Mostrando postagens com marcador Ambientalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ambientalismo. Mostrar todas as postagens

22 de setembro de 2025

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA, VOLTAM AS CHUVAS

 


✅   Evaristo de Miranda

Chegou o equinócio de primavera, 22 de setembro. É o fim do inverno e da estação seca, tanto aqui, como no Peru, Namíbia, Moçambique ou Timor. O clima em regiões tropicais é um relógio: chove no verão e o auge da seca é sempre no inverno. Ele não é caótico, nem a incerteza apregoada por alguns.

Se nos trópicos, o máximo das chuvas é sempre no verão, em climas temperados é o contrário: chove no inverno. O povoador português trouxe a expressão “inverno”, como sinônimo do tempo das chuvas. No Nordeste e em outras regiões, quando os agricultores falam do “inverno", da estação chuvosa, eles estão falando do verão.

Nos cenários mais catastróficos dos “especialistas” sobre o futuro do clima, ninguém chegou a ponto de sugerir mudanças no regime das chuvas ou nas estações. A dinâmica física da atmosfera é colocada em ação por quantidades colossais de energia solar e sua absorção, sobretudo, pelos oceanos.

A Terra tem quatro estações pelo fato de seu eixo de rotação estar inclinado 23 graus e 27 minutos em relação ao plano eclíptico, o de sua translação em torno do Sol. E o eixo se mantem paralelo a si mesmo ao longo do ano. Se o eixo de rotação fosse perpendicular, não haveria estações. Apenas um gradiente de calor entre o equador e os polos.

Em 22 de setembro, equinócio, faça chuva ou faça sol, o dia durará 12 horas. A noite também. No Brasil, Europa, Austrália, Japão, Canadá e Polo Sul. Em todo o planeta. Equinócio: do latim aequinoctĭu, igualdade de dia e noite.

Todo dia, o sol nasce a Leste e se põe a Oeste. No equinócio, ele nasce no Leste. Ele marca exatamente no horizonte o ponto cardeal Leste. E se põe no ponto cardeal Oeste. Bom para calibrar bússolas! E para observar da janela e marcar esses dois pontos de referência no horizonte: Leste e Oeste.

No equinócio, o sol a pino traça no solo a linha do Equador. Postes não terão sombra ao meio dia na região equatorial, como em Macapá. Ali será possível ver o disco solar no fundo de um poço ao meio dia, algo impossível em Santa Catarina ou Rio Grande do Sul, onde o sol nunca vai a pino.

Por seis meses, desde o equinócio de outono, ele esteve a pino em localidades da zona tropical do hemisfério Norte. O sol deslocou-se até o Trópico de Câncer e agora retornou ao Equador. Do equinócio de primavera em diante, se deslocará para o Sul até o solstício de verão, em dezembro, perto do Natal.

O dia da árvore, da Polícia Florestal e do fazendeiro antecederam o do equinócio de primavera. Lembram o tempo de plantar árvores, em cidades e fazendas. Em campanhas escolares, municipais e empresariais plantam árvores no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). Data importada. No hemisfério boreal, lá no Norte, é primavera. Faz sentido plantar. Aqui não. As mudas sofrem com secas e queimadas. Poucas sobrevivem. Pode-se plantar árvores o ano todo. Na primavera, chuvas e luz ajudam.

A beleza dos ciclos celestes está no trabalho rural. Cultivar a terra no ritmo da natureza. Com a primavera, chegam as chuvas. Produtores, como sempre, preparam máquinas, sementes e planejam. Olham para o céu, para as nuvens, semeiam e têm esperança. O Brasil se prepara para plantar, de novo, a maior safra de grãos da história. Deus ajuda, quem cedo madruga.

30 de outubro de 2019

Comunicado: O clamor do povo católico da Amazônia foi desprezado pelos Padres Sinodais

➤  Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Jornalista Nelson Ramos Barreto, 
colaborador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 
entregando a petição aos Padres Sinodais em Roma.

No dia 4 de outubro, às vésperas da abertura da Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Amazônica, representantes do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira entregaram oficialmente à Secretaria do Sínodo um “Pedido aos Padres Sinodais: Por uma Amazônia cristã e próspera (não uma imensa ‘favela verde’ dividida em guetos tribais)”. 

O documento trazia assinaturas de mais de 20 mil moradores da Amazônia brasileira, equatoriana e peruana, coletadas em campanhas públicas nas ruas das principais cidades da Amazônia por jovens voluntários do Instituto durante as férias escolares. 

No entanto, o Documento Final da Assembleia Sinodal simplesmente ignorou as respeitosas solicitações da população amazônica, preferindo atender as demandas da mídia internacional, que promove a psicose ambiental, e a uma minoria de ativistas indígenas levados a Roma pela Rede Eclesial Panamazônica. 

O Documento Final reconhece a influência desse lobby ideológico-publicitário já em seu primeiro parágrafo, em que os Padres Sinodais se felicitam pela “presença notável de pessoas vindas do mundo amazônico, que organizaram ações de apoio em diferentes atividades” e pela “presença massiva dos meios de comunicação internacionais” (Documento Final, nº 1). 
Petição online promovida pelo IPCO 
em apoio aos mais de 20 mil moradores da Amazônia 
que assinaram o “Pedido aos Padres Sinodais: 
Por uma Amazônia cristã e próspera 
(não uma imensa ‘favela verde’ dividida em guetos tribais)”.

