mas de dois outros mais. O Divino
Redentor, porém, pediu que sobretudo restaurasse não os edifícios das igrejas,
mas a própria Igreja enquanto instituição.
Mas disse-lhe o Salvador: “Se queres conhecer minha
vontade, precisas desprezar todas as coisas que até aqui materialmente amaste e
desejaste. Quando tiveres feito isto, ser-te-á agradável tudo quanto te é
insuportável e se tornará insuportável tudo quanto desejas”.
Foi então que interveio o pai, Pedro Bernardone, pois
o filho dava de esmola tudo o que tinha e passou a levar uma vida considerada
insensata pelo mundo.
Ocorreu então o conhecido episódio de Bernardone
apelar ao Bispo para fazer cessar as “extravagâncias” do filho; este se
apressa em despojar-se até da roupa do corpo para satisfazer a ganância do pai.
Depois disso Francisco entregou-se inteiramente ao que chamou a Dama Pobreza,
seguindo ao pé da letra os conselhos do Evangelho.
Fundação dos Frades Menores
“Como outro Elias, começou Francisco a anunciar a
verdade, no pleno ardor do Espírito de Cristo. Convidou outros a se associarem
a ele na busca da perfeita santidade, insistindo para que levassem uma vida de
penitência. Começaram alguns a praticar a penitência, e em seguida se
associaram a ele, partilhando a mesma vida, usando vestes vis. O humilde
Francisco decidiu que eles se chamariam Frades Menores”.
Surgiram assim os primeiros 12 discípulos que, segundo
registram os Fioretti, “foram homens de tão grande santidade que,
desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e
santos”.“Aqueles que vinham abraçar esta vida distribuíam aos pobres tudo o que
tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e um par de roupas
internas, e não queriam mais”, dirá mais tarde Francisco em seu Testamento.
Os novos apóstolos reuniram-se em torno da pequena
igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o
berço da Ordem.
O santo sustém a Igreja Católica
Aqui se
insere a cena relatada por Daniel Rops, citada acima.
Munidos da aprovação pontifícia, os novos religiosos
saíram para pregar, em duplas, percorrendo as cidades da região e mostrando aos
seus habitantes, pela palavra e pelo exemplo, o caminho da salvação.
Espírito e força de Elias
Certa noite os frades viram um carro de fogo de um
esplendor maravilhoso, com um globo brilhante parecido com o sol, entrar pelo
aposento em que estavam, dando três voltas no recinto. Compreenderam que Deus
os quisera mostrar, por aquela figura, “que seu pai Francisco viera ‘no
espírito e na força de Elias’. Desde então [Francisco] penetrava
os segredos de seus corações, predizia o futuro e realizava milagres. Estava patente
para todos que o espírito de Elias, duas vezes mais poderoso, viera habitar
nele com tal plenitude, que o mais seguro para todos era seguir sua vida e
ensinamentos”.
Francisco manifestava seu amor a Deus por uma alegria
imensa, que se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe
perguntava qual a razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza
do coração e da constância na oração”.
Essa divina loucura da cruz que assomou Francisco e
lhe angariou muitos discípulos, devia atrair também uma jovem filha do Conde de
Sasso Rosso, Clara, de 17 anos. Desde o momento em que ouviu o Pobrezinho
pregar, compreendeu que a vida que ele indicava era a que Deus queria para ela.
Francisco tornou-se seu guia e pai espiritual de sua alma.
Como os pais tinham outros planos para Clara, foi
preciso que ela fugisse para a igrejinha da Porciúncula, onde cortou os
cabelos e passou a se vestir com um simples hábito. Nascia assim a Ordem
Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Duas semanas depois, Inês,
irmã de Clara, a seguia no claustro, e mais tarde uma terceira, Beatriz.

Encontro de São Francisco e São Domingos
em Roma — Federico Zuccaro (1541-1609).
Coleção Particular.

