Blog da Família
19 de maio de 2026
Miguel, coroinha paulista com síndrome de Down
16 de maio de 2026
Qualquer semelhança, não é mera coincidência
Uma sobrevida para Cuba
Segundo aviso dado pela irmã de Fidel, Juanita Castro, o comunismo cubano, apoiado em “manobras de alguns setores norte-americanos e latino-americanos” empenhados em impedir ou pelo menos retardar a libertação do povo cubano do marxismo, pensaria até mesmo, para aliviar a situação, em derrubar o periclitante ditador, substituindo-o por algum outro líder vermelho.
13 de maio de 2026
A grande promessa fatimista vinculada à Comunhão em reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Imaculado Coração de Maria
✅ Paulo
Roberto Campos
Da grandiosa e bela perspectiva de Fátima, com as
promessas proferidas por Nossa Senhora — carregadas de muitas esperanças, mas
também de sérias advertências à humanidade pecadora —, esta revista tem- se
ocupado com certa frequência. Tratando, por exemplo, do castigo previsto, da
consagração e conversão do mundo, e do Reino de Maria preanunciado por Ela.
Mas para a edição deste mês, e em memória da sua
primeira aparição aos três pastorinhos em 13 de maio de 1917, pediram-nos para
expor outro ponto também central nas revelações de Fátima: A prática da Comunhão Reparadora dos cinco primeiros
sábados seguidos.
100 anos se passaram da maternal recomendação dessa
prática. Entretanto, ainda hoje, ela é pouco conhecida. Grande parte dessa
ignorância é de responsabilidade do clero progressista, vinculado à teologia da libertação, que não prega a
respeito, fazendo ouvidos moucos aos pedidos implorados em Fátima pela
Santíssima Virgem. Quantos já ouviram algum sermão tratando dessa tão
importante prática? É de se contar nos dedos...
No que consiste essa devoção? Quais as condições para
cumpri-la? Que graças recebem os devotos? Trata-se de um pedido expresso da
Santa Mãe de Deus?
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| Jacinta, Lúcia e Francisco, em 13 de outubro de 1917 |
Pedidos
não inteiramente atendidos
Na terceira aparição de Nossa Senhora aos pequenos
pastores — Lúcia (então com 10 anos) e seus primos Francisco (9 anos) e Jacinta
(7 anos) —, em 13 de julho de 1917 na Cova da Iria (aldeia portuguesa de
Aljustrel, na região de Fátima), após proporcionar-lhes uma terrificante visão
da Geena de tormentos eternos1,
Ela disse: “Vistes o inferno, para onde
vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.”2
Na mesma aparição, Ela afirmou que a guerra (o
primeiro conflito mundial, de 1914 a 1918) iria acabar, mas “se não deixarem de ofender a Deus, no
reinado de Pio XI começará outra pior”.3
E ainda profetizou que Deus “vai punir o
mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e
ao Santo Padre”.
Em seguida, Nossa Senhora sublinhou:
“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.4”

Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, junto a Lúcia postulante no convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia,
em Pontevedra, Espanha.
Perseguições
aos bons católicos
O primeiro pedido da Santa Mãe de Deus
(a consagração da Rússia, que deveria ter sido feita de modo solene e em união
com todos os bispos do mundo) não foi adequadamente atendido — nem quanto às
condições, nem quanto ao prazo. Como já se tratou desta questão em edições
anteriores, aqui apenas recomendamos o best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã
Lúcia — publicado em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — de
autoria do célebre fatimólogo Antonio Augusto Borelli Machado (link abaixo).5
E, por isso, a Rússia ainda não se converteu e
continua espalhando os erros da doutrina comunista pelos quatro cantos da
Terra. Em poucas palavras, os erros que mais saltam aos olhos são o
materialismo e o ateísmo; o igualitarismo e a revolta nas relações sociais; as
blasfêmias, profanações e sacrilégios; o desprezo e/ou ultraje ao catolicismo;
a imoralidade, a prática do aborto e da eutanásia, do divórcio, até mesmo a
abolição do sacramento do matrimônio e relações antinaturais. A impiedade
avassaladora grassa por toda parte.
Impõe-se aqui uma palavra sobre o seguinte
prognóstico de Nossa Senhora: “Os bons
serão martirizados.” A respeito, basta ler o noticiário para perceber o
quanto os bons são perseguidos, por exemplo, se eles desejam levar uma vida de
acordo com a moral católica ou manifestem desacordo com as leis imorais. Isto a
tal ponto que, em certos países, leis revolucionárias e sumamente iníquas, tacham
de crime quem defende algumas verdades católicas, o que pode levar o defensor à
prisão.
Também no noticiário percebemos o martírio de
católicos em países islâmicos, o que aumenta ainda mais com as atuais guerras
no Oriente Médio; sem falar do que já temos aqui tratado no tocante às
“perseguições à Igreja” e ao seu “processo
de autodemolição”, que tanto penaliza os bons católicos devido à “fumaça de Satanás que entrou no templo de
Deus”, como afirmou Paulo VI em 1972.
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| Representação da aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus a Lúcia, em Pontevedra, Espanha. |
Transcorreu-se
um século do pedido de reparação
Quanto ao segundo pedido (comunhão
reparadora nos primeiros sábados), quem ousaria garantir que essa santa prática
é uma devoção generalizada pelo mundo inteiro? E quem garantiria que grande
parte dos católicos já a cumpriram? Tudo leva a crer que ambas as respostas
seriam negativas...
É a respeito desse segundo pedido que
passaremos a expor mais pormenorizadamente. Antes, porém, é bom que se diga que
essa devoção de extrema importância foi aprovada oficialmente em 13 de setembro
de 1939, por Dom José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria-Fátima, de 1920
até sua morte em 1957.
Além do pedido feito em 1917 por Nossa Senhora em
Fátima, como acima referido, essa magnífica devoção cordimariana está
documentada sobretudo nos escritos da própria Irmã Lúcia, especialmente nas
suas memórias e em cartas, nas quais nos baseamos.