Os signatários da petição do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira pediam ao Sínodo que agradecesse a Deus “pela evangelização levada a cabo pelos missionários e pela ação civilizadora dos colonizadores, que trouxeram os benefícios do progresso” (Petição, nº 1). Pelo contrário, os Padres Sinodais denunciaram “a colonização militar, política e cultural” motivada pela “ganância e ambição dos conquistadores” (DF nº 15); consideraram negativa “a influência da civilização ocidental” (DF nº 14); pior ainda, declararam que “frequentemente o anúncio de Cristo foi feito em conluio com poderes que exploravam recursos e populações oprimidas” (DF n° 15), o que é absolutamente contrário à verdade histórica e um insulto aos heróicos missionários, que realizaram uma das maiores epopéias missionárias desde a fundação da Santa Igreja. 

Além disso, os Padres sinodais praticamente renunciaram a converter os nativos ainda pagãos, declarando que “o diálogo ecumênico, inter-religioso e intercultural deve ser assumido como um meio indispensável de evangelização” (DF nº 24) e que a Igreja deve praticar uma “conversão cultural”, limitando o anúncio da Boa Nova a “estar presente, respeitar e reconhecer seus valores, viver e praticar a inculturação e a interculturalidade” (DF n° 41). Os Padres Sinodais são categóricos ao declarar este abandono da missão tradicional: “Rejeitamos uma evangelização de estilo colonialista. Anunciar a Boa Nova de Jesus implica em reconhecer os germes da Palavra já presentes nas culturas. A evangelização que hoje propomos para a Amazônia é o anúncio inculturado que gera processos interculturais” (DF n° 55).

Em vez de ouvir o “grito de angústia diante do perigo de a Amazônia se transformar em uma imensa ‘favela verde’” (Petição IPCO, n. 5), os Padres Sinodais se intrometem indevidamente em assuntos de natureza científica para os quais não têm qualquer mandato divino nem competência técnica (o que representa uma clara manifestação de “clericalismo”). Eles declararam falsamente que o desmatamento “está em quase 17% da floresta amazônica e ameaça a sobrevivência de todo o ecossistema” (DF nº 11); que “a região amazônica é essencial para a distribuição das chuvas nas regiões da América do Sul” (DF nº 6); e que “é urgentemente necessário desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases relacionados às mudanças climáticas” (DF nº 77).


Click na imagem para ampliá-la

Além disso, o Documento Final descreve uma suposta “situação dramática de destruição que afeta a Amazônia”, cuja selva estaria “em uma corrida desenfreada em direção à morte”, levando ao “desaparecimento do território e de seus habitantes, especialmente os povos indígenas” (DF nº 2). Isto resultaria da “apropriação e privatização de recursos naturais” e do que chamam de “megaprojetos não sustentáveis”, ou seja, “hidrelétricas, concessões florestais, monoculturas, estradas, hidrovias, ferrovias e projetos de mineração e petróleo” (DF nº 10), resultantes do atual “modelo econômico de desenvolvimento predatório e ecocida” (DF nº 46) e do “extrativismo predatório que responde à lógica da ganância, típica do paradigma tecnocrático dominante” (DF nº 67). 

Para os Padres Sinodais é necessário, pelo contrário, uma “conversão ecológica individual e comunitária que resguarde uma ecologia integral” (DF nº 73), assumindo “uma vida simples e sóbria” (DF nº 17) e “mudando nossos hábitos alimentares (consumo excessivo de carne e peixe / mariscos) com estilos de vida mais sóbrios” (DF n ° 84).

Ao invés de “repudiar energicamente as ideologias neopagãs” que difundem “um conceito distorcido de respeito à natureza” (Petição IPCO, nº 2), o Documento Final do Sínodo afirma a necessidade de preservar “rios e florestas, que são espaços sagrados, fonte de vida e sabedoria” (DF nº 80) e que a vida das comunidades amazônicas “se reflete em crenças e ritos sobre a ação dos espíritos da divindade, chamados de inúmeras maneiras, com e no território, com a natureza e em relação a ela” (DF n° 14). Da mesma forma, o “bem viver” dos povos indígenas (sic!) seria caracterizado por uma existência “em harmonia consigo mesma, com a natureza, com os seres humanos e com o ser supremo, uma vez que existe uma intercomunicação entre todo o cosmos, onde não há nem excludentes nem excluídos. [...] Esta compreensão da vida é caracterizada pela conectividade e harmonia das relações entre água, território e natureza, vida e cultura comunitária, Deus e as diversas forças espirituais” (DF n° 19). 

Ao invés de “repudiar a utopia comuno-tribalista” da Teologia da Libertação (Petição IPCO nº 3), os Padres Sinodais declaram que “a teologia indígena, a teologia de rosto amazônico e a piedade popular já são riquezas do mundo indígena, de sua cultura e espiritualidade” (DF n° 54) e que “eco-teologia, teologia da criação, teologias indígenas, espiritualidade ecológica” devem ser incluídas nos currículos acadêmicos de formação de um sacerdócio com rosto amazônico (DF n° 108). O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira lamenta que, ao invés de abrirem suas almas ao pedido final à Santíssima Virgem no sentido de preservarem a unidade e vocação católica das nações amazônicas, os Padres Sinodais tenham sido mais sensíveis aos eflúvios preternaturais que emanam da figura de Pachamama, presente na sala de aula sinodal e nas cerimônias idólatras de adoração realizadas em sua homenagem nos jardins do Vaticano e na igreja de Santa Maria em Transpontina. E ao se omitirem de lamentar de maneira clara e inequívoca este episódio sem precedentes, eles simplesmente ignoraram o profundo choque que causou nos fiéis do mundo todo.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira espera que, na anunciada Exortação Apostólica pós-sinodal, o Papa Francisco rejeite os erros acima denunciados, bem como a verdadeira revolução eclesiológica preconizada pelo Documento Final do Sínodo ao propor a concessão de extensos ministérios eclesiais oficiais e rotativos a leigos de ambos os sexos, abrir às mulheres os ministérios de Leitorado e Acolitado, e autorizar a ordenação sacerdotal de líderes comunitários casados. 