Encontro de dois homens providenciais
Em 1217, indo a Roma, Francisco se encontrou com outro
luminar da Igreja da época, Domingos de Gusmão, que também havia fundado uma
Ordem religiosa para combater a decadência dos costumes. Os dois santos se
abraçaram, estabelecendo uma amizade solidificada pelo amor de Deus.
Pouco depois Francisco recebia em sua Ordem um dos que
seria sua maior glória e tornar-se-ia o santo mais popular do mundo, Frei
Antônio de Lisboa — mais tarde, também “— de Pádua”.
Dissabores e fundação da Ordem Terceira
Uma das maiores dores de Francisco foi ver surgir uma
nova tendência entre seus frades, chefiada pelo Superior Frei Elias, que dava
uma orientação diferente da do santo, principalmente em relação aos estudos e
ao modo de observar a pobreza. Francisco chegou a amaldiçoar Frei Pedro de
Stacia, um dos frades da nova tendência.
Por outro lado, eram tantos os leigos que, ligados
pelos laços do matrimônio ou com outros encargos terrenos não podiam observar
inteiramente as regras franciscanas, mas queriam pertencer à sua família de
almas, que Francisco fundou uma Ordem Terceira para abranger a todos.
Muitos grandes personagens — como São Luís, Rei de França, e Santa Isabel,
Duquesa da Turíngia — a ela pertenceram.

São Francisco recebe os estigmas
— Vincenzo Carducci (1576–1638).
Hospital da Venerável Ordem Terceira, Madri.

Recepção dos estigmas
Dois anos antes de sua morte, tendo Francisco ido ao
Monte Alverne em companhia de alguns de seus frades mais íntimos, pôs-se em
oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne. Na figura de um serafim de
seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado, que depois de Se entreter com
ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados
estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, com quem tanto desejara se
assemelhar, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.
Cantando os louvores da “Irmã Morte”
Em sua última doença e já próximo da morte, queria
Francisco que Frei Ângelo e Frei Leão permanecessem junto a seu leito para
cantar os louvores da “Irmã Morte”. Àqueles que se escandalizavam com
essa atitude, respondia: “Por graça do Espírito Santo, sinto-me tão
profundamente unido ao meu Senhor Deus, que não posso deixar de me alegrar
n’Ele.”
“Por fim, tendo-se realizado nele todos os planos de Deus, o bem-aventurado adormeceu no Senhor, rezando e cantando um Salmo, no dia 4 de outubro de 1226, aos 45 anos, sendo canonizado apenas dois anos depois.”
Retrato do Santo
“Segundo a descrição deixada por Tomás de Celano, a
aparência física de Francisco era extremamente agradável, e sua face refletia a
inocência de sua vida, a pureza de seu coração e o ardor do fogo divino que o
consumia. Era de estatura um pouco abaixo da média, cabeça proporcionada e
redonda, com a face alongada e nariz reto e fino, pescoço esguio, testa plana e
curta, olhos negros e límpidos, cabelos castanhos, orelhas pequenas. Sua voz
era forte, doce, clara e sonora; os dentes eram unidos, alinhados e brancos, os
lábios pequenos e delgados, a barba era preta e um tanto rala; seus ombros eram
direitos, os braços curtos, as mãos delicadas com dedos longos, as pernas
delgadas, pés pequenos, pele fina e sempre muito magro.
“Sua visão de si mesmo era, porém, oposta:
descrevia-se como ‘um franguinho preto’, e o retrato pintado
no ‘Fioretti’ segue a mesma linha, mostrando-o como um homem miúdo de
aspecto muito desprezível e vil, e que, por este motivo nunca conseguia muitas
esmolas entre gentes que não o conheciam.”
Amor abrasado à Sagrada Eucaristia
[Francisco] “Encontrara a liberdade interior dos filhos de Deus; ele
extraía sua força de sua íntima união com Jesus na Sagrada Comunhão. O mistério
da Sagrada Eucaristia, sendo uma extensão da Paixão, ocupava um lugar
preponderante em sua vida, e ele não tinha nada mais importante do que tudo o que
dizia respeito ao culto do Santíssimo Sacramento. Assim, não apenas ouvimos
falar de Francisco exortando o clero a demonstrar o devido respeito por tudo o
que se relaciona com o Sacrifício da Missa, mas também o vemos varrendo igrejas
pobres, buscando vasos sagrados para elas e providenciando hóstias feitas por
ele mesmo.”