Maria Santíssima voltou a insistir nessa devoção
oito anos após as aparições na Cova da Iria. No dia 10 de dezembro de 1925 (portanto,
há 100 anos), Ela apareceu à Irmã Lúcia — então com 18 anos de idade e única
sobrevivente dos confidentes de Fátima —, enquanto religiosa postulante no
convento da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, em Pontevedra, Espanha.
Hoje esse convento é conhecido como Santuário
das Aparições.
Quando a Irmã Lúcia estava em sua cela no convento,
deu-se a aparição. Em seus braços, Nossa Senhora portava o Menino Jesus envolto
numa nuvem luminosa, que dirigindo-se a Lúcia e “pondo-lhe uma das mãos ao ombro, mostrou-lhe um Coração rodeado de
espinhos, que tinha na outra mão. O
Menino Jesus, apontando para ele, exortou a vidente com as seguintes palavras: ‘Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe,
que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe
cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.”
Em seguida, a Santíssima Virgem tomou a palavra, acrescentando:
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Ayres da Fonseca, pp. 350-351; Thomas Walsh, p. 196; Pe. de Marchi, ed. em inglês, pp. 152-153; Pe. Antonio de Almeida Fazenda S.J., pp. X-XI).6
Aplainando
certas dificuldades
No ano seguinte, nova e maternal
insistência nessa devoção de capital importância. No dia 15 de fevereiro de
1926, o Menino Jesus volta a aparecer à Irmã Lúcia, no mesmo convento das Irmãs
Doroteias. Quando estava no jardim, fazendo um trabalho de limpeza, ela viu uma
criança, com a qual conversou. Esta, repentinamente, ficou resplandecente e
perguntou “Você revelou ao mundo o que a
Mãe Celestial lhe pediu?”.
Neste momento, Lúcia reconheceu que era o Menino Jesus, que a repreendia por não fazer mais a fim de divulgar a devoção dos Primeiros Sábados.
“A vidente dá conta de dificuldades apresentadas pelo confessor, e explica que a Superiora estava pronta a propagá-la, mas que aquele Sacerdote havia dito que sozinha a Madre nada podia. Jesus respondeu: — ‘É verdade que a tua Superiora só nada pode, mas com a minha graça pode tudo’. A Irmã Lúcia expôs a dificuldade de algumas pessoas de se confessarem no sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu: — ‘Sim, pode ser de muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria’. A Irmã Lúcia ainda levantou a hipótese de alguém se esquecer de formar a intenção ao confessar-se, ao que Nosso Senhor respondeu: — ‘Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar’”(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 400; Fazenda, pp. XI XII; Ayres da Fonseca, p. 351; De Marchi, ed. em inglês, p. 153).7
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Providencial
insistência no pedido
Estando a Irmã Lúcia em Tuy (cidade espanhola
na fronteira com Portugal), em outro convento das Irmãs Doroteias, em 1929, a
Santíssima Virgem favoreceu-lhe com outra aparição persistindo na difusão da
devoção das Comunhões Reparadoras dos
pecados que se cometem contra Ela, como pedido em Pontevedra: “Tantas são as almas que a justiça de Deus
condena pelos pecados cometidos contra mim, que venho pedir reparação.
Sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.”
Com nossos sacrifícios e orações,
podemos repará-La e podemos ajudar na salvação de muitas outras almas
pecadoras. É o que a Igreja ensina e que consta no 9º artigo do Credo “Creio na comunhão dos santos”, não
apenas no sentido daqueles santos que foram canonizados, mas de todos os fiéis
unidos a Nosso Senhor. Entre todos nós — como fazendo parte de uma ‘congregação’
de todos os batizados — há uma como que ‘circulação’ de bens espirituais que pelos
méritos d´Ele, as orações de uns podem favorecer outros de nossos irmãos na Fé.
Donde o referido pedido de reparação: comungando e rezando reparamos os pecados
cometidos por outros que ultrajam Nossa Senhora. Assim nos beneficiamos todos
mutuamente.
A
guerra poderia ter sido evitada
De tal modo Nosso Senhor Jesus Cristo
deseja que se difunda essa devoção em desagravo à Sua Mãe Santíssima, que
facilitou ainda mais os meios para cumpri-la. Na vigília de 29 para 30 de maio
de 1930, Ele, falando interiormente à Irmã Lúcia, resolveu ainda outra
dificuldade: “Será igualmente aceita a
prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus
Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas” (Cf. Memórias
e Cartas da Irmã Lúcia, Composição e impressão de Simão Guimarães, Filhos,
Ltda. — Depositária: L. E. — Porto, 1973, p. 410).
Em carta, naquele mesmo dia, ao seu confessor, então o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., a Irmã Lúcia relata que Nosso Senhor, tendo-lhe feito sentir no fundo do coração a sua Divina Presença, instou-lhe a pedir ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos Primeiros Sábados. São palavras da vidente:
(cf. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, p. 404).
“Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora”
Em outra carta ao mesmo confessor, a Irmã Lúcia
reafirmou “A confissão pode ser feita
dentro de oito dias, com tal que se esteja em graça no primeiro sábado, e se
tenha a intenção de reparar.”
Alguns meses antes da eclosão da Segunda Guerra
Mundial, a Irmã Lúcia, em outras cartas, escreveu que a guerra poderia ser
evitada difundindo-se largamente a devoção dos Primeiros Sábados. Numa delas, datada de 19 de março de 1939, ela
escreveu: “Guerra ou paz no mundo depende
da prática dessa devoção, juntamente com a consagração ao Imaculado Coração de
Maria.”