São Paulo, 30 de outubro de 2019 

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

5 de outubro de 2019

Neopaganismo comuno-tribal na nova prática missionária

Foto: Ricardo Stuckert / ABr
A denúncia feita há 42 anos no livro "Tribalismo Indígena – Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI",[1] de Plinio Corrêa de Oliveira, está claramente confirmada pela ecologia indigenista projetada pelo Sínodo Pan-Amazônico. Esse livro constituiu uma barreira à propagação das ideias de missionários progressistas que desfiguram o ideal de civilização cristã.

  ➤  Paulo Roberto Campos 
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 826, Outubro/2019

Autodemolição da Igreja! Expressão forte, mas muito apropriada para qualificar os objetivos do Sínodo Pan-Amazônico que se realiza neste mês em Roma. 

Em edições anteriores, Catolicismo publicou importantes comentários sobre as ideias incluídas como temas da assembleia de bispos da região amazônica. São as mesmas ideias impregnadas pelos gases pestíferos da “Teologia da Libertação” com que já trabalhavam muitos missionários, adquiridas durante a formação comuno-estruturalista em seminários, propugnadas hoje pelos eclesiásticos progressistas que defendem uma igreja místico-tribal-ecológica com rosto amazônico e indígena. 

Em artigo intitulado Amazônia, o rosto ecológico de Deus (“O Globo”, 31-8-19), Frei Betto mostra os objetivos: 
“A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, pela qual há tantos mártires, por outro lado ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado. O Sínodo [da Amazônia] busca justamente implantar uma Igreja pós-colonial e solidária, com rosto amazônico e indígena. Para a Igreja, a região é muito mais do que um lugar geográfico; é também um lugar teológico, no qual transparece a face de Deus criador [...]. Os povos indígenas guardam ainda uma sintonia holística com o Cosmo. Seus sentidos aguçados estabelecem um diálogo permanente com a natureza”. 

Criar uma nova forma de igreja 

Engolfando-se nessas mesmas ideias delirantes, outro “teólogo da libertação”, o ex-frade franciscano Leonardo Boff — coautor da encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, a respeito de questões ecológicas — afirma em entrevista publicada no site da “Unisinos” (6-9-19):[2] 
“Eles [os indígenas] conhecem o ritmo da floresta, sabem como preservá-la. Eles são nossos mestres e doutores, não os cientistas que têm uma visão de fora [...]. Existe o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que há 30 a 40 anos realiza um trabalho sistemático para a proteção dos povos indígenas. O documento do Sínodo Pan-Amazônico faz outro discurso. Não se trata de converter as culturas, mas de fazer a evangelização nas culturas, para que possa surgir uma igreja com rosto indígena. Nesse sentido, pensa-se na ordenação de padres indígenas para criar essa nova forma de igreja que não seja simplesmente a adaptação das igrejas europeias [...]. O Papa Francisco tem uma imensa liberdade interior e coragem para abrir novos caminhos. Eu acredito que serão consagrados verdadeiros presbíteros indígenas. Apoio o Bispo Erwin Kräutler, amigo do Papa, que também defende ordenar as mulheres”. 
Em ambas as declarações, vemos a contestação à ação missionária da Igreja, que tudo fazia para salvar os índios, proporcionando-lhes bens espirituais e materiais e levando-lhes a boa-nova do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nessas declarações, nota-se também a diferença em relação à ação colonizadora europeia para estabelecer a Cristandade, pois visavam à civilização e conversão de nossos irmãos indígenas. Catequizando-os, iam pouco a pouco, entre outros benefícios, extirpando a barbárie, o canibalismo, as superstições, o paganismo e o infanticídio, prática comum em várias tribos. 

Esses dois expoentes da “esquerda católica” promovem o contrário do que buscavam os missionários tradicionais, pois “não se trata de converter”, nem de transmitir aos silvícolas o ensinamento católico. Pelo contrário, nós é que devemos assimilar o que eles, “nossos mestres e doutores”, têm a nos ensinar. Para os missionários “atualizados”, o homem civilizado não é modelo para os selvagens, estes é que devem ser modelos para todo o mundo ocidental e cristão. Ambos apresentam uma visão panteísta da vida selvagem, como que identificando Deus com a própria natureza ecológica. Em suma, os novos missionários não devem mais catequizar os aborígines, mas assumir seus costumes tribais e seus cultos fetichistas.

Não se esboça nisso a criação de uma nova religião? Outro conceito que indica a tendência neste sentido é a proposta de ordenação sacerdotal de índios casados e de mulheres. 

