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8 de março de 2026

Dia da Dama: Como as Senhoras Católicas podem opor-se ao "Dia da Mulher" feminista



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Em 8 de março feministas ao redor do mundo, em um espírito igualitário, celebrarão o "Dia Internacional da Mulher." Seu objetivo: Um "mundo igualitário de gênero (...) livre de preconceitos e discriminação" para "promover a igualdade de gênero."

Do outro lado da batalha moral, as mulheres católicas respondem a essa postura igualitária celebrando o 8 de março como um dia de virtude cristã e beleza feminina. Por meio do vestuário, dos modos e da moral, elas aspiram ser exemplos brilhantes de pureza – a virtude que define uma verdadeira dama. Entre essas mulheres católicas, nasceu uma graça – o dia da mulher foi batizado e renomeado como "Dia da Senhora". Para as mulheres católicas, 8 de março é um dia para expressar, em um lugar público, com intenção e propósito, a beleza de uma dama verdadeiramente feminina da forma mais plena possível.

Ao manter fiel ao conceito católico de dama, esse movimento, especialmente no Dia da Senhora, realiza quatro objetivos:

Primeiro, diante da cultura revolucionária que promove a vulgaridade e pecado entre as mulheres, Lady Day desafia a narrativa. Como uma estrela brilhante em um céu escuro, ela brilha como prova de que algumas almas permanecem dispostas a se destacar e proclamar com convicção e sem hesitação que toda mulher tem a vocação de sustentar o verdadeiro, o bom e o belo. É uma forma de enfrentar de frente os ataques à verdadeira feminilidade, manter a linha católica, influenciar a opinião pública e fazer reparação a Deus.

Em segundo lugar, a observância do Dia da Senhora é uma afirmação da crença de que todas as mulheres são feitas à imagem e semelhança de Deus e devem se tratar com dignidade. Uma dama se veste, fala e age, tendo diante dos olhos o conhecimento de que é um ser humano com uma alma que exige respeito. Suas qualidades femininas são um dom nobre de Deus para serem tratadas com reverência. Assim, no Dia da Senhora, uma mulher demonstra respeito por si mesma e por sua pureza, abraçando sua vocação dada por Deus.

A terceira razão para apresentar o quadro completo de uma dama em público é elevar a sociedade. Ao agir com elegância e elegância, a dama realiza um "apostolado de presença" que não beneficia apenas a si mesma, mas também à sociedade. Enquanto a cultura igualitária promove a promiscuidade, a senhora católica usa sua influência para defender a moralidade e a pureza. Seu apostolado de presença é refinado, porém firme. É refinado porque ela é uma dama, e firme porque seu modo de ser está enraizado no idealismo. Ela fornece um eixo moral para as famílias e um padrão de virtude pelo qual uma sociedade pode prosperar. Assim, ela atrai Deus para seu lado, e ninguém pode negar que essa união sublime é poderosa para mover as almas daqueles ao seu redor.

Isso nos leva à quarta e mais sublime realização de uma verdadeira dama. Ao agir de acordo com sua natureza feminina, ela honra Aquele que ordenou as funções distintas dos sexos. A cada passo que dá, movimento da mão, olhar dos olhos, a verdadeira dama católica presta homenagem à Lei Natural e honra Deus na ordem que Ele colocou na criação. Suas ações são uma expressão externa desse nobre princípio.

Além de glorificar Deus, sua dignidade e pureza honram a maior de todas as damas: Nossa Senhora. Por meio do cultivo dessa graça feminina concedida apenas às mulheres, ela se torna um reflexo da Bem-Aventurada Virgem e assume um certo aspecto de sua beleza. Nossa Senhora naturalmente se sente satisfeita e cuida dessas filhas especiais enquanto elas se esforçam para incorporar suas virtudes. Assim, vemos uma relação em que os esforços da dama terrena aumentam o esplendor de nossa Rainha Celestial, que por sua vez recompensa suas filhas ao concedê-las sua própria marca.

Em resumo, pode-se dizer que o Dia da Senhora é um "decreto" para o insondável desígnio de Deus e para cultivar aquele aspecto de Nossa Senhora que Deus chama cada mulher a refletir. Além de honrar Nosso Senhor e Nossa Senhora, Lady Day honra a própria senhora como uma criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Também beneficia outros; como o Dia da Dama inclui aparecer em público, as mulheres compartilham com os outros, por meio de símbolos, os princípios que a tornam uma dama. E, finalmente, com sua elegância, ela desferir um golpe forte aos inimigos de Deus; com a mesma respiração que diz "fiat" à sua vocação, ela responde "não" a toda afronta a Nossa Senhora, especificamente ao espírito igualitário na raiz do "Dia da Mulher."

Finalmente, nos encontrando no meio de um mundo que exibe impureza e promiscuidade como norma, vamos fazer um apelo à nossa Rainha e Mãe neste próximo 8 de março, 2026 para ser o modelo supremo de damas e dar a coragem necessária para empunhar a espada da pureza e dignidade diante do pecado e da vulgaridade.

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Fonte: Lady Day: How Catholic Ladies Can Oppose the Feminist "Woman's Day"

https://www.returntoorder.org/2026/03/lady-day-how-catholic-ladies-can-oppose-the-feminist-womans-day/

10 de agosto de 2024

Fim do pensamento e igualdade entre homens e animais

São Tomás – detalhe do afresco “A Virgem e o Menino com São Domingos e São Tomás de Aquino” Fra Angelico (1395–1455). Museu Hermitage, em São Petersburgo (Rússia).


Novos passos alucinados da Revolução que já emergem no horizonte

✅  Juan Antonio Montes

Até agora, o gosto e a capacidade de pensar eram característicos de todas as culturas e civilizações.

Essa vontade de pensar e de valorizar o raciocínio humano está sendo posta em causa por uma nova corrente de filósofos, acadêmicos e pensadores, a qual encontra eco nos meios de comunicação social e, paradoxalmente, nos centros de pensamento de esquerda.

Na Antiguidade, o desenvolvimento sistemático do pensamento começou com os gregos, questionando as causas dos fenômenos que observavam.

Mais tarde, na Idade Média, São Tomás de Aquino e a escola escolástica, apoiando-se nas regras de Aristóteles, responderam às verdades teológicas que permaneciam inexplicadas para os filósofos gregos.

Assim nasceram as universidades, que se disseminaram pelas principais capitais da Europa Ocidental e contribuíram para difundir o pensamento na sociedade daqueles países.