A
certeza da graça da boa morte
Já em 1940, a Irmã Lúcia, em sua primeira carta
dirigida ao Papa Pio XII, escrevera: “Pediu
[Nossa Senhora] que se propagasse no mundo a Comunhão Reparadora nos primeiros
Sábados de cinco meses seguidos, fazendo com o mesmo fim uma confissão, um
quarto de hora de meditação sobre os mistérios do Rosário e rezando um terço
com o fim de reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidos contra o
seu Imaculado Coração. Às pessoas que praticarem esta devoção, promete a Nossa
boa Mãe do Céu, assistir na hora da morte com todas as graças necessárias para
se salvarem”.8
É interessante notar que ninguém, nem
mesmo as almas mais santas, tem a certeza de que irão para o Céu; entretanto,
cumprindo-se perfeitamente os mencionados atos de piedade, como pedido por
Nossa Senhora, a pessoa pode ter a certeza da assistência espiritual para uma
boa morte. Isto se deve ao enorme poder de intercessão d’Elajunto a Deus, como Medianeira Universal de todas as graças.
Fátima
e devoção ao Imaculado Coração de Maria
Como vimos até aqui, são uma constante
as referências e vinculações entre a prática das Comunhões Reparadoras com a devoção de desagravo ao Imaculado
Coração de Maria. Fátima e essa sublime devoção são inseparáveis.
Não desenvolveremos aqui este binômio inseparável,
pois em artigos já publicados, sobretudo de Plinio Corrêa de Oliveira, a
temática já foi largamente exposta. Entretanto, apenas para rememorar, eis
alguns pontos defendidos em tais artigos: evidenciam que as revelações de
Fátima não podem ser compreendidas senão à luz da devoção ao Imaculado Coração
de Maria. Tentar separar esses temas tão intimamente ligados seria desfigurar o
plano de Deus relacionado a Fátima e mutilar seu plano quanto à salvação do
mundo, pois ambos os temas se completam e se explicam reciprocamente. Fátima
conduz ao Imaculado Coração, e o Imaculado Coração explica Fátima.
Confirmando esta tese,
que nos é muito cara, eis um só exemplo:
Na segunda aparição de Nossa Senhora,
em 13 de junho de 1917, depois de algum diálogo com as três crianças, às quais
confiou alguns segredos, Ela ouviu um pedido expresso por Lúcia:
— “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.
— “Sim — responde a Virgem Santíssima — à
Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo.
Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A
quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como
flores postas por mim a adornar o seu trono”.
— “Fico cá sozinha?” — perguntou, um
pouco assustada.
—
“Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.
Após estas últimas
palavras, nessa terceira aparição, Lúcia narrou o que viu:
“A
Virgem abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo da luz imensa
que nos envolvia. Nela nos vimos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o
Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na
que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa
Senhora estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam.
Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que queria reparação”.9
Síntese
dos pontos essenciais
Resumindo, convém acentuar que a todos
aqueles que praticarem essa devoção das Comunhões
Reparadoras, Nossa Senhora garante a graça da perseverança final, ou seja,
uma boa morte e a salvação eterna. É bom recordar que a CONFISSÃO pode ser feita no mesmo dia ou até oito dias antes ou
depois10; a COMUNHÃO deve ser feita no próprio
primeiro sábado e em estado de graça [vide quadro abaixo]; o TERÇO deve ser rezado no mesmo dia
(podem ser tanto os mistérios gozosos quanto os dolorosos ou gloriosos [vide
quadro no final]; a MEDITAÇÃO de 15
minutos, também no mesmo dia, pode ser sobre um dos 15 mistérios, sobre alguns
deles ou a respeito de todos — o que seria difícil, pois sobraria apenas um
minuto para cada mistério. Quando se fala de “Mistérios do Rosário” é no
sentido de acontecimentos revelados e narrados nas Sagradas Escrituras
relacionados à vida de Jesus. Tudo deve ser feito com a explícita intenção de
desagravar o Imaculado Coração de Maria, devido às ofensas que O atingem —
desagravar os pecados cometidos, não apenas os próprios, mas também aqueles
praticados por todo o gênero humano. Esta deve ser a principal motivação, e não
apenas a de receber graças.
Importante ressaltar: só se cumpre a
promessa caso seja repetida por cinco meses consecutivos. Se, por esquecimento
ou alguma outra razão, for interrompida, é necessário recomeçar do início, até
completar os cinco meses. Esse santo costume não se limita a ser feito apenas
uma vez na vida. Muito pelo contrário, quanto mais vezes o fizerem, melhor.
A Irmã Lúcia disse que numa das aparições Jesus lamentou o fato de que muitos começam a cumprir a promessa, mas a interrompem. Em 15 de fevereiro de 1926, Lúcia ouviu a seguinte lamentação d’Ele:
“É verdade, minha filha, que muitas almas começam os Primeiros Sábados, mas poucas os terminam, e aqueles que os completam o fazem para receber as graças prometidas. Agradar-me-ia mais se fizessem cinco com fervor e com a intenção de fazer reparações ao Coração de vossa Mãe celestial, do que se fizessem quinze de forma morna e indiferente.”
Para servir de lembrete
aos leitores que desejarem mensalmente consultar sobre as condições necessárias
para se cumprir a promessa dos Primeiros
Sábados, vide quadro mais abaixo.
“É
durante a noite que é belo acreditar na luz”
Por que o sábado é o dia especialmente dedicado à Santa Mãe de Deus? Seria uma pergunta a ser levantada, uma vez que Nossa Senhora escolheu o “primeiro sábado”, e não o domingo ou qualquer outro dia da semana.
É uma tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, consagrar a Ela o sábado. Isto porque sua fé foi integral quando seu Divino Filho estava “morto e sepultado”. Todos duvidaram, até mesmo os Apóstolos, de que Ele ressuscitaria três dias após a Crucifixão (numa sexta-feira). Como profetizado, esse acontecimento impressionante e “impossível” ocorreria no Domingo de Páscoa.
10 de maio de 2026
A prática da comunhão de cinco primeiros sábados em reparação ao Imaculado Coração de Maria
Essa devoção pedida por Nossa Senhora em Fátima (1917), e reiterada em Pontevedra (1925), é um ato de piedade extremamente eficaz para salvação não apenas particular, mas também do mundo inteiro imerso no caos
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vês de me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”
Mais magnífico do que uma Catedral para o filho: uma Mãe
“A pessoa mais importante na Terra é uma mãe.