Não menos importantes que essas declarações são as de um dos principais organizadores do Sínodo da Amazônia, D. Pedro Ricardo Barreto Jimeno, SJ, arcebispo de Huancayo (Peru), cuja recente ascensão ao cardinalato e ao cargo de vice-presidente da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) revela a extensão dos objetivos do atual Sínodo e o açodamento em realizá-los: 
“Os índios vivem o dia e não fazem planos nem para a próxima semana. Outro ponto é o seu tratamento igualitário. Não há diferenças. Eu aprendo muito com eles e continuo a aprender. Sua cultura, sua sabedoria mostrou uma transcendência que para mim era Deus.” Invertendo a condição dos missionários, sustenta que a Igreja não deveria evangelizar os índios, mas sim aprender com eles: “São os índios que devem nos ensinar tantas coisas.” As lições aprendidas com os indígenas da Amazônia representarão um impulso para uma profunda reforma na Igreja: “Devemos definitivamente apoiar a reforma da Igreja. Agora ou nunca!”. 
Dom Tomás Balduíno, falecido Bispo de Goiás Velho, ostentando
um cocar, prega os “valores evangélicos” que, segundo ele, inspiram
a cultura dos índios.

O pseudo-evangelho de D. Balduíno

“Só temos a aprender com os índios” – diz o Pe. Egydio Schwade,
assessor do CIMI. Os Jíbaros eram temidos porque matavam todos aqueles
que ousassem entrar em seus domínios. E depois, com uma técnica especial,
reduziam a proporções diminutas as cabeças de suas vítimas.
Os neomissionários progressistas, como vemos, estão requentando os erros doutrinários defendidos há décadas por alguns próceres da “esquerda católica” e do indigenismo tribalista, como o antigo bispo de Goiás, D. Tomás Balduíno (1922-2014), um dos fundadores do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Entre numerosas apologias da vida tribal e de críticas aos missionários tradicionais, ele declarou:


“Hoje a atividade missionária descobre na cultura indígena valores evangélicos, de tal forma que o índio não só é evangelizado, mas também é capaz de nos evangelizar [...]. A evangelização é capaz de descobrir a presença de Cristo no grupo tribal, o qual vive de maneira mais cristã do que nós, com o nosso batismo e com a nossa prática religiosa. Sem professar o nome de Cristo, os aborígines vivem muito mais na plenitude de vivência anunciada pelo Cristo”.[3] 

A descoberta da América – um crime 

D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia,
em trajes episcopais “aggiornati”: por “báculo”, um remo;
por “mitra”, um chapéu de palha; e “estola”.
Para ele, “Anchieta foi até certo ponto transmissor
de um evangelho colonizador. A lgreja deve se penitenciar”.
Ideias extravagantes como essas, renegando o Evangelho, também foram defendidas pelo hoje nonagenário D. Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), um dos criadores das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e propulsor do MST. Ele ficou conhecido por não usar os trajes próprios de prelado: em vez da mitra, chapéu de palha; no lugar do báculo, um remo. Não usa anel de ouro, mas de tucum. Assim se chama uma árvore nativa da Amazônia, com cuja semente se faz o “anel de tucum” — símbolo dos propagadores do Sínodo da Amazônia. Em sua autobiografia, D. Casaldáliga escreveu: 
“Acabei, por fim, de entender, e até de sentir, toda a ganga de superioridade racista, de domínio endeusado e de exploração inumana com que foram descobertos, colonizados, e, muitas vezes, evangelizados os novos mundos. ‘Colonizar’ e ‘civilizar’ já deixaram de ser para mim verbos humanos. Como não o são, aqui onde vivo e sofro, as novas fórmulas colonizadoras de ‘pacificar’ e ‘integrar’ os índios. Imperialismo, colonialismo e capitalismo merecem, no meu ‘credo’, o mesmo anátema. Repugnam-me os monumentos aos descobridores e aos bandeirantes”.[4] 
Na declaração acima, D. Casaldáliga deixa entender que no seu “credo” não há anátema ao comunismo. Além da crítica aos heróicos descobridores e bandeirantes, ele censura severamente a admirável obra evangelizadora de santos e missionários; como, por exemplo, a de São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil: 
“Anchieta foi até certo ponto um transmissor de um evangelho colonizador. A Igreja deve se penitenciar [...]. É evidente que a descoberta da América foi em muitos aspectos um crime colonialista. E que a evangelização tem sido excessivamente vinculada a uma cultura e, por isto mesmo, a um domínio”.[5] 

Sínodo Pan-Amazônico: recauchutagem de ideias retrógadas 

D. Balduíno já faleceu; D. Casaldáliga está muito idoso e doente; mas em pleno século XXI outros adeptos da “Teologia da Libertação” continuam com os mesmos delírios da missiologia comunista. Hoje alguns dos motivadores do Sínodo Pan-Amazônico estão recauchutando o velho projeto de imobilizar o índio na vida tribal, panteísta, comunistoide, igualitária e sem propriedade privada, como o faz o arcebispo peruano D. Pedro Barreto. E apresentam tal “estilo de vida” como modelo para a sociedade, e também para macular o glorioso passado missionário da Igreja. 

Esse projeto foi denunciado por Plinio Corrêa de Oliveira [foto ao lado] há quatro décadas. O Sínodo ora em andamento pretende reanimá-lo, não somente com vistas a manter os silvícolas estagnados no tribalismo primitivista e pagão, mas também para apresentar tal estilo de vida como ideal para a sociedade dita “civilizada”. Exatamente o que o Prof. Plinio refutou cabalmente em 1977, em seu livro Tribalismo Indígena – Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI. O documento de trabalho (Instrumentum laboris) do Sínodo Pan-Amazônico confirma tais objetivos.