 

O pensamento se distanciando das verdades da Fé

A Encíclica Fides et Ratio, do Papa João Paulo II, demonstra a necessária harmonia entre a verdade da razão e a verdade que nos foi revelada, destacando o papel de São Tomás de Aquino como formador de professores da escolástica: “Neste longo caminho [do pensamento], ocupa um lugar absolutamente especial São Tomás […]. Numa época em que os pensadores cristãos voltavam a descobrir os tesouros da filosofia antiga, e mais diretamente da filosofia aristotélica, ele teve o grande mérito de colocar em primeiro lugar a harmonia que existe entre a razão e a fé. A luz da razão e a luz da fé provêm ambas de Deus: argumentava ele; por isso, não se podem contradizer entre si”.(1)

Essa harmonia indispensável entre as verdades da Fé e da razão foi rompida com o processo revolucionário, descrito pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu célebre ensaio Revolução e Contra-Revolução.

Com a crescente influência do Humanismo e do Protestantismo, o pensamento humano começou a se afastar da procura das verdades da Fé, relativizando a teologia e centrando as suas preocupações apenas em questões meramente humanas.

Dessa forma, as elucubrações da filosofia renascentista deram origem posteriormente ao “cartesianismo”, que questionava tudo quanto não fosse objeto de conhecimento empírico.(2)

 

Maio de 1968, violência nas ruas de Paris 

Processo de relativização do pensamento tomista

Um erro atrai outro. Foi assim que se passou ao Iluminismo, anterior à Revolução Francesa, que exaltou o pensamento em detrimento da Fé, espalhando um espírito de “deísmo” generalizado nas classes cultas do Antigo Regime.

Mais tarde, chegamos ao Positivismo no século XIX, pelo qual o homem acabou expulsando todas as verdades que não fossem meramente mecânicas e cientificamente verificáveis.

As grandes descobertas científicas do início do século XX confirmaram a falsa impressão de que uma vida fácil fora definitivamente alcançada e se tornara acessível a todos.

A instituição, em 1900, do Prêmio Nobel e o prestígio internacional das Exposições Internacionais levaram o mundo científico ao seu auge de prestígio, disseminando em toda a sociedade a ideia de progresso indefinido.

Porém, já em meados do mesmo século, um movimento de pensadores começou a questionar os pressupostos do pensamento e seus próprios frutos. Tal questionamento irrompeu-se violentamente durante a revolução estudantil na Sorbonne, em 1968.

Curioso paradoxo, a mesma universidade — por cujos corredores passaram São Tomás de Aquino e outros luminares do pensamento escolástico — ouviu, pela primeira vez na história do Ocidente, uma censura à capacidade de pensamento do homem.

Seus slogans promoveram a imaginação e a extinção do pensamento. Eis alguns deles: “Aproveite sem limites”; “A imaginação no poder”; “Seja realista, exija o impossível”; “É preciso explorar sistematicamente o acaso”; “É proibido proibir. A liberdade começa com a proibição”.

 

Desvanecimento das características de ser racional e espiritual

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, nos mesmos dias em que esses acontecimentos eclodiam, declarou: “É um impulso universal que sacode a mocidade inteira [...]. Característica singular, é puro impulso, não tem outra coisa a não ser impulso. É, então, uma nova era histórica em que o homem renuncia à razão, renuncia à promoção, e espera, por um instinto, pela ordem das coisas futuras.”(3)

Sua previsão se confirmou inteiramente.

A partir daí, essa revolução — apesar de ter sido reprimida pelas forças da ordem e de ter encontrado a oposição de um milhão de franceses — só cresceu, enfraquecendo o gosto pelo pensamento e pelos atos de vontade, deixando que as emoções dirigissem a mentalidade de todas as gerações que se seguiram.

Da mesma forma como as três revoluções anteriores (Protestante, Francesa e Comunista) atacaram as elites e os chefes da sociedade que encontraram à sua frente, essa IV Revolução também encontrou outro “rei” para decapitar.

Esse rei é o homem com suas características de ser racional e espiritual.(4) Sua realeza lhe foi conferida pelo próprio Deus no início da Criação, quando lhe ordenou “governar toda a criação e dominar todos os animais”.(5)

Coube então, a essa IV Revolução, diminuir ao máximo as características espirituais e racionais que conferem ao homem a sua superioridade, para torná-lo igual aos animais e a todos os demais seres vivos.

Veremos como ela está se comportando.

 

Paulo VI descreveu a primeira geração a ser deformada pelos instrumentos de propaganda como “geração da imagem”. 

O animalismo versus o humano

Através de mecanismos de propaganda, tendências que valorizavam os sentimentos, as emoções primárias e a espontaneidade começaram a ser promovidas em detrimento do pensamento e dos aspectos lógicos das pessoas.

Tal propaganda, somada aos recursos da tecnologia, provocou um crescente desinteresse pelos atributos do pensamento, da memorização e do estudo sistemático, frutos do esforço individual e do ascetismo. Paulo VI descreveu a primeira geração a ser deformada por esses instrumentos como “geração da imagem”.

O psiquiatra espanhol Dr. Blasco-Fontecilla referiu-se a essa operação de tentativa de acabar com o pensamento abstrativo como uma “operação deliberada de imbecilização do ser humano” e denunciou que ela foi realizada através dos meios de comunicação, especialmente da televisão, para transformar o ‘homo sapiens’, herdeiro da cultura escrita, no ‘homo videns’, para o qual a palavra está destronada pela imagem.(6)


Como resultado desse nivelamento entre o que os animalistas chamam de ANH (animal não humano) e AH (animal humano), foi crescendo a corrente daqueles segundo os quais ambos os tipos de espécies têm a mesma dignidade e os mesmos direitos. 

Com efeito, se o homem está perdendo a sua capacidade de raciocínio, obviamente está também perdendo, pari passu, a sua diferença com o animal irracional.

Como resultado desse nivelamento entre o que os animalistas chamam de ANH (animal não humano) e AH (animal humano), foi crescendo a corrente daqueles segundo os quais ambos os tipos de espécies têm a mesma dignidade e os mesmos direitos.

Esta tendência de equiparar o humano ao animal foi encorajada não tanto como uma doutrina teórica, mas como um sentimento psicológico de compaixão. Isto levou à constituição de “coletivos anti-especistas autogeridos”, que conseguiram acabar com os zoológicos, considerados por eles como “prisões”.(7)

Enquanto na Alemanha, uma das nações mais “razoáveis” do Ocidente, os direitos dos animais foram introduzidos na Constituição,(8) no Chile a mesma cláusula foi proposta para um projeto de reforma constitucional.(9)

Fazendo eco a esta tendência, o importante Banco Vizcaya Bilbao concedeu no ano passado ao filósofo animalista Peter Singer o prêmio “Fronteiras do Conhecimento”, por sua “contribuição ao progresso moral” e por ter marcado “um ponto de viragem na compreensão e fundamentação da ética, aplicando para o domínio dos animais, com consequências notáveis ​​para a legislação internacional sobre o bem-estar animal”.(10)

Tornando-se universal essa tendência, o Ministério da Agricultura do Chile emitiu uma definição de saúde animal em nada diferente daquela de saúde humana: “O termo ‘bem-estar animal’ designa o estado físico e mental de um animal em relação às condições em que vive e morre. Um animal experimenta bom bem-estar (sic) se estiver saudável, confortável, bem alimentado, seguro e se não sofrer sensações desagradáveis ​​como dor, medo ou inquietação e for capaz de expressar comportamentos importantes para o seu estado físico e bem-estar mental.”(11)

Sobre este propósito de querer equipar o animal ao humano, o jornalista espanhol Julio Llorente escreveu: “Depois de alguns anos de observação cuidadosa concluí que os animalistas não defendem tanto que os animais sejam tratados da mesma forma que os homens, mas que os homens sejam tratados da mesma forma que os animais. É uma redenção ao contrário, uma equalização descendente, semelhante à promovida pelo sistema educativo espanhol.”(12)

Desta forma, a “realeza” do homem e a sua supremacia ontológica perante os demais seres vivos do planeta é cada vez mais posta em causa por essa IV Revolução.