Isso é confirmado por São Boaventura que, na sua Legenda Maior,
diz: “O sacramento do Corpo do Senhor inflamava-o de amor até o mais íntimo
do coração: pasmava de admiração perante uma misericórdia tão amante e um amor
tão misericordioso. Comungava com frequência e com uma devoção irradiante que
contagiava quem o ouvia. Ao saborear o Cordeiro Imaculado, como inebriado, era
muitas vezes arrebatado em êxtase. Dedicava um amor indizível à Mãe de Jesus,
por ter sido Ela que nos deu por irmão o Senhor de majestade, e por meio dela
termos alcançado misericórdia. Depois de Cristo, era nela que depositava a
maior confiança, e por isso a escolheu como padroeira para si e para os seus, e
em sua honra jejuava com grande fervor desde a festa de S. Pedro e S. Paulo até
à Assunção.”
Participação no mistério da Cruz
Na obra acima citada, diz ainda
São Boaventura que “o mistério da cruz, profundo e insondável, irradiante de
carismas e graças, fonte de mérito e de virtude, tesouro de sabedoria e de
ciência, permanece oculto aos sábios e prudentes deste mundo. Mas foi
plenamente revelado a esse pequenino e humilde servo de Cristo, de tal sorte
que a sua vida não foi outra coisa senão seguir o caminho da cruz, saborear a
doçura e pregar a glória da mesma cruz. E assim, logo no princípio da sua total
entrega ao Senhor, pôde com verdade dizer como o Apóstolo: ‘Longe de mim
gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo’. Posteriormente, já
mais avançado no caminho da perfeição, poderia acrescentar com não menos
verdade: ‘Todos quantos seguirem esta norma, sobre eles desça a paz e a
misericórdia’. Finalmente, ao consumar-se a sua união com Cristo, diria por
certo, e se possível ainda com mais verdade: ‘Trago no meu corpo as chagas do
Senhor Jesus’”.
Tentativas de converter os infiéis
São Francisco, em seu fervor
missionário, desejava ardentemente converter os infiéis, sobretudo os
muçulmanos. Por isso ele fez várias tentativas de ir para o Oriente.
Narra o Pe. Paschal Robinson em seu
artigo na The Catholic Encyclopedia:
“No outono do mesmo ano (1212), o ardente desejo de
Francisco pela conversão dos sarracenos levou-o a embarcar para a Síria; mas,
após naufragar na costa da Eslavônia, teve de retornar a Ancona.”
Porém, o Santo não esmoreceu com esse fracasso. Tanto assim que “[em
1214] partiu para o Marrocos, em outra tentativa de alcançar os infiéis e, se
necessário, derramar seu sangue pelo Evangelho; mas, enquanto ainda estava na
Espanha, foi acometido por uma doença tão grave que foi obrigado a retornar à
Itália mais uma vez”.
Persistente, novamente “Francisco partiu de Ancona em 21 de junho
rumo a São João de Acre, e esteve presente no cerco e na tomada de Damieta.
Após pregar às forças cristãs ali reunidas, destemidamente se dirigiu ao
acampamento infiel, onde foi feito prisioneiro e levado perante o sultão.
Segundo o testemunho de Jacques de Vitry, que estava com os cruzados em
Damieta, o sultão recebeu Francisco com cortesia, mas, além de obter deste
governante a promessa de um tratamento mais indulgente para os cativos
cristãos, a pregação do santo parece ter surtido pouco efeito. Antes de
retornar à Europa, acredita-se que o santo tenha visitado a Palestina e ali
obtido para os frades o apoio que ainda hoje mantêm como guardiões dos lugares
sagrados”.