Esse livro foi classificado por alguns como profético e irrefutável. Profético, pois há 42 anos prognosticou precisamente o que hoje está acontecendo; irrefutável porque, seriamente documentado, não deixa margem para réplica. A íntegra dessa obra encontra-se disponível no seguinte link: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Tribalismo_last_corre%C3%A7%C3%A3o.pdf 

Sínodo Pan-Amazônico – os “Estados Gerais” de uma revolução 

No livro Tribalismo Indígena, os novos missionários progressistas são classificados por Plinio Corrêa de Oliveira como “missionários aggiornati” (do italiano giorno, dia), no sentido do missionário modernista da Igreja-Nova, pós-conciliar. Os textos das próximas páginas podem ser aplicados inteiramente aos atuais propugnadores do Sínodo da Amazônia, que se utilizam da questão indígena como pretexto para contestar uma sociedade “austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal”,[6] solidamente fundamentada no magistério tradicional da Santa Igreja Católica. 

Na França de 1789, a convocação da Assembleia dos Estados Gerais (clero, nobreza e povo) pelo Rei Luís XVI precedeu a Revolução Francesa, que derrubou a monarquia e deu início a um estado de coisas caótico, o qual foi se acentuando até os nossos dias. Da mesma forma, deve-se temer que a atual Assembleia Pan-Amazônica — devido às suas gravíssimas consequências para todo o mundo católico — se transforme nos Estados Gerais da Igreja, com vistas a derrubar a sua estrutura monárquica. É o que se poderia deduzir das seguintes palavras do Papa Francisco: “O Vaticano como forma de governo, a Cúria, o que seja, é a última corte europeia de uma monarquia absoluta. A última. As demais já são monarquias constitucionais, a corte se dilui, mas aqui há estruturas de corte que têm que cair”.[7]

____________ 

Notas: 
1. Em janeiro de 1978, sócios e cooperadores da TFP saíram em caravanas de propaganda do livro Tribalismo Indígena – Ideal Comuno-Missionário para o Brasil no Século XXI. Percorreram 2.963 cidades em todos os quadrantes do Brasil. Em nove edições sucessivas, a tiragem alcançou 82 mil exemplares, sem incluir a publicação em Catolicismo (edição de novembro/dezembro de 1977). A mais recente reedição da obra, em 2008, contém o acréscimo de uma segunda parte, na qual os jornalistas Paulo Henrique Chaves e Nelson Ramos Barretto narram visita que fizeram à reserva Raposa-Serra do Sol (Roraima), e o que pesquisaram em Mato Grosso e em Santa Catarina sobre a questão indígena no Brasil. Este acréscimo comemorativo tem por título: 30 anos depois – Ofensiva radical para levar à fragmentação social e política da nação. Confirma inteiramente as teses sustentadas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 1977. 
2. http://www.ihu.unisinos.br/592363-o-futuro-da-humanidade-e-da-terra-esta-ligado-ao-futuro-da-amazonia-entrevista-com-leonardo-boff 
3. Índio ensina ao branco os valores cristãos – entrevista de D. Tomás Balduíno ao semanário “Opinião”, apud “CIC – Centro Informativo Católico”, Vozes, Petrópolis, ano XXV, nº 1279, 22 de fevereiro de 1977. 
4. Yo creo en la justicia y en la esperanza! – Desclée de Brouwer, Bilbao, Espanha, 1976, p. 176. 
5. “De Fato”, Belo Horizonte, ano I, nº 6, setembro de 1976. 
6. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4ª edição em português, 1998, Parte II, Cap. II, 1. 
7.https://www.vaticannews.va/es/papa/news/2019-05/papa-francisco-entrevista-televisa-mexico-migrantes-feminicidio.html

3 de agosto de 2019

A respeito da natureza criada por Deus, algumas frases que ecologistas odeiam

“A criação, admirável e harmoniosa, Deus não a fez senão para o homem. E se a fez tão maravilhosa, tão grande, diversificada, rica, útil, benéfica para alimentar o corpo e conduzir a alma a Deus, é por causa do homem” 

(São João Crisóstomo) 


“As coisas na face da Terra foram criadas por causa do homem, para ajudá-lo a conseguir o seu fim; por isso, devemos usá-las ou abster-nos delas, na medida em que conduzem o homem ao seu fim ou dele o afastam” 

(Santo Inácio de Loyola) 


“Um pintor deve começar o quadro com um banho de negro à tela, porque todas as coisas na natureza são escuras quando não estão expostas à luz” 

(Leonardo da Vinci) 


“Deus fez as coisas da natureza como um bom pai faz com o filho: deu um caderno com os desenhos impressos, mas sem cor, e também deu os lápis de cor para o filho pintar” 

(Plinio Corrêa de Oliveira)


“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras” 

(São Paulo, Apóstolo)

26 de julho de 2015

Palestras sobre ambientalismo e a recente Encíclica do Papa Francisco


Um público profundamente interessado lotou o auditório do Club Homs, em São Paulo, e acompanhou com avidez uma crítica científica da recente Encíclica sobre ecologia e a polêmica que ela suscitou no mundo católico, científico e cultural.