 

Manifestação de feministas radicais 

Ecologia radical e ciência

Somam-se a isso outras correntes ideológicas revolucionárias que fazem parte da mesma força para degradar a “realeza” humana.

Os alarmes não comprovados do fim do mundo como efeito do aquecimento global e outras psicoses ambientais generalizaram a impressão de que o homem é o grande causador desses danos.

A partir daí, e como consequência lógica, expande-se a ideia de que quanto menos o homem intervier nos processos espontâneos da natureza, tanto mais se assegurará o futuro para as novas gerações. Isto é o que se chama teoria do “decrescimento”, apoiada especialmente pelos partidos verdes na Europa e pelos seguidores da ecologia profunda.(13)

Como os estudos científicos geralmente buscam obter o melhor uso dos recursos naturais em benefício do bem-estar humano, eles caem na área das ações “suspeitas” de ambientalistas radicais. Para estes, o melhor seria o homem não se preocupar com o futuro, mas viver o dia a dia preocupado apenas com a sua subsistência imediata.

Ora, uma das principais diferenças entre o homem e o animal é a capacidade de prever do primeiro, em oposição à falta de previsão do animal. Reduzir o homem ao mesmo sistema de imprevisibilidade próprio ao animal é tentar eliminar uma das diferenças características entre uma espécie e outra.

 

Feminismo radical

Uma vez que a IV Revolução tenta reduzir o pensamento à sua expressão mínima, entende-se que pretende exaltar a emoção em todos os aspectos da vida em sociedade, promovendo o papel do feminino e “desconstruindo” o homem como ser primordialmente pensante.

Uma das razões pelas quais as correntes feministas radicais encontraram importante audiência no Ocidente se deve ao fato de que, por sua natureza feminina, as mulheres representam uma psicologia mais emocional, no sentido prático da palavra.

Não nos aprofundaremos neste assunto por tratar-se de questão amplamente estudada, especialmente no que se chama de “ideologia de gênero”.

 

“Conhecimento pós-humano”

A alternativa para o homem de hoje é voltar à “Casa Paterna” da ordem cristã completa e reconciliar-se com aquilo que desastrosamente abandonou.
[
O retorno do filho pródigo – Pompeo Batoni (1708–1787). Museu de História da Arte, em Viena].

Para a última geração do feminismo radical, não se trata mais tanto de exacerbar as diferenças entre homens e mulheres, menosprezando o masculino e priorizando o feminino. Os promotores do que tem sido chamado de “pós-humanismo” deixaram essa discussão para trás e estão atualmente se concentrando numa nova forma de compreender o que chamávamos até agora de humanidade.

A corrente “pós-humanista” pretende incorporar todos os seres vivos numa espécie de simbiose “nômade” e mutável, onde as diferenças, em vez de entrarem em luta, se somam e se diluem, dando origem a um ser híbrido cujos componentes orgânico, técnico, animal e vegetal se unem em permanente evolução.

Seus teóricos constituem uma vasta gama de “pensadores” cujos trabalhos são divulgados em universidades de todo o mundo. Entre os principais expoentes dessa corrente estão feministas como Rosi Braidotti, que afirma: “O conhecimento pós-humano nos fornece um projeto afirmativo e enérgico para confrontar nossa natureza nova, híbrida, tecnológica e pós-humana, e lança as bases para a pesquisa em ciências humanísticas à altura dos desafios contemporâneos.”(14)

Braidotti, que é também acadêmica e docente em diversas universidades e autora de vários livros, considera que “o humano nunca foi uma categoria neutra, mas sempre esteve ligado ao poder e ao privilégio. Portanto, ir além dos antigos esquemas com que o Homem se definia hoje torna-se não só uma necessidade, mas também uma exigência ética. O conhecimento pós-humano é, acima de tudo, uma vocação crítica: o projeto de reconfigurar o conhecimento e a experiência, derrubar o antropocentrismo e analisar criticamente a lógica discriminatória do humanismo”.(15)

O espaço deste artigo não permite elencar todas as teses “pós-humanistas”, mas o que em resumo elas buscam é acabar com a última “realeza” existente: a do homem criado à “imagem e semelhança” de Deus.

Outro expoente desta corrente pós-humanista, o Prof. Fernando Hernández da Universidade de Barcelona, concorda com Braidotti: “O pós-humanismo crítico desafia o antropocentrismo no coração do pensamento ocidental. Questiona a centralidade humana e os discursos que cercam a ideia de um observador situado fora da natureza e da sociedade. […] Natureza e cultura estão interligadas, torná-lo evidente permite-nos romper com este e outros dualismos que determinam as nossas formas de nos relacionarmos com a natureza e conosco.”(16)

Estes novos Robespierres do pensamento e da supremacia humana procuram derrubar a última desigualdade estabelecida por Deus na Criação, acabar com todos os poderes do espírito e mergulhar-nos numa espécie de magma panteísta.

 

O diabo nunca dá o que promete

As promessas do espírito infernal nunca são cumpridas. No final dos tempos medievais, ele prometeu ao homem “ser como Deus”, caso abandonasse o espírito religioso. Ao cair no engodo, a sociedade ex-cristã afastou-se da “casa paterna”.

No momento em que o homem é rebaixado da condição de rei da Criação, soa o chamado da graça, semelhante ao ouvido pelo “filho pródigo” quando comia as bolotas dos porcos.(16)

A alternativa para o homem de hoje é voltar à “Casa Paterna” da ordem cristã completa e reconciliar-se com aquilo que desastrosamente abandonou.

Embora não seja fácil abandonar o que foi cultuado durante tantos séculos, há, no entanto, neste momento histórico, um apelo especial da graça.

Falecido em 1995, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira não conheceu os últimos desenvolvimentos desse pós-humanismo. Contudo, previu as suas piores consequências e apontou a saída para não se cair naquela tentação despersonalizante.