Concluindo o artigo, citamos como surgiu o primeiro presépio, segundo
relatado por Thomas de Celano.

São Francisco celebra o Natal em 1223
— Giotto di Bondone (1266–1337).
Afresco na Basílica Superior
de São Francisco de Assis

Tradição dos presépios
A bela tradição de montar presépios para comemorar o nascimento do
Menino Jesus foi-nos legada por São Francisco de Assis. Tomás de Celano conta
como São Francisco celebrou o Natal no ano de 1223:
“O que ele [São Francisco] fez no aniversário de Nosso Senhor Jesus
Cristo, perto da pequena cidade chamada Greccio, no terceiro ano antes de sua gloriosa
morte, deve ser especialmente lembrado e recordado com reverência. Naquele
lugar havia um homem chamado João, de boa reputação e vida ainda melhor, a quem
o bem-aventurado Francisco amava com um amor especial.
“O bem-aventurado Francisco mandou chamar esse homem, como costumava
fazer, cerca de quinze dias antes do nascimento do Senhor, e disse-lhe: ‘Se
queres que celebremos a festa de Nosso Senhor em Greccio, vai depressa e
prepara diligentemente o que te disser. Pois desejo fazer algo que nos faça
recordar o Menino que nasceu em Belém e que mostre aos nossos olhos, de alguma
forma, as dificuldades das suas necessidades infantis, como jazia numa
manjedoura, como, com um boi e um jumento ao lado, se deitou sobre a palha onde
fora colocado.’ Quando o bom e fiel homem ouviu estas coisas, correu
depressa e preparou naquele lugar tudo o que o santo lhe havia dito.
“Mas o dia da alegria se aproximava, chegava o tempo do grande júbilo.
Os Irmãos foram chamados de seus respectivos lugares. Homens e mulheres daquela
vizinhança prepararam, com corações alegres, de acordo com suas posses, velas e
tochas para iluminar aquela noite que iluminava todos os dias e anos com sua
estrela brilhante. Finalmente, o santo de Deus chegou e, encontrando tudo
preparado, viu e se alegrou. A manjedoura estava pronta, o feno havia sido
trazido, o boi e o jumento foram trazidos. Ali a simplicidade era honrada, a
pobreza exaltada, a humildade louvada, e Greccio se tornou, por assim dizer,
uma nova Belém. A noite estava iluminada como o dia e encantou homens e
animais. O povo veio e se encheu de nova alegria com o novo mistério. A mata ressoava
com as vozes da multidão e as rochas respondiam à seu júbilo. Os Irmãos
cantaram, pagando sua dívida de louvor ao Senhor, e toda a noite ecoou com sua
alegria. O santo de Deus estava diante da manjedoura, suspirando, tomado de
amor e repleto de uma felicidade maravilhosa. As solenidades da Missa foram
celebradas sobre a manjedoura e o sacerdote experimentou uma nova consolação.
“O santo de Deus estava vestido com as vestes de diácono, pois era
diácono, e cantava o santo Evangelho com voz sonora. E sua voz era forte, doce,
clara, sonora, convidando a todos às mais altas recompensas. Então, ele pregou
para o povo que ali estava, e proferiu palavras encantadoras sobre o nascimento
do pobre Rei e a pequena cidade de Belém. Frequentemente, quando desejava
chamar Cristo Jesus, chamava-o simplesmente de Menino de Belém, transbordando
de amor por Ele; e ao pronunciar a palavra Belém, sua voz era mais como o
balido de uma ovelha. Sua boca estava mais cheia de doce afeto do que de
palavras. Os dons do Todo-Poderoso se multiplicaram ali, e uma visão
maravilhosa foi vista por um certo homem virtuoso. Pois ele viu uma criança
deitada sem vida na manjedoura, e viu o santo homem de Deus aproximar-se e
despertar a criança como de um sono profundo. Essa visão não era inadequada,
pois o Menino Jesus havia sido esquecido no coração de muitos; mas, pela ação
de sua graça, Ele foi trazido de volta à vida por meio de seu servo São
Francisco e gravado em suas memórias fervorosas. Por fim, a solene celebração
noturna chegou ao fim, e cada um retornou para sua casa com santa alegria.