Luis Dufaur

No dia 16 de julho p.p., por iniciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, palestraram no Club Homs da capital paulista o Prof. Luiz Carlos Molion e o autor deste artigo.

O Prof. Molion é meteorologista, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas, ele assestou o foco nos aspectos científicos da Encíclica Laudato Si. 

Crítica científica da Laudato Si 

Ele observou as múltiplas impropriedades, do ponto de vista da ciência, contidas na recente Encíclica, pois adota hipóteses controvertidas como se fossem resultantes de um consenso entre os especialistas. 

Também sublinhou que o termo “consenso” jamais pode ser usado na ciência, pois é ele mais próprio da política e de seus conchavos. A ciência é questionadora por natureza. 

O Prof. Molion [foto acima] explicou que a análise dos dados dos últimos 420 mil anos registra sucessivas eras glaciais com cerca de 100 mil anos de duração cada uma, interrompidas por períodos quentes ou interglaciários de 10 a 12 mil anos de duração. 

A última glaciação ocorreu há 130 mil anos. Nesse período, pode-se constatar que o CO2 nunca causou alteração da temperatura. Pelo contrário, ele acompanhou as mudanças da temperatura com um atraso de 800 a mil anos, ou até 5 mil. 

O CO2 é um seguidor e não um condutor. O grande controlador do CO2 na atmosfera são os oceanos, que constituem 71% da superfície da Terra. Dos 510 milhões de quilômetros quadrados do Planeta, 361 milhões são cobertos pelos oceanos. 

Segundo o abalizado especialista, vivemos hoje num período interglacial iniciado há cerca de 15 mil anos. Nos interglaciários anteriores, a temperatura atingiu de 6º a 10º acima da atual. Qual era a atividade humana que aqueceu o planeta? perguntou o palestrante. Nessas épocas nem existia o Homo Sapiens! 

Esse aquecimento apenas se explica por processos físicos naturais, independentes de qualquer presença ou atividade humana. 

A história da Humanidade civilizada que conhecemos transcorreu nos últimos 10 mil anos, tendo havido quatro períodos muito mais quentes que o atual: o ótimo do Holoceno, há 8 mil anos; o Minuano quente, ocorreu 3.500 anos atrás e correspondeu à civilização de Minos; o Romano quente — entre 400 a.C. a 300 d.C. — que inclui a época da vida de Cristo; e o Medieval quente, entre 900 e 1250 ou 1300 d.C. 

Entre 1350 e 1850, quiçá até inicio do século XX, houve um período frio em que a temperatura média da Europa ficou 2ºC abaixo da atual. 

O interglacial em que vivemos tende ao resfriamento. Já passamos pelo máximo de calor 6 mil anos atrás e estamos rumando bem devagar para uma nova era glacial. Ninguém precisa se preocupar, pois para se chegar a 8º ou 10º abaixo do que está hoje levará cem mil anos. 

De acordo com o Prof. Molion, fica assim claro que o Papa Francisco foi muito mal assessorado na redação da Encíclica. 

O documento papal também recolhe a ideia de um aumento catastrófico do nível dos mares. Em 2007, o Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) previa um aumento de 59 cm até 2100; em 2013 sua previsão saltou para 98 cm. E o líder aquecimentista Al Gore afirma em seu laureado trabalho que o aumento seria de 6 metros! Só que, apesar desse salto vertiginoso, ele comprou uma mansão em Montecito, na Califórnia, pelo valor de 9 milhões de dólares, bem junto à praia...! 

O palestrante mostrou que é impossível medir o nível do mar, pois ele não se trata de um sólido contínuo e está exposto a mudanças determinadas por fenômenos astronômicos! 

A Encíclica trata também de “eventos extremos" de natureza climática. O que é isso? Um evento extremo é um estado atmosférico momentâneo, não é clima! No clima, o que se considera é a média de tudo, e não apenas um momento extremo. 

“Eventos extremos” sempre ocorreram. A pior seca do Nordeste foi em 1877-1879. Na região metropolitana de São Paulo, segundo os pluviômetros, a década com maiores tempestades foi de 1941 a 1950. E a pior enchente que São Paulo já teve foi em janeiro de 1929! Nada tem a ver com o aquecimento global! 

O Prof. Molion também desmitificou outras frases soltas no documento que não se sabe de onde saíram, tais como o medo de descongelamento do permafrost (terra congelada no Ártico) e a liberação de quantidades catastróficas de gás metano por essa e outras vias. 

Também neste ponto, a Encíclica acolhe uma mistificação sem base na ciência. 

Segundo o expositor, em matéria de efeito estufa o documento papal está totalmente equivocado e deve ser completamente repensado em função dos conhecimentos básicos da física. 

Outra questão afirmada sem fundamento é a acidificação dos oceanos. Quanto ácido seria preciso para acidificar os oceanos? É inimaginável. 

Resumidamente, o professor concluiu: o clima varia por causas naturais; “eventos extremos” sempre ocorreram; o CO2 não controla o clima global e é o gás da vida; sem CO2 acabariam as plantas, os animais e os homens; sem energia, inclusive a nuclear, os países pobres não sairão da pobreza. Afirmou ainda que é muito preocupante o Papa defender na Encíclica uma governança mundial para se controlar as emissões de gás. 

Perplexidades ante a Encíclica

O autor deste artigo [foto abaixo] introduziu sua palestra lembrando que a Encíclica é um documento de grande autoridade magisterial dirigido a todo o orbe católico. 