Em conversa com alguns membros da TFP, ele destacou que a única maneira de escapar desta enorme mentira da Revolução era pedir graças místicas à Mãe de Deus.

 “Essa perda do sabor da vida tem uma relação muito íntima com o que eu falava a respeito das graças místicas [...], que é o antídoto para isso. É o único antídoto. Não temos consciência disso porque, como somos católicos, esses favores místicos vêm sem nos darmos muito conta, mas ajudam a tocar a vida”.(17)

Voltemo-nos então para a Santíssima Virgem Rosa Mística, a fim de que nos obtenha de seu Divino Filho a graça de ver a sua beleza, sentir o seu perfume e deixar-nos levar pelos seus sublimes encantos: “Trahe nos Virgo Imaculada, post te curremus in odorem unguentorum tuorum.” (Atrai-nos, Virgem Imaculada; corremos atrás dos teus passos, ao odor dos teus perfumes).

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Notas:

1. “Carta Encíclica Fides et Ratio do Sumo Pontífice João Paulo II aos bispos da igreja católica sobre as relações entre fé e razão”, 43. De 4 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, 1998.

2. “As obras filosóficas de Descartes marcaram o ponto de viragem de uma era (o mundo medieval) para dar lugar à modernidade filosófica. A maior parte de suas obras gira em torno da crítica aos métodos de pensamento estabelecidos, da construção de um novo método para encontrar a verdade, do desenvolvimento da dúvida hiperbólica (a “dúvida metódica”, a respeito do método) e do ego que tomo como a primeira verdade óbvia.” https://humanidades.com/rene-descartes/

3. “No trem da Revolução da Sorbonne, o programa de uma nova era história: a renúncia da razão”

4. Conferência de 15-6-68. Destaque nosso.

5. Santo Tomás de Aquino exprime-se a respeito da dignidade do homem da seguinte forma: “Entre todas as outras substâncias, os indivíduos de natureza razoável têm um nome especial. E este nome é uma pessoa” (Summa Theologiae, I, q. 29, a. 1 c.).

6. E Deus os abençoou com estas palavras: "Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre o chão." (Gênesis 1, 28).

7. Dr. Blasco Fontecilla “O crescente predomínio da imagem sobre a palavra, a transformação do homo sapiens herdeiro da cultura escrita pelo homo videns' para quem a palavra é destronada pela imagem. Cf. https://farmacosalud.com/dr-blasco-fontecilla-hay-una-deliberada-imbecilizacion-del-ser-humano/

8. “O movimento animal problematiza o especismo como forma de constituição do ‘Homem’ moderno baseada na submissão e no tratamento desigual de seres sencientes que não pertencem à espécie Homo sapiens. Na América Latina assistimos ao seu surgimento e expansão apenas a partir da primeira década de 2000, a partir de um conjunto de redes coletivas compostas por ativistas e organizações que organizam suas ações para gerar transformações no especismo que colore as diferentes esferas sociais e econômicas. cf. https://nuso.org/articulo/america-latina-movimiento-animalista-y-luchas-contra-el-especismo/#footnote-128. “Desde 2022, a Lei Básica da Alemanha estabelece que a proteção animal é um objetivo do Estado. A Lei de Proteção Animal também regulamenta o tratamento desses seres vivos. Cf. Vegetarianos: os salvadores do planeta? https://www.dw.com/es/comer-carne-vs-derechos-animales-en-alemania-liberamos-a-los-cerdos/a-49643963#:~:text=From%202022%2C%20la %20Lei%20Fundamental,sem%20a%20%22razoável%20%E2%80%9D.

9. Jeremy Rifkin O que podemos aprender com os animais! “Só Harvard e outras 25 faculdades de direito nos Estados Unidos introduziram cursos sobre os direitos dos animais, e cada vez mais casos que representam os direitos dos animais estão a entrar no sistema judicial. A Alemanha tornou-se recentemente o primeiro governo do mundo a garantir os direitos dos animais na sua Constituição. Cf. “El País”, Jeremy Rifkin Tribune.

10. “Steven Pinker e Peter Singer, Prêmio Fronteiras do Conhecimento por seus estudos sobre o progresso humano e a consideração moral dos animais.” cf. https://www.bbva.com/es/steven-pinker-y-peter-singer-premio-fronteras-del-knowledge-por-sus-estudios-sobre-el-progreso-humano-y-la-consideracion- moral-dos-animais/

11. Cf. “Bem-estar animal”. https://www.sag.gob.cl/ambitos-de-accion/bienestar-animal

12. Julio Llorente, https://www.vozpopuli.com/Publicado: 19/03/2023

13. “Jason Hickel oferece num texto recente uma breve definição de decrescimento, como ‘uma redução planeada na utilização de energia e recursos destinada a trazer a economia de volta ao equilíbrio com o mundo. a fim de reduzir as desigualdades e melhorar o bem-estar humano. https://www.ciperchile.cl/2022/01/06/decrecimiento/

14. Cf. “Conhecimento pós-humano”. https://www.gedisa.com/ficha.aspx?idcol=300&cod=302680&titulo=El-knowledge-posthumano&aut=Braidotti,%20Rosi#.X0TxYcgzZPY

15. Ib.

16. Prof. Fernando Hernández Universidade de Barcelona, Catedrático de Belas Artes. "Pensar la educación (y las humanidades) desde el posthumanismo". https://www.youtube.com/watch?v=bTLGdzryNf0

17. Lucas 15, 11-32

18. Plinio Corrêa de Oliveira, Conversa gravada em 13-3-93.

7 de novembro de 2021

Usando látegos, índias bolivianas expulsam feministas que profanavam a catedral de Santa Cruz de la Sierra

Em Santa Cruz de la Sierra, feministas radicais emporcalharam a entrada da catedral e jogaram tinta nas pareces

✅  Plinio Maria Solimeo

Na Bolívia há muitos povos indígenas, cada qual com suas características próprias. Um deles são os guarayos. Segundo o missionário Frei José Cors, que escreveu em finais do século XIX, eles “eram [...] robustos, afáveis, apresentando bastante capacidade para as artes, especialmente a música”, que atrai especialmente os jovens. Pelo que se abriu entre eles “um potencial a mais em benefício de sua dinâmica econômica, pois ademais de excelentes intérpretes, são fabricantes de violinos, que pouco a pouco estão comercializando nos distintos mercados nacionais e internacionais”[i].

Os guarayos foram evangelizados por missionários franciscanos no final do século XIX e início do XX, conservando com orgulho e ponto de honra sua filiação católica.

Duas das índias católicas que, com seus chicotes de couro,
expulsaram as feministas
 
No dia 31 de outubro último, foi o que levou um grupo de índias dessa etnia a expulsar com chicotadas feministas que invadiram a catedral de Santa Cruz de la Sierra durante a missa celebrada pelo arcebispo Dom Sergio Gualberti, em protesto pela posição da Igreja em relação ao aborto. O prelado afirmara na homilia “ninguém, nem mesmo o Estado”, tem o direito de tirar a vida para solucionar qualquer problema.