Ela não pode reivindicar para si a honra de ter construído uma Catedral como Notre Dame.
Ela não precisa.
Ela construiu algo muito mais magnífico que qualquer catedral — a morada para uma alma imortal, a pequena perfeição que é o corpo de seu filho.
Nem sequer os anjos foram dotados de tamanha graça.
Eles não podem partilhar do milagre criador de Deus, nem levar novos santos ao Paraíso.
Só uma mãe humana pode.
As mães estão mais perto de Deus Criador do que qualquer outra criatura.
Deus une esforços com as mães para executar esse ato da criação.
O que nesta boa Terra de Deus é mais glorioso do que isso: ser uma mãe?
(Cardeal Mindszenty)
6 de maio de 2026
Católico, médico e desportista, pai de doze filhos
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| Dr. José Maria Villalón, grande especialista em medicina desportiva e notável católico, pai de doze filhos, que é presidente da Federação Madrilenha de Famílias Numerosas. |
O Atlético de Madrid é um dos clubes mais importantes da Espanha, detentor de muitos títulos tanto nacionais quanto internacionais. Seus dirigentes sempre se notabilizaram por sua fé católica. Assim, em seu estádio, o vestiário central do clube é presidido pela Virgen de la Almudena, e ele tem uma capela no túnel que leva do vestiário ao campo de futebol. Tem também capelão que preside aos funerais dos familiares dos jogadores, seus casamentos, e atende as confissões dos dirigentes e jogadores do clube.
“A família está sendo muito atacada na sociedade atual. A Espanha vai caminhando para um ‘suicídio demográfico’. Há poucas ajudas diretas e indiretas à família e à maternidade, o melhor capital que tem uma sociedade. Chama muito a atenção que os responsáveis sócio-políticos não se dão conta disto”.
“Nasci numa família católica na qual me inculcaram a fé, e fui a colégios nos quais se viviam os valores cristãos. Esta foi uma grande bênção pela qual estou muito agradecido”.
“uma mulher íntegra e cristã, que sabe inculcar nos filhos a fé, e me renovou ainda mais. Com o matrimônio nasceu esta família com a qual nos embarcamos para chegar a bom porto [...] e que é um regalo do Céu”.
“os filhos vão chegando pouco a pouco. Primeiro tens um, e te parece um mundo. Mas aprendes coisas que te ajudam com o seguinte, e com o outro [...]. Pouco a pouco vais vendo o desígnio divino. Tenhas um filho ou doze, tens que abrir-lhes as portas quando Deus os envia. Ele é quem me abençoou com uma família numerosa. Sempre estivemos abertos à vida. Para mim, não há outra opção. Seja um filho ou doze, todos são bem-vindos”.
“Em casa, todos se ajudam. Há um momento em que teu filho mais velho se converte no padrinho do sexto: ajuda-o no estudo etc. Há muita contribuição dos filhos para que a dinâmica familiar funcione”.
“Quando um jogador entra pela porta com um problema, o primeiro que faço é encomendá-lo ao seu Anjo da Guarda” para que o inspire. Assim, “quando chegam à equipe, os acolhe e os ajuda em tudo o que podes. É um trabalho de estar ali que eles percebem e te agradecem, porque muitos não têm referentes na Espanha. [Por isso] os assessoras sobre que tipo de colégios podem enviar seus filhos, ou quando surge um problema médico também em sua família. De alguma maneira influencias em sua vida ao dar-lhes um conselho quando enfrentam alguma dificuldade”.
“é simples ver a Cristo nos enfermos. Muitos médicos muitas vezes vemos, no próximo, a essa pessoa que vais ajudar, ao necessitado de quem Jesus Cristo já dizia para dar de comer ao faminto, de beber ao sedento [...]. O que nós médicos tratamos de fazer diariamente é ajudar à pessoa que necessita”.
“Também a leitura de cada dia de algum texto espiritual ou dos santos Evangelhos”.
“Dou graças a Deus porque em minha vida de fé não tive grandes altos e baixos. Sempre há pessoas como os pacientes que te pedem ajuda, e com isso te impulsionam a perseverar na fé. Também a família, os filhos. A pessoa mesmo se vai formando quando trata de ser educador dos próprios filhos. Eu creio que não tenho tido altos e baixos porque meus pais me inculcaram a fé, a trabalharam todos os educadores que tive nos colégios e as pessoas que na minha vida me têm ajudado a que me fortaleça nesse caminho. Dou prioridade no caminho da fé à família, à minha mulher e filhos. Com uma atitude voluntariosa trato de perseverar na fé porque me dá energia para seguir vivendo com alegria”.
2 de maio de 2026
Ambiente familiar na velha Europa
28 de abril de 2026
O Reino de Maria para que venha o Reino de Jesus Cristo
28 de abril é o dia fixado pela Santa Igreja para a festa litúrgica de São Luís Maria Grignion de Montfort, ardoroso missionário francês do século XVIII (o século de Luis XIV), doutor marial por excelência, nascido em 1673 e falecido no dia 28 de abril de 1716.
Entre suas numerosas profecias, uma que atrai especialmente a atenção foi o anúncio de uma Cristandade restaurada em todo seu esplendor — o Reino de Maria, como também previsto em Fátima.
Uma profecia feita há mais de 300 anos por por São Luís Grignion e que está registrada no seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (1712):
“Ah! quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? [...] Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo [...]. Quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino, ‘Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae’”*. (Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o vosso Reino - ou seja, o Reino de Jesus Cristo). [Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort, Editora Vozes, Petrópolis, 1961, VI edição, tópico 217, pp. 210-211].