“O feno que havia sido colocado na manjedoura foi guardado para que o
Senhor pudesse salvar os animais de carga e outros animais por meio dele,
multiplicando sua santa misericórdia. E, de fato, muitos animais de toda a
região circunvizinha, que sofriam de diversas doenças, foram curados após
comerem desse feno. [...] e um grande número de pessoas de ambos os sexos
daquele lugar, que sofriam de várias doenças, obtiveram a saúde que buscavam.
Mais tarde, o local onde a manjedoura havia ficado foi santificado com a
construção de um templo do Senhor, e um altar foi erguido em honra do
beatíssimo padre Francisco sobre a manjedoura, e uma igreja foi construída”.
7 de outubro de 2026
LEPANTO — 455 anos depois: vitória que ainda fala ao Brasil
✅ Paulo Roberto
Campos
Há 455 anos, em 7 de outubro de 1571, as águas do
golfo de Lepanto, na costa ocidental da Grécia, tornaram-se cenário de uma das
batalhas navais mais célebres da História. De um lado, a poderosa armada do
Império Otomano; de outro, as forças da Liga Santa, reunidas sob o impulso do
Papa São Pio V.
O confronto ultrapassou desde o início os limites
de uma disputa militar. Para a Europa do século XVI, estava em jogo a contenção
do avanço otomano no Mediterrâneo. Para São Pio V, tratava-se também de uma
batalha espiritual: enquanto as galeras avançavam sobre o inimigo, a
Cristandade era convocada a rezar o Rosário.
Quatro séculos e meio depois, Lepanto continua
sendo evocada como símbolo de uma vitória alcançada quando tudo parecia
favorecer o adversário.
Neste 7 de outubro de 2026, a recordação adquire
para os brasileiros uma atualidade particular. O País acaba de atravessar o
primeiro turno de uma eleição decisiva e, no segundo turno, permanece diante de
escolhas que poderão marcar profundamente seu futuro político, moral e
cultural.
Para os católicos, Lepanto recorda sobretudo uma verdade: há batalhas nas quais os meios humanos são indispensáveis, mas não suficientes. Foi essa convicção que levou São Pio V a pedir à Cristandade que recorresse à Santíssima Virgem por meio do Rosário.
Perigo que ameaçava a Europa
Em meados do século XVI, o Império Otomano encontrava-se
no auge de sua expansão. Constantinopla havia caído em 1453 e, pouco mais de um
século depois, os turcos controlavam vastos territórios nos Bálcãs, no Oriente
Médio e no Mediterrâneo oriental.
Em 1570, a invasão otomana de Chipre tornou ainda mais
evidente o perigo. A ilha, então sob domínio veneziano, possuía enorme
importância estratégica. Sua conquista abriria novas possibilidades para a
expansão turca pelo Mediterrâneo.
Diante da ameaça, o Papa São Pio V empenhou-se em
conseguir aquilo que as rivalidades políticas europeias tornavam extremamente
difícil: uma aliança entre potências católicas.
Nasceu assim a Santa Liga, formada principalmente
pela Espanha, República de Veneza e Estados Pontifícios, com participação de
Gênova, dos Cavaleiros de Malta e de outros Estados italianos.
O comando da armada foi confiado a Dom João d’Áustria, filho natural do
imperador Carlos V e meio-irmão do rei Felipe II da Espanha. Tinha apenas 24
anos. São Pio V depositava nele grandes esperanças. Mais ainda, porém,
depositava sua confiança no auxílio de Nossa Senhora.
Na manhã de 7
de outubro de 1571, as duas esquadras finalmente se avistaram nas proximidades
do golfo de Patras, tradicionalmente associado ao nome de Lepanto.