A história é a seguinte: uma menina de 11 anos engravidou, após ter sido estuprada pelo pai de seu padrasto. Tanto ela quanto a mãe pensaram de início em fazer um aborto. Porém, aconselhadas por membros do movimento pró-vida e sacerdotes daquela arquidiocese, resolveram levar adiante a gravidez. Foram então recolhidas em um abrigo da Igreja Católica, onde a menina recebe amparo e ajuda durante a gravidez.

Isso, que é mais do que louvável e que deveríamos esperar de todos os membros da Igreja, enfureceu as feministas radicais da cidade, que gozam do apoio da legislação do governo socialista, favorável ao crime do aborto. Embora essas degeneradas defendam o “meu corpo, minha decisão”, pretendem decidir sobre os corpos alheios.

No artigo da jornalista Mamela, no qual nos baseamos, ela comenta que, em seu afã de fazer triunfar o socialismo, as feministas de Santa Cruz de la Sierra, bem como suas congêneres em todo o mundo, não se importam em destruir impunemente o patrimônio histórico-cultural e as propriedades pública e privada de suas nações. Elas defendem todas as agendas esquerdistas, seja onde for. Por exemplo, essas de Santa Cruz haviam se manifestado publicamente pela libertação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, corrupto líder do Foro de São Paulo.

Com a volta do socialismo ao poder na Bolívia, o partido governista tem atacado particularmente o povo guarayo, por ser muito católico e conservador.

Antes que as feministas pudessem invadir o recinto sagrado, enquanto pichavam as paredes externas do templo, elas foram afastadas da proximidade do edifício por policiais, que não fizeram uso da violência, apesar da atitude violenta e vandálica das agitadoras.

Foi aí que entraram em ação as índias guarayas. Empunhando látegos artesanais de couro, usados nas zonas rurais da Bolívia para ameaçar seus filhos rebeldes, elas avançaram contra as degeneradas e as expulsaram para longe da catedral [vídeo abaixo].

Comenta a jornalista: “As mulheres hispano-americanas se caracterizam pela defesa dos filhos e da família. E as indígenas se destacam por serem trabalhadoras que atam seus pequenos sobre as costas, para continuar seus labores. Elas são o fiel exemplo de que os filhos não são um impedimento para elas, mas sua maior fortaleza. Entretanto, o feminismo [a pretexto de que os filhos são um estorvo] levanta a bandeira do aborto, uma vez que prefere ter uma legislação que lhes permita pôr fim à vida de inocentes antes do nascimento, para que não atrapalhem suas aspirações pessoais”.

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*https://panampost.com/mamela-fiallo/2021/11/02/indigenas-bolivianas-se-enfrentan-a-feministas-que-atacaron-una-catedral/

[i] https://www.biobol.org/index.php/actividades/pueblos-indigenas/74-pueblo-indigena-guarayo

13 de junho de 2021

GUERRA ENTRE REVOLUÇÕES

Alanna Smith, jovem velocista americana, fala durante ato de protesto pedindo vetar atletas “trans” nos EUA

✅ Paulo Henrique Américo de Araújo 

Desenrola-se há anos uma espécie de conflito velado entre duas correntes revolucionárias, ambas com vinculações evidentes por seu ódio à civilização cristã. Propugnadores da ideologia de gênero, tida como “avançada”, consideram agora “ultrapassada” a vetusta onda feminista. A recente ascensão de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos trouxe notoriedade ao entrechoque das duas posições, e não há mais como escondê-lo do público. 

O caso, como veremos, traz à luz uma das constatações mais sagazes de Plinio Corrêa de Oliveira, na sua obra mestra Revolução e Contra-Revolução: No processo de decadência do Ocidente cristão, iniciado nos fins da Idade Média, as revoluções de ontem vão sendo inevitavelmente devoradas pelas revoluções de hoje. 

Controvérsia por direitos iguais 

Alanna Smith, jovem velocista americana, tinha pela frente uma carreira promissora nas pistas de corrida de seu país. Tal oportunidade lhe surgiu, entre outros motivos, porque o movimento feminista havia reivindicado, durante muitas décadas, o direito das mulheres à prática de esportes geralmente restritos antes aos homens. A partir de meados do século passado, com o avanço da dita “igualdade entre os sexos”, as mais variadas formas de competição foram abertas às mulheres: natação, atletismo, esportes coletivos, e até mesmo um inimaginável pugilismo feminino. 

Seus esforços foram paulatinamente reconhecidos no mundo das atletas, exatamente como ocorria com os homens. O pressuposto óbvio era que entre as mulheres esportistas vigoraria o chamado “fair play”, ou jogo justo. Em outras palavras, homens disputariam com homens, e mulheres disputariam com mulheres. Seria um disparate imaginar mulheres competindo com homens, por exemplo, em uma disputa de boxe... 

Entretanto, quando a mãe de Alanna lhe perguntou sobre sua estratégia para vencer uma competição juvenil em 2019, a resposta foi taxativa: “Nada vai adiantar, mãe! Não tenho como vencer, porque hoje vou competir contra rapazes!”.(1)

Como!? Então cessou de valer o “fair play”!? Mulheres vão ser obrigadas a competir com homens, em tão flagrante desigualdade de condições??!! Era bem isso, mas também não era bem isso... Acontece que a revolução de hoje decidiu dar um grande passo, tão grande como outras loucas violações da natureza, para cuja vitória ela tem de ‘devorar’ a revolução de ontem. Expliquemo-nos. 

O feminismo batalhou com todas as suas armas pela “igualdade de direitos” das mulheres. Avançaram, avançaram, avançaram, e hoje quase não há atividade que seja proibida às mulheres. Mas recentemente interessou à revolução dar impulso a outra “igualdade”, antinatural e insensata como tantas outras: “igualdade de gênero”. Ocorre, no entanto, que essa “igualdade” entra em contradição com a “igualdade de direitos” das mulheres. A consequência prevista por Alanna se concretizou, e ela ficou bem atrás dos dois “transgêneros” (homens identificados como mulheres) que disputavam a corrida naquele dia.

Outro caso emblemático ocorreu com Selina Soule.(2) Em 2018 ela havia galgado o mais alto posto das velocistas juvenis em Connecticut. Contudo, numa corrida pelo campeonato estadual no mesmo ano, ela cruzou a linha de chegada muito, mas muito depois de “outras duas competidoras”. Tratava-se na realidade de dois competidores, que biologicamente falando eram rapazes, mas correndo na mesma pista com as moças. Terminando em terceiro lugar, Selina perdeu uma vaga na universidade, a classificação para futuros campeonatos e outras vantagens advindas da carreira de esportista. 