A seguir, para marcar este grande dia de São Luís Maria Grignion de Montfort, transcrevo um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário” de 21 de outubro de 1945:
GRIGNION DE MONTFORT
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
Como condição de vitória, sem se desprezar nem de leve as providências concretas, devemos contar essencialmente com os recursos sobrenaturais. A História demonstra que não há inimigos que vençam um país cristão que possua três devoções: ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora e ao Papa. Investigue-se bem a queda de nações aparentemente muito fervorosas em sua adesão à Igreja: alguma broca secreta as minava em uma dessas três virtudes-chave.
A vitória, pois, depende de nós. Tenhamos em dia nossa consciência, estejamos tranquilos em Deus, e venceremos.
* * *
Isto explica o extraordinário relevo que damos a uma notícia apagada, que os jornais reproduziram há pouco: a canonização iminente do Bem-aventurado Luiz Maria Grignion de Montfort.
A notícia nada significa para o comum das pessoas. Ela significa tudo, para os que conhecem o verdadeiro fundo das coisas. A Providência resolveu jogar sua bomba atômica contra os adversários da Igreja. Perto desta bomba, as convulsões de Hiroshima e Nagasaki não passam de inocentes tremedeiras. Há dois séculos que está pronta a bomba atômica do Catolicismo. Quando ela explodir de fato, compreender-se-á toda a plenitude de sentido da palavra da Escritura: "Non est qui se abscondat a calore ejus" [Não há quem possa subtrair-se a seu calor].
Esta bomba se chama com um nome muito doce. É que as bombas da Igreja são bombas de Mãe. Chama-se O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Livrinho de pouco mais de 100 páginas. Nele, cada palavra, cada letra é um tesouro. Este o livro dos tempos novos que hão de vir.
* * *
Nosso artigo já está por demais longo, para que demos um resumo biográfico da extraordinária vida desse Bem-aventurado. Não sei de nenhuma, que seja mais empolgante e mais edificante. O que em nosso assunto é essencial, em poucas palavras se diz.
O Beato Grignion de Montfort expõe em sua obra no que consiste a perfeita devoção dos fiéis a Nossa Senhora, a escravidão de amor dos verdadeiros católicos à Rainha do Céu. Ele nos mostra o papel fundamental da Mãe de Deus no Corpo Místico de Cristo e na vida espiritual de cada cristão. Ele nos ensina a viver nossa vida espiritual em consonância com essas verdades. E nos inicia em um processo tão sublime, tão doce, tão absolutamente maravilhoso e perfeito, de nos unirmos a Maria Santíssima, que nada há na literatura cristã de todos os séculos, que o exceda neste ponto.
Esta devoção, diz Grignion de Montfort, unindo o mundo a Nossa Senhora, uni-lo-á a Deus. No dia em que os homens conhecerem, apreciarem, viverem essa devoção, nesse dia Nossa Senhora reinará em todos os corações, e a face da Terra será renovada.
De que forma? Grignion de Montfort esclarece que seu livro suscitaria mil oposições, seria caluniado, escondido, negado; que sua doutrina seria difamada, ocultada, perseguida; que ela suscitaria automaticamente uma antipatia profunda nos que não têm o espírito da Igreja. Mas que um dia viria, em que os homens por fim compreenderiam sua obra. Nesse dia, escolhido por Deus, a restauração do Reino de Cristo estaria assegurada.
Durante séculos, a canonização do Beato Grignion vem caminhando. Por fim, ela chegou a seu termo. É absolutamente impossível que esse fato não tenha um nexo profundo com a dilatação da Verdadeira Devoção no mundo.
E, nós o repetimos, é essa Verdadeira Devoção a bomba atômica que, não para matar mas para ressuscitar, Deus pôs nas mãos da Igreja em previsão das amarguras deste século.
Pois bem, nosso otimismo é este: confiamos imensamente mais na bomba atômica de Grignion de Montfort, e em seu poder, do que nós receamos da ação devastadora de todas as forças humanas.
25 de abril de 2026
Uma peculiaridade da devoção a Na. Sra. de Genazzano
A fim de assinalar a bela data que celebramos neste dia 26 de abril, a festividade de Na. Sra. do Bom Conselho de Genazzano, segue um trechinho de artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado na revista Catolicismo (Nº 212, abril/maio de 1968).
“Não é possível tratar de Nossa Senhora de Genazzano sem pôr em realce uma de suas peculiaridades mais importantes. Muitas das pessoas que recorrem à Virgem diante da Imagem de Genazzano ou de réplicas desta, têm afirmado que o semblante da Senhora lhos ‘responde’ às orações.Não que o faça falando ou movendo-se, o que constituiria manifesto milagre. Mas, sem nenhuma alteração propriamente miraculosa, algo do olhar e da expressão da Divina Mãe toma caráter particularmente vivo e impregnado de maternal alegria quando o fiel é atendido. E é à multiplicação deste favor que em boa parte se deve a expansão universal da devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano”.
21 de abril de 2026
“Viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”

Pintura representando
Dona Lucilia aos 92 anos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 903, abril/2026
O Dr. Adolpho Lindenberg, falecido aos 99 anos em 2024, foi um eminente colaborador de Catolicismo desde a sua fundação em 1951. Além de sempre se recordar, falar e escrever sobre a vida de luta de seu primo-irmão, Plinio Corrêa de Oliveira, reportava-se com saudades de sua “tia Lucilia”. Assim, em razão do sesquicentenário do nascimento dela, reproduzimos a seguir uma entrevista que o seu sobrinho nos concedeu em abril de 2018.
Nosso saudoso entrevistado, além de ter sido um constante colaborador desta revista, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) e do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Engenheiro pela Universidade Mackenzie, sua atividade profissional sempre esteve relacionada com a Construtora Adolpho Lindenberg, uma das mais conceituadas do País, que se notabilizou pela reintrodução do estilo colonial e o lançamento do estilo neoclássico na construção de edifícios.
Catolicismo — Em
que época o senhor mais conviveu com sua tia Lucilia e com seu primo Plinio
Corrêa de Oliveira?