Porém, a Laudato Si não se dirige só aos católicos, mas, segundo explicou o Prof. Alberto Gambino, da Universidade Europeia de Roma, “a todos os que têm sensibilidade pela [...] deterioração do meio ambiente”, crentes ou não. 

Esse caráter plurirreligioso e pluricultural ficou evidente na mesa que apresentou a Encíclica. Ao lado do Cardeal Peter Turkson estavam o metropolita cismático John Zizioulas; o prof. Hans Joachim Schellnhuber, ativista que veicula teses malthusianas das mais radicais; e a professora chinesa Carolyn Woo, presidente do Catholic Relief Services, agência internacional que financia ONGs opostas ao ensinamento católico, promovem o aborto e recrutam ativistas LGBT. 

A Encíclica reproduz também “ensinamentos” de fonte não católica, como os do sufi muçulmano Ali Al-Khawwas, apresentado como “mestre espiritual”. E, como contabilizou o Prof. Evaristo Eduardo de Miranda, pesquisador da Embrapa e doutor em Ecologia, ela emprega 74 vezes a palavra “natureza”, 55 vezes “meio ambiente” e uma só vez “Jesus Cristo”. 

Foi esclarecido para o auditório que o Papa recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o dom da infalibilidade, dom cuja extensão ficou muito bem expressa em Pastoral coletiva dos bispos da Suíça de 10 de agosto de 1871 nos seguintes termos: 

“O Papa não é infalível nem como homem, nem como sábio, nem como sacerdote, nem como bispo, nem como príncipe temporal, nem como juiz, nem como legislador. Não é infalível nem impecável na sua vida e procedimento, nas suas vistas políticas, nas suas relações com os príncipes, nem mesmo no governo da Igreja. É única e exclusivamente infalível quando, como Doutor supremo da Igreja, pronuncia em matéria de fé ou de costumes uma decisão que deve ser aceita e tida como obrigatória por todos os fiéis” (Mons. Joseph Fessler, La vraie et la fausse infaillibilité des papes, Plon, Paris, 1873). 


Também foi observado que a Laudato Si contém três partes principais apoiadas umas nas outras. Sobre a primeira, de natureza científica, falou o Prof. Molion com toda autoridade e suma competência. 

Na segunda parte, a Encíclica correlaciona o estado do meio ambiente com reflexões de natureza econômica, social e política. É também um campo ao qual a infalibilidade do Papa não se estende. 

Na terceira parte, a Encíclica faz longas reflexões morais, filosóficas e religiosas com base nas duas primeiras partes. 

A segunda parte, econômica, social e política, suscitou inúmeras repercussões no mundo inteiro. 

Para Miguel Angel Belloso, diretor da revista espanhola “Actualidad Económica”, de Madri, falando como católico, o documento é a expressão de “um Papa pessimista e injusto”. Segundo ele, o Papa Francisco lança “ideias sem o acompanhamento de um único dado, como se fossem um dogma de fé, que não resistem à menor análise empírica e estão completamente erradas. [...] Francisco é um Papa decididamente político, um socialista convencido [...] Nesta desastrosa encíclica, Francisco [...] converteu-se num poderoso aliado das teses errôneas da esquerda” (“Diário de Noticias”, Lisboa, 26-6-2015, http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4645831&seccao=Miguel%20Angel%20Belloso&page=-1). 

No mesmo sentido o “Catholic Herald”, a mais antiga revista católica inglesa, estimou que “as análises de Francisco” ignoraram o “cenário de um incremento colossal da esperança de vida e da saúde como consequência do desenvolvimento econômico. E em muitas zonas do mundo, o ambiente está a melhorar espetacularmente” (“Diário de Noticias”, Lisboa, 26-6-2015), (http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4645831&seccao=Miguel%20Angel%20Belloso&page=-1). 

O Prof. Denis Lerrer Rosenfield, da UFRGS, observou que sob a governança mundial propiciada pela Laudato Si, “o Brasil deveria abdicar de sua soberania. [...] As ONGs ambientalistas e indigenistas são erigidas em novo poder mundial. A decisão última seria transferida para elas, contando, internamente, com a participação ativa — e decisiva — da CNBB e de seus órgãos, como a CPT e o Cimi. Ou seja, um país como o Brasil poderia perder ‘religiosamente’, ‘moralmente’, ‘ecologicamente’ e ‘socialmente’ a Amazônia” (“O Estado de S. Paulo”, 29-06-2015; http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-papa-e-a-amazonia,1715256.). 

O filósofo hebreu Guy Sormann concluiu seu artigo intitulado Vade retro perguntando: “O homem tem que se submeter à Natureza ou o inverso? O homem é um pecador quando não se prosterna diante da deusa Terra? Esta encíclica, parece-me, não é um manifesto político, mas uma bomba teológica” (“ABC de Sevilla”, 29-6-2015, http://sevilla.abc.es/historico-opinion/index.asp?ff=20150629&idn=1621396426193). 



Para o Prof. José Manuel Moreira, da Universidade de Aveiro, a “encíclica pró-verde” apresenta uma “preocupante mistura de slogans da esquerda radical”. E o “Investors Business Daily” conclui que “o Vaticano está infiltrado por seguidores de um movimento radical verde que é, no seu âmago, contrário ao Cristianismo” (“Sapo.pt”, Econômico, 02-07-2015; http://economico.sapo.pt/noticias/enciclica-proverde_222548.html). 