Mais de 400 embarcações e dezenas de milhares de
homens participariam do combate. Nas galeras cristãs, sacerdotes haviam
celebrado Missa, confessado os combatentes e distribuído a Comunhão. Muitos
soldados levavam consigo o Rosário.
Dom João d’Áustria percorreu as linhas de sua
armada animando os homens para o combate. Sobre sua nau capitânia tremulava o
estandarte da Santa Liga. Começava uma batalha da qual poderia depender o
futuro do Mediterrâneo cristão. Durante horas, os navios se chocaram numa luta
feroz. Artilharia, arcabuzes, flechas e combates corpo a corpo transformaram o
mar num imenso campo de batalha.
Apesar da bravura dos soldados de Cristo, a numerosíssima frota do Islã, comandada por Ali-Pachá [pintura ao lado], parecia vencer. Após 10 horas de encarniçado embate, os batalhadores católicos receavam a derrota, que traria graves consequências para a Civilização Cristã europeia. Mas, óh prodígio! Ficaram surpresos ao perceberem que, inexplicavelmente e de repente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada…
O momento decisivo ocorreu no centro das duas
formações, onde se enfrentaram a Real, capitânia de Dom João d’Áustria,
e a Sultana, de Ali Paxá, comandante da esquadra otomana. Depois de
sucessivas investidas, os cristãos conseguiram abordar a nau inimiga. Ali Paxá
morreu no combate. A bandeira otomana foi derrubada e o estandarte cristão
erguido sobre a embarcação.
Os católicos alcançaram a vitória, mas só mais
tarde obtiveram a explicação: aprisionados pelos católicos, alguns mouros
confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu,
ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a
fugir.
A notícia espalhou-se rapidamente entre as galeras.
A linha turca começou a desmoronar. Ao final daquela tarde, a poderosa frota
otomana estava destroçada. Mais de uma centena de suas embarcações caiu nas
mãos dos vencedores, dezenas foram afundadas ou incendiadas e milhares de
prisioneiros cristãos que serviam como escravos nas galeras foram libertados.
Era uma vitória que poucos, horas antes, ousariam
considerar certa.
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| Quadro representando a visão que São Pio V teve da vitória de Lepanto |
Os soldados combatiam, a Cristandade rezava
A centenas de quilômetros dali, outra batalha era
travada. O grande São Pio V havia conclamado os católicos a recorrerem ao
Rosário pela vitória da armada católica. Em Roma e em outras cidades,
confrarias organizavam orações e procissões.
A tradição relata que, no próprio dia 7 de outubro,
o Pontífice encontrava-se reunido com seus colaboradores quando interrompeu
subitamente os trabalhos, aproximou-se de uma janela e permaneceu alguns
instantes em silêncio.
Depois anunciou que a armada cristã acabava de
vencer e convidado os presentes a agradecerem a Deus. A notícia oficial somente
chegaria posteriormente a Roma...
O episódio tornou-se inseparável da memória
católica de Lepanto. O próprio magistério pontifício conservaria essa
associação entre o Rosário e a vitória. Séculos depois, Leão XIII recordaria
que São Pio V havia conclamado os fiéis a invocarem a Mãe de Deus e que, após a
vitória, determinou que o aniversário da batalha fosse celebrado em honra de
Nossa Senhora das Vitórias.
Mais tarde, sob Gregório XIII, a comemoração ficou
definitivamente ligada a Nossa Senhora
do Rosário. Por isso, 7 de outubro não é apenas aniversário de uma
batalha. É também o dia de Nossa Senhora do Rosário.
A lição de Lepanto
O que pode dizer Lepanto ao Brasil de 2026?
A resposta não está em estabelecer uma equivalência
simplista entre uma batalha naval do século XVI e uma eleição democrática do
século XXI. As circunstâncias são evidentemente diferentes. Existe, porém, uma
lição que atravessa os séculos.
Lepanto mostra uma Cristandade ameaçada, dividida
internamente e confrontada com um adversário poderoso, mas que soube reagir
quando encontrou unidade, determinação e confiança sobrenatural.