Dr. Adolpho — Na época em que éramos
crianças, e convivíamos na casa de nossa avó, Gabriela Ribeiro dos Santos, mãe
de Dona Lucilia. Vovó era uma senhora muito aristocrática, que marcou época na
sociedade paulista do início do século passado.
Catolicismo — Antes
de passarmos às perguntas sobre Dona Lucilia, desejaríamos conhecer algo mais
da personalidade de Dona Gabriela. Alguma lembrança que o senhor pudesse narrar
a respeito?
Dr. Adolpho —
Na
sala de visitas do apartamento onde morou tia Lucilia há uma bonita pintura de
minha avó Gabriela, num quadro muito elogiado por Dr. Plinio. Retrata uma bela
senhora matriarcal, que teve relações de amizade com a Princesa Isabel. Tia
Lucilia recordava-se do vovô Antonio (esposo de Dona Gabriela) como tendo sido
um homem boníssimo, pleno de qualidades, enquanto vovó Gabriela tinha deixado a
recordação de uma senhora bonita, imponente e inteligente. Quando eu era
menino, ela aparentemente me ignorava, mas só anos depois vim a compreender que
nessa atitude anti-igualitária ela demonstrava apenas uma segurança, uma nota
aristocrática e dominadora, uma superioridade diante da qual um menino
hesitava.
Catolicismo — Poderia
descrever como era o convívio no ambiente da casa de Dona Gabriela?
Dona Gabriela
Dr. Adolpho —
A família Ribeiro dos Santos se destacava pela loquacidade, e o convívio
naquele ambiente era animadíssimo. Conservo muitas lembranças e saudades desse
convívio com toda a parentela. Nem preciso dizer o quanto Plinio, com sua
vitalidade, colaborava nessa animação, por exemplo, formando rodas de conversas
agradabilíssimas. Ele proseava com muito bom humor sobre qualquer coisa, desde
grandes fatos históricos, passando por episódios ocorridos com nossos tios, até
as cores das pedras. Costumo lembrar o dito de Talleyrand: “Quem não viveu na França no período anterior à Revolução Francesa
[1789], não conheceu a doçura de viver”. Posso afirmar que algo dessa
“doçura de viver” existia em nossa família, na então pequena cidade de São
Paulo. Recordo-me de que, alguns meses antes da morte de Dr. Plinio, eu mantive
com ele uma conversa durante a qual ele se lembrou daqueles antigos tempos, no
convívio com sua irmã Rosée, seus primos e amigos na casa de vovó. Ele, muito
mais do que eu, sentia saudades do bem-estar desse pequeno microcosmo que era o
nosso ambiente familiar.

Dona Zili, em pé, a Fräulein Mathilde, à direita, com
as crianças da família. Sentado na frente está Plinio
Catolicismo — E
como era a presença de Dona Lucilia nesse “microcosmo” na casa dos Ribeiro dos
Santos?
Dr. Adolpho — Tia Lucilia dispensava
um trato muito cerimonioso às pessoas — com os filhos e sobrinhos, com seu
esposo, meu tio João Paulo, até com seus pais, pelos quais ela nutria uma
verdadeira veneração. Muito diferente de certas pessoas modernas, que usam um
trato excessivamente íntimo. Ela não apreciava esse tipo de comportamento
“sem-cerimônias”, por assim dizer, sem certa solenidade de atitudes. Ela era
solene por natureza, o que tornava o ambiente da casa de vovó muito agradável e
elevado.
Catolicismo — Quais
suas impressões sobre a figura de sua tia, e o que mais o impressionava nela?
Dr. Adolpho — Eu quase não comento
sobre o modo de ser de tia Lucilia, mas quando aparece uma boa oportunidade,
causa-me alegria poder falar dela. Não é fácil, para aqueles que não a
conheceram pessoalmente, compreender inteiramente sua figura. Impressionava-me
muito, além de sua amabilidade e paz de alma, a força de seu olhar. Olhar de
uma pessoa reta, honesta, e de uma superioridade ímpar. Quem não é reto e
honesto poderia até ficar envergonhado na sua presença. Olhar muito meigo,
muito bondoso, mas quem não estivesse com a consciência em paz não gostava
muito. Era o encontro de olhares entre uma pessoa virtuosa e outra sem virtude.
Muito me impressionava o olhar dela, que incentivava as pessoas a enfrentar as
dificuldades da vida.
Ela
foi muito emblemática do ideal perfeito de mãe, esposa, filha e tia. Católica
ao máximo, monarquista e tradicionalista, não pactuava com o relaxamento dos
costumes, com as modas extravagantes. Lembro-me dela visitando-me quando eu
ficava doente. Ela lia para mim livros interessantes que exaltavam o heroísmo,
como o livro dos Três Mosqueteiros. E
aplicava a leitura dando bons conselhos, advertindo-me dos perigos que poderia
enfrentar em minha vida. Ela me causava a impressão de ser uma senhora muito
cerimoniosa e de uma geração anterior. Nesse sentido, nunca tingiu nem cortou
curtos os cabelos, não se pintava, usava vestidos muito discretos.
Catolicismo — Dona
Lucilia era enérgica em exigir dos filhos o cumprimento dos deveres diários?
Dona Lucilia pouco antes
de seu casamento
Dr. Adolpho —
No
período anterior à Primeira Grande Guerra, notava-se a rivalidade entre a
França e a Alemanha. Muitos no Brasil pareciam divididos: os francófilos e os
germanófilos. Tia Lucilia amava a França, e meu pai amava a Alemanha. Assim,
apesar de tia Lucilia demonstrar equilíbrio, ele se queixava de sua cunhada.
Ela era de uma cortesia admirável, manifestava muito afeto às pessoas de bom
coração, mas era intransigente em relação às pessoas más, e não cedia ao erro.
Até no relacionamento com os filhos, mesmo sendo extremamente afetuosa, exigia
deles o cumprimento integral do dever, das obrigações diárias, etc.