O mais intrigante no caso de Selina é que os dois vencedores não teriam chance numa disputa contra homens, pois seus tempos de corrida estavam bem abaixo de outros competidores do sexo masculino na mesma categoria. Aliás, os dois “transgêneros” não teriam condições nem sequer para disputar o campeonato estadual com outros rapazes, apesar de terem vencido mulheres de verdade. Sua classificação era simplesmente muito aquém da média das competições masculinas. Alegando serem “mulheres”, venceram a competição contra mulheres em nome da “igualdade de gênero”! 

Não temos a menor simpatia pela “igualdade de direitos” das mulheres (a revolução de ontem), mas devemos ressaltar que agora está sendo cometida de fato uma flagrante injustiça contra mulheres (consequência nefasta da revolução de hoje).

Feministas e transgêneros em batalha judicial 

Em 2019, Selina, Alanna e duas outras atletas juvenis, apoiadas pela associação Aliança em Defesa da Liberdade, entraram com ação judicial no estado de Connecticut.(3) A demanda intenta proteger o direito ao clássico “jogo justo”, excluindo das competições femininas os “atletas transgêneros”, isto é, homens biologicfamente falando, que preferem ser tidos como mulheres. Até o fechamento desta edição, a decisão judicial ainda não havia sido proferida. De qualquer forma, note-se que o Departamento de Educação dos Estados Unidos, durante o governo Trump, vinha tomando uma atitude favorável às jovens esportistas. Sob o novo governo, porém, tal apoio foi retirado. 

Analistas preveem(4) outras querelas judiciais do mesmo tipo no país, em razão da ordem executiva baixada pelo presidente americano Joe Biden no início de seu mandato, em janeiro deste ano. A “Ordem executiva para a prevenção e combate à discriminação baseada em identidade de gênero e orientação sexual” declara, em sua 1ª seção: “As crianças devem ser inseridas no aprendizado, sem a preocupação de terem o acesso negado a banheiros, vestiários ou esportes escolares”. 

No Brasil, a problemática ainda não veio à tona como na América do Norte. Mas a guerra já desponta no horizonte com a tramitação, na Assembleia Legislativa de São Paulo, de um Projeto de Lei de 2019 para a proibição de “transgêneros” nos esportes.

Em 2019, Alanna, Chelsea e Selina (de esq. à dir.) atletas juvenis, apoiadas pela associação Aliança em Defesa da Liberdade, entraram com ação judicial no estado de Connecticut. A demanda intenta proteger o direito ao clássico “jogo justo”, excluindo das competições femininas os “atletas transgêneros”

A lei natural esmagada por contradições 

Os argumentos a favor e contra mergulham num mar de contradições e conclusões tortuosas. Os defensores dos “transgêneros” nos esportes femininos argumentam que é possível diminuir ou até neutralizar a natural disparidade biológica entre os sexos. Tratamentos para inibição de hormônios masculinos passaram a ser apresentados como prova de “igualdade de condições” nas competições internacionais e olímpicas. Isto significa, na realidade, tentar consertar um erro com outro erro. 

Por outro lado, especialistas afirmam que certas características masculinas não podem ser minimizadas, mesmo com tratamentos hormonais.(5) Dentre as naturais vantagens físicas dos homens sobre as mulheres figuram: ombros mais largos, algo que proporciona maior capacidade pulmonar e respiratória; maior massa muscular; maior densidade óssea nos braços. 

Eis uma comparação. Se a velocista norte-americana Allysson Felix — ganhadora de seis medalhas de ouro olímpicas e tida como uma das mulheres mais rápidas do mundo — disputasse os 400 metros rasos, fazendo o melhor tempo de sua carreira (49.26 segundos), ela perderia a corrida para aproximadamente 300 rapazes, atletas não profissionais, estudantes do ensino médio, apenas considerando os participantes dos Estados Unidos.(6)

Não quero desmerecer a famosa atleta, desejo apenas apontar o óbvio: há diferenças biológicas entre os sexos que influenciam os resultados esportivos. Mas as sentinelas da ideologia de gênero não querem enxergar a questão assim. Para elas, retirar o direito de “homens transgêneros” à participação em competições femininas traduz-se por “discriminação de gênero”. Chegam até a qualificar as jovens esportistas acima citadas como “más perdedoras” e “preconceituosas”. 

Contradições que fazem a Revolução avançar 

Apenas na civilização nutrida pela doutrina
 milenar da Santa Igreja Católica pode haver
bases firmes e equilibradas para os legítimos
papéis do homem e da mulher na sociedade,
cada qual com sua dignidade,
 importância e particularidades próprias.
Foto do ambiente de Londres nos anos
 da Rainha Vitória.


Não consta que qualquer movimento feminista tenha levantado a voz contra tão flagrante violação dos “direitos das mulheres”. Por quê? Ao que tudo indica, porque a onda revolucionária do “gênero” vai ‘pondo para escanteio’ a revolução feminista, suscitando querelas e contradições nas suas próprias fileiras. Por exemplo, o ativismo feminista usa geralmente a expressão “igualdade de gênero” como um conceito favorável aos direitos das mulheres.(7) No entanto, diante da controvérsia dos “transgêneros” nos esportes femininos, a mesma expressão vai sendo utilizada em sentido oposto. 

Tantas são as contradições, tão antinaturais todos esses aspectos impensáveis até bem pouco tempo atrás, que não conseguimos imaginar como poderia um juiz sensato prolatar sentença justa nessa situação paradoxal de “Revolução dos bichos”, na qual todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Quanto aos legisladores, como elaborar leis sensatas num mundo em que a insensatez disputa corrida com os que fogem à “lanterna de Diógenes”? 

Na realidade, a Revolução anticristã vive de contradições e lutas internas. O que importa para ela é a destruição dos restos de Cristandade em nossos dias, mesmo que para isso seja necessário desprezar e derrubar suas bandeiras do passado; ou seja, devorar aquilo que foi ultrapassado pelo próprio processo revolucionário. 

Apenas na civilização nutrida pela doutrina milenar da Santa Igreja Católica pode haver bases firmes e equilibradas para os legítimos papéis do homem e da mulher na sociedade, cada qual com sua dignidade, importância e particularidades próprias. E longe, muito longe dos disparates igualitários deste nosso mundo paganizado. 