Na Argentina, o Prof. Roberto Cachanosky explicou que “a mensagem de Francisco deixa aberta a porta para o conflito social. [...] mal assessorado, ou talvez por ter uma ideologia peronista, Francisco incrementa a pobreza, a indigência e o desemprego. [...] Grande favor faria se denunciasse com firmeza os governos corruptos e autoritários que pululam na América Latina” (URGENTE24, 13-07-2015, http://www.urgente24.com/242049-%C2%BFy-quien-dijo-que-francisco-tiene-razon-una-deuda-del-pontifice ). 

Acrescentei que obviamente a Laudato Si também colheu aplausos de outros pontos do horizonte mundial, notadamente do macrocapitalismo publicitário, dos ambientes científicos alarmistas e das esquerdas em geral. 

A partir de Galileu, no século XVI, o ambiente científico repelia a opinião da Igreja sobre as ciências como sendo ingerência inquisitorial. Mas agora, segundo o “Estado de S. Paulo”, cientistas engajados no ambientalismo alarmista radical estão “dando ‘graças a Deus’ por ter uma figura carismática e forte como papa Francisco falando sobre assuntos que para eles nem sempre são tão fáceis” (edição de 15-6-15; http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/ambiente-se/cientistas-contam-com-o-papa-para-falar-ao-coracao/). 

O ex-frade Leonardo Boff elogiou a Encíclica porque “nem a ONU produziu um texto desta natureza” e por pregar uma “ecologia integral [...] que supõe uma visão evolucionista do universo” (UNISINOS, 18-6-2015, http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/543662-ecologia-integral-a-grande-novidade-da-laudato-si-qnem-a-onu-produziu-um-texto-desta-natureza-entrevista-especial-com-leonardo-boff). 

Para Frei Betto, “o Papa faz eco à produção da Teologia da Libertação sobre a questão ambiental [...]. Ao citar Teilhard de Chardin, censurado pela Igreja enquanto viveu, o Papa [...] enfatiza que, em definitivo, a Igreja Católica abraça a teoria evolucionista e a visão holística do Universo” (Adital, 16-07-2015, http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=85546) 

“Sem ânimo de desmerecer o discurso e o esforço de Jorge Mario Bergoglio”, Ignacio Denis Del Rosario, venezuelano graduado no Instituto Latinoamericano de Agroecologia Paulo Freire (IALA), disse que a encíclica nada acrescenta aos ensinamentos do “comandante” Fidel Castro desde os anos 60 e notadamente na Eco-92, no Rio de Janeiro. Ele auspiciou “uma complementariedade entre ambos, confiando plenamente na extraordinária coragem do Papa Francisco” (Aporrea, 01-07-2015, http://www.aporrea.org/internacionales/a210094.html ). 

Não espanta então que o líder do MST, João Pedro Stédile, tenha declarado à “Folha de S. Paulo”: “Os trabalhadores têm quem? Chávez morreu, Fidel está doente. O Francisco tem assumido esse papel de liderança, graças a Deus. Ele tem acertado todas” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/225544-eles-tem-obama-e-nos-temos-francisco-diz-stedile-em-santa-cruz.shtml).

O lobo vermelho ficou verde

Em resumo, lembrei que o astuto lobo vermelho comunista, que andava sumido e foi considerado morto, na realidade tingiu seus pelos de verde e retornou. Acolheram-no a “Teologia da Libertação”, a grande mídia e muitas ONGs, e ele infelizmente se infiltrou no Vaticano, onde tenta realizar seu tóxico sonho disfarçado de ambientalismo. 


Em face desse problema, nada me parece mais apropriado do que as palavras dirigidas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ao Papa Paulo VI, engajado no século passado numa política de aproximação com o comunismo vermelho: 
“De joelhos, fitando com veneração a figura de S.S. o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade. Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe” (“Folha de S. Paulo, 10-4-1974). 

Esta é a posição mais respeitosa e equilibrada diante do lobo vermelho que avança travestido de verde. 



Após os palestrantes responderem a numerosas perguntas, a sessão foi encerrada pelo Dr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Em seguida houve um animado coquetel, no qual os participantes tiveram ocasião de manifestar sua satisfação com as matérias expostas.











15 de julho de 2015

A controvertida Encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco


Como os leitores certamente têm acompanhado, a recente Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si, está provocado grande polêmica no Brasil e no mundo inteiro, tanto nos meios católicos quanto nos ambientes científicos e culturais.

Em razão dessa controvérsia, uma conferência será realizada na capital paulista (endereço abaixo). Os conferencistas serão: o meteorologista Luiz Carlos MOLION e o escritor Luis DUFAUR. Eles farão uma análise dessa Encíclica, um mês depois de sua publicação. 

Prof. LUIZ CARLOS MOLION 
Meteorologista brasileiro, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas. 

LUIS EDUARDO DUFAUR 
Escritor e pesquisador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.
Dia: 16 de julho [próxima 5ª. feira]
Local: Club Homs 
Endereço: Av. Paulista, 735 (São Paulo - SP)
Horário: às 19,00 hs. 

A INSCRIÇÃO É GRATUITA, MAS OBRIGATÓRIA. 

Click aqui para fazer sua inscrição.

Ou:
http://ecb49f7.leadlovers.com/ambientalismo-enciclica-de-francisco