Por
isso, elogiava para os filhos o modo de ser do alemão, disciplinado no
cumprimento do dever. E foi certamente por isso que ela escolheu para os filhos
uma governante alemã, a Fräulein Mathilde Heldman, fato que deixou papai muito
satisfeito... Dr. Plinio admirava muito essa Fräulein bávara, pois ela o ajudou
a apreciar o estilo de vida europeu, as tradições e a nobreza europeia, as
grandes famílias e figuras do Velho Continente. Com sua cultura, essa
governante colaborou na formação de Rosée e de Plinio e no aprendizado da
língua alemã, mas também do francês e do inglês.
Em
1912, num período em que Dona Lucilia sofria de cálculos biliares, ela viajou
de navio à Alemanha com vários membros da família — Plinio tinha apenas quatro
anos, e eu nem tinha nascido —, para submeter-se a uma cirurgia com um
especialista que era médico do Kaiser, o Dr. Bier. Certamente essa viagem
colaborou para aumentar nela e nos filhos a admiração pelo modo de ser alemão,
o amor à ordem, à disciplina etc.
Tia
Lucilia e a Fräulein Mathilde colaboraram para formar a Weltanschauung (visão de mundo) do Dr. Plinio. Podemos notar isso
em sua vida e em seus escritos, por exemplo, no livro Revolução e Contra-Revolução e em sua última obra, Nobreza e Elites Tradicionais Análogas.
Alguns de meus tios ficavam meio perplexos com essa Weltanschauung adquirida por Plinio, com seu modo de ser
categórico, e pareciam pensar: “Como é
que Lucilia, tão cordata, foi ter um filho tão afirmativo como esse? É
realmente inconcebível”.
Catolicismo — Como
explicar esse modo de ser categórico de Dr. Plinio, sendo sua mãe tão serena?
Dr. Adolpho — O que levou Plinio a
tomar posições categóricas foi sua luta contra-revolucionária em defesa da
Igreja e da Cristandade, embora temperamentalmente ele se assemelhasse à sua
mãe. Ele foi um menino muito plácido, pacífico, até fleumático, gostava de
ficar contemplando as coisas da natureza. Já contei que numa fotografia de
família aparece minha prima Rosée, menina de sete anos, andando por uma
calçada, muito atenta a tudo, levando pela mão o irmão, dois anos mais novo que
ela. Plinio parece distraído, tranquilamente contemplando alguma coisa.
Mas foi devido à sua luta que ele se viu obrigado a
tornar-se um polemista, um cruzado, a discutir para defender a glória de Deus.
Quando jovem, vivendo ainda em casa de vovó, ele analisava muito as ideologias
modernas enquanto penetravam nos modos e no pensamento de seus primos. E
procurava alertá-los, para rejeitarem o que aparecia de ruim no mundo moderno
com suas extravagâncias. Tia Lucilia também ficava assustada com as
extravagâncias que iam surgindo, as modas em geral.
Catolicismo — Portanto, ela
não foi uma mulher considerada “moderna”.
Dona Lucilia
em 1929
Dr. Adolpho — Tia Lucilia, com seu
temperamento calmo e modos aristocráticos, criava em torno de si uma atmosfera
tranquila, oposta às agitações do mundo dito moderno. Ela morreu no século XX,
mas, por assim dizer, contagiava as pessoas ao seu redor com aquela atmosfera
suave e tranquila do século XIX. Poder-se-ia mesmo falar em “atmosfera
luciliana”, usando uma espécie de neologismo. As pessoas podiam chegar aflitas
e agitadas à sua casa, mas ela as “serenava” com sua calma e carinho, e aos
poucos elas se livravam da agitação. O próprio Dr. Plinio disse que ela era
excelente consoladora das pessoas: “Quando
dela me aproximava, devido a alguma aflição ou numa situação sem saída, bastava
ouvi-la dizer 'meu filho, o que é?', e metade do problema já se desfazia”.
Ela resolvia com muita benevolência as dificuldades das pessoas, e elas saíam
contentes.
Catolicismo — O que o senhor diria sobre as devoções de
Dona Lucilia?
Dr. Adolpho — Muitíssimo devota do
Sagrado Coração de Jesus, tia Lucilia tinha especial predileção pela Igreja do
Sagrado Coração de Jesus, no bairro Campos Elíseos no qual ela residia, e lá
assistia às missas dominicais junto com seus filhos. Como se pode ver ainda
hoje, essa Igreja foi decorada com muito bom gosto, belos vitrais, pinturas e
imagens. Seu ambiente, com aspectos sobrenaturais, convida verdadeiramente à
piedade. Pode-se dizer que o bom temperamento dela e seu modo de ser
misericordioso tinham como motivação sua devoção ao Sagrado Coração, do qual
possuía duas imagens: uma num pequeno oratório em seu quarto; e outra talhada
em alabastro, sobre uma coluna no salão, diante da qual passava um bom tempo
rezando.
Tia
Lucilia enviou muitas cartas ao Dr. Plinio, quando ele viajava para alguma
cidade do Brasil ou do exterior. Eis o que escreveu numa delas: “Agradou-me imenso saber que, quando tens
saudades minhas, rezas diante do meu oratório. Eu também rezo tanto por ti. O
Sagrado Coração de Jesus, nosso amor, será tua salvaguarda e protetor, filho
querido do meu coração!”.
De
outra carta, escrita por Dona Lucilia quando meus primos eram adolescentes,
destaco estas linhas: “Você [Plinio] e Rosée são confiados a Deus antes de
nascer. Portanto, com fé e amor a Deus, vocês não poderão deixar de ser
felizes, tanto mais que por vocês eu rezo noite e dia, e é natural que as
preces de uma mãe católica, mesmo de tão pouco mérito, sejam atendidas por
Nossa Senhora, que também é mãe, e por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Para
pessoas de fora de seu círculo mais restrito de amizades, Dr. Plinio não falava
muito de sua mãe, mas para nós, quando indagado sobre o seu relacionamento com
ela, deixava claro o papel que ela exerceu a fim incrementar nele a fé católica
e aumentar sua devoção aos Corações de Jesus e Maria.