____________ 

Notas

1. Cfr. <https://www.youtube.com/watch?v=SrMem2TiAqQ>

2. Cfr. <https://www.youtube.com/watch?v=navQkMFvmDc>

3. Cfr. <https://www.ctpost.com/sports/article/Lawsuit-against-allowing-transgender-athletes-to-15982666.php>

4. Cfr.<https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2021/02/02/decisao-de-biden-aumenta-sobre-transgeneros-afeta-o-esporte.htm>

5. Segundo o Journal of Applied Physiology, citado aos 4m e 45s do vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=b--cafK5mxY>

6. Cfr. aos 2m e 32s do vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=navQkMFvmDc>

7. Cfr. o penúltimo parágrafo do artigo: https://atletasnow.com/mulheres-no-esporte-conheca-suas-trajetorias-e-conquistas/

22 de março de 2021

Em defesa da virilidade

✅  Plinio Maria Solimeo


H
oje em dia infelizmente o homem está perdendo muito de sua virilidade. É grande o número, principalmente entre os jovens, dos que se enfeitam com adornos próprios a mulheres, e se portam de uma maneira que se diria mais feminina que masculina. O mau exemplo para eles vem quase sempre de artistas que frequentemente se apresentam como seres andrógenos, cabelos longos, rostos bizarramente pintados, brincos nas orelhas, maquiagem excessiva, roupa unissex, e jeitos e trejeitos mais próprios a mulheres. 

Além disso, com a funesta ideologia de gênero defendendo que a criança deve poder escolher seu próprio sexo e a facilidade e profusão das operações para mudança de sexo, é muito grande a pressão em favor de se reconhecer um “terceiro sexo” trans, nem masculino nem feminino. 

Por outro lado, o que aumenta a crise da masculinidade que afeta os homens é que, além de um efeminamento acentuado nas maneiras e modos de ser, muitos deles se portam como se fossem eternas crianças. 

São Paulo já escrevia aos coríntios: “Quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas agora que me tornei homem, eliminei as características de pequenino” (1 Co 13,11). Isto é, deixei as atitudes próprias da infância por outras maduras no modo de pensar, falar e agir, e no enfrentamento da vida como ela é.

Pode-se dizer que essa crise na masculinidade tem muito de planejada, como afirma com propriedade o jornalista Felipe Marques, da Associação São Próspero, em lúcida análise. Segundo ele, com a Escola de Frankfurt foi criado por marxistas um mecanismo na área da psicologia, “com vistas a melhor aplicar o marxismo na cultura e, então, facilitar a destruição dessa mesma cultura desde o seu núcleo, sem que os cidadãos se apercebessem do processo”. 

Declara Marques que 
“A masculinidade é um dos principais alvos desses ataques de subversão, porque justamente o homem foi constituído para o combate e para doar sua vida pelos outros. Longe dessa realidade, o homem se torna um ser egoísta e autoritário que visa somente seu bem-estar e sua busca por prazer, esquecendo-se da justiça e da sua vocação magna ao sacrifício. Dessa forma, com uma masculinidade frouxa e pusilânime, os tiranos conseguem solapar os direitos da civilização, abusam das mulheres e crianças e colocam-se no lugar de Deus”. 
O jornalista apresenta então como deve ser verdadeiramente um varão católico: 
“Para ser homem católico, é necessário amar a Deus, amar a Verdade e configurar-se em tudo a Deus. Isso pode ser feito na doação diária de si mesmo para o bem dos mais fracos, para o bem das mulheres e crianças, para o bem da sociedade, e para o bem da Santa Madre Igreja. Enamorados pela Verdade, os homens são capazes de saírem de si mesmos e irem em busca do outro, rejeitando toda espécie de abuso, toda espécie de egoísmo, utilitarismo e vaidade. [...] Ser homem, enfim, é estar disposto a derramar o próprio sangue pela Santa Igreja Católica e para que outros vivam pois, se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer produz muito fruto (São João 12, 24). Quer dizer, Deus deseja levantar verdadeiros homens que não tenham medo de viver a partir dos valores evangélicos, e que abracem uma vida de santidade”.[1] 

O Apóstolo dos Gentios [imagem ao lado] dá também algumas das características próprias do varão católico: primeiro, deve ser respeitoso, amando o próximo com caridade fraterna (Ro 2,10); não buscando o bem próprio, mas o do próximo (1 Co 10,24); suportando o peso de seu próprio fardo (Gl 6,5). E, segundo o livro dos Provérbios, sendo pacientes, pois “o paciente vale mais que o herói; é o que domina o seu ânimo” (16,32), suportando a velhice com altanaria, porque “a velhice é uma coroa de glória, a qual se encontra nos caminhos da justiça” (id. 31). 

Esse problema da crise da virilidade no homem, sobretudo do católico, tem preocupado algumas autoridades eclesiásticas. Por exemplo D. Thomas J. Olmsted [foto abaixo], bispo da cidade de Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, como aponta Fernando de Navascués em Religion en Libertad. Um dos desafios que esse bispo enfrenta, e que expôs em uma exortação pastoral intitulada “Na ‘Brecha”, segundo Navascués, “é [sobre] o desaparecimento do homem no seio da família, seja porque os filhos nascem fora do matrimônio, seja porque abandonou suas responsabilidades como esposo e pai. Para o bispo do Arizona, nunca se viu uma crise como a atual na hora do homem viver sua masculinidade, quer dizer, seu compromisso matrimonial e sua paternidade, sua liderança na família, sua obrigação de ouvir o coração de sua mulher e de seus filhos, bem como sua capacidade de sacrifício pessoal para levar adiante sua família”. 


Com efeito, em sua exortação pastoral, D. Olmsted afirma que os varões católicos “não duvidem em entrar na batalha que se luta ao seu redor, a batalha que está ferindo nossas crianças e famílias, a batalha que está distorcendo a dignidade tanto de homens quanto de mulheres. Essa batalha habitualmente está oculta, mas é muito real. Essa batalha é primordialmente espiritual, e está matando progressivamente o que resta do caráter cristão de nossa sociedade e cultura, inclusive em nossos próprios lares”. 

Segundo o Prelado, tal batalha provocou, desde o ano 2000 até o 2016 (ano em que foi escrita sua exortação) que 14 milhões de católicos deixassem a Igreja (cremos que só nos Estados Unidos), e que os casamentos religiosos caíssem 41% e os batismos das crianças 28%. 

Qual a causa disso? Responde D. Olmsted: “Uma das razões chaves pelas quais a Igreja está vacilando sob os ataques de Satanás, é porque muitos homens católicos não têm estado dispostos a ‘se manterem firmes na brecha’, deixando esse espaço aberto e vulnerável ao ataque. Um terço deixou a fé, e muitos dos que ainda são ‘católicos’ praticam a fé com timidez e com um compromisso mínimo de transmitir a fé a seus filhos”. 

A ideologia de gênero e a propagação da mania de “mudança de sexo” criaram muita confusão em nossos dias, pondo em dúvida a própria masculinidade. Pelo que diz D. Olmsted, “isso que pareceria óbvio [a virilidade do homem], em nosso mundo há muitas imagens distorcidas e evidência de confusão sobre o que é a masculinidade verdadeira. Podemos dizer com certeza que, pela primeira vez na História, as pessoas estão confusas ou são tão arrogantes para agora determinar sua própria masculinidade ou feminilidade”. 