O Brasil também vive uma hora de profundas
divisões. O primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo,
mostrou novamente a polarização do eleitorado e a intensidade da disputa pelo
futuro político do País.
Nesse contexto, vale recordar um episódio que
provocou enorme controvérsia em 2018. Em entrevista ao jornal espanhol El
País, o ex-ministro José Dirceu declarou: “Dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós
vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.”
Em outra entrevista, concedida ao portal 180graus,
fez também uma declaração contundente sobre o Supremo Tribunal Federal: “Primeiro, deveria tirar todos os poderes do
Supremo e ser só Corte Constitucional.”
Passados oito anos, José Dirceu tentou retornar à
Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. Candidato pelo PT em São Paulo,
recebeu cerca de 78 mil votos, ficou em 17º lugar entre os candidatos de seu
partido e não conseguiu eleger-se, terminando apenas como suplente...
Batalha sobretudo moral
Entretanto, reduzir a crise brasileira a uma
disputa entre partidos seria permanecer na superfície do problema. Para um
católico, existe uma batalha ainda mais profunda. É a batalha pela alma de um
povo.
Um país não se perde apenas quando adota
determinada política econômica ou elege determinado partido. Pode perder-se
lentamente quando abandona seus princípios, relativiza a família, enfraquece a
fé, aceita a corrupção dos costumes e deixa de reconhecer as raízes cristãs de
sua própria civilização.
É nesse sentido que Lepanto conserva extraordinária
atualidade. Os combatentes de 1571 fizeram aquilo que lhes competia:
organizaram navios, reuniram soldados, estabeleceram uma estratégia e foram ao
combate. Mas São Pio V compreendeu que era necessário fazer algo mais. Mandou
rezar. O Rosário tornou-se assim a arma inseparável de Lepanto.
455 anos depois
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| Na. Sra. do Rosário de Lepanto [Foto Michael Gorre] |
Para aqueles que veem com preocupação o avanço de
projetos políticos de inspiração socialista ou bolivariana na América Latina, o
exemplo da Venezuela permanece como grave advertência sobre os riscos da
deterioração de uma nação.
Mas a resposta cristã não pode limitar-se ao temor.
Lepanto ensina justamente o contrário. Ensina a confiança. Quando as
circunstâncias pareciam desfavoráveis, São Pio V não cruzou os braços.
Mobilizou os homens e, simultaneamente, colocou sua esperança na proteção da
Santíssima Virgem.
Quatrocentos e cinquenta e cinco anos depois, a
mesma confiança pode inspirar os brasileiros. Neste dia de Nossa Senhora do
Rosário, rezemos ao menos um Terço pela nossa Pátria tão deteriorada pelo
lulo-petismo. Peçamos a Maria Santíssima que proteja o Brasil, ilumine seus
eleitores e governantes, afaste dele os erros que possam conduzi-lo à ruína anda
mais profunda e, sobretudo, obtenha a restauração moral e religiosa deste grande
povo nascido na Terra de Santa Cruz.
Porque a importante lição de Lepanto permanece de
pé: quando os homens fazem tudo aquilo que lhes compete, mas reconhecem que
acima das forças humanas está a Divina Providência, até uma situação que parece
perdida pode transformar-se em vitória.
5 de outubro de 2026
SÃO FRANCISCO DE ASSIS (1226 – 2026). Suscitado por Deus para defender e restaurar a Cristandade
29 de setembro de 2026
Eleições, Ideal Católico ou a Sovietização do Brasil
Embora de outros tempos, a tese da presente matéria continua muito atual. Publicada em “O Legionário”, no longínquo 15 de janeiro de 1933, ela tratou da Liga Eleitoral Católica (LEC) constituída por Plinio Corrêa de Oliveira e alguns amigos em 1932, quando ele tinha apenas 24 anos.A LEC exerceu enorme influência na opinião pública brasileira daquela década. Apesar de ela não mais existir, continua de pé nossa obrigação de lutar pela causa autenticamente católica. Para se compreender melhor essa luta — sobretudo agora, às vésperas das eleições nacionais —, convidamos o leitor a apenas substituir “LEC” por “ideal católico” no artigo que segue.