Catolicismo — Dr. Plinio deixava transparecer a sua gratidão a Dona Lucilia?
Dr. Adolpho —
Dr.
Plinio, certa vez, comentou o seguinte sobre sua mãe: “Era verdadeiramente uma senhora católica. Ninguém pode imaginar o bem
que ela me fez. Estudei sua bela alma com uma atenção contínua, e era por isso
mesmo que eu gostava dela. A tal ponto que, se ela não fosse minha mãe, mas a
mãe de outro, eu gostaria dela da mesma maneira, e daria um jeito de ir morar
junto a ela. Mamãe me ensinou a amar Nosso Senhor Jesus Cristo, ensinou-me a
amar a Santa Igreja Católica”. Difícil encontrar louvor maior de um filho
em relação à sua mãe.
Ela foi mãe modelar, tanto no incentivo ao bem quanto na
censura ao mal. Por exemplo, na correção de alguma travessura dos filhos e
sobrinhos, procurava fazê-los compreender no que estavam errados e como aquilo
não era do agrado de Deus, ao mesmo tempo em que incutia nos pequenos como era
belo agir com retidão. Mas também, quando alguma criança praticava algo
louvável, era a primeira a elogiar e incrementar nela o quanto a vida virtuosa
era deleitável.
Procurava
mostrar que, mesmo se tornando mais dura a vida de quem praticasse as virtudes,
a criança seria mais feliz cumprindo o dever, ficando assim com a consciência
tranquila. Às vezes tia Lucilia ilustrava sua repreensão ou seu elogio narrando
algum episódio da vida de antepassados, ou da história de pessoas que ela
conheceu. Com suas recordações do passado, ela exemplificava com pessoas que
fracassaram na vida por seguirem o mau caminho, ou pessoas que foram felizes
seguindo o bom caminho, apesar de ser mais difícil. Desse modo estimulava os
lados bons das crianças e incutia horror aos aspectos maus. Era admirável o
senso do bem e do mal, que ela possuiu de modo extraordinário.
Catolicismo — Certa
vez Dr. Plinio fez referência a uma provação à qual Dona Lucilia foi submetida
pouco antes do nascimento dele. Poderia contar para nossos leitores?
Dr. Adolpho — Neste caso, acho que
Plinio se referia a um fato que se passou em 1908. Quando ele estava por
nascer, o médico preveniu Dona Lucilia de que ela seria submetida a um parto de
risco, e tanto ela quanto o filho poderiam não resistir à intervenção
cirúrgica. Perguntou se ela concordaria em fazer um aborto, e desse modo
garantiria a sua vida. Ela ficou chocada com a pergunta, e respondeu: “Esta é uma pergunta que não se faz a uma
mãe. O doutor não deveria sequer cogitar em tal hipótese”. Ela confiou o
filho a Deus, o parto se deu com alguma antecedência em relação ao período
normal de nove meses, e Plinio nasceu com o peso abaixo do normal, mas logo
recuperou plena saúde e peso.
Catolicismo — Sobre
a formação que ela deu aos filhos, o senhor se lembra de algo especial?
Dr. Adolpho — A vida de Dona Lucilia
foi um exemplo de uma mãe caracteristicamente brasileira e católica.
Extremamente bondosa, serena e acolhedora, ela se dedicou afetuosamente, de
todo o coração, aos dois filhos Rosée e Plinio, assim como aos sobrinhos,
procurando incutir nos pequenos a catolicidade que a caracterizava,
proporcionando-lhes ótima formação religiosa.
Dr.
Plinio se lembrava de que, ao entrar em casa após alguma atividade externa,
sentia o ambiente muito acolhedor de sua residência — os ares “lucilianos”, por
assim dizer. Ele se recordava perfeitamente do modo como ela definiu o relacionamento
virtuoso e perfeito numa família: “Viver
é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”.
Catolicismo — Esses
episódios são tão interessantes, que nos agradaria conhecer outros que o senhor
possa recordar.
Dr. Adolpho — Dr. Plinio também se
lembrava de que, ainda menino, com seus sete anos mais ou menos, lia livros
para crianças e fazia considerações sobre a pessoa de Nosso Senhor Jesus
Cristo. Com aquela idade, e contemplando as imagens d’Ele, chegou à certeza de
que Jesus Cristo era o Homem-Deus. Nisso muito lhe auxiliavam as narrações da
História Sagrada que tia Lucilia apresentava para os filhos. Essa formação
religiosa foi tão marcante, que aproximadamente naquela idade Plinio dava aulas
de catecismo aos empregados da casa, com base no que ouvira de sua mãe.

Quarto de Da. Lucilia, onde ela faleceu
Catolicismo — Dos
últimos momentos de Dona Lucilia, o que o senhor poderia nos dizer?
Dr. Adolpho — Numa reunião com Dr.
Plinio, alguém mostrou a ele uma fotografia de tia Lucilia bem idosa, na qual
transluzia muito a esperança do Céu e a confiança na misericórdia divina.
Mencionando o dito latino “Talis vita
finis ita” (tal vida, tal fim), ele comentou que toda a vida dela fora
assim, e assim ela caminhava para o final da vida. Nessa foto se percebia a
afabilidade, mas também a seriedade de uma pessoa que sofreu e estava
tranquila, pronta para se apresentar diante de Deus.
Plinio não assistiu ao desenlace final. Ele estava em casa,
mas em outro cômodo. Entretanto, um médico amigo a assistiu e fez uma narração
daquele último instante. Disse ele que naquele momento final, apesar da crise
cardíaca, tia Lucilia estava muito tranquila, e fez solenemente um grande Sinal
da Cruz. Com este sinal, despediu-se da vida e entregou sua alma a Deus aos 92
anos de idade.





