D. Olmsted fala também do papel do homem no matrimônio, como esposo e como pai. “Em nossos dias, esse compromisso é visto habitualmente como a eleição de algo convencional, inclusive aborrecido; algo que limita a liberdade ou ameaça o amor. Nada poderia estar mais longe da verdade!” E acrescenta: “Homens! Essa é a glória! Chamados ao matrimônio, vocês são chamados a ser Cristo para suas esposas. Devido a que esse amor os une sacramentalmente ao amor infinito que Cristo tem a cada um, seu matrimônio sacramental se sobrepõe aos limites do matrimônio natural, e alcança o infinito e eterno caráter a que todo amor aspira”. E conclui: “Homens, sua presença e missão na família é insubstituível; despertem, e com amor retomem seu lugar, dado por Deus, como protetores, provedores e líderes espirituais de seu lar”. 

Para Navascués, de Religión en Libertad, interpretando provavelmente D. Olmsted, “se um homem quiser perseverar nesta luta por sua masculinidade, deve viver os seguintes passos: 1) Rezar todos os dias (“sem oração o homem é como um soldado sem comida, água ou munição!)”; 2) Examinar sua consciência antes de dormir e rezar o ato de contrição; 3) Ir à Missa, ao menos aos domingos e dias de festa; 4); Ler a Sagrada Escritura ou outro livro de piedade; 5) Santificar as festas; 6) Confessar-se e comungar; 7) Estabelecer vínculos de amizade com outros homens católicos. 

“Como são seus amigos? Tem amigos com quem compartilhar a missão de santidade?” “Uma renovada masculinidade não será possível sem que os homens primeiro se unam como irmãos e verdadeiros amigos”. 


Como não poderia deixar de ser, o bispo de Phoenix apresenta como modelo para os homens o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: “Aqui está a masculinidade em sua totalidade; todo católico deve estar preparado para manter-se firme na brecha, entrar em combate espiritual, defender a mulher, as crianças e demais contra a adversidade e ciladas do demônio”.[2] 

*   *   * 
Entretanto, há também reação, da parte dos leigos, contra essa tendência malsã, conforme relata J. Lozano no mesmo site Religión en Libertad: “Durante os últimos anos, estão se multiplicando na Igreja os grupos de evangelização e de formação só para homens, nos quais se reivindica a masculinidade para que os varões reencontrem seu lugar na sociedade, no seio da família, e na própria Igreja”. 

Lozano explica: “Na Espanha teve uma grande acolhida o ‘Projeto São José para a evangelização’ e formação de homens, organizado pela Arquidiocese de Toledo”.

O Pe. Miguel Garrigós, delegado diocesano da Família e Vida de Toledo, explicou que, com esse Projeto, “queremos ajudar a aprofundar na comum dignidade essencial entre homem e mulher, e na diferença existente querida por Deus desde a Criação, para a complementaridade. Diante das mudanças que se têm produzido nos últimos tempos, parece-nos particularmente necessário ajudar os homens a encontrar seu lugar nesta sociedade e também no seio da família”. 

E acrescentou: “Com este projeto queremos propor uma reflexão profunda sobre a masculinidade, que pode ajudar os homens de qualquer estado. A influência da ideologia de gênero é tão grande, que nos afeta a todos, e pode criar desorientação em muitos”.[3]

O projeto reuniu neste ano cerca de 200 homens para “aprofundar à luz de São José, a vocação e a missão que Deus confiou ao varão”. Emílio Boronat, professor na Universidade Abat Oliva, de Barcelona, “fez uma conferência sobre a masculinidade. Começou sua dissertação analisando as raízes da teoria de gênero, para passar depois a mostrar de maneira profunda como os homens devem alcançar sua plenitude vivendo as virtudes teologais e cardeais”. 

Depois da conferência e das perguntas, houve uma Adoração ao Santíssimo Sacramento. Diz um dos presentes: “Foi comovedor contemplar esse grupo tão numeroso de homens [200!], prostrados aos pés de Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro”. 

O encontro terminou com um jantar de confraternização nos salões paroquiais.[4]

Esse movimento de homens procurando reafirmar sua varonilidade também se alastrou em outros países, sobretudo nos Estados Unidos, onde em muito grupos, inclusive paroquiais, “os homens se juntam em um ambiente cristão para falar não só da fé, mas também realizar atividades nas quais Deus é o imã que os une”. 

Temos um exemplo na paróquia de Santa Rita, em Alexandria, na Virginia, “onde o grupo de homens está realizando uma série de chamativas atividades na Quaresma, pelas quais se poderia facilmente chamá-los de ‘guerreiros espirituais’”. 

Esse grupo põe seu foco na oração, no ascetismo e na fraternidade, baseando-se numa interpretação mais ou menos livre do programa Êxodo 90 de exercícios espirituais. Esse Êxodo 90 é um programa também só para homens católicos, de noventa dias de duração. Entre outras coisas, diz o programa: “Não podemos dizer ‘Sim’ a Deus, e aceitá-Lo em nossas vidas, até que digamos ‘Não’ às comodidades mundanas. Retornarás à ancestral — e por muito tempo esquecida — tradição da Igreja do ascetismo”. Pelo que, durante os três meses desse programa, muitas práticas ascéticas são utilizadas. 

Os promotores desse movimento na paróquia de Santa Rita, visando facilitar aos homens um crescimento espiritual na Quaresma, tomaram como base sobretudo as palavras de Bento XVI: “O mundo te oferece consolo, mas não fostes feito para a comodidade. Fostes feito para a grandeza”. 

Nesse sentido, foi pedido aos participantes desse grupo paroquial para escolherem cinco práticas ascéticas que desejassem fazer durante a Quaresma. As cinco de nove que escolheram, iam desde duchas de água fria ou com uma temperatura que não fosse superior à do ambiente, até exercícios físicos, como fazer uma caminhada levando nas costas uma mochila de pedras pesando 20 quilos; diminuir a hora do sono regular, abster de álcool, das redes sociais ou dos dispositivos eletrônicos. Explica um dos organizadores: “Estamos dando um passo atrás às comodidades deste mundo, e dizendo: ‘não acontecerá nada se eu não tomar uma cerveja ou não usar ducha quente esta noite’, porque ‘isso não determina quem somos’”. 

Para terminar, citamos as palavras do jovem beato Pier Giorgio Frassati: “Viver sem fé, sem um patrimônio que defender, sem uma luta estável pela verdade, não é viver, é [apenas] existir”.  
____________ 
Notas: 
1.https://www.ofielcatolico.com.br/2006/02/confortare-esto-vir-seja-homem.html 2.https://www.religionenlibertad.com/vida_familia/58990/obispo-los-hombres-deben-descubrir-identidad.html 
3.https://www.religionenlibertad.com/nueva_evangelizacion/60503/exito-total-del-proyecto-san-jose-evangelizacion-hombres-.html 
4. Id. ib.