Bafejada pela simpatia e aprovação das autoridades
eclesiásticas e desenvolvendo uma atividade rigorosamente conforme às
diretrizes da Santa Sé, constitui a Liga Eleitoral Católica a expressão
mais eloquente do desejo dos católicos de que o Brasil não seja mais um país em
que se adore Deus apenas no segredo do íntimo dos corações ou no recesso dos
lares, mas em todos os campos da atividade humana.
Os acontecimentos que se desenrolaram, e que todos nós
conhecemos, colocaram o Catolicismo em tal situação que, do futuro pleito
eleitoral, apenas um resultado não podemos esperar: a manutenção do atual
estado de coisas.
Ou o catolicismo conseguirá vencer nas urnas e fazer
progredir resolutamente o País no caminho de sua restauração religiosa, ou o
socialismo extremado se apoderará do Brasil, para fazer dele a vítima dos numerosos
Calles e Lenines que pululam nos bastidores de nossa política, sequiosos de
“sovietizar” a Terra de Santa Cruz.
Ou o espiritualismo se afirma nas eleições, na sua
expressão mais elevada e mais genuína, que é o catolicismo, ou vencerá o
materialismo na sua forma mais violenta e mais nefasta, que é o comunismo.
Ora, de que depende o resultado do pleito? Depende dos
votos do eleitorado brasileiro.
O eleitorado brasileiro, portanto — e tanto vale dizer
os católicos brasileiros — tem em suas mãos os destinos espirituais do Brasil,
e talvez os do mundo.
Dormir enquanto uma tal batalha se prepara, viver sua
vida de todos os dias indiferente a tudo quanto não seja a banalidade das
ocupações de sempre, construir egoisticamente sua felicidade individual, enquanto
se esboroa a felicidade do Brasil e corre risco a prosperidade da Igreja, eis
aí atitudes próprias certamente de um Pilatos, nunca porém de um católico
brasileiro.
No momento presente, a ninguém é lícito repousar com a
consciência tranquila enquanto não tiver empregado todas as suas horas vagas,
todos os seus momentos de lazer, todos os seus recursos intelectuais e morais a
serviço da LEC.
E este serviço não é somente próprio aos eleitores. Podem prestá-lo todos os católicos realmente ciosos da maior glória de Deus.
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| Na foto, visita de congregados marianos do interior de São Paulo à sede da Congregação Mariana de Santa Cecília e redação do “Legionário”, em 1935. No centro, Plinio Corrêa de Oliveira. |
Uma discussão em favor da LEC no escritório onde se trabalha, ou no clube em que se faz esporte; uma palestra a respeito do programa da LEC com um companheiro que encontramos na rua ou um parente que nos visita em casa, uma oração feita em rápida visita ao Santíssimo Sacramento pelo triunfo da LEC, quem não o poderá fazer?
Ora, é destas dedicações perseverantes e ardorosas,
deste proselitismo combativo e prudente que a LEC precisa para seu triunfo,
pois que é principalmente dele que depende o sucesso do pleito.
Vemos, pois, que todos podem trabalhar pela LEC e que,
portanto, todos devem trabalhar pela LEC.
Reflitam todos os católicos sobre a grande
responsabilidade que atualmente pesa sobre seus ombros. Decidam-se a sair a
campo pelos ideais da Igreja. Porque, se algum dia se ensopar o solo brasileiro
com o sangue das perseguições religiosas, ou se encher de luto a Igreja pela
crescente descristianização do Brasil, é sobre os inertes, sobre os
indiferentes, sobre os Pilatos que cairá toda a culpa deste sangue e pesará
todo o horror deste luto.
Como na narrativa evangélica, aproximam-se os asseclas
do farisaísmo para crucificar novamente a Jesus. Entregá-lo-emos como Judas?
Dormiremos como os Apóstolos? Negaremos como São Pedro?













